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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O CEGO NA HISTÓRIA (57)

O moço Chico Bem-Bem do paraibano Zé Lins não tem, literariamente, nenhum parentesco ou amizade sequer com seu Joãozinho Bem-Bem do bom mineiro Rosa.

O Bem-Bem de Rosa é um cabra simples, de voz branda e sorriso largo, acostumado a não levar desaforo para casa. Aliás, nem casa tinha. O seu teto era o céu aberto sobre si e a estrada o sertão do seu mundo. 
O Bem-Bem de que aqui falo, na intimidade da cabroeira chamado simplesmente de seu Joãozinho, nada mais nada menos era chefe de jagunços. Mansinho só na aparência. 
A fama de seu Joãozinho Bem-Bem pulou das páginas do livro Sagarana (1946) e caiu direto na boca de valentões de Grande Sertão: Veredas (1956). 
Era esse Joãozinho o Cão escrito comendo cocada nas beiradas do sertão.
O aqui citado personagem do Rosa era o exato contrário de o Chico de Zé Lins. 

Num dia sem conversa
Porém de provocação 
Dois valentes se cruzaram 
De armas firmes na mão 
Um deles morreria 
Mas o outro talvez não 

Assim eram os duelos
Conforme a descrição 
Armados de pistola
Punhal, faca e facão 
Os homens duelavam 
Até um cair no chão 

Duelos sempre houve
No real e na ficção 
João Guimarães Rosa 
No livro Grande Sertão 
Falou de duelista
Jagunço e Cramunhão

Falou de Riobaldo
De Diadorim também 
Lembrou de Zé Bedelo
E de mais ou outro alguém 
Falou de Joca Ramiro
E da mira qu'ele tem

Nosso João também falou 
Do Tirésias do sertão 
Sim, o cego Borromeu 
Exemplo da criação 
Levado por seu guia
Um guri de boa ação 

Por outras trilhas andava
Seu Joãozinho Bem-Bem 
Moço de fala mansa 
E de tiro certo também 
Matava como quem reza
Em nome do pai... Amém!


_ Assis, como termina essa história do Chico Bem-Bem e do Joãozinho Bem-Bem?
_ Flor Maria, o Chico Bem-Bem é um cara muito simples, matuto, que aparece do nada nas páginas de Pureza e se apaixona loucamente por uma das duas filhas do chefe da estação, Antônio Cavalcante, um louro de olhos azuis viciado em jogo e coisa e tal. Tipo corno manso. Quanto ao Bem-Bem de Rosa, esse não é de brincadeira não. Ele aparece com seus comparsas numa povoaçãozinha fincada no fim do mundo. Um dia, ele conhece um cara de nome Nhô Augusto (Matraga), um ricão fazendeiro das Gerais que perde a mulher para outro homem. Antes ele é alvo de assassinato, mas escapa. Quando ele acorda é outro homem. Chega até a ajudar pessoas simples por onde passa. 
Tem uma hora que Nhô Augusto dá de cara com seu Joãozinho Bem-Bem. E ambos partem para as vias de fato. Ao fim do duelo... E chega!
_ Você não vai nos dizer o final?
_ Que tal voltarmos a ler mais livros, hein?
_ Correto, mas você bem que poderia falar mais um pouquinho sobre Grande Sertão: Veredas.
_ Então, tá. Clique:



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