Seguir o blog

quarta-feira, 10 de julho de 2013

CHICO SALLES GRAVA BOLDRIN

O paraibano de Souza Francisco de Salles Araújo, por meio mundo conhecido apenas por Chico Salles (aí na foto, comigo e o produtor José Milton), é da raça de artista da boa música, cantor e compositor de forró e sambas, que não tem pressa de gravar e lançar disco. Tanto que, aos 62 anos, tem só cinco CDs espalhados por aí.
Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Chico tem muitos folhetos e livros publicados, entre os quais Cordelinho, premiado pela Academia Brasileira de Letras como melhor livro infanto-juvenil de 2009.
E ontem ele veio do Rio de Janeiro, onde mora há mais de 40 anos, para gravar participação no programa Sr. Brasil, do Boldrin, na TV Cultura de São Paulo, canal 2.
Chico arrasou, como se diz.
Ele cantou três músicas do seu 5º disco, a faixa-título O Bicho Pega, de Bule-Bule; e Circo das Ilusões, de João Bá e Klecius Albuquerque; e Forró do Apagão, de Maciel Melo.
Na gravação do programa ele se fez acompanhar dos craques em música Durval Pereira, Zé Leal, Nino Jeremias, Paulinho 7 Cordas e Andrezinho do Cavaco.
Agora Chico Salles está se preparando para lançar o CD Sérgio Samba Sampaio. Isso, segundo ele, deverá ocorrer daqui a uns 30 dias. “Tá tudo pronto”, garante.
O cachoeirense Sérgio Sampaio, primo do autor do hino de Cachoeiro de Itapemirim, Meu Pequeno Cachoeiro, Raul Sampaio, e de outras pérolas como Quem eu Quero Não me Quer, em parceria com Ivo Santos, foi um compositor pouco compreendido, de certo modo “maldito”, como Tim Maia e Itamar Assumpção.
O novo disco de Chico vem para corrigir a injustiça de Sérgio ter sido crucificado em vida pelos críticos etc.
Em outubro faz 40 anos que o primo do autor de Cachoeiro de Itamemirim lançou o seu primeiro LP, Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua.
Ainda é tempo.

LINKS INCRÍVEIS
Do amigo José Nêumanne acabo de receber a indicação dos 100 melhores links que se deve ver/ouvir antes de batermos com as botas. Realmente, a dica é muito boa. Mas há “poréns”. Na parte de discos não tem Noel Rosa, Wilson Batista, Assis Valente, Sivuca, Hermeto Pascoal, Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Dalva de Oliveira. Em contrapartida, tem Vinicius e tem Machado de Assis com suas obras em disponibilidade. Tem também Joaquim Pedro de Andrade com o filme O Poeta do Castelo, produzido pelo Instituto Nacional do Livro do Ministério da Educação e Cultura em 1959. O poeta é Manuel Bandeira (clique abaixo, na linha azul). Tem a fictícia Rádio Camanducaia, mas não tem Di Cavalcanti, Cícero Dias, Bonadei, Volpi e Rebolo. De Portugal, tem Pessoa. Dos EUA, tem tudo. Que coisa, hein?

terça-feira, 9 de julho de 2013

9 DE JULHO E ZÉ RAMALHO

A essa hora, há 81 anos, São Paulo e alguns Estados, como Mato Grosso – hoje, do Sul - ferviam em tiroteios que, ao fim, resultaram entre 1.000 e 2.000 brasileiros mortos por brasileiros, em guerra contra a ditadura Vargas e por uma Constituição.
Oficialmente, o número divulgado é de 934.
A Revolução Constitucionalista, como o conflito ficou conhecido, foi cantada de todas as formas.
Entre dobrados, marchas e hinos, foram compostos cerca de 40 músicas, sendo a mais famosa, curiosamente, a música oficial da Guarda Republicana de Paris Paris-Belfort, de Parigoul (acima, reprodução do selo do disco original lançado simultaneamente na Itália, Turquia, Canadá e Brasil).
O 9 de julho é a data cívica mais importante de São Paulo.
....................................
ZÉ RAMALHO - Abaixo, registros do dia 7 no Vale do Anhangabaú, onde a Prefeitura de São Paulo, com apoio da TV Globo, realizou shows em comemoração ao mês junino. Os espetáculos, nos dias 6 e 7, foram apresentados por mim representando o 
Instituto Memória Brasil, IMB, e Alessandro Azevedo, da 
Associação Raso da Catariana na pele do seu personagem famoso, o palhaço Charles. 
As fotos são da profissional Michela Brígida.

Na foto acima, eu, a atriz Milena Toscano e o palhaço Charles apresentando o show de Zé Ramalho (aí na foto).

domingo, 7 de julho de 2013

ZÉ RAMALHO, NO ANHANGABAÚ. VAMOS?

Milhares, muitos milhares de pessoas – umas 15 mil? - lotaram ontem todos os espaços do Vale do Anhangabaú, aqui na capital paulista.
Não sei quantas pessoas cabem lá, no Vale, mas sei que cabem muitos milhares.
Coisa muito bonita foi aquilo de se ver, ontem, do começo ao fim, lá, no Vale; e sem nenhuma ocorrência policial registrada até o final de tudo; tudo que recomeça hoje, ali pelas 15 horas.
Vá lá, meu amigo, e leve seus amigos também, parentes, aderentes...
A tarde ontem lá, no Vale, começou comigo e o ator Alessandro Azevedo - criador do palhaço Charles, estrela do Sarau do Charles... (foto aí acima, da sensibilíssima profissional Michela Brígida) - contando histórias juninas e alegrando o povo com causos, piadas próprias, cantando...
O povo que foi chegando, chegando, chegando e, de repente, crescendo, crescendo, crescendo e se tornando multidão num piscar d´olhos a partir, mesmo, da apresentação do trio musical Casa Amarela, no Palco 2; e Anastácia, Amelinha, Melina e Duani no Palco 1, seguida do Trio Juazeiro, no 2; e Alceu Valença no 1, comigo e os atores Júlio Rocha, o Dr. Jacques, da novela Amor à Vida (registro abaixo, de Michela); e Alessandro Azevedo.
Sim, foi tudo muito bonito.
E teve ainda a parte lúdica nos gramados do Vale, com centenas de crianças, a partir dos três anos, brincando com pedagogos e contadores de histórias.
E teve também a presença dos poetas populares Moreira de Acopiara, Marco Haurélio e Zé da Zilda (foto abaixo, de Michela) arrebentando no melhor dos sentidos.
Demais!
E hoje, 7, tudo será do jeito bonito que foi ontem.
A programação é esta, espalhem:
Palco 1
16h30: Peixelétrico
19h30: Zé Ramalho
Palco 2
15h: Diego Oliveira
18h: Circuladô de Fulô
E, claro, novamente estaremos animando o ambiente, eu e o palhaço Charles, que está engolindo o seu criador, Alessandro, que representa a Associação Raso da Catarina; e eu, o Instituto Memória Brasil, IMB.

Viva o Brasil!
Mais tarde, ali pelas 15 horas, voltaremos, eu e o palhaço Charles, a falar de São João e brasilidade. De Luiz Gonzaga, inclusive. 
Clique:
http://www.youtube.com/watch?v=DUC7Pu8-I9I

sábado, 6 de julho de 2013

SÃO JOÃO EM SÃO PAULO

São quatro e não três os santos do ciclo junino, no Brasil: Antônio, João, Pedro e Paulo.
O primeiro era português, de Pádua. Morreu aos 39 anos, no dia 13 de junho.
O segundo era natural da Judeia, no sul da Palestina, entre o mar Morto e o mar Mediterrâneo; hoje, Cisjordânia.  
O terceiro era romano, considerado o primeiro bispo da Igreja Católica. Seu nome era Simão.
O quarto era judeu, nascido numa província de Roma. Seu nome era Saulo, ou Saul, mas virou Paulo, ou Paulo de Tarso, ao converter-se ao Cristianismo num longínquo 25 de janeiro.
Pois bem, desses o menos lembrado nos festejos juninos é Paulo, São Paulo. Essa falha começará a ser revista a partir de hoje - e amanhã - numa festa programada pela Prefeitura paulistana, que se iniciará às 14h30, no Vale do Anhangabaú. Eu e o ator Alessandro Azevedo estaremos animando o público, com muitas brincadeiras e música em dois palcos.aqui, parte da programação é esta,
HOJE
Palco 1
16h: Quatro ases do forró: Anastácia, Amelinha, Duani e Melina
19h: Alceu Valença
Palco 2
14h30: Casa Amarela
17h30: Trio Juazeiro

AMANHÃ, 7
Palco 1
16h30: Peixelétrico
19h30: Zé Ramalho
Palco 2
15h: Diego Oliveira
18h: Circuladô de Fulô


SÃO JOÃO.
Quer saber um pouquinho sobre a presença dos nordestinos em São Paulo. Então, clique:
http://www.youtube.com/watch?v=8dp6k5OPxFc
 
 
 


sexta-feira, 5 de julho de 2013

ZÉ RAMALHO DE GRAÇA, NO ANHANGABAÚ

http://www.youtube.com/watch?v=sbzeATyAuL4
Hoje é véspera, amanhã é dia de festa no Vale do Anhangabaú.
Mesmo um pouco tardio, o dia será de muita brincadeira, de contação de história, de cordel a cargo de Marco Haurélio e trupe; de comida boa e típica, quentão e cantiga em dois palcos.
Num, às 16 horas, a rainha do forró Anastácia, Amelinha, Duani e Melina.
Noutro, às 14h30, os grupos Casa Amarela e Juazeiro.
Alceu Valença e Zé Ramalho estão programados para arrebentar.
Alceu às 19 horas, amanhã.
Zé às 19h30, depois de amanhã.
Antes de Zé, tem os meninos do Peixelétrico fazendo fuá no palco 1; e no palco 2, Diego Oliveira e Circulandô de Fulô.
E tudo no peito, na raça, de graça, comigo e o ator Alessandro Azevedo animando a quem estiver desanimado.
Fora isso, e envolvendo tudo isso, uma rádio – do povo - com sistema de alto falantes tinindo reviverá os tempos de boa música, à frente Alessandro representando a Associação Raso da Catarina e eu o Instituto Memória Brasil.
Vai ser legal, espalhe, avise a todo mundo que vai ser legar estar no Vale do Anhangabaúu amanhã e depois de amanhã.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

EM AÇÃO, OSWALDINHO E SPACCAROTELLA

Antonio Spaccarotella, um dos mais jovens e respeitados sanfoneiros italianos da atualidade, professor musical de formação jazistíca, chega ao Brasil no próximo domingo. Ele desembarca em São Paulo, para depois seguir viagem por algumas cidades brasileiras como Crato, no Ceará; e João Pessoa, na Paraíba, onde ministrará um workshop na Universidade Federal local e se apresentará em concerto no Auditório Radegundes Feitosa, entre os dias 12 e 14.  
Ele já esteve no País algumas vezes, para se apresentar em festivais de sanfoneiros na Bahia e Pernambuco.
A carreira artística Spaccarotella começou praticamente por acaso, quando, ainda criança, foi levado a uma festa de casamento e assistiu, encantado, o desempenho de um acordeonista que fora contratado para tocar no evento. “Foi ali, naquele momento, que eu me apaixonei completamente pelo instrumento”, ele conta.
E tinha 14 anos quando começou a estudar música, para valer.  
O seu primeiro grande mestre foi Renzo Ruggieri, a quem diz dever muito.
Ele também estudou (jazz) com Luciano Biondini, Frank Marocco e Richard Galliano. E (clássico) com Claudio Jacomucci, Mika Väyrynen, Frederich Deschamps e Fredric Lips.
Em 2008, Spaccarotella representou a Itália no Campeonato Mundial de Acordeon (World Trophy CMA), espécie de Copa mundial de sanfoneiros. E ganhou; como logo depois ganharia o Prêmio de Castelfidardo, o mais respeitado dentre todos.
Conta o italiano que na sua terra, e boa parte da Europa, o interesse pela sanfona se acha hoje em fase crescente, por isso se sente muito bem e à vontade como professor desse instrumento “fantástico”.
Uma de suas alunas, a brasileira Maryanne Francescon, nascida em Medianeira, PR, ganhou o festival CMA.
“Um orgulho para todos nós, não é?”.
Spaccarotella, que tem 28 anos de idade, se apresentará também em São Paulo, mas precisdamente no Museu da Casa Brasileira, no próximo dia 21, ao lado de Oswaldinho do Acordeon, que considera, além de uma referência obrigatória da música, “um ícone mundial do acordeon”.
Ano passado os dois se apresentaram juntos em Spoleto, Itália (acima, na foto), onde é realizado o World Trophy CMA.
Mais informações com Sarah e Samanta, da Quitanda Musical Produções Artísticas.
Tel.: (11) 2598-7398
Cel.: (11) 98282-1398 / (11) 98441-7054
e-mail: quitandamusical@gmail.com
site: www.quitandamusical.com.br 

Quer saber mais, ver/ouvir Spaccarotella em ação? Então, clique:
http://www.youtube.com/watch?v=sPhzvo6blpA (Antonio Spaccarotella - Rússia)
http://www.youtube.com/watch?v=VdR387biVdQ (Gugliemi Brothers - Alunos de Antonio)
http://www.youtube.com/watch?v=BvloZFScegU (Antonio Spaccarotella - Castelfidardo)
http://www.youtube.com/watch?v=BvloZFScegU (15º Festival da Sanfona 2012 - Teatro Isabel (Recife)).
http://www.youtube.com/watch?v=OzOtS9Lv0IM (Duo Mediterranean Jazz - duo La neve/ Spaccarotella)


PRÊMIO JORNALISTAS&CIA/HSBC
Estarão abertas até o dia 5 de setembro as inscrições para o Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade, que este ano distribuirá mais de R$ 100 mil reais aos vencedores nas categorias Mídias Nacional e Mídia Regional. Detalhes abaixo:

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O PLEBISCITO

O maranhense Artur Azevedo, cujo nome completo era Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo, nasceu no dia 7 de julho de 1885. Jornalista, contista e poeta, Azevedo, fundador da Academia Brasileira de Letras, ABL, junto com Machado de Assis e outros intelectuais, deixou vários livros. Num deles, Contos Fora de Moda, de 1894, pode-se apreciar com gosto o texto O Plebiscito. E já que a palavra está entrando de novo em moda...
..................
A cena passa-se em 1890.
A família está toda reunida na sala de jantar.
O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um abade.
Dona Bernardina, sua esposa, está muito entretida a limpar a gaiola de um canário belga.
Os pequenos são dois, um menino e uma menina. Ela distrai-se a olhar para o canário. Ele, encostado à mesa, os pés cruzados, lê com muita atenção uma das nossas folhas diárias.
Silêncio.
De repente, o menino levanta a cabeça e pergunta:
— Papai, que é plebiscito?
O senhor Rodrigues fecha os olhos imediatamente para fingir que dorme.
O pequeno insiste:
— Papai?
Pausa:
— Papai?
Dona Bernardina intervém:
— Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal.
O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir os olhos.
— Que é? Que desejam vocês?
— Eu queria que papai me dissesse o que é plebiscito.
— Ora essa, rapaz! Então tu vais fazer doze anos e não sabes ainda o que é plebiscito?
— Se soubesse, não perguntava.
O senhor Rodrigues volta-se para dona Bernardina, que continua muito ocupada com a gaiola:
— Ó senhora, o pequeno não sabe o que é plebiscito!
— Não admira que ele não saiba, porque eu também não sei.
— Que me diz?! Pois a senhora não sabe o que é plebiscito?
— Nem eu, nem você; aqui em casa ninguém sabe o que é plebiscito.
— Ninguém, alto lá! Creio que tenho dado provas de não ser nenhum ignorante!
— A sua cara não me engana. Você é muito prosa. Vamos: se sabe, diga o que é plebiscito! Então? A gente está esperando! Diga!...
— A senhora o que quer é enfezar-me!
— Mas, homem de Deus, para que você não há de confessar que não sabe? Não é nenhuma vergonha ignorar qualquer palavra. Já outro dia foi a mesma coisa quando Manduca lhe perguntou o que era proletário. Você falou, falou, falou, e o menino ficou sem saber!
— Proletário — acudiu o senhor Rodrigues — é o cidadão pobre que vive do trabalho mal remunerado.
— Sim, agora sabe porque foi ao dicionário; mas dou-lhe um doce, se me disser o que é plebiscito sem se arredar dessa cadeira!
— Que gostinho tem a senhora em tornar-me ridículo na presença destas crianças!
— Oh! Ridículo é você mesmo quem se faz. Seria tão simples dizer: — Não sei, Manduca, não sei o que é plebiscito; vai buscar o dicionário, meu filho.
-oOo-
O senhor Rodrigues ergue-se de um ímpeto e brada:
— Mas se eu sei!
— Pois se sabe, diga!
— Não digo para me não humilhar diante de meus filhos! Não dou o braço a torcer! Quero conservar a força moral que devo ter nesta casa! Vá para o diabo!
E o senhor Rodrigues, exasperadíssimo, nervoso, deixa a sala de jantar e vai para o seu quarto, batendo violentamente a porta.
-oOo-
No quarto havia o que ele mais precisava naquela ocasião: algumas gotas de água de flor de laranja e um dicionário...
-oOo-
A menina toma a palavra:
— Coitado de papai! Zangou-se logo depois do jantar! Dizem que é tão perigoso!
— Não fosse tolo — observa dona Bernardina — e confessasse francamente que não sabia o que é plebiscito!
— Pois sim — acode Manduca, muito pesaroso por ter sido o causador involuntário de toda aquela discussão — pois sim, mamãe; chame papai e façam as pazes.
— Sim! Sim! Façam as pazes! — diz a menina em tom meigo e suplicante. — Que tolice! Duas pessoas que se estimam tanto zangarem-se por causa do plebiscito!
Dona Bernardina dá um beijo na filha, e vai bater à porta do quarto:
— Seu Rodrigues, venha sentar-se; não vale a pena zangar-se por tão pouco.
O negociante esperava a deixa. A porta abre-se imediatamente.
Ele entra, atravessa a casa, e vai sentar-se na cadeira de balanço.
— É boa! — brada o senhor Rodrigues depois de largo silêncio — é muito boa! Eu ignorar a significação da palavra plebiscito! Eu!
A mulher e os filhos aproximam-se dele.
O homem continua num tom profundamente dogmático:
— Plebiscito...
E olha para todos os lados a ver se há ali mais alguém que possa aproveitar a lição.
— Plebiscito é uma lei decretada pelo povo romano, estabelecido em comícios.
— Ah! — suspiram todos, aliviados.
— Uma lei romana, percebem? E querem introduzi-la no Brasil! É mais um estrangeirismo!

CORREIO DAS ARTES
Logo mais, às 19 horas, será lançado na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, Paraíba, o livro Uma Viagem no Tempo, organizado pelo professor Alarico Correia e pelo editor Juca Pontes. “Esse livro retoma o papel de A União publicar obras de autores paraibanos”, diz o superintendente do jornal, Fernando Moura, acrescentando que esse será o primeiro dentre vários a serem lançados no correr deste ano e 2014.
As páginas de A União abrigaram textos originais de Augusto dos Anjos, Celso Mariz, Ascendino Leite e Horácio de Almeida, entre outros autores paraibanos.
A intenção é lançar livros em todas as áreas, “com olhar mais pedagógico e viés educativo, de contribuição para a ampliação do conhecimento coletivo da Paraíba”, informa Fernando Moura.
O próximo título será uma biografia do pintor Pedro Américo, feita por Horácio de Almeida.
Hoje também será lançada uma edição especial do suplemento literário Correio das Artes, no mesmo local e horário.
O homenageado da noite é o decano da imprensa paraibana, Luiz Gonzaga Rodrigues, que está completando 80 anos de idade.

100 ANOS
Hoje faz 100 anos que nasceu em Campos de Goytacazes, RJ, o compositor Wilson Batista. A sua primeira música, o samba-canção Na Estrada da Vida, foi gravada em disco Victor por Luiz Barbosa no dia 28 de abril de 1933 e lançada à praça no mesmo ano, em dezembro. Ele tinha 20 anos quando Sílvio Caldas gravou seu samba Lenço no Pescoço, provocando Noel Rosa e iniciando uma polêmica musical que entrou para a história. Em 1956, a Odeon reuniu as nove músicas compostas pelos dois e chamou Francisco Egydio e Roberto Paiva para regravá-las. O resultado foi o LP de 10 polegadas Polêmica (acima, reprodução da capa).

terça-feira, 2 de julho de 2013

PLEBISCITO?

A pretexto de reformas políticas, agora novamente é posto em pauta o tema plebiscito.
A primeira vez que isso ocorreu foi há 50 anos, devido à crise plantada no governo João Goulart, em 1961.
O sistema democrático corria riscos.
A consulta à população, feita no dia 6 se janeiro de 1963, era se prevaleceria o sistema parlamentarismo vigente como forma de governo ou se reimplantava o presidencialismo previsto na Constituição de 1946.
Deu presidencialismo (76,97%).
Mas para que isso ocorresse, uma grande campanha foi lançada nas emissoras de rádio de todo o País, com o objetivo de convencer os eleitores que o presidencialismo era a opção mais acertada.
A opção pelo parlamentarismo registrou 16,87% dos votos (os nulos e brancos somaram 6,22%).
Dessa campanha participaram vários artistas, entre os quais Ângela Maria, Nora Ney, Emilinha Borba, Isaurinha Garcia e Ivon Cury, acompanhados pelo conjunto musical do flautista Altamiro Carrilho e pelo próprio flautista, Altamiro.
O texto cantado gravado em disco (reprodução do selo, acima), em ritmo de samba, começava com Jorge Veiga:

Meu povo a decisão
Agora está na sua mão
No dia seis
Vamos dizer que não
O Ato Adicional
Só aumentou a inflação
Com lápis na mão
Vamos dizer que não
Não e não...

Um texto findava a faixa, com estas palavras:
- Dia 6 é a sua vez. Acabe a confusão. Marque um X no quadrinho: Não...
O resto da história é sabido, mas não custa lembrar: um ano e dois meses depois os militares apearam do poder Jango e implantaram uma ditadura sangrenta no País, que se estendeu por longos 21 anos.

FÓRUM DE CULTURA
Atenção! Do Fórum de Educação e Cultura, acabo de receber:
A todos que frequentam o Fórum de Cultura e Educação, comunicamos que estamos participando do Grupo de Trabalho da Secretaria Municipal de Cultura, e que na quarta-feira estaremos encerrando a etapa que resultou na Lei  Zé Renato (em trâmite na Câmara dos Vereadores), na Proposta de Edital para os CEUs, (já aprovada para encaminhamento aos Secretários da Cultura e Educação do Município), e na Proposta de Campanha  de Popularização  de Ingressos para outubro/novembro /dezembro e janeiro de 2013/2014, em fase final de aprovação.
O quarto ponto será mais extenso e demorado  (trata-se da questão das salas de espetáculo, que deverá ser discutido pelo Fórum em Seminário próprio, e no GT com as entidades de classe).
Consideramos que nesta semana ainda não será possível realizar a reunião da quarta-feira do Fórum, pois o GT  tem sua reunião no mesmo horário e dia, e no momento é preciso priorizá-lo para encerrar as ações descritas  acima. Na próxima semana com certeza nos reuniremos, retomando nossos encontros semanais e o planejamento do próximo Seminário.
Quer saber mais?
Acesse:
http://forumculturaeducacao.wordpress.com/

segunda-feira, 1 de julho de 2013

OLÉ!

Se a Seleção Brasileira tivesse perdido o jogo ontem contra a Espanha, o mundo todo teria desabado sobre a cabeça de Felipão e seus comandados.
Mas a seleção Canarinho ganhou e ganhou bonito: de 3 x 0.
E aí?
Aí que andam dizendo que a vitória foi comprada pelo governo, para amenizar o clima de insatisfação política - e econômica - que hoje reina nas ruas, de norte a sul do País.
Ah! Vá...
Mas quero dizer o seguinte: gostei de ver os torcedores cantando à capela o Hino Nacional Brasileiro no Maracanã.
E os jogadores também.
Sim, foi bonito; e foi também bonito o canto coletivo de todos no estádio, num ato claro de “desobediência” à Fifa que nos impôs editar nove segundos para execução do nosso hino; ainda assim, de modo instrumental.
Ah! Vá...
E depois, então, Felipão respondendo em entrevista coletiva a um jornalista inglês, hein? Impagável:
- Antes de falar mal do meu país, olhe para o seu.
Nota dez!
Bom, foi num mês de julho como este que o mesmo Maracanã abrigou tristeza e alegria.
Corria o ano de 1950.
Era 13 de julho.
Naquela tarde, mais de 150 mil torcedores cantaram felizes a marchinha Touradas em Madrid, de João de Barro e Alberto Ribeiro.
Naquela tarde a Seleção Brasileira ganhou da Espanha por 6 x 1, com gols de Ademir (2), Jair, Chico (2), Zizinho e Silvestre Igoa.
Três dias depois, o Maracanã e o Brasil todo choraram a derrota para o Uruguai, por 2 x 1.
Touradas em Madrid foi gravada pela primeira vez por Almirante (Henrique Foréis Domingues; 1908-80), no dia 4 de novembro de 1937.
Depois pela Orquestra Odeon e Coro, no dia 13 de julho de 1938.
A terceira e última gravação dessa música em discos de 78 RPM foi feita em ritmo de fox, pelo pianista Francisco Scarambone, no dia 17 de abril de 1940.
E virou clássico do gênero.

domingo, 30 de junho de 2013

PASSEATAS E OLIVEIRA DE PANELAS (3)

Já são muitas, inúmeras, as músicas compostas no calor da hora em torno das manifestações populares que se espalham Brasil a fora como um rastro de pólvora desde o último dia 6, primeiramente na capital paulista pelo Movimento Passe Livre, MPL.
Todas essas músicas eu entendo serem de pouco ou nenhum valor artístico, mas de algum modo elas estão aí na boca de muita gente, incomodando os bons ouvidos.
São canções mornas, rocks e raps, na maioria, e amadorísticas.
Algumas: O Gigante Acordou, denominada pelos autores de “original” (há mais uma com o mesmo título e gênero, rap); 20 Centavos, que bate mais na questão Copa; Gigante Pátria, do tipo “sertanojo” gravada em estúdio por uma autodenominada dupla Alex e Gustavo, em busca de fama; Vem Pra Rua, talvez a melhorzinha, com o Rappa; Vamos à Luta, rock do grupo Legião Urbana; Com Flores e Sem Armas, Como se Orgulhar etc. etc. etc.
O Youtube está cheio delas.
E certamente até o final do mês que entra teremos também livros com esse tema.
Aliás, já há um e-book na praça custando R$ 4,99: Choque de Democracia (Companhia das Letras), escrito em dez dias por um gênio da Unicamp chamado Marcos Nobre, que interpreta com a profundidade que julgou possível serem as manifestações populares Brasil a fora de “revoltas de junho”.
Incrível, não é?
De qualquer modo, de R$ 4,99 em R$ 4,99 a galinha enche o papo, diria a minha santa avó Alcina que hoje mora no céu.
E aviso logo: esse livro eu não li, não pretendo ler e não pretendo gostar; aliás, não gostei.
Como entender ser possível ter algum valor literário ou histórico uma obra publicada ainda no correr dos acontecimentos, hein?
Também vão sair folhetos de cordel, mas isso não é de surpreender. Pois, enfim, é da tradição os cordelistas contarem histórias em versos, inclusive no calor dos acontecimentos.
E eis mais uma estrofe de versos decassílabos que o poeta repentista Oliveira de Panelas fez, a meu pedido, para este espaço. Curtam, pois:

No Brasil a saúde está doente,
Toda educação analfabeta,
A cruel violência se projeta
E poderá ser pior daqui pra frente
Não há povo sofrido que aguente
Uma vida de imposto e opressão
Foi aí que cheguei à conclusão
Que as leis são na prática desiguais
E um ladrão de gravata rouba mais
Do que mil marginais de pés no chão.
 
Você quer saber quem é o pernambucano Oliveira de Panelas, um poeta movido pelo talento da improvisação que já se mostrou para os ex-presidentes Fidel Castro, de Cuba; Mário Soares, de Portugal: para...? Então, clique:
http://www.youtube.com/watch?v=cwYwLHTb76I
Você sabe o que é cultura popular? Então, clique:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular08.pdf

sábado, 29 de junho de 2013

PASSEATAS E OLIVEIRA DE PANELAS (2)

Mais uma vez o cantador Oliveira de Panelas diz em versos decassílabos o que acha do momento atual, de pessoas nas ruas clamando por mudanças e  justiça. Oliveira:

O Brasil de propina e roubalheira,
Cambalachos vestidos de escândalos,
O cinismo na cara desses vândalos
Bota luto nas cores da Bandeira,
Todos esses gatunos de coleira
Têm que ser fortemente vigiados,
Quem fizer esses bichos comparados
Ao famoso larápio Ali-Babá:
Os quarenta ladrões de Bagdá
Correriam daqui envergonhados.
INVENTOR DO RÁDIO
A Sala Sérgio Vieira de Mello da Câmara Municipal de São Paulo ficou lotada ontem à tarde durante o Seminário De Landell à Web – O Futuro do Rádio, coordenado por Eduardo Ribeiro e promovido pela newsletter Jornalistas&Cia e o Movimento Landell de Moura, que foi criado para chancelar o nome do criador do rádio, o padre Landell.
A exposição e debate seguidos de depoimentos e perguntas da platéia durou duas horas, entre às 14 e 16.
O evento lembrou os 90 anos de fundação da primeira emissora de rádio no Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de prefixo PR-1-A. Foi ao ar, de modo experimental, no dia 1º de maio de 1923.  
Constituída pelos experientes Alexandre Machado (Cultura FM), Álvaro Bufarah (FAAP), André Luís Costa (BandNews FM), Cal Francisco (Uniban/Anhanguera), Filomena Salemme (Faculdde Cásper Líbero), Hamilton Almeida (Movimento Landell de Moura), Luiz Carlos Ramos (Rádio Capital), Milton Jung (CBN) e Nelson Breve Dias, representando a Empresa Brasileira de Comunicação, EBC, a mesa foi várias vezes aplaudida.
Já na abertura dos trabalhos destacou-se a importância do padre Roberto Landell de Moura (1861-1928), inclusive por ele ter sido um dos inventores brasileiros mais prejudicados pela incompreensão da sociedade, do governo e até da própria Igreja dos primeiros anos do século passado.
O padre, que montou o primeiro transmissor sem fios antes mesmo de Marconi, chegou a patentear a sua invenção nos Estados Unidos da América, mas optou por voltar ao Brasil e aqui lutar pela implantação do rádio.
Não conseguiu.
Até seu laboratório de pesquisas em Campinas, SP, foi destruído por ignoraantes que o conlsideravam herege, bruxo etc.
Tudo referente ao tema foi exposto, avaliado e discutido pelos componentes da mesa.
Todos, uns mais outros menos, falaram da importância do rádio na integração das pessoas em lugares distantes dos grandes centros, como as dezenas de pequenas cidades localizadas, por exemplo, na região Norte do Pais.
Até a veiculação do programa A Voz do Brasil foi questionada.
Esse programa é o mais antigo do rádio brasileiro, surgido em julho de 1935 com o nome de Programa Nacional, depois Hora do Brasil, para dar suporte ao governo Vargas.
A atual denominação data de 1971.
A Voz do Brasil não é um programa descartável, como tanta gente diz. Mas que precisa ter de volta na abertura a ária do Guarani, de Carlos Gomes, sem modernagens horrorosas como a de agora, sambada, malsambada, ah! precisa.
........................
A ilustração acima (clique sobre) reproduz a primeira das seis páginas de matéria especial sobre o rádio que fiz para a extinta revista Jornal dos Jornal, em setembro de 2000.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

PASSEATAS E OLIVEIRA DE PANELAS (1)

Oliveira de Panelas, de batismo Oliveira Francisco de Melo, é um dos maiores e mais sensíveis poetas do improviso ao som de viola que o Brasil tem. Nasceu em Pernambuco, na cidadezinha cujo nome juntou ao seu. Sempre ligado, ele não deixa que os fatos passem sem seu registro. A voz da rua ele traduz em decassílabos de martelo agalopado, para o nosso Blog:

A resposta aos corruptos já foi dada
O poder brasileiro é bom que enxergue,
Pode ser só ponta do iceberg
Ou quem sabe! O estouro da boiada.
Pelo ópio da máfia organizada
Nosso povo caiu adormecido,
Mas desperta com o grito enfurecido
E vem sem medo buscar um sonho novo,
Governante ou governa com o povo,
Ou será pelo povo demitido.

Quer saber mais um pouco sobre esse grande cantador, o seu pensamento e opinião sobre arte, gente e o mundo da cantoria?
Então, clique:
http://www.youtube.com/watch?v=__NTrRZ4ezE
MUDANÇAS
As movimentações nas ruas de todo o País têm provocado mudanças estruturais nas três esferas governamentais.
Em São Paulo, o governador Alckmin acaba de extinguir uma Secretaria (de Desenvolvimento Metropolitano), três fundações (Seade, Fundap e Cepam) e duas estatais (Cptur e Sutaco).
 
PRISÃO
Desde 1988, o primeiro deputado em exercício no Brasil, acusado e condenado por formação de quadrilha e peculato, Naton Donadon (PMDB-RO), é preso pela Polícia Federal. Foi hoje. Ele tem a cumprir 13 anos e quatro meses de reclusão.
 
SÃO JOÃO DO BRASIL
Eu e o ator Alessandro Azevedo animaremos o público que comparecer ao Vale do Anhangabaú nos próximos dias 5 e 6. Na ocasião serão lembrados os santos Antônio, João, Pedro e Paulo. A nossa participação faz parte da programação dos festejos juninos da Prefeitura paulistana, em comum com a Associação Raso da Catarina e o Instituto Memória Brasil, IMB. Eu e Alessandro apresentaremos atrações musicais, como Alceu Valença e Zé Ramalho, e desenvolveremos uma pauta de brincadeiras com base nos tradicionais serviços de autofalantes dos arraiais nordestinos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

PASSEATAS E OSVALDINHO DA CUÍCA

O Cidadão Samba de São Paulo Osvaldinho da Cuíca, de batismo Osvaldo Barro, está empolgado com as manifestações públicas que têm ocorrido de norte a sul do País.
Aos 73 anos completados em fevereiro, ele diz que é preciso moralizar o País. Mas para que isso ocorra faz-se necessário que as passeatas prossigam e que “o povo dê plantão diante das casas dos senhores vereadores, deputados, senadores, prefeitos e governadores; dos políticos, enfim”.
Osvaldinho é um dos melhores - e mais aplaudidos - ritmistas e compositores de samba do Brasil, com vários discos gravados a partir de 1974. Ele já se apresentou em muitos países, e por aqui tocou e cantou ao lado de Clementina de Jesus, Geraldo Filme, Adoniran Barbosa, Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Zé Kéti, Cartola, João Nogueira, Germano Matias, Martinho da Vila, Paulinho da Viola e Vinicius de Moraes, entre outros. Partiu dele a iniciativa de criação da Ala de Compositores da Escola de Samba Vai-Vai (1975). Além disso, ele ajudou a fundar algumas escolas paulistanas, como a Gaviões da Fiel (1974) e a Acadêmicos do Tucuruvi (1976). “Em nome da democracia tudo pode ser feito, menos atos de vandalismo”, diz Osvaldinho.

Na foto aí, feita no Páteo do Colégio: Celia e Celma, Papete, eu, Osvaldinho da Cuíca, Oswaldinho do Acordeon e Alessandro Azevedo.

ESPERANÇA
Uma pessoa espirrou dentro de um ônibus e alguém disse: “Saúde!”. E eu gritei: “educação!”. Logo todos se levantaram e começaram a cantar o Hino Nacional. De arrepiar, não é?

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PASSEATAS E FAGNER

Ontem 25, noite, o cantor/compositor cearense Raimundo Fagner estava no aeroporto de Recife quando o telefone tocou e ele atendeu.
Perguntei depois de uns arrodeios bestas, meus, naturais:
- Que é que tu tás achando do que tá ocorrendo Brasil a fora, hein?
Após as bestagens até desnecessárias, lembrei que acabara de falar, minutos antes, com a amiga conterrânea da Paraíba Rilávia Cardoso, criadora do Troféu Luiz Gonzaga, do qual fora eu este ano surpreendentemente premiado.
- Rilávia dele, do Ajalmar?
Sim, confirmei:
- Do Ajalmar.
Após isso, eu disse que ela me disse que umas 100 mil pessoas tinham acabado de cantar sob suas ordens no Parque do Povo, em Campina Grande.
Ele riu, ele Fagner, ele contou, próprio ele, que o mesmo acontecera noutras cidades do Nordeste dias antes, nesses dias de São João:
- É, foi, sim, cantaram comigo...    
E voltei ao assunto, sobre o que o Brasil etc. Que eu falara um dia antes com Vandré também sobre etc.
- Meu irmãozinho - ele, Fagner, voltou, todo, todo, todo gente, assim, assim.
- Meu irmãozinho, o consumo é duma desgraça, o consumismo é uma coisa ruim, uma praga, terrível, horrível, muito ruim. Não é pra estimular. Tudo isso que está acontecendo (passeatas, protestos etc), tudo isso aí é um tiro no escuro. É bonito. O Brasil tá na pauta, na nossa pauta, na pauta espontânea dos brasileiros.
Cortei a conversa, depois de dizer que voltaremos a falar.
Aqui nesse ponto, o meu telefone tocou e do outro lado o escritor mineiro/baiano Roniwalter Jatobá perguntou como eu estava.
E antes mesmo de me ouvir, ele opinou:
- Os três poderes têm de se entender e pensar e fazer o melhor para o Brasil.
 
COISA ESTRANHA
Uma coisinha eu não estou entendendo: por que é que a Polícia não pega os felas da puta que estão claramente infiltrados nas passeatas, hein?
Saber que os congressistas estão trabalhando depois de suspenderem as férias é acalentador.
Saber que os congressistas estão pondo em dia os compromissos para os quais foram eleitos é acalentador.
Saber que...
Acompanhemos o dia a dia Brasil.
 
COISA ESTRANHA
Uma coisinha eu não estou entendendo: por que é que a Polícia não pega os felas da puta que estão claramente infiltrados nas passeatas, hein?

terça-feira, 25 de junho de 2013

PASSEATAS E VANDRÉ

Ontem com o dia quase findo, e à boca da noite, Geraldo Vandré diz por telefone que acabara de sair de uma gripe danada; e que está fazendo muito frio na serra do Rio, onde mora.
Aqui em São Paulo também - eu emendo -, para ouvir dele a informação de que certamente vai demorar um bocado até voltar a dar as caras por cá.
Geraldo detesta o frio.
Entre uma amenidade e outra, pergunto o que ele está achando dessa movimentação toda que ora ocorre nas ruas do Brasil.
Com voz suave, mas firme, ele responde que não sabe de nada, que não está acompanhando a tal manifestação a que me refiro.
- O que acho? Não sei Ângelo...
Geraldo Pedrosa de Araújo Dias é um paraibano da capital João Pessoa, nascido no dia 12 de setembro de 1935. Formou-se em Direito, mas nunca fez uso profissional do diploma.
O que ele queria ser, mesmo, era profissional da música.
O primeiro disco, de 78 RPM, com os sambas bossa-novistas Quem Quiser Encontrar o Amor (dele e Carlos Lyra) e Sonho de Amor e Paz (de Vinicius e Baden), ele o gravou em 1961 e o lançou à praça, via RGE, em junho desse mesmo ano, portanto há 52 anos.
Não custa lembrar que o junho de 1961 chegou ao fim com o retrato do sul-mato-grossense de Campo Grande Jânio da Silva Quadros (1917-92) ocupando a capa da revista norte-americana Times (ao lado). Dois meses depois Jânio renunciaria ao cargo dando vez a seu vice, o são-borjense João Belchior Marques Goulart (1919-76), o Jango.
Jango foi apeado do poder pelos militares no dia 1º abril de 1964.
Entre as razões da sua queda, pode ser contabilizada a vontade de mexer na Constituição; no caso, para ampliar o direito de voto de quem não sabia ler nem escrever.
O caldeirão está fervendo com saques e pauladas, sem Caminhando nas ruas.
Mudar a Constituição para fazer reforma política, sei não...
Aliás, essa história de reforma política - como a reforma tributária - eu ouço falar desde quando eu estava à frente da editoria de política do jornal paulistano O Estado de S.Paulo, em 1988.
A Constituição vigente é de 1988, e é muito boa.
Enquanto isso, Vandré (acima, no clique de Peter Alouche) se exercita ao piano... Clique: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular02.pdf
RÁDIO
Daqui a três dias, o inventor do rádio, Roberto Landell de Moura, e a sua invenção, o rádio, serão tema de debate na Câmara Municipal de São Paulo.
Vamos?
 
MEMÓRIA BRASIL
Você conhece o Instituto Memória Brasil, IMB? Então, clique:

segunda-feira, 24 de junho de 2013

SÃO JOÃO SEM GONZAGA E DOMINGUINHOS

O rei do baião Luiz Gonzaga e o seu filho postiço Dominguinhos – ainda internado no Hospital Sírio-Libanês - estão fazendo uma falta danada neste mês de São João, sempre de festa e alegria, e agora de esperança por um Brasil melhor e mais justo com todos.
Pois é, não dá para pensar nos santos juninos sem lembrarmos esses dois grandes artistas da música brasileira; e também do rei do ritmo Jackson do Pandeiro, do rei da embolada Manezinho Araújo, da rainha do xaxado Marinês e da rainha do baião Carmélia Alves, que sempre procuraram espantar os males da vida com grandes e simples textos musicais juninos, dos arrasta-pés às marchinhas.
Em várias regiões do País, como Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, o mês continua sendo bastante comemorado.
Percebe-se, porém, que as tradições por lá e noutras cidades estão sendo substituídas por modernagens sem nenhum valor musical ou artístico.
Não custa lembrar que tradição morta é país morto, inclusive que o passado é guia do presente e do futuro.
Pensemos nisso.
Clique aí na linha azul e ouça uma música que eu e Oswaldinho do Acordeon compusemos em homenagem ao Rei do Baião.
http://www.youtube.com/watch?v=daMAjK2MGbo
QUINTETO VIOLADO
Ontem, o grupo vocal-instrumental pernambucano Quinteto Violado - de que tanto Luiz Gonzaga gostava - se apresentou sob uma chuva de aplausos no Parque Dona Lindu, em Recife. Hoje, Dia de São João, o grupo se apresentará às 21 horas no Arraial Central do Jaraguá, em Maceió.
O Quinteto foi fundado em 1970 e logo seria descoberto pelo cantor-compositor Gilberto Gil, que o levaria para a gravação do primeiro LP, na Philips. Isso ocorreu dois anos depois. E já no seu primeiro disco o Quinteto gravaria várias músicas do Rei do Baião, incluindo Asa Branca, abrindo a 1ª das 12 faixas. Detalhe: logo que o LP foi à praça, Luiz Gonzaga deu entrevista dizendo que a interpretação dos meninos do Quinteto era a melhor de todas, até então.
A foto acima foi feita em 1979, durante encontro que resultou numa reportagem que publiquei no extinto suplemento dominical do jornal paulistano Folha de S.Paulo, edição nº 125, de 10 de junho daquele ano.


PASSE LIVRE
Neste momento, a presidente Dilma Rousseff está em reunião no Palácio do Planalto com representantes do Movimento Passe Livre. A ordem aos ministros e técnicos do seu governo é ouvir com atenção e atender os reclames do MPL. O principal ponto em questão é a gratuidade dos transportes públicos.

POSTAGENS MAIS VISTAS