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sábado, 19 de outubro de 2013

ERA UMA VEZ...

Aquele sábado 19 de outubro de 1913 chegou trazendo à vida um menino carioca de nome Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes, que o tempo faria famoso.  
O menino foi crescendo e estudando um monte de coisas, até que um dia se fez diplomata; e como tal passou a correr o mundo representando as cores do Brasil.
Mas o menino era ambicioso e queria mais e mais, muito mais: queria ser poeta.
E o menino, que virara diplomata, um dia se fez poeta.
E o diplomata e o poeta passaram a andar juntos por aí a fora.
Mas logo o diplomata começou a atrapalhar os passos do poeta, impedindo-o que brincasse, usasse roupas simples e chegasse de volta em casa tarde da noite.
O poeta gostava da noite, da lua, das estrelas.
O poeta gostava também de estar sempre ao lado de amigos e amigas, de caminhar na areia da praia e molhar os pés nas águas da beira-mar; o diplomata, não.
O diplomata era um homem sério
E por não mais querer ter seus passos cerceados, o poeta decidiu dispensar o diplomata e seguir a vida ao lado de outros poetas, como Bandeira, Drummond e Neruda.
Mas o poeta também gostava de música, e por gostar de música ele resolveu fazer música.
E fez um monte de músicas, junto com os amigos Paulo, Haroldo, Toquinho, Tom, João, Ary e muitos outros.
O poeta que um dia dispensou o diplomata ficou conhecido em boa parte do mundo pelo diminutivo de Poetinha.
E viva, pois, o Poetinha que um dia disse ser São Paulo o túmulo do samba! 
CLIQUE:

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

UM DISCO PRIMOROSO

O disco Realejo Forrozeiro, gravado de modo independente originalmente no formato de LP em 1988, no Rio de Janeiro, e depois lançado em CD pela Paulus (reprodução da capa, aí ao lado), em 2000, reúne em dez faixas 19 músicas de Luiz Gonzaga (1912-89) e alguns de seus parceiros mais importantes, como Humberto Teixeira, Zé Dantas e Hervé Cordovil, todas magistralmente interpretadas pelo tocador de realejo – ou gaita ou gaita de boca - mais completo do País: o pernambucano de Caruaru Rildo Hora, que cresceu brincando e descobrindo os segredos desse complexo e limitado instrumento de difícil execução e origens chinesas localizado em tempo anterior ao nascimento de Cristo e aperfeiçoado no correr da segunda metade do século 19, na Alemanha.  
A primeira faixa traz a toada baião clássica Asa Branca e a última o choro Impertinente, gravadas pela primeira vez por Gonzaga em 1947 e 1945, respectivamente.
Os arranjos impressos no repertório escolhido a dedo por Rildo, que não esqueceu de obras-primas como Assum Preto, Xote das Meninas, Cintura Fina, Qui Nem Jiló, A Vida do Viajante e Baião, exultaram sobremaneira o genial Gonzagão, que de maneira espontânea escreveu e assinou um texto tecendo loas ao resultado final da gravação do disco - primoroso - e ao músico exemplar, seu amigo particular e conterrâneo.
“Luiz Gonzaga foi único na arte de fazer música”, devolve Rildo, que chegou a dirigir e a produzir discos do Rei do Baião e ter músicas suas por ele gravadas.
O gaúcho Chiquinho do Acordeon, de batismo Romeu Seibel (1928-93), é a cereja de Realejo Forrozeiro. 
O Brasil é devedor de reconhecimento ao talento do grande artista que é Rildo Hora.
..................................
Aí em baixo, registro fotográfico da apresentação do projeto Rodas Gonzagueanas no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, dia 4 deste mês, no qual se vê, 
entre outros, Oswaldinho do Acordeon, 
Socorro Lira, Ricardo Cravo Albin e Rildo Hora.
Clique sobre a linha azul acima para ler a coluna Cascudo e Loas, inserida no newsletter Por Dentro da Midia.

sábado, 12 de outubro de 2013

BIOGRAFIAS E RODAS GONZAGUEANAS

Essa polêmica toda em torno de biografias e biógrafos já serviu para uma coisa muito importante: tirar a máscara de alguns medalhões da elite musical brasileira, como Caetano Veloso e outros que integram a tal Associação Procure Saber, representada pela negociante Paula Levigne.
Ainda acho que Chico e Gil não estão nessa...
Lembro quando uma vez eu disse a Luiz Gonzaga, rei do baião, que iria escrever um livro contando a sua história e queria a sua presença na noite de lançamento; e ele numa risada espalhafatosa simplesmente respondeu:
- Oxente, e eu mereço?
Meio tonto com o que ouvira, respondi com um “claro”.
Depois de nova risada, de novo ele:
- Você ainda não conhece o livro O Sanfoneiro do Riacho da Brígida sobre mim, que o paraibano Sinval Sá escreveu lá em 66? Pois vou lhe mandar.
E mandou, com uma enorme e deliciosa dedicatória.
Não demorei e escrevi Eu Vou Contar Pra Vocês (Ícone Editora, SP, 1990), que lancei no extinto Teatro das Nações na capital paulista, com a presença de vários grupos folclóricos e artistas de renome, como Inezita Barroso que anos antes dividira com Gonzaga uma curta e concorrida temporada no Rio de Janeiro. 
O pomposo lançamento teve direito até a uma chamada da TV Globo, com o repórter Carlos Magagnini entrando ao vivo no meio da tarde.
Lembro também da rainha do baião, Carmélia Alves, pedindo que eu pusesse em livro a sua história; e de Dominguinhos, que chegou a dar entrevista até no programa de televisão da Celia e Celma, do Canal Rural, dizendo que eu estava escrevendo a sua biografia; e a rainha do forró que não esperou por mim e lançou há pouco com pompa e circunstância a autobiografia Eu Sou Anastácia!, escrita em parceria com sua conterrânea jornalista Lêda Dias; e Antônio Barros e Cecéu, que andam chateados por eu não ter escrito até agora um livro contando a história dos dois, que são os mais importantes e profícuos autores de xotes, forrós e arrasta-pés do País...
Ah! Caetano, vá catar coquinhos.

GONZAGUEANAS
Hoje faz uma semana que iniciamos a primeira das três apresentações do projeto Rodas Gonzagueanas no palco do Centro Cultural Correios, 
no Rio de Janeiro, reunindo alguns dos mais importantes e representativos artistas da nossa música popular: Oswaldinho do Acordeon, Rildo Hora, Zé Calixto, Chico Salles (esses dois comigo, na foto ao lado), Anastácia e Socorro Lira; o poeta repentista Azulão, o pesquisador Ricardo Cravo Albin, que dá nome a um instituto e ao dicionário de MPB mais consultado do País; o produtor musical mais premiado do Brasil, José Milton, mediados por mim.
Na foto acima aparecem o zabumbeiro Zé Gomes, o percussionista Zé Leal, Oswaldinho do Acordeon, Socorro Lira, eu, José Milton e Azulão. 
A produção executiva do projeto Rodas Gonzagueanas, que começou com uma apresentação em dezembro de 2005, no Teatro Brincante (leia-se Antônio Nóbrega), é assinada por Andrea Lago; e a captação e edição de imagens, por Darlan Ferreira.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

AO VINAGRE A MEMÓRIA DO PAÍS

Por telefone, um amigo tirador de sarro me acordou hoje perguntando por que eu não dou já uns cascudos no coco do Chico e no coco do Gil. Eu não achei graça e respondi que ainda é cedo para uma decisão dessas, até porque não creio que sejam eles a favor da censura e contra a atividade dos biógrafos. Sobre Chico, aliás, já foram publicados vários livros que o artista/personagem levantasse nenhum problema; e sobre Gil, também. Mas o assunto é sério e por isso precisa de um desfecho imediato, juridicamente legal e feliz para todos.
O cascudo de hoje é pro coco do senhor Roberto, que certamente se sentiria muito bem ao lado de figurinhas carimbadas como Goebbels e “dom Augusto Pinochet”, como ele se referia ao chefe do governo militar chileno. Clique: http://www.youtube.com/watch?v=SpdjnkyOjXI
As loas vão para Marilu Cabañas e Anelize Moreira, repórteres da novíssima Rádio Brasil Atual, que estão entre os vencedores da 35ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. 
O tema ainda vai dar pano pra manga.

CARTOLA
E hoje é dia de Cartola, de nascimento Angenor de Oliveira.
Carioca, Cartola nasceu no dia 22 de outubro de 2908 e morreu no dia 30 de novembro de 1980.
Ele deixou vários clássicos musicais, entre os quais As Rosas Não Falam.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

MAZELAS DO BRASIL EM FRANKFURT

Razões que me atormentam desde o último fim de semana têm a mim me impedido de preencher este espaço com o conteúdo necessário, e de sempre, mas notícias vindas de Frankfurt forçam-me a tatear o teclado para dizer que assino em baixo tudo o que o Laurentino Gomes, o Luiz Ruffato e o Marçal de Aquino falaram lá na feira do livro, e que a Folha, edição de hoje, reproduz.
Laurentino falou em defesa das biografias e da livre expressão, Ruffato sobre mazelas brasileiras, explicando que é papel da literatura “fazer uma reflexão da sociedade” e Marçal disse preferir “um artista que faça política a um político que faça poesia”. Marçal disse isso em resposta ao vice-presidente da República, Michel Temer, que elogiou a si próprio como poeta, num discurso na feira do livro, no gênero a maior do mundo.
E nem se falou o quão difícil é fazer pesquisa e publicar livro sobre cultura popular no nosso País.

ENDOIDOU
O mano Caetano, de tantas caras e bocas, de falas críticas e polêmicas jornais a fora, anda sempre arrumando um jeito de estar na crista da onda, mas agora exagerou ao defender a censura para escritores que queiram contar histórias de figuras públicas sem o prévio consentimento delas. Noutras palavras: o filho de dona Canô, outrora tão defensor das liberdades democráticas, incluindo a livre expressão, agora se diz contra biografias não
autorizadas. E isso quer dizer o seguinte: pau – e cana – nos biógrafos!
Sinto que o Caê tá é querendo um cascudo. Pois tome um, cabra!

Hoje teço loas a Roberto Cabrini, por expressar-se de modo tão objetivo ao dizer claramente, entre tantas coisas, que o fazer jornalístico só tem razão de ser quando beneficia a coletividade e cidadãos ameaçados nos seus direitos de ir e vir. A sua presença ontem no seminário internacional mídia JOR, promovido pela revista Imprensa, no auditório da Aliança Francesa, foi um chamamento à razão e à inteligência. Participaram do evento, além de Cabrini, Rubem Valente e Sergio Lírio, mediado por Colibri Vita (acima). Também estive lá,ao lado de Sinval de Itacarambi Leão, da revista Imprensa; e de Luciana Freitas, editora do newsletter Por Dentro da Midia .

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL, DOIS ANOS

Hoje 3, faz dois anos de fundação do Instituto Memória Brasil, IMB.
O IMB, com acervo de 150 mil itens formado nos últimos 40 anos, tem nos seus quadros advogados, editores, poetas, músicos, atores, jornalistas e escritores como Roniwalter Jatobá, Eduardo Ribeiro, Jorge Mello, Jorge Paulo, Roberto Marino, Oswaldinho do Acordeon, Osvaldinho da Cuíca, Jorge Ribbas, Papete, Théo de Barros, André Domingues, Alessandro Azevedo, José Cortez, Marco Haurélio, Chico Salles e Celia e Celma, entre outros.
Para comemorar a efeméride apresentaremos, entre amanhã e domingo, no Rio de Janeiro, o projeto Rodas Gonzagueanas (clique na linha azul, acima), que tem por objetivo mostrar facetas desconhecidas do rei do baião, Luiz Gonzaga, e aspectos importantes da sua obra.
O livro Lua Estrela Baião a História de um Rei (Cortez Editora) e o CD O Samba do Rei do Baião (Genesis) serão lançados na ocasião.

EMILINHA
Hoje faz oito anos do desaparecimento da cantora carioca, de Mangueira, Emília Savana da Silva Borba, por todo mundo conhecida como Emilinha Borba.
Foi Emilinha quem originalmente gravou e lançou em 1950 o baião Paraíba.
Acima, Gonzaga ensina a Emilinha passos do baião (foto extraída do livro Dicionário Gonzagueano.

ZÉ RAMALHO
O cantor, compositor e instrumentista paraibano Zé Ramalho, de batismo José Ramalho Neto, completa hoje 64 anos de idade. Ele nasceu no sertão de Brejo do Cruz e é um dos mais aplaudidos artistas do Brasil. Em 2009, Zé gravou um CD inteiro com músicas de Luiz Gonzaga.
Viva Zé!
Clique:

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

RILDO HORA E OUTROS BAMBAS DA MPB

Um time de representantes da boa música entrará em campo com saber e alegria sexta, sábado e domingo no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, com a finalidade de fazer belos gols: Socorro Lira e Oswaldinho do Acordeon nos dias 4, 5 e 6 próximos, acompanhados do pesquisador musical Ricardo Cravo Albin - que dá nome ao dicionário de MPB mais completo - e do gaitista e compositor pernambucano Rildo Hora no primeiro dia, sexta 4; a rainha do forró Anastácia, o cantor e compositor Chico Salles e o mestre dos 8 baixos Zé Calixto, no segundo dia, sábado 5; e o produtor musical mais premiado do País, José Milton, e o cantador e cordelista Azulão, um dos fundadores da famosa Feira de São Cristóvão, no terceiro dia 6.
Durante esses três dias, eu atuarei na condição de mediador, provocador de falas e histórias.
Pelo menos quatro músicas inéditas de Luiz Gonzaga serão apresentadas, ao vivo: Tudo é Baião, resultado de parceria com o pernambucano Zé Dantas; Ai, Ai, Portugal, fado-baião, com Humberto Teixeira; Dúvida, valsa, com Domingos Ramos; e Meu Pandeiro, samba, com Ary Monteiro.
Essas músicas, mais outras dez, se acham no CD O Samba do Rei do Baião (Genesis), que será lançado na ocasião juntamente com o livro infanto-juvenil Lua Estrela Gonzaga a História de um Rei (Cortez Editora), de minha autoria com ilustrações de Luciano Tasso.
O disco (aí, na reprodução da capa) e o livro tem a chancela do Instituto Memória Brasil, IMB, que amanhã 3 completa dois anos de existência legal e o seu acervo uns 40.
Você quer saber "quem é quem" do time que ora integra o projeto Rodas Gonzagueanas levado ao palco pela primeira vez em dezembro de 2005, no teatro paulistano Brincante, do multitudo Antônio Nóbrega? Então clique sobre a imagem lá em cima.
E sobre o rei do baião Luiz Gonzaga, hein?
Clique abaixo para ler a edição completa do especial Memória da Cultura Popular nº 4, resultado de parceria firmada entre o Instituto Memória Brasil e o mais antigo e ágil newsletter do País, o Jornalistas&Cia:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04.pdf

CASCUDO E LOAS 
Com esse título, estreei estreei coluna especial no site Por Dentro da Mídia.
Hoje, pra valer, o tema que abordo na coluna é o ministro do STF e o Papa Francisco.
Eu começo dizendo que o mandachuva do Supremo Tribunal Federal, Joaquim, merece um cascudo; e o Papa Francisco, loas.
Clique:

terça-feira, 1 de outubro de 2013

ORA, ORA, VERGONHA DE SER CAIPIRA?

Hoje, 1º, é a primeira das cinco terças-feiras de outubro, que também terá cinco quartas e cinco quintas até dezembro.
Foi numa quinta-feira da segunda metade de um mês como este, em 1929, que o mundo tremeu com a quebradeira provocada pela Bolsa de Valores de Nova Iorque.
Fortunas foram para o ralo em segundos.
E foi também em 1929 que o tieteense Cornélio Pires (ao lado, entrevistando um caipira), brincante de origem, arriscou todos os seus tostões na gravação dos primeiros discos com registros da cultura musical popular do interior paulista (acima, clique).
A primeira leva saiu em maio, pela Columbia.
A segunda em outubro, numa segunda ou terça-feira, com a significativa gravação da primeira moda de viola feita em disco de 78 RPM, intitulada Jorginho do Sertão.
Uma obra-prima.
E nesta segunda os Estados Unidos amanheceram em crise, de novo, por consequência da incapacidade do Congresso em negociar com a oposição um acordo para a aprovação do orçamento do governo Obama. Resultado disso é que uma quantidade enorme de norte-americanos ficará de braços cruzados e chorando pitangas até sabe-se lá quando. O prejuízo já é avaliado em algo em torno de 1 bilhão de dólares.
Os cidadãos comuns de lá ficarão sem salários, mas os militares continuarão a receber seus soldos em dia.
Cornélio pôs a bola caipira para rolar no campo e na cidade.
Um orgulho de todos até então, hoje não.
Outro dia ouvi o secretário de Cultura de Tietê lamentar o sentimento de vergonha que os paulistas hoje nutrem por sua música e seu sotaque.
Hoje leio notícia nesse sentido, dada pelo violeiro Roberto Corrêa, de Campina Verde, cidadezinha bela e aprazível de nem 30 mil habitantes, localizada no chamado Triângulo Mineiro.
Roberto, com a palavra:
- Quando você estuda a cultura caipira, um dos aspectos com os quais você se defronta é o preconceito, que começou com os viajantes do século 19, que descreviam essa região como de povo maltratado. Quando você fala do homem rural nordestino vem à mente aquele homem com chapéu de couro. Do gaúcho, aquele homem com bombacha. Quando se fala do homem rural paulista, é aquele homem desdentado...
O escritor Monteiro Lobato fez muita coisa legal, criou muitos personagens bacanas, mas também alguns que não deveria ter criado, como Jeca Tatu, pobre, doente, preguiçoso, desdentado...
E o resultado aí está.

RODAS GONZAGUEANAS
Entre os dias 4 e 6 vamos contar uma história incrível, a do matuto (equivalente a caipira) Luiz Gonzaga, o rei do baião, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro. Clique:

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL: DOIS ANOS

Na próxima quinta-feira 3, o Instituto Memória Brasil, IMB, completa dois anos de fundação. 
Nesse período foram realizados sob sua chancela vários eventos, incluindo exposições, como Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, no Sesc Santana http://www.youtube.com/watch?v=oyDEXfEeOi0 shows e lançados um livro (reprodução da capa, acima), Lua Estrela Baião, a História de um Rei (Cortez Editora) e um CD, O Samba do Rei do Baião (Genesis). Foram também firmadas algumas parcerias importantes, como a que possibilitou a criação do caderno Memória da Cultura Popular http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular17.pdf
Em comemoração ao aniversário de dois anos do IMB será posto em prática o projeto Rodas Gonzagueanas nos dias 4, 5 e 6, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.
O projeto, que teve sua primeira edição no dia 13 de dezembro de 2005, no teatro Brincante http://www.youtube.com/watch?v=K2fZQtOdnKM e um ano depois, na rede CEU
Quer saber mais um pouco sobre o Instituto Memória Brasil?
Clique:

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

DÚVIDA, CHORO E PORRE

Eu, Francisco, nasci há dois mil anos atrás...
Brincadeirinha.
Deu-se o causo, de toda simplicidade, na maternidade Cândida Vargas da capital paraibana; sem graça nem pompa alguma, muito tempo depois da vinda do homem de Nazaré ao convívio humano para nos salvar.
Deu-se o causo, na verdade, há quase dois mil anos após acontecimentos incríveis ocorridos por aí a fora, como o nascimento do rei da embolada Manezinho Araújo; esse, sim, um belo causo ocorrido no dia 27 de setembro de 1910, em Cabo de Santo Agostinho, que fica ali por uns 30 quilômetros desde a capital pernambucana.
Nesse dia, aliás, no mês e ano de 1952, de madrugada, a explosão entre um caminhão na contramão e um carro de passeio fazia calar para sempre a bonita voz de tenor de outro rei: Chico Alves, na via Dutra, à altura de Pindamonhangaba e Taubaté paulistas.
Chico morava no Rio e era para lá que ele se dirigia depois de um espetáculo que reuniu milhares e milhares de pessoas no bairro paulistano do Brás.
Sim, eu cheguei por cá na barra do dia de 27 de setembro de 1952.
E eu chorava, mas chorava era pela perda do grande cantor.
E dito isto digo mais, que:
Dona Maria, minha mãe, partiu quando eu tinha quatro anos; e ela, 26 de idade.
Seu Severino, meu pai, partiu quando eu tinha cinco de idade; e ele, 33.
Ela e ele fizeram o que tinham de fazer e tchau!
E eu fiquei por cá, crescendo com pulga na orelha:
- Será que chegarei à idade do homem de Nazaré?
No dia 27 de setembro de 1985 - uma sexta-feira como esta, de lua cheia no céu – deixei macambúzio a redação da TV Manchete, onde eu trabalhava.
E fui pra casa.
Tranquei-me no quarto e chorei feito um besta.
Mas logo depois da meia-noite eu soltei uma risada louca, abri um uísque e tomei um porre daqueles, sem gelo e sozinho.
Foi quando descobri que somos eternos, e por sermos eternos precisamos brindar (acima, em foto do século passado com colegas da Folha): tim, tim.
Viva a vida!
Para lembrar Chico, clique:

ANIVERSÁRIO
Desde já quero agradecer aos tantos e tantos amigos e amigas que têm telefonado e mandado bonitas mensagens de parabéns pela data que hoje comemoramos.

GRAMMY
E agora nos chega a notícia de que o álbum Salve 100 Anos Gonzagão (aí à direita a reprodução da capa), de que participo interpretando um texto que fiz sobre o Rei do Baião (1912-89) numa faixa de 9m50, acaba de ser indicado para receber o troféu Grammy Latino 2013, na categoria Melhor Álbum Brasileiro de Raiz. Nessa mesma categoria se acha a cantora paraibana Elba Ramalho. A produção de Salve Gonzagão 100 Anos, independente, é do mineiro Téo Azevedo. Detalhe: o disco está esgotado e dele também participou o compositor sanfoneiro José Domingos de Moraes, Dominguinhos (1941-13), que desde ontem descansa em paz no cemitério da terra onde nasceu, Garanhuns, PE, onde foi construído um mausoléu com sua imagem. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

DOMINGUINHOS E BADEN POWELL

Varre-Sai é um município fluminense - o mais distante do centro do Rio de Janeiro – localizado na Serra da Sapucaia. A sua área territorial é de pouco menos de 200 Km2 e habitado por mais ou menos 10 mil pessoas, a maior parte de origem italiana.
A cidade, que vive do cultivo de café, ganhou esse nome nos primeiros anos do século 19, em decorrência de um rancho que havia na região frequentado por tropeiros que dele faziam uso para dormir e a dona, Inácia, lhes pedia apenas que ao sair limpassem o local onde deixavam os animais. Ou seja: varre e sai.
Foi nessa cidade, de clima tropical, que nasceu um dos mais importantes violonistas brasileiros: Baden Powell de Aquino, no dia 6 de agosto de 1937.
Baden, que começou a carreira gravando dois discos de 78 RPM na Philips, em 1960, lançou 45 LPs, vários compactos simples e duplos e 13 CDs, no Brasil e no Exterior; principalmente na França, onde nasceram seus dois filhos: Louis Marcel e Phillipe, ambos também músicos.
Em junho de 2000 Baden se apresentou pela última vez em São Paulo, na unidade Sesc Vila Mariana. Na ocasião, Vandré me convidou a ir assisti-lo. Não pude. Três meses depois, precisamente no dia 26 de setembro, o rádio dava a notícia do seu falecimento. Curiosidade: a terceira música gravada por Baden foi um baião, Lição de Baião, de Jadir de Castro e Daniel Marechal, lançada pela Philips em junho de 1961.

DOMINGUINHOS/SARAU
Parte da capital pernambucana está agitada nesta manhã de hoje. O motivo é o traslado dos restos mortais de José Domingos de Moraes, o Dominguinhos. O traslado do cemitério Morada da Paz, em Recife, para o cemitério de Garanhuns foi autorizado pela Justiça, contrariando alguns membros da família. 
Conheci Dominguinhos (acima) nos finais dos anos 1970, e muito tempo depois tive a satisfação de compor uma letra com melodia de Gereba para ele gravar, como homenagem nossa ao Centro Educacional Unificado, CEU, onde hoje, às 20 horas, na unidade Butantã, estaremos à frente de um sarau junto com o cantor, compositor, violonista - e mais um monte de coisas - Jorge Melo. 
A noite e o sarau serão dedicadas a ele. 
Viva Dominguinhos!
Clique: 
http://www.youtube.com/watch?v=pwM9658fKtk
PAPETE/SR. JOSÉ...

Logo mais às 21 horas, no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, MA, o maranhense Papete, que de música sabe tudo, estará levando o povo da cidade para apreciar o repertório de seu novo disco, que é uma pérola intitulada Sr. José... De Ribamar e Outras Praias. Papete, de batismo José de Ribamar Viana, nasceu no dia 8 de novembro de 1947 em Bacabal, chamada de Capital do Médio Mearim, por causa do rio que nasce lá para os lados da Serra Menina e se movimenta sereno por cerca de 930 quilômetros até alcançar o mar. Nos tempos de chuvas, o rio incomoda cidades da região como Pedreiras, a terra de João do Vale (1934-96).

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

AS ORIGENS DO JORNALISTAS&CIA

Com edição ininterrupta, o Jornalistas&Cia firma-se como o mais longevo, moderno e ágil newsletter brasileiro, criado pelo paulistano Eduardo Ribeiro há 18 anos.
A sua origem está ligada à coluna Moagem, que virou Fax Moagem (acima, o nº 1), que virou, enfim, J&C.
No começo, a principal finalidade do boletim era informar o paradeiro dos profissionais; se continuavam trabalhando ou não nesse ou naquele jornal ou revista etc.
O seu porto inicial foi o jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.
Com o passar do tempo, outros motivos e pautas foram identificados e incorporados às editorias e páginas do informativo que hoje conta com cerca de 30 mil assinantes em todo o País.
Do dia a dia do Jornalistas&Cia faz parte, hoje, uma ampla e movimentada agenda de eventos, incluindo prêmios jornalísticos, seminários relacionados à comunicação e discussões em torno do futuro da imprensa, como o ocorrido anteontem à noite durante sessão de homenagem de aniversário no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo: Olhares Mutantes – Horizontes da Comunicação Corporativa, que contou com a presença à mesa de conhecidos jornalistas, entre os quais Audálio Dantas, Marco Rossi, Decio Paes Manso e Carlos Chaparro, além de Eduardo Ribeiro e o presidente da Câmara, jornalista vereador José Américo Dias.
Na ocasião e após uma verdadeira aula de Jornalismo, Audálio afirmou que os integrantes da chamada Mídia Ninja não têm respaldo legal dos jornalistas profissionais, tampouco do Sindicato paulista, no que foi contestado por Chaparro, que disse que o Jornalismo tem de se adaptar ao mundo e não o contrário.
Os “ninjas” debutaram nas manifestações de rua em junho passado. 
Longa vida ao J&C.

INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL
Este mês completaram-se dois anos que reunimos amigos para fundar o Instituto Memória Brasil, IMB. 
Dessa reunião participaram, entre outros, o advogado Jorge Melo e os jornalistas Roniwalter Jatobá e Eduardo Ribeiro. 
O IMB foi legalmente fundado no dia 3 de outubro de 2011. 
Saiba o que significa o IMB lendo uma entrevista publicada no Jornalistas&Cia, edição nº 812.
Clique:

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

TIM, TIM, 18 ANOS!

Daqui a pouco, às 19h30, o newsletter Jornalistas&Cia será alvo de uma homenagem no Salão Nobre da Câmara Municipal, pelos 18 anos de existência. A iniciativa é do presidente da Casa, o jornalista vereador (PT) José Américo Dias.
Consta da programação do evento um seminário intitulado Olhares Mutantes – Horizontes da Comunicação Corporativa, que contará com a participação de Audálio Dantas, Carlos Carvalho e Eduardo Ribeiro, entre outros profissionais do jornalismo.
Ribeiro é o criador do mais antigo newsletter do País, o Jornalistas&Cia.
Na próxima quarta-feira 25 circulará uma edição especial de aniversário do J&C. 

MEMÓRIA DA CULTURA POPULAR
Há um ano e meio o Jornalistas&Cia mantém com o Instituto Memória Brasil, IMB, uma parceria que já resultou em 17 edições especiais do caderno virtual Memoria da Cultura Popular. Por esse caderno passaram, entre outros, o cantor e compositor Geraldo Vandré, o estudioso da cultura popular Luís da Câmara Cascudo, o maestro Eleazar de Carvalho, o rei do baião Luiz Gonzaga e o poeta repentista Zé Limeira, entre outros personagens e temas. A mais nova edição do Memória da Cultura Popular aborda o tema viola e violeiros.
Clique:

domingo, 22 de setembro de 2013

GONZAGUINHA E PRIMAVERA

Você já leu o especial Memória da Cultura Popular sobre Luiz Gonzaga, resultante de parceria entre o Instituto Memória Brasil, IMB, e o newsletter Jornalistas&Cia? Clique:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04
Foi num dia como este, com flores anunciando aos quatro ventos a chegada da primavera, que nascia no ano de 45, num morro carioca, o cantor e compositor Gonzaguinha, famoso não só por trazer no nome o nome do rei do baião, Luiz Gonzaga, mas também por seu inegável talento musical.
Eu o o entrevistei algumas vezes (acima, recorte de uma revista da editora 3).
Gonzaguinha era uma pessoa difícil digamos assim, briguenta, daquelas que não gostam de rir e tampouco levam desaforos para casa.
Mas eu gostava dele.
Lembro de uma vez que Gonzaguinha me telefonou fulo da vida para reclamar que lera num jornal que não era filho legítimo do Rei do Baião, e que essa notícia se achava no livro Eu Vou Contar Pra Vocês (título dado pelo cartunista Fortuna). O livro, de minha autoria, estava pra ser lançado e de fato trazia essa notícia, mas de modo discreto. 
Eu tentei explicar, mas ele não queria explicação.
E falava e falava atropelando palavras, irritado.
Foi a última vez que falamos.
O livro foi lançado em clima de festa, com Inezita Barroso cantando ao lado de grupos folclóricos no palco do extinto Teatro das Nações, na capital paulista.
O lançamento provocou até uma entrada minha, ao vivo, na telinha da Globo.
Gonzaguinha, que morreria cerca de um ano depois disso, a respeito de mim e do livro falou apenas uma vez, que eu saiba, na revista Veja.
Fica o registro.
 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

VIVA ZEQUINHA DE ABREU!

Primeiro Roniwalter Jatobá, agora Audálio Dantas. 
Os dois estão na lista dos autores escolhidos para premiação pela Câmara Brasileira do Livro, ABL. 
Audálio, na categoria Reportagem. 
O prêmio foi criado em 1959. 
A notícia deixou os conselheiros do Instituto Memória Brasil pimpões da vida.

A cidade paulista Santa Rita do Passa Quatro é uma das 12 estâncias climáticas do Estado, localizada a cerca de 250 quilômetros da capital. Foi lá que nasceu no dia 19 de setembro de 1880 o compositor e pianista José Gomes de Abreu, o Zequinha de Abreu, que ganhou notoriedade mundial com o choro Tico-Tico no Fubá, de sua autoria, gravado pela primeira vez no começo de 1931 pela Orquestra Colbaz e, depois, por centenas de intérpretes nacionais e estrangeiros, de Carmen Miranda ao maestro Roberto Inglez (aí ao lado, na reprodução do selo do disco original feito em Londres), Ethel Smith, Alberto Semprini, Georges Henry e, mais recentemente, por uma malaia, JIt San, de seis anos de idade que o interpreta de modo incrível num instrumento chamado electone. Clique:
http://www.youtube.com/watch?v=X-b7n0_3Ca0
Clique também paracurtir Carmen Miranda:
Tico-Tico no Fubá, que era para se chamar Tico-Tico no Farelo, foi apresentado com letra, de Eurico Barreiros, pela primeira vez pela cantora Ademilde Fonseca (à direita, na reprodução do selo do disco), em setembro de 1942.
Zequinha de Abreu, cuja mãe o queria padre e o pai, médico, morreu no dia 22 de janeiro de 1935. 
Boa parte do mundo aplaude a obra de Zequinha. 
Clique:

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

HISTÓRIA...

O jornalista e escritor Roniwalter Jatobá, vice-presidente do Instituto Memória Brasil, IMB, está na primeira lista dos escolhidos para ganhar o Prêmio Jabuti, na categoria Contos ou Crônicas.
Clique:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/09/1343640-premio-jabuti-anuncia-livros-finalistas-da-primeira-etapa-veja-lista.shtml
No dia 18 de setembro de 1946, uma quarta-feira como esta, sob o governo do marechal Eurico Gaspar Dutra (abaixo, com o general Coronbert Pereira e o rei do baião Luiz Gonzaga), a mesa da Assembleia Constituinte promulgou a 5ª Carta do País (à esquerda, no recorte), considerada pelos estudiosos do Direito como a mais completa e justa dentre todas, até hoje.
Cito o 18 de setembro por achá-lo emblemático, pois no final da tarde de hoje – Dia dos Símbolos Nacionais - o ministro Celso de Mello, o decano do Supremo Tribunal Federal, STF, praticou um fato que certamente entrará para os anais da História: o desempate do placar de cinco votos a favor e cinco votos contra a retomada dos trabalhos de julgamento de alguns acusados no escândalo Mensalão.
A rigor, porém, o anúncio do voto do ministro não foi propriamente uma novidade, pois ser já esperado.
No dia 2 de agosto do ano passado, aniversário da morte do Rei do Baião, o ministro de Mello já cantara clara e abertamente a sua opção pelo acolhimento dos chamados embargos infringentes, que possibilitam novo julgamento de uma parte dos réus envolvidos no  estrondoso escândalo.
       Portanto, não foi surpresa alguma o que se viu hoje no plenário do STF. 


LUIZ GONZAGA
Você quer saber um pouco mais sobre o Rei do Baião?
Então, clique:

terça-feira, 17 de setembro de 2013

CULTURA POPULAR E ROCK IN RIO

Peço licença ao prugilo
Dos quelés da juvenia
Dos tolfus dos aldiácos
Da baixa da silencia
Do genuíno da Bríbria
Do grau da grodofobia.

Era o poeta cantador paraibano Zé Limeira em peleja com seu par Arrudinha, num ano que há muito o vento levou.
Embasbacado, Arrudinha humildemente perguntou:

Eu jamais ouvi falar
Nessa tal de juvenia
Nem tampouco em aldiácos
Dessa sua silencia...
Limeira me fale sério:
Que diabo é grodofobia?

Após risada espalhafatosa, Limeira respondeu:

O mestre inda não sabia
Que Jesus grodofobou?
Apois fique conhecendo
Que Limeira prugilou
E o cipó de seu Pereira
Também já juvenciou.

Hoje, há pouco, estiveram conosco os craques Papete e Ibys Maceioh (acima, na foto) cantando, tocando e contando causos. Mas não era sobre eles e Zé Limeira (versos aí, à esquerda), grande poeta popular paraibano falecido na primeira metade dos anos de 1950, que eu queria falar.
Eu queria e quero falar é dos R$ 12 milhões autorizados para captação pelo Ministério da Cultura - via Lei Rouanet - para o megaespectáculo musical Rock in Rio, ora em andamento com atrações do mundo inteiro.
Até agora os produtores/organizadores desse festival de barulho em terras cariocas captaram R$ 8,75 milhões; desses, R$ 2,1 milhões aportados com a chancela séria dos Correios brasileiros.
O Rock in Rio nessa sua 5ª edição é, mais uma vez, sucesso absoluto de público etc. 
Um estouro, como se diz.
Basta dizer que todos os ingressos foram rapidamente vendidos através da Internet.
Conclusão: os produtores do Rock in Rio são craques do ramo, o contrário exato dos produtores envolvidos com a cultura nacional popular. 
Entendo que esse é motivo para ficarmos tristes.
Os jornais que dão conta desta notícia informam, porém, que nem todos os pareceristas do Minc foram favoráveis à liberação de apoio financeiro oficial para a realização desse festival.
Mas essa é outra história. 
O que dói mesmo, cá na mente e no peito, é a nossa incompetência de mostrar a beleza que é a cultura popular brasileira através de apoio financeiro oficial...
Uma perguntinha: você não sabe quem foi Zé Limeira? 
Então, clique: 
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular08.pdf

PIMENTA NOS OLHOS...
O governo norte-americano é um governo que serve para os norte-americanos, e tão-somente.
Bingo!
Prepotente, o governo norte-americano só olha para o próprio umbigo.
Ponto.
Prepotente, o governo norte-americano é para o povo norte-americano, óbvio.
O governo norte-americano espiona o mundo, mas o mundo não pode espionar o governo norte-americano.
Exemplo?
Outro dia a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ordenou que se investigasse o Consulado norte-americano em Frankfurt; na moita, para saber se havia antenas de escuta por lá. 
Ao saberem disso, os Estados Unidos ficaram putos e pediram explicações.
Pois é, pimenta nos olhos...  
E acho, mesmo, que a Dilma não deve ir aos EUA antes de explicações oficiais de lá, deles, sobre a espionagem que têm feito contra nós, o Brasil.

HERIVELTO MARTINS
Hoje faz 21 anos da morte do criador do Trio de Ouro e autor de Ave Maria no Morro, uma obra-prima integrada ao cancioneiro brasileiro.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

SABIÁ, A AVE-SÍMBOLO DO BRASIL

Diz a lenda que um sabiá-laranjeira todos os dias exibia seu trinar do alto de uma palmeira na Praça da Sé.
Ele trinava e trinava ao amanhecer, mas só uma menina de rua o escutava.
Mas um dia a menina notou que o sabiá sumira.
E ela ficou muito preocupada com isso, até que lhe foi dito que o sabiá fora-se embora porque as pessoas não gostavam dele.
Pois é, simples assim: as pessoas não gostavam dele.
E não gostavam dele porque trinava e trinava bem alto, parecendo provocação.
Em notícia de quase página inteira o jornal Folha de S.Paulo diz hoje que o trinar dos sabiás está incomodando os paulistanos.  
Pode?
Pode sim, especialmente quando as pessoas perdem a sensibilidade e trocam o trinar dos pássaros pelo barulho das ruas e dos carros.
O repórter o que nem deveria dizer, ou seja: que o belo trinar dos sabiás é comparado ao som de uma flauta doce.
Pois é, e desde quando o som bem tirado de uma flauta doce pode incomodar alguém, hein?
O trinar dos sabiás servem para seus filhotes aprenderem a também trinar.
E se os sabiás fazem isso da madrugada para o amanhecer é para não expor os filhotes aos predadores, que não são poucos.
Uma pergunta: você sabia que o sabiá-laranjeira é a ave-símbolo do Estado de São Paulo, desde 1966?
Outra: que o sabiá-laranjeira é a ave-símbolo do Brasil, desde 2002?
O sabiá é personagem de muitas obras literárias e musicais.
Quem não se lembra destes versos, do maranhense Gonçalves Dias constante do poema famoso Canção do Exílio?

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá...

É de Luiz Gonzaga e Zé Dantas o baião Sabiá, cujos versos dizem:

A todo mundo eu dou psiu
Perguntando por meu bem
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá vem cá também...

Aliás, o seguinte: o sabiá como “personagem” musical se acha na discografia brasileira desde os primeiros anos do século passado, quando o cantor e violinista carioca, de Campos, Mario Pinheiro gravou no estrangeiro a modinha Sabiá, de autor desconhecido, para a Victor Record. Isso entre 1910, 1911.
O trinar do sabiá-laranjeira pode ser ouvido na moda Disparada, de Geraldo Vandré/Téo de Barros, numa gravação, para o selo musical Sabiá (acima), coordenada pelo ornitólogo Dalgas Frisch.
Fica o registro.  

SABIÁ-LARANJEIRA
No dia 13 de maio de 1937, o cantor carioca Patrício Teixeira (1893-1972) entrou num estúdio da extinta Victor, no Rio, e gravou o samba Sabiá-laranjeira, de Max Bulhões e Milton de Oliveira, lançado à praça três meses depois.
Clique, ouça e opine:
http://www.youtube.com/watch?v=0Zx0lw1-cAA

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