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sábado, 10 de fevereiro de 2018

BARÃO DO RIO BRANCO E CARNAVAL

É provável que pouquíssimas pessoas saibam quem foi o cidadão José Maria da Silva Paranhos Júnior (1845-1912). Se dissermos, porém, que esse mesmo cidadão atendia pelo nome de Barão do Rio Branco ai sim todos sabem, não é mesmo? Esse barão, de inteligência finíssima, morreu no dia de carnaval, num dia 10 de fevereiro. Por causa disso o Marechal Presidente Hermes da Fonseca decretou luto oficial adiando a folia para o dia 16.
O barão dizia que há duas coisas rigorosamente organizadas no Brasil, a desorganização e o Carnaval. Detalhe, naquele ano houve dois carnavais. Isso é história. O Barão do Rio Branco , também chamado de o  Advogado do Brasil, serviu no Império e nos primeiros anos da República, como diplomata. Se não fosse ele o mapa do Brasil certamente estaria desfalcado do Acre, Pará  e um bom pedaço de Santa Catarina. No total, por meio dele foram anexados mais de 900 mil Km quadrados.  Ele foi tão importante quanto o baiano Ruy Barbosa (1849-1923). No acervo do instituto Memória Brasil (IMB) há um raríssimo disco (na foto) com o registro de um discurso proferido pelo próprio barão. E lá pra tantas, ouve-se bem o povo gritando “Muito bem, muito bem!” Detalhe: num tempo em que existia o Cruzeiro, uma das notas mais valiosas era chamada de "Barão". E curiosamente, nenhum compositor de música popular, como era chamada a boa música do povo, homenageou o herói Barão do Rio Branco.

GILMAR CONTINUA SOLTO

O ministro Gilmar Mendes continua solto e soltando quem está preso, mas presos importantes. Tem uma marchinha muito bonitinha circulando por aí.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

UM ENCONTRO HISTÓRICO COM TINHORÃO

Foi, como previsto, um encontro muito bonito no projeto Ação Educativa (foto acima). Lá estávamos, Eu, Tinhorão, Bete e Jorge, que mediou o encontro. No auditório, pessoas que iam dos 30 aos 150 anos, ou 160, sei lá! Juntando tudo, todos e idades, tínhamos ali, no auditório da ação cultural , um tempo que somado que chegava ao início do império romano, quer dizer: há uns 200 anos a.C. ou à arca de noé....
Foi legal, mesmo.
Tinhorão falou sobre a influência da cultura européia e norte americana na vida brasileira e a ligação da capoeira e o frevo pernambucano. Muito bom. Deu um show. Como se não bastasse, ele falou sobre temas que abordou em seus livros como O Negro em Portugal, O Fado, etc. Silêncio na platéia, enquanto ele falava. Falou também que o Brasil já não tem mais música popular brasileira. Sobre ele eu disse o que digo sempre: é um intelectual completo, um pensador, sem papas na língua, que diz o que diz, um não-hipócrita.
O encontro que tivemos  foi aberto com um pequeno documentário sobre vida e obra de Tinhorão, um documentário que ficou aquém do que deveria ser. É oque eu acho. Foi um documentário que enalteceu a parte negativa que entendem sobre a obra de José Ramos Tinhorão, o cara que é esculhambado por muita gente, que nem sequer o leu. Uma pena. Juntando tudo, os seus mais de 30 livros, não chega a 50 ou 60 mil   leitores. E dito isto, basta. Infelizmente.
No Instituto Memória Brasil ( IMB) há todos os títulos de Tinhorão.

CARNAVAL É TINHORÃO!!!
Amanhã 10 é dia de comemorar com alegria, cachaça e samba, os 90 anos de idade do historiador José Ramos Tinhorão. A comemoração, atenção pessoal, é ali na Vila Buarque, no bar da Amélia, a partir das 15 horas. Eu vou,  você vai?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CARNAVAL COM TINHORÃO NA VILA BUARQUE



Oficialmente a folia de Momo começa amanhã, 09. Extra oficialmente, digamos assim, essa folia não tem dia para começar e nem prá terminar.
Uma vez entrevistando Juca Chaves, o cantor e humorista modinheiro, ouvi conclusiva definição sobre os brasileiros nascidos na Bahia, disse-me Juca: "Baiano quando não está dançando está ensaiando".
E assim é, no Brasil inteiro.
Também amanhã estaremos trocando um dedo de prosa sobre a obra do historiador José Ramos Tinhorão. Isso ocorrerá a partir das 18:30 hs, na sede do Projeto Ação Cultural: Rua General Jardim, 660, Vila Buarque.
Já falei muito a respeito do Tinhorão, mas todo o momento é oportuno para falar dele. E também é sempre tempo para desmistificar a fama de ranheta, mau humorado, radical etc. Tinhorão é polêmico. Isso é verdade. Como pessoa, ele é um doce de coco: educado, simples, atencioso, solícito. Ele carrega todos as qualidades de uma pessoa civilizada. Um cidadão incrível! Ele completou 90 anos de idade no último dia 07. Na foto acima, feita na minha casa por Cris Alves, aparecem Rômulo Nóbrega, eu, O tinhorão e o cartunista Fausto.  
O News letter Jornalistas & Cia desta semana traz uma saborosa entrevista que Wilson Baroncelli fez com Tinhorão. Confiram:


E depois de amanhã, 10, grupos de samba de Mauá, Santos, Capital e outros lugares estarão batucando com alegria em nome de Tinhorão, No Bar Amélia 596, à Rua General Jardim, 596, Vila Buarque, a partir das 15 hs. Todos estão convidados para beber, pular e cantar em nome da alegria.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

OS BLOCOS ESTÃO VOLTANDO

Mais uma vez tive o prazer de receber  na sede provisória do Instituto Memória Brasil ( IMB), equipe profissional de jornalismo da TV Cultura. À frente, a repórter de sensibilidade agudíssima,  Luiza Morais. E mais uma vez falei sobre o que entendo: cultura popular.
Claro, claro, eu sei das limitações de tempo.
Tempo em televisão é eternidade. Trinta segundos, por exemplo, parece um minuto....
Receber mais uma vez, uma equipe da TV Cultura é dez.
Poxa vida, todos os momentos em que vivemos são momentos de discussão, de memória ou reflexão.
É carnaval!
O tema carnaval é tema para refletirmos sobre nós como pessoa e, principalmente,  sociedade.
Herdamos  dos nossos primeiros invasores, muitas coisas, inclusive o Entrudo.
O Entrudo foi a primeira manifestação carnavalesca, digamos assim, que tivemos.
O Entrudo foi um horror, no rigor do termo entendível.
À equipe da TV Cultura eu teria que falar sobre marchinhas e blocos.
Os blocos carnavalescos, no Brasil, começaram com Entrudo. Quem trouxe isso para o Brasil foi o português, José Nogueira de Azevedo Paredes. Era sapateiro, pequeno comerciante.
Pois bem, eu deveria falar a TV Cultura sobre marchinhas e blocos.
A primeira marchinha de carnaval foi criada pela carioca Chiquinha Gonzaga (1847-1935), Ó Abre Alas.
Eu falei muitas coisas sobre o carnaval brasileiro, naturalmente desde as suas origens.
Falei também que o carnaval de 2018, este em que estamos vivendo, será o carnaval político; politicamente incorreto....e não adianta a gente ficar falando sobre os sexos dos anjos, ou seja: que o negro não é negro, que o branco não é branco....
Na música brasileira se acha  o comportamento do ser brasileiro com seus acertos e desacertos.
Anotem aí: os blocos de carnaval estão voltando para ocupar o espaço que sempre tiveram.



TINHORÃO É MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI

Audálio Dantas, Tinhorão e as cantoras Célia e Celma
na casa do Assis onde costumeiramente se encontram...
Ali pelo meio da manhã. liguei para Tinhorão perguntando como ele se sentia no dia em que faz 90 anos de idade."Bobagem, quero que isso acabe logo", ouvi dele após uma risadinha sarcástica.
Não é modesto e besta não é. José Ramos Tinhorão é o mais competente e desafiador estudioso da história do Brasil, a partir da cultura popular. Isso é óbvio e por ser óbvio não nego o que vejo.
Tinhorão nunca recebeu um prêmio em dinheiro ou troféu. Mas forte que é, insiste ainda aos 90 anos a pôr os pingos nos i.E, diga-se de passagem: nunca fez nada para receber prêmio algum. Prêmio, para ele, é sua própria vida.
Desconheço alguém que conheça tão bem sobre a nossa  cultura popular. E é crítico, sem papas na língua. A ele não importa agradar a seu ninguém, a "a" ou "b". Pra ele acima de tudo a verdade histórica. Claro que há outros estudiosos abnegados, mas a maioria desses dedica-se à biografias, como Laurentino Gomes...
Pesquisar, estudar, dá um trabalho dos infernos, mas ele vai em frente. Agora mesmo, está escrevendo mais um livro. Dessa vez sobre licenciosidade na cultura popular.
Vai ser muito difícil surgir alguém que se dedique tanto à pesquisa como José Ramos Tinhorão.
Você meu amigo, minha amiga, sabe que Tinhorão já se meteu a fazer poesia e desenhos? E por falar nisso,  dedico a ele  estes versos que acabo de fazer:

Nessa nossa terra tem
Xote, xamego e canção
Frevo e maracatu
Samba, batuque e baião
E poeta popular
Tirando verso do chão.

É uma terra bonita
Que dá vida, dá lição
Ensinando a sua gente
A ter mais educação
A ler para entender
O Brasil de Tinhorão

Esse mestre logo pôs
A cultura em discussão
Pra depressa entender
Sua origem e formação
Ora juntos aplaudamos
J.R.Tinhorão.

Folha de S.Paulo
E não é que o "pluralista" Jornal paulistano FSP dedicou, hoje, uma página inteirinha ao nosso José Ramos Tinhorão? pois é, procurem ler o que foi dito. No site da própria Folha, por exemplo. Aliás, a própria Folha noticia um encontro que teremos sexta, 9, com Tinhorão e sua biógrafa: Elisabeth Lorenzotti. Não sei de cabeça o local. Está na Folha.

ELISABETH LORENZOTTI
Elisabeth escreveu um belo livro sobre a vida e obra de Tinhorão.O livro abre com ela apresentando o mestre:
 Ele sempre nadou contra a corrente. Escreveu que a Bossa Nova é uma variante americana do samba, tão brasileira como um carro montado no Brasil. Que João Gilberto inventou um jeito de cantar para adaptar a música brasileira ao estilo americano. Garantiu que Sinhô havia inventado a batida da Bossa Nova com quase 30 anos de antecedência.
Personagem singular da história do jornalismo brasileiro, trata-se do único que, a partir de seus artigos em jornais, começou a construir uma outra carreira, a de historiador da cultura urbana.  Hoje, seus artigos  reunidos em livros são respeitável fonte de estudos e pesquisas, assim como toda sua obra de historiador.
Alma de pesquisador que se revelou quando o poeta e criador de jornais Reynaldo Jardim encomendou, em 1961, no Jornal do Brasil : “Tinhorão, faça uma série sobre música popular brasileira”. Mas não havia livro, nem pesquisa, quase nada sobre isso. “Então se vira, vai entrevistar o pessoal, recorta jornais”, aconselhou Jardim. Um e outro não tinham idéia de que naquele momento -- por acaso, sorte, oportunidade, conjuntura astral? – estava dado o primeiro o passo para uma carreira ímpar no jornalismo.
Ímpar porque o jovem José Ramos foi contratado pelo Diário Carioca e por todos os outros jornais e revistas em que veio a trabalhar – Jornal do Brasil,  Correio da Manhã, O Cruzeiro, O Jornal, Última Hora, revista Veja , entre outros – para a função de redator, copydesk ou copidesque, termo recém adaptado do jornalismo norte-americano nos anos 50.
Ele sempre se refere à “humilde função de copidesque”, na qual o jornalista não assina matérias, não escreve o texto de sua autoria, apenas torna mais legível o que o outro escreveu, e muitas vezes faz milagres.
Nesta função o jovem José Ramos começou em 1952 no pequeno e famoso Diário Carioca, onde Pompeu de Souza e Danton Jobim introduziram uso do lead e o primeiro, enxuto e corretíssimo, manual de redação. Uma revolução na imprensa brasileira.
Lá ele ganhou o apelido de Tinhorão, que se tornou um sobrenome-adjetivo, pois eis que se trata de uma planta tóxica. E por ter se destacado como exímio fazedor de textos-legendas, recebeu um epíteto apropriadissimo: “Tinhorão, o legendário”.
Poderia ter ficado como copidesque a vida toda. Mas não o irriquieto Tinhorão, que fazia suas pesquisas e escrevia desde sempre nos suplementos de cultura de tantos veículos. E que nos anos 70, já em São Paulo, para onde viera fazer parte da primeira turma da revista Veja, lançada em 1968, foi chamado para fazer crítica no Caderno B do Jornal do Brasil.
Aí se cristalizou a fama de chato, que já havia se formado em fins da década de 1950, começo da de 1960, com suas críticas à Bossa Nova e seu nacionalismo. A colaboração na coluna foi extinta em 1981, segundo o informaram, um corte por medida de economia.
A par da vida jornalística, que tanto exige dedicação intelectual e física, Tinhorão já escrevia livros, desde 1966.
Em 1980, infeliz com a profissão e com sua vida pessoal, largou literalmente tudo e tornou-se um quase ermitão, um militante solitário da cultura, vivendo literalmente dentro da pesquisa: seu quitinete de 31 metros quadrados entupido de livros, discos, partituras, documentos raros e de incrível valor. Mas era feliz, fazendo o que queria, embora vivendo com estreita margem financeira.
E suas pesquisas, então, já haviam causado mais polêmicas: ele disse que o samba nasceu na Cidade Nova, no coração do Rio, e não no Recôncavo baiano. Que a modinha nasceu no Brasil e não em Portugal, e depois conquistou Lisboa. E que o fado também nasceu no Brasil. Descobriu que Lereno, o poeta e músico fluminense Domingos Caldas Barbosa, introduziu a modinha e o lundu na corte portuguesa por volta de 1770.
Hoje são 27 livros, editados entre Brasil e Portugal.
Embora sem contar com  o reconhecimento formal da academia (“esse pessoal come Tinhorão e arrota Mário de Andrade”, costuma observar),  suas pesquisas até hoje não foram refutadas e ele mesmo diz: quem quiser, que conte outra história, o que nunca aconteceu.  Suas opiniões, sim, sempre originaram grandes e raivosas polêmicas, até hoje, em menor intensidade e paixão, amenizadas pelo tempo e pelas tantas transformações das coisas deste mundo. Mas não do pensamento de Tinhorão, fiel ao seu método histórico, o materialismo dialético,  ferramenta de explicação dos fenômenos que trouxe luz às suas interrogações, ainda jovem.
Quem ouve falar dele, assim de orelhada, do seu nacionalismo e de suas contendas, pensa tratar-se de um ser mal-humorado, ranheta, tosco. Uma imagem oposta ao jovem Tinhorão que completou 80 anos em 7 de fevereiro de 2008. Ágil, vital,elétrico, engraçado, sempre com uma resposta afiada na ponta da língua, um tipo muito culto e erudito, apreciador da boa música e não só a popular. Esforçado, estudioso desde criança, o filho de imigrante português que, menino, foi mandado sozinho para o Brasil, não conheceu facilidades na vida e batalhou por abrir seu caminho.
Não era de noitadas depois de sair da redação, sempre teve muitas atividades, sempre foi freqüentador assíduo de sebos no centro do Rio e ávido recortador de jornais. Nunca recebeu patrocínio oficial, apenas uma parca bolsa de estudos no seu curso de mestrado em História Social, na Universidade de São Paulo.
Empreendedor de sua própria obra, portanto, é alguém a quem o país só tem a agradecer (mesmo discordando dele algumas vezes).





segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

IDEIAS DE TINHORÃO VIRAM TESE DE MESTRADO

Eu já disse que aqui e acolá é possível encontrar alguma tese sobre José Ramos Tinhorão e a sua obra, extensa e valiosíssima. Quem procura acha, e achei. 
Em 2008 Luisa Quarti Lamarão debruçou-se sobre os escritos de Tinhorão no Jornal do Brasil. O resultado disso foi a dissertação de mestrado a que intitulou As Muitas Histórias da MPB, as ideias de José Ramos Tinhorão. Eu gostei. São 155 páginas cuja a leitura recomendo.
O trabalho de Luisa Lamarão, apresentado á banca especial da Universidade Fluminense, é realçado pelos pontos de vista políticos do polêmico autor. Clique:




domingo, 4 de fevereiro de 2018

TINHORÃO, UMA LEITURA NECESSÁRIA

José Ramos Tinhorão, Monarco e Elizabeth Lorenzotti, no lançamento de Tinhorão, o Legendário
Eu já disse e digo de novo: O Brasil é o quinto maior país do mundo em espaço e população. São quase 9 milhões de quilômetros quadrados e mais de 200 milhões de habitantes. Aqui em se plantando tudo dá, disse o primeiro missivista que pôs os pés no Brasil, o português Pero Vaz de Caminha, em 1500.
No nosso País sempre houve briga, massacres, guerras.
Não faz muito, o Papa Francisco canonizou de uma só vez 30 ou mais vítimas da violência holandesa no Rio Grande do Norte, RN.
Há escravos no Brasil desde a chegada dos primeiros invasores...
Em 1539, já havia escravos negros por aqui.
No final do século 19, a princesa Isabel assinou famoso documento de libertação dos negros escravos.
Foi, não, foi ainda se ouve notícia da existência de escravos negros e brancos no território nacional. Uma vergonha!
O brasileiro de Santos, SP, José Ramos Tinhorão desde sempre tem direcionado holofotes à escuridão histórica em que nos vemos mergulhados.
Na trintena de livros que já publicou, Tinhorão falou de tudo e mais um pouco, a partir da música e da dança. É assim, por esse meio, que ele tem trazido à tona a nossa história. A propósito, repito: há muito defendo a necessidade de os livros dele serem adotados nas escolas públicas em todos os níveis.
Tinhorão nunca fugiu da raia, da briga, da discussão em torno da formação cultural do Brasil. A prova são seus livros e entrevistas publicadas há muito tempo e o tempo todo em todos os meios. Não à toa transformou-se no historiador mais polêmico até os dias de hoje. É lido, consumido no meio acadêmico. Mas, aparentemente, esse meio não o digere como deveria, citando-o, por exemplo.
Aqui e acolá é possível achar teses universitárias sobre Tinhorão. E até um livro já foi publicado sobre ele. Esse livro, Tinhorão, o Legendário (Imprensa Oficial, 2010) de Elizabeth Lorenzotti, é um mergulho na vida e obra desse grande brasileiro. A biografia foi muito bem recebida pela imprensa, confiram ao lado.
A leitura é recomendadíssima.

Não resisti e acabo de fazer umas perguntas à autora do livro, Elizabeth. Deleitem-se:


1.      Quando e por que você decidiu escrever a biografia de José Ramos Tinhorão? 

     Eu havia feito uma entrevista com ele para a revista Sem Terra, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que dedicava um bom espaço para a cultura. Já era sua leitora desde O Pasquim,e morria de rir com sua língua ferina, mesmo não concordando com muita coisa.Um dia, batia um papo com o Paulo Moreira Leite-que estava de passagem pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, tratando da  edição do meu livro “Suplemento Literário- Que falta ele faz!”. Então o Paulinho me disse: você gosta muito de música popular não é? Por que não escreve a biografia do Tinhorão?”
     Ele estava reativando a coleção Imprensa em Pauta. Eu adorei a ideia e aceitei. 

2.       Ele colocou algum empecilho para que isso não se concretizasse?

     De jeito nenhum. No começo talvez, mas foi convencido.

3.       Quais as maiores dificuldades que você encontrou para mergulhar na vida de Tinhorão?

     Nenhuma. Tinhorão tem guardadas todas as matérias que escreveu na vida, desde o primeiro texto legenda para o Diário Carioca. Ele levava material toda a semana, na ex-querida livraria Metido a Sebo, na Vila Buarque, onde sentávamos em banquinhos no pequeno quintal e conversávamos. Os entrevistados também não dificultaram.

4.       O que foi mais difícil: o acesso a ele ou a toda sua obra?

     Não houve dificuldades, porque ele facilitava qualquer acesso a qualquer das obras, com sua memória fantástica, e me indicava. E ele tem todos os livros.

5.       Quais livros você desataca como fundamentais da obra de Tinhorão?

     O que eu gosto mais é Historia Social da Musica Popular Brasileira. Indispensável. Foi publicada primeiro em Portugal, em 1990, vejam só. Pesquisas minuciosas, desde a Torre do Tombo em Portugal, e tudo comprovado. E a visão discordante sobre a MPB de tudo o que se havia publicado até então.

6.       A seu ver, Tinhorão é rejeitado pela academia?

     Acho que hoje nem tanto. Há citações da sua obra em sites internacionais. Mas aqui ele sempre foi tratado, na academia, como “o jornalista” e não como grande sociólogo, historiador da nossa cultura urbana. Diz: “A academia come Tinhorão e arrota Mário de Andrade”. Porque ele sempre foi fonte, e também porque, afirma, os acadêmicos em geral não são acostumados a se embrenhar em sebos poeirentos, como ele fez a vida inteira. E Tinhorão iniciou sua pesquisa quando a academia não se preocupava com estas questões: não havia um livro para consultar na época em que começou a escrever (porque havia se encerrado uma série sobre história do jazz), convidado por Reynaldo Jardim, no Jornal do Brasil. ”Mas Reynaldo, onde é que eu vou pesquisar? Não tem nada.” E o Reynaldol:” Sai por aí e entrevista a crioulada”. Foi o inicio.

7.       Você acha que escreveu a biografia completa de Tinhorão?

     Eu acho que seria preciso mais alguns livros para contar a história dessa grande figura.A cada encontro com ele conta alguma coisa interessante do passado e eu: “Mas Tinhorão, por que você não me contou isso para a biografia?”
     Acontece que o repertorio é tão vasto que nem mesmo sua ótima memória lembraria tudo, só aos poucos.
     E tem também o que sei mas não publiquei, afinal, é uma biografia autorizada, e o Tinhorão não é mole não! Porém,não  se trata de nada que embace o brilho de sua contribuição à nossa historiografia e sociologia da MPB. Folclore não entrou,e  como disse o João Máximo na matéria de 2010 no Globo:”o livro retrata o jornalista, e não a lenda”.




terça-feira, 30 de janeiro de 2018

ALÔ BRASIL, TINHORÃO ESTÁ VIVO!





Garimpeiro de bom quilate, José Ramos Tinhorão é o que sempre mostrou ser: um brasileiro de valor.
Detonado pela esquerda e pela direita, Tinhorão chega aos 90 anos de idade incólume e lépido.
Advogado e jornalista, Tinhorão sempre soube separar o joio do trigo. Nunca defendeu causa alguma em nenhum tribunal, mas como jornalista marcou profundamente a vida brasileira, especialmente a cultural. Detalhe: Nunca deixou de dizer o que quis, seja no rádio, na tevê ou nos seus escritos em jornais e revistas.
Tinhorão iniciou a vida profissional de jornalista no extinto Diário Carioca, do Rio de Janeiro, no começo dos anos de 1950. No fim dessa década, ele criou o que ficou conhecido como "texto-legenda". Texto-legenda é o texto feito a partir de uma fotografia, que se baseia entre o texto jornalístico propriamente dito e o texto poético, fora de pauta.
Textos-legenda de Tinhorão chegaram a ter autoria atribuída ao poeta maranhense Ferreira Gullar.
Até hoje, Tinhorão é considerado um dos melhores textos do jornalismo brasileiro.
No Caderno B do Jornal do Brasil, Tinhorão assinou a mais importante coluna semanal sobre música popular brasileira, intitulada Primeiras Aulas de Samba, que assinava com seu colega Sérgio Cabral.
No campo da música popular, Tinhorão tornou-se a maior referência. A sua obra chega a casa dos 30 títulos, metade deles lançada ou relançada pela Editora 34.
José Ramos Tinhorão, santista nascido no dia 7 de fevereiro de 1928, meteu-se fundo pelas veredas da história, da cultura popular brasileira. Entrevistou quase todos os grandes criadores de música dos últimos 60 anos, entre os quais Donga, Pixinguinha, João da Bahiana, Ismael Silva, Almirante, Luiz Gonzaga e Nelson Cavaquinho, que, aliás, abriu a coluna Música Popular assinada por Tinhorão a partir de Janeiro de 1974, no Caderno B do Jornal do Brasil. 
Os bossanovistas só faltaram perder o juízo por causa dos textos concretos publicados por Tinhorão.
O nome de batismo de Tinhorão é José Ramos, só José Ramos. Tinhorão foi um "sobrenome" dado por um dos seus chefes de redação, no Rio. No caso, nada a ver com a venenosa planta que carrega esse nome.
Tom Jobim detestava Tinhorão. Diz a lenda que Jobim teria comprado um vaso com essa planta e sobre ela fazia xixi toda a vez que chegava em casa meio chumbado.
Tem uma música que Elis Regina gravou, Querelas do Brasil, composta depois que Tinhorão disse que o melhor de João Bosco era Aldir Blanc, seu parceiro.


Tinhorão por Nair de Teffé

Há muito disse me disse sobre José Ramos Tinhorão. Sobre ele a jornalista, poeta e professora universitária paulistana, Elizabeth Lorenzotti escreveu Tinhorão o Legendário, publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2010. Nesse livro há histórias do Arco da Velha e até a reprodução de uma caricatura de Tinhorão feita por Nair de Teffé, Rian, a primeira caricaturista do Brasil (acima). Não custa lembrar que Nair, filha do Barão de Teffé foi a mulher do marechal presidente Hermes da Fonseca (1910-1914). Detalhe: Em março de 1977, Tinhorão descobriu Nair de Tefé morando sozinha nos arrabaldes do Rio de Janeiro. Como repórter deu um furo de reportagem nacional.

Muito já se escreveu sobre Tinhorão e muito ainda se escreverá sobre ele. Em resumo: Tinhorão é duro na queda, é árvore que não cai, que sobrevive a todas as intempéries. A propósito, o cartunista Fausto o interpreta de modo perfeito, acima.
Não custa dizer, e é sempre importante dizer, que a obra de Tinhorão é a mais completa no campo da pesquisa musical feita até hoje no País. Aliás, é impossível alguém escrever sobre música popular brasileira sem citá-lo. Ah! uma curiosidade: no filme Bonitinha mas ordinária, de Nelson Rodrigues, Tinhorão é personagem... Agora pura provocação: ouçam o grupo musical Filarmônica de Passárgada, interpretando a saborosa canção Enfartando Tinhorão.



"Acho que estou ficando velho", disse-me outro dia ao queixar-se de uma dorzinha nas costas. Em outra ocasião disse-me "ficar velho é uma merda".

Digam o que disserem de Tinhorão, mas a sua obra é inconteste, de valor imensurável. Tinhorão é o mais importante e longevo estudioso da cultura popular brasileira. Nenhum estudioso dessa cultura viveu tanto para mostrar a grandeza do país através da sua história.
Cadê os repórteres de revistas, jornais e tevês que não o entrevistam? Ele tem ainda muito o que contar.


COMEMORAÇÃO


No próximo dia 10, a partir das 15 hs, amigos e "inimigos" de Tinhorão vão se reunir no Bar do Raí, ali na Vila Buarque, centro paulistano. A ideia é brindar os 90 anos de idade do incansável e polêmico José Ramos Tinhorão, vamos? O dia 10 é um sábado de carnaval.


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

LULA É FOGO NA ROUPA!


Fogo Pagô é o título de um forró supimpa do eico repertório do saudoso paraibano Sivuca. Fogo Pagô também é o nome de um passarinho que bate asas no Nordeste de meu Deus do Céu (acima).
Fogo é fogo.
No Nordeste tem uma expressão que guardo na memória desde os meus tempos de criança. Essa expressão serve prá definir um sujeito bravo, temido. Esse temor provocado pelo cabra pode ser contínuo ou passageiro. "Fulano está com fogo na roupa", ou "Fulano tem fogo na roupa". Seria o caso de dizer: "Lula está com fogo na roupa".
O Brasil todo e boa parte do mundo está falando de Lula, do bater do martelo dos juízes de Porto Alegre, que resultou em confirmação de sentença do juiz de Curitiba, acrescida de mais quase 3 anos de condenação.
Perguntei a uma amiga que mora no Chile o que pensam os chilenos do brasileiro Lula: pensam que Lula está sendo perseguido por ser pobre".
Há muito tempo o Brasil é conhecido mundo afora por suas mazelas.
Em dezembro de 2016 a febre amarela voltou a mostrar que "tem fogo na roupa". Isso foi em Minas. E o surto está aí levando milhares, milhões de pessoas a formar filas em busca de vacinação. Muita briga, muito desentendimento com a presença da polícia etc. 
Nos jornais, hoje, a notícia de gente matando macaco com medo da febre amarela. Um Horror! Macaco não transmite a febre. Macaco é vítima do mosquito que transmite a febre.
Hora dessa falarei de povo, da formação do povo etc.
A febre amarela mostrou pela primeira vez a sua cara em 1685. E mostrou a sua cara feia que nem o bute. Primeiro em Recife, Olinda e na Ilha de Itamaracá, estendendo-se a Goiânia e Salvador.
No capítulo 32 do belíssimo romance Esaú e Jacó, o autor Machado de Assis faz referência a febre que muitos milhares de vítimas tem feito no correr do tempo. Oswaldo Cruz, o grande sanitarista criou no começo do século passado vacina para o mal, mas ele está aí, vivo que nem Lula.




SÃO PAULO, 464 ANOS



Entre as milhares de músicas feitas em homenagem a São paulo, além de Sampa, dá para destacar Perfil de São Paulo, do paulista Francisco de Assis Bezerra de Menezes, que o carioca Sílvio Caldas lançou em 1954. De destaque também são as composições de Nelson Gonçalves e  do gaúcho Teixeirinha, ouçam, pela ordem:








terça-feira, 23 de janeiro de 2018

SÃO PAULO, SECA E NORDESTE

Os estrangeiros começaram a chegar no Brasil em 1898, século 15. Foi um espanhol a mando do rei português Dom João III. Em 1500, foi a vez de Álvares Cabral aportar na Costa baiana, e tudo virou um inferno. Os índios foram dominados e de África começaram a chegar os escravos. Já em 1540, o inferno tropical estava posto.
São nove os Estados que formam o Nordeste, ocupando cerca de 1,5 milhão de Km².
E aí veio, fugido de Bonaparte, o gorducho imperador Dom João VI, que aqui botou banca. E Dom Pedro I e Dom Pedro II e o fim da monarquia com o alagoano Marechal Fonseca, em 1889.
Em 1822, foi dado o grito de independência ali a beira do hoje poluído riacho do Ipiranga.
Em 1922, o presidente da república era o paraibano Epitácio Pessoa, que vinha a ser parente do cidadão que desde 1930 dá nome à Capital paraibana.
Em 1554, os jesuítas Nóbrega e Anchieta demarcaram e fundaram a cidade dos paulistanos.
O Nordeste sempre foi a região mais explorada, agredida e abandonada do País, desde sempre.
Muitos movimentos revolucionários e guerras marcaram a vida nordestina.
Uma vez os holandeses invadiram o Rio Grande do Norte e judiaram do povo de todas as formas. Muita gente morreu na ocasião.
Há pouco o Papa Francisco santificou de uma vez só um grupo de 30 nordestinos do Rio Grande do Norte.
Há sete anos o Nordeste todo pena com a seca que bate e abate bichos e gente.
Dos 400 e tantos açudes e barragens do Nordeste, cento e poucos estão completamente vazios com o solo esturricado. E o governo federal nem, nem. Igualzinho ao comportamento dos governos estaduais.

O grande cidadão musical Luiz Gonzaga, ciente e lamentoso das condições precárias do povo da região que deu Bárbara de Alencar, avó do escritor cearense José de Alencar, gravou uma obra prima da sua lavra: Sertão Sofredor:

A construção do Município de São Paulo começou no Pátio do Colégio, ali nas proximidades da Sé.
No correr de mais de 20 anos, desenvolvi uma pesquisa que resultou em mais de 3.000 títulos musicais que tratam, de uma forma ou de outra, desse município, que se transformou no quinto maior do mundo em termos populacionais e industriais, e nesse município, que tem o mesmo tamanho territorial do Nordeste se acham brasileiros de todos os recantos do país.

Os mais de 3.000 títulos musicais que colhi durante a pesquisa são de autoria de mais ou menos 7.000 compositores. Para ilustrar ouçam os links abaixo:




LULA

Do que mais se fala hoje é sobre o destino do ex-presidente da república Luís Inácio Lula da Silva: a sentença que recebeu do juiz Sérgio Moro será ou não confirmada pelos juízes de Porto Alegre? Podia-se falar sobre a seca do Nordeste, e não só sobre a seca do Nordeste, mas sobre a solução para os tantos problemas que afligem o país, não é mesmo? Sete anos de seca não é bolinho... O amigo paraense José Pinto, do alto dos seus 88 anos de idade a se completarem no próximo dia 27 de novembro, fala sobre isso, sobre o abandono do Nordeste brasileiro. E resume: "quem pecou que pague os pecados, e seja quem for".

domingo, 21 de janeiro de 2018

BRASIL, UM PAÍS DA IGNORÂNCIA

Assis  e Cortez (D) no Instituto Memória Brasil (IMB)
O potiguar de Currais Novos, José Cortez, fundador da Cortez Editora, foi atingido pela crise econômica que se estabeleceu no Brasil gravemente há um ano e pouco.Perdeu a livraria, mas não a esperança de produzir e viver. Ele é daquelas pessoas que bebem no poço da esperança, que nunca seca.Felizmente.
Pois bem, como empresário do ramo editorial  no País, Cortez é direto: "as pessoas estão cada vez mais lendo menos livros".
O tema vem à tona, por uma razão pura e simples: fica-se hoje mais tempo diante da telinha da TV e do computador , incluindo celular, segundo pesquisas divulgadas por aí afora.
Os sinais de ignorância são visíveis, não é mesmo?
O Enem 2017 registrou 4, 72 milhões de candidatos. Desse total 309.127  receberam  zero daqueles enormes, grandões. Do total de inscritos, apenas 53 candidatos receberam a nota máxima de 1000 pontos.Vejam: apenas 53!
O tema da redação que resultou em tantos milhares de zero, foi oportuníssimo por se tratar de interesse geral e social. O tema foi: Desafio para a formação educacional de surdos no Brasil.
O total de pessoas que apresentam algum tipo de deficiência no nosso país é, segundo dados da última pesquisa IBGE (2010), chega a casa de 40 milhões. Nessa mesma pesquisa, foram identificados aproximadamente  9 milhões de surdos moderados e total.
Eu digo que o tema Enem 2017 foi oportuno por uma razão:para chamar atenção do grave problema social que são as deficiências nas pessoas do Brasil e do mundo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), garante que há 42 milhões de surdos nos 4 cantos do nosso planetinha que tanto  judiamos.
Vivemos uma tragédia, e não uma tragédia grega. A nossa tragédia é uma tragédia brasileira, brasileiríssima.
A tragédia que vivemos é total, vai desde o desemprego à falta de especialização profissional. E aqui nem me refiro aos deficientes auditivos, visuais, etc.. Convivemos também com mais de 12 mihões de analfabetos totais, ou seja, o cidadão que não é cidadão, e nem sabe o que é isso, tampouco distingue um "o" de roda de caminhão.E tem mais, temos o analfabeto funcional, cujo total chega a 30 milhões. Você sabe o que é um analfabeto funcional? é aquele que até consegue obter um diploma universitário, mas é incapaz de raciocinar sobre um texto.
O paulista de Taubaté, Monteiro Lobato (1882-1948) dizia que " quem lê mais, sabe mais" e que " um país se faz com homens e livros". E se lemos tão pouco e nos interessamos tão pouco pela cultura, pelos rumos do país que nascemos, que país podemos ter amanhã?
O poço da ignorância em que vivemos é profundíssimo ou não é?
O austríaco Stefan Zweg (1881-1946), que morreu em Petrópolis- RJ, escreveu um livro bastante interessante: Brasil, um país do futuro, mas essa é outra história.


A CUÍCA QUE FALA, CHORA E RI É DE OSVALDINHO

Osvaldinho da Cuíca, André Domingues e Assis Ãngelo na verdadeira rede social.

Todo tempo é tempo de falar ou escrever sobre os artistas incluindo cantores e compositores que engrandecem a terra brasileira. E temos muito que plantaram e colheram respeito traduzido em homenagens. Foram-se já muitos, mas muitos outros ainda permanecem plantando obras na história do Brasil. Do Brasil musical, do Brasil cultural, do Brasil do branco, do preto, do pobre, das gentes.
Osvaldo Barro, que o Brasil e boa parte do mundo conhece pelo diminutivo de Osvaldinho com o sobrenome do instrumento que reinventou, a cuíca, é um dos grandes artistas que enobrecem a cultura popular. Ele é paulistano, do bairro do Bom Retiro, nascido num dia de carnaval em 1940. E corintiano!
E você sabe, meu amigo, minha amiga, quem é André Domingues?
André Domingues é pesquisador da cultura musical popular, paulistano, que hoje vive numa cidadezinha baiana bem longe da capital Salvador, chamada Teixeira de Freitas.
Em 2009 Domingues, junto com Osvaldinho, publicou um livro de extrema importância para a compreensão do samba fincado em São Paulo, do rural ao batuque. Esse livro tem por título Batuqueiros da Paulicéia.


Osvaldinho da cuíca enveredou pelo mundo do samba ali pelos finais da década de 1950. Ele já gravou com todo mundo, dos bons aos melhores sambistas. E não só de São Paulo. Fora a cuíca que reinventou, ele tem centenas de composições gravadas por meio mundo. Só de sambas de enredo puxados na avenida ele tem uns 30. E há pouco pôs na praça um disco com 11 faixas reunindo alguns desses sambas. Esse disco tem como título Sambas Enredo: História de Uma Vida. Nessa coletânea há verdadeiras pérolas como Na Arca de Noel Rosa, faixa 4 e Cuíca de Ouro, faixa 10, de R. do Cavaco, Thiago, Juninho e Nunes, em homenagem ao próprio Osvaldinho. Em 2008 a Escola de Samba Vai-Vai ganhou o carnaval com Acorda Brasil, faixa 8.





Em Teixeira de Freitas, André Domingues dá aulas de artes na Universidade. Ele já anda por lá há bons pares de anos e não pensa voltar à Paulicéia. Porém, anteontem, 19, ele esteve comigo cá no bairro de Campos Elíseos onde moro, ele e Osvaldinho. Foi um papo e tanto, que durou até o começo da madrugada de ontem. O registro desse belíssimo encontro pode ser conferido aí em cima, numa rede bem melhor do que a rede social que balança por aí que em vez de ligar, desliga as pessoas. Desliga, envenena e aliena.
E pra fechar, que tal ouvir Osvaldinho num solo de cuíca? A cuíca de Osvaldinho fala o que tem de falar, ri quando acha que deve e chora pela loucura em que está se transformando a política nacional. A propósito, Osvaldinho tem andado decepcionado e triste como o quê. Tem dado muito chute em pau de barraca.





ANDRÉ DOMINGUES


André Domingues é crítico musical e hoje leciona no curso de Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia, na cidade de Teixeira de Freitas, no extremo sul do estado. Antes mesmo de se graduar em Filosofia, pela Unicamp, começou a publicar críticas e reportagens sobre música popular na imprensa paulista. Essa paixão foi levada para a academia nas posteriores pesquisas de mestrado e doutorado em História Social, na USP, dedicadas a temas como a obra de Dorival Caymmi ou a formação de vanguardas populares na MPB. É autor dos livros Os 100 Melhores CDs da MPB (Sá Editora, 2004) e Caymmi Sem Folclore (Editora Barcarolla, 2009), além de assinar com o mestre Osvaldinho da Cuíca o livro Batuqueiros da Paulicéia (Editora Barcarolla, 2009), de que tratou este blog.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

LAMPIÃO E JÔ SOARES

Na foto eu e a cantora Anastácia no Programa Onze e meia, do Jô Soares, no SBT, no início dos anos 90.

Um dos mais versáteis brasileiros acaba de completar 80 anos de idade. Refiro-me ao ator, escritor, humorista, produtor e diretor de teatro carioca Jô Soares, de batismo José Soares. Ele nasceu no dia 16 de Janeiro de 1938, seis meses antes de a polícia sergipana dar cabo ao pernambucano Virgulino Ferreira da Silva, Lampião.
O que tem a ver Jô Soares com Lampião? A rigor, nada. Mas pensando bem, tem.
Jô, como o seu colega cearense Chico Anysio (1931-2012), criou um monte de personagens e alegrou o Brasil inteiro, via teatro, cinema e tevê. Lampião, por sua vez, não criou personagens, matou-os, e não na ficção, mas na vida real.
Na Paraíba, minha terra, quem faz muita coisa é considerado macho e dizia-se: Lampião é cabra macho. Nessa linha são machos Jô Soares, Chico Anysio e Lampião.
Além do mais, Jô demonstrou várias vezes o seu interesse pela história do cangaço, entrevistando por exemplo a ex-cangaceira Ilda Ribeiro da Silva, Sila (1925-2005). 
Tergiversei???
Bem, o Brasil está cheio de cabras machos: Machado de Assis, José de Alencar, Monteiro Lobato, Santos Dumont, Glauber Rocha,  Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Carlos Gomes, Villa-Lobos, Di Cavalcanti...
Viva Jô Soares!


domingo, 14 de janeiro de 2018

SAUDADE É BOA E DOCE QUE NEM RAPADURA, MAS DÓI!


"Mas rapaz que título legal, curioso... Esse livro deve ser muito bom."
Pois é, a fala acima aspeada é do meu amigo potiguar e editor festejado José Cortez referindo-se ao novo livro do querido cearense e cordelista espetacular Klévisson Viana,  Miolo da Rapadura.  Eu já li esse livro, melhor: Lúcia leu prá mim. E gostei muito. E o Tinhorão também.
Miolo da Rapadura: esse título emocionou Cortez "eu não ouvia essa expressão há mais de setenta anos, trouxe de volta minha infância lá no sertão do Rio Grande do Norte..."
"Esse Klévissom é um danado!" Diz de novo Cortez do auto dos seus 81 anos de idade completados em novembro passado, levando para si um exemplar extra que o Klévisson me enviou.
Bem, mas não é sobre esse assunto que eu agora quero falar. Aliás, porque já falei em texto anterior. E ontem eu disse que hoje falaria algo sobre saudade, certo?
O meu peito é um cofre que guarda bem guardado um tesouro de memórias, de histórias, de coisas que vivi e que certamente não viverei mais.
Passado é história, e como história, lembrança.
Lembrança é uma palavra que nos remete à saudade.
Saudade é uma palavra exclusiva da língua portuguesa, embora haja quem diga que suas origens levam ao mundo árabe. Não acho.
A palavra saudade é oriunda mesmo dos portugueses.
Nenhuma língua traduz o sentimento da saudade tão bem como a palavra inventada pelos portugueses. É uma palavra difícil de traduzir. Na verdade, é uma das seis ou sete palavras mais difíceis de traduzir. Os espanhóis tentaram isso, os alemães também, os italianos...
O latim fala algo como solitude, soledade, solidad, solidão. Isso tudo, misturando tudo dá em saudade. Saudade de alguém que parte e não volta mais, de alguém que morre, de alguém querido que simplesmente some, desaparece, que não dá notícia.
A gente sente saudade de uma alegria passada, de um momento bom. Por aí. Não dá é prá sentir saudade da dor, não é mesmo?
No tesouro que guardo no peito tem nomes como Seu Severino e Dona Maria Anunciada, meus pais. Não convivi muito tempo com eles, Seu Severino partiu com 33 anos de idade e dona Maria aos 27. Na somatória de idade, 60, cinco a mais do que a soma de anos que viveram.
No meu cofre de saudade tem Dona Alcina, minha avó, e Dona Benedita que mostrou-me os primeiros caminhos que eu deveria trilhar nessa vida doida, mostrou-me também as primeiras letras.
Tem muita gente bonita no cofre da saudade que guardo comido: padre Camilo, holandês que me ensinou português, e padre  Eugênio que foi o primeiro padre a casar no Brasil, virando ex-pare. Com eles convivi no Colégio de onde eu poderia ter  tomado gosto e virado padre, mas como a vida nos traz surpresas... virei jornalista, depois de estudar música e artes plásticas em João Pessoa, PB.
São muitas as lembranças que trago comigo e que me fazem bem.
Uma vez perguntei ao paulista compositor Adoniran Barbosa o que era saudade e ele me respondeu:
"É um bichinho que rói, rói, rói o nosso coração."
E prá findar ouvi de Cortez uma frase  que vem se somar ao que está escrito aí:
"Saudade é a ausência de algo ou alguém que você gosta".
O tema saudade é cantado e decantada em verso e prosa por autores da língua portuguesa especialmente do Brasil, eruditos e populares. Antonio Pereira, por exemplo, mais conhecido como O Poeta da Saudade escreveu estes versos:

Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.

Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.

Saudade é como a resina,
No amor de quem padece,
O pau que resina muito
Quando não morre adoece.
É como quem tem saudade
Não morre, mas não esquece.

Adão me deu dez saudades
Eu lhe disse: muito bem!
Dê nove, fique com uma
Que todas não lhe convêm.
Mas eu caí na besteira,
Não reparti com ninguém.

Quem quiser plantar saudade
Primeiro escolha a semente
Depois plante em lugar seco
Onde brota o sol mais quente
Pois se plantar no molhado
Quando nascer mata a gente.

                         Antônio Pereira







sábado, 13 de janeiro de 2018

JANEIRO FORA DO EIXO

Em quase todo o mundo, especialmente no Brasil, o mês de janeiro é o mês que marca o início do calendário gregoriano, inventado pelo Papa Gregório, no século 15.
O dia 1º de janeiro é tido como o dia universal da Paz.
Muitos países comemoram o dia 6 de janeiro como o Dia de Reis, mas é bom que saibamos que não eram três os reis, não eram reis, nem eram magos que foram visitar o Menino Jesus, recém nascido e tutelado pelos pais Maria e José etc. No Velho Testamento, em Mateus, há uma única referência sobre esse assunto.
Diz-se que no Brasil tudo só passa a funcionar depois do Carnaval. Mas acho que este ano as coisas podem mudar.
Daqui a onze dias os juízes da 4ª Região, sediada em Porto Alegre, RS, se manifestarão a respeito da condenação a Lula, martelada em Curitiba pelo temido juiz Sérgio Moro. Depois disso é que virá o Carnaval, quer dizer: a folia de Momo, pelos mais antigos chamado de Tríduo Momesco. Esse Tríduo já virou um mês inteiro ou mais. 
Mas sabem o que eu ia falar mesmo? Eu ia falar, neste texto, sobre Saudade.
Antes de mais nada: você sabe meu amigo, minha amiga, que há no calendário comemorativo do Brasil, o dia da Saudade e que esse dia é o 30 de Janeiro?
Falarei melhor a respeito no próximo texto, antes ouçam:







SÃO PAULO

Ah, ia me esquecendo: é em Janeiro, dia 25,  que os paulistanos  comemoram a fundação da cidade em que nasceram. E para essa cidade eu fiz uma declaração de amor, esta:




sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

LEMBRANDO PESSOAS QUERIDAS


Ainda guardo no peito, com carinho, pessoas que de algum modo me mostraram caminhos desconhecidos e que há muito com elas não falava. 
Esta semana andei falando com Renato Teixeira,  Júlio Medaglia e Fagner. Foram falas muito agradáveis, de lembranças idem.
Eu conheci Renato ali pelos 80, quando Elis lançava Romaria. E foi curioso o nosso primeiro encontro que surgiu a pedido de Samuel Wainer. Como muita gente deve saber, Samuel foi um dos braços fortes do gaúcho presidente Getúlio Vargas (1882-1954) e fundador do ainda lembrado vespertino, Última Hora.
Esse título fora incorporado à empresa Folha da Manhã e Samuel, um dos nomes da própria Folha. 
Na segunda parte dos anos de 1970,criou-se o suplemento dominical Folhetim. Fui um dos seus colaboradores. Por essa ocasião entrevistei o Renato. Entre umas boas bicadas de Wyborowa, saboreamos um coelho a não sei o que, prato de primeiríssima, isso num restaurante já extinto que ficava ali por perto da Brigadeiro, quase Bixiga.
Foi uma entrevista legal, que ocupou uma página do jornal.
Na conversa desta semana lembramos esse encontro e rimos. E rimos. E eu lhe disse que acabara de ouvir o seu novo cedê que está chegando à praça com a chancela da Kuarup. É um disco muito bonito, com repertório escolhido a dedo e interpretado com acompanhamento de orquestra e tudo o mais.
O papo com o maestro Medaglia foi também muito saboroso e lembramos o Vandré, que a mim disse mais de uma vez da vontade de ouvir sua obra, ou parte dela, no formato sinfônico assinado por Medaglia. Há poucos dias o maestro esteve regendo orquestra em João Pessoa PB, onde ora se acha o autor de Disparada e Prá Não Dizer que não Falei de Flores (Caminhando). A propósito: Em outubro completam-se 50 anos  que essa música chegou aos ouvidos do grande público. Será que a efeméride vai passar em brancas nuvens?
Fagner continua sendo uma pessoa muito agradável. A última vez que o vi foi no Leblon, ao lado do produtor musical José Milton e do forrozeiro Chico Salles (1951-2017).
A obra de Fagner é extensa, recheada de pérolas. São inesquecíveis seus encontros com grandes nomes da Música Brasileira e de países de língua espanhola. Entre os grandes nomes com os quais se juntou, em disco, não dá para esquecer Luiz Gonzaga (1912-1989).Com o rei do baião ele gravou dois LPs. Prá lembrar:

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

LUA E RENATO TEIXEIRA

Menina 23 chegando noite maravilha sampa São Paulo e não sei que  não sei que lá não sei que lá não sei que lá...., linda bela.
O sol é novo todos os dias.
O sol não tem tempo. E a lua nasce todos os dias, e pra se mostrar sorrir nas fases que quer: nascente, crescente, cheia e minguante.
Lua, lua, feminina.
Menina lua chegando no colo da lua mãe.Quem?
L de lua, a de amor, m de mar, a de não sei que lá não sei que lá não sei que lá....
A vida é sol, é mar...
A lua se esparrama no mar.
Vocês conhecem um poema Ismália, do poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens? pois sim ou não, que beleza!

Faz bem pouquinho tempo que falei quase uma hora com meu querido Renato Teixeira, cantor e compositor,  amigo de muito tempo, que conheci através do fundador do jornal Última Hora,  Samuel Wainer.
Um dia Samuel diz que gostava dos textos que eu escrevia na Folha Ilustrada, no folhetim. E não pediu, mandou: eu quero que você faça uma entrevista com Renato Teixeira.
E eu nem sabia quem era Renato Teixeira, mas pela necessidade momentânea, fiquei sabendo que Renato tivera recentemente uma música gravada por uma tal de Pimentinha, chamada Elis Regina.
Título: Romaria. Ouçam:

Renato Teixeira é-me muito importante.Tá, sei que o Brasil também acha isso.
Neste momento ele se acha em Olinda, Recife e depois do dia 20 que vem, estará de volta à cidade que me adotou, São Paulo. Estaremos juntos, certamente.
Renato tem muita história com Vandré. Terei tempo de contar isso em outro momento.
Renato tem muita história de lua. Renato é um sonhador, meio besta assim que nem eu.

KLÉVISSON VIANA LANÇA MAIS UM BELO LIVRO

Aos 45 anos de idade, Klévisson Viana consagra-se  definitivamente como um dos maiores criadores e intérpretes da poesia dita popular, aquela que é tradicionalmente publicada em folhetos basicamente de 32 páginas.
Klévisson Viana é um cearense que praticamente desde o berço dá voz às coisas do cotidiano, incluindo gente e paisagens.
Kévisson, criador e dono da editora Tupynanquim, já publicou centenas e centenas de folhetos de diversos autores, entre os quais ele próprio.
Além de muitos folhetos de sua lavra, Klévisson tem uma boa penca de livros de poesias publicados. O mais novo desses livros é o Miolo da Rapadura,
( Premius editora e Tupynanquim editora, 2017; 168 pág.) em que conta saborosos causos e homenageia alguns nomes do universo da cultura popular, como o raçudo cantador repentista Geraldo Amâncio,(pág.33) , o poeta Alberto Porfíro (pág. 63), mestre João Firmino Cabral ( pág. 85), o imortal humorista Chico Anysio (pág. 113).
Além desses nomes importantes da cultura popular de que tanto gostamos, Klévisson fala nessa sua nova obra sobre os símbolos do cangaço Lampião e Maria Bonita,  pegos em emboscada no alvorecer do dia 28 de julho de 1938; e Zé Limeira, o mito do repentismo brasileiro, nascido e enraizado na Serra paraibana do Teixeira, ali pelo início da segunda parte do século 19.
O novo livro de Klévisson, traz-me boas lembranças e  surpresas.
Há uns anos, uns 10 talvez, gravei de Klévisson, uma jóia cujo mote é Eu Quero ver Acordado, Aquilo que vi Dormindo, que se acha no livro. Gravei com acompanhamento musical da viola repentina do mestre Sebastião Marinho. Esse disco, produzido pelo mineiro cantador Téo Azevedo, poeta e tudo mais, traz uma música que compus com próprio Klévisson e Gereba, Quixoteando, esta:


Eu tenho ouvidos muitos livros, áudios livros. e não raro a alegria bate-me a porta anunciando-se como Marco Haurélio, o cartunista Fausto, Vitor Nuzzi (biógrafo de Geraldo Vandré) Rômulo Nóbrega, Cristina, Tinhorão, Lúcia.....aliás, esse novo livro de Klévisson começou a ser lido para mim por Tinhorão e findo, agora,  por Lúcia. Quer dizer: mesmo  hoje sem  poder ler, eu leio pelos olhos de amigos e amigas.
José Ramos Tinhorão, veio sexta, como todas as sextas comumente, e conversa vai e conversa vem, leu para meus ouvidos o mote   O Namoro de Antigamente e o Namoro de Hoje em Dia,  do Klévisson, que diz muito de ontem e de hoje, na parte assim da safadeza, do duplo sentido....pois enfim o Tinhorão está escrevendo um livro sobre licenciosidade, coisas da poesia. E ele leu, começando assim: 

Vamos poeta!
Defenda o namoro antigo, 
Deixe o moderno comigo
Que agora vou embolar!

Sobre namoro, 
Gosto mais de hoje em dia...
Não tem  mulher arredia. 
Quando o assunto é gozar!
O casamento
é negócio ultrapassado
Pra mulher fazer agrado 
Não precisa se casar! 
....

Viva a cultura popular, viva o Brasil e que a esperança em nós nunca morra, nunca desapareça de nossa memória e imaginação.

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