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quinta-feira, 28 de maio de 2026

O CEGO NA HISTÓRIA (37)

Pois é, Glauco Mattoso é personagem do cotidiano brasileiro. Isso porque diz e escreve o que pensa. Seus pensamentos se interligam com tudo que vive no dia a dia. E detalhe é que tudo  que faz nos chama atenção pelo fato puro e simples do talento que tem como intelectual. 

Mattoso não é católico nem ateu. É um desmistificador. Chega a gargalhar quando lhe cobram posições religiosas e políticas. É um dos mais próximos seguidores do poeta baiano Gregório de Matos e Guerra (1636-1696). E eu como não tenho e nunca tive o que fazer, brinco com letras que formam palavras e palavras que formam versos que dizem coisas, por exemplo:

Modelado em barro cru 
Por obra da Criação 
O boneco ganhou forma, 
Vida e nome: Adão 

Enfim básico feito 
Adão seguiu em frente 
Pedindo perdão a Deus 
Por d'Ele ser crente 

E Eva que caso há 
No caso da Criação 
Numa boa ela nasceu 
Muito antes de Adão 

Eva de Adão foi mãe 
Mas isso não vou contar 
É caso duvidoso 
E nele não vou entrar...

No começo fez-se a luz
Para tudo alumiar 
Quem pôde ficou vendo 
Estrelas no céu bailar 

Mas só viu quem tinha olhos 
Olhos bons e bom viver 
Quem não tinha ai, ai, ai
Na vida seguiu sem ver 

Antes e depois disso 
Muita coisa aconteceu 
O mundo pegou fogo 
E Jesus Cristo nasceu 

Foi visitado por reis
Eram três e eram Magos 
Carregados de presentes 
Muitos beijos e afagos 

O Menino foi crescendo 
E crescido foi à cruz 
E na cruz a Deus pediu 
Que nos desse força e luz 

Porém é o que se vê:
Nada de força ou luz 
Que possa minimizar 
O peso da nossa cruz 

Aí acima fiz referência aos famosos reis que supostamente, visitaram o menino Jesus nos seus primeiros momentos de inocência lá em Belém. Tal encontro teria ocorrido num 6 de janeiro. 
No dia 6 de janeiro do ano de 1482, século 15, começa uma história incrível desenvolvida pelo gênio francês Victor Hugo (1802-1885). Dessa história participam personagens deserdadas da vida e também personagens nobres, como o rei Luís XI.
Claro é que estou a me referir a O Corcunda de Notre Dame, romance clássico que continua a encantar gente de todo o mundo. Nessa obra, lançada pela primeira vez em março de 1831, movimentam-se quatro figuras principais: o corcunda Quasimodo, a cigana Esmeralda, o padreco Claude e o capitão garanhão Febo .
Trágico ou dramático é o texto de O Corcunda de Notre Dame?
Antes de mais nada, no meu pensar de olhos cegos, identifico a obra em pauta como sendo do gênero romântico. Explico: Esmeralda ama o capitão de modo quase mortal, o padreco Claude ama Esmeralda de modo totalmente obsessivo e criminoso; o Corcunda, um ser cego do olho direito e fisicamente alquebrado, ama Esmeralda de uma maneira dulcíssima e o capitão usa Esmeralda e quando tenta violentá-la morre apunhalado. É nesse ponto que Esmeralda cai em desgraça e finda pendurada numa corda. 
O padreco Claude, sentindo-se traído manda matar Esmeralda. A pergunta é: feminicídio?
A história diz mais e muito mais do que isso.
Nessa história é dito que Esmeralda foi criada por uma tribo cigana.
Quando Esmeralda, lindíssima, começa a ganhar a vida se apresentando no átrio de Notre Dame, tinha 16 anos de idade.

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