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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

VIVA TAIGUARA


Na ocasião será lançado também um livro contando a trajetória do artista.
Eu conheci Taiguara há muitos anos.
Lembro dele chegando lá em casa, rindo e brincando com meus filhos.
Era uma figura e tanto!
Andei muito com ele pelas ruas da cidade. Aqui e ali, no bar, eu tomava uma cervejinha enquanto ele, sempre munido de bom chimarrão.
Conversávamos muito.
Ele falava muito da sua passagem por Londres, mas principalmente pela África.
Numa ocasião, na sua casa, ele me mostrou ao piano algumas canções ainda inéditas e muito bonitas, como Sol de Tanganica e O Cavaleiro da Esperança, essa última em homenagem ao líder guerrilheiro Luis Carlos Prestes.
Taiguara era uma pessoa afável, doce, amiga.
Lembro também dele falando a respeito da sua presença na televisão brasileira.
Ele xingava muito a TV Globo e dizia se arrepender de ter participado várias vezes do programa Silvio Santos.
Numa determinada ocasião, ele me telefonou me convidando a assistir um espetáculo que estrearia no Anhembi.
Eu trabalhava na TV Globo e lhe disse: vou mandar cobrir a passagem de som.
Ele deu uma gargalhada, duvidando.
Resultado: a passagem de som foi coberta e levada ao ar no Bom Dia São Paulo, jornalístico da Globo.
Sim, Taiguara era uma pessoa incrível, apaixonadíssima pelo Brasil.
Lembro de muitas passagens com ele, com seu amigo Líbero e o maestro Lindolfo Gaya (1921 – 1987), arranjador das músicas do seu último LP, Canções de Amor e Liberdade (Continental, 1983).
Lembro da gente andando pela rua das Palmeiras, ele entrando numa barbearia para fazer o cabelo...
Frequentei a sua casa no Tatuapé; Tatuapé tema aliás, de uma de suas últimas canções mais bonitas.
O disco que será lançado hoje na cultura tem por título Ele Vive, que é outra homenagem a Prestes.

Eu diria: eles vivem.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

TAIGUARA TÁ NA PRAÇA!

O livro Os Outubros de Taiguara - um Artista Contra a Ditadura: Música, Censura e Exílio
(Kuarup- 158 págs. 2014) da jornalista Janes Rocha e o CD Taiguara –Ele Vive (Kuarup) chegam à praça para mostrar que Taiguara Chalar da Silva sobreviveu a todas as intempéries do seu tempo.

Data e Hora 23 de outubro, às 18h30
Loja: Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista
Local: Piso do Teatro

Taiguara marcou fortemente o panorama musical brasileiro a partir da segunda metade dos anos de 1960. Ele começou a cantar e a mostrar as suas composições de amor à vida no Juan Sebastian Bar, famoso reduto da boemia musical paulista, onde também começaram Chico Buarque de Hollanda e Geraldo Vandré, entre outros nomes da nossa melhor música.
O livro de Janes Rocha traz à tona a trajetória pessoal e artística do mais importante intérprete dos memoráveis festivais da MPB.
Taiguara foi o artista da música popular brasileira mais perseguido pela censura do governo Militar (1964 – 1985). No total foram 181 músicas vetadas pelos censores de plantão, que nada ou muito pouco deixavam passar dos criadores musicais da época.
Os Outubros de Taiguara tem nove capítulos. Começa com “Tanto amor pra dar de graça” em que se fica sabendo as origens do cantor que ficou conhecido como “o vencedor dos festivais”. Fica-se sabendo também a razão que, em tese, teria levado Taiguara a optar politicamente pela esquerda: seu pai, o bandoneonista Ubirajara, que era do Partido Comunista. No último capítulo o livro trata – entre outros temas- da relação de Taiguara com sua última companheira Ana Lasevicius, grande guardiã da sua memória.
Do baú de preciosidades sonoras guardado por Ana, ganha agora a forma de CD um punhado de músicas, dentre as quais onze inéditas. O CD Taiguara - Ele vive reúne 15 faixas, todas tecnologicamente trabalhadas pelos craques Ricardo Cavalheira e Felipe Sander, que operaram verdadeiro milagre para trazer de volta a voz limpa, linda e emocionante do cantor de Universo no teu corpo.
A primeira faixa desse importantíssimo disco, pra mim já um dos melhores do ano, que se chama “Ele Vive”, é inspirada em Luiz Carlos Prestes – chamado de O Cavaleiro da Esperança -, “líder” do artista.
O disco traz ainda outras homenagens a figuras conhecidas do mundo artístico como Beth Carvalho, “Manhã na Candelária”; e Vanja Orico, “Te Quero”.
O disco e o livro são ótimos e se completam.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

ARTISTAS ENGAJADOS

De um lado, Fagner e Fafá de Belém; do outro, Chico e Beth Carvalho; no meio, Aécio e Dilma.
Não é de hoje que artistas da música popular se juntam a políticos e partidos políticos para defender interesses populares.
Em 1909, o grande Ruy Barbosa, então senador, candidatou-se à Presidência da República, mas perdeu para Hermes da Fonseca.
Dez anos depois, o mesmo Ruy voltou a disputar a cadeira de chefe da Nação, mas de novo perdeu. Dessa vez para o paraibano Epitácio Pessoa, que – lembremos – inauguraria o rádio no Brasil, em 1922.
Detalhe: a segunda campanha de Ruy à Presidência contou com o inestimável apoio do tieteense Cornélio Pires, humorista, contador de causos e pioneiro na gravação de discos independentes no Brasil.
Mas, como se viu o apoio de Cornélio, nada ou pouco valeu a Ruy.
Na verdade, não são poucos os artistas da música popular envolvidos na conquista de votos para seus candidatos.
Foi assim sempre, desde os primeiros anos da República.
E esses apoios, além de constantes, vão num crescendo.
Resta saber até que ponto, de fato, esses apoios rendem resultados para os candidatos.



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ANALFABETISMO POLÍTICO-CULTURAL

Com relação à cultura popular e o programa de governo de Dilma e Aécio, a minha curiosidade tem se aguçado a cada dia.
A Dilma andou resgatando do bisaco do folclore algumas frases expressivas, como “saco vazio não para em pé”.
Agora mesmo foi a vez do neto do Tancredo de excursionar pelas veredas da cultura popular.
Referindo-se ao programa mais médicos, Aécio disse que se trata simplesmente de um “mito”.


Ora, é muito simplismo.
Mito é uma palavra de origem grega que nos leva ao conhecimento de muitas coisas, muito além de “médico” e “medicina”.
Pois é, dá nisso desconhecer cultura. Isso é simplesmente prova analfabetismo político-cultural.
Recomendo a leitura do Dicionário do Folclore Brasileiro, de autoria do estudioso da cultura popular Luís da Câmara Cascudo (1898 – 1986).


Pandora, de John William Waterhouse (1896)

sábado, 18 de outubro de 2014

EM PAUTA, A CULTURA POPULAR

Não é de agora que eu tenho falado neste Blog da ausência da cultura popular no programa dos presidenciáveis.
Nos últimos dias, para minha surpresa, Dilma tem se expressado aqui e ali com vocabulário popular, usando frases do povo. Exemplo? “Nem que a vaca tussa”, “Pingo nos is” e “Saco vazio não para em pé”.
Ela também fez referência a “lenda” e “fábula”, especialmente quando  rebateu a paternidade do programa Bolsa Família, que segundo seu concorrente fora uma criação do governo FHC.
Acho bom isso pois, enfim, a cultura popular é a digital de um povo. Aliás, as frases lembradas por Dilma, se ajustadas, ficariam assim: Pois é, saco vazio não para de pé, por isso vou por os pingos nos is nem que a vaca tussa.
E viva a cultura popular!

JOÃO DO VALE

Foi de fato uma noite muito bonita a de ontem no Centro cultural da Penha, no Teatro Martins Penna, no bairro da Penha, como programado, abrimos o espetáculo Na Asa do Vento pontualmente às 20h. Plateia aconchegante e participativa em todos os momentos da apresentação de Papete, Sapiranga, Ana e Daniel, cantando e trocando obras-primas do maranhense João do Vale. Perdeu quem não foi. Fica o registro no clique de Darlan Ferreira, abaixo..


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

AMOR E TORCIDA

Os sentimentos humanos são todos antigos, e o mais sublime talvez seja o amor.
O amor é o que move a vida, seja o amor filial seja o amor amor ou qualquer pessoa.
O amor é mola-mestra para o bom caminhar da humanidade.
O amor é somatória, o amor é vida, o amor engrandece quem ama.
O amor é união, sem amor a vida fica mais pobre, mais cinza, mais nada.
Amor não combina com separação, o abandono, com raiva ou vingança.
O amor é compreensão, é entrega entre as pessoas.
O que se viu anteontem no Beira-Rio, em Minas Gerais, foi uma prova muito bonita de amor, carinho e respeito de uma torcida por seu time.
O Atlético precisava de quatro gols contra o Corinthians.
Os quatro gols foram alcançados, com o apoio incrível da torcida. Essa foi uma prova definitiva de que o amor, nas suas formas e aparências diversas, esteve presente no modo torcida.
E o Corinthians voltou a São Paulo de cabeça baixa, com menos quatro gols na sua história centenária.

Viva o amor. E abaixo o abandono.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A FARSA DO ENSINO NO BRASIL

Aprender ou ensinar é uma decisão pessoal ou de sociedade.
A decisão formal de ensinar, no Brasil, partiu de  Pedro I, ainda na primeira metade do século XIX, quando foi instituído o ensino da educação escolar.
Muita gente aprendeu bonito.
E hoje?
Até o final da primeira ditadura no Brasil, com Getúlio, apostava-se na importância do professor e no que ele ensinava.
Grandes faculdades de direito, como a de São Paulo e a de Recife,  geraram nomes que chegaram até a dirigir os destinos do nosso país.
E hoje?
Houve um tempo que para concorrer ao cargo de Presidente da República era preciso que seus postulantes fossem donos de notório saber, como Rui Barbosa.
Mas Rui perdeu.
O ensino formal no Brasil perdeu muito com o correr do tempo, enfraquecendo-se enormemente com o advento da segunda ditadura, iniciada em 1964.
Os militares chegaram ao ponto de excluir do currículo a matéria de iniciação musical.
N’alguns programas que pilotei no rádio paulistano bati muito forte na necessidade de se trazer de volta o ensino musical às escolas.
Essa insistência levei ao Congresso Nacional há uns anos (ouça abaixo), quando justifiquei essa necessidade, logo depois transformada em projeto aprovado pela então senadora Roseana Sarney. Mas, infelizmente, essa lei não pegou e, consequentemente, ainda não foi de todo cumprida.
Hoje a realidade é a seguinte: o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende, e o resultado é essa incógnita que nos remete a um futuro sombrio.
Apostar na educação é apostar num país livre, vivo, inteligente e feliz. Enfim, como certa vez disse Monteiro Lobato: "um país se faz com homens e livros"!
Viva o saber!

Ouça trecho de Música Brasileira em Debate: 
https://www.youtube.com/watch?v=LDUd0j7zICs

 Esta postagem (vídeo acima) é uma edição da minha participação nas discussões do seminário Música Brasileira em Debate, realizado no Congresso Nacional no dia 30 de maio de 2006. Na ocasião, eu fiz uma explanação da importância da cultura popular para um país, qualquer país, deixando clara a ideia de trazermos de volta às escolas o ensino da música, notadamente da nossa música folclórica tão rica e que tantas pérolas tem dado ao Brasil, como Boi Barroso, Tutu Marabá, Boi da Cara Preta, Prenda Minha e Asa Branca. A íntegra do seminário pode ser acessada pelo Portal da Câmara (Assis Ângelo).



Que tal ler também?
 Sobre Educação e Cultura, na barra lateral direita

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

BRASIL, UM ESTADO LAICO


Por definição, o Brasil é um Estado laico.
Aqui proliferam as preferências políticas e religiosas ou religiosas-políticas.
Mais ou menos de modo pacífico, convivemos com dezenas de legendas supostamente de amor a Deus e à Pátria.
Aqui no Patropi, são muitos os caciques-proprietários de partidos políticos, de seitas e de outros agrupamentos de víeis religiosos.
Desde há muito as estatísticas indicam que o Brasil é o País com o maior número de católicos, seguido dos Estados Unidos.
Não à toa, ontem _ Dia da Santa Padroeira _ quase 200 mil pessoas foram rezar na Basílica de nossa Senhora Aparecida, aqui perto da capital paulista.
No norte, isto é em Belém do Pará, quase 3 milhões de pessoas acorreram ao Círio de Nazaré para igualmente rezar e pedir coisas boas aos céus.
Somos, sim, um País altamente religioso desde tempos e memoriais. E em nome de Deus muitas desgraças são praticadas. Exemplo? O Massacre a Canudos e outra guerras santas ocorridas por ai a fora
Em 1988, o cacique Sarney meteu sua colher de pau na Constituição e tascou a frase no nosso rico dinheirinho:
“Deus seja louvado”.

E ai?

sábado, 11 de outubro de 2014

LIÇÃO NO BOTEQUIM

Conversa entre dois angustiados filósofos cervejeiros, no bar da esquina:

 
 - O que é cultura popular?

 - Coisa muito boa.

- Cultura popular tem a ver com egoísmo, individualismo, centralismo...?

- Claro que não.

- E com ensinamento?

- Claro. Tem a ver com cidadania, solidariedade, respeito, carinho, amor à Pátria, ao próximo, às pessoas.

- Então cultura popular tem a ver com tudo?

- Pois é. Cultura popular tem a ver com quase tudo na vida. Cultura popular é um tesouro construído pelo povo do mundo todo. É a cultura popular que dá a identidade e enriquece um país. Um país sem identidade cultural é um país pobre, sem nada, carente, perdido, à deriva, sem dono, onde todos mandam. Culturalmente, um país rico é o que tem muitas histórias pra contar. Um país rico é também um país que preserva a cultura do seu povo, a memória de seu povo, a sua memória.

- Hic! E cachaça também é cultura popular?

- O ato de beber e ficar bêbado não. Isso é safadeza. Mas cachaça tem a ver, sim, com cultura popular.

- É mesmo?! Eu sabia que sabia de alguma coisa! Hic!

- Pois é. Um exemplo, esta quadrinha: "Jiribita, jiribita/Tu me puxas, eu te puxo/Tu bates comigo no chão/Eu bato contigo no bucho".

- Poxa...

- Pois é. Na cultura popular se acha tudo o que vem do povo ou o que o povo faz. Os ditos, os benditos, as rezas, as procissões, as festas, as brincadeiras, os jogos infantis, cantos de trabalho, cantigas de fazer dormir, contos, fábulas etc.

- Caramba! Contos infantis também? Aquelas histórias da Branca de Neve e os Sete Anões, o Pequeno Polegar, Soldadinho de Chumbo...?

- E amanhã é o dia da criança. Dia de muita brincadeira!

- Hic!
 
Ouça um trecho de conversa entre Câmara Cascudo e Assis Ângelo.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

PAPETE E SAPIRANGA CANTAM JOÃO DO VALE

Na Asa do Vento
Papete e Sapiranga
Cantam
João do Vale


Da terra de Gonçalves dias, Ferreira Gullar e Papete, de batismo (José de Ribamar Viana) João Batista do Vale
Completaria amanhã, 11 de Outubro, 81 anos de idade.
João do Vale, foi um cidadão brasileiro.
Ajudante de pedreiro, pedreiro, marmiteiro, garimpeiro, compositor, cantor, tudo de forma autodidata esse cidadão foi na vida.
A sua vida não foi fácil, como se vê.
Quinto entre os oito filhos da família, sumiu de casa sem as bênçãos dos pais. Arriscou-se a cada esquina. Dançou miudinho. Comeu o pão que o diabo amaçou. E chorou gritando o nome da mãe que não o via.
E assim fez-se gente o João da terra de Gonçalves Dias, Fereira Gullar e Papete.
Enquanto garimpava pepitas, ainda adolescente, dava vida a palavras em cascalho.
Marlene foi a primeira cantora a gravar uma musica sua.
Depois vieram dezenas e dezenas de outros artistas e ele ficou famoso, mas não guardou dinheiro e morreu pobre, sozinho, numa cama de varas de casebre da sua Pereira Natal. (1933-1996).
Esta história será contada no Teatro Martins (Penha-SP), pelo cantor e compositor SAPIRANGA e pelo Multi-instrumentista PAPETE, em única apresentação no dia 17 de Outubro, às 20h. (Centro Cultural da Penha - Penha-SP.
‘Resolvemos contar a história de João do Vale, por ser uma história bem brasileira, de um grande brasileiro, infelizmente já quase esquecido entre nós’, disse ao Bolg o cantor compositor baiano SAPIRANGA, idealizador do espetáculo junto ao pesquisador de música brasileira Bruno Reis. Na Asa do Vento é um espetáculo que reuni 14 músicas e tem a duração de 1:10. Dele participam: O convidado especial Papete (Percussão e Canto), Daniel Velloso (Violão 7 Cordas, Bandolim) e Ana Eliza Colomar (Violoncelo e Flauta). Direção Artística de Marina Machado.
Ah, sim! Participarei do espetáculo lembrando umas ‘coisinhas’ que me ficaram guardadas na memória, dos meus encontros com João.
FERREIRA GULLAR
Ontem, o Poeta maranhense, Ferreira Gullar, de batismo José Ribamar Ferreira, 84 tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras, ABL. Gullar que publicou o seu primeiro livro aos 19 anos,(
Um pouco acima do chão) passa a ocupar a cadeira nº 37, que já pertenceu a Antonio Gonzaga, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand, João Cabral de Melo Neto e Ivan Junqueira. Parabéns ao Poeta!







quinta-feira, 9 de outubro de 2014

TEMPOS DE CRIANÇA

Num tempo ali distante em que, de calças curtas, eu brincava rua a fora, construindo sonhos, erguendo castelos, eu era sem saber a criança mais feliz do mundo.
Todos os cuidados a mim dispensados por minha tia Benedita e minha avó Alcina, pois meus pais Maria e Severino, já haviam partido, reforçavam a beleza da vida que desabrochava.
Qualquer topada era sinal de preocupação.
Um espirro provocava imediatamente uma “Ave Maria cheia de graça”.
Hoje, tantos anos passados, o tempo mudou ou mudamos nós?
As topadas parecem que já nem existem. Existem brigas, desavenças, incompreensões, disputas acirradas por nada...
O tempo mudou ou mudamos nós?
Aqui de lado da janela da cozinha ouço o “gralhar” animado de uma molecada incrível, em formação na escola Conselheiro Antônio Prado, rindo, correndo, repetindo palavras a mando do mestre-educador.
Isso me faz lembrar de brincadeiras como corre-corre, esconde-esconde,  pula-pula, passa anel e até o mais simples dos simples: dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos (ou maior de todos), fura bolo e mata piolho (ou cata-piolho)... E o tempo...
Domingo é dia da criança.
Na verdade, dia da criança é todo dia.
Ah! E você já comeu feijão-capitão?

Pois então domingo é dia...

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

NO TEMPO DOS ORADORES


Foto pendurada na parede da sede provisória do Instituto Memoria Brasil mostrando o momento de descontração entre mim e o jogador Sócrates me leva a velha Grécia e à lembrança dos grandes oradores.
Sócrates foi um dos fundadores e líderes do movimento reivindicatório Democracia Corinthiana, aqui em São Paulo.
Esse Sócrates era um bom falador. (Ao lado)
Na Grécia de um punhado de séculos antes do nascimento, andanças e morte do cristo, os púlpitos se multiplicavam pelas praças públicas. Neles, Aristóteles e seus pares os ocupavam para ouvir e dirimir dúvidas da população.
Grandes pensadores, grandes oradores. Era um tempo em que o cego Diógenes andava na luz do meio dia, no sol apino, com uma lanterna acessa procurando o homem honesto.
O nosso Sócrates, de certo modo, fez isso também.
De grandes oradores no Brasil, se tem pouca notícia. O primeiro deles, e talvez o maior de todos, foi, como se sabe – ou se deveria saber - o baiano Rui Barbosa, que chegou ao Senado, mas não à Presidência.
Enquanto rolava a Democracia Corinthiana, praticamente ao mesmo tempo, rolavam as manifestações de liberdade em nosso País.
Lembro de Tancredo Neves o presidente que foi sem ser; Ulisses Guimarães, Mario Covas...
Lembro também de grandes juristas como Afonso Arinos e filósofos como Miguel Reale, com quem tive o prazer de aprender no correr de algumas entrevistas que me concedeu no tempo em que eu chefiava a Editoria de Politíca do jornal O Estado de S.Paulo.
Grandes homens, grandes vozes, grandes oradores! E onde estão os grandes oradores hoje?
Eu sou novo, mas de um tempo em que se ia às praças para assistir – e participar – dos comícios cujos grandes personagens eram os políticos, os próprios candidatos.
E aqui, lembro também, de Leonel Brizola orando num palanque do meu tempo de menino, em Alagoinha, PB.

domingo, 5 de outubro de 2014

MISSÃO CUMPRIDA

Hoje eu acordei logo cedo para votar.
Não, não acordei.
Passei a noite toda passeando pelas estações de rádio: Pan, Estadão, CBN, Band, Globo, entre outras.
Em todo o mesmo assunto: eleições.
Mas às sete horas eu já havia tomado banho, feito a barba penteado o cabelo etc., e tomado um café de luxo com tapioca, bolinho de macaxeira e cuscuz, tudo isso com suco de pêssego bem geladinho, feitos com amor e carinho pela filhona Ana Maria.
Após isso, fui votar numa seção aqui perto de casa.
Missão cumprida, lembrou a história de um passarinho que vendo uma mata pegando fogo sobrevoou sobre ela e depositou do bico um bingo d’água.
Hoje, na urna democrática daquela seção, com o segundo turno ou não, eu também fiz a minha parte.

sábado, 4 de outubro de 2014

VOTO DE ROUPA BONITA

Eu sou de setembro e tinha 37 anos de idade quando fui às urnas para votar pela primeira vez.
Os presidenciáveis eram Collor e Lula. Ganhou Collor e eu perdi.

Naquele ano de 1989 reinaugurava-se o ciclo de eleições pelo voto direto, interrompido em 1964 pelo Golpe Militar.

Naquele ano de 1989 eu exercia a função de chefe de reportagem da editoria política do jornal O Estado de S.Paulo e lembro que recebia muitos telefonemas do candidato alagoano passando sua agenda em São Paulo para o acompanharmos, mas isso não me impediu de escolher o candidato pernambucano.

Quero dizer com isso o seguinte: escolher em quem votar é muito bom, pois prova que acreditamos nas nossas escolhas.
Se deixarmos de votar, perdemos o direito de reclamar.

Amanhã mesmo vou vestir uma roupa bem bonita e sair todo pimpão para votar numa seção aqui perto de casa.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

BRASILEIROS, ÀS URNAS!

Oco e morno, sem ideias e originalidade, mas com estocadas assassinas contra a última flor do lácio, o encontro que reuniu ontem candidatos à cadeira de presidente da República Federativa do Brasil, promovido pela TV Globo, durou até o começo da madrugada de hoje.
A mediocridade imperou durante todo o tempo que durou o encontro.
Dilma foi “poupada” pela incompetência de seus concorrentes em não lhes dirigir questionamentos que certamente interessariam a todos nós.  
Aécio provou-se um blefe.
Marina, sem brilho, como sempre pôs os pés pelas mãos, dizendo asneiras, para talvez convencer a si própria que está no caminho certo.
Já a panfletária Luciana Genro viveu seus minutos de glória, como vendedora de fantasiosas ideologias políticas.
O Verde Jorge não saiu do lugar comum enaltecendo as qualidades da maconha, enquanto seus irmãos nanicos, Fidelix e o tal Everaldo, se lambuzavam nos seus instantes de fama momentânea, chegando quase ao orgasmo.
Mas a noite parecia mesmo do Fidelix, que meteu o pau enquanto pode nas minorias.
No fundo, no fundo, o encontro com os “presidenciáveis” foi um fiasco.
Dilma marcou ponto e ganhou meu voto.
Brasileiros, às urnas!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

NA GLOBO, UM DEBATE A DESEJAR


Grosso modo, os medíocres postulantes à cadeira de chefe do Palácio dos Bandeirantes pouco ou quase nada acrescentaram, ontem, no debate promovido pela TV Globo.

A porfia foi anunciada às 22h48min, pelo animador Cezar Tralli.

Superautivo, Tralli parecia comandar um programa de calouros.

Foram sete os convidados pela direção da Globo para expor suas ideias aos telespectadores: Alckmin, Skaf, Padilha, Maringoni, Ciglioni, Benko e Natalini.

Dos três primeiros – Alckmin, Skaf e Padilha –, esperava-se que se expressassem com riqueza de ideias e desembaraço nos seus projetos de governança. Mas não foi exatamente isso que ocorreu: Alckmin se defendeu, Skaf acusou sem nada acrescentar e Padilha, dentre eles, foi quem se apresentou melhor.

Os outros candidatos apenas macaquearam, numa tentativa tresloucada de aparecer na telinha a qualquer custo, pois enfim, estavam sendo vistos por alguns milhões de telespectadores.

Padilha o mais lucido de todos saiu-se bem ao colocar com firmeza o seu ponto de vista a respeito, por exemplo, da unificação das policias militar e civil: é contra, como é contra a diminuição de idade para efeito de punição judicial de brasileiros.

Padilha saiu-se bem, também, quando se manifestou sobre a atual crise que atinge as Santas Casas e da corrupção que mina o Brasil e suas instituições.

Padilha marcou ponto, por isso ganhou meu voto.

E como se sabe votarei em Luiza Erundina (deputada federal), Alessandro Azevedo (deputado estadual) e Eduardo Suplicy (Senado), pessoas cujo os perfis nos orgulham.

Viva o Brasil!
Viva a cultura popular!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A SECA QUE FAZ CHORAR

Longas estiagens já não surpreendem o calejado povo do Nordeste, ao contrário do que ocorre noutras regiões como São Paulo e Minas Gerais.
Em Minas, no momento, há pelo menos 150 municípios em estado de emergência e alguns outros em calamidade pública.
Em Minas ainda um detalhe surpreende a todos nós: a secagem da nascente do Rio São Francisco, verificada entre ontem e hoje (localize-o no mapa ao lado).
E agora, o que deverá acontecer com o Velho Chico de tantas histórias e importância para o Brasil?
Ah, o Velho Chico!
O Velho Chico de tantas canções (aqui e aqui), de tantas lembranças, de tanta beleza a encher os nossos olhos com seu esplendor, com o seu mundão d’água que jamais pudéssemos imaginar que um dia correria o risco de secar.
E agora, o que deverá ocorrer com o Velho Chico...?
Navegável, o Rio São Francisco é, historicamente, um dos mais conhecidos cartões postais do Brasil, como o Rio Amazonas também cheio de muitas histórias: histórias de encantamento que sobrevivem por gerações e gerações. É lá, nesse rio, que habitam botos, iaras e outros seres da nossa imaginação.
Fora isso, continuam em andamento as obras para desvio do curso do Velho Chico...
E a seca continua no Nordeste, sem que ninguém diga nada.
E a seca continua na capital de São Paulo e em dezenas de municípios administrados pelo governo que insiste negar que seca não há, embora  a população comece já a invadir prefeituras pedindo água, como está ocorrendo no município de Itu.

O tema seca já rendeu centenas e centenas de músicas, como Vozes da Seca e Maringá.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

UMA PALAVRINHA PARA REFLEXÃO

Nestes tristes tempos de desarrumação social e inversão de valores em que as pessoas viram números, peças de reposição nas complexas engrenagens industriais, a cultura popular vale pouco ou quase nada.
Mas é preciso apostar na valorização humana e na formação do homem do amanhã.
E isso só será possível a partir da compreensão da cultura espontânea feita pelo povo e para o povo, como item necessário e insubstituível da democracia.
Não se formará uma sociedade saudável sem o conhecimento da sua historia e seu povo, mas essa obviedade parece muito distante dos olhos e entendimento dos nossos governantes. E isso traz evidentemente, consequências lamentáveis para a própria sociedade. Não é possível uma sociedade sã sem uma boa formação cidadã.
O conhecimento forma.

VISITA AO IMB
Anteontem o Instituto Memória Brasil – IMB recebeu a visita da estudante Mariana que esteve acompanhada dos pais Vanira e Audálio Dantas.(acima em foto-montagem de Darlan Ferreira). Mariana que na próxima 6ª. feira gravará participação no programa Palavra de Mulher, da TV Brasil,  mostrou-se encantada especialmente com o acervo discográfico do Instituto. Na ocasião, Audálio fez a doação de um exemplar do livro que acaba de lançar: “Céu de Luiz”(Edições SESC), sobre o Rei do Baião.
Fica o registro.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

VOTAR BEM PARA UM BRASIL MELHOR

Dilma pisou na bola ao dizer a Marina que não mexeria nas leis trabalhistas, caso seja reeleita.
Ela pisou na bola não por dizer o que disse, mas pela forma como disse: “ isso não mudo nem que a vaca tussa”.
Ora,  a expressão “nem que a vaca tussa” é, como todo mundo sabe ou deveria saber, de origem popular.
De cultura popular eu sei que Dilma pouco sabe.
Eu descobri que Dilma Rousseff desconhece a riqueza da nossa cultura popular desde quando ela pronunciou, em cadeia nacional, o seu primeiro discurso como presidente da República. Na ocasião, ela chegou ao cúmulo de distorcer uma frase minha (acima, no detalhe).
Lula e seus marqueteiros  também desconhecem o que é cultura popular, pois não é à toa que durante seus mandatos foi usada com exaustão a frase “o melhor do Brasil é o brasileiro”, do grande estudioso da cultura popular Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986), com quem tive a alegria de aprender muito do pouco que sei e que procuro transmitir (saiba mais).
Mas relevarei tudo isso apostando que ela um dia aprenderá mais ao se interessar pela nossa cultura popular.
De novo meu voto é dela, como também o será de Eduardo Suplicy (senador), Alessandro Azevedo (deputado estadual) e Luiza Erundina (deputada federal).
Suplicy conheço de longa data, como de longa data conheço Alessandro e Erundina.
Está mais do que na hora de construirmos um Brasil melhor, pois não é admissível que em nosso país ainda haja 13 milhões de brasileiros totalmente analfabetos e outros 143 milhões de analfabetos funcionais. A atual população do Brasil é de 202 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE.
Fora isso, também é inadmissível o País viver com mais de 3 milhões de pessoas ainda enquadradas na escala da miséria absoluta.
Enfim, ainda há muita desigualdade neste “Brasil brasileiro” de Ary Barroso.
Viva o Brasil! 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

PAPA FRANCISCO PERDOA TOM ZÉ

O iraraense Tom Zé continua sendo o louco mais lúcido que conheço. A prova disso são suas frequentes incursões pelo mundo invisível da música. E aí está mais uma obra que de modo algum pode passar em branco por quem tem a mínima condição de ouvir e raciocinar:  Imprensa cantada - segunda edição: “Tribunal do Feicebuqui”.

Escute uma das músicas: "Papa Francisco Perdoa Tom Zé".

Para Tom Zé, sem dúvida um orgulho musical do Brasil, não há tempo ruim.
Qualquer tempo para Tom é tempo para criar e se fazer ouvir em alto e bom som.

Sem Tom Zé viveríamos, musicalmente falando, um eterno marasmo.  
Embora desconheça as regras - e técnicas - da composição poética dos cantadores ao som da vida, Tom Zé é uma espécie de repentista da MPB. Viva Tom!

Clique aqui para saber mais sobre Tom Zé.
Você pode baixar algumas músicas do álbum no site, antes de chegarem às lojas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

UMA NOITE DE CANTORIA

Mocinha de Passira e Luzivan Matias atenderam o chamamento, ontem, do brincante Valdeck de Garanhuns para uma apresentação na cidade Paulista de Guararema, a cerca de 70 quilômetros da capital.
Cerca de 40 pessoas de profissão e origem diversas prestigiaram a dupla, que começou a tocar viola e a atirar versos por volta das 21hs.
Elas atenderam a motes do seleto público e se expressaram em diversas modalidades, entre as quais sextilhas, septilhas e até martelos, como Miudinho e Beira-mar.
Antes de as duas artistas se apresentarem, o anfitrião, acompanhado da mulher Regina - famosa xilogravurista - serviu aos convivas saborosos pratos, como vaca atolada.
A exibição de Mocinha e Luzivan (acima), nas fotos de Poliana e montagem de Clarissa provocou muitas risadas e aplausos.
A cantoria foi aberta com uma fala de Valdeck, que não resistiu e logo depois deu de mão de uma viola e aventurou-se a desafiar a legendária Mocinha.
No nordeste e e em todo canto que se apresenta, Mocinha provoca temor entre os cantadores que ousam cantar com ela.
A sua fama é de demolidora.
A cantoria foi dada por encerrada as duas da manhã de hoje, mas mesmo depois disso Mocinha, Luzivan e Valdeck ainda se estenderam por pelo menos mais uma hora se desafiando em glosa.

VIAGEM
Mocinha retorna hoje a sua cidade Passira, em Pernambuco.
Quarta 17, Mocinha se apresentará no programa (já gravado) do humorista Danilo Gentile, no SBT.

HORÁRIO POLÍTICO
O horário político está cheio de aloprados, entre os quais Tiririca. E o que dizer de um tal Skaf, que tem nos seus minguados minutos uns esquisitos imitando repentistas a favor do candidato.
Caricatura pura. Um horror!
E no programa do Alckmin, o Funk come solto.
Fica o registro.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

PENEIRA & SONHADOR, 20 ANOS

Com um pandeiro na mão e milhões de versos querendo ganhar vida e rumo, Peneira (Manuel Elias) e Sonhador (Cícero Onório) há anos cruzam a pé as ruas mais movimentadas da Cidade de são Paulo embolando e embolando temas do cotidiano, para gáudio de quem com eles se defronta.
Quem embola versos é embolador ou tirador de coco.
Peneira e Sonhador são grandes emboladores.
Peneira é Pernambucano e seu parceiro Alagoano.
Os dois são verdadeiros artistas do encantado mundo da cultura popular.
Eles já participaram de vários programas de rádio e televisão (acima comigo em entrevista a Arnaldo Duran, da tv record), e de filmes como Saudade do Futuro, de produção Franco Brasileira, baseado num dos meus livros (A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo; Editora Ibrasa, 1986).
Peneira e Sonhador, enquanto tiram coco à base de pandeiros,  oferecem ao público um CD reunindo um punhado de emboladas (ao lado). Simples, porém mal gravado e ditado por razões óbvias como a falta de grana, o CD 20 Sucessos merece ser ouvido por todo mundo.
O CD 20 sucessos, que comemora os vinte anos de existência da dupla,  abre com as faixas Desafio com Cajú e Castanha e segue com Prosa de Rua, Minha vida de Menino e Fartura na minha terra, entre outras.
As duas últimas faixas, A Mulher trabalhadeira e a mulher preguiçosa e Sogra boa e sogra ruim, tratam exatamente do que o amigo aí está entendendo, só que de forma muito bem humorada. Aliás, o disco é todo assim: Cheio de graça.
Se vocês encontrarem a dupla por aí, o que não é difícil, cheguem perto e aplaudam e levem o disco.
Viva Peneira e Sonhador!

MOCINHA DE PASSIRA
Em cinco horas Téo Azevedo produziu um novo CD da poeta-repentista Mocinha de Passira, dessa vez com a também repentista Luzivan Matias. O disco será lançado em janeiro de 2015.
Téo Azevedo, ganhador do Grammy Latino de 2013 e também do Prêmio de Música Popular Brasileira edição 2013, é possivelmente o produtor com o maior número de títulos musicais produzidos  até hoje no Brasil.
Não nos será surpresa se Téo Azevedo entrar no Guinnes Book como o maior produtor musical do mundo. Ah, sim! Amanhã Mocinha de Passira e Luzivan Matias estarão cantando e tocando viola em Guararema, SP, a convite do brincante Waldeck de Garanhuns. Estaremos lá.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

REPENTISTAS SÃO DE OUTRO PLANETA


 
O Mundo da cantoria é um mundo fantástico, incrível, fabuloso.
Quem o conhece sabe disso, quem não o conhece deveria conhecê-lo, pois a partir daí só terá razões para enaltecê-lo.
A cantoria de poetas improvisadores – ou repentistas – ao som de violas tem origens fincadas em passado remoto.
Defendo a tese de que os repentistas – ou trovadores – são seres vindos de outro planeta.
Eles são bem humorados e sábios, tudo que só os seres iluminados são.
Não é raro nas cantorias os assistentes rirem, chorarem e refletirem sobre situações do cotidiano – ou mesmo de histórias que o tempo guarda_ colocadas por esses poetas incríveis.
Entre nós brasileiros esses representantes dos aedos medievais chegaram com os  portugueses.
Os primeiros a se destacarem foram o negro Inácio da Catinguera que chegou a comprar sua própria alforria e Silvino Pirauá, também cordelista junto com Leandro Gomes de Barros.
São muitos e muitos.
As cantorias Brasil afora são frequentes.
Sábado mesmo aqui em São Paulo, o artista Siba, ex- Mestre Ambrósio, promoveu um belíssimo encontro com dois dos maiores representantes  desse universo: Mocinha de Passira  e Andorinha. Ela de Pernambuco, ele da Paraíba.
Acima, registro do encontro.
Mocinha, no próximo sábado à noite, 13, estará em Guararema, SP participando de uma cantoria com o brincante Waldeck de Garanhuns e outros improvisadores.
Voltarei ao assunto.

MILTINHO
A cultura musical popular brasileira, continua sofrendo desfalque: No ultimo domingo partiu para o Céu o cantor e compositor Milton Campos, por todo mundo conhecido por Miltinho. Eu conheci esse extraordinário artista no extinto restaurante da boêmia paulistana Parreirinha, onde comíamos e bebíamos do bom e do melhor ao lado de Jamelão e Inezita Barroso entre outros nomes de vital importância para nossa cultura popular.
Viva Miltinho!!

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