Seguir o blog

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

SÃO PAULO NÃO TEM HINO

São Paulo e Rio de Janeiro foram fundadas em 1554 e 1565, respectivamente, pelos primeiros jesuítas que chegaram à nossa terra. A terra carioca foi capital nacional entre 1621 e 1815.
Por muito tempo tentou-se criar uma certa rixa  entre a população das duas cidades. Bobagem. É verdade que São Paulo cresceu mais depressa, recebendo grandes levas de migrantes e imigrantes a partir do século 19. Espanhóis e italianos foram os primeiros.
 A presença nordestina em São Paulo e no Rio de Janeiro se intensificou e é marcante até hoje.
A “rixa” entre São Paulo e Rio de Janeiro, se houve, terminou em 1965, quando os cariocas comemoraram o quarto centenário da cidade. Na ocasião, o conjunto musical Demônios da Garoa faturou o 1º lugar no concurso musical promovido pela prefeitura da cidade. Música premiada: Trem das Onze, do paulista de Valinhos, Adoniran Barbosa. Detalhe: Trem das Onze foi gravada em agosto de 1964.
Anos antes, em 1954, a programação comemorativa aos quatro séculos de fundação de São Paulo foi toda recheada de artistas do Rio, entre eles, mestre Pixinguinha (1897-1973).
Há cerca de duas décadas, a Rede Globo, em São Paulo, desenvolveu pesquisa para saber da população qual a música de sua preferência: deu na cabeça Trem das Onze.
Essa história eu conto em detalhes no livro Pascalingundum! Os Eternos Demônios da Garoa.
Exposição Roteiro Musical da Cidade de São Paulo
Essa história eu também contei num debate com Paulo Vanzolini (1924-2013) e Eduardo Gudin  promovido como parte da programação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, que ocupou por uns três ou quatro meses um bonito espaço no Sesc Santana.
Essa exposição contou a história de três mil músicas que têm a cidade de São Paulo como tema.
Você sabia que ainda não há um hino oficial para a cidade de São Paulo?
Por várias ocasiões, escrevi a respeito da importância de um hino oficial para a cidade. Cheguei até a sugerir o título São Paulo de Todos Nós, de Peter Alouche e Téo Azevedo.

Pois bem, o estado de São Paulo tem hino escrito pelo poeta Guilherme de Almeida e Spartaco Rossi. Ouça:

E dentre os demais estados brasileiros, tem um que também não tem hino: Minas Gerais.
 Você estará errado se acreditar que Oh! Minas Gerais, canção de origem napolitana, é o hino oficial dos mineiros.
Por três vezes, governos em tempos diferentes promoveram concursos para escolha de hino do Estado. Em vão.
O hino que muita gente crê ser o oficial do estado, Oh! Minas Gerais (abaixo), traz o nome do pernambucano Manezinho Araújo e do mineiro José Duduca Morais. 


domingo, 16 de agosto de 2015

AS MÃOS TÊM OLHOS...


Texto do repórter Júlio Maria informa, hoje,  em matéria de capa do Caderno 2 do Estadão, que a vida me reservou o mistério da surpresa.
Sim, estou cego.
O descolamento de retina, depois de várias intervenções cirúrgicas no Hospital das Clínicas e em outros lugares, levou-me ao mundo da escuridão.
Sim estou cego, mas não vejo nisso nenhum problema. O problema é a adaptação nesse novo mundo ao qual ingresso com a ajuda de amigos queridos e da equipe da Associação Brasileira de Assistência a Pessoa com Deficiência Visual, mais conhecida como Laramara.
O pior, já passou.
Verdade que morri nove vezes e nove vezes ressuscitei; agora, como a Fênix, das cinzas estou ascendendo.
Vez ou outra, de João Pessoa, Vital Farias me telefona  para saber como estou.
Vez ou outra, de Teresópolis, Vandré  me telefona para saber como estou.
Quase sempre, esses telefonemas são de longa duração.
Pelo menos uma vez por semana, José Ramos Tinhorão e Célia e Celma me visitam para saber como estou. E entre uma cachacinha e outra, Tinhorão me diz um monte de coisas interessantes a respeito deste nosso  Brasil tão ruído e corroído  por  ratos de plantão. E conversamos e conversamos.
Célia e Celma são ótimas no fazer chá da tarde.
Também com alguma frequência tenho a alegria de receber Papete, Osvaldinho da Cuíca, Téo Azevedo, Luiz Wilson  e os rapazes do Tri Gato com Fome.
Com essas pessoas, eu me sinto em festa.
E como se não bastasse, ainda tem Luiz Guerrero que me leva, quase sempre atropelando as minhas falas, até a Laramara.
Na Laramara, tenho me sentido em casa.  
Até aqui aprendi que posso ver através das mãos, das pernas, dos pés, pelo pensar e pelo ouvir das vozes que até mim chegam.
Eu perdi a luz dos meus olhos, mas ganhei a nova vida que me levará aos caminhos do bem fazer e educar e aprender; aprender para ensinar; aprender para educar.
O resumo disso é Cidadania.
E pensar que a gente reclama de tanta coisa...Se chove, a gente reclama. Se faz sol, a gente reclama.Se faz frio, a gente reclama. Se faz calor, a gente reclama.

A gente reclama de tudo
Reclama sem precisão
Reclama por reclamar
Por reclamar sem razão
A vida é muito boa
Ora, chega de reclamação!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

ARMAS E PÃO & CIRCO

O capeta anda solto no Palácio da Dilma, no Senado do Renan, na Câmara do Cunha, no STF e em todo o canto.
Oito dentre dez brasileiros temem morrer assassinados.
A morte há muito foi banalizada o Brasil.
Agora mesmo ouço no rádio a notícia de mais uma chacina ocorrida em bairros de Osasco, uma das 39 cidades da chamada Grande São Paulo. A chacina resultou em 20 mortos e seis pessoas gravemente feridas, internadas em hospitais da região.  
Entre os mortos, trabalhadores, pais de família.
E por que essas pessoas morreram?  
Essas pessoas morreram, não só pelo fato de estarem vivas, mas porque precisavam ser mortas por algozes que certamente permanecerão impunes, pois assim se sentem desde sempre.
A impunidade na vida brasileira é fato comum, que praticamente nem chama mais a atenção de ninguém.
Isso tem a ver com cultura, com cultura popular?
A cultura popular é a digital de um povo, eu já disse.
Cultura popular é tudo o que é feito pelo povo anônimo de um país.
O capeta inverteu as virtudes, os valores que enriquecem o cidadão.
Num conto de Machado, o capeta diz que a ira, por exemplo, é uma das mais importantes “virtudes” que o ser humano poderia ter e que sem ela, sem a fúria de Aquiles, não existira a ilíada de Homero.  Um horror, não?
Para o capeta, a venalidade – outra ‘qualidade’ para o rei dos infernos - “é o exercício de um direito superior a todos os direitos”, por isso o homem pode, antes de vender a alma, vender a própria palavra, a opinião, a fé e o voto.
O que o Renan teria vendido para cair no colo da presidente da República?
E o que estaria movendo Cunha para detonar a República através da sua representante maior, Dilma?
Ontem, no Palácio do Planalto, um representante de movimento popular disse, em discurso, que se faz necessário ir às ruas domingo 16 armados para enfrentar quem estiver contra seus interesses.
Meu Deus! Felizmente, vivemos no sistema democrático em que a ordem está garantida na Constituição, e na Constituição está claro que cabe às Forças Armadas cuidarem da paz do País.
Mas o que violência tem a ver com cultura popular?
Num país onde a educação e a cultura são atiradas na lata de lixo, o que se pode esperar?
São muitas as crises que vivemos.
Somos um país com o maior número de impostos e um dos mais caros do mundo.
Cabemos na máxima “do pão & circo”.
Cerca de 12 milhões de brasileiros, mesmo vendo com os olhos da cara, são incapazes de distinguir um “ó” de uma roda. Além desses analfabetos totais há mais algo em torno de 25 milhões de analfabetos que leem sem saber o que estão lendo. São os tais “analfabetos funcionais”. O capeta está solto e o circo sem lona, com os palhaços nus, sem graça.
Para o País andar é preciso que os cidadãos trilhem pelo caminho da educação e cultura.
Sem educação e cultura, a nação continuará pobre.
Há uns sete ou oito anos, fui convidado para encerrar um seminário no Congresso Nacional. Aproveitei a ocasião para repetir o que sempre repeti nos meus programas de rádio e televisão, ou seja: que a educação e a cultura podem ser enriquecidas com a música no currículo escolar. Dois anos depois, projeto nesse sentido foi aprovado no Senado e promulgada pelo presidente Luiz Inácio da Silva (acima). Detalhe: essa lei, porém, não está sendo respeitada porque, segundo dizem “não há pessoas capacitadas para ensinar a matéria”.

Ouça:


E o avião, era de quem?

Há um ano e meio, exatamente, um avião subia aos céus do Rio de Janeiro para despencar com toda violência possível na terra de Santos. A bordo estava o presidenciável Eduardo Campos e um punhado de assessores. Ninguém escapou. Os estragos foram grandes, inclusive para o PSB. Hipocritamente Lula, Dilma, Aécio e outras sumidades da vida nacional choraram lágrimas de crocodilo. Coisas do Hermógenes. Campos estava sendo “trabalhado” para ser a salvação da lavoura. As mídias o colocavam como um sujeito reto etc e tal. Pessoalmente, eu o achava esquisito.  Meses antes da tragédia, eu almocei com ele e Ciro Gomes num restaurante em São Paulo. Falei de cultura popular, da importância disso para o País. Falei até de uma conterrânea sua, a cantora e compositora Anastácia. Disse-lhe da importância dela para a música popular. Ele disse que não sabia quem era. Foi minha vez: Por que a secretaria de Cultura do seu estado, Pernambuco, não publicava um livro a seu respeito, por exemplo? E, como todo político, prometeu que alguém entraria em contato com ela e comigo. Até hoje!

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

VEREDAS DO PLANALTO

Dia desses fui dormir com a notícia de que dona Dilma se reunira com vinte e poucos governadores, para discutir os destinos do Brasil e de si própria. Falou-se de apoio político e coisas que tais.  E se ouvi bem, ouvi também uma palavra mágica: travessia.
Pensei, atravessar o quê?

Pensando bem, faz sentido atravessar... Atravessar um tempo difícil, uma situação difícil, uma doideira qualquer. E é o que estamos vivendo: uma doideira.

A palavra travessia dita de modo quase desesperado, me fez lembrar uma situação interessantíssima, que foi o primeiro encontro de Diadorim e Riobaldo, personagens do clássico nacional Grande Sertão: Veredas, do mineiro, de Cordisburgo, João Guimarães Rosa (1908-1967).

Cheguei a imaginar, em sonho, que Dilma era Diadorim; Riobaldo, o povo; e nessa representação toda, a canoa era o Governo.

E aí acordei rindo, meio cantarolando a velha marchinha carnavalesca que diz:
   “Se a canoa não virar, olé, olé, olá;
   Eu chego lá...”.

No primeiro encontro de Diadorim e Riobaldo, Riobaldo é convidado por Diadorim para atravessar o mar de água do São Francisco. A canoa, feita de madeira de lei, era daquelas que ao virar leva para o fundo das águas os seus ocupantes. No caso, Riobaldo não sabia nadar. E por não saber nadar, pediu arreglo a Diadorim, que foi perguntado se não tinha medo.  A resposta foi mais ou menos esta: “E devera de ter?”

Diadorim, descobre-se nos finais da história, que é uma mulher, uma bela mulher. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

QUEM JÁ NÃO OUVIU UMA HISTÓRIA DE PESCADOR?

O que mais dói, uma mentira de homem, mulher ou menino?
Todo tipo de mentira dói, mas dói menos a inventada e contada por uma criança.  E por
pescador.
Quem já não ouviu uma história de pescador?
José Dias não era pescador, era um desses personagens inventados pela imaginação de um dos nossos maiores escritores, Machado de Assis (1839-1908).
Um dia, nos fins da primeira parte do século 19, José Dias bate à porta em uma fazenda e cura com remédios adquiridos sabe-se lá onde, um feitor e uma escrava. E não cobra nada dos pacientes e nem do seu dono, pai de Dentinho.
Dentinho, como todo mundo sabe ou deveria saber, vinha a ser Dom Casmurro.  
Ilustração de Luciano Tasso para a obra Meus romances de cordel.
Dias acaba por morar na fazenda do pai de Dentinho. Um dia, com a consciência pesada, resolve dizer que não era médico coisa nenhuma, mas sim um charlatão; e que escolhera esse caminho por ser o menor caminho que encontrara para ajudar quem dele necessitasse.  Dito isso, foi perdoado.
Quer dizer, há mentiras curiosas, engraçadas, que não fazem mal e não levam a nada; e quando leva, leva para o bem do outro.
Mentira de pescador faz mal?
Mentira de criança faz mal?
E mentira de homem e mulher, quando especialmente a mulher ou homem mente para tirar proveito próprio em prejuízo de uma sociedade, por exemplo?
Pois é, o Brasil vive numa embatucada: perdoar ou não perdoar, eis a questão.
A Democracia é um sistema político que, nas origens, foi criada para o bem de todos.
Quem não dá bola à lei e comete crime, qualquer crime, deve pagar pelo que fez ou faz, é ou não é?
Muita gente não dá bola às leis. Getúlio Vargas, por exemplo, dava de ombros e dizia que a lei era para os inimigos, “para os amigos, tudo”.
Mentir é coisa grave.
A mentira leva à degradação.
Detalhe: José Dias era daqueles que opinavam com  obediência.
Por falta de opinião, jamais morrerei. 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

MENTIR É COISA FEIA...

O banco de dados construído pela sabedoria popular é riquíssimo e acessível a todo aquele que decida ou deseja aprender.
Aprender será sempre uma decisão brilhante.
Quando determinada situação é grave, diz-se: “o mar não tá pra peixe”. 
No caso, a referência é o tubarão.
Mas é o caso de também dizer que em mar revolto até tubarão sucumbe.
A política costuma gerar grandes e insaciáveis tubarões; mas tubarões, por maiores e mais perigosos que sejam também sucumbem em águas revoltas.
O alimento dos tubarões quase sempre está nos campos minados da corrupção construídos pela mentira.
A mentira, quando não mata, aleija.
Certa vez, mestre Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), brincando, me disse ser a mentira uma coisa feia. “Mas é tão bom mentir!”.
Mas é claro que ele estava pilheriando, ‘tirando uma’, como se diz no jargão popular.
Mentir brincando, de brincadeira, claro que pode. O que não pode é mentir de verdade, como fazem tantos políticos desta nossa terra tão judiada pelo mal da sacanagem, canalhice, da corrupção... Mas mentir até ‘profissionalmente’ é algo tão corriqueiro no Brasil quanto aspirar o ar poluído das ruas.
Dilma mentiu.
Por mentir, enganar e destruir o sonho de tanta gente, a presidente da República no seu segundo mandato corre o risco de pagar um preço alto pelo que fez, ou seja: mentir, mentir, mentir.
Mentir, como disse Cascudo, é uma coisa muito feia.
Por isso, está se desenhando mais uma grande manifestação popular, prevista para o próximo domingo. Essa manifestação tem a ver com as crises diversas que temos enfrentado. 
Hoje os integrantes da CPI do BNDES apresentarão o cronograma de trabalho.
Nessa cumbuca, tem coisa. Mas, que prevaleça a verdade!
A vida pede que tenhamos meta e respeito ao próximo. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

VOU-ME JÁ!

Enquanto lá na América do Norte Barak Obama tenta convencer seu Congresso e eleitores da importância e necessidade de se firmar  o acordo nuclear com o Irã, por razões diversas; o sádico ditador  da Coréia do Norte, Kim Jong-un pinta e borda assustando o mundo com gestos e caretas. Aqui, por essas bandas, políticos viciados em corrupção, que são muitos, pulam miudinho feito calango em frigideira fervente, tementes que as garras da lei os alcance.

O mundo ferve.

Há bombas nucleares nos depósitos de Israel, Rússia e mais uma meia dúzia de países...
Diante disso tudo, a ‘maquininha de fazer doido’, que é como chamava a televisão mestre Stanislaw Ponte-Preta, ainda nos oferece alguns motivos de alegria, como, por exemplo, o programa Viola, Minha Viola.

Até parece que Inezita nem foi embora. Ela estava ótima ontem na telinha da TV Cultura, mostrando Daniel cantando Disparada, de Vandré, e duplas do gabarito de Zé Mulato e Cassiano, amigos nossos lá das quebradas do Planalto.

E por falar em Planalto, deixa pra lá.

Assis Ângelo e Silvio Santos
Ainda na programação dominical da ‘mardita’ telinha, o filósofo popular Silvio Santos continua bombardeando a plateia feminina com aviõezinhos no valor de até cento e cinquenta reais. E, entre uma brincadeira e outra que o dono do SBT faz com suas ‘Silvetes’, desafia seus convidados a responderem perguntas que podem lhe render, no conjunto, até meio milhão de reais... E com seu inefável sorriso ele, ao chamar os comerciais, diz:

– Vou-me já!

Que coisa a nossa língua, hein?


Na programação dominical do SBT não há crise, crise nenhuma para os telespectadores.  Mas houve uma vez, que Silvio detectou problemas políticos/econômicos em São Paulo, pelo menos. Foi quando ele concorreu ao cargo de governador do Estado. 

domingo, 9 de agosto de 2015

TEM PAI QUE É MÃE



Há pais que são mães
E mães que são pais
Registra a história
Desde os tempos coloniais

Na Babilônia um menino
Na argila desenhou
A imagem do seu pai
A figura que mais amou

O simbolismo do menino
Entre nós permanece
Multiplicando a esperança
No amor que fortalece

Neste 2º domingo de agosto, países como a Argentina, Itália e Rússia, além do Brasil, comemoram o dia de todo pai, inclusive eu.
A referência à Babilônia dos versos que teci acima, tem razão de ser. Mas foi há uns dois mil anos depois que, na América do Norte, um cara ficou viúvo e com a incumbência de criar seus seis pimpolhos, entre os quais uma donzela que ao virar adulta reconheceu a dura tarefa de criar filhos. A garota confeccionou algo como um cartão e nele escreveu palavras de elogio ao pai, lembrando que ele ao cria-la e aos seus irmãos desenvolveu também a função da mãe.
A ideia dessa jovem levou outros filhos a parabenizar o pai num dia do mês de junho.
Isso, ali pela 1ª década do século passado.
Em 1972, o Presidente norte-americano Richard Nixon oficializou a data e o mercado de consumo aplaudiu.
Pelo menos nisso, ficamos à frente dos gringos do Norte.
No Brasil, o Dia dos Pais está fazendo 60 anos.
O meu pai se chamava Severino e a minha mãe, Maria. 

O meu pai e a minha mãe
Me criaram com carinho
Ensinando a respeitar
Quem cruzasse o meu caminho   












sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PAUTAS E BOMBAS DO CAPETA

Agosto chegou faz uma semana trazendo no bojo alegria, lembranças de tristezas, como o dia da morte da portuguesinha-brasileira Carmem Miranda; as bombas que destruíram Hiroshima e Nagasaki matando cerca de 200  mil pessoas e provocando o fim da guerra mais sangrenta da história, que foi deflagrada em 1939 e finda há  70 anos e da qual também participou o Brasil.
Essa guerra encontrou no Brasil o ditador gaúcho Getúlio Vargas. Dessa guerra, além da memória, sobrou a Canção do Expedicionário, do poeta Guilherme de Almeida e do maestro Spartaco Rossi.
Vargas suicidou-se com um tiro no peito na madrugada de 24 de agosto de 1954. Sete anos depois, no dia 25 de agosto, o mato-grossense Jânio Quadros, depois de um porre, cometeu outro tresloucado gesto: renunciou à Presidência da República, deixando órfãos mais de seis milhões de almas que nele acreditavam.
A República Velha, a República Nova e essa que eu não sei se é Velha, Nova ou Novíssima, tem nos trazido, desde 1889, surpresas às mais diversas.
O que poderá vir por aí, hein?
Ontem, o vice-presidente Michel Temer, com a voz engasgada e um tanto trêmula, pediu apoio e compreensão dos seus colegas de legenda (PMDB), Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes respectivamente da Câmara e do Senado.
Na ocasião, disse que “é preciso que alguém tenha capacidade de reunificar a todos, de reunir a todos...”.
Quem será esse “alguém”, o próprio Temer?
Pois é, é bomba pra todo lado: em Hiroshima, Nagasaki; nos anos de 1970 cartas-bomba, e hoje pautas-bomba na Câmara, com gatilhos acionados para explodir a qualquer momento.
Sim, é grave o momento!
O PT abandonou seu Dirceu e os partidos de base do governo estão também dando no pé ou abandonando o barco como fazem os ratos.
Eu conheço essa história.
Não é hora de dona Dilma debruçar-se na leitura da história e da história tirar ensinamentos?
Getúlio suicidou-se, Janio renunciou... 


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

HOJE TEM PAPO DE VIOLA NA VILA

Eu convido vocês para uma conversa sobre cultura popular em que a viola é o destaque. Estarei lá, logo mais às 20 horas, no auditório da Livraria da Vila, para o lançamento do livro Conversa de Violeiro, do violeiro Chico Lobo e do escritor Fábio Sombra, e do CD Cantigas de Violeiro, de Chico Lobo.

Segue o prefácio do livro Conversa de Violeiro


Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915
Pinheiros, São Paulo
.

UM PASSEIO PELO MUNDO DA VIOLA
Assis Ângelo

Como o forró, a moda de viola pode ser definida como um bisaco de cego, no qual se acham os mais diferentes badulaques. No caso, ritmos e gêneros musicais.
Em 1949, o rei do baião Luiz Gonzaga encontrou no seu conterrâneo José Dantas o parceiro que o ajudaria a dar forma musical ao forró.
Num ano que se perde na história, algo parecido aconteceu com a moda de viola.
O ritmo/gênero moda de viola passou a ser conhecido pelo público fora do campo, da roça, no começo do século passado, quando o brincante tieteense Cornélio Pires, com a ajuda de seu sobrinho Ariovaldo Pires, o Capitão Furtado, procurou o representante do extinto selo musical Columbia, no Brasil, Alberto Byington Jr..
A conversa entre Cornélio e o velho Byington foi, digamos, nada estimulante no primeiro momento para Cornélio.
A todo custo Cornélio tentava convencer o empresário a lançar discos com modas de viola. Num certo momento Cornélio perguntou quanto custava fazer um disco e levá-lo ao mercado. Era muito caro etc.. Para encurtar a história: Cornélio arrumou uma montanha de dinheiro e com ela convenceu Byington a lhe abrir as portas da gravadora.
E foi assim que, entre 1929 e comecinho de 1931, Cornélio Pires levou à praça a série de 52 discos de 78 voltas com seu próprio nome.
Pois bem, além de se transformar no primeiro produtor musical do Brasil, Cornélio Pires abriu veredas para os violeiros anônimos que com seus sons originais encantavam os ouvidos do povo nas tardes compridas dos fins de semana. Assim, desbravado o caminho, a moda de viola, incluindo toadas, cateretês etc., passou a ser apreciada por um público novo e ilustrado até então acostumado a ouvir Bahiano, Cadete, Eduardo das Neves e outros nomes cujas vozes que rodavam nos pesados gramofones, uma grande novidade da época.
Estamos falando dos primeiros anos do Século XX.
Em novembro de 1944, o Capitão Furtado entrava no estúdio da recém-criada Gravadora Continental – hoje extinta- para produzir o primeiro de uma longa série de discos da dupla Tonico e Tinoco, que ele acabara de descobrir e que se tornaria lendária entre nós.
Claro que anos antes muitos discos com modas de viola já haviam sido lançados ao comércio com grande sucesso e muitos autores e intérpretes viveram financeiramente bem com o que faziam.
Não dá para esquecer de Raul Torres, Florêncio, Serrinha, Rielinho, Carreirinho e tantos mais que em 1994 ganharam uma série própria: Som da Terra (Warner/Continental).
Muitas histórias permeiam o mundo da viola e dos violeiros.
No exterior, até hoje, todo instrumento que se parece com violão é comumente chamado de violão ou guitarra.
Das matas do Ceará, um dia, saíram os irmãos Mussaperê e Herundy.
Num ano qualquer os irmãos, ainda meninos, acharam um violão ou viola e com ela passaram a se entender musicalmente, e com este instrumento gravaram bem depois, em setembro de 1953, na velha Continental, o primeiro de muitos discos com o baião Tambor Índio e o galope Acara Cary, de autoria deles.
Mussaperê e Herundy, dois dos trinta filhos de um cacique, ficariam mundialmente famosos pelo nome de Índios Tabajaras.
Neste livro, o mineiro Chico Lobo e o carioca Fábio Sombra deixaram por instante as violas no canto da parede e mergulharam no universo caipira e de lá nos trazem informações valiosas de todo tipo sobre a viola e violeiros. Já no primeiro capítulo, Viola Caipira - Duas pequenas histórias, Lobo e Sombra falam de folclore e origens do instrumento. No último capítulo, Retirada, os autores se despedem do leitor com muita graça e alguma fantasia.
E tome história!
Constituído por 11 partes, o livro Conversa de Violeiro – Viola Caipira: tradição, mistérios e crenças de um instrumento com alma brasileira, escrito de forma bem natural conquista o leitor muito rapidamente, desde os primeiros parágrafos. É como se estivéssemos ouvindo a prosa e o ponteio dos autores. Saborosos são os causos e o modo como Sombra e Lobo nos apresentam as crenças, as simpatias, as curiosidades e tudo o mais que consta do rico, belo e agradável universo da cantoria dos violeiros do Brasil que ainda, e felizmente, se espalham por aí a fora.
No Rio Grande do Sul temos o trovador, equivalente ao cantador nordestino, que por sua vez tem também muito a ver com o cururueiro de São Paulo e o calangueiro de Minas Gerais.
O mundo do caipira ou do matuto, como se diz no nordeste é, sem dúvida, de grande riqueza. Nesse mundo cabe tudo, até o que não deveria caber: a mistura das cantigas de viola feitas de modo natural com a contaminação provocada por instrumentos eletrônicos, iniciada nos fins dos anos de 1960 por duplas como Léo Canhoto e Robertinho. Exemplos? Basta ligar o rádio.
A boa viola e o bom violeiro existem desde os tempos de antanho.
Ali pela virada do século XIX para o XX, em Canudos, BA, soldados matavam de dia os seguidores de Conselheiro e à noite, sob as insuspeitas estrelas do céu se transvestiam de violeiros, e pungentemente cantavam e tocavam em roda para afogar as mágoas, antes de virarem bicho com a cara cheia de cana.
A música, seja ela de que tipo for, existe em qualquer lugar; a partir, mesmo, do vento, do mar e até do coração humano, que bate em compasso binário.
A palavra “caipira” vem do tupi ka'apir ou kaa - pira, língua que o português Marquês de Pombal decidiu acabar, mas o que não acaba é a moda de viola representada por muitos ritmos e gêneros vindos da viola, que com sua magia inspira o tocador a expor suas alegrias e saudades.
Depois de Cornélio Pires e do musicólogo paulistano Mário de Andrade autor da obra-prima Viola Quebrada, a moda de viola como tal concebida nos primeiros registros fonográficos continua sendo apreciada cada vez mais por um público que se multiplica. Isso, não custa dizer, que se deve a iniciativas de artistas que marcaram presença entre nós: Tião Carreiro & Pardinho, Bambico (o Dourado da dupla Dourado & Douradinho), Zé do Rancho, Renato Andrade, Cacique & Pajé, Almir Sater, Ivan Vilela, Roberto Corrêa, Fernando Deghi, Tião do Carro, Téo Azevedo, Rodrigo Mattos, Helena Meirelles, Juliana Andrade e Inezita Barroso, por exemplo.
Inezita, que não tinha na viola o seu principal instrumento e sim o violão, deixou um legado muito importante.
Através do seu programa Viola Minha Viola (TV Cultura), que ficou no ar durante 35 anos ininterruptos, ela descobriu e incentivou nomes que o tempo confirmaria de real importância, como a dupla de mineiros Pena Branca & Xavantinho - e Bruna da Viola, sua última descoberta.
Antes de Inezita Barroso, não havia orquestras de violeiros como a de Mauá, Osasco, Campinas, etc.
O livro Conversa de Violeiro - Viola Caipira: tradição, mistérios e crenças de um instrumento com a alma do Brasil, é para ser lido num fôlego só, de preferência com um disco de Chico Lobo e Fábio Sombra tocando na sala.
E tenho dito!

Ah! Dizem as más línguas que violeiro é que aquele sujeito que passa metade do tempo cuidadosamente afinando sua viola e a outra metade tocando desafinado.


___________________________________________________





quarta-feira, 5 de agosto de 2015

SEREMOS UM PAÍS SEM FUTURO?



Um País que não dá bola à educação e à cultura para no tempo, quando não volta ao tempo mais atrasado da Idade Média. Infelizmente, é o que se vê hoje no Brasil.
Particularmente, eu gostaria de saber qual o pensamento dos garotos e garotas nascidos nos últimos 13 anos, e dos jovens em geral. Se a programação do rádio e da televisão forem amostras disso estaremos perdidos.
Que futuro teremos, se o futuro for amanhã?
Há poucos dias, o editor potiguar José Cortêz voltou de um giro pelo nordeste. Contou-me de algumas surpresas que teve.
Em Acari, cidadezinha localizada a 201 quilômetros de Natal, ele contou que palestrara para estudantes. A surpresa que teve em Acari foi quando lhe disseram que a prefeitura local estava desenvolvendo um projeto pra lá de curioso: toda criança que nasce na cidade tem como padrinhos pessoas achegadas à leitura. Essas pessoas assumem o compromisso de presentear seus afilhados a cada aniversário, com livros, com boas leituras.
Interessante, não?
Tomara que esse projeto pegue.
Noutra cidade da região, São Tomé, a 101 quilômetros de Natal, Cortêz constatou um dos inúmeros absurdos do nosso “Brasil brasileiro”, como diria o compositor mineiro Ary Barroso.
Em São Tomé, Cortêz constatou que havia duas pontes construídas dentro do mato, com dinheiro público. Uma ligando à outra e outra ligando a canto nenhum, ou seja,  a-b-a-n-d-o-n-a-d-a-s.
Ainda no seu giro pelo Rio Grande do Norte, o editor proferiu palestra noutra cidade (São Miguel do Gostoso), incluindo um matador de aluguel e um traficante, presos e condenados, mas cumprindo pena em regime aberto. Os dois o ouviram por alguns minutos, viraram as costas e foram embora sem nada dizer.
E assim é o nosso País, e é assim que sucede nos grotões do nosso País.
A educação, não custa dizer, é a salvação da lavoura humana.
Sem educação e cultura nós, filhos do Brasil, estaremos todos perdidos; é o que se vê, aliás, no dia a dia do nosso Brasil brasileiro.
Meu Deus, até quando continuaremos cegos, perdidos no universo das crises e da falta de respeito ao próximo?
Não à toa, o cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré, autor da pérola Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores (acima), continua de luto, recusando-se a cantar em público. Quer dizer, além de luto, ele permanece em greve por um País melhor. 

Assis Ângelo e Geraldo Vandré

terça-feira, 4 de agosto de 2015

DE CRISE, FADO E PORTUGAL

O Brasil anda em crise há mais de 500 anos. A primeira ocorreu com a invasão dos portugueses a partir da Costa da Bahia. Naturalmente, e como não poderia deixar de ser, as primeiras vítimas foram os primeiros habitantes do nosso País. E outras crises se seguiram, com a invasão dos holandeses, franceses, ingleses, espanhóis, norte-americanos... Os americanos do Norte aprontaram e aprontaram e continuam aprontando. 
Atualmente, nesta década e meia do terceiro milênio, as crises continuam a infernizar a vida de nós pobres mortais, “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes...”. (Belchior)
Mas uma coisa curiosa: mesmo sufocados por crises seculares e contínuas, continuamos vivendo, abraçados à esperança...
E assim, temos motivos inúmeros para rirmos e choramos ao mesmo tempo.
Inegavelmente, somos um País rico de todas as formas: em dor, miséria, tristeza e tudo mais.
O poeta baiano Castro Alves dizia que a praça é do povo. Ele era, seguramente, um otimista imbatível em prosa e verso, um poeta incrível; enfim, um poeta da Paz e da Liberdade. Ele era um pouco de nós...
O Brasil é rico também na forma ou formas de criar, de fazer arte.
No comecinho dos anos de 1950, o rei do baião Luiz Gonzaga (1912/1989) e seu parceiro Humberto Teixeira (1915/1979), depois de gerarem duas dezenas de grande sucesso, como os baiões ‘Paraíba’ e ‘Asa Branca’, geraram também o fado-toada ‘Ai, Ai Portugal’, originalmente lançado à praça pela portuguesinha Estér de Abreu (1921/1997). E por falar em Luiz Gonzaga, não custa lembrar que domingo (2) fez 26 anos do seu desaparecimento entre nós. Nesse dia fui levado ao bairro paulistano do Caxingui , na zona Sul, para falar umas palavras a seu respeito e a respeito da cantora mineira Fatel Barbosa, que aniversariava nesse mesmo dia. E lá encontrei amigos como Luiz Wilson, Anastácia, Tio Joca, do Trio Sabiá, entre outros.
Pois bem, hoje é o Dia do Fado.

Os portugueses são uma parada, são ou não são?


POSTAGENS MAIS VISTAS