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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

HOJE É DIA DA SAUDADE

Paraguassú, o primeiro cantor paulistano a fazer sucesso nacional, foi um dos primeiros artistas a cantar saudade em disco. O velho reflete o novo: Mirianês Zabot, que em 2016 compôs e gravou o samba de roda Vidas Idas
Mesmo por pouco tempo
O tempo nos faz lembrar
Que a distância machuca
Traz saudade e faz pensar
Por isso fui a missa
Pagar pecado e rezar...
(Poema sobre Velho Tema; A.A.)

O primeiro dicionário da língua portuguesa, de Francisco Caldas Aulete, publicado na segunda parte do século XIX, em Lisboa, diz que saudade é “sentimento evocatório, provocado pela lembrança de algo bom vivido ou pela ausência de pessoas queridas ou de coisas estimadas”.
Dito o que ele disse, digo também que saudade é alegria e sofrimento. Neste ponto há até êxtase, mas essa é outra história.
Saudade não é, como dizem os franceses, souvenir.
Saudade é uma coisa de lascar, de arromba, de dilacerar corações. Que mexe com toda a gente.
Saudade é uma coisa tão violenta que, de tão boa, nos mata.
No dia 4 de junho de 1948, João de Barro, Alberto Ribeiro e Antonio Almeida levaram à gravação o samba A Saudade Mata a Gente, que começa assim:

Fiz meu rancho na beira do rio
Meu amor foi comigo morar
E nas redes nas noites de frio
Meu bem me abraçava pra me agasalhar
Mas agora, meu Deus, vou-me embora
Vou-me embora e não sei se vou voltar
A saudade nas noites de frio
Em meu peito vazio virá se aninhar

Saudade é uma palavra muito forte, todo mundo sabe.
Saudade é uma palavra que está em todo canto, lugar e mente.
Saudade é uma palavra que está na poesia, na literatura, na música.
A Casa Edison foi a primeira gravadora do Brasil. Começou a lançar discos em 1902. Mas a gente está falando de saudade...
O barítono carioca Vicente Celestino (1894-1968) foi o primeiro cantor brasileiro a debruçar-se sobre esse tema na canção intitulada Saudade, de Eduardo Souto.
Depois de Vicente, ídolo do rei da voz Chico Alves, muitos compositores e intérpretes falaram e continuam falando sobre esse sentimento ou sensação que mexe com a memória de qualquer pessoa seja homem, seja mulher. Alguns desses grandes: Antenógenes Silva (Saudade de Ouro Preto), Orlando Silva (Saudade), Luiz Gonzaga (Saudade de São João Del Rey), Dick Farney (A Saudade Mata a Gente), João Gilberto (Chega de Saudade)...
No dia 20 de maio de 1948, o cantor Paraguassú (Roque Ricciardi – 1890-1976), paulistano do Brás, gravou o rasqueado Saudade de Alguém, de Zé Pagão e Nhô Rosa. É gravação bonita, é letra bonita.
Em suma, saudade é dor que faz bem e mata. É tema levado a todas as artes, em todos os tempos, em todo mundo, por gente jovem, de ontem e de hoje.
A gaúcha Elis Regina (1945-1982) cantou muito bem o tema saudade.
A também gaúcha Mirianês Zabot canta muito bem o tema saudade, como autora e intérprete. Exemplo é o samba que assina com Oswaldo Bosbah: Vidas Idas. Mirianês, que faz do violão uma brincadeira, compôs uma pequena pérola na qual fala de saudade. Querem saber quem é ela? É só procurar nessa tal de internet.
No acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) há centenas, milhares de músicas que tocam profundamente o nosso viver.
Ia-me esquecendo: datas são importantes para lembrar; por exemplo, que 30 de janeiro é o Dia da Saudade.

Saudade de Alguém: https://www.youtube.com/watch?v=k6-srdA_W3Q
A Saudade Mata a Gente: https://www.youtube.com/watch?v=pYzOSvVL1X8
Saudade: https://www.youtube.com/watch?v=fJFexFsRwVg
Chega de Saudade: https://www.youtube.com/watch?v=rZ13bQvvHEY
Vidas Idas: https://www.youtube.com/watch?v=_ddhmTSZMiI

REGINA DUARTE
Sinto saudade da grande atriz Regina Duarte.
Foi em 1965, na Globo, que ela passou a ser chamada por todos os brasileiros e brasileiras de A Namoradinha do Brasil.
Sinceramente, no fundo, não tive certeza em nenhum momento que Regina virasse secretária da Cultura do Brasil. Mas que bom que virou. E daqui estou/estamos torcendo para que ela desenvolva o trabalho que nenhum dos últimos secretários desenvolveu à frente da pasta Cultura. O Brasil é rico em tudo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

COISA BOA É TER AMIGO

Na foto aí, Wilson Seraine curtindo o seu lugar, cercado de árvores e pássaros
No Brasil tem muita gente boa. Gente de todo quilate. Do norte ao sul do País.
Você meu amigo, minha amiga, já foi à capital do Piauí?
Em Teresina, nasceu e vive um sujeito de alto quilate. Seu nome: Wilson Seraine.
Faz muito tempo que estive em Teresina. Eu ainda enxergava com meus próprios olhos. Foi Seraine que me levou pra proferir palestra num dos grandes teatros da cidade, talvez o maior. Fui falar sobre cultura popular e na plateia estava o escritor Ignácio de Loyola Brandão.
Ignácio é uma das nossas grandes reservas literárias.
O tempo passando e o Wilson Seraine, professor e pesquisador da cultura popular, levando cada vez mais à sério o seu gosto por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Tenho pessoas incríveis em pontos diversos do Brasil. Na Paraíba, Rômulo Nóbrega, Jorge Ribbas, Miguel dos Santos, Richard Muniz e Onaldo Queiroga, juiz titular da Comarca de João Pessoa. Eu sou de Lá. Em Recife, José Batista Alves, no Ceará, Klévison Viana e por aí vai.
O Klévison, foi num foi, manda livros e folhetos de cordel.
O Rômulo, de Campina Grande, descobriu que gosto de Jangada, cachacinha que existe há mais de 50 anos... O Onaldo tem o bom hábito de me trazer livros e discos.
Quando vem de Minas, Téo Azevedo (Aí ao lado na foto) traz o kit completo de sobrevivência cultural, incluindo rapadura.
De Teresina, recebo de Wilson folhetos, livros, a cachacinha Mangueira Velha de Guerra, castanhas de caju selecionadas, doce de buriti e abraços.
Sou feliz ou não sou?

sábado, 25 de janeiro de 2020

São Paulo de Cuíca e eu

Fez-se perfeita a apresentação poética no Teatro Municipal hoje, 25.

Uma palhaça e artistas igualmente palhaços se apresentaram no Teatro Municipal, que leva a assinatura de Ramos de Azevedo.

Foi tudo muito bonito. Lá estavam neste 25 de janeiro Tom Zé, Paulinho Moska e os maestros Adriano Machado e João Carlos Martins.

João já esteve aqui na minha casa. João é grande.

Meu Deus do céu, como o Brasil é bonito!

O Brasil é cheio de surpresas.

O que o filósofo paranaense Sergio Cortella falou sobre o Brasil é algo absolutamente fantástico.

Brasil é Brasil.

É claro que eu fico cá comigo pensando que alguém poderia me chamar de volta para dizer coisas, para poetar.

Eu queria ter estado hoje no Teatro Municipal.

Eu queria ter estado no Teatro Municipal falando sobre cego e cegueira, mas devo aceitar o fato de que virei um cidadão invisível. Pois, pois, por não ter o que fazer, fiz com Osvaldinho da Cuíca esta declaração de amor:

https://www.youtube.com/watch?v=bn5AtXEMP8s

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

SÃO PAULO, A CIDADE MAIS CANTADA DO MUNDO


2019 nos deixou duas grandes tragédias nacionais: o estouro da barragem da Vale do Rio Doce em Brumadinho, MG, e o AVC sofrido pelo historiador paulista, de Santos, José Ramos Tinhorão.
Em Brumadinho foram assassinadas 270 pessoas e nenhum dos assassinos foi preso ou condenado.
Isso ocorreu no dia 25 de janeiro.
Tinhorão ainda não se restabeleceu.
O dia 25 de janeiro também marca a fundação do município de São Paulo.
Durante mais de vinte anos bati pernas pesquisando sobre músicas que tratam da cidade de São Paulo. Essa pesquisa resultou em mais de três mil títulos no gêneros mais diversos.
As músicas recolhidas – sambas, xotes, choros, valsas, maxixes, emboladas, tangos, baiões, forrós, marchas, hinos, poemas sinfônicos etc. – compõem um retrato fiel da cidade de São Paulo, sintetizando de modo harmonioso a sua feição urbana, gentes e bairros, indústrias e culturas diversas.
São Paulo ocupa o primeiro lugar no ranking das maiores capitais brasileiras e do hemisfério Sul, e também o quarto ou quinto lugares entre as maiores cidades do mundo, em termos populacionais.
A cidade dos paulistanos reúne representantes de centena e meia de países, falando línguas e dialetos diversos. Nas suas ruas e avenidas mais movimentadas, como Quatá, Consolação e Paulista, e esquinas como Ipiranga/São João e Santa Ifigênia/Andradas, é possível ouvir gente se comunicando nas mais diversas línguas, grega, russa, árabe, alemã, etc. É a megalópole do presente e do futuro. É uma espécie de Babel, daí seus acertos e contradições naturais.
Em 1822, São Paulo foi cenário da independência e em 1932, palco da Revolução Constitucionalista.
Esses e muitos outros acontecimentos estão referidos nas músicas. Mais não fosse, São Paulo é uma das cidades que mais crescem no mundo. É também a capital dos negócios.
Em 2008, participei como autor do livro São Paulo Minha Cidade (reprodução da capa ao lado). Esse livro, distribuído gratuitamente após um festejado concerto na Sala São Paulo, trazia inserido um CD por mim produzido. Sala lotada. Entre os presentes, foram homenageados Paulo Vanzolini (1924 - 2013), Alberto Marino Jr. (1924 - 2011) e Zica Bérgami (1913 - 2011). Na ocasião, eu fui incumbido de entregar troféus a esses compositores.
Assis Ângelo entre Paulo Vanzolini
e Alberto Marino Jr.
O ano de 1954 foi o ano que São Paulo recebeu o maior número de composições, inscritas num grande concurso musical promovido pela Prefeitura. Perfil de São Paulo, de Francisco de Assis Bezerra de Menezes ficou em primeiro lugar na voz de Silvio Caldas, mas o dobrado, Quarto Centenário, de Mario Zan (versão japonesa a foto acima) foi a mais executada nas emissoras de rádio. Vendeu mais de um milhão de cópias.
A primeira composição a receber como título o nome de um bairro foi a valsa choro, Rapaziada do Brás, de Alberto Marino (1902 - 1967).
Um ano antes do quarto centenário da Capital paulista, Mario Genari Filho (1929 - 1989) lançou, pela Odeon, o hino, Parabéns São Paulo, por ele mesmo executado à sanfona. Detalhe: Mario perdeu a visão dos olhos quando tinha cerca de cinco anos de idade.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha tudo ou quase tudo que foi composto e gravado nos mais diversos formatos desde discos de 78 RPM até CD’s e DVD’s.

Clique abaixo e ouça um trecho da música da Rapaziada do Brás, com letra de Alberto Marino Jr. Na voz do argentino naturalizado Carlos Galhardo:

O ÍNDIO MERECE RESPEITO...


Em 1986, a Editora Nacional publicou,
de minha autoria o livro O Brasileiro Carlos Gomes

Eu gostaria de saber, sinceramente, o que leva a mais alta autoridade de um país a atacar, sem nenhuma razão, e a menosprezar o índio, o negro, o povo, e a quem não votou nele ou a quem dele discorda.
Ainda estou estarrecido com o que disse ontem 23 o presidente da República: "O índio mudou, tá evol... Cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós".
Ano passado, na ONU, ele já tinha posto no chão a estima do cacique Raoni e, de tabela, a de todos os índios brasileiros.
É muito triste ouvir o que diz o presidente nos seus momentos de total insensibilidade. Por essas e outras, Jorge Ribas e eu compusemos a modinha Presidente sem Noção. 
Mas isso não é de hoje.
O nosso índio já foi personagem de poemas e de belas obras literárias, como O Guarani. Essa obra, aliás, serviu de base para o paulista Antônio Carlos Gomes (1836-1896) desenvolver ópera Homônima no Alla Scala de Milão, Itália, na noite 19 março de 1870.
O Guarani é um romance indigenista de autoria do cearense José de Alencar (1829-1877), publicado em 1857. Bem depois, em 1963, o carioca Antonio Callado publicou o belíssimo romance Quarup, cujo leitura recomendo à todos.
Na música popular, o índio também já apareceu como herói. Senhor da Floresta por exemplo, samba de René Bittencourt, gravada por Augusto Calheiros no dia 03 de Abril de 1945 e lançada à praça pela extinta Victor no mês seguinte.
Mas o índio também já foi alvo de galhofa. Em 1961, o compositor Haroldo Lobo levou ao disco a marchinha carnavalesca Índio Quer Apito. Ouça:

Em janeiro de 1963,  foi a vez de Serafim Adriano compor a marcha Índio Maluco, gravada por Zilá Fonseca pro carnaval daquele ano.
Não custa lembrar que somos descendentes de índios e negros.
Atualmente há cerca de 800 mil índios habitando o Brasil e falando 274 línguas.
O presidente da República deveria ler a Constituição Federal vigente, em cujo Art. 5º lê-se:
"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade..."

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

MALUQUICES DO NAZIFASCISMO


Muita gente sabe que eu, pessoalmente, não sou muito chegado ao gênero musical rock. Muita gente sabe, também, que mesmo sem morrer de amores por esse ritmo eu defendo quem o defende, quem goste dele etc.
Um absurdo é o que acabo de saber: edital musical aberto ao público ontem 22 pela Funarte proíbe que grupos de rock, fanfarras e banda de pífanos participem desse edital.
Até aonde esse governo quer chegar?
O presidente do País aparenta ser um maluco carente de camisa de força, pois anda o tempo todo a destilar veneno contra quem não siga sua cartilha nazifascista. É perigoso. Até fiz uma musiquinha em sua homenagem, ouçam:

Arte é arte. Aliás, o maestro cearense Eleazar de Carvalho, criador do Festival de Inverno de Campos de Jordão, dizia-me que só há dois tipos de música: a boa e a ruim. Leiam abaixo entrevista que fiz com ele há muito tempo. Clicando:

CASA OU NÃO CASA?
Repito: se Regina Duarte disser “sim” ao Presidente será que terá condições ou coragem de formar a sua própria equipe na Secretaria de Cultura? Sei não, acho que ela vai dizer “não”. Se tiver juízo, claro. Mas a vaidade até num dia santo pode nos levar as quenturas do fogo do inferno. É ou não é?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

VIVA A DEMOCRACIA! (3)

Hackear documentos, ligações telefônicas alheias, extrair seja o que for das pessoas é crime.
Em qualquer país democrático é garantido ao jornalista o direito de preservar suas fontes.
O que aconteceu no episódio envolvendo o ex juiz Moro e membros de sua equipe (Lava Jato), é caso que se enquadra no item hackeamento.
Ninguém tem o direito de roubar ninguém, seja qual for o produto do roubo. O furto.
Mas tudo isso é muito delicado, naturalmente.
A liberdade de expressão e opinião é um direito que nos garante a Constituição de 1988.
Não é de hoje que autoridades constituídas procuram barrar o trabalho dos jornalistas profissionais.
O Imperador Pedro II fez uma Constituição que opunha no mais alto pedestal do seu tempo.
A primeira Constituição Republicana também dava mais garantias aos poderosos do que ao povo, propriamente.
O presidente Vargas escapou das acusações que lhes eram feitas, mas não escapou do seu destino que foi disparar um tiro em seu próprio peito. E por aí segue a história.
Armando Falcão (1919-2010), que foi ministro da Justiça do último Governo Militar (1964-1985), não gostava de jornalistas nem de boca fechada e à eles a qualquer pergunta sempre respondia: "Nada a declarar".
O Collor, mais do que Sarney, fugia de jornalistas como o Diabo foge da cruz.
E o que dizer, então, do atual Presidente?
Bolsonaro não costuma conversar com jornalistas, prefere agredi-los, ironizá-los. Todo dia quando passa diante dos jornalistas abre a boca para proferir ironias na forma de opiniões ou novidades que soltam aos poucos.
O recente caso de hackeamento envolvendo Moro e integrantes da equipe Lava Jato é, repito, gravíssimo por se situar na linha invisível do correto e garantido pela Constituição com o submundo pegajoso dos crimes de roubo e furto, por exemplo.
No começo dos anos de 1980, fui processado pelo Estado depois de publicar uma reportagem denunciando a irresponsabilidade e omissão do Governo de São Paulo que, à época, deixou de acudir os apelos da população de um bairro pobre de Ribeirão Pires. Recebi ameaças de morte, o escambau. Fui absolvido, mas comi o pão que o Capeta amassou.
 Antes desse caso (furo), eu tive muitas matérias censuradas no suplemento literário do jornal carioca Tribuna da Imprensa.
A censura também me pegou no próprio matutino FSP, quando durante o mês desenvolvi reportagem sobre o Esquadrão da Morte. Essa matéria terminei publicando no extinto semanário Pasquim. Clique: "ATÉ TU, JAGUAR?"

NAMOROU, NOIVOU... VAI CASAR?

O nosso mundo cultural está vivendo momentos de extrema ansiedade e angústia pela possível aceitação da atriz Regina Duarte para o cargo de secretária deixado por um tal Alvim. Caso aceite, será que a atriz vai ter a liberdade ou o poder de trocar os seguranças do Alvim nos postos que ele deixou? Tem nazista como o Diabo, por aí. A propósito, o Presidente chegou a dizer que nazismo era coisa da esquerda. Eu hein.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

POR ONDE ANDA A CANTORA MILENA?

Assis mostra novo disco da cantora Milena


Dóris Monteiro, Aracy de Almeida, Maísa Matarazzo e outras grandes cantoras brasileiras iniciaram a carreira nas noites. São escoladas, portanto, entre essas grandes cantoras se acha Milena, baiana da cidade de João Gilberto: Juazeiro.
Milena não gravou muitos discos, mas os que gravou, a partir da metade dos anos de 1960, são referência e endosso ao seu talento. Começou gravando versões, mas garantiu na sua voz verdadeiras pérolas de autores nacionais, entre os quais, João do Vale.
João do Vale (1934 – 1996) iniciou a carreira compondo ao lado do pernambucano Luiz Vieira (1928 – 2020), em 1950. Primeira música dos dois, Estrela Miúda. Segunda música dos dois, Na Asa do vento.
O novo disco de Milena é formado por 14 composições, todas de autoria de João do Vale e parceiros como o já citado Luiz Vieira. Entre as músicas desse disco se acham Estrela Miúda e Na Asa do Vento. Obras primas.
Embora com novo disco, de produção executiva e artística assinada por Cervantes Sobrinho e Thiago Marques Luiz, Milena anda fora das mídias.
Por onde andará Milena? Que não ouço no rádio, na TV e noutras mídias.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

A MÚSICA POPULAR ESTÁ DE LUTO. MORREU LUIZ VIEIRA

No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, acham-se muitos discos de Luiz Vieira

Como Luiz Gonzaga, Luiz vieira não gostava de ser chamado de cantor, gostava de ser chamado de can-ta-dor.
Luiz Vieira, de batismo, Luiz Rattes Vieira Filho, morreu no começo desta tarde num hospital do Rio de janeiro, vítima de um ataque cardíaco.
Entrevistei Luiz Vieira várias vezes e várias vezes ele participou ao vivo do programa São Paulo Capital Nordeste, que durante mais de seis anos apresentei na Rádio Capital (AM 1040).
Vários sucessos Vieira deixou como Prelúdio para Ninar Gente Grande e Paz do meu Amor.
Suas composições foram gravadas por grandes nomes da música popular como Nara Leão, Sérgio reis, Maria Bethânia e até Taiguara, chamado O Cantor dos Festivais.
O grande público não sabe, mas Luiz Vieira foi um artista eu ajudou de todas as formas outros artistas, arranjando shows e emprestando até dinheiro.
Carmélia Alves tinha verdadeira admiração por Luiz Vieira, agora, estão no céu.
Luiz vieira gravou vários discos de 78 RPM, compacto e LP’s.
No próximo dia 12 de outubro, das Crianças, ele iria completas 92 anos de idade.
Em 1953, Vieira gravou o belíssimo poema Se Eu Pudesse Falar. De sua autoria. Ouça.




REIS DA MÚSICA CANTAM SÃO PAULO




Quase 13 milhões de pessoas habitam o município de São Paulo, que completará 466 anos de fundação no próximo dia 25 deste janeiro.
Carmélia Alves e Assis Ângelo
São Paulo é hoje a maior cidade da América do Sul e a quinta maior do planeta. Essa cidade já foi cantada em mais de três mil títulos musicais diferentes, compostos por cerca de sete mil autores de todo o País e até do Exterior. Entre os autores: Mario Zan (rei da sanfona), Luiz Gonzaga (rei do baião), Jackson do Pandeiro (rei do ritmo), Manezinho Araújo (rei da embolada), Carlos Galhardo (rei da valsa) e outros “reis” da música e da voz, como Chico Alves. Fora os reis Alberto Marino, Ary Barroso, Paulo Vanzolini e mulheres incríveis, como Carmélia Alves e Zica Bergami.
Carmélia Alves (1923-2012) foi durante toda a vida profissional chamada de Rainha do Baião, “título” dado por Luiz Gonzaga. Gonzaga, a propósito, foi chamado de rei pela primeira vez no Brás. O Brás, não custa dizer, é o bairro mais cantado da capital paulista. É citado em quase cinquenta títulos musicais, entre os quais, o Baião em Paris (foto acima).
Rapaziada do Brás e Ronda são as músicas mais regravadas do repertório paulistano.
Rapaziada do Brás foi gravada apela primeira vez pelo autor que se identificava como Bertorino Alma (Alberto Marino) e o seu Sexteto. Isso em 1927.
Essa música, uma valsa, receberia letra em 1960. Essa letra foi feita pelo filho de Alberto, Alberto Marino Jr. (1924-1989), e gravada pela primeira vez pelo cantor Carlos Galhardo (1913-1985), que era de origem argentina.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham centenas e centenas de músicas que tratam do município de São Paulo, incluindo partituras.

ANTÔNIO NÓBREGA
O artista multimídia pernambucano Antonio Nóbrega apresenta novo espetáculo, RIMA, Na unidade Sesc Bom Retiro, nos dias 18 e 19. Chama-se RIMA, o espetáculo, nome também do seu novo álbum musical. Eu vou, você vai? Então, vamos.

GERALDO AZEVEDO 
Geraldinho, como os mais íntimos o chamam, acaba de completar 75 anos de idade. Foi no último dia 11. Geraldinho tem uma história muito rica no campo da nossa música popular. Ele foi um dos músicos que acompanharam Geraldo Vandré em turnê pelo País. O seu primeiro LP foi dividido com o seu conterrâneo o pernambucano Alceu Valença, em 1972. Fica o registro.



domingo, 12 de janeiro de 2020

MUSICAL MOSTRA VIDA E OBRA DE BELCHIOR

Púbico aplaude de pé a performance dos artistas do musical
Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro!
Num tempo em que o próprio presidente da
República emprenha-se em sucatear as ferramentas de valorização da cultura popular do País, incluindo a música, é de se louvar a coragem de empresários e produtores culturais como João Luiz Azevedo, que anda removendo montanhas Brasil a fora para levar a publico o belíssimo espetáculo Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro!
Assisti ontem 11 no Teatro Liberdade (Rua São Joaquim, 129), entusiasmado, esse musical que leva à cena os atores e cantores cariocas Bruno Suzano e Pablo Paleologo.
Pablo permanece mais tempo cantando, enquanto Bruno ilustra cantos em que de alguma forma Belchior é personagem.
Belíssima é a cena em que Bruno retira de uma mala uma pipa, o que faz lembrar instantes da infância do autor de Eu Sou Apenas Um Rapaz Latino Americano, Como Nossos Pais e Coração Selvagem. Foto a baixo.
Outra cena bonita entre tantas, é quando Bruno feito criança, contente, conclui um barquinho de papel que ilustra à perfeição a cantiga Mucuripe, que o parceiro Fagner gravou no seu primeiro LP.
Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro transcorre  em pouco mais de uma hora. São 15 músicas muito bem interpretadas sem a preocupação de o interprete imitar o artista cearense. É de se destacar com louvor o acompanhamento musical a cargo de um grupo formado por Emília Rodrigues (baterista), Fabio Rocco (baixo), Marina Bastos (sax e flauta), Rico Farias (guitarra) e Thomas Lenny (teclado). A direção musical é de Pedro Nego.
O espetáculo vale a pena ser visto, por fans e não fans. Impossível ficar quito sem aplaudir a performance dos atores/cantores e da banda. Nota dez, também, para a iluminação de palco a cargo de Rodrigo Belay. O figurino e a cenografia levam assinatura de José Dias.
O espetáculo é ponteado por trechos significativos de entrevistas de Belchior pinçados dos jornais, revistas e até de uma fala dele mostrada pelo Fantástico, da TV Globo, no momento em que se encontrava ausente do Brasil, no Uruguai. Essa parte, aliás, possibilita ao público saber a opinião de Belchior sobre arte e artista, privado de público. O privado, pra ele, não é de interesse público.
As colagens de entrevistas de Belchior à imprensa serviram para o diretor do espetáculo, Pedro Cadore, formatar o roteiro que teve a colaboração de Claudio Pinto.
O Teatro Liberdade foi inaugurado em abril do ano passado e tem como diretor o português Manuel Fernandes, que anda entusiasmado com as possibilidades de ocupação do teatro. a próxima atração tem haver com Tim Maia. Hoje 12, quem não viu pode ainda ver o espetáculo Belchior - Ano Passado Eu Morri, Mas Esse Ano Eu Não Morro.
Belchior (1946-2017) foi um dos mais representativos artistas da nossa música popular.
Saiba algo mais sobre Belchior. Clique:
http://assisangelo.blogspot.com/2017/04/belchior-e-uma-lembranca-que-doi.html
http://assisangelo.blogspot.com/search?q=BELCHIOR+E+A+M%C3%81+POL%C3%8DTICA
http://assisangelo.blogspot.com/2015/03/por-onde-andara-belchior.html

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O HISTÓRICO DIA DO FICO


Não é de hoje que ouço brasileiros dizendo querer mudar-se do Brasil, ora alegando decepção política, ora alegando insegurança pública, violência etc. 
Pesquisas indicam que há pelo menos três milhões de brasileiros morando fora do País. 
Pela ordem os Estados Unidos, Japão, Portugal, Itália e Espanha são os países com o maior número de brasileiros, vivendo bem ou comendo o pão que o Diabo amassou.
Nas últimas eleições havia cerca de quinhentos mil brasileiros aptos a votar no Exterior, mas menos da metade compareceu aos locais de votação. 
Há muitos brasileiros morando de maneira ilegal mundo afora, principalmente nos EUA.
Ao retornar a Portugal Dom João deixou no seu lugar, como príncipe regente, o filho D. Pedro I.
Pouco depois de chegar à terra de origem, D. João deu ordens para que o seu menino deixasse o Brasil. 
No dia 9 de janeiro de 1822, D. Pedro decidiu desobedecer às ordens do pai e disse alto e bom som a quem quisesse ouvir: "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Digam ao povo que fico!".
O Brasil passou a mudar de modo positivo após a chegada da família Real em 1808, quando deixou de ser colônia. 
A decisão de Pedro I foi de grande importância, inclusive porque naquele mesmo ano ele entrou novamente para a história ao desligar-se de Portugal, num brado duvidoso feito às margens do riacho Ipiranga, localizado na zona sul da Capital paulista: "Independência ou morte!".
Sem o Dia do Fico não teria havido a separação do Brasil, de Portugal, pelo menos naquele ano.
O Dia do Fico foi, portanto, de extrema importância histórica. 
Eu, ao contrário de tantos brasileiros, digo a quem interessar possa: o Brasil é o meu lugar e é aqui que deverei findar meus dias, até lá, fico!
Todos os principais acontecimentos históricos ou não se acham na discografia brasileira.
Em 1962, a Beija Flor de Nilópolis faturou 2º lugar com o enredo que levou à avenida: Dia do Fico, de autoria de Cabana. Cabana era como assinava Silvestre Davi da Silva (1924-1986). Esse Samba foi gravado por Martinho da Vila em 1980 (acima) e também por Neguinho da Beija Flor. Ouça:



quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O BRASIL AINDA TEM JEITO. VIVA O BRASIL!


Dois mil e dezenove foi-se embora levando tristeza, deixando saudade e esperança no peito de quem quer viver.
Li, isto é, ouvi muitos livros e discos no ano que passou.
Entre os discos que ouvi, quatro me chamaram atenção. São eles:
Canta Inezita, Mirianês Zabot canta Gonzaguinha, Anastácia - Daquele Jeito! e Prêmio Grão de Música 2019.
Canta Inezita é um CD produzido por Thiago Marques Luiz e lançado pela exigente Kuarup. O disco que tem a participação de As Galvão, Maria Alcina, Consuelo de Paula e Claudio Lacerda, é formado por 15 faixas do repertório da grande interprete paulistana Inezita Barroso (1925-2015). A primeira, segunda e terceiras faixas, respectivamente Engenho Novo (Henckel Tavares), Viola Quebrada (Mário de Andrade) e Ronda (Paulo Vanzolini), são interpretadas com muita categoria por Consuelo de Paula.
Nesse disco a destacar, também, a interpretação de Claudio Lacerda em Cuitelinho (Antonio Xandó / Vanzolini), Poeira (Luiz Bonan / Serafim Gomes) e Menino da Porteira (Teddy Vieira / Luizinho).
Maria Alcina com o vozeirão que Deus lhe deu nos emociona e faz rir com a interpretação que dá, por exemplo, à moda Marvada Pinga (Ocheicis Laureano). Ela canta também, com firmeza e alegria, Prenda Minha, Balaio (Paixão Cortês / Barbosa Lessa) e De Papo pro Ar (Olegário Mariano / Joubert de Carvalho), essa última em companhia das Galvão.
As Galvão, um símbolo feminino da moda caipira, cantam Cheiro de Relva (Dino Franco / José Fortuna) e Beijinho Doce (Nhô Pai), lançado originalmente por Irmãs Castro em 1945.
O disco termina com todos cantando o clássico paulistano Lampião de Gás, valsa de Zica Bergami.
Os arranjos das músicas aqui reunidas são assinados pelo craque Paulo Serau.
Curiosidades: Na origem, Cuitelinho foi recolhida por Vanzolini como se pertencesse ao folclore da região Norte. Enganou-se, pois tinha autor. E a esse autor Vanzolini devolveu, por iniciativa própria, todo o dinheiro que até então o ECAD tinha arrecadado. Ainda sobre Vanzolini tenho a dizer que na Marvada Pinga constam duas quadras de sua autoria.
Ouça Engenho Novo com Consuelo de Paula: https://youtu.be/XiiI4Omsnaw
Outro disco que o Brasil deveria já estar aplaudindo a muito tempo é Mirianês Zabot canta Gonzaguinha - Pegou um Sonho e Partiu. Esse disco, aliás, teria forçosamente de ser identificado e fortalecido pelo subtitulo que aparece na capa. Trecho, inclusive, do samba Com a Perna no Mundo.
Das interpretes que eu ouvi debruçarem-se sobre a obra de Gonzaguinha, Mirianês é um destaque natural. E aqui não vem comparação com nenhuma das cantoras que já interpretaram Gonzaguinha.
Bem escolhido foi o repertório que forma esse disco, que tem 12 faixas, incluindo faixa bônus. Começa com a canção Maravida e segue com Sangrando, Desenredo (G.R.E.S. Unidos do Pau Brasil), Comportamento Geral, Feliz, Espere por Mim Morena, Um Sorriso nos Lábios, Galope e Caminhos do Coração.
A produção musical e os arranjos desse disco são de Oswaldo Bosbah. E não custa dizer que a voz de Claudette Soares é molho à parte desse disco. Ela e Mirianês interpretam De Volta ao Começo, obra prima do filho postiço do rei do baião, Luiz Gonzaga. Ia-me esquecendo: Esse disco completa-se com o samba de roda até a então inédito Vidas Idas, de autoria de Mirianês e Oswaldo Bosbah.
Particularmente, gostei muito da interpretação dada a Galope. Ouça: https://youtu.be/pU1fSRgP_-0
Daquele Jeito é o mais recente CD da rainha do forró, Anastácia. Traz 16 faixas, incluindo uma bônus que dá título ao disco. Todas as faixas são de sua autoria. Uma melhor do que a outra. E não custa lembrar que Anastácia é a mais inspirada compositora do Nordeste. Começou a gravar, ela própria, em 1962.
Centenas de interpretes brasileiros e até estranheiros da Itália, França, México,  já a gravaram.
Quase todos os título de Daquele Jeito são inéditos.
Anastácia acaba de voltar de um giro por Portugal e está preparando um novo CD com convidados especiais, entre os quais Alceu Valença e Chico César. A produção é de Zeca Baleiro, novo parceiro.
Essa nova produção fará parte da programação dos 80 anos de Anastácia.
Para lembrar ouça a primeira gravação de Eu só Quero um Xodó, com Marinês. Clique: https://youtu.be/bpG1YrGzcW4
Nestes tempo bicudos em que já não se valoriza tanto a cultura popular é com grata satisfação que ouço o CD Prêmio Grão de Música 2019, que traz 15 faixas com interpretes novos e tarimbados como Marlui Miranda (Rio Araguaia) e Rolando Boldrin (Eu, a Viola e Deus).
O disco começa com Wilson Dias, bem afinado, cantando Boi Brasil. Emociona. A maioria dos nomes que aparecem nessa nova edição do Grão de Música não se escuta nas emissoras de rádio. Pena, pois há entre eles ótimos interpretes, como Josyara (Rora de Colisão), Sarah Moraes (Valsa da Saudade) e Márcia Tauil (Bagunça no Balaio).
No geral, o disco é ótimo. O que precisa, mesmo, é de divulgação. Num tempo em que o presidente da república põe em prática um plano de destruição da cultural popular é saudável e bom aplaudir projetos como esse Prêmio Grão de Música. Assim, de grão em grão, o Brasil pode crescer no campo da cultura popular.
A inciativa desse projeto deve-se à paraibana Socorro Lira, compositora e cantora de talento excepcional. É dela, também a direção geral e coordenação de produção. A identidade visual e arte desse disco traz a chancela de Elifas Andreato.
Como eu disse, o CD Prêmio Grão de Música 2019, abre com Boi Brasil. Ouça: https://youtu.be/Cnlii2VWU_c

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

VIVA O NATAL E OSVALDINHO DA CUÍCA!


Uma das características positivas destes tempos de Natal é a visita dos amigos. Eu mesmo acabo de receber a visita de mestra Osvaldinho da Cuíca e um de seus filhos Júlio César.
Osvaldinho é desses caras que nos cativam já no primeiro momento. Fala pelos cotovelos, no bom sentido, brinca, canta. Está sempre com uma novidade na ponta da língua e boas histórias do passado para contar.
Também estiveram comigo Carlos Silvio, Helvídeo Matos e outro e outros.
Os editores Expedito Jorge Leite e José Xavier Cortez mandaram recados próprios da data.
Até o Rômulo Nóbrega entrou nessa onda de natal e de Campina Grande tascou um Feliz Natal.
O Peter diz que antes do fim do ano vem por cá com um abraço. No próximo dia 12 de fevereiro, Osvaldinho da Cuíca, paulistano do Bom Retiro, completará 80 anos. Taí uma boa data para o Brasil comemorar.
Ah! Cheguei a gravar umas coisinhas com Osvaldinho. Clique: 


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

NATAL É VIDA, REFLEXÃO...



Essa coisa de fim de ano é importante só por nos fazer lembrar que há um dia após o outro.
O Natal é uma bobagem, mas passa a ganhar importância a partir do momento em que passamos a acreditar que é nascimento. E quem ganha com isso, mesmo, é o comércio.
Mas o Natal é nascimento.
O Natal é natividade.
Ninguém sabe quando Cristo nasceu e nem quando morreu.
No rigor, no rigor mesmo, nem sabemos se ele existiu. Pessoalmente, e pessoalmente não quero dizer nada, a não ser que ele existiu pra mim.
Paulo, São Paulo, foi de uma importância fundamental para a crença Cristã.
Nós todos somos de uma beleza natural, Cristã.
Por que?
A beleza natural da vida se escreve com flores, com plantas, com abraços, com apertos de mão, com beijos.
O dia 25 deste dezembro deste 2019, estive batendo palmas à vida.
Estive na casa do Manuel Bueno e sua querida companheirinha, Francisca.
E lá estive com Ana, minha filha; Geremias, Danilo e sua vida, Daniela e Nena.
E o Manuel numa hora qualquer, levou-me a conhecer o que ele chama de “horta”.
A horta do Manuel é, na verdade, um pomar.
No pomar do Manuel tem mais de 70 plantas diferentes.
Foi o Natal mais bonito da minha vida, conhecer o pomar do Manuel.
Na foto-montagem que abre esse texto, flashes da visita que fiz ao pomar. Lá, escondidinhas, fui apresentado à bela e cheirosa flor das onze horas. Ela morre logo após se abrir aos nossos olhos.
José de Assis Valente foi um baiano que sofreu muito. Logo cedo ele foi rejeitado pelos pais e adotado por uma família cristã. O tempo o fez um dos mais inspirados compositores da nossa boa música. É dele a obra prima, Boas Festas. Essa música foi lançada em disco de 78RPM em 1936. Ouçam-na no original com Carlos Galhardo.

domingo, 22 de dezembro de 2019

OS 90 ANOS DA MODA DE VIOLA PASSAM EM BRANCAS NUVENS



Mais um ano chega ao fim. Quem viveu, viu. O desafio agora é encarar o que nos espera.
Neste 2019, foi lembrado em boa parte do País o centenário nascimento de um grande artista nordestino: Jackson do Pandeiro, paraibano de Alagoa Grande. Até um filme foi lançado sobre sua vida pessoal e trajetória artística.
Enquanto comemoravam-se os cem anos de Jackson, completamente esquecido passou o centenário de morte do pioneiro das gravações musicais no Brasil: Eduardo das Neves.
Eduardo, Bahiano, Cadete e Mario Pinheiro foram os primeiros cantores profissionais a gravar discos em nosso País.
Em 1929 foi a vez de o Brasil ouvir em disco as primeiras anedotas e modas de viola. O responsável por essas gravações foi o paulista de Tietê Cornélio Pires (1884-1958).
Saiu do bolso de Cornélio o dinheiro que ele usou para produzir 52 discos de 78 RPM. Esses discos foram à praça com a chancela da extinta gravadora Columbia.
O primeiro disco produzido por Cornélio trazia duas anedotas: Entre Italiano e Alemão e Anedotas Norte-Americanas (na foto), por ele mesmo contadas.
Esse disco deu início à Série Cornélio Pires, lançada em maio de 1929. Em outubro desse mesmo ano sairia novo suplemento trazendo a primeira moda de viola, que logo se transformaria num clássico do gênero. Essa moda, apresentada pelo próprio Cornélio, tinha interpretação de Mariano e Caçula.
Nos 52 discos de Cornélio Pires não há nenhum que traga nenhuma referência ao Natal ou a Papai Noel.
No começo do segundo semestre de 1951, a dupla Palmeira e Luizinho lançou ao mercado a toada Vespra de Natá, de Arlindo Pinto e do próprio Palmeira. Nessa cantiga, o personagem lamenta-se de, ao chegar em casa após assistir a uma missa, não encontrar mais a mulher, que fugira sabe-se lá com quem, um caso claro de traição. A propósito: há muitas bobagens e tragédias nas letras e canções que tratam de Natal e Papai Noel.
Em dezembro de 1932, a cantora Madelou Assis lançou à praça a canção Papai Noel (Felicidade). A letra dessa canção, de autoria de Custódio Mesquita, remete o ouvinte a um rapto. Confira!
Os discos da Série Cornélio Pires estão no acervo do Instituto Memória Brasil (IMB). Acesse: www.institutomemoriabrasil.com.br

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

MARIA ALCINA É A VOZ DO MENGO!

Fio Maravilha foi gravado em vários idiomas

Lembro-me de uma fala de mestre Guimarães Rosa (1908-1967), segundo a qual "todo homem inteligente é torcedor do flamengo".
Isso mesmo, foi o que disse o autor do clássico romance, Grande Sertão: Veredas.
Amanhã sábado 21 o Flamengo pega em decisão final no Mundial de Clubes, no Catar, o inglês Liverpool.
Meus amigos, Carlos Silvio, Helvídeo Matos disse que não, mas eu  e Edvaldo Santana, cantor, compositor e instrumentista dos bons,  apostamos cruzando os dedos que, o clube do mineiro Rosa, faturará essa parada com folga. Só o Silvio, o mais chato, acha que o Liverpool vence por 4 x 1 e Helvídio Mattos disse que a decisão pró-Flamengo se dará numa hora de pênaltis. Eu hein!
Em setembro de 1972, a mineira Maria Alcina fazia o Maracanãzinho tremer e quase ir ao chão pela
interpretação que dava ao samba Fio Maravilha, do carioca, Jorge Ben, hoje, Benjor.
Maria Alcina não levou Fio Maravilha ao primeiro, segundo ou terceiro lugar, mas chamou a atenção do mundo pela força musical  e presença de palvo que sempre teve. Prova disso é que a música que ela defendeu no Maracanãzinho dentro da programação do Festival Internacional da Canção, FIC, daquele ano, transformou o nome de Ben à estratosfera, e o dela, também.
Gravadoras de vários países levaram a versões diversas o samba inspirado no atacante mineiro,  João Batista de Sales, famoso pela alcunha de Fio Maravilha.
No tempo em que permaneceu no Flamengo, Maravilha marcou 44 gols em 167 partidas.
Ao ser homenageado em música por Jorge Ben, o jogador perdeu as estribeiras e orientado sabe-se lá por quem, decidiu processar o compositor. Perdeu.
A partir de 1972, quando defendeu Fio Maravilha no Maracanãzinho, Maria Alcina, teve sua carreira artística disparada. Apresentou-se em todo canto e em todo canto continua a se apresentar. A última vez foi no teatro Artur Azevedo, onde nos encontramos (foto abaixo). E a gravar discos. Seu mais recente disco intitula-se Maria Alcina, In Concert, com Sp Pops Symphonic Band (ao lado, reprodução da capa). Excelente, gostoso de ouvir. Produção de Thiago Marques Luiz; direção artística, arranjos e regência de Maestro Ederlei Lirussi. Lançamento: Kuarup.
O repertório do disco Maria Alcina, In Concert, com Sp Pops Symphonic Band, termina, claro, com Fio Maravilha.
Para lembrar Maria Alcina no Maracanãzinho, clique: https://www.youtube.com/watch?
v=f3Rq64SXxjw





quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

NATAL NOS PALCOS PAULISTANOS

Da direita para a esquerda Gabriel, Maria, Claudette, Ayrton e Erika
A noite de sábado 14 pegou-me no Teatro São Pedro, no bairro paulistano de Campos Elísios, SP. Teatro lotado. Ao lado do amigo jornalista Matias José Ribeiro, acompanhei o desenrolar de uma ópera popular baseada no conto O Peru de Natal, de Mário de Andrade (1893-1945). Quatro personagens se movimentam no palco, sem contar o peru como atração central. Tudo gira em torno de uma ceia de natal, sem a participação de amigos ou conhecidos tradicionalmente chamados pela matriarca da família. O musical, de fundo satírico, é assinado por Leonardo Martinelli. O libreto traz como autor Jorge Coli. A direção cênica é de Mauro Wrona e a direção musical de Miguel Campos Neto. Gostei.
E gostei muito, muito mesmo, da apresentação que assisti ontem à noite 18 no Teatro Arthur Azevedo, na Mooca. Tudo haver com o Natal. Enfim, é tempo de Natal. No palco Ayrton Montarroyos, Claudette Soares e Maria Alcina. Um trio do balacobaco. Belíssimo encontro de gerações. Ayrton com 23 anos de idade, Claudette com 82  e Maria, 70.
Teatro cheio de gente e graça, risos e lágrimas de alegria de todos que lá estavam.
Ayrton entrou pontualmente às 21h como estava previsto cantando Anunciação, de Alceu Valença, e seguiu com Caetano e Gonzaguinha. Surpreendi-me com o canto desse jovem, um canto forte, cheio de baixos e agudos, completa dominação de palco. Simples, objetivo nas entonações. Nada de desafinação ou exibição desnecessária do seu potencial vocal. Está de parabéns. Vinte e três minutos depois ele entregou o palco à gigante Claudette Soares, que foi recebida pela platéia com aplausos e gritos de euforia. Arrasou interpretando temas natalinos e do seu amigo Roberto Carlos. Claudette brilhava sob um vestido de paetês e plumas. Em altos saltos, ela parecia querer alcançar a lua com seu canto sibilante. Linda!
Às 21h38 foi a vez de Claudette entregar o palco à grande - em todos os sentidos - Maria Alcina.
Maria virou o palco pelo avesso. Ela estava deslumbrante com uma roupa dourada e cheia de adornos comuns à época de natal. O sorriso arrebatador e a voz forte, tonitroante, rapidamente tomou conta de todos.
Fico pensando: o tempo pra Claudette Soares e Maria Alcina parece que não passa. As duas se completam em timbres e performances.
Os arranjos do repertório interpretado por Ayrton, Claudette e Maria, são assinados por Gabriel Deodato e a produção é de Thiago Marques Luiz. Os músicos que acompanharam o trio de artistas, Erika (violoncello) e Gabriel (violão), são excepcionais e merecem todos os aplausos.
Esse é um espetáculo para ser apresentado o tempo todo em todo o canto, tão bom que é.

Da direita para a esquerda Ayrton, Claudette, Maria, Assis e a cantora Mirianês Zabot



quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

É DIFÍCIL, MAS É BOM, LER MAQUIAVEL


É longa a história política dos Estados Unidos da América. Longa, complicada e tudo o mais.
Os EUA são conhecidos como a terra da liberdade.
A Constituição estado-unidense é constituída de uma dúzia de artigos. E é longa a sua história.
Até hoje, nenhum presidente norte americano foi “impichado”. É verdade, porém, que em duas ocasiões a Câmara dos Deputados, lá deles, aprovou o processo de Impeachment contra Andrew Johnson (1868) e Bill Clinton (1998). Entre o primeiro e o segundo, houve Nixon (1974), que optou pela renúncia. Em suma: a Câmara votou pela derrubada de Johnson e Clinton, mas o senado os salvou.
Esses fatos levam-me a lembrar de Maquiavel (1469-1527).
Maquiavel escreveu algumas pérolas do livre pensar político, jurídico e militar.
Em O Príncipe, escrito no começo da segunda década dos anos 1500, O Príncipe só foi lançado a público poucos anos após a morte do autor. Mas o que eu quero dizer é o seguinte: Maquiavel, político sem cabresto, filósofo, poeta e músico, explicou tintim por tintim como um príncipe, rei ou presidente, deve ou deveria governar seu principado, reino ou República.
É uma delícia ler o príncipe.
Muita gente pensa, até hoje, que é de Maquiavel a definição segundo a qual “os fins justificam os meios”, não é nada disso, mas pode ser. O certo, porém, é que a frase não é do italiano Nicolau Maquiavel.
Eu duvido que os presidentes ameaçados de impeachment ai citados tenham algum dia lido Maquiavel. Tampouco, O Príncipe. Acho, também, que Donald Trump – agora ameaçado de impeachment – tenha lido Maquiavel e como seus pares anteriores seja vencido por seus apoiadores no senado platinado dos Estados Unidos da América do Norte.
Muita gente mundo afora acha que Maquiavel é “maquiavélico”. Ele era, simplesmente, um pensador que pensava de modo originalíssimo. A propósito: há exatos 500 anos, ele escrevia a Arte da Guerra.
Quando o Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, com a sua prepotência incurável, escrevi:

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

É TEMPO DE NATAL


Ontem domingo 15 comecei o dia ouvindo a missa que a Tv Cultura transmite ao vivo para os católicos, diretamente da Basílica de Aparecida, SP. O padre, cujo o nome não lembro, ressaltou a importância dos índios Terena lá representados. Na ocasião também se fez presente uma representação de frades Capuchinhos, homenageados pelos 100 anos de atividade, no Brasil. Depois ouvi Boldrin apresentando o seu ótimo musical Sr. Brasil. Pela mesma TV.

Na noite de ontem 15 fui ouvir adultos e jovens tocar e cantar na Paróquia São Pedro Apóstolo, no bairro paulistano Tremembé, na zona leste de São Paulo. Esses adultos e jovens trabalham e estudam na Escola Waldorf.

Espetacular o que ouvi.

Na Paróquia São Pedro Apóstolo ouvi um concerto de Natal (Link ao fim do texto), constituído de peças tradicionais do repertório natalino. Entre essas peças Adeste Fideles e Noite Azul, de autoria respectivamente John Reading e Calda/Cavalcanti. Maravilha!

Nesse concerto, brilhantemente apresentado por adultos (Pais da Escola), jovens (Ex Alunos) e estudantes do Ensino Médio e Orquestra regida pelo professor Luciano Vazzoler, a quem coube também fazer o arranjo das músicas que integraram o repertório.

A apresentação musical contou com um pianista convidado (Anderson Beltrão), duas flautas (Ana Clara e profª Ana Carolina), clarinete (Raquel), dois violinos (Amandi e Profª Clarissa), três violões (Íris, Marco e profº Lucas), ukulelê (Bruna) e percussão (Lara, Marina, Caio).

Não posso deixar de destacar duas músicas de autores brasileiros: Roda Viva, de Chico Buarque; e Boas Festas, de Assis Valente. Roda viva recebeu um ótimo arranjo de Patrícia Costa. Ótimo também foi o arranjo que Aricó Junior fez para Boas Festas. De arrepiar o coração!

Em 1988, a mim não custa dizer, que escrevi e publiquei um opúsculo que intitulei As Origens da Canção de Natal, da Antiguidade à Atualidade (Capa ao lado). À página 7, pergunto e respondo: “Quando, onde e de que forma surgiu a chamada canção de Natal? É quase certo que os primeiros cantos, ou cânticos, de louvor a Jesus surgiram ainda na Idade Média, através dos trovadores. A canção trovadoresca predominou durantes séculos na região meridional da França, no sul da Alemanha e na Península Ibérica. Ao mesmo tempo em que reinavam os trovadores entro o povo, a música vocal sacra abandonava aos poucos os templos para se fazer presente, primeiro nas casas de particulares abonados, e depois nas festas populares pagãs – para desespero da Igreja.” Por aí.

As Origens da Canção de Natal – da Antiguidade à Atualidade, teve uma tiragem de 10.000 exemplares distribuída rapidamente na estação Sé do metrô de São Paulo. É isso. Fica o registro.

Antes e depois da apresentação do concerto de Natal na Paróquia São Pedro Apóstolo, fui apresentado à pessoas muito bacanas. Entre essas pessoas, a menina Lara e seus pais Eduardo e Andrea. Também fui apresentado às meninas Íris e Bruna e ao regente Luciano. (Foto acima)

A escola Waldorf está de parabéns pelo ensino, inclusive musical, ministrado pelos seus alunos.

13 DE DEZEMBRO, PARA O BEM E PARA O MAL...


São grandes os violeiros, violonistas, violinistas e sanfoneiros que o Brasil tem.
São grandes os músicos, compositores e instrumentistas que o Brasil tem.
José Nunes, um nome como tantos, virou Tião Carreiro.
Tião foi um dos maiores violeiros e intérpretes que já ouvi. Eu o entrevistei um ou dois anos antes de ele morrer (1993), disse-me querer gravar de Luiz Gonzaga a toada, Asa Branca. Lembro disso no livro, Eu Vou Contar pra Vocês (1999).
Tião nasceu em Minas Gerais no dia 13 de dezembro de 1934, vinte e dois anos depois de nascer em Exu-PE, Luiz Gonzaga do Nascimento, que o tempo o faria Rei do Baião. Esse Luiz também nasceu num dia treze de dezembro (1912), número, aliás, que gosto muito.
No mesmo ano em que Tião lançava em disco o Pagode em Brasília (1961), parceria com Lourival dos Santos (1917-1997), lançava também o pagode Minas Gerais, que fez em parceria com Pardinho (Antônio Henrique de Lima; 1932-2001). Eu também o entrevistei para a série Som da Terra (Continental; 1994). Ambos viviam em guerra o tempo todo. Pardinho, porém, foi o mais duradouro companheiro da dupla com Tião.
A discografia de Tião Carreiro é muito robusta.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha tudo de Tião e seus parceiros.
A propósito do dia treze de dezembro, não podemos esquecer a tragédia que foi a decretação do Ato Institucional nº5 (AI-5), que prendeu, torturou e matou mais de quatrocentos brasileiros, antes de censurar milhares e milhares de livros, peças teatrais, filmes, tudo. O congresso, naquela ocasião, em 1968, foi fechado e grande parte dos políticos, cassada e exilada. Um horror! E pensar que há brasileiros pedindo a volta da ditadura militar. É de lascar!
Eu fiz uma letrinha que serviu de inspiração melódica ao parceiro músico Jorge Ribbas. Ouçam!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

SER CEGO É UMA MERDA!



O Brasil, todo mundo sabe, é um país extraordinário. Mas, poderia ser muito além disso, se os seus governantes prestassem mais atenção à cultura popular e a educação. É através da educação e cultura que um país ganha notoriedade e respeitos mundiais.

O Brasil é o país de Carlos Gomes, - o maior compositor erudito da Américas -, Villa Lobos, Pixinguinha, Ary Barroso; Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queiroz, Pedro Américo, Zé Lins, Guimarães Rosa, e tantos e tantos brasileiros que, através da arte, enobreceram o nosso país.
Luiz Gonzaga, o rei do baião, morreu há trinta anos e deixou um obra monumental.
Gonzaga como Camões, Homero, Cego Aderaldo, Cego Oliveira, Patativa do Assaré, perdeu um olho num acidente de carro no Rio de Janeiro, mas continuou vendo e fazendo o que muita gente que vê bem com os olhos não faz.
Hoje é o dia de Santa Luzia.
A última composição musical de Luiz Gonzaga foi Padroeira da Visão, feita em parceira como mineiro de Alto Belo, Teó Azevedo, essa música (abaixo) foi uma das últimas gravadas por Dominguinhos (1941-2013).

Não custa lembrar, meus amigos, minhas amigas, que números da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a cada 5 minutos uma pessoa fica cega neste nosso planetinha por nós mesmos tão judiado. Os números também indicam que há, pelo menos, 39 milhões de cegos no mundo. Esses números são de 2010.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que no Brasil há cerca de 7,2 milhões que não vêem nada com os olhos e as que se declaram portadoras de problemas graves de visão.
Por que lembro isso?
Lembro isso porque é muito importante que as pessoas se precavenham indo a consultas oftalmológicas periodicamente. E que não cocem os olhos, que tenham cuidado consigo próprio.
Ser cego é uma merda!
Ah! Andei compondo um poema sobre cego, cegueira, para cegos. Chama-se Oração Santa Luzia (acima).

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

VADICO, UM NOME ESQUECIDO DO SAMBA


Das 259 músicas de Noel Rosa (1910-1937), sete trazem a assinatura de Vadico. Vadico era o apelido do paulistano do Brás, Oswaldo Gogliano (1910-1962). Mesmo assim Vadico, que além de compositor era pianista e arranjador musical, entrou para a história da nossa música popular como um dos mais completos parceiros de Noel, o Poeta da Vila. 
Noel nasceu no dia 11 de dezembro de 1910.
Foi curto o tempo de parceria de Vadico com Noel. Começou em 1932 e findou em 1936. Quatro anos depois, Vadico se achava nos estados Unidos trabalhando com Carmem Miranda (1909-1955) e o Bando da Lua. Enquanto esteve nos EUA, Vadico também trabalhou para os estúdios da Disney. É dele, aliás, a inclusão de Aquarela do Brasil no filme Alô, amigos (1942).
Vadico retornou ao Brasil em 1954, ano do Quarto Centenário de São Paulo.
Curiosidade: ao retornar dos Estados Unidos, Vadico foi atrás dos seus direitos autorais e ficou decepcionado. A decepção veio pelo fato de algumas de suas músicas como Conversa de Botequim e Feitio de Oração se acharem em poder de outras pessoas, pois Noel achara de “vende-las”.
Isso gerou polêmica nos jornais, especialmente porque Almirante partiu em defesa do amigo Noel.
Coisas da vida.
Aracy de Almeida (1914- 1988) foi a intérprete da preferência de Noel. Ela gravou muita coisa dele. Muitas dessas músicas foram selecionadas para o álbum Noel Rosa, com capa ilustrada pelo pintor Di Cavalcanti (acima).
Para lembrar Noel e Vadico, ouçam Chico Alves interpretando Feitio de Oração. A propósito, foi Chico quem primeiro gravou esse samba (1933). Ouçam:

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