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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

DOMINGUINHOS ESTÁ MELHORANDO...


Fiquei fora do mundo real na última semana.
Nada de telefone, internet, jornal, revista, rádio e TV.
Só livro, livro, livro, dia e noite.
Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Machado de Assis.
Voltei ilustrado de Joanópolis, SP, a terra dos lobisomens.
E o Darlan Ferreira me liga agora, dizendo que o Geraldo Vandré acompanhou entrevista que dei ontem à noite à CBN, sobre o rei do baião Luiz Gonzaga.
Segundo Darlan, Vandré foi logo lhe perguntando:
- Você está gonzagueano?
E caiu na risada.

DOMINGUINHOS
O querido sanfoneiro, compositor e cantor herdeiro artístico do Rei do Baião está com melhoras; pequenas, mas sim. No hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Já respira sem aparelhos, mas ainda está inconsciente. Grave portanto, seu estado de saúde. O Brasil ficará menor sem Dominguinhos.

ANA MARIA
Minha filha Ana está em João Pessoa. Almoça sábado com o querido Miguel dos Santos, um dos maiores artistas plásticos do Brasil, em todos os tempos. Ele nasceu em Caruaru, PE, mas a capital paraibana o adotou, bem nos princípios dos anos de 1960. Estudei com ele na Divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba. Eu caí em mim: virei jornalista, depois de estudar com mestres como João Câmara Filho. Para Miguel, mandei hoje o livro LUA ESTRELA BAIÃO: A HISTÓRIA DE UM REI.

INEZITA BARROSO
Após chegar de Joanópolis, me deparei na portaria do meu prédio com o livro INEZITA BARROSO, COM A ESPADA E A VIOLA NA MÃO (Ed. Imprensa Oficial). Lerei e o comentarei semana que vem.

GONZAGÃO
Também na portaria se achava o livro O “BEABÁ” DO SERTÃO NA VOZ DE GONZAGÃO, assinado por Arlene Holanda e Arievaldo Viana, belamente ilustrado por Suzana Paz. Também comentarei depois.

ÍNDIA
Os advogados indianos estão dando um exemplo incrível e bonito ao mundo: não defender canalhas. O caso é que bandidos impunes estupraram semana passada em Nova Deli uma estudante de 23 anos, que morreu ontem. Lá, na Índia, ocorre um estupro a cada vinte minutos. No Brasil, a cada dez minutos uma mulher sofre algum tipo de violação. Aqui, a Lei Maria da Penha continua enfrentando dificuldade para ser cumprida. Portanto, está na hora; mais do que na hora, de o governo e a sociedade se mobilizarem em defesa 

DE NOVO, DOMINGUINHOS
Clique:

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

DOMINGUINHOS, AINDA INTERNADO

O quadro clínico do artista é estável, mas merece muitos cuidados.
Ainda não há previsão de alta do hospital.
Dominguinhos foi internado às pressas após uma gripe que lhe agravou a sua saúde já debilitada desde 2006, quando médicos diagnosticaram em São Paulo um câncer de pulmão.
Ele também sofre de insuficiência ventricular, arritmia cardíaca e diabetes.
Antes de ser internado às pressas, Dominguinhos – que não viaja de avião – tinha shows marcados em Brasília e Salvador.
No próximo dia 12 de fevereiro ele completará 71 anos de idade.
BRAGUINHA
Hoje faz seis anos que o compositor Braguinha, autor de clássicos da nossa música popular, como
Carinhoso, com Pixinguinha, partiu para a Eternidade. Ele tinha 99 anos de idade quando isso aconteceu.
CARUSO
O que o tenor italiano Enrico Caruso teve em comum com o rei do baião, Luiz Gonzaga?  
Resposta rapidinha: o 2 de agosto.
RÁDIO
A foto que ilustra este texto, na qual se vê Dominguinhos todo feliz, foi feita no dia 2 de julho de 2001num dos estúdios da  rádio Capital, onde eu apresentava o programa São Paulo Capital Nordeste, de grande audiência. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

AINDA LUIZ GONZAGA NO SEU CENTENÁRIO

O cantor Chico Salles telefona para dizer que a festa ontem e anteontem no Rio de Janeiro em homenagem a Luiz Gonzaga no seu centenário de nascimento foi bonita.
Chico diz que abriu pagode para cinco mil pessoas dançar xote, xaxado, arrasta-pé e baião na Praça Tiradentes.
“Foi de arrepiar”.
Depois, na Feira de São Cristóvão, o tarrabufado não foi diferente.
Só um porém o espantou: a chegada inesperada do cantor, compositor e instrumentista Rildo Hora dizendo que estava ali emocionado, tanto que à entrada da feira não resistiu e se abraçou ao busto do Rei do Baião.
Mas Rildo não foi chamado à festa no Rio.
Em São Paulo, Oswaldinho do Acordeon também foi esquecido pelos organizadores dos grandes momentos do centenário gonzagueano, como o que ocorreu em Exu e Recife, reunindo cerca de 700 mil pessoas.
Mas um detalhe merece destaque: dois dias antes de cantar e tocar para multidões a se contar a partir de centenas de milhares de pessoas, o sanfoneiro Chambinho (foto acima) esteve conosco prestigiando o lançamento do livro Lua Estrela Baião, a História de um Rei (Cortez Editora), no Restaurante Andrade, na zona oeste da capital paulista.
O nosso evento, simples, reuniu se tanto 200 pessoas; mas entre elas Roniwalter Jatobá, José Nêumanne, Luís Avelima, Luis Ernesto Kawall - criador do Museu da Imagem e do som -, Moreira de Acopiara e mais e mais, incluindo um grupo de canto, dança e teatro do Colégio Rio Branco formado por Augusto Trainotti, Enrico Verta, Vinicius Munhos, Anna Beatriz Gomes, Caio Ferraz e Eduardo de Paiva Gomes interpretando Luiz Gonzaga.
Viva o Rei do Baião!

TV CULTURA
Hoje tem notícia no Jornal da Cultura sobre uma exposição retrospectiva da vida e obra de Luiz Gonzaga apartir de discos de 78 RPM na Livraria Cortez, extraída do acervo do Instituto Memória Brasil (IMB). Notícia também sobre o livro Lua Estrela Gonzaga, a História de um Rei. É só ligar e conferir.

SBT
Ontem teve notícia sobre o Rei do Baião no Jornal do SBT. Confira, clicando:

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

NO CÉU, LUIZ GONZAGA E SIVUCA

Guardei na memória:
“Estamos lutando muito, mas o quadro se agrava um pouco a cada dia”.
A frase da querida Glorinha Gadelha bateu forte, sobre o estado de saúde de mestre Sivuca, seu companheiro de vida e arte por muitos anos.
O paraibano de Itabaiana Sivuca, de batismo Severino Dias de Oliveira, nos deixou aos 76 anos de idade no dia 14 de dezembro de 2006.
Eu o conheci ali pelos fins dos anos de 1970, em João Pessoa, num período de férias.
Repórter do jornal Folha de S.Paulo, lembro que publiquei no extinto suplemento Folhetim uma das melhores entrevistas que fiz com artistas da música brasileira, ocupando acho que duas páginas.
Ele adorou e passou a acompanhar o que eu escrevia.
Uma noite durante plantão na TV Globo onde também trabalhei já nos fins dos 80, eu recebi um telefonema dele reclamando da programação que estava no ar.
Disse que era uma vergonha o que estava acontecendo com a televisão brasileira.
E meteu bronca.
Antes, na entrevista que eu fizera com ele para a Folha, dissera o mesmo.
E mais: que as emissoras de rádio estavam uma droga, que a música idem etc. e tal.
Eram os tempos da discotéque, do bate-estaca.
Ele falou do mal que aquilo fazia aos ouvidos humanos e na formação das pessoas.
Sivuca era uma pessoa muito sensível, um artista incomparável, crítico, atual, participante. Lutava por um mundo melhor.
Ele amava o Brasil como poucos brasileiros, mesmo tendo permanecido ausente do País por 13 longos anos. Poderia ter ficado por lá mais tempo, mas não aguentou.
“O meu lugar é aqui”, disse quando voltou.
Pouco antes de partir, ele telefonou dizendo que queria me ver.
E aí estivemos juntos num hotel da Alameda Santos, cá em Sampa; eu ele e Glorinha.
Almoçamos, trocamos ideias e dele ganhei seu último CD Sivuca Sinfônico, com a Orquestra Sinfônica do Recife, regida pelo maestro Osaman Giuseppe Gioia.
Ele viera para se apresentar no Programa da Hebe, ao lado de Dominguinhos e Oswaldinho. E me adiantou:
“Vou prestar uma homenagem a Mário Zan, você tem visto o Mário Zan?”
Como previsto, os três se apresentaram no programa da loura, mas a direção, insensível, permitiu que tocassem apenas uma música: Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, seu parceiro no clássico Adeus Maria Fulô, gravado no começo dos anos 70 nos Estados Unidos (ouvir LP Sivuca Live at the Village Gate, nunca relançado no formato CD).
Sivuca foi um artista muito importante para a música brasileira.
A sua ausência nos faz falta.
No livro Dicionário Gonzagueano, de A a Z” há um depoimento dele, que fala da sua amizade e relação com Luiz Gonzaga.
Gonzaga, aliás, junto com Humberto Teixeira, compôs Sivuca no Baião que ele próprio, Sivuca, gravou e lançou em disco de 78 RPM (abaixo) pela extinta Continental, em dezembro de 1951.
No seu último CD Sivuca deixou também registrada a sua homenagem a Gonzaga e Teixeira na Rapsódia Gonzaguiana, que começa com Juazeiro e segue com Pé de Serra, Baião, Assum Preto, Asa Branca e Boiadeiro.
A última faixa do CD é a pérola Concerto Sinfônico Para Asa Branca.
Emocionante, do começo ao fim.
Bom, em termos musicais, essa foi a única homenagem prestada a Sivuca.
As estrelas do céu hoje têm nomes: Antenógenes Silva, Gérson Filho, Pedro Sertanejo, Mário Zan, Luiz Gonzaga, Januário, Abdias...

TORÓ E LIVRO
O temporal que desabou ontem no começo da noite na capital paulista provocou caos mas não impediu de amigos irem brindar e degustar conosco tapioca e escondinhos de carne na Livraria Cortez, como pretexto para o lançamento de um novo livro meu: Lua Estrela Baião, a História de um Rei; que, aliás será notícia daqui a minutos no Jornal do SBT. Quem não foi perdeu a bela fala de Oswaldinho do Acordeon sobre seu reacionamento com Gonzaga e o pequeno concerto que ele nos ofereceu depois. Jorge Melo e Teca não se continham de alegria, o mesmo acontecendo com José Cortez, Marcia Accioly e sua menina Andrea, Ana... Quem sabe a gente faz um repeteco, dessa vez sem chuva.

TV BRASIL
Fiquem ligados: daqui a pouco tem mais especiais sobre o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, no canal Brasil. Pra ficar com mais vontade de quero mais, clique:

http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/materias/centernario-do-gonzagao.html

TV CULTURA
E amanhã TV Cultura canal 2 estarei de novo dizendo umas coisas a respeito de Lua Estrela Baião, a História de um Rei. No programa Jornal da Cultura.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MEMORIAL EM TEMPO DE HOMENAGEM

Leio no jornal que o Universo está parando de fabricar estrelas.
O nosso planeta também, em particular o Brasil.
Aliás, não só isso: grandes estrelas estão se apagando e no lugar não surge mais nenhuma.
Há uma semana a se completar amanhã, por exemplo, desaparecia no Rio de Janeiro, aos 104 anos, a estrela Oscar Niemeyer.
Antes de Oscar, muitas outras foram engolidas pelo buraco negro do tempo.
No próximo dia 13 será feita uma dentre várias homenagens ao arquiteto de Brasília e de outros espaços daqui e de mais longe, no foyer do auditório Simon Bolivar do Memorial da América Latina que ele construiu e fez inaugurar em março de 1989.
A homenagem ganhará a forma de uma publicação sobre a sua vida.
Uma exposição de caricaturas será aberta ao público, segundo o presidente do Memorial João Batista de Andrade, que está distribuindo convite (acima) para que compareçamos ao evento.
Coincidência: esse mesmo dia 13 marca o centenário de nascimento do rei do baião Luiz Gonzaga, sobre quem hoje à noite lanço livro.

VERMEER
Hoje, às 19h30, será aberta no Masp uma exposição de obras do pintoro holandês Johannes Vermeer.
As suas obras são lindas.

CINEMA
O polo cinematográfico de Paulínia não morreu, como se anunciou há meses.
Bom, não é?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

AMANHÃ LANÇAREI LIVRO NOVO, NO ANDRADE

Foi bonita a apresentação de que participei ontem à noite na Sala dos Espelhos do Memorial da América Latina.
O ambiente ficou lotado com um público sensível e receptivo ao repertório do CD em final de produção intitulado O Samba do Rei do Baião.
A amostra de parte do repertório foi interpretada pelo trio Socorro Lira, Papete e Oswaldinho do Acordeon, formado de modo improvisado.
Os três estavam impossíveis e a noite findou em bis e muitos aplausos.

A HISTÓRIA DE UM REI
Logo mais estaremos lançando em noite de autógrafos o livro Lua Estrela Baião, a História de um Rei.
Conosco estará Chambinho, sanfoneiro de categoria que na telona faz o Rei do Baião.
O filme Gonzaga, de Pai Pra Filho é assinado pelo cineasta Breno Silveira.
A festa começará às 21 horas.
Endereço: Rua Artur de Azevedo, 874, Pinheiros.

ESPECIAIS
Emissoras de rádio e TV estão com especiais sobre Luiz Gonzaga, prontos para ir ao ar. O Jornal do SBT, por exemplo, inicia série a partir de quinta-feira 13, dia do centenário de nascimento dele, do Rei. Essa série, da qual participo, foi extraída do SBT Repórter; que, aliás, iria ao ar hoje.
A TV Câmara de Brasília porá no ar, nos dias 13 e 14, um especial do qual também participamos. A rádio Câmara também.
Clique:
http://migre.me/ce9mc

No dia 13, ao lado de Oswaldinho do Acordeon contaremos histórias e autografaremos Lua Estrela etc., na Livraria Cortez, que editou o livro, cuja sinopse é:

Para contar a história do Rei do Baião, o primeiro e único do mundo, dona Mocinha reúne um punhado de netos e bisnetos na sua casa no bairro do Brás, em São Paulo, e a eles lhes conta também um pedaço da história do Nordeste e seu folclore; a flora, as aves e os bichos miúdos e até dinossauros que habitaram a região há muitos e muitos anos.
Foi ali, em Exu, que o Rei nasceu na noite calorenta de 13 de dezembro de 1912.
Aquela noite foi marcada pela visagem intensa de uma estrela riscando o céu do lugar.
O menino-rei nasceu num casebre, com a cara redonda de uma lua cheia.
Dona Mocinha dá conta disso e dos mitos e lendas que permeiam o lugar.
Ela fala de coisas do arco da velha.
Dona Mocinha também é uma personagem e tanto!
Com sabedoria, ela prende a atenção dos netos e bisnetos.
E se ela prende a atenção dos netos e bisnetos, vai prender também a atenção de todos vocês.
A imagem do sertanejo batalhador e forte também aparece nas lembranças de dona Mocinha.
Este Lua Estrela Baião, a História de um Rei é uma lição de vida e brasilidade para leitores de todas as idades, principalmente daqueles que estão inseridos na faixa etária dos nove aos noventa anos.

EXPOSIÇÃO
Do acervo do Instituto Memória Brasil foi extraída uma exposição sobre Luiz Gonzaga, inaugurada ontem na Livraria Cortez (Rua Monte Alegre, 1074, Perdizes; telefone 11.3874.7111). A exposição faz parte da semana (programação acima) dedicada ao estilizador do baião. Entrada franca e recomendada a público de todas as idades.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

BATE-PAPO COM MÚSICA NO MEMORIAL

Domingo 9, às 19 horas, estaremos falando na Sala dos Espelhos do Auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina, sobre a vida e a obra de Luiz Gonzaga.
Na ocasião apresentaremos uma amostra do projeto O Samba do Rei do Baião, gerado e extraído do acervo do Instituto Memória Brasil.
No palco estarão os craques Papete, Oswaldinho do Acordeon e Socorro Lira, cantora de grande talento reconhecido há pouco pelo júri do Prêmio da Música Brasileira.
E ponham aí na agenda: segunda 10, às 10 horas, participaremos da inauguração da Semana Luiz Gonzaga na Livraria Cortez, ali à Rua Monte Alegre, 1074, Perdizes, ao lado da PUC.
Informações pelo telefone 3873.7111.
A Semana Luiz Gonzaga (programação acima, clique sobre a imagem) contará com uma exposição temática ao homenageado, que no dia 13 faria 100 anos de nascimento.
A exposição é constituída por discos e capas de discos de vários formatos, incluindo exemplares raros de LPs de 10 e 12 polegadas, compactos, partituras, fotos, revistas etc.
Uma linha do tempo mostrará a riqueza discográfica em 78 RPM do Rei do Baião, que dizia ser também Rei do Forró, do Xote, do Arrasta-pé, da marchinha junina...
Luiz Gonzaga gravou 625 músicas, fora uma trintena de outras que compôs em diversos gêneros e ritmos e deixou para outros intérpretes gravar, como Cyro Monteiro e Jamelão.
Contaremos isso melhor na Sala dos Espelhos do Memorial.
A entrada é franca, esperamos você.
No dia 11, lançaremos o livro Lua Estrela Baião, a História de um Rei.
Esse evento ocorrerá no mais antigo restaurante da capital paulista especializado na culinária nordestina: o Andrade, que existe há mais de 30 anos.
Chambinho do Acordeon estará conosco, tocando lá a sua sanfona bonita para quem quiser dançar.
No dia do centenário de Gonzaga, estaremos na Livraria Cortez autografando Lua Estrela Baião, a História de um Rei.
Nessa ocasião, quem estará conosco é Oswaldinho do Acordeon contando histórias sobre o coautor de Asa Branca e tocando na sua sanfona mágica.

CORDEL
A Caravana do Cordel está completando quatro anos de existência. A comemoração está ocorrendo hoje e até amanhã na Biblioteca do Memorial da América Latina, com a presença de grandes expoentes do cordelismo, entre os quais Marco Haurélio, Chico Salles, Varneci Nascimento, João Gomes de Sá e Cacá Lopes. Haurélio está produzindo feito doido. Sua mais nova publicação é Florentino e Mariquinha no Tribunal do Destino. Na abertura, ontem, reencontrei o editor Gregório Nicoló, dono da Luzeiro.

NIEMEYER
Logo mais às 17 horas, o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer será sepultado no São João Batista, no bairro do Botafogo, Rio.
A propósito, ontem almocei com a jornalista Marli Moreira, da EBC, com o cantor Chico Salles e com o artista plástico Chico Pereira, o cabra que mais conhece os segredos e mistérios da Paraíba. Na ocasião, fomos agraciados com o livro Paraíba Memorial (Editora Grafset, 2011) e com outra publicação muito especial, também da Grafset: Chico Pereira, Memórias e Anotações, na qual se acha, à pág. 42, a foto e bilhete manuscrito de Niemeyer que reproduzo abaixo (clique sobre a imagem).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

SIM, TCHÊ, O CALOR TÁ DEMAIS!

Cheguei ontem de curta viagem ao Rio Grande do Sul. Sol de lascar. Trinta e tantos, à sombra. Houve hora que temi não aguentar.
Deus do céu, o que está havendo?
A temperatura lá, aqui e alhures está derretendo tudo...
Mas, enfim, lá estive e lá reencontrei o amigo José Antônio Severo, jornalista dos bons e escritor idem de Uruguaiana; mais as meninas Celia e Celma, das Minas de Ari Barroso.
Severo estava em clima de pré-aniversário, às vésperas dos 70.
Eu dez a menos, mas insistindo - e pondo como meta - chegar lá.
A viagem, entre outras coisas, eu aproveitei para degustar os famosos churrascos da terrinha de Um Certo Capitão Rodrigo...
Bons, muito bons de fato são os churrascos de lá.
E com uma cervejinha graus abaixo, então...
Bati pernas.
Fui ao Mercado Central do século 19, onde almocei uma tainha saborosíssima.
Fui também a sebos, como o denominado Livraria Érico Veríssimo, na Jerônimo Coelho, onde achei uns livros que me interessavam muito, entre os quais Som do Sul, a História da Música do Rio Grande do Sul no Século XX, de Henrique Mann (Ed. Tchê, 2002); História do Hino Nacional Brasileiro, de Mariza Lira, editado pela Biblioteca do Exército em 1954 e que há muito eu procurara; uma plaqueta de Noemy Valle Rocha (Conceitos Gerais Sobre Folclore, 1953), um folheto de cordel de 1921 (História do Marujo Vicente) e o romance A Guerra dos Cachorros (L&PM, 1983) do já referido José Antônio Severo e que lerei já, já.
Valeu.
Um dia antes, fui à feirinha de bugigangas do Parque da Redenção.
Como tem parques o Rio Grande, tchê!
Que belo Estado!
Na feirinha também achei umas coisinhas interessantes, como o disco de dez polegadas Gaúcho, de 1953, em cuja contracapa - não assinada - é possível ler:
“Há alguns anos o público cosmopolita vem dando um destaque todo especial à música regional do Nordeste. Veio o baião lá do Ceará, pelas composições de Lauro Maia...”.
Mas não, não é bem isso.
O baião veio de Pernambuco, através do exuense Luiz Gonzaga e do cearense Humberto Teixeira, lançado nacionalmente no dia 22 de maio de 1946 no Rio de Janeiro pelo grupo Quatro Ases e um Coringa, cujos integrantes - aí, sim! - eram estudantes de Direito do Ceará e intérpretes, não compositores.
Enfim, foi legal a esticada até os Pampas.
Estivemos, eu e a minha companheira Andrea, visitando o Memorial Mário Quintana, que ocupa o antigo e charmoso Hotel Magestic, onde se hospedavam figurões estrangeirtos e nacionais, como Getúlio Vargas e Chico Alves, chamado de rei da voz.
Também estive no Chalé da Praça XV onde, dizem, frequentava Lupicíno Rodrigues; e nas bordas do Guaiba estivemos, também.
Porém uma das razões da viagem era entrevistar o estudioso da cultura popular Paixão Cortes, mas Paixão Cortes não estava em disponibilidade, pois meio adoentado e recém saído de alta hospitalar.
Em compensação, conheci o diretor de cinema Tabajara Ruas (aí no clique da Célia), no momento à frente da produção do épico Os Senhores da Guerra, filme baseado em livro homônimo de Severo com previsão de lançamento no segundo semestre do ano que vem.
Tabajara, na sua tranquilidade franciscana, é plural até no sobrenome.
Uma figura e tanto! Inteligentíssima é o que ele é.

EMA KLABIN
Depois de amanhã 6 estarei dizendo coisas em torno de Luiz Gonzaga e cultura popular, na Fundação Ema Klabin.

MEMORIAL
Às 19 horas do dia 9, domingo, estarei junto com Oswaldinho do Acordeon, Papete e Socorro Lira no Memorial da América Latina; mais precisamente as Sala dos Espelhos, falando a respeito do projeto O Samba do Rei do Baião, que está virando disco pra lá de bom.

MÁRIO LAGO
Antes, às 15 horas de domingo 9, estarei dizendo umas palavras sobre o grande ser humano que foi o carioca Mário Lago, que tive o prazer de entrevistar mais de uma vez no meu programa de rádio na Capital e no programa Roda Viva da TV Cultura, por ocxasião dos seus 90 anos. Será durante evento promovido pelo agitador cultural sampaulista Edson Lima. Lago dizia que não era saudosista, que não ficava lamentando. Dizia mais: que seu tempo era o de hoje, e que não ficava na calçada vendo o desfile passar. "Eu vou junto", arrematava.
Grande Mário!
Luiz Gonzaga gravou duas músicas de Mário Lago: Devolve e Não Quero Saber, valsas, em 1946.

CHICO SALLES
Hoje, nas primeiras da tarde, o forrozeiro paraibano Chico Salles está chegando a Sampa.

SEMANA LUIZ GONZAGA/CORTEZ
Clique sobre a imagem:

sábado, 1 de dezembro de 2012

O SAMBA DO REI DO BAIÃO

Há pouco, pela 5ª vez, esteve conosco a cantora galega Maria Uxía Dominguez Senile, se apresentando na Sala Guiomar Novaes da Funarte e no Instituto Cervantes. Nos dois espaços culturais da cidade, ela emocionou com sua voz de identidade firme e forte.
Uxía, que produz projetos coletivos como o Festival Internacional da Lusofonia Cantos na Maré, também é compositora e no seu repertório costuma incluir músicas que adapta do folclore da sua região, a Galiza, na Espanha.
Na penúltima vez que esteve no Brasil, ela gravou o CD Meu Canto, com a participação de músicos brasileiros, como Socorro Lira.
Dessa vez, convidada pela mesma Socorro, Uxía participa do CD O Samba do Rei do Baião, interpretando a mazurca Dança Mariquinha, de Luiz Gonzaga e Miguel Lima, lançada originalmente em disco de 78 RPM no ano de 1945.
Essa música, aliás, foi a primeira em que o Rei do Baião aparece cantando.

MEMORIAL
No próximo dia 9, às 19 horas, estaremos eu, Socorro Lira e Papete apresentando no Memorial da América Latia o espetáculo O Samba do Rei do Baião, título do CD que está ora em produção.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

RICARDO ANÍSIO (2)

Limeira e Pinto do Monteiro eram verdadeiros mestres ensinando a todos ao compor, ao cantar e ao tocar na hora H, sempre de improviso.
Os poetas clássicos e populares, incluindo esses e outros repentistas, seguem à risca a rima, a métrica e a oração nos versos acomodados em estrofes bem feitas, de tamanhos e modos diversos.
Para eles – esses mestres –, sextilhas são sextilhas e decassílabos são decassílabos.
E pronto!
Isto é: os versos têm casa certa para morar.
A casa dos versos são as modalidades.
Porém na safra dos mais novos, como Bráulio Tavares e Jessier Quirino, há os que seguem a tradição e outros, não; como Astier Basílio e Ricardo Anísio.
São provocadores esses poetas, são eles arredios à tradição.
A poética de Anísio ainda está em fase de gestação, mesmo assim ele já demonstra com intensidade uma qualidade muito acima do comum.
É autêntico.
Ricardo Anísio dá a parecer que é arredio à rima e à métrica, enquanto se impõe com força na oração.
Nos tercetos, ele se mostra tão ousado quanto Ronaldo Cunha Lima (1936-2012).
Talvez melhor.
Um bom exemplo disso pode ser extraído de Enseada, contido no seu novo livro:

Não vejo mais meus amores
Não vejo mais meus penhores
Perdi a rota e não posso sonhar...

Estes são versos completos, perfeitos, que demonstram dor e impotência do poeta diante de realidades, quase aos moldes de mestre Augusto, rendido: “Não posso sonhar”.
E ele segue triste, decepcionado pela realidade em torno:

Dentro de mim o soçobro
Fora de mim o salobro
A morte já foi secreta...

Na busca pela identidade, o poeta se pergunta nos versos de três pés Eu:

De quem sou eu
De que sou feito
Que me exaspero

De quem sou eu
De que sou feito
Que me dilacero

A poética de Ricardo Anísio é pessoal, é bonita e tem valor, ele diz no seu Enigma:

Levei a ela um louva-deus
E meus sonhos cerzidos
Ela atirou ao mar...

Anísio é um poeta diferente, mesmo parecendo com Augusto e a angústia de Augusto:

A vida é um fardo ao mar
Um barco que não tem ré
Vou me afogando nela
Braço a braço
Talvez assim vire sargaço.

Mas Anísio é um poeta, verdadeiro, e por ser verdadeiro é tão necessário lê-lo, já.
Viva Ricardo Anísio!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

RICARDO ANÍSIO (1)

A poética clássica paraibana se acha nos escritos imortais de nomes que vão de Antônio Joaquim Pereira da Silva (1876-1944) e Raul Campelo Machado da Silva (1891-1954) a Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) e Miguel Jansen Filho, esse nascido nas quenturas do município de Monteiro em 1925 e desaparecido numa cidade do interior de São Paulo, em 1994.
Como Antônio Joaquim, de Araruna, e Raul Campelo, de Monteiro, Jansen Filho ainda está para ser descoberto por leitores e críticos, como já o foi Augusto dos Anjos.
A poética de Jansen Filho tem a força de um vulcão.
E clássica ou não, diga-se: a poética paraibana também passa por nomes mais recentes, como Geraldo Vandré e Zé Ramalho – estrelas de grande brilho do universo musical.
O detalhe da poética desenvolvida por esses dois autores é que neles se acha um quê musical que de modo especial os enriquece, e também a seus admiradores.
Na obra de Vandré há a presença de algo quase invisível dos cantadores repentistas de antanho, quase DNA, mas há; o exato contrário do que se vê na obra de Ramalho, isto é: a presença repentista, forte e intencional dos martelos, por exemplo.
E o que dizer dos poetas de bancada de ouro Silvino Pirauá de Lima (1848-1913) e Leandro Gomes de Barros (1865-1918), gênios pioneiros no campo da poética classificada como literatura de cordel?
Esses poetas são incríveis, como incríveis são os violeiros improvisadores do naipe de um Zé Limeira (1886-1954) ou de um Severino Lourenço da Silva, chamado de Pinto de Monteiro (1895-1998), O Cascavel do Repente.
Só a presença de um ou de outro desses artistas – ases da improvisação mais antiga e moderna – numa cantoria de viola valia por tudo, tamanha a categoria como se apresentavam nos pés de parede em duelos linguísticos de vida e morte.
Eram tão grandes, mas tão grandes, que na falta de palavras eles as inventavam num piscar d´olhos; como, aliás, fazia o estudioso das coisas e hábitos do sertão, o mineiro João Guimarães Rosa (1908-67).

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ESPAÇO CULTURAL ZÉ RAMALHO

Do amigo juiz de Direito da Comarca de João Pessoa, Onaldo Queiroga, recebo esta crônica que compartilho com vocês:
Fazer cultura no Brasil é algo muito difícil. O fato é que a cultura sempre encontra no seu caminho portas fechadas. Raros são os momentos em que ela encontra uma mão estendida com o intuito de abrir espaço para o seu fortalecimento. É importante dizer que a mídia, por exemplo, dedica seu espaço, concedido pelo poder público, no mais das vezes para atender às conveniências de um lixo sonoro que transita pelas ondas dos rádios, na telinha dos canais de TV ou mesmo nas páginas dos jornais impressos. E a verdadeira cultura? Só lhe resta a maratona da eterna luta, da perseverança, de acreditar que o modismo sempre passa e que o que é verdadeiro continuará com a luz acesa. Existem alguns poucos abnegados que persistem nessa luta em nome da verdadeira cultura, mesmo contra tudo e todos. Em Brejo do Cruz, por exemplo, há um espaço dedicado ao cantor Zé Ramalho. Como sabemos, foi naquela cidade que esse ícone paraibano nasceu, e, por isso, um abnegado de nome Aurílio Santos, há muitos anos, criou esse espaço, uma espécie de memorial destinado ao filho maior da Pedra Ondulada, aberto diariamente para visitação do público. Esse espaço vem sendo mantido sem ajuda de quem quer que seja, sem apoio de órgãos públicos municipais, estaduais e/ou federais.
A nossa preocupação no momento é o fato de que Aurílio anuncia que, por falta de verbas, o Acervo Zé Ramalho não terá como se manter, e, caso não receba auxílio, fechará as portas a partir de janeiro de 2013. Esse acervo é patrimônio não só paraibano, mas nacional. Para sobreviver, Aurílio promove a venda de produtos reproduzidos do próprio artista. Com o iminente fechamento do acervo, não sabemos o destino que será dado ao patrimônio ali existente.
Um artista da estirpe de Zé Ramalho merece todas as honras dos paraibanos, principalmente das autoridades constituídas, que têm obrigação de criar novos espaços, sejam museus ou memoriais para visitação diuturna, ações que devem ir além do Acervo de Zé Ramalho, para contemplar, também, todos os filhos ilustres que muito já fizeram por nossa Paraíba.
É uma pena a ausência de consciência, compromisso e maturidade cultural não só das autoridades, como também da própria sociedade, isto no sentido de resguardar a sua própria história. A Europa, sabidamente, vive da sua história. São incontáveis os turistas que vão ao velho mundo para visitação dos museus e monumentos seculares e até milenares. Em Buenos Aires existem vários espaços em homenagem a Carlos Gardel, visitados por inúmeros turistas. Alagoa Grande, hoje, tem o Museu de Jackson do Pandeiro. Mantenhamo-nos unidos e diligentes em prol da a permanência do Acervo Zé Ramalho. Ele e a Paraíba merecem esse espaço!
Agora que leu, clique:

http://youtu.be/sbzeATyAuL4

terça-feira, 27 de novembro de 2012

JOÃO CLÁUDIO E SINFÔNICA DE TERESINA

A atual ministra da Cultura, a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, andou pelo Grande ABC visitando os antigos estúdios da Vera Cruz.
Ela promete revitalizar os estúdios.
Isso é bom.
A sua visita deveu-se a inauguração do centro Audiovisual do município, que visa a formação de profissionais na área do cinema.
O investimento inicial feito pelo Ministério é da ordem de R$ 5 milhões.

KLABIN
No próximo dia 6 estarei proferindo palestra na Fundação Cultural Ema Klabin, como parte da programação da série Aula de Mestres. A Fundação está localizada à Rua Portugal, 43, Jardim Europa. Tema: Luiz Gonzaga, o Divisor de Águas da Música Brasileira. Mais informações pelo telefone 3062.5245.

MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA/Ensaio
A cantora Socorro Lira, Oswaldinho do Acordeon, o multipercussionista Papete e eu estaremos apresentando o espetáculo O SAMBA DO REI DO BAIÃO no Memorial da América Latina, no próximo dia 9, às 20 horas.
Agendem-se, porque a coisa é bonita.
E atenção: se você não assistiu anteontem ao programa Ensaio, da TV Cultura, tem hoje na virada da meia-noite a oportunidade de assisti-lo. A artista convidada é Socorro Lira (aí na foto, acarinhada pelo amigo e criador do programa, Fernando Faro). Não perca, à 1h15.

CANTATA GONZAGUIANA
E se você estiver em Brasília ou redondezas no próximo dia 3, vá ao Congresso Nacional aplaudir a Cantata Gonzaguiana, com a Orquestra Sinfônica de Teresina & João Cláudio Moreno.
Nota mil.
Clique: http://www.youtube.com/watch?v=3oLQj7ms40g

TCC
Do estudante Rafael Carneiro da Cunha eu acabo de receber o email que diz:
- Estou passando aqui para avisar que a minha banca de TCC será hoje, äs 20h15, lá na PUC.
Como comentei com você, eu fiz um livro com histórias de nordestinos que vieram para São Paulo em busca de uma vida melhor e retornaram para a sua terra natal. Alguns dos personagens ainda estão por aqui e sonham, se planejam para essa volta. Os motivos? São os mais diversos. Alguns querem voltar/voltaram porque a economia nordestina está crescendo significativamente. Outros não aguentam mais viver aqui, não se sentem parte de São Paulo ou não tiveram sucesso na cidade. A busca por boas histórias não me impôs limites e até para o Piauí de ônibus eu fui.
Ssucesso Rafael, na sua empreitada. Estou torcendo por você.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

HERNÂNI DONATO É HOJE ESTRELA NO CÉU

Só agora lendo os torpedos do bom, querido e atento Luís Avelima é que me dei conta de que o Brasil perdeu um de seus mais brilhantes filhos: o escritor Hernâni Donato.
Hernani, uma pessoa sempre de bem com a vida, teve uma relação muito boa com o número 2.
Ele nasceu em Botucatu, SP, no dia 12 de dezembro de 1922 e morreu na capital paulista no dia 22 deste mês e ano de 2012.
Esse número é um número interessante, por representar carinho, respeito, amor e compreensão.
O matemático Malba Tahan, de batismo Júlio Cesar de Melo e Souza, carioca de 1895, já dizia isso.
Eu gostava muito de Hernâni.
São de sua autoria os indispensáveis livros Dicionário das Batalhas Brasileiras e A Revolução de 1932, clássicos que nos ajudam a entender o Brasil e, particularmente, São Paulo.
Junto com Mário Albanese, Ives Gandra, que acaba de prefaciar o livro Antologia dos Pensionistas; e Paulo Vanzolini, entre outros, uma vez por mês ocupávamos espaço na Pensão Jundiaí, criada por Mariazinha Congilio, uma poeta paulista de Planalto, muito querida por todos nós.
Hernâni foi contista, romancista, ensaísta, biógrafo e historiador.
E como ser humano, incrível!
Num livro de minha autoria, publicado em 1996, à guisa de apresentação ele escreveu:
“Às vezes, a obra aprisiona o criador. E o conduz, molda. Aconteceu assim a Assis Ângelo em relação a seu texto a Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo. A crônica dirá tratar-se de um dos mais persistentes, argutos, conscienciosos pesquisadores debruçados sobre a multifacetada estrutura da sociedade paulistana. É de justiça incluí-lo no rol dos que, a seu modo, amaram e serviram a cidade nem sempre fácil de entender, conquistar, manter no achego dos grandes afetos {...} Neste trabalho de fôlego e pertinência, Assis Ângelo estuda o cordel, o repente (introduzindo o leitor na antiguidade, nos requintes, na beleza, nas dificuldades do gênero)...”.
Ele finda o texto extraindo de uma sextilha uma quadra a mim me dirigida pelo grande poeta repentista Otacílio Batista, esta:

Nosso companheiro Assis
Que é poeta de raça
Gosta muito de São Paulo
E sem São Paulo não passa...

Além do mais, Hernâni Donato era um ser generoso.

PALESTRA
Ontem Roniwalter Jatobá, Chambinho do Acordeon e eu, sob a experiente batuta da jornalista Mirian Paglia (aí, no clique da produtora cultural Andrea Lago), fizemos palestra de encerramento do projeto literário independente Primavera dos Livros na Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude. Roni, que é autor do livro O Jovem Luiz Gonzaga (Nova Alexadnria), agora na 2ª edição, falou com categoria da infância de Gonzaga em Exu e a sua chegada ao Rio de Janeiro. Eu falei da obra e um pouco do homem e Chambinho, naturalmente, discorreu sobre a experiência de levar o personagem para a telena (Gonzaga, de Pai Pra Filho, atualmente em cartaz nas boas salas do ramo).
Depois da troca de ideias na mesa, Chambinho deu show num dos espaços da biblioteca.
Arrasou.
O evento é promovido pela Liga Brasileira de Editoras (Libre).
Além de primavera, o ano tem outras estações: inverno, outono e verão.
Sugestão: por que não um evento chamado LEITURAS DE VERÃO, hein?

DE PAI PRA FILHO
Hoje faz um mês que o filme Gonzaga, de Pai Pra Filho, de Breno Silveira, entrou em cartaz nos cinemas do Brasil. Até agora, cerca de 1,3 milhão de pessoas já o assistiram. Muita gente tem saído chorando, caso do criador da Cortez Editora, José Cortez.

CASA DO REPENTISTA
O amigo Chico Repentista convida amigos para uma tertúlia na Casa do Cantador em Ceilância, no Distrito Federal, na próxima sexta, 30, às 20 horas. A Casa foi criada em 1986 e ergueu-se com projeto de mestre Oscar Niemeyer.

domingo, 25 de novembro de 2012

LUIZ GONZAGA EM QUADRINHOS

Daqui a pouco, às 16 horas, eu e Roniwalter Jatobá estaremos participando da última mesa redonda do projeto Primavera do Livro 2012, que será mediada pela jornalista Mirian Paglia no auditório da Biblioteca de São Paulo.
Essa biblioteca ocupa espaço privilegiado no Parque da Juventude, ali na Avenida Cruzeiro do Sul, 2630, perto da estação Tietê do metrô.
No local, durante anos, existiu a Casa de Detenção.
O tema da mesa é o pernambucano de Exu rei do baião Luiz Gonzaga, que desapareceu no dia 2 de agosto de 1989, em Recife, e este ano, em dezembro, completaria 100 anos de nascimento.
Na ocasião a editora Cumaru lançará Luiz Gonzaga, o Rei do Baião (reprodução da capa, acima), de minha autoria, com quadrinhos do cearense Klévisson Viana.
A publicação é direcionada às crianças de todo canto, mas – é claro – vale ser lida também por todos os adultos de todos cantos.
O sanfoneiro Chambinho, que vive no cinema o autor de Vira e Mexe e Asa Branca, fecharará o evento com chave de ouro, ou seja: cantando e tocando para todo mundo dançar.
A entrada é gratuita, assim como ao que dirá a mesa; mas é recomendável chegar ali pelas 15 horas.
Roniwalter é romancista dos mais aplaudidos, no Brasil e no Exterior.
A sua presença na mesa se deve ao fato de ele ter escrito um dos mais belos livros sobre o grande artista pernambucano: O Jovem Luiz Gonzaga, lançado pela editora Nova Alexandria, de São Paulo, em 2009.

FLORIPA
Anteontem estive proferindo palestra sobre Gonzaga no auditório da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (registro abaixo, no clique de Andrea Lago). Foi legal. Depois passeei um pouco pelo centro velho de Florianópolis, tendo como cicerone Marco Zanfra, jornalista das antigas, dos bons, e autor do livro As Covas Gêmeas, lançado ano passado pela Editora Brasiliense e já na agulha para ganhar a telona. O dia lá em Floripa terminou no Arante Bar e Restaurante, plantado no Morro das Pedras e com vistas para o mar. Fantástico!
E por falar em Fantástico, clique:
http://www.youtube.com/watch?v=2K6kxGykzGU

E clique também:

SOCORRO LIRA
Logo mais às 23 horas a cantora Socorro Lira estará dando o ar da sua graça na telinha da TV Cultura, mais precisamente no programa Ensaio, do craque bom de fala e registro Fernando Faro.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

BOSSA NOVA, 50 ANOS

Há exatos 50 anos e numa quarta-feira como esta, só que às 20h30, a mais famosa casa de shows nova-iorquina, Carnegie Hall, abria as suas portas para um grupo de artistas brasileiros apresentar o ritmo bossa nova surgido quatro anos antes, na zona sul do Rio de Janeiro.
Nas suas origens, a batida de João Gilberto que deu forma à bossa nova traz óbvios e ululantes fragmentos rítmicos do jazz, que é a boa música negra dos norte-americanos.
Após a apresentação dos brasileiros lá na Hall - pífia, segundo registro de jornais da época - a bossa começou aos poucos a ganhar repercussão na terra do Tio Sam, mas não tardou a virar praga aqui e alhures.
Vítima disso tombou momentaneamente o Rei do Baião, que chegou até a ensaiar a sua retirada do campo da nossa música. "Ninguém me quer mais", ele resmungou aos ouvidos de Dominguinhos, seu mais autêntico sucessor. Mas recompôs-se ao surgir o boato de que os beatles iam gravar Asa Branca.
The Beatles não gravou Asa Branca, mas o boato levado às páginas dos jornais e revistas da época revigorou Luiz Gonzaga.
Todas as células musicais do baião são de origem brasileira.
Por conta do sucesso da bossa no Exterior - mas não do show no Carnegie Hall, como indica matéria do jornal O Globo, acima - muitos artistas seguiram a pancada quase inaudível do papa João.
Até o conjunto de samba mais antigo do País, o Demônios da Garoa, entrou na onda (abaixo, reprodução da capa de um LP lançado na Argentina).
Aliás, na noite de 21 de novembro de 1962 um grupo de argentinos também participou da festa, regada a café.
A festa no Carnegie Hall foi patrocinada todinha pelo governo brasileiro, que queria que os norte-americanos se não trocassem pelo menos incluissem nos seus hábitos o gosto pelo café.
A trilha da bosa é The Girl From Ipanema, de Gimble-Jobim-Moraes.
Curiosidade: no dia 23 de janeiro de 1961, o norte-americano criador do be bop junto com Charlie Parker, Dizzy Gillespie, apresentou no Monterey Jazz Festival, na Califórnia, Estados Unidos, o maracatu em ritmo de bossa Pau de Arara, de Luiz Gonzaga e Guio de Moraes. Essa gravação saiu em 1962 no LP Dizzy on The French Riviera, na penúltima faixa do lado B (o lado A trazia Desafinado). Detalhe: desse mesmo festival, e naquele ano, participaram Louis Armstrong e Duke Ellington, entre outros artistas de peso.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O SAMBA DO REI DO BAIÃO (II)

Aguardem O Samba do Rei do Baião.
Disco, espetáculo etc. e tal.
Foto aí ao lado, de Andrea Lago no tal assim chamado clic panorâmico é registro.
....................
Depois de amanhã estarei falando prum monte de estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, como sempre faço para escolas e estudantes sobre cultura popular e Luiz Gonzaga.
Que Deus nos salve.
................
Mestres Oswaldinho do Acordeon, Jorge Ribbas e Papete estão participando e dando tudo de si e do melhor que aprenderam na vida.
São geniais.
Feijão é alimento simples que faz bem e alimenta.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O SAMBA DO REI DO BAIÃO

Decerto nunca houve, não há e nem haverá dois Luizes do tamanho do Rei do Baião, aqui ou fora daqui. Sim, eu me refiro aquele nascido no pé da serra de Exu, PE, no dia 13 de dezembro de 1912 e batizado no dia 5 de janeiro de 1913, definitivamente o maior sanfoneiro que o Brasil já deu em todos os tempos.
Como cidadão, ele também era exemplar.
Eu o conheci bem.
Luiz Gonzaga nos deixou como herança um repertório enorme.
Refazendo as contas, lá vai: o número de músicas que ele nos legou chega a 676, incluindo as que ele compôs sozinho e com parceiros ou simplesmente de outros autores, gravadas nos mais diferentes ritmos e gêneros; desde sambas, marchas carnavalescas e até fado.
Nessa conta incluo as que ele compôs com o pai Januário e com nomes de peso à época como o jornalista David Nasser, gravadas por Isaurinha Garcia, Jamelão e Augusto Calheiros, entre outros.
Parte da sua obra desconhecida integra o projeto O Samba do Rei do Baião, de iniciativa do Instituto Memória Brasil e ora em andamento.
O primeiro ensaio (no registro acima) foi feito ontem com Oswaldinho do Acordeon, Papete, Jorge Ribbas, maestro-arranjador responsável pela transcrição em pauta; e Socorro Lira (de costas, na foto).
O júri do Prêmio da Música Brasileira reconheceu este ano Socorro Lira como a melhor cantora do País, na categoria regional.
É ela quem dá voz à obra gonzagueana garimpada por mim no acervo do Instituto.
Socorro dividirá faixas no disco O Samba do Rei do Baião com Papete, Osvaldinho da Cuíca e outros grandes artistas, incluindo a portuguesa Suzana Travassos e a galega Uxía, com quem, aliás, ela fará espetáculo na noite de 21 próximo na Funarte, na Sala Guiomar Novaes.

LUIZ GONZAGA
Acesse clicando:
jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular04.pdf

BOA COMPANHIA
O instrumentista Fábio Peron lança daqui a pouco o CD EM BOA COMPANHIA, todo com músicas de sua autoria e a participação de cobras, só cobras, como Zeli Silva (contrabaixo), Fernando Amaro (bateria), Tiago Saul (violão seis cordas) e o paizão Ítalo, no violão sete cordas. Ao lançamento seguirá um show no Teatro da Vila, que fica ali na Rua Jericó, 256, esquina com a Rodésia, no bairro de Vila Madalena.

BELCHIOR
Pois é, o cantor cearense Belchior agora está sendo procurado pela Polícia do Uruguai; mas ele não será preso ou condenado, pois lá dever dinheiro não é crime. Pelos cálculos de quem entende do riscado, o artista deve uns 200 mil reais. A pergunta que todo mundo faz é: por que Bel abandonou tudo para seguir o resto de seus dias à margem da vida?

domingo, 18 de novembro de 2012

ONDA DE CRIMES

Nós brasileiros de grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, vivemos num clima de pé de guerra provocado por bandidos.
Em São Paulo tudo começou em julho, quando a Polícia matou seis integrantes do PCC, o tal Primeiro Comando da Capital, que lá atrás as autoridades ditas constituídas diziam que não existia e que era coisa de jornalista sem ter o que fazer.
Os fatos comprovaram o contrário.
A partir de agosto último, o crime organizado e atuante de dentro e de fora das grades mostrou a sua cara feia, matando até aqui mais de 90 policiais e uma quantidade absurda de inocentes.
No Rio, a Polícia subiu os morros e começou a desalojar criminosos.
A onda agora chega a Florianópolis e outras cidades do Sul.
Enquanto isso, as autoridades de São Paulo e Florianópolis dizem que a situação está controlada, que não há o que temer etc.
Tudo está sobcontrole dos criminosos, é claro.

PALESTRA
No próximo dia 23 estarei palestrando na Universidade Federal de Santa Catarina. Tomara, pois, que o crime não tenha chegada à universidade.

sábado, 17 de novembro de 2012

GERMANO MATHIAS LANÇA DISCO NOVO

O paulistano Germano Mathias, que insiste em não perder a voz nem envelhecer (está com 78 anos), lança hoje à noite, na unidade Sesc Belenzinho, mais um belo disco: Raiz e Tradição, com a sua marca de total qualidade.
Germano começou a gravar discos em 1956, quando entrou nos estúdios da Polydor e gravou o 78 RPM 1137 (reprodução do selo, acima), que trazia no lado A o samba Minha Pretinha, de Jair Gonçalves e Edison Borges, e do lado B, de sua autoria e Doca, de nascimento Firmo Jordão, Minha Nega na Janela, também um samba que provocou sucesso e um certo furor por causa da letra considerada racista que a certa altura dizia:

Diz que tá tirando linha/
Eta nega, tu é feia que parece macaquinha...

O novo disco de Germano também tem uma faixa que pode não ser considerada politicamente correta.
É Sapato de Maria, de Vitor Dagô.
Diz a letra que num dia de carnaval foi achado na avenida um sapato de uma certa Maria, que sambou nua etc. O companheiro da sambista não gosta do que lhe contam e jura:

Na quarta-feira de cinzas ela vai ver/
Quando voltar para o nosso barracão/
O pau vai comer.

O novo CD de Germano Mathias, que traz belas composições de Jorge Costa/Venâncio, Haroldo Lobo/Milton de Oliveira, Allcyr Pires Vermelho; Pedro Caetano e Nelson Cavaquinho/Cesar Brasil, entre outros, sai com o selo da Gênesis Music.
Atenção para as faixas que trazem Lua Nova (Caio Silveira Ramos) e Sapato de Maria, já referida.

SERGIO RICARDO?
clique:

http://www.youtube.com/watch?v=S6qQQlZsbpk

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

VIVA A ARTE E OS ARTISTAS DO NORDESTE!

O Nordeste é dividido em quatro sub-regiões e ocupa 1.558,196 km2, ou 18,2% dos 8.511.965 km2 do território nacional.
Lá se acha o Polígono das Secas, que é formado pelo Semi-árido, Agreste e Sertão.
Lá também caberiam mais de um Peru, dois Chiles, quase três Franças, quatro Alemanhas, cinco Filipinas, onze Hungrias, quatorze Cubas, dezesseis Portugais, vinte Dinamarcas, mais de trinta Holandas, mais de quarenta Itálias...
Os Estados que o formam, são Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, onde vivem 52.191.238 habitantes, de acordo com dados do IBGE colhidos em 2007.
Além de sua enormidão territorial e populacional, o Nordeste é historicamente grande celeiro de poetas de altíssima qualidade, a exemplo dos nomes aqui reunidos.
Apesar disso, não são muitos os que perduram na memória coletiva, como Augusto dos Anjos, Gonçalves Dias, Castro Alves, Jorge de Lima, Ascenço Ferreira, Carlos Pena Filho e João Cabral de Melo Neto; Zé da Luz, Zé Limeira e Patativa do Assaré.
Digo isto à guisa da seleta que fiz em disco (Poetas Nordestinos dos Séculos XIX e XX) para mostrar a grandeza de poetas nordestinos do passado, como Manoel Moreira, Guimarães Passos, Cristóvão Barreto, Rodolfo Teófilo, Paula Nei, Álvaro Martins, José Carvalho, Raimundo Correia, Joaquim Serra, A. J. Pereira da Silva, Raul Machado, Honório Monteiro, Domingos Magarinos de Sousa Leão, Jonas da Silva, Da Costa e Silva, Auta de Sousa, Ferreira Itajubá e Hermes Fontes, cujas obras, graças a Deus, se acham em domínio público.
Não foi difícil encontrar esses nomes.
Difícil foi localizar as obras deles, espalhadas e nunca reeditadas.
E aí resolvemos interpretá-las para mostrar um pouco a beleza da arte da declamação, praticamente em extinção nos dias de hoje.
Um dos pioneiros dessa forma de expressão foi o pernambucano Luiz Vieira, que em 1953 gravou e lançou pelo selo Todamérica o belíssimo poema, de sua autoria, Se Eu Pudesse Falar, no qual denuncia os problemas centenários decorrentes da seca no Nordeste, que nenhum político ou grupo de políticos (partidos, leiam-se) resolveu acabar até hoje.
O radialista Paulo Gracindo também gostava de declamar.
Muita gente gostava de declamar.
Geraldo Vandré declama hoje como ninguém.
Nos primeiros anos de 1950, o produtor Irineu Garcia criou o selo Festa e fez Cecília Meireles, Carlos Drummond, Cassiano Ricardo, Manuel Bandeira, Murilo Mendes e João Cabral dizer seus próprios poemas.
Por que não retomamos essa bela prática?
Você sabe o que é o INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL?
Clique:

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