Dois meses antes de completar 20 anos de idades, em 1918, Luís da Câmara
Cascudo pegou a Gripe Espanhola.
O pai de Cascudo, Francisco Justino (1863-1935), também pegou a
Espanhola.
Pai e filho, portanto, escaparam da praga que matou muitos milhões de
pessoas na Europa e no resto do mundo.
No Brasil, a Espanhola matou pelo menos 35 mil pessoas.
Como hoje, o Governo Federal nada fez. Até porque ainda não existia
Ministério da Saúde.
No livro História da Cidade de Natal, de 1947, Luís da Câmara Cascudo
conta que registros da época indicavam que a praga, denominada Gripe Espanhola,
matou no Rio Grande do Norte pouco mais de mil pessoas. Isso mostra o seguinte:
que as autoridades de plantão já procuravam esconder a realidade escrachada
pela Espanhola. I-gual-zi-nho como hoje.
O Presidente Cloroquina tentou também fazer isso, esconder dos
brasileiros a desgraça que está matando brasileiros. Isto é, a COVID-19.
Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) foi jornalista, advogado, etnólogo e
tudo o mais.
Cascudo foi incrível!
Cascudo escreveu até poesia, você sabia? Ouça:
Luís da Câmara Cascudo morreu em Natal, RN, sua terra, no dia 30 de
julho.
No correr de sua vida Cascudo publicou cerca de 150 livros. Foi o mais
importante estudioso da cultura popular brasileira.
Eu adorava conversar com Luís Câmara Cascudo.
Um dia Cascudo me disse que quando morresse viraria cédula, moeda.
Falarei disso amanhã.
Acabo de ouvir na plim plim notícia segunda qual árabes mandaram a pouco
uma geringonça até Marte, chamado por todos, e há muito, de “Planeta Vermelho”.
Os gringos do Norte, também acabam de mandar máquina parecida com as dos
árabes até o distantíssimo Marte.
É um barato ou não é?
Em julho de 1969, os gringos do Norte representados por Armstrong,
Aldrin e Collins, pisaram pela primeira vez na Lua. Pisaram não, violentaram a
Lua. Com isso, os românticos ficamos todos tristes.
Antes disso tudo, os antigos soviéticos fizeram Gagarin (1934-68) rodar
até se cansar na órbita da Terra.
A ousadia dos gringos europeus inspiraram filmes engraçados no Brasil.
Ah! Você lembra meu amigo, minha amiga, a jóinha
musical que a nossa querida Elis gravou sobre Marte? Clique:
Em outras palavras: o paulista de Marília, Sérgio Ricardo,
desaparecido há sete dias, foi uma pessoa incrível. Era acessível, ouvia a
todos com calma. Quer dizer, aprendia e ensinava.
Sérgio expressava pensamentos com a maior naturalidade do
mundo.
Quem conheceu Sérgio Ricardo, sabe que foi um puta cara.
Uma vez o convidei para participar de um projeto sobre os
nervosos anos 1960, com exposição e tudo.
Eu o levei a Fortaleza, junto com o compositor e violonista
Théo de Barros e o jornalista Zé Hamilton
Ribeiro. Esses três caras produziram
uma história fantástica, cada qual a seu modo.
Sérgio compôs a música-tema da trilha do filme Deus e o
Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, em 20 minutos. Talvez 30. Foi o que me
disse. E acreditei.
Théo é coautor de Disparada, com Vandré. Sua obra é pequena,
porém intensa.
Zé, autor de quase duas dezenas de livros, foi o único
jornalista brasileiro a cobrir a guerra do Vietnã, em 1968.
Um dia Sérgio perguntou o que eu pensava sobre sua atitude
de quebrar o violão no palco e atirar os restos à plateia delirante que o
vaiava.
Eu disse que no lugar dele faria o mesmo. Disse também que
homem que é homem, não é barata, não é rato, não é inseto. E que falaria sobre
o assunto quantas vezes fosse preciso. Olhou-me nos olhos e disse:
− Você tem razão, Assis. Irritei-me muitas vezes quando me
perguntavam sobre aquele ato. Isso que você diz é correto, me deixa mais
aliviado.
Na hora da nossa apresentação num espaço do BNB, em
Fortaleza, comecei nossa conversa perguntando exatamente sobre a fatídica noite
do festival em que ele quebrou o violão. Olhou pra mim e riu, assim de modo
meio cúmplice.
Sérgio escreveu um ótimo livro sobre essa história. Nesse
livro, Quem Quebrou Meu Violão (Editora Record, 1991, 288 páginas), além de
lembrar em detalhes o episódio, ele conta os encontros que teve com o poeta
mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).
Bom apreciador de emboladas nordestinas e poemas de cordel,
neles Sérgio se inspirou para musicar Estória de João-Joana, de Drummond, em
1985, com orquestração de Radamés e regência de Alexandre Gnattali.
No acervo de onde se está a sede eternamente provisória do
Instituto Memória Brasil (IMB) é possível encontrar quase tudo que o artista
Sérgio Ricardo produziu.
Quer conhecer mais? Acompanhe a entrevista que fiz com ele,
em São Paulo.
Assis e Sócrates discutindo sobre a Democracia Corintiana, no Parque São Jorge
No dia que o número de mortos provocados pela Covid-19 passa
dos 90 mil no Brasil, o presidente Cloroquina veste a camisa do Corinthians três dias
depois da vitória contra o Oeste por 2 x 0, num campo de Barueri.
O
detalhe é que o presidente não é Corintiano, mas veste qualquer camisa para
aparecer bem na fita diante dos seus seguidores. Ele vestiu a camisa do Timão,
junto com o ex-jogador Marcelinho Carioca. Isso foi há poucas horas, em Brasília.
O Corinthians é, tradicionalmente, um time de respeito.
A história do Timão começou em 1910, com operários do Bom Retiro.
Nos momentos mais difíceis do País, o
Corinthians e sua
torcida costumam se manifestar a favor do ir e vir, do livre pensar, da Democracia.
Nos anos 80, Casa Grande, Sócrates (foto acima) e outros grandes craques da época criarama histórica Democracia Corintiana. Mas é sabido que déspotas faturam
em cima do futebol. Sempre foi assim.
Quer saber mais? Leia o livro, A Presença do Futebol na Música Brasileira, que escrevi em 2006 (capa ao lado).
O cangaceiro mais novo do bando de Lampião tinha por nome Francisco dos
Santos, mais conhecido pelo apelido de Volta Seca.
Volta Seca era sergipano de Itabaiana e entrou no cangaço pelas mãos de
Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco, quando tinha 11 anos de idade.
Corisco foi um cangaceiro que, durante dois anos, fez e desfez para
vingar a morte do compadre Lampião, de batismo Virgulino Ferreira da Silva.
Virgulino e seu bando foram surpreendidos na manhã do dia 28 de julho de
1938, na localidade denominada Grota do Angico, SE. Ele, Maria Bonita e mais
nove cangaceiros tombaram pelas balas da volante comandada pelo tenente João
Bezerra (1898-1970).
Corisco era de uma cidadezinha chamada Água Branca, AL.
Corisco morreu quando tinha 32 anos de idade e seu compadre Lampião 40.
Na trilha do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, do baiano
Glauber Rocha, Corisco aparece na voz do paulista, de Marília, Sérgio Ricardo.
Ouça: https://youtu.be/pc5BZ6wgis8
De modo mais lírico, onírico, eu e Zé Ramalho interpretamos uma beleza
de poema do paraibano José Nêumanne, intitulada Desafio de Viola Repentina e Guitarra
Cética, num CD lançado no ano de 2002 (selo El Dorado). Ouça:
A história do cangaço, é a história do Brasil.
O cangaço começa com os bandeirantes paulistas.
O cangaço e cangaceiro como tal conhecemos, são termos inseridos na
língua portuguesa em fins da primeira parte do século 19.
Lampião foi integrante de um ninho de nove irmãos.
Maria bonita foi integrante de um ninho de 11 irmãos.
Corisco perdeu-se na vida, na adolescência, após matar quem não devia.
Feito isso, correu e caiu no braços de Lampião. Era forte e elástico, capaz de
atirar numa estrela e por ela morrer.
No passado cangaceiro de chapéu de coro e gibão os meninos tinham como
ídolo Lampião, algo parecido com o que ocorre hoje nos morros cariocas e em
Brasília.
Os meninos da periferia brasileira viram “aviãozinhos” dos traficantes
armados de balas até os dentes. As meninas, por sua vez como Maria Bonita, se
atiram apaixonadas ao colo de bandoleiros, como Lampião.
Deputados constituintes, de 1934, consideravam Lampião e o seu bando verdadeiros vírus, um perigo real para o povo nordestino.
Por pouco, Lampião e o cangaço, não foram constitucionalizados na carta de 1934.
O deputado paulista Antonio Covello chegou a ironizar a situação, comparando Lampião a Deus.
No decorrer dos debates, o deputado paulista Francisco Rocha, disse, que o remédio para Lampião e o cangaço seria social e não policial, como queria Covello.
À época, as polícias estaduais não tinham o poder de ultrapassar fronteiras pra pegar lampião. Essa questão, porém, foi resolvida pelo presidente Getúlio Vargas. Que foi aí que Lampião se deu mal. Leia: https://assisangelo.blogspot.com/2014/07/lampiao-personagem-da-mpb.html
Lampião foi o cangaceiro mais famoso, dentre todos.
O primeiro cangaceiro de fama foi o pernambucano José Gomes, O Cabeleira, nascido em 1751. Ele era pernambucano, como Antônio Silvino, e o próprio Lampião. Jesuíno Brilhante e Sinhô Pereira antecederam Lampião e também se tornaram legenda, no Nordeste.
O escritor cearense Franklin Távora (1842 - 1888) escreveu o primeiro livro sobre o tema, biografando aquele que foi o primeiro cangaceiro: José Gomes. Leia: https://assisangelo.blogspot.com/2018/09/a-historia-no-romance-brasileiro.html
O tema cangaço é um tema excitante. E tem a ver ainda com a realidade brasileira.
Lampião e o seu bando foram eternizados na literatura de cordel, na música, no teatro, tv e cinema. Agora mesmo, por exemplo, o compositor e instrumentista paraibano Vital Farias, acaba de apresentar ao público sua nova obra: O Auto de Lampião. Confira:
Quando José da Costa Leite nasceu, Sapé tinha dois anos.
Sapé é um município da Paraíba localizado a 55 quilômetros da Capital.
José, um dos quatro filhos de seu Paulino e Dona Maria, nasceu no dia 27 de julho de 1927. Está forte e serelepe, produzindo como nunca.
A atividade principal de José da Costa Leite é a poesia de cordel, que publica desde 1949.
Nunca contou, mas é certo que já publicou centenas de folhetos. Talvez até mais de mil.
Esse José nunca sentou-se num banco escolar. Aprendeu a ler e a escrever por intuição: identificando letras e palavras e juntando palavras para formar a poesia que brota da sua memória como as flores brotam do chão.
José da Costa Leite perdeu o pai em 1935 e a mãe, em 1947.
Seu Paulino morreu a tiros após reagir a um assalto.
A vida dura nunca intimidou esse poeta.
José da Costa Leite é uma legenda da literatura popular brasileira. Um mestre. E hoje em sua casa, em Condado, PE, recebeu amigos e fez a festa simples como ele para brindar mais um aniversário:
Oficialmente, suicidou-se numa cadeia de Recife, PE.
Em 1935, às 17h, um touro pegou o toureiro Ignacio Sanches Megía.
Em 1930, às 17h30min, três balas pegaram o Governador da Paraíba, João Pessoa.
O rolo na Paraíba começou no dia da posse de João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, no dia 29 de julho de 1929. Em 29, o mundo entrava em depressão com a queda da Bolsa de Valores de Nova York.
Ao virar governador por obra e graça do primo Epitácio, à época presidente da República, João Pessoa encontrou o Estado quebrado e decidiu fazer uma Reforma Tributária.
Os coronéis enlouqueceram. Um deles, José Pereira Lima, virou líder. Armado até os dentes, botou pra quebrar e logo transformou o município paraibano de Princesa num território livre, por não reconhecer o governo recém empossado. Encurtando a história: pego de surpresa numa confeitaria da capital pernambucana, Pessoa tombou instantaneamente atingido pela fúria e pelas balas de advogado João Duarte Dantas, correligionário do ex-governador João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna (1924-29). João Suassuna era paraibano de Catolé do Rocha. Figura de grande influência na política era pai do escritor Ariano Suassuna.
Ariano chorou a morte do pai no correr de toda sua vida.
Após disparar contra João Pessoa, João Dantas foi preso na hora. Isso, no dia 26 de julho de 1930.
A situação de violência que vivia Princesa, estancou.
Estancou, aspas.
Ao tomar conhecimento da morte de João Pessoa, Pereira Lima rapidamente concluiu que tudo acabara.
A briga que Pereira Lima mantinha contra João Pessoa não tinha por fim a sua morte.E logo depois fugiu, temendo ser morto pelos correligionários do governador assassinado.
A história é longa.
João Suassuna foi acusado de mandante do crime. Foi defender-se no Rio de Janeiro e lá assassinado por um pistoleiro de aluguel, identificado como Miguel Alves.
No dia 4 de setembro de 1930, João Pessoa virou nome da Capital Paraibana. Antes era Parahyba do Norte. Nesse mesmo ano o cantor Francisco Alves Gravou Hino a João Pessoa, de Eduardo Solto e Osvaldo Santiago.
Essa música fez um sucesso estrondoso. João Duarte Dantas foi encontrado morto na cela onde foi posto.
A versão de suicídio foi desmantelada pelo ex-cangaceiro pernambucano Antônio Silvino (1875-1944), que estava trancafiado numa cela próxima à da vítima.
Quanto ao destino do touro que pegou Ignacio Sanches Megía... Essa é outra história.
Anayde Beiriz e Alphonsus de Guimarães eram poetas excepcionais.
Pedro Nava era memorialista, talvez o maior que já tivemos. Anayde era paraibana.
Alphonsus e Pedro eram mineiros.
Anayde envenenou-se.
Alphonsus enforcou-se.
Pedro optou por um tiro.
E assim, aos poucos, o Brasil que sabe das coisas vai morrendo, desde sempre.
Anayde da Costa Beiriz tinha 25 anos de idade quando despediu-se da vida, depois de um tumultuado caso envolvendo seu nome na política paraibana. Ela matou-se 19 dias antes de Getúlio Vargas assumir o poder, derrubando o presidente Washington Luís e impedindo a posse de Júlio Prestes como presidente da República eleito pelo povo.
Getúlio também matou-se. Mas essa é outra história.
Alphonus, de batismo Afonso Henrique da Costa Guimarães, era muito novo quando apaixonou-se por uma prima. Essa prima morreu com 17 anos e ele, meio doido, findou por casar-se. Teve 14 filhos. Dois seguiram sua profissão.
E Pedro, hein?
Pedro da Silva Nava era natural de Juiz de Fora e em 1968 trocou os instrumentos da profissão de médico por uma máquina de escrever. E foi assim que tornou-se um dos mais aplaudidos memorialistas brasileiros.
Alguém há de estranhar o fato de eu trazer à tona esses nomes da nossa literatura. Faço isso pra lembrar que nós somos, uns mais outros menos, todos frágeis. Não é só no Brasil que a história registra o suicídio de intelectuais, de escritores, de poetas e inventores como Santos Dumont.
Anayde Beiriz foi o pivô feminino de Revolução de 30. Ela é mais lembrada pelo fato de ter sido a amante do assassino do governador da Paraíba, João Pessoa.
Alhonsus de Guimarães é lembrado pelo poema Ismália. Um obra prima, claro.
Pedro deixou meia-dúzia de livros fundamentais pra quem quiser conhecer o Brasil. No livro Chão de Ferro ele conta o que lembrava da Pandemia que dizimou milhares e milhares de brasileiros, em 1918.
Esses três autores fazem parte da nossa história, embora não tenham escrito tanto quanto o paulistano Ryoki Inoue (entrevista, acima). Ryoki, como Pedro trocou a profissão de médico pela profissão de escritor. Ele já publicou cerca de 1200 livros. Ele está no Guinnes.
O que faz um escritor importante: a quantidade ou a qualidade de livros escritos?
Hoje é o Dia do Escritor.
Esse dia foi criado em 1960, por iniciativa dos escritores Peregrino Júnior e Jorge Amado.
Ler é coisa muito boa. Boa mesmo.
Um amigo telefona pra dizer que o Capeta saiu da toca.
Não entendi e ele repetiu: "o Capeta saiu da toca".
E ele foi dizendo que o Capeta saiu da toca, que deu uma risada dos infernos. O ambiente segundo amigo encheu-se de pó, poeira, fumaça e de um odor forte que conhecemos como Enxofre. Virgem, nossa!
Estrondos romperam o ar, na Capital federal.
De repente, não mais do que de repente, um sujeito de capacete enfiado na cabeça saiu em disparada numa moto louca.
Aí foi que dêi-me conta, que o Capeta referido, era, nada mais nada mesmo, do que o Presidente Cloroquina.
O telefone não para de tocar.
Agora é o bom baiano Darlan Zurc que liga pra lembrar que hoje é o Dia do Escritor.
Enquanto o Capeta voava na moto, na toca alguém o esperava.
Quem esperava o Capeta na toca?
Mais um cometinha metido a besta parece querer desbancar a
beleza do Halley.
O Halley, que apareceu pela primeira vez aos olhos humanos há
240 a.C, mede a besteirinha de 11 quilômetros.
Eu nunca ouvi falar nesse tal de Neowise, que há dois ou
três dias, começou a dar a cara no céu da Paraíba. No céu paulista está desde
ontem 23.
Bonito que só, o Halley tem cabeleira e cauda. Seu brilho é
incrível. Vaidoso, o Halley apareceu duas vezes no século passado. A primeira
em 1910, e a segunda, em 1986.
Meninos, eu vi!
O Neowise eu não vi nem verei, até porque já não tenho luz
nos olhos.
E a lua, hein?
No começo da tarde do dia 24 de julho de 1969, três homens
desceram do céu numa geringonça e caíram nas águas do Pacífico. Minutos depois,
soldados da marinha norte americana acorreram ao local e resgataram os três
homens: Armstrong, Aldrin e Collins.
Esses homens foram os primeiros a chegar à lua. Armstrong, o
primeiro a pisar no solo lunar, à 0h24min. O segundo, Aldrin, cerca de 20 minutos
depois.
Armstrong e Aldrin permaneceram explorando o solo do nosso
único e belo satélite durante quase 22 horas. Enquanto um colhia fragmentos
lunares, o outro fincava a bandeira dos EUA no coração da Lua.
Nesse ínterim, Collins girava com sua geringonça entorno da
lua. Foi ele o responsável pelo resgate de Armstrong e Aldrin.
Essa foi a primeira e mais importante missão espacial
realizada pelos norte-americanos. Isso quer dizer que os americanos do Norte
ganharam a corrida espacial travada contra os soviéticos, que ficaram fulos da
vida.
Entre 1959, apogeu da Bossa Nova, e 1973 os EUA investiram
pouco mais de 130 bilhões de dólares, em custos atuais.
A ida do homem à lua foi dolorosa para os poetas românticos.
Muitas músicas sobre a lua foram compostas e gravadas por
artistas do mundo inteiro. Algumas muito engraçadas como Eu Vou pra Lua, do
belenense Ary Lobo (1930-80). Ouça:
Pouco antes de o homem pisar na lua, Helena dos Santos
compôs para Roberto Carlos gravar, Na Lua não Há, uma bobagem jovem guardista.
Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=H-uN2_kjYVA
Até eu e Téo Azevedo compusemos uma pequena joia sobre a lua,
dedicada à minha caçula, Clarissa. Essa música, gravada pela cantora mineira
Fatel, integrou a trilha sonora do filme franco-brasileiro, Saudade do Futuro.
Ouça:
Revistas e jornais do mundo inteiro registraram essa grande
façanha. Pois é, parece que foi ontem.
Armstrong, Aldrin e Collins deixaram a terra rumo à lua na
manhã de 16 de julho de 1969. Quatro dias depois, eles já estavam lá.
Os três partiram na fase da lua Nova e voltaram na lua
Crescente.
Ora estamos em lua Nova.
Curiosidade: Armstrong, Aldrin e Collins nasceram no ano de
1930.
Armstrong morreu no mês do folclore, em 2012.
Aldrin ficou meio doido, lelé da cuca, e de tanto encher a
cara, viciou-se no álcool.
Collins completará 90 anos no próximo 31 de outubro. Nesse
dia, mês e ano, Getúlio Vargas punha fim à chamada República velha. Mas essa é
outra história.
Ah sim: o Halley, com sua beleza resplandecente, deixar-se-á
ver a olho nu em 2061.
Quanto ao Neowise, posso dizer o seguinte: quem o viu, viu.
Metido a besta como eu disse lá em cima só voltara a se amostrar daqui a 6800
anos. Ô bicho besta!
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, há uma
quantidade enorme de jornais, revistas (foto ao lado), livros, folhetos de
cordel e músicas, muitas músicas, que tratam da lua e de outros corpos celestes.
O Halley inspirou o sambista Benito de Paula a compor a joinha
aí abaixo:
O nosso país tão querido, tão espoliado, continua vivendo quando não na
unha de políticos, na unha do destino.
Foi isso o que ocorreu, mais uma vez, no campo da nossa música popular.
Estou triste.
Hoje cedo, fiquei sabendo do passamento involuntário e irreversível do
cantor, compositor, pianista, violinista, escritor, pintor, cineasta brasileiro
Sérgio Ricardo.
Sérgio era paulista de Marília, da safra de 1932.
Bom de papo, bom de copo, Sérgio deixou marca própria e definitiva do
melhor que há na Música Popular Brasileira.
Sempre mantive bom contato com Sérgio.
Eu gostava do papo do Sérgio, da música do Sérgio.
Há uns anos eu o levei pra contar sua história em público, num projeto
que tive aprovado numa instituição do Ceará. Comigo foram o jornalista José
Hamilton Ribeiro, o compositor violinista Théo de Barros e ele, Sérgio, pra
falar sobre os tumultuados anos de 1960.
Pela ordem, Bill, Assis e Paulo Vanzolini, em São Paulo
Vivemos momento de medo, angustia e incertezas, provocados pelo novo coronavírus, que saiu da China pra pegar todo mundo.
Mais de 15 milhões de pessoas já foram contaminadas pelo novo vírus.
Só nos EUA, os mortos já passam de 140 mil. No Brasil, mais de 84 mil.
Cientistas de todo canto procuram desesperadamente antidoto que acabe com a Covid-19, gerada pelo vírus.
A pandemia parece ter parado o mundo.
Tudo está mudando. Parece não, parou.
Profissionais atendem demandas a partir no lugar onde moram. Fazem o que chamam de Home Office. Jornalistas, inclusive.
Bill Hinchberger é um norte americano nascido em Los Angeles.
Formado em Ciências Políticas pela Universidade de Berkeley, California, mas logo cedo ganhou o mundo escrevendo para jornais e revistas, sem esquentar assento. Já esteve em mais de 50 países, sempre levantando dados para as suas reportagens.
A primeira vez que Bill Hinchberger esteve no Brasil foi em 1986. Por aqui, ficou mais do que o tempo desejado. Entrevistou Lula, Fernando Henrique e outros grandes políticos e economistas brasileiros.
É dele uma das mais bonitas entrevistas cedidas pelo escritor baiano Jorge Amado (1912-2001).
Seus textos já foram publicados em jornais de várias partes do mundo.
Jorge Amado e Bill, na Bahia
Aos sessenta e três anos de idade, solteiro e sem filhos, Bill considera-se uma espécie de "nômade digital". Isso, claro, por não esquentar assento em lugar nenhum. No momento, e entre várias idas e vindas, é "achável" em Paris, França.
Antes da pandemia que ora o mundo vive, Bill Hinchberger estava formando turmas de jornalistas investigativos na África do Sul e de outros países do Continente africano. Antes disso, ele ministrou cursos de extensão em Jornalismo, na Sorbonne.
Bom de conversa, Bill ouve, fala e escreve em inglês, francês, espanhol e português.
Alto, fora do esquadro considerado normal entre as pessoas de estatura mediana, Bill Hinchberger é informal, e fácil, fácil, faz amizade com todo mundo.
Cultura popular é uma das coisas que mais Bill gosta. "A música brasileira é muito rica, é muito bonita", diz ele. Fez
amizade com o cientista e compositor Paulo Vanzolini (1925-2013), Téo
Azevedo, Ibys Maceioh, Bráulio Tavares, Tom Zé, Ze Kéti (1921-99),
Sebastião Marinho, Andorinha, Oliveira de Panelas, Mocinha de Passira, Luzivan
Ferreira, Inês Tavares e
tantos outros.
Viva Bill! Quer saber mais um pouco? Clique:
No próximo dia 29, às 20:30, Bill participará do programa Em Quarentena, ao vivo, de Carlos Sílvio.
Pinto do Acordeon e o seu biografo, Onaldo Queiroga
O poeta do acordeon, Pinto, morreu no começo da madrugada de ontem 21. O fato se deu numa enfermaria do hospital Beneficência Portuguesa, cá em sampa.
Seu corpo foi velado em João Pessoa e sepultado em Patos, no sertão paraibano.
Pinto do Acordeon, de batismo, Francisco Ferreira Lima, nasceu em fevereiro de 1948. O lugar onde isso se deu foi Conceição, cidade do Vale do Piancó. Tinha, pois, 72 anos de idade quando um câncer o levou para reencontro com Luiz Gonzaga, Sivuca, Dominguinhos e outros e outros sanfoneiros que já há anos fazem festa no Céu (https://assisangelo.blogspot.com/2013/05/pinto-do-acordeon-no-programa-do-jo.html)
Em 2015, o juiz de direito e apreciador da música popular, Onaldo Queiroga, publicou o livro Por Amor ao Forró. O livro começa com uma bela entrevista de Onaldo com Pinto.
Há vários depoimentos de artistas sobre o famoso sanfoneiro.
Sobre Pinto do Acordeon, Onaldo Queiroga inseriu um texto meu no seu livro.
Na noite de 2013, o ator e ex apresentador de televisão Jô Soares recebeu no seu extinto programa, na Globo, Pinto para uma entrevista. Acompanhe:
FLORESTAN FERNANDES: 100 ANOS
O sociólogo paulistano Florestan Fernandes nasceu há exatamente 100 anos, isto é: no dia 22 de julho de 1920. De origem humilde, Florestan nem chegou a conhecer o pai. Filho único, comeu pão que o diabo amassou. Foi engraxate, garçom e tal. Formou-se na USP. Deixou uma obra fascinante e seis filhos. Com um deles, Florestan Fernandes Junior, cheguei a trabalhar na Tv Manchete, O Globo. O velho Florestan é até hoje um orgulho para o Brasil.
No começo da tarde do dia 20 de julho de 1969, Apollo 11 já tinha tomado impulso e ganhado o espaço profundo em direção à lua.
Pois é, 51 anos depois de o homem por os pés no solo lunar, o solo terrestre continua minado, sendo destruído pelos pés e mãos humanos.
Na Amazônia é fogo só, só.
Até o ano de 2050, quando o homem já estiver em marte, a terra estará com quase dez bilhões de pessoas sofrendo, passando fome, se desgraçando. Claro, se não explodir antes.
O futuro não promete coisa boa para nós, terráqueos.
Os cabeções da Economia dizem que a pandemia pode levar o número de miseráveis a casa do bilhão. No momento, esse número já passa de 850 milhões.
Em pleno terceiro milênio, o Brasil mostra ao mundo que tem no seu quadrado cerca de 100 milhões de pessoas sofrendo por não ter o básico, além do alimento: tratamento de esgoto.
Até luz elétrica ainda falta nos grotões do Brasil.
Dados do IBGE indicam que mais de 30 milhões de pessoas também não tem água limpa pra beber.
Essas e outras chagas estão sendo escancaradas pela pandemia.
Tristemente podíamos até dizer que esse é o "lado bom" da Covid-19.
O Brasil está atrasado em tudo, tecnologicamente, cientificamente, educacionalmente.
Meu amigo, minha amiga, você sabia que há mais de 40 milhões de brasileiros e brasileiras vivendo do que recolhe nos lixões espalhados País afora? Pois, é.
São quase três mil lixões em quase três mil cidade brasileiras.
Em 1974, eu era repórter do jornal O Norte, da Paraíba. Neste jornal, que virou portal na internet, publiquei uma reportagem contando as agruras do povo que vive do lixo (chamada de 1º página, ao lado).
O Brasil não é só um Brasil.
O Brasil são vários Brasis, cheios de desigualdade e irracionalidade.
O poeta popular Patativa do Assaré (1909-2002) escreveu um poema a que deu o título de Brasí de cima, Brasí de baxo.
A cantora Elza Soares nos alerta quando canta o samba estilizado Brasis, de Seu Jorge, Gabriel Moura e Jovi Joviniano (acima, ouça).
No dia 27 de dezembro de 1947, o poeta, professor, tradutor e crítico de arte pernambucano, Manuel Bandeira (1886-1968), escreveu um poema intitulado O Bicho, cuja leitura dói profundamente na nossa alma. Leia:
O Bicho
Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato.
O Brasil é um País muito novo.
Do ventre do Brasil mulher surgiram brasileiros incríveis, depois que D. João VI deixou a sua terra pela nossa, corrido de Napoleão.
Nas suas memórias, Napoleão Bonaparte (1769-1821) disse que D. João VI (1767-1826) foi o único cara que lhe passou a perna. Disse isso baseado no fato de que D. João o enrolava enquanto ganhava tempo para a fuga que planejava ao Brasil.
Nesta nossa Terras Brasilis nasceram Machado de Assis. E antes dele muitos outros, como José Hipólito.
Hipólito foi o fundador do primeiro jornal que trás o Brasil como tema de tudo.
Impresso em terras britânicas, o Correiro Braziliense foi o primeiro jornal brasileiro. Esse arrodeio todo que faço, tem uma razão: na cabeça do brasileiro houve sempre a vontade de ser grande como o próprio Brasil.
Leiam, além de Machado, José de Alencar, Alphonso Guimarães, Lima Barreto.
Barreto foi incrível. Um doido incrível, como Guimarães.
Faz-se importante ler o que deixou o baiano Rui Barbosa.
Rui foi político, Rui deixou pecado, Rui disputou a Presidência da República e perdeu para o Marechal Hermes.
Procurem saber dessa história.
O tempo rapidamente passou. Passou com Hermes, passou com Epitácio e chegou até Getúlio.
Getúlio, diga-se o que disser, foi o cara que criou o Ministério da Educação.
O Ministério da Educação, MEC, respira por instrumentos.
Tomara que o novo ministro, o quarto do Governo em andamento, corresponda às expectativas de todos nós.
Uma coisinha só: uma vez perguntei ao mestre Paulo Vanzolini, professor Harvard, como andava o Brasil no campo da educação. E ele respondeu: mal.
Tenho ouvido muitas palavras novas. Também palavras de uso passado, como pandemia e quarentena.
No dicionário da língua portuguesa há cerca 400 mil palavras. Talvez mais.
A primeira vez que ouvi a palavra "quarentena" foi ali pelo dia 25 de julho de 1969. Dias antes eu vira na TV, ainda em p&b, transmissão da chegada do homem a Lua. Na ocasião, eu passava férias em Timbaúba dos Mocós, PE.
Além de Pandemia, quando se classifica uma desgraça que a todos nos atinge, como o Novo Coronavírus, outras palavras e expressões chegam até a nos irritar pela repetição exaustiva. Exemplos: impactado, distanciamento, novo normal, isolamento social, média móvel, aplicativo, cada qual faz sua parte, furar a quarentena, cloroquina, platô, achatamento da curva, novas regras, ninguém sabe o que será depois da pandemia, lockdown, drive-thru, drivin, delivery, live, coach, home office... E os ensinamentos: lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel, usar máscara de pano e/ou papel, não sair de casa, etc.
O mundo já registra mais de meio milhão de mortos.
No Brasil, estamos chegando à casa de 80 mil mortos. O número de contaminados pelo danado do vírus no mundo, já passa de 14 milhões.
No começo dos anos de 1970, o Governo Militar escondeu a Pandemia da Meningite. Foi uma desgraça!
Em 1918, a Gripe Espanhola matou mais de 35 mil brasileiros em menos de 3 meses. Um horror!
No mundo, essa gripe matou milhões.
A quarentena foi aplicada pela primeira vez na Itália, quando lá chegou a Peste Negra.
Essa palavra eu só viria a conhecer em julho de 69. Naquele ano, escutei à exaustão repórteres de rádio e televisão dizerem que Collins, Armstrong e Aldrin iriam ficar em quarentena antes de se comunicar com amigos, familiares e Imprensa.
Os astronautas ficaram 21 dias trancados, em quarentena.
Nas origens, quarentena significa 40 dias. Não se sabe, porém, se a palavra tem a ver com a Quaresma, os 40 dias que Cristo ficou no deserto ou o pós parto em que as mulheres ficam em resguardo.
Depois que a mulher dá à luz diz-se, no Nordeste, que ela descansou, que está em descanso. Depois disso, ela fica descansada e pronta pra começar tudo de novo.
Ah! Ia-me esquecendo: outra palavrinha que está enchendo o saco é B-o-l-s-o-n-a-r-o.
EXEMPLO DE EDUCAÇÃO
Nesses tempos bicudos de Pandemia, de agressão, desrespeito, roubo, em que muitos passam a perna nos outros, chega a ser louvável a notícia que dá conta de um prefeito do Interior puxar as orelhas de um filho adolescente que pisou na bola ao inscrever-se no programa Auxílio Emergencial, patrocinado pelo Governo Federal. O prefeito, Luís Cássio de Souza Andrade, Nova Soure, BA, chamou o filho para uma conversa e...
E mais do que falar, prefiro que vocês assistam o vídeo:
A manhã do dia 17 de julho de 1934 chegou trazendo alvíssaras: nova
Constituição, pauta reivindicatória do povo paulista. Leia-se: Revolução
Constitucionalista de 1932.
A nova Constituição garantia, como havia de garantir, liberdade e o bem
do povo.
No dia 10 de novembro de 1937, o presidente que deveria garantir o que
garantia a Constituição, Vargas, mandou prender, torturar e matar pessoas
nascidas no nosso solo.
Eram tempos dos Estado Novo.
Muita gente se lascou, no tempo de Vargas.
Entre as pessoas que se lascaram, não podemos nunca esquecer do escritor
alagoano Graciliano Ramos (1892-1953).
Graciliano é o autor da obra-prima Vidas Secas (1938), livro que narra a
triste história de uma família castigada pelas intempéries.
A diferença da Constituição de 1934 para a Constituição de 1988, a que
ora nos rege, é que o Brasil cresceu, sabe o que quer e não vai deixar que lhe
engalobem.
Nunca o Brasil teve um presidente tão mau como o atual, Bolsonaro.
Bolsonaro é um genocida, um sujeito que parece sentir prazer com a
desgraça do povo.
Mais de dois milhões de brasileiros já estão contaminados pelo novo
Coronavírus. Ele, inclusive. Coisa de “gripezinha”.
Quase 80 mil brasileiros já morreram vitimados pela Covid-19. E muito
mais ainda, infelizmente, morrerão até o fim dessa nova praga.
Bolsonaro está humilhando o Exército. Nosso brioso Exército.
Bolsonaro tem feito tudo que quer: admite, demite e quem o demitirá?
Entre os constituintes de 1934, se achava o paraibano José Pereira Lira
(1899-1985).
Mais um jornalista, mais um brasileiro, é vitimado pelo tempo da
Covid-19. Tinha ele 78 anos de idade, mais de 50 dos quais dedicados à Rede
Bandeirantes de Rádio. Deixou saudades, muitas. Outro dia, pra minha alegria ouvir na Internet o Carlos Sílvio entrevistando no seu programa Paiaiá na Conectados, o jornalista Claudio Junqueira falando sobre o livro que acabara de escrever contando a história, rica em todos os sentidos do ás do Jornalismo brasileiro: José Paulo de Andrade. O livro do Claudio, Esse Gato Ninguém Segura - O Pulo do Gato(Ed. Letras do Pensamento; 2019, 218 págs), trás para o leitor a história incrível do mestre do Rádio José Paulo de Andrade. Recomendo a leitura. Uma historinha: um dia o querido Manézinho Araújo, rei
da embolada, pediu-me para entregar ao Zé uma medalha de ouro que ganhara do
jogador de futebol Leônidas da Silva, o Diamante Negro. Isso foi feito.
Manézinho era amigo de Leônidas, que era amigo de Zé Paulo de Andrade.
Lá em cima, a festa está boa com esses três cabras.
Eu olho pra cima, para o céu e não vejo nada. Mas amigos e amigas olham
pra cima e veem as tantas e tantas belezas que o céu oferta.
São uns privilegiados, os meus amigos.
Ontem 15, à noite, fragmentos de um meteorito iluminaram o céu da
Paraíba, Pernambuco, Ceará e Bahia.
Fiquei morrendo de inveja só de ouvir o relato.
Lembrei-me das chuvas de meteorito, das estrelas cadente alumiando a
minha infância.
Já que não vejo com os olhos, ouço:
O rádio me dá notícia de que o Reino Unido, os EUA e o Canadá estão
acusando a Rússia de usar seu exército de hackers para subtrair dos
computadores de Oxford, e de outras universidades, apontamentos de pesquisas
que deverão levar à descoberta de uma vacina que ponha fim ao pandemônio
provocado pela pandemia gerada pelo novo Coronavírus.
Esse vale tudo é o fim do mundo.
Ouvi ontem 15, com agrado, notícia dando conta de que a rainha Elizabeth
II, da Inglaterra, encontrara-se com militares do seu Exército. Quisera ela
saber como eles estão enfrentando o vírus, que já provocou a morte de mais de
meio milhão de pessoas mundo afora.
Hoje 16 o Brasil deve cravar a triste marca de 76 mil mortos em 4 meses,
provocadas pela Covid-19.
A primeira morte provocada pela Covid no Brasil ocorreu no dia 16 de
março, em São Paulo.
Hoje 16 o Brasil deve bater a marca de dois milhões de brasileiros
contaminados pelo novo Coronavírus.
Enquanto isso, o presidente Cramunhão procura fazer de conta que está
tudo normal. Tanto que o Ministério da Saúde continua sem ministro há mais de
dois meses.
Mas ele, Bolsonaro, pegou a “gripezinha” que alardeu o tempo todo.
Sabem o que acho?
A rainha Elizabeth foi coroada em abril de 1953. Entre os convidados, o
paraibano (primeiro e único imperador da imprensa do Brasil) Assis
Chateaubriand, na intimidade chamado de Chatô. Mas ele não teve a oportunidade
de apertar a mão da rainha, na ocasião. Mas essa é outra história.
O que o céu nordestino mostrou ontem fez-me lembrar a história do
Bendegó.
Bendegó foi assim chamado o meteorito que despencou do céu atingindo um
pedaço do sertão da Bahia, em 1784. Peso: 5,3 toneladas de ferro etc. Essa
“pedrinha” ainda se acha nas dependências do quase recuperado Museu Nacional,
que pegou fogo em setembro de 2018.
Puxinanã é um município paraibano localizado a pouco mais de 150 km da
capital, João Pessoa. Hoje é dia da padroeira dessa cidade: Nossa Senhora do
Carmo. Essa santa, um dos muitos nomes de Maria mãe de Jesus, também é
padroeira do município de Recife, PE. A Capital pernambucana tem uma das mais
belas praias do Nordeste: Boa Viagem, que está sendo engolida pela erosão
política. Hoje é feriado nessas duas cidades.
Tinha dez anos de idade, quando se viu obrigada a abandonar
os estudos para ajudar a família, constituída de pai, mãe e mais cinco irmãos.
Elizeth Moreira Cardoso nasceu no dia 16 de julho de 1920,
no Rio de Janeiro.
O pai, Jaime, era violonista e adorava levar a filha para
cantar nas festas.
Aos 16, 17 anos Elizeth saiu de casa por não suportar mais
brigar com o pai. Nessa época namorava o jogador de futebol Leônidas da Silva (1913-2004),
que entraria para a história como o Diamante Negro.
Leônidas foi o jogador mais importante da copa de 1938, mas
o pai de Elizeth não gostava disso nem dele. Por isso ela saiu de casa.
A vida dessa artista foi muito atribulada, enfrentou muitos
preconceitos.
Iniciou a carreira artística pelas mãos de Jacob do Bandolim
(1918-1969), na antiga Rádio Guanabara.
Era ainda muito jovem quando encontrou à sua porta um bebê
dentro de um cesto. Era uma menina. Não pensou duas vezes e a adotou.
Grana curta, poucos convites para cantar e muito trabalho
para cuidar da bebê. A essa altura, ela já se casara e ganhara um filho. Para
suportar o tranco, aprendeu a dirigir e durante quase dez anos sustentou-se e a
seus filhos dirigindo táxi nas ruas do Rio.
Na discografia de Elizeth, a Divina, constam uns 20 discos
de 78 rpm e 40 LPs, entre os quais o intitulado Canção do Amor Demais (1958).
Esse disco, é considerado um marco da Bossa Nova.
Elizeth apresentou-se na França e gravou discos em Japão,
Portugal e Venezuela.
Um causo: ela namorava, em 1966, o sambista Ciro Monteiro.
Briga vai, briga vem entre eles, Elis Regina achou de dar pitaco. Ela retrucou:
“Se você não gosta de mim como cantora, não se intrometa na minha vida”. Consta
que Elis nutria um certo ciúme da Divina.
Elizeth Cardoso Moreira morreu em 7 de maio de 1990, de
câncer.
O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) abriga quase
todos os discos que Elizeth Cardoso gravou.
Em 1986, poucos dias depois de publicar um texto na revista Veja falando
que ganhava pouco, o capitão Jair Messias Bolsonaro era repreendido e obrigado
a puxar 15 dias de cana numa cela do exército. Na ocasião, ele servia no 8º
Grupo de Campanha Paraquedista.
Bolsonaro aposentou-se com 33 anos de idade, recebendo um soldo de 10
mil reais. À essa grana somaram-se mais 27 mil, que recebia como deputado
federal. Como presidente, a grana que embolsa passa dos 30 mil reais.
No correr das diversas fases da República, sete dos 37 ex-presidentes
foram presos. Outros quatro renunciaram ao mandato, incluindo o primeiro
(Marechal Deodoro da Fonseca; 1827-92).
Outros quatro foram depostos: Washington Luís, Getúlio Vargas, Carlos
Luz e Jango.
Ocuparam a cadeira presidencial 4 marechais: Deodoro, Floriano Peixoto,
Hermes da Fonseca e Eurico Gaspar Dutra.
Entre 1964 e 1985, vários generais aboletaram-se na disputada cadeira.
O primeiro ex-presidente preso foi Hermes Rodrigues da Fonseca
(1855-1923), o segundo Washington Luís (1869-1957), Artur Bernardes (1875), o
quarto Café Filho (1899-1970), Juscelino Kubitschek (1902-1976), Luiz Inácio
Lula da Silva (1945-) e Michel Miguel Elias Temer Lulia (1940-).
Lula e Temer foram acusados de corrupção. JK também, mas nada se provou
contra ele. Esse, aliás, foi o pretexto que os militares dos anos de chumbo
encontraram para tirá-lo de circulação.
Sobre as costas de Bolsonaro, pesam várias acusações.
No Superior Tribunal de Justiça, STJ, há processos de cassação da chapa
Bolsonaro-Mourão.
O presidente poderia renunciar ou pedir pra ser preso, até porque de
cadeia ele já entende.
Enquanto isso, no Planalto, o vice-presidente declara que vai suspender
por 120 dias as queimadas legais na Amazônia.
Televisão foi uma das grandes invenções do século XX.
As primeiras experiências que levaram a invenção dessa caixinha de fazer doido, como dizia Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto; 1923-1968), foram feitas por um engenheiro escocês, em 1920. Mas somente em 1923, acho que na Rússia, a TV passou a ganhar alguma forma.
A TV chegou ao Brasil pelas mãos do paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (1862-1968).
Voltarei a esse assunto.
A internet como tal a conhecemos existe há vinte e cinco anos, completados hoje.
A internet é um mundo a parte neste mundo louco em que vivemos. E nestes tempos de pandemia, tem sido o caminho de grandes descobertas.
Meu amigo, minha amiga, você sabe o que é live?
Pois bem, live uma palavra de origem inglesa que significa "vivo", quer dizer, entrada ao vivo na internet ou televisão.
Todo mundo, ou quase todo mundo, faz live. Principalmente, artistas famosos e não famosos.
Roberto Carlos, Milton Nascimento, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Toquinho. Brasileiros e estrangeiros como Andrea Bocelli, Stevie Wonder, Lady Gaga.
É preciso fazer coisas para ocupar o tempo ocioso.
O editor José Cortez telefona pra dizer que acaba de concluir um livro sobre a sua história.
A cantora, compositora e instrumentista paraibana Socorro Lira por telefone me diz que está se tornando viciada em live.
Um dia sim, outro também, fácil, fácil, é encontrável na internet, cantando e tocando.
Socorro acaba de inaugurar na Internet o projeto Grão de Música, envolvendo dezenas de artistas Brasil afora. Da Paraíba à Tocantins, do Rio Grande do Sul ao Espírito Santo, da Bahia ao Amazonas. E assim, segundo ela, o Brasil continua vendo e aplaudindo a nossa boa música popular. Quer saber mais? Clique: https://www.youtube.com/user/graodemusica/featured
RODAS GONZAGUEANAS
Socorro Lira é uma das mais importantes e afinadas cantoras brasileiras. Veio do sertão da Paraíba para brilhar no coração da gente. Conheço Socorro desde sempre. Em 2013, eu a levei ao Rio de Janeiro como participante do projeto Rodas Gonzagueanas. Depois disso ainda tive tempo de produzir um Cd junto com o arranjador e instrumentista Jorge Ribbas, intitulado o Samba do Rei do Baião. Depois da pandemia provocada pelo novo corona vírus, a artista promete voltar a se apresentar em tudo quanto for lugar. Sem deixar as lives, claro.
Fala-se de pandemia no mundo inteiro, de todas as formas.
A pandemia desperta atenções e perigos.
Recomendam-se tudo sobre a pandemia gerada pelo novo Coronavírus.
Diz-se: faça isso, faça aquilo. Tome cuidado. Precavenha-se.
Tudo é dito a favor de todos, sobre a peste pandêmica provocada pelo
novo Coronavírus.
O homem dorme, o homem acorda.
A mulher dorme, a mulher acorda.
Todos dormimos e acordamos, imaginando que estaremos sempre no amanhã.
O amanhã é sorrir, e chorar, é tossir, é ter dor de barriga. É também
planejar, imaginar um futuro positivo pra si, pra nós, pra todos.
O homem e a mulher vivem, de preferência em paz um com o outro.
Rádio e televisão orientam as pessoas a se comportarem bem diante da
loucura epidêmica que todos nós vivemos, hoje.
Fala do negro, fala do branco, que bom.
Que bom que falássemos de igual pra igual, que entendêssemos o branco e
o negro como pessoas iguais a nós: negros e brancos, brancos e negros. Ricos e
pobres, também.
É tabu falar da urgência humana, em/ou/sobre determinados pontos.
Trezentos anos depois de Cristo, um indiano incrível cujo o nome não me
lembro, escreveu uma espécie de manual que hoje conhecemos como Kama Sutra.
Esse manual traz mais de 500 posições sexuais, praticadas por um homem e
uma mulher.
Consegui, eu, exercitar 4 ou 5 só do que consta desse manual. Papai e
mamãe etc.
Mas o manual escrito pelo indiano, não traz só a indicação do prazer em
posições diversas entre uma pessoa e outra. Tem ensinamento, nisso tudo. Tem
sabedoria, conhecimento, ou tentativa de conhecimento entre pessoas. Filosofia.
Pergunto, neste tempo terrível de pandemia provocada pelo novo
Coronavírus: por que a imprensa e intelectuais e especialistas não falam, não
dão orientação, sobre a questão mais simples do mundo. Um homem e uma mulher se
amando, procriando com prazer. Tão simples.
Por que não se fala de sexo, neste tempo duro de pandemia, em que poucos visitam poucos?
Tabu é tabu e como tabu não é bom, isso precisa ser quebrado.
O tabu precisa ser quebrado, inclusive no tocante sexo. Em abril de 1980, a TV Globo inaugurou o programa Tv Mulher. Nesse programa, a paulistana Marta Suplicy apresentava um quadro em que falava sobre sexo, educação sexual, para todos. É por ai. Outro dia o novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, meteu o pau numa universidade do Rio de Janeiro. Ele fez crer que a universidade era uma espécie de Sadoma e Gomorra. Ai, ai, ai, pelo jeito estamos lascados.
Estudiosos da cultura popular brasileira
são, podemos dizer, uma raça em extinção.
O pernambucano de Bom Jardim Mário
Souto Maior foi uma espécie de Câmara
Cascudo. Levava a sério tudo o que fazia,
principalmente no que se referia às coisas do cotidiano
popular.
Deixou mais de meia centena de livros publicados, entre
os quais Dicionário do palavrão e termos afins. Proibido pela
ditadura militar, esse livro só chegaria às mãos dos leitores no
começo dos anos 1980.
O dicionário do palavrão tem cerca de 3.500 verbetes.
Similares da França e da Alemanha registram mais ou menos
9.000 termos de baixo calão. Mas foi um começo. Quem
sabe um dia teremos um livro mais completo reunindo a
baixaria popular. Souto Maior foi jornalista, poeta, contista, advogado,
promotor público e até prefeito de Orobó (PE). Foi também
pesquisador emérito da Fundação Joaquim Nabuco.
Tive a alegria de
ter um dos meus
livros prefaciados
por Mário. Esse
livro, Dicionário
Catrumano (1966),
eu escrevi em
parceria com o
violeiro cantador
Téo Azevedo. É
um livro que reúne
cerca de 3.000 palavras até então não dicionarizadas.
Dois
anos depois foi a minha vez de prefaciar um livro de Mário:
Orações que o povo reza (Ibraza, 1998).
Mário Souto Maior nasceu em 14 de julho de 1920. Há cem
anos, portanto; e morreu em 25 de novembro de 2001, em
Olinda (PE).
O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) tem quase todos
os livros dele.
Eu já disse e repito: Cornélio Pires foi um brasileiro muito importante.
De família humilde, e numerosa, Cornélio deixou sua terra natal (Tietê, Sp) pra tentar a faculdade de Farmácia em São Paulo, Capital. Foi reprovado e encontrou o caminho profissional pra se fazer presente na vida.
Poeta, contista, humorista, tinha uma visão muito clara do Brasil, mesmo depois que se fosse, o que ocorreu em 1958.
Em 1910, Cornélio trabalhou na campanha do baiano Rui Barbosa (1849-1923) à presidência da República.
Rui teve formando a sua chapa o então governador de São Paulo, Albuquerque Lins (1852-1926). Perdeu para o marechal gaúcho Hermes da Fonseca (1855-1923).
A campanha da presidência da República de 1910 foi braba.
Cornélio Pires exerceu também a profissão de jornalista em Folha de S.Paulo, Cidade de Santos, O Movimento (São Manuel, Sp), O comércio (Sp), e revistas, O Pirralho, O Saci e o Maio, essa última do Rio de Janeiro.
O Maio foi fundado em 1902 e durou até 1954, coincidentemente, o ano da morte do segundo presidente gaúcho, Getúlio Vargas.
Há quem me pergunte por que falo tanto de política neste Blog. Simples, a vida é arte e arte é política.
Curiosidade: Hermes da Fonseca, o terceiro marechal presidente, foi o primeiro ex-presidente a ser preso. Depois dele, mais sete. O último, Temer.
Voltarei ao assunto.
Cornélio Pires deicou como legado dois filmes: Brasil Pitoresco (1923) e Vamos Passear (1934). Fora isso, 23 livros e 52 discos de 78 RPM produzidos de modo independente entre 1929 e 1931.
A obra de Cornélio se acha no Instituto Memória Brasil (IMB).
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