Seguir o blog

sábado, 22 de junho de 2013

TEM SÃO JOÃO NO IBIRAPUERA

O inverno nestas bandas de cá do Hemisfério Sul começou ontem às 2h04, mas as outras estações também estiveram presentes.
O frio foi pouco, o calor um pouco mais.
E hoje o sol está aí arejando a cara da gente, nos deixando mais animados, enquanto a seca no Nordeste continua castigando gentes e bichos, fazendo lá o povo pobre todo triste.
Eis aí, aliás, mais um bom motivo para protestos pacíficos e civilizados nas ruas do País, pois é do conhecimento de todos que sai ano e entra ano e a seca continua predominando nos nove Estados nordestinos; Estados que acolhem pelo menos 1/3 da população brasileira, hoje estimada em cerca de 200 milhões de pessoas.
Por que, então, não acabar de vez com a seca, já que isso é possível, hein?
Sim, a questão só depende de decisão política, como tantas outras.
Você sabia que no subsolo nordestino há pelo menos 130 bilhões de metros cúbicos d´água?
O inverno tem a ver com fartura, alegria e vida.
E água é o líquido mais importante do mundo.

SUPERLUA
Amanhã a noite brasileira estará mais alumiada. Isso se deverá ao fenômeno cientificamente denominado de perigeu lunar, que é quando a Lua fica aparentemente maior e mais brilhante aos nossos olhos: ela estará a 360 mil quilômetros da Terra, quando a média é de 380 mil quilômetros.
 
FESTAS JUNINAS
E por falar em noite alumiada, logo mais às 19 horas haverá festa junina de graça no Auditório Ibirapuera, ali na Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n, Portão 2. Estarão no palco voltado para a plateia externa, os Irmãos Aniceto, Chico Paes de Assaré e o sobrinho sanfoneiro do Rei do Baião, Joquinha Gonzaga (foto). Detalhe: não haverá venda de comidas típicas, nem brincadeiras próprias do mês.
 
GARDEL
Pois é, achei bonito o papa pop Francisco dizer, sem frescura, que Carlos Gardel e Astor Piazzolla são seus ídolos, desde sempre. Mais um ponto para os argentinos. Aliás, há dois anos quando estive em Buenos Aires fazendo pesquisa sobre Luiz Gonzaga, o rei do baião, ouvi do diretor da Biblioteca Nacional de lá que o governo de Cristina estava adquirindo tudo sobre Gardel, com o propósito de recompor a trajetória do Rei do Tango. E nós aqui...

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O CAPETA, DALÍ, KAFKA E DEUS

Ontem, no começo da noite, peguei meu boné e fui ver de perto o que ocorria na Paulista e redondezas. Vi estudantes e não estudantes de cores e idades diversas metendo o pau no governo de modo puro e simples. Alguns de caras-pintadas e outros não, mas quase todos exibindo cartazes e gritando palavras de ordem aparentemente sem nexos nem plexos, desordenadamente.
De repente um Capeta mascarado e mais um mais outro pularam na minha frente escudados com a bandeira do Brasil.
Enquanto eu dava um pulo para trás, assustado, eles explodiam numa gargalhada uníssona, esquisita, me convidando a engrossar o movimento deles, de protesto contra tudo.
Eu disse: vade retro!
Vade retro disse também um moço magro, franzino, de estatura mais pra baixo do que pra alto, bem-vestido, educado, de olhar profundo, orelhas pontudas e cabelos curtos cortados ao meio que estava ao meu lado e que a mim se apresentou como Kafka, Franz Kafka.
Kafka recomendou que eu não chorasse e levasse a situação numa boa, pois a vida é assim mesmo: ora simples, ora estranha; e ao se juntar o simples com o estranho, o resultado, em qualquer língua – ressaltou - é, digamos, kafkiano.
Faz sentido... – balbuciei um tanto tímido, pensando no assassinato do arquiduque do império Austro-Húngaro Francisco Fernando Carlos Luís José Maria de Áustria-Este e da sua mulher Sofia, duquesa de Hohenberg, por um lunático anarquista de 19 anos chamado Gavrilo Princip que levou boa parte do mundo à tristeza da Primeira Grande Guerra, em julho de 1914.
Às vezes – prosseguiu Kafka, calmo e filosófico -, a vida nos parece um encanto, um sonho e, às vezes, um pesadelo.
Olhando para os lados, mas indiferente ao que ocorria à nossa volta, o escritor checo contou, sem eu perguntar, que o seu personagem Gregor Samsa surgiu assim, do nada, e do nada foi baixar nas páginas de Metamorfose, em 1915.
- O ser humano é monstruoso, essa é que é a verdade – disse ele educadamente, enquanto me puxava a um canto para dizer mais.
Kafka disse que certa vez exagerara nas doses de vodka que tomara numa taberna de Praga onde nascera, em 1883, e tarde da noite acordara suado, tremendo, com sintomas de delirium tremens, querendo acabar consigo e com o mundo todo, pois estava de saco cheio com tudo, com todos; e todos lhe pareceram naquela ocasião que estavam também de saco cheio com tudo; e sendo assim lhe seria até mais fácil dá cabo de tudo.
Tentei dizer algo, mas Kafka interrompeu:
- Eu mesmo tenho muita pena de Gregor, que quis mudar o mundo a seu modo se transformando num inseto para chamar a atenção do horror que muitas vezes são pessoas e sistemas. Não conseguiu.- E de Josef K? – arrisquei, timidamente.
- Eu também tenho muita pena de Josef. Josef é um de nós, perdido, neste mundo louco.
Sem que desconfiássemos, a nossa conversa estava sendo acompanhada por um sujeito de modos ricos, perfumado, dedos anelados, olhos esbugalhados, cabelos longos e bigodes finos apontando para o céu. Sem pedir licença, o desconhecido foi logo dizendo que era Salvador Dalí. Dito isso, apontou para a multidão e com certa ojeriza falou:
- Vocês sabem qual é a diferença entre mim e esses malucos aí?
Eu e Kafka nos olhamos, incrédulos.
Antes de ele nos virar as costas numa gargalhada estrondosa, respondeu:
- É que eu não sou maluco, eu pinto a realidade e vivo sonhos!
Mas Kafka queria saber coisas a nosso respeito.
Eu disse que o Brasil é o melhor país do mundo.
Ele deu uma risadinha que não compreendi direito para se estender na pergunta:
- Se é o melhor país do mundo, por que então esse povo todo está na rua batendo lata, gritando, dizendo coisas incompreensíveis, sem nexos e quebrando tudo? É essa a maneira de o povo brasileiro mostrar a sua alegria? Esquisito, não é?
Respondi que não, que essa era uma maneira de os brasileiros mostrarem que estão insatisfeitos com a roubalheira, com a corrupção, com falta de escolas e professores preparados para educar; com o custo de vida alto e os salários baixos, com a inflação dando as caras e a incidência de crimes aumentando...
- Então este não é o melhor país do mundo! A mim me parecer ser o Brasil uma grande invenção, isto sim; uma utopia, uma coisa única, de gênio, de Deus.
Nisso, à nossa frente, do nada surge um velhinho de barbas brancas, maltrapilho e alquebrado rogando:
- Eu já fiz o que pude. Agora, por favor, me tirem dessa história.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

SEGUEM PROTESTOS NAS RUAS DO PAÍS

Enganou-se quem pensou, como eu, que ao sintonizar a TV Cultura para acompanhar entrevista de representantes do Movimento Passe Livre, MPL, na última segunda, 17, iria escutar um batido e rebatido repertório de chavões contra o governo.
O que se viu foi um par de jovens – Nina Cappello, estudante de direito; e Lucas Monteiro de Oliveira, professor de História - se expressando até com alguma dificuldade sobre o movimento que ajudaram a criar e que tem levado em seguidas ondas às ruas do Brasil milhares e milhares de outros jovens, desde o dia 6 passado.
Naquele dia os protestos reuniram 2 mil pessoas, segundo a Polícia Militar; ou três vezes isso, segundo os organizadores.
O volume de manifestantes foi gradativamente aumentando nas ruas da capital paulista, e em paz: no dia 7, cerca de 5 mil; no dia 11, outras 5 mil; no dia 13 mais 5 mil, segundo a PM (20 mil, segundo os organizadores); no dia 17, 65 mil; e ontem, 10 mil.
No dia 17, calculou-se uma multidão de 250 mil pessoas espalhada País a fora.
Mas a ideia dos líderes do MPL é levar 20 milhões de brasileiros às ruas.
Neste momento, aliás, mais de 300 mil pessoas ocupam as ruas do centro do Rio de Janeiro.
Na capital pernambucana, cerca de 60 mil pessoas protestam contra tudo.  
Em Brasília, o clima é tenso: forças policiais acompanham de perto a movimentação de pelo menos 10 mil pessoas.
Três mil policiais miram a movimentação de 5 mil pessoas que começam a ocupar a Avenida Paulista rechaçando partidos políticos e gritando palavras de ordem.
Em Salvador, arruaceiros tacam fogo em ônibus.
 
BARNABÉ - A partir de amanhã e até o próximo dia 29 - de São Pedro e São Paulo -, o cantor, compositor e instrumentista Arrigo Barnabé interpreta uma dúzia e pouco de músicas do autor gaúcho Lupicínio Rodrigues, no Teatro Sérgio Cardoso, que fica ali na Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, que Adoniran Barbosa chamava de Bixiga.
Arrigo sobe ao palco às 23h30, pontualmente.

CEZAR DO ACORDEON - Antes, às 20 horas, quem sobe ao palco, e gratuitamente, é o sanfoneiro Cezar do Acordeon. Ele se apresentará na Tenda do Bosque Maia, à Avenida Paulo Faccini, s/n, Jardim Maia, em Guarulhos. Cezar é um dos maiores craques do instrumento que escolheu para tocar. Vamos prestigiá-lo?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

DOMINGUINHOS, FAUSTO, SÉRGIO RICARDO...

ATENÇÃO, URGENTE! – Daqui a pouco o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad anunciarão à população que a tarifa dos transportes públicos voltará a valer o que valia antes, ou seja: R$ 3,00. Essa decisão se deve à série de protestos iniciada pelo Movimento Passe Livre, MPL, apartidário. A luta do povo por uma vida melhor e condigna, continua.
 
O sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano José Domingos de Morais, o Dominguinhos, continua internado num leito do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.  
Seu estado de saúde ainda é muito delicado, o que impossibilita qualquer previsão de alta. Ele não fala, aparentemente não ouve e nem se mexe, nos disse há pouco o seu filho Mauro.
Anteontem 17, quando se completaram seis meses de sua internação foi identificada uma disritmia logo controlada pela equipe médica que o acompanha, à frente os doutores Paulo Marchiori e Nise Yamaguchi.
O último boletim médico dando conta do estado de saúde do artista foi divulgado pelo hospital no dia 18 de março passado.
As visitas têm sido controladas.
Eu e o compositor e instrumentista baiano Gereba compusemos uma música em homenagem às unidades do Centro Educacional Unificado, CEU, que Dominguinhos com toda disponibilidade e carinho gravou. Ainda é inédita, em disco.  
Clique:
http://www.youtube.com/watch?v=pwM9658fKtk

SÉRGIO RICARDO - O instrumentista, cantor e compositor paulista João Lutfi, mais conhecido por Sérgio Ricardo, completou ontem 82 anos de idade. Sérgio, que também é ator, diretor de cinema, escritor e pintor, integra o grupo dos mais importantes artistas da música brasileira.
Conheça melhor Sérgio Ricardo, clicando:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular06.pdf

ARTIGO 19 - Organização relacionada às questões de direitos humanos no Brasil e fora do Brasil, Artigo 19 lança logo mais, às 20 horas, na Casa da Cidade, o site Chovendo Informações. O site disponibilizará uma espécie de guia de orientação de como acessar água em regiões carentes, como o Semiárido, que há muito sofre com a seca. Até o final do próximo mês, o governo pretende acudir 1.415 localidades da região com equipamentos que auxiliarão na construção e manutenção de barragens, como retroescavadeiras e motoniveladoras.
Clique:
http://chovendo.artigo19.org/

FAUSTO - O cartunista Fausto lança amanhã às 18 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, o seu novo livro: Uns e Outros Cartuns Soltos. Vamos? O Sindicato fica ali na Rua Rego Freitas, 530.

JULIAN ASSANGE - Hoje completa um ano que o jornalista australiano Julian Assange - fundador e um dos conselheiros do site Wikileaks - está em prisão domiciliar na embaixada do Equador, em Londres. Em 2010, ele fez vazar para a imprensa mundial documentos secretos dos Estados Unidos.

FIFA E GLOBO - Interessantíssimo: a Fifa proibiu manifestações dos torcedores nos estádios onde estão rolando os jogos pela Copa das Confederações e a Globo – Plim, pli! – simplesmente desobedeceu, mostrando imagens do público com cartazes, como “Esse Protesto Não é Contra a Seleção, Mas Sim Contra a Corrupção! # Giganteacordou”. É isso aí. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

POLÍTICO TEME POVO NAS RUAS

A história registra que na virada de 31 de março para 1º de abril de 1964, os militares, amedrontados pelo comunismo e apoiados pela elite e orientados pelos norte-americanos, deram um golpe na democracia e se apossaram do Estado brasileiro.
A história registra também que o poder civil no nosso País só foi retomado 21 anos depois, com a vitória da campanha pelas eleições Diretas-já, e com Tancredo Neves (1910-85) eleito presidente da República.
Muita coisa aconteceu desde aquele longo período (1964-85).
Os conservadores ocuparam ruas da capital paulista numa passeata que ficou para a história como Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade, pouco mais de uma semana antes do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart (1919-76).
Pelo menos 500 mil pessoas participaram daquela marcha.
Um dia após o golpe, foi a vez de Minas Gerais, Paraná, Piauí, Goiás e o então Estado da Guanabara levarem às ruas multidões em nome da família com Deus etc.
Quatro anos depois o estudante mineiro Edson Luís foi bestamente assassinado em conflito militar no Rio, resultando em protesto em todo o País e numa música gerada pelo talento do paulista Sérgio Ricardo, intitulada Calabouço.
O ano de 1968 culminou com a decretação do Ato Institucional nº 5, o fechamento do Congresso, políticos cassados e muita gente presa, torturada, desaparecida e morta.
O estopim que provocou a edição do AI-5 foi um discurso sem grandes pretensões do deputado Márcio Moreira Alves (1936-2009), estimulando a população a não ir aos desfiles de 7 de setembro, em protesto contra a violência dos radicais contra os civis pacatos, trabalhadores e ordeiros 
Tudo isso eu digo para lembrar que a ditadura militar foi motivo de esperança e luta de todos nós.
Ontem, cerca de 250 mil pessoas voltaram às ruas de várias cidades do País.
No Rio, calculou-se que a multidão em passeata chegou a 100 mil pessoas.
E num junho como este, só que em 1968, cerca de 100 mil brasileiros foram as ruas centrais do Rio exigir o direito de ser livres.
E neste início de noite, agora mesmo, uma multidão caminha pelas ruas do centro de São Paulo cantando o Hino Nacional.
Naquele tempo, lutava-se contra a ditadura militar.
Hoje, o pretexto são 20 centavos acrescidos à tarifa de ônibus.
O deputado Ulysses Guimarães (1916-92) dizia que o maior temor dos políticos é povo nas ruas.
Aguardemos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

É HORA DE REPENSAR O BRASIL

Não se sabe ao certo qual expressão nasceu primeiro, se “toda massa é burra” ou se “toda unanimidade é burra”, o fato é que uma tem a ver com a outra.
Mas é fato também que “a boiada come o que tem no pasto”, como me disse Vandré num dia qualquer de janeiro de 1985.
Por achar original e verdadeira essa variação das duas primeiras expressões acima lembradas, eu a publiquei numa nota da 2ª página do extinto Diário Popular, de São Paulo, edição de 20/01/85.
Quero dizer com essa lembrança que um país – qualquer país – se constrói com luta, suor e zelo; e que através da memória é possível se reconstruir a história de um país – qualquer país.
Digo isso porque o Brasil está assim, assim; sem rumo, sem prumo, sem saber para onde ir.
A história do nosso País anda tonta, torta, tumultuada, perdida, pois as lições dadas não foram muito bem assimiladas.
É fato.
A ideia que o governo tem transmitido de suas iniciativas à nação é de vitória frequente e firmação econômica etc. e tal, quando forte suspeita leva a todos crerem que o causo não é bem esse.
O povo trabalha muito e ganha pouco, por isso vive mal.
É fato, mas não é só isso.
A corrupção graça em quase todos os setores da vida pública e privada do nosso cotidiano, em prejuízo de uma democracia verdadeira e sólida. 
Há uma festa de arromba por trás das cortinas, em prejuízo da nação.
Vive-se a ciranda do lucro pelo lucro, do roubo, do furto, da violência.
A questão que tem levado às ruas os ingênuos e espertos – esses sempre de prontidão - é outra.
Na verdade, são outras as questões que têm levado multidões às ruas de São Paulo e de várias cidades brasileiras.
E o pior é que o sistema democrático vigente entre nós é o mesmo pelo qual lutamos desde sempre.
Impossível, no entanto, esquecer que o berço da democracia, a Grécia, está sendo arrasado pelas profundas e seriais estocadas do capitalismo mortífero, impiedoso, e que tanto vicia os cidadãos mais incautos, por seu canto mágico de sereia fogosa.
Repensar a democracia ou discutir os problemas nela vigentes?
Está na hora, sim, de discutir o Brasil.
O mal vem de cima, por isso é preciso calma nas horas de maior nervosismo.
Pensar é necessário.
Cuidemo-nos.

SUASSUNA
Imperdível a entrevista do paraibano Ariano Suassuna, ontem no canal Globonews. Ele fala sobre arte e política; lembra como escolheu a carreira de escritor e quem o influenciou etc. Diz também que já o chamaram de xenófobo, mas não liga. Suassuna conta ainda que até já deu um sopapo num crítico da sua obra, mas não daria mais.
Clique:
http://globotv.globo.com/globo-news/dossie-globonews/v/dossie-globonews-traz-entrevista-exclusiva-com-ariano-suassuna/2637532/
PS – só não entendi uma coisa: a razão de Haddad não convidar representantes dos manifestantes para  diálogo e apresentação de propostas antes de se realizar o novo embate, previsto para logo mais no final da tarde.

domingo, 16 de junho de 2013

PASSEATAS SEM TRILHAS. CADÊ VANDRÉ?

Um detalhe chama a atenção na série de manifestações públicas que vem ocorrendo Brasil a fora, desde o início deste mês de junho: a ausência de Caminhando – ou Pra Não Dizer que Não Falei de Flores -, música de Geraldo Vandré classificada em 2º lugar (em 1º foi Sabiá, de Chico Buarque e Tom Jobim) na finalíssima do III Festival Internacional da Canção, ocorrida no estádio do Maracanãzinho.
Desde os primeiros momentos de sua classificação em 1968, no Rio de Janeiro, essa música se transformou numa espécie de hino - ou trilha sonora - dos movimentos populares, cantado a todo pulmões pelas multidões nas passeatas.
Aliás, nem o Hino Nacional Brasileiro tem sido ultimamente lembrado pelos manifestantes que legitimamente ocupam as ruas de São Paulo e de outras cidades brasileiras em nome da baixa das passagens de ônibus etc.
Amanhã tem mais movimentos nas ruas.
Para lembrar, CLIQUE:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular02.pdf

sábado, 15 de junho de 2013

PROTESTOS E MAIS PROTESTOS

Por motivos diversos, está-se alastrando perigosamente uma vigorosa onda de protestos nas capitais e cidades do interior do País.
Hoje mesmo, em Brasília, a polícia armada de bombas de gás, balas de borracha, cassetetes e fúria, muita fúria - como anteontem, em São Paulo -, partiu pra cima de pessoas que apenas exerciam o direito de protestar, pacatamente, contra a realização da Copa das Confederações.
Algumas ficaram feridas.
Ontem, na capital paulista, e também em Curitiba e Porto Alegre, o protesto foi contra os preços dos ingressos cobrados para os jogos da Copa de 1914.
Esses manifestantes fazem parte de um movimento chamado Copa Pra Quem?
O protesto transcorreu de modo pacífico, dessa vez sem truculência policial.
Em Niterói e Santos, os protestos ontem continuam sendo contra o aumento nas tarifas de ônibus.
Em cinco Estados, produtores rurais protestam contra a demarcação de terras indígenas.
Nesse caso, os manifestantes somam cerca de cinco mil - incluindo fazendeiros.
E para a próxima segunda, 17, já está marcada mais uma manifestação em São Paulo; essa maior do que as anteriores, promovida pelo Movimento Passe Livre, MPL.
Entre os vários grupos e partidos alinhados ao MPL que já garantiram presença, há os radicais Black Blocks e os coletivos chamados de pós-modernos, que dão um boi e uma boiada para entrar numa briga.
Os Gaviões da Fiel também já anunciaram que vão engrossar o movimento.
Mas é preciso muita calma nessas horas, tanto de um lado quando do outro...
Que os policiais (acima, no recorte) recolham a sua ira contra nós!
 
PERDÃO
Aos 85 anos de idade, o escritor paraibano Ariano Suassuna vai dizer pela primeira vez, no programa Dossiê Globo News - no ar às 21h05 -, que depois de 83 anos de tormento está prestes de tomar a decisão de perdoar o assassino do seu pai João Suassuna, acusado de mandante do atentado a tiros que resultou na morte de João Pessoa, no dia 26 de julho de 1930, em Recife.  

sexta-feira, 14 de junho de 2013

PERIGO NAS RUAS

Em nome da diminuição de tarifa ou tarifa zero de ônibus como tem se propagado, quem de fato estará por trás desses quebra-quebras ocorridos em São Paulo e noutras capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Goiânia, Natal e Maceió, hein?
À frente, sabemos: o Movimento Passe Livre, MPL, que surgiu de uma plenária do Fórum Social Mundial, FSM, realizado na capital gaúcha em 2005.
O objetivo do FSM, criado em 2001, era/é reunir movimentos sociais de várias partes do mundo por um mundo melhor, dizem.
O MPL está instalado na ONG Associação Cultural Alquimídia, de Santa Catarina, e até novembro passado era patrocinado pela Petrobras, Ministério da Cultura e Lei Rouanet.
A estatal explicou hoje que:
O contrato de patrocínio ao projeto Alquimídia = Cultura + Digital foi encerrado em 3/11/2012 e destinava-se a reunir em um único portal os dados de todos os equipamentos culturais do Estado de Santa Catarina, tais como teatros, museus, entre outros. Foi aprovado por uma comissão externa à Petrobras através da seleção pública do Petrobras Cultural edição 2010, na área de Apoio ao aprimoramento de websites culturais. O contrato foi assinado em 02/08/2011 e encerrou em 3/11/2012”.
A Alquimídia recebeu quase R$ 800 mil do MinC e da Petrobras.
Esses quebra-quebras que se espalham Brasil a fora como rastro de pólvora são perigosos, inclusive porque envolvidos com eles, infiltrados ou não, há bobos, sabidos e muitos sabidos.
O bom senso levou hoje o prefeito Fernando Haddad a convidar para um diálogo na próxima terça-feira representantes do MPL, mas na véspera já está marcada outra manifestação em São Paulo e por aí.
Não custa lembrar que greves e outros tipos de manifestação popular são direitos previstos e garantidos na Constituição.

NOVA SEDE
Foi bonito o encontro de confraternização ontem à noite no Ipiranga, mais precisamente na Rua Engenheiro Sampaio Coelho, 111, onde a empresária Rosa Maria Zuccherato inaugurou a nova sede da sua editora, a Nova Alexandria. Estiveram presentes artistas, poetas, romancistas e outros editores, como José Cortez, da Cortez Editora.
Na foto acima, de Andrea Lago, além de Cortez ao centro, aparecem da esquerda para a direita os cordelistas Cícero Pedro de Assis, Marco Haurélio, João Gomes de Sá, o escritor Roniwalter Jatobá e Rosa Zuccherato.

REVISTA DE HUMOR
Muito bonita e bem-feita a revistinha Esse Juquinha é Uma Piada!, organizada pelo humorista Laert Sarrumor, com ilustrações de Gustavo Pergoli. Laert é integrante do grupo musical Língua de Trapo e do programa Rádio Matraca, no ar há muitos anos pela Rádio USP FM. A revista (reprodução da capa abaixo) traz a chancela da Editora Nova Alexandria.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

SUICÍDIOS NA MÚSICA POPULAR

Mais de um milhão e cem mil pessoas se suicidam todos os anos, no mundo todo. As causas são as mais diversas, incluindo depressão provocada por falta de dinheiro e outros males, como incompreensão e rompimentos amorosos.
O escritor Albert Camus chegou a dizer que todo mundo um dia pensou em dar cabo à própria vida, debitado isso à atração pelo nada.
Até gente insuspeita como Lima Barreto, pensou em se matar; justificando que o que o impediu de consumar o ato foram o “hábito de viver” e a “covardia”.
No meio musical brasileiro, dois casos se sobressaem na história: Assis Valente e Torquato Neto.
Valente morreu após ingerir formicida num banco de praça do Rio de Janeiro; e Torquato, também no Rio, enfiando a cabeça num forno de fogão de casa com o gás ligado e as frestas de portas e janelas vedadas.
E há casos famosíssimos, como o do inventor Santos Dumont, que morreu pendurado numa corda; e o do presidente Getúlio Vargas, que deu um tiro no próprio peito, num dia aziago: 24 de agosto.

terça-feira, 11 de junho de 2013

MARCELO, RONI E LUNA; BRASIL VIVO

Estatísticas indicam que pelo menos 26 brasileiros se suicidam todos os dias. E ninguém dá bola. É tabu falar disso nos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão.
Por que, hein?
Lembro que há muitos anos, na França, foi publicado um livro sobre o tema; e segundo foi dito por autoridades na ocasião, o índice de suicídios aumentou.
Ora, mas onde mora a raiz da morte buscada?
A questão será debatida daqui a pouco às 20 horas no Auditório da Folha, pelo psiquiatra José Manoel Bertolote, pela psicóloga Rosely Sayão e por um dos membros do Conselho Curador do Centro de Valorização da Vida (CVV), Roberto Gellert Paris Junior, com mediação de Cláudia Collucci.   
Bertolote está lançando o livro O Suicídio e Sua Prevenção (Unesp, 142 páginas).
Voltarei a falar do assunto, incluindo nele personagens da música popular brasileira.
O baiano Assis Valente, autor de obras-primas como  Boas Festas, morreu se matando.
 
LUNA
E hoje estiveram conosco, na sede provisória do Instituto Memória Brasil, IMB, personagens incríveis da cena musical brasileira, no clic de Andrea Lago (acima): Marcelo Cunha, jornalista; Roberto Luna, cantor Rei do Bolero, da safra de 1929; e Roniwalter Jatobá, jornalista e escritor, vice-presidente do Instituto Memória Brasil. Luna revelou: foi integrante do coral que acompanhou artistas como Luiz Gonzaga, no caso Baião: Eu vou mostrar pra vocês...
Pois, pois.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

LUIZ GONZAGA E SÃO JOÃO

Há pouco liguei para o conterrâneo e amigo querido Roberto Luna, de batismo Valdemar Farias; e antes de puxar conversa com ele, perguntei se estava recolhido ou se recolhendo aos aposentos, pois já passava das 22 horas. Resposta:- Que nada, meu irmãozinho. Eu estou no computador.
Luna no computador!
Pois é: Luna é da safra de 1929, e tem muitas histórias para contar.
Mas vamos falar de São João?
O mês é propício.
Pois bem, o pernambucano de Exu Luiz Gonzaga, o rei do baião, foi o primeiro artista da música popular a introduzir a marcha junina, ou joanina, como gênero musical na discografia brasileira.
Isso, em 1951.
Música: Olha Pro Céu, dele e José Fernandes, gravada no dia 5 de abril de 1951 e lançada ao mercado em junho do mesmo ano. Não por acaso, o seu disco de estreia em março de 1941, na extinta Victor, já trazia uma música enaltecendo o principal santo das festas joaninas: Véspera de São João, uma mazurca instrumental dele e Francisco Reis.
Antes de Luiz Gonzaga as músicas de referência e reverência a Santo Antônio, São João e São Pedro eram tangos, como São João Debaixo d´Água, de Irineu de Almeida; cançonetas, como São João na Roça, de E. de Souza; e fados como Festas Joaninas, de autor desconhecido, gravadas entre 1910 e 1913, por cantores pioneiros em discos no Brasil, entre os quais Bahiano e Eduardo das Neves.  
Depois de Olha Pro Céu, Gonzaga compôs e gravou muitas músicas alusivas ao período junino, entre as quais a que dá título ao LP Meu Pilão (Festa do Milho), de 1963. A música é de Rosil Cavalcanti. 
Pois é, ainda há muito a ser dito a respeito do velho Lua.
Não, Roberto Luna nunca gravou música junina. 
Mas gravou marchas, foxes e sambas, como Pois é..., de Ataulfo Alves; e sambas-canção como Molambo, de Jaime Florence e Augusto Mesquita, no dia 11 de novembro de 1953, pela Odeon.
Roberto Luna estreou em disco em julho/agosto de 1952, com o bolero Por Quanto Tempo, de Marino Pinto e Dom Al Bibi; e o samba-canção Linda, de Erasmo Silva e Ruy Rey, pela etiqueta que não existe mais, Star.

MEU PADRIM
O ex-deputado Francisco Muniz de Medeiros (1974-78), mais conhecido por Frei Marcelino, morreu sábado 8, aos 79 anos de díade, no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, PB. É dele a composição em homenagem ao padre Cícero Romão Batista, Meu Padrim. Essa música, um baião, foi gravada por Luiz Gonzaga em 1960. O frei, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, era professor de Filosofia na Universidade Federal da Paraíba e falava várias línguas, entre elas inglês, grego e latim.

domingo, 9 de junho de 2013

POIS É, SÃO JOÃO É CULTURA DAS BOAS

A vida brasileira está descaracterizada, a partir mesmo da sua cultura mais evidente: a música popular.
E num período como o que ora vivemos; de festas juninas, joaninas, pior ainda...
De norte a sul o Brasil, de certo modo, ferve em ritmos diversos sem fogueiras e com prejuízo latente na base pela falta de forró, arrasta-pé, baião, marchinhas e quadrilhas que estão bem longe das quadras e palcos das redondezas, para nossa tristeza...
Na programação de Campina Grande, PB, eu vejo que há algo melhor do que em Recife, PE.
Campina mantém um pouco da tradição; Recife, nada.
O lance é rosetar...
Você, amigo, tem ideia do que é uma coisa chamada Wesley Oliveira da Silva, o Safadão?
E Aviões do Forró, hein? E Luan Santana, Calcinha Preta e Forró dos Plays?
Pois é, culturalmente não prestam; como não prestam culturalmente outras atrações lamentáveis sobre palcos juninos, identificadas como representantes “autênticos” do calypso, axé e pop sertanejo.
Deus do céu!
Eu aposto em qualidade, como Juca Ferreira.
Juca é o atual secretário da cultura do município de São Paulo, de reconhecido bom trânsito entre tradição e modernidade.
Eu, representando o Instituto Memória Brasil, IMB, e Alessandro Azevedo representando a Associação Raso da Catarina, temos com Juca conversado sobre a importância de informar – e mostrar - à molecada em formação sobre as riquezas e valores culturais deste nosso País tão grande.
Aparentemente ele, Juca, gostou, e disse-nos isso com clareza mais de uma vez.
A Virada é um evento cultural multitudo, enquanto o São João do Brasil em São Paulo – o nosso projeto – pretende ser muito mais do que isso, isto é: um projeto que visa trazer de volta elos perdidos da nossa formação e tradição.
E aí falamos de continuidade, de presença nas escolas etc.
Viva São João!

JORNAL A UNIÃO
Domingo passado nas páginas de A União, de João Pessoa, PB, pode-se ler bela e bem escrita matéria de página inteira falando sobre o CD O Samba do Rei do Baião. A matéria é assinada pelo superintendente do jornal, o jornalista e escritor Fernando Moura.
Clique e vá até o final das páginas, onde se lê: UM FORRÓ PARA SER "LIDO" EM VOZ ALTA:
http://jornalauniao.blogspot.com.br/2013_06_02_archive.html

sexta-feira, 7 de junho de 2013

COMEÇOU O SÃO JOÃO DE CAMPINA

A festa junina de Campina Grande, no Agreste paraibano, começou hoje com o povo cantando e dançando marchinhas e arrasta-pés, entre outros ritmos. No céu, substituindo os tradicionais balões, uma tonelada de fogos de artifício acaba de ser detonada para alumiar a cidade que terá pelo menos 1,2 mil horas de música, desde hoje e até o próximo dia 7 de julho.
São esperadas cerca de 2 milhões de pessoas de todo canto, para se divertirem ao som de sanfonas e de outros instrumentos.
O arraial do Parque do Povo, que tem uma área a céu aberto de 43,5 mil metros2 e está localizado na região central da cidade, foi aberto com Jairo Madruga levando o público ao delírio ao cantar, como há 30 anos, uma das obras-primas de Luiz Gonzaga e José Fernandes, a marchinha Olha Pro Céu, espécie de hino do período junino do Nordeste, gravado originalmente em disco de 78 rotações por minuto, em 1951.
Flávio José, Capilé e Dorgival Dantas são as atrações musicais de hoje.  
Outras grandes atrações já estão programadas, como Jorge de Altinho, Gilberto Gil, Pinto do Acordeon, Antônio Barros e Ceceu; Targino Gondim, Adelmário Coelho, Elba Ramalho, Fagner, Zé Calixto, Zé Ramalho e Genival Lacerda.
O São João de Campina é chamado de O Maior São João do Mundo.
 
DOLORES DURAN
Um número no calendário aponta hoje, 7, o dia do nascimento da carioca Adileia Silva da Rocha. Compositora e cantora, Adileia adotou o pseudônimo de Dolores Duran para entrar na história. Foi uma das maiores artistas da música brasileira, desaparecida, vítima de infarto, aos 29 anos de idade. Enquanto viveu e cantou, ela encantou todo mundo, incluindo estrangeiros como Charles Aznavour, a quem chamava de Gringo. Frank Sinatra também se rendeu ao seu talento, gravando para o LP Sinatra & Company o samba-canção Por Causa de Você, que recebeu versão de Ray Gilbert e o título de Dont´t Ever go Away (para ouvir, clique http://letras.mus.br/frank-sinatra/dont-ever-go-away-por-causa-de-voce/).
O primeiro LP Dolores, de dez polegadas pela extinta Copacabana, foi Dolores Viaja, de 1955, com repertório internacional; à exceção de Canção da Volta, de Ismael Netto e Antônio Maria, que foi incluída na última das oito faixas do disco. Essa música, Dolores já a havia gravado no formato de 78 RPM.
Viva Dolores!
 
DIÁRIO DE PERNAMBUCO
O Diário de Pernambuco - o mais antigo jornal em circulação da América Latina -, fundado pelo tipógrafo Antonino José de Miranda Falcão, no dia 7 de novembro de 1825, traz hoje uma excelente matéria no suplemento Viver (acima) sobre o CD O Samba do Rei do Baião, que acaba de chegar às lojas via distribuidora Tratore.
A matéria é assinada pelo jornalista Ad Luna.
Leia, clicando http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2013/06/07/internas_viver,443479/gonzagao-da-valsa-do-fado-e-do-samba.shtml

quinta-feira, 6 de junho de 2013

120 ANOS DE HISTÓRIA

Depois de Recife, Salvador, Vitória, São Paulo e Rio de Janeiro, João Pessoa é a capital mais antiga do Brasil, fundada às margens do Rio Sanhauá, afluente do Rio Paraíba, no dia 5 de agosto de 1585, com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves. Mas se se levar em consideração que já nasceu com nome, é a terceira capital de Estado mais antiga fundada no País, depois de Recife (1537) e Salvador (1549).
Tem bandeira, brasão e hino próprios.
Após algumas mudanças na sua denominação, a capital paraibana foi rebatizada com o nome de João Pessoa logo após o assassinato do presidente João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, paraibano de Umbuzeiro, que governava o Estado e era candidato a vice-presidente da República na chapa que levou ao poder o gaúcho Getúlio Vargas.
A história é comprida.
Mas quero dizer que é na capital da Paraíba que se acha vivo e em atividade o único jornal diário oficial de um Estado brasileiro: A União, que foi fundado no dia 2 de fevereiro de 1893 pelo titular da província, Álvaro Lopes Machado (1857-1912), há 120 anos, portanto.
O seu atual editor é o jornalista e escritor Fernando Moura, de nascimento paulistano.
Fernando mora em João Pessoa há mais de 40 anos e ao jornal ele está imprimindo atualidade e modernidade. Mais: quer trazer de volta a tradição editorial da gráfica A União.
Não custa lembrar que foi nas páginas do jornal A União que o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914) publicou alguns dos seus primeiros poemas, a partir de 1909.
Detalhe curioso: Álvaro Machado morreu no ano que Augusto, com apoio financeiro do irmão Odilon, mandava imprimir de modo independente, no Rio de Janeiro, o seu único livro: Eu.
A 2ª edição desse livro saiu pela imprensa Oficial do Estado da Paraíba, ou seja: A União.
No dia 2 de fevereiro deste ano, Fernando Moura fez imprimir um registro histórico: uma edição especial do jornal A União, com fac-símile da primeira edição anexo (acima).
 
RECORD
Enquanto Fernando Moura como bom brasileiro tenta preservar a história paraibana através do jornal A União, o tal Edir Macedo ruma em caminho contrário apagando o que pode da história e desfazendo o futuro da TV Record, pois a rádio de mesma denominação,  e sob o seu controle, ele já havia findado há dois anos... E ainda quer concorrer com a TV Globo. Poder pode, mas ganhar a parada é puro delírio. Vade retro, satanás!

MARCELO CUNHA
Hoje eu tive a alegria de rever o velho amigo jornalista Marcelo Cunha, ao lado de quem almocei uma boa bacalhoada na região da Paulista. Atualizamos o pensamento.

INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL
Atenção: amanhã, às 20h30, ai ao ar no Programa Espaço Mix um pouco da história do acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, via canais 14 TVA/16 SKY/23 NET/16 UHF. Caso você tenha curiosidade e queira ver antes a reportagem, clique: http://www.youtube.com/watch?v=nG8rM0oV_II&list=UU5dMgWxhX6ClS26j5p8Qy_Q&index=2

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SIMPLICIDADE MARCA SHOW NO BUTTINA

No palco, Ricardo Valverde (abaixo, no clic de Andrea Lago) comandando desde o seu vibrafone os companheiros de jornada: Luisinho (7 cordas), Wesley (cavaco) e Rafael (bateria).
No repertório, obras de Callado (Joaquim Antônio da Silva Callado; 1848-80), Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho; 1897-1973), Jacob do Bandolim (Jacob Pink Bittencourt; 1918-69), Nazareth (Ernesto Júlio de Nazareth; 1863-1934) e outros bambas do chorinho de antigamente.
Na plateia, uma seleta de pessoas educadas e sensíveis.
Local: restaurante Buttina, ali na João Moura, 976, em Pinheiros, zona Oeste da capital paulista.
A audição se deu ontem, na hora combinada: 21h30/22h30.
Seria um jantar como outro qualquer, num restaurante qualquer da cidade; mas não foi.
E o jantar foi apenas um detalhe à parte, como detalhe à parte foi o vinho Vivi Primitivo, suave e saborosíssimo, da região italiana de Puglia.
A noite começou quando o dono do restaurante, José Otávio, pegou o microfone e apresentou com naturalidade e intimismo o percussionista Ricardo Valverde e o espetáculo Teclas no Choro, com os já referidos músicos.
Ao vibrafone - instrumento antigo de origem asiática, trazido ao Brasil nos primeiros anos do século passado -, Ricardo começou mostrando com exemplar brilhantismo uma das obras-primas do carioca Callado, Flor Amorosa; originalmente uma polca gravada por Irmãos Eymard, pela primeira vez num incipiente estúdio da velha Odeon por volta de 1910, ainda sem a letra que o maranhense de São Luís Catulo da Paixão Cearense faria para Aristarco Dias Brandão registrar como modinha para a mesma Odeon, em março de 1913.
A partir daí e no correr da hora seguinte, o que se viu – e ouviu - no Restaurante Buttina foi de fato um espetáculo difícil de ser esquecido, de tão bonito.
Os músicos fizeram desfilar um rosário de pérolas, enriquecido com a participação ocasional e espontânea de Arismar do Espírito Santo e sua filha cantora, Bia Góes (acima, no clic de Andrea).
Antes, o virtuose Luisinho 7 Cordas (ex-Demônios da Garoa) acompanhou sozinho Bia na valsa Rosa, de Pixinguinha e Otávio de Souza.
Marcante pela simplicidade, profissionalismo e talento.
Amanhã haverá degustação de vinho, lá.
Vamos?
Ah, sim: comi espaguete ao alho e óleo com couve mineira e linguiça calabresa cortada em finas rodelas e nhoque. Achei o tempero um pouco forte. Preço dentro dos conformes e atendimento nota 10. O ambiente é pra lá de aconchegante.

terça-feira, 4 de junho de 2013

ORALIDADE É O TEMA DO ESPECIAL IMB

Debates em torno do tema Oralidade serão sempre necessários e oportunos, embora pouco frequentes por cá e alhures.
Tudo começou a milhares e milhares de anos.
Antes de escrever e ler, o homem falou; e antes de falar, grunhiu.
E por que hoje sabemos disso?
Porque a memória humana foi à pedra e lá ficou por muitos e muitos tempos, até sair para estudos e compêndios.
As origens da linguagem escrita datam de cerca de 4.000 anos a.C.
As origens da linguagem oral datam de pelo menos 200 mil anos.
Este é o tema da 14ª série Memória da Cultura Popular, desenvolvida em parceria do Instituto Memória Brasil, IMB, com o newsletter Jornalistas&Cia.
Cliquem:
www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular14.pdf 

sábado, 1 de junho de 2013

PINTO RI E FAZ RIR, NO JÔ

Foi ótima a entrevista do sanfoneiro Pinto ao Programa do Jô, ontem na Globo.
O artista paraibano estava natural, espontâneo, à vontade, falando com graça.
Nenhuma pergunta ficou sem resposta.
Ele riu e fez rir.
Pinto ponteou todo o programa, encerrando-o, inclusive, com a toada Asa Branca, que ele interpretou à sanfona – e com acompanhamento – com entonação diferente do original gravado para a extinta Victor no dia 3 de março de 1947, pelo rei do baião Luiz Gonzaga.  
Dentre as várias histórias contadas, ele lembrou-se de uma especialmente.
Era ainda menino de calças curtas quando Luiz Gonzaga chegou à Conceição do Piancó dizendo que ia cantar de graça para a molecada.
Ele ficou em alvoroço.
Tinha que ir assistir ao Rei do Baião.
Mas o pai, que não era de brincadeiras, o incumbiu de uma tarefa junto com um irmão: limpar um terreno a enxadadas.
Ele de um jeito de não ir, trocando a incumbência pela ida ao show do ídolo.
E foi.
Ao chegar de volta à casa, o pai o olhou com cara feia e deu-lhe uma surra cujas marcas ficaram por muito tempo nas costas.
O tempo passou e já adulto e profissional da música, ele contou essa passagem a Gonzaga.
Resposta:
- Seu pai estava certo. Primeiro trabalho, depois divertimento. Além do mais, pai está sempre certo.
CLIQUE:
http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/t/videos/v/pinto-do-acordeon-fez-parte-da-trupe-de-luiz-gonzaga-e-e-um-otimo-contador-de-historias/2608755/

sexta-feira, 31 de maio de 2013

PINTO DO ACORDEON, NO PROGRAMA DO JÔ

Aprovada no início do mês pela Câmara Municipal de São Paulo e promulgada esta semana pelo prefeito Fernando Haddad, uma nova lei está entrando em vigor para alegrar e embelezar um pouco mais esta que é a 3ª maior cidade do planeta, ou seja: agora os artistas mambembes estão livres para mostrar sua arte aos motoristas e transeuntes que se movimentam no dia a dia por suas ruas e avenidas.

PINTO DO ACORDEON
Francisco Ferreira Lima, mais conhecido por Pinto do Acordeon, é a grande presença musical hoje no Programa do Jô, logo após o Jornal da Globo. Ele vai falar sobre as suas origens e trajetória artística, e também da sua amizade com o rei do baião Luiz Gonzaga e dos muitos espetáculos que dividiram juntos nos palcos do Nordeste.
Pinto, paraibano do Vale do Piancó, mais precisamente da cidade de Conceição, já se apresentou em Montreux, Suiça, ao lado de Gilberto Gil, Elba Ramalho, Milton Nascimento e Flávio José e por dois meses pelo Japão.
Ele tem duas dezenas de discos gravados, incluindo LPs.
Seu primeiro LP data de 1976, ano em que cantores e grupos musicais começaram também a gravar suas composições, entre eles Fagner, Genival Lacerda e Trio Nordestino.
A idealizadora do Troféu Gonzagão, Rilávia Cardoso, acompanhou o artista na entrevista ao apresentador Jô Soares. 
O juiz de Direito da Comarca de João Pessoa, PB, Onaldo Queiroga, está escrevendo a sua biografia, cujo lançamento deverá ocorrer ainda este ano.
CLIQUE, para ouvir Pinto cantar uma música em homenagem ao Rei do Baião: 
http://www.youtube.com/watch?v=bwPVt09gYQM

quinta-feira, 30 de maio de 2013

UM ARTISTA DE BEM COM TORTURADORES

Esta semana, vendo TV, eu sofri um aperto enorme na garganta.
Na telinha do SBT, o cantor brega Amado Batista e a jornalista Marília Gabriela, de tantos e bons serviços prestados ao Brasil através de seus programas, desde TV Mulher (Globo).
Marília incisiva, perguntadora e solidária, sempre ao lado do Brasil e dos brasileiros mais simples.
Um parêntese: em 1983, quando o governo de São Paulo me processava com alegada base na Lei de Imprensa por eu ter escrito e publicado uma reportagem (de 1ª pág.) sobre violência na região do chamado Grande ABC, na Folha, empresa das qual eu era repórter, ela fez comentários em minha defesa na TV Mulher, sem sequer me conhecer.
Como esquecer?
O editor do jornal era Boris Casoy, que - convenhamos - não estava e nunca esteve nem aí com essa tal de democracia... 
E como não ter a garganta apertada ao ouvir um brasileiro ídolo de milhões dizer na TV que mereceu ser preso e torturado pelos agentes da ditadura, por “acobertar pessoas que estavam querendo tomar este país à força"; e esse mesmo brasileiro afirmar com toda naturalidade do mundo que o passado para ele está enterrado e, por isso, não tem nenhum interesse e nem nada a dizer à Comissão da Verdade, formada para por os pontos nos is da nossa história recente? 
Doeu.
E doeu ainda mais por lembrar que eu mesmo, no correr do advento do processo Abertura de Geisel, que durou até 1985, publiquei entrevista de três páginas (clique na imagem) com o mesmo Amado falando da sua história de pessoa humilde, na extinta revista Homem (nov/1982; nº 52) da Ideia Editorial, um dos braços ou selos da Editora 3, que até hoje edita Istoé.   
A entrevista é curiosa, e dela se depreende que o objetivo do entrevistado era seguir o rastro de Roberto Carlos, seu ídolo, e ser famoso como ele, com muito dinheiro no bolso etc.
O cantor Amado Batista sempre foi um homem triste.
Conseguiu.
Freud explica?
Ah, sim. Depois do processo que o Estado me moveu, e do qual fui absolvido, jamais a Lei de Imprensa foi aplicada.

ANTONIO COMEÇOU A ANDAR...
No dia 4 de março do ano passado, eu iniciei o texto para este espaço, assim:
“Hoje, pouco antes de o sol nascer às 6h06 por estas plagas, mais uma vez o milagre da vida se concretiza num leito da Maternidade São Luiz, na capital paulista: a menina Dri deu à luz o menino Antonio (foto), que chegou forte e saudável pesando 2,97 kg, para a alegria do pai Alê, de primeira viagem, familiares e amigos.
O casal era só alegria após o nascimento de Antonio, ocorrido de parto normal e pontualmente às 5h39.
Antonio veio num dia de sol, com os termômetros girando em torno dos 20 graus e sob os bons fluídos da Lua Crescente”. 

Pois é, Antônio começou a andar faz duas semanas.
Ele rir à toa e a nós nos aparenta ser a prova de que Deus existe.

POSTAGENS MAIS VISTAS