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sábado, 12 de junho de 2010

IVES GANDRA: "UM GINGADO QUASE DANÇA"

Claro, fico feliz toda vez que topo com alguém que tem algo a mais a dizer.
Isso não é fácil, principalmente nos tempos bicudos de hoje, quando tudo é correria e objeto.
No caso aqui, no que se refere mais específicamente à cultura popular, posso dizer que sou um ser privilegiado.
Privilegiadíssimo, melhor dizendo.
Quantos Ives Gandra da Silva Martins o Brasil tem?
Quantos Tinhorões?
Quantos Vandrés?
Quantos Chicos?
Quantos Suassunas?
Equivocadamente, uma ou outra pessoa me chama de sábio ou mestre.
Deus do céu! Arrepio-me todo.
Sou novo ainda.
E saber tem a ver um pouco com idade e, principalmente, com antiguidade.
No tocante ao Brasil, mestres são esses citados; mais Gilberto Freyre, que disse que só me atenderia para entrevista se eu lesse toda a sua obra.
À época, fins dos 70, eu trabalhava como repórter para o jornal Folha de S.Paulo.
Cascudo foi mais generoso.
Aproveito a deixza para reproduzir texto de Ives Gandra para o livro A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira, que será lançado segunda 14, no Museu do Futebol, às 20 horas; antes um bate-bola como quem estiver por lá.
Você vai?
O texto é este:
"A imprensa, especialmente a européia, elogiou o fantástico malabarismo dos jogadores brasileiros de ataque, comandados por Luiz Felipe Scolari, no Mundial realizado na Coréia e no Japão em 2002. Foram elogios verdadeiros, acertados, justos, pois para os estrangeiros é muito difícil entender o gingado, quase dança, dos nossos atletas em campo.
Não, não dá pra estrangeiro nenhum imitar o bailado dos nossos jogadores. É um bailado rimado, ritmado; é como se jogassem ao som de uma música regida por um maestro invisível exemplar. É isso que deixa os estrangeiros embasbacados, maravilhosamente estupefatos. Diante disso é até fácil qualquer compositor musicar os passos sensacionais de um Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho, de um Denílson ou de um Roberto Carlos, por exemplo.
Estou convencido de que a nossa música popular antecede o futebol e o ritmo próprio do jogador brasileiro. Isso vale tanto para a dança, quanto para o domínio de bola dos nossos craques.
Lembro do velho são-paulino Estevan Sangirardi, que dizia que o bom futebol é música no ar.
Pois bem, sobre este trabalho, sobre este livrinho oportunamente intitulado A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira que Assis Ângelo agora, em boa hora, nos presenteia, posso dizer que é, por sua originalidade, uma relíquia que deve ser lida e guardada com muita atenção e carinho, pois mostra tanto a beleza dos nossos jogadores em campo, como a criatividade sem par dos nossos compositores populares, desde Ary Barroso e Lamartine Babo, passando antes por Pixinguinha, um pioneiro em tudo que fez, até Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.
Assis é um estudioso das nossas coisas, das raízes brasileiras e por quem tenho uma admiração muito grande. Repito: este livrinho é uma pérola notável por seu conteúdo, por seu tema até aqui nunca abordado por nenhum outro pesquisador ou escritor brasileiro.
IVES GANDRA MARTINS,
Do Conselho Consultivo e sócio nº 46 do São Paulo Futebol Clube".

sexta-feira, 11 de junho de 2010

EM TORNO DO MEU NOVO LIVRO, UM PORRE

Antes de tudo, convido vocês para uma prosa em torno do mais importante torneio futebolístico do mundo...
Bonito, mas o melhor talvez seja eu dizer: convido vocês para juntos brindarmos a realização do mais importante espetáculo esportivo do mundo...
Não, talvez: o mais importante evento cultural, a Copa, que mobiliza o mundo...
Direto: o mais importante evento multitudo do planeta bola faz o globo girar 360 graus em segundos...
Enfim, às vésperas do primeiro centenário de gravação da primeira música a ver diretamente com o futebol no Brasil, “Foot-Ball”, e da realização da 19ª Copa do Mundo na África do Sul, entre 11 de junho e 11 de julho, tento fazer no meu novo livro uma retrospectiva inédita em torno do assunto que desde os primeiros anos do século passado tem inspirado artistas brasileiros dos mais diversos calibres e gêneros, desde os grandes Benedito Lacerda/Pixinguinha (“1x0”) a Jacob do Bandolim (“Vascaíno”); passando por Wilson Batista/Jorge de Castro (“Samba Rubro-Negro”), Ary Barroso (“O Brasil há de Ganhar”), Francisco Alves/Ismael Silva/Nilton Bastos (“Nem é Bom Falar”), Noel Rosa (“Conversa de Botequim”), Lamartine Babo (“Sempre Flamengo!”) e Chico Buarque (“O Futebol”).
Além desses, outros compositores abordaram o tema nas suas obras, como Haroldo Lobo/David Nasser (“Fla-Flu”), Rolando Boldrin (“Moda do Corintiano”), Palmeira/Celso dos Santos (“Balanço do Garrincha”), Capiba (“O Mais Querido, Santa Cruz”), Luiz Gonzaga/Hugo Costa (“Hino do Batistão”), Papete/Osvaldinho da Cuíca (“Vai Vai Corinthians”), Hianto de Almeida/Jurandi Prates (“Meu Flamengo, meu Brasil”), Gérson Filho (“Maracanã”), Adauto Santos (“O Torcedor”), Antônio Borba (“Goal do Brasil”), Antônio Sergi/Gennaro Rodrigues (“Hino S. E. Palmeiras”), Lupicínio Rodrigues (“Grêmio Futebol Portoalegrense”), Sérgio Ricardo (“Beto Bom de Bola”), Tom Zé (“Neto, do Corinthians”), Odair Cabeça de Poeta (“Mulher Corintiana”), Toquinho (“Corinthians do meu Coração”), Teixeirinha (“Bom de Bola”), Roberto Mário (“Meus Parabéns, Flamengo”, Milton Nascimento/Fernando Brant (“Aqui é o País do Futebol”) e Gilberto Gil (“Balé da Bola”), sem falar de craques do humor, como J. Baptista Júnior (“Futebol”), Chico Anísio/Irvando Luiz (“Gol de Placa”), Ernesto Palazzo (“Futebol Complicado”), José de Vasconcelos (“O Futebol e o Italiano”), Zé Fidélis (“Vasco x Arsenal”) e Carlos Alberto de Nóbrega, interpretado por Ronald Golias (“Copa do Mundo”).
Muitos artistas da área rural também abordaram o tema, como Teddy Vieira/Zé Carreiro (“Bi-Campeão Mundial”), Alvarenga/Ranchinho/Ariowaldo Pires (“Futebol”) e Zé Fortuna, que, ao lado de Pitangueira, compôs “O Adeus de Pelé” e, sozinho, “A História dos Times” e “Pelé e Rivelino”.
Pelé, que já foi tema de trintenas de músicas no Brasil e no Exterior, vez ou outra se arrisca também a compor. São suas, por exemplo, “Meu Mundo é uma Bola” (1971), “Em Busca do Penta” (2002) e “Sou Brasileiro”, essa em parceria com Edson, da dupla desfeita com o irmão Hudson, e Flavinho, lançada no Programa da Hebe, do SBT, na noite de 5 de abril de 2010. Curiosidade: o time mais cantado no Brasil, até no campo da literatura de cordel e da poesia improvisada ao som de violas, é o Sport Club Corinthians Paulista, pela torcida chamado de Coringão ou Timão.
Pois bem é por aí, acho...
O selecionado africano tinha hoje tudo para ganhar do México. Jogou melhor etc. Empatou. Houve acomodação. Clima de que ganhamos etc. Uruguai x França também foi jogo empatado no 0 x 0.
Arriba!
A nossa seleção estreia dia 15, contra a nervosa Coreia do Norte.
Vinte e quatro horas antes da derrota do Coreia por 3 x 0, reunirei, a partir das 19 horas, amigos velhos, novos e futuros no Museu do Futebol, aqui em São Paulo, capital (Praça Charles Miller, s/n), para um porre em torno do meu novo livro: A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira.
Vamos todos lá?
A idéia é lotar o estádio do Pacaembu...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

CULTURA POPULAR E CRESCIMENTO DO PAÍS

Como eu disse outro dia: algo muito importante está ocorrendo no Brasil.
Isso de todos os lados, de todas as formas.
Nunca, na minha vida, ouvi dizer que o crescimento de um país atrapalha o desenvolvimento do próprio país.
Pois é: até isso está ocorrendo nos dias de hoje, no Brasil.
Basta ler ou ouvir o noticiário, para constatar o que digo.
Isso também quer dizer que o Brasil tem de correr, de preparar seus filhos profissionalmente, educacionalmente para ocuparem os primeiros lugares em todos os rankings, com categoria e respeito.
O presidente diz: consumam!
E todos consomem.
Mas para consumir, para evitar que crises externas contaminem a economia interna, é preciso trabalhar.
E tome trabalho!
Quando eu disse no último ou penúltimo texto postado neste espaço que algo muito importante está ocorrendo no país, é porque está.
Eu me referia, basicamente, à questão da cultura popular.
Até lembrei Villa-Lobos e Mário de Andrade.
A cultura popular não precisa de protetor, de tutor, de defensor etc. Precisa isto sim, que se olhe para ela e com ela se aprenda de maneira verdadeira como se deve aprender.
A cultura popular é canal da aprendizagem.
O que ocorreu ontem em Juazeiro do Norte, CE, no auditório do Centro Cultural do BNB foi uma das coisas mais bonitas que já vi.
O motivo foi Patativa do Assaré, nome de edital lançado pelo Ministério da Cultura.
Estavam lá grandes repentistas como Geraldo Amâncio. Também poetas do batente ou de bancada como, Chico Pedrosa. Cordelistas, como Klévisson Viana, Marco Haurélio.
Minutos atrás tomei conhecimento de que o Tribunal Superior Eleitoral foi a favor do povo, validando por 6 x 1 o projeto ficha limpa para as eleições deste ano.
Quer dizer: neguinho condenado pela Justiça não vai mais encontrar guarida no voto popular, inclusive porque o seu lugar é na cadeia e não num gabinete...
É isso.

NOTÍCIA TRISTE
- Em Juazeiro, fiquei sabendo do passamento do meu amigo cantador Diniz Vitorino. Foi lá pras bandas de Venturosa, PE, sábado último. Ele chegava em casa, quando foi traído pelo coração. Partiu assim mais um baluarte da cultura popular.

ANA RAIO
- Por acaso, ao ligar a TV ontem para assistir performance de Ayrton Mugnaini no programa do Arnaldo Duran, fui surpreendido pelo repeteco da novela Ana Raio & Zé Trovão, com Célia & Celma e Almir Sater. Gostei. E muito!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

CORDELISTAS EM FESTA, EM JUAZEIRO, CE

Cultura popular é a reunião de tudo ou de quase tudo que é feito pelo povo e sua imaginação, no caso as rezas, as ladainhas, novenas, cantigas de ninar, as histórias de encantado, carochinha, fadas, de Trancoso, como ainda se diz em Portugal.
Do povo por não se saber exatamente que fez.
Também a literatura escrita, como a feita pelos cordelistas; as histórias passadas de geração a geração, de boca em boca, anônimas, pela via da oralidade, são coisas que enriquecem o populário, e de tabela uma região ou um país.
Nisso, o Brasil é riquíssimo.
O rio-grandense do Norte Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi um dos mais fiéis recolhedores dos saberes do povo; senão o maior, um dos maiores intérpretes da alma popular. no seu famoso Dicionário do Folclore Brasileiro não encontrei a expressão em verbete cultura popular. Diante de tal ausência, e até mesmo para preencher a lacuna, uma vez lhe perguntei no silêncio de sua casa, na capital do Rio Grande do Norte:
- O que é cultura popular?
E ele, desembaraçado, gigante na sua arena de conhecimentos gerais, respondeu com impressionante segurança, e didático:
- Cultura popular é a que vivemos. É a cultura tradicional e milenar que nós aprendemos na convivência doméstica. A outra é a que estudamos nas escolas, na universidade e nas culturas convencionais pragmáticas da vida. Cultura popular é aquela que até certo ponto nós nascemos sabendo. Qualquer um de nós é um mestre que sabe contos, mitos, lendas, versos, superstições, que sabe fazer caretas, aperta mão, bate palmas e tudo quanto caracteriza a cultura anônima e coletiva.
Foi um mestre, sem dúvida, Luís da Câmara Cascudo.
.......................
MAIS CULTURA/CORDEL
- Amanhã, às 8 da manhã, será lançado edital anunciando o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel, pelo Ministério da Cultura. O evento ocorrerá no Centro Cultural do Banco do Nordeste-Cariri, à rua São Pedro, 337, centro de Juazeiro do Norte, CE. Repasso e-mail que acabo de receber:
“Ministério da Cultura lança edital em Juazeiro do Norte (CE) que contemplará 200 projetos, com investimento total de R$ 3 milhões. É a primeira ação de incentivo desde a regulamentação da profissão, em janeiro deste ano. Na ocasião, serão contemplados artistas da região do Cariri Cearense selecionados no edital Microprojetos Mais Cultura.
Poetas, editores, produtores e pesquisadores que atuam com as culturas populares agora têm um prêmio de incentivo a suas produções. É a primeira ação de incentivo ao cordel desde a regulamentação da profissão, em 14 de janeiro. O Ministério da Cultura lança na próxima terça-feira, dia 8, em Juazeiro do Norte (CE), o Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa de Assaré, que fará a seleção de 200 iniciativas culturais vinculadas à criação e produção, pesquisa, formação e difusão da Literatura de Cordel e linguagens afins. Estão orçados R$ 3 milhões, distribuídos entre as iniciativas contempladas.
As inscrições encerram-se no dia 30 de julho de 2010.
O prêmio vem ressaltar a importância da Literatura de Cordel como patrimônio imaterial brasileiro, entendendo sua unicidade e papel fundamental na construção da identidade e da diversidade cultural brasileira. Podem concorrer poetas, repentistas, cantadores, emboladores e demais artistas populares e profissionais da cultura em quatro categorias: Criação e Produção (apoio à edição e reedição de folhetos de cordel, livros, CDs e DVDs); Pesquisa (dissertações de mestrado, teses de doutorado ou reedição de livros publicados até 10 de março de 2010); Formação (projetos que contribuam para a formação de profissionais que atuam em áreas que dialogam com a Literatura de Cordel e suas linguagens afins, como cursos, seminários, etc) e Difusão (eventos e produtos culturais que contribuam para a valorização e propagação da cultura popular, como feiras, mostras, festivais e outras iniciativas).
Na ocasião do evento, serão entregues as premiações aos selecionados do Microprojetos Mais Cultura no Cariri. Ao todo, foram mais de 1.200 projetos de artistas, produtores culturais e grupos artísticos da região do semiárido contemplados no edital, com valor total de R$ 13,5 milhões. Cada projeto recebeu entre um e 30 salários mínimos. Esse foi o primeiro edital do MinC direcionado ao financiamento de pequenos projetos culturais do semiárido”.

domingo, 6 de junho de 2010

O BAIÃO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL

Cultura popular, como a própria expressão sugere, é o que há de mais importante como identificação ou chancela da vida e do comportamento naturais de um povo.
No caso do Brasil, embora país ainda relativamente novo a ocupar o mapa mundi, é dos mais ricos e importantes dentre todos; desde a sua localização e extensão geográfica privilegiadas à população propriamente dita, que hoje beira a casa dos 200 milhões de habitantes.
Por outro lado, contam-se nos dedos os países cuja dimensão territorial é maior ou chega perto dos nossos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Com um detalhe: quase todos se entendendo numa mesma língua; a exceção fica por conta de alguns grupos indígenas.
Só o Nordeste ocupa área em torno de 1,5 milhão de km2.
Não é pouco, pois nesse espaço caberiam mais de um Peru, dois Chiles, quase três Franças, quatro Alemanhas, cinco Filipinas, 11 Hungrias, 14 Cubas, 16 Portugais, 20 Dinamarcas, mais de 30 Holandas, mais de 40 Itálias...
Os nove Estados no total que formam a região são, por ordem alfabética, estes: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, onde vivem pelo menos 30% da população do País, segundo dados do IBGE.
Faço este preâmbulo para dizer que algo muito importante, de fato, está ocorrendo às nossas barbas, pois não tenho notícia de que algum governo em qualquer época, além do atual, tenha insistido na procura de meios para discutir e valorizar a questão cultura popular.
Vargas fez muito pouco, quase nada.
À época, iniciativa nesse sentido, extremamente tímida, foi pessoal: Villa-Lobos, que andou recolhendo cantigas infantis na Paraíba.
Também de iniciativa particular, foi o que fez o escritor e musicólogo Mário de Andrade, com suas viagens pelo Nordeste.
Muitos gêneros musicais espontâneos, como o samba e o jongo, de origem africana, são hoje patrimônio cultural do Brasil.
Quem sabe o baião como gênero musical estilizado por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira também o seja em breve; que sabe, ainda este ano...
Amanhã voltarei ao assunto.
Ah! A foto que ilustra este texto eterniza um dos nossos encontros com o Rei do Baião, em São Paulo dos anos 70.

sábado, 5 de junho de 2010

GERALDO E XICO: NOVO ANO E NOVO LIVRO

O colega jornalista Geraldo Nunes completou ontem 52 anos de idade, e não de rádio. O bota-fora ocorreu no bar-restaurante Quintal Brasil, em Santana, zona Leste da cidade, ao som de músicas que ao longo do tempo têm embalado torcedores da Seleção Brasileira. Recado ao Dunga. Quase à exaustão, se ouviu noite adentro em coro uniforme a marcha A Taça do Mundo é Nossa, de Maugeri, Dagô e Lauro, composta após a conquista da Copa de 58, na Suécia. Festa e tanto, com as mesas ocupadas e brindes de todos os gostos rolando à vontade: guaraná, cerveja, cana, uísque. Também não faltaram bolo, pizza e a inevitável canção Parabéns pra Você, da paulista Bertha Celeste, vencedora de um concurso musical realizado no Rio de Janeiro, em 1942, pela velha Tupi.
Acompanhado por violão, baixo, teclados e bateria, o aniversariante ocupou o microfone da casa e interpretou músicas do jovem repertório dos anos 60, quando Roberto Carlos era chamado de rei.
Senti a falta do seresteiro Roberto Luna.

XICO SÁ
- Não esquecer: segunda 7, a partir das 19 horas, tem livro novo do confrade Xico Sá, na matriz da Livraria Cultura, esquina da avenida Paulista com a rua Augusta, loja da Record. Também tem um vinhozinho...

REVIVENDO MÚSICAS
- O selo Revivendo está lançando CDs com hinos da Copa do Mundo, dos times de futebol brasileiros e de vários países. Vale a pena tê-los.

REVISTA DA FOLHA
- O engenheiro Peter Alouche manda e-mail informando sobre boa matéria que a revista da Folha de S.Paulo publicará amanhã, sobre as novas estações do Metrô. Destaque: as novas portas de plataforma que estão sendo instaladas no sistema metroviário paulistano, sob a chancela da Trends Tecnologia. Uma frase do Peter, a ser lida na matéria: "Não adianta sonhar. Nunca vamos chegar ao nível de Paris, onde o endereço da pessoa inclui também o endereço da estação de metrô mais próxima". Sei não, mas esse "não adianta sonhar" não é própria do Peter, um cara extremamente alto astral, positivo e sempre esperançoso e positivo em tudo que faz. Hora dessa vou tirar isso a limpo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O CHABADABADÁ DE XICO SÁ NA CULTURA, 2ª

O superantenado confrade cearense do Crato Xico Sá, pérola bruta resultante da poeira do sertão, aí na foto com cara de besta, está convocando amigos velhos, novos e futuros para com ele festejar a vinda à vida de mais um rebento seu a quem batizou de Chabadabadá, que, aliás, já nos chega todo pimpão anunciando as “aventuras e desventuras” de um emblemático “macho perdido e da fêmea que se acha”.
Perdido e sem GPS, diga-se.
Xico é ser tinhoso, de pontaria certeira e viciada nas sereias que fazem timbungo no mar dos copos de águas ardentes deste Brasil varonil.
Amém!
O comes e porres ou caximbo, como se diz lá pelas bandas do nordeste de meu Deus do céu, está marcado pra segunda 7 à noite, ali pelas 19, no lugar chamado Livraria Cultura, loja Record, do Conjunto Nacional plantado na esquina da Paulista com a outrora chique e enfeitada de brotinhos Rua Augusta, cantada e freqüentada nos 60 por Ronnie Cord e sua tchurma embalada no pique dos 120 por hora:

...No Anhangabaú eu botei mais velocidade
Com três pneus carecas derrapando na raia
Subi a galeria Prestes Maia
Tremendão!

Hay, hay, Johnny
Hay, hay, Alfredo...

Imagine-se isso hoje.
Mas vamos ao que interessa:
Xico é jornalista dos bons, acelerado que só, com textos todos os dias alegrando e instruindo leitores dos mais diversos jornais e revistas do País, e com tempo ainda para participar de livros alheios, clipes, filmes e discutir futebol com gente do naipe do eterno Magrão do Corinthians e da Seleção, o Sócrates, quem não lembra, hein?
Pois bem, estamos combinados: segunda-feira que vem, vamos pegar o autógrafo do Xico, tomar umas e aprender um pouco de suas safadezas.
Enfim, navegar é preciso.
Viver, também.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

NA RECORD NEWS, UM PAPO SOBRE CULTURA

Conversa em torno de cultura popular gravada segunda passada para o programa Entrevista Record Cultura, apresentado com categoria e zelo pelo confrade Arnaldo Duran, vai ao ar hoje às 22 horas pelos canais 42 (TV aberta), 93 (TV digital) e 55 (TVA). O nosso bate-papo teve a participação especialíssima dos emboladores Peneira e Sonhador. Falamos de muitas coisas legais, incluindo literatura de cordel, repente e música popular brasileira, tudo entremeado pelos pandeiros de bela afinação pilotados pelos craques do coco de embolada linhas atrás citados. Duran, um perguntador e tanto, afiadíssimo na prosa como poucos, fez o programa render graça e muita informação.
Ao seu lado, fiquei completamente à vontade.
De uma hora aproximadamente, a nossa conversa voou. Foi ótima.
Falamos da minha produção em torno da cultura popular, incluindo livros e discos.
Na roda, Pascalingundum! Os Eternos Demônios da Garoa, já esgotado, e que deve virar filme ainda este ano; e o áudio-livro O Poeta e o Jornalista, que acabo de lançar pela Universidade Falada.
O poeta do título é o cearense Antônio Gonçalves da Silva, eternizado como Patativa do Assaré, e o jornalista...
Não ficaram de fora da conversa os CDs Inéditos do Capitão Furtado e Poetas Nordestinos dos Séculos XIX e XX e o filme Saudade do Futuro, de Cesar Paes e Marie-Clémence, de produção franco-brasileira que teve por base um dos meus livros, A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo, e que, estranhamente, continua inédito nos cinemas brasileiros, embora muito premiado no Exterior, desde a Europa aos Estados Unidos.
Claro, falamos também do meu novo livro: A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira, que será lançado no próximo dia 14, no Museu do Futebol instalado no estádio do Pacaembu, cá em Sampa.
Sim, foi bonita a prosa, pá!
Vale uma espiada.
Ah! Quero agradecer aos colegas Marcelo Bonfá, produtor executivo da Record News, pela sensibilidade na direção da entrevista; e a Juliana Godoy, pela pré-produção e envio da foto que ilustra este texto.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

VIVA SIVUCA!

Foi num dia como o de hoje, só que do longínquo maio de 30, cheio de emboscadas, mortes, revoluções etc. e tal, que o paraibano de Itabaiana Sivuca acordou o mundo com um berro, talvez de sanfona.
Tudo nele era diferente: o olhar, os cabelos, o andar, os gestos, o falar e a forma de encarar o próprio mundo.
Idéias não lhe faltavam.
Criatividade também não, tampouco sensibilidade e perseverança.
Era um dínamo que o mundo aprendeu a aplaudir desde Recife, passando pelos Estados Unidos e Japão.
Como o baiano Ruy Barbosa, que diz a lenda ter ensinado inglês aos ingleses, o sanfoneiro Sivuca ensinou a meio mundo a tocar bem violão.
Era craque também nesse instrumento.
De natureza, era um ser inquieto.
Milhões de idéias o levavam para onde houvesse uma nota musical perdida ou pronta para ser achada.
Fazia arranjos, compunha, tocava, cantava, dirigia espetáculos, dançava, pulava.
Era contagiante.
Sem dúvida, um mágico era o que era o meu conterrâneo e amigo que Deus levou; de batismo Severino, igual ao do homem que me pôs no mundo junto com dona Maria Anunciada, minha santa mãe.
Dito isso, digo também da alegria que tive ao encontrar outro dia num sebo do Boulevard Saint-Germain, na Saint-German-des-Prés, Paris, proximidades do famoso Café de Flore, um disco de dez polegadas intitulado Sivuca et les Rythmes Brésiliens de Silvio Silveira: Samba Nouvelle-Vague, lançado pelo selo Barclay, cuja capa ilustra este texto.
O Café de Flore, inaugurado em 1887, é famoso por ter contabilizado entre seus freqüentadores intelectuais, pintores e libertários.
Passaram por lá Hemingway, Léger, Camus, Picasso, Delon, Bardot, Belmondo e tantos de tantas áreas do cotidiano invulgar, incluindo Paulo Benites e Peter Alouche. Sartre teria dito: "O Café de Flore pra mim foi o caminho da liberdade".
Sartre ficava lá horas e horas com Simone, trabalhando.
Era uma espécie de escritório dos dois o lugar, também para o poeta Apollinaire.
Ah! Sim, nesse disco Sivuca não faz muito uso da sanfona e dá é gosto ouví-lo cantar, numa entonação que vocês precisam ouvir: bossa nova, mas com dois sambas assinados por ele mesmo: Fala Amor, pendendo pruma batucada; e Rosinia. Afinadíssimo, o Sivuca.
No disco tem Jobim, João Gilberto, esses caras.
Lembro do nosso último encontro, em São Paulo.
Corria a segunda parte de 2006.
Foi num hotel da região da Avenida Paulista, cá em Sampa.
Eu, ele e Glorinha Gadelha, sua fiel escudeira por muitos anos desde Nova Iorque, onde se conheceram. Ele trabalhando, ela estudando.
O cidadão Severino nasceu num maio.
O artista que o mundo acolheu, também.
O primeiro disco de Sivuca foi à praça em maio de 1951, um mês e pouco depois de ser gravado nos estúdios da Continental, no Rio de Janeiro. Trazia duas músicas, dois choros: Carioquinha no Flamengo, de Waldyr Azevedo e Bonfiglio de Oliveira; e Tico Tico no Fubá, de Zequinha de Abreu, que o criador do bebop Charles Parker gravara dois meses antes em New York City e lançara num disco de dez polegadas.
Enfim, viva Sivuca!
Viva Glorinha!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

SENADO APROVA FICHA LIMPA

Sob a presidência interina do senador goiano pelo PSDB Marconi Perillo (foto), foi aprovado por unanimidade no início desta noite, no Senado, o projeto Ficha Limpa gerado pela mobilização popular em setembro do ano passado. Agora cabe ao presidente da República Luís Inácio Lula da Silva sancioná-lo.
O projeto é um marco na história recente do nosso país; e importantíssimo, pois visa moralizar a política e devolver orgulho ao cidadão brasileiro.
A aprovação do Ficha Limpa foi inesperada para muita gente, incluindo juristas. Muitos acham que mesmo com a sanção presidencial o projeto dificilmente entrará em vigor ainda este ano. Mas tudo é possível, pois, para isso, basta vontade política.
E o Lula não vai perder essa oportunidade, não é mesmo?
O vice José de Alencar, presidente em exercício, já disse: “O Brasil preciso disso”.
O disso, no caso, é o projeto Ficha Limpa em vigor ainda este ano e válido contra o Ficha Suja.

O SAMBA ACABOU?
- Engraçado, a revista norte-americana Sports Illustrated exibe capa dedicada ao futebol e vaticina que o samba morreu. Qual é, hein?

DOR DE CORNO
- E o Ronaldinho? Se mordendo todo, o meia-atacante foi à Rádio Montecarlo choramingar. Entre um soluço e outro juntou as mãozinhas e jurou que não vai assistir aos jogos da Seleção, na Copa. Justificativa: “Gosto de jogar e não de apenas ver”. Então, tá.

FICHA LIMPA É ALGEMA PRA ESPERTINHOS

Algo sem dúvida de extrema importância está ocorrendo hoje no país, pois não é que de uma hora pra outra a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado acaba de aprovar o projeto Ficha Limpa de iniciativa popular, que proíbe a candidatura de sujeitos condenados pela Justiça a concorrer a cargos eletivos? Isso quer dizer o seguinte: se aprovado no plenário do Senado, o projeto provocará uma mudança radical na forma de se fazer política partidária no Brasil já a partir deste ano. O relator, senador do DEM goiano Demóstenes Torres (foto), chegou a prever que se isso de fato se concretizar é bem possível que pelo menos 25% de seus pares estarão fora da política nacional desde as próximas eleições, pois não poderão se reeleger.
Será o mal sendo cortado pela raiz, sem dó nem piedade.
O projeto se aprovado ainda hoje em plenária do Senado, como se espera, também breca a ânsia tresloucada de alguns muitos empresários de doar grana de forma ilegal para eleger seus representantes nas diversas esferas da política.
Bom demais.
Neguinhos que forem expelidos da profissão por suas representações classistas, como a Ordem dos Advogados e o Conselho Federal de Medicina, por exemplo, também serão alcançados pelas garras do Ficha Limpa.
Bom, não?
Aguardemos o andar das horas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

BBB: A BANALIZAÇÃO DA VIDA.

Triste; um espetáculo absolutamente triste, sob todos os aspectos, foi o que acabei de ver na TV plim, plim do falecido Marinho.
De um lado, um monte de idiotas pulando como tais.
No centro, um idiota de olhos arregalados, voz enrolada dizendo besteiras após fungar ar impuro; de passagem, abarrotado de contradições a humilhar o raciocínio lógico do brasileiro médio pensante.
O nome?
Mial.
Esse tal, levado pelos cobres, muitos cobres, platas, platitas, ouros, bezouros, bezoritos e o cacete, faz de si iguais ao que diz.
Que merda!
Do outro lado da história, dois outros doentes se matam por R$ 1,5 milhão.
Heróis de nada, heróis de merda.
Que merda!
O episódio me faz lembrar o Bandido da Luz Vermelha (foto ilustrativa do texto) dos anos 70: mais justo, mais puro, mais louco ele era sem levar consigo ninguém.
Detalhe: Luz, depois de endeusado pela mulherada em êxtase, foi morto.
Idiotamente morto.
Morte, pois, ao BBB!

domingo, 28 de março de 2010

VIVA O CORINTHIANS!

Fantástica, absolutamente fantástica a partida finda há pouco no estádio do Pacaembu, cá em Sampa, entre as equipes do Corinthians e do São Paulo.
Final: 4 x 3 para a equipe do Parque São Jorge.
Pouco antes da mágica, Mano Menezes trocara Ronaldo por Iarley aos 44 minutos do segundo tempo.
Sem exagero, as torcidas gritavam em pânico.
O lado corinthiano, como sempre, sofrendo mais.
3 x 3, a essa altura do jogo.
Aos 45, o danado do Iarley arranca feito doido em direção da grande área pela esquerda, passa como um raio por Jean e Cicinho e pimba!
A bola bate com força no coco de Alex Silva e fere fundo, quase rasgando a rede Ceni.
A nação corinthiana cai em delírio, merecida e compreensivelmente.
E não pra menos: o Timão voltou a ocupar a 4ª posição na classificação geral do Paulista.
Bom, agora vou a uma cantoria, ouvir os improvisos poéticos ao som das violas de Valdir Teles, Zé Viola, Zé Cardoso, Edival Pereira, Moacir Laurentino e Sebastião da Silva, que está completando 50 anos profissão. É logo ali na avenida Santa Marina, bairro da Freguesia do Ó.
Bora?

domingo, 21 de março de 2010

PÉROLAS AOS PORCOS

Clarissa (foto ao lado) é filha caçula que carrega no nome o meu sobrenome, uma besteira que tomara não lhe atrapalhe no correr da vida...
Pois bem, ela é estudante do Mackenzie.
Antes de cursar Pedagogia nessa importante faculdade de Sampa, diplomou-se pela escola de música Villa-Lobos Búzios, núcleo Tom Jobim, no Rio de Janeiro.
Seu instrumento é o violino.
Orgulho-me.
Mas Cla ainda não é um nome internacional; sequer professora de uma grande universidade de música, como o estadunidense Joshua Bell; e não tem ela, ainda, um currículo musical invejável, bonito, como o de Bell.
Ela é muito nova.
Bell tem recursos, aliás, que Cla não tem.
Exemplo: um violino Stradivarius do ano de 1713, que custa algo em torno de 3,5 milhões de dólares.
O violino de Cla, nacional, sem marca, custou merrequinhas, que o digam o pianista de valor Cassio Vianna e a violonista indecisa Fernanda Mendonça.
Bell estreou em 1985, no Cornegie Hall, com a Orquestra de Saint Louis, e é solista da Orquestra da Filadélfia.
Cla sequer estreou em público como solista no Teatro Municipal de São Pauloo, por exemplo.
Bell nasceu em 67, ela em 89.
Ele começou a estudar com 4 anos; ela, ali pelos 9.
E findam aqui outras eventuais comparações.
Curioso, porém, é que Bell gosta de Bach, de Beethoven...
E Clarissa também.

Acabo de receber e-mail de Peter Alouche, engenheiro poeta, compositor etc., dando conta de uma iniciativa excepcional do jornal Washington Post, que levou não há muito Joshua Bell a tocar, discretamente, numa estação de metrô do centro da capital dos Estados Unidos, durante 45 minutos.
Está no Youtube.
Poucos deram bola a Bell, que interpretou magistralmente um repertório de beleza incondicional à altura dos deuses.

Eu vi, ouvi e me arrepiei.

E como uma coisa puxa outra...

Hoje, fim da tarde, com chuva e arco-íris de graça no céu de Sampa, conversei com Roberto Marino, neto do violinista Alberto Marino, pai de Alberto Marino Jr., autor da bela letra da valsa-choro Rapaziada do Brás, primeiro clássico popular sobre a cidade de São Paulo, composto em 1917 e gravado em 27.

O que uma coisa tem a ver com a outra?

A ignorância, o descaso, o desconhecimento.
Clarissa toca violino para se completar.
Bell, provavelmente, também.
Famoso, ele toca em salas de concerto um repertório de autores incríveis e é aplaudidíssimo, com ingressos ao custo em torno de 1000 dólares.
No metrô de Washington, discreto, anônimo e de graça ele tocou sem ser visto, sem ser aplaudido, reconhecido...
Há algo errado neste mundo louco.
A velha história: pérolas aos porcos.
Temos salvação?

Marino deixou uma obra resumida numa só: Rapaziada do Brás, que a molecada de hoje, infelizmente, nem sabe o que ou quem é.
Sei não, mas acho que Cla vai seguir a carreira de pedagoga.

SANTOS NO PAULISTÃO
Sem comentário: o Santos tá com a gota serena, voltando aos t empós de Pelé: 9 a zero em cima do Ituano.
PQP!
É demais!
Como é que pode?

sábado, 20 de março de 2010

O OUTONO CHEGA COM CARA DE VERÃO

O primeiro dia de outono hoje, iniciado à tarde, em nada se diferenciou do último e do penúltimo dia do último verão, ontem e anteontem. Começou soprando um ventinho nas orelhas, que logo foi substituído por um calor cada vez mais intenso no correr do dia.
O céu fechou ao fim da tarde.
À noite, pouco antes das 20 horas, relâmpagos alumiaram seguidamente a noite e trovões nos acordaram, com um rápido toró.
Assustada, a gata Tina, da Clarissa, miou doida pelos cantos da casa e num salto inesperado de acrobata de circo tentou suicídio involuntário, se atirando por uma brecha da janela da sala.
Que coisa!
Os relâmpagos continuam, trazendo trovões e chuva.

SERRA CANDIDATO
Ao lado de amigos e correligionários, durante o corte de um bolo de aniversário, o governador Serra diz no interior do Estado, informalmente, que será candidato, mas que só repetirá isso oficialmente lá pro dia 10 que vem.
Será?

MERCADANTE X SUPLICY
Enquanto isso, o PT de Lula articula o lançamento da candidatura do senador Mercadante ao governo paulista. Mas isso não tem entusiasmado muito o senador, não. Quem quer brigar pra valer, porém, pela cadeira de Serra, é o também senador Suplicy, como anunciamos aqui em primeira mão no último dia 2.
Aguardemos desdobramentos.

CIRO
Quem continua pulando miudinho no processo pré-eleitoral é Ciro Gomes. Ele próprio começa a duvidar que vá adiante, vez que seu próprio partido anda na moita: quer bandear pra Lula; não Ciro, o PSB.

CURTAS
Quem curte curtas uma boa: amanhã tem uma série de curtas metragens no Auditório do Ibirapuera. Começa com Bezerra da Silva – Onde a Coruja Dorme, às 16 horas. Depois, às 17h30, Mamonas Assassinas para Sempre; e às 19h20, Seu Jorge – América Brasil, o Documentário.
Detalhes com Luciana Stabile, pelos telefones 3629.1017 e 8113.0325.
O Auditório Ibirapuera fica na Av. Pedro Álvares cabras, s/n, portão 2, Parque do Ibirapuera.

sexta-feira, 19 de março de 2010

DE SANTO JOSÉ AO TARADO BERLUSCONI

Hoje o dia todo foi de São José, o santo a quem os nordestinos recorrem sempre e em última instância para lhes socorrer dos males da seca.
Até esta parte do ano, porém, para alívio geral, a alegria do povo do Nordeste não tem dependido dos rogos ao bom santo, pois a chuva vem caindo regulamente até nos grotões do Deus-dará, garantindo, assim, bucho cheio pelo menos por este semestre, que finda em festa com fogos, quadrilhas e fogueiras em louvor a Antônio casamenteiro, João dorminhoco e Pedro chaveiro do céu.
Viva São José!

GLAUCO CORRE RISCO DE TER SE MATADO
Ando desconfiando de manipulação em torno do caso Glauco.
Daqui a pouco, do jeito que a coisa vai, ele será culpado pela própria morte.
Novidade: o apresentador do jornal das oito revela que o carrasco do cartunista e de seu filho tentou se entregar à policia através do serviço 190, mas a atendente, sonolenta e de paciência cheia, o mandou plantar coquinhos, isto é: procurar uma delegacia mais perto de onde estava para formalizar o seu desejo, além daquele que foi o de acabar com a vida de Glauco e Raoni.
Faz sentido: as cadeias estão superlotadas.
Ah, sim: o criminoso se considerava Cristo e considerava Glauco, São Pedro.
Já pensou se o tal se considerasse o Demo? O estrago poderia ter sido maior...

AMIGOS DA ONÇA
Muitos estão forçando a barra para o governador José Serra, que já estava quieto, se candidatar à Presidência da República. Dizem que ele mordeu a isca e que vai dar a boa nova ainda este mês.

NA FRIGIDEIRA
Enquanto isso, Ciro Gomes esperneia. Teme que o seu partido, o PSB, lhe negue chumbo para brigar pela cadeira de Lula.

TARADO
E Berlusconi, hein?
O primeiro ministro dos italianos não tem jeito, mesmo.
Disse hoje, sem corar, que há uma fila enorme de mulheres doidas querendo deitar com ele, principalmente agora que está solteiro.

terça-feira, 16 de março de 2010

A VIDA É BELA, MAS PENSEMOS UM POUCO...

Vamos lá, numa boa.
Acho a vida bela.
Acho que erramos ao não aproveitarmos a vida da melhor maneira possível, vivendo bem e fazendo o bem.
Digo isto pensando no bem e pensando no mal; no positivo e no negativo.
Por que o mal?
Os do mal talvez indaguem: por que o bem?
Os do bem não matam como o assassino de Glauco e seu filho Raoni: à toa, tampouco premeditadamente.
O mal é o ataque gratuito, desnecessário, prepotente, que intimida e humilha.
O mal e a vulgaridade são coisas medonhas.
O mal sabe disso.
A vulgaridade como o mal, grosso modo, está na ordem do dia dando Ibope, dando dinheiro, enchendo cofres das empresas que não ligam nem para o bem e nem para o mal.
Vejam-se o BBB e outros realites da vida prevista por Georges Orwell e seus personagens, heróis idiotas, de falas sem cérebro e seguidores igualmente idiotas.
Inversão de valores destes tempos tão loucos.
Mas o futuro há de cobrar.
É real o noticiário que parece fantasioso no rádio e TV.
E não adianta desligar essas mídias, pois tropeçamos nos sustos, nos medos que elas nos dão.
A vida para o mal é nada.
O caso Glauco/Raoni tem me levado a pensar tantas coisas!
A violência também já me pegou várias vezes, mas sobrevivi.
É pouco ser seqüestrado pela polícia?
Fui num ano dos 80, em Sampa, terra adotada querida.
Passou.
Também sobre mim desabou a ira de um tresloucado delegado chamado Fleury; e, pior, perante de colegas jornalistas no velho Dops, de tantas histórias macabras, feias, tristes.
Deus do céu!
Digo estas coisas sem querer, mas cá fui dizendo pelo absurdo do fim de Glauco e Raoni. E quem os matou foi um consumidor de drogas. Como uma coisa puxa outra...
Acabei de ver na TV notícia sobre a convocação do atacante da Seleção Brasileira de Futebol Adriano, também do Flamengo.
É bomba com estopim aceso no campo...
Há outros escândalos rolando, no campo político também.
..................................
Recebi e-mail que diz que brasileiro:
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Fala no celular enquanto dirige.
- Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas em frente às escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha mesas, churrasqueira nas calçadas.
- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
- Faz "gato" de luz, de água e de TV a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pede nota fiscal de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vende-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Freqüenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
- Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.
E ainda quer que políticos sejam honestos...
Escandaliza-se com a farra das passagens aéreas...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
Que seremos nós todos Brasil amanhã, hein?

segunda-feira, 15 de março de 2010

FUNCIONOU: O ASSASSINO DE GLAUCO JÁ ESTÁ APRESO

Mestre Glauco Villas Boas
Esporádico sanfoneiro
Tombou com quatro tiros
Dados por um arruaceiro
Que fugiu em disparada
Como todo bandoleiro...

O ser de vida podre e medíocre que acabou com Glauco Villas Boas, cartunista da Folha, compositor e sanfoneiro nas horas vagas, está preso em Foz do Iguaçu, depois de tentar alcançar o Paraguai, onde costumava ir com freqüência em busca de drogas. A prisão ocorreu após perseguição policial e troca de tiros que deixou ferido um agente federal, entre o final da noite de ontem e começo da madrugada de hoje 15, no lado brasileiro da ponte da Amizade.
Fiquei sabendo disso pela Pan, bem cedo.
Com prisão preventiva decretada, o tresloucado Carlos Eduardo Sundfeld Nunes foi autuado em flagrante.
O assassino estava em companhia de um cúmplice, que o levou à moradia de Glauco e depois, como tudo indica, lhe facilitou a fuga. Está solto, mas pode ser preso a qualquer instante.
Ainda estou com raiva: cadeia para o peste e seu cúmplice.

domingo, 14 de março de 2010

ESTOU COM RAIVA: CADEIA JÁ PARA O ASSASSINO DE GLAUCO

Dá profunda raiva saber que Glauco já não se acha conosco por causa de um débil com a mente tumultuada por drogas que lhe cruzou à frente achando ser Cristo e disparando balas seguidamente matando-o em minutos e a seu filho, Raoni, de 25 anos, na madrugada de sexta 12, poucas horas depois de comemorar alegremente o seu 53º aniversário de nascimento ao lado da mulher Bia e de seus entes mais próximos.
Dá raiva profunda saber que vivemos numa sociedade com leis que tendem a beneficiar o lado da corda mais forte, como a do covarde criminoso que continua foragido, escondido em algum lugar sob a proteção dos familiares que, através de advogado, tentam livrá-lo da cadeia.
Dá raiva saber disso.
Dá raiva, sim, constatarmos ser impotentes para impedir atos tresloucados como o que ceifou a vida de um artista que só o bem fazia em prol de todos e que pensava, dessa maneira, estar contribuindo para que o mundo tomasse jeito e juízo e que fôssemos bons uns com os outros.
Glauco pensava numa sociedade melhor.
Sim, dá raiva pensarmos que o criminoso ainda possa sair-se imune do Art. 121.
Dá raiva pensar que ele, ao livrar-se das grades, possa ir a tratamento numa casa de tratamento para drogados.
É o fim do mundo!
A minha filha Clarissa lembra que o grande educador pernambucano Paulo Freire, que tive o prazer de entrevistar e tê-lo numa noite de lançamento de um dos meus livros, escreveu no seu Pedagogia da Autonomia (Saberes Necessários à Prática Educativa), que chegou a ter alegria por ter raiva, e que isso o ajudou a “continuar no mundo por mais tempo”. Explicou: “Está errada a educação que não reconhece na justa raiva, na raiva que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra o desamor, contra a exploração e a violência um papel altamente formador”.
Pois bem, aí está: estou com raiva, sim. E exijo das autoridades responsáveis pela segurança pública a imediata prisão do criminoso que acabou com a vida de Glauco e seu filho, e da Justiça que o condene com a pena máxima.

sábado, 13 de março de 2010

ADEUS, GLAUCO

O Brasil e o mundo todo já sabem que um ser de vida podre, medíocre, desfechou quatro tiros à queima-roupa e covardemente num dos nossos maiores artistas contemporâneos: Glauco Villas Boas, na madrugada da última sexta 12 em sua própria casa, em Osasco, região da Grande São Paulo, menos de 24 horas depois de seu 53º aniversário de nascimento.
Eu soube da notícia pela rádio Jovem Pan.
Hoje, os jornais trazem detalhes do crime, com foto e o nome do assassino que chamam de “suspeito”: Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, que até o fechamento deste texto continuava foragido, com seus familiares contratando advogado para defendê-lo e livrá-lo da prisão.
Glauco cartunista, também compositor e sanfoneiro nas horas vagas, era daquelas pessoas de quem se gosta à primeira vista.
Trabalhamos juntos na Folha, ao lado de Angeli, Laerte, Fausto, Jota.
Era brincalhão, amigo, sempre solícito.
Dizer mais o quê? Apenas que perdemos um crítico antenado e bem humorado da vida brasileira.
O Brasil, com sua perda, ficou mais pobre, mais triste.

terça-feira, 9 de março de 2010

IMPRENSA: A REVISTA DOS JORNALISTAS

O jornalista Sinval de Itacarambi Leão é um pouco o que o seu sobrenome sugere, pois não é fácil manter viva e dinâmica uma publicação de circulação nacional atual e bem feita, respeitadíssima, tocada por poucos, mas competentes profissionais, como é o caso de IMPRENSA, que ele próprio, Sinval, e amigos criaram em setembro de 1987.
O propósito óbvio do surgimento da revista foi o de preencher lacuna no campo jornalístico, tarefa que vem sendo cumprida no correr desses anos todos à risca e com rigor, categoria e bom gosto, desde, mesmo, a sua leve e bem arejada diagramação.
Se não é a bíblia da categoria que de certa maneira e espontaneamente representa, é, com certeza, uma espécie de manual necessário para consultas por profissionais e, como se diz, pelo público em geral.
IMPRENSA traz mensalmente notas e informações; entrevistas, análises e pontos-de-vista diversos que os jornais – e outras revistas – comumente não trazem.
Sem dúvida, IMPRENSA é a revista dos jornalistas.
A revista tocada por Sinval e seus fiéis escudeiros, entre os quais Rodrigo Manzano e Igor Ribeiro, movimenta periodicamente a categoria com concursos e prêmios, como o Líbero Badaró, o Caixa Jornalismo Social, o CPFL de Jornalismo, Troféu Imprensa e Troféu Mulher Imprensa.
Integrei o corpo de jurados desses prêmios, uma ou duas vezes.
O Mulher Imprensa, já na sua 6ª edição, culminou ontem à noite com coquetel no Club A São Paulo (WTC World Trade Center) reunindo novas e veteranas profissionais de jornalismo, entre as quais Ticiana Villas Boas (Bandeirantes), Monalisa Perrone (Globo), Eliane Brum (Época), Renata Cafardo (Estadão), Mônica Bérgamo (Folha) e Taís Lobo (A4 Comunicação), para entrega de troféus.
Marília Gabriela (GNT) foi a grande homenageada da noite, sendo devidamente premiada por sua “contribuição ao jornalismo”.
No seu discurso de saudação ao público presente, o criador de IMPRENSA destacou a importância feminina nos diversos meios de comunicação, lembrando a instituição do 8 de março como Dia Internacional da Mulher, feita pela Organização das Nações Unidas, ONU, há 35 anos. Disse Sinval que “as mulheres conquistaram muitos de seus direitos, mas lamentavelmente não todos”, e que o prêmio dado ontem “reconhece e comemora a doce presença e a forte atuação das mulheres no jornalismo brasileiro”.
Corretíssimo.
Bom, se fosse fácil manter uma revista do nível e porte de IMPRENSA, outras estariam lhe fazendo concorrência, o que seria salutar.
Um ponto dissonante da festa de ontem: a trilha sonora, toda do Tio Sam.

PAULO VANZOLINI
- Agende-se: amanhã 10, às 21:30, o cientista compositor autor de Rondas e outras pérolas Paulo Vanzolini se apresenta no Café Piu Piu, ali na 13 de Maio, 134, no Bixiga, acompanhado de Ana Bernardo (voz), Pratinha (flauta), Adriano Brusko (percussão) e Ítalo Peron (violão e arranjos).

segunda-feira, 8 de março de 2010

DIA DA MULHER E NOTÍCIA DE ANITA

Notícias do dia:
No sudoeste da China, milhões penam com a seca.
Em Pequim, a capital chinesa, hoje amanheceu branco, com as ruas cobertas de neve.
Saqueadores chilenos “arrependidos” devolvem produtos rapinados de estabelecimentos comerciais em regiões atingidos por terremotos, “espontaneamente”.
A terra tremeu na Turquia, matando e ferindo muita gente.
Rotina: carro bomba explode, mata e destrói até a sede da polícia antiterror de Lahore, no Paquistão.
Em Hollywood, Guerra ao Terror ganha seis estatuetas.
Aqui, reportagens mostram mulher fazendo trabalho de homem, neste seu dia 8 internacional.
Textos a respeito indicam que a mulher brasileira continua por baixo, sofrendo dos males machistas; que elas trabalham mais, que elas ganham menos, que elas não ocupam muitos cargos na política etc.
Verdade.
Hás uns até que dizem que mulher não vota em mulher, que Erundina, a primeira prefeita de São Paulo, deputada várias vezes, foi eleita por voto masculino, etc. etc.
De fato, lamentável.
Há 45 deputadas federais – incluindo Erundina – e dez senadoras atuando em Brasília e três governadoras no Pará (PT), Rio Grande do Sul (PSDB) e Rio Grande do Norte (PSB).
Pouco, muito pouco.
A luta feminina por um lugar de destaque não é de hoje, é de tempos imemoriais.
Em 1922, quando São Paulo procurava impor nova visão no campo das artes, uma mulher de nome Orminda Ribeiro Bastos publicava artigos no jornal Folha do Norte, do Pará, sob os títulos O Voto Feminino e A Emancipação da Mulher.
O pau cantou, é claro.
E hoje, apesar de tantos avanços em todas as áreas de atuação humana, a presença feminina ainda parece ser inconveniente.
Isso precisa acabar; aqui, e no mundo todo.

ROBERTO SILVA
- Anteontem assisti a dois espetáculos, num só. Explico: Osvaldinho da Cuíca nos chamou para o lançamento de mais um disco seu no espaço Choperia do Sesc Pompéia e gravação do seu primeiro DVD. Entre um convidado e outro, ele chamou ao palco o mestre do samba sincopado Roberto Silva, que, ainda dançando e cantando bonito, completa 90 anos no próximo dia 6. É uma legenda, sem dúvida; um orgulho e tanto para o Brasil e razão para muitas comemorações. Silva começou a carreira em 1938, num programa da extinta Radio Guanabara. O primeiro disco, de 78 RPM, ele o gravou no dia 22 de julho de 1947, trazendo de um lado Ele é Esquisito, de Walter Teixeira/Luiz Guilherme/Rogério Lucas; do outro, O Errado sou Eu, de Erasmo de Andrade/Djalma Mafra, pela velha Continental, que não existe mais. Ele foi o segundo intérprete a gravar o samba Volta por Cima, do paulistano histórico Paulo Vanzolini, depois de Noite Ilustrada, em 1963. O seresteiro Carlos José o batizou de O Príncipe do Samba. Hoje, no seu campo, é rei. Ele e Ciro Monteiro foram os grandes intérpretes do samba sincopado, no Rio de Janeiro; em São Paulo, continua sendo Germano Matias. Viva Roberto Silva!

RESPEITO AO POVO
- Essa, eu faço questão de transcrever:
À Redação de O Globo
RJ, 13/01/2010
Tendo em vista matéria publicada em O Globo de hoje (p.4), intitulada “Comissão aprovará novas indenizações” e na qualidade de filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, devo esclarecer o seguinte:
Luiz Carlos Prestes sempre se opôs à sua reintegração no Exército brasileiro, tendo duas vezes se demitido e uma vez sido expulso do mesmo. Também nunca aceitou receber qualquer indenização governamental; assim, recusou pensão que lhe fora concedida pelo então prefeito do Rio de Janeiro. Sr. Saturnino Braga.
A reintegração do meu pai ao Exército no posto de coronel e a concessão de pensão à família constitui, portanto, um desrespeito à sua vontade e à sua memória. Por essa razão, recusei a parte de sua pensão que me caberia.
Da mesma forma, não considerei justo receber a indenização de cem mil reais que me foi concedida pela Comissão de Anistia, quantia que doei publicamente ao Instituto Nacional do Câncer.
Considerando o direito, que a legislação brasileira me confere, de defesa da memória do meu pai, espero que esta carta seja publicada com o mesmo destaque da matéria referida.
Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
CPF 059050957/87
RG 1492888 IFP/RJ

"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto"
(Rui Barbosa).

A notícia dada publicamente pela filha de Olga e Prestes, aqui transcrita, me fez lembrar algo parecido com gesto do cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré, que em fins dos anos de 1970 me procurou para devolver, como se diz, um polpudo cheque nominal feito pelo governo da época. Era a título de "indenização" pelo tempo que esteve fora do Brasil, à sua revelia. Vandré jamais aceitou a "anistia" que lhe deram.

terça-feira, 2 de março de 2010

O SEMEADOR DE LIVROS E SUPLICY GOVERNADOR

Foi hoje 1º uma noite bonita.
Reunião no meio da tarde eu tive na região de Pinheiros, com a Clara amiga e o Gabriel amigo Martinez craque futurista que teve o privilégio de privar por um tempo com o gênio Dalí; Salvador Dalí, sabe?
Em seguida, um belíssimo almoço com a presença inesperada de Mineiro querido do século passado, das lidas metroviárias. Regado a cana, lógico, e a cerveja, a uísque e, de tira-gosto, uns matinhos bestas que ao se juntarem chamam de salada verde.
Depois, já no começo da noite, no teatro da Pontifícia Universidade Católica, PUC, cá em Sampa, mais um uisquinho aqui, ali etc. e tal, a pretexto de um filme sobre o amigo Cortês, fundador da livraria que leva o seu nome há 30 anos, em nome do que é bom, lá foi. O Semeador de Livros.
Bonito, e em película de primeira linha.
Faltou, porém, a meu ver, um pouco mais de Nordeste.
Reencontrei amigos na festa do Cortês, entre uma golada e outra de gelo úmido que há muito não via: Valdeck de Garanhuns, por exemplo, junto com sua inabalável Regina; Cacá Lopes, Marco Haurélio, João Gomes e sua Mazé; Inimá Reis e sua dona Ana etc. etc.
Quanta gente!
E fala aqui fala acolá, um abraço arrochado do próprio Cortês e a pergunta.
- Por onde andas, rapaz?
Apresento-me ao Mário Sérgio Cortella, desnecessariamente. Diz que nem precisava, pois sua senhora e ele próprio estão atentos ao que publico.
Andrea, a minha companheira, acha graça.
Mais adiante, no mesmo recinto da PUC, o senador Suplicy. Papo um pouco, pergunto se sabe o que é cordel, cultura popular.
O João Gomes, a meu lado, arregala olho.
Insisto.
Suplicy diz que sabe, sim, o que é isso; tanto que já discursou no Senado sobre Patativa do Assaré.
Opa!
E pergunto sobre novidades: vai ou não brigar pelo governo de São Paulo?
Resposta:
- Apresentei agora a noite ao meu partido um abaixo assinado com 1,7 assinaturas, pleiteando candidatura a governador do Estado de São Paulo.
Isso vai dar pano pra manga. Ou não?

segunda-feira, 1 de março de 2010

FEVEREIRO DE TERREMOTOS

O curto mês de fevereiro passou deixando um longo rastro de destruição e dor, interpretado pelas corujas e acauãs de plantão como sinais do fim do mundo.
Deus do céu!
Partiram para a eternidade o sambista Walter Alfaiate e o bibliofilo José Mindlin.
No fim da tarde de 12 de janeiro um terremoto de dimensões alarmantes, mas de apenas 7 pontos na chamada escala Richter, destruiu o pequeno e pobre Haiti, que fica ali pelas bandas de São Domingos e Grandes Antilhas, perto de Cuba e Jamaica, na América Central.
Milhares morreram, milhões perderam tudo.
Outro terremoto assustador ocorreu na madrugada do último sábado no Chile, sentido em algumas partes da Argentina e de São Paulo. Foi de 8,8 pontos, 1,2 a menos do que o que gerou ondas gigantes na Tailândia e redondezas um dia após o natal de 2004, provocando cerca de 300 mil óbitos.
Os mortos no Chile, hoje, beiram a casa do milhar.
A contagem continua.
Milhares e milhares estão feridos e em desespero.
Há saques nas ruas de Concepción, cidade a 500 quilômetros de Santiago e a mais atingida pelo sismo; e presos, muitos presos, e pelo menos um morto em decorrência do desrespeito ao toque de recolher decretado ontem à noite pelo governo de Michelle Bachelet, que entregará o assento presidencial ao empresário Sebastián Piñera no próximo dia 11.
Ontem o temor de nova catástrofe, que não houve, vinha do outro lado do mundo, o Japão, onde se esperavam ondas altas do mar em rebuliço, violentas, arrasadoras, como aquelas que se formaram em julho de 1993 em Hokaido, e que engoliram tudo e deixaram pelo menos duas centenas de japoneses afogados sem ar nem cova, lembrando os versos de Eternas Ondas do visionário cantador Zé Ramalho:

Quanto tempo temos antes de voltarem
Aquelas ondas
Que vieram como gotas em silêncio
Tão furioso
Derrubando homens entre outros animais
Devastando a sede desses matagais...
Devorando árvores, pensamentos
Seguindo a linha
Do que foi escrito pelo mesmo lábio
Tão furioso.
E se teu amigo vento não te procurar
É porque multidões ele foi arrastar...

Antes e depois disso, outros desesperos ocorreram noutros pontos do planeta.
Nos Estados Unidos nevascas deixaram profundas marcas, semana passada.
Na Ilha da Madeira, em Portugal, também na semana que findou, o céu desabou e deixou inúmeras vítimas sob lama e escombros.
Prejuízos de toda ordem, infinitos.
Agora mesmo na França, as chuvas e tempestades que se iniciaram no fim de semana, assustam a população.
Na Alemanha, na Espanha, também...
Pretensioso, o homem, assustado e covarde, diz que a natureza está se vingando do que fazemos com ela.
Bobagem.
Tudo que vive e se bole no campo natural da vida é da natureza.
Portanto, nós mesmos é que estamos nos acabando, nos suicidando, nos afogando na nossa pequenez.
A natureza vive independentemente do homem, que é uma de suas crias.

TERREMOTO NO BRASIL
- Estamos livres dos terremotos que fazem tremer a terra e matar gente e outros animais em vários pontos do planeta, mas não estamos ainda livres dos corruptos, dos inimigos do povo. As leis vigentes poderiam ser simplificadas. Melhor: que tal o governo investir mais em educação, hein? Educação forma cidadão de primeira classe.

LADRÃO QUE ROUBA
- Li notícia dando conta que a casa do Marcos Valério, aquele do “valerioduto”, em Minas Gerais, foi assaltada nesse fim de semana. Velho ditado diz: “Ladrão que rouba ladrão...”.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

VANDRÉ, VINIL, SIBA, CORDEL E CASCABULHO

Há um tempo, Vandré me perguntou se eu sabia da existência de alguma fábrica de disco de vinil no Brasil. Repondi que ouvira falar de uma, com atividade no Rio de Janeiro.
Perguntei a razão do seu interesse. Respondeu: gostaria de lançar algo no formato de LP.
No texto anterior, abaixo, o dono do sebo Ventania, Alcides Campos Filho, diz crer no retorno da produção de disco de vinil.
Hoje no Caderno 2 do Estadão, li matéria assinada por Lauro Lisboa sobre o assunto: a volta do vinil nacional.
A fábrica é a Polysom, única no gênero no Brasil e em toda a América Latina. Alguns álbuns de pop-rock chegarão à praça nos primeiros dias do próximo mês.
Os responsáveis pela Polysom dizem que têm condições de fabricar até 28 LPs e 12 mil compactos/mês.
É o começo. Melhor: o recomeço.

FIM DO CORDEL
- O grupo Cordel do Fogo Encantado acaba de se dissolver. O lamentável anúncio da decisão tomada por Lirinha foi feito quarta 24, no site do grupo. Lembro de Lirinha, pernambucano de nome cristão José Paes de Lira, no programa de rádio que eu apresentava em Sampa, São Paulo Capital Nordeste. Cabra bom, o Lirinha; bom de papo e dono de grande talento. À época em que o conheci, fins dos 90, o grupo estava tomando pé e nem disco gravado tinha ainda. Gravou três. Carregou influência positiva de Chico Science, Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Pena. Lamento o seu fim.

FIM DO CASCABULHO
- O fim do Cordel me faz lembrar o fim do Cascabulho, que também esteve no São Paulo Capital Nordeste, à época, 98, lançando o primeiro CD: Fome Dar Dor de Cabeça. Seguia na batida do rojão do mitológico Jackson do Pandeiro. À frente do grupo, o incrível Silvério Pessoa, que seguiu carreira solo e na França, hoje, é até mais conhecido do que o mau hábito comum dos garçons ao atender visitantes estrangeiros.

FIM DO MESTRE AMBRÓSIO
- Outro grupo que deixou saudade foi Mestre Ambrósio, fundado por Sérgio Veloso, o Siba, hoje fazendo miséria na região da zona da Mata, no interior de Pernambuco, com seu Fuloresta, que vale a pena ouvir. O primeiro CD do Mestre Ambrósio surgiu em 96 e um ano depois, mais ou menos, também o levei ao meu programa, São Paulo Capital Nordeste. Siba viria a aparecer numa cena do filme de produção franco-brasileira Saudade do Futuro, que teve por base um dos meus livros, A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo (Ibrasa). Esse filme, nunca lançado no Brasil, pode ser adquirido (DVD) via Livraria Cultura, a pedido. Claro, recomendo.

SAMBA DO ARNESTO
- Vi há pouco na novela Tempos Modernos o Antônio Fagundes cantar Samba do Arnesto, do Adoniran Barbosa, imortalizado pelo grupo musical mais antigo em atividade profissional ininterrupta do mundo, o paulistano Demônios da Garoa, cuja biografia lancei em livro ano passado. A primeira edição está esgotada. Bom, bem que podiam pôr mais músicas do repertório nacional nas novelas, não?

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