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domingo, 7 de setembro de 2014

CANTORIA NO SUMARÉ

Escondidinho de carne seca e caldinho de feijão antecederam o tirinete poético travado ao som de violas repentistas ontem à noite, na casa do engenheiro Nelson Badra, no bairro paulistano do Sumaré.
As violas repentistas eram empunhadas pela legendária mocinha de Passira, sempre inspiradíssima; e pelo genial Andorinha.
Os dois destravaram os seus instrumentos às 20 horas e se estenderam até o começo da madrugada de hoje, encantando e arrepiando uma seleta plateia constituída por uma trintena de jovens e adultos, que não se cansava de aplaudir os dois repentistas.
A cantoria foi aberta pelo instrumentista Siba (Ex-Mestre Ambrósio), que além de apresentar Mocinha e Andorinha, traçou um histórico do repentismo no Brasil, desde as suas origens.
Com versos de sextilhas e septilhas, desenvolvidos a partir de motes construídos no calor da improvisação pelo circunstantes, como o bem-humorado – e de gênero fantástico – Se Quiser Eu Também Faço/Zero Cal em Zé Limeira, Mocinha de Passira e Andorinha, de modo quase didático, apresentaram outras modalidades como Gabinete, Cinco e Meio, martelo alagoana e martelo agalopado, no qual a dupla, para gaudio da plateia, degladiou-se com tiradas incríveis.
Mocinha e Andorinha levaram a plateia a rir e até a refletir em muitas situações.
Lá para as tantas e para surpresa de muitos, Siba agarrou-se a uma viola e partiu para uma performance ao lado, primeiro de Mocinha, e depois de Andorinha.
Pouco antes, também de modo surpreendente, o poeta Moreira de Acopiara presenteou o público o presente com trechos de alguns de seus longos poemas e que integrarão, em breve, uma peça de teatro.
Às duas da manhã, com Mocinha de Passira ainda incansável, improvisando versos sobre tudo quanto é tema, a cantoria foi encerrada com o tradicional Coqueiro da Bahia e todos cantando o refrão: quer ir mais eu, vamos/ quer ir mais eu, vambora.

O DOMINGO NA PRAÇA

Centenas de pessoas de todas as idades compareceram ontem, a partir das primeiras horas da manhã, à Praça Buenos Aires, em Higienópolis, para assistir a apresentação dos alunos do Colégio Ofélia Fonseca.
Além de apresentação de música e declamação de poemas, os alunos do colégio realizaram uma exposição de desenhos e esculturas, várias delas construídas com materiais descartáveis e outros tipos de materiais, como cascas de árvore.
O ponto máximo do evento que contou com performance de moradores da região, incluindo a de outros colégios, foi a apresentação do Bando de Professores (grupo formado por professores do colégio, incluindo teclado, guitarra, bateria, entre outros instrumentos) e Polaroides Urbanos (ao lado) cujo os integrantes são Daniel Justi (guitarra), Orlando Ozzy Neto (bateria), Tiago Petrozelli (teclado), Rafael Jordão (vocal) e Raphael Lagrasta “baixo”.
Também ponto alto do evento ontem, foi a apresentação do Grupo à Cabidela, formado por Clarissa de Assis (violino), Cristiane Bastos (vocal e cajon) e Maria Helena (violão), que interpretou entre outras músicas, Pessoa Nefasta (Gilberto Gil), A História de Lily Brown (Chico Buarque/Edu Lobo) e Mirante (Marcos Carvalho/Cristiane Bastos/Maria Helena).
O encontro de estudantes, também chamado de festival, na Praça Buenos Aires promovido pelo Colégio Ofélia Fonseca, foi encerrado no começo da noite pelo grupo feminino Sambadela, já bastante conhecido na região.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

BRINCANDO NA PRAÇA


 
 
Amanhã de manhã, na Praça Buenos Aires, ali no bairro de Higienópolis, um bando de crianças e professores, no meio adolescentes, estarão em sadio alvoroço, brincando e cantando e dando vivas à vida.

A programação seguirá tarde adentro.
 
"Alguns dos meus alunos irão se apresentar às 10h, com a música Filhos de Gandhi, do Ben Jor. Vou me apresentar em seguida, 11h20, com o Grupo à Cabidela (Cristiane Bastos, Maria Helena e Clarissa). Mais tarde, às 14h30, também toca o Bando de Professores, que é uma banda que se formou na equipe docente ano passado.”, informa a professora Clarissa de Assis, acrescentando que: “no meio disso tudo, haverá apresentações de dança, música, concurso de fotografias, contação de histórias, ilustrações, dos alunos. A proposta é envolver a comunidade. Familiares, vizinhos de bairro, funcionários, todos estes podem se inscrever no Festival de Artes.”

A iniciativa é da direção do Colégio Ofélia Fonseca, do bairro de Higienópolis. Aqui, o texto do colégio sobre o evento: ‘A escola está inserida em uma realidade e deve desenvolver todo o seu potencial educativo que surge do entorno no qual ela se insere aprofundando sua relação com a comunidade. Para desenvolver essa tarefa educativa temos que pensar as práticas e suas relações com a comunidade, rompendo os limites físicos e construindo um caminho de uma educação baseada em princípios éticos e democráticos que visam a cidadania”.

Da programação consta também uma performance da banda Polaroides Urbanos às 15h50.


Vamos nos juntar a essa festa?

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

OSWALDO MENDES EM REVISTA

Baixinho, troncudo, barbudo de sorriso fácil - simpaticíssimo - gaiato e destemido.
Estas são as características que me fazem lembrar o mineiro Henrique de Souza Filho, Henfil.
Henfil, jornalista, cartunista de traço inconfundível, estaria completando agora 70 anos de idade.
Politicamente, Henfil era um anarquista, digamos assim, com objetivos concretos. Tanto que foi um dos mais dedicados personagens de movimentos sociais do País, como as campanhas pela Anistia  e Diretas Já.
Lembrei disso tudo por uma razão: mexendo no acervo do Instituto Memória Brasil, encontrei um LP raríssimo: Revista do Henfil (acima no clique de Darlan Ferreira).
O LP do extinto selo Discos Bandeirantes traz doze faixas, quatro das quais assinadas por Oswaldo Mendes e Claudio Petraglia.
A Revista do Henfil foi uma obra para teatro baseada nas tirinhas do autor, publicadas em vários jornais e revistas entre os quais Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e O Cruzeiro.
A criação da Revista do Henfil foi uma iniciativa da empresária, produtora e atriz Ruth Escobar, que contratou alguns nomes de destaques da cena brasileira para se integrar à direção e elenco, como Fauzi Arap (1938-2013).
O texto é assinado pelo ator, autor e jornalista paulista de Marília Oswaldo Mendes e o próprio Henfil.
Entre os atores convidados para participar da Revista do Henfil que estreou no dia 1º de setembro de 1978, no Galpão/Teatro Ruth Escobar, estavam no elenco nomes como Paulo Cesar Pereio e Sonia Mamed.
Fauzi Arap foi o primeiro nome chamado para dar texto final à Revista, mas ele desistiu no último momento, levando Ruth Escobar a chamar  às pressas Oswaldo Mendes (abaixo, no clique de Jailton Garcia/Câmera Brasil Imagens) que deu conta do recado.
Henfil morou em Natal, RN - onde foram feitos os primeiros esboços da Revista -, nos Estados Unidos, China, São Paulo e Rio de Janeiro.
Não dá para esquecer os 36 anos da estreia da Revista do Henfil, que à época percorreu várias cidades brasileiras.
A Revista do Henfil foi o embrião que levou à promulgação da Lei da Anistia (Lei n° 6.683), que diz:
Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares …(vetado).
1º - Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política.
Essa é uma história incrível.
Quer saber mais um pouco sobre Henfil?  Então clique:
http://assisangelo.blogspot.com.br/2014/06/viva-hrnfil.html
Oswaldo Mendes em visita ao Instituto Memória Brasil - IMB

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

GRANA E MÚSICA

Dá dó ouvir a programação das emissoras de rádio deste Patropi, 
pois, raramente é possível achar num dial música brasileira que possa agradar ouvidos de bom gosto.
Dá dó também ver coisa que preste na nossa programação televisiva.
As exceções são raríssimas, como Viola Minha Viola e Sr. Brasil, programas da tv cultura.
Fora isso, claro, ha especiais no mesmo canal que não podem deixar de ser vistos, como Ensaio e Móbile, criados, dirigidos e apresentados pelo veteraníssimo Fernando Faro.
E nada mais, além de uma coisinha aqui e ali que mais das vezes passa desapercebida.
Eu lembro isso por uma simples razão: A nossa música, seja a popular ou erudita, está sozinha, abandonada, sem ter onde se mostrar.
Onde andam nossos grandes compositores e intérpretes? 
Cadê Sérgio Ricardo, que a gente não ouve no rádio e nem vê na tv?
Mário Albanese, Roberto Luna, Elzo Augusto, Germano Matias, Martinho da Vila, Osvaldinho da Cuíca, Oswaldinho do Acordeon, Biliu de Campina, Genival Lacerda, Téo Azevedo, Paulinho da Viola, Vidal França, Luiz Vieira, Eduardo Gudin, Fuba de Taperoá, Vital Farias, Claudete Soares, Maria Cleuza, Márcia, Celia/Celma, Claudya? E o que dizer dos grupos de choro e de samba que também andam sumidos?
O fato é o seguinte: Música boa, hoje, não tem vez. 
Por que? 
Simples agora é tudo a grana pela a grana.
Quero dizer com isso também que a canção foi para o espaço, como para o espaço foram quase todos os gêneros musicais brasileiros.
Não é triste? 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

EM TERRA DE ANALFABETO, QUEM TEM UM LÁPIS...

Definitivamente, ainda somos um País de analfabetos.
E enquanto essa situação perdurar, continuaremos a ser o que somos: analfabetos, e como tal, inválidos. Inválidos e dependentes, pois, enfim, em terra de analfabeto, quem tem um lápis e voz de comando é rei.
Marina bate em Dilma, que bate em Aécio, que bate em Dilma, que não bate em Marina. Sabem por que? Porque bater não é ofício fácil para todos. A velha máxima: quem apanha nem sempre sabe porquê.  
Tancredo Neves inaugurou uma tal de Nova República. Só inaugurou, porque quem levou avante essa ideia de Nova República na verdade foi o malandro Sarney. Depois vieram outros luminares como Collor, FHC e de tanto insistir, o Lula-Lá que pavimentou o caminho para a mineirinha Dilma passar.
Pois é, vejam: a Nova República começa com um mineiro -que morreu antes do seu tempo-  e segue até agora, com Dilma.
Tudo estava pronto para Dilma continuar no cargo que conquistou há quatro anos. E estava de fato tudo indo muito bem, até que, no meio do caminho, apareceu uma pedra...  um avião enfiou a cara no chão com um ocupante que anunciava aos quatro ventos ser ele o porta-voz de uma “nova política”. Ele estava com 9 pontos no gosto dos eleitores, segundo pesquisas de opinião.  E a coisa começou a complicar.
O concorrente da Dilma, na reescalada ao Planalto, era o netinho de Tancredo, que estava com 20 pontos nas mesmas pesquisas.
Com a morte do porta-voz da nova política, alça voo em céu de brigadeiro a aparentemente frágil, a acreana Marina Silva.
E o bololô se fez!...
Marina bate em Dilma, que bate em Aécio, que bate em Dilma, que não bate em Marina...

sábado, 30 de agosto de 2014

ELBA RAMALHO, A VOZ DO NORDESTE


Aos 63 anos de idade completados no último dia 17, a cantora paraibana Elba Ramalho firma-se definitivamente como uma das vozes mais fortes e vibrantes do nordeste brasileiro.
O seu primeiro disco, Ave de Prata – de autoria do primo Zé Ramalho – foi lançado em 1979.
Eu a conheci nessa época.
Na ocasião o poeta e fotógrafo Paulo Klein reuniu alguns dos principais jornalistas em S. Paulo para apresentar, na sua casa à rua Avanhandava, a nova cantora que vinha do nordeste decidida a conquistar mentes e corações do Brasil.
E conquistou.
Elba, como quase todos os nordestinos, carrega consigo a crença e fé nos mistérios da vida. Para ela, Deus é, simplesmente, “o caminho e a vida”.
Mística, ela não tem medo de dizer com todas as letras que acredita em vida pós a morte e em vida além do planeta Terra.
Ela respira fé em Deus.
Sempre alegre, comunicativa e solidária, Elba Ramalho sempre procurou estar de bem com a vida e com o próximo, transmitindo alegria e esperança.
Ela sempre diz ter ciência de que “a nossa vida é muito curta”.
Elba Ramalho – por que não dizer? – é uma espécie de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Gordurinha de saia.
Ela canta o que crê, tanto que não é raro encontrar no repertório de seus discos, canções que falam de amor e paz.
Em 2000, eu tive a alegria de contar com sua participação na gravação do CD Assis Angelo Interpreta Poetas Brasileiros (acima, clique sobre a imagem), há muito esgotado.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

QUI NEM JILÓ

Votos de boa sorte e orações de amigos espalhados por aí como Roberto, Simone, Anastácia, Celia, Celma, Clévisson, Osvaldinho, Miguel, Mara, Geraldo, Darlan, Mocinha, Ivone, Eduardo, Joel, Wilson, Onaldo, Beto, Papete, Roniwalter, e Jorge, e levantaram a bola e me deram coragem nesses dias para, mais uma vez, encarar os mistérios do Centro Cirúrgico do Hospital das Clínicas, acompanhado por uma equipe de capacitados e profissionais do ramo da oftalmologia que estão pelejando para me fazer ver de novo as coisas da vida. Eu estou bem, qui nem jiló.
Solidariedade, carinho, amor, amizade e bem-querer são coisas que guardamos para sempre.

Fica o registro.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

O SOM DA NOSSA LÍNGUA

Entre os dias 10 e 12 do próximo mês será realizado, em Brasília, um encontro de especialistas para discutir, mais uma vez, mudanças na língua que falamos. Dizem os cabeções de plantão que é para acabar com o alfabetismo de vez no País.
Os resultados desse encontro, denominado pomposamente de Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, serão encaminhados ao Senado que, por sua vez, encaminhará suas apreciaçoes ao Congresso Nacional. Feito isso, o Brasil será outro, com todo mundo falando a mesma língua.
Mas que língua?
Eu, que sou bem dalí do começo da segunda parte do século passado, aprendi ainda no Ginásio lições básicas, necessárias e inesquecíveis para escrever e falar em bom português no meu dia a dia. Exemplo: antes de “p” e “b” não se escreve “n”.
Normas simples, assim, nos eram passadas por professores que sabiam ensinar.
A base referencial era o latim, que acabaram.
E aí ouvimos hoje horrores, como “interim”, ao invés de ínterim; “clítoris”, no lugar de clitoris, “houveram” e “menas” etc., tão ao gosto de personalidades como Skaf, FHC e Lula.
Mas Lula falar com sua voz esganiçada “menas” ou revelar que “fazem três anos” que não vai a Garanhuns” é uma coisa; outra, é Skf e FHC falarem alto e bom som “houveram três coisas” de que não gostaram.
A fala ou escrita culta é uma coisa, a outra é a fala ou escrita popular, inculta, como dizem os gramáticos.
Lula é povo e fico por aqui, pois não sou gramático nem nada.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ANTÔNIO ERMÍRIO, 1928-2014

Com o desaparecimento ontem à noite do engenheiro metalúrgico e empresário Antônio Ermírio de Moraes, mais uma cadeira está vaga na Academia Paulista de Letras, a de nº 23.
Por muitos anos Ermirio foi colunista da Folha, mas ele gostava mesmo, além de ganhar muito dinheiro, era de escrever peças para teatro sempre tendo como foco e tema o Brasil.
Ele era um homem simples, que gostava de se misturar à multidão.
Lembro, por exemplo, que um dia eu almoçava no restaurante do extinto hotel paulistano Ca´d´Oro, na Augusta, com o artista plástico Miguel dos Santos e o então diretor do Museu de Arte de São Paulo, Pietro Maria Bardi (1900-1999). Ao nosso lado Ermirio nos cumprimentou com simplicidade antes de se de sair sozinho, sem guardas-costas.
Depois fiquei sabendo que fazia parte da sua rotina almoçar ali, sem que nunca ninguém o importunasse.
Em 1986, Ermírio arriscou governar São Paulo.
Um de seus cabos eleitorais foi Roberto Carlos, que agora está processando Tiririca.
Mas essa é outra história.
Após perder para Quércia (1938-20010), ele prometeu que jamais repetiria a experiência de concorrer a cargo eletivo.
Promessa que cumpriu à risca, antes de desabafar:
- A política é uma podridão.

domingo, 24 de agosto de 2014

CULTURA POPULAR E POLÍTICOS

https://www.youtube.com/watch?v=5AoY8wZHIE4
Começou ontem, às 22 horas, o primeiro encontro – debate? - de candidatos ao governo do Estado de São Paulo promovido pela TV Bandeirantes e mediado por Boris Casoy.
O encontro reuniu Paulo Skaf (PMDB), Alexandre Padilha (PT), Gilberto Natalini (PV),  Gilberto Maringoni (PSOL), Laercio Benko (PHS) e Walter Ciglioni (PRTB).
Internado num hospital da Capital paulista com problemas intestinais, o candidato à reeleilçao, Geraldo Alkmim (PSDB), não participou do encontro e acabou virando vidraça.
Foi morno o encontro que terminou pouco depois da meia-noite.
Chamou-me a atenção o fato de em nenhum momento – da refrega? - os senhores aspirantes à governança paulista fizeram alusão à cultura popular.
Mas eles não sabem o que é isso, não é mesmo?
Falaram alguma coisa sobre educação, embora assassinando a língua.
O Skaf, por exemplo, logo nos primeiros instantes do encontro tascou um “houveram” de arrepiar na trilha do cabeção FHC, que fez a mesma coisa numa ocasião de sabedoria e inspiração em que defendia a discriminalização da maconha.
Lembro-me que na primeira campanha ao governo de São Paulo, num debate intermediado por Carlos Nascimento, na TV Globo, Alkmim abriu a roda falando de cultura popular e prometendo mundos e fundos.
O fato, porém, é que ele falou e pouco fez.
A cultura popular, senhores, é a digital de um povo.Aliás, no seu discurso de posse http://www2.planalto.gov.br/acompanhe-o-planalto/discursos/discursos-da-presidenta/discurso-da-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-durante-compromisso-constitucional-perante-o-congresso-nacional, a Dilma usou essa frase com a variante “alma” no lugar de digital.
Eu esperava mais.
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O calendário de comemorações de aniversário de fundação da cidade de São Paulo ainda não havia terminado quando Getúlio Vargas enlutou o País ao espatifar o seu coração com um tiro à queima-roupa. Era uma terça o 24 de agosto daquele fatídico ano de 1954. Os fatos que levariam ao suicídio do presidente alcançaram maior gravidade com a tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda duas semanas e cinco dias antes na Rua Tonelero, Rio. No seu lugar tombou mortalmente ferido a bala o seu guarda-costas, Rubens Vaz.
Getúlio é o presidente mais cantado da música popular brasileira.
Fica o registro.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

TRAGÉDIA HUMANA E FOLCLORE

O campo do folclore é imenso, no Brasil e no resto do mundo. Nele há de um tudo, desde abobrinhas cintilantes de dimensões e colorações diversas a histórias de arrepiar o corpo, além de mitos e lendas como a da Mula sem Cabeça, do Boto, do Lobisomem e do rei Athur; supersições, crenças, cantigas, jogos infantis, adivinhações, danças, anedotas, provérbios, modos de vida e tudo o mais proveniente das gentes e da natureza, incluindo tragédias humanas ou não.
No livro mais lido em todos os tempos, a Biblia, em qualquer de suas edições se acham narrativas que tratam de mitos, lendas e tragédias ao gosto do freguês. Nele é dito, por exemplo, que o homem veio do barro e a mulher, de suas costelas. É dito também que foi uma cobra a responsável pela carga de pecados que carregamos sobre o lombo até hoje, e que Jesus nasceu do nada. Mas, enfim, a maior tragédia do mundo não se acha na Biblia.
A maior tragédia do mundo ocorreu quando o homem desceu das árvores, inventou o fogo, armou-se até os dentes e matou Deus.
Essa, sim, foi a maior tragédia do mundo em todos os tempos.
Depois disso passamos a vagar, a penar sem aprender coisa nenhuma, pois continuamos a matar, a fazer sofrer os nossos semelhantes.
Até quando?
Não é à toa que somos os únicos animais que se suicidam...
Mas no começo de tudo o homem amava a Deus, admirava a Lua e nela achava forças e soluções para os seus males.
No começo de tudo o homem respeitava o Sol, do qual dependia para muitas coisas.
No começo de tudo o homem olhava para o Céu e brincava com as estrelas.
No fim de tudo...
Hoje é o Dia Internacional do Folclore, que já nem comemoramos mais.
Quer saber mais sobre o tema?
Então, clique:
e clique também:
https://www.youtube.com/watch?v=TeLQm3SbyJQ
SYBELE
Morreu ontem no Rio de Janeiro a cantora baiana Cybele, da dupla com a irmã Cynara. Cybele começou a carreira integrando o Quarteto em Cy. O primeiro disco o grupo gravou em 1964. Quatro anos depois, Cynara e Cybele defendderam no III Festival Internacional a composição Sabiá https://www.youtube.com/watch?v=Zhxcu55PRHI, de Tom Jobim e Chico Buarque, que ganhou de Caminhando ou Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré.

RAUL SEIXAS
Também foi num dia 21 de agosto que morreu em São Paulo o cantor e compositor baiano Raul Seixas. O corpo foi encontrado na manhã do dia seguinte. Raul era honesto no que cantava. Ele adorava Luiz Gonzaga, que adorava Antenógenes Silva, que adorava Carlos Gardel. Antenógenes foi o único artista sul-americano a acompanhar Gardel em show, segundo ele próprio me disse em entrevista gravada e arquivada no Instituto Memória Brasil.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

BICICLETA E VIDA SAUDÁVEL

Ainda atrás do Rio de Janeiro e Curitiba, aos poucos porém São Paulo vai se inserindo no bloco das cidades que dão atenção às pessoas que gostam de pilotar bicicletas, ao invés de carros e motos. Claro que ainda vai demorar a chegar ao patamar ideal, como chegaram Berlim, Nova Iorque e Amsterdam, por exemplo.
Paris também é uma cidade onde as pessoas – turistas incluídos – são cada vez mais estimuladas a fazerem uso de bicicletas no seu dia a dia.
Berlim tem cerca de 750 quilômetros de ciclovias e Buenos Aires 130, o dobro de São Paulo.
Passeio na Praça da Independência, em João Pessoa: fins doas anos 1960
A meta do governo municipal é implantar 400 quilômetros de ciclovias até dezembro do próximo ano, ao custo de oitocentos milhões de reais.
Bicicleta é sinônimo de vida saudável.
Ah, sim! Pode não parecer, mas eu já tive 17 anos (prova ao lado).

IBIRAPUERA
Inaugurado no dia 21 de agosto de 1954, o Parque Ibirapuera, que conta com ciclovia e quadras iluminadas, além de pistas destinadas a cooper, passeios e descanso, completa hoje 60 anos. A sua área total é de 1,584 km². É o parque em área urbana mais visitado do País. É também o mais cantado em letra e música.

EXAGERO
Gostar de bicicleta é uma coisa, agora gostar desse jeito https://www.facebook.com/photo.php?v=445655972171039&fref=nf é outra, meio suicídio, não é não?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

MOCINHA DE PASSIRA HOJE NO ESTADÃO

O paulistano diário O Estado de S. Paulo publica hoje, na última página do seu Caderno 2, ampla matéria (clique no link abaixo) sobre a poeta improvisadora ao som de viola Mocinha de Passira. A matéria, assinada pelo repórter JB Medeiros, destaca a importância de Mocinha no mundo da cantoria. Ela, aos 65 anos, é a mais respeitada profissional do repentismo brasileiro.
JB lembra que Mocinha iniciou-se na profissão aos 11 anos de idade. A própria artista conta que para se impor no ramo da cantoria enfrentou muitos obstáculos.
A matéria é muito boa. Mocinha de Passira tem percorrido o Brasil de canto a canto, sempre empunhando a viola e encantando as pessoas com seus versos improvisados.
Ela tem vários discos gravados.
O seu nome é muito respeitado, inclusive por grandes personagens da vida brasileira, como o recentemente falecido paraibano Ariano Suassuna.
Em 1997, Mocinha de Passira integrou o corpo de jurados do 1º Campeonato Brasileiro de Poetas Repentistas realizado no Memorial da América Latina, que teve como vencedor o pernambucano Oliveira de Panelas
. Na ocasião, o jornal The Guardian, de Londres, destacou o nome de Mocinha (acima e ao lado; para ler o texto em inglês, clique sobre a imagem) como uma das mais representativas figuras do repentismo brasileiro.
Mocinha de Passira está de passagem pela capital paulista participando de eventos, como o que reuniu diversos artistas populares no último fim de semana na livraria Cortez (abaixo).

Luiz Wilson, Pedro Monteiro, Assis,  Alessandro e Mocinha de Passira


sábado, 16 de agosto de 2014

O BRASIL É KAFKIANO


Assis entre Moreira de Acopiara e Jose cortez

Há pouco tive o prazer de encerrar a programação da bienal do cordel – este ano na sua nona edição - promovida pela Cortez Editora, na Livraria Cortez, ali no bairro paulistano das Perdizes.
O poeta-declamador cearense Moreira de Acopiara atuou como mestre de cerimônia e ao fim foi muito aplaudido.
Aberta pelo editor José Cortez, a programação da bienal, intitulada Semana do Cordel, contou com dezenas de verdadeiros representantes da cultura popular, entre os quais Sebastião Marinho, Mocinha de Passira, Téo Azevedo, Valdeck de Garanhuns, Luiz Wilson, Pedro Monteiro, Luiz Carlos Bahia, Eduardo Valbueno, Marco Haurélio e um dos filhos do poeta Patativa do Assaré, o declamador João Batista.
Como o brincante Alessandro Azevedo, criador do palhaço Charles, o jornalista José Nêumanne, acompanhado da sua musa Isabel, não se cansou de aplaudir os artistas presentes com suas performances.
No encerramento do evento usei o microfone para falar da riqueza e importância da nossa cultura popular, hoje - e sempre - tão desprestigiada pelos governantes das três esferas políticas no País.
Na verdade, a nossa cultura popular se acha no limbo, e o mais grave é que os senhores conselheiros do Ministério da Cultura camuflados no CNIC não sabem o que é cultura, tampouco a popular; pois se soubessem certamente não aprovariam um projeto de 4,1 milhões de reais para sete apresentações de um moço chamado Luan Santana e nem outro de uma moça de nome Bruna Surfistinha, que teve o aval do referido Ministério para projeto de 3,9 milhões destinados à produção de um filme que contou a sua história de garota de programa.
Nos meus tempos de rádio, e não faz muito tempo, briguei muito para que se levasse de volta às escolas públicas e privadas a nossa música. Esse projeto o Congresso aprovou, mas faltam professores para a matéria.
Pode?
Pois é, somos ou não um país kafkiano?

na foto, entre outros, Teo Azevedo, Luiz Wilson, Luiz Carlos Bahia, Eduardo Valbueno, Marco Haurelio e o futuro deputado estadual Alessandro Azevedo

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MOCINHA DE PASSIRA X LEILA DINIZ

O acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos fez me lembrar de acidentes parecidos que também encerraram a vida de outros políticos famosos, como Siqueira Campos, no Uruguai, Castelo Branco, em Fortaleza, e Ulysses Guimarães, no mar do Rio; e de artistas muito conhecidos e queridos, como o cantor Agostinho dos Santos, na França, Mamonas Assassunas, em São Paulo, e Leila Diniz, na Índia.
Leila morreu no dia 14 de junho de 1972, três anos depois de sua célebre entrevista ao extinto semanário carioca Pasquim.
Além de atriz, Leila Diniz foi uma pessoa muito inteligente e agitada, que rompeu padrões na vida brasileira a partir da segunda metade dos turbulentos anos de 1960. Nesse ponto, ela lembra a poeta repentista Mocinha de Passira.
Mocinha, de batismo Maria Alexandrina da Silva, tinha 20 anos de idade quando Leila morreu e já fazia estripulias na sua terra pernambucana, casando antes dos 18 anos e brigando pra valer com quem a provocasse, inclusive os cantadores improvisadores mais importantes de lá, como o lendário Diniz Vitorino, ao lado de quem entrou num estúdio pel primeira vez para participar da gravação de um disco.
Leila e Mocinha, depois de Dercy Gonçalves, foram quem mais usaram o palavrão para melhor se comunicar.
Mocinha de Passira e o seu colega repentista Sebastião Marinho em visita ao Instituto Memória Brasil - IMB

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A VIDA É UM VAPT-VUPT!

Ao piano, Mário Albanese acompanha Darlan Ferreira
Quase sempre na vida as coisas ocorrem de modo muito rápido, começando ou acabando num minuto; numa fração de segundo, seja na geração de uma vida, seja no término dela, no tombo de um suicida, no vôo de um pássaro ou na queda de um avião.
É tudo vapt-vupt.
Às vezes pode doer, às vezes não.
Pra morrer basta estar vivo, como diz velho dito popular.
É quase certo que Eduardo Campos não teve tempo para sentir dor.
Nem ele e nem as pessoas que com ele estavam na manhã trágica de ontem, quando seu avião em vôo do Rio de Janeiro para São Paulo espatifou-se em solo santista.
Eu conheci o então governador de Pernambuco há alguns anos num almoço com nordestinos de destaque na cidade paulistana, entre os quais o editor José Cortez, o radialista Expedito Duarte – Mano Novo -, o poeta Moreira de Acopiara e o jornalista José Nêumanne, se a memória não me falha, no restaurante Andrade.
Achei-o uma figura simpática, alegre, de gestos firmes e cativantes.
Eduardo Campos parecia apostar todas as fichas na carreira de político nacional.
Não era verborrágico como Ciro Gomes, também presente na ocasião.
Lembro convrsamos sobre Pernambuco e a respeito de alguns artistas, como Luiz Gonzaga, Marinês e Anastácia.
Até então ele só ouvira falar de Gonzaga, que anos depois se envolveria num projeto de construção do Museu Cais do Sertão, em memória do Rei do Baião.
Mas a impressão que guardo a seu respeito é a de que não era muito chegado às coisas da cultura popular... Mas até aí nada demais em se tratando de político, não é mesmo? 
O ex-governador de Pernambuco morreu com 49 anos de idade.

ERUNDINA
Com o trágico desaparecimento de Eduardo Campos, quem do seu partido ou da coligação assumirá a candidatura à presidência da República? Na minha visão, mais do que Marina Silva, o nome mais gabaritado é a deputada federal Luiza Erundina, ficha limpíssima de comportamento cidadão - e político – exemplar, sem essa de Maluf ou Feliciano.

JEQUIBAU
O 13 de agosto é o Dia do Jequibau http://artspazio.blogspot.com.br/2014/08/13-de-agosto-e-o-dia-do-jequibau-vamos.html, em referência e homenagem ao rítmo musical criado por Mário Albanese e Ciro Pereira. No Instituto Histórico e Geográfico de São foram lembrados os 49 anos de criação do rítmo. O compositor e produtor musical Darlan Ferreira declamou, acompanhado pelo próprio Albanese ao piano. Fica o registro.  
No Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo momentos  pelos 49 anos do Jequibau

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

DIA DO PENDURA E DO GARÇOM

Hoje é Dia do Garçom, do Advogado, do Estudante – e do Pendura.
O garçom tem a ver com todo mundo que frequenta restaurante, incluindo estudantes e advogados.
Em 1827, precisamente no dia 11 de agosto, o imperador Dom Pedro I criou por Decreto, via Assembleia Legislativa, os cursos de ciências jurídicas no País através das faculdades de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, e Olinda, em Pernambuco.
No rastro dessa instituição tão importante para a formação política e social do Brasil vieram o Dia Nacional do Estudante e o Dia do Pendura, que pessoalmente nunca validei como legal e correto, tanto que o Art. 176 da Lei Penal vigente diz que “Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento” é crime sujeito a punição.
Nos “penduras” é comum que se pague 10% da conta aos garçons, enquanto o prejuízo fica para o restaurante.
A regulamentação da profissão de garçon é realativaamente nova,
Há dois anos o Senado aprovou lei chamada Reginaldo Rossi que define tempo de serviço para aposentadoria de garçons, maîtres, confeiteiros e cozinheiros.
Os garçons se aposentam com 25 anos de trabalho.
O Brasil é o terceiro país com maior número de advogados: 750 mil e mais de 1,5 milhão de bacharéis em Direito. 
Para ouvir o clássico brega Garçom, de Reginaldo Rossi, clique:

domingo, 10 de agosto de 2014

POEMA NO JORNAL DO SBT

Os telespectadores foram surpreendidos ontem à noite com o apresentador Carlos Nascimento (acima, CLIQUE), encerrando o noticioso Jornal do SBT declamando um poema – A Oração da Maçaneta – de Gióia Júnior.
O poema trata da apreensão – e alívio - de um pai à espera do filho de volta à casa após uma noitada com amigos. É um belo poema.
Jornalista com passagens pelo rádio e televisão, o campineiro Gióia Júnior nasceu um dia antes do Dia dos Pais, 9 de agosto, em 1931, e tem publicados pelo menos duas dezenas de livros e gravados vários LPs, nos quais ele próprio declama.
Alguns de seus poemas foram musicados e lançados em disco por intérpretes como Sérgio Reis.

sábado, 9 de agosto de 2014

A OPINIÃO COMO ESPETÁCULO

Lembrei-me há pouco do conterrâneo e xará famoso Assis Chateaubriand (1892-1968) ao escutar pela Rádio Jovem Pan Os Pingos nos is, programinha engraçado de final de tarde do crítico de plantão Reinaldo Azevedo.
Conta-se que certa vez ao velho Chatô um jornalista foi pedir emprego e como teste recebeu a incumbência de escrever um texto sobre Jesus Cristo, mas de bate-pronto perguntou:
- A favor ou contra, Dr. Assis?  
O cara ganhou o emprego, claro.
Opinar é bom e com responsabilidade, melhor ainda.
Hoje mais do que nunca, e mais até do que os jornalões tradicionais, as emissoras de rádio de São Paulo estão apostando firmemente em opinião como produto assinado, caso das rádios CBN, Estadão e Jovem Pan, que do ramo têm bons craques como Alexandre Garcia, Arnaldo Jabor e já referido Reinaldo Azevedo.
Dentre todos Reinaldo é o que exagera, ao se colocar como sabichão dos sabichões, o que mais sabe de tudo e muito mais, por isso chega a dizer besteira em nome do livre-pensar como o fez ontem ao falar sobre as origens do saiote dos escoceses e tomar para si a a manjada expressão que dá título ao programa.
A expressão “os pingos nos is” é uma expressão folclórica tão antiga como “quem fala muito, dá bom dia a cavalo”.
O fato é que a opinião, mais do que a notícia, está virando show, espetacularização.
Não sei se isso é bom.
           
O VELHO CHICO’
Ouço no rádio notícia dando conta de que o nível das águas do Rio São Francisco está baixando assustadoramente, por causa da longa estiagem. No leito do rio não tem caído um pingo d’água sequer. Por causa disso, as consequências têm sido dramáticas. Até o serviço de balsas que atende as necessidades dos moradores de várias cidades ribeirinhas, como Januária e Três Marias, está suspenso. Em Pirapora, os passeios no vapor centenário Benjamim Guimarães – o único em ótimo estado ainda movido à lenha -, também. Porém os trabalhos para o desvio de suas águas para Pernambuco e Paraíba e outros Estados nordestinos continuam de vento em popa nas suas diversas frentes. Ao lado do Tietê, o São Francisco é o rio mais cantado na música brasileira.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SECA, IMPRENSA E FUTEBOL

Ouvi no rádio a notícia de que a cidade de Itu, localizada na região sorocabana e distante 102 quilômetros da capital paulista, está vivendo o pior e maior drama da sua história de 404 anos: a falta d’água.
Como Itu, chamada de Cidade da Criança e onde dizem que tudo lá é grande, inclusive a esperança, dezenas de outras cidades paulistas passam pela mesma terrível experiência, embora o governo do Estado não reconheça nisso drama nenhum.
Aliás, vários bairros da capital de São Paulo estão vivendo em sistema de racionamento há meses, embora o governo também negue esse fato.  
Ironicamente Itu é uma das 29 estâncias turísticas do Estado, mas o fluxo de visitantes está, obviamente, prejudicado por motivo de força maior: a falta d’água.
Outrora Itu foi a cidade mais importante e rica do Estado, tanto que chegou até a marcar presença de destaque no processo vitorioso que levou à proclamação da República em 1889, ao sediar 16 anos antes a primeira convenção de eminentes republicanos, entre os quais quase todos os barões do café.
Mas a notícia que me trouxe a realidade vivida atualmente pelos ituenses me levou também à dura realidade ora vivida pelos sertanejos nordestinos, que amargam as consequências da estiagem mais violenta do último meio século sem que o poder público nada faça para sequer amenizar as agruras sentidas.
E nestes tempos bisonhos de pré-eleição nem a imprensa diz nada.
Por que será, hein?
Ah! Sim, além de ser uma espécie de berço da República, Itu é berço também do futebol brasileiro, pois foi lá que se soube da existência do futebol, notícia trazida por um jesuíta que fora à Europa, em 1878, em busca de novidades para o colégio no qual lecionava e onde rolou bola no Brasil pela primeira vez: o São Luís. 
Alunos do colégio São Luís, de Itu, foram os primeiros jogadores de futebol no Brasil.  A foto é de 1897

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O DIA EM QUE MORRI DE VERGONHA

Da mesma maneira que é difícil ver Vital Farias acomodado aos padrões atuais do meio fonográfico, digo o mesmo do estaduzudense Wynton Marsalis, tido e havido como o maior trompetista do mundo.
À parte gêneros e dimensões, os dois são pérolas que brilham indifentes à crítica e ao próprio mercado.
Eles cuidam de arte.
Negro, ao contrário de Vital, Wynton é um músico que encontra no trompete o seu instrumento de expressão maior, como Vital tem no violão a sua extensão mais expressiva.
À maneira de cada um, os dois são grandes.
Ouvindo Concerto Para Dois Trompetes, do italiano Antonio Vivaldi (1678-1741), a impressão que se tem é que essa peça, que abre o LP Música Barroca Para Trompetes, foi feita especialmente para Wynton.
Ouvindo Estudo nº 22, do francês Napoleon Coste (1805-1883), a impressão que se tem, com relação a Vital, é a mesma.
Nesse caso, o que faz a diferença é a Orquestra Inglesa de Câmara que acompanha o estazudense, sob a regência de Raymond Leppard.
Eu fui apresentado a Wynton Marsalis há uns 20 e poucos anos, por um amigo comum que tocava trompete na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, à época do maestro Eleazar de Carvalho.
Gostei dele.
E entre um assunto e outro, ele disse:
- Se você fosse norte-americano, você teria todas as condições para realizar seus trabalhos de pesquisa.
Morri de vergonha.

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