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sábado, 15 de agosto de 2020

DOM PELÉ E BRASIL ATUAL




Dom José Maria Pires, mineiro de Conceição do Mato Dentro, foi para o ceu faz três anos.
Dom José foi Arcebispo da Paraíba entre 1966 e 1995.
Dom José foi um ser incrível, que a todos fez muito bem.
Ele era da linha progressista da Igreja Católica.
Lutou pelos pobres, pelos humildes, por bancos e negros.
Esse José via a vida com a beleza de quem nasce para viver lutando, brigando pra ser feliz.
Dom José Maria Pires ficou famoso pelo apelido de Dom Pelé.
Algumas pessoas perguntaram o que fazer para ler e entrevista que fiz com ele, Dom Pelé, que o extinto semanário Pasquim publicou no dia 15 de março de 1978.
Nessa entrevista, de duas páginas (14 e 15) perguntei-lhe sobre os mais diversos temas da vida Nacional. Incluindo desmatamento, por exemplo.
Leia:






sexta-feira, 14 de agosto de 2020

POPULISMO, UMA HISTÓRIA CONHECIDA


Queiroz e a sua mulher estão de volta à cadeia? E vocês sabem porque, não é mesmo?
O Datafolha é um instituto de pesquisa paulistano que registra a temperatura das várias facetas do cotidiano do País.
Bolsonaro não acredita no Datafolha, mas deve estar vibrando no silêncio da alcova, ajoelhado com o terço nas mãos, pelos resultados apontados ontem 13 por esse instituto.
Os resultados indicaram positividade. Ele está, segundo os números, mais “racional”. Mais tranquilo.
Mas essa tranquilidade captada pelo Datafolha é falsa.
Bolsonaro está quieto porque o fogo que devora o Pantanal e a Mata Amazônica está chegando aos seus pés, através das denuncias de corrupção de que seus filhotes ora são acusados. E ele também. E a sua mulher, também. Portanto, moitar é a alternativa mais lógica.
Ah! Sim: Bolsonaro é tudo, louco inclusive, mas não burro.
Como um cão faminto, Bolsonaro será capaz de entregar tudo para não largar o osso.
Meu amigo, minha amiga, você lembra do bate-boca de Bolsonaro com Rodrigo Maia?
Diante da terrível crise que se desenhava no começo de março, o ministro Paulo Guedes propôs que o Congresso autorizasse o Governo a pagar 200 merrecas/mês para ao brasileiro desertado, aquele que não tem sequer onde cair morto.
Maia propôs 400.
Rapidamente, Bolsonaro propôs 600. A isso dar-se o nome de po-pu-lis-mo.
E se Queiroz e sua mulher abrirem o bico, hein?
É bom desligar o ventilador.





BRASIL, PAÍS DOS ABSURDOS

O nosso País é incrível, kafkiano, com suas histórias fantásticas.
Ouço no rádio que o presidente Bolsonaro esteve ontem 13 no Pará.
Pela primeira vez ele fez referência aos 100 mil brasileiros mortos pela Covid-19, mas não deixou barato. No seu linguajar atravessado culpou os mortos por terem em vida contraído o novo coronavírus. Disse o excelsior presidente: “Eu sou a prova viva que a cloroquina deu certo”.
Pois é...
Hoje mexendo no acervo Instituto Memória Brasil, IMB, encontramos uma edição do Pasquim bastante curiosa.
Essa edição traz a data de 15 de março de 1979.
Com direito à chamada na 1ª página, lá está um texto meu nas páginas 14 e 15. Essas páginas, mais claramente, uma entrevista que fiz com o arcebispo dom José Maria Pires, o dom Pelé.
Dom Pelé nasceu no dia 15 de março de 1919, em minas, MG, e na sua terra morreu no dia 28 de agosto de 2017.
Dom Pelé foi arcebispo da Paraíba entre 1966 e 1995.
Ele era raçudo, inteligentíssimo; falava com a tranquilidade dos justos, humildes. E era isso o que ele era.
Entrevistei dom Pelé várias vezes, mas a entrevista publicada pelo Pasquim é, ouso dizer, a-tu-a-lis-sí-ma.
Nessa entrevista abordei muitos assuntos pertinentes à época e válidos, e atuais, como agora.
Interessantes as respostas que me dá sobre Marx, marxismo, socialismo, comunismo.
Pergunto-lhe também sobre desmatamento na Amazônia.
Pergunto-lhe também sobre o general Charles de Gaulle (1890-1970).
Vocês se recordam da frase atribuída a de Gaulle, segundo a qual “o Brasil não é um país sério”?
Essa pergunta também está lá na entrevista que fiz com dom Pelé para o Pasquim.
Atenção: na verdade, na verdade essa é uma frase do diplomata Carlos Alves de Sousa Filho (1901-90) dita ocasionalmente ao jornalista cearense Luís Edgar de Andrade (1931-2020) em Paris, no ano de 1962.
Essa é uma história longa e bastante interessante.
Isso me faz lembrar de outra frase que marcou época, pronunciada no calor da ditadura pelo governado biônico Francelino Pereira (Ceará): “Que País é esse?”, que virou até tema de rock.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

VIVA A EDUCAÇÃO!


O que é que pode ter a ver em comum entre Jair Messias Bolsonaro e Lindalva Cavalcante da Hora?
Ontem 12 à noite o Congresso derrubou o veto que Bolsonaro tinha feito da lei que regulamentava a profissão de historiador.
O que pode a ver em comum entre Bolsonaro e Lindalva?
Dona Lindalva é uma brasileira nascida no Paraná. Teve duas meninas, Anna e Cecília.
Daniel, também paranaense, é o feliz marido de dona Lindalva.
No Brasil atual há 1,4 milhão de professores e professoras passando pra frente o que aprenderam para muitos milhões de crianças e adolescentes da rede pública.
Filha de Deus e lutando sempre contra as forças das trevas, dona Lindalva encontrou no magistério o caminho da salvação, dela e dos seus incontáveis alunos de idades diversas.
Bolsonaro...
Essa Lindalva nasceu no ano e mês que o paraibano Geraldo Vandré mostrava ao Brasil a moda de viola Disparada, feita em parceria com o carioca, filho de pernambucano Théo de Barros.

Prepare o seu coração
Pras coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
Estava fora de lugar
Eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi...

Dados do IBGE, nos fazem crer que somos 210 milhões de brasileiros, no campo e na cidade.
Dona Lindalva sabe disso tudo, pois tem passado a vida inteira fugindo da boiada e transformando boi em gente.
Atualmente no Brasil há cerca de 11,8 milhões de brasileiros incapazes de distinguir um “Ó” de uma roda de caminhão.
Quer dizer, o número de analfabetos no nosso País é absurdo.
Fora os brasileiros que não identificam um Ó de uma roda há os brasileiros que foram à escola e até ganharam diploma de doutor.
Números oficiais indicam que há mais de 32 milhões de brasileiros que leem e não sabem o que leem. São os tais dos analfabetos funcionais. Triste.
Dona Lindalva, em sala de aula, 
no Paraisópolis
E Bolsonaro acaba de anunciar que cortará 18% do orçamento do ano que vem do previsto para o ministério da educação, MEC.
No dia 27 de abril passado, esse mesmo cara vetou a lei que regulamentava a profissão de historiador.
Bolsonaro já acabou com o ministério da cultura, já acabou com o ministério da saúde (sem ministro até hoje), e agora está acabando com a esperança do Brasil, do povo.
Bolsonaro é um idiota gigante.
E dona Lindalva?
Dona Lindalva Cavalcante da Hora é uma brasileira brasileiríssima que acredita profundamente que é possível transformar incompetência e burrice, em gente que pensa e pode transformar a vida para melhor.
Tudo que ela aprendeu até hoje, na vida, ela transmite.
A filosofia de Dona Lindalva é aprender para ensinar.
Sua sala de aula hoje, e já há bastante tempo, se acha na favela Paraisópolis.
Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo. http://assisangelo.blogspot.com/2020/07/racismo-um-cancro-historico.html
Dona Lindalva aniversaria hoje.
Entre Bolsonaro e Lindalva não há nada.
Bolsonaro nasceu idiota e assim certamente continuará. Fazendo mau ao povo.


A DEMOCRACIA NÃO VESTE FARDA


A sociedade civil precisa estar sempre atenta às falas e comportamento do presidente Bolsonaro e de seus auxiliares, como Braga Neto etc.
A muita gente, principalmente jovens, pode parecer natural o que nos chega de Brasília e do Palácio, principalmente.
Não vivemos tempos naturais. O estado é de alerta.
A República surgiu de um golpe militar contra o imperador Pedro II, em 1889.
Getúlio, que pôs fim à Velha República, criou o Estado Novo e pôs muita gente na tranca. Essa é uma história comprida, muito comprida, que merece atenção. Há muitos livros e documentos sobre essa história.
E 1964, hein?
A última ditadura militar que vivemos durou 21 anos. Um horror!
A Democracia precisa ser preservada. E isso é tarefa de todos nós.
Sempre é tempo de ler sobre tempos que nos levaram à Censura, à prisão, à dor, à morte.
Sugiro a leitura de alguns livros, incluindo a série de cinco volumes de Elio Gaspari: A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Derrotada, A Ditadura Encurralada, A Ditadura Acabada. 
E mais: 

  • As duas guerras de Vlado Herzog, Audálio Dantas
  • 1964: O Golpe que Derrubou um Presidente e Instituiu a Ditadura no Brasil, de Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes
  • Infância Roubada: crianças atingidas pela ditadura militar no Brasil, de Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”
  • Mulheres na Luta Armada: Protagonismo Feminino na Ação Libertadora Nacional, de Maria Cláudia Badan Ribeiro
  • Amores exilados, de Godofredo de Oliveira Neto

Leiam: 



quarta-feira, 12 de agosto de 2020

CLARA NUNES, VOZ QUE ENCANTOU O BRASIL


Em 1982, a cantora Clara Nunes estava feliz da vida. Nesse ano, ela colhia belos frutos com o lançamento do LP Nação.
Nação é o disco de repertório político e brasileiríssimo. Começa com Nação, faixa título assinada por João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc.

Jêje, minha sede é dos rios
A minha cor é o arco-íris
Minha fome é tanta
Planta flor, irmã da bandeira
A minha sina é verde-amarela
Feito a bananeira


Naquele ano os brasileiros voltariam às urnas para escolher vereadores, prefeitos, deputados, governadores e até senadores, carimbados pela imprensa com rótulo “biônicos”.
Escolha de governador pela urna não ocorria desde 1965.
Naquele já distante ano, Clara Nunes estreava no mercado fonográfico com um compacto (foto ao lado) depois de conquistar o terceiro lugar no festival A Voz de Ouro ABC, realizado na sua terra Minas Gerais. Ouça: 


A carreira artística Clara iniciou como caloura de programas de rádio, em Belo Horizonte, MG.
Os três primeiros LPs que ela gravou, não alcançaram sucesso algum. Mas em 1965, com Claridade, ela começou a ocupar os primeiros lugares nas paradas de sucesso. Nesse ano ela conheceu o compositor Paulo César Pinheiro (1949), produtor musical com quem se casou. A propósito, toda quarta-feira a TV Cultura está levando ao ar uma série de cinco episódios com Pinheiro.
No correr de sua carreira, Clara Nunes (sobrenome, da mãe) gravou 15 ou 16 LPs.
No seu tempo, a cantora bateu todos os recordes de venda. Até então nenhuma cantora brasileira vendeu tanto: 4,4 milhões de discos, mais ou menos.
No dia 2 de abril de 1983, o Brasil todo chorou a morte de Clara Nunes, vítima de um choque anafilático, que lhe fez parar o coração.
Clara Francisca Gonçalves nasceu no dia 12 de agosto de 1942.
Num ano qualquer de 1970, eu tive a alegria de conhecer essa incrível mulher. Acima um registro da fotógrafa Maria da Conceição. Por onde andará essa Maria?
No acervo Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todos os discos gravados por Clara Nunes, mineirinha de Paraopeba.

OPA! DITADURA NÃO


A mais recente edição da revista Piauí traz reportagem especial narrando bastidores de tensas reuniões realizadas na manhã de 22 de maio passado, no gabinete do manda-chuva do Planalto. 
Nessas reuniões, uma delas iniciadas as nove horas, o presidente tava com o Capeta.
A revista conta que Bolsonaro estava apoplético, gritando e soltando palavrões contra Deus e o mundo. Estava especialmente irritado com os ministros Alexandre de Moraes, e Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dias antes, Moraes havia decidido suspender a posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, e De Mello, por deixar-se entender que recolheria o celular de Bolsonaro. 
Esses dois fatos desencadearam no Presidente a vontade bubônica de mandar o exército botar pra correr os ministros e fechar o STF. Mas essa vontade foi afastada com um balde d'água fria atirado pelo general Heleno, que disse: "Não é o momento para isso". 
Desde que foi eleito, o presidente Bolsonaro ensaia momentos para se eternizar no poder como ditador. Ele alimenta essa vontade, louca, até hoje. 
Todo mundo sabe, e se não sabe deveria saber, que Bolsonaro capitão praticou infrações graves contra o Exército. Por isso foi julgado pelo Tribunal Militar e mandado de volta pra casa, reformado. 
Lugar de ex-militar é em casa, cuidando da mulher, filhos e comendo pipoca. 
Lugar de militar, na ativa, é defendendo a pátria contra a violência de nações estrangeiras e não atuando na política como se civis fossem. 
Quer dizer: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. 
Existem mais de 2500 militares da ativa e reformados ocupando os mais significativos postos do Governo. 
É como se o Brasil vivesse numa democracia militar, mas isso não existe: pão, pão, queijo, queijo.
O mundo todo está de olho no Brasil, nos gestos de Bolsonaro. 
Ou Bolsonaro está louco ou fazendo o Brasil de bobo. Isso não pode estar certo. 
Por que tanto Bolsonaro insiste a por o Brasil em perigo, com seu desejo transformar-se em ditador?

O bicho é muito louco
É xarope é xaropeta
Quer de volta a ditadura
Com tiro e baioneta
Quer de novo pegar gente
Esse filho do Capeta

Só não vê quem não quer ver
Há plano em andamento
Plano maquiavélico
A ver com fechamento
O Brasil tá em perigo
Agora, neste momento!

...

Seu sonho de consumo
Atenção, muita atenção!
É pôr tranca no Congresso
É dar força à repressão
Ou é mandar pra o xilindró
Quem lhe faz oposição?

Ele marcha para trás
Comandando pelotão
Incitando seus cavalos
Contra a paz e união
É um zero à esquerda
À direita é Cramunhão
Ele veio do Inferno
Pra confundir a Nação
Apronta a toda hora
Deus do céu, ele é o Cão!
Ele não gosta da vida
Ódio é sua paixão

 ...

É contra a liberdade
E a favor da repressão
Muita gente ele matou
De raiva, humilhação
É soldado do Capeta
Do Inferno, guardião

É grande filho da morte
É grande filho do Cão
Carrega na sua mente
O mal, a dor, a danação
O que lhe falta fazer
Pôr o Brasil na prisão? 

Capetas batem palmas
Pra seu chefe Cramunhão
Que anda muito excitado
Cuspindo fogo no chão
O motivo disso tudo
É Presidente sem noção

Pra ler o texto completo de Serpente Quer por Ovo / No Coração do Brasil, é só clicar: https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1522493/serpente-quer-por-ovo-no-brasil/


terça-feira, 11 de agosto de 2020

PESQUISAS ENDOSSAM ENTREVISTAS DE CORDEL


Pesquisas recentes indicam que o novo Coronavírus contamina e mata, através da Covid-19, mais pretos e pobres do que brancos e ricos.
Em abril último, publiquei o cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão.
Nesse folheto, folheto de cordel, o personagem narrador escuta do entrevistado, personagem central, que o novo Coronavírus veio ao mundo para pegar branco, preto, rico, pobre, doutor, intelectual, gordo, magro e até jogador de futebol.
O futebol, a propósito, está de volta aos campos contagiando atletas e, assim, contribuindo para maior incidência da doença.
No último domingo, por exemplo, foi constatado que no time do goiás haviam 10 jogadores contaminados.
O goiás, que enfrentaria o são paulo, teve sua presença suspensa quatro minutos antes do início da partida, por decisão da Justiça.
A UNIFESP cruzou dados da pesquisa Origem-Destino, realizada a cada 10 anos pelo Metrô, e concluiu que o maldito vírus pega todo mundo, incluindo autônomos e donas de casa.
Outra pesquisa, da FAU-USP, segue por esse mesmo caminho. A conclusão é que pobres se lascam mais do que ricos, nessa história toda.
Em determinado momento da narrativa exposta no cordel Repórter Entrevista Piolho do Cramunhão, lê-se:

... Perguntado se tem pai
Se tem mãe, se tem parente
O Piolho invocado
Respondeu indiferente:
Isso não interessa
O meu caso é papá gente

Pego homem, pego mulher
Pego preto, pego branco
Eu não faço distinção
Sou desse jeito: franco!
Mas de mim poucos escapam
Sou pior do que um cranco

No inferno tem lugar
Pra todo tipo de gente
Alto, baixo, gordo, magro
Feio, burro e crente
Não tenho preconceito
Sequer contra parente

Sou vírus democrático
Mato macaco, leão
Tigre, burro e pato
Fácil, fácil gavião
Pra pegar um cabra besta
Basta ir na contra mão

Dizem que só pego velhos
Mas jovens pego também
São esses os mais fáceis
Pela burrice que têm
Não aceitam ordenamento
E só fazem o que convém

Pego gente sabida
Doutor, intelectual
Pintor, cantor, jogador
Nessa onda mundial
Jamais vão me esquecer
Não é sensacional?...


CBN: JORNALISMO EM TEMPO REAL

O jornalista João do Rio, principal idealizador da reportagem, nasceu num agosto. Esse João foi, de fato, incrível. Foi um cara de visão. Confira: https://assisangelo.blogspot.com/2020/06/o-jornalista-joao-do-rio-uma-marca.html
Luiz Gonzaga não era jornalista, mas tinha uma visão de Brasil muito completa. 
Gonzaga morreu em 1989, 100 anos antes nascia no município de Bragança Paulista, SP, o advogado e jornalista Cásper Líbero. 
Como jornalista e empresário do ramo, Líbero antecedeu o pioneirismo do paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o Chatô (1892 -1968). 
Cásper Líbero formou-se em direito pela faculdade do Largo de São Francisco, SP, quando tinha 19 anos de idade. 
Lembrei-me desses personagens ao ouvir hoje cedo os apresentadores Milton Young e Cassia Godoy entrevistando o ex-presidente da República Michel Temer. 
Após breve introdução, Young indagou do entrevistado sobre a viagem que fará amanhã 12 à Beirute, como representante oficial do Governo brasileiro. Resposta dada, a pergunta seguinte questionava Temer sobre as ações que há contra ele no STF. Questão delicada, e tudo ao vivo, na CBN. Sem se fazer de rogado, mas sentindo a força da pergunta, Temer disse o que tinha de dizer após sutil alfinetada no autor da pergunta. 
Também com classe e inteligência, Cassia fez perguntas pertinentes e o entrevistado também respondeu o que tinha de responder, com clareza e educação. Gostei.
Entrevistas como a que escutei hoje, valorizam a profissão, os profissionais e o rádio. 
Dá gosto ouvir a CBN.
Gosto também do jornalismo da Bandeirantes. 
O jornalismo da Jovem Pan, grosso modo, fica a desejar. 
Nada não, mas ouvir o tempo todo jornalistas defendendo o bolsonarismo cansa.
Tudo tem dois lados, não é mesmo?
Isso, aliás, faz-me lembrar um caso "estrelado" por Chatô. 
Diz a lenda que um certo repórter foi queixar-se ao criador dos diários associados que uma de suas matérias havia sido publicada diferentemente do que escrevera. Chatô, então, teria respondido: "Meu filho, quer publicar tudo que escreve, crie um jornal pra você".
João do Rio impôs-se no jornalismo pela visão clara que tinha dos fatos. 
Cásper Líbero entrou para a história pela visão que tinha do jornalismo. Não à toa, já era profissional respeitado em 1918. Nesse ano ele empregou o dinheiro que tinha na compra do título do Jornal, A Gazeta. Depois da Gazeta, ele criou a Gazeta Esportiva, a rádio Gazeta, a TV Gazeta e a fundação que leva o seu nome.
Sempre é tempo de lembrar Cásper Líbero, morto em um acidente de avião no dia 27 de agosto de 1943, no Rio. 
No mais, é como eu disse no começo deste texto: Luiz Gonzaga não era jornalista, mas construiu uma obra como se jornalista fosse. Explico melhor: um profissional sem curiosidade é como vaqueiro sem boiada pra tanger.
Ouça a íntegra da entrevista do ex-presidente Temer à rádio CBN: https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/311405/nao-dou-conselho-para-ninguem-quando-me-pedem-palp.htm



 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (FINAL)


No baião Paraíba, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, é dito que a Paraíba é uma terra pequenina. Nem tanto. A Paraíba é grande sim, senhor.
No ranking dos nove estados nordestinos, territorialmente falando, o território paraibano é o quarto entre os menores: Sergipe, SE; Alagoas, AL e Rio Grande do Norte, RN.
Mas não sobre a Paraíba que agora quero falar.
A extensão territorial do Rio Grande do Norte é de 52.811,047 km², tem 167 municípios e cerca de 3,5 milhões de habitantes. Ao sul faz limite com a Paraíba e a oeste, com ceará.
Brincando, brincando, cabem na terra de Luís da Câmara Cascudo oito Brasílias, com espaço sobrando pra quem quiser se divertir, bater continência pro Presidente Cloroquina ou, até mesmo, meter a mão no bolso do povo, isto é, no erário público.
Nestes tempos pandêmicos, tenho lembrado a assassina gripe que atacou o Brasil nos fins do segundo semestre de 1918. Muita gente morreu em todo canto, inclusive na terra de Luís da Câmara Cascudo.
A própria peste pegou cascudo, mas pelo jeito não lhe deixou sequelas. Tanto que a respeito disso ele não faz nenhuma referência em quaisquer de seus livros.
A notícia de que Câmara Cascudo pegou a gripe espanhola se acha numa nota discreta publicada no mais antigo jornal do país e da América do Sul, O Diário de Pernambuco.
Naquele tempo, de muitas doenças e poucas curas, a população foi explorada pelo comércio clandestino que anunciava remédios milagrosos, como o sais de quinino, tônicos diversos, e chás caseiros, entre outros.
Juntando isso tudo daria, talvez, um bom frasco de cloroquina para Bolsonaro beber.
Em São Paulo, os remédio milagrosos se multiplicaram.
Usaram até mel de abelha com limão e cachaça para curar a Espanhola. Vem daí, aliás, a invenção da nossa gostosíssima caipirinha.
Pois é.
Particularmente não conheço nenhuma música feita para lembrar, no Brasil, a gripe espanhola. Nos estados unidos, porém, o cantor e compositor Willie Johnson deixou sua impressão na música Jesus is Coming Soon.
A pandemia que ora assusta o mundo todo, continua crescendo na grande maioria dos municípios da região Potiguá. Natal, capital do RN, é um dos mais atingidos.
Enquanto isso, em Brasília, o Presidente Cloroquina tira onda da pandemia.

"A MARCHA DOS MORTOS"



A literatura de cordel é literatura para todos, incluindo letrados e não letrados.
Esse tipo de literatura é pu-ra-men-te pupular, mas apreciada, também, por eruditos de todos os tipos. Incluindo músicos e teatrólogos.
Há folhetos de todos os tipos. Incluindo os de ocasião, feitos nos calor do momento em que os fatos ocorrem. Eu mesmo escrevi quatro folhetos nessa linha (reprodução das capas acima).
Esse tipo de literatura chegou ao Brasil logo depois da família real, à frente dom João VI.
Um dos primeiros folhetos a cair nas mãos de brasileiros foi a Donzela Theodora, obra prima do gênero.
A primeira adaptação da Donzela foi feita pelo teatrólogo, poeta e jornalista Arthur de Azevedo. A respeito, leia mais: https://assisangelo.blogspot.com/2017/04/e-viva-sabedoria.html
Houve um tempo em que qualquer grande tema que ocupasse a atenção das pessoas virava, imediatamente, folheto.
Não sei, nesta maquininha doida chama internet deve haver muitos exemplos do que ora digo.
O cordelista era chamado comumente de repórter, por trasportar e adaptar fatos à modalidade poética "cordelística".
O jornalista desempenha uma função fundamental na sociedade.
Há poucos dias, o presidente norte americano irritou-se com a pergunta de uma repórter que o contestava com dados às mãos. Incapaz de enfrentar a profissional, o presidente virou as costas e foi embora.
O tal presidente, Trump, tem ganhado notoriedade por xingar jornalistas. O mesmo faz a sua cópia mal amanhada, Bolsonaro.
O presidente Bolsonaro acaba de voltar suas armas contra a imprensa brasileira.
Para Bolsonaro, os jornalistas provocam pânico e dão informações erradas ao povo.

Diante da pandemia  
O Presidente debochou 
Dizendo ser gripezinha  
Sim, foi isso o que falou  
Que diachos há com ele  
Perdeu a sela, endoidou? 

Seu sonho de consumo  
Atenção, muita atenção! 
É pôr tranca no Congresso  
É dar força à repressão  
Ou é mandar pra o xilindró  
Quem lhe faz oposição? 

Ele marcha para trás 
Comandando pelotão 
Incitando seus cavalos 
Contra a paz e união 
É um zero à esquerda 
À direita é Cramunhão 

Pena tudo, penam todos  
Penam jovens jornalistas  
Que quando podem perguntam 
Sobre nazi-fascistas  
Irritado Presidente 
Diz ser todos comunistas 
...

Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1471804/reporter-entrevista-piolho-do-cramunhao/
Mas Bolsonaro é um mentiroso contumaz, provocador. À propósito, recomendo a leitura do belíssimo e histórico texto da jornalista Eliane Brum: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-08-07/a-marcha-dos-mortos.html


domingo, 9 de agosto de 2020

ÍNDIOS VIVEM À MÍNGUA

Até o ano de 2050, o mundo pode alcançar o número de 9,5 bilhões de habitantes.
Atualmente, a população brasileira é da ordem de 210 milhões de habitantes.
Desses, 900 mil são de etnias indígenas, ocupando 1,7 milhão de km².
São cerca de 300 etnias espalhadas no Brasil, falando mais de 200 línguas.
No Brasil de 1500 havia 2,5 ou 3 milhões de índios. O territória brasileiro tem de extensão mais 8,5 milhões  de Km². Não é lá grande coisa a quantidade de Índios no mundo.
Os EUA acabaram com todos os seus índios. O grande responsável por esse extermínio foi o general Custer (1839-1876), que teria dito: "índio bom é índio morto".
Pois é, esse cara viveu pouco e matou muito.
O sonho do presidente é acabar com nosso índios.
Os madeireiros, incendiários assassinos; e os mineradores são o pau pra toda obra. Juntos, uma espécie de Custer.
Hoje é o Dia Internacional dos Povos Indígenas, criado em 1999.


ÍNDIOS PAYAYÁS

O mês de agosto começou no programa Em Quarentena com a professora Jamille Costa Lima Payayá falando sobre os Índios Payayás. Esses índios ainda sobrevivem a oeste da Bahia, numa localidade denominada Cabeceira do Rio Utinga. Essa Etnia deu nome a um distrito, Paiaiá.
Ainda existe índios em todo País, menos no Piauí e Rio Grande do Norte.
Nossos indígenas sobrevivem a duras penas, com grileiros e tudo que não presta de todos os lados. Vale a pena ver e ouvir o que a professora Jamille disse ao titular do programa Em Quarentena, Carlos Sílvio.
Assistam:

BRASIL: MORTOS SEM ATENÇÃO!

Bares, lojas e praias estão cheios de cabeças ocas, vazias, desafiando ingênuas ou propositadamente o vírus que se transforma em Covid-19 matando gente mundo a fora.
Já são quase 20 milhões de pessoas contaminadas pelo Novo Coronavírus.
Já são quase 800 mil o número de mortes pela Covid-19. Só nos EUA, mais de 160 mil pessoas foram ao túmulo.
O Brasil registrou ontem o triste número de 100 mil mortes por essa nova doença.
Já passa, no Brasil, de 3 milhões o número de contaminados pelo Novo Coronavírus.
Hoje domingo 9 era, segundos especialistas e matemáticos, para o Brasil está registrando "apenas" 25 mil mortos e não 100 mil.
Mas isso se o Brasil tivesse um presidente preocupado com o futuro do país e do seu povo. Não é o caso, infelizmente.
O presidente Cloroquina sequer dignou-se a enviar pelas redes uma mensagem de conforto a quem perdeu entes queridos. Pelo contrário, ele preferiu ir à Internet parabenizar o Palmeiras pelo título de Campeão Paulista conquistado ontem 8.
Pois é, é isso que temos para o momento.

https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1522493/serpente-quer-por-ovo-no-brasil/

JORNAL NACIONAL



O titular deste blog faz dele o oportuno e necessário editorial do Jornal Nacional, edição 08/08/2020



sábado, 8 de agosto de 2020

COVID-19 MATA 100 MIL, NO BRASIL



O novo coronavírus, de procedência asiática, está correndo o mundo e matando muita gente.
Novo coronavírus também atende pelo nome de Covid-19.
Covid é sigla: co (corona), vi (vírus) e o d nada mais é do que doença. E o 19 significa o ano em que essa peste surgiu.
A primeira morte provocada pela Covid-19 ocorreu em São Paulo, no dia 11 março. De lá pra cá morreram pessoas de todas as profissões, incluindo músicos, médicos, enfermeiros, pedreiros, pintores e jornalistas, como José Paulo de Andrade.
Não dá pra esquecer do ator e humorista Daniel Azulay e de Aldir Blanc.
A partir do momento que esse mal chegou ao Brasil, escrevi e publiquei quatro folhetos de cordel. Um deles, Jornalismo e Liberdade/ nos Tempos de Pandemia, foi publicado no newsletter Jornalistas e Cia do dia 1 de junho, e mereceu atenção especial da jornalista e professora Cremilda Medina, responsável pelo programa de pós graduação da Universidade de São Paulo, USP. Leia:

Não poderia encerrar esta leitura cultural sem referir o fecho em verso que Assis Ângelo escreveu para a edição especial de Jornalistas&Cia. Não há companhia mais oportuna do que a produção poética de raiz brasileira, o cordel, para espelhar o imaginário coletivo. Junto com arte de tecer o presente na reportagem, o gesto da arte amplia a sensibilidade perante o Real. Assis Ângelo expande os ecos dos 129 jornalistas ao lhes dedicar um selo histórico:

Faz-se importante dizer
Que num mundo sem imprensa
Seria difícil viver
Difícil também seria
Crer no homem como um ser

Ao longo dos versos, o autor vai rimando tempos míticos com o tempo da pandemia e o leitor navega da transcendência cultural às amargas circunstâncias da Covid-19. Mas o pano de fundo do jornalismo não sai de cartaz, insistindo no ato de reportar que, por altruísmo, supera o ódio e o radicalismo. Neste capítulo, o cordelista ataca de frente episódios do governo Jair Bolsonaro. Um diagnóstico cru: “Que bicho tem na cabeça?/ Um vírus doido, sem cura”.
Após a catilinária de opinião política, o cordel de Assis Ângelo volta à elegia de profissionais, daqueles que fazem a história do jornalismo brasileiro. E numa justa homenagem dedica a palavra rimada àqueles que fazem parte desta edição especial de junho de 2020:

Estes tempos terríveis
De horror de pandemia
De luta contra a morte
De dor, de agonia
Aqueles que podem leiam
Jornalistas&Companhia

...

Os folhetos que escrevi e publiquei sobre a pandemia provocada pela Covid-19 se acham personagens como o Demônio e Bolsonaro, chamado de Presidente Cloroquina, que tem se transformado no pior governante a enfrentar essa grande crise sanitária. Esses folhetos se acham na página do Instituto Memória Brasil (IMB). Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

CASCUDO PEGA A ESPANHOLA (5)

O mês de agosto é o mês do folclore.
No dia 22 de agosto de 1846 o cidadão John Thoms (1805-1846) teve publicada uma carta no jornal ou revista, não sei bem, de nome Athenaeum. Nessa publicação, Thoms criou a palavra folk lore.
Folk, povo.
Lore, ciência.
Aí estava criada a palavra folclore.
Folclore é cultura popular, grosso modo traduzindo do original.
Câmara Cascudo detestava essa palavra. “Não me acho folclorista, não sei bem o que é isso; eu sou historiador”.
Cascudo deixou publicados cerca de 150 livros, 39 dos quais tratando exclusivamente de folclore.
O dia 22 de agosto é considerado o Dia Internacional do Folclore.
Cascudo nasceu num município de natal, RN.
Natal tem, hoje, pouco mais de 800mil habitantes.
Mestre cascudo é o brasileiro mais querido do Rio Grande do Norte.
O rio grande do norte tem uma população de pouco mais de 13 milhões de habitantes.
Juntando tudo isso, Luís da Câmara Cascudo (1897-1986), é a somatória do Brasil.
Folclore é cultura popular.
Cultura popular é cidadania.
Os mais observadores poderão perguntar: o que é que isso tem a ver com a gripe espanhola?
A primeira e única vez que o nome de mestre cascudo aparece como portador da espanhola foi numa notinha perdida no jornal Diário de Pernambuco, o mais antigo em circulação na América do Sul.
Desde 1918 até os dias atuais, o País passou por 3 ou 4 pandemias.
A Covid-19 tem atrapalhado o Brasil e, naturalmente, natal e o estado do rio grande do norte.
Luís da Câmara Cascudo dedicou a vida estudando o comportamento do povo. Ouça o que ele diz aí quando lhe peço uma definição sobre cultura popular. Clique:


VICTOR SIMÓN NA CHINA DE MAO TSÉ-TUNG


Victor Simón nasceu em 1º de agosto de 1936, em Macaé (RJ). Estudou, mas cedo abandonou os estudos, que nem o paulista Adoniran Barbosa. E ganhou o mundo com a sua música. Uma delas, Bom Dia Café, chegou ao ouvido do líder chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976).
Pois é, nestes tempos bicudos de novo coronavírus vindo da China não custa lembrar que um brasileiro andou por lá, pela terra dos velhos imperadores da Ásia mais antiga.
Victor acompanhou os primeiros momentos da Revolução Cultural chinesa promovida pelo já citado Mao, em 1966. E pra provar isso ele um dia me deu um monte de recortes de jornais chineses noticiando sua presença por lá.
Simples: ele me disse que foi convidado pra se apresentar por lá. Eu tinha boas conversas com Victor, que morreu em 2005. Morreu pobre, abandonado, sem tostão no bolso. Como pude, estive junto dele até o fim.
Algumas de suas músicas ganharam versões estrangeiras, como O Vagabundo, dos anos de 1930. Ouça-a: https://youtu.be/Znwa5fgbvqI
Victor morreu sonhando que um dia voltaria a fazer sucesso como antigamente. Não deu.
Tão importante como Victor foi Adoniran.
Adoniran nasceu nem 6 de agosto de 1910 e morreu em 23 de novembro de 1982.
Victor andou frequentando o programa São Paulo Capital Nordeste, que apresentei há mais de seis anos pela Rádio Capital, AM 1040.
Adoniran não participou do meu programa na Capital, mas tomamos um uísque aqui outro acolá, nos bares paulistanos.
Viva Victor Simón!
Viva Adoniran Barbosa!
Saiba mais:
Quer mais sobre Adoniran? Leia o livro Pascalingundum.
As obras de Victor e Adoniran estão no acervo do Instituto Memória Brasil (IMB).

BRASIL DE MUITOS POVOS (1)

As guerras, as explosões no oriente médio, por exemplo, levam-me a concluir o seguinte: o Brasil é um país do tamanho do mundo.
São 26 estados mais o Distrito Federal, Brasília.
Juntando tudo dá quase nove milhões de quilômetros quadrados.
Essa beleza toda está dividida em cinco regiões: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que já somos mais de 200 milhões de seres especiais habitando tão bela terra.
O Nordeste, região da qual sou oriundo, tem para apresentar ao mundo nove Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Os portugueses primeiro chegaram à Bahia, e de Salvador, fizeram a capital do País.
Todos tem uma história incrível.
Meu amigo, minha amiga, você sabe a origem da palavra que dá nome à capital pernambucana? 
"Arrecife" vêm do árabe ar-rasîf.
Arrecife, na nossa língua, são rochedos existentes sob as águas do mar. Mais ou menos isso. 
De arrecife para Recife, foi um passo.
E Pernambuco, hein?
Anote aí: "mparanã mbuka". Óbvio, não?!
Ah, sim: isso na Língua Geral, o tupi que o Marquês de Pombal (1699 -1782) achou de acabar, numa canetada só. 
Andei falando sobre árabes, sobre a presença árabe no nosso País.
À propósito, o estudioso da cultura popular, Luís da Câmara Cascudo, escreveu e publicou um livro muito legal. Interessantíssimo, intitulado Mouros, Franceses e Judeus (1984).
Nesse livro Cascudo fala dos mouros na Espanha e Portugal, especialmente na Península Ibérica.
Nessa península, os mouros permaneceram mais de 700 anos. Eram fortes, decididos, pau pra toda obra. Sobre eles há referências em quase todo o mundo.
Você já ouviu a expressão "Fulano trabalha que nem um mouro"?
Pois, é.
Os franceses também tiveram forte presença no Brasil. Saíram corridos pelos índios e portugueses, é bem verdade.
Quanto aos judeus...
Os judeus de pernambuco, como não tinham muito o que fazer, pegaram uma canoa e foram fundar Nova York.
O Rio Grande do Norte é um dos estados mais bonitos do País. E a sua capital, Natal, parece um reino encantado. Aliás, é lá que se acha o Forte dos Reis Magos.
Em julho de 1939 o francês Antoine de Saint-Exupéry esteve por lá e se encantou com a árvore baobá, de origem africana. Essa árvore está no seu livro fantástico, O Pequeno Príncipe.
O mundo está no Brasil, o mundo é o Brasil.
Pra registro: um dia mestre Cascudo levou-me à janela de sua casa e apontando em direção ao mar, disse, que se fossemos em linha reta, chegaríamos à Africa.
Somos resultado de grandes misturas, num caldeirão só.
Ouçam o Fagner e os instrumentos que o acompanham, depois digam o que acharam.







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