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segunda-feira, 14 de julho de 2014

TROFÉU MORINGA

Terminou a Copa.
O Brasil perdeu, mas em compensação ganhou uma inesquecível e bela lição de cidadania dada com espontaneidade pelos rivais em campo, os alemães.
E assim sendo, a vida real ora doce ora amarga continua para todos, inclusive para o zangado e pouco humilde Felipão, que, a propósito, acaba de receber cartão vermelho da CBF.
Sim, é próprio da natureza perder e ganhar.
Eu mesmo acabo de ganhar o inimaginável Troféu Moringa da Tertúlia Pensão Jundiaí de Homem do Ano 2014.
Devo dizer que fiquei pasmo, como pasmo fiquei quando generosamente a Câmara de
Vereadores de São Paulo me premiou com o título de Cidadão Paulistano em 2008 (acima) e ano, ano passado, o Troféu Gonzagão junto com o cantor e compositor Raimundo Fagner (à direita). 
Claro que esses tipos de prêmios nos envaidecem, até porque são tidos e justificados como reconhecimento pelo trabalho 
que desenvolvemos ao longo da vida.
Grandes personalidades brasileiras e estrangeiras como o cientista Paulo Vanzolini, o geógrafo Aziz Ab´Saber, o filósofo Miguel Reale, o poeta Paulo Bomfim, o jurista Ives Gandra, o maestro Mário Albanese e o cineasta Akira Kurosawa receberam o Troféu Moringa, concedido anualmente no Dia Internacional do Homem, 15 de julho.
Compartilhamos com vocês o convite que nos foi enviado para o recebimento do prêmio. 
Ilmo Sr.
Assis Ângelo

Saudações,
A Tertúlia Pensão Jundiaí é uma entidade cultural, fundada por Mariazinha Congílio em maio de 1983.
Comemoramos anualmente o Dia Internacional do Homem, data criada por sua fundadora, em 1993. Em julho, pois quando o homem chegou à Lua.
Homenageamos homens que se destacaram por sua profissão, dedicação a uma causa ou internacionalmente.
Estes homens recebem o Troféu Moringa, símbolo da Pensão Jundiaí.
Temos o prazer de convidá-lo para ser o Homem do ano 2014 da Tertúlia Pensão Jundiaí.
Pedimos que confirme se aceita o convite e sua presença ao jantar, para que possamos tomar as providências necessárias.
Desde já, grata.
Pela Tertúlia Pensão Jundiaí,
Silvana Congílio

Dia Internacional do Homem 2014 - jantar
Data: 15/07/2014
Hora: 20 horas
Local: Alameda Santos, 2393 - Restaurante Bovinus – S. Paulo, SP
Fone: (11) 4521-0007
Cel: (11) 9.9966-0570

sexta-feira, 11 de julho de 2014

FELIPÃO NÃO TEVE INFÂNCIA

A teimosia infinita, a sisudez despropositada, o jeito bronco de Felipão me faz lembrar Zangado, um dos sete anões do conto infantil Branca de Neve.
Esse paralelo entre o ser real e o fantasioso ficou mais evidente no embate que tirou a seleção brasileira da final do mundial de futebol na última terça, no Mineirão.
Foi um vexame e tanto, histórico, mas jogo é jogo mesmo perdendo feio como perdeu para os alemães a seleção verde-amarela que deixou roxos de raiva os seus torcedores.
Talvez para mostrar que é mesmo da raça dos machos que apagam lâmpadas espremendo-as nas mãos e não, simplesmente, apertando levemente o interruptor, Felipão é grosso dentro e fora de campo.
Os jornalistas são suas presas mais fáceis, e a quem jamais pede desculpas.
Seu comportamento leva a crer que ele não teve uma infância saudável, de brincadeiras e risadas.
A propósito recomendo que ele assista o bonito documentário Tarja Branca, a Revolução que Faltava. O filme, dirigido por Cacau Rhoden, trata de uma das mais antigas e lúdicas atividades do ser humano, que é brincar e rir.
Mas a essa altura do campeonato é quase certo que Felipão e Zangado não têm salvação, mas a Seleção Canarinho, que sábado disputa o terceiro lugar na Copa 14 e o prêmio de 43 milhões de reais, tem.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

VIVA JACKSON! VIVA ROSIL CAVALCANTI!

O paraibano de Alagoa Grande José Gomes Filho, famoso pelo talento e pseudônimo Jackson do Pandeiro, e o pernambucano de Macaparana Rosil de Assis Cavalcanti, chamado de Zé Lagoa por causa de um personagem com esse nome que criou, eram amigos e parceiros e até formaram uma dupla de humoristas de sucesso na




rádio campinense: Café com Leite (ao lado).
Jackson nasceu em 1919 e Rosil, em 1915.  
O amigo Rômulo Nóbrega , biógrafo de Rosil, lembra que os dois artistas morreram num mesmo dia: 10 de julho; Rosil em 1968 e Jackson, que era diabético, em 1982.
Rosil Cavalcanti compôs oitenta e quatro músicas gravadas por nomes como Teixeirinha, Luiz Gonzaga, Biliu de Campina e próprio Jackson, certamente o seu maior divulgador. Aliás, a primeira composição gravada por Jackson, nos estúdios da Rádio Jornal do Commercio, de Recife, foi o coco Sebastiana (abaixo), em 1953. 




O professor de música e instrumentista Jorge Ribbas pôs melodia nos versos que alinhavei em homenagem a Rosil. Ouça (letra abaixo):


Rosil de Assis Cavalcanti
Foi compositor e ator
Primeiro sem segundo
E bela é a obra que deixou
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
É maravilha de fina flor
A obra qu´ele deixou

Fez muitas jóias
Para o povo cantar
Para o povo dançar
Com Jackson e Luiz
Puxando o refrão
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
É maravilha de fina flor
A obra que Rosil deixou

Amigo Velho, cê não sabe?
O Cumpadre João
- Ô Véio Macho!
Foi dançar rojão
Foi dançar baião
Com a nega Sebastiana
No Forró de Zé Lagoa
- Ô coisa boa, ô coisa boa
Pra lembrar Rosil
Pra lembrar Rosil
Viva o Brasil!
Viva o Brasil!

O bom Rosil deixou
Xote, forró e toada
O bom Rosil deixou
Obra pra ser cantada
Nosso Rosil é memória
Pra ser lembrada
Em todo canto e lugar
Viva Rosil!
Viva o Brasil!
CANTO DA EMA
Cá na capital paulista há uma excelente casa de espetáculos voltada à música nordestina denominada Canto da Ema, em memória a Jackson do Pandeiro por ter gravado o batuque O Canto da Ema, de Alventino Cavalcanti, Ayres Vianna e João Vale, em 1960.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A REVOLUÇÃO DE 9 DE JULHO

O nove de julho foi um sábado frio para paulistas e paulistanos e de Lua cheia brilhando encantadoramente no céu.
No palácio do Catete, no Rio de Janeiro, o presidente Getúlio Vargas estava indócil.
Corria o ano de 1932 e São Paulo tinha sete milhões de habitantes.
Naquele dia 9 os relógios indicavam que faltava uma hora para a meia-noite e a agitação nas ruas (ao lado, nos registros da imprensa) com tiros e explosões davam conta de que a revolução acabara de estourar. Mas pode se dizer que a Revolução – Constitucionalista, como ficou para a história - começou com o fim da chamada “Política café com leite” entre os poderosos de São Paulo e Minas Gerais.
A expressão foi resultado de um acordo firmado entre caciques políticos desses Estados, que permitiam revezamento na cadeira de presidente da República a cada eleição, esperto, o gaúcho que ficaria famoso como Pai dos Pobres deu um golpe e acabou com a lambança.
Os revolucionários de 32 comandados pelo general Isidoro Dias Lopes, que foi tema de várias músicas, e coronel Euclides Figueiredo queriam, basicamente, a retomada das eleições diretas para presidente e governadores e uma nova Constituição, pois a que estava em vigor desde 1891 até 1930 Vargas rasgara.
A Revolução Constitucionalista durou 87 dias e 87 noites e deixou um saldo 830 mortos, oficialmente, e um número não sabido de feridos.
Foi o maior enfrentamento armado entre brasileiros desde o século 20.
Os paulistas – cerca de 150 mil homens, mulheres e adolescentes - lutaram atabalhoada e voluntariamente com apenas sete aviões e 44 canhões, enquanto as forças getulistas, federais, somavam 24 aviões e 250 canhões de grosso calibre.
Ao fim de tudo foram exiladas as principais lideranças da revolução: 48 oficiais do Exército, três oficiais da Força Pública e 53 civis, incluindo jornalistas.
A Revolução Constitucionalista consagrou um poeta: Guilherme de Almeida.

A CAMINHO DO HEXA
Que vexame, hein? Agora é disputar o terceiro lugar. Mas até esse posto a seleçãozinha do Felipão pode deixar escapar, pois já o perdemos em 1974. Arriba, moçada!

terça-feira, 8 de julho de 2014

A CAMINHO DO HEXA

A manhã do domingo 30 de junho de 2002 me pegou vibrando pela conquista do inédito título de pentacampeão pela seleção brasileira de futebol no Japçao, ocasião em que os meninos de Felipão derrotaram a Alemanha por 2x0. Na hora dei de garra de uma caneta e escrevi a letra (ao lado e abaixo que o amigo Gereba melodiou.
Quem sabe logo mais à tarde de novo o Felipão leva seus garotos a despachar a sempre perigos a Alemanha pra casa, hein?
Lembre os canarinhos calando o bico dos alemães naquela manhã garoenta de 2002, clicando:


segunda-feira, 7 de julho de 2014

SÃO PAULO EM FESTA. VIVA SÃO JOÃO!

Ali pelas dez e pouco da noite de ontem, logo após a sua apresentação com a participação de Oswaldinho no grande palco instalado diante da sede do Museu da Língua Portuguesa – no histórico bairro paulistano da Luz -, o compositor, cantor e sanfoneiro pernambucano Targino Gondim, todo feliz, disse: “Essa foi a primeira apresentação pública que fiz nesta cidade incrível que é São Paulo”.
Verdade, e foi muito bonita essa sua estreia em Sampa testemunhada por um enorme e festivo público que com ele cantou e dançou músicas próprias e outras repertório do rei do baião, Luiz Gonzaga.
Targino, coautor com Raimundinho do manjado arrasta-pé Esperando na Janela, já esteve várias vezes na capital paulista participando de programas como São Paulo Capital Nordeste, que apresentei na Rádio Capital por quase sete anos.
0essa vez ele veio para se integrar à programação do Arraiá de São Paulo, uma idealização da Associação Raso da Catarina e do Instituto Memória Brasil com o apoio da Secretaria de Cultura do município paulistano.
Esse foi o segundo ano consecutivo de realização do Arraiá.
Aí no retrato o palhaço Charles, criação do ator Alessandro Azevedo, eu e o conterrâneo Ramalho
Ano passado o palco do projeto São João do Brasil, do qual faz parte o Arraiá de São Paulo, foi o Vale do Anhangabau, com shows de Alceu Valença, Zé Ramalho,Amelinha, Anastácia e outros grandes artistas da música popular.
Este ano, além de Anastácia, participaram, entre outros, o Trio Virgulino, o grupo Bicho de Pé, Passoca, Mariângela Zan, a Orquestra Forrobodó do maestro Spok, vinda diretamente de Recife e que teve participação especial de artistas como Zé Pitoco e Maciel Melo; As Galvão, Falamansa, que encerrou o Arraiá no final da noite  entrando pela madrugada, com o público aceso cantando e dançando.
A paraibana romântica Roberta Miranda também foi uma das atrações do Arraiá.
Eu e Alessandro Azevedo com seu personagem o palhaço Charles, há 15 anos amado por crianças e adultos do Brasil apresentamos em palco todas as atrações, como no ano passado.
O Arraiá de São Paulo este ano foi dedicado à cantora paulistana Inezita Barroso, que há tantos anos tanta beleza musical tem apresentado a todos nós.


E muita gente bonita esteve por lá como o Madruga, o Pablo, Sara, Samanta, Paulinho Rosa (aí na foto, com seu primeiro filho, Chico e sua companheira de realidades e sonhos).
Viva a alegria, que é saúde.
Viva a saúde, que é música.
Viva a música, que é forró.
Viva Inezita Barroso.

domingo, 6 de julho de 2014

SÃO JOÃO NA LUZ, EM SAMPA


Hoje o dia está bem apropriado para passeios e brincadeiras. Portanto pegue seus filhos e suas caras metade e vá, por exemplo, ao Parque Jardim da Luz para curtir o Arraiá de São Paulo, que é um São João fora de época iniciado ano passado no Vale do Anhangabau, por iniciativa da Associação Raso da Catarina e Instituto Memória Brasil, com apoio logístico e estratégico da Prefeitura Municipal.  
A programação da festa começa logo mais às 14 horas, com o violeiro Passoca, seguida de Mariângela Zan às 15:30h e à 17h a rainha do forró, Anastácia interpretando músicas próprias e outras compostas em parceria com Dominguinhos, com quem viveu por mais de dez anos.   
Essas atrações ocorrerão no coreto do parque.
Às 18 horas Targino Gondim e Oswaldinho do Acordeon prosseguirão animando o São João de São Paulo na área externa ao parque, num enorme palco instalado defronte do Museu da Língua Portuguesa.
A programação do Arraia de São Paulo será encerrada  com a apresentação do grupo paulistano Fala Mansa.
Ontem, primeiro dia da festa junina fora de época na cidade de São Paulo começou com o Trio Virgulino, seguido do Grupo Bicho de Pé e as Galvão. A segunda parte da programação prosseguiu na área externa do parque, com a orquestra Forrobodó do maestro Spok e Roberta Miranda.
Houve participação especial de alguns artistas na orquestra do maestro, entre as quais, Zé Pitoco, cantando em homenagem a Dominguinhos e Maciel Melo, num pot-pourri de músicas autorais e do rei do baião, Luiz Gonzaga.
Foi bom eu estar ao lado de tantas pessoas queridas, ontem.
A apresentação dos artistas da programação do arraiá será antecedida de uma fala minha e do brincante Charles, uma criação do paraibano Alessandro Azevedo.
Uma dezena artistas brincantes estará circulando e divertindo crianças e adultos em toda a extensão do parque Jardim da Luz.
Repito: o dia está ótimo para passeios e brincadeiras. Vamos lá. Não fique em casa.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

JUMENTO É CULTURA BRASILEIIRA

Não é de hoje a polêmica que gira em torno do abate de jumentos no Nordeste, ora para consumo humano, ora para outros fins. Na China, por exemplo, são abatidos anualmente quase dois milhões desses animais, maior parte transformada em matéria-prima para a indústria de cosméticos.
Eu ainda era menino quando já ouvia a conversa de que charque era carne de cavalo oiu de jumento feita para substituir a carne de anta que ia às mesas.
Ali pelos anos de 1950, a anta era animal em extinção.
Uma década depois, o número de jumentos, jegues ou asnos era de cerca de três milhões no território nacional; mais ou menos 90% no Nordeste.
Os jegues, que medem mais ou menos 1,5m e pesam entre 350k a 400k estão ao lado do homem desde as primeiras civilizações, sempre trabalhando.
O seu habitat é a zona rural.
Dócil, forte e resistente a quase todas as intempéries, esse animal parte para a extinção, como a anta.
Uma pena que hoje em dia seja tão facilmente descartável.
Integrado entre nós desde os primórdios, o jegue se acha na literatura de cordel, nos livros http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-pe/v/ariano-suassuna-prepara-lancamento-de-novo-livro-o-jumento-sedutor/3228344/, no cinema e no teatro, mas em quantidade cada vez mais diminuindo no sertão brasileiro.
O seu destino é quase certo: a quentura das panelas, pois está se aventando a possibilidade de ser servido em pratos para presidiários e estudantes do Rio Grande do Norte, onde acaba de ser construído um moderno matadouro para por fim a vida desses animais, e tudo naturalmente fiscalizado bem direitinho pela Vigilância Sanitária daquele Estado.
Há coisa de ano e pouco, Brigitte Bardot enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff rogando que tomasse providências para impedir esse “genocídio contra os jegues”.
Não consta que Dilma tenha se manifestado a respeito do apelo da atriz.
Ontem à noite, no Jornal da Cultura, eu falei um pouco sobre a presença do jegue na cultura brasileira.
Clique:
E clique também:

 SÃO JOÃO EM SÃO PAULO

Amanhã eu e Alessandro Azevedo – que consigo levará o palhaço Charles – estaremos divertindo e nos divertindo no Parque da Luz e também na área externa do parque apresentando as atrações musicais programadas para a festa de São João em São Paulo. O evento, que ano passado ocorreu no Vale do Anhangabau com Zé Ramalho (acima) e ouros artistas, prosseguirá no domingo. Vai ter um monte de barraquinhas com bebidas e comidas típicas. Cordelistas também vão estar presentes com seus folhetos

quinta-feira, 3 de julho de 2014

VEJA, FORRÓ E SÃO JOÃO

A mais recente edição da revista Veja, nas bancas especializadas, traz uma matéria especial em sete páginas assinada por Sérgio Martins sobre o forró como ritmo musical, suas origens e quem o representa nas salas de reboco destes tempos modernosos.
Dei lá uns pitacos (a~i ao lado, no detalhe). E lá estão grandes sanfoneiros, desde Oswaldinho do Acordeon, Waldonys e Targino Gondim; e forrozeiros da velha guarda sempre atuais, como Antônio Barros, Cecéu e Anastácia e jovens em fase de desabrochamento como a paraibana Lucy Alves, uma das integrantes do grupo Clã Brasil, em extinção.
É uma matéria que vale a pena ser lida.
E a propósito do gênero criado em 1949 por Zé Dantas e Luiz Gonzaga, irritado o cronista Onaldo Queiroga escreveu o seguinte, em tom de desabafo:

O forró merece respeito. Representa a cultura de um povo chamado Nordeste. Não podemos sair por aí dizendo que o som dessas bandas de plástico é forró. A batida é diferente, a mensagem contida nas letras é totalmente diversa do que propõe o forró.
O ritmo plástico, que agora também vem recebendo o título de estilizado, no palco se apresenta com muitas mulheres seminuas e com letras pobres. No São João, eu estava no terreiro do forró quando uma banda começou a anunciar no palco: “Amanhã é folga para quem não bicou. Eu quero ver. Levante o copo. Dá uma rodadinha. Só um golim e traga a cachaça, que ela libera. Você tá com medo de pedir um beijo pra ela. Gatinha mamadinha, levante o copo. Dá uma rodadinha. Só um golim”. Isso levou uns quatro minutos até que, em seguida, cantou: “É o chefe!”. Patrocina ousadia, e as novinhas se derretem / É o chefe / É o chefe / Considerado, respeitado, e com ele ninguém se mete / É o chefe, é o chefe/ Quando chega na balada, sempre chama atenção / Pelas roupas que ele usa, e a grossura do cordão / Deixa os playboys rasgar, sempre com muita fartura / Whisky com Redbull, a mais perfeita mistura / Trata todos com respeito, isso é já de costume / As novinhas ficam loucas com o cheiro do perfume / Gosta de ostentação e não tem problema algum / As novinhas ficam doidas pra andar de Ré.”
Nessa hora, fogos de artifícios no palco e a multidão enlouquecida, a dançar, beber e repetindo o refrão: É o chefe, é o chefe. Meu Deus! Uma ostentação repassada de forma selvagem e impiedosa para aquele povo, que mais parecia o admirável gado novo do poeta Zé Ramalho. As autoridades devem respeitar os festejos juninos, festa de tradição e que não pode ser transformada em micaretas ou mesmo em inóspitos e rudes festivais de música. Como conceber nos palcos do São João, as atrações principais serem figuras do mundo musical do plástico, sertanejo e do axé. Nada contra Bel Maques, Victor e Léo, César Menotti e Fabiano, Daniel, Asa de Águia e outros. Mas o fato é que São João é festa do forró, do xote, do xaxado e do baião. Cada um no seu lugar, no período próprio. O povo e os turistas querem ouvir forró!
Em entrevista, Targino Gondim, foi questionado se o seu forró era o de “pé de serra”. Com um sorriso franco, respondeu: “Não. O meu forró é forró. Por que forró só existe um! Ou é forró, ou não é forró! Hoje em dia, nossa juventude, de tanto ouvir, acaba achando mesmo que "nós" fazemos o "pé de serra" e as bandas "fulano-de-tal do forró" é que fazem o forró. O que é isso, gente? Gosto do som de muitas dessas bandas. Mas estão longe do nosso forró! Não estou aqui querendo atacar ninguém, mas responder de uma vez por todas a essa pergunta e chamar a atenção do povo e dos meus companheiros:
- O meu forró não é "pé de serra"! É simplesmente forró!”.

SÃO JOÃO EM SÃO PAULO
Sábado e domingo próximos, eu e o ator Alessandro Azevedo estaremos como em 2013 no Vale do Anhangabau, brincando o São João fora de época no Parque da Luz e proximidades, junto com Oswaldinho do Acordeon, Targino Gondim, Anastácia, Falamansa e Roberta Miranda, entre outros artistas. A grande homenageada será a rainha da moda, Inezita Barroso (aí ao lado, à esquerda).
Acesse a programação, clicando:

JORNAL DA CULTURA
Hoje à noite tem assunto importante na TV Cultura: o abandono e matança de jegues no Nordeste. Hoje cedo gravei meus pitacos para a matéria. Voltarei ao assunto que o rei do baião Luiz Gonzaga e Chico Buarque um dia cantaram. Gonzaga em 1968 http://www.kboing.com.br/luiz-gonzaga/1-1001280/ (O Jumento é Nosso Irmão) e Chico em 1977 http://www.vagalume.com.br/chico-buarque/o-jumento.html (O Jumento, na peça Os Saltimbancos).

quarta-feira, 2 de julho de 2014

SÃO JOÃO SEM BALÃO NO CÉU

Se seguido a rigor o calendário festivo da Igreja católica, o ciclo junino deste ano já acabou. Mas se observarmos o andamento do calendário turístico em vigor veremos que o santo João despertou no dia seguinte ao seu dia, 24, e continua acordadíssimo, principalmente em algumas cidades do Nordeste, como Caruaru e Campina Grande. E cá na capital paulista a festa ainda nem começou; começa sábado, no parque da Luz onde outrora costumavam se apresentar personagens ilustres, como o maestro Carlos Gomes e o poeta Castro Alves.
Como no ano passado, eu e Alessandro Azevedo (acima, com a atriz Milena Toscano ao centro num clic de Michela Brígida) estaremos no palco animando o povo e apresentando as atrações musicais.
Bom, em parte a folia junina mantém a tradição.
Em parte porque alguns pormenores da festa foram excluídos por lei pelo perigo óbvio que oferecem atualmente nos grandes centros, como as fogueiras que já não ardem mais na frente das residências e os balões que não sobem para se misturar às estrelas do céu*, como antigamente.
As festas juninas são uma herança portuguesa fincada nesse pedaço de mundo desde os tempos coloniais, mas as suas origens vão muito além de Portugal.
Segundo a tradição católica, a fogueira que servia para queimar pecadores serviu para Isabel avisar à prima pura Maria Mãe de Cristo do nascimento do seu pimpolho, ninguém menos do que João Batista, que viraria santo e dominaria o ciclo que leva o seu nome.
Os balões (ao lado, detalhe de uma obra do rei da embolada Manezinho Araújo enriquecendo parede do Instituto Memória Brasil), as danças de quadrilha e as bandeirinhas são um detalhe à parte do todo que constitui o colorido das festas enriquecidas pelo espocar dos fogos de artifício.
Além de iluminar o céu, os balões anunciavam o início das festas e levavam bilhetinhos de mocinhas apaixonadas desejosas de encontrar seu par certo e com ele se casar.
De origem pagã, as festas juninas remontam à Idade Média.
As quadrilhas são uma contribuição dos franceses e o foguetório, da China, serve até para acordar o preguiçoso e dorminhoco santo João.
Judeu de Jerusalém, João era um pregador que acreditava na purificação do ser pelo batismo. Preso pela polícia de Herodes, ele foi decapitado a pedido de Salomé.
Hoje João seria considerado um subversivo, como o Cristo.
Por sua vez, o lisboeta Antônio, de batismo Fernando, é o santo que abre o ciclo junino que tradicionalmente fechado por São Pedro - e São Paulo -, no dia 29.
Pedro ou Simão Pedro, Petrus etc., era palestino e pescador por profissão. Ele foi o primeiro dentre os apóstolos a dizer que Cristo era o filho de Deus. Tornou-se o primeiro papa da Igreja.
Paulo, também chamado de Saulo, era um implacável perseguidor de cristãos até se converter ao Cristianismo. Não há provas de que tenha conhecido Cristo e o seu nome é motivo de polêmicas até hoje.
Ao contrário de Pedro que foi crucificado de cabeça para baixo e da mesma forma que João, Paulo foi decapitado pela polícia de Nero, em Roma.
Enquanto isso Israel continua em pé de guerra com a Palestina, acusando o Hamas de terrorismo. A pendenga mortal já dura anos, agora agravada pelo sequestro e morte de três jovens estudantes israelenses, cujos corpos foram encontrados ontem, carbonizados. O Hamas não assumiu a tragédia. A situação pode piorar, com o apoio dos EUA pró Israel.

(*) O novo CD do pernambucano de Serra Talhada Emídio Santana traz xote, xaxado e baião, além de um martelo e uma marchinha junina composta por mim e o mineiro de Alto Belo Téo Azevedo para alertar o quão perigoso é hoje soltar balão. 
Clique sobre a imagem: 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

MPB EM DISCUSSÃO

Só agora através do amigo Darlan Ferreira tomei conhecimento da participação do mandachuva do mundo do disco no Brasil por uns trinta ou mais anos André Midani, responsável pela contratação de grandes ídolos como Chico, Caetano e Gal num evento que eu até então desconhecia chamado SIM, que quer dizer Semana Internacional de Música, que teve como palco São Paulo no fim do ano passado.
Como mediadores estiveram muito bem os apresentadores de rádio Ricardo Alexandre e Patrícia Palumbo.
Midani falou menos do que deveria, mas ainda assim foi esclarecedor em muitos pontos referentes à construção da MPB, com nomes como os referidos acima. E ainda falou de Roberto Carlos, que chamou de “demoníaco como cidadão e não como artista”, curioso não?
O livro autobiográfico de Midani não se acha nas prateleiras do mercado.
Acompanhem o papo que rolou na SIM, clicando:

sábado, 28 de junho de 2014

PRA FRENTE, BRASIL!

Mesmo apresentando um futebol pífio, irreconhecível, duvidoso, a seleção do Felipão conseguiu passar pela Croácia, México e Camarões. Com Camarões foi a melhor partida. Mas a pedreira para o País de chuteiras, como dizia o desassombrado Nélson Rodrigues, começa logo mais às 13 horas no Mineirão, em Belo Horizonte, com o Chile preparadíssimo para o que der e vier nessa rodada de quartas de final, onde o que interessa é a vitória, somente a vitória. Vamos empurrar o time pra frente, mesmo mentalmente. O meu palpite é que a Seleção Brazuca ganhe por 2x1, com gols de Neymar e Fernandinho, no lugar de Paulinho. O placar pode aumentar se David Luiz deixar as dores de lado e for escalado.
A última vez que os meninos do Felipão pegaram o Chile pra capar foi há quatro anos, na Copa-fifa da África do Sul, resultado: 3x0.
Mas e as músicas?
Cadê as músicas, a trilha sonora que sempre embalou os jogos da Seleção Canarinho, hein?
Na vez EM que o Brasil faturou o pentacampeonato de futebol eu o Gereba compusemos, como homenagem... Foi a única, Para ouví-la, clique sobre a imagem:

sexta-feira, 27 de junho de 2014

VOU VIRAR CHINÊS

Formar, informar, opinar e criticar é mais do que um ideário humano, humanístico, um direito claro e lógico dos cidadãos livres de qualquer lugar do mundo, inclusive dos que vivem nessa parte de cá da linha do Equador, onde se situam países como o Brasil: é um dever.
O dever de formar, informar, opinar e criticar é sagrado.
Mas como fazer isso num país onde o analfabetismo é uma praga, um cancro, uma doença resistente e de cura difícil?
Como fazer isso num lugar a onde um enorme contingente de eleitores vai às urnas de tempos em tempos para votar por interesses estranhos ao bem comum?
No caso Brasil, pode-se dizer que engatinhamos rumo ao lugar onde a “res pública”, a coisa publica e sua valorização de que falavam os sábios do Direito latino e que tanto sentido fazem para a mudança de uma sociedade que deseje respeito reconhecimento do mundo civilizado.
O nosso país, um país de guerras e conflitos há cinco séculos, como bem nos mostra o Dicionário das Batalhas Brasileiras, de Hernani Donato (1922-2012), ainda não assimilou as lições básicas da democracia reimplantada duas décadas após um golpe que apeou do poder seu representante legítimo, João Goulart, passando, então, a ser regido sob as ordens de um governo militar que fez desaparecer milhares de pessoas que ousaram dele discordar.
No mais nos esquecemos de tudo, e facilmente, até de fatos que nos marcaram a vida de modo profundo, como os 46 anos - completados ontem - da passeata que reuniu de 100 mil a 150 mil pessoas, entre estudantes, professores, pais, padres e freiras na Avenida Presidente Vargas do extinto Estado da Guanabara, exigindo o fim da ditadura e do arrocho salarial.
Mas por que eu falo dessas coisas, da ausência do mínimo básico na vida da gente, do respeito, educação, opinião e crítica que tanto nos faltam?
Esta semana este blog alcançou a marca de 150 mil acessos Brasil e mundo a fora. Desse total, há registradas opiniões e loas de apenas algo em torno de 1% do público que o acessa.
A falta de opiniões e críticas eu considero grave num país de 200 milhões de pessoas.
E um detalhe surpreendente me chamou a atenção na leitura de estatísticas do blog: sou mais acessado na China do que aqui, no Brasil.
Vou virar chinês.
Pela ordem, acessam este blog: China, Brasil, Alemanha e Estados Unidos.
Pode?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

PORTUGUÊS DÁ SHOW DE BOLA NO RÁDIO

Imperdíveis as narrativas esportivas da rádio Globo, como imperdíveis são as narrativas esportivas do português João Ricardo Pateiro, que aproveita suas transmissões para fazer paródias de músicas de autores brasileiros, entre eles Jobim/Vinicius, Wando e Roberto Carlos, como durante a peleja Portugal x Gana, ocorrida hoje à tarde no estádio  Mané Garrincha em Brasília, quando a representação do país de Camões obteve “uma vitória amarga” (2x1), nas palavras emocionadas do próprio Pateiro. http://www.youtube.com/watch?v=Yx22UlMitFE
Aproveite e clique também:

ASA BRANCA
Os coreanos perderam hoje para a Bélgica por 1x0 e por isso já estão arrumando as malas para a longa viagem de volta. Em compensação, o meu amigo Osvaldo Mendes, jornalista, autor e ator, recomenda que acessemos o Youtube para nos deleitarmos com a curiosa e bela gravação da toada Asa  Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira). Para isso é só clicar:

quarta-feira, 25 de junho de 2014

UMA NOITE COM PEDRO OSMAR

Cerca de 30 privilegiados assistiram a apresentação musical que o grupo Aguaúna fez ontem à noite no espaço cultural Rio Verde, no bairro paulistano de Pinheiros.
Foram quase duas horas seguidas de puro encantamento, enriquecidas pela performance especial e irretocável dos bailarinos Vinicius Santi e Luciana Beloli, perfeitos nos seus movimentos de improvisação e criatividade absolutamente sintonizados com a profusão de sons extraídos com beleza e categoria de instrumentos de cordas, sopro e percussão.
Batidas de pés no chão e ruídos diversos serviram de introdução ao inesquecível espetáculo.
A afinadíssima viola caipira do multi-instrumentista Pedro Osmar – uma lenda da música experimental paraibana - e a cítara encantada do paulistano Rico Venerito funcionaram como, digamos, uma espécie de marcação para o pessoal do Aguaúna deitar e rolar com incrível originalidade.
O Aguaúna tem na sua formação musical, além do seu criador Pedro Osmar e Rico Venerito – guardem esse nome -, os craques Fabio Negroni, Celio Barros e Guegué Medeiros.
A apresentação do Aguaúna é sempre uma fantástica viagem pelo país dos sonhos.
Viva o genial Pedro Osmar e sua trupe! 
Para saber quem é Pedro Osmar, clique:

segunda-feira, 23 de junho de 2014

CAMARÃO FRITO É BOM...

Hoje, no final da tarde, no estádio Mané Garrincha em Brasília, a seleção brasileira de futebol entra em campo em disputa pela vitória contra a seleção camaronesa, já desclassificada da Copa por perder para a Croácia e México por 4x0 e 1x0, respectivamente. Mas o técnico Volker Finker, promete surpresa nessa despedida.
A nossa seleção, que até aqui teve uma atuação pífia nos gramados, joga a centésima partida pela Copa do Mundo. Desde a sua primeira participação nesse evento, em 1930, faturamos 68 partidas e fizemos 213 gols. Nesse período, foram escritos centenas de livros (acima, um exemplo) e compostas milhares de músicas que abordam o tema futebol, como Brasil, o País do Futebol, que fiz com Jarbas Mariz (clique sobre a imagem).
Aliás, pergunto: cadê as novas músicas sobre a Seleção Canarinho? Estamos sem trilha sonora...
Em 1934, na Itália, a seleção brasileira foi eliminada da Copa logo na primeira partida contra a Espanha, por 3x0...
E surpresa por surpresa, viva a seleção da Costa Rica.
Que se cuide Felipão. 
Esse é um jogo de risco. 

domingo, 22 de junho de 2014

VIVA FERNANDO FARO!

É verdadeira a máxima segundo a qual “Notícia boa não vende jornal”, caso contrário os nossos diários matutinos teriam trazido hoje a notícia dos 87 anos de idade do sergipano Fernando Abílio de Faro Santos completados ontem, 21.
Faro, que chama todo mundo carinhosamente de “Baixo”, não é compositor nem instrumentista, mas há 50 anos mexe com música. O programa Ensaio, criado por ele mesmo no começo dos anos de 1970, é exemplo disso. Por isso, e não só por isso, ele faz parte da história da Música Popular Brasileira.
Já tive o prazer de participar do seu Ensaio junto com o cantador Téo Azevedo, em maio de 2001; e mais recentemente de outro programa seu, Mobile http://tvcultura.cmais.com.br/mobile/videos/mobile-45-leo-lama-julio-medaglia-saulo-vasconcelos-e-assis-angelo-07-11-2013.
Viva Fernando Faro!

sábado, 21 de junho de 2014

JORNAIS E JORNALISTAS

O dia 17 de julho de 1973 foi uma terça-feira comum para muita gente, em João Pessoa.
Eu sou de lá e estava lá, acho que como editor de Cidades e colunista do jornal Correio da Paraíba.
Mas para os jornalistas e editores de Política do diário paraibano A União, como Luís Augusto Crispim e Marcone Cabral, aquela terça foi uma terça infernal que se estendeu na vida deles por muito tempo.
A União é um jornal centenário até hoje mantido pelo governo do Estado, que outrora teve entre seus colaboradores ninguém menos do que Augusto dos Anjos publicando seus primeiros poemas.
Naquela terça os leitores de jornal foram surpreendidos com a notícia estampada em manchete de primeira página (acima) dando conta de que o substituto do general-presidente Emílio Garrastazu Médici seria o ministro do Exército Orlando Geisel, quando o correto seria o seu irmão, Ernesto.
Foi um furo, um furo n´água, como a entrevista do tarimbado Mario Sérgio Conti com o ator Wladimir Polomo, que se vira como pode fazendo bicos em eventos sociais por se parecer com o treinador da Seleção brasileira, Felipe Scolari.
A notícia infundada do diário paraibano correu o Brasil rapidamente, deixando o governador Ernani Sátyro tiririca.
A entrevista de Conti com o ator também, mas sem maiores consequências.
Conti é um nome respeitado no jornalismo tupiniquim chegou a ocupar cargos de destaque em empresas importantes, como a que edita a revista Veja; e Fundação Padre Anchieta, que gere a TV Cultura, canal 2.
A entrevista de Conti foi publicada na última quarta, nos jornais Folha de S.Paulo (ao lado) e O Globo.
Apesar disso, Conti se deu bem.
Ah, sim: os jornalistas paraibanos foram sumariamente demitidos e o jornal sem muita credibilidade desde então virou semanal se acha hoje apenas em versão digital, na Internet. Confira:

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