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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ITAMAR BORGES E A NOSSA CULTURA POPULAR

A campanha política este ano está insossa.
Aliás, nem parece que teremos eleição para deputados estadual e federal, senador, governador e presidente daqui a menos de um mês.
Não há cartazes nas ruas indicando isso.
Não vejo distribuição de “santinhos” e alto-falantes ressoando nomes de candidatos.
Ao contrário das eleições anteriores, não vejo bandeirinhas tremulando com cores de partidos nas grandes avenidas e esquinas da cidade.
Não fosse o enfadonho e caro humorístico na televisão e rádio, no ar diariamente, estrelado por um “cast” de candidatos a raposas e reincidentes prometendo mundos e fundos aos desavisados, dificilmente saberíamos que a campanha já está quase no fim.
O curioso é a repetição dos temas abordados: educação, emprego, moradia, saúde, transporte, enfim, o paraíso à mão neste inferno sem fim de Dante que vivemos.
Mesmo assim, eu gostaria que o tema cultura popular fosse incluído entre as promessas e discussões postas à baila pela multidão de candidatos que se atira a nossa frente em busca de voto, em desespero.
É preciso cuidado na escolha dos candidatos, pois serão eles que nos representarão nas diversas esferas do poder e das decisões políticas do País.
Nada de voto de protesto.
Quem não se lembra de Cacareco, hein?
E do Enéas?
Pois bem, cultura popular é assunto que cabe perfeitamente nas escolas da rede de ensino do País.
São os polpíticos os responsáveis por atrasos e avanços na vida brasileira.
Há dois anos fui convidado pelo SEBRAE para falar sobre o tema a prefeitos recém eleitos, no interior de São Paulo. Em Presidente Prudente, conheci um cidadão chamado Itamar Borges, ganhador do 1º lugar (nível nacional) do Prêmio Empreendedorismo.
Itamar foi prefeito três vezes da cidade em que nasceu, Santa Fé do Sul.
Em 2008, ele recebeu a aprovação de 95% da população.
É o Lula de lá.
Agora ele está em campo disputando uma cadeira na Assembléia Legislativa.
Lembro que foi uma das pessoas mais atentas à palestra, querendo saber, depois, um pouco mais a respeito do assunto.
Não me fiz de rogado e disse que cultura popular é coisa séria, parte importante na formação das pessoas; a digital de um povo, a identidade de um país, de uma nação, e que sem ela o país, qualquer país, fica capenga, mais pobre etc.
E disse mais: que cultura popular também é um excelente produto para grandes mercados, inclusive do Exterior: dá emprego e rende dividendos em todas as áreas da administração pública ou privada.
Ele entendeu e abraçou a questão, dando destaque entre suas metas como deputado se for eleito.
Se depender do meu voto, ganha.
Noutra ocasião, no Congresso Nacional, falei da necessidade de se levar de volta às escolas o tema música popular, como matéria extracurricular.
Foi aprovado.
Também aprovada pelos congressistas foi a sugestão que dei à deputada Luiza Erundina, de criar o Dia Nacional do Forró.
Por quê?
Porque forró, uma invenção do rei do baião Luiz Gonzaga e do seu parceiro Zé Dantas, é parte autêntica da nossa cultura; é cultura popular, como a ciranda, o frevo, o samba, bumbá, cavalhada, mitos, lendas, adivinhações etc., e o dia objetiva exatamente isto: levar à discussão a questão cultura popular.

PS: a foto acima é um flagrante da palestra, em Presidente Prudente. Na ocasião, levei o cantador Téo Azevedo e mestre Adão da Viola, para uma apresentação ilustrativa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

AINDA VITAL FARIAS E MIGUEL DOS SANTOS

É claro que muitas vezes eu sinto pena deste meu Brasil-brasileiro.
Agora, por exemplo.
Ary Barroso diria o mesmo.
Ary era declaradamente um apaixonado por samba e futebol. Essa paixão o levou a se candidatar por uma vaga à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em 1947. E ganhou. Resultado: com o apoio da bancada majoritária do PCB, ele conseguiu meios para que fosse construído o estádio do Maracanã.
Que bonito é...
Até aqui dá pra ver que não tenho nada contra artistas ocuparem cargos eletivos, pelo contrário. Acho até que são necessários.
Kubistchek era seresteiro e foi presidente da República, certo? Com ele foram abertas as portas para o progresso com responsabilidade no País.
Mas sinto pena do meu país,como eu ia dizendo, porque o vejo sofrendo na unha desalmada dos prepotentes e interesseiros de primeira hora à última hora.
Isso é uma desgraça!
A ignorância, é sabido, se alimenta da ingenuidade do povo.
O povo é bom; os felas da mãe, não.
Há muitas formas de um povo sofrer, não é?
Há também muitas formas de um país sofrer.
O nosso país é rico, o povo é pobre.
Você que pensa, pense comigo: como dá voto a cidadãos sem história, sem projeto, sem conhecimento de nada?
Tiririca como deputado prestará? E Batoré? E Mulher Melão?
Deus do céu!
O próprio Tiririca diz que quer se eleger para descobrir o que um deputado faz.
Ele disse isso e disse mais: que como deputado vai empregar a família toda etc.
Pode?
Aprendi na escola que todo brasileiro tem o direito de até ser presidente da República, desde que saiba ler e escrever.
Mas é muito pouco, não é?
Lula é uma exceção.
Mas, enfim, não tenho nada contra os analfabetos.
Sou contra o analfabetismo, isto sim!
Como alguém pode se candidatar a deputado, por exemplo, sem saber das atribuições de um deputado?
Como mexer de forma positiva com o País se o pretendente está quebrado, não sabe de nada e tem interesses escusos?
Pois bem, mas tem gente bonita e bem intencionada querendo trabalhar pelo Brasil.
Vital Farias, candidato ao Senado pela Paraíba via legenda do PCB, é uma dessas pessoas, eu já disse.
Vital é um artista cheio de idéias e sério, no sentido de preservar e lutar pelos interesses de todos.
Estou com ele e não abro.

E-MAILS
De Raul Cavalcanti, técnico em produção do Núcleo de Gestão de Eventos do Museu do Futebol, recebo:
- Não sabia do Vital Farias... (ele) é um óasis no meio do deserto.

De Tarzan Leão, assessor de Comunicação da Prefeitura de Paracatu, MG:
- Assis, é uma pena que a Paraíba nos prive de tão grande glória.

E do próprio Vital:
- Assis, você tem umas coisas que são diferentes de muitos intelectuais. Não gostar de usar o conhecimento para esnobar. Isto talvez seja a melhor dádiva de um intelectual: ser professor e aluno ao mesmo tempo, sem mais querelas! Poucos dotados têm essa grandeza. Além de você, Sivuca, Hermeto, Tinhorão, Gonzaga, entre outros que sabem ser no momento certo o `aprendiz do querer` e o querer do não ser o professor. Confesso que é ruim demais ser professor e se comportar como tal! Para quem tem sentimento verdadeiro e legitimidade na verdadeira Arte do saber sempre se coloca como se fosse um verdadeiro aluno. Aí é que a grandeza começa e o pretenso aluno vira imediatamente um enorme prestador de conhecimento! Graças a Deus as pessoas com quem aprendi um pouco souberam ser professores disfarçados de alunos junto comigo. E então, sem que eles descobrissem, eu aproveitei o meu desejo de ser o eterno aluno para aprender com esses MESTRES!!!É BOM QUE VOCÊS SAIBAM DISTO!!!
ETERNAMENTE GRATO A VOCÊZES (no plurazão da vida!)
Vital Farias (irmão pela vida)
Vital Farias 211 Senador pb@hotmail.com

MIGUEL DOS SANTOS
- Amanhã 3, às 20 horas, será inaugurada mais uma belíssima exposição do pintor e ceramista mais aplaudido do Brasil: Miguel dos Santos, na Galeria Gamela de Arte, à Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 756/101, esquina com a Avenida Olinda, no bairro de Tambaú, João Pessoa, PB. A seu respeito, escreveu Ariano Suassuna: "A pintura de Miguel dos Santos é algo que me entusiasma, povoando seus quadros a óleo, ou cerâmicas, de bichos estranhos: dragões, metamorfoses, cachorros endemoniados, santos, mitos e demônios – uma obra tão ligada ao Romanceiro e por isso mesmo, tão expressiva da visão tragicamente fatalista, cruelmente alegre e miticamente verdadeira que o povo brasileiro tem do real". Ver/ler seu site: www.migueldossantos.com.br
PS - Na foto acima, feita no ano de 2000, aparecem Vital e Miguel, ao centro o autor destas linhas.

CANDANGO DO YPÊ
- Aos 87 anos, morreu no último fim de semana o cantor e compositor popular Candango do Ypê. Diz a notícia que o amigo Jorge Paulo acaba de me mandar:
"Faleceu na madrugada de sábado para domingo o radialista e cantor Candango do Ypê. Ele residia na Rua do Cano, Zona Norte de Ilhéus, e vinha lutando contra vários problemas de saúde que se agravaram pela avançada idade.
Candango deixa a sua marca na história do rádio ilheense e parte para a galeria dos saudosos radialistas. O sepultamento aconteceu na tarde de ontem, na Estância Hidromineral de Olivença".
Candango do Ypê era o pseudônimo do paraense Jonatas Moreira da Costa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

VITAL FARIAS O QUE FARÁ NO SENADO?

Eita, danado!
É uma coisa doida o passado de boa parte dos políticos profissionais em ação no País.
Numa girada rápida pelo condão mágico do Youtube é possível descobrir histórias de quebrar o arco da velha e a própria velha, coitada.
Experimentem.
Cliquem nos nomes de mais evidência no panorama político das três esferas e verão (e ouvirão) coisas de arrepiar cabelos até de quem não os tem.
É o que digo.
Não são poucos os que disputam cargos eletivos esconderem a todo custo o passado, pintarem de azul cobalto o presente e fantasiarem o futuro com promessas absurdas que, de antemão, já sabem que não cumprirão.
É a tal da propaganda enganosa proliferando no solo fértil da vida política brasileira.
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Vejo o Tiririca dizendo besteiras e fico tiririca da vida, inclusive porque ele corre o risco, para nós, de se eleger deputado federal e levar consigo um monte de marmotas.
Aliás, essa candidatura me lembra caso parecido ocorrido em São Paulo de 58, quando, involuntariamente, o rinoceronte Cacareco arrastou quase cem mil votos da campanha a vereador daquele ano.
Havia mais de 400 candidatos para 45 vagas.
Tiririca é Cacareco?
Tiririca diz que quer se eleger para descobrir o que faz um deputado. E que vai arrumar emprego pra família toda.
Eita!
Cacareco não dizia nada. Ele era manso manso que só, também engraçado com seu jeito todo desengonçado.
Quase como Tiririca.
Mas por que diacho eu lembro essa história?
Porque há o contraponto, ora: há candidatos bons, de norte a sul do País.
Em João Pessoa, por exemplo, capital da Paraíba, tem um cabra que acho que serviria certinho no papel de senador.
Falo do cantor, compositor e instrumentista Vital Farias, artista dos melhores que o Brasil já deu.
Vital é candidato pelo PCB.
Não voto nele porque o meu título é de São Paulo.
Em conversa outro dia, via fone com o pintor Miguel dos Santos, o historiador paulista José Ramos Tinhorão mandou um abraço e disse:
- Também não voto nele, porque voto em São Paulo.
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Em novembro e dezembro de 1959, pelo menos duas marchinhas sobre Cacareco, visando o carnaval do ano seguinte, foram lançadas à praça. Uma pela dupla Ouro e Prata (Cacareco, de Miguel A. Roggieri, Irvando Luiz e Túlio Piva; RGE) e outra por Risadinha (Cacareco é o Maior, de Francisco Neto e José Roy; Continental). Essa última chegou a ter versão espanhola...
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Numa visita rápida que fizemos mês passado a Vital, ele garantiu que não vai pedir voto a ninguém no correr de toda campanha e que não tem dinheiro nenhum pra gastar em material de campanha. Disse, porém, que se for eleito vai dar trabalho à raça acostumada a mamar nas tetas do Governo. E que vai brigar, sim, por um país melhor. A sua arma será a sua arte, incluindo o violão e o violoncelo como instrumentos.
Na última eleição, o autor de Ai que Sodade de Ocê obteve 100 mil votos.
A última pesquisa Ibope realizada em João Pessoa coloca Vital em quarto lugar.
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Como o Brasil acordará daqui a um mês e pouco, hein?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

GOVERNANÇA E LÍNGUA PÁTRIA

Num vôo entre as capitais de Recife e São Paulo, li domingo 29 notícia à página A12 do centenário jornal Diário de Pernambuco dando conta de que o paulistano José Serra, agora em campanha bamba à Presidência com o cognome Zé, deixou de responder a repórteres por não entender o que falavam.
Isso mesmo, por não entender o que falavam.
E era na língua pátria que os repórteres de Pernambuco se expressavam, e não em grego ou javanês.
Fiquei chateado.
Poxa, e logo o Zé!
Zé que já foi ex um monte de vezes e coisas na República em voga: deputado estadual, deputado federal, senador, ministro; prefeito e governador, mandatos que abandonou sem quê nem mais em plena vigência, após afirmar em cartório que os cumpriria até o fim.
Assim não dá.
Mas um tanto encafifado e sem querer crer no que li, eu reli e depressa corri os olhos para a manchete estampada em letras graúdas e ilustrada por esquisita foto que não deixava dúvida: O SOTAQUE É O PROBLEMA.
Ah! O nosso sotaque nordestino.
Belo, melodioso, é o sotaque da gente do Nordeste, não é?
Eu sou de lá.
Tem coisa mais bonita do que ouvir o sotaque do povo numa língua só?
“Existe uma língua brasileira ou a denominação correta seria língua luso-brasileira? Assis Ângelo, escritor, jornalista e radialista paraibano radicado em São Paulo (...) e Téo Azevedo, poeta, cantador, repentista, escritor (...) passaram uma porção de tempo fichando palavras e expressões populares correntes no Nordeste (...) e o resultado foi esta valiosa contribuição ao estudo da língua falada pelo povo, pelo matuto, pelo tabaréu. E como a língua de um país é feita pelo povo, eis aí um prato feito para os dicionaristas e para os estudiosos e pesquisadores da área”.
O prato feito a que se referia o folclorista Mário Souto Maior (1920-2001) era o Dicionário Catrumano, Pequeno Glossário de Locuções Regionais publicado em 1996 e que recomendo completamente ao Zé.
No texto que abre o livro após o de Mário, eu digo que o Brasil carrega no seu bojo uma peculiaridade especialíssima: o sotaque.
E digo também que o sotaque é o canto de uma língua.
Isso que eu disse se acha na abertura e fechamento do monólogo Memórias de Embornal, de Íris Gomes da Costa, estrelado por Jackson Antunes e dirigido por Tizuka Yamasaki, em 2000.
Caso leia o Dicionário, Zé conseguirá rapidamente entender o jeito de falar dos meus conterrâneos...
Mas parece que Zé também tem problemas de entender o que falam os mineiros e goianos.
Se confirmado isso, a situação se agrava.
Como poderia alguém governar um país sem saber a língua de seu povo?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MIGUEL DOS SANTOS, UM GRANDE ARTISTA

Agora com os ponteiros correndo depressa em direção ao meio-dia, e quase à hora do embarque a Porto de Galinhas, PE, para uma sessão de autógrafos do livro recém lançado no Museu do Futebol, em Sampa, A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira, de minha autoria, e palestra que farei sobre o universo infantil na cultura popular, eu quero dizer uma ou duas coisinhas a respeito de um dos grandes artífices das artes plásticas no Brasil, Miguel Domingos dos Santos, que conheci nos fins dos anos de 1960 na capital paraibana, onde nasci no princípio dos 50.
À época procurei em vão, em mim, algum resquício de talento como pintor na Divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba, sob a batuta dos esforçadíssimos e talentosos, esses sim, João Câmara Filho e Raul Córdula, entre outros que perderam tempo na tarefa inglória de me orientar.
Miguel dos Santos, integrante de reduzida e rica galeria de excepcionais seres que nascem um aqui e outro ali, a cada milhar de anos, dia a dia vem construindo uma obra magnífica e sem par no País, e que todos devem conhecer e naturalmente aplaudir.
Sorte que ele é brasileiro, como o poeta Dos Anjos, os escritores Machado e Rosa, o pintor das mulatas Di Cavalcanti, o maestro Eleazar de Carvalho, Carlos Gomes, o mais representativo compositor operístico das Américas; o sanfoneiro Luiz Gonzaga, o descobridor sonoro das riquezas do Nordeste; e os estudiosos ímpares das coisas do povo, Sylvio Romero, Câmara Cascudo e Gilberto Freyre, que uma vez me negou entrevista pelo fato de ainda eu não conhecer de traz pra frente a sua substanciosa obra, ao contrário de Cascudo, ser especial que Deus nos deu e que me presenteou com sua amizade.
Há quatro décadas, Miguel trocou a terra natal Caruaru, PE, pela capital da Paraíba, onde dia e noite feito um titã, dá lustros à imaginação e cria uma obra monumental sem dúvida, permeada de uma simbologia que nos remete a todos os passados e nos faz refletir sobre o presente.
A obra migueliana se insere perfeitamente no contexto dos grandes mestres.
É isso.
Ah!
No próximo dia 3, Miguel dos Santos inaugura uma de suas hoje raríssimas exposições. A mostra ocupará todo o espaço da Galeria Gamela, em Pessoa.
Vamos lá?

FLIPORTINHO/FLICORDEL
Estarei à tarde em Porto de Galinhas, como eu disse lá em cima. Participarei da festa da literatura de cordel intitulada Fliportinho/Flicordel, que começa amanhã e vai até domingo 28, com a presença de grandes autores e patrimônios vivos de Pernambuco, como os três Josés: Soares da Silva, Costa Leite e Borges.

domingo, 22 de agosto de 2010

CULTURA POPULAR É A DIGITAL DE UM POVO

Óbvio: o passado é a história do presente.
É preciso estar permanentemente atento ao que acontece à nossa volta, pois absolutamente tudo na formação de um país advém do viver, do comportamento do povo, do cotidiano, seja qual for a circunstância ou tempo.
O Brasil com seus mais de 8,5 milhões de km² e uma população que beira a casa dos 200 milhões de pessoas ainda é, de certo modo, um país desconhecido dos próprios brasileiros.
Pelo menos, no tocante à cultura.
Deve-se isso à diversidade de que somos portadores.
Entre outras coisas, a mistura de raças tem permitido ao Brasil até o enriquecimento da língua.
Sonos o país mais miscigenado do mundo.
Além do índio, que cedeu espaço ao negro e ao europeu, outras gentes têm encontrado aqui uma nova pátria, e se dado bem.
Com isso foi possível alcançar uma enorme multiplicidade cultural, que passa pela culinária, música, artes plásticas, dança etc.
Não nos esqueçamos de que é a partir da cultura popular que um país ganha seu passaporte para o respeito universal.
A identidade de um país é a sua memória.
Falamos de arte, de criatividade coletiva e popular.
Hoje, ao término dos primeiros dez anos do novo milênio, creio ser necessária uma discussão ampla em torno da cultura.
A cultura popular é a digital de um povo.
Creio que uma discussão em torno da nossa diversidade cultural serviria hoje, não só para identificar e catalogar a herança deixada por nossos primeiros habitantes, desde o índio até o europeu e o negro, mas também para avaliar e trazer à tona a importância da contribuição dos estrangeiros em solo pátrio.
Essa discussão poderia ser travada por especialistas das diversas áreas do conhecimento, tanto do mundo acadêmico, quanto do mundo, digamos, leigo.
Importante.
Faz-se necessário um balanço do que foi o Brasil de ontem e o que, comparativamente, é o Brasil de hoje.
Ao se pôr na pauta de uma discussão pública a cultura popular nacional (o que é o folclore?), a música nos seus diversos gêneros e a dança dos vários estilos no campo da cultura popular, por exemplo, os brasileiros só poderiam ganhar.
Poderíamos ter ainda, além de uma avaliação pormenorizada da cultura que se faz no País, uma perspectiva do que poderá ser a nossa cultura popular do amanhã.
Qual a importância dos meios de comunicação na formação das gerações vindouras?
Para onde vamos?
Para onde vão o Brasil e o povo, culturalmente falando?
Qual o papel do rádio e da televisão?
E o papel dos educadores, das escolas, dos pais?
E o governo, onde entra nisso?
As tradições sobreviverão?
Carece de alguma salvação a cultura popular?
Por aí.

CORINTHIAS X SÃO PAULO
E o Coringão, hein?
Três sobre o São Paulo, zero, neste domingão de clima europeu em Sampa.
O camisa 7 Elias é o cão.

PS - O Que é Folclore, ilustração aí de cima, é um opúsculo ilustrado por meu amigo Ionaldo Cavalcanti, hoje no céu, que publiquei nos tempos que ocupei a chefia do Departamento de Imprensa da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Metrô, e que gostaria de ver rerepublicado de forma ampliada. Vamos ver... À época, ali pelos anos de 1990, tentei atender a curiosidade dos meus filhos, que sempre neste mês de agosto me procuravam para ajudá-los a fazer tarefa escolar.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

JEQUIBAU É JEQUIBAU E FLORES EM VIDA

O que é jequibau?
Avião ou estrela cadente?
Terra, pífano, galo, gaiola ou um parque sem gente?
Água de beber, bicho de morder ou pio de pinto sem pena?
Flor de açucena?
Um rochedo, floresta ou tronco de ipê?
Nome de gato, gata ou topada no meio da escuridão?
Sol ou apelido oculto do cangaceiro lampião?
Não sei; não sabes, não?
Pois, pois.
Nome de menino ou canção de ninar?
Talvez um anjo torto perdido no oco do céu.
Ou um quadro de Dalí.
Ou um vaso da China, um verso sem rima.
Talvez...
O que é jequibau?
Um romance inacabado ou um disco quebrado?
O apelido da lua cheia ou o coaxar de um sapo de olho no brejo.
Um vulcão ativo, quem sabe?
Um grito de guerra, um psiu acanhado.
Uma baleia presa num arpão.
Um operário escravo do patrão.
Ou um tigre findo num alçapão?
Um boi, um bode, um bonde, um bumbo.
Ou o boto de sinhá!
Não sabes?
Eu sei o nome de quem o inventou: Mário Albanese, um paulistano da safra 31.
Eu o conheci no século passado, há mais de duas décadas.
Não sei se na Pensão Jundiaí da Mariazinha.
Virou amigo, desses que a gente ganha e não quer perder.
Mário estava ontem na pensão da Mariazinha, tocando teclado, tocando jequibau.
Jequibau é um estilo musical criado por Mário e Ciro Pereira.
Certa vez, num folheto, escreveu o poeta popular Téo Macedo, em sextilhas:

Jequibau é jequibau
Diferente marcação
Cinco tempos por inteiro
Contrariando a tradição
Um compasso brasileiro
Nova forma de expressão

Jequibau é jequibau
A palavra é singular
Não existe em dicionário
Não adianta procurar
E depois de tantos fatos
É hora de registrar...

No ritmo jequibau gravaram Hermeto Pascoal, Jair Rodrigues, Altemar Dutra e Moacir Franco, entre centenas de outros artistas brasileiros. No campo internacional, destaque das gravações para Andy Willians, Charlie Byrd, Sadao Watanabe e Rita Reys.
Mário Albanese, nunca é demais dizer: é uma glória nossa absolutamente necessária de se rever, de se redescobrir e aplaudir.
Flores em vida.
PS - Na foto paarecem Mário, Andrea Lago o autor destas linhas inventando de cantar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SEXTA 13, UM BELO DIA DE SORTE

Hoje, sexta 13.
Deu tudo certo pra mim.
Resolvi pendências no Fórum e escapei ileso.
Depois andei pelo Centro e vi a cidade de São Paulo abandonada, com inúmeros indigentes e drogados em geral espalhados pelas ruas e baixios dos viadutos.
Tristes cenas.
Para esse pessoal e para Sampa e Brasil, um dia 13 negativo.
E assim tem sido nos últimos anos.
Gostaria de ver andando pelas ruas, como eu, o prefeito Kassab.
Jânio andava e se impunha como autoridade e cidadão.
Aliás, a meu ver, Jânio, que entrevistei como prefeito nos tempos em que respondi pela chefia de reportagem política do jornal O Estado de S.Paulo, resolvia problemas de ordem pública da cidade.
Kassab, eu noto: prefere o gabinete.
Estilo de governança, timidez ou covardia?
Mas, para mim, este dia 13 foi muito bom.
Revi amigos.
Recebi ótimos telefonemas.
À noite, um do Vandré:
- Tudo bem, Ângelo? Estou sem dormir há quatro dias.
Respondi que a instabilidade climática paulistana não está me fazendo bem.

PARA LEMBRAR
Sexta 13...
Assim eu inicio a Cronologia do livro Dicionário Gonzagueano, de A a Z:
“Nasce na Fazenda Caiçara do todo-poderoso Gualter Martiniano de Alencar, Barão de Exu, o segundo dos nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus”.
É como eu disse: só para lembrar.

ANIVERSÁRIO
Agora vou com Andrea e meninos dá um pulinho na Rua Ouro Preto, lá pras bandas da Raposo Tavares, onde nos esperam Marco Mendes e sua companheira Cláudia. Motivo: ele está fazedo, a contragosto, 53 anos; e não vejo razão para isso... Marco é paraibano, cantor, compositor e pintor. Tim, tim!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

LAMPIÃO E BONITA MORRERAM EM SERGIPE

Vera Ferreira, que citei no texto de ontem, manda e-mail ratificando o imperdoável lapso por mim cometido, ao dizer que Lampião foi assassinado em Alagoas.
“Assis meu amigo, como vc está?... Sempre estou acompanhando-o pelo seu blog... Parabéns! Olha só gostaria que fizesse uma retificação, por favor. Você falou que a Grota do Angico onde tombaram meus avós e mais nove companheiros, fica em Alagoas, quando na verdade ela fica em Poço Redondo, Sergipe.
Valeu amigo velho! Cuide-se com carinho!
Cheiros,
Vera”.
Como posso ter falhado nessa informação?
Já escrevi tanto a respeito do cangaço e do casal Lampião/Maria Bonita.
Até um poema do temido bandoleiro pernambucano que agitou a vida sertaneja gravei há um punhado de anos, com acompanhamento à flauta de Toninho Carrasqueira. Esse registro se acha no CD Assis Ângelo Interpreta Poetas Brasileiros.
Como se não bastasse, promovi a uns anos um grande debate público em torno do Rei do Cangaço. Foi num mês como este, no auditório do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito do largo de São Francisco, ao levar a júri simulado a questão: Lampião, bandido ou herói?
Dias antes, o legendário cangaceiro fora absolvido em consulta junto aos usuários da estação Brás da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, CPTM.
No Centro Acadêmico foi condenado a 12 anos.
À época, publiquei no jornal carioca A Nova Democracia:
“A condenação foi abrandada em um terço por ser o réu primário e beneficiário de atenuantes segundo o juiz que presidiu o processo, Antônio Magalhães Gomes Filho, titular de Processo Civil.
O Rei do Cangaço foi levado a júri sob a acusação de ter praticado junto com o seu bando uma chacina em Jeremoabo, na Bahia, no dia 13 maio de 1932. Nessa data tombaram mortas a tiros e a golpes de punhal várias pessoas de uma mesma família. A sentença, baseada na votação do corpo de jurados formado por estudantes de Direito levou em conta que o réu praticou a ação com requintes de crueldade. Cerca de 300 pessoas, incluindo jornalistas, escritores e artistas, assistiram a sessão.
Na sala do júri representou o acusado o ator Alessandro Azevedo, vestido a caráter. A seu lado a atriz Júlia Moura, no papel de Maria Bonita.
Os trabalhos foram desenvolvidos pelo promotor Luis Marcelo Mileo Theodoro e pelo advogado de defesa Alamiro Velludo Salvador Netto.
Antes de encerrar a sessão e elogiar os organizadores do evento, o juiz Gomes Filho disse que o processo pode ajudar a sociedade a refletir sobre as causas da violência no Brasil”.

ANIVERSÁRIO
E já que estamos falando do assunto, outro registro: dona Mocinha, de batismo Maria Ferreira, única irmã viva de Lampião, acaba de fazer 100 anos de idade. Ela mora numa parte pacata de Santana, na capital paulista, e tive o prazer de lhe conhecer pelos passos do meu amigo cangaceiro da pesquisa Antônio Amaury Corrêa de Araújo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ROUBADO FIGURINO DE MARIA BONITA

Poucos dias após se completarem 72 anos da emboscada que resultou no assassinato de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, na grota de Angico, em Alagoas, e às vésperas da noite de autógrafos dos livros De Virgolino a Lampião (edição patrocinada) e Lampião Bandido ou Herói? (Editora Claridade), ambos de Antônio Amaury Corrêa de Araújo em parceria com Vera Ferreira, neta de Lampião, e Carlos Elydio Corrêa de Araújo, respectivamente, o ator paraibano Alessandro Azevedo, que entre outros personagens incorpora no teatro o famoso cangaceiro, teve o sítio que mantém em Cotia, SP, invadido por desconhecidos que roubaram cópias de objetos de Lampião e o figurino completo de Maria Bonita. Por essa razão, Alessandro compareceu ontem à sessão de autógrafos no Bar Canto Madalena sem a atriz que interpreta a companheira do famoso cangaceiro. E brincou:
- A coisa tá danada por essas bandas de São Paulo! Até Lampião e Maria Bonita estão sendo alvos dos bandidos.
Entre outros artistas, prestigiaram o pesquisador do cangaço Amaury Corrêa o cordelista Franklin Maxado “Nordestino” e o cantor e compositor Chico Esperança.
Franklin, que mora em Vitória da Conquista, BA, está lançando novo folheto: Influência da França no Cordel Brasileiro, que pode ser adquirido através do telefone 75.36.3845 ou do e-mail franklinmaxado@hotmail.com
PS - Na foto acima, feita e nos enviada por Vivian Carvalho, da Acquaviva Promoções e Eventos, aparecem este blogueiro irritado com o roubo do figurino de Maria Bonita e o ator Alessandro Azevedo, intérprete de Lampião no teatro.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CONVERSA MOLE COM KLÉVISSON VIANA

Faz dois, dois minutos e meio, mais ou menos, que terminei uma conversa de trinta, quarenta minutos, com o poeta popular Klévisson Viana (foto), cearense como o irmão também genial, Arievaldo.
Falamos de muitas coisas e gentes.
Mestre Jô Oliveira, por exemplo.
Do poeta erudito Alouche, também.
De poetas clássicos do universo popular como mestre Azulão, paraibano fundador da Feira de São Cristovão, Rio.
De tantas coisas falamos, entre risadas.
Klévisson também é humorista.
Falamos da Dulce, sua companheirinha inseparável.
Da Andrea.
Da Paraíba, onde estive há poucos dias ao lado de Miguel dos Santos, Bira, Beto, Oliveira de Panelas e Onaldo Queiroga, juiz de Direito apaixonado pela poesia popular e por artistas, como Luiz Gonzaga.
Falamos sobre quadrinhos e do rumo da história no campo dos cordelistas e violeiros.
Falamos da bienal do livro de São Paulo, que ocorrerá ainda este mês.
E falamos também da falta franciscana de grana e dos riscos nas apostas em publicações de livros e folhetos e da necessidade de guardar originais de poetas como o citado Azulão, autor de sete “romances” no formato folheto de 32 páginas.
- e por que não mais, de 64 páginas?
Porque, disse ele, “faltam leitores”.
Poxa...
Falamos do folheto OPavão Misterioso em quadrinhos...
Voltaremos ao tema.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

LUIZ GONZAGA E A ORIGEM DO BAIÃO

Conversa!
Luiz Gonzaga não morreu, embora haja quem diga que foi no dia 2 de agosto de 1989, portanto a exatos 21 anos, e após 42 dias preso aboiando num leito do Hospital Santa Joana, em Recife, que o caso se deu. Ou seja: que ele, o rei, deixou escapar o último suspiro, junto com o fole de sua sanfona.
Mas que conversa é essa?
O véi Gonzaga está vivinho da silva, mesmo que se alardeie aos quatro ventos com as trombetas dos mil-e-seiscentos-diabos que haja se finado.
Ora, ora, que imensa bobagem!
Pessoas como o Rei do Baião não se findam jamais.
Encantam-se.
Finda-se quem nada deixa à posteridade, sequer uma historiazinha pra se contar na roda de amigos, filhos e netos.
Finda-se quem não deixa caminhos para serem seguidos.
Não findou o Rei do Baião, por isso.
Ele nos deixou um legado e tanto, uma escola, alunos e seguidores.
Ele deixou uma obra monumental completa, espalhada mundo a fora e em línguas diversas: japonesa, inglesa, rapa nuí...
E se formos ouvir direito, chegaremos à conclusão de que a sua voz está mais bonita, já repararam? Está mais melodiosa, plumosa, cheia de nordeste,cheia de Brasil.
Ouçam-no cantar qualquer uma de suas músicas e constatarão a obviedade.
Em junho de 1951, Zé Gonzaga gravou Viva o Rei!, de sua autoria e de Zé Amâncio, em que diz:

Luiz Gonzaga não morreu
Nem a sanfona dele desapareceu...
Luiz escuta esse baião
Quem tá cantando
Com a sanfona é teu irmão
Ta esperando
Todo povo brasileiro
O seu grande sanfoneiro
Com as cantigas do sertão.

Pois, pois, ops!
Aí está.
Lembro de uma conversa que tivemos num ano qualquer da década de 70, ocasião em que ele nos explicou a origem do ritmo que o alçou à categoria de rei: “Quando o cantador está afinando a viola, quando ele sente que a viola está afinada, ele bate no bojo assim: t-chum, t-chum... Eu tirei o baião dessa batida”.
Nessa mesma década, em entrevista ao Pasquim, ele lembrou: “Eu já toquei em assustado. Fui sanfoneiro, rei do baião, quase sumi na poeira; agora sou lúdico, autêntico, virei um tal de folclore”.
Folclore, não: mestre.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

SE ESTIVER VIVA, O FANTÁSTICO MOSTRARÁ

O caso da mulher da vida com o goleiro do mundo flamenguista está chegando ao fim. Melhor: ou acaba agora essa novela toda ou essa novela toda terá uma reviravolta de dar inveja aos autores dos folhetins eletrônicos desta vida louca.
E se conheço a Globo...
Caso a mulher esteja viva, não tenha morrido, não tenha sido assassinada, ela aparecerá domingo chorona, amuada, e de cara pra baixo no programa Fantástico, dizendo que não deu o ar da graça antes por puro medo. Mas se isso não ocorrer, tenham certeza: é que ela está, como dizem, ocupando o andar de cima.
O advogado do goleiro e o próprio goleiro afirmam que ela está viva e aparecerá.
O goleiro chega a rir, lembrando que o prazo de validade da preventiva contra ele decretada pela Justiça está findando.
O delegado incumbido de dar ponto final na história gagueja.
E se a mulher de fato aparecer, hein?
Estará frito.
E a imprensa...
Como alguém pode afirmar que alguém está morto sem ter a certeza do crime, a sua prova, que é o cadáver?
Os colegas repórteres dizem e os apresentadores de rádio e TV zabumbam com todas as letras e falas: ela está morta.
É muito risco.
Eu, hein!
Claro, se a vítima não parecer é porque se suicidou e deu fim ao próprio corpo.
Só pode.
Mas “quem perder que conte”, como diz o dito popular.
Ainda vai sobrar para os contribuintes, pois o goleiro está ameaçando processar o Estado.
Fui!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A DISCUSSÃO DA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

Há exatamente um mês, o Ministério da Cultura pôs em discussão pública a idéia de um projeto de revisão da lei de Direitos Autorais em vigor.
Temia-se que a Copa prejudicasse a discussão.
Isso não ocorreu.
O que se vê é boa parte dos interessados direta e indiretamente discutindo a questão.
Muito bom, mas há muita gente com o pé atrás.
Por quê?
Bobagem.
Preciso é discutir o que não anda certo, para que fique certo o que está errado.
Exemplo?
A preservação do direito de autor por 70 anos após a sua morte.
Isso é kafkiano.
Os herdeiros deitam e rolam, dificultando sempre e sempre o acesso à obra do falecido.
Isso é preciso acabar, senão pelo menos diminuir o prazo pela metade.
Caso eu vá hoje para o andar de cima, que direito têm os familiares de dificultar o acesso às obras que deixarei, hein?
Faz sentido?
É muito tempo, 70.
Dá pra morrer e voltar e ainda pegar os vivos familiares protegidos na forma da lei e torcer-lhes o pescoço.
Rever isso é cuidar da educação de um povo.
Fui!

domingo, 11 de julho de 2010

A JABULANI CONTINUA ESQUECIDA...

Pra mim, inesperadamente um jogo feio.
Violência de ambos os lados.
Começou com a Holanda.
Não esperava eu que a Holanda fosse mais violenta do que tem sido, tanto no primeiro quanto no segundo tempo.
No fundo, no fundo, esperava que o jogo Holanda x Espanha fosse para o segundo tempo. E para os pênaltis.
E ainda acho que vai para os pênaltis.
Mas não esperava que fosse tão violento.
Claro, os espanhóis apenas reagiram.
Mas vamos que vamos.
Zerou-se.
Recomeço.
Tomara que haja jogo bonito agora, porque depois é o mata-mata de verdade.
Não gosto disso.
Gosto disso, não...

HOLANDESES TROCAM JABULANI PELAS CANELAS ESPANHÓIS

Zero a zero, no primeiro tempo.
Pra Espanha.
O que se viu até aqui foi o esperado: a Holanda dando pau, entrando com tudo.
A Jabulani pra Holanda foi ignorada.
E como esperado, a Espanha tratou bem a Jabulani.
Jabulani é menina, nasceu há pouco. Precisa de afago, carinho.
Mas os holandeses não sabem disso. Sabem de porrada.
Aliás, a presença dos holandeses no Brasil mostra isso: porrada.
Uma história triste.
Àquela época, os espanhóis não foram bonzinhos também não com os nossos primeiros habitantes.
Mas se recuperaram, acho.
Por isso a Espanha, como tem demonstrado em campo gramado, faz jus à taça de campeão.
Aquela entrada de Jong sobre Xabi, Deus do céu!
Em meia hora, cinco amarelos.
Pelo jeito, a Holanda vai continuar batendo forte em nome da globalização.
Será que vai mostrar que os fins justificam os meios?
Sou pela arte.
Ah! Penélope Cruz é espanhola.
Vamos ao segundo tempo.

JABULANI É DENGOSA, QUER É BOM TRATO

Daqui a pouco o selecionado espanhol faturará o primeiro lugar numa disputa de Copa, essa de 2010.
Será um jogo bonito, eletrizante, daqueles inesquecíveis, dos tempos da Seleção de 70, com Pelé & Cia.
De um lado, os holandeses baterão forte na bola.
Farão dela um saco de pancadas, ao estilo Dunga.
Ao contrário dos espanhóis, que a tocarão com respeito, carinho, leveza e categoria.
Assis tratada, ela, Jabulani passeará, deslizará com gosto no campo, indo de um lado a outro e endoidando seus algozes, isto é: os holandeses.
Pelo bom trato que receberá dos espanhóis, ela em troca se enrolará com dengo nos fios da rede adversária por três, quatro vezes.
Os holandeses serão eliminados no correr do tempo regulamentar.
E estamos conversados.
Ah! O futebol globalizado, esse de resultados, baixará a crista para o futebol-arte.
Quem viver verá.

sábado, 3 de julho de 2010

OS ESTRAGOS DE JABULANI E MICK JAGGER

De cabeça erguida.
Assim saiu a seleção argentina após a partida com o fortíssimo e competente selecionado alemão que a eliminou em Cidade do Cabo, há pouco.
Claro, derrota é sempre derrota.
Mas é preciso saber perder.
Jogo é jogo.
De qualquer maneira, foi bonita a partida.
Os dois times correram, suaram a camisa.
Os 4 x 0 sobre os meninos de Maradona foram merecidos.
Se a seleção do Dunga tivesse jogado assim, corrido com categoria atrás da bola e tentando a vitória, tudo bem. Mas, não.
Dunga escondeu o jogo até o fim.
Escondeu tanto, que ao fim não soube onde reencontrá-lo.
E aí, pronto!
Ok, Messi não fez nada; quase nada.
Cristiano Ronaldo, também não.
Quanto aos garotos de Dunga, oh! Poucas exceções: Luís Fabiano, Lúcio...
Culpados?
Dunga, Felipe Melo e, claro, Mick Jagger, que antes havia derrubado os Estados Unidos e a Inglaterra com seu pé geladíssimo. Pé, aliás, que fez o selecionado do Maradona arrumar antecipadamente as malas de volta pra casa.
Ah! Sim, e Jabulani. Essa, sem dúvida, a grande culpada disso tudo.
Daqui a pouco mais emoções, com Paraguai x Espanha.
Os espanhóis são perigosos.

PS - Um alívio: a derrota dos argentinos para os alemães nos poupou de um vexame e tanto, o de ver Maradona nu. Pelos menos isso, já que ele é capaz de tudo, como se sabe.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O HEXA FICA PRA DEPOIS, PRA 2014 (3)

Gana x Uruguai, um jogo e tanto; tanto no primeiro, quanto no segundo tempo, e também no tempo extra, que levou aos pênaltis.
Os ganenses são gatos de sete fôlegos e passos de sete léguas, em vôo raso aqui e ali.
Incrível o que o mundo viu há pouco: categoria, raça, vontade de vencer.
Aliás, de ambos os lados.
Deixaram o campo como heróis.
Ao contrário da seleção do Dunga, uma seleção de estrelas com tamancos de palmo e meio a se balançar em campo, com exceções. Uma: Robinho.
Ao Dunga faltou a ousadia de ganhar.
Por que não chamou os meninos da Vila? Estavam à disposição Ganso, Paulo Henrique e Neymar, por exemplo.
E o Ronaldinho Gaúcho, hein?
Amanhã tem Argentina...

O HEXA FICA PRA DEPOIS, PRA 2014 (2)

O jornal paulistano Folha de S.Paulo “previu” a eliminação da seleção do Dunga na edição do último 29, num anúncio da rede de supermercados Pão de Açúcar, no qual se lia: "A I qembu le sizwe (que significa seleção, no idioma africano zulu) sai do Mundial. Não do coração da gente. Valeu, Brasil. Nos vemos em 2014".
O “jornal do futuro” não está pra brincadeira. Imagina-se, porém, que o anúncio se achava de “stand by” para a eventualidade...
E aconteceu!
A empresa mundial de refrigerante Coca-Cola pensou num anúncio idêntico, também para a eventualidade de a seleção do Dunga não passar pelo selecionado holandês. Foi veiculado logo após a derrota por 2x1 na rede Plim, Plim de notícia e entretenimento.
Saiu-se melhor, como se vê.
Achei o jogo bonito, eu já disse.
Mas bonito mesmo foi a bandeira brasileira que vi pregada no coração dos holandeses.
Respeito aos adversários, não é mesmo?
Esporte deveria ser isso: solidariedade, confraternização, respeito etc.
Foi bonita também a campanha da FIFA levando mensagem para o fim da discriminação mundial, lida pelos capitães dos times antes de entrarem em campo.
Um ponto pra FIFA, que deveria fazer com que todas as seleções participantes do Mundial doravante pregassem na camisa dos jogadores o exemplo dado pela seleção holandesa.

O HEXA FICA PRA DEPOIS, PRA 2014

Acabou!
Perante mundo e meio caiu há pouco, nas quartas, a seleção multinacional do Dunga.
De lamentar, claro.
Todos, apesar de tudo, torcíamos pela classificação às semi e a uma vitória contra o time do Maradona, que não para de provocar Pelé e, agora, os brasileiros de modo geral.
O primeiro tempo começou bonito e assim foi até os 45 minutos.
Golaço fez o Robinho aos dez minutos, ao pegar deixa do volante Felipe Melo que se achou insuperável a partir daí. Cresceu em arrogância, em prepotência, tanto que acabou sendo expulso na metade do segundo tempo, ao fazer falta e tentar matar Robben ao pegá-lo por trás.
Foi feio o que se viu.
A seleção canarinho vestida de arara fez bonito no primeiro tempo, depois amarelou.
Dunga tem culpa?
Tem, pois poderia ter substituído o seu volante preferido pouco antes da tragédia cometida contra o atacante holandês.
E chega!
Ao trabalho, vamos pra 2014.
Ah! Sim: a arbitragem esteve ótima.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O JUMENTO É NOSSO IRMÃO. DAQUI A POUCO: BRASIL X CHILE

Muitos mortos e milhares e milhares de desabrigados.
É isso o que se vê de cara em várias cidades de Pernambuco e Alagoas, após chuvas e barragens estouradas.
Faltam água potável, energia elétrica, roupas e alimentos.
Mas há solidariedade, com jumentos inclusive contribuindo mais uma vez na recomposição da vida nessa nova tragédia nordestina de extensões lamentáveis.
Os jumentos são chamados quando tudo ou quase tudo se perde.
Foram eles de grande importância na formação do País.
Luiz Gonzaga cantou:
"O jumento é nosso irmão, quer queira ou quer não. O jumento sempre foi o maior desenvolvimentista do Sertão. Ajudou o homem na lida diária, ajudou o homem, ajudou o Brasil a se desenvolver. Arrastou lenha, madeira, pedra, cal, cimento, tijolo, telha. Fez açude, estrada de rodagem. Carregou água pra casa do homem...”.
E repetia o Rei do Baião:
“O jumento é nosso irmão”.
E o que faz o homem em agradecimento?
O próprio Gonzaga respondia:
“Castigo, pancada, pau nas pernas, pau no lombo, pau no pescoço, pau na cara, nas orelhas. O jumento é bom, o homem é mau. E quando o pobre não agüenta mais o peso de uma carga e se deita no chão, vocês acham que o homem chega e ajuda o bichinho a se levantar? Hum... Pois sim! Faz é um foguinho debaixo do rabo dele”.
E acrescentava:
“Animal sagrado. Serviu de transporte pra Nosso Senhor quando ele ia para o Egito. Quando Nosso Senhor era pirritotinho. Todo jumento tem uma cruz nas costas, não tem? Pode olhar que tem. Todo jumento tem uma cruz nas costas. Foi ali que o menino santo fez um pipizinho, por isso ele é chamado de sagrado (...). Eu reconheço o teu valor, tu és um patriota, tu és um grande brasileiro!".
Ao contrário de tantos e tantos outros brasileiros...
Já não há tantos jumentos no Nordeste, por uma razão pura e simples: estão se acabando pela maldade humana. Esse processo foi acelerado após a morte do escritor cearense Antônio Vieira, homônomo do padre português, em 2003, que desenvolveu uma enorme e necessária campanha de preservação dos jumentos.
Prefeitos da região chegaram a encher caminhões e caminhões com esses animais e os abandonaram nas estradas, à própria sorte.
E qual sorte?
Nenhuma, pelo contrário: atropelados e mortos, em muitas casos em buracos rasos; e vivos.
Os jumentos estão sendo substituídos rapidamente por motos e carros velhos, baratos.
Um jumento custa hoje algo em torno de R$ 1,00, enquanto uma moto pode ser comprada em prestações a se perder de vista.
E um cabra mau, quanto custará?

BRASIL X CHILE
- Daqui a pouco a seleção do Dunga entra em campo. Tomara que essa vez não amarre o jogo, que jogue bonito, como fizeram Alemanha e Argentina ao despacharem Estados Unidos e México. Dessas partidas, confesso, só não gostei da atuação dos árbitros...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

JOGO SEM JOGO, FOI O QUE SE VIU NO CAMPO

Pois é, contemplei o placar previsto imaginando um jogo bonito, equilibrado, com passes, firulas, gols. Tanto, que cravei no imaginário 3x2. Seria de bom tamanho, tanto pra um, quanto pra outro lado.
Foi pífio, porém, o resultado final, com acréscimos e tudo: 0x0.
Muita porrada de ambos os lados.
Lamentável, sob todos os ângulos.
Não vi beleza na partida. Nenhuma.
Jackson do Pandeiro, diria: esse jogo não pode ser 1x1.
Eu acrescentaria: nem 0x0.
Péssimo.
Ninguém foi bom na partida, nem no primeiro nem no segundo tempo.
Lamentável.
E reclamar a quem?
O meu amigo José ficou horrorizado, estarrecido por tudo que viu em campo.
Eu?
Fiquei envergonhadíssimo.
O 13 de Campina Grande teria se saído melhor, pois arriscaria e não partiria para a violência, como se viu.
Fazer o que?
A minha filha Clarissa, que também não gostou nem um pouco do que viu, resmungou ao meu lado:
- Pai, você faria melhor. Tanto como técnico, como jogador em qualquer posição.
Modestamente, também acho.
Baixa o pano.
Fui!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

BRASIL 2; PORTUGAL 3. OU VICE-VERSA

Essas coisas como são em si, só Deus sabe!
Deus?
Saramago dizia que não existe Deus.
Talvez deuses.
Mestre Tinhorão também acha que Deus é invenção.
O que acho?
Sei lá!
Estudei em colégio de padres e caí na vida antes de atormentar freirinhas bobas. Muitas lindas, maravilhosas, aliás.
Conheci umas, algumas. Mas sem duplas interpretações...
Nasci virgem, e o viver me fez gente, homem. Um pouco brucutu, talvez. Mas homem, e cheio de amor pra dar...
Tive filhos, sou avô e faço da vida a alegria maior.
A vida é de graça, mas nós - não sei a razão - a complicamos.
Ao dizer estas coisas, devaneio.
Lembro mestre Cascudo.
Cascudo uma vez me disse que somos todos mestres.
Também acho, inclusive porque filosofamos o tempo todo. E filosofar é tentar a razão de viver.
Acessem o deus Google.
Não confio nesse tal, mas o acessem nesse caso. Encontrarão entrevista que me deu há nem sei quantos anos.
Vale a pena.
Esta conversa toda só pra dizer que amanhã a Seleção vai perder de 3 x 2 ou ganhar de 3 x 2 o que, rigorosamente, significará o mesmo.
Assistirei ao jogo tomando umas, junto com o meu amigo José e minha filha Clarissa.
O Dunga?
Quando tivermos uma seleção genuinamente nacional, com jogadores jogando no Brasil defendendo a camisa da bandeira, aí, sim, a minha torcida será 100%.
O que acho disso tudo?
Aqui: o nosso rico futebol lá fora, nos deixa pobres aqui.
Quero de novo ver no futebol improvisações como as de Mané, o grande Mané, o mestre da ginga, do gingado, a que se refere o querido Ives.
Garrinha foi o poeta repentista no campo da bola.
É isso, Roniwalter.
Vamos ao campo!
3 x 2.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A LIÇÃO DE UM BRASILEIRO CHAMADO PARREIRA

Quero aqui dar prosseguimento ao texto de ontem, que teve no brasileiro Carlos Alberto Parreira um dos personagens ou temas.
Mas antes não posso deixar de dizer que notícia de rádio e TV eu acompanho desde pixote.
Sou de seca e de chuva.
Enchente matando gente e bicho também morrendo à toa no meu Nordeste querido quase sempre acontece, mas nem todo mundo dá fé.
Lá inda é assim, e com toda modernagem do mundo.
O noticiário se espalha.
Agora mesmo, vejo na TV o repórter de voz empostada dizer com cara de espanto fingido:
- 32 mortos e mais de mil desaparecidos.
No rádio, o número aumenta.
E nem é dez da noite.
Deus me perdoe: até parece que há torcida pela desgraça.
O noticiário:
- O governo liberou 100 milhões...
Um pedaço do Nordeste se afogando, se acabando em cores na TV que pede gols que trouxeram à tona o nome de um brasileiro bem-educado chamado Parreira.
Nos 70, os meus amigos Zé, Lula, Jarbas e Geraldo Azevedo se afogaram nos fundos do Capiberibe.
Explico: uma obra de arte de valor sem tamanho engendrada por eles foi pro beleléu nas águas fedorentas do rio que corta Recife.
Sobraram poucos exemplares daquela obra, para privilegiados.
Chamava-se Paemberu.
Novamente um pedaço do Nodeste volta a se afogar, como em 1985.
Lembro de Patativa do Assaré e do poema que fez, Seca d´Água, musicado por Chico e Fagner e interpretada pelo rei do baião Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola, João do Vale, Elba, Roberto Ribeiro, Alcione, Gilberto Gil, Amelinha, Elza Soares, Ivan Lins, Beth Carvalho, Carlinhos Vergueiro, Erasmo, Cris Buarque...
O poema é este:
“É triste para o Nordeste o que a natureza fez
Mandou cinco anos de seca e uma chuva em cada mês
E agora em 85 mandou tudo de uma vez
A sorte do nordestino é mesmo de fazer dó
Seca sem chuva é ruim
Mas seca d’água é pior
Quando chove brandamente depressa nasce um capim
Dá milho, arroz e feijão, mandioca e amendoim
Mas com em 85 até o sapo achou ruim
Maranhão e Piauí estão sofrendo por lá
Mas o maior sofrimento é nessas bandas de cá
Pernambuco, Rio Grande, Paraíba e Ceará
A sorte do nordestino é mesmo de fazer dó
Seca sem chuva é ruim
Mas seca d’água é pior
O Jaguaribe inundou a cidade de Iguatu
E Sobral foi alagada pelo Rio Acaraú
O mesmo estrago fizeram Salgado e Banabuiu
Ceará martirizado, eu tenho pena de ti
Limoeiro, Itaíçaba, Quixeré e Aracati
Faz pena ver o lamento dos flagelados dali
Seus doutores governantes da nossa grande nação
O flagelo das enchentes é de cortar coração
Muitas famílias vivendo sem lar, sem roupa, sem pão
A sorte do nordestino é mesmo de fazer dó
Seca sem chuva é ruim
Mas seca d’água é pior”.
Bom, o que eu queria dizer, mesmo, é que Parreira demonstrou, com o seu gesto humano, de ser civilizado diante do técnico da seleção francesa, Raymond Domenech, que o mundo não se acaba apenas com uma/ou numa partida de futebol.
Sim, o seu gesto foi sublime; e foi sublime por ter sido feito de forma espontânea, principalmente.
Viva o Brasil!
Para o inferno quem pense que pátria não é coração.

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