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segunda-feira, 21 de março de 2011

NADA A VER: ESTADOS UNIDOS E DEMOCRACIA

Que importância teve a presença do baracobama ao Brasil?
Nenhuma, porém perigosa.
O cabra chegou aqui todo pimposo, seguindo as suas normas, como sempre, e ouvindo, aparentemente atento, o Hino Nacional Brasileiro. Em seguida, o diacho olhou pra Dilma e com um gesto largo, de dono da casa, a fez adentrar no palácio planaltiano...
Meu Deus!
Antes se esperava que fizesse um “pronunciamento ao povo brasileiro”...
Mas alguém da sua equipe lembrou a tempo que lá, na Cinelândia, ele correria o risco de ter apenas alguns gatos pingados a lhe bater palmas.
E isso não pegaria bem.
O governador Sérgio Cabral até disse e os jornais publicaram:
- Rei aqui é o Roberto Carlos. Barak Obama é bem-vindo, mas 500 mil (de público) só o Roberto Carlos.
Truco!
E qual a saída?
O Teatro Municipal ora, com seus dois mil lugares e atenção garantida.
Quando um artista é pouco conhecido, diz a sabedoria midiática: é recomendável que faça show em teatro pequeno.
Quando o escritor é pouco conhecido, é recomendável que lance livro em teatro pequeno.
Quando o artista é grande é recomendável que se avalie o local onde pretende se apresentar...
E lá foi o baraco ao Teatro Municipal.
Nos bastidores: o ministro Guido Mantega, da Fazenda, pulou fora evitando ouvi-lo.
Edison Lobão, de Minas e Energia, também.
O mesmo o fez Aloizio Mercadante e Fernando Pimentel, de Ciências e Tecnologia e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, respectivamente, ressentidos pelo tratamento dispensado pelo visitante.
Motivo da dor?
Foram barrados no baile.
Noutras palavras: foram constrangedoramente revistados por espécimes de pouca sensibilidade do norte da América que quebraram simplesmente um acordo de não-revista a ministros com a Casa Branca.
Mais uma vez fomos ridiculamente humilhados pelo Tio Sam. E aqui mesmo em casa, o que é mais grave.
E para provocar, o baracobama ainda citou como glória brasileira Paulo Coelho.
Temos Augusto dos Anjos, Guimarães Rosa...
Mais um detalhe que a história mostrará constrangedor: enquanto conversava com a presidenta Dilma no Palácio do Planalto, baracobama recebia um bilhetinho de um de seus homens que resultaria na decretação de guerra à Líbia. E ele rindo...
O Brasil se absteve quinta na ONU de votar a favor da invasão ao território de Kadaffi, ao lado da China, Índia, Rússia e Alemanha.
Pelo menos isso.
Cachorros grandes se entendem, mas morte a civis nunca.
Viva Cornélio Pires!

ALLTV
Foi legal o papo na allTV, sexta, com o colega jornalista Patrício Bentes (foto). Falamos um monte de coisas legais sobre o Brasil popular.

sexta-feira, 18 de março de 2011

AGORA NA ALLTV, FALAS SOBRE CULTURA POPULAR

Após longa estiagem volto daqui a minutos, às 14 horas precisamente, à allTV. Agora não como apresentador do programa Tão Brasil, mas como autor do livro que está sendo lançado à praça pela Cortez Editora, A Menina Inezita Barroso.
Vou falar sobre esse livro e sua personagem, a cantora, atriz e folclorista Inezita Barroso, que tantas alegrias tem dado ao Brasil. Claro, também vou falar sobre a nossa cultura popular, tão rica e historicamente de pouca importância para os poderosos de plantão.
Por que os meios de comunicação não falam dos nossos grandes artistas, tantos tão esquecidos hoje em dia?
Por que não falam do xilogravador Ciro Fernandes e do percussionista Papete?
Pena, cruel e lamentável esse esquecimento.
Arrepiei-me há pouco ao ler no Portal UOL o ranking de arrecadação do ECAD. Estão lá, os dez primeiros:
1. Victor Chaves
2. Sorocaba
3. Nando Reis
4. Roberto Carlos
5. Dorgival Dantas
6. Euler Coelho
7. Paul McCartney
8. Lulu Santos
9. Erasmo Carlos
10. Djavan
Sem comentários, por enquanto.
Acompanhem a nossa prosa na allTV e comentem, inclusive ao vivo.
Estou indo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

HOJE É DIA DE IVAN FERRAZ, O GRANDE FORROZEIRO

“Envelhecer é conviver com a morte dos amigos”,
José Nêumanne Pinto

O domingo fim de tarde de 1946 trouxe ao mundo, de parto normal feito por uma velha parteira, o menino Ivan Ferraz que o destino se incumbiria de moldá-lo à arte da composição e do canto popular nordestino.
E também de levá-lo à televisão e ao rádio para apresentar programas que todo mundo gosta, com muito xote, forró, arrasta-pé e frevo e, no meio, entre uma cantiga e outra, boas prosas recheadas de versos matutos à moda de Zé Marcolino e Patativa do Assaré, de Catulo e Zé da Luz.
Pois bem, foi no sertão pernambucano de Floresta que ele nasceu.
Chorou um pouco e depois caiu na risada, segundo a lenda.
Riu pelas besteiras dos outros que o tempo mostraria.
Dois meses depois desse tão fabuloso e necessário acontecimento, na quarta 22 de maio daquele ano os meninos cearenses que integravam o conjunto musical Quatro Azes e 1 Curinga lançavam com pompa e graça no Rio de Janeiro, à época a capital da República e de todas as novidades, um novo ritmo musical assinado por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira: baião, que em pouco tempo viraria coqueluche em todo o País e nos países em redor e noutros além mais, como Portugal, Itália, França e Estados Unidos da América.
Até numa das ilhas da Polinésia oriental, a de Páscoa, no Pacífico, o homem foi cantado; e cantado na língua local: rapa nui.
Na Itália, uma das cantrizes preferidas de dez entre dez diretores do naipe de Fellini, Pasolini, Zeffirelli e Visconti, por exemplo, a romana Silvana Mangano, linda que só e com apenas 19 anos de idade, apareceu no filme Arroz Amargo (Riso Amaro), de Giuseppe de Santis, pondo banca e cantando feito gente grande o baião Baião de Ana (El Negro Zumbon, de Giordano-Roman) à moda de Gonzaga-Teixera.
Um sucesso danado.
Em Hollywood, a portuguesinha Carmen Miranda preferiu o baião Baião, na versão de Ray Gilbert, para cantar e dançar no filme Nancy Goes to Rio, de 1950, por estas plagas reintitulado de Romance Carioca.
Ainda por esse tempo, a voz feminina mais aplaudida dos americanos do Norte, Peggy Lee, gravaria Juazeiro com outro título, Wandering Swallow, sem, porém, creditar a devida autoria: Gonzaga-Teixeira.
O disco, de 78 rpm, sairia pela poderosa Capitol.
O egípcio de Alexandria Demis Roussos faria isso, isto é, gravaria também uma música da dupla Gonzaga-Teixeira (Asa Branca, White Wings, versão de R. Costandinos) nos começos dos anos de 1970. Esse feito ele o repetiria no DVD que gravou no dia 11 de outubro de 2005, no Brasil.
Etc., etc.
O que tem uma coisa a ver com outra?
Ora, ora, tudo!
Ivan é nordestino, Luiz (na foto ao lado de Ivan) era nordestino, Humberto nordestino, os meninos do Quatro Azes nordestinos...
Por um tempo, o Brasil todo virou um imenso Nordeste.
Durante dez anos seguidos Luiz Gonzaga permaneceu altivo nas paradas até a chegada do nordestino João, que depois de mexer aqui e ali inventou um modo diferente de fazer caretas e uma batidinha quase inaudível chamada Bossa Nova, que os ouvidos da gente bem nascida da zona sul do Rio adorou.
Os gringos de todos os cantos, também.
Tudo Liga Tudo, como dizem Tuzé e Gereba num frevinho bonito gravado pelo também nordestino, baiano como João, Morais Moreira.
Ivan Ferraz tem um monte de discos gravados.
O primeiro foi um compacto duplo lançado à praça pela extinta Rozemblit, intitulado Riqueza do Sertão, um xote de sua autoria, em 1977. No total, ele tem uma dezena de LPs e meia dúzia de CDs, além de um DVD que acaba de chegar ao mercado, Baião dos Dois.
É de boa prosa e verso, o Ivan.
Pergunto: aniversariar é bom?
Ele rir e declama uma sextilha de autor desconhecido para responder:

Acho graça a mocidade
Não querer envelhecer
Velho ninguém quer ficar
Moço ninguém quer morrer
Sem ser velho ninguém vive
Bom é ser velho e viver.

Há dez anos, Ivan apresenta o programa líder de audiência Forró, Verso e Viola, diariamente das 16:05 às 18h, ao vivo, pela Rádio Universitária de Recife (FM 99,9) e pela internet. E hoje, dia do seu aniversário, inaugurou o site www.ivanferraz.com.br
Parabéns, Ivan!
À vida!

quarta-feira, 16 de março de 2011

CHORÃO ANDRÉ PARISI LANÇA NOVO CD, NO PIU-PIU

O teatro de mamulengos tem raízes fincadas no catolicismo alegórico da Idade Média e chegou a Pernambuco por volta do século XVI e de lá, de Pernambuco, se estendeu por mais alguns Estados brasileiros, entre os quais Rio Grande do Norte, Sergipe e Ceará.
Esses bonecos também são chamados de marionetes e de polichinelos, na França.
No nosso nordeste são conhecidos por Babau, João Redondo e Casimiro Coco.
Eles fazem a alegria das crianças, e também dos adultos.
Artista multifacetado que se sobressai com destreza no campo da arte como poeta de improviso e de bancada; ator, pintor, desenhista, compositor, violeiro e contador de histórias, Valdeck de Garanhuns já teve a oportunidade de levar a sua arte às gentes da Europa e dos Estados Unidos. Algumas de suas obras integram o acervo do Museun für Völkerkunder de Frankfurt, Alemanha.
A arte de bonecos animados, essa mesma abraçada por Valdeck, já se acha praticamente extinta entre nós.
Não será hora de promover um festival de mamulengos, para descobrir e incentivar talentos?

PROSA NO AR, COM IVAN FERRAZ
Às 16:30h, e por uns quinze minutos, fiquei proseando hoje com o meu amigo Ivan Ferraz, titular do programa Forró, Verso e Viola, no ar todos os dias pela Rádio Universitária de Recife FM 99,9. A nossa prosa foi direto, e ao vivo, aos ouvidos de meio mundo.
Na hora, o Antônio Sapiranga, lá da Bahia, mandou dizer via e-mail e facebook o seguinte:
- Mestre Assis Ângelo! Escutei agora há pouco sua entrevista na Universitária de Pernambuco!
Maravilha! Sobre o livro que você cuida da memória artística da nossa rainha Inezita Barroso, parabéns! Sou aqui da Bahia e estou lançando agora em abril o meu segundo disco. Esse disco se chama Segredos do Tempo e tem apresentação dos meus amigos e seus amigos também, Xangai e Juraildes da Cruz!
O programa Forró, Verso e Viola, o mais ouvido no horário (das 14:05 às 18 h), está no ar há dez anos; e pode ser ouvido em qualquer parte do mundo, online, pela Internet.

CHIQUINHA GONZAGA PARTIU
Foi ontem, no final da madrugada, que partiu a mais nova dos irmãos e irmãs do rei do baião Luiz Gonzaga. Tinha 85 anos. Chiquinha foi a primeira tocadora de oito baixos mais conhecida do Brasil e a discriminação de muitos impedia que ela se apresentasse com freqüência nos palcos. Em 1952, ela integrou o grupo Os 7 Gonzagas. Esse grupo era formado pelo velho Januário, Severino Januário, Zé Gonzaga, Chiquinho, Socorro e Aluísio, mais o próprio Gonzagação. Restaram pouquíssimos registros musicais desse grupo. Com Chiquinha, foi a única herdeira direta do reino gonzaguiano.

ANDRÉ PARISI LANÇA NOVO CD
O músico André Parisi e o grupo musical Língua Brasileira lançam daqui a pouco, às 21horas, um novo CD no Café Piu-Piu, ali na rua 13 de Maio, 134, Bixiga. Vai ter roda de choro das boas e só não vai quem for besta ou ruim dos ouvidos.

terça-feira, 15 de março de 2011

PARANAPIACABA E VALDECK DE GARANHUNS

Foi num dia 15 como o de hoje, só que de julho de 1945, pouco antes do fim da 2ª Grande Guerra, que Paranapiacaba passou a existir como estação ferroviária da velha São Paulo Railway, substituindo a Estação do Alto da Serra; e daí vila, povoação constituída basicamente por engenheiros ingleses contratados para manter a ferrovia criada pelo barão de Mauá.
A história é comprida.
No decorrer do tempo Paranapiacaba se transformou num distrito do município de Santo André, da região do Grande ABC, a mais ou menos 22 quilômetros da capital paulista.
Um paraíso, se melhor cuidado; mas já esteve em pior estado.
Horas antes de ser seqüestrado e morto por bandidos em janeiro de 2002, o prefeito Celso Daniel, de Santo André, assinou documentos de compra de Paranapiacaba, à época condenada completamente ao abandono.
O número de moradores fixos de Paranapiacaba, hoje, não passa de 1,1 mil pessoas.
Entre essas pessoas, se acha o mestre do teatro de mamulengos Valdeck de Garanhuns.
Estive em Paranapiacaba domingo passado.
Foi legal o passeio.
Andrea e os meninos Pedro e Marina adoraram, inclusive a neblina.
Na verdade, eu fui cumprir promessa de visita à casa de Valdeck Costa de Oliveira, de Garanhuns.
Promessa é compromisso.
Pois bem, a nova casa de Valdeck é bonita e enorme, de vários cômodos, que no século XIX foi habitada por engenheiros da rainha. Valdeck a reformou com cuidado, sem ferir um milímetro da planta original.
A casa ficou um brinco.
Mês que vem, ou no próximo, ela, a casa, abrigará um espaço cultural que, sugiro, leve o nome do próprio Valdeck, que ainda briga com a própria modéstia.
Nesse espaço serão ministradas oficinas de mamulengo, cordel, xilogravura etc.
Todos nós ganharemos com isso, inclusive a região do ABC (e D).
Sim, confesso: eu sou um entusiasta incorrigível da obra de Valdeck e da sua companheira xilógrafa e entalhadora de bonecos Regina Drozina.
A propósito, vocês já leram o livro Mitos e Lendas Brasileiros?
Viva Valdeck!

segunda-feira, 14 de março de 2011

VERSOS AGALOPADOS PARA INEZITA BARROSO

Hoje 14, dia do nascimento de Antônio Frederico de Castro Alves, baiano de Curralinho, é comemorado o Dia Nacional da Poesia. Não por acaso, hoje também o mestre do teatro de mamulengos de Pernambuco Valdeck Garanhuns pôs ponto final nos versos que fez para homenagear a paulistana Inezita Barroso, que no último dia 4 completou 86 anos de vida, quase todos, aliás, dedicados ao estudo do folclore brasileiro. Detalhe: foi na capital recifense que ela começou a carreira de artista que a consagrou em todo o País.
Os versos de Valdeck, que têm por título Um Galope Beira-mar* à Inezita Barroso, são estes, exclusivos para o blog:

Andei procurando no meu pensamento
Nas cordas sonoras do meu coração
No belo vernáculo da nossa nação
As frases mais belas pra esse momento
Palavras sublimes de bom sentimento
Que possam dizer como somos felizes
Em tê-la conosco com tantos matizes
Exemplo de vida pra bela natura
Fiel defensora da nossa cultura
Cantando as belezas das nossas raízes.

Madrinha serena da musa viola
De nós cantadores, bardos menestréis
Imortalizada em nossos cordéis
Cantando e falando aos néscios amola
Sem substituta pra passar a bola
Mantém com firmeza a sua carreira
Foi lá em Recife que a moça brejeira
Fez o seu início profissional
No Santa Isabel se mostrou genial
E na Rádio Clube bem alvissareira.

Eu falo de alguém que o sabido conhece
E quem não conhece não é vencedor
Porque não contempla o perfume da flor
E se não contempla é porque não merece
Quem lhe ouve cantar jamais se esquece
Da voz, da postura, do jeito fagueiro,
Do jeito paulista, do jeito mineiro,
Do mato-grossense, do pernambucano
Cearense, gaúcho, carioca, baiano,
Do jeito da gente, do ser brasileiro.

Já desde pequena talento mostrou
Cantava, tocava, piano, violão.
A música incrustada no seu coração
À nossa raiz ela se fixou
Cresceu floresceu o fruto brotou
Saudável já teve reconhecimento
Vingou madurou é puro alimento
Pro corpo pra alma nutrindo as pessoas
Que se forem más transformam-se em boas
Com o canto sonoro do seu argumento.

Viola, cantiga, poema e programa
Há anos e anos na nossa cultura
Não sai do viés é porta segura
Aberta pra quem a respeita e ama
É um teorema, sutil diagrama
Na Arte Real três pontos compreende
O que estou falando só ela entende
Descende de gente que usa avental
Que cava masmorras ao vício letal
E entre colunas o amor se estende.

Agora esse livro que narra a infância
Que nossa Zitinha alegre e segura
Viveu em contato com nossa cultura
E vive até hoje sem ter jactância.
Escreve Assis Ângelo com muita elegância
Cortez já publica a obra bonita
A gente se encanta com a bela escrita
Que conta a história da Ignez criança
Artista do povo, legado herança
Menina Zitinha, mulher Inezita.

Personificada na literatura
Meu livro também contém sua escrita
Caminhe, continue, assim tão bonita
Que a sua cantiga exala brandura
Meu muito obrigado por nossa cultura
Que vive em você momento garboso
Seu eu porte jovial modesto treloso
Lhe deixa por dentro do verso e da rima
Ignez Magdalena Aranha de Lima
A nossa rainha Inezita Barroso.

* Na origem, o galope beira-mar, ou à beira-mar, obriga o versejador a findar cada estrofe com a expressão “galope na beira do mar” ou "galope à beira-mar". Há três tipos de galope: um em sextilhas decassilábicas, com rimas nas linhas pares; e outros dois em estrofes de dez versos heptassílabos e hendecassílabos. Valdeck preferiu uma variante da forma clássica em décimas, cuja regra rimática é: ABBAACCDDC.

domingo, 6 de março de 2011

FOI BONITA A FESTA, PÁ!

Filmaço, esse Lope que acabei de assistir no Espaço Unibanco, na Augusta!
Poderia ser Lope de Vega.
Mas, paciência, só Lope o intitularam.
Lope de Vega foi um poeta espanhol que fez da sua vida uma grande poesia.
Na verdade, ele marcou a comédia espanhola.
Deixou milhares de textos, incluindo centenas de peça para teatro.
Viveu como pode; brincou, brigou, brilhou e fez felizes muitas mulheres do seu tempo (1562-1635).
Hora ou outra, porém, ele deu uma piradinha; principalmente quando uma de suas preferidas, Marta de Navares, a Amarilis de muitos de seus versos, se despediu da vida sem lhe dizer adeus.
Aí ele entrou em combustão e virou oficial da Inquisição, entre outras loucuras; detalhe que o filme não mostra.
Lope, o filme, tem por diretor o brasileiro Andrucha Waddington e no elenco os também brasileiros Selton Mello e Sônica Braga – maravilhosa!
Mas não é sobre esse belo drama que quero hoje falar.
Eu quero falar é da noite de quinta 3 na Livraria Cortez, na rua Bartira, ao lado da PUC, no bairro de Perdizes.
Noite inesquecível com equipe da TV Cultura dando ar de sua graça e transmitindo ao vivo.
Mais do que nunca, Inezita estava linda, vestida como rainha e com aquele sorriso que todo mundo conhece.
Nessa noite, eu lancei A Menina Inezita Barroso, um livro que classifico de infanto-juvenil.
E ela esteve lá, a Menina.
E também amigos jornalistas como Zé Hamilton Ribeiro, Pedro Vaz, Miriam Ramos, Rivaldo Chinen, Rogério Gama, Mera Teixeira, Marilu, Carina; artistas queridas como As Galvão e Irmãs Volpi; o Regional do Viola Minha Viola, liderado por Joãozinho; Valdeck de Garanhuns, Cacau Brasil, Aguinaldo Timóteo, Cris Aflalo, Socorro Lira, Neimar Reis, Marcos Mendes, Yassir Chediak, Silvio Brito, Moreira de Acopiara, cordelista; Papete, que musicou a Guerreira Inezita, que abre o livro, sobre versos meus; produtores, como o legendário Pelão; e outros amigos meus e da Inezita, entre os quais Osmar Santos, Sidney Oliveira, Darlan Ferreira, Tati Fraga, Júlio e Geraldo Magela, além do próprio Cortez, feliz ao lado das filhas e do seu staff, incluindo o professor Amir.
Muita gente bonita, incluindo Marta, filha de Inezita; e Marcelo, um de seus primos.
A Andrea estava linda, junto com Pedro e Marina.
Até Clarissa e Daniel, marcaram presença.
Nos dedos, se contados, umas 400 pessoas me disseram.
A noite terminou no começo da madrugada, que foi regada a guaraná, suco, água e, claro, muito uísque.
Também teve bolo e “Parabéns pra Você”.
Mas senti falta de amigos queridos, como Peter Alouche, Paulo Benites, Roberto Marino, Oswaldinho do Acordeon, Nestor Tupinambá, Jarbas Mariz, Tom Zé, Paulinho, Dominguinhos, Vandré, Miguel, Marcus, Marco, Marcelo, Nêumanne, Tinhorão, Herência, Alessandro, Izidio, David, Roniwalter, Expedito, Gregório, Miriam, Patrícia, Nei, Aluizio, Atílio, Fabiana, Hilton, Caio, Ferrari, Celia, Celma, Anastácia (tá perdoada, pois disse que estaria cantando forró e frevo em Recife) e uns mais.
Alkimin mandou dizer em papel timbrado do Palácio que tinha outros compromissos...
Mas de tanta gente presente, não sobrou espaço para o Regional do Viola se apresentar.
Foi bonita a festa, pá.

quinta-feira, 3 de março de 2011

NA LIVRARIA CORTEZ, A MENINA INEZITA BARROSO

É hoje!
Chegou, enfim, o dia/noite de lançamento do livro A Menina Inezita Barroso, na Livraria Cortez, que fica ali bem ao lado da Pontifícia Universidade Católica, PUC, esquina das ruas Bartira e Monte Alegre, bairro de Perdizes.
A história da menina começa num 4 de março, há 86 anos, hoje, menos um dia.
Antes de contar a bonita história de Inezita, na infância chamada por familiares e amigos de Zitinha, eu traço um panorama da cidade de São Paulo dos anos de 1920 e 1930, que ainda engatinhava.
Lembro da distância de tudo, dos bairros nascendo, dos operários, dos barões do café, da Semana de 22 e seus personagens, como Brecheret, Menotti Del Picchia, que conheci e entrevistei para o suplemento do Diário Oficial do Estado, Leitura; Monteiro Lobato e Di Cavalcanti, entre outros.
Conto da timidez que impediu a menina de conversar com Mário de Andrade.
E por aí segue a leitura, até o dia que Zitinha assiste a um espetáculo da portuguesinha Carmen Miranda e Grande Otelo no extinto Cassino Atlântico, no Rio de Janeiro.
O livro tem belas passagens ilustradas pelo talento do xilogravador Ciro Fernandes.
Numa página e noutra aparecem nomes da música caipira, como Raul Torres.
E Carlos Gardel?
O que tem Carlos Gardel a ver com Inezita Barroso?
Saiba lendo o livro.
Pois então, vamos todos cantar parabéns pra Inezita e comer bolo e beber guaraná das boas?
Joãozinho do Regional do programa Viola Minha Viola, Papete e mais um monte de gente bonita da nossa música vão estar por lá, ali na Livraria Cortez, a partir das 19 horas.
Quem chegar por último é filho do padre.

terça-feira, 1 de março de 2011

POIS É, UM LIVRO SOBRE INEZITA BARROSO

Um colega de jornal me pergunta por que resolvi escrever um livro infanto-juvenil sobre Inezita Barroso.
Simples, respondi: porque até agora ninguém se capacitou a escrever livro nenhum sobre ela; e ela, Inezita, é simplesmente uma grande brasileira, uma grande estudiosa do nosso folclore, uma grande cantora, intérprete; atriz de cinema, apresentadora de rádio e televisão.
Para quem ainda não sabe: o seu Viola Minha Viola está ininterruptamente no ar há três décadas através da TV, canal 2, da Fundação Padre Anchieta.
Nas manhãs de sábados, a Rádio Terra, de São Paulo, apresenta O Programa da Inezita; outra jóia que deve ser apreciada por todos quanto gostam do que é bom.
E como se não bastasse, ela, Inezita, é uma pessoa incrível; um exemplo muito bonito de cidadã, respeitadora das gentes e culturas; uma guerreira, como digo nos versos abaixo que escrevi, em sextilha, e que o amigo José de Ribamar Viana, o Papete, acaba de musicar para um clipe que já, já estará por aí:

O Brasil tem muita gente
A começar pelo Sudeste
Desde Inezita Barroso
E até cabra da peste
Tem causos de Trancoso
Revividos no Nordeste

Cantar o que se canta
É uma coisa bem bonita
Que nos faz acreditar
Na riqueza infinita
Deste Brasil brasileiro
Da talentosa Inezita

Viva Inezita Barroso
Essa grande brasileira
Que por si própria se fez
Uma rainha violeira
A cantar as coisas nossas
Tal e qual uma guerreira

Papete, meus amigos, também um belo exemplo de cidadão brasileiro, artista de invulgar talento, é tido por meio mundo como um dos maiores percussionistas do planeta.
A sua história também é comprida.
Maranhense de Bacabal, safra de novembro de 47, estreou em disco (LP Berimbau e Percussão) em 1975, via Marcus Pereira. De lá para cá, e após andar se apresentando pelo mundo todo, a sua voz e instrumentos se acham em dezenas e dezenas de discos.
O LP que ele, Papete, gravou com Toquinho, em 1982, é primoroso.
E o que dizer, então, do DVD (capa acima) que os mesmos Papete e Toquinho gravaram na Suíça, em 1983?
Viva o Brasil!
Diante disso, já não era tempo sobrando de alguém publicar um livro sobre essa extraordinária mulher/artista?
Pois, pois, quinta 3 estarei na Livraria Cortez, ali na Rua Bartira, autografando A Menina Inezita Barroso.
Claro, ela, a menina, estará lá conosco comendo bolo e bebendo guaraná das boas; e todos nós a aplaudindo por tudo quem tem feito, e pelos 86 aninhos que completará no dia seguinte.
Vamos lá engrossar o coro, junto com o Regional do programa Viola Minha Viola liderado pelo violeiro Joãozinho?
Ah! Diz o Papete:
- Se Inezita tivesse nascido nos Estados Unidos, o mundo todo já teria tomado conhecimento da sua bonita história.
Ao dizer isso, perdoem a minha gabolice, lembro o trompetista Winton Marsallis dizendo na minha cara redonda da Paraíba:
- Se você tivesse nascido na minha terra, você teria todas as condições de escrever o que escreve a respeito do seu País.
Fiquei mudo, sem saber como rebater essa fala.
Marsallis é de Nova Orleans e considerado um dos maiores do mundo no seu instrumento.
Viva Inezita Barroso!

O DISCURSO DO REI. ASSISTAM-NO.

Maravilhoso!
Gostei muito do filme O Discurso do Rei, um belo drama dirigido por Tom Hooper – de quem nunca ouvi falar.
Cabra bom!
Melhor ou tanto quanto o ator que interpreta Gerge VI, na intimidade de Lionel, Berty; um gago príncipe que vira rei e entusiasma no fim os seus súditos, na convicção de um discurso em prol da liberdade e da esperança.
A história toda transcorre nos princípios da década do século passado.
É bonito o filme.
Boas imagens e tudo o mais.
Mereceu a glória conquistada ontem na noite do Oscar.
Lembrei de Nélson Gonçalves e do conterrâneo Assis Chateaubriand.
No cinema, o Reserva Cultural, que já foi Cine Gazeta, meia dúzias de assistentes. Talves, uma dúzia.
Assistam-no.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

QUINTA 3, LANÇO LIVRO SOBRE INEZITA BARROSO

É coisa rara no calendário gregoriano o carnaval cair no mês de março.
A justificativa dá-se pelo fato de a Páscoa ser comemorada no domingo imediato à primeira luz cheia do outono.
E foi num mês como este que nasceu nun dia 4 a paulistana Ignez Magdalena Aranha de Lima, conhecida em todo o País por Inezita Barroso, folclorista, cantora, atriz premiada e líder de audiência da TV Cultura como apresentadora do programa Viola Minha Viola, há 30 anos ininterruptos no ar.
Na infância, Ignez era chamada por familiares e amigos de Zitinha.
E é a história de Zitinha que conto no livro a Menina Inezita Barroso, a ser lançado na próxima quinta 3, a partir das 19 horas, na livraria Cortez, que fica ali na Rua Bartira, 317, ao lado da Pontifícia Universidade Católica, PUC, no bairro de Perdizes.
Sou suspeito, mas digo sem receio algum: o livro, todo ilustrado pelo xilogravurista Ciro Fernandes, está muito bonito.
Vamos todos lá à livraria do Cortez para comer bolo, beber guaraná e cantar parabéns para Inezita, com coro puxado pelo regional que a acompanha no Viola, liderado pelo violeiro Joãozinho?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NA PROSA COM INEZITA, LEMBRANÇA DE PAPETE

Ontem, à boca da noite, tive vontade e fui bater à porta da querida Inezita Barroso (foto,de Andrea Lago), que mora pelas bandas de onde moro, cá entre Santa Cecília e Campos Eliseos.
Num dedo de prosa e outro; uma molhadinha no bico com uisquinho e tal, sem gelo - claro - lembramos de um monte de coisas boas ocorridas nos tempos de ontem; nos tempos que ela e Morais Sarmento, grande radialista e amigo meu, e dela, foi não foi iam os dois na minha casa, na Armênia e lados do Butantã depois; nos tempos que meus filhos eram inda meninotes.
Lembramos entre risos de cervejas tantas, e quentes, que ambos, Sarmento e ela, Inezita, levavam nos porta-malas de seus carros com a desculpa de as solvermos sem gastar o gogó; sim, assim quente.
Não é à toa, pois, que ela, Inezita, mantém o vozeirão lindo que a consagrou em todo o País.
Sarmento está no céu, mas com a voz em dia...
Lembramos também das noites passadas no velho restaurante Parreirinha, com endereço ali na Gal. Jardim, bairro da Vila Buarque, centro velho da cidade, de propriedade do notívago e sempre querido e receptivo Miro.
Ah! Quantas histórias vividas ao lado de tanta gente bonita, meu Deus do céu; como Arley Pereira, Robertinho do Acordeon, Ronald Golias, Noite Ilustrada, Miécio Caffé, Nélson Gonçalves, Adoniran Barbosa, Jamelão, Miltinho e mais e mais que nem a memória hoje cansada traz de volta.
Com Golias bebericando umas lá no Parreirinha, ocorreu que ele, me vendo com uma mulher, brincou, a seu jeito:
- Pôxa, essa é mesmo bonita. Parabéns, você tem mesmo bom gosto.
Chiii. Era a minha mulher.
O pau cantou, a mesa virou e garrafas de cerveja e vinhos voaram chão.
Tempos de lembranças
No Parreirinha, varávamos noites e entrávamos madrugadas adentro boemiando...
Na troca de verbos com Inezita, falei de Xerém, da dupla com Bentinho.
Ela lembrou que fez show em São Paulo com ele e que ele era maravilhoso.
E aí falei da neta, Cris Aflalo: “Essa menina é maravilhosa, apenas lhe falta atenção e direção”, ela disse.
E contei:
- O Papete vai almoçar comigo manhã.
E aí, disse:
- Esse é muito bom, faz tempo que não o vejo.
Ao me despedir dela, uma surpresa:
- Leve essa cachaça e a beba com ele.
Bebi.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CRIS AFLALO: DEPOIS DE SÓ XERÉM, QUASE TUDO DÁ

Voz bem colocada e claríssima, dicção perfeita; agudos nos trinques.
A dona desses atributos é a paulistana Cris Aflalo, uma profissional de alto quilate do ramo musical.
Cris demonstra firmeza e definições no repertório que interpreta. Ela chega a impressionar, mesmo com pouco tempo de carreira: estreou em disco no ano de 2003, com o CD Só Xerém, seu avô famoso.
De batismo Pedro de Alcântara Filho, cearense de Baturité, Xerém deixou marca indelével na carreira de músico e humorista que abraçou lá pelos idos de 1920, ano que trocou sua terra pela terra dos cariocas, onde logo se destacaria como gaitista contratado da Rádio Mayrink Veiga e, depois, da Rádio Nacional onde formou dupla “caipira” com a irmã Tapuya e, em seguida e mais assiduamente com Bentinho, que no bordão do radialista César Ladeira, o bam, bam, bam da época, o identificava como integrante da “dupla que é uma naváia”; e isso, num tempo que brilhavam no firmamento musical nomes que iam desde Chico Alves, o Rei da Voz; a Dorival Caymmi, Orlando Silva e Lamartine Babo, entre tantos.
A primeira gravação em disco de Xerém e Tapuya e sua Tribo, como se apresentava, foi feita no dia 2 de julho de 1937.
A música?
Uma quadrilha feita em parceria com o talento chamado Pequeno Edson, que, como se diz, partiu antes do tempo.
No primeiro CD, Cris Aflalo ponteou um repertório cujo destaque era parte da obra do seu famoso avô, intitulado Só Xerém.
Agora, ela volta à estrada e brinda os ouvidos de bom gosto de gente inteligente com um CD melhor do que o outro: Quase Tudo dá.
Uma pérola leve, bonita.
Nesse disco, Cris prova com A + B que não é só Xerém; é mais, ela é muito mais, e para isso dá sobejas amostras de até onde pode e quer chegar com a bela voz que Deus lhe deu.
A produção do novo disco, como o anterior, traz a assinatura de Luiz Waack, um craque em vários instrumentos e sensibilidade musical acima da média.
Agora, uma coisa: eu se fosse você, meu amigo, iria correndo às lojas especializadas à procura de Só Xerém e de Quase Tudo dá.
Quem procura, acha.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ESCOLA DE SAMBA HOMENAGEIA O NORDESTE

É bom saber que uma escola de samba da capital de São Paulo, a Acadêmicos do Tucuruvi, está homenageando no carnaval deste ano a raça nordestina que ajudou a construir a 5ª maior cidade do mundo, esta: a capital dos bandeirantes e dos nordestinos, São Paulo.
É a primeira homenagem a respeito.
Muito bom, não é?
O samba-enredo OXENTE, O QUE SERIA DA GENTE SEM ESSA GENTE? SÃO PAULO: A CAPITAL DO NORDESTE!, de Vaguinho, Edu Leão, Doutor, Rigolon e André União. O intérprete é Fredy Vianna.
Diz a letra:

Sou cabra da peste, vim lá do Nordeste
São Paulo é minha capital
Levando alegria, eu vou por aí
Eu sou valente, sou Tucuruvi
Vou embarcar nessa aventura
Em busca de um lugar ao sol
Trago no peito desafio e esperança
Na bagagem a lembrança,
Sonho ou realidade.
Vou construindo ilusão,
Erguendo os pilares da cidade,
Deixando marcas da minha tradição:
Ao som do tambor, a fé em louvor, religião
Oxente festeira, acende a fogueira, é São João.
Vem, vem provar
O sabor que vem de lá
Esse gosto, esse tempero
É de fato brasileiro.
Da sanfona um acorde tocou forte o coração
Olha o povo dançando pra lá,
Arrastando a sandália pra cá,
O forró tá danado de bom
Um sorriso é a moldura do meu traço cultural
Quando a gente se encontra, a mistura é natural.
Carrego na alma a bravura
E o orgulho de ser quem eu sou
Vai meu samba, vai! Reconheça o meu valor!

Ano passado desfilei a minha beleza - hahahaha! - nas alturas de um carro alegórico da X9 Paulistana, entoando o enredo Do Além-Mar, a Herança Lusitana nos Une. Saí de português, junto com os poetas Celso Alencar e Álvaro Alves de Faria. A escola perdeu, mas a culpa não foi minha...
Na foto, o papai lá em riba todo pimpão.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

GRANDE DOMINGUINHOS! E VIVA O CANTO DA EMA

Eu disse que ia, fui.
Hoje, domingo, há uma semana extamente e mais ou menos nesta hora que ponho no mundo estas linhas, tive a alegria de rever amigos que não via há muito tempo, no lugar de ouvir coisa boa e dançar forró e arrasta-pé dos bons denominado Canto da Ema, dos meus amigos Zé e Paulinho.
Um desses amigos revistos domingo hoje há uma semana foi Waldonys, de batismo Waldonys José Torres de Menezes, nascido no dia 14 de setembro de 1972, em Fortaleza.
Um menino ele, com jeito de gente grande.
E é, talentosíssimo.
Waldonys eu conheci no século passado e até a sua casa uma vez eu fui; e bem recebido.
Grande pessoa, grande cidadão, exemplar profissional em dia com a profissão de sanfoneiro é o Waldonys.
Filhote, no melhor sentido, do rei do baião Luiz Gonzaga.
Waldonys é Dominguinhos de ontem, com orgulho ele deve se achar.
Pois bem, fui ver Dominguinhos fazer setent´anos no Canto da Ema e me deparei com ele, Waldonys, e também com Anastácia, Fuba e outros.
Lá reencontrei a conterrânea Elba Ramalho, linda, solta como sempre, forrozando...
Canto de sabiá ela tem.
Corpo elástico, dançarina no palco e tanto, ela!
Pra minha surpresa, lá estava também o querido Oswaldinho, parceiro bissexto que promete por melodia numa letra que lhe dei há pouco sobre o Corinthians.
Oswaldinho, agora quase magrelo, falou e falou, riu, e mostrou que a sanfona é parte de tudo em si próprio.
Eita!
Não é pra ficar feliz?
Foi, sim, bom rever os amigos.
Ah! Mas o calor fez a pressão de Dominguinhos subir ao céu e ao palco ele não subiu.
O Ciço, seu empresário e amigo, ficou preocupadíssimo.
Todos nós.
Mas vamos cobrar de Dominguinhos a sua presença no Canto em fevereiro do ano que vem.

PS- A foto aí de cima tem uma semana que foi feita.
Fica o registro.
......................

VILLA-LOBOS
Outro registro: o compositor, pesquisador e maestro carioca Heitor Villa-Lobos foi quem mais foi lembrado nos teatros, nos concertos, nas rádios e televisões do mundo inteiro no ano passado. Noutras palavras: foi o autor brasileiro com obras mais executadas nas emissoras de rádio do mundo todo, em 2010.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

JOSÉ DOMINGOS DE MORAES, 70. VIVA!

Dominguinhos, de batismo José Domingos de Moraes, pernambucano de Garanhuns, nasceu num dia de hoje, 12 de fevereiro, há exatos 70 anos.
Bem cedo integrou um triozinho musical chamado Os Três Pinguins, formado por mais dois irmãos: Moraes, na sanfona; e Valdomiro, na zabumba, também chamada de male; e ele próprio, no pandeiro.
Tudo molecote, incluindo ele, Dominguinhos, com seis anos.
Tocavam nas feiras livres e portas de hotéis. E foi numa dessas portas, em Garanhuns, que os três irmãos foram vistos pelo rei do baião, Luiz Gonzaga, que se emocionou ao ouví-los tocar.
Resultado:
- Seu Gonzaga - lembra Dominguinhos - disse pra gente procurar ele no Rio de Janeiro, quando pudesse, que ele nos ajudaria.
Esse primeiro contato com Gonzaga ocorreu em 1948.
Seis anos depois, Dominguinhos e a família, incluindo o pai Chicão, pegaram um pau-de-arara e foram bater à porta do Rei do Baião, que os recebeu muito bem e, de cara, presenteou Dominguinhos, chamado até então de Neném, com uma sanfona das boas, bonitona, lustrosa.
Tinha ele 17 anos quando Gonzaga, numa entrevista a uma revista carioca declarou numa longa reportagem que ele seria o seu sucessor.
O resto se sabe.
Amanhã, eu vou dançar forró no Canto da Ema, ali na Avenida Faria Lima, do meu amigo Paulinho.
Boralá todos?
ah! A foto aí de riba foi batida no programa São Paulo Capital Nordeste e serviu para ilustrar reportagem assinada por Severino Mendes, alter ego do jornalista Moacir Japiassu, da extinta e valorosa revista Jornal dos Jornais, em agosto do ano 2000.

ROBERTO CARLOS AGORA NA RÚSSIA

Numa boa?
Pois, tá: lamentável o fato de integrantes da chamada torcida organizada do Corinthians fazerem o que fizeram com o lateral-esquerdo Roberto Carlos, ao ameaçarem-no de agressão e à sua família, pelo desempenho considerado pífio no jogo válido a pré-classificação à Libertadores há poucos dias diante do fraco Deportes Tolima no estádio Manuel Murillo Toro, na Colômbia, cujo resultado foi 2 x 0.
Mas jogo é jogo e outras partidas virão como a de amanhã contra o Paulista, em Jundiaí.
Não gostei.
Fica o registro.
Ah! Roberto Carlos agora vai jogar na Rússia, ganhando três vezes mais do que ganhava no Parque São Jorge.
Quem perde?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

NO EGITO, CAI MAIS UM DITADOR

Olharam o relógio?
Pois é, caiu há minutos mais um fela.
Sim, ele mesmo: Mubarak, do Egito, depois de três décadas de judiação contra um povo que o mundo todo sabe oprimido desde tempos de antanho.
O velho ditador dissera há cerca de 40 horas atrás, em pronunciamento pela televisão, que não largaria o osso pelo menos até a próxima primavera. E, oportunista e ardiloso, acenou com aumento em torno de 5% no salário da população, desde que todos voltassem a seus lares, comportadinhos.
Mas ninguém se comportou como ele queria e o que se viu é o que se ver: a vitória do povo, neste primeiro momento.
Portanto, a estratégia do “cala boca” não pegou e Mubarak fugiu com o rabo entre as pernas, como o seu coleguinha Ben Ali, da Tunísia, no final da primeira parte do mês passado.
O grito de libertação continua se alastrando pelo mundo árabe.
Agora é acompanhar os desdobramentos - e o movimento norte-americano - e ver quem assume o novo poder no Egito.

O POVO UNIDO ETC. TORÇAMOS PELO EGITO

Não faz muito, eu disse que o mundo árabe é um barril de pólvora prestes a explodir. E é.
Hoje, 18 dias passados de intensos e compreensíveis protestos populares nas ruas a favor da liberdade, o Egito se mostra um caos absoluto; e o exército, caso opte por ficar do lado de Mubarak - figura áspera e enjoativa que manda por lá há 30 anos, sob os auspícios do governo norte-americano -, um massacre a almas humanas sem precedentes poderá ocorrer no país.
Mas é improvável que o exército fique contra o povo. É mais provável que assuma o poder, após possível renúncia ou mesmo fuga do ditador Mubarak.
Os egípcios estão fazendo bonito, eu disse também. E estão.
São milhões de pessoas nas ruas tentando romper os grilhões que lhes prendem há séculos...
Conversando há pouco com um amigo, o engenheiro paulistano de origem egípcia, do Cairo, Peter Alouche (foto), arrisca prognósticos após a crise que está deixando os Estados Unidos loucos e o planeta em estado de alerta.
São quatro as possibilidades que Peter aponta:
1ª) Ditadura militar mais ferrenha do que a de Mubarak.
2ª) Regime teocrático islamista, do tipo de que vê no Irã.
3ª) Democracia laico-islâmica, aos moldes da que há na Turquia.
4ª) Invasão de Israel (como a vislumbrada na 1ª possibilidade).
A probabilidade de a 1ª e a 2ª possibilidades ocorrerem, Peter avalia em 40%; e a 3ª, 15%.
Israel está esfregando as mãozinhas santas para controlar a situação.
Suas possibilidades ainda segundo Peter, é de algo em torno de 5%.
A Liga Árabe, de Amr Moussa, que representa 200 milhões de pessoas espalhadas em 22 países da região, poderá assumir o Egito. O grupo ou partido Fraternidade Muçulmana, que existe há mais de 60 anos e a direita ocidental diz que não presta, também poderá assumir o poder. Nesse caso, o nome mais cotado é o do prêmio Nobel de 2005, Mohamed ElBaradei.
Eu, hein!
No nosso Nordeste, a temperatura é mais amena.
E fiquemos de olho no relógio.

PS - Antes de Peter avaliar a situação que o Egito vive no momento, ele disse, em tom de profunda tristeza: "Estou sem dormir direito há dias, pois o meu país está ferido". Fica o registro.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

MARINOS EM FESTA COM A MATRIARCA YARA

Pessoalmente não conheci o violinista Alberto Marino, hoje nome de viaduto no bairro do Brás; mas conheci o filho, Júnior, de quem nos tornamos amigos.
Júnior, de idade, está fechando a casa dos 80, como Paulo Vanzolini.
Conheci também um de seus quatro filhos, Roberto.
Somos amigos.
Aliás, conheci boa parte da família; como dona Yara Azeredo, mãe do Roberto e mulher-companheira pela vida toda de Marino Jr., até hoje.
O “até hoje”, leiam-se: 60 anos.
Dona Yara é da turma de formandos de 1950 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a mais antiga do País (a segunda mais antiga é a de Recife, PE, onde estudou o poeta paraibano, meu conterrâneo, Augusto dos Anjos, autor de um só livro, de poesias: Eu, um clássico do gênero e o mais lido da língua portuguesa).
É o caso: conversa vai, conversa vem, o que se leva desta vida, digo: é o que deixamos, ou seja: a amizade que se tem e que o peito mantém.
Pois bem, a primeira vez que falei com Marino Jr., por telefone, foi ali no redor dos anos 90, por telefone. Um pouco antes, talvez; ainda nos tempos em que eu exercia a função de repórter da Folha de S.Paulo.
Pessoalmente nos conhecemos na década passada, quando fui atendido por Roberto, advogado e uma pessoa incrível.
O velho Marino era o titular do Sexteto Bertorino Alma, anagrama que inventou para se esconder da turba elitista da sua época, que considerava artista popular uma espécie de pária da sociedade.
Vejam só!
Estamos falando dos começos dos 900...
Alberto Marino, entre várias composições instrumentais, nos deixou Rapaziada do Braz (com “z”), homenagem à namorada Ângela Bentivegna, com quem se casaria e viveria por toda a vida.
Marino partiu em 1967.
Rapaziada, uma valsa-choro, foi gravada originalmente pelo Sexteto Bertorino, por volta de 1927, num selo chamado Brasilphone; e logo depois pelo Sexteto Piratininga, via selo Arte-Fone, ambos de curtíssima duração.
Em 1960, o cantor argentino naturalizado brasileiro Carlos Galhardo pediu a Marino Jr. que compusesse uma letra para a melodia do pai, o que foi feito da noite para o dia.
Foi, podemos dizer, a beleza se juntando à beleza. Resultado: a perfeição numa obra popular.
Mas o que é que eu quero dizer com este arrodeio todo?
Primeiro: que Rapaziada do Braz foi o primeiro clássico musical da capital de São Paulo.
Mais: que é um clássico com o nome de um bairro paulistano, o primeiro dentre dezenas, hoje.
E mais: que o autor, de família italiana, nascido no bairro da Liberdade, geraria filhos e netos de grande importância para a vida brasileira; quase todos advogados.
Os Marinos juntaram a Arte ao Direito.
É coisa pra se aplaudir, não é?
E por que mais faço este arrodeio?
Ora, para dizer simplesmente que dona Yara Azeredo Marino, da safra de 26, e cuja história passa pela guerra do Contestado, está aniversariando hoje.
Tim, tim.
Parabéns e meus respeitos e carinho a dona Yara.
Ah! Mas o que tem a ver Paulo Vanzolini com esta história?
Simples: é dele o samba-canção Ronda, lançada por Inezita Barroso em 1953 e logo tornada um clássico do cancioneiro paulistano, não basta?
E viva o Brasil!

Na foto acima, de 1953, o jovem Alberto e a jovem Yara, nas Arcadas de São Francisco.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

JOSÉ RAMOS TINHORÃO, 83. VIVA!

O historiador José Ramos Tinhorão, que neste 7 de fevereiro de sol e calor completa 83 anos de vida, muitos dos quais vividos em meio a polêmicas provocadas por seus escritos originais e necessários à compreensão da formação do Brasil, não cansa de voltar seus olhos de lince e aguda inteligência ao campo minado da cultura musical.
É desse campo que ele extrai dados para o esclarecimento de questões como as que dão conta de que o fado não é português, o samba não é baiano e a modinha e o lundu foram, por exemplo, os primeiros gêneros musicais urbanos saídos daqui e levados a Portugal nos fins do século 18 pelo violeiro carioca Domingos Caldas Barbosa, a respeito de quem, aliás, escreveu e publicou primeiramente em Lisboa um belo e elucidativo livro, em 2004.
São muitas as pesquisas e descobertas que tem feito desde os começos dos anos 50, ainda nos tempos de copidesque aplaudido do Jornal do Brasil.
Não à toa, ele é, sem dúvida, o nosso principal historiador.
E digo mais, embora sem procuração para tal: já passa da hora de o Brasil reconhecer a sua obra, o seu talento e dedicação no campo da investigação histórica, lhe prestando bem-vindas e oportunas homenagens.
Flores em vida.
Pergunto: por que o governo ou uma entidade qualquer, privada ou não, não cria um prêmio de incentivo às pesquisas em torno da música e da cultura popular com o seu nome?
E por que também seus livros não são adotados nas escolas?
Já é hora...
Acho até que Tinhorão merece um monumento em praça pública, por sua intensa e longeva dedicação à historiografia brasileira.
Seu pecado: afirmar lá atrás, nos anos 60, que a bossa nova nunca foi uma criação genuinamente brasileira, mas, sim, a derivação de um tipo de música norte-americana.
Ora, ora, e não é verdade?
E isso já não está mais do que provado?
O próprio Carlos Lyra, do movimento bossa-novista de João Gilberto & Cia., chegou a compor uma música a respeito, Influência do Jazz, que a desconhecida Célia Reis lançou em março de 1962 pela Philips. A letra diz já no início:

Pobre samba meu
Foi se misturando
Se modernizando e se perdeu
E o rebolado, cadê?
Não tem mais
Cadê o tal gingado que mexe com a gente?
Coitado do meu samba mudou de repente
Influência do jazz...

Criticam José Ramos Tinhorão, mas negar o seu valor de historiador, ou mesmo questionar as suas investigações no campo da cultura e descobertas, ninguém faz.
Que tal ler melhor e mais e mais os seus livros e consultar o seu acervo no Instituto Moreira Salles?
Não é coisa pouca: a obra desse santista nascido em 1928 se estende por quase 30 livros publicados desde 1966, aqui e em Portugal.
Viva Tinhorão!

PS - Na foto este escrevinhador em Lisboa, ciceroneado por Tinhorão.
..................
CARNAVAL
Um incêndio de grandes proporções atingiu há poucas horas a chamada Cidade do Samba, na Rua Rivadávia Correa, na Gamboa, zona portuária do Rio de Janeiro. Com isso, é quase certo que o carnaval carioca tenha virado cinzas.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O MUNDO ÁRABE É UMA BOMBA

Sim, o mundo árabe é uma bomba prestes a explodir a qualquer minuto. E o detalhe bonito e curioso é que o povo egípcio protesta para mudar sua vida com sorriso na cara, irônico, brincando de viver livre na Praça Tahrir.
Até o nome da praça tem a ver com graça... Tahrir...
Bonito, sim, o exemplo que o povo oprimido do tirano Mubarak está mostrando para o mundo dito civilizado.
Um exemplo e tanto!
E os Estados Unidos que se cuidem.
Tudo começou em fins do ano passado, precisamente no dia 17 de dezembro, na Tunísia, quando o tunisiano Mohamed Bouazizi vendia frutas e vegetais na rua e foi agredido e preso sem razão por uma policial, que lhe confiscou a barraca igual a tanta e tantas que existem no Brasil, em cidades como São Paulo.
Revoltado e cansado de cabresto, Mohamed ateou fogo ao próprio corpo.
A partir daí, o mundo árabe começou a pegar fogo.
O ditador da Tunísia, Zine Bem Ali, diante de protesto provocado por milhares e milhares de tunisianos, se viu acuado e obrigado a fugir.
A constatação é: um povo unido e decidido pode derrubar cara feia quando decide...
Já passamos por isso.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PLÁGIOS E A ALMA DO POVO, O FOLCLORE

Como Águas de Março, lançada no projeto Disco de Bolso, do Pasquim, em 1972, há muitas e muitas músicas recolhidas do folclore e assumidas integralmente ou com variações por artistas dos mais diversos calibres.
Asa Branca, assinada por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, entra no rol.
Leiam o livro Patativa do Assaré, o Poeta do Povo.
Há coisas interessantes, lá.
Há casos muitos, muitíssimos, de apropriação pura e simples.
Em 1982, por exemplo, o capixaba Roberto Carlos pegou uma bobagem intitulada Loucuras de Amor, de um obscuro Sebastião Braga, e a gravou como se fosse sua, com o título O Careta.
Deu pau e o reclamante ganhou o que quis, na Justiça.
Mas nem tudo vai parar na casa dos homens togados.
Em 1976, o cearense Belchior gostou do que leu no livro Zé Limeira Poeta do Absurdo, de Orlando Tejo e, sem creditar, deu de garra dos últimos dois versos da sextilha do doido (maravilhoso Zé) para compor a canção Sujeito de Sorte. A referida sextilha (forma de encaixar versos de sete a 11 sílabas em estrofes rimando o segundo com o quarto e o sexto) é esta:

“Eu já cantei no Recife
Dentro do Pronto-Socorro
Ganhei duzentos mil réis
Comprei duzentos cachorro
Morri no ano passado
Mas esse ano eu não morro”.

Pior, porém, fez o alagoano Djavan em 1992, que pegou uma dezena de versos seguidos do poeta pernambucano Manuel Bandeira e deles se apropriou totalmente, na maior, incluindo o título: Violeiros, que pode ser conferido no LP Coisa de Acender.
E está lá pra quem quiser ler, abrindo o lado 2 com crédito à letra e à música: Djavan.
Casos assim são diferentes de alguém ler num jornal uma frase, um título, e desenvolve um poema ou compõe uma canção como fez o baiano Caetano Veloso ao se deparar com matéria da extinta revista Manchete tratando dos conflitos de rua em maio do agitado 68: “Il est interdit d´interdire”, que resultou na polêmica canção tropicalista É Proibido Proibir, inscrita no III Festival Internacional da Canção.
Também é diferente Chico Buarque escolher Tom como parceiro para Sabiá.
Sabiá, uma bela canção, foi inspirada no poema Canção do Exílio, do maranhense Gonçalves Dias.
E diga-se: esse é o poema com maior número de poemas nele inspirados até hoje no Brasil.
Sabiá ganhou o 1º lugar do III FIC, na noite de 29 de setembro do ano do bode(1968), no Maracanãzinho, quando alvoraçada a multidão presente ouviu o paraibano Geraldo Vandré dizer, alto e bom som:
- Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito!
Vandré ganhou o 2º lugar, com Caminhando ou Pra Não Dizer que Não Falei de Flores.
É Proibido Proibir ficou no 5º lugar na eliminatória paulista, realizada no Tuca.
Mas plágios, enfim, são feitos no mundo todo.
Normal e aceitável?
Não.
O paulista Maurício Alberto Kaisermann, o Morris Albert, um dia ouviu a canção Pour Toi, do francês Loulou Gasté e gostou.
Daí trocou o título para Feelings e gravou em 74.
O resto se sabe.
Há milhares de gravações e versões em muitas línguas dessa música.
Até The Voice a gravou.
Há casos inversos, ou seja: de brasileiros plagiados no Exterior.
Um dos mais notários é o caso de Jorge Ben, vítima do escocês Rod Stewart.
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira também foram vítimas de gringos do Norte.
O fato aconteceu no começo dos 50, quando os norte-americanos Harold Stevens e Irving Taylor se apropriaram do baião Juazeiro e deram para A Voz da América Peggy Lee gravar, com o título Wandering Swallow.
Teixeira, que era letrado e poliglota, denunciou a safadeza nos Estados Unidos, mas não adiantou: perdeu o processo.
Gonzaga e Teixeira também foram engalobados, num primeiro momento, quando a portuguesinha maravilhosa Carmen Miranda gravou Baião (Ca-room-pa-pa) para a trilha sonora do filme roliudiano Nancy Goes to Rio (Romance Carioca), sem seus nomes no bolachão de 78 rpm (foto).
Mas um processo ajeitou as coisas.
E tem até Bob Dylan, que já disse e repetiu que várias músicas que assina foram garfadas do folclore escocês, como The Times They Are A-Changin, título do seu 3º disco, lançado no ano de 64.
Águas de Março tem raízes no folclore, se sabe.
Asa Branca também.
No livro Dicionário Gonzagueano de A a Z, eu lembro de mais alguns casos do folclore que ganharam paternidade inesperada.
Lembro, por exemplo, do batuque O Canto da Ema, gravado pelo rei do ritmo paraibano Jackson do Pandeiro, mas na origem alagoana um baião muito bonito intitulado Contramestra, que existe desde, pelo menos, 1920.
Enfim, essa é uma história sem fim.
O maestro Villa-Lobos bebia no folclore, mas dizia isso.
Exemplo são suas cirandas, numa delas com parceria pós-morte de Teca Calazans: Caicó.
Há pouco assistindo o filme As Bachianas, o meu nome é Villa-Lobos, ouvi do perfilado Villa:
- Um compositor sério deverá estudar a herança musical do seu país; a geografia, a etnografia, sua e de outras terras; o folclore quer sob o aspecto ideário, quer sob o aspecto político. Só dessa maneira se pode entender a alma de um povo.
Certo!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

É PAU, É PEDRA/É PLÁGIO/É O FIM DO CAMINHO...

Leio no jornal que sítio de Tom Jobim, compositor e músico carioca nascido nos miolos americanos, talentoso que só, e de mil manhas, some na lama em São José do Vale do Rio Preto, área das serras do Rio atingida pela tromba d´água descomunal que engoliu inocentes e pecadores há poucos dias, deixando no rastro destruição e medo medonhos, impossíveis de serem esquecidos, pelo menos, nos próximos cem anos.
Mas o que me chamou a atenção na tragédia não foi isso.
E também não foi o fato de ele, Tom, gostar de passar férias lá no sítio dele e receber, naturalmente, com honras e canas pra bate-papos amigos e informais de bossa nova o esquisito João Gilberto.
Sim, ele mesmo: o das caretinhas engraçadas de Bim, Bom, que não citou Gonzaga mas fez baião; mesmo um "baiãozinho"...
O que me chamou a atenção, na verdade, foi a informação incorreta de que ele, Tom, compôs lá, no sítio dele, pelo menos três músicas: Águas de Março, Dindi e Matita Perê.
Tom até pode ter composto Dindi e Matita Perê lá, no sítio, mas Águas de Março, não.
No máximo, ele, Tom, teve o trabalho apenas de re-arranjar a música que ficaria famosa no mundo e pôr o seu nome no crédito como ilustração.
Explico melhor: essa música é do nosso rico balaio folclórico, adaptada por Inara Simões de Irajá; com arranjo do maestro Antônio Sergi, o Totó, autor do Hino do Palmeiras, lançada originalmente em 1956, no LP 5 Estrelas Apresentam Inara.
Nesse disco, uma das “estrelas” é a norte-americana de Santos, SP, Leny Eversong.
Eversong canta com o purismo dos anjos... Águas do Céu.
Águas do Céu tem a ver com Águas de Março.
Os versos iniciais dizem:
“É chuva de Deus/É chuva abençoada/É água divina/É alma lavada...”.
O ritmo é um pouco mais levado do que a música assinada por Tom.
Só.
Um dos meus poucos amigos mais antigos, seu José, lembra que essa música tem origens num ponto de macumba dos anos de 1930, que diz, e ele cantarola:
- É pau, é pedra/Seixo miúdo/Roda baiana por cima de tudo... Pois é, 1938, Carlos Galhardo:


Vou dar uma remexida no meu acervo e voltarei ao assunto.
Pois, pois.
Lembrando, antes: Villa-Lobos, grande maestro procurou no folclore a riqueza do País.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

LIXO NAS RUAS DO BRASIL E NA SUIÇA

Outro dia, cá neste espaço, encerrei texto dizendo estar na hora de pararmos de jogar lixo na rua.
Agora, lendo o blog do amigo Carlos Brickmann, competente língua de fogo do jornalismo pátrio, fiquei sabendo que o confrade Mauro Chaves, editorialista do Estadão e sanfoneiro nas horas vagas, como me disse um dia na casa do pianista João Carlos Martins, indagou num dos seus escritos a razão de não jogarmos lixo nas ruas da Suíça e os suíços jogarem lixo nas nossas ruas.
Ora, as leis de lá são outras.
Lá nas lonjuras suíças não se pode jogar lixo nas ruas, mas aqui tudo ou quase tudo pode sem que se cumpra o rigor da lei.
Ora a lei!
Questão de educação, não é?
Nas plataformas e interior dos trens do Metrô paulistano não se vê lixo, já logo à saída...
Brickmann cita Chaves para falar dos políticos de São Paulo e do Rio, diante das tragédias provocadas frequentemente pelas chuvas. Ele fala do lixo dos rios Tietê e Pinheiros e lembra que Alckmin governador chegou a elogiar o seu antecessor por retirar cerca um milhão de metros cúbicos de lixo das águas fedorentas dos rios, mesmo deixando lá outros quatro milhões e tralalá que promete retirá-los até o fim do seu mandato.
É esperar pra ver.
Com relação ao Rio, o nosso língua de fogo lembra que a ex-secretária de Serviços Sociais de Lacerda, Sandra Cavalcanti, tentou extinguir casas e casebres das encostas dos morros, mas não conseguiu. Houve até show em protesto e uso de música (Opinião), de Zé Kétti, que diz:

Podem me prender,
Podem me bater,
Podem até deixar-me (sic) sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio, não.
Se não tem àgua,
Eu furo um poço
Se não tem carne,
Eu compro um osso e ponho na sopa
E deixa andar, deixa andar...

E outra (Ave Maria no Morro) que fala da vida da gente que vive pendurada nos barracos, nos barrancos, de Herivelto Martins, que diz:

Barracão de zinco,
Sem telhado,
Sem pintura, lá no morro,
Barracão é bangalô.
Lá não existe
Felicidade de arranha-céu,
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu.
Tem alvorada,
Tem passarada...

A primeira foi feita especialmente para o show Opinião e gravada no LP nº 632.732 A Opinião de Nara, Philips, e depois inserida no LP nº 632.775 Show Opinião, Philips, gravada ao vivo no dia 23 de agosto de 1965; enquanto a segunda, anterior a Opinião, foi gravada originalmente em disco de 78 rpm Odeon, no dia 5 de junho de 1942, pelo Trio de Ouro, à época formado por Nilo Chagas, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.
Pois é, na Suiça a educação e o bom-senso recomendam não jogar lixo nas ruas.

CHICO BUARQUE
Recebo e-mail esculhambando o compositor Chico Buarque de Hollanda. Pois é, aí está: até os nossos grandes artistas são apedrejados irracionalmente, injustificadamente, em carta sem identificação do autor. Opinar sem se identificar é covardia, minha gente. Por que isso, alguém explica?

PS - Na foto, Zé Kétti com o blogueiro num ano que não sei qual.

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