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sexta-feira, 11 de junho de 2021
A CULTURA DO FORRÓ
AMADO BATISTA ABRE A PORTA PRA SEU AMADO
Pois é, já não me surpreende.
Amado Batista é um grande admirador dos militares. Por eles, ainda alimenta saudade dos tempos da ditadura.
Conheci o cantor há muitos anos, quando lançava seus primeiros discos, pela extinta gravadora Continental. Eu o entrevistei, em 1983, para uma das revistas da Editora 3. Leia mais: https://assisangelo.blogspot.com/2013/05/amado-batista-de-bem-com-torturadores.html?m=1
LIVE: ORIGENS DO FORRÓ
Daqui a pouco, às 17 horas, estarei falando sobre as origens do forró com o cantor e compositor Cacá Lopes. Coisa boa. A transmissão ocorrerá pela página do facebook Centro Cultural Santo Amaro, espalhe! Para aquecer, ouça:
quinta-feira, 10 de junho de 2021
TRAGÉDIA NO NORDESTE, EM CORDEL
Sobre esse assunto, já escrevi e publiquei 4 folhetos de cordel. Todos na modalidade Sextilha. Essa modalidade é desenvolvida em estrofe de seis versos de sete sílabas, o segundo rimando com o 4º e o 6º e os demais, livres.
Agora acabo de publicar em folheto a história fictícia intitulada A Morte como Tragédia/E um Cego por Testemunha (ao lado, na minha mão). Dessa vez, resolvi desenvolver a história na modalidade Quadra.
LEIA MAIS: A VIDA COMO TRAGÉDIA...
quarta-feira, 9 de junho de 2021
HÁ 100 ANOS MORRIA ALFHONSUS DE GUIMARÃES
Guimarães, Alphonsus de Guimaraens, muito novo ainda, apaixonou-se perdidamente por uma prima de nome Constança, filha do escritor Bernardo Guimarães (1895 - 1884).
Constança morreu com menos de 20 anos e o namorado entrou de cabeça no poço da tristeza.
JOÃO DO RIO: JORNAL É CHIBATA DO POVO
O Carioca João do Rio, pseudônimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, foi o inventor da reportagem no Brasil. De importância fundamental a sua presença no jornalismo Tupiniquim. Baixinho, gordo, preto, gay e de uma inteligência invejável. Nasceu em 1881 e morreu dois meses antes de completar 40 anos, em 1921. A "entrevista" que segue, mistura realidade com ficção. Tomara que gostem.
Para Oswaldo Mendes, craque do teatro e do jornalismo, último editor do jornal Última Hora
João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto…
Não se perca pelo nome
Meu colega jornalista
Meu colega de bancada
Meu colega de revista
Antes dele não havia
Reportagem de verdade
Entrevista com o povo
Falando de liberdade
Ele foi um bam, bam, bam
Foi um cara especial
Inventor da reportagem
Pra revista e pra jornal
Foi ele quem botou luz
Onde tinha escuridão
A imprensa deve a ele
Muito mais que gratidão
A história de João do Rio é uma história incrível.
É a história de um homem que profissionalizou o jornalismo, que inventou a reportagem. Foi o cara que pôs no jornal a cara do povo, a cara das ruas, da vida fora do aconchego capitalista.
Era um cara destemido. Subia e descia morros à procura de histórias.
Todos pensam que ele morreu aos 39 anos de idade. De colapso num táxi, enquanto se dirigia a um teatro num começo de noite.
Eu conheci esse João em 1975.
Eu o procurava havia muito tempo. E falando com um aqui e outro ali, descobri que vivia num bairro de Salvador. Discretamente, num casarão muito bonito. Daqueles antigões. Bem conservado, com cheiro de passado e de histórias. Nada lhe faltava.
Era tranquilo até no arrastar das pernas.
Cheguei por volta das 10 horas de um sábado primaveril, sem avisar. Bati à porta, e um senhor de poucos cabelos, rosto liso, sem barba, atendeu-me com um sorriso. “Quem é você?”, perguntou baixando delicadamente os óculos banhados a ouro, ou de ouro, não sei. Bonitos.
Identifiquei-me e ele, generosamente, convidou-me a entrar.
“Como você chegou até aqui?”, perguntou, olhando-me fixamente. “Quem me deu seu endereço foi Olegna”.
E antes de eu dar mais detalhes, ele balançou a cabeça dizendo de modo até engraçado: “Ah, o Olegna, amigo do Caymmi. Que linguarudo! Mas enfim, o que traz você até mim?”.
Fui direto: “Uma entrevista para o jornal O Trabuco. Gostaria que o senhor respondesse algumas perguntas sobre a sua trajetória na imprensa”.
Ele fez hmmm... E perguntou: “O que é que você sabe a meu respeito?”.
“A seu respeito, seu João, eu sei o que a história conta. Sei da sua trajetória, da sua presença forte no jornalismo brasileiro. Sei de seus livros. Seus livros me encantam. Seus livros me ensinam. Pra mim, o senhor é um grande professor de jornalismo. Um mestre”.
Ele riu com carinho, acolhendo-me nos pensamentos.
Antes de me levar à sua biblioteca, pediu licença para abrir as janelas. “Está meio abafado”, comentou.
Em seguida elogiou-me pela fala franca, puxou uma cadeira, duas e nos sentamos um à frente do outro.
Depois de um gostoso cafezinho trazido por uma jovem de nome Ana, Aninha, contou enquanto levava a xícara à boca: “Essa menina é filha de uma grande amiga minha, a Cilene. Linda, não é?”.
Num assobio discreto fez que viesse ao nosso encontro uma cachorrinha catita. “Essa belezinha, Lilica”, disse ele, “ganhei de um amigo que chegou há pouco de uma viagem à Inglaterra”.
O amigo em referência era o historiador e crítico literário Nelson Werneck Sodré.
“O Nelson tem dedicado a vida a estudar o nosso País. É dele o livro A História da Imprensa no Brasil. Se não leu, leia”, disse.
Separava-nos uma mesa de madeira de lei. Muito bem esculpida.
O vento malemolente entrava pelas janelas. Lá fora um silêncio gostoso, quebrado apenas pelo pipilar de sabiás, curiós e bem-te-vis.
Um paraíso.
Comecei:
Eu − Antes de mais nada, gostaria de saber se o senhor realmente nasceu no dia 5 de agosto de 1881.
Ele − Sim. Nasci nesse dia, mês e ano, no Rio de Janeiro. Meu pai, Alfredo, era professor de Matemática, de 23 anos, e minha mãe, Florência, de 15 anos incompletos, aluna dele. Tive um irmão, Bernardo, que morreu cedo. Meu pai queria que eu fosse professor. Professor de qualquer coisa e aí enveredei pelos caminhos do Jornalismo. Eu tinha uns 16, 17 anos. O primeiro jornal que me abriu as portas foi Cidade do Rio, do abolicionista José do Patrocínio. Amigo do meu pai. Ele olhou pra mim e foi logo dizendo: “Faça um texto sobre os negros”. Deu-me prazo. Eu tinha dois dias para fazer aquilo. Fui à rua e no mesmo dia entreguei o texto.
Eu − E nesse texto já aparecia o nome João do Rio?
Ele − Não, usei outro pseudônimo. Não lembro qual. Tive vários. Joe, Claude, Caran D’ache. João do Rio nasceu nas páginas da Gazeta de Notícias.
Eu − Quanto tempo o senhor ficou no jornal do Patrocínio?
Ele − Err… Pouco tempo.
Eu – O senhor começou fazendo textos diferentes dos que se faziam na época...
Ele − Sim, claro. Todo mundo ficava na redação escrevendo coisas. Era assim com Machado (de Assis), por exemplo. Eu gostava dele, mas ele era muito fechado. E com Alphonsus de Guimarães e tantos… Eu sempre me senti muito à vontade nas ruas. Ia pra casa só pra dormir. Mas escrevia nas praças, nos cafés, nos trens. Em todo canto.
Eu − E o Lima Barreto?
Ele − Ah, o Lima era complicado, mas muito talentoso… Era da minha cor. E pobre. A gente não se entendia. Quer dizer, ele não me entendia. Ele dizia umas coisas horrorosas a meu respeito. Não sei por quê. Até me fez personagem de um dos seus livros, o primeiro: Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Não liguei. Pra falar a verdade, eu gostava do Lima. Mas ele era complexado, coitado. Chegou a ser internado com doença de doido. Era mais velho do que eu uns três meses. Morreu em 1922. Assis, não é? Pois bem, seu Assis, pela primeira vez vou dizer uma coisa: não participei, mas assisti aos três dias da Semana de Arte Moderna. Ninguém me reconheceu. Achei foi bom.
Eu − Mas como ninguém o reconheceu, se o senhor era um rosto tão conhecido?
Ele − Parabéns, meu filho. Você é atento ao que ouve. Bem, eu estava meio escondido. Entende? Num canto sem luz. Eu e uma amiga minha.
Eu − O que o senhor achou daquela Semana?
Ele − Interessante, muito interessante. Gostei muito da apresentação do Villa-Lobos com aqueles pezões branquelos à mostra, mas gostei mais foi das vaias que ganhou. O Mário, o Oswald, o Menotti, muito bons. Bons mesmo! E, à parte disso, sempre gostei de São Paulo. Bela cidade.
Eu − E o senhor escreveu alguma coisa a respeito?
Ele − Não, não. Estava ali como espectador. Eu já havia abandonado a carreira de jornalista.
Eu − O senhor mudou a forma de fazer jornal, indo às ruas em busca de notícias. Seguindo seus passos, apareceu uma menina chamada Eugênia Brandão…
Ele − Ah… Eu amava a Geninha. Uma mineirinha muito meiga, muito inteligente, sem preconceito nenhum. Estava em todas. E gostava de um choppinho… Foi com ela que acompanhei a Semana de 22. Ela foi a segunda mulher a escrever num jornal. A primeira foi a maranhense Maria Firmina dos Reis. Negra.
Eu − O senhor foi a primeira pessoa a defender o voto feminino, o divórcio e os direitos do trabalhador.
Ele − Sim, meu filho. A Eugênia compartilhava dos meus pensamentos. Mas ela casou-se e foi cuidar dos filhos. Teve oito. E deixou a profissão.
Eu − No seu tempo existiam muitos jornais e revistas. Quem fazia as melhores charges, caricaturas?
Ele − O Ângelo Agostini, K. Lixto, Belmonte, J.Carlos e Nássara eram muito bons nas ilustrações que faziam. A Rian, também. Rian era o pseudônimo de Nair de Teffé, esposa do marechal presidente Hermes da Fonseca. Éramos amigos.
Eu − E os mais novos?
Ele − A charge e tudo mais evoluíram com Ziraldo, Fortuna, Millôr, Claudius, Elifas Andreato, Miécio Caffé, Jaguar, Jô Oliveira, Henfil… Esses caras.
Eu − O senhor já ouviu falar dos irmãos Caruso (Chico e Paulo), de Angeli, Alcyr, Fausto?
Ele − O Fausto é ótimo.
Eu − De quem eram os bons textos?
Ele − Viriato Correia, Carlos Lacerda, Samuel Wainer, Tinhorão, Nelson Rodrigues, Moacir Assunção, Kotscho, Castelinho, Moacir Werneck, José Antonio Severo, José Maria dos Santos, Milton Coelho da Graça... Todo mundo diz que foi o Nelson quem criou a expressão “idiotas da objetividade”. Não, não foi. O autor dessa graça foi Werneck.
Eu − O que quer dizer idiotas da objetividade?
Ele − Era como pejorativamente chamavam o redator ou copydesk, na expressão norte-americana. É um texto jornalístico sem alma, digamos assim. O repórter ia à rua, trazia a notícia e o copydesk fazia o que queria com essa notícia. Padronizava-a. É assim até hoje.
Eu − E a nova geração de repórteres?
Ele − Dia desses o Audálio (Dantas) veio me visitar acompanhado de uns jovens chamados Zé Hamilton, Wilson Baroncelli, Eduardo Ribeiro e Marco Zanfra, os dois últimos ainda na faculdade de Jornalismo. Impressionei-me com a história do Zé Hamilton. Ele foi cobrir a guerra no Vietnã. Corajoso. O primeiro a cobrir guerra no Brasil foi Euclides (da Cunha). O trabalho do Euclides foi muito bom. Tem também umas meninas muito boas surgindo na reportagem, como Cremilda Medina, Lu Fernandes, Dora Kramer, Miriam Leitão.
Eu − Jornais e revistas começaram a publicar fotografias no começo do século, não foi?
Ele − A Revista Ilustrada foi a primeira a fazer isso. Mas fotos jornalísticas, propriamente ditas, começaram a ser publicadas na metade do século. Eu gostava muito da diagramação dos jornais Diário da Noite, Correio da Manhã e Última Hora. Esse jornal inovou, fez uma revolução danada. Foi lançado, eu lembro, em junho de 1951, no Maracanã. Gratuitamente. O Samuel (Wainer) chegou a me chamar pra com ele fundar esse jornal, mas não topei. Por trás do Samuel, tinha o Getulio (Vargas) e eu não gostava do Getulio. De mais a mais, eu queria era sossego.
Eu − Foi Getulio quem viabilizou alguns direitos que o senhor defendia, como o voto feminino, direitos trabalhistas…
Ele − Bom, essa é outra história. Se não fosse ele, seria outro.
Eu − Até onde percebo, Samuel inspirou-se no senhor pra fazer jornalismo. Ele instruiu os repórteres a fazerem reportagens com um toque de “romance” e de “humanismo”, certo?
Ele − Você é muito observador. Parabéns! Em toda boa reportagem há um quê de literatura. O Samuel começou na Diretrizes, uma revista provocadora. De esquerda, como se diz.
Eu − O Getulio chegou ao poder através de um golpe. E dentro desse golpe, ele deu outro. Ditadura, Estado Novo. Em 37.
Ele − Tenho horror a ditaduras.
Eu − O que o senhor sentiu ao saber do suicídio de Getulio?
Ele − Nada, aquela foi a maneira que ele encontrou para se livrar dele mesmo e de seu algoz, o Lacerda. Mas não posso negar que há uma grande carga de dramaticidade na carta de despedida deixada pelo finado: “Deixo a vida para entrar na história...”. Era vaidoso, não era?
Eu − Lacerda e Wainer eram amigos...
Ele − Eram, você disse bem, mas o Lacerda contribuiu na desgraça do Samuel. Foi ele quem provocou a primeira CPI no Senado. Queria provar que Getulio e o Banco do Brasil deram dinheiro ao Samuel pra fundar o Última Hora. Não deu em nada. Foi em 1953. Lacerda chegou até a sugerir que fosse aberto um processo de impeachment contra Getulio. Também não deu em nada.
Eu − Quanta história...
Ele − É a idade, meu filho. Com o tempo a gente acumula muita, muita coisa. Você já ouviu falar em Pagu?
Eu − Já. Pagu foi uma libertária. Foi presa mais de 20 vezes. Os homens de Getulio adoravam prendê-la e espancá-la.
Ele − E viveu no jornalismo. Era um texto muito bom o dela.
Eu − A República começou com Deodoro, Floriano, Prudente de Morais…
Ele − Prudente foi o nosso primeiro presidente civil. Mas ele tinha espírito de militar, de porco, tanto que ordenou a matança de Canudos pelas forças que estavam sob seu comando. Militar no poder é uma praga! Lugar de militar é no quartel, ou no fronte defendendo o país de invasores. O governo do Getulio perseguiu e matou muita gente. O Graciliano (Ramos) sofreu muito na cadeia, como na cadeia sofreram Eugênia, a Olga, mulher do Prestes, e tal. Muita gente também morreu nas garras dos militares que assumiram o poder em 1964. Há poucos dias, os agentes da ditadura mataram Vladimir Herzog. Um horror! Você viu? Muitos foram exilados, sem culpa, como Miguel Arraes e Brizola. Esses governos veem comunistas em todo canto...
Eu − O senhor é de um tempo de muitas mazelas...
Ele − Eu passei por muitas tempestades, muitas pragas. Passei pela peste bubônica, pela febre amarela, pela gripe espanhola. Você sabe que a meningite chegou ao Brasil em 1906? Pois é. E pra ver como são as coisas: a meningite voltou a matar. E os militares proibindo os jornais de noticiarem essa praga. Há pouco, Clóvis Rossi (Estadão) e Eliane Cantanhêde (Veja) escreveram reportagens sobre o tema, mas a censura brecou. Censura não pode existir.
Eu − E a Revolta da Vacina, como é que foi?
Ele − Um problemão. O prefeito do Rio era Pereira Passos, o homem que endoidou e derrubou tudo quanto foi casa de pobre. Queria fazer do Rio uma Paris. A febre estava pegando, até que o prefeito contratou o paulista Oswaldo Cruz pra dar conta da coisa. Deu. Vacina é a solução. A espanhola também foi fogo. Morreu muita gente, mas no fim teve até um Carnaval maluco com muitos comemorando a vida como se fosse o fim do mundo. A polícia bateu, prendeu e matou no correr daquela Revolta.
Eu − A febre foi em 1904, a espanhola em 1918. No meio disso, teve a Revolta da Chibata, que também foi uma praga.
Ele − Um horror! Foi a Marinha batendo e matando marinheiros negros. João Cândido foi um herói.
Eu − E o senhor, foi preso alguma vez?
Ele − Não, não...
Eu − Sofreu algum tipo de censura?
Ele − Também não. Tudo o que escrevi publiquei.
Eu − O senhor tem uma obra muito bonita. Muitas crônicas, muitas reportagens, muitos contos e até um romance. Faltou-lhe fazer alguma coisa?
Ele − Não, fiz o que tinha que fazer. Sei que inovei no Jornalismo. Antes de mim, ninguém fazia reportagem. Ninguém ia às ruas, aos cabarés, às favelas, às cadeias, aos centros de macumba. Eu fui! Entrevistei bandidos, malandros. Frequentei a casa da tia Ciata. Foi lá que nasceu o samba. Amaxixado, mas samba. Em dezembro de 1916. Cantei, dancei. Fui amigo de artistas como Donga, Bahiano, Pixinguinha, Patápio Silva, Eduardo das Neves... Eu vivia o ar das ruas.
Eu − Mas o senhor também frequentava o palácio do Catete...
Ele − No Catete eu falei com presidentes. Na Câmara e no Senado, falei com deputados e senadores. Falei com todo mundo, de mendigos a endinheirados. As ruas me encantavam. Os pés descalços me encantavam. Eu me misturava com eles. Você já leu Victor Hugo?
Eu − Sim. Os Miseráveis é uma obra-prima. A propósito, quais são os seus autores prediletos?
Ele − Além de Hugo, gosto de Shakespeare, Cervantes, Maquiavel, Petrarca, Flaubert. E de Homero, claro. Homero era cego... só dos olhos, você sabe.
Eu − O senhor não citou nenhum brasileiro entre os seus autores prediletos.
Ele − Na prosa, Machado foi o maior de todos. Gosto muito também de Mário de Andrade, Zé Lins do Rego, Érico Verissimo, Guimarães Rosa e Rachel de Queiróz. A Rachel foi uma grande escritora. O Alphonsus de Guimarães, na poesia. O Augusto (dos Anjos), também. Estilos diferentes, fortes.
Eu − E na música?
Ele − Bach, Beethoven, Ravel, Chopin. E Carlos Gomes, claro. Sempre fui um grande apreciador de ópera. Mas também gosto de música popular, como Noel Rosa e Chiquinha Gonzaga.
Eu − E os novos artistas?
Ele − Chico, Caetano, Vandré. Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro são ótimos.
Eu − A nação brasileira é uma nação miscigenada. Dizem que é a maior do mundo. Mas o fato é que há uma grande discriminação contra pobres e negros. Mas tivemos negros de grande importância, como Nilo Peçanha, certo?
Ele − Certo.
Eu − A propósito, tem uma história de que o presidente Nilo Peçanha indicou o senhor para trabalhar na Gazeta de Notícias. É fato?
Ele − É fato. Mas todo mundo me convidava para escrever nos jornais e nas revistas. Mas foi o Lima (Barreto) quem espalhou o boato de que eu estava em má situação e que fui salvo pelo presidente. Pura maldade.
Eu − Mas o senhor também teve muitos amigos. Teve inimigos?
Ele − Não, que me lembre, não. Tive grandes amigos: Coelho Neto, Olavo Bilac, João Ribeiro…
Eu − A propósito, Bilac foi o primeiro motorista do Brasil a enfiar um carro numa árvore.
Ele − Pôxa, você sabe disso?
Eu − Sim. E o carro era de José do Patrocínio. Lembra?
Ele − É verdade. Você é uma pessoa muito interessante.
Eu − Na Gazeta o senhor começou a trabalhar em 1903 e ficou até 1915.
Ele − Sim, sim. Cheguei ao cargo de diretor, substituindo o Irineu (Marinho). Eu e o Irineu formamos sociedade para criar A Noite. Foi esse jornal que serviu de base para O Globo, que foi lançado em julho de 1925. A Noite, em junho de 1911.
Eu − E a Academia Brasileira de Letras?
Ele − Eu me dava bem com o Machado, que era presidente. Na primeira vez em que me candidatei à ABL, perdi. Na segunda, também. Só ganhei na terceira. O Coelho Neto me recebeu muito bem, com um discurso belíssimo.
Eu − Antes de ocupar cadeira na ABL, o senhor andou viajando pela Europa e até virou membro da Academia de Ciências de Lisboa, certo?
Ele − Certo. Andei por Itália, Portugal, Inglaterra. Gostei muito de Portugal.
Eu − E aquela história do Itamaraty, em 1902?
Ele − Lamentável. Pelo fato de eu ser negro e um pouco gordo, o barão do Rio Branco me vetou.
Eu − Preconceito?
Ele − Sim. Preconceito é uma desgraça. Somos pessoas, independentemente de cor, política ou opção sexual. Pena. Mas como você lembrou, fiz uma obra bem legal.
Eu − Acho que é no livro A Alma Encantadora das Ruas que o senhor fala de folhetos de cordel. É isso?
Ele − Sim. Numa viagem que fiz a Recife, conheci grandes poetas de cordel como Silvino (Pirauá), Leandro (Gomes de Barros) e o autor de Pavão Misterioso. Como era o nome dele? Isso! José Camelo de Melo Rezende. Coitado, até hoje ninguém sabe como ele morreu. O corpo nunca foi encontrado. Era paraibano, acho. Conheci também Minona Carneiro e Manezinho Araújo. Esses eram emboladores incríveis. Cantavam depressa, tudo rimado, na ponta da língua.
Eu − O senhor escreveu belos livros. Na sua opinião, quais são os melhores?
Ele − Gosto de todos, mas As Religiões do Rio marcou por ter sido o primeiro. Eu tinha 23 anos quando o lancei.
Eu − Religiões do Rio foi uma série de reportagens publicada originalmente na Gazeta de Notícias...
Ele − Sim, nesse mesmo jornal publiquei uma série de perfis de intelectuais. Virou livro também. Nele estão Osório Duque Estrada, Clóvis Bevilaqua, Guimarães Passos, Mário Pederneiras, Afonso Celso. Tentei entrevistas com Machado de Assis, Graça Aranha, Augusto dos Anjos, Emílio de Menezes, José Veríssimo, Euclides da Cunha... Eles foram adiando, adiando e nada... Mas o livro ficou bom.
Eu − Gosto desse livro. Momento Literário, não é?
Ele − Esse mesmo.
Eu − Euclides da Cunha cobriu a Guerra de Canudos, no interior da Bahia. Muita gente acha que foi ele quem inventou a reportagem. O que o senhor tem a dizer?
Ele − Euclides era um militar do Exército e engenheiro de profissão. Foi a Canudos pra fazer um livro. Aproveitou pra mandar notícias para um jornal de São Paulo, A Província. Bom, eu diria: Euclides foi o primeiro correspondente de guerra no Brasil. O seu trabalho é ótimo. Eu, da minha parte, fui às ruas para entender o povo. Eu pus o povo nas páginas do jornal.
Eu − Euclides foi documentarista, romancista e poeta. O senhor não escreveu poesia, mas escreveu peças para teatro, certo?
Ele − Certo.
Eu − Que peça sua fez mais sucesso?
Ele − A Bela Madame Vargas, que tinha nada a ver com a mulher de Getulio. Fez sucesso talvez pelo fato de a personagem encarnar o society que se vivia à época, no Rio.
Eu − Muita gente já disse que o senhor é a cara do Rio de Janeiro cuspida e escarrada. Por que trocou o Rio por Salvador?
Ele − Apaixonei-me. Uma pessoa maravilhosa me pôs no seu coração.
Eu − Foi a dançarina Isadora Duncan?
Ele − Não, não. Deixa pra lá...
Eu – O senhor nos ensina que o repórter tem que ser persistente, tem que ir a fundo nas questões que considere essenciais na formação da sua matéria. Em função disso, pergunto: o senhor é homossexual?
Ele – Sem problemas. Sou sim.
Eu – E nunca enfrentou preconceito por isso?
Ele – Sim, sim, meu filho. Mas nunca neguei a minha condição de homossexual. Que diferença faz? Sou um ser humano como você. E viva a diversidade!
Eu − Todo mundo diz que o senhor morreu em 1921, num táxi.
Ele − Pois é. Incrível. E como você vê, estou vivo!
Eu − E aquela multidão de 100 mil pessoas acompanhando o féretro de João do Rio? Como explicar?
Ele − Mistéééério, mistééério… Ainda pretendo contar essa história num livro.
Eu − O senhor nunca deu entrevista. Por quê?
Ele − Você é um ótimo repórter. Quantos anos você tem?
Eu − Vinte e três. Na virada do século 19 já havia o que chamamos hoje de furo jornalístico?
Ele – Essa coisa de furo é recente. No meu tempo de repórter ativo usávamos a expressão “notícia nova” ou “a boa”. O editor gritava lá do lugar dele: “Tem a boa hoje?” Pessoalmente, acho isso uma bobagem, mas é importante para incentivar os repórteres a irem às ruas em busca de notícias novas. É lá que elas estão. No mais, nada.
Eu − Como o senhor define o jornalismo?
Ele − O jornalismo é a chibata do povo. Melhor: a imprensa é a voz do povo. A verdade e a liberdade serão sempre a principal pauta do jornalismo. Repórter bom é caçador, é o que caça a verdade. Sem a verdade, prevalece a mentira. E esse é um campo perigoso, propício a ditaduras.
Eu − Que mensagem o senhor daria aos jovens?
Ele − Estudem e leiam, leiam, leiam! É como disse o Lobato: “Um país se faz com homens e livros”. Quem lê mais, sabe mais.
Um ano e meio depois desta entrevista, João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto foi encontrado morto num quarto do casarão onde morava. Parecia tranquilo. Nos lábios, um sorriso maroto. E para minha surpresa, no testamento que fez doou-me a sua biblioteca. Tempos depois, essa mesma biblioteca eu doei ao Instituto Memória Brasil (IMB).
OUÇA:
terça-feira, 8 de junho de 2021
TEM BUNDA MOLE MENTINDO
Popularmente, bunda mole é, pois, um sujeito covarde, desqualificado.
Bolsonaro continua agredindo jornalistas. Agredindo e difamando, com a maior cara de pau.
domingo, 6 de junho de 2021
O FUTEBOL MOVE O MUNDO
Não é de hoje que me perguntam se gosto de futebol e se torço para algum time.
Gosto de futebol e torço, sabe como é, pelo Corinthians.
Mas time, mesmo, é o 13 de Campina Grande,PB.
E nesse rolo todo envolvendo a Copa América, se é certo ou errado o Brasil abri as portas para os jogos, sou contra. Melhor: sou contra todos os jogos de todos os campeonatos em andamento no Brasil.
É uma loucura o que está havendo: a COVID pega e mata, que nem o carcará de João do Vale, e parece que tudo está bem.
É histórico: poderosos de plantão faturam com campeonatos de futebol.
No livro A Presença do Futebol na Musica Popular Brasileira, eu conto um pouco dessa história; história de quem fatura com o futebol. Há poder e muita grana envolvida no esporte da bola.
O futebol move o mundo. Só não sabe disso quem é besta.
ANASTÁCIA E O CHINÊS
Certa noite, ainda cedo, a artista pernambucana Anastácia estava nas proximidades da Paulista. Hora de ir pra casa. Deu sinal e um taxi parou. Ela entrou.
O motorista desse taxi era um chinês, muito simpático.
E o taxo começou a correr. Findou a Paulista, pegou a Domingo de Moraes e foi, foi, foi... De repente, o taxista começou a ri o seu riso chinês.
Curiosa, a passageira perguntou: "por que o Sr. está rindo?" E ele rindo, rindo...
Já ficando nervosa, Anastácia insistiu: "por que o Sr. está rindo?" E ele: "hihihi. É que a glasolina está acabando". O carro de repente parou. "Acabou" e continuou rindo.
E fula da vida, Anastácia quis saber: "E agora?" E ele: "a senhola vai ter que ir a pé".
Quase histérica, Anastácia ainda perguntou:"por que o senhor não perguntou e passou num posto?". E ele: "é que essa era plimeira corrida."
Agora irritadíssima, Anastácia abriu a por do carro e saiu. E chinês:"falta plagar".
"Eu não mandei ele pra puta que pariu porque sou uma senhora muito educada", disse-me Anastácia.
sábado, 5 de junho de 2021
EM CRISE, O POVO CONTINUA SOFRENDO
Eu já não sei, como é que a gente passa
Vejam você, que há mais de um mês
Que lá em casa não faz mais fumaça
O mundo e o Brasil vivem em crise permanente.
O Brasil e os brasileiros, principalmente os mais pobres, comem o pão que o Diabo amassou desde tempos de antanho.
Com o atual presidente, um idiota perdido nas entranhas do poder, a coisa piorou.
Terça 1 foi anunciado o crescimento do PIB no último trimestre: 1,2%.
Enquanto o PIB cresce, o povo sofre.
A inflação já está à beira da morte. Do povo.
Crise é crise, desde tempo de antanho.
Há 80 anos, surgia no Rio de Janeiro um conjunto musical denominado 4 Ases e 1 Coringa. Esse conjunto era formado por jovens estudantes cearenses.
Foi o 4 Ases e 1 Coringa que lançou ao mundo, no dia 22 de maio de 1946, o gênero musical que contagiaria todo o País: baião, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
No começo dos anos de 1950, o grupo lançou a Marcha da Fumaça.
Essa marcha, de Peterpan e Alfonso Teixeira, fala da crise econômica que o Brasil já então vivia. Ouça:
É UMA BRASA, MORA?
ANASTÁCIA CHEIA DE GRAÇA
Já disse e não canso de dizer: a cantora e compositora Anastácia é grande, e de todos os tamanhos. Maior do que todas as estátuas, pois ser monumento.
Anastácia é a mais representativa forrozeira do Brasil.
Anastácia é a mais profícua compositora musical do Brasil.
Até aqui, já compôs mais de 700 músicas.
Como não bastasse, Anastácia canta com o coração. A voz é um detalhe.
Moleca, já disse. Cheia de graça.
Anastácia faz no dia a dia momentos mágicos. Ela brinca, ele ri e, assim fazendo, nos leva a acreditar que ainda temos salvação.
O Papa Francisco, sábio, disse outro dia, claramente brincando, que nós brasileiros não temos salvação. "Brasileiro bebe muita cachaça e ora pouco". Viralizou.
Anastácia contou-nos ontem4 um causo, mais um.
Disse ela que fora contratada pra fazer um show numa cidade do Piauí. Faz tempo.
O contratante era fanhoso e sem graça nenhuma e a mulher do contratante, também.
Depois do show o contratante falou a sua mulher, também fanha, que era hora de ela ir pra casa, pois ele queria levar a cantora contratada ao hotel. Gentileza. À primeira vista.
E o contratante pôs Anastácia no carro e começou a rodar, a rodar, a rodar.
Cabreira, Anastácia disse que aquele não era o caminho que a levaria ao hotel. E aí ele parou o carro e disse: "você é muito bonita e eu quero fazer uns carinhosinhos..."
A essa altura, o abusado cidadão lembrou que Dominguinhos já havia morrido e que, na sua cabeça, ela estaria disponível pra tudo.
Ao sentir o tranco, a artista foi rápida:"depois que Dominguinhos morreu, o que me interessa na vida é mulher".
E desse jeito, com categoria, Anastácia chegou de volta ao hotel onde se hospedara, sem sofrer maiores importunações.
sexta-feira, 4 de junho de 2021
ANASTÁCIA, MOLECA DE 81

quinta-feira, 3 de junho de 2021
O EXÉRCITO FICOU PEQUENO
Houve um tempo em que os jovens defendiam os seus ideais por um futuro melhor, com garra.
O Exército brasileiro hoje 3 caiu no bolso de um miliciano levado as urnas democráticas à presidência.
O Brasil já não tem Exército.
O Brasil já não tem forças, o Brasil está pequeno, perdido.
O general comandante do Exército brasileiro virou miudeza nas unhas assassinas do presidente da República.
Coitado desse General, que leva o nome de um grande cantor da nossa música popular, que morreu prematuramente, Paulo Sérgio.
O presidente, esse que ai está, foi eleito para defender a grandeza do meu país, de todos nós brasileiros. Mas não. Ele defende os seus interesses particulares. É um criminoso. É um homicida. É um genocida.
Meu deus, o que será de nós com um assassino tão perigoso quanto esse. Serial.
E os jovens, hein?
O que será dos jovens num futuro tão já?
É do baiano Rui Barbosa um discurso transformado em livro, cujo título é: Oração aos Moços.
Leiam: https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/0006-01488.html
Este 3 de junho é um dia trágico na vida brasileira, na nossa vida, na minha vida.
Este é o dia em que o nosso Exército perdeu a sua força, a sua grandeza, ao não punir um general de três estrelas por cuspir e rasgar o seu Regulamento Disciplinar.
O Exército virou uma agremiação política.
Acabo de ouvir no rádio que os mortos brasileiros pela Covid já passam de 470 mil.
E o presidente mente, mente, mente e mata.
PAÍS SEM IMPRENSA É PAÍS SEM POVO
Houve um tempo em que se dizia que a Imprensa era “o quarto poder”. Exagero.
Mas é evidente que a Imprensa é muito importante na vida
cotidiana. De qualquer país.
A Imprensa persegue a mentira, pega a mentira e a
desmoraliza para o bem comum. É fato.
Um país sem Imprensa é como um país sem nação.
A Nação forma um país.
Não vou comparar a Imprensa com a Ciência. Mas poderia: a
Ciência procura a verdade e a Imprensa também.
Um país dirigido pela prepotência quem perde é o povo.
Os países democráticos são regidos por uma Constituição.
A Constituição brasileira atualmente vigente data de 1988. É
completa. É cidadã.
Voltemos: a Imprensa não é o quarto poder, mas é uma via
poderosa que contribui para a manutenção da paz e da ordem constantes na
Constituição, de qualquer país.
O Brasil tem grandes jornalistas, desde tempos passados.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar de um repórter chamado
João do Rio?
Leia: https://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/jornalistasecia1310A.pdf
A internet é uma terra de ninguém, mas nessa terá de ninguém
é possível encontrar substanciosos conteúdos.
Meu amigo, minha amiga, você já ouvia falar em Carlos
Sílvio?
Leia: https://www.paiaianaconectados.com.br/
Carlos Sílvio é um baiano de Paiaiá. Mora em São Paulo,
Capital, há duas décadas. O cara faz um trabalho excepcional na Internet. Tiro
o chapéu.
Nos últimos cinco anos Sílvio entrevistou 74 jornalistas
brasileiros. E estrangeiros, como o norte americano Bill Hinchberger.
Entre os jornalistas entrevistados por Carlos Sílvio estão
José Hamilton Ribeiro, Sérgio Martins, Eduardo Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão
(hoje, na ABL), Paulo Caruso e Dal Marcondes.
Dal Marcondes é um jornalista especializado em meio
ambiente.
Recomendo que ouçam o que dizem José Hamilton, Loyola
Brandão e Dal Marcondes clicando nos links:
https://www.youtube.com/watch?v=fwZf5d38T20&t=303s
https://www.youtube.com/watch?v=kYS5RhoNPz0&t=296s
https://www.youtube.com/watch?v=VPhFmJrWBVE&t=429s
https://www.youtube.com/watch?v=1uyAb5lVDNkquarta-feira, 2 de junho de 2021
PULA FORA, MINISTRO!
"Infelizmente, por tudo o que vem acontecendo, essa polarização esdrúxula, essa politização incabível, as melhores cabeças que temos nessas áreas não estavam à disposição para trabalhar nessa secretaria...."
terça-feira, 1 de junho de 2021
PRA CRESCER, BOLSONARO QUER INIMIGO
J&CIA FAZ ESPECIAL SOBRE JOÃO DO RIO
A INSÔNIA É PRAGA EM PANDEMIA
![]() |
Gabriel Garcia Márquez no traço do craque Fausto |
Não é de hoje que o mundo vive uma pandemia dos infernos.
Pandemia são acúmulos de doenças que chegam para matar meio mundo. E meio mundo morre com as pandemias que os infernos nos mandam.
segunda-feira, 31 de maio de 2021
UM CAUSO PRA SE CONTAR
![]() |
Fausto e Dominguinhos |
Ela nasceu em 1940. Contando os dedos…
Domingo 30 escrevi um texto sobre ela. Recebi vários telefonemas elogiando o texto e a brincadeira que fiz dizendo que a aniversariante já carrega consigo pelo menos 150 anos. HOJE É DIA DA BRASILEIRA ANASTÁCIA
Pois é, somando a idade de vida e a de carreira…
Essa mulher tem muito o que contar e nós muito a agradecer, pela alegria que nos dá com suas músicas.
Um dia ela me contou um causo. Disse que fora fazer um show num Estado que agora não me lembro, e um rapaz se aproximou pedindo uma entrevista. Pediu que esperasse, que depois do show faria.
Dito e feito.
O rapaz ligou o gravador e ficou falando com ela durante mais de uma hora.
E finda a conversa, perguntas respondidas, Anastácia perguntou de que jornal era a entrevista. E ele: “Não sou jornalista, sou seu fã”.
Fazer o que, né? Fã é fã.
Há uns 20 anos, talvez mais, o cartunista Fausto marcou encontro com o sambista Paulinho da Viola. O encontro ocorreu depois da passagem de som no palco do Transamérica, na Capital paulista.
O sanfoneiro Dominguinhos estava presente, ensaiando com sambista.
Fausto entregou um livro e uma caricatura que fizera em homenagem a Paulinho. E Paulinho perguntou: “Você conhece Dominguinhos?”.
Paulinho apresentou Dominguinhos a Fausto e, conversa vai conversa vem, Fausto declarou-se fã do sanfoneiro e contou-lhe uma história. Disse que fora apaixonado por uma determinada menina e que essa paixão tinha como trilha musical o forró Eu Só Quero um Xodó, dele e de Anastácia, interpretado pelo baiano Gilberto Gil. Dominguinhos riu com seu jeitão de moço feliz e perguntou: “E a moça? Casou com ela?”.
Fausto riu amarelado, pego de surpresa e disse não. E Dominguinhos: “Que pena!”.
Baixa o pano.
OBRA PRIMA DE GABO COMPLETA 54 ANOS
domingo, 30 de maio de 2021
HOJE É DIA DA BRASILEIRA ANASTÁCIA
sábado, 29 de maio de 2021
SIVUCA É SINÔNIMO DE SANFONA
“Ele gostava de bandoneón, mas gostava também de sanfona”.
A afirmação foi do sanfoneiro Antenógenes Silva (1906-2001), em entrevista que me deu pouco antes de morrer num hospital do Rio de Janeiro. E tinha uma justificativa: no começo de 1931 ou 32, Carlos Gardel o contratou para acompanhá-lo nos palcos argentinos.
Gardel, francês de origem, nasceu em 1890 e morreu em 1937, em Medellín, Colômbia num desastre de avião em que se encontrava também o paulistano do Bixiga, Alfredo Le Pera.
Le Pera, nascido em 1900, foi o mais frequente e importante parceiro de Carlos Gardel.
O bandoneón é um instrumento musical variante da sanfona.
A sanfona nasceu há mais de 2,5 mil anos a.C., na China.
O primeiro nome da sanfona foi cheng. Outros vieram: concertina, acordeón, acordeão de 40, 60, 80, 120 e até mais baixos.
A sanfona de oito baixos ou pé de bode, é muito difícil de “domá-la”, dizem especialistas.
Esse instrumento chegou ao Brasil, provavelmente, pelas mãos dos italianos e alemães que trocaram suas terras pelo Brasil nos finais da primeira parte do século 19.
O Rio Grande do Sul foi o Estado maior fabricante de sanfonas, por lá chamadas de gaita. E foi lá que nasceu o grande gaitista Cavaleiro Moysé, de sobrenome Mondadori (1895-1978).
Não são poucos os grandes sanfoneiros nascidos no Brasil. O primeiro deles foi José Rielli, de batismo Giuseppe (1885-1947).
Giuseppe, que gerou Osvaldo (Riellinho), começou a gravar solos de sanfona em disco a partir de 1912, pela Casa Edison.
E essa história vai ganhando força com o surgimento de outros craques, como o já referido Antenógenes.
Em 1941, o pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989) começa a gravar discos e conquistar fãs Brasil afora. E é a partir desse momento que proliferam academias de sanfonas.
Riellinho foi um mestre nesse campo, como professor.
Até Hebe Camargo foi sua aluna.
Ao se falar de sanfona impossível não citar Sivuca, Mario Zan e Dominguinhos.
Mario Zan foi apelidado de rei da sanfona pelo rei do baião, Luiz Gonzaga.
Dominguinhos foi “eleito” por Gonzaga como o seu principal seguidor.
Sivuca, paraibano de Itabaiana, começou a carreira artística no auditório da Rádio Jornal do Comércio, de Recife.
E logo passou a correr mundo.
Em Portugal, Nos Estados Unidos, no Japão e por todos os países por onde passou, deixou a marca brilhante do seu talento.
O talento de Sivuca foi reconhecido em vida. E agora, agora mesmo, ganhou até um nome só pra si: 26 de maio.
O Dia Nacional do Sanfoneiro faz parte do nosso calendário festivo desde 2021, e não por acaso vem a ser o ano em que ora vivemos.
Grande paraibano
O Sivuca sanfoneiro
Tocador de muitos baixos
No Brasil, no estrangeiro
É nome reconhecido
Por todo bom brasileiro
LEIA MAIS:
CAJU E CASTANHA, 40 ANOS DE EMBOLADA
Assis, entre Caju e Castanha, em 17 de maio |
Os cocos são desenvolvidos no ritmo binário, quase sempre na base do improviso.
Tem coco de roda, coco de praia, coco de embolada…
Não se sabe exatamente onde o coco nasceu. Ou cocos. Mas sabe-se que tem por berço a Paraíba e Pernambuco.
Da Paraíba são os emboladores Cachimbinho e Geraldo Mouzinho.
Até um rei, o coco de embolada já deu: Manezinho Araújo.
Manezinho Araújo (1910-1993) e Minona Carneiro (1902-1936) nasceram em Pernambuco.
Manezinho teve como “professor” o recifense Minona. Viraram amigos.
Manezinho falava de Minona com muito carinho e respeito. “Ele foi meu mestre”, disse-me um dia na sua casa.
São também de Pernambuco Caju e Castanha. A dupla cresceu e firmou-se no panorama musical brasileiro. O primeiro disco da dupla, Embolando na Embolada, foi lançado em 1981. Desde esse tempo, Caju e Castanha moram em São Paulo, capital.
Famosos, já estiveram até na França. A propósito, em 2002, o diretor de cinema Walter Salles produziu o curta A Saga de Castanha e Caju contra o Encouraçado Titanic.
Esse documentário concorreu a prêmio em Cannes, França.
São muitos os sucessos alcançados por Caju e Castanha nos últimos 40 anos. Confira alguns: GRANDES SUCESSOS DE CAJU&CASTANHA
O sucesso dessa dupla deve-se ao talento e simplicidade que os acompanha até hoje.
sexta-feira, 28 de maio de 2021
CADEIA TAMBÉM É LUGAR DE PRESIDENTE
quinta-feira, 27 de maio de 2021
O SAMBA CHORA A MORTE DO SEU SARGENTO
Nelson Cavaquinho no traço do cartunista Fausto, cantando Nelson Sargento |
Essa Revolução, comandada pelo general gaúcho Isidoro Dias Lopes, foi provocada por uma crise econômica e o poder concentrado de políticos paulistas e mineiros.
No decorrer do conflito, que durou 23 dias, morreram cerca de 500 pessoas, maioria civis.
O general Lopes morreu no dia 27 de maio de 1949, quando tinha 83 anos de idade.
Em 1949, Nelson deixava o Exército e caía de cabeça no samba.
Em 1955, Nelson virava nome respeitado ao compor o samba-enredo Primavera (As Quatro Estações), levado à avenida pela Mangueira.
Nelson era mangueirense roxo. Quer dizer, verde e rosa.
Eu o conheci em 1979, quando a Eldorado lançava o LP Sonho de um Sambista.
Lembro do meu encontro com Nelson porque comigo se achava o bamba paulistano Germano Matias. A nossa conversa foi gravada numa fita K7, que se acha até hoje no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.
Desnecessário dizer que o samba perde com a morte de Nelson hoje 27, aos 96 anos de idade.
Sobre ele há um belo documentário. NELSON SARGENTO NO MORRO DA MANGUEIRA
É do disco de 1979 o samba Agoniza Mas Não Morre. Ouça:
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