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domingo, 14 de fevereiro de 2016

O POEMA DOS OLHOS

Eu sempre gostei de poesia. O primeiro livro de poemas que li tinha como autor o meu conterrâneo Augusto dos Anjos. Eu devia ter ali uns 12 ou 13 anos. Apaixonei-me por essa forma de expressão. E aí li, li, li e continuo cada vez mais encantado com a poesia. Cheguei até a gravar em disco poemas de autores vários, com Zé Ramalho, Elba Ramalho, Jackson Antunes, entre outros amigos.
A Canção do Exílio, que todo mundo sabe de quem é - de Gonçalves Dias - é um poema que me marcou profundamente. No hino nacional, ele está lá. Um pedaço, pelo menos.
Eu gosto de poesia e às vezes até me arrisco a fazer...


O VERBO E O TRAÇO COM TINHORÃO E FAUSTO

A conversa sexta 12 em casa com Tinhorão, para quem sempre abro as portas todas as quartas e sextas com alegria e respeito, girou sobre assuntos vários. Começamos falando sobre Portugal, fado, Dom João VI e guerras napoleônicas. E de repente, adentra o ambiente o cartunista paulista Fausto.
Fausto é meu amigo dos tempos da Folha, Folhetim e da Última Hora do meu querido Oswaldo Mendes, que é jornalista, compositor, ator, diretor de teatro e o escambau.
Fausto é um menino do meu tempo, cheio de prosa; cheio de graça e traço...
E quando o Fausto chegou, a conversa ficou mais rica. E aí falamos sobre os Cruzados ingleses que puseram pra correr, em 1147, os mouros de Portugal. Os caras eram folgados... De cara, Tinhorão arrematou: “os ingleses são sacanas e mostraram isso ao logo do tempo explorando Portugal”.
O danado é que o diacho do Tinhorão se preparou pra falar e escrever sobre História, o que tem feito com extrema ousadia e categoria.
Na fuga planejada da família Real para o Brasil, a Inglaterra teve importância fundamental, inclusive escoltando a esquadra que trouxe ao Brasil cerca de 13 mil portugueses da Corte portuguesa. 
Parceiro é parceiro. 
E a parceria com Portugal, firmada com os ingleses lá atrás, foi cumprida.
Sem a parceria com os ingleses, duas coisas poderiam ter acontecido: ou o medroso e bonachão D. João VI cairia ou ficaria de pé diante da tropa de Napoleão. Mas prevaleceu a covardia do Imperador, que poderia ter vencido Napoleão e permanecido no seu reino.
E falamos, falamos, falamos...
Na conversa entraram Gutemberg, criador dos tipos móveis que revolucionariam a imprensa, em 1492; Lutero, Da Vinci, Michelangelo, Copérnico, Galileu, que pagou pecados não cometidos.
Na nossa conversa entraram muitos temas, como sempre.
Conversar é muito bom.
Teve uma hora que o Fausto perguntou algo que não me lembro, mas que tinha a ver com Nelson Rodrigues.
Tinhorão é personagem da história rodriguiana Bonitinha mas Ordinária.
E quando dei por mim, o Fausto estava desenhando a minha cegueira.
E conversamos sobre música, naturalmente, poesia, jornalismo, religião e até sobre o mosquito Aedes Aegypti; mosquitinho, que chamou à "luta" nossas soldadas e soldados das nossas três forças: Exército, Marinha e Aeronáutica.
Pois é, quem diria, hein?! Um mosquitinho com carinha de besta, vindo da África de 1947, fazer um estrago desse?
Poxa, nos anos 80 eu trabalhava na TV Globo e, naquela época, o mosquito já aperrava todo mundo. As pautas sobre ele davam ibope. O ibope continua e a nossa irresponsabilidade também.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Cordel e Currículo Escolar

Em fevereiro de 1808, Dom João VI e sua família se achavam em terras brasileiras. Fugidos, em decorrência de ameaça de invasão a Portugal por Napoleão, o que se efetivou em dezembro daquele ano.
Dom João permaneceu por cá durante treze anos, voltando a sua terra após a morte de Napoleão, em 1821.
Neste 2016, faz exatamente duzentos anos que João VI foi coroado rei do Brasil.
Por que lembro isso?
Antes de mais nada,  porque fevereiro é quase sempre o mês do carnaval. Mas o carnaval no Brasil antecede a presença da família real na nossa terra.
Em pesquisa que desenvolvi na Biblioteca Pública do Porto, em Portugal, descobri que o Entrudo chegou ao Brasil nos começos do século XVIII. O Entrudo é a forma mais primitiva do que viria a se chamar carnaval.
Em 1808, Portugal era na sua decadência um país completamente dependente das riquezas do Brasil. Era muito lixo, lixo de todo tipo atirado nas ruas, nas calçadas. Daí, talvez, a “inspiração” ou origem do Entrudo por lá trazido pra cá. Os “foliões” praticantes do Entrudo atiravam sujeira, incluindo excrementos nas pessoas.
Em 1840, a coisa começa a mudar nas ruas do Rio de Janeiro, sede da corte. Grandes bailes eram feitos nos palácios e nos sítios ou fazendas da aristocracia. O primeiro baile de carnaval, por exemplo, data desse tempo. Os cordões e blocos vêm em seguida. O Entrudo permaneceria por mais algum tempo. Isso é história.
Por falar nisso, o governo está anunciando drásticas mudanças no currículo escolar. Drásticas mesmo. Os luminares da República estão excluindo desse currículo os autores portugueses, por exemplo. Estão excluindo a história clássica. Nada da Grécia, nada de Roma, nada de Portugal.
Se criminosamente for efetivado esse currículo, nossas futuras gerações deixarão de saber quem foram Eça de Queiroz, Camões, Pessoa, Antero de Quental, Branquinho da Fonseca, Camilo Castelo Branco, só para citar alguns. Ficarão também sem saber nada de nada sobre a Desgarrada, que aqui transformamos em poesia de repente, de improviso; e Literatura de Cordel...
Há alguns anos, eu disse em entrevista ao Jornal The Guardian, de Londres, da importância da Literatura de Cordel na Europa e no Brasil. Claro, citei Camões, os decassílabos de Camões, maravilhosos! Aqui mesmo no Brasil temos grandes cordelistas como os paraibanos Silvino Piraua e Leandro Gomes de Barros.
Essa história de mudar o currículo escolar é muito séria. Não se pode mudar um currículo desse porte de uma hora para outra. Parece que se faz isso tudo a calada da noite, propositalmente. Por que se faz isso? Não se pode por num currículo escolar a ideologia de um partido político, isso é crime.
No Brasil de hoje ainda há mais de 12% de analfabetos completos e algo em torno de 25% de analfabetos funcionais.
Para onde vamos?
Dom João VI veio para o Brasil e voltou para a sua terra, onde morreu.
A herança portuguesa no campo cultural é rica, muito rica.
O que será do brasileirinho que está chegando?
Ai, de nós!
Assim, em 2006 proferi palestra de encerramento de um seminário no Congresso Nacional. Na ocasião, propus que a música voltasse ao currículo escolar. A proposta foi aceita e virou lei, uns dois anos depois, mas essa lei até hoje não foi devidamente aprovada. Fui procurar saber e lá em Brasília me disseram que não há pessoal capacitado para a matéria.
É o fim do mundo, ou do Brasil.

Amanhã, nos Sambódromos do Rio e de São Paulo tem mais desfiles de Carnaval.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PATATIVA, LUIZ GONZAGA, JOSÉ CORTEZ, GLOBO E CARNAVAL


Nesta terça-feira gorda, acordei, não sei por que, pensando no poeta do Assaré, o Patativa.

Patativa não compôs nada sobre o Carnaval, mas o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, sim. Gonzaga, por exemplo, compôs com Humberto Teixeira a marcha “Meu Brotinho”, sucesso na voz de Francisco Carlos, que ficou conhecido como El Broto.

No último dia 1º, permaneci durante hora e meia falando sobre Carnaval e outras coisas no estúdio da CBN, cá em Sampa. Foram muitas as pessoas do Brasil e do exterior que entraram no site da emissora fazendo perguntas. Da França teve alguém que perguntou sobre a relação da literatura de cordel com o Carnaval. Relação direta, nenhuma. Mas essa é outra história. De qualquer modo, clique: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-noite-total/2016/02/01/HISTORIA-DO-BRASIL-E-DO-CARNAVAL-E-MUITO-MAIOR-DO-QUE-O-PUBLICO-CONHECE.htm

Meu amigo Vitor Nuzzi acaba de abrir meus e-mails e, de supetão, damos de cara com uma mensagem de um velho amigo meu, lá da Paraíba: Alarico Correa Neto. Que, se dependesse dele e de outro amigo, Evandro Nóbrega, eu nem estaria em São Paulo, pois ambos, junto com Jurandy Moura, fizeram de um tudo há 40 anos para que eu, da terrinha querida – João Pessoa –, dela não saísse.

A mensagem de Alarico trouxe no anexo um vídeo de uma garotinha chamada Laís Amaro, 10 anos, cantando e se acompanhando à sanfona que nem gente grande. Sim, a Laís, já grande no talento, é incrível. Laís é do sertão paraibano, Cajazeiras. Ouçam-na:



Mas eu disse que acordei pensando no meu querido Patativa, sobre quem, aliás, escrevi o livro “O Poeta do Povo – Vida e Obra de Patativa do Assaré”. Eu andei gravando algumas coisas do velho Patativa, como “Maria Gulora”, acompanhado pelo talento do mineiro Téo Azevedo.

Pois bem. A pequena Laís interpreta à sanfona o baião imortal do também imortal Gonzaga (e Humberto Teixeira) “Qui nem Jiló”. Essa música foi originalmente gravada no dia 5 de janeiro de 1950 no estúdio da extinta Victor, no Rio de Janeiro.

Patativa nasceu no dia 5 de março de 1909. Patativa começou a fazer poesia aos 8 anos de idade, quando ouviu alguém declamando um folheto de Leandro Gomes de Barros, que desde então virou seu ídolo. Leandro(1865-1918) morreu um dia antes de Patativa completar 9 anos.

Enquanto eu pensava no Patativa, e, de tabela, Luiz Gonzaga, o telefone toca: é o amigo José Cortez, da Cortez Editora, nos convidando, a mim e a Ana Maria, minha filha, para almoçar num restaurante recém-inaugurado, no bairro paulistano do Pacaembu (Rua Traipu, 91, telefones 4306-2078/2082, www.baiaocozinhanordestina.com.br). No restaurante Baião comemos um belíssimo baião de dois. Não por coincidência, foi a composição primeira que marcou a vida de Luiz Gonzaga; e “Baião de Dois” é música de Gonzaga (e Humberto) que hoje faz parte dos clássicos da música popular brasileira.

Eu gostei do que comi. E a cervejinha estava também muito boa. Poxa, esse Cortez é do balacobaco! Como todo mundo sabe,  o mineiro Juscelino Kubitscheck ficou famoso como “pé de valsa”, e Cortez já entrou também para a história como um “pé do forró”. O cabra dança que nem uma carrapeta num salão de forró! E mais, muito mais importante, José Cortez é um apaixonado pelo Brasil mais profundo; o Brasil pé no chão, o Brasil povo, o Brasil gente, o Brasil que pensa, o Brasil que chora, o Brasil que lê. José Cortez é daqueles brasileiros que a gente sente orgulho de tê-lo como amigo, de tê-lo nas proximidades, de saber que nele há um cais, há uma âncora. Viva José Cortez!



Ah, eu ia esquecendo. No restaurante Baião há música ao vivo, e hoje lá estava Fernandinho do Acordeon, cantando e tocando com seus músicos um repertório muito bonito, baseado em Luiz Gonzaga.

Em 1964, só para arrematar essa história, não custa lembrar que Luiz Gonzaga lançou, de autoria de Patativa, a obra-prima popular “A Triste Partida”, espécie de hino do povo nordestino.



ESCOLA DE SAMBA

No texto anterior, aí de baixo, eu falo do fim das escolas de samba. Elas agonizam, essa é a verdade. Eu afirmei e reafirmo que no dia em que a TV Globo decidir não mais transmitir os desfiles do Rio e de São Paulo as escolas darão o seu último suspiro e cairão que nem um Pierrô traído pela Colombina. E tudo acabará em cinzas, isto é: em compacto.

Quer ver? Ontem mesmo, que nem um babaca, fiquei diante da telinha de fazer doido, como diria Stanislaw, esperando o início da transmissão dos desfiles do Rio. Mas cadê? A Globo engoliu a transmissão da escola que abriu a segunda noite na Sapucaí: Vila Isabel. Pobre Noel, de bela memória e obra inesquecível. Aqui em São Paulo, acaba de sair o resultado deste 2016. A vencedora foi a escola Império de Casa Verde, com samba-enredo que trata dos mistérios da vida. 

Do primeiro grupo, caíram as escolas Pérola Negra e X-9 Paulistana. Aliás, na X-9 tive a experiência de desfilar em 2010 (abaixo). O tema abordado na ocasião foi a língua portuguesa.


O cantor Roberto Leal, Álvaro Alves de Faria, Celso de Alencar, Luiz Roberto Gudes... 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

AS ESCOLAS DE SAMBA ESTÃO NO FIM

Nenhuma escola de samba do Rio de Janeiro ou de São Paulo abordou como temática o mosquito da dengue, que é também da zika e do chikungunya. É o mosquito da moda que ora inferniza o Brasil e boa parte do mundo. Só em Ribeirão preto, quase mil casos foram registrados; desses, cento e quarenta foram confirmados como zika em grávidas. É epidemia o que estamos vivendo.
Nos Estados Unidos da América do Norte foram registrados um caso de zika em grávida e cinquenta suspeitos. Obama, o homem lá deles, acaba de pedir que o Congresso libere um bilhão e oitocentos milhões de dólares para matar no nascedouro o mosquito Aedes.
Enquanto isso cá na nossa terrinha, Dona Dilma não libera nada e nem pede ao Congresso que libere grana para combater o bom combate contra o mosquito. Ela fez o seguinte: marcou reunião com Ministros para discutir a questão no próximo sábado. Nesse dia homens e mulheres das três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica) deverão sair às ruas para dar tapas no mosquito. Quem diria...
As principais escolas de samba que invadem os sambódromos não abordaram a temática da roubalheira generalizada que ora assola este País achado há quinhentos e poucos anos pelo navegador português Pedro Álvares Cabral e celerados autorizados por Don Manuel a acompanhá-lo na aventura que deu no que deu. Peraí, eu disse que nenhuma escola desfilou com a temática de roubalheira. Minto. Uma saiu, sim: a Mocidade Independente de Padre Miguel que levou à Sapucaí o idealista Don Quixote, de Cervantes, que ficou chocado com a onda tsunâmica de corrupção que presenciou.
Aliás, essa coisa de escola de samba já deu tudo que tinha de dar. Primeiro por que o povo já não participa delas. Escola de samba é para elite e turistas. E para a televisão, especialmente a Globo. Se a Globo decidir que não vai mais transmitir os desfiles das escolas do Rio e de São Paulo, elas acabam.
E isso não vai durar muito. Você sabe, amigo, quanto o Ibope registrou de audiência ontem para a Globo no horário em que transmitia o desfile carioca? Anote aí: 9%. E sabe o que eu acho?

Ano que vem a Globo não vai transmitir o desfile.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

TINHORÃO, 88. É CARNAVAL!

O cantor Roberto Luna e seu colega Roberto Seresteiro (foto: Aline Pereyra)

Neste Carnaval, a população de Recife vai às ruas em mais de 700 blocos. Só o Galo da Madrugada, que está homenageando o japonês da PF e o juiz Sérgio Moro, arrastará cerca de 2 milhões de foliões.
No Rio de Janeiro, o povo e abastados foliarão em mais de 500 blocos. Só o Cordão do Bola Preta, que ontem deu zica (quer dizer, o pau cantou), levou às ruas mais de um milhão de bolapretenses.
Em São Paulo, com grana da Prefeitura, a folia em blocos vem registrando algumas centenas de milhares de gente do povo em movimento. Nesta ex Terra da Garoa há coisas engraçadas, hilárias, fantásticas, que deixariam o inspirado pintor Salvador Dali, com suas ideias excêntricas, parecendo meras obviedades. Hoje, no pino do meio-dia, um cara com barbas enormes, de saltos altos, peruca de longos cachos se espalhando pelos ombros e trajando um vestido transparente, sacava com ar angelical uns trocados num caixa eletrônico no bairro de Santa Cecília. Era como se fosse uma figura desgarrada de um desses blocos em moda.
Coisas de Carnaval.
Em Brasília, a eterna Ilha da Fantasia, o bloco Baby Doll de Nylon arrastou ontem 65 mil “virgens”. Foi notada a ausência da Dilma.
O causo é o seguinte: o povo criou as Escolas de Samba que os cartolas assumiram. Sem opção, o povo está dando o troco, criando e recriando cordões e blocos afora.
É Carnaval. Nessa época muita gente boa nasceu: Inezita Barroso, Osvaldinho da Cuíca e Tinhorão, de batismo José Ramos.
José Ramos Tinhorão nasceu no dia 7 de fevereiro de 1928, na cidade paulista de Santos. Seus 88 anos foram motivo, ontem, para que os grupos Terreiro de Mauá e Terra Brasileira comparecessem à Vila Buarque –no centro paulistano- para tocar o genuíno samba brasileiro. Tinhorão era uma alegria só, contrastando com a imagem de sisudo que lhe fazem. Com amigos ele tomou umas e aceitou todos os votos de parabéns, antes e depois de cortar e dividir o bolo, decorado com uma caricatura sua. Entre os amigos, Pelão, Barão do Pandeiro e Roberto Luna, a grande voz do bolero que por muito tempo encantou muita gente e continua encantando...
É Carnaval!

Luna e Tinhorão se cumprimentam, às vistas do Assis... (foto: Magali)
                              

BATICUMBUM
A mesmice das escolas de samba, incluindo enredo e parangolés, repetiu-se em São Paulo e certamente se repetirá hoje e amanhã no Rio de Janeiro. Os desfiles, desde há muito, servem basicamente para estrelas de meia tigela brilharem por instantes. Andy Warhol já falou disso, dos quinze minutos de fama de abestados. Nessa última noite, no sambódromo paulistano, uma candidata ao estrelato repentino, arrancou as vestes, mínimas, para gáudio dos fotógrafos e cinegrafistas. Mas, como num passe de mágica, uns fortões da escola em que ela desfilava (Unidos do Peruche), entraram em ação, retirando-a da pista. Numa boa? O objetivo ela alcançou.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O Brasil do Carnaval

O meu bloco é legal.
É melhor do que o teu.
No meu bloco tem o Japa
Grampeando o Zé Dirceu.

O Japa e Sérgio Mouro
Estão nas ruas, em ação
Caçando cabra safado
Que roubaram a Nação

O Brasil está doente. A doença é grave, o paciente geme. O paciente está atordoado e, aparentemente, abandonado.
O Brasil está doente, geme e o agridem de todas as formas.
Skindô!
Em algumas regiões do Brasil, o carnaval começou em janeiro. Janeiro do ano passado. Na Bahia, por exemplo, os baianos dançam, dançam e dançam  sem se cansar. Quanta alegria! Será mesmo alegria o que os foliões que dançam o ano inteiro sentem?
O Brasil está doente, o Brasil está sendo ludibriado.
Na avenida, as escolas de samba se preparam para apresentar seus enredos e baticumbuns com passistas radiantes enfeitiçando e despertando a gula dos foliões. É um bonito espetáculo.
Sem dúvida, é bonito o espetáculo que normalmente as escolas apresentam na avenida. De repente, personagens históricos do mundo todo ressurgem como num passo de mágica, do nada.  Cabral, por exemplo, e Tiradentes, Calabar, Nassau e Chica da Silva já apareceram  dessa forma com suas particularidades aos olhos de todo mundo. Agora mesmo quem vai aparecer é o Dom Quixote em mágica dos carnavalescos da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

Confira:





Se eu gosto dos carnavais de hoje? Se eu gosto ou não gosto, essa não é a questão. A questão é o carnaval de hoje, com muito luxo e dinheiro, é feito para os olhos e prazer dos turistas. Nessa,  o povo está de fora. E lembrar que a escola – incluindo a expressão – foi criada pelo povo, doi. A primeira escola chamou-se Deixa Falar.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

SURPRESAS COM TINHORÃO E FAUSTO

Hoje faz um mês e dois dias que entrou em vigor uma lei que inclui os excluídos, como eu que fiquei cego.
Os excluídos no Brasil são muitos e poucos os que lutam para trazer à tona os que estão fora do social.
Os excluídos da vida real são muitos.
Mas não é exatamente sobre esse assunto que ora quero falar.
Pois é, hoje foi uma tarde maravilhosa.
Recebi muitos telefonemas me parabenizando pela entrevista de hora e meia, ao vivo,  que dei a jornalista Tania Morales, no programa que ela comanda: CBN Noite Total.
A entrevista ainda pode ser acessada no site da CBN www.cbn.com.br   Até eu gostei.
Inesperadamente, no meio da tarde, chegou um dos meus queridos amigos que eu não via e nem falava há muito tempo: Fausto.
Fausto, tudo mundo sabe, é um dos mais informados, criativos e originais cartunistas que o Brasil já deu. Eu o conheço há uns 40 anos.
E começamos a falar sobre tanta coisa que nem eu mais lembrava.
 Falamos sobre música, política, economia, futebol, jornalismo, poesia, romance e até de Roberta Close que muitos homens desejaram antes de descobrir que ela era ele.
O Fausto é engraçado, como todos os humoristas normalmente o são.
E Falamos e lembramos ainda de nomes que conosco conviveram no tempo em que jornal se fazia com jornalista.
Lembramos Luís Gê, Angeli, Jota ( Jotinha ), Ptchó,  Ziraldo, Jaguar, Sérgio Porto (Stalislaw Ponte Preta ), Barão de Itararé e Oswaldo Mendes.
Quanta lembrança!
E muita coisa triste também foi lembrada nessa conversa de rememorização com Fausto, como a morte planejada do criador do personagem o Amigo da Onça ( Péricles) e tanta gente  igualmente tão importante para a cultura brasileira: Torquato Neto, Marcus Pereira, Assis Valente...

E de repente chegou a nossa conversa o mais importante historiador do Brasil: José Ramos Tinhorão, um santista que desenvolveu a carreira profissional na imprensa carioca e que no próximo domingo 7 completará 88 anos de brasilidade. E entre uma cachacinha e outra falamos até de Câmara Cascudo e Edson Carneiro.
E a conversa seguiu.
Você já leu o belo e instigante romance Fausto, do alemão Goethe?
Pois é, histórias com gente que sabe de histórias só acrescenta à história.
Falamos de África, Portugal, Espanha, Holanda...
Achei engraçado Tinhorão fazer referencias à teorias a ver com a construção das pirâmides egípcias e dos Moais da Ilha de Páscoa.
Em março Tinhorão lança mais um livro, dessa vez destruindo o mito Rei do Gongo.
Ninguém perde por esperar.

Rômulo Nóbrega
O paraibano Rômulo está gravando para disponibilizar para cegos o livro Pra Dançar e XaXar na Paraíba: Andanças de Rosil Cavalcanti, que ele escreveu em parceria com José Batista Alves. Estou aguardando com ansiedade esse presente. O livro de Rômulo e José é o promeiro sobre Rosil, um pernambucano nascido há 100 anos Rosil é o autor da obra-prima Tropeiros da Borborema, que Luíz Gonzaga gravou.




 Hoje faz um mês e dois dias que entrou em vigor uma lei que inclui os excluídos, como eu que fiquei cego.
Os excluídos no Brasil são muitos e poucos os que lutam para trazer à tona os que estão fora do social.
Os excluídos da vida real são muitos.
Mas não é exatamente sobre esse assunto que ora quero falar.
Pois é, hoje foi uma tarde maravilhosa.
Recebi muitos telefonemas me parabenizando pela entrevista de hora e meia, ao vivo,  que dei a jornalista Tania Morales, no programa que ela comanda: CBN Noite Total.
A entrevista ainda pode ser acessada no site da CBN www.cbn.com.br   Até eu gostei.
Inesperadamente, no meio da tarde, chegou um dos meus queridos amigos que eu não via e nem falava há muito tempo: Fausto.
Fausto, tudo mundo sabe, é um dos mais informados, criativos e originais cartunistas que o Brasil já deu. Eu o conheço há uns 40 anos.
E começamos a falar sobre tanta coisa que nem eu mais lembrava.
 Falamos sobre música, política, economia, futebol, jornalismo, poesia, romance e até de Roberta Close que muitos homens desejaram antes de descobrir que ela era ele.
O Fausto é engraçado, como todos os humoristas normalmente o são.
E Falamos e lembramos ainda de nomes que conosco conviveram no tempo em que jornal se fazia com jornalista.
Lembramos Luís Gê, Angeli, Jota ( Jotinha ), Ptchó,  Ziraldo, Jaguar, Sérgio Porto (Stalislaw Ponte Preta ), Barão de Itararé e Oswaldo Mendes.
Quanta lembrança!
E muita coisa triste também foi lembrada nessa conversa de rememorização com Fausto, como a morte planejada do criador do personagem o Amigo da Onça ( Péricles) e tanta gente  igualmente tão importante para a cultura brasileira: Torquato Neto, Marcus Pereira, Assis Valente...

E de repente chegou a nossa conversa o mais importante historiador do Brasil: José Ramos Tinhorão, um santista que desenvolveu a carreira profissional na imprensa carioca e que no próximo domingo 7 completará 88 anos de brasilidade. E entre uma cachacinha e outra falamos até de Câmara Cascudo e Edson Carneiro.
E a conversa seguiu.
Você já leu o belo e instigante romance Fausto, do alemão Goethe?
Pois é, histórias com gente que sabe de histórias só acrescenta à história.
Falamos de África, Portugal, Espanha, Holanda...
Achei engraçado Tinhorão fazer referencias à teorias a ver com a construção das pirâmides egípcias e dos Moais da Ilha de Páscoa.
Em março Tinhorão lança mais um livro, dessa vez destruindo o mito Rei do Gongo.
Ninguém perde por esperar.

Rômulo Nóbrega
O paraibano Rômulo está gravando para disponibilizar para cegos o livro Pra Dançar e XaXar na Paraíba: Andanças de Rosil Cavalcanti, que ele escreveu em parceria com José Batista Alves. Estou aguardando com ansiedade esse presente. O livro de Rômulo e José é o promeiro sobre Rosil, um pernambucano nascido há 100 anos Rosil é o autor da obra-prima Tropeiros da Borborema, que Luíz Gonzaga gravou.




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

FOGO APAGA A MEMORIA DA CULTURA POPULAR

1, 2, 3 e 4.
Pois é, o fogo invadiu a Cinemateca pela 4º. Foi hoje, no começo da manhã. Naturalmente, parte da memoria do cinema nacional foi para o vinagre. Ainda não se sabe  a causa do incêndio e nem os rolos de filmes, fotos, jornais, revistas e maquinas que as labaredas engoliram. Mais com certeza houve prejuízo, e não dos pequenos.
Tudo isso poderia ser evitado, mais não foi. Como também não foi evitado o incêndio que devorou recentemente o museu da língua portuguesa, na Luz.
Os incêndios no Brasil são fogo. Desculpem-me o trocadilho, mas não dá para ficar quieto diante dás gestões irresponsáveis tão comuns entre nós.
Qual será o próximo alvo do fogo?
Ano passado, o fogo visitou e destruiu totalmente o teatro do Memorial da América Latina,
Que até agora não foi refeito. A justificativa é: não a verba. Enquanto isso, a memoria da cultura brasileira vai se extinguindo pela irresponsabilidade humana.
Não basta construir espaços memorias: é preciso fazer manutenção, e de tudo isso é o custo mais barato...
E o MASP em? Boa parte da historia da pintura do mundo se acha lá, e se o fogo resolver dar um pulinho lá na calada da noite, hein.
Não podemos esquecer, jamais, que o brioso corpo de bombeiros e sempre chamado depois que o fogo da às caras.  
O instituto memoria Brasil guarda no seu acervo mais de 150 mil itens referentes à cultura popular brasileira, entre esses itens, se acha um depoimento exclusivo do nosso mais importante folclorista, Camara Cascudo (abaixo). Esse acervo despertou interesse do Ministro da cultura, Juca Ferreira. O interesse foi expresso no sentido de preservação. Mais até agora...

Você conhece o instituto memoria Brasil?  http://www.institutomemoriabrasil.org.br


domingo, 31 de janeiro de 2016

VIVA JOÃO CARLOS MARTINS

Belo e tocante foi o programa que a TV Cultura apresentou ontem a noite sobre João Carlos Martins, que como pianista especializado em Bach levou o nome do Brasil para boa parte do mundo, incluindo os EUA e China. Aliás, guardo comigo ainda um belo programa de um concerto na terra de Mao Tse Tung.
João Carlos Martins foi vítima do acaso, quando participava de uma pelada no Central Park, em Nova Iorque, no fim dos anos 60. No decorrer da partida, uma pedrinha malvada penetrou em parte delicada do seu braço direito, na altura do cotovelo. Esse acidente o levou a muitas cirurgias, que o fizeram a voltar ao piano em momentos diferentes.
O drama de João emocionou muita gente.
João, o "Jão" como chamava nosso amigo Eleazar de Carvalho, chegou a se apresentar no Carnegie Hall, interpretando Concerto Para Mão Esquerda, de Ravel. Mas o Jão de Eleazar não desistiu e hoje está num crescendo na atividade de maestro, atividade cuja a orientação recorreu ao nosso Júlio Medaglia.
Ouvindo o programa sobre sua vida na TV Cultura, lembrei de momentos bonitos que tive na sua casa junto com a sua companheira e o amigo jornalista, Chico Pinheiro.
Na minha casa também tive a oportunidade de compartilhar com ele alguns momentos, como na casa do seu irmão Ives Gandra.
Saudade.
João é um vencedor.
João está se superando, como exemplo de vida.
Conheço isso, pois fiquei cego... Mas não perdi a visão, se me entendem.
Há dois ou três anos, João foi tema de enredo da escola de samba Vai-Vai. Com ele, a escola ganhou, e os foliões também.
Viva João Carlos Martins!



CBN NOITE TOTAL

Amanhã, segunda, estarei conversando com ouvintes no programa CBN  Noite Total. Vou falar de carnaval, de cultura, de história, de Brasil, gente, povo, vida. Até amanhã a partir das 21 horas na rádio CBN.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

OSVALDINHO DA CUÍCA E ROLLING STONES

As comemorações pelos 462 anos de fundação da cidade de São Paulo encerradas ontem com uma missa na Catedral da Sé resultaram em chingamentos ao prefeito Haddad e ao governador Alckimin, proferidos por um grupo deminuto de pessoas identificadas como integrantes do recém criado movimento Passe Livre. Ai tem coisa, mas não é disso que eu quero falar.
Comemorar a fundação da Metropole Paulistana sempre será importante.
No correr de duas decadas desenviolví uma pesquisa pioneira que resultou em mais de três mil títulos musicais que tratam das belazas e feiuras e maravilhas e decepções referenrtes à cidade fundada por Nóbrega e Anchieta. Nesses momentos comemorativos sempre são exaltadas as origens da cidade. Isso, claro, é positivo,
Em qualquer tempo, é importantíssimo sabermos sobre a aldeia em que nascemos.
São Paulo é uma babel.
São muitos os incrívies personagens que habitam ou habiram a vida paulistana, entre os quais Dionísio Barbosa, Mário de Andrade, Inezita Barroso, Paulo Vanzolini, Geraldo Filme, Adoniran Barbosa, Francisco Bezerra de Meneses e tantos e tantos outros que deixaram uma obra e uma trilha de fundamental importância para sempre. Esses personagens já partiram mas há outros igualmente importantes convivendo entre nós.
Inezida nasceu num dia de carnaval e o carnaval está chegando, dessa vez sem ela (1925-2015).
Na proxímo mês, mais precisamente no dia 12, Osvaldinho da Cuíca completará 76 anos de idade. Osvaldinho é uma espécie de cridor ou recriador da cuíca como instrumento de valorosa importancia musical em qualquer meio que a percussão seja convocada pra se mostrar.
Nascido na região do Bom Retiro, mesma região em que nasceu o Corinthians em 1910, Osvaldinho já tem construida uma obra musical de referência e reverência. Mas, nunca eu o encontrei tão alegre e produtivo. Disse-me ele, sábado passado, que está compondo como nunca. "de novembro(2015), já compus uns cinquenta sambas".
Alegre como nunca, Osvaldinho conta que acabou de receber um convite para voltar a se apresentar em Okinawa, Japão, onde esteve á menos de um ano "vou participar de um grande evento musival em prol da paz mundial, que esta sendo organizado pelos japoneses", disse-me. "será uma especie de We are the world. a minha parte eu já compus."
Á beira de completar 76 anos Osvaldinho também acaba de receber convite dos ingleses Rolling Stones. "nem sei bem o que eles querem fazer comigo no palco, mas no dia 25 do mês que vem, eu começo a gravar um clipe pra eles".
Osvaldinho está compondo sambas com endereço certo: Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Bethe Carvalho.
Osvaldinho tem várias musicas que tratam da cidade de São Paulo e seus bairros, como Santo Amaro berço do Samba da Vela.
Viva Osvaldinho da Cuíca! 

       

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

CARTA A DEUS E HINO A SÃO PAULO


Querido Deus,
Aqui no Brasil, terra que você conhece muito bem, vivemos uma confuzão enorme. Parece uma Babel, onde todos dizem tudo e ninguém se entende.
Só se fala em crise, crise disso e daquilo. É crise por todo lado. Até quem espirra demais, ou acha que espirra demais,  diz como justificativa que está em crise. E tudo isso começou, com a ascenção de dona Dilma à segunda etapa de um governo que acaba de completar neste janeiro cinco anos de muito desacerto e polêmica. Dizem as más linguas que sua última campanha, de 2014,  recebeu reforço de caixas dois, três, quatro, cinco...
Com o perdão da palavra Deus, é crise como o diabo!
As crises que vivemos aqui na terrinha onde você nasceu, se multiplicaram - e continuam a se multiplicar -com milões de denuncias que levaram à abertura da Operação Lavajato,comandada  pelo temido  doutor Mouro. Até o ex presidente Lula está correndo o risco de cair na malha da Lavajato.
Os blocos carnavalescos espalhados  Brasil afora estão deitando e rolando, mostrando a "cara" dos poderosos milionários "esfarrapados" que ora curtem a contragosto "temporadas" atrás das grades "liberadas" pela justiça. Eskindô, eskindô! Os blocos estão ressucitando as marchinhas e gozando a cara dos corruptos.
Meu Deus querido, a situação aqui no seu berço natal está demais e muito perigosa, é o que achamos.
O Lula diz pra todo mundo ouvir que não há "viva alma" mais honesta do que ele. Dizer isso não seria uma heresia, um pecado sem perdão? Enquanto isso, dona Dilma diz um monte de besteira, incluindo aquela da mandioca.
E é crise, crise, crise, é crise que não acaba mais.
A onde vamos parar, você poderia nos dizer?
Teremos salvação, Deus?
Sábado, na hora do Jornal Nacional, descobrí que a nossa querida Inezita Barroso continua vivinha da silva. Ela continua  elegante e rindo graciosamente entanto apresenta seus convidados; no caso, a dupla Divino e Donizete e o compadre Renato Andrade, que você me permitiu conhecer e fazer dele um amigo. Foi nessa hora, que o querido Osvaldinho da Cuíca pateu à porta me trazendo a alegria da sua presença, conversamos, conversamos e concluimos que Inezita continua a apresentar o programa mais importante da televisão brasileira: Viola Minha Viola. Ma-ra--vi-lho-so!
Como você já deve ter percebido, Deus, estou lhe escrevendo esta carta por duas razões: Para dirimir dúvídas e, de certo modo, homenagear os carteiros que hoje vive o seu Dia, no mais  hoje é o dia da conversão do Apóstolo Paulo, que antes foi Saulo, perseguidor implacável dos cristãos no tempo em que o Cristianismo era apenas uma espécie de ceita. A propósito, atraves de Nóbrega, Paulo emprestou seu nome à cidade que me adotou e que também adotou o amigo Peter Alouche, autor, com Téo Azevedo, da obra-prima São Paulo de Todos Nós, que recomendo ao prefeito Hadadd que a oficialize como hino da nossa Paulicéia Desvairada como dizia Mário de Andrade. E sugiro isso por uma razão: a cidade de São Paulo não tem hino oficial.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

DECLARAÇÃO DE AMOR A SÃO PAULO

                                             DECLARAÇÃO DE AMOR A SÃO PAULO

Segunda-feira é dia de São Paulo. Dia do santo e da cidade que Nóbrega e Anchieta fundaram nos idos do Séc XVI.
Naquele tempo, ou pouco antes, os portugueses diziam que no Brasil tinha índio a dar com pau. Eles diziam isso e acreditavam, tanto que depois foi o que se viu.
Caminha, que acompanhava Cabral no achamento da região, mandou carta ao seu rei dizendo que, além de índios, havia por cá tudo de bom, tudo de ótimo. E dizia também que nessa terra “em se plantando tudo dá”.
E deu no que deu, incluindo os desmandos por Cabral aqui plantados.
Não gostei de ouvir o pernambucano Lula da Silva dizer que é ele a única “alma viva”, honesta, ilibada, etc.
Bom, mas os primeiros portugueses que desembarcaram em nossas terras, trouxeram algumas coisas boas, como a folia de reis, o cordel e a desgarrada.
Os mesmos primeiros portugueses que aqui desembarcaram, também trouxeram violência e sede no pote; isto é, destas terras extraíram riquezas que alimentaram, mas não saciaram, a sede pelo poder.
No Séc XVI São Paulo era província e a capital do que hoje chamamos de Brasil era Salvador.
Daquele tempo até o tempo atual, muitos brasileiros morreram na unha dos invasores desta terra Brasilis.
De pequenina, São Paulo cresceu, e se tornou na 4ª ou 5ª maior capital do mundo.
Segunda, São Paulo completa 462 anos.
Por duas décadas desenvolvi uma pesquisa que resulta hoje em cerca de 3 mil títulos musicais que tratam desta incrível cidade.

Eu adoro São Paulo
São Paulo me faz bem
São Paulo me enaltece
E eu a enalteço também...

Viva minha São Paulo
São Paulo minha querida
Parte da tua história
Faz parte da minha vida

Eu andei fazendo uns versos, uns poemas, sobre a cidade de São Paulo. São Paulo já foi cantada de todas as formas e em versos diversos. Se vocês procurarem no Google ou no youtube, certamente acharão projetos especiais que andei desenvolvendo, como ROTEIRO MUSICAL DA CIDADE DE SÃO PAULO.

CHICO BUARQUE

O cantor e compositor Chico Buaqrque de Hollanda é um grande brasileiro. Outro dia o desacataram à saída de um restaurante no Rio de Janeiro. Achei um horror e disse isso num dos textos aqui publicados. Agora tomo conhecimento que Chico autorizou seus advogados a processar as pessoas que o ofenderam, no que faz muito bem. É por essas e outras que o nosso país por muita gente é mal visto lá fora. Aliás, Chico Buarque foi o 1º cantor a gravar o samba Praça Clóvis, do querido Paulo Vanzolini.
DECLARAÇÃO DE AMOR A SÃO PAULO



Segunda-feira é dia de São Paulo. Dia do santo e da cidade que Nóbrega e Anchieta fundaram nos idos do Séc XVI.
Naquele tempo, ou pouco antes, os portugueses diziam que no Brasil tinha índio a dar com pau. Eles diziam isso e acreditavam, tanto que depois foi o que se viu.
Caminha, que acompanhava Cabral no achamento da região, mandou carta ao seu rei dizendo que, além de índios, havia por cá tudo de bom, tudo de ótimo. E dizia também que nessa terra “em se plantando tudo dá”.
E deu no que deu, incluindo os desmandos por Cabral aqui plantados.
Não gostei de ouvir o pernambucano Lula da Silva dizer que é ele a única “alma viva”, honesta, ilibada, etc.
Bom, mas os primeiros portugueses que desembarcaram em nossas terras, trouxeram algumas coisas boas, como a folia de reis, o cordel e a desgarrada.
Os mesmos primeiros portugueses que aqui desembarcaram, também trouxeram violência e sede no pote; isto é, destas terras extraíram riquezas que alimentaram, mas não saciaram, a sede pelo poder.
No Séc XVI São Paulo era província e a capital do que hoje chamamos de Brasil era Salvador.
Daquele tempo até o tempo atual, muitos brasileiros morreram na unha dos invasores desta terra Brasilis.
De pequenina, São Paulo cresceu, e se tornou na 4ª ou 5ª maior capital do mundo.
Segunda, São Paulo completa 462 anos.
Por duas décadas desenvolvi uma pesquisa que resulta hoje em cerca de 3 mil títulos musicais que tratam desta incrível cidade.

Eu adoro São Paulo
São Paulo me faz bem
São Paulo me enaltece
E eu a enalteço também...

Viva minha São Paulo
São Paulo minha querida
Parte da tua história
Faz parte da minha vida

Eu andei fazendo uns versos, uns poemas, sobre a cidade de São Paulo. São Paulo já foi cantada de todas as formas e em versos diversos. Se vocês procurarem no Google ou no youtube, certamente acharão projetos especiais que andei desenvolvendo, como ROTEIRO MUSICAL DA CIDADE DE SÃO PAULO.

CHICO BUARQUE

O cantor e compositor Chico Buaqrque de Hollanda é um grande brasileiro. Outro dia o desacataram à saída de um restaurante no Rio de Janeiro. Achei um horror e disse isso num dos textos aqui publicados. Agora tomo conhecimento que Chico autorizou seus advogados a processar as pessoas que o ofenderam, no que faz muito bem. É por essas e outras que o nosso país por muita gente é mal visto lá fora. Aliás, Chico Buarque foi o 1º cantor a gravar o samba Praça Clóvis, do querido Paulo Vanzolini.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

QUEM LER MAIS, SABE MAIS. VIVA EUCLIDES!

Hoje, exatamente, 150 anos que um dos mais preparados intelectuais brasileiros deu o ar da sua graça neste nosso mundinho besta e explosivo. Eu falo de Euclides da Cunha.
Carioca de Catagalo, Euclides é o autor de um dos livros mais importantes do Brasil: Os Sertões. Esse livro foi escrito no interior de São Paulo e lançado em 1902.
Os Sertões trata do massacre à comunidade de Canudos, no interior da Bahia. Esse massacre, ocorreu na virada do século 19 e resultou em cerca de 25 mil mortos entre soldados do brioso Exército Brasileiro e os miseráveis seguidores dos cearense Antonio Conselheiro.
Pois é, hoje faz 150 anos que Euclides da Cunha nasceu. E a respeito nada ouço nem no rádio, nem na televisão. Só ouço noticias de roubalheira e de outros males da vida do nosso judiado País.
Acho que foi o escritor paulista Monteiro Lobato quem disse: Quem ler mais, sabe mais.

domingo, 17 de janeiro de 2016

A ERA DA INFORMAÇÃO

O mundo é dividido em etapas ou eras.
Cada tempo, etapa ou era traz uma característica.
No começo de tudo, a escuridão prevalecia. Hoje a escuridão é outra. E aqui falamos do começo de tudo, da vida humana, desde sua origem ou criação. No frigir dos ovos, permanecemos na mesma. Antiguidade, Idade Média - e suas três fases -, Iluminismo, Industrial, Modernismo, Pós-Moderno e o escambau. Repito: continuamos, mesmo depois disso tudo, vivendo sob o manto da escuridão.
O fato é que não sabemos de nada, já disse uma vez Sócrates.
Otimismo, pessimismo, o que vem a ser isso?
Eu sou de um tempo em que se falava muito de sina. Isso é conformismo.
A Revolução Industrial deu no que deu.
Antes era o catolicismo e pronto.
Hoje o catolicismo explodiu e fragmentou-se, resultando em mais de centena de religiões ou ceitas a ver com o cristianismo.
A internet e suas ferramentas nos atulham de "informações" falsas e verdadeiras. É muita coisa, muito lixo que está ao nosso alcance. Basta teclar ou apertar um botão para que o mundo tudo surja com sua força e violência diante de nós.
O que fazer com tudo isso.
Não podemos jamais confundir informação com formação e cultura.
Deixamos de ler livros e discutir a vida.
Outro dia, o historiador e pensador da vida brasileira José Ramos Tinhorão, brincando ou não, me chamou de radical por eu mostrar o meu desencanto com o pop etc que nos empurram ouvido a dentro. A respeito disso, aliás, meus tímpanos pedem socorro.
Ler é fundamental e discutir a leitura, também.

Um cidadão se faz
É com Democracia,
Educação e cultura
E um quê de sabedoria
Sem esses "ingredientes"
Não de faz Cidadania

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

TINHORÃO, PIXINGUINHA E DAVID BOWIE

O 13 é um número enigmático. O 13 é sorte, é azar, é isso, é aquilo.  É o que é, pra quem quer. Eu acho o 13 fantástico. Treze, ao avesso, é 31, e nada não digo mais, porque o 31 pra vocês aqui que me leem é um número importante.

O 13 de hoje me trouxe pessoas incríveis na minha vida.

O 13 de hoje me trouxe Rosely, bem no começo da manhã.

O 13 de hoje, no comecinho da tarde, me trouxe um amigo da TV Globo de tempos d’antanho: Davi Almeida. E com Davi, veio Silene.

Silene me lembra Celene; Celene Sintônio, minha professora de artes plásticas na Universidade Federal da Paraíba, junto com Raul Córdula e João Câmara Filho. Mas essa é outra história.

O 13 de hoje também me trouxe um grupo de pessoas também muito queridas, a começar por Colibri, Vitor e Tinhorão. Esse Tinhorão é aquele: José Ramos Tinhorão, o terror dos imbecis.

O 13 de hoje, que está terminando, foi incrível.

Tinhorão, com seu charme e conhecimento naturais, monopolizou que o ouvia.

Tinhorão disse um monte de coisas importantes a respeito deste País tão judiado por governantes maus gestores. E aí não vamos entrar na questão de quem é quem. País intelectualmente pobre é o nosso. O aluno finge que aprende e o professor finge que ensina. E ai do professor que discutir com o aluno, a respeito dessa ou de questão parecida...

Tinhorão hoje estava extremamente bem-humorado, dizendo coisas incríveis a respeito de si próprio, a respeito de sua formação – você sabia que ele também é advogado? –, a respeito do Rio antigo, a respeito do mundo.

E pensar que Tom Jobim achava Tinhorão um chato...

Tinhorão hoje, conosco, falou sobre música e gente chata. Falou sobre Pixinguinha, futebol, Garrincha... E falou até do grande sambista Wilson Batista, que nos deu, por exemplo, o magnífico samba Chico Brito. E de rock, David Bowie...

Como jornalista, Tinhorão contribuiu enormemente para a profissão. Um exemplo? Foi Tinhorão o cara que definiu contextualmente o que significa uma foto-legenda. Ele era tão bom nisso que levou Nelson Lins e Barros, junto com Carlos Lyra – aquele da Bossa Nova –, a se inspirar no seu texto e gerar uma bela música bossa-novista, Maria do Maranhão, que diz: Maria pobre Maria/ Maria do Maranhão/ Que vive por onde anda/ E anda de pé no chão...

Neste 13 de hoje, estiveram até a boca da noite os colegas Nuzzi (autor do livro Geraldo Vandré – uma canção interrompida, que vocês todos têm de ler) e Colibri, da Rádio Brasil Atual.

Meus amigos, minhas amigas; este 13 foi um dia fantástico. O mais importante historiador do Brasil, José Ramos Tinhorão, completará no próximo dia 7 de fevereiro 88 anos de idade – 88 ao contrário é 88. Tim-tim...

Neste ano de 2016 o mesmo Tinhorão começa a entrar na história do Brasil com o livro Música Popular: um tema em debate, cujo lançamento está fazendo 50 anos.

Viva Tinhorão!

Ah! Os livros de José Ramos Tinhorão deveriam estar, todos eles, obrigatoriamente nas escolas públicas e particulares deste País, meu Deus, analfabeto.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

LUCY ALVES, NOVA ESTRELA DA MÚSICA POPULAR




O multitudo musical Papete telefona todo feliz pra dizer da alegria que foi assistir ao programa Escolinha do Professor Raimundo versão 2015, na TV Pim Plim. Foi grande a surpresa, pois ele não esperava que os “alunos’, todos atores, conseguissem alcançar o alto nível de interpretação que alcançaram.
Papete falou um monte de coisas, até porque já fazia um bom tempo que não nos falávamos. Falou de problemas de saúde, de problemas corriqueiros e da alegria de acordar com o cachorro latindo e a mulher e a filha lhe paparicando. Falou também de projetos musicais e do livro que está lançando sobre a cultura popular da sua terra, o Maranhão.  
E eu só escutando...
E barulhento e alegre que nem uma cachoeira, Papete falou também do musical Nuvem de Lágrimas em cartaz no Teatro Bradesco. O musical, que tem no elenco Gabriel Sater e Lucy Alves, é baseado no romance "Orgulho e Preconceito", da norte-americana Jane Austen. Trata do mundo rural e tem por trilha canções do repertório da dupla Chitãozinho e Xororó.
O grande entusiasmo de Papete ao me contar o que sentiu ao assistir a esse musical, deve-se, na explicação dele, à categoria como Gabriel e Lucy, principalmente Lucy, interpretam as músicas da trilha. “Ela além de cantar e tocar sanfona, toca bandolim, violão, viola e até violino. Algo incrível!
Incrível pra Papete, porque a categoria de Lucy Alves -do grupo musical Clã Brasil- eu já conheço há muito tempo. Lucy começou a carreira muito cedo e graduou-se em música pela Universidade Federal da Paraíba.
Longa vida à Lucy Alves! 

sábado, 9 de janeiro de 2016

VISITA E CONVERSA FORA





Quarta passada, Cadu e a renca de Gato com Fome que forma um grupo de samba de São Paulo estiveram comigo, e o resultado disso foi o primeiro texto de 2016. No texto falei de um monte de coisas que a memória agora me nega, mas está aí postado.

A semana que passou foi uma semana leve, livre, solta, bonita, de conversas com vários amigos, que vieram me ver. Entre esses amigos, os cantores Raimundo José e Roberto Luna. Raimundo é baiano de voz de trovão. Roberto, de eterna risada cadenciada, ficou famoso pela voz de veludo e a marca de Rei do Bolero.  É paraibano.

E por falar em paraibano, também esteve comigo o conterrâneo Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, que boa parte de todos conhece pela chancela de Geraldo Vandré.

Foram encontros demorados.

Gato com Fome está lançando um ótimo CD reunindo sambas do “caipira” Raul Torres (1906-1970). Falamos sobre tudo, incluindo o próprio Torres, Boldrin, Osvaldinho da Cuíca, Papete e outros craques da nossa boa música.

Nelson Gonçalves, Lucho Gatica e outros bambas da seresta chancelados pela indústria latina do disco.

Raimundo José imita quase à perfeição a fala taquilálica do ex-boxeur gaúcho Nelson Gonçalves. No cinema, mais especialmente em O Bandido da Luz Vermelha, Roberto Luna interpretou Gatica.

Como todo nordestino, ou como quase todo  nordestino, Geraldo foi chegando e chegou à boca da noite e foi embora depois de cerca de três horas de conversas e risos.

Geraldo estava alegre, à vontade, feliz mesmo. Foi o que me pareceu. Contou da sua recente ida a João Pessoa (PB), depois de duas décadas. Foi, ele disse, muito bem recebido por velhos e novos amigos. Foi o grande destaque, como homenageado, do festival de cinema Aruanda. Esteve com o governador Ricardo Coutinho por dois momentos. Do governador recebeu convite para mostrar seus estudos para piano no Espaço Cultural da capital paraibana. Aceitou. E isso deve ocorrer ali pelo mês de maio. Diz que estou fora do peso e que preciso voltar ao rádio. É, eu acho também...

Muita gente ainda me pergunta por que não posto textos todos os dias no blog. A cobrança me envaidece, mas a situação ata as minhas mãos. O total descolamento de retinas impede, entre outras coisas, que eu veja a luz do dia e as cores da vida. Textos como este são postados quando amigos me visitam, como agora o colega e amigo jornalista Vitor Nuzzi.

INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL

Saiu no blog do jornalista Jotabê Medeiros.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

VIVA OSVALDINHO DA CUÍCA E PAPETE!

O dia seguinte sempre é um dia de esperança e oportunidade.
O dia seguinte é uma página nova que a vida nos oferece.
O dia seguinte é o presente que Deus nos dá; e se Ele nos dá o dia seguinte, é para que nós possamos usufruí-lo de todos os modos possíveis.
O dia seguinte é hoje.
O calendário religioso nos indica que hoje é Dia de Reis. Vocês lembram da história destes Reis, que guiados por uma estrela mágica, foram levados  a uma estrebaria no Oriente Médio onde se achava o menino-Messias que veio a Terra para salvar os pecadores?
Pois bem, hoje é Dia de Reis. E tomara que Deus me perdoe por também considerar rei o menino Osvaldo Barro, que nos acostumamos a chamar pelo diminutivo do seu nome ilustrado pelo “sobrenome” Cuíca.
Osvaldinho da Cuíca é rei do instrumento que adotou como sobrenome.
Outro dia ouvi pelo telefone Osvaldinho me dizer que estava cansado das glórias fortuitas que a vida costuma oferecer a artistas da sua grandeza.
Osvaldinho é rei! Do samba.
E o carnaval está chegando...
Osvaldinho da Cuíca é uma espécie de recriador do samba paulista. Ele já pôs na avenida uns 30 samba-enredos e seu repertório autoral é pelo menos 30 vezes dez. E como se não bastasse, credite-se a ele, a criação da ala de compositores da Vai-Vai em 1975, mesmo ano em que ele recebeu o título de 1º Cidadão Samba de São Paulo. É dele também (ai ai ai...) o samba de guerra do Corinthians, Timão, feito em parceria com o grande percussionista maranhense  Papete: “Vai Corinthians!”

Viva Osvaldinho da Cuíca!





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