Seguir o blog

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

BRASIL E RANGEL JUNIOR

Ouço no Rádio notícia dando conta que Collor está mais enrolado do que arame farpado, com três ou quatro processos correndo na área da Justiça. Também ouço no Rádio que o Presidente do Senado Renan está em situação, de novo, idêntica à do seu conterrâneo de Alagoas, onde o filho Renanzinho impera como Governador eleito nas últimas fraudes.

E como se não bastasse, o Rádio ainda me diz que o Presidente da Câmara – vocês sabem quem é – que pôs até o nome da sua santa mãe no enrosco em que se acha. Vejam só! Fora esses, há mais uns quarenta parlamentares envolvidos nas tramoias que a lava jato está trazendo a tona.

Coisa de Ali Baba, dos meus tempos de histórias infantis...

O mar de lama que ora devasta Mariana, MG, e redondezas até Espírito Santo, ES, parece ser menor do que o mar de lama que engoliu os homenzinhos que legislam a seu favor e usam a democracia e o nome do povo, e de Deus, em benefício próprio.

Quando será que o nosso Brasil tão judiado voltará a deslizar nos trilhos com firmeza em direção ao progresso, hein?

Bom, mas não é exatamente disso que eu quero falar.

Vocês já ouviram falar no paraibano Rangel Júnior?

A Paraíba, como todo mundo sabe, é um dos nove Estados nordestinos. Lá tem gente muito legal; gente que ganhou e ganha espaço bem arejado na história do Brasil, por trabalhar de modo sério e competente.

Em 1950, o pernambucano Luiz Gonzaga lançou em praça pública, em Campina Grande, o baião que até hoje dá o que falar: Paraíba, que já foi gravado até em japonês.

Ouça:




Paraíba foi lançado no mesmo ano em que seus autores (Gonzaga e Humberto Teixeira) lançaram também Juazeiro, que logo depois a norte-americana Peggy Lee pegou a novidade e gravou na sua voz, sem, porém, dar os créditos  de praxe aos autores.  

Detalhe: originalmente, o baião Paraíba foi composto como jingle; e como tal foi lançado à praça tornando-se um clássico da música brasileira.

Rangel Junior nasceu numa cidade do Cariri paraibano, Juazeirinho.

Juazeirinho fica a pouco mais de 200 quilômetros de João Pessoa, a minha terra.

Profissional da Psicologia, doutor em Educação, reitor da Universidade Estadual da Paraíba.  Político como todo ser antenado, Rangel é violonista, compositor e cantor, dos melhores. Ele tem alma e estilo próprios. Não dá para compará-lo a outro grande artista daquelas bandas, Biliu de Campina por exemplo.

Na música popular, Rangel navega por vários ritmos: xote, forró, baião, coco e até samba de breque.

Rangel Junior é o único cantor-reitor que conheço no nosso País, e duvido que haja outro por aí mundo afora.




terça-feira, 10 de novembro de 2015

ISMÁLIA, UMA OBRA PRIMA.

Alguns amigos, como Peter Alouche, me puxaram a orelha por não ter postado o poema Ismália, do poeta mineiro Alphonsus de Guimaraens. Não será por isso que irei me atirar ao mar e minha alma deixará de subir ao Céu. Se bem que tenho um monte de amigos que devem estar comendo frango e bebendo Uísque em lugar que certamente não é onde Deus está.

A obra de Alphonsus é recheada de emblemas míticos.

Agora deixo pra vocês fazerem leitura própria da obra prima que é Ismália.



O CRUZEIRO

Hoje está fazendo 87 anos do lançamento do que foi a mais importante revista semanal do Brasil: O Cruzeiro. O dono dessa revista foi o paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello (1892 – 1968). Ele era de Umbuzeiro e eu sou de João Pessoa.


Chatô, como ficou conhecido, foi o primeiro e mais importante magnata da imprensa brasileira. Coube a ele a iniciativa de trazer para o Brasil a televisão. Isso, em setembro de 1950. Num período dos 80, trabalhei como repórter dessa revista, à época editada por Arlindo Silva...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CONVERSA, SUICÍDIO E PAZ

Se o mundo conversasse entre si, o mundo seria melhor.
Se todos nós conversássemos, claro seríamos todos melhores.
Conversar faz um bem danado!
Mas como estamos sempre distante de nós mesmos, nos perdemos. Não nos amamos, e de novo nos perdemos.
Não é porque não existam guerras, as guerras sempre existirão porque sempre serão um bom negócio para quem vive das guerras.
E são muitos os que vivem das guerras no mundo todo. Putin e Obama, por exemplo.
Poxa, não conversar não é bom.
Conversa e guerra têm a ver com poesia?
Pois bem, foi-não- foi amigos batem à minha porta para conversar, e eu fico muito feliz com isso.
Domingo, meu amigo Peter chegou trazendo um galeto numa mão e na outra um uísque; e comemos o galeto, bebemos o Uísque e conversamos. E tivemos uma conversa que durou mais de hora. E aí senti-me feliz, porque conversar é entender.
E papo vai, papo vem, Peter me pergunta se eu conheço o poema Ismália. Fiquei em dúvida. Ele deu dicas: Mallarmé foi um poeta simbolista. O autor desse poema era simbolista. Augusto dos Anjos também foi simbolista, eu disse. Aí foi legal, Peter lembrou que conhecera Ismália desde a adolescência. Ismália é uma obra prima de Alphonsus de Guimaraens, em que nos fica na memória a cena mais linda de um suicídio, se é que se pode chamar de linda uma cena de suicídio.
Conversar com Peter Alouche, só soma, nos engrandece. 
Eu sempre aprendi com pessoas que passei a amar, como Luís da Câmara Cascudo, Paulo Vanzolini, Inezita Barroso, Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, José Ramos Tinhorão, Papete e tantos e mais alguns que me trouxeram à luz a vida mais forte do que ele é.
Mas ele insistiu se eu conhecia o poema Ismália.
Ismália, ele me disse, é um poema muito bonito do Alphonsus.
A ficha caiu: o autor de Ismália nasceu no dia 24 de julho de 1870, mesmo tempo em que Carlos Gomes estreava na Itália a ópera indianista O Guarani, a sua primeira das seis óperas que o transformaram no maior compositor das Américas.
Coisas incríveis nos dão vida, não é?
Alphonsus de Guimaraens nasceu em Ouro Preto e morreu em Mariana. Meu Deus! A poesia faz bem e a tragédia é o que é...
Em 1954, Getúlio Vargas foi para o inferno com um tiro no peito. Motivo? Um mar de lama que o ladeava. Denúncia do Lacerda.
Um mar de lama, é, na verdade, um horror que engole tudo que vai achando pela frente, inclusive almas inocentes. 

Quando a democracia nos fará felizes?

E conversar faz um bem danado, não é mesmo Eduardo Valbueno? 
Ah, sim! Alphonsus de Guimaraens, ao contrário de Vargas, chegou ao Céu no dia 15 de julho de 1921. 


sábado, 31 de outubro de 2015

MEXENDO NO MUNDO


O Fábio mexe pra lá e mexe pra cá.
O Fábio nem sabe o que quer, por desconhecer o que quer.
O mundo é mundo: do tamanho de todos nós.
Entender o mundo é entender a gente, nós.
No mundo tem tudo.
Tem pensadores, tem poetas, tem tudo...
O mundo se faz conosco. O mundo não existe sem... nós.
Pensar é fundamental.
Mas, para pensar, é preciso pensar.
Pensar o quê, como pensar?
Tudo isso tem a ver com educação.
Educação e cultura formam cidadãos.
Um cidadão só se forma
À luz da filosofia
Com educação e cultura
E um quê de sabedoria.


Cidadania tem a ver com todos nós.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

VIVA O DIA DO LIVRO!

Postos pra correr por Napoleão Bonaparte, Dom João VI e família juntaram seus teréns e se lançaram ao mar em direção ao Brasil de Cabral.
Depois de braçadas e braçadas mar adentro, a família Real portuguesa desembarcou   na incipiente província  de São Sebastião do Rio de Janeiro. Na trouxa o imperador trouxe documentos, livros e prensas.
Isso em 1808.
Dois anos depois, e depois de criar a Imprensa Régia, dom João VI também criou o Dia Nacional do Livro, 29 de outubro, que é hoje.
Belo dia.
A leitura transforma quem ler.
O livro é o professor que está sempre a nossa disposição, em qualquer lugar que estejamos  Ele nos leva a grandes viagens, a grandes aventuras; ele nos provoca, nos tira dúvidas, nos ensina de todas as formas transformando a nossa vida.
Quem ler conhece tudo ou quase tudo do tudo que há no mundo.
Depois de Louis Brailler, até os cegos leem.
Eu quero dizer o seguinte: quem aprendeu a ler e não ler livros, é um bobo, pois não sabe o que está perdendo. Aliás, o paulista Monteiro Lobato cunhou uma frase que diz tudo: "Um país se faz com homens e livros".
Livros dão conhecimentos e mostram o caminho do saber.

Um cidadão só se faz à luz da filosofia.
Com educação e cultura
E um quê de sabedoria.

Claro, os versos acima são meus, mas o importante não é isso. O importante é ler. Sei , porém, que livros no nosso país são produtos muito caros. Nesse setor há muitos problemas, como de resto problemas há em todo canto. Conheço grandes e sensíveis editores do ramo literário que estão comendo o pão que o Diabo amassou. Entre  esses verdadeiros paladinos da cultura do saber, se acha José Cortez, que está pondo no mercado 1,5 milhão de exemplares de livros a preços que variam de 1 real a dez reais.

Viva o Dia do Livro!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

BOI É TEMA DO NOVO CD DE CLAUDIO LACERDA


Carro de boi é carro de tração animal. Foi o primeiro a rodar nos sertões do nosso País. Isso tem ali, por baixo, uns quatro séculos. Tem carro de boi com  2 bois, com 4 bois, 8 e até 12.
Boi carreiro é boi de carro de boi.
Carreiro é o condutor do carro de bois.
Carro de boi é carro, hoje, em extinção. Portanto, não há mais carreiro nem boi carreiro.
Tem muita história de carreiro e carro de boi. De vaqueiro também.
Vaqueiro era o homem que vaqueja.
O vaqueiro, também em extinção, tocava boi, aboiava.
Guimarães Rosa – sim, aquele de Grande Sertão Veredas – tangeu boi e boiada e, como resultado disso, gerou para nos e o mundo, a obra-prima que em 2016 estará completando 60 anos desde seu lançamento.
A motocicleta substituiu o vaqueiro no Sertão
O tema gerou inúmeras cantigas; algumas clássicas, como Boi Soberano, moda de Izaltino Gonçalves e Pedro Lopes; e Boiadeiros, toada da dupla Armando Cavalcante e Klécius Caldas, essa imortalizada na voz abaritonada de mestre Lua Gonzaga, rei de todos os baiões.
Pra mim é uma alegria muito grande quando me chega às mãos disco como Trilha Boiadeira, do violeiro de verdade Cláudio Lacerda.
Esse novo disco de Lacerda traz uma dúzia de pérolas do repertório de cantigas de viola que o tempo não nos faz esquecer.Além das duas músicas já citadas, destaque para Boiadeiro Errante ( Teddy Vieira),Triste Berrante (Adauto Santos), Tocador de Boi ( Gutia, Braúna e Téo Azevedo) e Disparada, do genial paraibano Geraldo Vandré.
O disco Trilha Boiadeira é um disco muito bonito, cuja beleza sonora deve ser espalha por aí afora.

BOI

Não lembro bem o ano agora, mas andei escrevendo texto sobre boi carreiro.
Escvrevi e interpretei no filme BOI, dos diretores Edu Felistoque e Nereu Cerdeira.

CLIQUE.



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

HOJE É DIA DE REIS, PELÉ E JACKSON DO PANDEIRO

Eu tenho grande respeito e admiração pelo rei do futebol, Pelé.
Eu tenho grande respeito e admiração pelo rei do ritmo, Jackson do Pandeiro.
Hoje o mundo todo comemora a existência do atleta do futebol que mais nos encantou.
Pelé, de batismo Edson Arantes do Nascimento, nasceu em Três Corações, MG.
O mundo lembra de Pelé, mas o Brasil esquece Jackson.
Para a Musica Popular Brasileira, Jackson do Pandeiro nasceu em outubro de 1953. Nesse ano, ele gravou Forró em Limoeiro, de Edgar Ferreira; e Sebastiana, um coco, do pernambucano aparaibanado Rosil Cavalcante, que, aliás, completaria no próximo dezembro 100 anos de idade.
Eu tenho muito respeito por Pelé.
Eu tenho muito respeito por Jackson.
Eu tenho muito respeito pelo Brasil, que parece não ter muito respeito por nós.
O Brasil musical, em disco, começa em 1902 com o cantor Bahiano.
O Brasil dos brasileiros parece-nos um pouco distante...
É crise pra cá, é crise pra lá, é crise em todo canto.

É fácil contar histórias
Quando histórias há para contar
No Brasil há muitas histórias
Você não quer parar para escutar?

Pelé está completando hoje 75 anos de idade.
Forró em Limoeiro e Sebastiana, músicas do primeiro disco de Jackson do Pandeiro, estão completando 62.

Vocês viram o filme Pelé Eterno? Pois bem, como consultor musical, eu convenci o diretor Aníbal Massaine a abrir Pelé Eterno com o coco 1x1, de Edgar Ferreira. para lembrar Jackson, clique:

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ACABOU A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA


Hoje faz dois meses que o Estadão publicou um longo texto a meu respeito assinado pelo jornalista Júlio Maria http://cultura.estadao.com.br/noticias/musica,depois-de-ficar-cego--assis-angelo-luta-para-digitalizar-acervo,1744449 .
 No texto era dito do acidente natural que levou a luz dos olhos para o céu. No texto eu falava da importância da cultura popular brasileira, na vida brasileira. Falava também do acervo ( Instituto Memória Brasil – IMB) que constitui ao longo de 40 anos, reunindo milhares  milhares de discos em todos os formatos, milhares e milhares de fotografias de artistas e partituras, livros e jornais e revistas em edições centenárias, além de muitas outras “coisas” referentes ao fazer da cultura popular,  colhidas nas minhas andanças mundo afora.
São milhares e milhares de raridades que devem ser preservadas com todos os cuidados possíveis, incluindo digitalização, catalogação e, naturalmente, disponibilização pública em ambiente próprio escolhido para esse fim.
Pois bem, faz dois meses que a reportagem no Estadão foi publicada.
Hoje o mesmo Júlio Maria assina texto, também no Estadão, falando sobre a “crise” ora cantada em prosa e verso em todos os tipos de mídia. Traz falas de representantes do Sesc, Itaú cultural, Natura e outras entidades envolvidas no processo de divulgar as artes feitas no nosso País.
É um choramingas danado.
Há dois meses o Maria já me falava da ordem de suspensão do programa de apoio cultural da Petrobras.
O quadro apresentado no Estadão de hoje é de uma tristeza que dói,dói tanto que nos leva a crer que tudo esta perdido, que a cultura popular nem existe mais.
O representante do Sesc chega a falar sobre a alta do dólar e da economia, pois esta repensando tudo, inclusive se continua a trazer ou não artistas de outros países para se apresentar aqui.
Pela reportagem fiquei sabendo que a Petrobras chegava a investir até R$ 600 mil na produção de um simples cd, com direito a show de lançamento... Pela reportagem também fiquei sabendo que a música popular se resume a Emicida, GAL Costa, Ney Matogrosso, Elza Soares, Arnaldo Antunes, BNegão e Tom Zé.
Que a música popular brasileira acabou, isso eu já sabia.
Voltarei ao tema.        


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

BRASÍLIA NA HORA DOS INFERNOS

Um dia no Brahma da São João apresentei Mercadante à rainha do baião Carmélia Alves, que me apresentou tempos depois, no saguão do aeroporto de Congonhas, Elke Maravilha e Miele.
Elke confirmou-me ser uma mulher incrível, cidadã lúcida e competente nas suas atividades artísticas. Miele também.
Miele morreu ontem, deixando lembranças e tristeza a sua enorme legião de admiradores. Era, sem dúvida, competente no que se propôs a fazer na vida: graça no palco.


Enquanto isso, a temperatura de Brasília está que nem a hora dos infernos. E por falar nisso, Eduardo Cunha está se saindo réplica perfeita do Capeta. Suas pretensões de levar Dilma à lona estão indo por água abaixo.
Impeachment?
Du-vi-de-o-dó.
Cunha está que nem calango pulando sobre frigideira fervente, embora procure não demonstrar isso em público. Suas incursões pelos labirintos palacianos pedindo arrego para não cair,já são por muitos conhecidas.
O presidente da Câmara está mais enroscado do que rolo de arame farpado.
Os profissionais eleitos para nos representar na Câmara e no Senado têm mais é que trabalhar, não é mesmo?

Ah, sim! O Mercadante lá de cima é hoje, de novo, o titular da pasta que representa a Pátria Educadora da Dona Dilma.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

APOSTAR NO FUTURO É FUTURO

John Kennedy foi o primeiro e único – até agora – presidente católico dos Estados Unidos da América do Norte (1961- 63). Pois bem, quando ele assumiu a presidência do seu país, ele prometeu levar o homem á Lua. Ele cumpriu.
Os coreanos do Sul prometeram no tempo seguinte uma revolução no campo da Informática. Eles cumpriram.
No tempo seguinte à iniciativa dos coreanos do Sul em levar para o mundo a inteligência cibernética, o Brasil decidiu apostar na agropecuária.
Lembro-me: o gordinho metido a besta Delfim Netto era o ministro da Fazenda (1967 – 74)...
Hoje é o dia da Pecuária.
Governos diversos, de colorações políticas diversas, levaram o nosso País á uma buraqueira dos infernos.
Estamos pagando o pato.
Nós brasileiros, trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos...
O setor da agropecuária é, hoje, o setor mais importante da esfera que governa o nosso País. Sempre foi. É do campo para a cidade que sobrevivemos. O campo morre quando vem para a cidade, por isso é fundamental apostar e incentivar o homem no seu campo e tempo.
Minas Gerais lidera hoje a produção de grãos, incluindo o café.
Em 1929, o Brasil sofreu com a queda da bolsa de valores de Nova Iorque.
O Brasil e o mundo sofreram com a  derrocada.
A música popular brasileira, o gênero moda de viola principalmente, registrou a decadência da Bolsa de Nova Iorque.
O que eu quero dizer com isto?
Quero dizer que é de fundamental necessidade apostarmos em nós mesmos.
Tristeza: governo nenhum, desde a primeira República, tem apostado na educação e na cultura, não esta na hora?
Plantar é fundamental, inclusive sementes de ideias.
Viva o Brasil!
Ah! Ontem fez 225 anos que o Barão de Drummond (João Batista Viana, 1825 – 97) criou o jogo do bicho. O jogo do bicho, tem 25 bichos.
Tomara que não de bode ou zebra na situação periclitante que vivemos hoje. Prefiro borboleta, número 4.

Borboleta não é ave
Borboleta ave é
Borboleta só é ave
Na cabeça da mulher


domingo, 11 de outubro de 2015

EDUCAÇÃO E "LENTES DA MEMÓRIA"

A semana que passou foi uma semana muito boa pra mim.
A semana que passou deixou-me marcas indeléveis, pois foi nessa semana que, pela primeira vez, fui com uma turma da Laramara "ver" uma exposição com fotos incríveis e raríssimas do fotógrafo carioca Alberto de Sampaio (1870 - 1931). A mostra reúne expressiva quantidade de fotografias, até aqui inéditas.
Eu "vi" as fotos de Sampaio descritas de maneira impecável pelo profissional do teatro Iuri Saraiva. Atencioso, didático, Iuri contou tudo sobre a atuação fotográfica do artista.
A exposição Lentes da Memória, permanecerá à visitação pública no Instituto Tomie Ohtake até o próximo dia 1º.

Na mesma ocasião, e ainda na semana passada, apreciei também, no mesmo lugar, uma exposição retrospectiva da vida da pintora Frida Kahlo, deusa do pintor mexicano Diego Rivera. A vida dos dois foi muito atribulada. Ela estava a frente do seu tempo.
E nem era bem sobre isso que eu iria falar, vejam vocês.
Minha filha Clarissa chega até a mim para dar uma notícia lamentável: o governo estadual está na iminência de fechar escolas. O resultado disso, já é uma gritaria geral. Crianças de uma dessas escolas ameaçadas de fechamento interpretam uma versão da cantiga portuguesa "se essa rua fosse minha":


Se essa escola, se essa escola fosse minha
Eu mandava, eu mandava não fechar
Ia ter, ia ter mais estudantes
E levava a D.E. pra outro lugar.
Nessa rua, nessa escola tem uma escola
Que se chama, que se chama “Bispão”
Dentro dela dentro dela tem alunos
Que estudam, que estudam de montão.
Se fecharem, se fecharem minha escola
Vão abrir, vão abrir uma prisão
Se fecharem, se fecharem minha escola
Vão partir vão partir meu coração.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

PÁTRIA EDUCADORA E RODAS GONZAGUEANAS

Ligam-me do Rio lembrando que ontem, 7, fez dois anos que realizei no  Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, o belo projeto Rodas Gonzagueanas. De fato, foi um belo projeto.
Ontem foi o dia do compositor. Viva o compositor!
O querido Osvaldinho da cuíca telefona pra dizer que deixou recentemente o silêncio do hospital pra pegar de volta sua cuíca e com ela externar a alegria de viver.
Osvaldinho conta que até o próximo final de semana terá posto a sua participação no samba de enredo da Vai-Vai, que trata da relação França-Brasil. Ele esta entusiasmado, pois vai fazer com a sua cuíca uma imersão na história da Revolução Francesa. Aguardem: o enredo de 2016, da Vai-Vai, trará referências à Marselhesa via cuíca Osvaldiana.
E aí falamos, como sempre, sobre diversos assuntos; entre eles, a Pátria Educadora que segue aos trancos e barrancos nessa segunda versão do governo Dilma.
Sobral, cidade cearense, ocupa hoje o primeiro posto na relação do Enem. Bom, né? Melhor seria, porém, se todos os estados nordestinos estivessem com seus alunos bem colocados no item Educação.
  Um cidadão só se faz
  À luz da filosofia
  Com educação e cultura
  E muita sabedoria.

TV GLOBO

Pois é quem diria, o Jornal Nacional, vai ao ar hoje mais cedo, ás 20h. Motivo? O jogo BrasilxChile.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

ONDE ANDA O MEU PAÍS BRASIL?

O fado é triste, nostálgico. O tango é trágico. O chorinho, ao contrário do fado e do tango, é alegre e gracioso. O chorinho é totalmente brasileiro.
O samba também é brasileiro. E como se não bastasse, do samba há muitas derivações. 
Estou feliz.
Hoje à tardinha o meu amigo de infância, Juarez Carvalho, autor-designer da capa do livro Eu vou contar pra vocês, me telefonou de Portugal para dizer coisas que só os amigos dizem, que está com saudades... Portugal é fado. Da Argentina tenho mil histórias pra contar. E do chorinho brasileiro, meu Deus...
Lá pelos anos de 1930, o mineiro Ary Barroso inventou um tal de “samba exaltação”. O paulista João Pacífico fez o mesmo no campo da cantiga rural.
Poxa, mas porque estou dizendo essas coisas?
Ouvindo agora há pouco o noticiário da Tv Plim-Plim, não vi nenhuma fala a respeito da notícia mais importante do dia, gerada pelo  Japão, Estados Unidos, Malásia, Austrália, México, Chile e meia dúzia de outros países preocupados com o futuro comercial do planeta. E aqui, nesse ponto, onde anda meu país adorado, o Brasil?
Meu país, o Brasil, tão exaltado na obra de Ary Barroso, onde anda?
Na peça musical-documental, O Canto da Minha Terra, de Márika e Otero, o Brasil mais brasileiro “sem exaltação”, é o país mais verdadeiro que hoje aparece aos nossos olhos.
Ary Barroso deixou mais de 300 músicas gravadas por intérpretes do mundo inteiro, em línguas diversas, mas Márika e Otero optaram por apresentar o Brasil mais autêntico do Ary; o Brasil menos exaltado, o Brasil mais brasileiro, o Brasil do coqueiro que dá coco.
Por que digo ou lembro isso?
O Japão, os Estados Unidos, a Malásia, e mais alguns outros países, daqui e dacolá se juntaram para resolver os problemas do futuro, o futuro que já é hoje.
O Brasil, através do seu braço internacional, o Itamaraty, parece dar as costas ao mundo.
“Brasil, meu Brasil-brasileiro”.
Porque tudo liga tudo, O Canto da Minha Terra é tudo o que nós brasileiros gostaríamos de ter certeza que há.
Uma coisinha só, eu quero dizer: Márika e Otero são uma das marcas mais importantes da arte brasileira, em teatro.

E Celia e Celma cantando são fado, tango, chorinho e tudo de bom que o mundo tem. Ouçam-na cantando e falando sobre o vizinho delas: 



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

STAGIUM, ARY BARROSO E CÉLIA E CELMA



Ele nasceu num novembro do século passado e num dezembro do século passado ele morreu, seu nome: Ary Evangelista Barroso (1903-64).
Ary tinha 15 anos de idade quando compôs suas primeiras músicas:
O cateretê De Longe,  e a marcha Ubaenses Gloriosos.
Neste 2015 faz 100 anos que o mineiro de Ubá Ary Barroso estreou como pianista, tocando para a plateia do cine Ideal da sua terra.
Coincidência ou não, o mais importante ballet do Brasil, o Stagium, leva à cena um pouco da vida do grande compositor hoje, no palco de uma das unidades do Sesc paulistano, o Consolação (rua Dr. Vila Nova,245.
A iniciativa artística do ballet Stagium, fundado há 45 anos pelo casal Márika Gidali e Décio Otero, conta com uma dúzia de bailarinos dando forma, movimento e alma, à obra Barrosiana.   
Além dos bailarinos, a iniciativa do Stagium  intitulada  O Canto da Minha Terra, é enriquecida pela participação das cantoras gêmeas Célia e Celma. As duas, que são mineiras de Ubá como Ari e Otero, abrem o espetáculo lembrando histórias da infância vivida ao lado do autor de Aquarela do Brasil, seu vizinho à época.
Célia e Celma, donas de vozes incríveis e currículos invejáveis (participaram de filmes e novelas, escreveram livros etc ), estreiam no Stagium neste 2 de outubro, exatamente um mês antes de elas nascerem num ano que eu não digo.  
E chega, vou vê-las daqui a pouco no palco do Sesc.
E você não vai?







quarta-feira, 30 de setembro de 2015

KUARUP RELANÇA OBRA-PRIMA DO SAMBA



Mais uma vez o selo Kuarup, de origem carioca, mas hoje com raízes fincadas na capital de São Paulo, arranca do fundo do baú pérolas do samba de autoria e interpretadas por artistas super especiais, como Paulinho da Viola e Elton Medeiros.Essas pérolas estão no CD Samba na Madrugada
Paulinho e Elton são geniais.
Outro dia o querido Eduardo Gudin dizia que era importante eu ter uma conversa com Elton, pois o Elton já não enxerga mais com os olhos que Deus lhe deu; e se enxerga, enxerga muito pouco. Ele sofreu deslocamento de retina como eu. Só que para ele, segundo Gudin, o mundo parece ter acabado. Ele esta triste. Desesperado ou beirando o desespero. Falemos disso outra hora.
O CD que me chega às mãos pela Kuarup foi lançado originalmente no formato de LP em 1966, com texto de contra-capa assinado pelo compositor Hermínio Belo de Carvalho. er
Arvoredo é o samba que abre o disco, tendo como interprete o seu autor Paulinho da Viola. Os primeiros acordes lembram a batida da bossa nova, mas só lembram antes de se transformar numa oba-prima. A segunda música do disco, Maioria Sem Nenhum, do Elton e por ele interpretada, não fica atrás da beleza que é Arvoredo e da beleza que são as músicas seguintes:
14 Anos (Paulinho), Sofreguidão (Elton), Momento De Fraqueza (Paulinho) e todas as outras, incluindo a derradeira intitulada expressa em dois títulos Alô, Alô (Paulinho ) e Sol Da Manhã (Elton).
O CD Samba Na Madrugada é mágico, como mágicos são além de Paulinho e Elton, os músicos que dele participam: Dino 7 Cordas (violão 7), Raul de Barros (trombone),Copinha (flauta), Canhoto (cavaco)... e como se não bastasse tem ainda Elton brincando com a caixa de fósforos.

Samba Na Madrugada é pra ser ouvido o tempo todo




sexta-feira, 25 de setembro de 2015

IGNORÂNCIA E CULTURA

Na vida tudo é muito simples, mas  complicamos  tudo.
O homem é homem  mulher é mulher, desde Adão e Eva.
Como a terra fértil  aguarda a semente, a mulher é semeada pelo homem e tudo acontece como num passe de mágica: e  tudo se multiplica!
Estatísticas apontam que a cada um segundo quatro bichos gente nascem n’algum lugar deste planetinha que estamos destruindo.
Estatísticas também apontam que  no ano passado  pelo menos 28 mil crianças de 10 a 14 anos viraram mães, no Brasil.
Ainda segundo estatísticas recentemente divulgadas é espantoso o número de crianças que dão a luz Brasil afora, especialmente na Bahia de São Salvador.
Como explicar essas estatísticas?
No seu primeiro governo, Lula criou um projeto a que deu o nome de  Fome Zero. A ideia, naturalmente, era acabar com a fome. Mas isso é impossível, utópico, porque o poder transforma para o bem ou para o mal.
Perdemos para a África Açoriana na estatística que dá conta de milhares  de brasileirinhas que dão á luz antes do tempo.
Mais de sete bilhões de pessoas habitam a Terra.
O artigo 26 da constituição em vigor diz que a base familiar se constitui por um homem e uma mulher. Não sei por que cargas d’água discutiu-se ontem na Câmara a exaustão  essa questão. O placar dessa discussão resultou em 17 pontos favoráveis ao que se lê na constituição e cinco contra.
A questão é muito mais séria: complicamos tudo por nada.
O analfabetismo é uma doença que tem cura. O Papa Francisco lembrou isso ontem, em discurso histórico na Organização das Nações Unidas – Onu.
A fome também tem cura.

A desgraça ronda o mundo
Mas a desgraça tem cura
Basta apostar na vida,
Na educação e na cultura...




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

BOLA DE FOGO E FIM DO MUNDO

A primavera é a estação que me serviu de berço para nascer. Foi num setembro. Mas, hoje, a primavera se confunde com as demais estações.
Nesse momento, parece verão: 36 graus.
Não é da primavera que eu quero falar.
Ontem à noite ouvi na TV que uma bola de fogo fora vista nos céus do sul do Brasil. Brilhava e assustava muito, diz quem viu. E aí não teve jeito, lembrei da minha vó Alcina.
Vó Alcina, mulher santa que acreditava em todos os santos –e também no diabo-, vaticinava que este mundinho-velho-cheio-de-poeira-de-meu-deus-do-céu, iria uma dia se acabar em fogo. Parece que começou.
O dólar sobe, a bolsa desce, o desemprego sobe, a crença popular pelo País desce, a inflação sobe e a esperança desaparece?
Em toda parte, o mundo dá sinais de que vai explodir. Em Meca, pessoas se pisoteiam e milhares morrem e se ferem.
Da Síria e de países em volta, milhões e milhões de pessoas procuram refazer suas vidas ultrapassando fronteiras.
Vários países da zona do euro, como a Hungria e Rússia, estão com suas forças de segurança orientadas para impedir que imigrantes acessem seus territórios. É êxodo jamais visto ou imaginado da história recente ou antiga.
Nem no tempo de Moisés.
A bola de fogo vista nos céus do sul do Brasil, e que minha vó Alcina acharia ser coisa do Demo, não passou de um meteoro.
Meteoro é assim: faz pluft antes mesmo de tocar o solo, espalhando faíscas que somem no espaço.

E pensar que no texto de hoje eu ia tratar da música parabéns a você, que o juiz norte-americano resolveu, ontem, pô-la no universo do domínio público. Com isso, a Warner deixa de faturar dois milhões de dólares/ano.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

PRIMAVERA, POESIA E CEGUEIRA




Após o inverno, a primavera.
Acordei com passarinhos trinando à minha janela como se formassem uma orquestra regida pela força da criação. Á essa orquestra pareceu juntar-se a voz de uma amiga que há muito não ouvia: Suzete.
A primavera, como se vê, nos traz sempre emoções e boas lembranças.
Eu perdi a luz dos meus olhos, mas continuo vendo de outras maneiras.
Viver pode ser, quando queremos, um belo e salutar exercício de aprendizagem.
Hoje, pela primeira vez, tive aula de como fazer da bengala uma espécie de bússula. E como espécie de  bússula, atravessei ruas e avenidas por cerca de um ou dois quilômetros.
Voltarei ao tema.
Ah! sim: há sempre quem me pergunte sobre o que ocorreu comigo, ou com os meus olhos.

Eu sofri descolamento
Da minha alma e visão
Levei surra do destino
Apanhei que nem um cão
E como se não bastasse
Perdi-me na multidão

É uma história danada
Essa de perder a visão
Quem sofre descolamento
Também sofre depressão
E pra sair dessa encrenca
Só com muita luta, meu irmão

E a luta não é fácil
É  luta de vida e morte
É luta do Eu contra o Eu
Da qual vence o mais forte
Mas para o mais forte vencer
Tem de estar ao lado da sorte

Tudo isso tem a ver
Com o belo verbo Amar:
Eu amo, tu amas, ele ama...
É preciso caminhar
E para chegar lá longe
Não tem como deixar de lutar! 

https://www.youtube.com/watch?v=D1BBJrvZC14







terça-feira, 22 de setembro de 2015

VANDRÉ É TEMA DE UM NOVO LIVRO

Há 47 anos completados no mês de setembro, como o de agora, o Brasil tomou conhecimento de uma das músicas que por décadas daria dor de cabeça aos poderosos de plantão, fardados ou não. Essa música, uma guarânia, era “Caminhando” ou “Pra não dizer que não falei de flores”, do paraibano Geraldo Vandré.
Dentre os autores da nossa música popular, Vandré, pseudônimo de Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, é o mais polêmico e pouco compreendido por parte de todos.
Logo mais à noite, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, será lançado o quarto livro sobre a obra e a trajetória desse artista. Título:  “Vandré - O Homem Que Disse Não” (Geração Editorial), do jornalista mineiro Jorge Fernando dos Santos. Antes desse livro, foram lançados mais três, o penúltimo, do também jornalista Vitor Nuzzi, “Vandré, uma canção interrompida” (Independente; a nova edição será lançada ainda este ano pela Kuarup).
Dentre todos, até agora, o livro mais completo é o de Vitor Nuzzi. Entre o início e o término do livro, o autor demorou pelo menos 10 anos até lançá-lo. Em tempo: até o final deste mês, o jornalista paraibano Gilvan de Brito lançará em noite de autógrafo o livro: Não me chame Vandré”


sábado, 19 de setembro de 2015

OBVIEDADES

O pensar serve para tudo, para o bem e para o mal.

Repito, não sei se foi Kamie ou Sartre, quem disse que estamos de passagem. Parece óbvia a impressão, mas não é. Outra aparente obviedade é a do Espinoza, segundo a qual “a vida é feita de encontros”.

Mas o mundo como está, hoje, certamente terá dificuldade de distinguir o que é ou não é obviedade.

É óbvio gerar apátridas como hoje se gera?

É óbvio congelarmos nossa sensibilidade diante do caos que a vida humana está se tornando?

Portanto, o que é ou não é óbvio está bem embaixo do nariz.

É a velha questão do ser ou não ser, questionada em Hamlet pelo popular Shakespeare.

Sim, toda a obra do Shakespeare é baseada nos contos e demais histórias que ele colheu na sua região há uns 500 anos. E é popular, também, porque é o dramaturgo mais conhecido e aplaudido mundo afora nos últimos cinco séculos.

Mas por quê diabos estou falando dessas coisas hoje, de novo?

Vocês já perceberam que o Brasil poderia ser o palco em que melhor os personagens de Shakespeare se movimentariam?

Dilma cai ou não cai?

Pessoalmente, acho que a cria de Lula não deveria cair; até porque teríamos de enfrentar nova crise. Ou seja: uma crise dentro da outra.

Quem assumiria as rédeas da situação? Temer? Cunha? O fato é que nós, todos, continuaríamos perdendo.

Mais uma vez, estamos num beco sem saída. E nem vou falar, como sempre falo, a respeito de educação e cultura, ciências, matemática...

O professor finge que ensina, o aluno finge que aprende, e nessa brincadeira de empurra-empurra, mais uma vez, quem perde somos nós e quem virá depois de nós.

O Brasil é mesmo estranho. Estamos no inverno: 33 graus, no momento.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

PRA QUE SERVE PENSAR, VOCÊ SABE?

O mundo nos deus, através dos tempos, grandes pensadores. Filósofos que mergulharam no Eu, tentando explicar praticamente o inexplicável do pensamento humano, da dor humana, da vida em si. A esse tipo de estudo dá-se o nome de Existencialismo.

Camus e Sartre foram grandes pensadores que abraçaram essa linha de pesquisa para, supostamente, nos salvar.

O mundo está fervendo, está em polvorosa, gente matando gente como nunca se matou. Mas, claro, isso não é e nunca foi novidade. Textos bíblicos já tratavam do assunto. Caim matou Abel, não foi?

Façamos de conta que o mundo, hoje, é um ônibus. Um grande ônibus, um ônibus enorme, lotado de gente gorda, magra, de todo tipo. E aí, sádico, o motorista dá um brecada, uma forte brecada, para arrumar os passageiros.

É um inferno, não é?

Boa parte do mundo árabe está pegando fogo, com o Estado Islâmico queimando e matando gente ainda viva.

Acho que foi Sartre quem disse que somos todos estrangeiros. Somos estrangeiros em qualquer parte do mundo. Somos estrangeiros porque não somos pedras, nem árvores com raízes profundamente fincadas no solo. Em qualquer solo do planeta. Quer dizer, estamos de passagem por este mundinho que estamos explodindo.

E sabe você aí, meu amigo, como em certas horas eu me sinto?

Sinto-me que nem um barquinho de papel à deriva em alto mar, sem rumo nem capitão. E você?

O mundo está pegando fogo e nós com ele.

O adeus fica pra depois. Enquanto isso, veja:

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Lua Luana e Marimbondo Chapéu

O mundo está pegando fogo, incluindo o Brasil e seus dirigentes sempre insensíveis com o futuro do povo.
O mundo está pegando fogo.
Vejamos o que está acontecendo no mundo árabe, na Europa.
Tudo um horror, um horror pela incapacidade de nós todos e, principalmente dos dirigentes mundiais, que escondem em si a capacidade de contribuir amando o próximo.
Os sírios continuam tentando atravessar o mediterrâneo para chegar à Itália, à Alemanha, Europa.
As pessoas continuam correndo atrás da sobrevivência. Isso mostra a importância do que é a vida.
A busca pela vida é a negação da morte.

Mas o que é que isso tem a ver com cultura popular?
O nome já diz.
Cultura Popular.
A cultura popular é feita pelo povo, povo de qualquer país.
Viver é um esforço de o povo se desdobrar em si, se desdobrar em arte.
O desdobramento do ser em si, em arte, é vida.
Quer ver?
Agora, a pouco, estiveram comigo na sede provisória do Instituto Memória Brasil (IMB), o maior cuiqueiro do Brasil, Osvaldinho, e o seu biógrafo: André Domingues. Com André veio o Gato com Fome, Cadu.
Foi uma conversa muito bonita a que nós tivemos hoje, aqui. Falamos de Brasil, de brasilidade, das incongruências da vida brasileira.
E na vida do mundo, em todos os tempos, tem e haverá, sempre, a lua.
A lua no nordeste é a lua que o mundo conhece. E tem a Lua Luana, o nome, um poema.

Na vida há tristezas, alegrias e, nisso tudo, a cultura popular.
Vocês querem saber um pouquinho sobre um fazedor de cultura popular?
O meu querido amigo jornalista Vitor Nuzzi gravou ontem as perguntas que fiz para Marimbondo Chapéu, um criador brasileiro. Leiam:




Quem é Marimbondo Chapéu? Nasceu quando, onde, e qual o nome verdadeiro?

Marimbondo Chapéu é da região dali de Alto Belo, próximo à cidade de Janaúba, vem da origem da espécie de marimbondo, foi o nome que eu ganhei, mas o meu nome mesmo é Ivanilton da Silva. Tenho 34 anos de idade, resido em Montes Claros, pretendo residir também em São Paulo, através de um grande projeto.


Você nasceu quando, exatamente?

Dia 27 do dois de 1981.


Pai e mãe, como chamam?

Maria de Fátima Marcelina Silva, Antônio Augusto Silva.


Todos mineiros?

Todos mineiros.


Quantos filhos o casal teve?

Nós somos nove filhos. Eu sou mais do meio. Tem mais três caçulas depois de mim.


E o pai e mãe, têm a ver com música?

A família já vem de origem de música, né, Assis? Desde contando com Jaquinho, Jackson Antunes, já vem do trabalho de ator. A nossa família já é direcionada a esse lado de trabalho. Eu parti para o lado da música porque gostava de ouvir o som da rabeca, pela primeira vez, com Zé Coco do Riachão. De lá para cá, apaixonei-me com a história.


E o Zé Coco, você conheceu?

Conheci, com certeza. Eu fui na casa dele quando era novinho. Um dia, vendendo picolé ainda na rua, vi ele fabricando as rabecas, as violas. Fiquei encantando com aquele trabalho dele, passei a ir lá várias vezes, fui aprendendo aos pouquinhos, depois vim a São Paulo para aperfeiçoar, porque não é fácil pegar uma perfeição de fabricar. 


O apelido, quem deu?

Foi José Osmar e Téo Azevedo.


Puxa, como assim?

Quando eu tinha 13, 14 anos, lá na Folia de Reis lá de Alto Belo, eu era meio traquinas, falavam que eu era um menino meio levado... Nisso, a gente estava foliando numa casa já antiga e na cumeeira da casa tinha a ... Aí, eu tocando a rabeca, vi a caixa, direcionei o arco da rabeca, coloquei o arco no meio dos marimbondos, os bichos veio caindo nas minhas costas, deu uma ferroada. Téo Azevedo olhou assim, deu uma risada e falou assim: "Esse aí é marimbondo chapéu, bicho". Aquela vozona rouca, estridente dele... Os dois (Téo e o declamador José Osmar) falaram na hora, né? Então ficou de autoria dos dois.


E você constrói rabeca, como é que é isso?

Assis, eu gosto de construir rabeca com pouquinha ferramenta. para mim não tem tanto maquinário para trabalhar. A rabeca é fabricada com amor, carinho, coração, você se entrega a alma, viaja no mundo. Cada vez que você dá um detalhe numa madeira, mais um sorriso você se encontra. Eu fabrico com facão, estilete, um serrotinho e o coração.


Quantas rabecas você fez até hoje, você tem ideia?

Já perdi a conta.


Quanto custa uma rabeca sua?

É baratinho, 300 reais.


E você escreve seu nome na rabeca?

Tem meu nome dentro da caixa da rabeca.


Que madeira usa pra fazer?


Eu uso pinho, cedro, uso aquela caixa de bacalhau. São madeiras fáceis de encontrar, porque tem aquela madeira de lei, que é difícil, então uso madeira mais tradicional mesmo.





POSTAGENS MAIS VISTAS