Daqui pra frente, e até o ano que vem, se falará muito sobre o rei do baião e da sua importância na firmação da música brasileira.
Eventos em torno do seu centenário de nascimento - 13 de dezembro - estão previstos de norte a sul do País.
E isso é bom demais.
Os seus discos certamente serão relançados, provavelmente até os de 78 RPM.
Livros irão à praça, peças de teatro e filmes, como o aguardadíssimo Gonzaga – de Pai Pra Filho, em carta a partir do próximo dia 26.
Posso dizer que conheci de perto o velho Lua, apelido carinhoso dado no começo dos anos 1950 pelo violonista Horondino José da Silva, o Dino 7 Cordas, e espalhado aos quatro ventos pelo ator e radialista Paulo Gracindo.
Eu o entrevistei para jornais e revistas (Privê, agosto de 1981, ano III) de São Paulo e de outras partes do País.
E atenção: logo mais à noite, no programa Fantástico, da TV Globo, irá ao ar a terceira e última parte do correto - e bom de se ver - documentário sobre ele, Luiz Gonzaga.
Você leu o ESPECIAL MEMÓRIA POPULAR de agosto passado, no newsletter JORNALISTAS&CIA?
Se não leu, leia.
Clique:
Pois é: e o mundo não se acabou, como previa o charlatão cearense alocado na capital do Piauí...
Ontem, feriado nacional à Nossa Senhora de Aparecida, houve quem me perguntasse se no vasto repertório do rei do baião, Luiz Gonzaga, havia músicas em referência a Deus e a coisas divinas.
Sim, toda a obra de Gonzaga é recheada de referências católicas, cristãs, humanas.
Ele chegou até a gravar um LP de 12’ intitulado O Sanfoneiro do Povo de Deus, em 1968; mesmo ano em que gravou a guarânia Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré.
Naquele LP - o 19º de sua carreira - foram incluídas Ave Maria Sertaneja (Júlio Ricardo/O. de Oliveira), Rainha do Mundo (Ary Monteiro/Júlio Ricardo) e Padroeira do Brasil (dele, Gonzaga/Raimundo Granjeiro), entre outras a ver com o tema religioso. Esse disco foi reprocessado digitalmente e relançado em 1982. Clique: http://www.youtube.com/watch?v=01eAASgoI14
Duas semanas depois de proibida pelo governo militar de 68, Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores continuava sendo assobiada e cantada nos botecos dos rincões daquele tempo de triste lembrança.
Naquele mesmo ano, essa guarânia começava a correr mundo.
Na Itália, por exemplo, o cantor e compositor romântico Sergio Endrigo, depois de ganhar o festival de Sanremo através de Roberto Carlos, que interpretou a bela Canzone Per te, a gravou sob o título Caminando e Cantando. Ouça, clicando: http://www.youtube.com/watch?v=DcKV5v9fWf4&feature=related
São dezenas e dezenas de gravações de Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores espalhadas pelo País; e muitas, muitas, noutras línguas: espanhol, inglês...
É uma música que continua na memória popular.
O paulistano Paulo Benites, engenheiro e empresário dos mais respeitados, pianista nas poucas horas vagas que dispõe, é um dos inúmeros cultuadores da obra vandregiliana. Clique: http://www.youtube.com/watch?v=tLSHEKpf74o
E clique também para ouvir/ver os Benites - Paulo e André - interpretando Disparada nas imagens colhidas pela menina Sofia Lisboa. http://www.youtube.com/watch?v=9R9qynVOGno
Quer saber mais um pouco sobre Geraldo Vandré? Então, clique: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular02.pdf
LUIZ GONZAGA
O engenheiro do Metrô paulistano Nestor Tupinambá, pergunta via email se nas lojas de discos é possível achar Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores na voz do Rei do Baião.
Acho que não, Nestor.
Por uma razão: a indiferença e a insensibilidade dos herdeiros do acervo da extinta RCA Victor não têm permitido isso. E a história é: os gringos compraram as gravadoras nacionais para esconder o nosso rico acervo musical e nos enfiar goela abaixo o lixo que eles produzem.
DE MESTRE BISMAEL, via email:
Eu conheço a canção Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, mas não sabia que o nosso Gonzagão a havia gravado.
E gostei do baião de sua autoria, com o Oswaldinho: é brejeira e bem nordestina.
Receba um abraço.
FANTÁSTICO
Amanhã, no programa Fantástico, da TV Globo, tem mais Luiz Gonzaga. Será a última parte do minidocumentário sobre o Rei do Baião, personagem do filme Gonzaga - De Pai Pra Filho, que entrará em cartaz em todo o País no próoximo dia 26. Agendem-se.
Essa história de fim de mundo existe desde que o mundo é mundo.
Foi não foi um aloprado ilude cabeças fracas dizendo que o mundo vai acabar no ano tal, mês tal, dia e hora tais etc.
Um cearense que mora em Teresina, a capital do Piauí, de nome Luiz Pereira, há uns dias convenceu uma centena de pessoas a se alojar num casebre para esperar pacientemente o fim do mundo; que, segundo ele, será hoje às 16 horas!
Pode isso acontecer logo no dia do aniversário do pernambucano Luiz Vieira?
Pode não.
Pode isso acontecer logo no dia do nascimento do historiador paulistano Hernani Donato?
Não, não pode.
Pode isso acontecer no mês do aniversário do cearense Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes?
Não...
Pode isso acontecer logo no dia da chegada do verão, prevista para às 8:11?
Eu quero praia, mar, sol, exatamente para comemorar a vida e não a morte.
Pode isso acontecer logo no mês do surgimento da Coluna Prestes, em 1924?
Pode isso acontecer no Dia da Criança – hoje –, criado quando os revoltosos do movimento Tenentista liderado por Isidoro Dias Lopes quebravam o pau em São Paulo para apear do poder o presidente Arthur Bernardes, justamente o homem que assinou o decreto-lei instituindo no território nacional o dia para homenagear as crianças?
Ora, ora, tem maluco em todo canto decidido a tudo.
Quem não se lembra do triste fato ocorrido em Jonestown em novembro de 1978 patrocinado pelo fanático Jim Jones, que induziu mais de 900 pessoas, entre as quais quase 300 crianças, a se matarem ingerindo refresco com cianureto?
São inúmeras as tragédias provocadas mundo a fora por falsos pastores e profetas.
O Brasil está cheio deles e de seitas as mais diversas.
Jim Jones, aliás, chegou a morar aqui, mais precisamente em Belo Horizonte, nos começos dos anos 1960.
Mas, enfim, hahaha, quem escapar hoje do Juízo Final certamente não escapará, hahaha, do apocalipse previsto para o próximo dia 21 de dezembro, mês de nascimento de Luiz Gonzaga.
Relaxemos agora - ufa! -, ouvindo um baiãozinho que eu e Oswaldinho do Acordeon fizemos em homenagem ao Rei do Baião, interpretado por Daine. Clique:
Atenção:
Domingo que vem, depois da poeira do fim do mundo passar, tem mais notícia sobre o rei do baião, Luiz Gonzaga, no programa Fantástico, da TV Globo.
Vamos ver?
Antes ouça a interpretação de Geraldo Vandré para a toada Asa Branca, de Gonzaga e Humberto Teixeira, clicando:
Foi num mês como este, outubro, que o rei do baião Luiz Gonzaga gravou num compacto simples a guarânia Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, do paraibano Geraldo Vandré (no clique de Darlan Ferreira, ao lado do maestro Mário Albanese ontem, aqui em casa).
Gonzaga foi o primeiro artista da nossa música a fazer isso em estúdio, antes mesmo do autor.
Caminhando, ou Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, disputou a primeira fase eliminatória do III Festival Internacional da Canção no Tuca, teatro da Pontifícia Universidade Católica – PUC – de São Paulo, nos dias 12 e 14 de setembro de 1968.
A final do festival ocorreu no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, duas semanas depois.
A música campeã foi Sabiá, de Chico Buarque e Tom Jobim, defendida sob vaias do público por Cynara e Cybele.
Caminhando, escolhida entre 1008 composições inscritas e uma das dez enviadas por Vandré à banca seletiva do festival, ficou em 2º lugar.
A canção na voz do autor foi proibida de ser ouvida em todo o território nacional no dia 29 de setembro de 1968 e somente liberada pela Divisão de Censura de Diversões Públicas no dia 14 de novembro de 1979, um ano e dois meses depois de publicada no suplemento Folhetim, da Folha de S.Paulo, uma polêmica entrevista que ele me concedeu (reproduzida no especial Memória da Cultura Popular do newsletter Jornalistas&Cia):
Na época não houve repercussão e nem foi apreendido o disco com a gravação de Caminhando feita pelo rei do baião.
Detalhe: quando o "pau quebrou", isto é, a Censura proibiu a execução pública de Caminhando, Vandré justificou-se a amigos: "Quem escolheu Caminhando não fui eu, foram eles (da Globo). E riu".
Vencedora do 23º Prêmio de Música Brasileira este ano como Melhor Cantora, na categoria Regional, Socorro Lira está na praça com um disco muito bem feito: Zé do Norte, 100 Anos (ao lado, reprodução da capa).
Depois de se apresentar há pouco na casa carioca de espetáculos Rival, Socorro continua circulando por várias cidades, entre as quais João Pessoa, Campina Grande, Salvador, Osasco e Teófilo Otoni, em Minas.
Nos espetáculos, ela costuma chamar ao palco pelo menos um artista de cada cidade por onde passa.
No Rio, o escolhido foi o cantor de sambas e forrós Chico Salles.
Socorro Lira é uma das vozes mais belas do Brasil, respeitada por críticos e admirada por uma enorme legião de fãs até do Exterior.
O seu CD anterior a Zé do Norte 100 Anos, de 2010, intitulado Cores do Atlântico, reúne um punhado de cantigas de amigo e foi lançado na Galícia/Espanha e Portugal, com a presença em shows da própria artista que costuma se apresentar na Itália, África e noutros países.
Cantigas de amigo eram como se chamavam as cantigas que as mulheres apaixonadas cantavam para seus pretendentes ou amantes, na Idade Média.
Socorro Lira já gravou ao lado de Elba Ramalho, Cristina Saraiva, Etel Frota, Simone Guimarães, Marinês, Vanja Orico, Chico César, Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Vital Farias e até Sivuca, mestre da sanfona brasileira desaparecido em dezembro de 2006.
Ela nasceu no sertão paraibano – Brejo do Cruz –, em 1974, e cresceu ouvindo cantadores de feira e o rei do baião, Luiz Gonzaga.
“Naquele tempo ainda tinha muita coisa bonita para se ouvir no rádio”, ela diz.
FANTÁSTICO
Domingo que vem tem mais Luiz Gonzaga no programa Fantástico. O filme De Pai Pra Filho, de Breno Silveira, será lançado nacionalmente no próximo dia 26. É um filmaço! Clique:
A noite de terça 23 de outubro me encontrará numa salutar troca de ideias na Biblioteca Popular Municipal de Botafogo, Rio de Janeiro, ao lado do compositor, cantor e instrumentista pernambucano Rildo Hora.
O tema principal da nossa fala, mediada por Luiz Fernando Vianna, será a importância de Luiz Gonzaga (programação ao lado), o rei do baião, na música popular brasileira.
Hora chegou a produzir e a gravar um LP interpretando músicas de Luiz Gonzaga, em 1988.
Na noite seguinte, os poetas Bráulio Tavares e Chico Salles discorrerão sobre literatura de cordel na vida do Rei do Baião.
A entrada é franca, mas os interessados deverão reservar presença pelo site www.pensamentoearte.com.br
PROGRAMA FANTÁSTICO
No próximo domingo, no programa Fantástico, tem mais Luiz Gonzaga. Ele faz fortuna com coleção de sucessos e volta de passagem por sua terra, 16 anos depois de lá arredar pé Vamos ver?
O dia amanheceu em clima de festa, com o sol no céu brilhando e piscando para a democracia.
Tomei banho, vesti a roupa mais bonita que achei no guarda-roupas e fui desempatar, no voto, as manchetes dos principais jornais do País: “São Paulo Chega ao Primeiro Turno com Empate” (Estado) e “São Paulo Enfrenta Empate Triplo Inédito para Prefeito” (Folha).
Tarefa cumprida, troquei de roupa e fui pum churrasco na casa do meu amigo Paulo.
Peter, outro grande amigo, depois de votar estava exultante; inclusive porque ouvira ontem a opinião de um bam, bam, bam do DEM ligado ao PSDB, segundo a qual muito dificilmente Serra chegaria ao 2º turno.
Não à toa essa é a eleição para prefeito mais disputada em São Paulo, em todos os tempos.
E as razões são várias: se o PSDB perder perde muito e Serra encerra a carreira.
Se o PT perder também perde muito e Lula fica com cara de tacho, como diria a minha avó Alcina.
Já Russomanno não perde nada, pois essa eleição para ele é apenas uma aventura arriscada e perigosa para todos nós, mas ainda assim uma aventura o que ele está fazendo.
Mas é fogo de palha, eu já disse em texto anterior.
No caso de Russomanno perder, que vai, quem perde mesmo é o Edir Macedo, dono da Record e de muitas almas ingênuas e penadas.
De todo modo. é preciso muita calma nessa hora: daqui a pouco a noite chega com a notícia de quem ganhou e quem perdeu.
Esperemos a confirmação do próximo embate: Haddad x Serra.
E Serra vai pro espaço preparar a sua aposetandoria no campo da vida política.
DE NESTOR PARA...
Caro Assis,
De qquer modo sampa se supera: Russomano ???
Mesmo Serra, já passou sua época!
Aqui é a terra do preconceito (e, logo, do medo e da ignorância...) e esse aspecto da educação não se fala.
Mas ela deve ser importante instrumento de promoção social, não?
Aliás promover a aceitação dos nossos semelhantes, parando de os olhar como diferentes e ameaçadores, é o fundamental... alfabeto e adição vem depois, não?
Abs centenáricos gonzagueano!
Nestor Assum Preto Tupinambá...
PS- saindo na Globo, cara? Vá em frente!
LUIZ GONZAGA
Hoje tem mais Luiz Gonzaga no programa Fantástico, da Globo. Vamos ver?
O Russomanno continua despencando nas pesquisas de intenção de voto.
Pelo que ouço por aí, ele perdeu prestígio, caiu no descrédito como Serra, que uma vez jurou que se eleito não deixaria a Prefeitura, que cumpriria todo o mandato.
Deixou depois de cumprir dois anos do mandato e pôr no seu lugar o Kassab.
Depois, de novo, jurou que não deixaria o Governo do Estado, e deixou depois de dois anos para concorrer à Presidência da República, que perdeu para Dilma.
Ele agora recomeça a lenga-lenga: se eleito prefeito blá, blá, blá...
Pois é, o dia está chegando e eu já estou separando o meu título de eleitor.
Faça o mesmo amigo, amiga, para não perder tempo domingo.
Vá e vote bem para fazer domingo um dia de festa.
Vá às urnas e escolha o melhor candidato a prefeito e a vereador cujas ideias se aproximam das suas.
Não deixe de votar, não se omita, não vote branco, não vote nulo.
Se não votar, não se arrependa depois.
Aproveite, portanto, a oportunidade: votar é um belo exercício de cidadania.
...Sei não, mas tenho a impressão que Haddad vai para o 2º turno.
ESQUISITO
Só mesmo o meu amigo Jorge Sá de Miranda Netto!
Citando o Dicionário Caldas Aulete, o primeiro da língua portuguesa, editado em Portugal, Jorge pergunta: em qual ou quais qualificações de esquisito você se sente?
1 Não usual, fora do comum (pensamentos esquisitos).
2 Que causa estranheza por ser desconhecido, exótico (dança esquisita).
3 Que é difícil de entender ou explicar (comportamento esquisito); ESTRANHO
4 Singular, original; EXTRAVAGANTE; EXCÊNTRICO: "...embora fosse cortês com os vizinhos que o julgavam esquisito e misantropo..." (Lima Barreto, Triste fim de Policarpo Quaresma)
5 Que pela raridade é considerado refinado ou delicioso (especiarias esquisitas)
6 Fig. Pop. Impertinente, inoportuno (pergunta esquisita).
7 Bras. Feio (de mau aspecto ou mal vestido) (bicho esquisito; vestido esquisito).
sm.
8 Bras. Lugar deserto, ermo
9 PR Caminho difícil e escabroso.
[F.: Do lat. Exquisitus
O florestense Hilton Acioli (aí na foto, na qual me vejo esquisito pra caramba) nasceu no dia em que morreu São Francisco de Assis.
Acioli é nordestino, Assis, ou Assisi, era italiano da região da Umbria.
A obra de Acioli é musical, participativa, que encontrou no paraibano Geraldo Vandré um caminho bonito e sem volta.
A de Assis tem por base a valorização humana e o respeito pelos animais.
Hiton Acioli nasceu no dia 4 de outubro de 1939.
Ainda de idade muito novo, ele teve despertada a inclinação para a música; tanto que com 15 anos criou o Trio Marayá, junto com os primos Behring Leiros e Marconi Campos.
O título do conjunto foi dado pelo estudioso da cultura popular natalense, Luís da Câmara Cascudo.
Em 1956, o trio trocou a capital do Rio Grande do Norte pela cidade de São Paulo, cujos 400 anos de fundação foram amplamente comemorados dois anos antes; ano da criação do próprio conjunto.
Mas antes de fazer de São Paulo o seu quartel-general, o Trio Marayá passou uns tempos no Rio de Janeiro, a convite do pernambucano Luís Vieira.
Vieira é um dos artistas mais representativos da música brasileira, até hoje.
Além de cantar e compor, Acioli tocava afoché; Behring, tantã; e Marconi, violão.
Hoje um dos seus mais frequentes instrumentos musicais é o violão.
Reencontrei o artista anteontem cheio de vida e ideias aos 73 anos, que se completam hoje.
Parabéns, Hilton.
Tim, tim!
PS - Hilton Acioli é o autor de muitas músicas e jingles, entre os quais Lula-lá ou Sem Medo de Ser Feliz, que embalou a campanha de Lula à presidência da República. CLIQUE: http://www.youtube.com/watch?v=cTrGMigVFJo&feature=related
Você já leu o especial Memória da Cultura Popular, este mês abordando a vida e obra de Sérgio Ricardo, resultado de parceria entre o Instituto Memória Brasil e o newsletter Jornalistas&Cia? CLIQUE:
Leio por aí que está em andamento uma campanha por anulação de votos.
Lamentável.
Escolher o que se quer – ou quem se quer – e participar da vida política e social da cidade, do país, é importante, muito importante.
Provocar ações pessoais, ações coletivas, etc., etc., faz parte de qualquer cotidiano civilizado.
Tanto que, numa sociedade organizada, é direito garantido por Constituição fazer parte ou não de uma agremiação política, por exemplo.
Mas é sempre bom participar.
Não participar do viver cotidiano é zerar-se, é anular-se.
E ser nulo, é ser nada.
Quer dizer, não exercer os direitos garantidos por leis é grave indicativo de inteligência adormecida.
Cidadania é conquista.
Insatisfeito com esse ou aquele candidato, por que não escolher outro?
Sim, votar nulo ou votar em branco é também um direito garantido por lei.
Mas isso tem consequência, e séria.
Quem vota assim pode eleger qualquer um; inclusive o oportunista de plantão sempre à espreita, de má intenção.
Brecht dizia que esse tipo de pessoa, o analfabeto político, é lamentável sob todos os aspectos porque “não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos; não sabe do custo de vida, do preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, que dependem das decisões políticas”.
O analfabeto político, para Brecht, “é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política”, pois “não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos: o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.
Portanto, não deixemos que decidam por nós.
Participemos.
Na hora de votar, e sempre, lembre-se do lema de São Paulo, a 5ª maior cidade do planeta com mais de 8 milhões de eleitores: “Não sou Conduzido, Conduzo” (Non Duco, Duco).
CULTURA
Ontem revi amigos num encontro de exposição de ideias sobre cultura, em São Paulo.
Foi no Hotel Jaraguá, ali na esquina da Martins Fontes com a Major Quedinho. Muita gente importante esteve presente, como o músico Hilton Accioli, parceiro de Geraldo Vandré e autor do jingle Lula-lá; a víúva do educador Paulo Freire, dona Ana Maria Araújo (no clique de Darlan Ferreira); a ministra Marta Suplicy... O jurista Dalmo Dalari abriu o encontro. Depois falaram representantes de grupos culturais da cidade, inclusive o anárquico José Celso, do Teatro Oficina. Fernando Haddad encerrou o encontro prometendo fazer uma boa administração como prefeito. Lembrou que seus adversários nem programas de governo têm. Ele convenceu e foi aplaudido.
PESQUISAS
Os jornais de hoje dão notícia de que o fogo de palha Russomanno, que tem se recusado terminantemente a participar de debates na televisão - junto com Serra - caiu 7 pontos numa semana, segundo nova pesquisa Ibope encomendada pelo Estadão e TV Globo. E vai cair mais. A briga pra valer está entre o PSDB e Haddad.
SÉRGIO RICARDO
Você já leu o novo especial resultante de parceria entre o Instituto Memória Brasil e o newsletter Jornalistas&Cia? Então leia e opine, clicando o link abaixo:
U. DETTMAR
PQP! Esse não podia morrer. Dettmar foi um dos maiores fotógrafos brasileiros com quem tive o prazer de trabalhar, na Folha. Era um amigo e tanto! Adeus, quem sabe um dia. E ontem tive a alegr4ia de rever Jorge Araújo, também um grnade companheiro. Também juntos trabalhamos, na mesma Folha. Viva Jorge!
O livro História do Rádio no Brasil (Editora da Boa Prosa, 2012), da jornalista Magaly Prado, professora de pós-graduação em Redes Sociais na PUC-SP, chega à praça para enriquecer a bibliografia sobre a nossa radiofonia.
Entre tantos, um dos pontos positivos da obra de Magaly é a informação sobre o reconhecimento do padre gaúcho Roberto Landell de Moura como inventor do rádio pelo menos quatro anos antes da primeira experiência do italiano Gugliemo Marconi.
O reconhecimento de Landell de Moura deveu-se a uma campanha iniciada na sua terra e abarcada em São Paulo pelo newsletter Jornalistas&Cia, à frente o seu criador Edu Ribeiro.
Magaly desenvolveu uma obra de fôlego, séria e importante para jornalistas, radialistas e estudantes.
É para ser adotada nos cursos de jornalismo e radialismo, sem dúvida.
Um país se faz com a valorização da sua história.
MILTON NASCIMENTO
Interessantíssima a entrevista de Milton Nascimento, na última edição da revista Serafina, da Folha. Ele fala dos males que agentes da ditadura militar lhe causaram. Isso é história.
CARANDIRU
Hoje faz 20 anos que agentes do Estado invadiram a Casa de Detenção de São Paulo e mataram 111 presidiários. Isso também é história.
PS1 - no livro de Magaly Prado, que pode ser adquirido nas boas casas do ramo, como a Livraria Cultura do conjunto Nacional, eu só faria um senão: o texto referente à minha pessoa, à página 137, que está incompreensível.
PS2 - leiam texto aqui blogado no dia 7 do mês passado, sobre Landell de Moura.
Nunca na história da nossa música popular um artista foi tão louvado em folhetos de cordel, livros e músicas dos gêneros os mais diversos como Luiz Gonzaga, o rei do baião.
Especialmente neste ano do seu centenário de nascimento uma longa e farta programação já está em andamento, principalmente na região Nordeste, notadamente Pernambuco, onde nasceu.
No tocante, porém, ao repertório dos discos com músicas suas e de parceiros regravadas tem sido, até aqui, um tanto redundantes.
Mas muita coisa boa certamente ainda há de vir.
AGRADECIMENTO
Aproveito para agradecer ao poeta-agrônomo Kydelmir Dantas o envio de folhetos sobre Gonzaga, discos de Israel Filho e Joan Marques e um exemplar da revista Domingo do Jornal de Fato, com entrevista do fundador da Cortez Editora, o rio-grandense do Norte José Cortez.
FANTÁSTICO
Domingo que vem 7, tem mais notícias sobre o Rei do Baião no programa Fantástico, da Globo. E o filme Gonzaga - de Pai Pra Filho, de Breno Silveira, já tem data de estreia nacional: 26 deste mês.
ANDY WILLIAMS
Somente agora tomei conhecimento da morte do cantor Andy Williams, uma das grandes vozes norte-americanas ao lado de Sinatra e Peggy Lee. Williams chegou a gravar alguns brasileiros, como Mario Albanese/Ciro Pereira e Dorival Caymmi.
Hebe Camargo nasceu em 1929, mesmo ano e um mês antes de o tieteense Cornélio Pires lançar o primeiro lote de discos independentes de um total de 52, cujo conteúdo eram o canto e o humorismo dos artistas caipiras paulistas daquele tempo.
Ela própria, nascida em Taubaté, incorporaria o estilo do cantar rural na dupla Florinda e Florisbela, que formaria nos anos 1940 com a irmã Stella; e com a mesma irma, mais as primas Helena e Maria, o quarteto Do, Re, Mi Fá, de curta existência.
Hebe, que gravou sambas, boleros e outros ritmos primeiramente em discos de 78 RPM, depois em LPs e CDs, não resistiu ontem de madrugada a um ataque cardíaco e morreu; e a sua irmã bem antes.
Ela brilhou na telinha de fazer doido desde a sua implantação no Brasil em 1950, pelo paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo.
A cerimônia de sepultamento do seu corpo, das 6h46 as 11 horas no cemitério São Paulo, rendeu valiosos pontos do Ibope ao SBT, que ultrapassou a Record e empatou com a Globo dos Marinhos.
É a vida.
Ou: a vida é de morte.
Ou: de morte vive a vida.
Ou: sei lá!
EXPOSIÇÕES
Pelos menos três das cinco exposições/instalações inauguradas ontem de manhã no prédio da Caixa Cultural de São Paulo, ali na Praça da Sé, 111, merecem ser visitadas com carinho: Os Robôs de Alamon, do uruguaio Gustavo Alamon; Sobre Anjos, Santos e Guerreiros, do baiano Marcos de Oliveira; e Gepetos de Praga, a Arte Viva das Marionetes da Republica Tcheca, produzida por Terra a Vista Comunicação, Marketing e Cultura, com curadoria assinada por Clovis Arruda.
Essa última encanta e enche de alegria os olhos e coração de crianças a adultos. Belíssima.
Nela se acham a arte e a tradição das marionetes da Republica Tcheca.
É uma retrospectiva com peças que abrangem períodos que somam quase 200 anos. Nenhum detalhe dessa exposição e irrelevante.
E como se não bastasse, as crianças encontram lá um amplo espaço para aprender e se divertir com amigos, pais e avós.
A entrada é franca, como franca é a entrada para a exposição de Marcos de Oliveira e a de Gustavo Alamon.
Essas duas são também incríveis, sob todos os aspectos.
Centenas de mensagens de grupos artísticos, entidades culturais e amigos de todo o País e até do Exterior baixaram ontem e hoje no Facebook e na minha caixa eletrônica, felicitando por meus primeiros 60 anos de vida.
Mensagens até em árabe, como esta de Peter Alouche:
عيد ميلاد سعيد(Feliz aniversário)
E poemas como este, de Luiz Wilson:
A família do cordel
Do Forró, do repentista
Cumprimenta o menestrel,
Pesquisador e Jornalista
Que deixou João Pessoa,
Rumo á terra da garoa
E se tornou grande ARTISTA!
E este, de Pedro Monteiro:
Meu querido companheiro
Que tudo na tua vida,
Seja uma estrada florida
De vislumbrar altaneiro!
Que navegue o teu veleiro
No mais propício cenário,
Assinale o calendário
Com a tinta da alegria,
Pôs compus esta poesia
Para o teu aniversário.
E exageros como este, de Ayrton Mugnaini:
- Há 60 anos tivemos uma troca de Franciscos... O Alves infelizmente nos deixou e o Assis chegou... Esperamos que Assis fique ainda mais tempo aqui, e de qualquer forma ambos são eternos! Felicitações e um e-abração.
Alguns amigos enfrentaram a noite fria para um abraço pessoal aqui em casa. Atualizando conversas e brindando a data, conosco estiveram o cordelista Marco Haurélio, o ator Alessandro Azevedo, o pintor Aristides Sergio Klafe, o advogado Roberto Marino, filho dos autores da valsa-choro Rapaziada do Brás; o maestro Mário Albanese, os músicos Papete e Jorge Melo, as cantoras Célia e Celma, o escritor e vice-presidente do Instituto Memória Brasil, Roniwalter Jatobá; os jornalistas Wilson Baroncelli, Eduardo Ribeiro, Matias José Ribeiro e Denise e Antônio Carlos Fon, além dos multimídias Rodolfo Zanke e Darlan Ferreira; os dois maiores craques da digitalização no Brasil, Ricardo Cavalheira, o Franja, e Felipe Sander; mais minhas filhas Clarissa e Ana, a minha companheira Andrea e sua irmã, Adriana; Marina, Pedro, Ivone, Joel, Daniel, Tadeu...
Agradeço a todos que de uma forma ou de outra se manifestaram pelos sessentinhas.
Claro: eu gostei da festa, pá!
Foi muito bom estar hoje, de manhã, falando sobre cultura popular no auditório do Comando Militar do Sudeste, aqui na capital paulista.
O tema foi incluído no VI Ciclo de Comunicação Social “O Exército Brasileiro na Sociedade: Aproximar para Conhecer, Conhecer para Informar”.
Foi a primeira vez que isso ocorreu – de alguém falar sobre esse assunto – numa das unidades do nosso Exército (registro no clique do midiático Darlan Ferreira).
Senti-me honrado.
Até o general Adhemar da Costa Machado Filho, comandante militar da região, esteve presente.
A plateia, formada por militares e estudantes universitários, esteve atenta.
Várias perguntas, todas inteligentes, foram feitas após a explanação sobre a importância da cultura popular na formação das pessoas e da sociedade.
E eu as respondi, com carinho.
A cultura popular - eu digo sempre - é instrumento forte de uma nação, como as forças armadas.
Não esqueci, evidentemente, de falar sobre cordel e repentistas; de Shakespeare, cuja obra é quase toda baseada na cultura popular; dos irmãos Grimm, de Monteiro Lobato, que dizia que "um país se faz (forma) com homens e livros; Câmara Cascudo, Sílvio Romero, Guimarães Rosa, Inezita Barroso, do poeta Patativa do Assaré e do rei do baião Luiz Gonzaga, os dois últimos referidos esta semana num curso de intercomunicação que está sendo ministrado pelo jornalista norte-americano Bill Hinchberger na Sorbonne, em Paris, onde estive, não faz muito tempo, fazendo pesquisas sobre cultura popular (trovadores) e Geraldo Vandré.
“Usei Gonzagão/Patativa para falar da migração do Nordeste para SP e o Sul. Usei Apesar de Você, de Chico, para falar da ditadura. Acho que a música ajuda. Coloco traduções das letras na tela", informou hoje Bill, no Facebook.
Aproveitei para perguntar se ele já havia visto o filme Saudade do Futuro, de Cesar Paes e Marie Clémence, que tem por base um de meus livros: A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo.
O filme, um longa metragem, é inédito no mercado brasileiro, mas muito premiado na Europa e Estados Unidos.
Pois é, tem disso.
Mas o Brasil tem jeito.
Clique: http://eventoscmse.wordpress.com/2012/09/26/assis-angelo-abre-3o-dia-de-palestras-do-vi-ciclo/
ANIVERSÁRIO
Amanhã o newsletter JORNALISTAS&CIA completa 17 anos de existência. Palmas e parabéns para o mais longevo e importante newsletter do Brasil. Viva Edu Ribeiro, seu criador! Viva Wilson Baroncelli - que me aguenta nem imagino como - e toda a equipe que o faz!
RONIWALTER
E o escritor amigo Roniwalter Jatobá liga para fazer tim, tim. Ele lá, na paz da sua casa, e eu cá. Ele diz que é importante fazer isso - tim, tim - na virada da hora, da meia-noite etc. Eu olho o relógio e acuso: tá chegando; tá chegando a hora que o rei da voz, Chico Alves, bateu de cara com um caminhão na via Dutra e se acabou, exatamente há 60 anos. Foi quando eu nasci!
Quanto mais forte e visível for a cultura de um povo, mais forte e visível será esse povo.
Disso não tenho dúvidas.
E dúvidas também eu não tenho quanto fortes são a nossa cultura e o nosso povo.
As forças armadas - as três forças - são igualmente necessárias para o fortalecimento de um povo, de uma nação.
A Marinha, a Aeronáutica e o Exército de qualquer país deverão estar sempre de prontidão, para garantir a soberania.
E isso é muito importante, naturalmente.
Um povo sem cultura e sem forças armadas não é nada.
O meio mais fácil de nominar um povo é pela cultura.
Amanhã direi isso em palestra numa unidade do Exército daqui da capital paulista.
O tema?
Cultura popular.
Preparem-se para boas surpresas no filme Gonzaga – de Pai Pra Filho, que assisti na última sexta à tarde na sede da distribuidora Paris Filmes em São Paulo, ao lado de Chambinho do Acordeon (no cartaz, ao lado) e outros amigos.
O filme, mais um belo longa do carioca descendente de paraibano Breno Silveira, trata da vida do pernambucano Luiz Gonzaga e sua conturbada relação com o filho adotivo, Luiz Gonzaga do Nascimento Jr.
Começa com Gonzaguinha ligando um gravador para tomar declarações do Rei do Baião sobre as suas origens.
Chambinho interpreta Gonzaga no período compreendido entre os 27 e 50 anos de idade, ou seja: desde o início da sua brilhante carreira até seu declínio no começo dos anos 1960, com a Bossa Nova em ascenção e o surghimento da Jovem Guarda, do Tropicalismo e dos festivais da música popular que revelaram, entre outros, Caetano, Vandré, Milton, Elis e Gil, que, aliás, marca belo tento com música que fez especialmente para a trilha do filme.
E surge a primeira surpresa: a atuação marcante de Chambinho, que toca e canta de verdade e atua com a categoria dos grandes atores.
Coube a Land Vieira interpretar Gonzaga, dos 17 aos 23 anos; e a Adélio Lima, aos 70.
Gonzaguinha também é revivido em três épocas.
A primeira dos 10 aos 12 anos, por Alison Santos; a segunda dos 17 aos 23 anos, por Giancarlo Di Tommaso; e a terceira dos 35 aos 40, por Julio Andrade.
Participam do filme uma centena de atores e dois mil figurantes.
Gonzaga – de Pai Pra Filho tem tudo para se tornar um grande sucesso de bilheteria, inclusive cenas que levam ao riso e às lágrimas.
Numa palavra: é belo.
A estreia nas telas de todo o País está prevista para o final de outubro.
Antes, a partir do próximo domingo, estreia no programa Fantástico, da TV Globo, a primeira de três partes de um documentário sobre o Rei do Baião.
Veja trailer, clicando sobre a imagem abaixo:
Ontem, pontualmente às 11 horas, o cantador contador de histórias maior da cultura popular Rolando Boldrin estava onde anunciou que estaria: no teatro da mãe do meu amigo Pedro Herz, Eva, ali na Cultura, livraria, Conjunto Nacional, Paulista etc.
Ele, Boldrin (comigo e Marco Haurélio, no clique profissional de Henrique Corio), contou causos e cantou alegre e feliz ao som do seu violão durante hora corrida no teatro, antes de rubiscar os exemplares, às centenas, para fãs e fans que se estendiam em filas que davam dobras.
Coisa bonita demais, sô!
E lembrei de Loyola, de Roniwalter Jatobá, Marcos Rey, Ives Gandra, Mário Chamie, Lygia Fagundes Telles, Evandro Ferreira, Marcus Vinicius, Henrique Mateucci, Arnaldo Xavier...
Éramos habituês da livraria, nas tardes de sábado.
Lembranças.
Uns que aqui ainda estão, outros que aqui não.
Quanta gente bonita esteve nos primórdios do embrião da livraria do Pedro, hein Pedro?
Viva este País de todos!
O mais natural contador de causos da nossa televisão, o paulista de São Joaquim Rolando Boldrin, lança amanhã mais um livro que se lê num sopro, de tão bom que é: História de Contar o Brasil.
O livro, que tem a chancela da editora Nova Alexandria, será lançado na livraria Cultura (Avenida Paulista, 2071), a partir das 11 horas.
Depois de contar uma história passada com ele próprio, mais o humorista Millôr Fernandes, o ator Lima Duarte, a atriz Tônia Carrero e o escritor Rubem Braga, em Maceió, Boldrin explica aos leitores o que são causos e em seguida conta uma ruma deles, todos de fazer rir e gargalhar, como o que inicia o livro, envolvendo um certo Dito, amigo de infância, e o que o encerra, que tem por personagem um viajante dorminhoco que perde m trem que não deveria perder.
O livro História de Contar o Brasil é de rolar de rir.
A Kuarup Música acaba de repor no mercado duas preciosidades há muito desaparecidas: os CDs Cantoria volumes 1 e 2, com Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai.
Esses discos (ao lado), resultantes de um espetáculo realizado no Teatro Castro Alves, em Salvador, entre os dias 13, 14 e 15 de janeiro de 1984, foram originalmente gravados – e lançados – no formato de LP.
E de Vital, curiosa e coincidentemente, recebi no início da madrugada de hoje este mimo, via email, que compartilho com vocês:
Meu amigo/irmão Assis Ângelo
Quando me lembro de você, me vem várias passagens, tanto aí em Sumpalo, como também em outros momentos!
Pensando e lendo o seu Blog, vez e quando me remeto aos versos que queiram ou não sempre faz da gente brasileira que se preocupa com tudo que se passa nos nossos sentidos!
Porém Lendo agora sobre estrofes e versos que falam do seu labutar, me veio uma do poeta/jornalista/escritor/advogado e delegado de Polícia federal de Brasília/parahybano de Princesa, que certamente você já deve ter lido o seu primeiro livro publicado há alguns anos atrás com o título "Verso Menino". Nele, além de muitos poemas lindos, tem um que faz parte da minha paixão e da minha visão política em relação à politicagem externa que os EEUU desenvolvem há séculos no mundo inteiro querendo a todo custo humilhar as nações que de uma forma ou de outra não aceitam os seus desmandos nem tampouco se sujeitam às suas deliberações! Guerra de Facão. Diz assim:
VOU USAR MEU FACÃO NESSE REPENTE
PRA CANTAR UM MARTELO AGALOPADO
E DEIXAR MEU FACÃO MAIS AFIADO
DO QUE A LINGUA DA "VÉIA" DO BATENTE
VOU SINGRAR OCEANOS, CONTINENTES.......esqueci, pô... pô...
Mas aí vem a segunda estrofe:
MEU FACÃO VAI USAR SUA FAMA E NOME
BEM NO CENTRO DOS ESTADOS UNIDOS
VAI MATAR MEIA DUZIA DE BANDIDOS
QUE SÓ FEZ NOSSA GENTE PASSAR FOME
VAI VINGAR A CRIANÇA QUE NÃO COME
E A MÃE MORTA NOS BRAÇOS DA PARTEIRA
VAI ENSINAR A TIO SAM MUIÉ RENDÊRA
PRA MOSTRAR A NAÇÃO MAIS QUE TUPY
FECHA AS PORTAS DO FMI
E TRÁS DE VOLTA A BANDEIRA BRASILEIRA
MIGUEZIM DE PRINCEZA É FODA!
UM BEIJO NO CORAÇÃO PRA VC.
Esse é o Vital falado, sempre espontâneo nos seus escritos e colocações.
Só agora fiquei sabendo que o cordelista e xilogravador sergipano Zacarias José dos Santos morreu; e que a missa de 7º dia em sua memória foi celebrada ontem, às 19 horas, na Igreja da Consolação.
Fiquei triste com o seu passamento.
Conheci Zacarias há muitos anos, ainda nos tempos em que eu atuava como repórter nos jornais da capital paulista.
Depois que deixei o jornalismo diário, e de passar pela produção da Abril/Video, Manchete e Globo, a nossa amizade continuou.
Esporadicamente ele me visitava no escritório ora do Metrô, ora da CPTM, empresas em que trabalhei como assessor de comunicação.
Ele gostava que eu lesse seus folhetos e artigos sobre cultura popular que publicava no jornal paulistano O Dia, para o qual também cheguei a colaborar com alguns textos.
Zacarias, que assinava seus folhetos como Severino José, nasceu no dia 5 de março de 1932, num lugarejo chamado Marcação, elevado a município com a denominação de General Maynard em novembro de 1963.
Ele trocou Marcação por São Paulo em 1953.
Um de seus folhetos mais bonitos, desenvolvidos em sextilhas, é A Grande Paixão de Carlos Magno Pela Princesa do Anel Encantado, incluído numa coletânea da paulistana Editora Hedra.
Aliás, Zacarias era craque em sextilhas e acrósticos.
Ao fim do folheto sobre a paixão do imperador Carlos Magno, ele escreveu:
S-alve esta linda história
E-ncantada e tão bonita
V-i num livro muito antigo
E-ntre coisa tão catita
R-imando em minha escrita
I-nda que pobre inspirada
N-unca houve tanto amor
O-h gente bem educada
Há exatos 20 anos, Zacarias José nos prestigiou na Bienal Internacional do Livro.
Na ocasião eu estava lançando O Coronel e a Borboleta e Outras Histórias Nordestinas.
A foto que ilustra este texto foi extraída do livro A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo, de minha autoria.
O filme Tropicália, de Renato Terra e Ricardo Calil, cumpre, de forma impecável, a tarefa de mostrar e explicar às gerações recentes - e futuras - o movimento tropicalista que tinha na linha de frente Gil, Caetano e Tom Zé no começo da segunda parte dos anos 1960.
O movimento durou um anos e dois meses, ou seja: de outubro de 67 a dezembro de 68.
E o registro musical original constante do seu acervo é de apenas seis discos.
O auge ocorre com o LP Panis et Circencis, de Caetano.
Pois é, e o barulho em torno dele continua.
O filme de Terra e Calil parte de imagens inéditas em p&b de Gil e Caetano em Portugal, ocasião em que os dois foram entrevistados numa TV pelo humorista Raul Solnado.
Àquela altura, o movimento já fora sepultado.
Vale a pena assistir o filme, com duração de uns 80 minutos.
RAUL CÓRDULA
O artista plástico campinense Raul Córdula é o curador da mostra 13 Artistas Paraibanos Contemporâneos que será aberta à visitação pública amanhã, às 20 horas, no Centro Universitário Maria Antônia (Espaço 5).
A mostra, que recentemente reinaugurou o Museu de Arte Assis Chateaubriand, de Campina Grande, PB, faz parte da 17ª Semana de Arte e Cultura da Universidade de São Paulo, na capital paulista.
Raul (eu sou de óculos), junto com Selene Sitônio e João Câmara Filho, foi um dos meus professores de artes plásticas na divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba, nos começos dos anos 1970.
A foto que ilustra este texto é dessa época e feita na redação do jornal O Norte, dos Diários Associados, onde iniciei a carreira de jornalista trabalhando ao lado de Augusto Crispim, Barroso Neto, Martinho Moreira Franco, Anco Márcio, o fotografo Djalma Goés; os veteranos José Leal e Gonzaga Rodrigues e tantos mais.
Quantas lembranças!
Meus professores viam em mim talento de artista que nunca tive, mas valeu o esforço: aprendi a gostar de artes.
Os 13 artistas que participam da exposição, no Espaço 5 do Centro Universitário Maria Antônia, são:
Alice Vinagre, Braz Marinho, Célia Araújo, Chico Dantas, Chico Pereira, Dyógenes Chaves, João Lobo, Luiz Barroso, Manuel Dantas Suassuna, Marcelo Coutinho, Marlene Almeida, Rodolfo Athayde, Rosilda Sá.
ALAÍDE COSTA
A produtora musical Livia Mannini informa que a cantora Alaíde Costa se apresentará na noite de sexta 21, no espaço cultural Casa de Francisca, à Rua José Maria Lisboa, 190. Alaide é a voz da bossa nova, estranha e linda. Faz tempo que não a vejo, vamos ouví-la?
PINTANDO O 7
Foi legal domingo 16 a festa comemorativa aos cinco anos do programa Pintando o 7, do artista popular pernambucano Luiz Wilson na casa de espetáculos Eucaliptus, em Interlagos, zona Sul da cidade. O programa vai ao ar todos os domingos de manhã pela Rádio Imprensa FM 102,2. Compareceram à festa Fatel, Anastácia, Emídio Santana, a dupla de emboladores Caju e Castanha e Chambinho, que viverá o rei do baião quando jovem no filme de Pai Pra Filho partir do mês que vem.
Clique:
E de lambuja seguem uns versinhos setissílabos do Luiz Wilson ditos por ele mesmo na noite de domingo 16, como se eu os merecesse. Estes:
Agora peço licença
Para homenagear
Um Cidadão Paulistano
Paraibano exemplar.
Escritor vitorioso,
Jornalista e estudioso
De cultura popular.
Um cidadão Brasileiro,
Poeta João Pessoense
Instrutor e palestrante
Que faz com que o povo pense.
História no jornalismo
Que com profissionalismo
Já comprovou que convence.
Começou em tenra idade
Ainda na terra forte
No correio da Paraíba
Antes no Jornal o Norte.
Passou por Caruaru
Mas veio como eu e Tu
E São Paulo lhe deu suporte.
Inovou no jornalismo
Na escrita e linguajar
Folha, Estado de São Paulo
E no Diário popular.
Sem esquecer, no ensejo
Do Diário sertanejo
O caderno complementar.
Produziu e apresentou
Um Programa especial,
Que foi líder de audiência
Pela Rádio Capital
São Paulo capital Nordeste
Mobilizou o sudeste
Pelo diferencial.
Ele descreve com mérito
A Cidade e o Sertão,
Do resgate das origens
À modernização.
Conhece a fundo e de sobra
Sobre a vida e grande obra
De Luiz, Rei do Baião.
Fez história na TV
Abril vídeo e manchete
E também trabalhou na Globo
Com o talento que compete.
Tem história na bagagem
Pra merecida homenagem
DO PUBLICO QUE PINTA O SETE!
Natural de Sertânia, PE, o comunicador Luiz Wilson mora na capital paulista há três décadas. Nos últimos anos, ele tem se destacado como cantor, compositor e cordelista à frente do programa Pintando o Sete, que amanhã completa cinco anos de existência na grade dominical da rádio Imprensa FM 102,5.
Wilson começou a carreira nos anos 1980, ao lançar dois discos no formato de compactos – duplos – antes do primeiro LP, Sinal Vermelho, de 1990, com arranjos de Oswaldinho do Acordeon.
Amanhã na casa de espetáculos Eucaliptos, à Avenida Atlântica, 4133, Interlagos, ele comemorará o tempo que se acha no ar na Imprensa ao lado de uma legião de fãs e artistas, entre os quais Anastácia, Chambinho - astro do filme Gonzaga, de Pai pra Filho (nas telonas a partir do próximo mês), Fatel, Trio Virgulino, Trio Jeremoabo, Trio Umbuzeiro, Téo Azevedo e a dupla de emboladores Caju e Castanha.
Os craques da viola improsidora Edival Pereira e Fenelon Dantas também estarão presentes.
A festança tem hora para terminar (16), mas não para terminar.
Nossos votos de vida longa ao programa Pintando o Sete.
“Eu vou cuidar de você”.
Foi isso o que vi/ouvi arrepiado, estarrecido e triste, do candidato líder nas pesquisas à prefeitura paulistana hoje, no horário besteirol da TV, que pagamos.
E a figurinha em si, hein?
Triste, não é?
Triste ver/ouvir de um político carreirista dizer isso sobre nós, em direção a nós, para nós, como se fôssemos dele dependentes; o contrário, pois é ele que depende de nós.
Triste de um povo de uma cidade, de um Estado ou país, de uma nação, que precisa da tutela de um candidato a cargo eletivo para sobreviver.
Triste de um povo que não pensa.
Acorda São Paulo!
Acorda Brasil!
Façanha e tanto é uma revista no nosso país chegar aos 25 anos, principalmente se ela for especializada em Jornalismo.
Essa revista existe e se chama Imprensa.
Seu fundador, Sinval de Itacarambi Leão, elaborou uma programação especial para discussões em torno da profissão e homenagear um de seus grandes representantes: o paulista de Santa Rosa de Viterbo José Hamilton Ribeiro.
A abertura ocorreu ontem à noite no teatro da unidade Santana do Serviço Social do Comércio, Sesc.
O homenageado esteve presente.
Informalmente entrevistado por sua colega Neide Duarte, José Hamilton disse coisas interessantes e reflexivas sobre a profissão que abraçou há meio século.
Ele brincou, contou causos e até se emocionou.
Falou da competência feminina, dos amigos, da Internet, de como começou a carreira, de tudo.
Nenhuma pergunta ficou sem resposta, nem a que tratou do acidente de que foi vítima na guerra do Vietnã em 1968, ao pisar numa mina camuflada e perder parte da perna esquerda.
Ele arrancou risadas antes e depois de falar de seus medos, que são três: morrer, entrar em caverna e ser picado por abelha.
Antes um vídeo de 15 minutos contou parte da sua trajetória.
Zé apresentou uma fórmula simples, que inventou por brincadeira.
Segundo ele, uma grande reportagem (GR) tem de ter um bom começo (BC), para prender o leitor; e um bom final (BF), para deixar o leitor com gosto de quero mais.
No meio disso, ele recomenda trabalho vezes talento (T x T) elevado à potência N, que é a potência necessária para uma reportagem ganhar o carimbo de Grande Reportagem.
Viva o professor José Hamilton Ribeiro!
PROGRAMAÇÃO
A programação da revista Imprensa no Sesc foi reiniciada hoje de manhã, com discussões sobre mídias sociais, arquitetura das empresas de comunicação e jornalismo digital; e termina amanhã, com debates em torno dos desafios da cobertura jornalística 24 horas, a relação entre mídia e publicidade, a vocação do jornalismo impresso e a mídia eletrônica.
ANIVERSÁRIO
Hoje o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré completa 77 anos. A diferença de idade entre José Hamilton e Geraldo é de apenas duas semanas. Para Geraldo, ficam o registro e os nossos votos de saúde e bem-estar.