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segunda-feira, 27 de setembro de 2021
JORGE RIBBAS VENCE FESTIVAL DE MÚSICA ERUDITA
sábado, 25 de setembro de 2021
JOSÉ NÊUMANNE, POETA E JORNALISTA. DOS BONS
O paraibano de Uiraúna José Nêumanne Pinto é dos mais atualizados jornalistas da imprensa brasileira. Comentarista politico, dele nada escapa. Nêumanne começou a careira na Paraíba, mas foi no eixo Rio-São Paulo que ele deslanchou.
Nêumanne foi repórter especial da Folha, editou do Jornal do Brasil e da Editoria de Política do Estadão.
Trabalhei com ele no Estadão, chefiando a reportagem.
Mas José Nêumanne Pinto não é só jornalista. É mais. Muito mais.
Poeta de sensibilidade incomum, José Nêumanne chegou a gravar até um CD (CPC-Umes, 2007), com arranjo do maestro Marcus Vinícius.
Poemas de Nêumanne foram musicados e gravados por artistas do naipe de Téo Azevedo e Zé Ramalho.
Eu mesmo gravei um poema de Nêumanne, intitulado Desafio da Viola Repentina e Guitarra Cética. Essa gravação abre o repertório do CD Assis Ângelo interpreta poetas brasileiros.
Ouvir Nêumanne é um privilégio. Quem o ouve como atenção só tem a aprender. Que o diga o radialista baiano Carlos Sílvio.
Ontem 24 José Nêumanne deu uma belíssima entrevista ao programa Paiaiá na Conectados, apresentado por Sílvio.
Confira:
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
SEVERO É AGORA ESTRELA NO CÉU
ADEUS CORTEZ, ADEUS SEVERO
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José Xavier Cortez e Paulo Freire |
Em 1964, Anísio Teixeira foi exilado pelos poderosos de plantão.
Em 1964, Paulo Freire foi exilado pelos poderosos de plantão.
Os poderosos de plantão são personagens que atuam em movimento contrário ao avanço da sociedade moderna, sempre à espreita.
Um povo analfabeto é um povo cego sem luz, sem graça, sem futuro, que precisa de muleta para existir.
Um povo analfabeto e sem futuro é presa fácil de quaisquer poderosos de plantão, ditadores, prepotentes, obscurantistas.
Uma pessoa alfabetizada reconhece com facilidade o mundo em que vive e nele se movimenta com a graça de quem ama a vida.
Uma vez, há muito tempo, o grego Sócrates à beira da morte teria dito: “Só sei que nada sei”.
No livro A Importância do Ato de Ler, agora na 52ª edição (Cortez Editora), Paulo Freire diz à pág. 66: “Na verdade, para que a afirmação ‘quem sabe ensina a quem não sabe’ se recupere de seu caráter autoritário, é preciso que quem sabe saiba sobretudo que ninguém sabe tudo e que ninguém tudo ignora. O educador, como quem sabe, precisa reconhecer, primeiro, nos educandos em processo de saber mais, os sujeitos, com ele, deste processo e não pacientes acomodados; segundo, reconhecer que o conhecimento não é um dado aí, algo imobilizado, concluído, terminado, a ser transferido por quem o adquiriu a quem não o possui”.
Atualmente, o Brasil tem cerca de 11 milhões de analfabetos completos. Fora isso, é incontável o número de analfabetos funcionais. Esses são aqueles que aprenderam o bê-á-bá mecanicamente, sem raciocinar, na base da decoreba.
O método Paulo Freire é importante, muito importante, por identificar esse caminho errado. Ou seja, não basta decorar o bê-á-bá, é preciso interpretar o bê-á-bá.
“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, afirma Freire na palestra que proferiu no Congresso Brasileiro de Leitura, realizado no dia 12 de novembro de 1981, em Campinas (SP).
O analfabeto é analfabeto por não saber ler nem escrever, mas não é analfabeto no mundo real em que vive. Pois nesse mundo, o seu mundo, ele distingue facilmente os códigos que o rodeiam. Portanto, nesse caso, o bê-á-bá pouco acrescenta ao sujeito em questão.
Sabe aquela história de o caipira ou o matuto falar errado?
LEIA MAIS:
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
PAULO FREIRE EM CORDEL
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
PRESIDENTE DE MENTIRA
| Charge por João Montanaro |
domingo, 19 de setembro de 2021
TICO TICO NO FUBÁ, 90 ANOS
Não dá pra esquecer: em 1931 foi gravado, pela primeira vez o chorinho Tico Tico no Fubá, do paulista de Passa Quatro, Zequinha de Abreu.
Essa gravação despertou, primeiramente, a atenção da portuguesinha naturalizada Carmem Miranda. E depois dela, o mundo todo tomou conhecimento de Tico Tico no Fubá, que era pra ser chamado de Tico Tico no Farelo.
A Colbaz, cujo nome tem a ver com a extinta gravadora Colúmbia, tinha como líder, o maestro e arranjador Gaó, Odmar Amaral Gurgel(1909-1992).
Zequinha, de batismo José Gomes de Abreu foi um artista que ganhou projeção mundial depois que partiu para a eternidade.
A cidade paulista Santa Rita do Passa Quatro é uma das 12 estâncias climáticas do Estado, localizada a cerca de 250 quilômetros da capital. Foi lá que nasceu no dia 19 de setembro de 1880 o compositor e pianista José Gomes de Abreu, o Zequinha de Abreu, que ganhou notoriedade mundial com o choro Tico-Tico no Fubá, de sua autoria, gravado pela primeira vez no começo de 1931 pela Orquestra Colbaz e, depois, por centenas de intérpretes nacionais e estrangeiros, de Carmen Miranda ao maestro Roberto Inglez (aí ao lado, na reprodução do selo do disco original feito em Londres), Ethel Smith, Alberto Semprini, Georges Henry e, mais recentemente, por uma malaia, JIt San, de seis anos de idade que o interpreta de modo incrível num instrumento chamado Electone. Clique:
http://www.youtube.com/watch?v=X-b7n0_3Ca0sábado, 18 de setembro de 2021
HÁ 40 ANOS MORRIA O AUTOR DE BOI NA CAJARANA
Hoje 18 estão se completando exatos 40 anos do desaparecimento do pernambucano de Recife, Marcos Cavalcanti de Albuquerque, o Venâncio da famosa dupla com Corumba.
Venâncio nasceu em 07 de outubro de 1909 e logo cedo decidiu que seria artista.
Tinha 19 anos de idade quando conheceu Manoel José do Espírito Santo, que se tornaria conhecido como Corumba.
Venâncio e Corumba compuseram muitas músicas, entre elas alguns clássicos como os baiões Boi na Cajarana (1952) e "Último pau-de-arara"(1956).
No correr do tempo, Venâncio separou-se de Corumba depois de 40 anos de parceria, em 1968.
Os dois seguiram desenvolvendo atividades relacionadas à música.
Em 1970, Venâncio criou a ARPOFOB (Associação de Repentistas, Poetas e Folcloristas do Brasil).
O baião Boi na Cajarana, de tanto sucesso que fez, terminou por virar mote no chamado mundo da cantoria.
"O Venâncio me inspirou a fundar a UCRAN – União dos Cantadores, Repentistas e Apologista nordestinos, que reúne profissionais da área residente em São Paulo", diz o profissional da viola repentista Sebastião Marinho.
. O texto continua repercutindo. Bom. Os coleguinhas Simão Zygband e Selma Nunes, compartilharam o nosso blog com seus leitores.
O BRASIL É UM BARQUINHO DE PAPEL NO MAR
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá
Nesse eterno vai-vem
Muita gente cai no má
Muita gente vai pro céu
Sem saber que trem tem lá
Desse jeito o Brasí vai
Se balançano no má
Pareceno u’a donzela
Convidano pra dançá
Esse barco já levô
Muita gente além do má
Já levô Audáio Dantá
Valdi Tele e Jão Bá
Barquero desse barco
Castro Alve foi pro má
Levano o bão Bandeira
Pra um dedo prosiá
Gente de todo tipo
Nesse barco foi pro má
Quereno sabe untudo
Querendo sábi ficá
Há muito ele nasceu
Num belo berço do má
Andô, correu pirigo
Mas sempre sôbe lutá
Lá vai ele
Leve e livre no má
Garboso, sinhô de si
Com o céu a li guardá
Viva o Brasí barquinho
Na sua missão no má
Levano, trazeno gente
Daqui pralí, dali pracá
quinta-feira, 16 de setembro de 2021
LOURENÇO DIAFÉRIA, UM MESTRE DA CRÔNICA
Nestes tempos malucos de fome e guerras absurdas que matam homem, mulher e criança, brancos e pretos…
Lourenço Diaféria foi um mestre da crônica jornalística e essa acusação “rendeu-lhe”, lamentavelmente, enquadramento na Lei de Segurança Nacional, LSN.
Antes do enquadramento, o chefe militar de gabinete do governo de Geisel (1974-1979), Hugo de Abreu, telefonou ao dono do diário Folha de S.Paulo, Octavio Frias de Oliveira (1912-2007), ameaçando fechar o jornal.
A Folha era editada por Cláudio Abramo (1923-1987), cuja a cabeça foi pedida pelo militar.
No lugar de Abramo ficou Bóris Casoy, que se identificava plenamente com o regime da época.
Depois de muita confusão, depois de muita polêmica, Lourenço acabou solto por decisão do Supremo Tribunal Federal, STF.
A crônica Herói. Morto. Nós., que entrou para os anais da história, rendeu também a seu autor um chute na bunda. Quer dizer: demissão do jornal onde trabalhava.
Eu conheci Lourenço na Folha, em 1977.
A amizade seguiu firme por outros lugares: JT, Diário Popular…
Foi não foi, Lourenço me citava em suas crônicas. Levantava a bola, como se diz.
Um dia, pedi-lhe que escrevesse um texto de apresentação para o livro que eu estava em vias de publicar: Nordestindanados, Causos e Cousos de uma raça de cabras da peste (1992). E em três páginas, sob o título Como um Gosto de Tapioca, ele começou:
“Este é mais um livro do mais paulistano dos paraibanos. Vivendo uma diáspora sentimental em busca de melhores perspectivas de trabalho, Assis Ângelo, o autor, não abandona as raízes, a placenta e o umbigo viscerais de seu modo nordestino de ser. A escritura de Assis Ângelo tem a umidade fecunda que banha a lâmina ao talhas a palma do xique-xique. Como não é romance, nem novela, nem autobiografia, nem relatório de serviço, a primeira vantagem deste livro é que as páginas podem ser lidas sem sequência, de trás para frente e vice-versa. Todavia, se alguma página for saltada, e não for lida, o leitor ficará sem saber algumas coisas que o tornarão mais rico de conhecer a alma de um autor. Por vezes, são anotações quase fortuitas, temperadas em meia dúzia de palavras, escritas, aparentemente, como rubricas de uma vida”No seu delicioso texto, sempre na linha de loas, conclui:
“Este livro nada tem de empombado. Não pretende ser um ensaio. Muito menos tratado. É simples, como a tapioca. Mas para fazer igual é preciso ter estrada. Ser filho de dona Anunciada. Ter ido a trezenas de santos infinitos a rogo de dona Alcina. Ter sabido ganhar e perder na vida. E ter aprendido a receita de saber dosar com emoção o recheio do alimento sertanejo”.
O pai de Lourenço era italiano e a mãe, portuguesa.
O resultado dessa mistura deu no que deu: um cidadão explicadíssimo à vida, de olhares sensíveis ao cotidiano da cidade que lhe deu berço. Nascido no dia 28 de agosto de 1933. “Não havia lugar melhor pra nascer, a não ser o bairro paulistano do Brás”, disse-me uma vez.
Lourenço Diaféria, de batismo Lourenço Carlos Diaféria, cresceu brincando e chutando bola, como qualquer moleque de infância comum. Pelo gosto do pai, seria advogado. “A minha mãe não ligava muito pra isso, ela dizia não querer interferir na minha escolha profissional. Bastava-lhe que eu fosse uma boa pessoa, sem inimigos”, lembrou.
Lourenço começou, mas não terminou o curso de jornalismo na Cásper Líbero.
Em 1956, inscreveu-se num concurso para redator do extinto Folha da Manhã, hoje Folha de S.Paulo. Passou, trancou o curso que também iniciara na USP, e seguiu firme na mesma profissão que seu pai exercia no começo dos anos 20, quando chegou da Itália e escolheu o Rio de Janeiro para morar.
Lourenço Diaféria era onipresente. Estava em todo lugar. Ele via tudo e tudo anotava com descrição: as pessoas, os animais, a chuva, o sol, o vento, tempestades, caras feias e bonitas, sem falar dos monumentos espalhados pela cidade, dos teatros, dos cinemas, dos jardins... Foi um cronista completo.
As palavras ele colhia do seu jardim particular, que regava com dedicação e amor.
Em 2000, o Jardim da Luz completou 200 anos.
Para comemorar a data, o cartunista Fausto desenvolveu uma obra gigantesca em que aparecem pessoas que marcaram a cidade. Pessoas simples, inclusive. E lá está Lourenço.
Lourenço fazia das palavras suas amigas. Da mesma maneira que ele cuidava delas, por elas era cuidado.
Ele sempre pôs as palavras no lugar certo, nos lugares certos. Elas não o surpreendiam. E vice e versa.
Era um craque, um verdadeiro jardineiro do Lácio.
Lourenço foi jornalista, cronista, romancista...
Deixou uma montanha de belos livros, entre os quais: Empinador de Estrelas, Um Gato na Terra do Tamborim e Coração Corinthiano.
Foi um grande corinthiano. Sabia tudo e algo mais sobre o Timão.
Quando um dia dispensaram sua crônica do Diário Popular, sem justa causa, sem motivo algum, escrevi uma carta que o jornal publicou. Nela mostrei a minha insatisfação, o meu desgosto como leitor. No dia seguinte, pra minha surpresa, recebi uma carta do mesmo Lourenço agradecendo o que eu fizera. Ele começava dizendo: “Querido Ângelus”.
Ângelus, na verdade Di Ângelus, foi um dos pseudônimos que usei nos meus tempos de artista plástico.
Quando uma equipe da TV Gazeta me procurou pra falar do bairro do Brás, lembrei-me do livro de Lourenço: Brás - Sotaques e Desmemórias.
Lourenço Diaféria morreu no dia 16 de setembro de 2008.
Morreu não,
encantou-se
Ah! Sim: seus pais eram Filipe e Maria.
Grande Lourenço!
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