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sexta-feira, 5 de junho de 2009

ORQUESTRA DE RABECAS, CONHECE?


Depois de uns dois ou três meses, vi de novo o luthier rabequeiro (multiinstrumentista) Di Freitas em ação, agora na unidade SESC do Ipiranga.
Foi ontem à noite.
Pouca gente na platéia.
Pena.
Não sabe o que perdeu quem na foi.
E olha que a noite estava bela, com a lua Crescente no signo de Escorpião se divertindo e um friozinho gostoso nos convidando a um bom papo regado a vinho dos Alpes.
Di Freitas apareceu no palco dez minutos depois da hora marcada. Foi bom; porque eu, Andrea e Clarissa, minha caçula, chegamos minuto e meio atrasados e sem poder culpar o trânsito, que estava ótimo – diga-se. Tudo a favor.
O amigo e colega jornalista Matias José Ribeiro sorria, ao nos reencontrar...
Às 21h10, o espetáculo se iniciou com Di falando a respeito das origens da Orquestra de Rabecas Cego Oliveira. Ele aproveitou para dizer que mora em Juazeiro do Norte, CE, há cerca de sete anos. É de Fortaleza, reforçou, e o conheci no seu atelier há dois anos, quando o Centro Cultural BNB me convidou para uma palestra/gravação de DVD sobre cultura popular e Luiz Gonzaga...
Enfim, “O Alumioso”, que é como se chama o espetáculo – e o CD de Di – começou e encerrou com coisas do folclore nordestino, especialmente da região do Cariri cearense... Há dois Cariris. Tem o da Paraíba também, sabia?
Palmas do começo ao fim.
Ô coisa boa é ouvir Di Freitas e a Orquestra de Rabecas Cego Oliveira!
E o que dizer da participação especial de mestre Expedito, da Banda Cabaçal, convidado especial de Di Freitas? E da percussionista Dani Zulu e da cantora Juliana Amaral, afinadíssima? E da viola incrível de Filpo Ribeiro, hein?
É por essa e outras que insisto dizer que o Brasil precisa ser descoberto por brasileiros.
Uma coisa: os três últimos números do espetáculo de ontem são absolutamente perfeitos, com “Vaca Estrela e Boi Fubá”, de Patativa do Assaré, seguido de “O Trenzinho do Caipira”, de Villa Lobos (letra de Ferreira Gullar) e de um canto de despedida, do folclore brasileiro.
Viva a Orquestra de Rabecas Cego Oliveira!
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Amanhã às 21 horas estarei no SESC Pompéia lançando o livro “Pascalingumdum! Os Eternos Demônios da Garoa”, com a chancela do GTT (Grupo Trends Tecnologia). Antes, farei no palco do teatro uma explanação sobre as origens da nossa música popular. Em dez minutos! É pouco tempo, não é? Gostaria que fosse mais...
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Hoje estão indo ao ar programas de rádio (Record e Cultura) que gravei no correr da semana.
Na Record é mais no fim da tarde, com Zé Nello Marques.
Na Cultura, no começo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

ENCONTRO EM BRASILIA



O I Encontro Nordestino de Cordel, promovido pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal e Entorno (Acrespo) em Brasília, nos dias 28 e 29 passados, foi de grande importância para quem se movimenta no mundo da literatura de cordel, especialmente para quem o fazem como os irmãos Klévisson e Arievaldo Viana, Maxado Nordestino, Rouxinol do Rinaré, Marco Haurélio, Moreira de Acopiara e Varneci Nascimento, entre centenas espalhados Brasil afora.
A abertura do encontro, na noite de 29, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Cultura Juca Ferreira, incumbido de viabilizar soluções reivindicadas pelos cordelistas representados na ocasião pelo secretário da Cultura do Rio Grande do Norte, Crispiniano Neto, que aproveitou a ocasião para lançar o livro ”Lula na Literatura de Cordel”.
Entre as reivindicações apresentadas, o reconhecimento da profissão de cordelista e de cantador repentista.
O discurso de Crispiniano foi feito em versos e agradou em cheio o público que lotou as dependências do teatro da Caixa Cultural.
Durante a sessão de encerramento, aberta por mim e dedicada ao poeta Patativa do Assaré, se apresentaram os emboladores de coco Roque e Teresinha (hilariantes!) e os repentistas Antônio Lisboa, Chico de Assis, Ismael Pereira, Ivanildo Vila Nova e Zé Maria de Fortaleza, entre outros.
Poeticamente, também deram recado Antônio Francisco e Moreira de Acopiara.
O Encontro serviu para discussão da criação da Cooperativa de Cordel.
Ao fim de tudo, Crispiniano Neto ainda leu uma carta especial do presidente Lula aos participantes do Encontro, na qual é posta em alto relevo a obra de Patativa do Assaré.
Viva a cultura popular!
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Logo mais às 21 horas, o cearense Di Freitas estará encantando o público paulistano no Sesc Ipiranga, junto com a Orquestra de Rabecas Cego Olieira, de Jazeiro de Norte. Na ocasião artista autografará o CD "O Alumioso", que está saindo pelo selo Sesc. No correr da próxima semana, ele ministrará uma oficina para constução de rabeca, no Sesc Paulista. No total, 15 é o número de aprendizes privilegiados já inscritos.
não perderei o espetáculo de hoje. e você?
Ah! no CD de Di Freitas, uma faixa especial: "Vaca Estra e Boi Fubá", de Patativa do Assaré.
Imperdível!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

VÃO SE AGENDANDO... OS ETERNOS DEMÔNIOS DA GAROA


Dias corridos foram os da semana passada e também os dias desta semana, cujo fim já se aproxima.
Fui ao Rio de Janeiro participar de um especial ao poeta Patativa do Assaré, a convite da produção do programa De La pra Cá, da TV Brasil. O programa é comandado por Ancelmo Góis.
Falamos, falamos e falamos. Foi legal. Foi ao ar no último dia 1º, mas quem não viu pode vê-lo no próximo domingo, às 18 horas. Recomendo: gravem. Pois nesse dia e hora estarei dizendo coisas a respeito do grupo musical Demônios da Garoa, no palco do teatro do SESC Pompéia, pouco antes de o grupo se apresentar. A apresentação faz parte do lançamento do meu novo livro: “Pascalingundum! Os Eternos Demônios da Garoa”, que está saindo do forno sob a chancela do Grupo Trends Tecnologia.
Falei do Patativa e falo mais:
Ontem foi dia de festa em nome da cultura popular, em Brasília. Mais precisamente no Senado.
Tudo começou quando o senador cearense Inácio Arruda decidiu pôr na pauta do dia a proposta de Ano Patativa do Assaré, já aprovada. Depois, quando também decidiu reunir textos de alguns brasileiros sobre o poeta de Assaré, e um sobre outro transformar em livro desenhado pelo craque Arievaldo Viana, que é cordelista, compositor, desenhista, pesquisador, o diacho! Resultado: o livro Patativa do Assaré, Poeta Universal. De cara, 100 mil exemplares a serem distribuídos gratuitamente na rede escolar. Bom, não é? O livro traz um texto assinado por mim, o que muito me orgulha.
Ah! E teve o encontro de Brasília, nos dias 28 e 29 do mês recém findo. Falo amanhã. Prometo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

ADEUS, ZÉ RODRIX

– O Zé Rodrix morreu, poeta!
Disse-me pelo telefone o conterrâneo José Nêumanne, às primeiras horas da manhã de hoje. Na verdade eu até já sabia, pois ouvira o próprio Nêumanne anunciando pouco antes o fato, na Pan. Triste. É notícia que dói cada vez que nos chega. E Zé, logo Zé, pessoa boa, alegre, inteligente, encantadora e cheia de causos para contar!
Ele estava sempre de bem com a vida. E aí vem a morte e...
Encontrei-me algumas vezes com Zé, ao lado de Nêumanne e de outros amigos para conversas de sábados sobre livros, música...
Deixou muitas músicas, mas uma em especial o marcou profundamente: Casa no Campo, em parceria com o Tavito.
Também fez muitos jingles.
Seu nome ficou ligado ao chamado rock rural.
Enfim, a vida é de morte.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

DE VERSO EM VERSO, UMA BOA PROSA

Amanhã 21, às 18h50, todos que gostam de cultura popular têm um compromisso inadiável: comparecer à estréia nacional do documentário “Versificando” no Cinesesc, à rua Augusta, 2075, Jardim América, cá na capital de São Paulo. E é de graça. O filme traz a chancela da empresa cinematográfica 13 Produções, que tem à frente Pedro Caldas, Gabriel Paiva e Ivan Ferreira.
“Versificando” trata das diversas formas da improvisação, principalmente da improvisação do canto em verso ao som de violas nordestinas ou caipiras. Bonito de ver e de ouvir. Estão lá os cantadores repentistas Sebastião Marinho, Andorinha, João Quindingues, Luzivan Matias e as duplas de emboladores Caju & Castanha e Peneira & Sonhador.
Isso, por parte do nordeste.
No documentário, também aparecem representantes do partido-alto carioca, do cururu paulista, do hip hop etc.
Com certeza, o diretor Pedro Caldas e seus diversos assistentes não encontraram moleza para realizar a tarefa, que ficou pra lá de boa. Eu já vi e gostei. E vocês, que tal conferir?
Nos encontraremos lá.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

POR UM MUNDO MELHOR

A senadora acreana de Breu Velho Marina Silva, ex-ministra demitida do Meio Ambiente, foi aplaudida hoje de pé por longos minutos no auditório do SESC Consolação, durante o seminário que anunciou as bases para a construção do IRBEM – Indicadores de Referência de Bem-Estar do Município. IRBEM é uma criação do Movimento Nossa São Paulo, que tem à frente pessoas como o empresário Oded Grajew e o diretor regional do SESC, Danilo Miranda. Marina falou, dentre muitas coisas, da necessidade de se distribuir responsabilidades fora do governo e também da necessidade de lutarmos pela preservação do planeta, que está aos cacos; da loucura do desmatamento irresponsável e dos escusos interesses capitalistas. Ela emocionou a platéia ao falar um pouco a respeito de suas origens de brasileira pobre e analfabeta, até os 16 anos de idade. Ao lado dela, estiveram os professores da Universidade de São Paulo, USP, José Eli da Veiga, Ladislaw Dawbor e Mário Sérgio Cortella, além de uma representante da Organização das Nações Unidas, ONU, para assuntos de felicidade: a norte-americana Susan Andrews, do FIB (Felicidade Interna Bruta). Veiga disse que se todos quiserem tudo pode mudar. Isto é, que poderemos ter um mundo melhor... Mais adiante, lembrou da confusão que geralmente se faz entre desenvolvimento e crescimento econômico. E atacou: “O PIB é primário e obsoleto”. Antes de informar que o PIB (Produto Interno Bruto) está sendo reformado, ele citou um filme e brincou, arrancando risadas: “O IDH dorme com o inimigo”. IDH é como é chamado o Índice de Desenvolvimento Humano que mede os graus de riqueza, educação e esperança média de vida de um país, criado em 1990 pelo paquistanês Mahbub ul Haq e adotado pela ONU três anos depois. Dawbor, ao fazer referência ao PIB, lembrou de uma frase: “Crescer por crescer é a filosofia das cédulas cancerosas”. Sim, é preciso que alguém sopre isso aos ouvidos de Lula. A representante da ONU disse que o seu povo está mais infeliz do que nunca. Sim, entre outras infelicidades, os Estados Unidos têm hoje o maior índice de pessoas presas, na cadeia. Cortella, profissional da palavra, encantou o público com frases curtas e objetivas. Encerrou lembrando que ninguém vive só, que o ser humano nasceu para voar, isto é: um tem que somar com a asa do outro. Perfeito. Mas não posso deixar de dizer: Marina Silva é mulher de verdade. Fantástica! /// Ah! Acho que no seminário faltou alguém discorrer sobre a questão Educação/Cultura. Sem isso, nenhum país vai longe. /// Um bom fim de semana a todos.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

BALADA E CULTURA POPULAR

– Querido! Você vai adorar. É cultura popular, entendeu? De gente rica, com grana. Festa de cultura popular. Não, não. Vamos, sim. Essa a gente por nada pode perder.
A fala aí meio kafkiana a mim me foi transmitida por alguém que ouviu uma jovem estudante da área de Humanas ao telefone. Foi ontem, dia de balada.
Em miúdos: estamos perdidos!
Desde quando cultura popular é o que a menina dessa história acha?
Cultura popular é o que há de mais autêntico de um povo. Algo a ver com folclore, mas não com o que se vê e ouve hoje normalmente nos meios eletrônicos.
Xilogravura é cultura popular? É. Cordel e repente são coisas da cultura popular? São. E bumba-meu-boi? Também. Folia de reis...
Voltarei ao assunto.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

UM HOMEM DE MORAL

Um Homem de Moral, de Ricardo Dias, é documentário de uns 80 minutos que assisti com prazer no Espaço Unibanco da Rua Augusta, ontem à noite. Embora com uns poréns que não passam despercebidos, como a pouca qualidade das imagens, a obra de Dias é candidata séria a muitos prêmios nos festivais especializados do mundo todo. Além do mais, já nasce como peça fundamental para o resguardo da memória nacional.
Entrará em cartaz em junho.
Trata o filme da trajetória pessoal e profissional do paulistano Paulo Emílio Vanzolini, que o tempo e os estudos se incumbiram de transformá-lo num cientista de respeito e projeção internacional, para orgulho de todos nós. Sua especialidade é a herpetologia, ramo da Zoologia que estuda o comportamento dos repteis.
Vanzo, como é chamado pelos íntimos, também é dotado de talento invulgar na área da música popular, na qual se movimenta com evidente desembaraço desde quando a cantora Inezita Barroso, conterrânea e amiga, o lançou como compositor em novembro de 1953. O lançamento em questão foi o samba Ronda, gravado três meses antes, no dia 3 de agosto, e constante do lado B do disco de 78 RPM da extinta RCA Victor nº 80.1217.
É dele outros clássicos, como Volta por Cima e Praça Clóvis, lançados em 1962 e 1964, respectivamente, por Noite Ilustrada e Vitor Gonçalves.
Volta por Cima mereceu até citação em verbete do Novo Dicionário Aurélio.
No filme as aparições de Vanzolini, ora no laboratório do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, USP, ora nas pesquisas de campo na Amazônia e nos encontros informais com amigos como Paulinho Nogueira, são quase sempre reveladoras e bem humoradas, como, aliás, o são quase todas as suas letras musicais que fez até hoje.
Além das falas alegres do personagem, para deleite dos espectadores há bons números musicais no correr da fita, pilotados pelos nomes referidos e outros como Miúcha, Márcia, Maria Martha, Ana Bernardo, Martinho da Vila, Elton Medeiros.
Bons também são os causos.
Paulo Vanzolini conta, por exemplo, que a fama de pão duro seguiu Adoniran Barbosa até o túmulo, lembrando em tom de brincadeira que à época um dos integrantes do grupo Demônios da Garoa, Narciso Trevilatto, inventou a história de que Adoniran, forçado a pagar um cafezinho num bar para um amigo, sofreu uma parada e morreu. Maldade... Nas suas histórias aparecem Adoniran, Geraldo Filme, Zé Limeira, chamado de Cantador do Absurdo, e muitos outros.
Após a exibição do filme, foi aberto um bate-papo com a platéia. Na mesa, o diretor Ricardo Dias, a professora Ludmylla Mendes Lima, autora de um estudo sobre a obra de Vanzolini e o próprio Vanzolini. A certa altura a professora insistia em dizer que Vanzolini é poeta, enquanto ele rebatia afirmando o contrário e que, na verdade, não passa de um simples letrista.
O bate-papo findou quando um jovem da platéia quis saber sobre o conteúdo da emblemática letra do samba Leilão, 5ª faixa do 3º dos quatro CDs da caixa Acerto de Contas (Biscoito Fino, em 2003). Numa palavra, o autor definiu com a maior naturalidade possível: mulher, para gáudio da platéia e do jovem curioso.
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Logo mais às 20h30 estarei mediando um debate em torno da obra do compositor Paulo Vanzolini, no Sesc Vila Mariana. A meu lado, além do autor, Eduardo Gudin, Fernando Faro e Dráuzio Varella.

domingo, 5 de abril de 2009

LETRAS E LIVROS

O que é mentira, o que é verdade? ///// Dia 3 último, sexta, pelo calendário de datas etc., foi o Dia da Verdade. Dois dias antes, o da Mentira. O que separa um dia do outro? ///// O ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, dizia que a mentira tantas vezes anunciada se torna verdade. Ele sabia... ///// Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômico, Dieese, entidade que vê e de alguma forma interpreta coisas várias à margem dos gabinetes oficiais, dava conta, em 2007, que pelo menos 12% da população brasileira são de analfabetos absolutos e 30% se enquadram na janelinha dos horrendos funcionais; aqueles que abrem livros e lêem, lêem e não sabem o que lêem. ///// Mais ainda revelou aquela pesquisa de triste recordação e que continua em voga, infelizmente: moços identificados na faixa etária que vai dos 18 aos 24 anos estão fora das escolas de ensino médio. Putz! O que sobra? Pensem... No meio do ano passado, foi divulgado que em termos de analfabetismo o Brasil só não perde por Haiti e Guatemala... Triste, não é? Para nós, o Haiti e a Guatemala. ///// Qual a região pior deste Patropi de mais de 8,5 quilômetros quadrados, no que se refere à miopia de não saber ler? O Nordeste, o Sudeste...? Deixemos pra lá... //// Anteontem o Obama negro e sabido disse que Lula da Silva “é o cara”. Arrepiei-me por inteiro. Cuidemo-nos com nossos mais de 8,5 milhões de km2... ///// O rei do baião Luiz Gonzaga aprendeu a ler e a escrever na marra. ///// Patativa do Assaré, também. Jackson do Pandeiro, mais ou menos. Voltarei ao assunto. ///// O dia 4 nos trouxe uma verdade insofismável: a morte, por acidente vascular cerebral (AVC) do ex-deputado Márcio Moreira Alves, aos 72 anos de idade. Márcio foi o estopim do AI-5, ao pronunciar em plenário um discurso em que pedia boicote às comemorações do 7 de setembro, rogando às moçoilas verde-oliva jejum aos namorados e amantes de quartel. Ai, ai. //// Estou lendo um livro maravilhoso: “Às Margens do Sena, Depoimento a Gianni Carta”, que tatá da vida e carreira do jornalista Reali Jr. Comentarei depois. ///// Amanhã 6 a exposição “Ave Patativa!” amanhece na estação Paraíso do Metrô. Hoje 5 fiquei todo pimpão ao passar pela Casa das Rosas e saber que nos últimos três dias mais de 1500 pessoas foram ver a exposição sobre o mais importante poeta popular do Brasil: Patativa do Assaré. Abaixo, registro do sarau que promovemos na Casa das Rosas, no dia 29-3:

quinta-feira, 2 de abril de 2009

LIVROS: É PRECISO LER

Ontem 1º de abril, Dia da Mentira, estreei este blog. Hoje 2, é o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Amanhã 3, de acordo com o nosso calendário de datas comemorativas, é o Dia da Verdade. Quer dizer: entre os dias da Mentira e o da Verdade, urge uma necessidade básica: ler. Mas para que essa necessidade urgente ganhe forma, é preciso aprender a ler. Aqui um “porém”, como diria o dramaturgo Plínio Marcos, já esquecido: para aprender a ler é preciso estudar e para estudar é preciso escola, daí também a necessidade urgente-urgentíssima de professores com capacidade óbvia de transmitir saberes etc. O eterno círculo vicioso é o que vivemos, infelizmente. A roda viva sem fim. O gato atrás do próprio rabo. Uma embatucada, enfim! Um beco sem saída. Ora, como ensinar bem se o professor anda mal e não é capacitado no seu ofício sagrado? Salário? Uma piada. Não é mole ser professor. Milhões de brasileiros de todas as idades continuam sem saber distinguir direito um “o” de uma roda. Péssimo, não é? E nem entro na questão sobre os números do analfabetismo que grassam a nossa realidade. Porém, um fato indubitável pula aos olhos: quem ler sabe mais. Monteiro Lobato, o mesmo que fez a besteira de criar o personagem Jeca Tatu nos anos de 1920, foi o mesmo que levou e ainda leva muita gente a aprender se divertindo através de Emília, dona Benta, Cuca, Saci, Tia Anastácia... Sei lá! Alguma coisa é preciso fazer. Ao invés de a população fazer milhões e milhões de ligações para pôr ou tirar não sei quem da tal Casa da tevê Plim Plim, poderia muito bem fazer milhões e milhões de ligações para os políticos que elegemos tomarem vergonha na cara e lutar por um País melhor. É isso!/Ah! Luiz Gonzaga, o rei do baião, aprendeu a ler e a escrever sozinho. O poeta Patativa do Assaré, também. João do Vale, mais ou menos. Falarei desses grandes depois. E de literatura de cordel e repentismo. //// Ontem, como fora previsto, proferi palestra no Rotary Club, unidade Interlagos. A meu lado, o cantor e compositor pernambucano Costa Senna, moço que ainda tem muito a transmitir. //// Quero agradecer aos primeiros leitores desse blog, pelos comentários: Klévisson Viana, Roniwalter Jatobá, Marco Haurélio, Rozângela Inojosa, Paulo Benites, Júbilo Jacobino, Darlan Ferreira. //// Arriba!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

DIA DA MENTIRA

Abram alas! Chego hoje e chego tarde na forma de blog, lembrando que o turbulento dia 1º de abril de 1964 rompeu a barra dos trópicos trazendo horror, mordaça e morte para quem discordasse fosse do que fosse. Como na incrível história de Kafka, em que um cidadão acorda metamorfoseado em barata, de uma hora para outra o Brasil acordou suado, assustado, suspeito, perseguido. Por trás daquilo, empresários influentes e políticos direitistas passavam cheques em branco e davam o aval que o sistema pedia em nome da lei e da ordem para engolir suas presas. À frente, uma junta militar mal humorada fazia e desfazia o que queria sob as garras do general Humberto de Alencar Castelo Branco. Pois bem, embora conhecido por Dia da Mentira em todo canto, aquele inesquecível 1º de abril acabaria por se tornar diferente dos outros, ao portar uma realidade chocante, terrível, que se estenderia por duas décadas inteiras, amortecendo mentes e corações e prenunciando a criação de um Estado de exceção: os “anos de chumbo”, que vieram à tona com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), na fatídica noite de dia 13 de dezembro de 1968. ///// Na tarde do dia 26 de março último, na área de convivência do SESC Consolação, ali na Dr. Vila Nova, o passado possibilitou lembranças entre mim e a atriz Vanja Orico. Ela: – Eles (soldados) me prenderam apontando armas. Eu disse: “Não atirem, somos todos brasileiros”. A fama ou o fato de ser filha de um embaixador (Osvaldo Orico), ou ainda um milagre, impediu que a atriz de Latuada e Felini tivesse destino a ser lamentado, ao se atirar contra veículos militares no Rio de Janeiro, na tarde de 24 de outubro de 1968, Entre uma fala e outra, ela chegou a cantar na língua dos russos. Vejam e ouçam. ///// Logo mais à noite farei palestra numa unidade do Rotary Clube, na região paulistana de Interlagos. O tema é educação; coisa de que tanto carecemos, não é mesmo?

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