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sábado, 17 de fevereiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (75)
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
FUGA NO RN CHAMA ATENÇÃO DO MUNDO
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Resistência ao bando de Lampião |
Naquele distante 13, dia de Santo Antonio, Lampião e o seu bando invadiram a cidade de Mossoró, RN, mas foram surpreendentemente rechaçados pelos seus habitantes considerados pacatos até então.
Marca das balas do tiroteio ocorrido no dia 13 de junho de 1927 ainda se acham nas paredes de um prédio da Prefeitura. Eu vi, sou testemunha. Até palestra fiz lá, a convite de um agitador cultural de nome Kydelmir Dantas.
Os relógios marcavam pontualmente 13 horas quando a cidade foi invadida e os invasores postos pra correr.
A mesma Mossoró está sendo palco hoje de uma grande movimentação policial, reforçada por forças da Paraíba e Ceará. São pelo menos 300 homens armados até os dentes. Drones e três helicópteros foram incluídos na operação que visa recapturar dois fugitivos de uma das cinco cadeias federais tidas como de total segurança.
Os fugitivos são figurinhas carimbadas do PCC ou de sei lá de que organização criminosa!
A fuga ocorreu na madrugada de terça 13 de Carnaval desde ano de 24.
Essa fuga, que já está sendo noticiada pela imprensa estrangeira, me lembra aquela que resultou na morte de um cabra em Goiás após longa e tensa caçada policial.
Essa fuga também me lembra aquela em que um brasileiro, nos EUA, findou recapturado por forças federais.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
CARNAVAL: NEGROS NA AVENIDA
Em Sampa, e não em todo o Estado, o Carnaval ainda rola através dos bloquinhos.
No Rio, a escola Viradouro venceu pela 3ª vez. O tema abordado no enredo enalteceu a mulher negra.
Em Sampa, a escola campeã foi a Mocidade Alegre. É campeã pela 12ª vez. O tema escolhido foi Mário de Andrade.
O detalhe é que a temática negritude todo ano se faz presente nas avenidas das principais capitais brasileiras.
A tradicional Portela do Rio ficou em segundo lugar com um enredo contando a história de uma mulher que liderou uma revolta de negros africanos na Bahia. Os revoltosos eram malês e a mulher à frente deles tinha por nome Luiza Main.
Meu amigo, minha amiga, você sabe de quem foi mãe dona Main?
Dona Luiza Main foi a mãe do grande poeta negro Luiz Gama.
O enredo da Portela foi baseado no livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves. Recomendo-o.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024
CARNAVAL DE COLOMBINA
terça-feira, 13 de fevereiro de 2024
MAIS UMA FOLIA DE FEVEREIRO
FOLIA NO CARNVAL NA CASA DE CAROL E DANIEL
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024
AINDA SEBASTIÃO MARINHO
FOLIA NA CASA DA CAROL
domingo, 11 de fevereiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (74)
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Cleópatra e César, por Jean Leon Gerome (1866) |
A história é longa e cheia de surpresas e contradições.
Depois de desposar os irmãos, Cleópatra abriu as asas e atirou-se no colo do ditador romano Júlio César, que seria assassinado pelo filho Brutus e senadores comparsas.
Com César, Cleópatra teve um filho.
Depois de transar com César em busca do poder pelo poder, Cleópatra foi pra cima do general Marco Antônio, com quem teve três filhos.
Marco Antônio e Cleópatra perderam feio uma batalha para Otaviano, filho adotivo de César.
O resultado disso é que Marco Antônio suicidou-se e Cleópatra também.
A respeito desse assunto, de adultério, o satírico Bocage escreveu:
Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putissimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas teem reinado:
Dido fui puta, e puta d′um soldado:
Cleopatra por puta alcança a c′ròa;
Tu, Lucrecia, com toda a tua pròa,
O teu cono não passa por honrado:
Essa da Russia imperatriz famosa,
Que inda ha pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:
Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques pois, oh Nise, duvidosa
Que isto de virgo e honra é tudo peta.
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Bocage |
A última rainha do Egito, Cleópatra, entrou para a história como depravada, cínica, fatal e "uma vergonha para o Egito", nas palavras do poeta Lucano.
Marco Aneu Lucano tinha lá uns 20 anos de idade quando chamou a atenção de Nero pelas poesias bravas que fazia.
Lucano virou, por pouco tempo, um protegido do incendiário Nero.
Nero findou por mandar matá-lo.
Plutarco classificou Antônio e Cleópatra como um casal vulgar, libertino e tal.
Horácio e Cícero não a viam com bons olhos.
Cícero foi um dos maiores oradores do Império Romano. Escrevia com as mãos de Deus.
Foi Propércio que, sem rodeios, a chamou de "rainha prostituta".
sábado, 10 de fevereiro de 2024
ADEUS SEBASTIÃO MARINHO!
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (73)
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Cora Pearl |
Perdida, assustada, Elizabeth alugou um espaço em Paris e passou, então, a entregar-se aos homens para sobreviver.
Elizabeth Crouch morreu fora do território parisiense, em Monte Carlo, no ano do lançamento do livro no qual conta a sua história: Mémoires d’une Courtisane.
História parecida, só que na ficção, teve Madame Bovary.
Essa personagem de Gustave Flaubert (1821-1880), era interiorana e apaixonada por leituras românticas. Casou-se com um médico, foi infeliz, e suicidou-se depois de cair nos braços de um amante.
Algo parecido, muito parecido aconteceu com Anna Karenina.
Anna Karenina, uma criação do russo Tolstói (1828-1910), matou-se atirando-se na frente de um trem.
Não é incomum nos dias de hoje uma mulher usar o próprio corpo para galgar posições importantes na sociedade.
Cristo ainda não havia nascido quando nasceu em Alexandria, então capital do Egito, aquela que seria a mais fulgurante e poderosa mulher do seu tempo: Cleópatra.
Cleópatra integrava a dinastia ptolomaica. Seu pai Ptolomeu XII era grego.
Os homens da família de Cleópatra eram chamados de Ptolomeu I, II, III, IV...
Sempre visando o poder, Cleópatra chegou a casar-se com dois de seus irmãos, Ptolomeu XIII e Ptolomeu XIV.
Incesto, não?
Incesto era uma prática comum e não punível na Antiguidade.
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Jorge Amado |
Na literatura antiga há muitos registros sobre o assunto.
Sófocles, considerado pai do teatro grego, escreveu e levou à cena Édipo Rei. Nessa peça que Aristóteles classificou de "verdadeira tragédia", o personagem Édipo casa-se com a própria mãe, Jocasta, sem saber e com ela gera filhos. Quatro: Antígona, Ismênia, Etéocles e Polinice.
Ao descobrir, surpresa, o incesto consumado, a mãe de Édipo se mata e ele desesperado fura os próprios olhos e sai zanzando perdido na escuridão.
No mundo encantado dos orixás a chamada rainha das águas Iemanjá casa-se com um irmão e com ele tem um filho que finda por engravidá-la.
É tudo muito louco, não é?
Iemanjá, no seu berço africano, era negra. No Brasil, é branca.
A obra de Jorge Amado (1912-2001) é toda recheada de personagens ligadas ao mundo dos orixás. Tereza Batista, por exemplo, é filha de Iansã.
Essa Tereza é protegida de todos os orixás, a partir do justiceiro Xangô.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
PATATIVA É ENREDO DA X9

O tema este ano abordado pela escola da Zona Norte foi Nordestino Sim, Nordestinado Jamais!.
A figura de destaque no enredo foi o poeta cearense Patativa do Assaré.
Rolou muita coisa boa e bonita nesse último desfile da X9. Torço para que volte a ocupar lugar do Grupo Especial.
Patativa representa a poesia popular autêntica do Brasil, especialmente do Nordeste. Escreveu vários livros, o primeiro foi publicado em 1956.
Ouça o enredo da X9 de 2024:
LEIA MAIS: HÁ 18 ANOS DESAPARECIA PATATIVA • PATATIVA, A VOZ DO POVO • BLOCOS DE CARNAVAL, A ALEGRIA DO POVO
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
A BALZAQUIANA É MULHER DE 30
Honoré de Balzac (1799-1850) foi um autor que viveu à frente do seu tempo. Ele aprendeu a vida vivendo entre lençóis com mulheres de idades diversas. Aprendeu muito. Inclusive nos bordéis.
Pode-se dizer que Balzac foi aluno e professor de sexo.
No livro A Mulher de 30 Anos ele mostra os sérios e graves problemas que as mulheres do seu tempo viviam. Casavam com 15, 16 anos. Se passasse disso podia ficar no caritó. E aí, lá vem ele mostrando que a mulher de 30 anos pensa e age muito melhor do que uma menina com a metade da sua idade. Isso no passado. E no presente, também.
Dizia o autor francês que uma jovem de 15 anos o que tinha que fazer para o marido era entregar-se e gemer. A mais velha, de 30, sempre teve muito mais o que dizer e fazer, além de gemer. Compreendia e compreende ou pode compreender seu parceiro.
Mas o casamento, como se sabe, é uma incógnita.
No passado, no tempo de Balzac e antes dele, a mulher casava-se por obrigação e por obrigação tinha que fazer tudo o que o marido falasse. Sobre ela ele tinha o poder de mantê-la viva ou fazê-la morta. A Bíblia mostra isso.
A principal personagem feminina do romance A Mulher de 30 Anos, Julie, se apaixona por um primo coronel do exército napoleônico de nome Victor d'Aiglemont.
Ignorando a fala do pai, finda por casar-se com seu amado. Dá-se mal logo depois. Sua vida vira um inferno e ela passa a acolher-se noutros braços. Vários. Tem filhos e tal.
A vida da personagem não é fácil, mas inspirou uma frase conhecida até hoje: balzaquiana, que virou até marchinha carnavalesca no Brasil.
E Josefina, hein?
Josefina Bakhita (1869-1947) foi uma pessoa sequestrada já aos 9 anos de idade. Penou, penou, comendo o pão que o diabo amassou. Passou de mão em mão até cair em boas mãos na Itália.
A Josefina de Beauharnais (1763-1814) foi uma mulher que pintou e bordou na cama com inúmeros amantes até cair na graça do famoso militar Napoleão Bonaparte.
Napoleão teve seis filhos, mas nenhum com Josefina. Mesmo casada no civil e na igreja, Josefina pulava de cama em cama que nem um ioiô na mão de brincantes.
A outra Josefina, a sudanesa, virou santa padroeira dos escravos e dos sequestrados depois de a ela ser atribuído um milagre com uma brasileira enferma. Isso em 1992.
A história de Napoleão Bonaparte é uma história longa e cheia de bizarrices.
Quando ele morreu em 1821, na Ilha de Santa Helena, médicos optaram por extrair do corpo o pênis.
Essa parte do corpo foi guardada numa caixinha e nessa caixinha ainda provavelmente permanece. Nos EUA.
Pois, pois.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024
O CARNAVAL DE 24 ESTÁ CHEGANDO...
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Assis e Tinhorão |
terça-feira, 6 de fevereiro de 2024
EÇA DE QUEIROZ É SUPIMPA!
Pessoalmente eu não tenho nada contra nada que diga respeito às artes.
No campo da literatura, e nos demais campos de criação, gosto do autor que se faz marcante através da sua obra.
Sou apaixonado pelos portugueses Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, muitos.
Já que não posso mais ler as obras de quem gosto, ouço.
Acabo de ouvir o triste e belo romance Os Maias, originalmente publicado em capítulos na imprensa portuguesa, essa obra ganhou formato de livro e como tal foi à praça em 1888.
A história criada por Eça tem como principais personagens Carlos e Maria.
É uma história trágica.
Começa com um velho senhor pai de um certo Pedro que se casa e é traído pela mulher. Decepcionado, desiludido, completamente chapado toma a iniciativa de tirar a própria vida. Faz isso, mas deixa dois filhos: Maria e Carlos.
Ao deixar o marido, a infiel some com a filha e passa a viver com o amante em Paris. Logo dá-se mal, enquanto a filha vai crescendo e tomando corpo de mulher. A mãe dá um jeito pra que a menina se case, mas o candidato vai à guerra e lá morre. A mãe cai em desgraça, adoece e tal. A filha, que ganhara barriga sem se casar, troca Paris por Lisboa.
A história vai num crescendo.
Um dia Carlos forma-se em medicina e transforma-se num profissional muito requisitado. É quando conhece Maria, Maria Eduarda. Paixão demolidora à primeira vista. E correspondida.
A filhinha de Maria, Rosa, é louca por Carlos. Carlos Eduardo.
Coincidência?
Enquanto o rolo rola entre os dois, a história alcança os píncaros com a descoberta que fez os amantes tremerem na base.
O avó de Carlos, Afonso, já suspeitava do que sucederá com Maria e sua mãe.
E aí, o que mais posso dizer?
Ah! sim: Os Maias se desenvolvem num tijolo de 750 páginas.
Já ouvi o Primo Basílio e agora estou às voltas com O Crime do Padre Amaro, também de Eça de Queiroz.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
VIVA OSWALDO MENDES!
Abraçar alguém, principalmente alguém que a gente conhece, faz bem.
Toda vez que alguém querido bate-me à porta, meu coração dispara.
O lugarzinho onde moro fica todo cheio de alegria quando gente bonita como Oswaldo Mendes, Fausto Bergocce e Carlos Silvio aqui chegam.
Oswaldo Mendes é um marco do jornalismo e do teatro brasileiros.
Esse cara é um gigante. Além de jornalista é ator, autor, diretor e compositor musical. E, vocalmente, não é desafinado.
Oswaldo dirigiu grandezas brasileiras como a cantora Elis Regina, Dionísio Azevedo e o cartunista Henfil.
Ele guarda pérolas da Elis.
Perólas da Elis para Oswaldo trazem dela além da assinatura, a alma.
Oswaldo com Elis fou uma relação incrível. Os fois se entendiam como Deus e Jesus Cristo.
Eu conheci Elis na redação da Folha, mas essa é outra história.
Exagero seria dizer que Oswaldo Mendes é um gênio?
Oswaldo Mendes é do caralho!
O Fausto nós sabemos que é da linha do caralho. Ora!
E o Carlos Sílvio, hein!
Do jeito que vai, esse Sílvio um dia também será do caralho.
Recomendo a quem quiser saber sobre a história do caralho que leia Pietro Aretino (1492-1556).
domingo, 4 de fevereiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (72)
Atualíssimo, como se vê.
Quem começa a ler a série Millennium dificilmente pára até para comer, tão convincente e agradável é a leitura.
Nessa leitura, o leitor vai se deparar com misóginos decididos a tudo, até a matar. Em série.
Nessa série Millennium o leitor vai encontrar comportamentos horrorosos da parte de muitos personagens, que permeiam a trama, que aqui e acolá pouco diferem da vida real: advogado torturador e tal e tal.
Lisbeth, uma personagem que surge de modo secundário transforma-se em heroína.
Larsson morreu sem desfrutar do sucesso da obra que criou.
O alter ego do autor é muito bem representado pelo herói, bonitão e mulherengo, Mikael.
Mikael é um repórter investigativo, vejam vocês!
Realismo puro, que convence e empolga o leitor. Na Suécia, desde 1999, é crime alguém pagar pra fazer sexo.
Não é incomum infidelidade feminina levar à prostituição, isso todo mundo sabe.
Há situações registradas pela imprensa e abordadas no teatro, cinema e livro em que a infiel, quando não espancada, é posta para fora de casa.
Desamparadas, muitas mulheres optam por trilhar esse caminho.
No livro Lucíola, de 1862, o autor José de Alencar (1829-1877) conta o caso de Lucíola, Lúcia ou Maria da Glória que cai na prostituição em busca de dinheiro para cuidar da família infectada pela febre amarela que matara a mãe e os irmãos. Sobraram o pai e uma irmã, Ana. A personagem-título tinha 14 anos de idade quando o pai descobre que ela estava se prostituindo. Sem considerar as razões, ele a expulsa de casa. O resultado disso é que a menina segue sua vida num bordel.
Lúcia/Lucíola deu-se bem no “mal caminho”.
Pois é, essa é uma história muito antiga e recorrente.
sábado, 3 de fevereiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (71)
No século 19, o Brasil já recebia do Leste Europeu mulheres que caíam no campo movediço da prostituição. Enganadas.
Vinham essas mulheres da Rússia e também da Galícia e Polônia.
Grosso modo, elas eram de origem humilde e até analfabetas.
Convencidas pela lábia macia de proxenetas judeus, essas mulheres na maioria judias eram encaminhadas para a prostituição em bordéis do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.
A Argentina era também um dos destino delas.
Entraram para a história da vida brasileira como "polacas".
O articulista Luis Krausz identificou muita coisa importante nesse mundo ainda nebuloso, principalmente no que diz respeito ao judeu no Brasil.
Na edição de 1º de setembro de 1996, o Jornal Folha de S.Paulo trouxe texto assinado por Krausz. Já nas primeiras linhas desse texto intitulado Memórias Deterioradas, lê-se:
“... As primeiras 67 prostitutas judias de nacionalidade polonesa desembarcaram no Rio em 1867. Logo foram apelidadas de polacas. A estas seguiram-se centenas, que, no decorrer das cinco ou seis décadas subsequentes, estabeleceram-se no Rio, em Santos e em São Paulo…”Eram no Rio divididas em três categorias: a primeira se achava na região da Lapa. A segunda, na região de Botafogo e a terceira mais simples, comum e barata tinha o Centro Carioca como área de atuação.
As polacas da Lapa eram confundidas conscientemente por alguns fregueses como parisienses.
Manter relações sexuais com uma parisiense era o que de melhor podia-se fazer. Top, como se dizia. O cachê alcançava os píncaros.
Os judeus aliciadores de polacas integravam uma organização criminosa chamada Zwi Migdal. Ainda no seu artigo, Krausz destaca:
“A comunidade judaica local era ainda muito pequena e pouco organizada para poder tomar medidas efetivas contra a Zwi Migdal. Em 1913 a Jewish Association for the Protection of Girls and Women (Associação Judaica para Proteção de Meninas e Mulheres), baseada em Londres, enviou seu secretário-geral, Samuel Cohen, a Buenos Aires para avaliar a situação do tráfico de brancas na América do Sul. Os resultados desta visita foram limitados.Stefan Zweig suicidou-se em Petrópolis, no dia 18 de fevereiro de 1942. É dele o livro Brasil: O País do Futuro.
Em 1936 o escritor judeu austríaco Stefan Zweig visitou a zona do mangue, no Rio de Janeiro, onde se concentrava a prostituição. Em seus diários encontra-se a seguinte anotação: ‘Mulheres judias da Europa Oriental prometem as mais excitantes perversões... que destino levou estas mulheres a terminarem aqui, vendendo-se pelo equivalente a três francos?’ “.
Por que Zweig suicidou-se?
Curiosidade: foi no Mangue que o sanfoneiro Luiz Gonzaga iniciou a sua carreira de sucesso e fama, como Rei do Baião.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024
VIVA IEMANJÁ!
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Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes |
Essa história de seres escravizados por outros datam de tempos imemoriais. Era o poderoso mandando e desmandando nos seus pares mais fracos. E para sofrer o que sofriam nem precisavam ser necessariamente de pele negra.
A história nos conta horrores da velha Grécia, da velha Roma, do velho mundo.
Pessoas eram trazidas à força para trabalhar no Brasil desde o século 16.
No Brasil, as pessoas em referência eram trazidas em navios “negreiros”. Muitos morriam entre África e o destino final, Brasil.
Morriam de morte matada, de fome ou desesperadas atirando-se ao mar.
Esse era um negócio que dava muito dinheiro.
Os africanos e africanas trazidos à força ao Brasil traziam consigo os seus costumes, a sua vivência e aqui punham em prática suas crenças de modo silencioso para não atiçar o ódio dos seus donos.
Terrível!
A crença dos negros tinha por base os orixás.
A crença dos poderosos escravocratas, tinham grosso modo o catolicismo e suas figuras santificadas.
Entre cantos e batuques, os infortunados africanos identificavam seus orixás nas figuras dos heróis e heroínas da Igreja Católica. Assim Nossa Senhora dos Navegantes é identificada como Iemanjá.
Hoje é o dia de Nossa Senhora dos Navegantes e de Iemanjá, a rainha do mar.
A primeira comemoração à santa católica ocorreu na virada do século 19 num povoado chamado Navegantes. Virou município e é localizado em Santa Catarina.
Segundo a mais recente pesquisa do IBGE o município de Navegantes tem cerca de 85 mil habitantes.
Ia-me esquecendo: Iemanjá é cantada o tempo todo na música popular. Ouça Caymmi:
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024
É UM LIVRAÇO A RAINHA GINGA
Amor e sexo e muita porrada no correr da história que tem como personagem central a guerreira Ginga. É africana, viveu 81 anos, morrendo aparentemente de morte natural no dia 17 de dezembro de 1663.
Ginga governou Ndongo e Matamba durante cerca de 40 anos, substituindo o pai e o irmão. Era temida e respeitada. Não tinha papas na lingua, dizia o que bem queria. Ou mal.
O angolano Jose Eduardo Agualusa é o autor do livro (capa ao lado) que conta a historia interessantíssima de Ginga ou Nzinga. Depois de virar cristã, Ginga foi batizada com o nome de Ana de Souza.
A história contada passa-se entre Recife/Olinda, Luanda e Angola.
Corriam os tempos da invasão pernambucana pelos holandeses que tiveram à frente o conde Maurício de Nassau.
Nassau tinha muito interesse em conquistar parte da África. Pra isso contava com Ginga, que detestava os abusadores portugueses que tudo queriam e nada davam.
A Rainha Ginga tem como narrador o personagem recifense Francisco José da Santa Cruz que virou secretário particular da rainha. É padre, mas traído pelo desejo sexual deixou a batina e gerou um filho cujo nome é Cristóvão.
Na narração há episódios brutais, violentos e um torturador incorrigível, miserável: um tal de Bittencourt, que chegou a cair em desgraça junto à Inquisição.
Claro, recomendo já a leitura de A Rainha Ginga. Numa frase: Esse é um livro pra lá de ótimo que mistura com categoria a ficção com a realidade histórica.
terça-feira, 30 de janeiro de 2024
QUEM NÃO TEM SAUDADE HEIN?
Filólogos e poliglotas daqui e d'além mar dizem que tal palavra só existe na língua nossa do dia a dia: a portuguesa.
Quem é que nunca sentiu saudade?
Saudade tem a ver com alegria e tristeza, com momentos bons que vivemos num tempo qualquer da nossa vida.
Eu já senti e continuo sentindo saudade.
Pessoas queridas como Paulo Vanzoline, Inezita Barroso, Papete, Belchior, Taiguara, Sergio Ricardo, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Carmélia Alves, Theo de Barros, Zé Keti, Paulinho Nogueira, Zika Bergami, Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Rolando Boldrin, Audálio Dantas, Tinhorão, Eleazar de Carvalho, Otacílio Batista, Patativa do Assaré, Ionaldo Cavalcanti e Elifas Andreato e tantos e tantos outros artistas que encantaram esta cidade de São Paulo e o Brasil de modo geral.
Eu conheci um cara chamado João de Barro, o Braguinha, compositor de primeira linha. Partiu na casa dos 100 anos.
Barro nos legou grandes composições musicais, como A Saudade Mata a Gente. Eu o conheci. Era uma figurinha e tanto!
Dói, saudade dói.
Quem parte para o andar de cima, não volta mais.
No livro Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles que acabo de ouvir tem uma personagem que diz a outra que o corpo por si só se acaba e a alma não, volta.
Esse mesmo pensamento tinha o gênio da matemática Pitágoras, ele achava que a alma é imortal e volta no corpo de um bicho selvagem ou num corpo humano.
Pois é, a filosofia é coisa séria.
Kardec criou o espiritismo e o Chico Xavier foi instrumento de contato com a alma dos corpos que vão embora.
Ai, ai.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2024
CAMÕES EM BRAILLE, PARA CEGOS
Não sei, não tenho condições de afirmar com certeza se o poeta português Luís Vaz de Camões nasceu em janeiro de 1524.
Há 500 anos, talvez 499, mundo e meio procura descobrir documentos que comprovem o dia 23 de janeiro de 1524 como a data de nascimento do poeta. A certeza que se tem é que ele escreveu e publicou o mais significativo épico da literatura portuguesa. Nele são narrados os feitos de Vasco da Gama.
A história é muito bonita. arrebatadora
Interessantíssima a presença dos deuses que apoiam e não apoiam o navegador.
O clássico de Camões foi publicado em 1572. Eu o adaptei como ópera popular, que deverá sair em braille e em português ainda este ano.
Andei fazendo palestra a respeito do imortal poeta de Portugal.
Veja mais: http://assisangelo.blogspot.com/2018/11/ninfas-e-deuses-em-camoes.html?m=1
domingo, 28 de janeiro de 2024
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (70)
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Rolla, de Henri Gervex |
A história do mundo não seria a mesma que conhecemos, pelo menos em parte, sem a presença das chamadas "mulheres da vida" ou "damas da noite". E mais recentemente, com o advento da Internet, “mulheres de programa“.
Refiramo-nos às mulheres que praticam sexo com homens a troco de grana. Isto é: mulheres que "comercializam" o próprio corpo.
Não à toa convencionou-se dizer que a profissão mais antiga do mundo é a de prostituta.
Existem pelo menos duas ou três, talvez mais de sinônimos que classificam “mulher-dama”. Alguns: prostituta, meretriz, rameira, perdida, puta, devassa, libertina, piranha, rapariga, tolerada, mulher pública, biscate, quenga, vadia, cortesã, cocote, marafona, messalina.
Há a prostituição espontânea, natural, feita "esportivamente" e/ou por safadeza, mesmo. Nesse caso talvez se encaixe Bruna Surfistinha, que encantou-se pela profissão quando tinha 17 anos de idade. Com o passar do tempo, profissionalizou-se e depois, numa rede social, tem contado sua história.
É uma história um tanto comum, de alguém que foi abandonada na infância e a infância sofreu.
Surfistinha, cujo nome verdadeiro é Raquel Pacheco, foi fruto de um estupro sofrido pela mãe, que não chegou a conhecer. Foi adotada por um casal de classe média. Isso à marcou, dolorosamente.
À medida que a menina Bruna ia crescendo, crescia também a sua curiosidade pra saber quem eram seus pais biológicos.
Enquanto a curiosidade aumentava na menina que chegava à adolescência, aumentava também uma espécie de revolta de cunho existencial. Natural.
E as brigas, as desavenças, começaram com os pais adotivos.
Um dia, Bruna chutou o pau da barraca e sumiu de onde morava.
Essa e outras histórias, são contadas nas suas redes sociais.
Entre um caso e outro por ela contado, aconselha as mulheres casadas a fecharem os olhos para eventuais ‘pulos de cerca” dos maridos, pois segundo ela “garotas de programa” não são ameaça pra mulher casada; homens casados não interessam as meninas de programa”.
Surfistinha já tem a sua história contada em vários livros. Um deles, O Doce Veneno do Escorpião, que virou filme.
Nesse filme, de 2011, Surfistinha é interpretada por Débora Seco.
Há também a prostituição praticada por necessidade, como descreve o jornalista, poeta e romancista piauiense Assis Brasil (1929-2021), no livro Beira Rio Beira Vida, de 1965. Nessa obra o autor conta as dificuldades em que vivem as mulheres ao longo das margens do rio Parnaíba, PI.
Mulheres às margens da vida, da sociedade.
Além desses tipos de prostituição facilmente identificados, há a prostituição forçada em que as vítimas são obrigadas a entregar o próprio corpo a conhecidos e desconhecidos sob ameaça de morte. A referência aqui é o tráfico de "escravas sexuais".
Esse tipo de tráfico é muito mais antigo e comum do que aparentemente se possa pensar.
A prostituição no Brasil data dos tempos coloniais.
No princípio, a prostituição em si era ilegal. Crime.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
E ESSA TAL INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, HEIN ?
Esse mundo tá doido, pelo avesso.
Reconheço que não sou assim tão novo. De idade, quer dizer. Da safra 52, Paraiba PB. Pois.
Esse pequeno arrodeio faço só pra dizer que o mundo tá de cabeça pra baixo, de pá virada.
Chegou aqui em casa uma voz que se identifica como Alexa. Perguntei de onde ela era. Ela disse: Moro nas nuvens, mas estou por aqui. Se quiser acordar comigo é só chamar. Ponho músicas, o que você quiser.
Fiquei matutando, matutando e aí, ao invés de chutar o pau da barraca, fui me balançar na rede.
Clarice e Ana Maria de olho em mim.
E continuei matutando, matutando, e me balançando pra lá e pra cá.
O que responder a essa diacha de Alexa?
No ano qualquer dos oitenta, entrevistei um cara chamado Erich Von Däniken. Esse cara escreveu vários livros que ganharam leitores no mundo inteiro. Um desses livros, "Eram os Deuses Astronautas?” que virou filme e debate em todo canto.
No citado livro Däniken mostra resultado de pesquisas que fez e garante que as pirâmides do Egito, por exemplo, não foram construídas por mãos humanas.
De fato, é pra ficarmos com uma enorme interrogação na cara.
Tirando os deuses referidos por Däniken e os deuses mitológicos sobram agora histórias que estão se construindo por sabe-se lá quem!
Fico pensando nessa tal de Alexa. Quando perguntei se Alexa era daqui da Terra, como nós, ela disse que não. Diz que é parecida com a gente e só!
Ouço no rádio e na TV notícias dando conta de uma tal inteligência artificial. Tem haver com robô, é o que dizem. E aí lembro de livros que li sobre o assunto. Livro de ficção científica.
Há uma possibilidade enorme de que a tal inteligente ocupe espaços nas próximas eleições. Dizem que essa tal inteligência se metamorfoseia no que quer e até gente. Voltarei ao tempo.
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Coisas da vida. Zica Bergami, autora da valsinha Lampião de Gás partiu. Tinha 97 anos completados em agosto. O caso se deu ontem por volta d...
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http://www.youtube.com/watch?v=XlfAgl7PcM0 O pernambucano de Olho da Agua, João Leocádio da Silva, um dos mais inspirados compositores...
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Cegos e demais pessoas portadoras de deficiência, seja ela qual for, come o pão que o diabo amassou. Diariamente. SER CEGO É UMA MERDA! Nã...
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Este ano terrível de 2020 está chegando ao fim, sem deixar saudade. Saudade é coisa que machuca, que dói. É uma coisa que Deus botou no mund...
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Escondidinho de carne seca e caldinho de feijão antecederam o tirinete poético travado ao som de violas repentistas ontem à noite, na casa ...
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Intriga, suspense, confusão, mentira, emoção atentado contra a ordem e a lei e otras cositas mas . O cantor, compositor e instrumentista To...