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domingo, 24 de janeiro de 2010

DECLARAÇÃO DE AMOR A SÃO PAULO

A cidade que me adotou no início da segunda metade de 1976, completará amanhã 456 de fundação. Fez-me essa efeméride escrever o texto em versos que a peciência do paulistaníssimo Osvaldinho da Cuíca, meu amigo e parceiro bissexto, me acompanhar enquanto num estúdio da Freguesia do Ó, na zona Oeste, eu produzia um disco a que intitulei São Paulo Esquina do Mundo, que a SPTuris lançou encartado no livro São Paulo Minha Cidade, após um belo concerto para convidados especiais na Sala São Paulo, no dia 2 de abril de 2008. As 15 faixas que formam esse disco podem ser ouvidas no site www.saopaulominhacidade.com.br
Através desse mesmo site, o livro também pode ser lido.

São Paulo da Rapaziada do Brás
São Paulo dos passeios, das charretes
São Paulo dos segredos e mistérios do Pátio do Colégio e do Mosteiro de São Bento
São Paulo das zoadas, rezas e silêncios; dos sambas e batuques dos negros forros...
São Paulo-babel de todas as cores, sotaques e culturas que se expressam nas falas e gestos
São Paulo do Butantã e das cobras e lagartos do poeta Vanzolini
São Paulo de Nóbrega e Anchieta; de Tibiriçá e Bartira; de João Ramalho e Borba Gato...
São Paulo do Patriarca, Bom Retiro, Itaquera, Itaim
São Paulo da Fiesp, Bovespa e mais-valia; do cansaço, da correria...
Ah, São Paulo!
Bela e infinita...
Deusa, Deus, rainha do pobre e do rico
São Paulo do Solar da Marquesa, do Largo de São Francisco, do Masp, USP e dos mirantes a se perder de vista
São Paulo dos heróis sem berço e dos profetas e loucos do marco zero da Sé
São Paulo dos anjos tortos, caídos, perdidos no breu da noite
São Paulo das trevas, cortiços e favelas
São Paulo dos lampiões, dos bondes camarão e da garoa fina, finda
São Paulo guerreira, das entradas e bandeiras
Ah, São Paulo!
Menina-mulher pura e pecadora, durona e conciliadora.
Esfinge à frente do próprio tempo!
No teu leito de vida e morte, São Paulo, mão e contramão se chocam contra o irreal e a razão...
Palitos de aço e concreto te ferem o céu do teu pulmão, que chora poeira, óleo e carvão...
São Paulo, São Paulo...
Em ti, por ti, joões e marias se atiram às cegas na eterna luta pela vida, e ao fim e em uníssono, de todas as formas, todos dizem:
– Te amo!

ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO
É enorme a programação comemorativa ao aniversário da cidade. e a do tempo também.
Pois é. São Paulo é assim: num só dia, todas as cinco estações. Isto é: primavera, verão, outono, inverno e chuvas.

CORINTHIANS

O mais paulistano dos times brasileiros continua ganhando.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

VOU PRA PARSÁGADA...

Ontem foi uma criança, hoje foi uma senhora de oitenta anos.
Isso prova que esperança e Deus existem.
A criança e a senhora foram resgatadas com vida uma semana após o terremoto que praticamente tirou do mapa o Haiti.
Os Estados Unidos, urubus de sempre, já tomaram conta do território haitiano em nome da salvação.
Meu Deus!
São os mesmos Estados Unidos que em nome da paz fazem a guerra.
O que será do que sobrou do Haiti?
E dos haitianos?
Para onde vão o Haiti e o seu povo?
Caetano, o duvidoso emblemático uns anos atrás arriscou:

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui.

Estou me preparando pra dar um pulo em Parságada...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

PATTY ASCHER, UMA BELA VOZ QUE NASCE OK

A bela rio-grandense do Norte Marina Elali tem agora no dial das FMs uma voz à altura, muito bonita, aliás: Patty Ascher.
Marina é neta do compositor pernambucano Zé Dantas, parceiro de mestre Luiz Gonzaga num punhado e meio de clássicos como Xote das Meninas, que ela canta em inglês discô no disco De Corpo e Alma Outra Vez.
Patty é filha do paulista de Presidente Epitácio Demerval Teixeira Rodrigues, o Neno, ex-integrante de um dos velhos grupos de rock dos anos 60 e 70: Os Incríveis, de Netinho, Mingo, Manito...
Naqueles tempos, faziam sucesso brasileiros com nomes estrangeiros, como Dave MacLean e Tony Stevens, esse dono de uma voz fantástica.
Uma voz, não; 12 vozes de timbres diferentes ocupavam a sua possante garganta de ouro.
Conheci Jessé Florentino Santos, isto é, Tony Stevens, de perto.
Guardo discos dele até hoje, tanto da fase gringa, quanto da vida brasileira pé-no-chão.
Impressionei-me tanto com a sua capacidade de interpretação, que acabei fazendo entrevistas com ele para o Pasquim e o Jornal do Trabalho, editado pelo guerreiro Perseu Abramo.
O MacLean, pseudônimo de José Carlos Gonzalez, paulista descendente de espanhóis, fez um sucesso dos diabos, com Me and You.
Lembra?
Também era dos 70 um cabra que atendia por Mark Davis, em todas as paradas estourado com Don´t let me Cry.
De batismo, Davis recebeu o nome de Fábio Correa Ayrosa Galvão.
Sacou?
O Mark Davis de ontem é o Fábio Jr. de hoje, das novelas, da mulherada...
Tinha também o Terry Winter, que Miriam Martinez me apresentou numa sala da extinta RCA Victor de Santa Cecília, cá em Sampa, e que um acidente de carro matou, nos 90.
Winter era paulista, com descendência britânica, batizado como Tommy Standen, que chegou a vender 600 mil cópias de um disco, quando Caetano Veloso, no máximo, chegava aos 5 mil exemplares de um título, e o tropicalismo, no cômputo geral, alcançava 30 mil do bolso pra fora.
Velhos tempos, tempos bons, tempos livres, loucos, de cuba libre e inda namoro no portão.
Marina Elali é voz comum ao fundo de novelas globais e em eventos purpurinovos.
Sim, claro, afinadíssima, mas que parece não saber falar o idioma pátrio e dele não gostar, embora aqui e ali seja levada a cantar em grandes eventos o Hino Nacional...
Patty Ascher, que também é compositora, das boas, se ligou à tomada do Jazz norte-americano cantando com o desembaraço das grandes intérpretes, nem parecendo ser filha de um baixista interiorano de um grupo de rock da terra da ex-garoa, hoje das enchentes, o já citado Neno, produtor do programa Inimigos do Silêncio, no ar uma vez por semana pela TV Aberta. Mais posso dizer: Patty é um doce de voz de pluma que inebria pela suavidade os corações e mentes necessitados de bom gosto.
Ouça Deu Jazz no Samba, o CD que ela está pondo na praça, com apoio de gente bamba como Dori Caymmi, Eduardo Lages, Cristóvão Bastos, Gilson Peranzetta e Roberto Menescal.
Sim, Patty, seja bem-vinda ao campo da vida musical.
Gostei disso aqui:

O samba encontrou o jazz
Propôs uma união
Muito amor, sem estresse
Samba jazz, samba jazz

O jazz ficou ressabiado
~Eta samba danado
Resistiu e não caiu
Nadade de pecado...

Referência à bossa nova, que foi buscar no jazz a sua célula mor...
Eu gostaria de ouví-la cantar algo como Juazeiro, de Gonzaga e Humberto Teixeira, que Peggy Lee gravou ao raiar dos 50 em 78 rpm na sua terra-berço, os Estados Unidos de Obama.

TERREMOTO NO MUNDO
- O Haiti está sem rumo, perdido no globo dominado pelo Tio Sam, que, aliás, está mandando e desmandando por lá, Haiti.
O Haiti é aqui, como diz a canção do baiano Caetano.
Precisamos nos cuidar, pois os terremotos provocados pelo mau-caratismo de boa (boa?) parte dos políticos tapuias são perigosíssimos.
Tio Sam anda por perto, rondando, sondando as nossas fraquezas...

CHUVAS DEMAIS
- O que está acontecendo em São Paulo e parte do Brasil me faz lembrar a toada de Gordurinha, Súplica Cearense:

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há...

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito
O Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar...

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará...

CORINGÃO
- Pois é: e o Corinthians continua a ganhar...
Fui!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

LULA SANCIONA LEI PROFISSIONALIZANDO REPENTISTAS

Os poetas repentistas do Brasil são agora profissionais reconhecidos por legislação própria. A lei que legaliza a profissão é a de nº 12.198, aprovada primeiramente em novembro pelo Senado e quinta 14 sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, mas somente ontem passou a valer com a publicação no diário Oficial da União. A íntegra:

LEI Nº 12.198 DE 14 DE JANEIRO DE 2010
DOU 15.01.2010
Dispõe sobre o exercício da profissão de Repentista.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica reconhecida a atividade de Repentista como profissão artística.

Art. 2º Repentista é o profissional que utiliza o improviso rimado como meio de expressão artística cantada, falada ou escrita, compondo de imediato ou recolhendo composições de origem anônima ou da tradição popular.

Art. 3º Consideram-se repentistas, além de outros que as entidades de classe possam reconhecer os seguintes profissionais:
I - cantadores e violeiros improvisadores;
II - os emboladores e cantadores de Coco;
III - poetas repentistas e os contadores e declamadores de causos da cultura popular;
IV - escritores da literatura de cordel.

Art. 4º Aos repentistas são aplicadas, conforme as especifidades da atividade, as disposições previstas nos arts. 41 a 48 da Lei nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960, que dispõem sobre a duração do trabalho dos músicos.

Art. 5º A profissão de Repentista passa a integrar o quadro de atividades a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.

Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 14 de janeiro de 2010; 189º da Independência e 122º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Basta a legalização oficial da profissão?
O que de fato muda na vida desses profissionais, que tiram poesia “de onde não tem” e colocam “onde não cabe”, como definia tão bem o paraibano Pinto do Monteiro (1895-1990), chamado de Cascavel do Repente?
De qualquer forma, acho que aqui cabe o pensamento do jornalista e dramaturgo santista Plínio Marcos (1935-99), exposto no artigo que assinou no suplemento dominical Folhetim, do jornal Folha de S.Paulo, no dia 6 de fevereiro de 1977: “Um povo que não ama e preserva suas formas de expressões mais autênticas, jamais será um povo livre”.
A calhar, me vem também à lembrança a saudação em versos que o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) fez aos repentistas que se apresentavam num concurso no Rio de Janeiro, nos fins dos 50, do qual era jurado ao lado de outros intelectuais. Os versos se acham no livro Estrela da Vida Inteira (José Olympio; 1966) e são estes:

Anteontem, minha gente,
Fui juiz numa função
De violeiros do Nordeste
Cantando em competição,
Vi cantar Dimas Batista,
Otacílio, seu irmão,
Ouvi um tal de Ferreira,
Ouvi um tal de João.
Um a quem faltava um braço
Tocava com uma só mão;
Mas como ele mesmo disse,
Cantando com perfeição,
Para cantar afinado,
Para cantar com paixão,
A força não está no braço,
Ela está no coração.
Ou puxando uma sextilha,
Ou uma oitava em quadrão,
Quer a rima fosse em inha
Quer a rima fosse em ao,
Caíam rimas do céu,
Saltavam rimas do chão!
Tudo muito bem medido
No galope do Sertão.
A Eneida estava boba,
O Cavalcanti bobão,
O Lúcio, o Renato Almeida,
Enfim toda comissão.
Saí dali convencido
Que não sou poeta não;
Que poeta é quem inventa
Em boa improvisação
Como faz Dimas Batista
E Otacílio seu irmão;
Como faz qualquer violeiro,
Bom cantador do Sertão,
A todos os quais humilde
Mando minha saudação.

Detalhe: os onze primeiros versos desse belo poema o alagoano Djavan achou por bem se apropriar e musicá-los sem a nobreza, porém, de citar o autor. Pior: ele informa no selo e no encarte do disco LP Coisa de Acender (Columbia, 1992) que são de sua autoria os versos. Ora, ora...
Na foto, um clic para a história: Otacílio Batista sendo por mim entrevistado no programa Gente e Coisas do Nordeste, que por mais de ano apresentei ao vivo na Rádio Atual, de São Paulo, em 1995. A foto foi extraída do livro A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo; Ed. Ibrasa, 1996, que serviu de base para o filme franco-brasileiro Saudade do Futuro, dirigido por Marie-Clémence e César Paes; 2000.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

GARCÍA MÁRQUEZ, BRECHT, REICH? NÃO. EDUARDO COSTA

Não é de hoje a confusão que se faz em torno de nomes e obras lliterárias, seja no Brasil, seja fora do Brasil.
Os pontos nos is acabam, porém, sendo postos como no caso da autoria do poema Desejo, que imaginei fosse de Victor Hugo e como tal creditei no texto que postei neste blog no último dia do ano passado.
Mas como eu ia dizendo, não é de hoje que se faz confusão em torno de nomes e obras, aqui e alhures.
Pois bem, por muito tempo circulou nas hostes populares e acadêmicas a certeza de que os versos do poema No Caminho com Maiakovski eram mesmo do poeta russo Vladimir Vladimirovich Mayakovsky (1893-1930).
Não eram.
Uma vez, na noite de 25 de outubro de 2003, convidei para uma entrevista ao programa São Paulo Capital Nordeste, que apresentei por mais de seis anos, em Sampa, o niteroiense Eduardo Alves da Costa, safra de 36, bom papo, tranquilo, meio tímido, cabeça boa, que estava lançando pela editora Geração Editorial o livro... No Caminho com Maiakovski.
O poema-título começa na página 47 e se estende por mais duas.
É como se fosse um poema dentro de outro.
O autor começa:

“Assim como a criança
Humildemente afaga
A imagem do herói,
Assim me aproximo de ti, Maiakovski...”.

Mais adiante, timidamente:

“Tu sabes,
Conheces melhor do que eu...”.

E é aqui, extamente aqui, que entra a confusão em 15 linhas desrimadas, fortes, bombásticas, em tom de alerta a um povo que se via massacrado, oprimido, no Brasil de 68:

“Na primeira noite, eles se aproximam
E roubam uma flor
Do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
Pisam as flores,
Matam nosso cão,
E não dizemos nada.
Ate que um dia,
O mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a luz, e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada”.

E segue célere o poema de Eduardo Alves da Costa.
Tudo começou em 1977, quando o jornalista, escritor e terapeuta paulista Roberto Freire (1927-2008), criador de um negócio chamado somaterapia, que vem a ser terapia de grupo, publicou pela extinta editora Símbolo o livro Viva eu, Viva tu, Viva o Rabo do Tatu.
Nesse livro, Freire põe em epígrafe versos de Edurado, publicados pela primeira vez em 1968 e após a confusão feita e espalhada se desculpa; mas é tarde, pois mais do que depressa os versos atribuídos a Maiakovski e também a Gabriel Garcia Marques, Jorge Luís Borges, Wilhelm Reich, Brecht, Leopoldo Senghor e Jung correm impressos e de boca em boca mundo afora.
Fazer o quê?
Viva Eduardo Alves da Costa, e que mais belos versos ele nos brinde.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O BAIÃO FOI INVENTADO POR LUIZ GONZAGA

Pisei na bola.
Do poeta Peter Alouche, recebo o puxão de orelhas:
Assis,
para o bem da verdade, o poema DESEJO não é de Victor Hugo. É um poema do autor brasileiro chamado Sergio Jockyman, escrito em 1978 e publicado em 1980. O texto original em português foi traduzido inclusive para o francês (Je te Souhaite ....), para o espanhol (Te deseo). Certamente é um poema magnífico, com estilo muito inspirado em Victor Hugo, mas não é de Victort Hugo.
Fica o registro.
Bom, semana passada, precisamente sexta, assisti o documentário de longa metragem O Homem que Engarrafava Nuvens, cuja pré-estréia ocorrerá amanhã às 21h30 no Espaço Unibanco da Rua Augusta, 1475, Cerqueira Cesar, cá em Sampa.
Vão lá, valerá a pena.
O filme, do pernambucano Lírio Ferreira, conta a trajetória, rica, do compositor cearense de Iguatu Humberto Teixeira, parceiro imortal de Luiz Gonzaga em duas dezenas de clássicos genuinamente brasileiros, dentre os quais Baião, Estrada do Canindé, Juazeiro, Assum Preto e Asa Branca, toada essa que ostenta o primeiro lugar no campo das gravações do repertório nacional, seguida do chorinho Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro.
A gracinha bossa-novista Garota de Ipanema, de Vinicius e Tom, não conta nessa história, pois, além de bobinha, foi composta com óbvios e propositais fragmentos do jazz norte-americano para o mercado internacional, embora sua primeira gravação mundial “furtada” por Pery Ribeiro dos autores à entrada dos 60, no Rio, como me disse, tenha sido na língua que herdamos dos portugueses.
O Homem que Engarrafava Nuvens é bonito do começo ao fim dos seus 102 minutos, que diante dos nossos olhos parece passar em menos tempo.
E isso é positivo, claro.
Um elogio.
Nota mil para a fotografia.
Começa com Denise Dumont atriz aplaudida de outras fitas fazendo uma visita ao Cemitério São João Batista, onde estão sepultos os restos do pai que ela diz pouco ou nada saber.
Belo e triste.
Positivo também é esse recurso, para mostrar um personagem de tão grande importância na nossa música popular, como o foi Teixeira, desconhecido da família; da única filha, principalmente.
O roteiro, também assinado por Ferreira, flui com naturalidade. Peca, porém, aqui e ali, pelo excesso de depoimentos...
O cantor e compositor Gilberto Gil, por exemplo, do alto da sua sabedoria, diz que o baião vem das bandas da Península Ibérica. Ora, ora...
A não ser que ele, Gil, tenha querido se referir aos poetas repentistas de quem Gonzaga tirou a batida do baião e até o nome.
Revelo isso no livro Eu Vou Contar pra Vocês, de 1990.
Gonzaga, à página 53:
“...O baião em sua forma primitiva não era um gênero musical. Ele existia como uma característica, como uma introdução dos cantadores de viola. Era um ritmo, uma dança. Antes de afinar a viola, o cantador faz uma introdução. Faz assim (imitando um cantador): tom, tom, tom, tim, tim, tim, tam, tam, tam, pam, pam, pam... Minha viola/Já afinei o meu bordão.... d-tém, d-tém, d-tem...”.
No filme emocionante são algumas passagens, como aquela em que Denise se encontra com a mãe, Margarida.
Tocante. Dói pra xuxu.
Na verdade, e a bem da verdade, acho que esse filme lava a alma de Denise.
Com O Homem que Engarrafava Nuvens Denise Dumont conseguiu reconhecer o pai e um pouco do Nordeste que ela também desconhecia. Mais: salvou um fantasma da sua vida.
E isso também é positivo.
No tocante a Lírio Ferreira, particularmente, uma coisa: ele se recupera do desmantelo que foi fazer Cartola.
Que novos filmes no campo documental venham, como esse O Homem que Engarrafava Nuvens.
Ah! Sim, sem a fala de Teixeira no link da história, em off, dificilmente o filme se concretizaria. Melhor: sobreviveria.
Parabéns a todos que nele se envolveram.
Mas não precisava deixar o Rei do Baião em plano tão secundário, pois, enfim, foi ele, Gonzaga, quem procurou Humberto Teixeira num dia de 45 para pôr letras nas suas melodias e histórias baiônicas.
Um detalhe: Asa Branca é um tema popular de Pernambuco e Paraíba.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

TOMANDO UMAS PARA LEMBRAR QUE O MUNDO É JÓIA

Como tantos, o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade andou dando mensagens sobre o Ano Novo.
Dele é o trecho que segue, do poema TEMPO, este:
“…Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto
ao rumo da sua felicidade”.

O poeta francês Victor Hugo, espelho do meu amigo Peter Alouche, também andou falando sobre desejo, palavra que significa vontade e que tão bem mestre Drummond aplicou no poema acima referido.
Hugo, no seu DESEJO:
“Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer...
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo, por sinal, que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia,
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom.
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal,
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem...
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem,
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar”.

Fantástico, não?
A vida é isso, é desejo, realização.
Eu gosto do Natal, mas não gosto dessa figurinha ridícula que o comércio maleficamente espalha entre nós e nossos filhos e netos, e a que dão o nome idiota de Papai Noel.
Machado de Assis, no seu SONETO DE NATAL inserido por ele próprio no livro Poesias Completas (W. Jackson Inc. Editores, 1900), resultante de Chrysalidas, Phalenas e Americanas (que ele chamava de Occidentaes) anteriormente publicados, à pág. 376, diz:
“Um homem — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
`Mudaria o Natal ou mudei eu?’".
Fica no ar a pergunta que pode ser estendida a todos nós.

Um telefonema há pouco me fez bem.
Tinhorão, ele, a antena à qual nada escapa com relação à cultura brasileira, me faz uma pergunta, na bucha:
“Você conhece a Ópera dos Três Vinténs, do Kurt Weill e Brecht, estreada em 1928, em Berlin?”.
Disse que sim.
“Você já ouviu o trecho overture dessa ópera?”.
Sim...
“Você conhece a canção Sabiá, de Tom Jobim (letra de Chico Buarque)?”.
Digo de novo que sim, que empatou com a guarânia Pra não Dizer que não Falei de Flores, de Geraldo Vandré, no Festival Internacional da Canção, FIC etc., em setembro de 68.
“E aí?”, ele pergunta de novo com a vontade da constatação da informação e do saber.
No Youtube: THREEPENNY OPERA OVERTURE Chamber League.
Pra encerrar, revelo: de João Pessoa, PB, me vem o e-mail:
“Caro Chico,
Que 2010 seja de glória para suas letras faladas e escritas.
O que faz do homem, homem, é a transcendência. Como matéria, tudo apodrece.
Lembre-me aos seus,
do irmão, Miguel”.
Lembrado, Miguel, lembrado. Sempre.
O vento nos dá trilhas e o mar somos nós.
Aproveitando o ensejo, quero mandar aqui o meu abraço querido, carinhoso e apertado aos amigos de sempre; aos conhecidos vindos de todas as vidas etc., como Isa, Chico de Isa, Vitória recém chegada, Gabriel gênio, Darlan solidário, Vandré único, Behring compreensivo, Peter além do óbvio, Paulo Benites ocupado, Marco Haurélio cuidando de cordel, como Klévisson e Arievaldo, sumidos; Gregório expandindo seus negócios, Roberto Luna que não sei por onde anda, Geraldo Nunes voando sobre Sampa, Aluizio Gibson resolvendo paradas, Cássio nos Stêites se firmando a cada dia no mundo da música, Wagner idem, Chinem quieto, Alcides preocupado, Alê sonhando, Vanzolini ensinando e quem quer apredendo... E o da Cuíca, como vai?
Deus do céu, como é bom viver!
Também de bom tudo quero desejar aos meus filhos e à neta, Iara.
Para todos, enfim, tudo de bom.
Ah! Sim, na foto acima eu e a minha vida; essa que atende por Andrea Lago.
E como não tenho muito o que fazer, agora vou almoçar, isto é jantar, e tomar mais uma que não sou de ferro.
Sozinho, naturalmente.
O mundo capitalista é uma bosta, e leva os moles à farsa!

É uma bosta capistalisno
Mas quem sou, Assis, pra dizer
Depois de andar tempos por aí
Que este mundo é bonito sem ser?
Prefiro umas e outras tomar
Para ficar bebo e esquecer.

A línguagem do título é dos 70, quem lembra?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

VÂNDALOS, UMA PRAGA A SER EXTINTA

Ainda estou chocado e pensando a respeito da notícia sobre os vândalos que mais uma vez atacaram a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade no calçadão de Copacabana, no Rio. Caso caiam nas garras da Polícia – e torço para que isso ocorra o mais rápido possível –, necessário será fazê-los pagar pelos danos provocados à memória drummondiana.
E qual pena a eles seria justamente aplicada?
Ora, simples: fazê-los ler e copiar à mão a obra completa do vate mineiro, de Itabira.
Aliás, acho que já está mais do que na hora de a Polícia fazer uma caça séria a quem cuida de destruir o patrimônio público.
O que leva alguém a fazer isso, hein?
Em São Paulo, os vândalos – essa raça não tem cor, sexo e nacionalidade, tampouco senso de cidadania e respeito ao próximo – se armam de sprays e saem na calada da noite pichando tudo o que encontra à frente: casas, edifícios, templos etc. Raramente um deles é pego em flagrante e quando isso ocorre a Polícia simplesmente o obrigo a limpar o que sujou.
É pouco.
Os vândalos, esses párias de cabeça oca, teriam no meu ponto-de-vista que fazer o lhe obrigam quando preso e mais: por um longo tempo, eles deveriam prestar serviço à comunidade e varrer ruas, como exemplo.
E claro, obrigá-los também a estudar.
Outro dia estive em Búzios, balneário do Estado do Rio com área de 70 km² e 30 mil habitantes aproximadamente, localizado nas proximidades de Cabo Frio e que fez a alegria da ex-cantora e atriz francesa Brigitte Bardot, no verão de 64.
A notícia foi publicada em todo canto.
Mas por que falo isso?
Porque achei Búzios uma cidade, limpa, muito bonita.
Tem lá no centro, claro, uma estátua de BB.
Tem lá também uma estátua de Juscelino e um belíssimo monumento aos pescadores.
Nenhuma dessas obras foi depredada.
Belo exemplo de respeito à preservação da memória os oriundos de Búzios e os seus visitantes têm nos dado.
Fico agora imaginando o comportamento de Drummond pela agressão sofrida.
O poeta era de pouca conversa, como o compositor paulista de Valinhos Adoniran Barbosa.
Pra se ter uma idéia: uma vez, como repórter da Folha de S.Paulo, eu lhe perguntei para qual partido político puxava as asas. Resposta fria, seca:
– Homem de partido, é partido.
Baixa o pano.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

GRUPO TRENDS É REFORÇO DO METRÔ PARA BEM-ESTAR DOS USUÁRIOS

Poxa...
Vocês leram a pergunta posta no “comentário” abaixo, a de nº 3?
Passo ao Peter, que é especializado no assunto, a indagação de Angelocca:
“Com prazer e alegria, respondo: As novas portas de plataforma do Metrô de São Paulo serão extremamente importante para a segurança dos usuários (criança que cai na via, pessoa que é empurrada na via, suicídio etc.), além de serem um fator de elevação da regularidade e confiabilidade do sistema (a todos objetos que caiam na via, como guarda-chuvas, bolsas etc., é parado o sistema para retirar tais objetos) e também um fator de tranquilidade psicológico para o condutor, na chegada à estação. Em linhas que operam SEM CONDUTOR (linha 14 de Paris, metrô de Lille, de Singapura e Linha 4 do Metrô de São Paulo, por exemplos), essas portas (de plataforma) serão indispensáveis para a operação do sistema, porque serão vitais para a segurança dos passageiros. Em Singapura (cidade ao nível do Equador, extremamente quente) as portas de plataforma de metrô vão até o teto, porque as estações são a ar condicionado. E como bem lembrou o Assis: são novidades em todas as Américas, detalhe que demonstra a preocupação do Metrô de São Paulo com o conforto de seus milhões de usuários/dia”.
O Grupo Trends Tecnologia está se somando ao Metrô de São Paulo, ao trtzer de fora novaas tecnologia, como a das portas. Parece besteira, ms aguardem os resultados disso.
Novidades costmam provocar discussões.
Espero que a resposta do engenheiro Peter L. Alouche atenda à curiosidade dos usuários, aqui representada por Angelocca.
A foto das novas portas publicada ontem neste espaço, como a de hoje, aliás, foi a primeira, publicamente. Até então, nenhum colega havia publicdo nada a respeito, tampouco fotos. Furo, pois, deste blog. Com isso espero, também, ter o leitor Marco Zanfra entendido o publicado até aqui.
Na foto, apareço com o engenheiro Alouche e outros profissionais do Metrô.

DRUMMOND, O POETA
Em sete anos – ouço a notícia na tevê –, arrancaram oito vezes os óculos do monumento que reflete o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, plantado solitariamente num banco do calçadão de Copacabana, a pouca distância de onde ele morava, no posto seis.
Deus do céu! Que tristeza.
Como pode alguém bater numa imagem de concreto armado e quebrá-lo sem razão?
Como pode, hein?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O METRÔ A SERVIÇO DOS USUÁRIOS: NOVIDADES À VISTA

Assisti Avatar, o novo filme de James Cameron, o mesmo de Titanic.
Ficção, ação, aventura etc. e tal em tela privilegiada. Som idem.
Ficção e realidade se misturam entre si, se fundem; não por acaso, confundem.
Avatar é exemplo.
Os Sertões, de Euclides da Cunha, também.
O que um tem a ver com o outro?
Pra começar, dois coronéis de exército.
Um do passado, outro do futuro.
O primeiro, de Avatar, se chama Miles Quaritch e é um troglodita completo, vilão de primeira linha e minudezas. Irretocável.
O segundo, de Os Sertões, Antônio Moreira César.
Na hora do vamos ver, Quaritch promete a seus comandados que vai “jantar” em Pandora, lua fictícia do fictício mundo virgem de Polifemo criado por Cameron, onde ele, o troglodita Quaritch, imagina pôr fim a tudo que se mova nesse mundo de pureza total, de beleza incomum, com o peso da sua ignorância e armas mortíferas, impensáveis ainda na realidade de hoje.
O mesmo fizera César, com ligeira variação ao prometer a seus comandados que iria “almoçar” em Canudos, tão certo estava do massacre que promoveria com seus homens e canhões de último tipo em poucas horas contra os fiéis seguidores do beato Antônio Conselheiro, no interior da Bahia de fins do século 19.
O primeiro se lascou, o segundo também.
Quaritch é um celerado, asqueroso, mal dos males.
César, também.
O primeiro embota a ficção.
O segundo, a história do Brasil.
A promessa do primeiro se vê em tela larga e em 3D, na batalha final de Pandora, em Avatar.
A promessa do segundo se lê à página 327 da 9ª edição (definitiva; Livraria Francisco Alves, 1926) de Os Sertões.
A história de Cameron se passa num tempo não muito longe da nossa imaginação, quando tudo parece final e a salvação da raça dá sinais de vida na selva de Pandora – ou da Amazônia, se me entendem.
Nesse ponto, a “mensagem” de Cameron é primorosa, cabendo aos poderosos do momento assumi-la.
Sem dúvida, além de lição exemplar, o Avatar de James Cameron é uma boa diversão para crianças dos 8 aos 80.
Fica o recado: cuidemos do nosso planeta.

O CIDADÃO, EM PRIMEIRO LUGAR
Se o que se passa em Pandora é ficção, o que se passa no Metrô de São Paulo é realidade das boas, diferentemente do que se viu em Canudos do beato Conselheiro.
A realidade que se colocará já, já, nos trilhos das novas estações a serem entregues ao público garantirá mais vida e segurança aos três milhões e tanto de usuários/dia do nosso sistema metroviário, o primeiro do País, fundado em 68.
Digo o que vi:
Ontem à tarde, conferi pessoalmente a ação dos trabalhadores – a maioria formada por nordestinos – nas obras da futura estação Sacomã da Linha-2 Verde, na região Sul-Sudeste de Sampa.
Bonito,
Incrível o empenho de todos em prol da coletividade.
Perguntei ao engenheiro Peter Alouche, um dos fundadores do Metrô de São Paulo e hoje requisitadíssimo profissional de consultoria na área de transportes do Grupo Trends Tecnologia, quais as novidades a serem implantadas nas futuras estações, além da reformulação da linha de bloqueio anunciada pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella.
Peter destacou as vantagens do sistema de porta-plataformas novísissimo nas Américas (a novidade vem da Ásia) que está sendo implantado primeiramente na estação Sacomã:
“Segurança dos usuários e confiabilidade da operação, evitando paradas provocadas por quedas de objetos no vão entre os trilhos. Além disso, esse novo sistema de portas evitará suicídios, quedas de crianças e adultos no mesmo vão...”.
Voltarei ao assunto.
Ah! Na foto, o novo sistema de portas sendo instalado na estação Sacomã que será entregue em breve à população.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O RADIOJORNALISMO PERDE O SAMURAI MUÍBO CURY

A história dos samurais de Kurosawa a que me referi ontem neste espaço vem do século 16, como Ran, Os Senhores da Guerra, outro filme imperdível e plasticamente perfeito do grande diretor japonês que veio a este mundo só para fazer obras primas.
E foram muitas.
Os Sete Samurais e Ran são exemplos, como Kagemusha, Derzu Usala e Madadayo, cujo lançamento nacional, em 1993, eu assisti encantado numa sala do Conjunto Nacional, na capital paulista.
Pois bem, a história de Os Sete Samurais (Schichinin no Samurai) tem origem nos tempos feudais da vida japonesa, quando ponteavam homens corretos e treinados militarmente pelo império para viver – e morrer – com honra em nome da paz e da justiça, custasse o que custasse.
Ao fracassarem, se matavam.
Seu tempo durou cerca de 800 anos.
Na história de Kurosawa, o samurai Kambei (Takashi Shimura) é contratado por indefesos camponeses a preço de quase nada para defendê-los das garras de um bando de celerados que os assaltam nos tempos de colheita.
Kambei escolhe a dedo os companheiros que o seguirão na árdua tarefa, entre os quais o bem humorado Kikuchiyo (Toshiro Mifune).
E se dá bem.
No Nordeste de padre Cícero e Gonzagão, a história e os personagens dessa história encontrariam alguma equivalência no Cangaço e, forçando um pouco a barra, nos pistoleiros de aluguel que pululam por aí.
Lembram de Billy, the Kid?
E de Robin Hood?
Pois é, o detalhe nessa história toda é que Kurosawa bota pra lascar, filmando melhor do que todos os jovens Barretos de hoje juntos e quase tanto quanto o velho Lima, de O Cangaceiro.
No começo dos anos de 1960, o norte-americano John Sturges levou à tela uma cópia da história dos samurais kurosawanos: Sete Homens e um Destino, com Charles Bronson, Yul Brynner e Steve McQueen, entre outros durões.
Fica o registro.
Ah! Sete Homens e um Destino é também um filme muito bom.
Acabei de assistir Avatar.

TRISTE PERDA: MUÍBO CURY
O paulista de Duartina Muíbo César Cury, uma espécie de samurai do radiobrasileiro, partiu silenciosamente ontem aos 80 para a Eternidade, sem se despedir de ninguém. Era calmo, discreto, e foi tudo muito rápido. Ocorreu após complicações no coração. Ele era uma pessoa exemplar, um profissional correto, inconteste, descoberto por Ariowaldo Pires no começo dos anos de 1950. Dono de uma voz muito bonita, Muíbo ocupou os microfones da Rádio Bandeirantes por quase 60 anos. Compôs músicas, gravou discos, fez dublagem para cinema e televisão. Era um monumento do radiojornalismo brasileiro. A última vez que nos vimos foi no ano passado, quando tive o prazer de lhe entregar exemplares do CD Inéditos do Capitão Furtado & Téo Azevedo, que produzimos ao lado de Inezita Barroso, Tinoco, Moacyr Franco e duplas como Irmãs Galvão, Mococa & Paraíso e Rodrigo Mattos & Praiano. O primeiro depoimento que se ouve no disco é o de Muíbo, sobre seu amigo o Capitão.
Fica entre nós o seu exemplo de vida por um mundo melhor. Saudade.

sábado, 26 de dezembro de 2009

KUROSAWA E ROBERTO CARLOS, ALGO EM COMUM?

Fazia tempo que eu nada fazia.
Isto é, que não dava bolas a relógio, horários etc.
Anteontem saí por aí, à toa, engolindo vento.
Fui ao mercadão da Cantareira após passar por um sebo na Mooca.
Fiz compras e conversei com um monte de gente que não conhecia.
Tomei umas; poucas, mas tomei.
Já nos meus domínios na cozinha, caprichei numa bacalhoada.
Liguei o rádio e ouvi notícias sobre a cidade, o trânsito e também sobre a lamentável figura do velho de barbas brancas e postiças induzindo gente pobre a gastar o que não tem, enquanto bufa seu hô, hô, hô idiota pelas ruas da vida.
Li bastante, menos jornal.
Antes de bater a hora de matar a fome, me deitei na rede e me balancei um pouco.
Por um instante, dei de garra do controle e passei a zapear.
Lá pras tantas, o P&B Os Sete Samurais de Akira Kurosawa aparece na telinha.
Colossais, o filme e o diretor.
Fez-me lembrar o filme de três horas e meia o fax de Kurosawa à poeta paulista de Planalto Mariazinha Congílio, amiga querida fundadora da inesquecível Pensão de Jundiaí, outrora frequentada por Hernani Donato, Fábio Lucas, Jayme Martins, Mário Albanese, João Marcos Cicarelli, Geraldo Vidigal, Ives Gandra da Silva Martins e o seu irmão, o pianista hoje maestro João Carlos; Expedito Jorge Leite, Paulo Bomfim, Marcello Glycerio de Freitas, Rhadá Abramo, Inezita Barroso, eu mesmo e tantos outros.
Mariazinha, que já está no céu, teve em 1992 a salutar ideia de criar o Dia Internacional do Homem, com estatuto e tudo que guardo como relíquia.
Os primeiros homenageados foram o jurista/filósofo Miguel Reale, o pintor Inos Corradin e Paulo Vanzolini, de Ronda e Volta por Cima. Depois Mandela, Kurosawa, o palhaço Arrelia, o historiador Sebastião Witter, o professor Pasquale, o cientista Clodowaldo Pavan, o jornalista Oliveiros Ferreira, entre outros.
Na impossibilidade de comparecer pessoalmente à solenidade de entrega de um diploma e um mimo, a Moringa da Pensão, no caso, Kurosawa mandou um fax agradecendo a iniciativa e a escolha de seu nome.
Lembro isso para lembrar a grandeza dos homens simples.
Ser simples por si só é ser grande, é ser sábio.
A pureza anda de mãos dadas com a simplicidade, quem não sabe?
Grande Akira Kurosawa!
Ainda num zap e noutro, aparece na telinha Roberto Carlos cantando suas coisas resultantes de pesquisas e tal.
Lembro dele, sim.
Nos meus tempos de repórter da Folha, nos 70/80, fui escalado para cobrir, numa madrugada fria, uma passagem de som sua, no Ibirapuera.
Fiz a cobertura, claro, mas sem entrevista.
Quem me ajudou no cumprimento da pauta foi o empresário, Marcos Lázaro.
Tudo bem que a vaidade e o lucro estejam acima de tudo nos planos de vida de Roberto, mas que ele é esquisito, isso é.
Como pode alguém se irritar tanto, ao ponto de acionar advogados para retirar do mercado um livro tão bem-feito a seu respeito, no caso Roberto Carlos em Detalhes, do historiador Paulo Cesar Araújo, que conheci de entrevista ao programa São Paulo Capital Nordeste que apresentei por anos a fio na Rádio Capital paulista?
Eu, hein!
Ah! A foto que ilustra este texto, vem dos meus arquivos e lembra o registro da cobertura de passagem de som de Roberto. À esquerda, eu. À direita, Lázaro.

domingo, 20 de dezembro de 2009

MENINA VITÓRIA, CHICO-ISA E CORINTINHIANS. VIVA A VIDA!

Vitória, filha primeira do casal Chico-Isa, veio ao mundo ontem, 353º dia do calendário gregoriano.
Ela, Vitória, chegou a este mundo com saúde de ferro e pesando, pra comprovar, 3,5 quilos.
A boa-nova veio do Hospital São Luís, no Itaim, cá em Sampa.
Eu, pai, pensei no primeiro filho que tive há vinte e tantos anos, pois grávido também fiquei, ora!
O filho é filha.
Chama-se Luciana, maravilhosa, e que até uma netinha igualmente maravilhosa Lu já me deu: Yara.
Quase quatro anos depois de tão importante acontecimento na minha vida, inda me sinto assim, assim, com sorriso largo me alumiando a cara redonda que a Paraíba e dona Maria Anunciada e seu Severino Ângelo me deram, em setembro de 52.
Ê, coisa boa!
É a vida se reproduzindo; é a gente se reproduzindo pensando num mundo melhor.
Que o diga o meu amigo Flávio Tiné, pernambucano dos bons...
Beleza ter filhos e netos!
Andrea, mãe de Pedro e Marina, me disse que Isa pariu legal às 7 da manhã. Menos de 12 horas depois, ela, Isa, já tava pedindo algo pra molhar a goela e um cigarro pra relaxar, antes de se meter espontaneamente numa sessão de exercícios no hospital, para admiração e medo de médicos e enfermeiras que lhe pediam calma e repouso.
Mas Isa, embora calma, tranqüila como sempre, nunca foi pessoa de repousar, tampouco a pedido. Ela gosta mesmo é de trabalhar, de produzir.
Um dínamo é o que ela é.
Através de Andrea, minha companheira de vida e sonhos, eu fiquei sabendo que Chico de Isa, o pai de Vitória, não perdeu um segundo para inteligentemente enaltecer o Corinthians – opa! –, pondo na porta do quarto do hospital da consorte o aviso óbvio: “Aqui nasceu gente!”, e o símbolo, naturalmente, do Timão agora às vésperas do seu 1º centenário de nascimento.
Grande Chico, que acha no campo da vida a razão de torcer. E por ser o que é, um corinthiano da gema, lhe dedico e dedico também a ela e a “ela” a letrinha cuja melodia está se gerando no útero cerebral do meu parceiro Osvaldinho da Cuíca, esta:

UMA BATUCADA PRO CORINTHIANS
Assis Ângelo

Neco, Teco,
Teleco e Neto,
Corinthians!
Maestros no campo.
Mestres da bola.
No gesto do drible.
No gesto do riso.
No rito da glória.
À vitória!
Corinthians!
Corinthians!
Corinthians!
Gilmar, Wladimir,
Baltazar e Sócrates
Mais o Pequeno Polegar.
Ó glória!
Cláudio, Idário, Basílio,
Rivelino, Dida e Tupã,
Palhinha, Viola e Grané,
Todos grandes
Como Maria, o Superzé.
Maestros no campo,
Mestres da bola.
No gesto do drible.
No gesto do riso.
No rito da glória.
Corinthians!
Corinthians!
Não sai da minha mente,
Nem do meu coração.
É preto e é branco
É Corinthians campeão!
É guerreiro,
É valente,
É brasileiro,
É o time da gente.
Corinthians!
Corinthians!
Corinthians!
De ontem, hoje e sempre,
Corinthians!
Corinthians!
Corinthians!

E especialmente à filha de Chico-Isa, esta sextilha:

Seja bem-vinda, Vitória,
A este mundo desigual,
Aproveite e plante nele
Uma semente genial,
Pois sem isso não se vive:
É preciso ter um ideal

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

GRUPO DEMÔNIOS DA GAROA VAI VIRAR FILME, EM 2010

Isso mesmo!
A história do grupo musical mais antigo em atividade profissional ininterrupta do mundo, o Demônios da Garoa, vai ser contada na tela grande, no ano que vem.
Bom, não é?
Até o diretor já foi escolhido: Pedro Caldas; o mesmo de Versificando, que tem enchido os olhos – e ouvidos – de muita gente, mundo a fora.
Quem me deu tão boa notícia foi a produtora cultural Andrea Lago, aniversariante de hoje, 17 de dezembro.
O filme será baseado no livro Pascalingundum, que escrevi e o Grupo Trends Tecnologia pôs nas mãos de seus amigos e clientes durante um show na empresa, há um ano.
Andrea lembra que ainda há espaço para patrocínio. A pessoa jurídica que se habilitar... Sairá ganhando.
Sobre o assunto, falarei daqui a pouco ao vivo, ao meio-dia, no programa Em Cartaz, de Atílio Bari, acessado nos canais 9 (Net) e 72, 99 e 186 (TVA).

PETER EM REVISTA

A nova edição da revista argentina Vial, traz longa entrevista com o engenheiro Peter L. Alouche, consultor especializado em transprotes na área de tecnologia para o Grupo TGrends, Banco Mundial e Agencia Francesa de Desenvolvimento (AFD). Ele falou sobre transporte, naturalmente, e sustentabilidade. Leitura imperdível.

METRÔ E NORDESTINOS

Em primeira mão: o Metrô de São Paulo vai homenagear os nordestinos em São Paulo, com uma nova estação a ser entregue à população no começo do ano que vem. Já era tempo! A respeito, falarei mais depois.

domingo, 6 de dezembro de 2009

PETER ALOUCHE EM DICIONÁRIO DE MÚSICA BRASILEIRA

Um ganha, outro perde.
É o jogo da vida.
No correr das últimas rodadas esportivas, os torcedores palmeirenses perderam um pouco a alegria de viver. E isso foi mais do que óbvio e necessário, no meu ponto-de-vista, pois as besteiras que o time do Parque Antarctica cometeu são, simplesmente, imperdoáveis. E não vou aqui enumerá-las para não fazer os marcelos da vida palmeirense sofrerem mais, não é mesmo Aluizio?
Tudo é triste e é só.
Eu disse marcelos?
Pois bem: o Marcelo Cunha, sempre verde de raiva quando seu time perde, deve estar se mordendo como o personagem de quadrinhos Hulk, de Jack Kirby e Stan Lee...
O que fazer?
Dizer miau, ora!
Os são-paulinos, também.
De certa forma, nós, corinthianos, temos algo a ver com isso tudo.
Adivinhem.
Estamos na Libertadores e isso por ora basta!
Claro: o Palmeiras, não.
Quem deve também está sofrendo muito com o resultado do Brasileirão findo ontem é o Paulo Benites.
Nada grave, um bom uísque resolve.
Paulinho, como o querido Ives Gandra da Silva Martins, irmão do maestro João e presidente do Conselho Consultivo do São Paulo Futebol Clube – sou democrático! – e prefaciador do meu opúsculo A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira, lançado primeiramente pelo Metrô de São Paulo e depois pela Paulus, esperneou, fez, desfez, quis, mexeu, doeu, ai, ai, ai, pulou miudinho, chorou, berrou, mas teve de segurar a onda numa boa.
E...?
Ano que vem já sabemos: é Coringão na cabeça.
100 anos!
Ninguém ou instituição nenhuma chega a 100 a toa.
...Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!
Boa.
Grande Lamartine Babo (1904-63).
Lamartine compôs 13 grandes hinos, seis dos quais num dia só.
O primeiro, para o time do seu coração, o América.
Depois, para o Fla, Vasco, Flu, Bangu e Botafogo, que faturou o Palmeiras no Brasileirão findo ontem, por 2 x 1.
Digo mais? Digo não.
Mais tarde os jornais dirão.
.....................
PETER ALOUCHE EM DICIONÁRIO

Enquanto o Flamengo ganhava, o Palmeiras perdia e o São Paulo ganhava sem muita precisão, eu dava um pulo na livraria Cultura, ali na Paulista, acompanhado de Peter Alouche, coringa por causa do Gordo.
Quada-cais... Eita!
Pois...
Num instante, mas por acaso, ele achou o Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira.
Alegria dez, tal qual outro amigo se fez e a mim: Paulo Vanzolini, quando o Aurélio há trinta anos fez verbete sobre o “volta por cima” e o citou.
Parecia menino o Paulo, naquela ocasião.
Parecia menino o Peter, hoje len do seu nome no dicionário do Houaiss.
Bonito.
Deve ser bom em vida saber-se reconhecido pelas belezas feitas.
Quem sabe, chegarei lá...
Posteridade: na foto que ilustra este texto, da direita (epa!) para a esquerda, as figurinhas exibidas, são: Paulo Vanzolini, eu, Peter, Sérgio Salvadori (por onde anda?) e o atual presidente do Metrô de São Paulo, Jorge Fagali, que não tem tempo pra falar comigo. O ambiente em que foi feita essa foto: livraria Cultura, de Pedro Hetz.

RONIWALTER

Do amigo Roniwalter Jatobá, escritor dos maiores que o nosso País tem, recebo neste instante a indagão que nos faz a goela tremer:
"Você soube? Tenho acompanhado o drama do dramaturgo que foi baleado cruelmente na praça Roosevelt. Terrível, né? Violência de quem? O mundo precisa beber mais, sem raiva".
O dramaturgo aqui lembrado é Mário Bortolotto, que está vai não vai na Santa Casa de Misericórdia...
Meu deus!
Quarta que vem vou tomar um porre com Roni, no Consulado Mineiro do amigo Geraldo Magela. Quem sabe assim a gente ajeita o mundo, hein?
É o jeito, viu Zanfra?

LUIZ GONZAGA
Logo mais às 22 horas de hoje 7 do mês, um especial sobre o rei do baião Luiz Gonzaga, na TV Brasil. Tem Fagner, Dominguinhos, Lirinha, do Fogo Encantado, e eu... Ui! O especial vai no programa De Lá Pra Cá, do Ancelmo Gois e Vera Barroso.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DE IMPROBIDADE FEDERAL, POESIA E MÚSICA

No emaranhado miolo brasiliense da ilha da fantasia, e entorno, há uma fieira de calango tangos de coloração político-partidária diversa pulando miudinho sobre a frigideira da Justiça.
Hoje, e não por coincidência, está se completando uma semana que o governador DEM José Roberto Arruda, do Distrito Federal, deu de garra de uns maços de grana viva oferecida por corruptores amigos donos de empresas prestadoras de serviço ao DF por meio de editais e outras ferramentas legais que a gula torna ilegais.
A sede incrível por dinheiro do governador distrital desencadeou mais um escândalo nacional.
E que escândalo!
Mas o moço corrupto que já colecionava antecedentes do gênero, pensava que o bote que deu ficasse sob segredo de Estado.
Eita!
Os instrumentos de uso corrente aplicados nestes tempos bicudos previstos por George Orwell no livro 1984 impediram que o esfomeado governador ficasse impune ao gesto lamentável que cometeu, junto com sua corriola. Resultado: até o instante presente em que batuco estas linhas, oito pedidos de impeachment foram despejados no colo da Procuradoria da Câmara Legislativa da ilha da fantasia exigindo a sua saída imediata do cargo que o voto direto o colocou.
Dos oito, dois estão sendo analisados em caráter de urgência.
Mas não vou me alongar aqui no assunto, pois os jornais de amanhã, e as revistas de fim-de-semana certamente o farão. Deixo, antes, palavras versificadas do indignado poeta popular cearense Moreira de Acopiara:

Nosso velho Brasil requer ajuda,
Pois tem muito bandido nessa praça.
Outra vez vi José Roberto Arruda,
Esse incréu, esse truste, essa desgraça,
Comandando em Brasília uma quadrilha.
Essa corja nos rouba, nos humilha,
Faz a gente de besta, de imbecil.
Esse Arruda de Serra ia ser vice,
Mas caiu na fraqueza, fez tolice,
Será menos um DEMO no Brasil.

Para quem não se lembra, vou dizer
Quem é esse José Roberto Arruda.
Serei breve, pra não me aborrecer
Ainda mais nessa vida tão sisuda.
Não faz muito esse traste foi flagrado
Violando um painel lá no Senado
Pra saber quem foi quem votou em quem.
ACM, outro traste da Bahia,
Nessa fraude foi sua companhia,
Muita gente se lembra muito bem.

Ia mal o governo FHC,
Que já tinha comprado uns deputados,
E esse Arruda no PSDB
Era mais um dos grandes aliados.
Questionado, negou. Mas levou vaia.
Aliou-se ao larápio Sérgio Naia,
Mentiu muito. Mas pra não ser cassado
Foi de novo à tribuna, confessou,
Fez teatro, chorou, renunciou,
Pra sair candidato a deputado.

Elegeu-se também Arruda para
Governar o Distrito Federal.
A memória do povo é coisa rara,
E não diferencia o bem do mal.
Veja a tal de Ieda lá no Sul!
Lá debaixo daquele céu azul,
Tem da mídia local a proteção.
Pinta e borda, nos chama de imbecis...
Rouba e mente! E o meu pobre País
Cada dia acoberta mais ladrão.

No passado tivemos mensalão,
Doações de carrões, grana em cueca,
Malas cheias andando de avião...
E essa fonte eu não sei se um dia seca.
Esse escândalo que agora se repete
Envergonha, chateia, compromete,
Mostra a fragilidade do sistema.
Esses DEMOS vestidos de pastores
Furtam, mentem, maltratam os eleitores...
E ninguém bota um fim nesse problema.

Na TV vimos cenas muito feias
Envolvendo dinheiro de propina,
Que encheu bolsas enormes, encheu meias,
Mais os bolsos das aves de rapina.
Deputados que são remunerados
Muito para serem aliados
Dos munícipes e serem defensores
São flagrados botando a mão na massa.
Do meu canto imagino o que se passa
De obsceno naqueles bastidores.
..............................
PROJETO GURI: 15 ANOS

De Hedylaine Boscolo, da Lead Comunicação e Sustentabilidade (hedy@lead.com.br), recebo e repasso outras palavras:
Mais de 380 alunos, 23 compositores, 18 faixas, 11 polos, 18 meses, 160 horas de gravação.
Estes são alguns dos números que envolvem o projeto do CD Guri Convida, que a Associação Amigos do Projeto Guri (AAPG) lança no próximo dia 13 de dezembro. O CD dá início às comemorações do 15º aniversário do Projeto Guri, iniciativa nascida na Secretaria de Estado da Cultura e gerida pela AAPG desde 2004.
Com direção artística do produtor Beto Villares, o CD é fruto de um trabalho que uniu estudo, disciplina e dedicação de centenas de alunos do Projeto Guri, sob a regência e orientação dos educadores musicais da AAPG. Os meses de ensaios resultaram em 18 faixas inéditas, compostas e gravadas por artistas especialmente convidados para o projeto.
André Abujamra, Andréia Dias, Arnaldo Antunes, Anelis Assumpção, Antônio Pinto, Catatau, Curumin, Fernanda Takai/ John Ulhoa, Iara Rennó, Maurício Pereira, Max B.O., Rappin’ Hood, Renato Dias, Siba, Grupo Sonantes (que tem como vocalista a cantora Céu), Thalma de Freitas e Zélia Duncan são os artistas que participam do Guri Convida, que resultou numa mistura moderna e criativa de gêneros e gerações.
Os artistas de destaque no cenário musical entraram em estúdio com os guris dos seguintes polos do Projeto: Amácio Mazzaropi, Espaço Aberto Jardim Miriam, Fundação Casa Mooca, Ibiúna, Indaiatuba, Polo Regional de Jundiaí, Osasco, Pirassununga,
Ponte Brasilitália, Julio Prestes e Comunidade Harmonia. Dessa forma, os alunos do Projeto Guri puderam apresentar a bagagem musical que estão adquirindo em sala de aula, com resultado aprovado por quem entende de música. “Eu desenhei o projeto de forma que o Guri fosse o principal músico”, explica Beto Villares. “O CD é um verdadeiro encontro entre nossos alunos-artistas e nomes de destaque da música brasileira. Significa mais uma forma de desenvolvimento social. Além disso, representa também a qualidade técnica do ensino musical que oferecemos, pois demonstra a capacidade e profissionalismo dos alunos durante ensaios e gravações”, observa Alessandra Costa, diretora executiva da AAPG.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

BICHO, BICHO, BICHO. MEU DEUS! É GENTE. É GENTE?

O pernambucano Manuel Bandeira narrou a seu jeito seus próprios versos, nos fins dos anos de 1950:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus
Era um homem.

Arrepiei-me todo há pouco quando vi esse bicho, que não era homem, que não era gente, que não sei o que era.
Esse bicho também era não/era mulher, meu Deus!
Estava ali esse bicho nos baixios do viaduto Minhocão, bem perto de onde moro entre Campos Elíseos, Barra Funda e Higienópolis, terreno do humorista Jô Soares, do político ex-presidente da República FHC e tantos.
Meu Deus!
Era nada tudo aquilo que vi:
- Um jovem puxando cachimbo craqueano com os olhos virados...
- Uma jovem, bem jovem, barriguda de um bebê sabe-se lá de quem...
- Outros jovens em volta fumando coisas... E outros bebendo eu não sei o quê.
Havia no meio também uns desnudos, dizendo coisas sem coisas e exalando um fedor dos infernos.
E chovia.
Eu vi.
Vi também um monte de sombras chegando com coisas/comidas nas mãos, oferecendo sei lá o quê aos oferecidos que pegavam autômatos engole-engole às cegas o que lhes oferecia sem saber o quê.
Meu Deus!
Manuel Bandeira viu tudo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O EMPREENDEDOR PAULO BENITES & EMPREENDEDORISMO

Passei na banca da esquina e vi exposta a revista Época. Capa: O Brasil Empreendedor, com “7 Lições para Quem quer Começar a Empreender”, li.
A ver com Paulo Benites, pois mais do que um empresário de sucesso ele é, de fato, um empreendedor extraordinário e prático, naturalmente, nas ações do dia-a-dia que desenvolve no mundo metroferroviário e tecnológico do qual vem se tornando cada vez mais uma pessoa necessária, imprescindível.
A expressão “empreendedor” não é nova, embora só agora esteja sendo melhor compreendida e ganhando asas na boca dos inteligentes e construtivamente buliçosos do País.
O termo surgiu entre os séculos 17 e 18, na França; “claro”, diria o meu amigo engenheiro Peter L. Alouche, francesista entusiasta de primeira hora, formado também em Letras pela prestigiosa Universidade de Nancy e destinatário de bela e invejável carta assinada pelo presidente da Resistência francesa, o general Charles de Gaulle (1890-1970), quando tinha ele, Peter, uns 12 anos.
Mas essa é outra história.
Na virada do século 19, o filólogo português Cândido de Figueiredo (1846-1925) registrava no seu Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa o seguinte, na grafia da época: “Emprenhendedor, ou empreendedor, adj. Que emprehende. Activo. Arrojado, M. Aquelle que emprehende ou toma a seu cargo uma empresa. De emprehender”.
Desse mesmo modo, a palavra ganhou definição no Aurélio e no Houaiss.
Pois bem, empreendedor é isso e mais.
É o sujeito de idéias próprias e otimista por experiência e natureza que inventa coisas e age com desembaraço e rapidez no mundo, contribuindo sobremaneira com a geração de riquezas e, portanto, com o desenvolvimento do país em que vive e trabalha. Tem tanta firmeza o empreendedor em tudo que faz que lucro financeiro chega a ser apenas um detalhe embutido nas entrelinhas, por entender ele ser isso uma obviedade tão natural quanto gritante decorrente de um processo de trabalho longo, profícuo e planejado, organizado.
O empreendedor nato, o verdadeiro, aposta, investe também, e muito, no crescimento profissional e na qualidade de vida das pessoas com as quais segue na lida diária.
Paulo Benites à frente do tempo e do Grupo Trends (vista parcial da sede, na foto) que fundou há década e meia, atirou para longe a preguiça, a sonolência, o marasmo, para se transformar numa espécie de dínamo gerador de dividendos para o Brasil.
Nos tempos de crise, trabalho.
Esta, aliás, uma das muitas lições apreendida e disseminada por ele a quantos queiram segui-lo nas suas ações contínuas em prol, sempre, do bem-estar da coletividade.
Sem dúvida, não à toa e exatamente pelo empreendedor dinâmico que é, Paulo Assis Benites foi escolhido por seus pares como o Homem do Ano no setor da Tecnologia que tanto inova. A escolha será chancelada por um troféu em solenidade marcada para o Dia do Engenheiro, 11 de dezembro, às 19 horas, na sede do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, à Rua Genebra, 25, São Paulo, SP.

EXEMPLO DE VIDA
Emocionante a entrevista ontem à noite, ao vivo, no Canal Livre com João Carlos Martins. Ele foi entrevistado por Joelmir Beting e Fernando Mitre.
João perdeu as mãos para o piano em conseqüência de um acidente sofrido no Central Parque de Nova Iorque, ao jogar bola ao lado de amigos.
Eu o conheço há anos, como a seu irmão Ives Gandra.
João, aliás como Paulo Benites, freqüentou muito o programa São Paulo Capital Nordeste que apresentei por longo tempo na rádio Capital. Ao seu lado e ao lado do colega Chico Pinheiro, assisti na sua casa o copião do filme franco-alemão A Paixão Segundo Martins (Die Martins-Passion, da siberiana Irene Langemann), que recomendo. Trata da sua trajetória no mundo da música erudita.
Ao perder o movimento das mãos, João Carlos recusou-se a se aposentar e virou um dos mais aplaudidos maestros da atualidade. Tem descoberto talentos e com eles se apresentado na periferia de São Paulo e nas grandes salas de concerto do mundo todo. Está seguindo os passos de Eleazar de Carvalho, o mais importante maestro do Brasil em todos os tempos, com quem tive também o prazer de conviver de perto.

ANISTIA
Finalmente é revista uma injustiça histórica: anistia política para um dos mais importantes educadores brasileiros, o pernambucano Paulo Freire (1927-77), conhecido por seu método revolucionário de ensino, a chamada pedagogia do oprimido. Freire costumava dizer que ninguém ensina ninguém, mas ninguém aprende sozinho. Grande observação, não? “Estamos caracterizando o pedido de desculpas oficiais pelos erros cometidos pelo Estado contra Paulo Freire”, disse quinta 26 o presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão Pires Júnior.

sábado, 28 de novembro de 2009

PAULO BENITES GANHA PRÊMIO DE TECNOLOGIA

Empreendedor.
Esse é um dos adjetivos correntes da nossa língua que melhor identificam o irrequieto paulistano Paulo Assis Benites, profissional gabaritado da turma de Engenharia Elétrica da Universidade de Mogi das Cruzes formada em 1990, com mestrado e doutorado chancelados pela Universidade de São Paulo, USP, em 1992 e 1995.
Aos 41 anos de idade, Paulo vem se destacando intensamente na vida brasileira como um dos mais ousados empreendedores do campo da engenharia elétrica e da tecnologia de ponta, isto é: a ver com o que há, hoje, de mais moderno e prático no mundo todo, especialmente no setor que tão bem domina ao lado de mais de 800 pessoas de sua confiança, absolutamente bem-preparadas para atender o que for necessário num raio de atuação que abrange alguns países, entre os quais Argélia, Venezuela e Colômbia.
A sua empresa, a Trends – que integra uma holding em que se alinham harmoniosamente outras empresas, como a Atlantis Sistemas de Gestão, a Atex do Brasil, a Principia Software e a Serviços Digitais – tem raízes fincadas na capital paulista há mais de dez anos, tempo que suficientemente a capacitou para atuar com categoria e zelo no concorrido e complexo meio da engenharia elétrica e da tecnologia avançada como uma das empresas mais respeitadas do País, e que, em contrapartida, têm sobremaneira contribuído decisivamente para o bem-estar de muita gente, mesmo que essa “muita gente”, a população, no caso, não saiba disso direito, pois o seu trabalho, o trabalho da Trends, é desenvolvido de maneira quase silenciosa nos bastidores sob túneis, estações de metrô etc., desde a sua sede na capital de São Paulo a cidades da Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Goiás, Paraná e o Distrito Federal.
A especialidade de Paulo, pois, e do Grupo Trends Tecnologia, pioneiro no campo da consultoria de projetos de transporte e infraestrutura, é resolver problemas relacionados à operacionalidade de veículos sobre trilhos e também na área ambiental, urbana e rodoviária, incluindo corredores de ônibus e terminais como o de Santo Amaro, localizado no bairro de mesmo nome e o mais populoso da capital paulista, na zona Sul.
Noutras palavras: onde há problemas, é fácil encontrar Paulo Assis Benites às voltas com processos de solução, a qualquer hora do dia ou da noite de qualquer dia, seja em qualquer de suas empresas, seja nos aviões que ora o levam com freqüência à China, à Coréia do Sul, Portugal ou Estados Unidos, países com os quais mantém compromissos de parceria profissionais de grande importância também para o Brasil.
À China, por exemplo, Paulo Benites viajou três vezes em menos de um ano. E também ao Japão, Alemanha etc. ele viajou.
Como resultado de suas últimas viagens à Coréia, se concretizará até março do ano que vem mais um de seus projetos: o que visa, exatamente, a implantação de um revolucionário sistema tecnológico d e fechamento de plataformas do Metrô de São Paulo, de forma que quando se abrirem as portas dos trens serão abertas também as portas das plataformas...
É aguardar para ver e desfrutar desse novo benefício que será oferecido aos 3,5 milhões de usuários/dia do metrô paulistano, um dos cinco mais seguros, asseados e pontuais do planeta.
Trabalhei nele...
Um dos principais compromissos pessoais de Paulo na vida brasileira é o de trazer know-how e aumentar a participação da engenharia nacional nos projetos que vem desenvolvendo. É dele, Paulo, a urgência de operacionalizar a nossa infraestrutura para que possamos nos tornar, como ele diz, no big player que todos esperamos. Tarefa árdua, sem dúvida, pois é de se considerar que ainda nesse ponto estamos um pouquinho atrasados...
Os projetos da Trends são muitos.
O trem de alta velocidade, por exemplo, popularmente chamado de trem-bala, que deverá deslizar sobre trilhos entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, contará com a contribuição do Grupo, que no momento participa da modernização da rede da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, CPTM, e da implantação de um moderno sistema de energia e ventilação das linhas 2-Verde, 4-Amarela e 5-Lilás.
Por isso, e não à toa, Paulo Assis Benites, que faz parte do Conselho-diretor da Associação Nacional de Transportes Públicos, ANTP, e integra o quadro de associados União Internacional de Transportes Públicos, UITP, acaba de ser escolhido por uma comissão de alto nível para receber no Dia do Engenheiro, 11 de dezembro, o Prêmio Personalidade da Tecnologia 2009, oferecido anualmente pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, desde
1987, aos profissionais que se destacam no setor.
E tenho dito!
Detalhe 1: dentre todTos os agraciados até agora, Paulo é o mais jovem.
Detalhe 2: a inteligência e a sensibilidade de Paulo na geração e concretização de grandes idéias não se limitam ao campo da engenharia e tecnologia. Estendem-se também ao campo das artes, pois além de ser um exímio pianista apaixonado pela obra de Zequinha de Abreu – a sua interpretação para o chorinho Tico-Tico no Fubá é excepcional –, ele desencalha projetos culturais que têm a ver com a preservação da cultura brasileira. Por isso, e não à toa, fez suas empresas patrocinarem este ano a edição do livro Pascalingundum! Os Eternos Demônios da Garoa, que trata da história do mais antigo conjunto musical do mundo, em atividade ininterrupta. Aliás, o livro servirá de base para um filme. A 13 Produções já está identificando possíveis patrocinadores...
Voltarei ao assunto.

AEAMESP

Anteontem estive na festa de confraternização dos engenheiros que integram o corpo de associados da Aeamesp. Foi uma noite e tanto, ali nas proximidades da Avenida Paulista. O pau tá cantando, me dirão depois. Mas o importante é que revi grandes amigos, como Nestor Tupinambá,Peter e Belda.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O MUNDO EM SECA VAI VIRAR MAR?

Seca na China já atinge 20 milhões de pessoas, leio no jornal. É a maior em 50 anos.
Na Venezuela, a solução para a estiagem prolongada pode vir através do bombardeamento de nuvens, já autorizado por Chávez.
No Irã, milenarmente terra árida, poeirenta, o povo parece estar se acostumando com os problemas advindos dela.
Bom?
Em Portugal, não.
Na Austrália, idem.
Tampouco nos Estados Unidos, no sudeste asiático, no Brasil...
Bem, no Brasil há seca no Nordeste, no Norte, no Sul...
Intempéries, contradições climáticas históricas em parte explicam essa danação.
O aquecimento global explica mais ainda, pois é provocado pela sede de ganhos de capital do bicho chamado gente.
No sul do País as chuvas continuam castigando a população como nunca, incrédulo vejo e escuto o repórter dizer na telinha de TV.
Pelas terras do chimarrão e de Paixão Cortes, nem bem acaba uma enchente, vem outra e mais e outra mais arrasadora ainda.
Hoje mesmo aqui em São Paulo, capital, já fez frio, choveu. O sol está abrindo...
Vivemos sertões chuvosos, sertões secos de canto a canto do mundo todo.
A coisa tá feia, como diz a letra do pagode de Tião Carreiro e Lourival dos Santos.
Vocês já assistiram 2012?
Falo depois.

Nesse fim de semana reli Vidas Secas, de Graciliano, e li também o belíssimo Sertões Bravios, do jornalista e sertanista santista desaparecido em 1968 Willy Aureli, 2ª edição revisada, ilustrada, ano 62, que também fala de chuva e seca do homem e da natureza.
Mas ao contrário de Vidas Secas, livro no qual se movimentam o vaqueiro Fabiano, a mulher Sinhá Vitória, os meninos “o mais novo e o mais velho” e a humaníssima cadela Baleia, na obra de Willy o interessante é o conjunto de histórias curtas em que se sobressaem personagens que o autor resgata de suas memórias.
Sertão, para Willy, “é a mesma coisa que deserto para o beduíno”. Ele:
- Sertão está na maioria das canções, das baladas, das rapsódias tão nossas! Sertão está na alma de todo caboclo que forma o enorme continente amassado e disperso aquém litoral (...) Sertão é o jaguar, é o hidrossáurio, o sáurio, o selvagem, o cervo, o ofídio, o corvo, a queixada. Sertão é tudo quanto rasteja, corre, negaceia. Sertão é sol e sombras atiradas por sobre a terra em grandes pinceladas. É o tormento sem igual, é a sede, a fome, a loucura. Sertão é o dia escaldante, pavoroso, a noite fria...
E como dizia Guimarães, em resumo:
- O sertão está em todo canto.

Visita polêmica essa, hoje, a do presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil. Ele é odiado por mundo e meio, inclusive por boa parte dos próprios árabes.
Considerado uma espécie de Hitler destes tempos modernosos em que o petróleo e coisas que tais são moedas muito fortes, Ahmadinejad, eleito há poucos meses por pleito fraudulento, segundo seus inimigos, quer discutir com Lula acordos no campo nuclear.
Isso dá arrepios.
Sempre que pode, o cara do Irã prega o fim de Israel e nega a existência do holocausto que dizimou seis milhões de judeus no correr da Segunda Grande Guerra.
Sei não, mas acho que isso não é bom para o Brasil...
Aliás, internacionalmente, acho que estamos num rumo torto.
Como fica o caso Battisti?
O Supremo entende que o ex-militante político italiano deva ser entregue ao país de origem para o acerto de contas devido, mas essa decisão caberá a Lula.
Eu, hein?
E o caso de Honduras?
Já passa de dois meses que Zelaya está morando na Embaixada brasileira de lá e nada se resolve.
O que fazer?
E o caso da Venezuela?
Embora cheio de petróleo, os venezuelanos andam em fila lenta para comprar alimentos nos supermercados. E isso com a falta de luz, água, seca...
Em noite de Balada Literária idealizada por Marcelino Freire, na Vila Madalena, perguntei ao poeta venezuelano Léo Felipe Campos, em mesa de bate-papo com o diretor do Museu da Língua Portuguesa Frederico Barbosa, Cláudio Willer e Rodrigo Garcia, na Livraria da Vila, o que se quer no seu país: democracia, foi a resposta.
O Chávez está enrolado.
.......................
O amigo cearense José Xavier Cortez, da Cortez Editora, manda convite para lançamento hoje às 18 dos livros Educação Infantil e Registro de Práticas, de Amanda Cristina Teagno Lopes; Indisciplina e Disciplina Escolar Fundamentos para o Trabalho Docente, de Celso dos Santos Vasconcellos; e Formação de Professores na Educação Infantil, de Marineide de Oliveira Gomes. O lançamento será na livraria Cortez, à Rua Monte Alegre, 1074, Perdizes. Informações pelo telefone 3873.7111.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

OS MIL GOLS DE PELÉ; BUDA RAM E O PADRE CÍCERO

Há quase um ano, o adolescente nepalês Ram Bohadur Bomjan está arrastando multidões a Nijgadh, lugarejo distante cerca de 160 quilômetros da capital do Nepal, Katmandu, onde, na posição de lótus e debaixo de uma árvore centenária que não se balança ao vento, tomou gosto pelo vício de não comer, beber e imitar Dorival Caymmi no sadio e sagrado exercício de não fazer nada.
Pois bem, assisti o documentário do Discovery Channel e logo me lembrei de fenômenos parecidos, seja: de pessoas que provocam a curiosidade de outras e, por isso, fazem um rebuliço danado na região em que vivem ou andam.
O padre Cícero era craque no assunto.
O rei da voz Chico Alves, também
Idem Orlando Silva, não à toa chamado de Rei das Multidões.
Quando morreu, Getúlio levou o Brasil todo às ruas e à loucura.
Um chororô danado.
Tancredo parou São Paulo, também quando partiu.
Padre Cícero arrastou na vida e na morte gente de todo canto para vê-lo em Juazeiro do Norte, CE.
Depois de excomungado pela Igreja Católica, está ele, o padre, em vias de virar santo.
No tocante à religião, Juazeiro é a maior cidade do País; espécie de Meca, cidade saudita para onde acorre uma vez por ano o mundo todo árabe, para se arrepender dos pecados cometidos e a serem cometidos.
Lembrar do Padrim é lembrar também de Maria de Araújo, aquela do milagre da hóstia ensangüentada ocorrido no dia 1º de março de 1889, e que a boca do dos peregrinos nordestinos sacramentou santa.
Lembram disso?
Cícero ficou de calças curtas, isto é, de batina curta e obrigado a se justificar em Roma perante o Papa Leão XIII, no ano de 89 do século 19. Mas nem isso impediu que fosse excomungado pela mão-de-ferro que sempre caracterizou a madre-mãe Igreja Católica que inda faz o medievo baiano Elomar Figueira de Mello, meu amigo, se arrepiar todo; pois embora católico, me disse ele um dia, não é “apostólico romano”.
Mas, atenção, não confundir a beata Maria de Araújo com a beata Mocinha, de batismo Joana Tertuliana de Jesus, tesoureira e secretária especial do Padrim.
Vejam lá, hein?
Inda hoje reina uma confusão dos infernos em torno desses dois nomes e o fato em si, sangrento, que gerou lenda.
Confusão, diga-se, que levou o rei da embolada Manezinho Araújo a se enrolar todo na hora de fazer a valsa Beata Mocinha, que o rei do baião Luiz Gonzaga gravou no dia 29 de agosto de 1952 e lançou em novembro do mesmo ano, pela extinta RCA Victor.
À guisa de informação, acrescento: o disco com essa gravação, primorosa, de nº 80.1015, traz no lado A o Baião de Vassouras, com Os Cariocas.
Isso quer dizer o seguinte: foi um disco historicamente dividido entre um cantor/compositor/sanfoneiro, Gonzaga, e um grupo musical chamado Os Cariocas, de grande prestígio enquanto existiu.
No mínimo curioso, não?
Mas eu estava falando mesmo era do rapazote Ram Bomjan.
Bomjan é de um mundo muito especial, cheio de esquisitices, segredos, mistérios.
O Nepal, país localizado no mundo asiático, na encosta do Himalaia, perto da China e da Índia, lugar de passagem de Cristo, é pobre e cheio de contradições.
Uma espécie de Juazeiro do Norte, digamos, ou a Canindé das bandas do Ceará.
O moço nepalense que está sendo chamado de novo Buda tem obrado milagres pra familiares, digas-se, com seu jeitão simples de chamar atenção para coisas sem explicações nesta vida.
O seu caso me lembra também o caso de Tambaú, no interior de São Paulo, onde o padre Donizete fez e desfez e por pouco não levou ao linchamento físico do meu querido amigo Otávio, chargista dos grandes de atuação inesquecível no extinto jornal Folha da Tarde, do Grupo Folhas, onde trabalhei.
E tudo isso para dizer, ao fim, que parei de beber leite; vez que Ram não come, não bebe...
Osvaldinho da Cuíca também não é chegado a líquidos. Melhor: não bebe água, leite, suco...
Acho que vou virar santo.
Ah!
Hoje faz 40 anos que Pelé, o rei do futebol, marcou seu 1000º gol. Foi no Maracanã, de pernas bambas, contra o Vasco. De pênalti. Na ocasião, não entendido por muitos, ele chamou a atenção para o descaso que já à época se dava à criança brasileira, abandonada.
Vocês já assistiram Pelé Eterno? É um belo filme. Dele sou consultor musical.
Fica o registro.
Viva Pelé!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

TIMES, CORDEL E BURCA PARA GEISY

Li:
Repórter do The New York Times vira fã de autor de cordel gay.
Opa!
Li de novo e entendi que o repórter Larry Rother tem paixão por folhetos que tratam do tema gay. ele tem um monte em casa: 2 mil.
Pois bem, Rohter é da terra detonada por Bin Laden.
Morou aqui, no Brasil, durante uns trinta e tantos anos sem que ninguém o incomodasse.
Não o questiono como profissional, inclusive porque não o conheço pessoalmente; mas ele nos conhece de sobra e sobre nós escreveu – e deve continuar a escrever – o que bem quis e quer, em centenas de reportagens publicadas no seu jornal, The New York Times.
Até sobre a nossa cachaçinha gostosinha querida etc. e tal, quente que só, do dia-a-dia santo-santificado ele escreveu.
Rohter uma vez desceu a lenha no Lula só porque, coitado, como eu e milhões e milhões, gosta, Lula, de uma branquinha um dia sim, outro também.
Ora, e que mal há nisso?
Lula parece estar fazendo bem ao País...
E o Rohter?
Paulo Vanzolini, mestre, gênio, amigo querido, também gosta da branquinha popularmente chamada de cana, caninha, água benta, metida e tal, como tantos. E olha que o Paulo, moço estudado e doutor até em Harvard, está quase acima do bem e do mal... Outro amigo, o Bill Hinchberger, jornalista norte-americano como Rohter, morador destas paragens por 22 anos – hoje na França –, correspondente de jornais e revistas como a velha Variety, de 1905, também gosta.
De quê? De uma gostosinha, não é mesmo Marco Haurélio?
Marco é dos cordelistas brasileiros hoje um dos melhores, como os irmãos Ari e Klévisson Viana.
Ari também é chegado.
A quê?
Ora, ora...
Uma vez nos sentamos à mesa eu, Paulo e Bill.
Foi ali pelas bandas do Museu de Zoologia.
Paulo era seu diretor.
A conversa fluiu muito bem, como sempre. E olha que nada falamos de cobras e lagartos, a especialidade profissional do autor de Ronda e Volta por Cima. Aliás, a biblioteca do Museu foi toda constituída por grana advinda dos autorais de Ronda, doada por Paulo.
Repito: que mal há beber o que é bebível, hein?
O mal é a desinformação.
Larry Rohter, que lhe pese o fato de morar tanto tempo no País, ainda não conhece direito a cultura popular de cá. De certo modo, essa questão beira o campo da gravidade porque ele, Rohter, tem espalhado mundo afora que a literatura de cordel no Brasil é feita basicamente por J. Borges.
Não é.
São mais de três mil cordelistas, pelos meus cálculos.
Borges é um xilogravurista de grandes qualidades, mas não é um cordelista nos moldes tradicionais de um Leandro Gomes de Barros ou João Martins de Athayde, José Bernardo da Silva, José Camelo de Melo Resende, Firmino Teixeira do Amaral, José Pacheco e Francisco das Chagas Batista, entre tantos e tantos da galeria dos antigos; e dos mais novos os já citados Ari, Klévisson e Marco, além de Audifax Rios, Moreira de Acopiara, Antônio Alves da Silva, Valdir Soares, Pedro Costa, Sinzenando Cerqueira Lima, Horácio Custódio de Sousa, William Brito, Mateus José dos Santos, Aparecido Balbino, Roberto Coutinho da Motta, Gilmar S. Ferreira, Francisco Salviano da Cruz, Varneci Nascimento, Pedro Monteiro e João Gomes de Sá.
Sem falar no grande Patativa do Assaré e também no Chico Pedrosa, Jessier Quirino...
Rohter não sabe o que está dizendo.
Pena.
Sugiro que ele se inteire um pouco mais antes de voltar a ocupar páginas do seu jornal com meias informações a respeito de cana e literatura de cordel. Pode começar lendo os 40 folhetos resultantes do 1º e do 2º concursos paulista de literatura de cordel que promovemos em 2001 e 2003, em São Paulo através do Metrô e da CPTM. Os folhetos selecionados em ambos concursos tiveram uma tiragem de 410 mil e foram distribuídos nas escolas da rede pública do Estado.
E por falar em cordel, replico aqui o folheto de ocasião escrito por Miguezim de Princesa a mim enviado por Peter Alouche. Claro, é sobre a cliente da Uniban que continua provocando um tumulto danado. Título: Uma Burca para Geisy.

I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"

III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

IV
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "Oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!".

VI
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

VII
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

VIII
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

IX
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

X
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.

Quem é Miguezim de Princesa? Em versos, o próprio responde:

Meu nome é Miguel Lucena,
O Miguezim de Princesa,
Saio espalhando alegria
Para espantar a tristeza;
No entulho da feiúra
Boto um rio de beleza.

Meu pai é Migué Fotogra,
Minha mãe é dona Emília,
Minha casa é de oito irmãos,
Meu filho é uma maravilha,
Minha mulher é meu amparo,
Meu coração é família.

Concursado delegado,
Há duas décadas jornalista,
Vivo a escrever versos tortos,
Inspirado em repentista,
A quem me chama doutor:
Em sou mesmo é cordelista.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ANA BERNARDO, INTÉRPRETE DE PAULO VANZOLINI

Como previsto, o espetáculo poético-musical com o especialíssimo dublê de cientista e compositor aclamado Paulo Emilio Vanzolini ontem à noite no palco do teatro Fecap, no bairro da Liberdade, cá em Sampa, foi simplesmente primoroso.
O autor de Ronda e Volta por Cima e de mais cinco dezenas de títulos que formam uma obra musical singular iniciada nos 40, e que nos enobrece e enobrece também o País hoje musicalmente tão judiado, espoliado, esteve totalmente à vontade numa mesinha à esquerda do palco, cervejinha à mão e à goela, por cerca de hora e meia perante umas 400 pessoas de idades diversas, desde o adolescente curioso à avó saudosa e o tiozinho íntimo de suas belas (e bem-feitas) canções.
“Esse é o meu público”, frisou feliz uma hora Paulo, retribuindo com humildade os aplausos que recebia de maneira quase intermitente a cada intervenção que fazia, ora para declamar um trecho do livro Tempos de Cabo, ora para cantarolar e contar causos e a história de algumas de suas músicas famosas como Cravo Branco, que nasceu a partir de uma observação colhida de uma empregada doméstica.
Aliás, também de uma simples observação do ato de bater carteiras dos incautos que transitavam na Praça Clóvis Bevilácqua e redondezas nos anos 60 de chumbo, na capital paulista, surgiu Praça Clóvis, samba de valor reconhecido até pelo turrão Adoniran de Saudosa Maloca e Trem das Onze, que chegaria a ganhar uma música em sua homenagem (Seu Barbosa), feita pelo próprio Paulo a pedido do cantor, compositor e instrumentista Luiz Carlos Paraná (1932-70), seu amigo e autor de Cafezal em Flor (gravada pela dupla Cascatinha & Inhana e tantos) e Maria, Carnaval e Cinzas (defendida por Roberto Carlos no III Festival de Música Popular Brasileira, em 1966), entre outras.
A parte musical propriamente dita do espetáculo de ontem, a cargo do impecável grupo formado por Ítalo Perón (violão e arranjos), Jayme Saraiva, Pratinha (flauta e bandolim) e Adriano Busko (percussão), foi, digamos, algo inesquecível.
Sim, um show à parte foi a apresentação de Ana Bernardo.
Ela estava iluminada. Correta na voz e postura.
Os músicos, completamente afinados uns com os outros, pareciam brincar em cena.
O entrosamento deles com a experiente cantora em palco foi mais do que perfeito.
Ana é filha de Arthur Bernardo (1930-90), lendário violonista integrante de primeira hora do longevo grupo paulistano Demônios da Garoa.
Ela iniciou a noite cantando os sambas Chorava no Meio da Rua, Longe de Casa e Samba Erudito.
Após a primeira intervenção de Paulo, ela prosseguiu cantando Cara Limpa, Cravo Branco, Boca da Noite e Cuitelinho.
Nesse ponto, uma nova pausa para o autor de Capoeira do Arnaldo revelar à platéia que essa toada deve ser creditada também a outro autor, Antônio Xandó.
E por aí seguiu a noite feito criança, como dizem os poetas e boêmios em geral.
Quem não foi perdeu inclusive a apresentação de Pedacinhos do Céu.
Nesse ponto, uma informação adicional:
Num dos nossos encontros há anos, Paulo perguntou se eu conhecia o chorinho de Waldir Azevedo e se eu poderia lhe fazer uma cópia do original. Fiz e o resultado foi o que Ana nos brindou.
Detalhe: Paulo contou que durou uns 25 anos a sua luta para terminar a letra de Pedacinhos do Céu.
Eu passei uns 25, para concluir Pascalingundum! Os Eternos Demônios da Garoa.
Após o espetáculo, Paulo passou a atender o público no hall do teatro, autografando Tempos de Cabo, que trata de seus tempos... de cabo do Exército. É desse período, em ronda a cavalo pela região central da cidade, o famoso samba-canção que Inezita Barroso gravou em agosto de 1953, no seu segundo disco de 78 RPM, sete anos depois de composto.
A fila parecia não acabar nunca.
Deparei-me com vários amigos nela, como Vicente Dianezzi, da velha Folha de S.Paulo, e amigas como Geisa, companheira eterna de mestre Lourenço Diaféria (“inventor da crônica paulistana”), meu amigo querido e a quem dedico o livro Pascalingundum!
Pascalingundum também é dedicado a Paulo, , diga-se, o “intelectual do samba e da vida, co-autor da Teoria dos Refúgios, segundo a qual as mudanças climáticas em florestas contínuas, como a Amazônia, fragmentam formações vegetais que causam especiação e, consequentemente, enriquecem a biodiversidade da nossa América”.
Grande noite a de ontem, no teatro da Fecap.
Quero mais!

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