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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

É POSSÍVEL VER ALÉM DOS OLHOS?



Neste mundo de Marias e Josés, vê quem quer; quem não quer não vê.
A cada cinco segundos uma pessoa fica cega no mundo. Dentre essas, uma criança a cada um minuto. No total, segundo dados da Organização das Nações Unida s- ONU, são mais de quarenta milhões de pessoas cegas habitando este nosso mundinho tão desigual.
Esses dados são de uma década atrás.
No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, no Brasil indicam que há 1,2 milhão de pessoas totalmente cegas. Os dados são de dez anos atrás. Acrescentem-se a esses dados o número igualmente controverso de cerca de 7 a 9 milhões de pessoas que vivem com dificuldades visuais graves. Pessoas com visão baixa, por exemplo.
Por que as pessoas ficam cegas?
Neste mundo atribulado e de concorrências desiguais, há quem tem olhos e parece insistirem a não ver. Nossos últimos governantes, por exemplo.
O poeta português Camões, que perdeu a visão de um dos olhos numa guerra, de flechada, via mais do que milhões e milhões de pessoas da suas época; e de hoje também.
E assim como Camões, nossos compatriotas Aderaldo, Patativa, Oliveira, e tantos e tantos veem com os olhos da memória e da imaginação, quer dizer: os olhos muitas vezes servem apenas para enfeitar a cara, da gente.
E num tá bom?
A luz de meus olhos bateu asas e voou. Foi pra longe. Mas eu que não sou besta, não corri atrás. E mergulhei num mundo diferente, curioso, cheio de novidades e luzes diferentes. Pois, enfim...

Eu vejo com teus olhos
E caminho com meus pés
É teu meu pensamento...

Vocês, amigos e amigas, já ouviram falar de Maroca, Poroca e Indaiá? Pois bem, as três são irmãs. Nasceram sem luz nos olhos no sertão da Paraíba. Cresceram plantando e da roça tirando o sustento e da esperança, o futuro. E vejam só, a Paraíba é uma terra de luz, é ou não é?
Uma perguntinha bem besta:
Vocês que me leem acham que a maioria dos políticos que nós elegemos, nas várias esferas, são cegos ou videntes?


TURISMO E CEMITERIOS

Hoje é Dia de Todos os Santos, não foi ontem.
É pequeno o calendário cristão para acolher todos os santos.
Na Igreja Católica, há santo a dá com pau. Uí! Dar com pau, sabemos todos, é a penas força de expressão.
O Dia de Todos os Santos é uma criação do abade Odilon, que viveu ali pelo século II. Acho que na França.
Justificativa óbvia. homenagear todos os santos famosos e anônimos , pretos e brancos e mártires que dedicaram a vida aos humildes, etc. Seis séculos depois, o Papa Gregório III carimbou o dia escolhido por Odilon.
O dia 1º de Novembro, Dia de Todos os Santos, como o Dia de Finados é comemorado em quase todo o mundo.
O Dia de Finados, também criado pela Igreja Católica tem por finalidade levar os vivos a lembrar seus mortos.
Séculos antes de Cristo, os mortos sequer eram sepultados. Esse habito ganhou forma por uma razão simples: Os cadáveres transformavam-se em ameaça à saúde publica. Foi então que a Igreja passou a enterrar os mortos no subsolo dos templos. Mas lá eram enterrados apenas quem em vida tinha recursos. Os corpos de escravos e miseráveis continuaram sendo jogados ao léu. Alguns eram queimados em fogueiras.
O medo da morte todo mundo, ou quase todo mundo, sempre teve.
Você sabe a origem do velório?
Catalepsia é um mal que ainda hoje atinge a muita gente.
Estanho é um tipo de metal que mal usado, provoca nas pessoas o mesmo o mesmo que a catalepsia, ou seja: a pessoa cai em convulsões e de repente parece morta.
O estanho era usado na fabricação de objetos domésticos, como pratos e copos. E ai...Temerosos de seus entes queridos serem sepultados vivos, providenciavam-se a colocação dos corpos sub mesas ou o que valha e esperavam-se que o "morto" voltasse à vida. O velório vem dai.
Hoje é o Dia de Finados.
Em boa parte do mundo, cobram-se ingressos a pessoas que visitam cemitérios. Na França, por exemplo. Em Roma há túmulos muito bem construidos por engenheiros famosos.
No município de São Paulo há 22 cemitérios. O da Consolação guarda os restos mortais de grandes personagens da vida brasileira, como Monteiro Lobato. A propósito, por que não se planeja visitas monitoradas ao Cemitério da |Consolação e a outros cemitérios da capital dos paulistanos?
Em Londres o túmulo em que se acham os restos mortais de Karl Max, o grande ideólogo do Capitalismo, é o tempo todo visitado por todos que têm interesse por seu nome ou obra. O governo de lá ganha um dinheirão com isso. Ah! é rica e curiosíssima a relação da morte com a cultura popular.
No começo do século passo, bem no começo o paraibano Leandro Gomes de Barros, nos legou um clássico da literatura de cordel:  A História do Cachorro dos Mortos.


TERREMOTO

Nas últimas eleições o PT perdeu centenas de prefeituras Brasil a fora. A respeito, ouvi no rádio um político concluir comentários dizendo o seguinte: enterrem-se os mortos pois a vida segue. Isso fez-me lembrar o que disse o general Pedro D'Almeida ao rei dom José I ao lhe pedir opinião sobre o que deveria fazer depois do terremoto seguido de tsuname  que devastou Lisboa e o sul de Portugal no ano de 1755. Disse o general textualmente: "Enterre os mortos, cuide dos vivos e feche os portos". E assim foi feito. Anos depois,  sob a batuta do marquês de Bombal, Lisboa voltou a ser uma cidade belíssima .

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

CTN, 25 anos



Tudo é muito rápido, urgente, depressa. Ninguém tem tempo prá nada. Nem prá dizer oi, como vai? É uma correria dos infernos. Prá onde vamos? Somos gerados em fração de segundos, num gozo, a gestação dura de 7 a 9 meses. Eu Nasci com 12 anos, mas isso é caso à parte. A verdade é que poucas são as pessoas que acham tempo para dizer adeus. Ai! É gente entrando e gente saindo de tudo quanto é canto, buraco e biboca. No metrô então é um horror, e nos ônibus, um Deus nos acuda! É pressa como Diabo.
Correndo, voando, um carro parou perto de mim e o motorista depressa abriu a porta pedindo para eu entrar. Era o poeta Moreira de Acopiara. Nem bem entrei no carro outro poeta, Sebastião Marinho, da viola repentista, riscou no ponto: "E eu, vocês vão sem mim?"
Pedi para o motorista desacelerar o carro pois devagar também se chega ao longe. E lá fomos nós rumo ao Centro de Tradições Nordestinas, CTN, onde comemoravam-se seus 25 anos de fundação. Ao chegarmos, cordelistas e cantores do povo nos esperavam. Foi uma festa, claro. Cristina do Zé se expressou ao microfone com um palavreado bonito. Zé de Cristina Também. Estamos falando de Cristina e Zé de Abreu, mulher e marido e marido e mulher, fundadores do CTN.
E é tudo muito rápido.
Lembrei-me depressa que por lá estive no começo de tudo, até apresentando um programa de rádio chamado Gente e Coisas do Nordeste, de memória ainda hoje muito bem lembrado.
E fui ao microfone e falei e falei.
Cacá Lopes cantou, Luiz Carlos Bahia cantou, Sarah Brasil cantou, o menino Pedro declamou do alto dos seus dez anos de idade, Moreira de Acopiara declamou e Sebastião Marinho botou prá lascar, foi tudo muito bonito, nesse primeiros 25 anos de CTN. Agora só faltaram as fotos para confirmar tudo que aqui estou dizendo. Mas aconteceu e é fato. Se duvidarem perguntem à deputada Renata de Abreu.
Só faltou um uisquinho...

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

PELO BEM, PELO MAL, RENAN E BELCHIOR


Depois da postagem abaixo, sob o título Jagunços e Coronéis no Congresso Nacional, muita gente me telefonou; mas me telefonou por saber que é mais fácil me telefonar do que mandar mensagem por e-mail. Pois bem, termino a postagem perguntando em qual situação se enquadra o Cunha, entre jagunços e coronéis. Muitos disseram que o capeta Cunha se enquadra nas duas situações. E o Renan?

O alagoano Renan Calheiros é mais capeta do que o capeta Cunha. Os dois se merecem, não é mesmo? Inclusive na cadeia...O Renan está com 9, 10 ou 11 processos no STF, ainda não é réu, mas vai virar já já. Ciente disso, começa a jogar o anzol no lago para pescar. Na última tentativa deu-se mal, pois a presidente do STF, Carmen Lúcia, refugou.
O Renan é muito esperto. Ele aproveitou a prisão de policiais legislativos para atingir o Judiciário. Fazendo isso, ele chamaria a atenção de todo mundo do seu interesse e teria às suas mãos a presidente, seu alvo, mas ela entendeu isso muito rapidamente e não foi ao encontro que os coleguinhas da imprensa dizem que foi programado pelo presidente Temer. Na verdade foi o Renan que pediu a Temer para programar esse encontro. Quebrou a cara. Simples: depois de chamar a atenção para si, ele estaria frente a frente, numa boa, com a presidente do STF, tudo bem tramado.
No próximo dia 03, a Doutora Carmen Lúcia vai por em julgamento no STF algo que certamente o presidente do congresso não vai gostar.
Pois é, falávamos de jagunços e coronéis. E como uma coisa puxa outra, lembrei-me de outro alagoano. Só que esse, incrível, no boníssimo sentido. No sentido de cidadão, cidadania. Talento, arte e artista. Lembrei-me de Graciliano Ramos, autor da obra prima Vidas Secas. Esse romance, o quarto da carreira de Graciliano, trata do que trata o livro do mineiro Guimarães Rosa, ou seja: de cangaço, cangaceiro, de vida dura que é e sempre foi o sertão do Nordeste e do Sudeste. E de uma constatação triste:  cangaço, jagunço e cangaceiro, mais coronéis dá  nisso que vivemos hoje: a lei fora dos trilhos, querendo voltar aos trilhos. E voltará!
Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892.


BELCHIOR

Taí um cara que eu gosto muito, Belchior. Conheci o Bel, como os amigos o chamam, Lá pros 80 do século passado. Ele frequentava minha casa e tal, e no tempo que eu ainda era casado. Os meus meninos gostavam de tirar umas com seu bigode e seu jeito de falar e de cantar. Eu continuo gostando do Bel e tentando entender a razão que o faz nunca mais a mim telefonar: 36614561. Hoje, como todos os dias, é dia do Bel; amigo meu e de tanta gente bonita. Daqui deste ponto mando prá ti, Belchior, um abraço bonito e forte: e parabéns pelos 70 anos que vc completa nesta quarta feira de outubro de 2016.
Ah! Você sempre falava da importância dos maestros Carlos Gomes, Vila Lobos e do seu conterrâneo Alberto Nepomuceno. Aliás, lembro agora, você me pediu para escrever um livro sobre o Nepomuceno. Olhe, se você voltar prá comer o bacalhau que você tanto gosta na minha casa eu escreverei, mesmo cego, como hoje estou um livro sobre você e sobre o seu, que também é meu ídolo Nepomuceno.
Um beijo!



 Clique:



PELO BEM, PELO MAL, RENAN E BELCHIOR


Depois da postagem abaixo, sob o título Jagunços e Coronéis no Congresso Nacional, muita gente me telefonou; mas me telefonou por saber que é mais fácil me telefonar do que mandar mensagem por e-mail. Pois bem, termino a postagem perguntando em qual situação se enquadra o Cunha, entre jagunços e coronéis. Muitos disseram que o capeta Cunha se enquadra nas duas situações. E o Renan?

O alagoano Renan Calheiros é mais capeta do que o capeta Cunha. Os dois se merecem, não é mesmo? Inclusive na cadeia...O Renan está com 9, 10 ou 11 processos no STF, ainda não é réu, mas vai virar já já. Ciente disso, começa a jogar o anzol no lago para pescar. Na última tentativa deu-se mal, pois a presidente do STF, Carmen Lúcia, refugou.
O Renan é muito esperto. Ele aproveitou a prisão de policiais legislativos para atingir o Judiciário. Fazendo isso, ele chamaria a atenção de todo mundo do seu interesse e teria às suas mãos a presidente, seu alvo, mas ela entendeu isso muito rapidamente e não foi ao encontro que os coleguinhas da imprensa dizem que foi programado pelo presidente Temer. Na verdade foi o Renan que pediu a Temer para programar esse encontro. Quebrou a cara. Simples: depois de chamar a atenção para si, ele estaria frente a frente, numa boa, com a presidente do STF, tudo bem tramado.
No próximo dia 03, a Doutora Carmen Lúcia vai por em julgamento no STF algo que certamente o presidente do congresso não vai gostar.
Pois é, falávamos de jagunços e coronéis. E como uma coisa puxa outra, lembrei-me de outro alagoano. Só que esse, incrível, no boníssimo sentido. No sentido de cidadão, cidadania. Talento, arte e artista. Lembrei-me de Graciliano Ramos, autor da obra prima Vidas Secas. Esse romance, o quarto da carreira de Graciliano, trata do que trata o livro do mineiro Guimarães Rosa, ou seja: de cangaço, cangaceiro, de vida dura que é e sempre foi o sertão do Nordeste e do Sudeste. E de uma constatação triste:  cangaço, jagunço e cangaceiro, mais coronéis dá  nisso que vivemos hoje: a lei fora dos trilhos, querendo voltar aos trilhos. E voltará!
Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892.


BELCHIOR

Taí um cara que eu gosto muito, Belchior. Conheci o Bel, como os amigos o chamam, Lá pros 80 do século passado. Ele frequentava minha casa e tal, e no tempo que eu ainda era casado. Os meus meninos gostavam de tirar umas com seu bigode e seu jeito de falar e de cantar. Eu continuo gostando do Bel e tentando entender a razão que o faz nunca mais a mim telefonar: 36614561. Hoje, como todos os dias, é dia do Bel; amigo meu e de tanta gente bonita. Daqui deste ponto mando prá ti, Belchior, um abraço bonito e forte: e parabéns pelos 70 anos que vc completa nesta quarta feira de outubro de 2016.
Ah! Você sempre falava da importância dos maestros Carlos Gomes, Vila Lobos e do seu conterrâneo Alberto Nepomuceno. Aliás, lembro agora, você me pediu para escrever um livro sobre o Nepomuceno. Olhe, se você voltar prá comer o bacalhau que você tanto gosta na minha casa eu escreverei, mesmo cego, como hoje estou um livro sobre você e sobre o seu, que também é meu ídolo Nepomuceno.
Um beijo!



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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

JAGUNÇOS E CORONÉIS NO CONGRESSO NACIONAL



No texto anterior, comparei o deputado Eduardo Cunha ao Capeta. Mas como uma coisa puxa a outra, lembrei do personagem Rosiano Hermógenes que chegou a fazer pacto com o Demo. Acho que Cunha não é o Demo, mas fez pacto com ele. E não estou brincando. Pelo que me contam seus atos e expressões são únicos entre os viventes que se misturam entre nós. O cabra é maligno. Na cadeia rabisca, rabisca, rabisca e faz seus advogados, um batalhão, cutucar o STF com vara curta; e, de tabela, o homem das leis, Sérgio Moro.
Quem ganhará essa batalha, a justiça ou a injustiça?
E como uma coisa puxa a outra, lembrei também do julgamento ocorrido na trama de Grande Sertão: Veredas, quando o chefe maior da jagunçada, Joca Ramiro, sentencia o jagunço vencido Zé Bedelo à liberdade.
Para formar a trama do seu livro, o mineiro Guimarães Rosa embrenhou-se nos sertões da sua terra, tangendo boi e boiada, ao lado de verdadeiros vaqueiros. O livro foi lançado em 1956, há exatos sessenta anos.
Num tempo recente, a gente nordestina sofria na unha dos coronéis, que imprimiam leis próprias, faziam e desfaziam. Era Deus no céu e eles na terra ardente do Nordeste. Os últimos mandatários da linhagem coronelesca sumiram na década de 1970. O último foi Chico Heráclito, que morreu em 74. Um ano antes, morrera Veremundo Soares.
O "coroné" Veremundo era filho de um padre, Joaquim, nascido em 1878.
Os pernambucanos Chico Heráclito e Veremundo Soares mandavam em gente e gado, como diria o compositor e cantor paraibano Geraldo Vandré.
Veremundo fez de tudo na sua terra, Salgueiro. Só não casava, nem batizava, mas receitava tudo quanto era remédio para qualquer tipo de dor. Sua fama de curandeiro também era grande, tanto que o presidente Rodrigues Alves conferiu-lhe a patente de capitão da Guarda Nacional. Capitão, mesmo. Capitão como Virgolino Ferreira, o Lampião, que ganhou patente idêntica das mãos do padre Cícero Romão.
Lampião e Veremundo não se bicavam.
Ali por 1926, Veremundo Soares juntou a sua jagunçada à polícia de Pernambuco para caçar o famoso bandoleiro do Sertão. Não deu em nada essa caça, mas o bico entre os dois "capitães" cresceu ao ponto de Veremundo cortar caminho toda vez que ia a Recife para fazer negócios com as autoridades políticas da época. Ele fazia isso para evitar encontro com o cangaceiro. Se os dois se topassem, era morte certa.
No começo dos anos de 1930, Lampião mandou uma carta ao "coroné". Nessa carta, o Rei do Cangaço fazia bravatas e dizia, com todas as letras, que ia virar santo para salvar meio mundo, inclusive o próprio Veremundo.
Lampião morreu no dia 28 de julho de 1938, aos 39 anos de idade.
Veremundo Soares morreu em maio de 1973, dois dias antes de completar 95 anos de idade.
No livro Dicionário Gonzagueano eu traço um rápido perfil psicológico do cantor e compositor sanfoneiro Luiz Gonzaga do Nascimento. Nesse rápido perfil, eu digo que o Rei do Baião tinha tudo para ser um "coroné" e só não o foi porque lhe faltavam cobres e jeito para a "coisa".
Veremundo levou tudo prá sua cidade e seus dependentes. Levou ladrilhos, paralelepípedos para as ruas e avenidas, postes de iluminação e eletricidade, água, telefone e um tudo mais, incluindo os primeiros veículos motorizados. Ele era amado pela maior parte da população, como o foi Luiz Gonzaga para seus conterrâneos do município de Exu, PE. Prá Exu, Gonzaga levou até agência bancária.
O coroné Veremundo foi pai dezesseis vezes com uma só mulher, oficialmente.
Luiz Gonzaga foi pai adotivo por duas vezes, de Gonzaguinha e Rosinha.
Veremundo era um cabra assanhado e não refugava rabo de saia. Era bom dançarino e inventava de compor umas "coisinhas" para levantar poeira em sala de reboco. O Rei do Baião faz uma referência a isso, clique:

 


No dia 02 de agosto deste ano andei falando sobre a trajetória de Luiz Gonzaga ao jornalista Sérgio Martins, que me levou à TV Veja. Na ocasião fiz referência ao coroné Veremundo Soares. Entre as dezenas e dezenas de netos e bisnetos, o coroné deixou um bisneto famoso: Fernando Cavendish. Muita gente me telefonou perguntando se isso era verdade, que o Fernando citado é o mesmo Fernando da CPI do Cachoeira. É. Para lembrar, clique:



Os jagunços do livro Grande Sertão: Veredas, são jagunços inventados pelo mestre das Gerais, João Guimarães Rosa. Os jagunços dos coronéis Chico Heráclito e Veremundo Soares eram jagunços de verdade, matadores, brabos como os homens da tropa de Virgolino Ferreira.
Ao dizer isso quero dizer que já não existem mais jagunços?
A jagunçada não morreu, não se extinguiu, apenas trocou de roupa e de tipo de armas.
Seria demais dizer que o Congresso Nacional acolhe jagunços de colarinho branco e coronéis? Em que situação se enquadra o ex deputado Eduardo Cunha, que parece estar dançando miudinho na frigideira do inferno?




sexta-feira, 21 de outubro de 2016

POLÍCIA FEDERAL TORTURA CUNHA

Dá-se o nome de cultura popular ao tipo de cultura oriunda do povo, que está em tudo e em todo lugar, fazendo reza, fazendo piada, fazendo adivinhação, e tudo o mais, de modo anônimo.
Esta semana o ex manda chuva da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, caiu na rede do Juiz Sérgio Moro, em Curitiba. Em poucos instantes as redes sociais expunham evidente preocupação dos seus comparsas ou parceiros. Quer dizer, muita gente está com as orelhas em pé. Essa é uma expressão popular, como popular é a expressão que serve de contraponto: quem não deve, não teme. Ou Temer?
Para dizer que o sujeito é terrivelmente maligno e astuto, diz-se que é o Cão, o Capeta. Por esse, digamos, codinome, Cunha é amplamente conhecido. Aliás, acabo de saber o seguinte: a ´Polícia Federal está torturando Eduardo Cunha. Como????? No seu primeiro almoço ele viu-se obrigado a comer arroz, feijão e frango.
Hoje cedo agentes da Polícia Federal prenderam policiais legislativos, acusados de tumultuar a operação Lava Jato. Pergunto: Se ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão, como reza velho dito popular, o que pode ocorrer com policiais que prendem policiais? E como uma coisa puxa a outra logo lembrei de um personagem do Chico Anysio que dava voz de prisão com a expressão mais óbvia do mundo: "teje preso"!
 E como uma coisa puxa a outra, lembrei também do pernambucano Veremundo Soares. Veremundo, que morreu com quase cem anos em 1973, era um dos dois mais influentes coronéis de Pernambuco. O primeiro era ele, o segundo era Chico Heráclito. Veremundo era natural do município de Salgueiro, a 518 Km da Capital de Pernambuco, Recife. Esse município fica encravado no semi árido. Veremundo mandava e desmandava, como todos os coronéis.Veremnundo morreu deixando muitas histórias e um bisneto de nome Fernando Soares Cavendish. Vocês lembram desse nome. Pois é, como diz uma amiga minha: esse é o cara mais gentil do mundo, um cavalheiro e tanto! Por que essa definição ao mancebo Fernando? Pois bem, foi esse Fernando que premiou a mulher do ex governador do Rio de Janeiro, com um anelzinho que custou a bagatela de R$ 800.000,00, segundo  que se lê e se ouve por aí afora. É o da Delta, empresa de construção criada em 1961. Esse mesmo Fernando foi mimado por grandes figuras da República, entre os quais   Mendonça Filho, Eduardo Campos, Dilma, Lula... E para quem não se lembra, Chico Heráclito inspirou o comediante cearense Chico Anysio a compor o personagem Coronel Limoeiro.
Clique:


ESCOLA ESTADUAL JOSÉ XAVIER CORTÊZ

Trinta e dois Km e duas horas depois chegamos à Escola Estadual José Xavier Cortêz, localizada no extremo Sul da cidade de São Paulo. No carro que nos levou, estávamos ao lado de Patrícia e do próprio Cortêz, uma honra. À entrada da escola nos aguardava a diretora Célia, muito simpática e atenciosa. Meia hora depois, às 9, uma multidão de crianças se postava atenta às palavras do patrono da escola. Cortêz teve exibido um filme sobre suas origens e depois colocou-se à disposição da meninada - e dos professores - para perguntas. Em dois momentos, Cortêz fez-me falar à meninada. De novo senti-me honrado. Isso foi no último dia 18. A escola estadual José Xavier Cortêz tem nos seus registros 870 crianças matriculadas, na faixa que vais até 13 ou 13 anos. O filme sobre Cortêz chama-se Como um Rio. Clique:


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ANDREA BOCCELLI VAI À PRISÃO


O Brasil se acha entre os cinco países com maior número de gente nas cadeias.
Há pouco, um locutor de rádio disse que em Rondônia uns vinte presos haviam sido barbaramente mortos por outros presos, numa rebelião que começou ontem. Tudo indica ser rixa entre facções criadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.
No começo da tarde de hoje, o jornalístico Hoje, da tevê Globo, exibiu reportagem feita no presídio Adriano Marrey numa cidade da grande São Paulo, Guarulhos. Nessa reportagem, aparecia um grupo de cerca de 30 detentos interpretando músicas do repertório popular. Na platéia, digamos assim, achava-se o tenor italiano Andrea Boccelli.
A segunda quinta-feira deste mês, outubro, caiu no dia 13. Dia de sorte. Nesse dia eu atendi a convite para assistir, no Alianz Park, a um concerto de Boccelli. Fui com minha filha Ana (foto) e nos encantamos.

Mais de 45.000 pessoas lotaram a arena que tem por titular o clube Palmeiras, possível campeão do Campeonato Brasileiro em andamento.
Andrea Boccelli cantou, cantou e cantou, emocionando a todos, que se manifestaram em palmas torrenciais.
Gente é gente, não é bicho.
As pessoas que cometem crimes e por eles respondem nas prisões não são bichos, são gente, sociáveis, ressociáveis....
O tenor italiano, que perdeu a luz dos olhos aos 12 anos de idade, sabe disso. Sabe tanto que hoje cantou, emocionado, ao lado de pessoas que cumprem pena por seus crimes na prisão Adriano Marrey. Não foi à toa que Boccelli disse que jamais esquecerá o que presenciou lá. E ele disse isso para todos que lá estavam, alto e bom som, chegou até a aconselhar alguns detentos cantores, músicos, a nunca deixar de praticar a arte da música.
Quem duvida que Deus existe, repense: Ele se manifesta de maneira incrível através da garganta de Andrea Boccelli.


Eu só fiquei chateado por uma coisinha nessa história toda:  Boccelli atendeu à reportagem da Globo e não a mim. Ah! Daqui mando um abraço ao amigo Luís Carlos Franco.

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