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segunda-feira, 16 de março de 2026

E ANSELMO DUARTE, HEIN?


Dia desse recente ouvi no rádio notícia dando conta de que cerca de 160 milhões de raios desabaram do céu sobre a nossa terra nacional, historicamente chamada de Brasil em homenagem ao pau que tanto proliferava em toda a Mata Atlântica, desde o Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. 
Lembro dessa notícia porque ao mesmo tempo lembrei-me do enredo O Pagador de Promesas, do nosso criador original e por isso mesmo inesquecível Dias Gomes.
Na peça de Gomes, estreada no dia 29 de julho de 1960 (TBC), a personagem central é um Zé, por todos chamado de Zé do Burro. 
Um dia, um raio desaba sobre o lombo do burro do Zé. Quer dizer, não no lombo do Zé, mas no lombo do burro dele. Certo?
Bom, Zé promete a Santa Bárbara que se o seu burro escapasse dos ferimentos mortais provocados pelo raio ele, Zé, carregaria nas costas uma pesadíssima cruz até à igreja da Santa. 
 Zé morava no interior da Bahia e a igreja da sua Santa se achava fincada no Pelourinho, em Salvador. 
Foi um sucesso danado, mesmo com triste e lamentável final.
No dia 23 de maio de 1962, O Pagador de Promessas ganhava em Cannes, França, a almejadíssima Palma de Ouro do cinema. No elenco figurões das telas como Leonardo Villar, o bonitão Geraldo Del Rey ...
O Pagador de Promessas foi adaptado para o cinema pelo genial Anselmo Duarte. 
Em 1963, o filme de Duarte foi indicado ao Oscar. Não ganhou, mas história é história. 
Anselmo Duarte nasceu no interior de São Paulo num lugar chamado Salto. Da capital paulista até Salto é um pulo: cento e poucos quilômetros. 
O bom Anselmo frequentava bastante o meu escritório, na avenida Paulista. E conversávamos, conversávamos. Um dia, ele me disse que o prêmio que ganhou em Cannes ficou guardado no cofre da prefeitura da sua cidade durante dez anos. Não havia explicação razoável para isso, mas enfim... O fato é que o tempo passou e o prefeito morreu. Resultado: chegou uma hora em que ninguém mais sabia o segredo do cofre, que acabou explodido. 
Esqueci de dizer, mas digo agora: a peça que virou filme pelas mãos de Anselmo Duarte foi dirigida pelo jornalista, tradutor, dramaturgo Flávio Rangel (1934-1988). Trabalhamos juntos na Folha. 
Um dia, Flávio esteve lá em casa para um papo com Geraldo Vandré. Papo vai, papo vem, ao fim nada deu. A ideia era levar de volta o cantor à ribalta. Mas essa é outra história. 
O filme O Agente Secreto, do diretor Kleber Mendonça Filho, foi indicado para quatro estatuetas. Não ganhou nenhuma. Fazer o quê?

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