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segunda-feira, 27 de março de 2017

CEGOS, ESSES SERES INVISÍVEIS

A cada cinco segundos, uma pessoa fica cega no mundo.Cego, aspas.
Vamos melhorar: a cada cinco segundos uma pessoa sofre um problema qualquer e perde a visão.
Não. Dá prá melhorar: a cada cinco segundos, uma pessoa perde a luz dos olhos.
Pois bem, segundo dados da ONU, Organização das Nações Unidas, existem seiscentos e não sei quantos milhões de pessoas que vêm o mundo com os olhos dos outros, se é que me entendem.

Em todo o mundo há milhões de pessoas chamadas de "deficientes visuais". Quer dizer, milhões e milhões, verdadeiras multidões que se locomovem, que se movem, que se movimentam, se esgueiram quase, de modo invisível.
Essa é a realidade.
Somente na cidade de São paulo há mais de 50.000 pessoas sem luz nos olhos, enfrentando calçadas esburacadas e a discriminação dos enxergantes, isto é, pessoas que tem olhos com luz e não vêm.
Há pouco fiquei sabendo da morte de Maria das Neves Barbosa, uma paraibana de Campina Grande.
Maria das Neves partiu sábado para a eternidade, depois de uns dias internada num hospital. Ela integrava um trio de artistas do povo: Maroca, Poroca e Indaiá.
Maroca foi-se embora. Viva Maroca!


Eu conheci Maroca e suas irmãs há um ano e pouco, quando fui fazer palestra na Universidade Estadual da Paraíba, em Campina. Quem me levou a sua casa foi o amigo Chico Pereira. Na ocasião, restou um registro. Clique:


Saí da casa das três, com um presente: a história delas contada no documentário A Pessoa É Para o Que Nasc.


domingo, 26 de março de 2017

OUTONO, CAJÚ E ÁGUA DE COCO

Este primeiro domingo de outono trouxe-me um vento macio acarinhando-me o corpo. Agradeci a Deus por ter nascido e ter à minha volta pessoas maravilhosas que sempre estiveram e estão comigo nos momentos mais delicados...
O dia continua lindo.
Meus pensamentos transportam-me a tempos de ontem.
Vejo-me brincando nas areias da praia de Cabo Branco, ali pegadinho a Tambáu.
Vejo-me também, já crescidinho, trepado nos cajueiros e chupando caju.
Bons tempos aqueles!
Lembro-me também das férias passadas em Alagoinha Serra de Boi, no brejo paraibano. Lá eu andava de Jerico e de cavalo de pau, correndo atrás de bandidos furiosos, doido para pegá-los e levá-los à cadeia, como fazia Zorro.
Bom também era quando eu saia com os primos Dio e Dadá prá pegar manga e coco no pé. Era perigoso, claro, mas o perigo é o combustível dos aventureiros, e éramos naquele tempo, todos aventureiros, Parecia que não tínhamos medo de nada. Nem de caixas de marimbondo. Tampouco de chifre de bode e de marrada de garrote.
Este dia outonal trouxe-me também a amiga Cris Alves com cocos na mão.
Tem coisa melhor no mundo do que beber água de coco de manhã num domingo de outono? E ainda por cima, com colheres comemos a laminha dos cocos. Ô coisa boa!
E como se não bastasse, na vitrola rodava um disco do filósofo, cantor e compositor Alcântara das Luzes. Ele é da terra de Juvenal Galeno (1836 - 1931), autor do clássico romântico Cajueiro Pequenino. A propósito, clique acima e curta DiMattos da Rabeca interpretando essa obra prima.
O disco é de fins do século passado e eu o trouxe de Fortaleza, cidade do Alcântara.
Esse é o segundo ou terceiro disco do Alcântara. Não sei bem. Começa com o Rap dos Anjos, cuja letra é o resultado de uma adaptação de poemas do mais importante poeta simbolista do Brasil, o paraibano Augusto dos Anjos (1884 - 1914).
Alcântara das Luzes é, sem dúvida, um dos mais importantes artistas brasileiros. Creio até que já passou da hora de os brasileiros, todos, conhecerem-no. Uma amostra:




NA GALHA DO CAJUEIRO

Cajú, cajueiro, coco e coqueiro e outras frutas são, há muito, temas da nossa música popular. Acima eu trouxe lembranças de um passado distante em que se acham caju e coqueiros. Entre os autores, lembrei Juvenal Galeno, mas há outro, muitos outros poetas romancistas e cantores. Como esquecer Wilson Simonal, de corpo desaparecido no dia 25 de Junho de 2.000. A sua voz, porém continua viva, ouça:



sábado, 25 de março de 2017

A HISTÓRIA ATRAVÉS DA IMPRENSA



Irene Ravache e Dan Stulbach, clientes da Enigma
Gutenberg (1398 – 1468) inventou a Imprensa na segunda parte do século 15. Ele jamais poderia imaginar que a sua invenção mudaria o mundo. Ou, no mínimo, enriqueceria o mundo. A partir da sua invenção, o mundo passou a ficar mais perto de nós.
Sem Gutenberg e sua invenção de tipos móveis, a história se perderia por completo sob o tapete do tempo.
Antes de Gutenberg, a história era oral. Ou seja: passada de boca em boca. É o que ainda chamamos de oralidade.
O papel foi inventado uns três séculos antes, pelos chineses.
Um enigma?
A história sem a prensa de Gutenberg seria, certamente, um eterno enigma.
Antes de Gutenberg não existia a Bíblia em livro.
Ao pisar o solo lunar, em 1969, Armstrong (1930 - 2012), disse ser o que estava fazendo “um pequeno passo do homem, um grande passo para a Humanidade”.
O mesmo pode-se dizer de Gutenberg.
Hoje, beirando a segunda década do terceiro milênio, reconhecemos plenamente a importância de Gutenberg e do homem na Lua.
Há 40 anos surgiu no Brasil, mais precisamente na Capital paulista, um cidadão que depressa entendeu ser preciso reunir a história de pessoas públicas. Para isso criou uma empresa: Enigma.
Foi um belo saque, uma bela iniciativa.
Esse cidadão tem por nome Alberto Dias Santos, baiano de Vitória da Conquista, com visão à frente do tempo. A empresa que inventou continua com os propósitos iniciais, ou seja: recolhendo e repassando aos interessados o noticiário de jornais e revistas.
Dentre as centenas de empresas, empresários e artistas de todos os setores, incluindo música, teatro, cinema e TV,  que se utilizam dos préstimos da Enigma estão Irene Ravache, Jayme Monjardim, Dan Stulbach, Carol Castro, Antonio Calloni, Lauro Cesar Muniz, Leopoldo Pacheco e Lilian Gonçalves, entre outros; e empresas como DIEESE, Associação Brasileira de Odontologia, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes...
O inventor da Enigma eu o conheço a pouco mais de 40 anos.
Gostei de reencontrar meu amigo Alberto.
Saiba o que é Enigma, clicando:

FORO NEM PRÁ MORO, CHEGA DE FORO!

Nem Trump, nem Angela Merkel e nem um outro real poderoso no mundo desfruta dos privilégios de que muitos brasileiros desfrutam atualmente. São cerca de 45.000 deputados, senadores, governadores, promotores, juízes.  No bojo tem ainda, apaniguados e vices.
Esses seres se colocam, se acham acima de Deus e do mundo. E se acham acima de tudo porque desfrutam das vantagens contidas num tal "foro privilegiado".
O que é foro privilegiado?
Tecnicamente foro privilegiado é a benesse que se dá a agentes públicos prá se safarem de acusações que possam haver no desempenho legal de suas funções. Em miúdos: é um biombo atrás do qual tudo cabe. É um escândalo!
No Rio de Janeiro -escândalo dos escândalos-, até vereador ri na cara do povo por se beneficiar do foro.
Em nenhum país, dentre os 193 catalogados pela ONU, há aberração sequer parecida com essa. 


A Constituição brasileira de 1988 garante mundos e fundos a todos nós que nascemos por cá. É bonita mesmo. Logo no seu 5º Artigo, define e promete: 



Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição ...;


Ora, se somos iguais, por que há "tantos mais iguais" entre nós?
Prá levar a sério, o Art 5º da nossa Constituição deveria ser seguido à risca, não é mesmo?
A nossa Constituição em vigor é a 7ª da nossa história, ou 6ª da República. Em nenhuma delas, antes, era garantido a ninguém esse tal de foro privilegiado.
Qualquer brasileiro que cometa crimes, quaisquer crimes, deve ser responsabilizado e punido de acordo com o que reza a Lei.

Se Temer, o presidente em exercício pisa na bola, ou se pisou na bola antes, tem que pagar o pato, de acordo com a Lei, e isso a meu ver é válido prá todo mundo, inclusive para o Juiz Sérgio Moro.
Ou somos iguais ou não somos iguais. Ou nos locupletemos todos, como certa vez disse o antenado Stanislaw Ponte Preta.


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