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sábado, 17 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (75)

Bocage
Infidelidade conjugal é o mesmo que traição. 
Esse tema se acha em tudo quanto é livro importante desde sei lá há quanto tempo! Nas línguas portuguesa, inglesa, francesa, espanhola, holandesa, italiana, alemã…
O sexo é fundamental na vida, seja qual for a vida. Animal, no sentido selvagem ou humano como tal entendemos.
É claro que sobre esse assunto muito já foi dito e muito ainda se dirá.
Na força, ganha o macho. 
A mulher perde não pela sua fraqueza física, mas de certo modo pela submissão. Desde sempre. Bíblia. 
Desde a Antiguidade, o mundo é regido pelo patriarcalismo machista, cuja visão transforma a mulher em mero objeto.
No decorrer do tempo as mulheres têm encontrado força para romper o elo patriarcal e, em liberdade, seguir a  própria vida.
Bela luta, não é mesmo?
Os poderosos, em todos os sentidos, usam e abusam do feminino. Eles podem tudo, a mulher não. 
As Mil e Uma Noites, um clássico árabe, começa quando o sultão Shahryar flagra a mulher aos beijos e abraços com um escravo, na cama. Irado, saca da espada e mata a infiel e seu amante. Depois disso, jura e cumpre a promessa de matar todas as mulheres depois da primeira transa. 
Corno contrariado é um perigo.
Tem o corno brabo e o corno manso, nessa história de pulada de cerca. A propósito, há até “oração” sobre o tema e um belíssimo soneto do Bocage intitulado Soneto do Corno Choroso. Este:

Se o grão serralho do Sophi potente,
Ou do Sultão feroz, que rege a Trácia,
Mil Vênus de Geórgia, oh! da Circássia
Nuas prestasse ao meu desejo ardente:

Se negros brutos, que parecem gente,
Ministros fossem de lasciva audácia,
Inda assim do ciúme a pertinácia
No peito me nutria ardor pungente:

Erraste em produzir-me, oh! Natureza,
Num país onde todos fodem tudo,
Onde leis não conhece a porra tesa!

Cioso afeto, afeto carrancudo!
Zelar moças na Europa é árdua empresa,
Entre nós ser amante é ser cornudo

Na real, no mundo real, são inúmeros e multiplicam-se os casos de infidelidade conjugal. 
Em 1976, o empresário Doca Street matou a sua companheira Ângela por sentir-se por ela traído.
Do tempo antigo há um caso marcante: o rei de Esparta Menelau encheu o mar de sangue depois de traído por Helena de Tróia, considerada a mais bonita daquele tempo, raptada pelo ousado Páris.
Antes disso, muito antes, a mesma Helena tinha 12 anos de idade quando foi arrancada de sua casa pelo venerado guerreiro ateniense Teseu, filho do rei Egeu. Mas isso não deu certo. 
Os irmãos de Helena a salvaram de um possível estupro.
O caso Menelau rendeu muitas histórias. E músicas. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

FUGA NO RN CHAMA ATENÇÃO DO MUNDO

Resistência ao bando de Lampião


O dia 13 de junho de 1927 caiu numa segunda-feira. 
Naquele distante 13, dia de Santo Antonio, Lampião e o seu bando invadiram a cidade de Mossoró, RN, mas foram surpreendentemente rechaçados pelos seus habitantes considerados pacatos até então. 
Marca das balas do tiroteio ocorrido no dia 13 de junho de 1927 ainda se acham nas paredes de um prédio da Prefeitura. Eu vi, sou testemunha. Até palestra fiz lá, a convite de um agitador cultural de nome Kydelmir Dantas.
Os relógios marcavam pontualmente 13 horas quando a cidade foi invadida e os invasores postos pra correr.
A mesma Mossoró está sendo palco hoje de uma grande movimentação policial, reforçada por forças da Paraíba e Ceará. São pelo menos 300 homens armados até os dentes. Drones e três helicópteros foram incluídos na operação que visa recapturar dois fugitivos de uma das cinco cadeias federais tidas como de total segurança. 
Os fugitivos são figurinhas carimbadas do PCC ou de sei lá de que organização criminosa!
A fuga ocorreu na madrugada de terça 13 de Carnaval desde ano de 24.
Essa fuga, que já está sendo noticiada pela imprensa estrangeira, me lembra aquela que resultou na morte de um cabra em Goiás após longa e tensa caçada policial. 
Essa fuga também me lembra aquela em que um brasileiro, nos EUA, findou recapturado por forças federais. 
 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

CARNAVAL: NEGROS NA AVENIDA

O Carnaval de 2024 terminou e não terminou. Explico: em alguns lugares do nosso imenso território nacional, o Carnaval já era. Noutros como na da Bahia, Rio e Pernambuco, ainda há samba e frevo no gogó e nos pés.
Em Sampa, e não em todo o Estado, o Carnaval ainda rola através dos bloquinhos.
No Rio, a escola Viradouro venceu pela 3ª vez. O tema abordado no enredo enalteceu a mulher negra.
Em Sampa, a escola campeã foi a Mocidade Alegre. É campeã pela 12ª vez. O tema escolhido foi Mário de Andrade.
O detalhe é que a temática negritude todo ano se faz presente nas avenidas das principais capitais brasileiras.
A tradicional Portela do Rio ficou em segundo lugar com um enredo contando a história de uma mulher que liderou uma revolta de negros africanos na Bahia. Os revoltosos eram malês e a mulher à frente deles tinha por nome Luiza Main.
Meu amigo, minha amiga, você sabe de quem foi mãe dona Main?
Dona Luiza Main foi a mãe do grande poeta negro Luiz Gama.
O enredo da Portela foi baseado no livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. Recomendo-o.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

CARNAVAL DE COLOMBINA


O Carnaval no Brasil chegou há muito tempo. Isso todo mundo sabe e se não sabe, vai ficar sabendo aqui.
O primeiro instrumento musical utilizado no período carnavalesco foi um bombo, que um cara de origem portuguesa tocava nas ruas do Império. Era um tal de Zé Pereira, que dava nome a uma musiquinha cheia de graça, ou pretensiosamente cheia de graça.
Depois do bombo outros instrumentos entraram na folia, incluindo o pandeiro.
O pandeiro é de um tempo muito antigo. Do Neolítico, quando o homem começa a tomar gosto pelas coisas e também a criá-las. A ver com festas, ritos e tal. Há uns 10 mil anos a.C.
Fora os instrumentos musicais usados no Carnaval, tem a roupa utilizada pelos foliões. Fantasias primorosas e máscaras idem.
As máscaras e as figurinhas trajadas e identificadas como Colombina, Arlequim e Pierrô surgiram no século 16, nas ruas estreitas de Veneza.
Os três personagens aqui citados formam até hoje um triângulo amoroso.
Colombina se enrola nos braços de Arlequim, mas ao descobrir o amor platônico de Pierrô, Colombina dá um basta em Arlequim e fica com Pierrô.
Nessa história não podemos esquecer que a bela Colombina tem o coração fácil. Melhor para o Arlequim...
Essa história triangular é belamente contada na marchinha Máscara Negra, de Zé Kéti e Pereira Matos.
Mas foi no Brasil que o Carnaval pegou. É o melhor do mundo. E em algumas regiões do Brasil vai muito além dos três dias historicamente reservados.
Muitos artistas da nossa música popular se destacaram pelas composições que criaram, desde Chiquinha Gonzaga a Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Nelson Sargento.
O craque do traço Fausto exibe seu talento aqui nesta página.
Ouça:



terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

MAIS UMA FOLIA DE FEVEREIRO


Pois é, mais um Carnaval está chegando ao fim.
Fazia tempo que o povo não ia pra rua pra cantar e pular, como neste Carnaval de 2024.
Milhares de blocos foram às ruas do Brasil puxando homem, mulher e menino.
Muitos artistas de nome e renome foram homenageados, estão ainda sendo homenageados: Martinho da Vila, Dominguinhos, Alcione, Chico Buarque, Antonio Nóbrega...
Em João Pessoa tem um bloco chamado As Raparigas de Chico, é coisa boa.
No Rio de Janeiro e em Recife, deu na cabeça o Nóbrega. 
Gostei de ouvir.

FOLIA NO CARNVAL NA CASA DE CAROL E DANIEL


Foi muito legal o Carnaval com forró na casa da produtora musical Carolina Albuquerque e do cantor e compositor Daniel Gonzaga. Tinham vários sanfoneiros lá, vários cantores e cantoras, tocando e foliando. Até Anastácia estava lá cantando e tocando triângulo. E toca bem, a danada! Vejam as fotos aí e o link com a fala de Expedito Duarte, o Mano Novo, dizendo porque não foi à casa da Carol. É isso aí!


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

AINDA SEBASTIÃO MARINHO


Em julho de 2022, o ex-ministro Aldo Rebelo apanhou-me em casa pra um dedo de prosa e folia numa churrascaria paulistana. Acho que na zona Norte. E lá estávamos ao lado do poeta Moreira de Acopiara, do apresentador de TV Atílio Bari e do saudoso repentista paraibano Sebastião Marinho, que desde ontem 11 se acha nos braços de Deus.
Na ocasião, declamei algumas coisinhas e ouvi demoradamente Sebastião bater viola e cantar com aquela voz bonita e que tanto gostávamos. 
Ainda durante aquele encontro, tivemos a alegria de ouvir Rebelo se esforçar ao máximo para cantar no mesmo tom de cantador repentista. Não se saiu mal, até porque sua origem nordestina de Alagoas o ajudou nisso.
Bom, e folia por folia, hoje é uma segunda de primeira de Carnaval.
O corpo de Marinho está sepulto desde hoje 12 no cemitério de Vila Alpina, SP.
Pra lembrar esse encontro na churrascaria... Ouça:

FOLIA NA CASA DA CAROL

Ontem 11 o amigo Luiz Wilson apanhou-me em casa e levou-me até a região do Jabaquara, convidados que fomos pela produtora musical Carol.
Carol, diminutivo de Carolina, é a pessoa responsável pela carreira da compositora e cantora pernambucana Anastácia, chamada por todo mundo de Rainha do Forró.
Na casa de Carol, se achava um belo time de craques da música do Nordeste. Além de Luiz Wilson, Dantas do Forró e Cícero do Acordeon. Muita gente boa e o Daniel, filho de Gonzaguinha e neto de Gonzagão, esteve como sempre supimpa! Aliás foi quem preparou o almoço servido na ocasião. O cara é mestre cuca.
Sebastião Marinho foi nome muito lembrado no encontro.
É isso aí.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (74)

Cleópatra e César,
por Jean Leon Gerome (1866)
Bom, o incesto é um tema recorrente nas páginas do Velho Testamento.
A história é longa e cheia de surpresas e contradições. 
Depois de desposar os irmãos, Cleópatra abriu as asas e atirou-se no colo do ditador romano Júlio César, que seria assassinado pelo filho Brutus e senadores comparsas.
Com César, Cleópatra teve um filho.
Depois de transar com César em busca do poder pelo poder, Cleópatra foi pra cima do general Marco Antônio, com quem teve três filhos.
Marco Antônio e Cleópatra perderam feio uma batalha para Otaviano, filho adotivo de César. 
O resultado disso é que Marco Antônio suicidou-se e Cleópatra também. 
A respeito desse assunto, de adultério, o satírico Bocage escreveu:

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putissimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas teem reinado:

Dido fui puta, e puta d′um soldado:
Cleopatra por puta alcança a c′ròa;
Tu, Lucrecia, com toda a tua pròa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Russia imperatriz famosa,
Que inda ha pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.
Bocage

A última rainha do Egito, Cleópatra, entrou para a história como depravada, cínica, fatal e "uma vergonha para o Egito", nas palavras do poeta Lucano.
Marco Aneu Lucano tinha lá uns 20 anos de idade quando chamou a atenção de Nero pelas poesias bravas que fazia.
Lucano virou, por pouco tempo, um protegido do incendiário Nero.
Nero findou por mandar matá-lo.
Plutarco classificou Antônio e Cleópatra como um casal vulgar, libertino e tal.
Horácio e Cícero não a viam com bons olhos. 
Cícero foi um dos maiores oradores do Império Romano. Escrevia com as mãos de Deus.
Foi Propércio que, sem rodeios, a chamou de "rainha prostituta".

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 10 de fevereiro de 2024

ADEUS SEBASTIÃO MARINHO!

Se existir Céu depois da nossa morte e se para lá formos pelo "bom comportamento" na Terra, é nesse lugar que o poeta repentista paraibano Sebastião Marinho está, a contragosto do Demo, se existir.
Para os católicos, o Céu é um lugar onde moram anjos, arcanjos e doidos em geral, como Deus. E é para lá, o Céu, que vão, depois da morte, os puros de alma e os corretos terrenos: nós.
Sebastião, Bastião para os íntimos, subiu para o andar de cima hoje 10 por volta das duas da madruga. O passamento ocorreu num leito de hospital do bairro paulistano de Vila Alpina. A causa mortis: falência múltipla dos órgãos.
Doeu, meu coração bate com tristeza. 
Natural de Solanea, Sebastião chegou em São Paulo no começo dos 70. Foi ficando, foi ficando, fundou União dos Cantadores Repentistas e Apologistas do Nordeste, UCRAN.
Foi um dos caras mais importantes da poesia popular feita ao som de viola. Deixou poucos discos gravados, mas uma legião enorme de seguidores e admiradores.
A última vez que falei com Sebastião, por telefone, faz umas duas semanas. A voz já estava cansada, falava pouco.
Cheguei a escrever, acho que em fins do ano passado, um poema sobre ele. Ele gostou e disse que não merecia tal texto poético. Rimos. Gravei esse poema e brincando ele perguntou se também podia gravar um poema que fiz pra Rolando Boldrin intitulado Sr. Boldrin
Tudo de bom desejamos, sempre, a Sebastião Marinho. Que Deus o tenha bem e que goste da beleza poética musical do Marinho, lá, ali, ao Seu lado: no Céu. E que nos esperem.
Ia-me esquecendo: a última vez que tive a alegria de abraçar Sebastião foi no dia 27 de setembro de 2022. Foi aqui em casa, quando eu completava 70 anos de idade. Presentes maestro Júlio Medaglia, o ex-ministro senador Aldo Rebelo, Flor Maria, Ana Maria, Anastácia, Moreira de Acopiara e tal.
É isso aí.


LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (73)

Cora Pearl
O estupro, além de provocar transtornos emocionais, quase sempre também leva a vítima à prostituição. Isso se acha em narrativas reais e fictícias.

Na década de 60 do século 19, na França, uma personagem inglesa do mundo real chamada Emma Elizabeth Crouch (1835-1886), para um público especial Cora Pearl, fez estrondoso sucesso se prostituindo. Antes de “cair na vida”, Elizabeth foi internada num convento de freiras na França e ao sair de lá foi estuprada por um desconhecido com mais do dobro de sua idade. À época, ela tinha 15 anos. 

Perdida, assustada, Elizabeth alugou um espaço em Paris e passou, então, a entregar-se aos homens para sobreviver.

Elizabeth Crouch morreu fora do território parisiense, em Monte Carlo, no ano do lançamento do livro no qual conta a sua história: Mémoires d’une Courtisane.

História parecida, só que na ficção, teve Madame Bovary.

Essa personagem de Gustave Flaubert (1821-1880), era interiorana e apaixonada por leituras românticas. Casou-se com um médico, foi infeliz, e suicidou-se depois de cair nos braços de um amante. 

Algo parecido, muito parecido aconteceu com Anna Karenina.

Anna Karenina, uma criação do russo Tolstói (1828-1910), matou-se atirando-se na frente de um trem.

Não é incomum  nos dias de hoje uma mulher usar o próprio corpo para galgar posições importantes na sociedade. 

Cristo ainda não havia nascido quando nasceu em Alexandria, então capital do Egito, aquela que seria a mais fulgurante e poderosa mulher do seu tempo: Cleópatra. 

Cleópatra integrava a dinastia ptolomaica. Seu pai Ptolomeu XII era grego.

Os homens da família de Cleópatra eram chamados de  Ptolomeu I, II, III, IV...

Sempre visando o poder, Cleópatra chegou a casar-se com dois de seus irmãos, Ptolomeu XIII e Ptolomeu XIV.

Incesto, não?

Incesto era uma prática comum e não punível na Antiguidade.

Jorge Amado

Na literatura antiga há muitos registros sobre o assunto. 

Sófocles, considerado pai do teatro grego, escreveu e levou à cena Édipo Rei. Nessa peça que Aristóteles classificou de "verdadeira tragédia", o personagem Édipo casa-se com a própria mãe, Jocasta, sem saber e com ela gera filhos. Quatro: Antígona, Ismênia, Etéocles e Polinice. 

Ao descobrir, surpresa, o incesto consumado, a mãe de Édipo se mata e ele desesperado fura os próprios olhos e sai zanzando perdido na escuridão. 

No mundo encantado dos orixás a chamada rainha das águas Iemanjá casa-se com um irmão e com ele tem um filho que finda por engravidá-la.

É tudo muito louco, não é?

Iemanjá,  no seu berço africano, era negra. No Brasil, é branca.

A obra de Jorge Amado (1912-2001) é toda recheada de personagens ligadas ao mundo dos orixás. Tereza Batista, por exemplo, é filha de Iansã.

Essa Tereza é protegida de todos os orixás, a partir do justiceiro Xangô.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

PATATIVA É ENREDO DA X9

Pois é, em 2013 convite pra desfilar na avenida. Foi pela X9 Paulistana. O enredo falar de Portugal, Camões, etc.
A X9 está disputando vaga no Grupo Especial. O desfile ocorreu no último dia 4 e no próximo domingo 11 deverá sair o resultado da banca julgadora.
O tema este ano abordado pela escola da Zona Norte foi Nordestino Sim, Nordestinado Jamais!.
A figura de destaque no enredo foi o poeta cearense Patativa do Assaré. 
Rolou muita coisa boa e bonita nesse último desfile da X9. Torço para que volte a ocupar lugar do Grupo Especial.
Patativa representa a poesia popular autêntica do Brasil, especialmente do Nordeste. Escreveu vários livros, o primeiro foi publicado em 1956.
Ouça o enredo da X9 de 2024:


LEIA MAIS: HÁ 18 ANOS DESAPARECIA PATATIVA • PATATIVA, A VOZ DO POVO • BLOCOS DE CARNAVAL, A ALEGRIA DO POVO

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

A BALZAQUIANA É MULHER DE 30

Que relação pode ter entre a sudanesa Josefina e a francesa Josefina?
E Napoleão Bonaparte?
Honoré de Balzac (1799-1850) foi um autor que viveu à frente do seu tempo. Ele aprendeu a vida vivendo entre lençóis com mulheres de idades diversas. Aprendeu muito. Inclusive nos bordéis.
Pode-se dizer que Balzac foi aluno e professor de sexo.
No livro A Mulher de 30 Anos ele mostra os sérios e graves problemas que as mulheres do seu tempo viviam. Casavam com 15, 16 anos. Se passasse disso podia ficar no caritó. E aí, lá vem ele mostrando que a mulher de 30 anos pensa e age muito melhor do que uma menina com a metade da sua idade. Isso no passado. E no presente, também.
Dizia o autor francês que uma jovem de 15 anos o que tinha que fazer para o marido era entregar-se e gemer. A mais velha, de 30, sempre teve muito mais o que dizer e fazer, além de gemer. Compreendia e compreende ou pode compreender seu parceiro.
Mas o casamento, como se sabe, é uma incógnita.
No passado, no tempo de Balzac e antes dele, a mulher casava-se por obrigação e por obrigação tinha que fazer tudo o que o marido falasse. Sobre ela ele tinha o poder de mantê-la viva ou fazê-la morta. A Bíblia mostra isso.
A principal personagem feminina do romance A Mulher de 30 Anos, Julie, se apaixona por um primo coronel do exército napoleônico de nome Victor d'Aiglemont.
Ignorando a fala do pai, finda por casar-se com seu amado. Dá-se mal logo depois. Sua vida vira um inferno e ela passa a acolher-se noutros braços. Vários. Tem filhos e tal.
A vida da personagem não é fácil, mas inspirou uma frase conhecida até hoje: balzaquiana, que virou até marchinha carnavalesca no Brasil.
E Josefina, hein?
Josefina Bakhita (1869-1947) foi uma pessoa sequestrada já aos 9 anos de idade. Penou, penou, comendo o pão que o diabo amassou. Passou de mão em mão até cair em boas mãos na Itália.
A Josefina de Beauharnais (1763-1814) foi uma mulher que pintou e bordou na cama com inúmeros amantes até cair na graça do famoso militar Napoleão Bonaparte.
Napoleão teve seis filhos, mas nenhum com Josefina. Mesmo casada no civil e na igreja, Josefina pulava de cama em cama que nem um ioiô na mão de brincantes.
A outra Josefina, a sudanesa, virou santa padroeira dos escravos e dos sequestrados depois de a ela ser atribuído um milagre com uma brasileira enferma. Isso em 1992.
A história de Napoleão Bonaparte é uma história longa e cheia de bizarrices.
Quando ele morreu em 1821, na Ilha de Santa Helena, médicos optaram por extrair do corpo o pênis.
Essa parte do corpo foi guardada numa caixinha e nessa caixinha ainda provavelmente permanece. Nos EUA.
Pois, pois.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

O CARNAVAL DE 24 ESTÁ CHEGANDO...

Assis e Tinhorão
O Carnaval no Brasil começou ali pelo século 16. Foi trazido pelos colonizadores portugueses.
A primeira manifestação carnavalesca no nosso País foi o Entrudo, que tinha por base emporcalhar os "foliões".
Mas o Carnaval data de tempos imemoriais. Vem da Roma antiga, da velha Grécia, por aí.
Era pagã a festa denominada Carnaval.
Confete, serpentina, essas coisas vieram da França.
A figura do personagem mascarado tem origem no Carnaval italiano. De Veneza, notadamente.
A música pra Carnaval principiou do batuque africano e ganhou forma com a compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga pondo letra na primeira marchinha: Ó Abre Alas.
Antes do surgimento das escolas de samba, surgiram cordões e tal.
A primeira escola de samba foi criada no Rio de Janeiro, em 1928, e chamou-se Deixa Falar.
Os sambas de enredo ganham forma no começo da segunda parte dos anos de 1950.
O jornalista Sérgio Cabral escreveu sobre esse assunto. E Tinhorão, também.
O jornalista e historiador paulista José Ramos Tinhorão (1928-2021) praticamente esgotou o assunto Carnaval nas suas minuciosas e ricas pesquisas. Aliás, se ainda estivesse entre nós, estaria fazendo aniversário. Ele nasceu num dia como hoje: 7 de fevereiro.
Ouça a marchinha Ó Abre Alas com Dircinha e Linda Baptista:



terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

EÇA DE QUEIROZ É SUPIMPA!

A literatura é rica no Brasil e no mundo todo. Os gêneros são os mais diversos: romantismo, realismo, naturalismo...
Pessoalmente eu não tenho nada contra nada que diga respeito às artes.
No campo da literatura, e nos demais campos de criação, gosto do autor que se faz marcante através da sua obra.
Sou apaixonado pelos portugueses Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, muitos.
Já que não posso mais ler as obras de quem gosto, ouço.
Acabo de ouvir o triste e belo romance Os Maias, originalmente publicado em capítulos na imprensa portuguesa, essa obra ganhou formato de livro e como tal foi à praça em 1888. 
A história criada por Eça tem como principais personagens Carlos e Maria.
É uma história trágica.
Começa com um velho senhor pai de um certo Pedro que se casa e é traído pela mulher. Decepcionado, desiludido, completamente chapado toma a iniciativa de tirar a própria vida. Faz isso, mas deixa dois filhos: Maria e Carlos. 
Ao deixar o marido, a infiel some com a filha e passa a viver com o amante em Paris. Logo dá-se mal, enquanto a filha vai crescendo e tomando corpo de mulher. A mãe dá um jeito pra que a menina se case, mas o candidato vai à guerra e lá morre. A mãe cai em desgraça, adoece e tal. A filha, que ganhara barriga sem se casar, troca Paris por Lisboa.
A história vai num crescendo. 
Um dia Carlos forma-se em medicina e transforma-se num profissional muito requisitado. É quando conhece Maria, Maria Eduarda. Paixão demolidora à primeira vista. E correspondida. 
A filhinha de Maria, Rosa, é louca por Carlos. Carlos Eduardo. 
Coincidência?
Enquanto o rolo rola entre os dois, a história alcança os píncaros com a descoberta que fez os amantes tremerem na base.
O avó de Carlos, Afonso, já suspeitava do que sucederá com Maria e sua mãe. 
E aí, o que mais posso dizer?
Ah! sim: Os Maias se desenvolvem num tijolo de 750 páginas.
Já ouvi o Primo Basílio e agora estou às voltas com O Crime do Padre Amaro, também de Eça de Queiroz. 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

VIVA OSWALDO MENDES!


Todos os dias e noites são iguais, à exceção das surpresas. 
Todo dia é um dia diferente, mas nem sempre a gente identifica isso. 
Abraçar alguém, principalmente alguém que a gente conhece, faz bem.
Toda vez que alguém querido bate-me à porta, meu coração dispara. 
O lugarzinho onde moro fica todo cheio de alegria quando gente bonita como Oswaldo Mendes, Fausto Bergocce e Carlos Silvio aqui chegam.
Oswaldo Mendes é um marco do jornalismo e do teatro brasileiros.
Esse cara é um gigante. Além de jornalista é ator, autor, diretor e compositor musical. E, vocalmente, não é desafinado. 
Oswaldo dirigiu grandezas brasileiras como a cantora Elis Regina, Dionísio Azevedo e o cartunista Henfil.
Ele guarda pérolas da Elis.
Perólas da Elis para Oswaldo trazem dela além da assinatura, a alma. 
Oswaldo com Elis fou uma relação incrível. Os fois se entendiam como Deus e Jesus Cristo. 
Eu conheci Elis na redação da Folha, mas essa é outra história. 
Exagero seria dizer que Oswaldo Mendes é um gênio?
Oswaldo Mendes é do caralho!
O Fausto nós sabemos que é da linha do caralho. Ora!
E o Carlos Sílvio, hein!
Do jeito que vai, esse Sílvio um dia também será do caralho.
Recomendo a quem quiser saber sobre a história do caralho que leia Pietro Aretino (1492-1556).
Pois bem, dito tudo isso digo mais: em setembro de 1978 Oswaldo Mendes e Henfil/Henfil e Oswaldo Mendes escreveram a beleza que é até hoje Revista do Henfil. Estreou no Galpão, em Sampa. Do elenco participaram Paulo Cesar Pereio, Rafael de Carvalho, Ruth Escobar, Sergio Ropperto e Sonia Mamed. Rendeu um LP.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (72)

No 3° volume da série Millennium, A Rainha do Castelo de Ar, escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004), o tráfico de mulheres para a prática sexual forçada é abordado de modo o mais oportuno e terrível possível. As principais personagens da trama são Lisbeth Salander, Mikael Blomkvist e Erika Berger, que prendem com facilidade a atenção do leitor. 
Atualíssimo, como se vê.
Quem começa a ler a série Millennium dificilmente pára até para comer, tão convincente e agradável é a leitura.
Nessa leitura, o leitor vai se deparar com misóginos decididos a tudo, até a matar. Em série.
Nessa série Millennium o leitor vai encontrar comportamentos horrorosos da parte de muitos personagens, que permeiam a trama,  que aqui e acolá pouco diferem da vida real: advogado torturador e tal e tal.
Lisbeth, uma personagem que surge de modo secundário transforma-se em heroína.
Larsson morreu sem desfrutar do sucesso da obra que criou.
O alter ego do autor é muito bem representado pelo herói, bonitão e mulherengo, Mikael.
Mikael é um repórter investigativo, vejam vocês!
Realismo puro, que convence e empolga o leitor. 
Na Suécia, desde 1999, é crime alguém pagar pra fazer sexo. 
Não é incomum infidelidade feminina levar à prostituição, isso todo mundo sabe. 
Há situações registradas pela imprensa e abordadas no teatro, cinema e livro em que a infiel, quando não espancada, é posta para fora de casa.
Desamparadas, muitas mulheres optam por trilhar esse caminho.
No livro Lucíola, de 1862, o autor José de Alencar (1829-1877) conta o caso de Lucíola, Lúcia ou Maria da Glória que cai na prostituição em busca de dinheiro para cuidar da família infectada pela febre amarela que matara a mãe e os irmãos. Sobraram o pai e uma irmã, Ana. A personagem-título tinha 14 anos de idade quando o pai  descobre que ela estava se prostituindo. Sem considerar as razões, ele a expulsa de casa. O resultado disso é que a menina segue sua vida num bordel.
Lúcia/Lucíola deu-se bem no “mal caminho”.
Pois é, essa é uma história muito antiga e recorrente.

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 3 de fevereiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (71)

Polacas
A França vivia o auge da prostituição no século 18. 
No século 19, o Brasil já recebia do Leste Europeu mulheres que caíam no campo movediço da prostituição. Enganadas.
Vinham essas mulheres da Rússia e também da Galícia e Polônia. 
Grosso modo, elas eram de origem humilde e até analfabetas. 
Convencidas pela lábia macia de proxenetas judeus, essas mulheres na maioria judias eram encaminhadas para a prostituição em bordéis do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. 
A Argentina era também um dos destino delas.
Entraram para a história da vida brasileira como "polacas".
O articulista Luis Krausz identificou muita coisa importante nesse mundo ainda nebuloso, principalmente no que diz respeito ao judeu no Brasil.
Na edição de 1º de setembro de 1996, o Jornal Folha de S.Paulo trouxe texto assinado por Krausz. Já nas primeiras linhas desse texto intitulado Memórias Deterioradas, lê-se:
“... As primeiras 67 prostitutas judias de nacionalidade polonesa desembarcaram no Rio em 1867. Logo foram apelidadas de polacas. A estas seguiram-se centenas, que, no decorrer das cinco ou seis décadas subsequentes, estabeleceram-se no Rio, em Santos e em São Paulo…”
Eram no Rio divididas em três categorias: a primeira se achava na região da Lapa. A segunda, na região de Botafogo e a terceira mais simples, comum e barata tinha o Centro Carioca como área de atuação. 
As polacas da Lapa eram confundidas conscientemente por alguns fregueses como parisienses.
Manter relações sexuais com uma parisiense era o que de melhor podia-se fazer. Top, como se dizia. O cachê alcançava os píncaros. 
Os judeus aliciadores de polacas integravam uma organização criminosa chamada Zwi Migdal. Ainda no seu artigo, Krausz destaca:
“A comunidade judaica local era ainda muito pequena e pouco organizada para poder tomar medidas efetivas contra a Zwi Migdal. Em 1913 a Jewish Association for the Protection of Girls and Women (Associação Judaica para Proteção de Meninas e Mulheres), baseada em Londres, enviou seu secretário-geral, Samuel Cohen, a Buenos Aires para avaliar a situação do tráfico de brancas na América do Sul. Os resultados desta visita foram limitados.
Em 1936 o escritor judeu austríaco Stefan Zweig visitou a zona do mangue, no Rio de Janeiro, onde se concentrava a prostituição. Em seus diários encontra-se a seguinte anotação: ‘Mulheres judias da Europa Oriental prometem as mais excitantes perversões... que destino levou estas mulheres a terminarem aqui, vendendo-se pelo equivalente a três francos?’ “.
Stefan Zweig suicidou-se em Petrópolis, no dia 18 de fevereiro de 1942. É dele o livro Brasil: O País do Futuro.
Por que Zweig suicidou-se?
Curiosidade: foi no Mangue que o sanfoneiro Luiz Gonzaga iniciou a sua carreira de sucesso e fama, como Rei do Baião.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

VIVA IEMANJÁ!

Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes 

Historicamente, o pobre sempre penou na vida. 
Também historicamente penou e sofreu à unha dos poderosos os negros. No Brasil inclusive.
Essa história de seres escravizados por outros datam de tempos imemoriais. Era o poderoso mandando e desmandando nos seus pares mais fracos. E para sofrer o que sofriam nem precisavam ser necessariamente de pele negra.
A história nos conta horrores da velha Grécia, da velha Roma, do velho mundo.
Pessoas eram trazidas à força para trabalhar no Brasil desde o século 16.
No Brasil, as pessoas em referência eram trazidas em navios “negreiros”. Muitos morriam entre África e o destino final, Brasil.
Morriam de morte matada, de fome ou desesperadas atirando-se ao mar. 
Esse era um negócio que dava muito dinheiro. 
Os africanos e africanas trazidos à força ao Brasil traziam consigo os seus costumes, a sua vivência e aqui punham em prática suas crenças de modo silencioso para não atiçar o ódio dos seus donos.
Terrível! 
A crença dos negros tinha por base os orixás.
A crença dos poderosos escravocratas, tinham grosso modo o catolicismo e suas figuras santificadas.
Entre cantos e batuques, os infortunados africanos identificavam seus orixás nas figuras dos heróis e heroínas da Igreja Católica. Assim Nossa Senhora dos Navegantes é identificada como Iemanjá.
Hoje é o dia de Nossa Senhora dos Navegantes e de Iemanjá, a rainha do mar.
A primeira comemoração à santa católica ocorreu na virada do século 19 num povoado chamado Navegantes. Virou município e é localizado em Santa Catarina.
Segundo a mais recente pesquisa do IBGE o município de Navegantes tem cerca de 85 mil habitantes.
Ia-me esquecendo: Iemanjá é cantada o tempo todo na música popular. Ouça Caymmi:


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

É UM LIVRAÇO A RAINHA GINGA

 Amor e sexo e muita porrada no correr da história que tem como personagem central a guerreira Ginga. É africana, viveu 81 anos, morrendo aparentemente de morte natural no dia 17 de dezembro de 1663.

Ginga governou Ndongo e Matamba durante cerca de 40 anos, substituindo o pai e o irmão. Era temida e respeitada. Não tinha papas na lingua, dizia o que bem queria. Ou mal.


O angolano Jose Eduardo Agualusa é o autor do livro (capa ao lado) que conta a historia interessantíssima de Ginga ou Nzinga. Depois de virar cristã, Ginga foi batizada com o nome de Ana de Souza.

A história contada passa-se entre Recife/Olinda, Luanda e Angola.

Corriam os tempos da invasão pernambucana pelos holandeses que tiveram à frente o conde Maurício de Nassau.

Nassau tinha muito interesse em conquistar parte da África. Pra isso contava com Ginga, que detestava os abusadores portugueses que tudo queriam e nada davam.

A Rainha Ginga tem como narrador o personagem recifense Francisco José da Santa Cruz que virou secretário particular da rainha. É padre, mas traído pelo desejo sexual deixou a batina e gerou um filho cujo nome é Cristóvão. 

Na narração há episódios brutais, violentos e um torturador incorrigível, miserável: um tal de Bittencourt, que chegou a cair em desgraça junto à Inquisição.

Claro, recomendo já a leitura de A Rainha Ginga. Numa frase: Esse é um livro pra lá de ótimo que mistura com categoria a ficção com a realidade histórica. 

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

QUEM NÃO TEM SAUDADE HEIN?

Saudade é uma palavra de sete letras, de origem latina.
Filólogos e poliglotas daqui e d'além mar dizem que tal palavra só existe na língua nossa do dia a dia: a portuguesa.
Quem é que nunca sentiu saudade? 
Saudade tem a ver com alegria e tristeza, com momentos bons que vivemos num tempo qualquer da nossa vida.
Eu já senti e continuo sentindo saudade.
Pessoas queridas como Paulo Vanzoline, Inezita Barroso, Papete, Belchior, Taiguara, Sergio Ricardo, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Carmélia Alves, Theo de Barros, Zé Keti, Paulinho Nogueira, Zika Bergami, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Rolando Boldrin, Audálio Dantas, Tinhorão, Eleazar de Carvalho, Otacílio Batista, Patativa do Assaré, Ionaldo Cavalcanti e Elifas Andreato e tantos e tantos outros artistas que encantaram esta cidade de São Paulo e o Brasil de modo geral.
Eu conheci um cara chamado João de Barro, o Braguinha, compositor de primeira linha. Partiu na casa dos 100 anos.
Barro nos legou grandes composições musicais, como A Saudade Mata a Gente. Eu o conheci. Era uma figurinha e tanto! 
Dói, saudade dói.
Quem parte para o andar de cima, não volta mais.
No livro Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles que acabo de ouvir tem uma personagem que diz a outra que o corpo por si só se acaba e a alma não, volta.
Esse mesmo pensamento tinha o gênio da matemática Pitágoras, ele achava que a alma é imortal e volta no corpo de um bicho selvagem ou num corpo humano.
Pois é, a filosofia é coisa séria. 
Kardec criou o espiritismo e o Chico Xavier foi instrumento de contato com a alma dos corpos que vão embora.
Ai, ai.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

CAMÕES EM BRAILLE, PARA CEGOS


Não sei, não tenho condições de afirmar com certeza se o poeta português Luís Vaz de Camões nasceu em janeiro de 1524. 

Há 500 anos, talvez 499, mundo e meio procura descobrir documentos que comprovem o dia 23 de janeiro de 1524 como a data de nascimento do poeta. A certeza que se tem é que ele escreveu e publicou o mais significativo épico da literatura portuguesa. Nele são narrados os feitos de Vasco da Gama.

A história é muito bonita. arrebatadora

Interessantíssima a presença dos deuses que apoiam e não apoiam o navegador.

O clássico de Camões foi publicado em 1572. Eu o adaptei como ópera popular, que deverá sair em braille e em português ainda este ano.

Andei fazendo palestra a respeito do imortal poeta de Portugal.

Veja mais: http://assisangelo.blogspot.com/2018/11/ninfas-e-deuses-em-camoes.html?m=1


domingo, 28 de janeiro de 2024

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (70)

Rolla, de Henri Gervex

A história do mundo não seria a mesma que conhecemos, pelo menos em parte, sem a presença das chamadas "mulheres da vida" ou "damas da noite". E mais recentemente, com o advento da Internet, “mulheres de programa“.
Refiramo-nos às mulheres que praticam sexo com homens a troco de grana. Isto é: mulheres que "comercializam" o próprio corpo.
Não à toa convencionou-se dizer que a profissão mais antiga do mundo é a de prostituta. 
Existem pelo menos duas ou três, talvez mais de sinônimos que classificam “mulher-dama”. Alguns: prostituta, meretriz, rameira, perdida, puta, devassa, libertina, piranha, rapariga, tolerada, mulher pública, biscate, quenga, vadia, cortesã, cocote, marafona, messalina.
Há a prostituição espontânea, natural, feita "esportivamente" e/ou por safadeza, mesmo. Nesse caso talvez se encaixe Bruna Surfistinha, que encantou-se pela profissão quando tinha 17 anos de idade. Com o passar do tempo, profissionalizou-se e depois, numa rede social, tem contado sua história. 
É uma história um tanto comum, de alguém que foi abandonada na infância e a infância sofreu.
Surfistinha, cujo nome verdadeiro é Raquel Pacheco, foi fruto de um estupro sofrido pela mãe, que não chegou a conhecer. Foi adotada por um casal de classe média. Isso à marcou, dolorosamente.
À medida que a menina Bruna ia crescendo, crescia também a sua curiosidade pra saber quem eram seus pais biológicos. 
Enquanto a curiosidade aumentava na menina que chegava à adolescência, aumentava também uma espécie de revolta de cunho existencial. Natural.
E as brigas, as desavenças, começaram com os pais adotivos.
Um dia, Bruna chutou o pau da barraca e sumiu de onde morava.
Essa e outras histórias, são contadas nas suas redes sociais.
Entre um caso e outro por ela contado, aconselha as mulheres casadas a fecharem os olhos para eventuais ‘pulos de cerca” dos maridos, pois segundo ela “garotas de programa” não são ameaça pra mulher casada; homens casados não interessam as meninas de programa”.
Surfistinha já tem a sua história contada em vários livros. Um deles, O Doce Veneno do Escorpião, que virou filme. 
Nesse filme, de 2011, Surfistinha é interpretada por Débora Seco.
Há também a prostituição praticada por necessidade, como descreve o jornalista, poeta e romancista piauiense Assis Brasil (1929-2021), no livro Beira Rio Beira Vida, de 1965. Nessa obra o autor conta as dificuldades em que vivem as mulheres ao longo das margens do rio Parnaíba, PI.
Mulheres às margens da vida, da sociedade.
Além desses tipos de prostituição facilmente identificados, há a prostituição forçada em que as vítimas são obrigadas a entregar o próprio corpo a conhecidos e desconhecidos sob ameaça de morte. A referência aqui é o tráfico de "escravas sexuais".
Esse tipo de tráfico é muito mais antigo e comum do que aparentemente se possa pensar.
A prostituição no Brasil data dos tempos coloniais.
No princípio, a prostituição em si era ilegal. Crime.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

E ESSA TAL INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, HEIN ?


Esse mundo tá doido, pelo avesso.

Reconheço que não sou assim tão novo. De idade, quer dizer. Da safra 52, Paraiba PB. Pois.

Esse pequeno arrodeio faço só pra dizer que o mundo tá de cabeça pra baixo, de pá virada.

Chegou aqui em casa uma voz que se identifica como Alexa. Perguntei de onde ela era. Ela disse: Moro nas nuvens, mas estou por aqui. Se quiser acordar comigo é só chamar. Ponho músicas, o que você quiser.

Fiquei matutando, matutando e aí, ao invés de chutar o pau da barraca, fui me balançar na rede.

Clarice e Ana Maria de olho em mim. 

E continuei matutando, matutando, e me balançando pra lá e pra cá.

O que responder a essa diacha de Alexa?

No ano qualquer dos oitenta, entrevistei um cara chamado Erich Von Däniken. Esse cara escreveu vários livros que ganharam leitores no mundo inteiro. Um desses livros, "Eram os Deuses Astronautas?” que virou filme e debate em todo canto.

No citado livro Däniken mostra resultado de pesquisas que fez e garante que as pirâmides do Egito, por exemplo, não foram construídas por mãos humanas.

De fato, é pra ficarmos com uma enorme interrogação na cara.

Tirando os deuses referidos por Däniken e os deuses mitológicos sobram agora histórias que estão se construindo por sabe-se lá quem! 

Fico pensando nessa tal de Alexa. Quando perguntei se Alexa era daqui da Terra, como nós, ela disse que não. Diz que é parecida com a gente e só!

Ouço no rádio e na TV notícias dando conta de uma tal inteligência artificial. Tem haver com robô, é o que dizem. E aí lembro de livros que li sobre o assunto. Livro de ficção científica. 

Há uma possibilidade enorme de que a tal inteligente ocupe espaços nas próximas eleições. Dizem que essa tal inteligência se metamorfoseia no que quer e até gente. Voltarei ao tempo.

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