| Assis e Tom Zé num encontro na Bienal Internacional do Livro, em um debate sobre o poeta Patativa do Assaré, promovido pelo SESC
A
vida é uma eterna corrida na qual todos caem, inclusive os que alcançam o
pódio.
A
vida também é uma eterna magia, uma mágica a rigor sem explicação.
Darwin,
depois de se debruçar por anos na sua pesquisa científica, em torno da origem
humana, chegou à conclusão de algo que todos sabemos, verdadeira ou não.
Descendemos
do macaco? Ou primo do macaco?
A
verdade é que somos seres extremamente confusos, caóticos, perdidos em nós
mesmos.
Sim,
sem dúvida a vida é uma eterna corrida na qual todos perdem.
Muito
já se questionou sobre de onde viemos e para onde vamos.
Há
muito tempo, li o livro “Eram os deuses astronautas?”.
Fui
entrevistar o autor, Erich Von Daniken, tido por muita gente como um charlatão,
mas, cá pra nós, eu o achei incrível. A entrevista, longa, foi publicada num
ano qualquer da década de 1970, no caderno Ilustrada, do jornal Folha de
S.Paulo.
“Tom Zé é um gênio”, me disse outro dia a
minha filha Clarissa. Ela tem razão, quer ver?
|
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domingo, 24 de maio de 2015
CORRIDA PARA O NADA
sexta-feira, 22 de maio de 2015
DE BAIÃO, BANDA E MORTE
No
dia 22 de maio de 1946 o grupo musical 4
Azes e 1 Coringa, formado por jovens estudantes
cearenses, lançava no Rio de Janeiro o 1º baião -gênero musical- de que se tem
notícia no mundo, da autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.
Essa
música serviu de catapulta para o futuro Rei do Baião e Humberto Teixeira
chegarem à boca do povo. A partir daí Humberto deixaria em 2º plano a profissão
de advogado para se tornar um dos mais aplaudidos compositores do País.
Detalhe: ele compôs com Gonzaga exatas duas dezenas de pérolas musicais, como
Assum Preto e Estrada do Canindé.
Você
sabe como se chama a banda musical mais antiga da cidade mineira de Ubá?
Pois
é, os ubaenses se alegram até hoje com a performance da Banda 22 de Maio,
criada no distante ano de 1898.
O
que tem a ver o baião de Gonzaga e a Banda 22 de Maio de Ubá?
Nada.
Os
dois eventos -o lançamento do gênero musical baião e a fundação da corporação musical
de Ubá- levam o meu pensamento pra bem longe daqui: Irã, Iraque, Pérsia,
Palmira...
Hoje,
22 de maio de 2015, ouço no rádio a triste notícia que dá conta das estrepolias
do terrorista Estado Islâmico acabando com tudo que há de mais importante, documentalmente
falando, do tempo de Cristo e até de mesmo de antes de Cristo. Esses felas, com
suas ações depredatórias e até inacreditáveis estão apagando algumas das
memórias mais antigas da humanidade. E a própria humanidade.
O
que será do ontem nas mãos desses celerados?
O
que será do mundo árabe nas mãos desses celerados?
O
que será de nós, hein?
O
amanhã é hoje/ que vira ontem/ passado/ história; história que guarda tudo/
tudo o que é memória/ até o escárnio da escória.
O
baião e a banda musical de Ubá veem resistindo bravamente na história que
continua sendo feita hoje.
E
hoje, ainda 22 de maio de 2015, do Planalto desaba sobre nós um super-pacote de
maldades denominado de Ajuste Fiscal
quarta-feira, 20 de maio de 2015
SÃO PAULO DE TODOS NÓS
Informações do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística – IBGE dão conta de que a população do Estado de São
Paulo acaba de chegar aos 43 milhões de habitantes.
Ainda, segundo o IBGE, a população
da capital paulista está próxima de 15 milhões.
É muita gente.
Não sei bem por quê, ao ouvir
esta notícia alinhei à música.
Por quê? Porque simples: logo
imaginei a população paulistana sendo movimentada por uma impressionante e bela
trilha sonora.
Durante mais de duas décadas
encetei pesquisas voltada ao tema. Em miúdos: reuni mais de três mil títulos
musicais que encontram na capital dos paulistas eco, inspiração e eco, nas
composições desenvolvidas por cerca de sete mil autores de todas as partes do
Brasil, como Chiquinha Gonzaga, Lamartine Babo, Ary Barroso, Nelson Gonçalves, Luís
Gonzaga, Paulino Nogueira, Osvaldinho da Cuíca, Tom Jobim, Billy Blanco e até
Geraldo Vandré.
Há uns três ou quatro anos eu
contei a história da capital paulista através da música, numa bela instalação
que ocupou pelo menos 350 m2 na unidade SESC do bairro de Santana. Um
punhado de anos antes, numa série de palestras, abordei este mesmo tema na rede
CEU - Centro
Educacional Unificado. Aliás, na ocasião, eu e o baiano Gereba
compusemos uma música que trata de educação e que foi gravada por Dominguinhos.
Clique:
Isso tudo para dizer o seguinte:
tem sido muito comum, e já há tempo, que amigos e colegas jornalistas me
perguntam qual música elejo como a melhor já feita para a cidade de São Paulo. Não
é fácil escolher entre milhares de músicas aquela que melhor retrata São Paulo
e seu povo. Mas, vou aqui arriscar enumerar alguns títulos que a mim me dizem
muito:
·
Rapaziada do Brás, de Alberto
Marino, composta há 90 anos a se completar no correr deste 2015. Originalmente
composta em modo instrumental, essa música – uma valsa-choro – ganharia letra
em 1960, a pedido do argentino naturalizado Carlos Galhardo ao filho de Marino,
Alberto Marino Jr..
·
Trem blindado, de João de Barro,
composta no calor das emoções que provocaram a Revolução Paulista de 1932.
·
Êh, êh, São Paulo, de Alvarenga e Ranchinho, composta no
começo dos 40 do século passado e que tornou-se um clássico enfatizado pelo
talento dos caipiras Tonico & Tinoco.
·
Ronda, de Paulo Vanzolini,
misto de compositor e cientista especializado em herpetologia, que ganhou o
disco pela primeira vez em 1953 através de Inezita Barroso. Essa obra, hoje com
mais de uma centena de versões, foi composta em 1946.
·
Perfil de São Paulo, de Francisco de
Assis Bezerra de Menezes, que ganhou o 1º lugar no concurso musical promovido
pela Prefeitura paulistana para escolha da música-símbolo do 4º centenário da
cidade, fundada pelo jesuíta espanhol José de Anchieta. Detalhe: na ocasião
(1954), foram inscritas pelo menos duas centenas de músicas praticamente em
todos os gêneros musicais, como o dobrado Quarto
Centenário, do italiano naturalizado Mário Zan e o português, também
naturalizado, J. M. Alves Curiosidade: a música de Zan e Alves chegou a vender
algo em torno de cinco milhões de discos e teve até uma versão em japonês,
gravada em disco de 78 voltas.
·
São Paulo, de Teixeirinha.
·
Porque amo São Paulo, de Nelson
Gonçalves.
·
Lampião de gás, de Zica Bergami,
lançada originalmente em 1958, foi imortalizada na voz da mesma intérprete de Ronda. Curiosidade: essa música também
ganhou uma versão no idioma japonês, por Kikuo Furuno.
·
São São Paulo meu amor, de Tom Zé. Essa música ganhou o IV Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1968, mas o autor não recebeu o prêmio até
hoje.
·
Avenida Paulista, de Eduardo Gudin.
Esse samba beira à perfeição na voz de quem o lançou em disco: Vânia Bastos.
·
Estação da Luz, de Herivelto Martins
e David Nasse.
· · São Paulo de todos nós, de Peter Alouche e Téo Azevedo. Essa música
é uma verdadeira ode à capital paulista, escrita por um imigrante egípcio que
em Sampa encontrou os meios que precisava para se desenvolver como cidadão e profissional
da área de engenharia elétrica. É uma espécie de hino à capital paulista, que,
aliás, não tem hino oficial até hoje. Quer ouvi-la?·
Clique:
JORNALISTAS & CIA
Hoje, quarta, o newsletter Jornalistas
& Cia, no gênero, o mais antigo do País, chegou a edição número 1.000.
Todos estamos de parabéns. Coisa de um ano e pouco, encerrei uma etapa
profissional neste informativo direcionado especialmente aos jornalistas, ao
levar à praça o último dos dezessete especiais que trataram de cultura popular.
Esses especiais eram mensais. Estou com saudade. E tudo começou há vinte anos com
o projeto FaxMoagem, por sugestão do decano do jornalismo brasileiro José
Hamilton Ribeiro. Para lembrar aí está a reprodução do primeiro número.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
MAIO, MÊS DE MARIA
Mês das
flores, mês de alegria
De lindos
cantos, mês de Maria...
Parece
que estou ouvindo as irmãs cantoras Celia e Celma entoando os versos acima em
homenagem à mãe de Jesus. E agora não estou só a ouvi-las, estou a lembrar meus
tempos de moleque no interior da Paraíba, ouvindo contrito as ladainhas puxadas
por minha avó Alcina.
A
lembrança, muitas vezes, dói.
Estamos
no Mês de Maria, mais precisamente no meio do Mês de Maria, quando as crianças,
enlevadas, coroam a imagem da santa. É cena marcante.
Em
Alagoinha, uma cidadezinha muito bonita, localizada a poucos quilômetros da
capital paraibana, João Pessoa, eu costumava passar férias e também fins de
semana: saía do colégio e ia pra lá, brincar de agricultor, junto com meus
primos, plantando no roçado do tio José. Tempos inesquecíveis de alegria, de
descompromisso, de aprendizagem, de vida.
O
Mês de Maria me traz, enfim, boníssimas lembranças de um tempo que não volta mais.
Mas o Mês de Maria se repete, com sua graça como se fosse ontem. É do mesmo
período a queima de flores, com cânticos alusivos à mãe de Jesus e com os devotos
fazendo louvação, com as crianças cantando versos assim:
que te podemos
ofertar Mãe pura
com expressão
de filial ternura
recebe, já que
outros bens não temos
esta coroa que
te oferecemos...
Pois é, coisas anônimas, coisas do povo, que continuam na boca do povo. Falo de cultura popular. Alás, a nossa cultura popular, incluindo a música popular, é muito rica. Quando falamos de cultura popular, falamos de coisas anônimas do povo. Mas, a música popular em casos específicos tem autor e nem por isso deixa de ser popular. É popular porque cai na boca do povo. Um exemplo? O carioca Lamartine Babo entrou para a galeria dos nossos grandes compositores por compor obras incríveis como esta, Ó Maria Concebida, que ele fez aos 15 anos de idade. Clique:
quarta-feira, 13 de maio de 2015
O TEMPO PELOS OLHOS DA VIDA
Aprendemos com o tempo. Tenho
aprendido, por exemplo, que podemos ver o tempo, a vida e tudo o mais de outra
forma, inclusive através da porta do sol e da janela do mar, também pelo
assobio do vento e o balançar das árvores. Podemos ver também pelos olhos da
consciência, do saber, da inteligência. Aprendi que posso ver até com os teus
olhos. Quer ver?
Eu vejo com os teus olhos
E caminho com os meus pés
É teu o meu pensamento
Eu sou quase quem tu és
Neste mundo meio torto
De Marias, Joões, Josés.
Estes teus olhos me trazem
Imagens da natureza
O movimento das águas
No fluir da correnteza
O florir da plantação
E de Deus toda a grandeza.
Sem teus olhos não veria
Rumos na escuridão
Esperança no porvir
Ao cantar uma canção
Sem teus olhos não veria
A força de uma oração.
Meu amigo Marco Haurélio, poeta
erudito enrustido no seio do povo, dá um chute cá na minha canela que hoje é
dia de libertação. Pois é. Nesse dia e mês, proclamou-se a abolição dos
escravos. Corria o ano de 1988. Foi uma vitória e tanto para todos, inclusive
brancos, até porque, nessa luta pela liberdade, engajaram-se intelectuais
brancos e pretos, como Joaquim Nabuco, Luís Gama e José do Patrocínio. Foi, com
certeza, o primeiro grande movimento social ocorrido neste nosso país tão desregulado
pelas elites governamentais. Mas, de certo modo, as correntes da negritude
estão voltando à nossa gente.
E lá vem o Marco Haurélio
fechando esse texto com uma setilha:
Livres nós seremos mesmo
Quando surgir o arrebol
Em que raças, credos, povos,
Seguindo o mesmo farol,
Entenderem que pra todos
Todo dia brilha o sol.
domingo, 10 de maio de 2015
UM ANJO TORTO
Este é livro importante por ter sido escrito de modo espontâneo por uma fã declarada de Nelson Gonçalves, Onélia Setubal Rocha de Queiroga; e não, necessariamente, por especialista nos estudos da história da música popular, cujo resultado, aliás, quase sempre é chato.
Na
verdade, são poucos os textos em que os autores têm a coragem de revelar
histórias de ídolos com firmeza e beleza como tão bem Onélia Setubal o faz, à
parte graça no escrever.
Este
livro é uma contribuição importante e natural à compreensão da força que os
grandes artistas da música popular imprimiam aos fãs nos tempos dos anos 40,
50...
Dito
isto, lembro que o cantor Nelson Gonçalves nasceu em 1941, pois foi nesse ano que a extinta gravadora Victor o contratou. Já o gaúcho Antônio Gonçalves Sobral, nome de batismo do cantor, nasceu no dia 21 de junho de 1919, mesmo ano em que o Rei da Voz, Chico, estreava em disco gravado com
marca do selo Popular do companheiro da maestrina Chiquinha Gonzaga, João,
confundido até hoje como filho dela, a marcha carnavalesca Pé de Anjo, de J. B.
da Silva, o Sinhô.
Dito
isto digo também, e assino em baixo, que Nelson foi um grande cantor, dos
melhores no campo da música popular desde Vicente Celestino, Silvio Caldas,
Chico Alves, Orlando Silva, o argentino naturalizado Carlos Galhardo e outros mais.
Um
grande.
No
palco, Nelson era impecável.
No
palco Nelson arrasava, no melhor dos sentidos.
Fora
do palco, Nelson era um pecador, grosso, bruto, um mal-educado que arrasava, no
pior dos sentidos.
A
história de Nelson é cheia de mentiras e contradições, de desrespeito e
maltrato as mulheres.
Pode?
Não
pode.
Nelson
não estava preparado para a vida em família, entendem seus biógrafos e amigos
mais próximos, como Marco Aurélio Barroso, autor do livro A Revolta do Boêmio;
e Moacir Fontana, um dos seus mais fiéis seguidores, desde sempre.
Nascido
em Santana do Livramento, RS, de pais portugueses, Nelson viveu na capital paulista
por muitos anos; desde os seis, quando deixou a sua cidade natal.
Em
São Paulo, ele viveu vendendo jornais, engraxando sapatos e fazendo bicos etc.
e tal e atendendo a clientela do bar do irmão Joaquim, Quincas, na esquina da
Alameda Nothmann com a Rua São João, ali perto da Ipiranga famosa da canção do
baiano Caetano.
Eu
o conheci bem.
Nelson
frequentou por pouco tempo os bancos escolares, e nesses bancos pouco aprendeu.
A
vida foi o seu professor.
O
pai, seu Manoel, não era chegado a trabalho e se fingia de cego tocando rabeca
para o filho; ele, Antônio, Nico, o futuro Nelson, cantar sobre caixotes nas
feiras-livres e na Praça da Sé de São Paulo.
Essa
rotina durou até ele, crescido agora chamado Metralha, sair de casa por causa
das provocações sacanas da mãe, dona Libânia, que o chamava de vagabundo puxado
ao pai.
Tinha
uns 18, 19 anos de idade Nelson quando casou e teve dois filhos biológicos.
Os
únicos.
Já
na rua, Nelson tentou a carreira de lutador de boxe; mas um colega de academia,
no Brás, lhe capou a vontade e o fez estéril, com um golpe nas partes pudendas.
Depois
disso, o seu sonho passou a ser cantor.
Com
a ajuda dos amigos Oswaldo e Orlando, compositores em início de carreira,
Nelson gravou um acetato para mostrar que poderia ser um grande cantor ao
mandachuva da extinta Victor, Vitorio Lattari, por recomendação do vendedor de
discos por atacado, Cássio Muniz.
Lattari
gostou do que ouviu, mas não acreditou que fosse dele a voz que ouviu do acetato,
e sem conversa o expulsou da sala, chamando-o de gago e charlatão.
Dois
ou três dias depois, Nelson voltou para se explicar.
O
flautista Benedito Lacerda foi a sua salvação.
sábado, 9 de maio de 2015
BRASIL, POVO E CULTURA
“Trabalhar com
cultura popular em nosso país não dá, é muito difícil”, disse num tom de
desabafo, triste, o cara que deu voz, sorriso e choro à cuíca: Osvaldinho da
Cuíca, de batismo Osvaldo Barro, cidadão paulistano nascido no bairro do Bom
Retiro num dia de Carnaval.
Osvaldinho, desencantado
com o nosso meio musical, acrescentou numa conversa comigo, que está abandonando
a carreira.
Ontem 8, fez
dois meses que a cantora paulistana da Barra Funda , Inezita Barroso morreu. Pouco
antes de eu publicar o primeiro livro a seu respeito (A menina Inezita Barroso;
Editora Cortêz, 72 pags.; 2011), ela me contou que fizera uma longa e proveitosa
viagem por estados nordestinos colhendo ditos, benditos, cantos populares,
coisas do povo enfim. Para colher tudo isso, um tesouro, ela permaneceu na região
por meses. Aliás, foi nessa ocasião que ela, pelas mãos do compositor e pianista
Capiba, iniciou sua carreira profissional no mundo artístico. Conclusão dessa
historieta: ela voltou com centenas e centenas de anotações e, toda feliz, se apresentou
à direção da rádio e TV Record e para sua surpresa as pesquisas que fez não
despertaram nenhum interesse. Decepcionada ela voltou para casa e chorou,
chorou e chorou. Em seguida acendeu a lareira e por horas o fogo engoliu o
motivo de sua decepção. “É duro trabalhar com cultura popular”, resumiu a mais
importante cantora de sambas e do folclore brasileiros.
Hoje faz nove
dias que partiu para Eternidade o cantor e apresentador de rádio e TV Jorge
Paulo Nogueira, o homem do Chapéu de Couro.
Jorge foi um dos
nomes mais conhecidos da televisão e da radiofonia de São Paulo a partir do
começo dos anos de 1960. Ele apresentou programas na Bandeirantes, Gazeta,
Record, Cultura e Globo, com muito sucesso. Por seus programas passaram Jackson
do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marinês, Carmélia Alves, Oswaldinho do Acordeon e
todo mundo.
Você amigo/amiga,
viu ou leu alguma notícia a respeito da morte do Jorge Paulo?
No correr do mês
passado morreram três sanfoneiros famosos: Mangabinha, Camarão e Severo.
Severo
acompanhou por muitos anos o rei do ritmo, Jackson do Pandeiro.
Você amigo/amiga,
viu ou leu alguma notícia a respeito da morte desses artistas?
Pois, infelizmente,
está mais do que provado que trabalhar com cultura popular no nosso país não é
bolinho, não.
Certa vez, no
programa São Paulo Capital Nordeste que apresentei por mais de seis anos na
rádio Capital AM 1040, apareceu de supetão o maestro João Carlos Martins. Como
muita gente ainda lembra, o programa era uma festa só, e transmitido ao vivo para
todo o País. Comigo, naquele dia, estavam Pery Ribeiro, Claudia e o Trio Virgulino,
entre outros artistas. De repente, sorrindo, o maestro pegou a sanfona do Enok
e dela puxou a melodia de Ciranda, Cirandinha.
Ciranda,
Cirandinha é do nosso rico folclore. E aproveito para dizer o seguinte: a
cultura popular, seja de onde for, é de muita importância para a identificação
de um país, pois é a cultura popular na sua essência que dá identidade a um
povo, uma nação. Mas no Brasil, quem poderia entender e chancelar isso, não
entende nem chancela.
E pensar que
toda a obra de Shakespeare é baseada no folclore da sua terra...
Você já ouviu
falar do Instituto Memória Brasil, IMB?
sábado, 2 de maio de 2015
ADEUS, JORGE PAULO
“O Jorge morreu”, disse-me na manhã de hoje, pelo telefone, a querida Nodeci Nogueira, agora viúva do meu compadre Jorge Paulo, o Chapéu de Couro.
A tragédia da perda desse grande amigo ocorreu no último dia 30. Ele foi tragado por um câncer assassino.
Jorge Paulo Nogueira foi um dos maiores cultores e incentivadores da música do Nordeste em São Paulo e no País todo, através dos programas que produziu e comandou nas televisões Globo, Bandeirantes, Cultura e Gazeta e emissoras de rádio.
A sua trajetória profissional nos meios de comunicação foi intensa.
Além de apresentador de rádio e TV, Jorge arriscou-se a navegar na praia dos compositores.
O sucesso que ele fez foi dos maiores, e sem apelação.
Todos os principais artistas do Nordeste passaram pelo palco em que ele foi estrela; mas uma estrela simples, natural, compreensiva. No seu palco coube a presença de artistas iniciantes, como Anastácia, e talentos da grandeza de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Ary Lobo, Gordurinha, Dominguinhos.
Assis, Anastácia e Jorge Paulo
Fora a sua atuação nos diversos meios de comunicação, Jorge Paulo também foi ator de cinema e da cena política nacional, como, primeiramente, vereador em São Paulo e depois Deputado Federal.
Suas campanhas políticas foram embaladas por trilhas sonoras criadas pelo Rei do Baião. Aliás, o Rei do Baião teve sua última participação no cinema no filme Chapéu de Couro, de 1978. Nesse filme, Jorge tem grande atuação.
O corpo de Jorge Paulo Nogueira foi sepultado hoje à tarde no Morumbi.
Viva Jorge Paulo!
sexta-feira, 1 de maio de 2015
ASSIS ÂNGELO: 40 ANOS
Outro dia mexendo no acervo que deu base à criação do Instituto Memória Brasil- IMB, deparei-me com alguns livros e discos datados - e autografados daquela época. Quer dizer: a quatro décadas iniciava a formação desse acervo, considerado um dos pouquíssimos mais importantes do Brasil em mãos de particular.
Nos últimos anos, centenas e centenas de estudantes e pesquisadores profissionais desenvolveram teses e estudos sobre a temática da música e da cultura popular, em geral. Pelo acervo inúmeros grupos de estudantes construíram seus TCC´s, mestrados e doutorados. Já estiveram fazendo pesquisas no acervo, pessoas procedentes de vários países, entre os quais Estados Unidos, Itália, Japão e França. O acervo Assis Ângelo é constituído por cerca de 150 mil itens, incluindo discos de todos os formatos (76,78,33,45), MD´s, fitas cassetes e VHS, jornais e livros centenários, milhares de partituras e fotos de várias épocas e documentos em geral.
Historiadores como José Ramos Tiorão concluíram, no Acervo pesquisas que renderam livros. Ao visitar o acervo o brazilianista Mark Currian, encantado com o que vira, disse que iria desistir de fazer pesquisas sobre a sua especialidade: a cultura popular brasileira. Há muitas histórias amealhadas em torno do acervo. Certa vez o premeadissimo tropetista norte americano Winton Masalys me disse uma coisa curiosa: "Se você fosse norte americano, o nosso governo lhe proporcionaria todas as condições para que você pudesse desenvolver suas pesquisas". Curioso, não? Triste também.
sábado, 11 de abril de 2015
O Brasil continua perdendo.....
O Brasil continua perdendo.....
Mais um ser pensante acaba de nos
deixar: Bárbara Heliodora.
Bárbara -sem trocadilhos-
respeitou até o fim o nome que seus pais lhe deram, á pia batismal.
O Brasil continua perdendo, sim.
Lá no passado tínhamos grandes
nomes das artes que nos nutriam de conhecimentos. Eram escritores como Machado
de Assis e Monteiro Lobato, que além de criarem, escreviam sobre criações de
outros criadores.
Eram autores que escreviam com a
facilidade dos gênios
Lá atrás havia quem criticasse
profissionalmente,
Tanto no campo da literatura,
quanto no campo das artes plásticas etc.
Ainda lá atrás em São Paulo houve
um Mário de Andrade; no Rio Grande do Norte, Luís da Câmara Cascudo; no Rio de
Janeiro....
E assim partiram Mario Pedrosa-
primo de Vandré, sobre quem, aliás, não escreveu nada, Sábato Malgadi e agora
parte a Bárbara uma das melhores inteligências que pensaram Shakespeare.
Você sabia que a base de toda a
obra de William Shakespeare se acha no campo da cultura popular de seu país.
Viva Barbara Heliodora!
Café da manhã
O editor José Côrtez abrilhantou
hoje, com sua presença, o ambiente de estudos do Instituto Memória Brasil, IMB.
Durante e após o café da manhã, ao lado das recém formadas em Serviço Social:
Ana Maria, Nanci Tavares e Patricia Matos. Côrtez contou um pouco da sua
história e da história da editora que criou: Côrtez Editora, que neste 2015
está completando 40 anos de fundação. Côrtez é natural do Rio Grande do Norte.
O primeiro livro da editora foi Metodologia
do trabalho Cientifico de Antonio Joaquim Severino. Esse livro já passa de 1 milhão
de exemplares vendido.
Viva a Côrtez Editora!
segunda-feira, 6 de abril de 2015
DE ECLIPSES E OUTROS MISTÉRIOS
O seis de abril é dia marcante na história do Brasil e do resto do mundo. Nesse dia, um dia como hoje, em 648 A.C. era registrado pelos doidos da época o mais antigo eclipse solar. Os doidos eram os gregos, que hoje comem o pão que o diabo amassou ao se submeterem às rédeas do bloco político-econômico liderado pela Alemanha, França e outros países integrantes da União Europeia, que têm no Euro o seu deus.
Nesse dia e mês, em 1919, logo ali em Pernambuco, boa parte do Nordeste tomava ciência da inauguração da primeira emissora de rádio do País: a Rádio Clube de Pernambuco, que teve à frente o nosso primeiro radialista: Antônio Joaquim Pereira, um dos tantos telegrafistas que atuavam em empresas dos correios. E curiosamente nesse mesmo ano, no Rio de Janeiro, o nosso primeiro grande cantor, Chico Alves, registrava a sua voz em disco.
Francisco de Morais Alves (1898-1952), gravou pela primeira vez, de modo independente, no selo O Popular, a marcha O Pé de Anjo. Essa música (clique abaixo) foi composta pelo polêmico Sinhô, de batismo José Barbosa da Silva (1888-1930).
Essa história de produção de discos independentes é história pra lá de longe, não é mesmo? E pra lá de longe também se acham os mistérios da vida.
Já li e reli o Velho e o Novo Testamento bem mais de uma vez e não encontrei nenhuma descrição da fisionomia - e corpo - do filho de Deus, Jesus Cristo. O que os nossos olhos registram até hoje são versões de grandes pintores de muitos tempos passados, como Michelangelo.
Por que isso?
A vida encerra mistérios que a própria vida desconhece.
Você sabia que a primeira gravação de um cantor no Brasil foi feita em 1902? E que nada ou muito pouco se sabe desse cantor, que entrou para a história da nossa música pelo sobrenome Bahiano?
Você sabia que o primeiro poema gravado em disco no Brasil foi do bahiano Castro Alves?
Você sabia que...
Pois é, sabemos muito pouco de tudo o que ocorreu e ocorre no nosso cotidiano.
Que vivam os mistérios.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
SINÔNIMOS DO BEM-VIVER
Fé,
esperança e amor são sinônimos do bem-viver em qualquer sociedade humana. Com
fé, esperança e amor pode-se viver em paz.
A
Paz é a bandeira da vida.
Pois
é, refletir é o exercício que pode nos tornar melhor.
No
calendário católico há datas de extrema importância na vida cotidiana de todos
nós, como o chamado “Tríduo Pascal”.
O
tríduo começa Sexta Santa, segue no Sábado de Aleluia e termina no Domingo de
Páscoa.
Esse
período é de reflexão, de lembrança, de renovação, fé, esperança e amor por nós
próprios e pelo próximo.
Na
Bíblia é dito que Deus criou o mundo, tudo e todos que nele há, inclusive o seu
Filho que veio bem depois pelo milagre do Espírito Santo.
A
história é comprida.
O
Cristianismo data de dois mil e poucos anos, pelo calendário gregoriano.
No
correr de todo esse tempo, os homens se mataram, se devoraram entre si pelo
poder.
Poder
para que?
E
nessa busca eterna por “tudo” e pelo “nada”, o homem é o que é: que nem um gato
ou macaco passa a vida correndo atrás do próprio rabo.
Com
exceção de rock`n roll - pois sexo tem à vontade -, na Bíblia se acha todo tipo
de história, desde a mulher que engana o homem lhe oferecendo uma inocente maçã,
irmão que mata o irmão e pais ofertando a deuses os próprios filhos a
sacrifício por uma causa qualquer.
O
que eu quero dizer com isso? Simples: a corrupção e outras safadezas existem
desde que o mundo é mundo...
Os
valores humanos do bom viver em sociedade continuam invertidos.
As
narrativas bíblicas mostram que Jesus Cristo foi vítima de uma grande injustiça
em Jerusalém, quando Pilatos, mesmo acreditando na sua inocência, lavou as mãos
e o entregou aos soldados que o torturaram, antes de matá-lo preso a pregos
numa cruz.
Em
resumo: aí está a explicação para a irrefreável busca pelo poder.
Os
poderosos mataram Cristo.
Uma
coisinha: desde moleque, sempre pratiquei o exercício da reflexão. Sempre
questionei tudo que me pareceu sem explicação, como a origem de uma flor, o voo
de um passarinho e as razões que levam um homem a matar um outro.
Desde
moleque, aprendi que Deus está em todo lugar; que Deus é onipresente e que a
Ele devemos tudo, inclusive a vida e o conhecimento.
Estudei
em colégio de padres, fui coroinha, ouvi e cantei benditos e, ao lado de amigos
e familiares, segui procissões.
No
correr do tempo, me ensinaram coisas sobre o profano e o sagrado. Foi quando
aprendi que a cultura popular é algo de extremo valor e importância na formação
de qualquer cidadão.
Para
ilustrar o que digo, clique:
sábado, 14 de março de 2015
QUEM SABE FAZ A HORA....
Caminhando e cantando a paz e a
esperança por um Brasil mais justo para todos que aqui nasceram e que vivem
trabalhando e sonhando.
É isso que acontecerá amanhã em todos
os recantos nacionais, da Paraíba a Oiapoque; do Chuí ao Rio Grande do Norte.
Amanhã o Brasil de todas as idades
estará nas ruas, nas avenidas e nas praças clamando por um dia melhor.
Na segunda metade do século 19, o
baiano Castro Alves, em belíssimo
poema, disse que: “ A praça é do povo / como o céu do condor ”.
Mas uma vez o sonho por um tempo
melhor vem à luz quando o mundo brasileiro decide passear com calma e
naturalidade em busca do seu futuro.
O Brasil é dos Brasileiros
O Brasil é Nosso
No começo dos anos 1950, o bruxo paulista,
de Taubaté, Monteiro Lobato previa
que o Petróleo – ouro negro – seria uma das nossas maiores riquezas.
Certíssimo, não?
E é o que se vê.
Vamos, pois, as ruas amanhã cantando com
calma, paciência e alegria a canção da esperança Pra Não Dizer que não Falei de
Flores?, de Geraldo Vandré?
Ah!, sim: quase que eu ia me
esquecendo que o mês de março, é um mês muito perigoso, pois em 1964, em março
aconteceu o primeiro de abril, que nos deu uma escuridão de 21 anos...
O Brasil amanhã vai as ruas com os seus símbolos de esperança e cantando...
segunda-feira, 9 de março de 2015
O BRASIL CONTINUA CHORANDO, INEZITA PARTIU.
![]() |
| A sensibilidade do artista pernambucano Jô Oliveira nos leva ao céu |
Inezita
Barroso foi uma das mulheres mais incríveis que eu já conheci. Viramos amigos
nem sei bem desde quando, mas seguramente há mais de trinta anos.
Inezita
era uma mulher livre, linda, na sua maneira de ser, viver e compreender as pessoas, todas as pessoas e o mundo. Lembro-me que a mim ela nunca reclamou da sua pessoalidade. Ela era plural e sabia do quão todos somos tão pequenos.
Lembro-me
das muitas conversas que tivemos à beira de copos, na minha e na casa dela. E nos bons restaurantes, claro.
Lembro-me
das suas risadas, gargalhadas que o vento levava.
Lembro-me
das noites – e madrugadas que passamos no inesquecível Parreirinha.
Lembro-me,
sim, daquelas noites alegres e intermináveis ao lado do Miro nos servindo uisquinho
de sempre, sem gelo.
Noites,
belas noites, com Jamelão, Miltinho, Elifas, Arley, Adoniran, Zé Kéti, Silvio
Luiz, Ronald Golias, meus Deus! Quanta gente bonita!
E
ela, Inezita, rindo, cantando e brindando a alegria de viver.
Inezita
viveu todas as vidas.
Lembro-me
de tantas coisas...
Ela partiu no dia em que o mundo se curva à mulher; Corintiana, nesse mesmo dia, 08, o Timão deu de um a zero no São Paulo. ainda nesse mesmo dia à noite, a presidente da República, dona Dilma, foi a televisão para pedir compreensão ao já chumbado povo brasileiro pelos desatinos que tem feito. Foi demais. E aí fico imaginando Inezita olhando para mim com o jeito mais sarcástico do mundo, dizendo: "Tô fora". E Partiu numa gargalhada de fazer inveja ao Jânio.
Para
lembrar, clique: http://tvcultura.cmais.com.br/inezitabarroso/videos/roda-viva-com-inezita-barroso-1998-parte-2-1
Hoje,
no começo da tarde, estive na TV Cultura falando sobre ela com o meu amigo Zuza
Homem de Mello, clique:
Viva
Inezita Barroso!
JÔ
OLIVEIRA
Só
hoje descobri que eu nasci no mesmo dia da Inezita, 4 de março.
Embora
todos meus documentos sinalizem o dia 25 de março, eu nasci de verdade foi no
dia 4. Está registrado no livro de batismo da igreja de N. S. do Amparo, em
Itamaracá.
Abraço,
Jô
-
Jô Oliveira, Pernambucano e amigo desde sempre, era o artista do traço por mim
escolhido para dar vida ao texto que escrevi sobre Inezita Barroso e que,
também com a sensibilidade de Ciro Fernandes ganhou o titulo de A Menina
Inezita Barroso (Cortez Editora 2011).
sábado, 7 de março de 2015
O BRASIL ESTÁ FERIDO, CHORANDO...
O
Brasil está doente, o Brasil está chorando, o Brasil está gemendo cheio de
dores, o Brasil está ferido pedindo socorro.
No
Rio de Janeiro a malária dá as caras sob chuva de balas que matam crianças e
adolescentes.
Em
São Paulo, um surto endêmico já registra muitos mortos.
Em
Brasília, bom, em Brasília há crise de tudo: Energética, econômica, política e
de falta de vergonha na cara.
O
Brasil é uma pérola que há séculos desperta a cobiça dos espertalhões.
O
Brasil tem sobrevivido a todas as invasões, a todas as agressões e infâmias expressas
nas mais diversas línguas aqui aportadas desde Cabral.
Você
sabe meu amigo, minha amiga, qual é a origem da expressão “santo de pau oco”?
Pois
bem?
A
expressão foi cunhada há pelo menos há quatrocentos anos. E surgiu de maneira óbvia
e espontânea quando, os primeiros espertalhões que aqui chegaram. Esculpiram em
madeira imagens de santos escolhidos a dedos e venerados pela Igreja Católica.
Essas imagens eram esculpidas cuidadosamente. Nelas era feito uma cavidade na
qual se escondiam riquezas minerais extraídas da nossa terra e enviadas à
terras de Além-mar. Surgiam ai os primeiros contrabandistas do ouro brasileiro.
Hoje é a desgraceira que se vê.
De
novo estão rasgando o coração de Serra Pelada.
São
muitas as riquezas naturais do nosso País.
No
começo dos anos de 1930, foi desenvolvida uma campanha de alcance nacional para
brecar a ambição desmedida dos ratos viciados em roer não a roupa do rei, mas,
sim, o erário público. A campanha dizia: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva
acaba com o Brasil”.
A
história mostrou o seguinte, nem uma coisa nem outra ocorreu. E é o que se vê
hoje nas grandes estatais como a Petrobras, criada por Vargas em 1953 e tema
musical desenvolvido e cantado pelo rei do baião, Luiz Gonzaga.
Em
1956, Gonzaga compôs Marcha da Petrobras. Clique:
Mas,
eu ia dizendo,
O
Brasil está chorando...
“Santo
de pau oco”, “nem que a vaca tussa”, “a vaca foi pro brejo”, “pingo nos is” e
outras expressões que o povo consagrou continuam hoje na boca das autoridades
que ocupam a presidência da República, o Senado, a Câmara dos Deputados, o STF
etc.
Mas,
um detalhe: as expressões que enriquecem a nossa cultura popular são repetidas à
exaustão por essas autoridades que, curiosamente, nem sabem a origem dessas e
outras expressões que o povo criou.
O
que eu quero dizer com isso?
Simples:
Os gatunos continuam a garfar o produto do suor do povo enquanto a cultura
popular também é expropriada sem que lhe deem o devido crédito ou importância. Isto
é: A cultura popular brasileira continua órfã.
O
Brasil está ferido, o Brasil está chorando.
quarta-feira, 4 de março de 2015
INEZITA BARROSO, 90 ANOS!
Deus
do céu, como esquecer?
A
paulistana Ignez Magdalena Aranha de Lima, que o Brasil sensível e consciente
dos seus valores conhece por Inezita Barroso, é a grande aniversariante do dia.
Ela
conhece a terra como poucos.
Desde
criança, ela passava férias escolares ora numa, ora noutra fazenda de
familiares no interior de São Paulo.
A
menina Inezita, que a molecada do seu tempo chamava de Zita, teve uma infância
pra lá de sadia: ela corria de bicicleta, de patins, jogava bola e no campinho
da várzea do Pacaembu, ali nas proximidades do bairro onde nasceu - Barra
Funda, além de jogar pintava e bordava, pois era literalmente a dona da bola.
Ela
cresceu e virou a grande mulher que todos nos amamos.
Conheço
Inezita Barroso desde OS começos dos anos de 1980, quando passamos a nos
frequentar. Em 2011 eu escrevi A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora), o
primeiro livro publicado a seu respeito.
Inezita,
além de cantora e violeira, estudou e ensinou a arte de tocar piano. Fora isso,
fez teatro e cinema.
A
sua carreira artística começou, pra valer, em Recife, PE, pelas mãos do grande
compositor e também pianista Lourenço Barbosa da Fonseca, Capiba (1904 - 1997).
Cornélio
Pires, paulista de Tietê, foi o primeiro homem a gravar modas de viola.
Inezita, foi a primeira mulher.
A
carreira dela é compriiida!
Viva
Inezita Barroso!
Ah! Ela, durante esses anos todos, tem revelado para a música muita gente boa, como a novíssima Bruna da Viola. Clique:
Quer
saber mais Clique: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular12.pdf
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