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quarta-feira, 11 de junho de 2014

METRÔ, FIFA E TRADIÇÔES

Amanhã, Dia dos Namorados e véspera da abertura do ciclo junino, o Itaquerão será palco da inauguração da Copa 2014 gerenciada pela Federação Internacional de Futebol.
O evento começa às 15h15 e o primeiro jogo (Brasil x Croácia), às 17 horas.  
Essa é a segunda vez que o Brasil sedia os jogos da Copa; a primeira foi em 1950, entre os dias 24 de junho – Dia de São João - e 16 de julho, com partidas disputadas em seis estádios – ou arenas, como se diz hoje - que já estavam prontos em seis unidades federativas diferentes do País, a custos não exorbitantes ou superfaturados como indicam as denúncias.
O governo da época era o de Getúlio Vargas.
Cerca de 200 mil pessoas (oficialmente, 199.854) viram, em silêncio, o Brasil perder para o Uruguai por 1x2, gols de Friaça-BRA aos 2´, Schiaffino-URU aos 21´e Ghiggia-URU aos 34´do 2º tempo.
Para a realização da Copa deste ano, estima-se que o erário público brasileiro foi sangrado em pelo menos 26 bilhões de reais, o dobro do que custaram as Copas da Alemanha e África do Sul, juntas.
Na África, o legado deixado pela Fifa foi uma gigantesca coleção de elefantes brancos.
Mas o Brasil é mesmo um país incrível, diferente de todos.
Mês passado um diretor comercial da rádio Globo me contou que a Rede Globo de Televisão estava indecisa quanto à questão se entraria de cabeça ou não na cobertura da Copa, mesmo com vultoso contrato de patrocínio exclusivo já assinado com o Itaú.
Essa questão perdurou até duas semanas atrás quando, então, a Globo resolveu entrar com tudo e o resultado é o que se vê.
Os fatos de fato mostram que somos um país do improviso, onde tudo se conclui minutos antes do prazo previsto.
Invadem o nosso País, nos roubam e ainda rimos.
Os invasores chegam mandando em tudo e quebrando até as nossas tradições, como as festas juninas, e deixamos tudo por isso mesmo.
Há mais ou menos um mês, o secretário da Cultura de São Paulo, Juca Ferreira, me garantiu que o ciclo junino este ao não seria quebrado.
Pois é.
Há 20 anos eu, modéstia à parte, realizava uma bela exposição retrospectiva sobre a Copa do Mundo numa das estações do Metrô paulistano http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/6/18/cotidiano/24.html e lançava, gratuitamente, um livrinho mostrando ligação intrínseca do futebol com a nossa música. Três edições depois A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira está esgotado (reprodução da capa aí ao lado).
Houve um tempo que o Metrô de São Paulo dava mais importância à questão cultural.


O O BRASIL PERDEU HOJE a graça do genial Max Nunes. Ele morreu na cidade onde nasceu, Rio de Janeiro, aos 92 anos de idade, ele era humorista, redator e roteirista de programas de rádio e televisão, sucesso desde fins dos anos de 1940l num dos programas que criou para o rádio, Balança mas não cai, revelou os atores Paulo Gracindo e Brandão Filho, que por muito tempo encarnaram os personagens Primo Rico e Primo Pobre na Rádio Nacional. Como compositor popular, Max Nunes é um dos autores de Bandeira Branca. Eu o conheci há uns 20 anos, quando Jô Soares me convidou para participar do seu programa no SBT (registro abaixo). Ele era uma figura incrível, marcante pela inteligência, sensibilidade e humildade. O seu nome completo era Max Newton Figueiredo Pereira Nunes. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

NO RODA VIVA, JUCA KFOURI

Roda Viva continua sendo o mais importante – e longevo – programa jornalístico da televisão brasileira desde o início da segunda parte de 1986. O seu conteúdo, que abarca os mais diversos temas – da música à política, da economia à religião – é, sem dúvida, de relevante interesse da social.
Por esse programa, levado quase sempre ao vivo todas as segundas-feiras, já passaram grandes personalidades, como Luís Carlos Prestes, Ayrton Senna, José Saramago, Fidel Castro, Hebe Camargo, Tinhorão, Lula, Serra e Betinho, entre centenas de outros expoentes da vida nacional e internacional.
Participei algumas vezes – uma dúzia – entrevistando José Genuíno no seu primeiro mandato como deputado federal; Mário Lago, Sérgio Cabral, Inezita Barroso...
Ontem o Roda estava imperdível, com o craque do jornalismo esportivo Juca Kfouri criticando cartolas, como Ricardo Teixeira e João Havelange, denunciados por ele como corruptos, e apontando com invejável conhecimento e segurança os erros e mazelas da Copa de futebol da Fifa que pela segunda vez se realizará em nosso País a partir da próxima quinta-feira.
Juca fez ontem novos gols de placa.
Confira, clicando:

VICTOR HUGO
A propósito do texto que postei ontem aqui neste espaço, recebi do sábio poeta Pedro Nordestino (acima em foto histórica, comigo e o saudoso Paulo Vanzolini) a seguinte mensagem:
- Os "desaparecidos" me lembra a poesia de Victor Hugo OCEANO NOX que fala dos marinheiros desaparecidos nos mares e oceanos, e que só voltam com vozes angustiantes nas ondas gigantes que se chocam nas rochas e praias:

Oh! combien de marins, combien de capitaines
Qui sont partis joyeux pour des courses lointaines,
Dans ce morne horizon se sont évanouis?
Combien ont disparu, dure et triste fortune?
Dans une mer sans fond, par une nuit sans lune,
Sous l'aveugle océan à jamais enfoui?
Combien de patrons morts avec leurs équipages?
L'ouragan de leur vie a pris toutes les pages
Et d'un souffle il a tout dispersé sur les flots!
Nul ne saura leur fin dans l'abîme plongée,
Chaque vague en passant d'un butin s'est chargée;
L'une a saisi l'esquif, l'autre les matelots!
Nul ne sait votre sort, pauvres têtes perdues!
Vous roulez à travers les sombres étendues,
Heurtant de vos fronts morts des écueils inconnus
Oh ! que de vieux parents qui n'avaient plus qu'un rêve,
Sont morts en attendant tous les jours sur la grève
Ceux qui ne sont pas revenus !une.

PEDRO MONTEIRO

De outro poeta, Cícero Pedro de Assis, recebi: 

Foi com muita tristeza que li no seu blog que o grande poeta pernambucano
radicado em Campina Grande, na Paraíba, Manoel Monteiro, passou-se para o plano
espiritual. Ausente o magnífico vate, o nosso cordelismo sofreu mais uma enorme perda.  Eu tenho o prazer de ter publicado poemas cordelísticos em contracapas de folhetos dele, com quem mantive correspondência por alguns anos. Estão indo embora os baluartes de nossa rica cultura popular nordestina, nos deixando profunda saudade, seu maravilhoso trabalho e muita recordação! Que Deus acolha o nosso querido vate, que viveu entre nós 77 proveitosos anos!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

DESAPARECIDOS

O desaparecimento do poeta pernambucano Manoel Monteiro me fez lembrar o sumiço atabalhoado de outro poeta, o cearense filósofo, músico e também poliglota Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes http://epoca.globo.com/vida/noticia/2013/12/divina-tragedia-de-bbelchiorb.html, de papo bom e bom de vinho que um dia, para os padrões vigentes de bom comportamento social, pirou.
O sumiço de Manoel e Belchior (aí ao lado, comigo num programa de rádio) também me levou a rememorar o desaparecimento de Vandré, que para surpresa de muitos localizei e o entrevistei para o extinto suplemento dominical Folhetim, do jornal Folha de S.Paulo, em 1978 em que ele dizia que seu personagem estava morto; afirmação, aliás, que repetiria noutras ocasiões.
Porém desaparecimentos de cidadãos não são fatos isolados.
O escritor russo Tolstoi, por exemplo, que nasceu em 1828 e morreu em 1910, abandonou tudo para viver entre ovelhas e camponeses no interior de seu país.  
O norte-americano Salinger foi outro que trocou a vida social e decerto cômoda pelo silêncio do isolamento dentro da sua própria casa em New Hampshire, EUA, onde morreu em 2010 aos 91 anos de idade arrependido talvez, por ter escrito uma das obras-primas da literatura universal, O Apanhador no Campo de Centeio.
Diariamente somem, em média, 15 pessoas em São Paulo; e, em todo o País, mais de 200 mil por ano.  
E para isso não há só um motivo: há vários.

EDUCAÇÃO
Um dado alarmante me chega ao conhecimento: apenas 12,4% das escolas de ensino fundamental e médio de São Paulo têm bibliotecas; e três entre dez têm laboratório de ciências.
Sem comentário, não é? 

domingo, 8 de junho de 2014

TRISTEZA MATA POETA MANOEL

Uma pessoa recebeu ontem lamentável notícia, que a passou para outra, para outra, outra e outra mais até chegar ao conhecimento de Arievaldo Viana, que a repassou para Jorge Mello, que me repassou, enfim: morreu o cordelista pernambucano Manoel Monteiro, um dos mais antigos e ativos profissionais do gênero.
Manoel tinha 77 anos de idade e vivia na capital paraibana desde 1955.
Ele era ídolo das novas gerações de craques do cordel, como os já referidos Jorge e Arievaldo, Klévisson Viana e Marco Haurélio, entre muitos outros.
Há alguns anos Marco deslocou-se de São Paulo para entrevista-lo na Paraíba, voltando exultante com as respostas obtidas do poeta. “Ele é incrível!”, resumiu.
Manoel Monteiro, que deixa um rico legado de folhetos, estava desaparecido desde o dia 30 de maio último.
O seu corpo foi encontrado ontem, três dias depois de registrar entrada num hotel de Belém, capital do Pará.
Seus familiares dizem que ultimamente o poeta andava triste, macambúzio, dizendo que já vivera muito e que já fizera tudo o que tina de fazer.
Na verdade, ele andava meio adoentado e passando por dificuldades financeiras.
O corpo de Monteiro será sepultado amanhã, em Campina.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

TUDO DE BOM PARA OSWALDINHO

Iniciadas ontem terminaram hoje, depois das 4 da manhã, as comemorações pelo aniversário de nascimento do instrumentista e compositor carioca Oswaldinho do Acordeon.
A festa foi pilotada pelas produtoras culturais Sara, Samanta e Andrea Lago.
Dezenas de amigos e artistas das mais diversas tendências musicais (aí ao lado, no clic de Darlan Ferreira) se alternaram madrugada adentro no palco da badalada casa de forró da noite paulistana Canto da Ema, do empresário e apresentador de programa de rádio Paulo Rosa.
Entre os artistas que foram abraçar Oswaldinho e cantar estiveram Waldonys, Meninão e Lucy Alves, que se deslocaram de Fortaleza, Rio de Janeiro e João Pessoa, respectivamente, especialmente para o evento, que foi aberto pontualmente â meia noite pelo Trio Sabiá.
Centenas de casais dançaram e aplaudiram as performances de Anastácia, Cezar do Acordeon,  Marcelo Janeci, Socorro Lira, Janaina (Bicho de Pé), Chanbinho, Tato Cruz, Marcelo Mimoso, Pablo Moura, Olívio Filho, Joquinha do Acordeon, Trio Virgolino e grupo Ó do Forró, entre outros.
Tudo transcorreu em clima de tranquilidade e alegria.
Oswaldinho nasceu no dia 5 de junho de 1954.

COPA
Amanhã, às 13 horas, será instalado um enorme banner com motivos à Copa de futebol que será aberta na próxima quinta-feira no Itaquerão, cá na capital paulista. O banner (aí ao lado, a reprodução), que traz a assinatura do craque do cartum Paulo Caruso, será instalado no muro da Associação Amigos da Praça Benedito Calixto, ali no bairro de Pinheiros.
A iniciativa é do agitador cultural Edson Lima, do projeto O Autor na Praça.

           

quinta-feira, 5 de junho de 2014

DA SALA DE REBOCO Â SALA DE CONCERTO

Há quem eventualmente possa pensar que a cidade de São Paulo parou hoje por causa do grande aniversariante. Quem pensou isso poderia estar certo, mas não. A cidade praticamente parou por causa da greve dos metroviários e piorou em razão dos braços também cruzados dos “marronzinhos”, como são chamados os profissionais que ajuudam a por ordem no trânsito.
Embora carioca, o aniversariante nasceu no dia em que todos os paulistas e paulistanos comemoravam com os cariocas, inclusive, o quarto aniversário de fundação de Sampa, título, aliás, de uma canção do baiano Caetano.
Mas estou falando é de Oswaldinho do Acordeon, que com o seu instrumento passeia com facilidade por qualquer ritmo, do forró à bossa nova, do samba ao maxixe, chorinho, polca, arrasta-pé etc.
Oswaldinho é o sanfoneiro mais novo dentre seus velhos mestres e amigos Luiz Gonzaga, Sivuca, Mário Zan, Dominguinhos e Dante D´Alonzo, hoje inexplicavelmente esquecido no interior de São Paulo.
Oswaldinho tão incrível quanto o pioneiro Giuseppe Rielli em gravação de disco tocando sanfona no Brasil, como, aliás, o ídolo de Gonzaga, o mineiro Antenógenes Silva.  
Um detalhe que a história torna curiosa: fazendo 60 anos junto com Oswaldinho estão nove músicas do repertório gonzagueano, entre elas Canção do Carteiro, Cartão de Natal, Olha a Pisada e Noites Brasileiras, sua e do seu conterrâneo médico Zé Dantas.
A festa é hoje ali no Canto da Ema, vamos?
Viva Oswaldinho!
Clique:

quarta-feira, 4 de junho de 2014

FESTA NO CANTO DA EMA

Nascido no ano do quarto centenário de fundação da cidade de São Paulo em 1954, pelos padres jesuítas Nóbrega e Anchieta, o carioca de Caxias Oswaldo de Almeida e Silva, conhecido e reconhecido nacional e internacionalmente por Oswaldinho do Acordeon, reúne amigos para comemorar seu aniversário amanhã à noite na casa de forró Canto da Ema, que fica ali na Brigadeiro Faria Lima, 364, Pinheiros.
Oswaldinho, que nasceu da união de dona Noêmia e seu Pedro, subirá ao palco para tocar ao lado de Anastácia, Socorro Lira, Lucy Alves – que virá de Campina Grande especialmente para o evento como Waldonys, que virá de Fortaleza pilotando um avião particular -,Cezar do Acordeon (acima comigo e Oswaldinho) Eduardo Araújo, Marcelo Janeci, Tato Cruz, Jarbas Mariz, Chambinho, Trio Virgulino, Trio Macaíba, Trio Sabiá e Ó do Forró, entre outros artistas e grupos musicais.
O pai de Oswaldinho foi o artista primeiro a criar uma casa de forró na capital paulista https://www.youtube.com/watch?v=VNbxthjiEjQ, isso nos fins dos anos de 1950, na região do Ipiranga, zona Sul da cidade.
Pedro de Almeida e Silva, que ficou conhecido por Pedro Sertanejo https://www.youtube.com/watch?v=3l7p0xYZPGw, um ás da sanfona e do forró amigo do rei do baião, Luiz Gonzaga, que, aliás, foi quem o orientou e incumbiu de criar ambientes para se dançar os ritmos musicais do Nordeste em São Paulo.
Pedro foi também a primeira pessoa a eletrificar uma sanfona; no caso, do filho Oswaldinho, hoje considerado uma dos mais completos executores desse instrumento.
Oswaldinho do Acordeon começou a gravar discos com 12 anos de idade e é formado por uma escola de música em Milão, Itália.
Vamos nos agendar para aplaudi-lo amanhã no Canto da Ema?

SAPIRANGA


Amanhã às 19:30 horas estarei participando de um espetáculo musical com entrada franca no Memorial da América Latina, ao lado do músico Sapiranga e sua banda mais e o sanfoneiro Pablo Moura, que deverá me perseguir na declamação de um ou dois poemas de Patativa do Assaré. Após essa aventura seguirei para uma prosa no palco do Canto da Ema. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

DA CUÍCA PARA O MUNDO

Notícia de última hora: o paulistano Osvaldinho da Cuíca, de batismo Osvaldo Barro, e seu parceiro de aventuras musicais, Luizinho Sete Cordas, estão arrumando as malas para uma temporada de 15 dias na terra do sol nascente. Viajam no próximo dia 22. Essa não é a primeira vez que Osvaldinho vai ao Japão para tocar e ministrar oficinas. Aliás, ele já estee em muitos países fazendo isso: Estados Unidos, Itália, Rússia e muitos outros. No período em que estiver lá, em Okinawa, notadamente, o mestre da cuíca autografará seu novo disco, O Velho Batuqueiro, para o qual escrevi o seguinte texto de apresentação:

Antes de tudo, o seguinte: a cuíca de Osvaldinho tem coração, pensa e fala.
Artífice de uma carreira longa e brilhante, o instrumentista, compositor e intérprete paulistano Osvaldo Barro, na cena musical desde os fins dos anos de 1950, popularizou a cuíca no País como fez Waldyr Azevedo com o cavaquinho e Luiz Gonzaga, com a sanfona. Só por isso ele mereceria uma estátua e o direito de aboletar-se à fama e ficar se balançando numa rede sob os aplausos do mundo, que tão bem conhece. Mas, não, Osvaldinho é um cara inquieto e quer mais; quer fazer mais, e faz. A prova é este disco irretocável, com o samba apresentado n´algumas de suas diversas vertentes.
Incansável e perfeccionista, esse mestre da cuíca surpreende e rende loas à vida com classe, cantando a paz e agradecendo a Deus por sair-se vitorioso das tantas empreitadas que tem encarado na vida, sem cair nas manhosas armadilhas das concessões que a muitos destrói, indistintamente.
Esse velho batuqueiro reúne neste disco pérolas como a da primeira faixa, em que sua cuíca resiste com galhardia à provocação da guitarra nervosa e elétrica do baiano Armadinho.
No mais, note-se aqui a ousadia de Denilson Miller ao incluir nos arranjos sanfona, piano, sax, trompete, um quarteto de cordas e percussão impecáveis, sem falar no naipe de frigideiras que ganha status de orquestra. 
O resultado é incrível!
Sim, este é o melhor disco de Osvaldinho da Cuíca.

GERMANO MATHIAS
Disco de estreia de Germano
Em plena forma, o mais representativo sambista da Paulicéia Desvairada de Mário de Andrade, Germano Mathias, completou ontem 80 anos de idade. Germano começou a gravar ainda nos tempos de discos de 78 voltas. O seu primeiro grande sucesso veio no lado B do disco (ao lado, reprodução original do selo) de estreia gravado em 1956 nos estúdios da Polydor, Minha Nega na Janela, samba dele e seu parceiro Doca, de batismo Firmo Jordão, que provocou polêmica pelas características racistas. Ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=c2VeUDJCsEA

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A CAMINHO DA IMORTALIDADE

Notícia de última hora: a rainha da moda Inezita Barroso, titular do programa Viola Minha Viola, acaba de receber convite do poeta Paulo Bomfim para integrar o quadro de imortais da Academia Paulista de Letras, APL. Inezita, que deverá ocupar a cadeira n. 22, ficou muito feliz com o convite.
A cadeira 22 está vaga desde o mês passado, com o desaparecimento aos 93 da sua ocupante, Ruth Guimarães.
Há três anos escrevi A Menina Inezita Barroso, livro (abaixo, reprodução da capa) em que conto a infância e a adolescência movimentadas daquela que viria a se tornar na mais importante violeira do País com passagens pelo rádio, televisão e cinema.
O livro foi lançado em noite de autógrafos, na Livraria Cortez (acima, ladeada por mim e José Hamilton Ribeiro).
Quer saber um pouco mais a respeito de Inezita? Então, clique:

FUTEBOL
A estrela do lateral esquerdo Marinho Chagas acaba de se apagar. Marinho era um cara admirado por muita gente. Nascido no Rio Grande do Norte, ele tinha um quê de Garrincha: alegre, bonachão, cachaceiro, mulherengo e meio ingênuo. Certa vez ele entrou no bar restaurante Amarelinho, no Rio de Janeiro e deu de frente com Chico Buarque e Fagner e outros artistas. Sem titubear, chegou junto ao Chico e pediu que ele cantasse a música de que tanto gostava, Mulheres de Atenas. A resposta foi: só se você fizer umas embaixadinhas pra gente. Sem bola, Marinho foi até a cozinha e de lá veio fazendo embaixadas com uma laranja. Fez mais de duzentas. E sob aplausos, ouviu maravilhado Chico cantar sua música acompanhado pelo violão de Fagner.

domingo, 1 de junho de 2014

VIVA HENFIL!

Num bate-papo informal comigo e Ivan Concenza, filho do cartunista Henfil, o senador Eduardo Suplicy (acima, no clic  de Andrea Lago) anunciou ontem à tarde no Espaço Cultural Plínio Marcos da praça Benedito Calixto, em Pinheiros, que será candidato à reeleição por São Paulo em outubro que vem, por decisão do todo poderoso Luís Inácio Lula da Silva.
Nosso encontro foi feito por iniciativa do agitador cultural Edson Lima, para uma troca de ideias e lembranças sobre Henfil, artista de texto e traço de grande originalidade.
Além de destacar a importância de Henfil nos movimentos sociais, incluindo a campanha por eleições diretas no começo dos anos de 1980, o senador recordou seu primeiro encontro com a cantora e ativista política norte-americana Joan Baez e a admiração que nutre pelo paraibano Geraldo Vandré, de quem na ocasião cantarolou Caminhando, guarânia que marcou a época dos festivais de música popular ao empatar com a canção Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque de Holanda.
Ivan lembrou particularidades do pai, tanto como cidadão quanto como artista com atuação marcante nas diversas mídias de sua época, inclusive a TV Globo.
Da minha parte lembrei, entre outras coisas, de passagens que tive com ele; como a vez que o convidei junto com os sanfoneiros Sivuca e Oswaldinho do Acordeon para uma entrevista na Rádio Mulher que existia ali no bairro paulistano de Santo Amaro, onde eu apresentava um programa dentro de outro programa direcionado a questões ambientais e que tinha como titular a minha querida conterrânea e atriz Cacilda Lanuza.
O causo  foi o seguinte: dirigindo um fusquinha com Sivuca e Oswaldinho no banco de trás, ao seu lado eu ia indicando o caminho a seguir. Eu dizia, por exemplo: agora à esquerda (e apontava com a mão direita), à direita etc. Aí houve uma hora que ele parou o carro no acostamento e tirando um sarro, comentou:
- Vocês nordestinos são de lascar, falam pra pegar à esquerda, quando é à direita; à direita, quando é à esquerda. Assim não dá!
Grande Henfil!
Clique:
FONÉSIO DANTAS
Partiu ontem para a Eternidade o irmão caçula do amigo jornalista Audálio Dantas, Onésio,  aos 76 anos de idade. Onésio, que era alagoano de Tanque d`arca como o irmão e a irmã, Olga, passou mal ontem à noite e ao ser levado para o hospital, morreu. Nossos pêsames à família.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O BRASIL DE RICARDO KOTSCHO

O confrade Ricardo Kotscho chega ao topo da profissão com muita coisa a dizer e experiência a mostrar.
Hoje por exemplo, às 15 horas no auditório Freitas nobre da ECA-USP, Kotscho estará falando de jornal e jornalismo numa mesa que contará com a participação de outros grandes profissionais como, Audálio Dantas e Clovis Rossi (flyer ao lado), sob a coordenação de sua filha Mariana.
Ricardo Kotscho é um dos mais brilhantes profissionais do jornalismo brasileiro. Ele trabalhou nos principais jornais do país, como Folha de S.Paulo.
Ele foi, paralelamente às suas atividades de repórter, um dos construtores do Partido dos Trabalhadores, mas essa é outra história.
Vamos à ECA aprender um pouco com Kotscho?

Ernesto Kawall, Eu, Kotsho e Zé Hamilton Ribeiro.
Ricardo Kotsho é uma espécie de Dom Quixote nestes tempos modernosos. Clique:

Mestrinho, Luiz Wilson, Anastácia,
Eu, Paulinho Rosa e Fatel

ANASTACIA, 74 ANOS
Eu, Andrea e amigos fomos abraçar a aniversariante do dia, a cantora Anastácia, na casa de espetáculos de Pinheiros, O Canto da Ema. Antes de ela subir ao palco encantando a plateia jovem que lotava o ambiente com suas músicas, apresentou-se o excepcional Grupo Ó do Forró interpretando um repertório que aqui e ali lembrava Mestre Ambrósio.
Viva Anastácia!
Detalhe: A obra dessa artista pernambucana já reúne mais de 600 títulos, duzentos dos quais compostos em parceria com seu conterrâneo José Domingos de Morais, o Dominguinhos, desaparecido em julho do ano passado.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

JORGE MELLO, ANASTÁCIA E CARMEN, DE BIZET

Atendendo a convite do Grupo Pindorama, o cantor, compositor e instrumentista piauiense Jorge Mello (nos liks abaixo) discorrerá em palestra-show o tema O Cantabile do Verso - A Sonoridade do Texto Poético. O evento, com entrada gratuita, começará às 20 horas e se estenderá até às 22 horas, no Centro Cultural Rodolf Steiner, localizado à rua da Fraternidade, 156, Santo Amaro.  Mais informações pelo telefone (11) 5687-4252.
Agora, com a palavra, Jorge:
“Pretendo mostrar que entendi que no texto poético tem, além do conteúdo a informar, a dizer. Também tem informações contidas no como dizer. Com isso quero dizer que a prosa também tem poesia e tem forma. Tem ritmo e sonoridade. Há a divisão gramatical de um verso e também a divisão sonora ou divisão poética. Que são regras próprias do verso. As estrofes são classificadas segundo o número de sílabas e versos. Há um canto subentendido em cada verso e que se distingue a cada poeta. É como a sua pulsação. Quase uma impressão digital de cada poema. Cada estrofe trás uma quantidade de versos determinada; um número de sílabas e uma acentuação tônica própria. E é disso que quero falar na obra de grandes poetas da língua portuguesa, também na minha própria obra poética e musical. A palestra será ministrada de violão na mão para ilustrar cada exemplo. Tratarei de poemas de Castro Alves; Cassimiro de Abreu; Olavo Bilac; Raimundo Correia; Luís Vaz de Camões. E falarei também dos grandes repentistas, como Dimas Batista, Domingos Fonseca e Manoel Galdino Bandeira. Analisarei forma por forma de montar versos e estrofes para compreender esse grande elemento que é a musicalidade do texto, a sonoridade do verso”.
Jorge Mello é um dos mais importantes artífices da nossa música popular.

http://www.youtube.com/watch?v=FDm9xhFqAAk

http://www.youtube.com/watch?v=GsfHc-9Y6d4

http://www.youtube.com/watch?v=CK6pTaei5Ow

http://www.youtube.com/watch?v=cWTqXjru95o

POPULAR E ERUDITO
Hoje duas personagens femininas lotam duas casas de espetáculos da capital paulista, o Canto da Ema e o Theatro Municipal. Na primeira casa estará a rainha do forró, Anastácia (na foto acima comigo no Programa do Jô, em 1989), comemorando um dia antes seu aniversário de nascimento e cantando para um público basicamente constituído por jovens; na segunda casa
Carmen, uma das grandes criações do francês Bizet. O detalhe, no caso erudito, é que pela primeira vez na história do Municipal todos os 13,5 mil ingressos impressos para a temporada foram vendidos por antecipação. Incrível, não é? 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

VIVA O BICHO DE PÉ!

Um desperdício e tanto é o que é o programa Superstar que a TV Globo inventou de levar ao ar, e ao vivo, nos últimos domingos depois do Fantástico, que ontem, por um desses mistérios insondáveis da vida, deu de flertar com o encantado mundo infantil.
Até que gostei, confesso, embora estivesse mesmo era aguardando a reportagem adulta anunciada em chamadas generosas dias antes sobre aquela jovem, Suzane, que, segundo denúncia formalizada à Justiça, mandou matar - e ajudou a matar, em 2002 - os próprios pais, Manfred e Marisia. Em cima da hora, porém, o juiz Dácio Giraldi, do Tribunal de Justiça da Barra Funda, SP, atendendo a interesses de advogados, decidiu proibir que fosse ao ar; deixando, assim, a ver navios os telespectadores cansados das injustiças do dia a dia, que não são poucas.
Mas, enfim, quem viu o Superstar ontem deve ter imaginado estar acompanhando grupos musicais de calouros dos Estados Unidos se apresentando num canal de televisão qualquer de lá.
O engano foi desfeito no momento em que entrou no palco o grupo musical paulistano Bicho de Pé acompanhando a sua líder e mentora, Janaína, cantando com graça e desenvoltura um forró pé de serra autoral de fazer inveja, Escurinho.
Foi o melhor, dentre o lixo apresentado.
Bicho de Pé, além de ser um bichinho safado, inseto dos mais sacanas a provocar coceira que faz até ferida, é um grupo musical surgido na cena paulistana em 1998.
Ontem o grupo ficou no quarto lugar, entre doze bandas classificadas.  
O grupo de Janaína lançou ano passado um ótimo DVD (acima), que recomendo.
Ah, sim! O programa Superstar é um enorme desperdício porque no seu lugar poderia estar um programa melhor, de música brasileira, sem brasileiro imitando gringo e cantando em inglês.
Ora! Aproveite e curta o Bicho de Pé botando banca no SuperStar do domingo anterior a ontem: https://www.youtube.com/watch?v=l06t0ciiBnk

.....................................QUER PARTICIPAR DESTE SITE?  veja indicações abaixo.

domingo, 25 de maio de 2014

AULAS DE BOM JORNALISMO

Há anos li De Notícias e Não Notícias Faz~se a Crônica, de Drummond de Andrade, no qual, com a singeleza dos sábios barrocos, conta o  óbvio que aparece no título. Quantas vezes um cronista sem assunto escreve sua crônica aparentemente sem assunto para preencher os vazios desafiantes do jornal, hein? Eu mesmo, nos meus tempos de Correio da Paraíba, fiz isso muitas vezes.
Eu e Milton, na noite de autógrafos
É uma aula de jornalismo o que o poeta mineiro nos dá.
Aula de jornalismo também nos dá o paulistano Milton Blay (aí ao lado, na noite de autógrafos) em Direto de Paris (Coq au Vin Com Feijoada), seu livro de crônicas que acaba sair pela editora Contexto.
Meio despretensioso, Milton dá uma geral na sua vida agitada de jornalista longe da terra natal lembrando algumas coberturas que, por uma razão ou outra, lhe ficaram marcadas definitivamente na memória, como aquelas que ele fez com Chagal, Orson Welles e o finado mandachuva Khomeini, do Irã, e com os ex-presidentes Jânio, Sarney e FHC.
No seu texto leve e chamariz, Milton se investe de guia perfeito e sem se fazer de rogado nos levar a conhecer inimagináveis belezas e curiosidades de Paris, cidade que habita há quase 40 anos como cidadão e correspondente da Rádio Bandeirantes, de São Paulo.  
É um livraço esse Direto de Paris!
Outro importante e necessário livro para qualquer leitor, principalmente de jornalistas em formação ou em início de carreira, é O Bisbilhoteiro das Galáxias, do paraibano Jotabê Medeiros, que trata mais ou menos do que diz Drummond.
O livro de Jotabè reúne quarenta e tantos textos, narrando momentos e histórias fora do comum, como aquela em que o autor mergulha Bahia adentro em busca de uma entrevista com o conterrâneo Zé Ramalho, que além de não lhe dá bola ameaça não fazer show na cidade, para desespero do prefeito que o teria contratado por algo em torno de R$ 150 mil.
A notícia, aparentemente não notícia, rendeu a capa do Caderno 2, suplemento de cultura do sisudo Estadão.
E o que dizer do texto que narra Bob Dylan perambulando sozinho numa noite de outono em Copacabana, de capote e gorro na cabeça?
Esses dois textos inseridos no Bisbilhoteiro das Galáxias são antológicos.
Mas o livro traz ainda peculiaridades do chato Roberto Carlos e Manu Shao tomando umas canas na noite paulistana.
Só faltou falar da inesperada ligação que Joan Baez lhe fez às vésperas de se apresentar em São Paulo dois meses e pouco atrás.

GONZAGÃO
Do sanfoneiro Lulinha Alencar, recebo convite para o show de lançamento de seu primeiro CD, intitulado Cem Gonzaga, título de referência ao centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.
Será logo mais às 19 horas no Sesc, unidade Pompéia. No repertório estão algumas músicas pouco conhecidas do chamado grande  público, como Vira e Mexe, Araponga, Sanfona Dourada, Pisa de Mansinho, Sanfonando e Treze de Dezembro.
Lulinha Alencar
FOLIA DO DIVINO
Iniciada em 2000 no Espaço Cultural Cachuêra, a festa do Divino Espirito Santo das caixeiras da família Menezes, de São Luís do Maranhão, prossegue hoje e segue até o próximo dia 29, com entrada gratuita ao público de todas as idades. Endereço: Rua Monte Alegre, 1094, Perdizes. As tocadoras de caixas ou tambores são a grande atração da festa, que tem origem remota no catolicismo. Elas tocam ao mesmo tempo em que entoam cânticos religiosos tradicionais, entremeados por versos improvisados. Este ano, segundo os organizadores, as caixeiras da família Menezes e a Associação Cultural Cachuera! solicitaram recursos através de um site de financiamento coletivo, o Movere (www.movere.me), para cobrir parte dos custos dessa festa que já faz parte do calendário festivo da cidade.
As origens da festa remontam à Idade Média em Portugal, quando a rainha D. Isabel recorre com promessa ao Espirito Santo para que interceda na decisão do marido, o rei D. Diniz, de não transferir o trono para um filho bastardo. O recurso da rainha santa teria logrado êxito.No Brasil, a Festa do Divino teve início por volta do século 18.

sábado, 24 de maio de 2014

O AUTOR NA PRAÇA

Neste momento, o compositor/violeiro de Alto Belo, MG, Téo Azevedo se acha no Espaço Cultural Plínio Marcos, na Praça Benedito Calixto, no bairro paulistano de Pinheiros, autografando livros e discos de sua autoria, entre os quais Salve Gonzagão – vencedor do último Grammy. A sua presença no local deve-se à programação comemorativa dos 15 anos de existência do projeto O Autor na Praça, do agitador cultural Edson Lima. Num sábado do ano 2000 eu e Téo (ao lado, reprodução do cartaz) participamos desse mesmo projeto, que engatinhava. Na ocasião eu estava lançando o livro O Poeta do Povo, Vida e Obra de Patativa do Assar, há anos esgotado.
Há quase duas décadas a Praça Benedito Calixto tem sido uma festa e ponto de encontro de artistas de todas as áreas. Anônimos e famosos se esbarram e trocam figurinhas entre si. Bancas de objetos antigos e discos de diversos formatos disputam a atenção do público.
Ir à praça da Benedito é sempre uma boa.

MÁRIO DE ANDRADE
Há pouco estive na Biblioteca Mário de Andrade assistindo uma apresentação da cantora paraibana Sandra Belê, que se fez acompanhar dos instrumentistas Zeferino (violão) e Fábio Leão (cello). Foi uma boa. No repertório, obras de Sivuca, João do Vale e Luiz Gonzaga, entre outros autores. Fica o registro.

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