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quinta-feira, 22 de maio de 2014

DE NOVO, ROBERTO CARLOS

"Cumprimento Vossa Excelência por impedir a exibição do filme Je Vous Salue Marie, que não é obra de arte ou expressão cultural que mereça a liberdade de atingir a tradição religiosa de nosso povo e o sentimento cristão da humanidade. Deus abençoe Vossa Excelência".
O texto acima, na forma de telegrama, foi assinado pelo cantor e compositor capixaba Roberto Carlos e enviado ao então presidente da República José Sarney, em fevereiro de 1986.
O jornal paulistano Folha de S.Paulo registrou a divulgação do texto pelo Palácio do Planalto e no mês seguinte, março, o mesmo jornal publicou um artigo do baiano Caetano Veloso criticando a iniciativa do velho monarca da juventude tupiniquim.
O fato de Roberto gostar e aplaudir ditadura militar e ser a favor de censura já não deveria surpreender a mais ninguém, pois antes mesmo de ele censurar e retirar das livrarias a biografia escrita pelo fã declarado Paulo Cesar Araújo, já havia mostrado o lamentável cidadão que é ao bajular o general de triste memória Augusto Pinochet REI DA CENSURA AGRADECE PINOCHET, do Chile.
E quem não se lembra de sua última excursão pelo Congresso num pega pra capar de convencimento junto a deputados para ver aprovada lei de seu interesse que também tem a ver com censura, hein?
E para refrescar a memória, clique: Traficante contratou Roberto Carlos para fazer show, diz irmão 
Atenção: acabo de receber a informação que RC, através de seus advogados, quer retirar do mercado o novo livro de Paulo Cesar Araújo lançado terça pela Companhia das Letras, O Rei e Eu em Detalhes, sobre o imbróglio que gerou Roberto Carlos em Detalhes, lançado em 2007.

LULA BARBOSA

Acabo de ver no programa Sr. Brasil, do Boldrin, pela Cultura, Lula Barbosa cantando Lupicínio Rodrigues e Fagner tocando violão e cantando o poema Festa da Natureza, que há bons anos sugeri ao Gereba que musicasse.
Maravilha!

TROFÉU GONZAGÃO

Neste momento está rolando a festa de premiação do Trofeu Gonzagão, em Campina Grande, na Paraíba. A iniciativa é do casal Rilávia e Ajalmar. Meio mundo está lá.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

REVENDO AMIGOS

Os jornais de hoje trazem noticia da derrota do Corinthians para o lanterna do Brasileirão, Figueirense, na partida de inauguração do seu estádio, o Itaquerão.
Também nos jornais se acha a notícia da chuva de granizo, tipo tamanho família, que desabou ontem sobre nós, entupindo bueiros e alagando ruas e avenidas e antecipando, aliás, o fim da maratona cultural patrocinada pela Prefeitura e espalhada pelos quatro cantos da cidade.
Os jornais trazem também a notícia de algumas desistências da programação, como a do grupo musical Demônios da Garoa.
Eu e Andrea fomos assistir a Osvaldinho da Cuíca no palco armado improvisadamente ali na Rua General Jardim. Como sempre, performance do grande sambista foi impecável, mas o som não correspondeu.
Mas o bom mesmo foi rever amigos que há muito eu não via, como o tirador de coco Geraldo Mousinho (ao lado), que durante muito tempo fez dupla com o velho Caximbinho, hoje, aos 84 anos, nas malhas dos evangélicos, na Paraíba. Revi ainda Chico César (abaixo), Oliveira de Panelas (com Jonas Bezerra, acima), Valdeck de Garanhuns, Moreira de  Acopiara, Inimar, Avelima, Sebastião Marinho, Luzivan.
Semana passada, eu me reencontrei com Raul Córdula, um antigo professor de artes plásticas (clique abaixo).

sábado, 17 de maio de 2014

A VIRADA DA DIVERSIDADE DO BRASIL

Mais uma overdose de tudo se dará daqui a pouco nas ruas e teatros e outros recantos fechados espalhados por São Paulo. A maratona começa às 18 horas e se estenderá a essa mesma hora de amanhã. Na programação de mais de 1 mil atrações, da Paraíba inclusive, há de um tudo, desde a volta do grupo de rock paulistano Ira! ao grupo de samba carioca dos anos de 1970 Originais do Samba, cujos integrantes nenhuma é mais da primeira formação.
A Virada é um incrível e necessário festival de diversidade cultural do país, que existe já a dez anos.
Esse encontro tão diverso de cultura brasileira – e também do exterior – representa um exercício muito bonito de confraternidade e cidadania. Não podemos esquecer que o nosso País é um dos mais férteis no tocante, especialmente, a música popular.
Nessa 10ª edição, a Virada cultural de São Paulo está trazendo ao público atrações de várias partes do país.
Da Paraíba, por exemplo, vieram 45 artistas das mais variadas áreas, inclusive do encantado reino da cantoria, que tem entre seus representantes o cantador repentista Oliveira de Panelas, um paraibano que por acaso nasceu em Pernambuco, na cidade que ele acoplou ao seu nome: Panelas.
E tem forró que só vendo!

Daqui a pouquinho, no Mercado Municipal, estarão se apresentando muitos forrozeiros, entre eles, Luiz Wilson e Lucy Alves com o Trio Nordestino, sob o comando de meu amigo Paulinho Rosa, titã da casa de espetáculos Canto da Ema, em Pinheiros.
A Virada Cultural deste ano traz outras figuras excepcionais como Oswaldinho da Cuíca, Germano Matias, Téo Azevedo, Elza Soares, Tobias da Vai-Vai e outros. E viva a Virada!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

LUCY ALVES CHEGA PRA FICAR

Lucy Alves é o novo nome nordestino da música popular brasileira. Paraibana, 28 anos, voz firme, clara, limpa, bem definida e envolvente, ela chega à praça para ficar definitivamente.
A música para ela parece ser algo tão necessário como beber água, sorrir e dançar.
Ela começou a carreira musical muito cedo, no grupo Clã Brasil integrado pelo  pai, pela mãe, irmãs e parentes.
Mas paralelamente às suas atividades no grupo como cantora, compositora e instrumentista, Lucy Alves começa a ganhar impulso no panorama musical do Brasil.
A sua voz e performance já se acham registradas em vários CDs e DVDs lançados nos últimos 10 anos pelo Clã Brasil, grupo, aliás, já bastante conhecido no país e no exterior, devido as diversas turnês realizadas com pleno êxito.
Recentemente Lucy participou com brilhantismo do programa The Voice, da TV Globo.
A sua participação no programa tem rendido muitas apresentações Brasil afora.
Lucy Alves carregou ontem um público enorme para ouví-la na mais famosa Casa de Forró de São Paulo – Canto da Ema. Ela subiu ao palco com os músicos Tiago  Mercatti (bateria), Felipe Barros (baixo), Fábio Leal (guitarra, cavaquinho, violão 12 cordas), Beto Correa (teclado, sanfona), Badu (triângulo).
Foi show.  Durante mais de duas horas ela, abraçada a uma sanfona personalizada de 120 baixos, Scandalli, desfiou um repertório apuradíssimo que foi de Dominguinhos a Zé Ramalho, passando por Luiz Gonzaga, Sivuca, Alceu Valença e Geraldo Vandré, entre outros ícones da MPB.
Quanto mais ela cantava, mais o público pedia. Detalhe: Sempre alegre e desenvolta, Lucy em vários momentos, além da sanfona construída na Italia especialmente para ela, tocou pandeiro e rabeca.
O espetáculo terminou por volta das 2:30 da madrugada de hoje, com o clássico de Mestre Sivuca e Glorinha Gadelha, Feira de Mangaio.(abaixo vídeo com a orquestra sinfônica do estado da Paraíba)

Abram alas para Lucy Alves!
https://www.youtube.com/watch?v=0SxH_ttVkKM

quinta-feira, 15 de maio de 2014

CLEMILDA, GÉRSON FILHO, HELENNO BARROS...

Em 1953, o alagoano Gerson Filho já havia lançado seis músicas em três discos de 78 voltas pelo selo Todamérica quando, no ano seguinte, concorre a um contrato na rádio Guanabara participando de um concurso de calouros, Caminho da Vitória, no Rio de Janeiro, e ganha.
Onze anos depois, em 1965, na rádio Mayrink Veiga ele dá de conhecer uma conterrânea se iniciando na dura profissão de cantora de cantigas do povo. Seu nome: Clemilda, com quem se casaria logo depois e juntos ficaria até o final da sua vida, em 1994. Pois é, 20 anos sem Gérson!
Gérson era alagoano, da safra de 1928.
Depois de ajudar a popularizar o fole de oito baixos no Brasil desde o Rio de Janeiro, Gérson decide viver seus últimos anos ao lado de Clemilda, em Aracaju.
Hoje Clemilda, que fez enorme sucesso com músicas de duplo sentido, como Prenda o Tadeu, de 1985, se acha adoentada e há muito não se apresenta em público.
No próximo mês, de São João, ela será homenageada pelo Museu da Gente, da capital sergipana.
Viva Clemilda!
Para lembrar Gérson Filho e Clemilda, clique:
http://www.youtube.com/watch?v=Y5ITPRx9nAs
http://www.youtube.com/watch?v=1FNqRZgNjJ8

HELENO BARROS
O comerciante de secos e molhados, amante e seguidor de cantorias de poetas repentistas ao som de viola, Heleno Barros, paraibano da terra de Zé Marcolino, Sumé, despediu-se silenciosamente deste mundo na última segunda-feira.
Heleno estava internado no Hospital das Clínicas há alguns dias, sofrendo de problemas renais e à espera de um transplante de rins.
O seu corpo foi sepultado terça-feira no Cemitério da Quarta Parada, na zona leste de São Paulo.
Ele deixa mulher e três filhos.Heleno Barros (aí ao lado numa foto feita mês passado, cá em casa) era uma pessoa tranquila, solidária e muito afável.
No dia 6 de abril, reunidos comemoramos o aniversário de uma das minhas filhas, Ana, junto com o cantador Sebastião Marinho, Osvaldinho da Cuíca, José Ramos Tinhorão, Darlan Ferreira, Geraldo Vandré, Roniwalter Jatobá, Aída, Andrea, Clarissa e Daniel. Na foto abaixo, Heleno aparece ao fundo, discretamente folheando um livro ao lado do violonista e compositor Ibys Maceioh.
 
JAIR RODRIGUES
Jair integrou um grupo de artistas que se deslocou de Sampa até Aparecida para ver de perto o papa Francisco na sua primeira vinda ao País. “Ele, sim, foi o cara”, lembra Andrea. Jair, segundo ela, era o mais alegre e brincalhão do grupo. E ele ria e cantava a música que pôs nas Paradas em 1964: “Deixa que digam/Que pensem/Que falem/Deixa isso pra lá/Vem pra cá” etc.
Agora, diz Andrea, “imagina esse mantra repetido e se transformando numa experiência místico-religiosa em plena basílica de Aparecida do Norte à espera do papa Francisco.
Pois foi assim, ao lado do Jair, nesse estado de graça franciscano, que todos nós, incluindo as cantoras Celia e Celma (acima, no clic de Andrea), recebemos o papa. Experiência linda”.

Jair partiu faz hoje oito dias. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

TROFÉU GONZAGÃO E DOMINGUINHOS

No próximo dia 21, às 21 horas, em momento festivo e de confraternização o Troféu Gonzagão de Música Nordestina (acima, reprodução do originalíssimo convite) será dedicado, in memorian, ao artista pernambucano José Domingos de Morais, o Dominguinhos, desaparecido no dia 23 de julho do ano passado num hospital de São Paulo, após meses em coma profundo.
O projeto que resultou no Troféu Gonzagão, já concedido a Marinês, Jackson do Pandeiro, Sivuca e ao próprio Rei do Baião, além de outras (abaixo, à direita, em 2013 eu Fagner sendo agraciados) foi uma ideia acalentada há anos pelo casal Rilávia e Ajalmar.
Rilávia Cardoso explica que o Troféu Gonzagão “faz parte do cronograma de ações do Projeto SESI Cultura Tradição Paraíba”.
O projeto, segundo Ajalmar Maia, “surgiu da necessidade de a indústria paraibana propiciar ao trabalhador e sua família acesso à cultura e identidade regionais do nosso Estado”.
A solenidade de entrega do troféu, que deverá contar com a presença de pelo menos uma centena de artistas, políticos e intelectuais do Nordeste, será realizada no Centro Cultural da Federação das Indústrias do Estado  da Paraíba, FIEP, em Campina Grande.
Na ocasião, um documentário sobre a vida e obra de Dominguinhos será exibido.
E sabem o que acho de iniciativas como essa?
Acho muito importante que se reconheçam os talentos brasileiros de todas as áreas e épocas, incluindo os nascidos no Nordeste, como Dominguinhos. O ideal, porém, é que fossem reconhecidos em vida. Mas, claro, todo tempo é tempo.
A propósito: ano que vem é o ano do centenário de nascimento de Rosil Cavalcanti, responsável pelo primeiro sucesso em disco de Jackson do Pandeiro, o rojão Sebastiana, em 1953.

PRÊMIO ABCA
Foi noite bonita a de ontem na unidade SESC Vila Mariana. Dúzia e meia de artistas de vários setores subiram ao palco para receberem mimos da Associação Brasileira de Críticos de Arte, ABCA. Entre os premiados o paraibano Raul Córdula, a respeito de quem falei ontem neste espaço.
Muitos amigos foram prestigiar Raul, entre os quais Sinval de Itacarambi Leão, José Nêumanne e eu, seu eterno aluno. Darlan Ferreira, que faz parte da diretoria do Instituto Memória Brasil, IMB, registrou em fotos alguns momentos da solenidade de premiação, como esse aí acima em que Raul agradece à ABCA pelo prêmio e à plateia, pelos aplausos.

terça-feira, 13 de maio de 2014

UTOPIA DO OLHAR GANHA MILLIET

O paraibano Raul Córdula recebe logo mais às 20 horas, na unidade Sesc Vila Mariana, o prêmio Sérgio Milliet concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Arte, referente ao ano de 2013.
O prêmio Sérgio Milliet consagra a obra Utopia do Olhar  lançada ano passado por Raul pela Fundarpe.
Conheci Raul Córdula (ao lado comigo na Redação do Extinto Jornal O Norte) ainda nos tempos de rapazote em João Pessoa, na Paraíba, quando eu enveredava pelos mistérios-e segredos-do mundo das artes plásticas. Pois é, Raul foi um dos meus professores junto com João Câmara filho e Celene Sintônio.
Não aprendi nada.
Não aprendi nada por que eu viria a descobrir depois que o meu talento se resumia a aplaudir a obra alheia.
Viva Raul!
E hoje à noite estarei revendo meu velho professor, junto com Sinval de Itacarambi Leão, da Revista Imprensa e de José Neumanne Pinto, jornalista, comentarista de política da Rádio Jovem Pan e da TV Gazeta.
Até la.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

SECA D´ÁGUA E TOMATADA

Há pouco escutei no rádio a noticia de que uma caixa de tomates com 18 quilos já está custando no Ceasa 140, 150 reais; o que significa dizer que na feira vai beirar o olho da cara.  E hoje a Sabesp divulgou mais uma queda histórica no nível de água do reservatório Cantareira: 8,8%, mas as otoridade dizem que está tudo bem, que não vai haver racionamento etc.
Pois é, e em comparação ao ano passado, nesse período, o nível de reserva na Cantareira era de quase 70%.
É a maior seca na região?
A propaganda oficial do governo do Estado diz que sim, que é a maior seca dos últimos 84 anos que o povo de São Paulo está vivendo.
Bem, o Sistema Cantareira - formado por sete barragens - foi criado nos fins do século 19 para atender as necessidades de 60 mil pessoas, o dobro da população paulista daquele tempo.
O volume d´água diário fornecido nos primeiros anos do século passado era de pouco mais de 40 mil metros cúbicos.
Já em 1924, São Paulo sofreria duplamente: pela guerra dos tenentes, à frente Isidoro Dias e Juarez Távora, e o racionamento d´água e eletricidade que levaram o povo a entrar em verdadeiro estado de combustão.
Agora, segundo pesquisas, pelo menos 35% da população da região metropolitana de São Paulo e 30% dos paulistanos já sofrem as agruras da escassez d´água provocada pela estiagem e pela falta de tino dos governantes destas bandas de cá do Sudeste.
Ah! Os governantes!
No Nordeste o sofrimento é o mesmo, senão pior.
As duas maiores secas naquela região, que é formada por nove Estados, ocorrem em 1877 e em 1979. A primeira durou três anos e matou pelo menos 500 mil pessoas. A segunda, além de provocar um flagelo geral, matou 3,5 mil pessoas, principalmente crianças em situação de desnutrição.
Como sempre, o governo da época fez lhufas.
E o pior, hoje, é que o preço do tomate impede que o povo faça tomatada na cara das otoridade.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O DIA EM QUE VANDRÉ CHOROU

http://assisangelo.blogspot.com.br/2011_09_01_archive.html
A moda de viola estilizada Disparada, do paraibano Geraldo Vandré e do carioca Theo de Barros (aí ao lado), foi o que se costuma chamar no meio artístico de carro-chefe do repertório musical do paulista de Igarapava Jair Rodrigues; mas podia não ter sido, caso o diretor do II Festival da Música Popular Brasileira, Solano Ribeiro, não tivesse apostado suas fichas em Jair desde o momento que seu nome lhe fora sugerido pelo compositor e instrumentista potiguar Hilton Accioli, do Trio Marayá, que, aliás, acompanhou Jair junto com o Trio Novo, que era formado por Theo de Barros, Heraldo do Monte e Airto Moreira.
Entre os parceiros de Vandré, o mais frequente é Hilton. Mas Vandré não queria que Jair defendesse a sua música no festival, por uma razão: não acreditava que ele fosse capaz.
E o resultado foi o que se viu: o empate histórico entre A Banda http://www.youtube.com/watch?v=VRlRIPSLeog, de Chico, e Disparada http://www.youtube.com/watch?v=VRlRIPSLeog.
Detalhe: São Paulo parou para acompanhar a disputa no Teatro Record, na rua da Consolação, 2036.
Ah! Sim: naquela noite de 10 de outubro de 1966 o durão Geraldo Vandré chorou de emoção e certamente pela injustiça cometida por sua falta de crença e sensibilidade contra Jair Rodrigues.
Jair morreu sem realizar o desejo de gravar um disco inteiro com músicas inéditas de Vandré.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

JAIR RODRIGUES, ADEUS

A primeira apresentação pública de Jair Rodrigues eu assisti no Ponto de Cem Reis, em João Pessoa, PB, ali nos começos dos anos de 1970. E ele já era o que era: um ser incrível, com quem todos nós tínhamos sempre muito a aprender.
Já morando na capital paulista, e ainda nos fins daqueles anos, nos conhecemos de perto e passei a ir vez ou outra a sua casa, numa ruazinha que ficava perto da TV Record, na Miruna, ali pelas bandas do aeroporto de Congonhas. Fui algumas vezes com Michael Kelly, um excepcional músico norte-americano integrante como primeiro trompete da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, à época regida pelo cearense Eleazar de Carvalho.
Lá ele sempre nos servia com bom papo, boa música e uma cachacinha...
Jair gostava do programa São Paulo Capital Nordeste, que eu apresentei por mais de seis anos na Rádio Capital.
Um dia o convidei para uma entrevista (abaixo, na foto).
Na ocasião eu fiz tocar, no origina, as suas duas primeiras gravações (Brasil Sensacional e Marechal da Vitória), inseridas num disco de 78 voltas, ‘inquebrável”, da Philips (reprodução do selo, acima), compostas para animar o clima da Copa de 1962, realizada no Chile e que resultou o Brasil  como campeão; na verdade, bi.
Essa entrevista foi uma das mais bacanas que irradiamos pelos microfones da Capital, e que se acha nos arquivos do Instituto Memória Brasil, IMB.
Jair contou toda a sua história, desde quando decidiu virar cantor.
Antes de se consagrar como um dos melhores e mais completos intérpretes da nossa música, ele desenvolveu atividades diversas nesse cotidiano massacrante, sobrevivendo com dignidade e galhardia.
Jair partiu hoje para a eternidade, aos 75 anos de idade; mas era como se tivesse menos ou mais, pela sabedoria marcante que o identificava.
Viva Jair!
No link abaixo o piauiense Jorge Mello improvisa versos ao som de um violão, em reverência a Jair. Clique:
https://www.youtube.com/watch?v=6STY1rwqM38

CONGRESSO MEGA BRASIL TERMINA HOJE

Começou anteontem e termina hoje a edição deste ano do Congresso Mega Brasil de Comunicação com lugar no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Na programação do dia, destaque para as palestras O Novo Jornalista: Viagem ao novo mundo dos mensageiros – Os jornalistas em mutação e o que isso tem a ver com os profissionais de comunicação e as fontes de informação e Redes Sociais: As apostas que estão dando certo e abrindo caminho para o sucesso das empresas nas redes sociais. 
O encerramento contará com uma mesa de especialistas que avaliará os resultados da programação.
Ano passado eu e uma trupe artistas populares do Instituto Memória Brasil participamos do Congresso apresentando um sarau que foi bastante comentado nos dias seguintes. Para ver ou rever, clique http://www.youtube.com/watch?v=JYn7vpQlb3U
E clique também http://www.youtube.com/watch?v=JYn7vpQlb3UA programação do congresso que termina hoje foi pré-inaugurado com a solenidade de entrega do prêmio Personalidade de Comunicação do Ano à jornalista multimídia Miriam Leitão. Depois, durante coquetel, nos juntamos numa rodinha com Audálio Dantas, Eugênio Araújo, Ricardo Carvalho, José Donizete e o presidente da Câmara de Vereadores São Paulo, José Américo, entre outros amigos, para contar lorotas, casos, causos e cousas.
Declamei versos de cantadores do Nordeste e também do poeta cearense Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré (1909-2002). Sobre quem, aliás, escrevi o livro cuja capa, de Gal Oppido (e textos de apresentação de Mario Chamie e José Nêumanne), é reproduzida acima (aí à direita, reprodução da capa de um áudio-livro que gravei contando a vida e obra do poeta de Assaré).
O livro e o áudio-livro estão esgotados, mas fica o registro.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

MIRIAM LEITÃO, COPA E BIOGRAFIAS

S
imples e concorrida, a solenidade que patenteou ontem a escolha da jornalista multimídia Miriam Leitão como Personalidade da Comunicação deste ano começou pouco antes das 20 horas no salão nobre do Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Miriam, que é mineira de Caratinga, é profissional especializada em temas econômicos. Há mais de dez anos ela apresenta seus comentários na TV Globo/Globo News, no jornal O Globo e na rádio CBN.
No seu discurso de agradecimento pelo prêmio conferido pelos profissionais de comunicação corporativa, representados pela empresa Mega Brasil de Comunicação, Miriam contou que teve uma infância comum, exceto que era muito tímida.
Briguenta, ela chegou a ser presa aos 19 anos por agentes da ditadura militar.
Briguenta, acha que o Brasil não anda bem das pernas e que o futuro pertence aos netos.
No seu discurso, que foi muito aplaudido, Miriam fez uma ligeira retrospectiva da sua carreira, lembrando que suas primeiras aparições na telinha de fazer doido, como diria o velho Ponte Preta, ocorreram na extinta Abril/Vídeo, onde, na mesma ocasião, também trabalhei como pauteiro de reportagens no começo dos anos de 1980.
Nossos parabéns à homenageada.

ELIZETE CARDOSO
Hoje faz 24 anos que o Brasil deixou de ouvir a cantora Elizete Cardoso, literalmente, porque seus herdeiros, por questão de grana, não autorizam que se façam espetáculos em sua memória e se publiquem sobre a sua história. Elizete, que morreu num dia 7 de maio, era do tempo de Noel Rosa, Pixinguinha e Almirante, entre outros bambas. Começou a carreira pelas mãos de Jacob do Bandolim.

PROJETO BIOGRAFIAS
O Projeto de Lei 393/11 do deputado paulista Newton Lima que libera a publicação de biografias de famosos etc., deverá ser votado na próxima semana pelo Congresso. Ontem o plenário da Câmara aprovou a votação do projeto em regime de urgência. Ano passado, Chico Buarque, Caetano Veloso e Roberto Carlos, entre outros raivosos da música popular, foram atirados à fogueira pelos fãs por serem contra ao projeto de lei que visa facilitar a vida dos biógrafos. Para lembrar, clique: http://pordentrodamidia.com.br/cascudo-no-feliciano-que-entrou-no-debate-das-biografias-tem-mais-cascudos-para-garontinho-bulsonaro-e-maluf/

FUTEBOL E MÚSICA
O livro (acima, reprodução da capa) A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira, de minha autoria e prefácio do jurista Ives Gandra da Sila Martins, está esgotado. É o que tenho a dizer.

COPA
A menos de um mês da Copa, o técnico Felipão anuncia o time de seus sonhos. Foi hoje, confira: Goleiros: Julio Cesar (Toronto FC), Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético-MG) Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Maicon (Roma), Marcelo (Real Madrid) e Maxwell (Paris St. Germain) Zagueiros: Thiago Silva (Paris St. Germain), David Luiz (Chelsea), Dante (Bayern de Munique) e Henrique (Napoli)Meio-campistas: Luiz Gustavo (Wolfsburg), Paulinho (Tottenham), Oscar (Chelsea), Willian (Chelsea),Ramires (Chelsea), Fernandinho (Manchester City) e Hernanes (Inter de Milão) Atacantes: Neymar (Barcelona), Fred (Fluminense), Jô (Atlético Mineiro), Bernard (Shakhtar Donetsk) e Hulk (Zenit).

segunda-feira, 5 de maio de 2014

TODOS PASSARÃO, EU PASSARINHO

Ouvindo noticiário sobre uma grande chuva de meteoros a cair do céu na próxima madrugada ali pelas 2h30, eu me lembrei do poeta gaúcho Mario Quintana, autor destes brilhantes e definitivos versos:
“Todos passarão/Eu, passarinho”.
E eu me lembrei por uma simples razão: por acreditar que poetas quando deixam a terra vão direto para o céu brilhar como estrela, ao lado de meteoros que se transformam em chuvas.
Quintana viveu entre nós como um franciscano, produzindo poemas e encantando a todos.
Sem sequer ter onde morar, ele findou seus dias num apartamento do velho Hotel Majestic, oferecido por seu dono, o ex-jogador de futebol Falcão.  Nesse hotel, localizado no centro histórico de Porto Alegre, outrora frequentado por artistas como o rei da voz Chico Alves e o nosso tenor popular Vicente Celestino, e políticos como Getúlio Vargas, está instalado o Centro Cultural Mario Quintana.
Há uns dois anos eu estive lá, mas não sei onde se acham as fotos que Andrea fez.
Mário Quintana morreu num dia como hoje, há exatos 20 anos.

sábado, 3 de maio de 2014

TELEVISÃO E CERQUILHO

Hoje o dia nos remete à tarde de 3 de abril do ano de 54, quando, na presença do jornalista e empresário paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, eram testados os equipamentos para a inauguração da televisão no Brasil, ocorrida no final do dia 18 de setembro de 1950, na sede dos Diários Associados, na rua 7 de Abril, em São Paulo.
Essa pré-estreia contou com uma apresentação do frei cantor mexicano de grande sucesso por cá Jose Mojica, que noutra ocasião chegou a contracenar com o grupo musical paulistano Demônios da Garoa, na Record.
Fica o registro.

CERQUILHO
Hoje é dia de festa em Cerquilho, uma belezinha administrativa e politicamente emancipada no dia 3 de abril de 1949. A palavra que dá nome a essa cidade distante cerca de 140 quilômetros da capital paulista, chamada de Cidade das Rosas, é de origem espanhola e significa cerquinho; e quem nasce lá, como o cantador de cururu Luizinho Rosa (acima, comigo), é cerquilhense. Fica perto de Porto Feliz e Tietê.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A HISTÓRIA EM CORDEL

Nos últimos cento e poucos anos, os mais expressivos personagens da vida brasileira se acham retratados na música popular e na literatura de cordel. Nesse baú de histórias incríveis há desde Pedro Álvares Cabral a Dilma Rousseff, passando por Vargas, Kubistchek, Jânio, Jango, generais do ciclo militar, Tancredo, Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula, o mais cordelizado etc., sem falar de nomes dos esportes, como Pelé; da música, como Luiz Gonzaga, Roberto Carlos, Raul Seixas e Zé Ramalho.
Flagrantes da violência, incluindo vítimas e algozes também do Cangaço rural e urbano antes mesmo de Lampião são encontrados na literatura de cordel que tanto tem inspirado literatos e cineastas ao longo dos anos.
Os cordelistas são muito rápidos na composição em versos de enredos históricos ou de passagem, isto é: factuais.
Exemplos disso são frequentes.
Logo após o anúncio do suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954,
Rapidamente milhares de folhetos foram compostos, impressos e vendidos nas ruas do Rio de Janeiro e de outras partes do País.
O mesmo ocorreu com o Rei do Baião e Ayrton Senna.
Mais ou menos a essa hora do dia 2 de maio de 1994, o cordelista piauiense Guaipuan Vieira escrevia, em sextilhas:

Maio de noventa e quatro
Dia do trabalhador
O mundo comemorava
Esta data de valor
Mas de súbito da Itália
Chegou a notícia de dor.

 Veio sim pelo destino
Que sempre foi traiçoeiro
Trazendo para o Brasil
Neste mês dia primeiro
Tristeza, luto e pranto
Por um filho brasileiro.

O mundo inteiro assistia
O Prêmio de San Marino
Ayrton Senna da Silva
No seu gesto de menino
Buscava o título de tetra
Para o Brasil genuíno.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

DORIVAL CAYMMI E CARLOS LACERDA: 100 ANOS

O tempo passa rápido, tanto que nem esperou o cantor e compositor baiano Dorival Caymmi para comemorar com ele e amigos o seu primeiro centenário de nascimento, completado hoje.
Dorival foi o artista brasileiro que mais e melhor cantou a alegria dos mares.
Ele entrou para a eternidade como o autor e intérprete de canções praieiras.
A história de Dorival, sem duvida é encantadora.
Começou por baixo, como qualquer brasileiro simples, fazendo pequenos serviços e se dedicando ao desenho, à pintura, ao jornalismo e logo depois, completamente, à música.
Dorival começou a sua história de artista da musica brasileira no Rio de janeiro dos anos 30.
Após trocar Salvador pelo Rio, ele fixou residência na Capital de São Paulo, onde compôs algumas de suas canções imortais, como Maracangalha.
Maracangalha, palavra de sua criação, significa algo como um país. Um país imaginário como Passárgada, de Manuel Bandeira e o Viagem a São Saruê, de Manoel Camilo dos Santos, que geraria no final dos anos 60, País de São Saruê, de Wladimir Carvalho.
Uma coisinha: Dorival carregou consigo a ideia de que era um preguiçoso.
Certa vez, com o intuito de esclarecer esta questão, lhe perguntei se de fato se considerava um preguiçoso.
Ele soltou uma risada e brincando disse: “Não sou preguiçoso. Se me consideram assim, paciência…”
Ainda lhe perguntei porque não gravava mais. Depois de outra risada disse: Ninguém me procura…”
Melhor do que  falar de  Dorival Caymmi é ouvir Dorival Caymmi.
Viva Dorival!
Canções Praieiras:http://www.youtube.com/watch?v=DjLzz7dho2U

CARLOS LACERDA: Hoje também completaria 100 anos de vida o carioca Carlos Lacerda, o mais brilhante orador político do Brasil. Lacerda, pivô do suicídio de Getúlio Vargas, adorava declamar poesias e ler os textos de Willian Shakespeare.
Lacerda, ex-governador da Guanabara, legou a posteridade, além da sua historia, 3 LPs que registram a sua performance pela literatura nacional e estrangeira.
Ele deixou também muitos inimigos.



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