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quinta-feira, 9 de novembro de 2023
OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE
O IVO DA IVA
Dias depois, avançando nos estudos, a professora pedia pra repetir: Ivo viu a uva...
Pois bem, essas histórias continuam ilustrandi as paredes da minha memória.
Ontem 8 acompanhei a aprovação da Reforma Tributária no Senado. No placar: 53 × 24. Foi quando me lembrei do Ivo.
Vamos fazer de conta de que Ivo é Iva e Ivo é Ivo mesmo.
Ivo representa o governo que temos e Iva é o povo que ganha nada ou muito pouco.
Na reforma em pauta IVA é a sigla Imposto sobre Valor Agregado. Esse imposto reunirá IPI, PIS e tal. Ouça:
quarta-feira, 8 de novembro de 2023
HÁ 31 ANOS MORRIA PENSAMENTO
terça-feira, 7 de novembro de 2023
VIVA A PREGUIÇA!
GUERRA É COISA DO CAPETA!
Eles abandonaram seus cursos, deixaram seus países, mudaram seus valores, adotaram uma nova língua. Vieram construir o lar nacional judeu. Em Bror Chail — fazenda coletiva israelense —, nosso repórter Eurico Andrade presenciou o resultado da fusão do jeitinho brasileiro com os ideais socialistas e a mística da Terra Prometida. Em Israel, esse pequeno país encravado entre o mar, o deserto e a morte, 85 mil pessoas vivem na fazendaGUERRA E PAZ NO KIBUTZ
domingo, 5 de novembro de 2023
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA!
A língua portuguesa é língua antiga. Surgiu na Península Ibérica, durante a ocupação dos mouros. É resultado do latim vulgar, que também gerou o galego.
Todo mundo diz que a língua portuguesa é uma língua difícil. E é. Era a língua de Camões.
A propósito, sobre Camões proferi palestra na Biblioteca Mário de Andrade. Foi legal. Veja e ouça:
sábado, 4 de novembro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (50)
A poesia popular é a poesia feita por pessoas não letradas, sem nenhuma ou pouca frequência nos bancos escolares; ao contrário do que podemos classificar de erudito ou erudita.
Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Drummond eram eruditos, por exemplo.
A licenciosidade como tal conhecemos e chamamos se acha nas culturas espontâneas ou fabricadas desde os
tempos de tresontonte, também conhecido como tempo em que galinha tinha dente e voava que nem águia.
Até hoje o Brasil gerou centenas de ótimos poetas populares como Leandro Gomes de Barros, Zé da Luz, Patativa do Assaré, Manoel Monteiro, Franklin Maxado, Klévisson Viana, Marco Haurélio.
Populares aí falei de homens, mas não são poucas as mulheres que se aventuram nesse campo. Entre essas Dalinha Catunda (Maria de Lourdes Aragão Catunda), Bastinha Job (Sebastiana Gomes de Almeida Job), Nevinha (Maria das Neves), que entrou para a história da cultura popular ao publicar o primeiro folheto intitulado O Violino do Diabo ou o Preço da Honestidade. Ela usava o pseudônimo do marido. Mas essa é outra história.
José Ramos Tinhorão era um jornalista dono de uma bagagem intelectual invejável. Era um erudito, podemos dizer. Saia-se bem em espanhol, italiano, inglês e francês, que conseguia falar sem sotaque e escrever sem erros gramaticais. Deixou publicados 29 livros, todos tratando a fundo sobre música popular, o primeiro (Música Popular - Um Tema em Debate) lançado em 1966.
Era propósito de Tinhorão fechar o ciclo de pesquisas que iniciou em fins dos anos de 1940 com um livro sobre licenciosidade ou "putaria", como dizia fazendo graça aos amigos mais próximos.
Ele achava um barato e como tal respeitava os cordelistas, também chamados de "poetas de bancada".
De fato, os cordelistas são grosso modo bastante inspirados.
A literatura de cordel é classificada por ciclos temáticos: religião, cangaço, guerra, política,personalidades, esporte, erotismo, feitiçaria, gracejo e tal.
Dentre o material "garimpado" para fechar seu próprio ciclo como pesquisador ou historiador como preferia ser chamado e não como crítico musical, Tinhorão começou a reunir folhetos de cordel e livros nacionais e estrangeiros que tratassem de putaria. Foi assim que caíram em suas mãos Manoel Monteiro, Franklin Maxado, Klévisson Viana, Bastinha Job, Dalinha Catunda e outros.
No folheto de oito páginas Um Jumento e Duas Doidas as autoras, em peleja, se desafiam numa quase agressão. Começa assim:
DALINHA CATUNDA
Eu sou nordestina
Da cabeça chata
Raiva não me mata
E nem me alucina
Olhando sua crina
Pensei em montar
Se me derrubar
Não tem nem talvez
Até lhe amansar
BASTINHA JOB
Também sei montar
Cedinho aprendi
Jamais esqueci
Achei bom trepar
Melhor é gozar
De tanto prazer
Corpo e alma gemer
Sentir alegria
Que até contagia
Quem meu verso ler!...
O paraibano Manoel Monteiro sustentou a família publicando e vendendo folhetos Nordeste afora. Era chegado a gracejos e até explícito nas suas incursões que fazia no campo erótico. Em Mulher Gosta de Ouvir, por exemplo, indicava já na capa ser "impróprio para menores de 90 anos". Veja:
Qual a mulher que não gosta
De ter o homem que ama
Com o corpo nu sobre o seu
No vai e vem duma cama
Ofegante e meio torpo
Com as mãos a roçar-lhe o corpo
E a boca a sugar-lhe a mama?...
(CONTINUA…)
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
sexta-feira, 3 de novembro de 2023
PAPO BOM COM WOILE E REGINA
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| Regina, Woile e Assis |
Em 1975, ano do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, Woile tinha uns 30 e poucos anos e trabalhava na TV Globo. Ficou nessa TV durante década e meia. Chegou a ser editor do JN. Tem muita história pra contar.
Nascido no dia 15 de dezembro de 1938, Woile muito cedo trocou a cidade de origem por Marília (SP), berço do cantor, compositor e instrumentista Sérgio Ricardo. Sim, isso mesmo: Sérgio foi aquele camarada que irritado com a platéia que o vaiava num Festival de Música quebrou o violão numa pancada e meia.
Sérgio Ricardo foi uma figura maravilhosa, marcante.
A última vez que me encontrei com Woile foi a vez em que saímos juntos com o saudoso Audálio Dantas e sua mulher Vanira, mãe da bela Mariana e da coleguinha jornalista Juliana.
Ontem falamos, falamos, falamos e até declamar, declamei. Declamei poesia de cego que compus como Poema dos Olhos.
Era Carnaval e por ser Carnaval Woile meteu na telinha uma insinuante e colorida bunda feminina. Boni não gostou.
LEMBRANDO CARMÉLIA ALVES
Não sou filósofo, não sou nada, mas acho que o tempo não passa; nós é que passamos.
Passei quase todo o meu tempo ouvindo dizer que o tempo não espera, que o tempo passa rápido e tal. E a máxima: o tempo é o Senhor de tudo.
Pois bem, num pano rápido, posso dizer que parece que foi ontem que morreu Carmélia Alves.
Hoje 3 completam-se 11 anos do encantamento definitivo da cantora que entrou para a história da nossa música popular como a Rainha do Baião.
Eu gostava muito de Carmélia. Era carioca filha de nordestinos. Sua voz era muito bonita, muito afinada. Interpretava tudo que quisesse: samba, marchinha de carnaval, frevo, toada, forró e baião. E até bossa-nova. Nesse rítmo e gênero chegou a gravar, em 1964, um LP inteirinho. No repertório do disco incluiu até uma música de Geraldo Vandré: Quem quiser encontrar o amor.
A Rainha do Baião morreu esquecida, viúva e sem ninguém, no Retiro dos Artistas, RJ.
No último 14 de fevereiro ela teria completado 100 anos de idade.
quinta-feira, 2 de novembro de 2023
REGINÓPOLIS EM BOAS MÃOS
Cantor, compositor, bailarino, ator, cineasta e até assoprador de apito, me entusiasmam.
E o que dizer de desenhista, pintor, escultor e cartunista?
O cartunista Fausto Bergocce é um dos mais sensíveis e criativos artistas do traço que conheço.
Fausto está sempre com uma ideia nova nos fazendo pensar e rir.
Ele leva tudo ou quase tudo na brincadeira, mas sempre com olhar arguto, crítico. "Estou deixando um pouco de lado o cartum. Não é por nada, não. É que estou chegando neste mês de novembro aos 71 anos de idade. Quero relaxar mais", ele diz.
Fausto e eu acabamos de levar à praça o livro Histórias de Esquina. O prefácio é assinado pelo craque da batuta Julio Medaglia.
E como quem não quer nada, rindo, Fausto conta que acaba de gerar mais uma exposição com suas ideias e quer espaço para mostrá-la.. Trata-se de Reginópolis em Boas Mãos.
Já pelo título, posso afirmar que essa exposição dará muito o que falar. Não à toa, os 41 personagens nela enfocados são parte da nossa história recente. São eles: Rivelino, Oswaldo Mendes, Inácio de Loyola Brandão, Maurício de Souza, Júlio Medaglia, Paulo Carneiro, Lázaro Ramos, Vitor Nuzzi, José Augusto Lisboa, Assis Ângelo, Rubens Chiri, Alexandre de Paula e Caio Miranda, Trio Gato com Fome, Custodio Rosa, Santiago, Zélio Alves Pinto, Ridaut Dias Jr, Eulália Pinheiro, Odair Batista, Jose Ramos Tinhorão, Nani, José Maria Mayrink, Antonio Moura Reis, Hermano Henning, Oswaldinho da Cuíca, Xavier de Lima, Jorge Nagao, Carlos Alberto Barbosa, Dilené Barreto, Cris Tomaz, Anastácia, Fátima de Morais, Célia e Celma, Kydelmir Dantas, Ziraldo, Henrique Perazzi de Aquino, Edson Mauro, Levi Ramiro, Paulo Vitale, Valdek de Garanhuns, Fausto Bergocce, Solenne Deringound, Rômulo Nóbrega.
Todo o conteúdo da exposição Reginópolis em Boas Mãos, integrará o acervo Escola Municipal Regina Olinda Martins Ferro. "Nessa escola eu estudei e fiz boas amizades no meu tempo, digamos, de juventude. O mínimo que posso fazer é deixar essa exposição para que os novos alunos conheçam um pouquinho de São Paulo e do Brasil através dos seus personagens", finaliza Fausto.
quarta-feira, 1 de novembro de 2023
TSUNAMI NO NORDESTE. SIM, SENHOR!
O que ocorreu naquela data, meus amigos e minha amigas, foi um tsunami.
Sim, isso mesmo: um tsunami gigante e bravo, violento, poderoso e assassino.
Bom, no começo, ele acrescentava ao nome o sobrenome do Estado em que nasceu: Paraíba.
A fama do nosso personagem começou quando lançou à praça o primeiro LP pela extinta CBS, em 1978.
Estou falando do cantor, compositor e instrumentista Zé Ramalho.
Zé sempre foi uma espécie de "profeta". Não que saiba ou "adivinhe" tudo a que lhe diz respeito. Mas pensando bem...
Em outubro de 1982, Zé Ramalho gravou o ótimo LP Força Verde. Nesse disco há uma música intitulada Eternas Ondas na qual Zé conta cantando a tragédia que ocorreria na Indonésia, em dezembro de 2004, provocada por um tsunami que deixou cerca de 250 mil pessoas mortas.
Pois é, ouça:
terça-feira, 31 de outubro de 2023
O MENINO E O MAR
segunda-feira, 30 de outubro de 2023
ADEUS, DANILO!
Cultura popular é a cultura que o povo faz desde que povo é povo. Anônimo.
Cada vez mais esse tipo de cultura fica distante de quem a aprecia e a aplaude. E cada perda de quem a aprecia e a leva a outros olhares é de se lamentar, é uma tristeza.
São Paulo e boa parte do Brasil estão hoje de luto pela perda do agitador cultural fluminense Danilo Santos de Miranda, aos 80 anos de idade.
Danilo dedicou bem mais da metade do tempo de vida à vida cultural levada aos brasileiros pelas diversas unidades do Sesc.
Aqui rendo minhas homenagens a esse grande brasileiro.
domingo, 29 de outubro de 2023
É PRECISO FAZER MAIS PELA CULTURA
O samba já foi tombado e já virou patrimônio, como patrimônio também já viraram o samba de roda, o jongo, o forró, o frevo...
Além de fazer isso é preciso fazer com que o alvo pretendido seja levado de todas as maneiras principalmente ao conhecimento dos jovens, que aparentemente por falta de opção consomem e dançam tranqueiras estrangeiras. Bom, o começo de uma boa mudança no campo cultural pode ser a realização de festivais que visem descobrir e incentivar talentos.
No caso da música, mais precisamente a música folclórica, necessário se faz que chegue às escolas públicas e privadas de primeiro e segundo graus. Da mesma maneira também se faz necessário abrir concursos para descobrir e incentivar talentos no campo literário. A propósito, hoje é o Dia Nacional do Livro.
O que está sendo feito para de fato preservar os nossos valores literários?
O frevo como eu já disse foi tombado. E daí?
Será que o Brasil sabe quem foi Capiba?
Será que o Brasil sabe quem foram os criadores do samba?
E o jongo, hein?
O forró sabe-se o que é. Sabe-se, aspas.
Andei falando de Capiba um monte de vezes. Esse cara foi incrível. Fez músicas maravilhosas, do samba ao maracatu. Aliás, ontem 28 foi o dia do seu nascimento. E nem uma linhazinha sequer saiu por aí para lembrá-lo.
Pois é!
sábado, 28 de outubro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (49)
sexta-feira, 27 de outubro de 2023
É CAPIBA, MEU BEM!
Esse Lourenço ficou famoso pelo pseudônimo de Capiba.
Já escrevi muito a respeito de Capiba e dele ouvi muita coisa bonita na boca de pessoas do povo. Destacar o que eu ouvi é algo praticamente impossível. Mas nesse espaço de hoje, recomendo que ouçam É Frevo, Meu Bem! e Oh! Bela.
Dêem uma procurada aqui no Blog que acharão muita coisa bonita desse grande artista, desse grande compositor, que costumava compor sozinho tocando piano na sua casa em Recife, PE.
quinta-feira, 26 de outubro de 2023
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE CAPIBA?
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| Capiba e Assis |
A verdade é que Capiba não compôs só frevos.
Da discografia de Capiba constam canções, cirandas e tal.
Chico Alves, o Rei da Voz, foi o primeiro artista de renome a gravar uma composição de Capiba: a canção-frevo Júlia, de 1938, um ano antes de explodir a 2ª Grande Guerra.
A primeira composição de Capiba foi a valsa Lágrimas de Mãe, que compôs junto com seu irmão Antonio, em homenagem a mãe Maria Digna da Fonseca Barbosa.
Em 1924, Capiba escolhera João Pessoa/PB, para estudar. Nesse mesmo ano em São Paulo estourava a Revolução Constitucionalista.
Capiba nasceu no dia 04... Não! Capiba nasceu no dia 28 de outubro de 1904, 10 anos antes de explodir a 1ª Grande Guerra.
Capiba foi um herói da nossa música e continuou a compor até pouco antes de nos deixar, no dia 31 de dezembro de 1997.
Em dezembro de 1933, portanto há 80 anos, o cantor Mário Reis gravava de Capiba a marcha pernambucana intitulada É de Amargar. Essa música foi composta em homenagem ao irmão do autor, Antonio, que morrera naquele ano. Ouça:
LEIA MAIS: CARNAVAIS DAS PANDEMIAS DE ONTEM E DE HOJE (1)
quarta-feira, 25 de outubro de 2023
AS GUERRAS SURGEM DO NADA
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| Ilustração de Fausto Bergocce |
A 2ª Guerra começou também do nada: um doente dos infernos, Hitler, achou de "transformar" o mundo matando tudo quanto era judeu e deficientes físicos e mentais.
O ódio é, a rigor, o estopim que leva à guerra.
Desde que nos entendemos por gente, da linhagem Sapiens, milhares e milhares de guerras já explodiram nesta terrinha-de-meu-Deus-do-céu!
Agora mesmo um número incalculável de homens, mulheres e crianças estão morrendo a tiros, de sede e de fome mundo afora. Na Ucrânia, por exemplo.
O Continente africano, que é formado por 54 países, vive o tempo todo em guerra. Muitas delas, entre tribos.
E pensar que foi na África que surgiu o Homo Sapiens...
Milhares de jovens estão armados até os dentes em Israel esperando dos chefões o grito de ordem para invadir por terra a Faixa de Gaza. Pode ser a qualquer momento. A Faixa, localizada no Oriente Médio, tem apenas 365 km². E Israel: 22.145 km² de área ocupada por 9,5 milhões de pessoas.
Aquele pedaço do mundo, das Mil e Uma Noites, vive pegando fogo. Não é de hoje, portanto.
Cristo, nascido em Nazaré, morreu por nós depois de pregar a paz e seu conhecimento na Palestina, Judeia, Galileia e redondezas.
Em terras do Egito Cristo também pisou, ao lado dos pais José e Maria. Ver Bíblia.
Em 1948, Israel foi criado. Também era para ter sido criado o Estado da Palestina, que já era um pedacinho de terra do tamnho de nada.
Os árabes, mesmo preteridos, nunca desistiram da Palestina. Tanto que em 1967 falaram alto pedindo o que lhes era de direito. E de surpresa Israel encheu de morte o Egito, jogando bombas do céu. Depois do Egito, Síria, Jordânia e Iraque, que receberam o apoio velado dos vizinhos Kuwait, Líbia, Arábia Saudita, Argélia e Sudão. Mas não adiantou. Israel ganhou e na ocasião anexou ao seu território a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém e as Colinas de Golã.
Essa guerra, que durou apenas 6 dias, deixou um saldo de mais de 5 mil mortos de ambos os lados.
LEIA MAIS: GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (1) • GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (2, FINAL)
terça-feira, 24 de outubro de 2023
O PEQUENO PRÍNCIPE CHEGA AOS 80
O avião de Exupéry, do Correio Postal, caiu no mar no dia 31 de julho de 1944. O tempo era de guerra, da Segunda Grande Guerra.
O livro O Pequeno Príncipe foi escrito nos EUA e publicado em inglês e francês em 1943, portanto um ano antes de o autor ter o avião abatido por aviadores alemães, hitleristas.
O escritor norte-americano Ernest Hemingway participou não de uma, mas de três guerras: da Primeira Grande Guerra, da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Grande Guerra. Da primeira escapou ferido e da segunda e terceira ileso, como correspondente de jornais de sua terra.
É de Hemingway o livro Adeus às Armas.
O indiano Eric Arthur Blair, para o grande público George Orwell, naturalizou-se norte-americano e pela terra nova que adotou participou da Segunda Guerra. Depois é que publicaria por lá A Revolução dos Bichos e 1984. Obras-primas.
Até a escritora Agatha Christie participou de uma guerra, da Primeira, em 1917. Sua participação foi como enfermeira da Cruz Vermelha. Logo depois dessa guera, Agatha começou a publicar livros policiais. Uns 500.
Da chamada Revolução de 32, de São Paulo, participou o violonista Aníbal Sardinha que entrou para a história do violão brasileiro com o pseudônimo de Garoto.
Pessoalmente gosto de todos esses escritores e seus livros. Mas Hemingway tem um livro apaixonante: O Velho e o Mar, que não deixa de ser guerra. No caso é o homem brigando até não mais poder para se salvar da violência das ondas do mar. Esse livro foi publicado no ano em que nasci: 1952.
O mundo continua em guerra...
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
ATENÇÃO, O ESTOPIM DO MUNDO ESTÁ ACESSO!
Seguros embora os seus caminhos sejam árduos e sinuosos.
E quando as suas asas vos envolverem, abraçai-o, embora a espada oculta sob
as asas vos possa ferir.
E quando ele falar convosco, acreditai,
Embora a sua voz possa abalar os vossos sonhos como o vento do norte
devasta o jardim.
Pois o amor, coroando-vos, também vos sacrificará. Assim como é para o
vosso crescimento também é para a vossa decadência.
Mesmo que ele suba até vós e acaricie os mais ternos ramos que tremem ao
sol,
Também até às raízes ele descerá e abaná-las-à
Enquanto elas se agarram à terra.
Como molhos de trigo ele vos junta a si.
Vos amanha para vos pôr a nu.
Vos peneira para vos libertar das impurezas.
Vos mói até à alvura.
Vos amassa até vos tomardes moldáveis;
E depois entrega-vos ao seu fogo sagrado, para que vos tomeis pão sagrado
para a sagrada festa de Deus.
Toda estas coisas vos fará o amor até que conheçais os segredos do vosso
coração, e, com esse conhecimento, vos tomeis um fragmento do coração da
Vida.
Mas se, receosos, procurardes só a paz do amor e o prazer do amor,
Então é melhor que oculteis a vossa nudez e saiais do amor,
Para o mundo sem sentido onde rireis, mas não com todo o vosso riso, e
chorareis mas não com todas as vossas lágrimas.
O amor só se dá a si e não tira nada senão de si.
O amor não possui nem é possuído;
Pois o amor basta-se a si próprio.
Quando amardes não deveis dizer "Deus está no meu coração", mas antes
"Eu estou no coração de Deus".
E não penseis que podeis alterar o rumo do amor, pois o amor, se vos achar
dignos, dirigirá o seu curso.
O amor não tem outro desejo que o de se preencher a si próprio.
Mas se amardes e tiverdes desejos, que sejam esses os vossos desejos:
Fundir-se e ser como um regato que corre e canta a sua melodia para a noite.
Para conhecer a dor de tanta ternura.
Ser ferido pela vossa própria compreensão do amor;
E sangrar com vontade e alegremente.
Despertar de madrugada com um coração alado e dar graças por mais um dia
de amor;
Repousar ao fim da tarde e meditar sobre o êxtase do amor;
Regressar a casa à noite com gratidão;
E depois adormecer com uma prece para os amados do vosso coração e um
cântico de louvor nos vossos lábios.
domingo, 22 de outubro de 2023
VIVA O CHORO E OS CHORÕES!
sábado, 21 de outubro de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (48)
O fogo da carne não se acendia sem espírito. E essa necessidade de espírito chegaria a tal ponto, no século XVIII, que uma mulher de certa categoria não se sentia o suficientemente excitada antes de pelo menos meia hora de conversação inteligente.
Seguindo a trilha de Descartes, a filosofia já era capaz de reduzir a metafísica do amor ao plano das demonstrações matemáticas. E eis porque, quando uma mulher finalmente se entregava ao seu galanteador, fazia-o com a satisfação superior de não estar cedendo exatamente à carne, mas a um argumento irrespondível.
Aliás, mesmo quando fazia alguma resistência, não era absolutamente para opor pela força o que não soubera contrapor pelos argumentos, mas apenas — como escrevia de uma sua personagem o contemporâneo Pigault Lebrun — para não deixar sem um preço a sua derrota.
O próprio Marquês de Sade — o Divino Marquês, que um dia distribuiu bombons recheados com cantárida num bordel de Marselha, provocando o maior escândalo jamais presenciado numa casa de escândalos — chegou a apontar o aparecimento do romance como consequência da galanteria, que refinava os espíritos fazendo ainda a fortuna de muitos especialistas na incipiente ciência dos males venéreos. Escrevendo um ensaio intitulado "Idéia Sobre os Romances", o Marquês notou que o homem oscila entre a superstição e o amor, concluindo:
"...et voilà la base de tous les romans."
Amor de tipo especial que serviria realmente de base a Choderlos de Laclos para compor a mais
pungente história de um libertino, a do Visconde de Valmont, no seu romance "As Ligações Perigosas". O dramático Visconde de Valmont, que, por puro amor da libertinagem, escrevia cartas fingindo amor puro à pudica. Mme. de Tourvel debruçado sobre o corpo de uma amante, o que confessava depois a uma terceira mulher com este requintado pormenor: "Elle me servit de pupitre pour écrire à ma belle dévote."Mas o espírito do século não se revelaria apenas na filosofia e na literatura, onde se demonstrava que o vício era a melhor forma de protestar contra a autoridade, simbolizada na virtude. A galanteria e a libertinagem invadiram também o teatro, a pintura, a arquitetura, a moda e até o mobiliário, pois foi exatamente no século XVIII que os franceses adotaram do Oriente o uso do sofá, com tôdas as suas implicações.
A nova sociedade burguesa, mal-acomodada nos rígidos esquemas herdados da organização feudal, ao levar o escândalo ao campo das artes estava apenas pregando a libertação da educação retórica jesuítica do século XVII, que tão tiranicamente os obrigava nos planos da cultura e do sexo à obediência dos modelos clássicos.
As representações das peças de Molière caíram de 132 para apenas 66, anualmente, e em seu lugar entraram a proliferar as óperas cômicas, os ballets, os teatros de boulevard e as marionnettes.
Era a vitória dos chamados petits genres, que deixariam como legado às gerações futuras tantos exemplos de obras-primas construídas sobre o nada.
Segundo Mercier, havia no Palais Royal um teatro público onde, em 1791, se representou uma comédia tão espontânea que a cena de maior comicidade deu-se quando os três casais de atores começaram a agir no palco exatamente como os casais de verdade agem em casa, geralmente à noite.
Os mais calorosos aplausos — observou Mercier — partiram das mulheres, que compunham, aliás, a maioria da assistência.
Na pintura, Boucher, Watteau, Lancret e principalmente Fragonard, desprezando a sadia nudez das deusas de Lebrun e Nicolau Mignard, vestiam suas dianas e pastoras pelo modelo daquelas meninas fáceis de Paris que — no dizer indignado de George Brandes — "tinham orgulho em mostrar seus seios e traseiros, ora no Trianon ora em Luciennes."
Os maiores conquistadores da época davam-se ao luxo de mandar pintar suas amantes em posições provocadoras, e Casanova, de passagem por Paris, estava destinado a pagar caro essa galanteria: mostrando ao Rei Luís XV o retrato da jovem irmã da atriz O'Morphi numa pose cheia de intenções, o soberano revelou tal interesse em conhecer a moça, para "apreciar com justeza a fidelidade da reprodução", que não houve como deixar de trazê-la ao retiro do Parque dos Cervos — ficando daí por diante Luís XV com o original e Casanova apenas com a pintura.
O arredondamento das formas, tão apreciado nas mulheres, acabaria influenciando a arquitetura, também sujeita até ali à rigidez das linhas clássicas. A figura de Pan passou a povoar os jardins, ao fundo dos quais a necessidade de pousos quietos para o exercício do amor fez surgirem as petites maisons, perfeitas garçonières de um tempo em que não havia apartamentos.
Foto e ilustrações por Flor Maria e Anna da Hora.
sexta-feira, 20 de outubro de 2023
AGORA E NA HORA DA NOSSA MORTE., AMÉM!
O mundo é uma bola, não é?
Pois bem, a cada dia essa bola está ficando menor e perigosa. Nessa bola há, vivendo, mais de oito bilhões de pessoas. Dessas, pelo menos oitocentos milhões não têm o que comer no dia a dia. Isso não é brinquedo.
Enquanto a bola que é esse mundinho se apequena e ferve que nem uma chaleira tapada esquecida num fogão. Quer dizer, prestes a explodir.
O presidente dos EUA, Joe Biden, dá corda para que as guerras na Ucrânia e em Israel prossigam. E isso não é de graça. Faturam-se com as guerras. O faturamento vem da fabricação e venda de armas.
Na guerra da Ucrânia os EUA já investiram bilhões de dólares.
Nesse caminho, de investimento, os EUA deverão de cara enfiar pelo menos 14 bilhões de dólares para que Israel prossiga na guerra.
Isso tudo quer dizer: indústria da guerra, que provavelmente jamais falirá.
Pois é, nesse meio tempo ou tempo que nunca finda, os mais de oitocentos milhões de pessoas que vivem mundo afora abaixo da linha da pobreza propositadamente continuam esquecidas pelos EUA e outras potências desta bolinha doida em que vivemos.
Essa coisa de bola me faz lembrar a minha querida e saudosa vó Alcina. Ela jurava por tudo quanto era santo que um dia "o mundo vai se acabar numa bola de fogo". Quer dizer, numa explosão.
Estamos à beira do Apocalipse?
Sei não, mas por via das dúvidas acho bom começarmos a rezar:
"... rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém".
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