Quero deixar aqui uns registros que julgo necessários, 1º:
- Foi com surpresa que vi hoje na Folha de S.Paulo chamada de 1ª página sobre a morte do flautista Altamiro Carrilho.
Isso é interessante, por que desde quando um jornalão como a Folha faz isso com artista brasileiro? O segundo passo agora é o jornal reconhecer e falar dos grandes nomes das nossas artes que ainda estão por aí.
À guisa de curiosidade: a última vez que Altamiro se apresentou na capital paulista foi na noite de 25 de fevereiro último, no Sesc Santana, por iniciativa nossa, e que quase, quase, não era aceito; como quase, quase não era aceito o nome de Inezita Barroso.
Os dois lotaram o teatro.
Pena não termos imagens da Inezita na ocasião, porque não nos foi permitido fazer.
A sua apresentação foi na noite de 25 de janeiro, no aniversário de fundação de São Paulo.
A lamentar: noutra ocasião sugerimos a apresentação de Carmen Costa e Sivuca no espetáculo de que participamos no Sesc Pinheiros, no Projeto Música do Brasil (Baião), entre os dias 25 e 26 de novembro de 2006, com Dominguinhos, Carmélia Alves e outros aristas.
Eu era o mestre de cerimônia.
Não aceitaram a nossa sugestão e logo depois Carmen e Sivuca partiram, levando alguma tristeza e muita história.
Sim, foi duro trazer Altamiro; e foi duro também conseguir autorização para entrevistá-lo no palco.
Meu Deus, quando todos vamos perceber a importância dos nossos artistas?
Detalhe: na ocasião eu era o curador da exposição-instalação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo.
Ah a burocracia!
BIENAL
Mas justiça seja feita: foi muito boa a maneira como o pessoal do Sesc nos tratou no Salão de Ideias da Bienal do Livro que termina dia 19. O tema que abordamos, eu e o fotógrafo Tiago Santana, foi o poeta Patativa do Assaré.
MÁRIO ALBANESE
Aproveito o espaço aqui para perdir desculpas ao artista mário albanese por não ter podido comparecer ontem à gravação de depoimento seu ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, onde estarei em conferência no próximo dia 22, Internacional do Folclore. a minha ausência deveu-se ao fato de eu estar pondo pontos finais ao texto que virará livro sobre o rei do baião Luiz Gonzaga, a ser publicado ainda este ano pela Cortez Editora. Extrapolei todos os prazos.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
ALTAMIRO CARRILHO AGORA É SAUDADE
Vítima de câncer, o maior flautista brasileiro, Altamiro Carrilho, morreu hoje de manhã aos 87 anos, numa clínica particular no Rio de Janeiro.
Ele vinha lutando contra a doença há muito tempo.
Altamiro correu os cinco continentes divulgado a música brasileira, principalmente o choro e o baião.
Mais do que falar dele agora, é ouvi-lo falar sobre a sua história e a história de Luiz Gonzaga. Isso ocorreu na última vez que nos encontramos, no Sesc Santana. Foi na noite de 25 de fevereiro deste ano. É uma conversa muito bonita, emocionante. Clique:
Ele vinha lutando contra a doença há muito tempo.
Altamiro correu os cinco continentes divulgado a música brasileira, principalmente o choro e o baião.
Mais do que falar dele agora, é ouvi-lo falar sobre a sua história e a história de Luiz Gonzaga. Isso ocorreu na última vez que nos encontramos, no Sesc Santana. Foi na noite de 25 de fevereiro deste ano. É uma conversa muito bonita, emocionante. Clique:
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
PATATIVA, TOM ZÉ E JEQUIBAU
Os títulos da Imprensa Oficial, por exemplo, lá estão pela hora da morte.
Sem explicação, inclusive porque esses títulos são lançados com apoio de leis de incentivo.
Eu, hein!
Quanto ao esvaziamento, houve quem dissesse que se dava por causa do Dia dos Pais e da festa de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres, onde o Brasil acabou com três medalhinhas de ouro, cinco medalhinhas de prata e o resto de medalhinhas de bronze.
A minha referência à falta de atrativo do evento se deve ao fato de eu não ter visto nenhum espaço reservado à cultura popular que poderia ter sido resolvido por iniciativas públicas, já que se depender da Câmara do Livro, bal, bal!
Não vi uma banca sequer com folhetos de cordel, livros, discos etc. etc. a ver com o assunto popular no sentido cultural, claro.
Jorge Amado estava lá por iniciativa do Sesc, que levou Tom Zé, Ilana Goldstein e Jose Castello para falar dele.
Ponto marcado!
Mas Augusto dos Anjos, coitado, foi totalmente esquecido neste ano do centenário de lançamento do mais importante livro de poesia do Brasil, que, não por acaso, vem ser de sua autoria: Eu.
E também ninguém se lembrou de fazer uma homenagenzinha que fosse ao centenário de nascimento do mais importante artista da música popular do Brasil, Luiz Gonzaga, que não por acaso ocorre este ano.
Luiz foi o divisor de águas da música brasileira.
Quando é que vão perceber isso, hein Nêumanne?
Aliás, nenhum evento significativo em torno do Rei do Baião foi realizado ou programado este ano em
qualquer lugar do território paulista ou paulistano.
Heresia?
Pra lá de heresia!
E pensar que foi aqui na capital paulista que Luiz Gonzaga montou o seu quartel-general e até um LP gravou com essa referência!
Mas tire-se o chapéu: o Sesc foi a única entidade pública a se lembrar de pelo menos um grande personagem da nossa cultura popular: Patativa do Assaré.
Para falar dele e da sua obra, estivemos eu e o fotógrafo Tiago Santiago (foto acima) no Salão de Ideias de lá, da Bienal.
Tiago é o autor do belíssimo ensaio fotográfico que ilustra o livro sobre Patativa O Sertão Dentro de Mim, assinado por Gilmar de Carvalho.
Torço para que os organizadores da Bienal valorizem mais o Brasil e a nossa cultura popular, que entendo ser a digital do povo.
Quem sabe eles, os organziadores, façam uma grande festa de encerramento do centenário de Luiz Gonzaga na 23ª edição da Bienal, hein?
DIA DO JEQUIBAU
O que é jequibau?
Avião ou estrela cadente?
Terra, pífano, galo, gaiola ou um parque sem gente?
Água de beber, bicho de morder ou pio de pinto sem pena?
Flor de açucena?
Um rochedo, floresta ou tronco de ipê?
Nome de gato, gata ou topada no meio da escuridão?
Sol ou apelido oculto do cangaceiro lampião?
Não sei; não sabes, não?
Pois, pois.
Nome de menino ou canção de ninar?
Talvez um anjo torto perdido no oco do céu.
Ou um quadro de Dalí.
Ou um vaso da China, um verso sem rima.
Talvez...
O que é jequibau?
Um romance inacabado ou um disco quebrado?
O apelido da lua cheia ou o coaxar de um sapo de olho no brejo.
Um vulcão ativo, quem sabe?
Um grito de guerra, um psiu acanhado.
Uma baleia presa num arpão.
Um operário escravo do patrão.
Ou um tigre findo num alçapão?
Um boi, um bode, um bonde, um bumbo.
Ou o boto de sinhá!
Não sabes?
Eu sei o nome de quem o inventou: Mário Albanese, um paulistano da safra 31.
Eu o conheci no século passado, há mais de duas décadas.
Não sei se na Pensão Jundiaí da Mariazinha.
Virou amigo, desses que a gente ganha e não quer perder.
Mário estava ontem na pensão da Mariazinha, tocando teclado, tocando jequibau.
Jequibau é um estilo musical criado por Mário e Ciro Pereira.
Certa vez, num folheto, escreveu o poeta popular Téo Macedo, em sextilhas:
Jequibau é jequibau
Diferente marcação
Cinco tempos por inteiro
Contrariando a tradição
Um compasso brasileiro
Nova forma de expressão
Jequibau é jequibau
A palavra é singular
Não existe em dicionário
Não adianta procurar
E depois de tantos fatos
É hora de registrar...
No ritmo jequibau gravaram Hermeto Pascoal, Jair Rodrigues, Altemar Dutra e Moacir Franco, entre centenas de outros artistas brasileiros. No campo internacional, destaque das gravações para Andy Willians, Charlie Byrd, Sadao Watanabe e Rita Reys.
Mário Albanese, nunca é demais dizer: é uma glória nossa absolutamente necessária de se rever, de se redescobrir e aplaudir.
Flores em vida.
AMIGOS
Fazia tempo, muito tempo que eu e Tom Zé não nos encontrávamos. O reencontro ocorreu ontem à tarde na Bienal, registrado no clique de Darlan Ferreira.
Ontem também reencontrei o craque do traço Jô Oliveira, o editor José Cortez, o artista e tradutor do russo para o português-brasileiro Luís Avelima, o cordelista Marco Haurélio e mais um monte de gente bonita.
RIVALDO CHINEM
O amigo Rivaldo Chinem dispara convites nos intimando e ao povo todo para a noite de autógrafos do seu livro Comunicação Empresarial - Uma Nova Visão de Empresa Moderna (Discovery Comunicações), quinta que vem às 20 horas no stand B58, na Bienal.
domingo, 12 de agosto de 2012
REPENTISTAS, CINEMA E BIENAL DO LIVRO
Logo mais às 17 horas, cinco duplas de repentistas nordestinos se apresentarão no Centro Cultural Diadema, à Rua Graciosa, 300, Centro da cidade. O responsável por essa beleza de encontro é o poeta de bancada Moreira de Acopiara, cearense da cidade que lhe enfeita o sobrenome.Junto com Moreira estarão Ivanildo Vila Nova, Louro Branco, Valdir Teles, Sebastião a Silva, Moacir Laurentino Manoel Ferreira, Chico Oliveira, João Paraibano e Zé Cardoso.
Todos um melhor do que o outro.
Cada um incrível agarrado no seu pinho, como cigarras que não se cansam de cantar.
Mais informações pelo telefone 4056.3366.
BIENAL DO LIVRO
Pouco antes, às 16 horas, estarei proferindo impressões e ideias em torno do poeta Patativa do Assaré e sobre a cultura popular Brasileia, riquíssima. Isso se dará na 22ª edição da Bienal Internacional do Livro, no Anhembi. O convite é do Sesc.
CINEMA
As Covas Gêmeas, livro de estreia de Marco Zanfra,
acaba de ter prioridade adquirida para o cinema pelo
cineasta Zeca Nunes Pires. Zeca é jornalista, com mestrado em História e livros publicados sobre o cinema de Florianópolis, de onde, aliás, é natural. Fora isso, é autor de vários curtas focados na cultura popular. Ele é dos bons.
Arriba, Zanfra!
Arriba, Zanfra!
sábado, 11 de agosto de 2012
BIBI FERREIRA E BIENAL DO LIVRO
Sensacional!O tempo de inverno com cara de verão lotou ontem o Teatro Frei Caneca.
Melhor: a noite de ontem lotou o Teatro Frei Caneca.
Não, talvez assim: a sexta-feira de calor encheu de gente ontem o Teatro Frei Caneca.
Ou: a atriz Bibi Ferreira estreou ontem à noite um novo espetáculo, Histórias & Canções, no Teatro Frei Caneca.
Em suma: a mais completa atriz brasileira, Bibi Ferreira, carregou a mais fina flor paulistana representada por gente de todos os credos e gostos para vê-la à vontade no palco do Teatro Frei Caneca.
À vontade, leia-se: natural, falando, brincando, contando histórias e cantando um repertório em inglês, francês etc.
Até em português-português ela cantou.
Bibi esteve perfeita em vários momentos, como quando interpretou Nem às Paredes Confesso, fado de Artur Ribeiro, Max e Ferrer Trindade, composto em 1955 e gravado pela primeira vez por Amália Rodrigues, que o transformou em clássico do gênero, no dia 30 de novembro de 1962.
Foi uma noite maravilhosa a de ontem no Teatro Frei Caneca.
Ela começou lembrando os tempos de arte no cinema norte-americano e fazendo paralelo com o que ocorria no Brasil da metade do século passado.
Lembrou a Era do Rádio, com ápice nos anos 1940.
Citou a Divina Elizeth Cardoso e a Sapoti Ângela Maria.
E Dalva.
Falou de Hollywood e da Broadway.
Nesse momento ela exibiu a sua voz de menina de 13, 14 anos, bem aprumada, afinada, como ouro que não enferruja.
E cantou By a Waterfall, tema da comédia Footlight Parade (1933), de Lloyd Bacon.
E assim foi.
Brincou com árias que a marcaram, substituindo as letras originais por letras de Caymmi, Noel.
Foi o ponto mais engraçado.
Cantou Edith Piaf (La Vie en Rose) e até brincou:
- Eu vivo às custas dela há 27 anos.
Com 90 anos, Bibi parece ter 13, 14 anos, hahaha.
Viva Bibi!
BIENAL DO LIVRO
Amanhã às 16 horas estarei no Salão de Ideias da 22ª Bienal Internacional do Livro, no Ibirapuera, falando sobre a obra do poeta popular Patativa do Assaré. Comigo, o fotógrafo Tiago Santana. A iniciativa do encontro é do Sesc.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
PAULISTINHA DENGOSA, 60 ANOS
No dia 11 de abril de 1951, por volta das 14 horas, o violonista paulistano Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, entrou no estúdio da multinacional Odeon no Rio de Janeiro e gravou, de sua autoria, o chorinho Paulistinha Dengosa.Além dessa música gravada naquele dia, ele anotou no seu diário a gravação de mais três, entre as quais duas de Ary Barroso.
Paulistinha Dengosa foi à praça no lado A do disco de 78 RPM nº 13.312, em agosto de 1952; portanto, há 60 anos.
Além de violão e cavaquinho, Garoto tocava bandolim, guitarra havaiana, banjo, violino, contrabaixo, violoncelo, piano e harpa.
"E era também um grande amigo", recorda saudoso o instrumentista e compositor também paulistano Mário Abanese, seu parceiro numa música: Amor Indiferença (partitura acima).
Garoto não era brincadeira, e por não ser brincadeira ele se transformou num dos maiores e mais completos artistas da música brasileira.
Pena que o seu nome ande hoje em dia tão esquecido.
Garoto modificou a forma de tocar cordas.
Mas ao contrário de Luiz Gonzaga, o rei do baião, a sua genialidade é referida apenas numa música composta, aliás, por seu amigo Mário Albanese, intitulada Meu Amigo Garoto.
Garoto tinha grandes amigos, como o humorista José Vasconcelos
Da sua morte, ocorrida no dia 3 de maio de 1955, o humorista soube quando se achava nos estúdios da extinta TV Tupi. Palavras dele: "Garoto era para mim um irmão. Um grande músico que não teve sucesso porque não fazia música popular. Era exímio tocador de violão. Quando todo mundo tocava com quatro dedos, ele usava os cinco. Um fabuloso artista que a morte roubou do Brasil. Chorei e o público sabia que eu contava piadas chorando. Recebi uma grande ovação quando dei explicações porque eu chorava. Foi o dia mais aborrecido de minha vida".
Na edição de 2 de abril de 1961 do Diário da Noite, o repórter Moacyr Jorge dizia que José Vasconcelos valia “por uma companhia de comédia” e o seu show era de “duas horas de gargalhadas com humorismo sadio”. Encantado, ele reconhecia ser Vasconcelos impressionante na “imitação de figuras da música, do rádio, e da política”.
Fica o registro.
Em toda a sua trajetória musical, Garoto alcançou sucesso apenas com uma obra: o dobrado São Paulo Quatrocentão, resultante de parceria com o maestro Chiquinho e gravada nos estúdios da Odeon no dia 19 de agosto de 1953, para os festejos do 4º centenário da capital paulista. Ela lhe rendeu cerca de US$ de 30, referentes a direitos autorais.
MÁRIO ALBANESE
No próximo dia 15, a partir das 15 horas, Mário estará no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, prestando depoimento sobre o Jequibau, ritmo musical 5/4 que criou junto com o maestro Ciro Pereira. O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo localiza-se A Rua Benjamim Constant, 158, próximo à tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde, aliás, estudou.
CANTORIA
Hoje às 21 horas tem cantoria das boas promovida pelo paraibano Rafael de Souza, no estabelecimento comercial da Rua Prof. Campos de Oliveira, 480, Jurubatuba, Santo Amaro. Lá estarão de violas em punho os repentistas Ivanildo Vila Nova e Severino Feitosa, dois craques da poética do improviso. Mais informações pelo telefone 5521.2677.
Uma vez Severino se saiu com estes versos em estrofe de gemedeira, que é uma das dezenas de modalidades do mundo da cantoria:
Assis Ângelo é passarinho
Que nesta floresta voa
Mas lembra de Cabedelo,
Tambaú e Alagoas
E não tira do coração
Ai, ai, ui, ui,
A capital João Pessoa.
BIBI FERREIRA
E hoje tem, também, a estreia de Bibi Ferreira no Teatro do Shopping Frei Caneca. Começa às 21 horas. Bibi é a mais completa atriz brasileira.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
BIBI FERREIRA ESTÁ EM SÃO PAULO
A partir de amanhã e até o dia 7 de outubro, a mais completa atriz brasileira, Bibi Ferreira, estará se apresentando no Teatro Shopping Frei Caneca, às 21 horas. Um grupo musical formado por 21 músicos, sob a batuta do maestro Flávio Mendes, a acompanhará num eclético repertório permeado de obras compostas em várias línguas e gêneros.
Aos 90 anos completados em junho, Bibi dispensa qualquer apresentação formal.
Ela é o próprio teatro.
E música.
Ela tem domínio total da arte que exerce desde tenra idade.
É um orgulho do Brasil.
Viva Bibi Ferreira!
Após a curta temporada em Sampa, Bibi segue com sua trupe a Portugal, e já em novembro, no dia 21, se apresenta no Lincoln Cente de nova Iorque.
Aos 90 anos completados em junho, Bibi dispensa qualquer apresentação formal.
Ela é o próprio teatro.
E música.
Ela tem domínio total da arte que exerce desde tenra idade.
É um orgulho do Brasil.
Viva Bibi Ferreira!
Após a curta temporada em Sampa, Bibi segue com sua trupe a Portugal, e já em novembro, no dia 21, se apresenta no Lincoln Cente de nova Iorque.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
BIBI FERREIRA, UMA SENHORA ARTISTA
Ela nasceu quando?No dia 1º, 4 ou dez de junho de 1922?
Não importa.
O que importa é que o Brasil deve se orgulhar de Bibi Ferreira, de batismo Abigail Izquierdo, filha do carioca João Álvaro de Jesus Quental Ferreira e da espanhola Aída Izquierdo, ele, o ator Procópio Ferreira; ela, uma bailarina.
Bibi, uma das atrizes mais completas, acaba de chegar aos 90 anos de idade, cantando e atuando nos palcos com um vigor surpreendente.
Eu a vi no começo da madrugada de hoje, num programa da TV Globo.
Eu a vi feliz, alegre como uma estreante, falando do que gosta e do que não gosta.
Não bebe e não não fuma, por exemplo.
Gosta de dormir e de cantar trechos de óperas.
Numa ária da Traviata, de Verdi, ela enfiou Palpite Infeliz, de Noel.
Noutra, de Le Figaro, de Mozart, nos fez ouvir Maracangalha, de Caymmi, que também gostava de dormir e descansar.
Até Ponteio, de Edu Lobo e Capinan; e Deus e o Diabo, que Sérgio Ricardo fez em 20 minutos, ela interpretou à maneira operística, sem falhar a voz.
Bibi está completando 71 anos de estreia profissional como atriz e como cantora.
As suas primeiras gravações em discos foram feitas no formato de 78 RPM, para o selo Columbia.
Em agosto de 1941, ela gravou, de sua autoria, as toadas Fitinha Encarnada e Lá Longe, na Minha Terra.
Depois dessas músicas, ela gravou outras músicas e muitos poemas, além de histórias infantis.
E até apresentou programas na extinta TV Excelsior, como Brasil 61, 62 e 63, com a presença de artistas da MPB, como Geraldo Vandré.
No correr da vida, não titubeou em se posicionar politicamente.
Até de uma campanha pela volta do presidencialismo ela participou, ao lado de Elza Soares, Isaurinha Garcia e outros artistas.
Clique:
- Você já leu a nova edição do caderno Memória da Cultura Popular do newsletter Jornalistas&Cia, que este mês traz a figura do rei do baião Luiz Gonzaga? Se não leu, clique na linha abaixo:
www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04.pdf
terça-feira, 7 de agosto de 2012
ALÔ, ALÔ, MARCIANO!
Em julho de 1969, eu tinha 16 anos de idade e marchava célere para os 17 a se completarem dali a dois meses.
Era meio fim de tarde do domingo 20.
Eu me achava passando férias escolares em Timbaúba, um dos municípios pernambucanos da Zona da Mata Norte mais gostosos de viver.
A cidade de poucos habitantes, era aconchegante e estava em rebuliço.
Não se falava noutra coisa naquela tarde, a não ser no homem na lua.
Num estabelecimento comercial ao lado da praça principal as pessoas se aglomeravam meio bobocas diante de um aparelho de televisão ainda em p&b e sem os recursos de transmissão o vivo, como hoje.
Mas isso era apenas um detalhe sem maior importância.
O que importava, mesmo, era ver o homem na lua como anunciado nos jornais e noutros meios de comunicação da época.
Fiquei meio zonzo, meio abestalhado, vendo o Armstrong pulando – pensei - na cabeça do dragão.
Mas não era na cabeça de dragão nenhum que ele pisava.
Ele pisava era na nossa imaginação, tendo como pretexto o solo lunar.
Pulinhos maravilhosos, de criança feliz da vida.
O tempo passou e ontem à noite eu vi na televisão um robozinho na forma de jipe, chamado Curiosity, de US$ 2,5 bilhões, chegando à Marte no começo da madrugada, depois de uma longa viagem até lá.
A mesma sensação de incredulidade daquele 20 de julho voltei a sentir.
Até aonde ainda vamos chegar, hein?
Era meio fim de tarde do domingo 20.
Eu me achava passando férias escolares em Timbaúba, um dos municípios pernambucanos da Zona da Mata Norte mais gostosos de viver.
A cidade de poucos habitantes, era aconchegante e estava em rebuliço.
Não se falava noutra coisa naquela tarde, a não ser no homem na lua.
Num estabelecimento comercial ao lado da praça principal as pessoas se aglomeravam meio bobocas diante de um aparelho de televisão ainda em p&b e sem os recursos de transmissão o vivo, como hoje.
Mas isso era apenas um detalhe sem maior importância.
O que importava, mesmo, era ver o homem na lua como anunciado nos jornais e noutros meios de comunicação da época.
Fiquei meio zonzo, meio abestalhado, vendo o Armstrong pulando – pensei - na cabeça do dragão.
Mas não era na cabeça de dragão nenhum que ele pisava.
Ele pisava era na nossa imaginação, tendo como pretexto o solo lunar.
Pulinhos maravilhosos, de criança feliz da vida.
O tempo passou e ontem à noite eu vi na televisão um robozinho na forma de jipe, chamado Curiosity, de US$ 2,5 bilhões, chegando à Marte no começo da madrugada, depois de uma longa viagem até lá.
A mesma sensação de incredulidade daquele 20 de julho voltei a sentir.
Até aonde ainda vamos chegar, hein?
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
UMA BOMBA-MENINA ACABOU COM HIROSHIMA
Aquela manhã a princípio igual a qualquer uma, de rotina, como são quase todas as manhãs em todas as línguas, findou como tragédia absoluta, ímpar, sem par, incomparável em qualquer tempo ou lugar.Era uma segunda-feira, no Japão.
Às 8 e poucos do dia 6 de agosto de 1945, depois da redição dos nazistas para as forças aliadas, os japoneses de Hiroshima sentiram na pele a força arrasadora dos norte-americanos.
Força terrível, vinda das nuvens e do chão fazendo subir uma espécie de cogumelo gigante, aterrador, mortífrero.
O dia se fez noite.
Nada igual jamais visto.
A tragédia daquela manhã chegou nas asas de um avião B29, embutida num artefato de 65 quilos de urânio e poder explosivo de 15 quilotons.
Entre a liberação do artefato e sua explosão a 600 metros do solo se passou menos de um minuto, resultando daí um saldo terrível, inimaginável: 140 mil pessoas mortas, ou mais, em segundos.
Depois disso, passada uma semana, os norte-americanos ainda insatisfeitos detonaram Nagasaki e mais milhares e milhares de japoneses. Tudo isso sob o comando do presidente Harry Truman, para quem - à guisa de curiosidade - o rei do baião Luiz Gonzaga, a pedido do presidente-marechal Gaspar Dutra, tocaria sanfona numa solenidade realizada no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, dois anos depois dessa dupla tragédia que renderia vários, entre os quais a obra-prima Hiroshima Meu Amor (1959), de Alain Resnais.
A primeira bomba, a de Hiroshima, foi chamada de bebê, menino; na língua de lá, little boy, carregada por um avião batizado de Enola Gay.
A segunda, de Fat Man.
O episódio marcou o fim da Segunda Grande Guerra e o começo do fim do império americano.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
PIXINGUINHA TOCOU COM LUIZ GONZAGA
O clarinetista e maestro pernambucano Severino Araújo de Oliveira, que muita gente pensava ser paraibano por ter vivido por muitos anos, desde a infância, em Ingá, morreu hoje no Hospital Ipanema, no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos.Ele tinha 95 anos de idade.
Severino assumiu a batuta à frente da Orquestra Tabajara, que se originou em João Pessoa, PB, em 1938, aos 21 anos.
A Tabajara foi fundada em 1934 pelo holandês Oliver Von Sohsten, à época cônsul no Brasil.
Mesmo com a morte dele a orquestra, das mais antigas do mundo, continuará sobrevivendo.
Severino e a Tabajara gravaram de tudo, desde jazz à MPB, passando pela bossa nova e outras bossas. Ele que também era compositor, autor do clássico Espinha de Bacalhau, acompanhou em gravações de discos desde os 78 RPM aos de 33 RPM artistas importantes da nossa música, como a rainha do baião Carmélia Alves.
Uma das bonitas gravações que ele fez à frente da Tabajara foi Baião, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, no começo dos anos de 1960.
Essa gravação se acha no LP 12 Ritmos Brasileiros, lançado pela extinta Continental.
Viva Severino!
VIOLAS E REPENTES
Amanhã, às 15 horas, será encerrado o projeto Violas e Repentes, projeto da Associação Raso da Catarina, no espaço cultural Gam Yoga, à Rua Fradique Coutinho, 1004, na Vila Madalena.
O projeto começou no dia 3 de março.
Até agora quatro duplas se apresentaram ao som de violas nordestinas: Sebastião Marinho e Andorinha, Titico Caetano e Vicente Reinaldo, Dedé Laurentino e Zé Cândido, Luzivan Matias e Manoel Soares e Erivaldo da Silva e Zé Milson Ferreira.
A dupla que encerrará o projeto é formada por Zé Francisco e Sebastião Cirilo.
Zé Francisco, paraibano, é um dos primeiros e inspirados poetas repentistas a desembarcar na capital paulista, nos fins dos anos de 1950.
Vamos lá?
É na faixa e estarei na arena apresentando a dupla.
JORNALISTAS&CIA
Anotem: segunda-feira 6 Luiz Gonzaga é tema do especial Memória da Cultura Popular do mais importante newsletter do Brasil, o Jornalistas&Cia. Adianto que descobri algo muito importante sobre o Rei do Baião.
Sabem o que?
Confiram o título desta postagem.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
ESPECIAL GONZAGÃO NO JORNALISTAS&CIA, 2ª
O 2 de agosto de 89 cobriu de luto o Brasil.Nesse dia, bem cedo, os brasileiros desde Pernambuco foram acordados com a notícia da morte do Rei do Baião.
À época eu trabalhava na Pan, em São Paulo, e uns dois meses antes eu o havia entrevistado pelo telefone, numa tarde em que ele se dirigia a Canindé, no Ceará, para fazer uma promessa por recuperação da saúde.
Estava fragilizado, caminhando com dificuldade.
Pouco mais de dez anos depois da sua partida, e durante apresentação do programa São Paulo Capital Nordeste, na Rádio Capital AM 1040, pedi à deputada federal Luiza Erundina que levasse à apreciação do Congresso um projeto de criação do Dia Nacional do Forró não só para lembrar a importância do grande pernambucano que pôs o baião no mundo como gênero musical, mas para fazer os brasileiros continuarem a dançar ao som da boa música nordestina.
A sugestão me fora dada pelo amigo Paulo Rosa, que depois criaria a casa de espetáculos O Canto da Ema, nome, aliás, por mim escolhido para trazer à lembrança outro grande nordestino: o paraibano Jackson do Pandeiro, criador do gênero rojão.
O baião e o rojão têm uma mesma célula de origem: a viola do violeiro repentista.
A proposta encaminhada por Erundina ao Congresso Nacional foi aprovada no dia 6 de setembro de 2005 e virou a Lei nº 11.176, chancelada pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicada na edição de 9 de setembro do mesmo ano, no Diário Oficial da União.
É vasta a programação comemorativa ao centenário de Luiz Brasil a fora.
Em dezembro, a TV Câmara, de Brasília, levará ao ar um especial sobre o Rei do Baião.
Desse especial participamos com Arievaldo Viana e Sinval Sá, autor de um dos melhores livros sobre Luiz: O Sanfoneiro do Riacho da Brígida, lançado à praça em 1966.
Um filme de longa-metragem, Gonzaga - De Pai Pra Filho, está em fase final de edição pelo mesmo diretor de Dois Filhos de Francisco, Breno Silveira.
Clique abaixo.
O lançamento nacional está previsto para outubro.
Em setembro uma série de quatro curtas ou algo parecido será inserida no Fantástico, da TV Globo.
Eu e Dominguinhos já gravamos participação.
Esta semana chegou às lojas o álbum triplo 100 Anos de Gonzagão, pelo selo Lua Music.
Algo parecido (reprodução da capa, acima), e até com uma música inédita (Padroeira da Visão, Santa Luzia), de Luiz e Téo Azevedo, interpretada por Dominguinhos, estará na praça em breve. Desse CD, de 15 faixas, eu participo com um texto especial de nove minutos e um poema (Um Baiãozinho Para o Rei do Baião), ambos de minha autoria.
No começo do ano, uma grande homenagem a ele já havia sido prestada pela escola de samba Unidos da Tijuca, que foi à Sapucaí e ganhou o carnaval carioca com o enredo O Dia em Que Toda Realeza Desembarcou na Avenida Para Coroar o Rei do Sertão.
Depois de amanhã, sábado 4, durante o encerrramento do projeto Violas e Repentes no espaço cultural Gam Yoga, na Vila Madalena (Rua Fraqique Coutinho, 1004), os poetas improvisadores Zé Francisco e Sebastião Cirilo contarão a história do Rei do Baião em versos, na toada repentista. Entrada grátis. Estarei presente, como apresentador.
No próximo dia 12 estarei na Bienal Internacional do Livro, mediando uma banca sobre a vida e obra de Patativa do Assaré, por iniciativa do Sesc. É de Patativa um dos clássicos do repertório Gonzaguiano: A Triste Partida, gravado em 1964.
Nos dias 18 e 20 participarei de um encontro de literatura de cordel na livraria Cortez, ali ao lado da PUC, no bairro de Perdizes. O evento é dedicado a Luiz Gonzaga.
E no dia 22, no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, farei uma conferência cujo teor é a cultura popular, a partir da obra do Rei do Baião.
Atenção! Não deixem de ler a 4ª edição especial Memória da Cultura Popular do newsletter Jornalistas&Cia, resultado de parceria com o Instituto Memória Brasil, a sair na próxima segunda-feira, 6. O tema é Luiz Gonzaga.
Acesse:
www.jornalistasecia.com.br
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
LIÇÃO QUE VEM DA RUA
Há pouco um casal de moradores de rua da capital paulista achou um pacote com R$ 20 mil e o devolveu aos donos.Agora um pedreiro de Paracatu, Minas, achou uma bolsa com R$ 30 mil e também devolveu ao dono.
Tanto no primeiro como no segundo caso, o dinheiro fora roubado por assaltantes.
Em São Paulo, de um restaurante.
Em Minas, de uma distribuidora de bebidas.
No caso paulistano o casal se deu bem, ao ser premiado com um emprego e está feliz da vida.
No caso mineiro, a pessoa que achou os R$ 30 mil foi gratificada e também está feliz.
Por que os políticos não se espelham nesses casos, hein?
Pois é, e amanhã o STF inicia o processo de julgamento de 38 políticos e empresários acusados de se beneficiarem com o dinheiro público.
Vamos ver no que dar.
UM RESULTADO A DESEJAR; VIVA GONZAGA!
Reunir artistas jovens de várias tendências musicais num projeto em torno do centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, o rei do baião, a ocorrer este ano, sem dúvida foi uma boa sacada.Porém o resultado ficou a desejar, pois que poderia ter tido um cuidado melhor e uma linearidade nas gravações, por exemplo.
O CD triplo 100 Anos de Gonzagão (www.luamusisc.com.br), com belíssima ilustração na capa de mestre Elifas Andreato, feita originalmente para um número da 2ª edição da coleção Nova História da Música Popular Brasileira (Abril), em 1977, poderia ser ótimo e não um tiro n´água..
No entanto, das 50 faixas constantes algumas dão algum gosto de ouvir: Riacho do Navio, com Ayrton Montarroyos; A Feira de Caruaru, com Anastácia e Oswaldinho; Boiadeiro, com André Rio e Genaro; Orélia, com Ylana Queiroga; Xanduzinha, com Karina Buhr; Cintura Fina, com Gaby Amarantos; Balance eu, com Thais Gulin; O Xote das Meninas e Capim Novo, com Elke Maravilha e Trio Dona Zefa; Baião, com Wanderléa; Dezessete Légua e Meia, com Milena; e Derramaro o Gai, com 5 a Seco.
Elke e Wanderléa surpreende.
Ao álbum também faltou um encarte explicativo.
Ou seja: tudo poderia ter sido resumido num só disco.
Você sabia que a valsa Dúvida, de Gonzaga e Domingos Ramos, gravada no dia 8 de abril de 1946 e lançada pelo cantor chamado Patativa do Norte Augusto Calheiros em julho do mesmo ano é a única música do Rei do Baião constante no CD triplo 100 Anos de Gonzagão que jamais foi gravada pelo próprio Gonzaga?
E como essa, ele deixou trintena e meia gravada em discos de 78 RPM por gente como Ciro Monteiro.
Pois é: nunca são demais informações num disco, principalmente num tempo, como o de hoje, em que tudo é empurrado goela abaixo para todos nós.
Os responsáveis pelos arranjos, Rovilson Pascoal e André Bedurê, ficam devendo coisa melhor.
Viva Gonzagão!
À Lua Music parabéns pelo risco de assumir o lançamento de 100 anos de Gonzagão.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
A VIDA É DE MORTE
Ao contrário do agente funerário sensibilíssimo e cantor de banheiro criado por Woody Allen no filme Para Roma Com Amor, o que acontece na vida real é triste, muito triste, sem graça nenhuma.
O terreno em volta do Instituto Médico Legal de São Paulo, e talvez noutros lugares do País, é movediço totalmente.
De morte, portanto.
Disputado a pau por agentes políticos da esfera municipal, não é seu Kassab?
De morte é a vida.
Ao morrer um ente querido, os familiares penam.
Os trâmites burocráticos facilitam a vida dos papa-defuntos, que vão sem dó nem piedade aos bolsos das vítimas.
Deus do céu!
É por essa e outras que me recuso a morrer.
O terreno em volta do Instituto Médico Legal de São Paulo, e talvez noutros lugares do País, é movediço totalmente.
De morte, portanto.
Disputado a pau por agentes políticos da esfera municipal, não é seu Kassab?
De morte é a vida.
Ao morrer um ente querido, os familiares penam.
Os trâmites burocráticos facilitam a vida dos papa-defuntos, que vão sem dó nem piedade aos bolsos das vítimas.
Deus do céu!
É por essa e outras que me recuso a morrer.
domingo, 29 de julho de 2012
WOODY ALLEN E A SOCIEDADE MODERNA
Woody Allen continua provocando maravilhas para as telonas.
Ele é que nem vinho: quanto mais velho, melhor.
A prova está no seu filme mais recente: Para Roma Com Amor, no qual faz rir e faz pensar sem deixar de homenagear colegas de sua preferência, como Fellini e Buñuel.
É como se estivesse fechando seu último ciclo de vida: nasceu e fez, lembrando que ninguém faz nada do nada ou nasce sozinho.
As influências existem, ele mostra com categoria e sutileza.
E o enredo é simples: um casal vai a Roma conhecer a família do noivo da filha.
O pai do noivo é agente funerário e um excepcional tenor sob o chuveiro.
A partir daí tudo acontece.
Non sense, inclusive.
Jerry (Woody), um aposentado do meio artístico que não consegue ficar sem fazer nada, o convence a se profissionalizar como cantor de ópera.
É um filme muito bonito, que homenageia até os cantores de banheiro.
Como sempre crítico, Woody Allen inventa o personagem Leopoldo Pisanello (Roberto Benigni) para ridicularizar a sociedade moderna que gera celebridades do dia para a noite, sem razão alguma.
Vide os reallity shows da vida global.
De zero a dez, nota dez a Para Roma Com Amor.
Ele é que nem vinho: quanto mais velho, melhor.
A prova está no seu filme mais recente: Para Roma Com Amor, no qual faz rir e faz pensar sem deixar de homenagear colegas de sua preferência, como Fellini e Buñuel.
É como se estivesse fechando seu último ciclo de vida: nasceu e fez, lembrando que ninguém faz nada do nada ou nasce sozinho.
As influências existem, ele mostra com categoria e sutileza.
E o enredo é simples: um casal vai a Roma conhecer a família do noivo da filha.
O pai do noivo é agente funerário e um excepcional tenor sob o chuveiro.
A partir daí tudo acontece.
Non sense, inclusive.
Jerry (Woody), um aposentado do meio artístico que não consegue ficar sem fazer nada, o convence a se profissionalizar como cantor de ópera.
É um filme muito bonito, que homenageia até os cantores de banheiro.
Como sempre crítico, Woody Allen inventa o personagem Leopoldo Pisanello (Roberto Benigni) para ridicularizar a sociedade moderna que gera celebridades do dia para a noite, sem razão alguma.
Vide os reallity shows da vida global.
De zero a dez, nota dez a Para Roma Com Amor.
sábado, 28 de julho de 2012
HOJE É DIA DE LAMPIÃO E BACH
Numa manhã como a de hoje, há 74 anos, soldados da polícia alagoana invadiram o esconderijo de Lampião e o mataram a tiros.
Lampião morreu ao lado da sua companheira, Maria Bonita.
E juntamente com os dois, tombaram também outros nove cangaceiros.
O ataque ocorreu de surpresa na grota de Angico, em Sergipe, sob o comando do tenente João Bezerra.
Há uma versão que dá conta de que Lampião fora envenenado por um dos seus mais fiéis companheiros de bando, Pedro Cândido.
Mas essa é uma versão que não dá para ser levada a sério, como indicam os fatos.
Certa vez entrevistando Ilda Ribeiro de Souza, a Sila de Zé Sereno, ela me disse que o que ocorreu naquela manhã de 28 de julho foi uma chacina, sem tirar nem pôr. As vítimas não tiveram tempo de revidar à altura do ataque que contou com 48 soldados.
“Eu e outros do cangaço, como Criança, Juriti e Dulce, sobrevivemos ao fuzilamento por milagre”, disse.
Noutra ocasião entrevistei dona Mocinha, irmã de Lampião.
E ela disse uma coisa curiosa, ou seja: o irmão não era violento.
Por sua vez, o contrário me disse a filha Expedita Ferreira Nunes: nas poucas vezes que ele ia visitá-la, ela se escondia debaixo da cama.
Clique abaixo para ouvir o que diz dona Mocinha.
BACH
De se lamentar é a morte do compositor Johann Sebastian Bach, ocorrida também num dia 28 de julho; só que em 1750, aos 65 anos. Ele era muito religioso. Na observação do amigo Elomar Figueira Mello, “Bach viveu a vida toda compondo em louvor a Deus”. Vocês conhecem a obra-prima Paixão Segundo São Mateus Mateus?
Lampião morreu ao lado da sua companheira, Maria Bonita.
E juntamente com os dois, tombaram também outros nove cangaceiros.
O ataque ocorreu de surpresa na grota de Angico, em Sergipe, sob o comando do tenente João Bezerra.
Há uma versão que dá conta de que Lampião fora envenenado por um dos seus mais fiéis companheiros de bando, Pedro Cândido.
Mas essa é uma versão que não dá para ser levada a sério, como indicam os fatos.
Certa vez entrevistando Ilda Ribeiro de Souza, a Sila de Zé Sereno, ela me disse que o que ocorreu naquela manhã de 28 de julho foi uma chacina, sem tirar nem pôr. As vítimas não tiveram tempo de revidar à altura do ataque que contou com 48 soldados.
“Eu e outros do cangaço, como Criança, Juriti e Dulce, sobrevivemos ao fuzilamento por milagre”, disse.
Noutra ocasião entrevistei dona Mocinha, irmã de Lampião.
E ela disse uma coisa curiosa, ou seja: o irmão não era violento.
Por sua vez, o contrário me disse a filha Expedita Ferreira Nunes: nas poucas vezes que ele ia visitá-la, ela se escondia debaixo da cama.
Clique abaixo para ouvir o que diz dona Mocinha.
BACH
De se lamentar é a morte do compositor Johann Sebastian Bach, ocorrida também num dia 28 de julho; só que em 1750, aos 65 anos. Ele era muito religioso. Na observação do amigo Elomar Figueira Mello, “Bach viveu a vida toda compondo em louvor a Deus”. Vocês conhecem a obra-prima Paixão Segundo São Mateus Mateus?
sexta-feira, 27 de julho de 2012
MIGUEL DOS SANTOS: UM TOTEM DO BRASIL
O multifacetado artista plástico pernambucano Miguel dos Santos acaba de gerar mais uma obra-prima (ao lado), ainda sem título. Miguel atua na área das descobertas e das interpretações dos símbolos e mistérios que habitam a vida brasileira, a partir do negro e do índio.
É uma prática incansável a dele, por uma compreensão melhor de brasilidade.
As suas figuras únicas, míticas, emblemáticas, saídas de sua mente em constante ebulição, são o ponto de interseção entre o desconhecido e o descoberto.
Miguel é um dos mais originais pintores e ceramistas do Brasil.
Melhor: ele é um totem da tribo brasileira.
E vale quanto pesa.
TINÉ
O colega jornalista Flávio Tiné escreveu uma historinha dos tempos da jovem guarda. Esta:
“Algum dia me chamavam de Zé Flávio. Foi na década de 70, quando eu trabalhava na revista Intervalo, da Editora Abril, e o jornalista Walter Negrão me convidou para substituí-lo no jornal A Gazeta, da Fundação Cásper Líbero. Minha função era escrever uma coluna, denominada TELEVISÃO, onde tecia comentários sobre programas de TV e, em seguida, colocava meia dúzia de pequenas notas sobre apresentadores, cantores ou quaisquer outros artistas que participavam dos diversos programas.
Walter Negrão era repórter e eu trabalhava na "cozinha" da revista, como redator, ao lado de Ágata Messina e Marilda Varejão, tendo como chefe de reportagem Giba Um, que por sua vez fazia uma coluna social na Folha da Tarde. Para qualquer um de nós era fácil fazer uma coluna desse tipo, pois passávamos 24 horas por dia lendo e pesquisando sobre televisão, bem como recebendo informações e caitituagens diversas. Éramoa assediados por gravadoras, empresários e pelos próprios artistas em busca de fama. Também viajávamos a serviço, acompanhando gravações de novelas, filmes e fazendo reportagens. Foi assim que conheci a fazenda de Eduardo Araújo em Joaíma (MG), o apartamento de Wanderley Cardoso em Copacabana, a casa de Roberto Carlos e Ronnie Von, no Morumby, nas quais almoçava algumas vezes em busca de notícias.
Era comum recebermos a visita de artistas novos, em fase de lançamento, conduzidos à redação pelos divulgadores das gravadoras. Eles levavam o disco, como brinde de divulgação, e o próprio artista, para ser entrevistado e fotografado. Foi assim que conheci, por exemplo, uma certa Maria da Graça, mais tarde famosa como Gal Costa. Antes de entrar na redação, pela manhã, passei batido por um pequeno grupo que se encontrava no corredor, esperando o atendimento por alguém da redação. O chefe de reportagem, Giba Um, mandava um dos repórteres atender o representante da gravadora. E lá fui eu conversar com Maria da Graça, linda e simpática baianinha lançando seu primeiro compacto simples.
O dia-a-dia na revista Intervalo me abastecia de informações suficientes para fazer não uma, mas várias colunas, se quisesse.
Foi nessa época também que me envolvi, sem querer-querendo, como diria o personagem de Chaves, num desagradável desentendimento. A revista, que circulava às quintas-feiras, decidira na véspera colocar Ronnie Von na capa, porque uma de suas composições, Meu Bem, chegara ao primeiro lugar. Precisava de um texto, mais ou menos 60 linhas, que me foi solicitado às pressas sob o argumento de que eu já o entrevistara várias vezes e até almoçara na casa dele, na época um apartamento na avenida Santo Amaro.
Perguntei a Giba Um se podia escrever o que eu quisesse, e ele prontamente concordou. Queria ver o circo pegar fogo, ou melhor, vender revista. Contei então o que ninguém ousaria falar à época. Ronnie Von mentia. Dizia-se solteiro, mas era casado com Aretusa.
No dia seguinte à publicação, Ronnie Von compareceu à diretoria da revista, acompanhado de um advogado e de seu empresário, para questionar minha petulância em tentar denegrir sua imagem. É bom lembrar que na época da Jovem Guarda os cantores faziam questão de esconder o estado civil. Acreditavam que a condição de solteiro era uma espécie de passaporte para o sucesso. Ronnie ameaçou me processar, mas eu não estava mentindo. Foi então dissuadido pelo diretor da revista, Odilo Licetti.
Na coluna do jornal A Gazeta eu tinha toda liberdade do mundo para opinar. Faço justiça aos diretores da emissora e da própria Fundação Cásper Líbero, que nunca me solicitaram para divulgar os programas da TV Gazeta ou seus artistas, apresentadores, locutores e demais persononalidades. Eu mesmo decidia o que prestigiar ou criticar, conforme meus própriois desígnios. Quarenta anos depois reconheço que exagerei algumas vezes, mas sabe como é. Todo mundo tem seu dia de dono do mundo. Eu tive alguns anos”.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
BATMAN VERTE LÁGRIMA DE SANGUE
A próxima edição da revista norte-americana The Hollywood Reporter a ir às bancas no próximo dia 3 de agosto, traz na capa a imagem do personagem de quadrinhos Batman, o Cavaleiro das Trevas, com uma lágrima de sangue escorrendo no rosto.É uma bela capa, jornalista e artisticamente falando.
A revista trata do caso do psicopata James Eagan Holmes, que matou aparentemente sem motivo algum, num cinema de Aurora, no Colorado, EUA, uma dúzia de pessoas no último dia 20 e feriu outras 58, algumas ainda internadas em estado grave.
A capa da revista diz tudo.
Por que esse tipo de crime ocorre com tanta frequencia lá nos Estados Unidos da América, hein?
SOCORRO LIRA E RONIWALTER JATOBÁ
A cantora, compositora e instrumentista paraibana Socorro Lira (aí ao lado) está neste momento se apresentando no Sesi unidade da Vila Leopoldina, zona Oeste da capital paulista, ao lado do sanfoneiro Olívio Filho, o Olivinho, sobre quem tantas vezes aqui neste blog já falei; e de quem, também, falei com carinho e respeito desde o século passado no programa que durante anos apresentei na Rádio Capital, ao vivo, e ainda tão lembrado por tanta gente: São Paulo Capital Nordeste.É muito bom o profissional Olivinho.
Talentosíssimo no instrumento que escolheu para nos emocionar.
Ele corre o mundo mostrando as nossas belezas musicais ao lado de artistas como Elba Ramalho, minha amiga e conterrânea.
Pois é, o Brasil é belo.
Tão belo que o querido Luís da Câmara Cascudo dizia que o que há de melhor no nosso País é o brasileiro; frase que os marqueteiros de tempos atrás usaram e abusaram sem creditar a autoria.
Pois é: o melhor do Brasil é o brasileiro.
E Socorro Lira e Olivinho estão inseridos nesse contexto.
A grande maioria dos políticos, não.
Político com cargo eletivo não é povo.
Socorro, das mais sensíveis intérpretes e compositoras brasileiras da atualidade, recebeu há pouco o primeiro reconhecimento do seu talento: a confirmação de melhor cantora regional, pelos jurados do 23º Prêmio da Música Brasileira.
Ei, mas podemos tirar esse negócio de “regional”.
Ela é uma das melhores cantoras do Brasil.
E ponto.
E Olivinho um dos maiores sanfoneiros que temos.
RONIWALTER
Quero agora compartilhar com você o que o coleguinha Renato Pompeu escreveu sobre o escritor Roniwalter Jatobá, que acaba de pôr mais um livro na praça, via Nova Alexandria:
“A literatura sempre avança em relação à mais requintada teoria literária. O principal teórico do realismo crítico, o húngaro György Lukács, julgava que não era possível fazer arte a partir do singular, por não ser universal. Somente a partir do singular-universal, ou seja, a partir do particular, é que seria possível fazer arte. Mas Roniwalter Jatobá, neste livro Cheiro de Chocolate e Outras Histórias, prova o contrário. Ele chega a estesias melancólicas e encantadoras a puros enlevos, a partir de uma féerica feira de singularidades; o conjunto se torna universal. É o que tenho a dizer”.
E precisava mais?
LAURA OKUMURA
E a querida cantora Laura Okumura acaba de telefonar para me parabenizar pelo Dia do Escritor, hoje. Mas eu escrevo muito mal, Laura. De qualquer maneira, obrigado pela lembrança. Faz tempo que não nos vimos, não é mesmo?
quarta-feira, 18 de julho de 2012
AUDÁLIO, QUINO E JOSÉ NÊUMANNE
O livro é importantíssimo, especialmente para os jovens iniciantes na profissão de jornalista. Nele, lê-se uma história melhor do que outra.
No lançamento reencontrei muitos colegas, entre os quais o conterrâneo José Nêumanne.
Indignado ele me contou da perseguição que está sofrendo na internet, o que o levou a prestar depoimento numa audiência pública na Câmara Federal, no último dia 3. E hoje o Estadão publicou um importante artigo seu abordando a questão redes sociais e internet, que merece ser lido e discutido.
O PAI DA MAFALDA
E ontem foi o dia do 80º aniversário de vida do argentino de Mendoza Quino, de batismo Joaquín Salvador Lavado Tejón, criador de Mafalda, incrível personagem de histórias em quadrinhos conhecida no mundo todo.
Mafalda apareceu pela primeira vez numa tirinha em 1962, mas o seu criador considera que ela nasceu no dia 29 de setembro de 1964.
Numa noite de dezembro de 2003, Quino compareceu ao programa São Paulo Capital Nordeste, que durante pouco mais de seis anos apresentei, ao vivo, na Rádio Capital.
Com Quino e os cartunistas Paulo Caruso e Custódio, mais o estudioso de HQ Álvaro de Moya (foto abaixo, na qual ainda aparecem Quino e o cantador Sebastião Marinho), discorremos sobre a importância da arte do cartum e das histórias em quadrinhos para a cultura contemporânea.
Viva Quino!
A Rede Covarde da Maledicência Impune, artigo publicado na edição de hoje do jornal
O Estado de S.Paulo:
Provedores e redes sociais na internet devem ser tidos como meios de comunicação.No fim do mês passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu provimento a recurso do Google contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio que o obrigava a deixar de oferecer fotos e filmes de apelo erótico e sugestões de pedofilia da estrela de cinema e televisão Xuxa Meneghel. A jurisprudência foi firmada sob a alegação de que o provedor de internet não pode ser inculpado e punido por material que não produz nem fiscaliza, mas apenas faz circular. Antes disso, a Terceira Turma do STJ manteve condenação ao Orkut, de propriedade do Google, por ter mantido ofensas feitas por um blogueiro ao diretor de uma faculdade em Minas. Aquela turma fixou em 24 horas, depois de denunciada a ofensa, o prazo para o veículo suspender a exibição dela, sob pena de ser corresponsabilizado judicialmente.
Para qualquer leigo em meandros do jurisdiquês, caso do autor destas linhas, há uma contradição em termos. E certamente a confusão é provocada pela ausência de uma legislação clara e rigorosa para coibir a circulação de infâmias covardes e anônimas em redes sociais e quaisquer veículos que acolham e divulguem informações de todo tipo num dos meios mais utilizados de comunicação deste século da alta tecnologia, que é a rede mundial de computadores. A omissão jurídica a respeito do assunto não é uma exclusividade tupiniquim, mas nos países desenvolvidos alguns avanços têm sido registrados para impedir abusos sem violação de direitos elementares da liberdade de informação, expressão e opinião. A praticidade e a comodidade oferecidas pelo banco de informações vendido pelo Google são de tal ordem que tem passado ao largo dessas decisões o fato elementar de que esse provedor vende um produto que obtém de graça, o que caracteriza, obviamente, pirataria. E também que a tecnologia capaz de facilitar qualquer pesquisa ou informar algo relevante a alguém que trabalhe com informação ainda não desenvolveu meios que tornem possível separar o joio do trigo. Não se sabe como distinguir um dado correto de uma reles falsificação.
Na verdade, não é realista reivindicar a erradicação da falsidade proibindo que o instrumento funcione, pois isso provocaria uma revolta mundial de usuários já habituados à facilidade da obtenção dos dados necessários para uma pesquisa ou um texto. Mas urge mudar radicalmente o enfoque que tem sido dado à proteção das mensagens veiculadas - reais ou falsas. As redes sociais e os provedores dessas informações não são – como querem fazer crer os executivos de um dos mais bem-sucedidos negócios de alta tecnologia do mundo – apenas formas de relacionamento interpessoal, mas seu alcance permite defini-los como meios de comunicação social. Quem duvidar está convidado a refletir sobre a importância dada a esses meios pela publicidade comercial e pela propaganda política.
Por mais riscos que a falta de vigilância possa provocar, seja na boa imagem de produtos, seja na honra de cidadãos, ninguém resiste a anunciar, promover ou simplesmente se expor por esses meios. Neste ano de eleições municipais, o caluniômetro nacional ganhará velocidade maior até do que a do impostômetro da Associação Comercial de São Paulo, fazendo parecer folguedos de crianças as infâmias divulgadas na última campanha presidencial, tais como fotos de Luiz Inácio Lula da Silva com uma mancha de urina na calça ou lendo um livro de cabeça para baixo e de sua candidata, Dilma Rousseff, exibindo um fuzil a tiracolo. Dilma também foi citada falsamente como impedida de entrar nos Estados Unidos por causa de sua militância na guerra bruta e suja contra a ditadura militar brasileira, na qual os americanos simpatizavam com os militares.
No entanto, ainda que vítima, o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) nunca manifestou interesse algum em reprimir a covarde rede de infâmias que circula impunemente entre os usuários de computadores no Brasil, como se ela fosse de somenos importância.
O petista Marco Maia (RS), presidente da Câmara dos Deputados, tem tratado com displicência acima do razoável a tramitação na Casa do Marco Civil da Internet, que, em teoria, poderia pôr fim à confusão a respeito da responsabilidade de provedores e redes sociais em crimes contra a honra, como exposto no início deste texto. Aliás, a expressão em teoria merece uma explicação. A proposta a ser debatida e votada no Congresso é de uma platitude que não assusta caluniadores pela internet nem tranquiliza suas vítimas eventuais – quaisquer que sejam. Seria ingênuo imaginar que os parlamentares, cujos partidos são vítimas e algozes da rede mundial da maledicência, enfrentassem temas que tampouco empolgam seus colegas nos países mais ricos, como a pirataria do Google ou os serviços prestados pelas redes sociais às agências de espionagem. Mas é sua obrigação precípua impedir que se confunda – como vem ocorrendo, e não só nos meios cibernéticos – liberdade de expressão com licença para enxovalhar a honra alheia.
A indiferença dos legisladores ao problema torna-os cúmplices de quem se aproveita da ausência de leis que impeçam expressar ressentimentos, manifestar desvios de comportamento e até tirar vantagem da difamação. Não há mais tempo hábil para evitar que essa prática daninha provoque turbulências indesejáveis nas campanhas eleitorais que estão para começar. Mas é preciso desde já empenhar a energia e o poder político que os membros do governo federal têm para pôr fim a esse massacre de reputações na telinha, em vez de gastá-los na discussão de marcos regulatórios da mídia e outros eufemismos a pretexto de disfarçar tentativas de controlar a informação ou a opinião desagradáveis ou nocivas aos donos do poder.
O primeiro passo a ser dado é a conscientização de que combater a veiculação da infâmia anônima em quaisquer meios, computadores pessoais inclusive, não é ferir as liberdades individuais, mas acudi-las, salvaguardando a honra do cidadão.
terça-feira, 17 de julho de 2012
HOJE É DIA DE AUDÁLIO DANTAS RECEBER AMIGOS
Ontem à tarde, uma colega da TV Cultura bateu à minha porta para saber o que acho do cidadão alagoano Audálio Dantas.Nota 10, eu disse.
E como jornalista?
Nota 10, também.
Eu conheci Audálio Ferreira Dantas à frente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo no começo da segunda metade dos anos de 1970, durante o “lento, seguro e gradual” processo de transição política, chamado de Abertura, posto à prática pelo general Geisel, em 1974, e encerrado em 1985, com a eleição do mineiro Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral.
Paraibano de João Pessoa, eu chegara à capital paulista em 1976. Estava adoentado, com bacilos de Kock a me incomodar o peito.
Bati à porta do Sindicato para conhecer colegas e fui recebido por Audálio.
Depois embarquei a Campos do Jordão para uma estadia não propriamente espontânea.
Após oito meses voltei decidido a encarar a vida por aqui, e novamente nos vimos.
E nos tornamos amigos.
Comecei fazendo bicos na redação da TV Cultura, no tempo que Aizita Nascimento apresentava o telejornal.
Depois fui trabalhar na Folha, onde permaneci por uns sete anos.
Depois Estadão, como chefe de reportagem da Editoria de Política.
Depois TVs Manchete, Globo etc.
Audálio fez uma carreira incrível no jornalismo.
A sua contribuição ao jornalismo e à literatura de denúncia é muito grande, coisa que faz desde os tempos da Folha da Manhã, hoje Folha de S.Paulo, nos anos de 1950; passando em seguida por revistas marcantes, como O Cruzeiro, Realidade, Quatro Rodas etc.
Audálio Dantas é pra virar estáuta, certo? E vou abraçá-lo daqui a pouco, às 19 horas, no restaurante Jacaré Grill, à Rua Harmonia, 321, Vila Madalena, quando ele estará autografando mais um livro, Tempos de Reportagem (Editora LeYa).
Vamos lá?
A Vanira Kunk – todo homem importante tem uma mulher, idem – manda dizer que não vão faltar cervejas, quitutes e caldinho de feijão.
Há como resistir?
FEIRA DE CORDEL
Começa hoje às 16 horas, prossegue amanhã e termina depois, dia 19, a I Feira Brasileira do Cordel, em Fortaleza. A iniciativa é da Aestrofe, com apoio do Minsitério da Cultura e do Governo do Ceará. O local é o Centro Dragão do Mar de Arte de Cultura. O baiano Marcus Haurélio, que reside na capital paulista e é um dos mais expressivos cordelsitas brasileiros da atualidade, acaba de embarcar para participar da feira.
PS - A primeira ilustração desta postagem, em p&b, é reprodução de página de parte de reportagem de Audálio Dantas, com chamada de capa, publicada na revista O Cruzeiro velha de guerra, edição de 16 de junho de 1962.
sábado, 14 de julho de 2012
A BASTILHA E SAUDADE DO FUTURO, O FILME
A Bastilha, um portal que virou uma fortaleza em Saint-Antoine, foi construída no correr da Guerra dos Cem Anos pelo rei Carlos V e governada com mão de ferro pelo marquês de Launay, morto e decapitado após a invasão, pelos invasores.
Esse acontecimento, ocorrido em 1789, mudou radicalmente a situação social e política da França, culminando com a ação militar de Napoleão Bonaparte, um ano depois.
Vem daí a frase marcante do filósofo do Iluminismo Jean-Jacques Rousseau (1712-78) que o mundo livre conhece: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Isso tudo para dizer que depois de 200 anos da tomada da Bastilha veio ao mundo a minha caçula, Clarissa, que hoje faz 23 anos e daqui a meses conclui o curso de Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo; e que no dia daqueles 200 anos eu compus uns versos que posteriormente foram musicados pelo mineiro Téo Azevedo e gravados pela cantora Fatel.
Essa gravação foi incluída na trilha sonora do filme Saudade do Futuro, produção franco-brasileira de Cesar Paes e Marie-Clémence, em 2000.
O filme tem por base um dos meus livros, A Presença dos Cordelistas e Cantadores em São Paulo, lançado pela Ibrasa.
PS - Acima, os versos inseridos no encarte do CD de 2001, com a trilha do filme. Para ler melhor, clique sobre. Tanto o filme quanto o CD podem ser adquiridos via Livraria Cultura.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
LUA ESTRELA BAIÃO, A HISTÓRIA DE UM REI
Hoje é sexta 13.
Dizem que é de agouro etc.
Não acredito, embora saibamos que no dia 13 de dezembro de 1968 foi decretado o Ato Institucional nº 5.
E o resultado disso todo mundo sabe: torturas, mortes e desaparecimentos de brasileiros, no Brasil.
Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, nasceu numa sexta-feira como esta, no longínquo ano de 1912.
E ele foi o que foi, e deixou o que deixou como herança para um povo carente do que é bom.
O meu novo livro, Lua Estrela Baião, a História de um Rei, começa assim:
“Naquele fim de noite, começo de longa e agitada madrugada, uma estrela cadente riscou o céu escuro anunciando o nascimento de um menino num dos casebres da fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, a 12 quilômetros de Novo Exu, Pernambuco, lugar distante muitas e muitas léguas da capital, Recife.
A noite abafada e calorenta, de verão, prometia festa e emoção”.
Aguardem.
Dizem que é de agouro etc.
Não acredito, embora saibamos que no dia 13 de dezembro de 1968 foi decretado o Ato Institucional nº 5.
E o resultado disso todo mundo sabe: torturas, mortes e desaparecimentos de brasileiros, no Brasil.
Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, nasceu numa sexta-feira como esta, no longínquo ano de 1912.
E ele foi o que foi, e deixou o que deixou como herança para um povo carente do que é bom.
O meu novo livro, Lua Estrela Baião, a História de um Rei, começa assim:
“Naquele fim de noite, começo de longa e agitada madrugada, uma estrela cadente riscou o céu escuro anunciando o nascimento de um menino num dos casebres da fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, a 12 quilômetros de Novo Exu, Pernambuco, lugar distante muitas e muitas léguas da capital, Recife.
A noite abafada e calorenta, de verão, prometia festa e emoção”.
Aguardem.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
NOITE DE FESTA, COM CHEIRO DE CHOCOLATE
A obra (reprodução da capa, ao lado), muito bem editada, reúne duas dezenas de histórias curtas; uma melhor do que a outra.
Algumas, porém, são marcantes; como a que dá título ao livro.
No conjunto pode se dizer que é uma obra em que o autor se mistura com seus personagens, todos aparentemente reais.
Enfim, como dizia Goethe na citação oportuna de Ronaldo Cagiano na orelha do livro: “O começo e o fim de toda atividade literária é a reprodução do mundo que me cerca por meio do mundo que está dentro de mim”.
São histórias de gente simples, comum; de vida e morte, de lembranças na cidade grande.
Algo a ver, provavelmente, com a sua chegada à maior cidade do Hemisfério Sul nos 70, São Paulo, hoje a 5ª mais densa do mundo em população e extensão territorial, segundo dados da Organização das Nações Unidas, ONU.
No festivo local de lançamento ontem, presentes inúmeros amigos do autor, a destacar artistas e intelectuais como Luís Avelima, que acaba de traduzir diretamente do russo o livro Gente Pobre, de Dostoievski; Marco Haurélio e Pedro Monteiro, grandes cordelistas; Enio Squeff, autor das ilustrações do livro; José Donizete, Celso de Alencar, Álvaro Alves de Faria, Darlan Ferreira, as irmãs cantoras Celia & Celma; e o decano da imprensa brasileira, Audálio Dantas (no clique aí abaixo, ladeado pelas irmãs).
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