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quarta-feira, 21 de junho de 2023
CAIM PEGA PESADO COM DEUS
terça-feira, 20 de junho de 2023
NINGUÉM QUER O CASTELO DE JOSÉ RICO
A dupla Milionário e José Rico gravou muitos discos e ficou conhecida até fora do Brasil. Entre os sucessos da dupla, que se apresentou até na China, estão Estrada da Vida, Jogo do Amor e Boate Azul.
Conheci de perto os dois, Milionário e Rico.
Fui chamado pra fazer algumas caixas especiais de artistas de sucesso, como Milionário e José Rico. Outros projetos, porém, atropelaram a ideia da coletânea com os dois. Motivo foi um projeto reunindo obras de representantes autênticos da moda caipira como Cornélio Pires, Raul Torres/Florêncio, Boldrin e tantos mais. Esse projeto, intitulado Som da Terra, resultou em 26 discos nos formatos de fita K7, LP e CD.
ARACY DE ALMEIDA
segunda-feira, 19 de junho de 2023
CHICO BUARQUE 79 ANOS
O tempo passou, pois não para de passar, esse Francisco virou Chico Buarque. Compositor, cantor, uma fera da arte musical no campo popular.
Chico é uma sumidade na profissão que abraçou.
Como cidadão, Chico é completo. Sempre soube o que quis, para si e para o Brasil. Sua obra enriquece a nossa música popular. Tem centenas de títulos registrados em compactos simples e duplos, LPs, CDs e DVDs.
Incomodou os milicos que tomaram as rédeas do destino do Brasil durante 21 anos, a partir de 1964.
Fora isso, Chico Buarque é também nome de destaque no campo da literatura. Tem vários romances e peças de teatro, como Gota D'água, Roda-Viva e Calabar.
Seu pai, Sérgio Buarque, deixou marcas na área da História e Sociologia. Um dos seus livros clássicos tem por título Raízes do Brasil, cuja primeira edição data de 1936.
A primeira composição musical de Chico Buarque foi intitulada Canção dos Olhos. Tinha 15 anos de idade. O sonho de Chico, digamos assim, era compor tão bem como o seu chamado "maestro soberano", Tom Jobim.
A primeira composição musical de Chico foi gravada pela cantora Maricenne Costa, em 1964. Título: Marcha para um dia de Sol.
HISTÓRIAS DE ESQUINA
SARAMAGO NÃO MORREU
Num dia qualquer de fim de ano ocorre num país imaginário a continuidade da vida sem prazo para parar, por iniciativa da morte.
Pois é, derrepentemente as pessoas param de morrer. Criança continua crescendo e os crescidos, homens feitos, continuam suas trajetórias rumo à imortalidade. Velhos continuam velhos, cada vez mais velhos; e doentes, doentes com a possibilidade de não morrer.
O livro As Intermitências da Morte, de José Saramago (1922-2010), começa com a morte tirando férias e as pessoas, homens e mulheres, vivendo a possibilidade de nunca morrerem.
É pra lascar, né não?
domingo, 18 de junho de 2023
LICENCIOSIDADES NA CULTURA POPULAR (26)
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| Assis Ângelo e Paulo Vanzolini |
A mineira Maria Alcina fez estrondoso sucesso com Bacurinha, depois de regravar Prenda o Tadeu.
Até a rainha do baião, Carmélia Alves, cantou a seu modo verso de duplo sentido. A música foi Trepa no Coqueiro, de Ari Kerner. Um trecho: “Oi! Trepa no coqueiro!/ Tira coco!/ Jipe, jipe! Nheco, nheco!/ No coqueiro olirá/ Papai, cadê Maria?/ Maria foi passiá/ Os passeios de Maria/ Faz papai e mamãe chorar”.
A rainha do forró, Anastácia, pegou o bonde dessa história e mandou ver no forró O Sucesso da Zefinha, em que diz: “A Zefa é moça bonita/ Bem apetitosa e ajeitadinha/ Usando a calça bem justa/ Cintura apertada fica bonitinha/ Os homens ficam quase doidos/ Querendo dançar só com a Zefinha/ E ela por si não dá conta/ Trocando de par a noite inteirinha”.
Quem também fez grande sucesso cantando bobagens foi a atriz Dercy Gonçalves. Uma das músicas que lhe renderam sucesso foi A Perereca da Vizinha, dela mesma e de Jonatan. Começa assim: "A perereca da vizinha tá presa na gaiola!/ Xô, perereca! Xô, perereca!/ A vizinha é boa praça/ A vizinha é camarada/ Vai soltar a perereca/ Pra alegrar a garotada!!!".
No mundo da cantoria ao som de viola e pandeiro há interessantes e curiosos registros em modalidades diversas, como embolada.
As irmãs Terezinha e Lindalva fizeram muitos marmanjos rirem com Baiana Sulá, gravada no lado A do LP Olha o Palavrão, de 1992. Elas usam palavras de baixíssimo calão para se "agredirem". Embora engraçados, os versos são pesados.
Terezinha e Lindalva gravaram vários discos e até participaram de um filme intitulado Saudade do Futuro, baseado no livro Eu vou contar pra vocês, que publiquei em 1990. Desse filme, inédito no Brasil, também participaram os emboladores Peneira e Sonhador.
Mais leves do que Terezinha e a irmã são Caju e Castanha. Falam de corno. Adoram esse tema. O Corno Conformado é uma graça. Ouça:
sábado, 17 de junho de 2023
LICENCIOSIDADES NA CULTURA POPULAR (25)
De Raul é o engraçado Rock das Aranhas, em que narra a relação sexual entre duas mulheres. Fez grande sucesso, virando clássico do gênero: https://www.youtube.com/watch?v=rRj-9xhlXuQ
O trem dessa história segue por aí, aos solavancos.
Em 1929, a cantora e atriz do teatro de revista Aracy Cortes encheu de tesão os marmanjos que a viam no palco. Deu muito o que falar com as pernas nuas e os trejeitos sensuais. Um ano antes ela gravou o samba Jura, de Sinhô, que lá pras tantas diz: “... Daí então dar-te eu irei/ O beijo puro na catedral do amor/ Dos sonhos meus/ Bem junto aos teus/ Para fugirmos das aflições da dor”.
Em 1935, a cantora Carmen Miranda botou pra quebrar com o samba Eu Dei..., de Ary Barroso. Gracioso, fez sucesso.
Em 1936 Noel Rosa compôs o samba Dama do Cabaré que Marília Batista gravaria em 1954. O personagem descarta uma namorada pela tal dama, com quem sai. Apaixona-se e passa a vida a procurá-la nos bailes da vida. É o contrário do que se sucede com a personagem do samba-canção Ronda, que o paulistano Paulo Vanzolini comporia. Essa música foi lançada em 1953, por Inezita Barroso.
Mais recentemente muitas cantoras se divertiram cantando coisas maliciosas.
POR QUE HOJE É SÁBADO?
Eu disse e repito: todo e qualquer tema se acha na nossa música popular desde o nascimento, vida e morte de quem quer que seja.
A morte está presentíssima no repertório popular da nossa música.
Todos os grandes compositores geraram músicas com base nessa temática.
O ilustrado poeta Vinícius de Moraes falou de tudos nos seus versos, até de suicídio.
sexta-feira, 16 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (6, FINAL)
A População de humanos deste nosso planetinha já passa de 8 bilhões.
Diariamente nascem cerca de 200 mil pessoas e morrem a metade disso. Quer dizer, continuamos a nos multiplicar como disse Deus, na Bíblia.
E se não morrêssemos o que seria da morte, hein?
Desde tempos imemoriais rola na boca do povo, e em todas as línguas, histórias que põe a Morte como imorrível e sábia. Dela ninguém escapa, é claro.
Nas histórias contadas pelo povo sempre aparecem malandros querendo passar a perna na morte. E perdem, claro.
O escritor paulistano Ricardo Azevedo reuniu num livro quatro histórias originárias de Portugal. São ótimas. Começa com o personagem procurando padrinho para o seu sétimo filho. É pobre, afunhenhado. Numa estrada dá de cara com alguém que se identifica como Morte. Vira a madrinha do filho.
A segunda história adaptada por Azevedo e inserida no seu livro Contos de Enganar a Morte trata de dois jovens, um deles ganancioso e o outro tranquilo, pacato, trabalhador, de profissão ferreiro. E não vou contar mais a respeito.
Mas foi em histórias desse tipo que o escritor português José Saramago inspirou-se para nos presentear com o livro As Intermitências da Morte, publicado originalmente em 2005.
No livro, o fabulista Saramago cria um país onde, de repentemente, ninguém morre. E de repentemente as pessoas se multiplicam, se multiplicam, se multiplicam. Caos. As funerárias vão à falência, os hospitais ficam atulhados de pacientes que envelhecem e não morrem. Preocupado com a situação, o cardeal liga para o primeiro ministro dizendo que sem morte não há ressurreição e sem ressurreição não há igreja.
A morte se acha em todas as narrativas, em todas as histórias desde sempre. Desde que mundo é mundo.
Há histórias sobre a Megera, como também é chamada a Morte, no folclore de todos os países.
Lá pras bandas da Europa há história do Cavaleiro Sem-Cabeça. As versões da história desse Cavaleiro variam. Contam que o tal foi decapitado pelo próprio pai. Há filmes a respeito.
No Brasil, que é rico de histórias de Trancoso e tal, tem a Mula Sem-Cabeça. Teria surgido no Nordeste. Fala-se de uma mulher que fora amaldiçoada por Deus, ou sei lá por quem, pelo fato de envolver-se sexualmente com um padre.
Tem também a história de um certo Corpo Seco. No caso um cara mão de vaca e mau. Xingava todo mundo, batia em todo mundo. Canalha. Ao morrer a terra recusou-se a comê-lo. Não foi parar no Inferno e tampouco no Céu.

Há casos reflexivos no vasto manto do folclore nacional. O Negrinho do Pastoreio é um desses casos. Cenário é uma fazenda no Sul. O Negrinho do título deixa escapar um animal e por isso é punido pelo patrão, um fazendeiro maldito. Ele apanha e tem o corpo ferido num formigueiro onde fora posto. Ressuscita montado num bonito cavalo e, como herói da história, liberta as pessoas escravizadas pelo fazendeiro.
E o Saci-Pererê, hein? O Saci, nosso Saci, aparece pela primeira vez em histórias escritas num livro do paulista Monteiro Lobato.
Foi também Monteiro Lobato que deu voz em livro à Mula Sem-Cabeça.
Vale sempre a pena ler e reler as histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Um dos mais queridos personagens folclóricos é João Grilo. Grilo é cheio de onda, esperto. Tira proveito de quem esbanja fortuna e tal. Esse conseguiu vencer a morte. Nessa façanha, teve a mão santa de Nossa Senhora. Provoca boas gargalhadas. Foi morto por um cangaceiro, mas retornou ao convívio entre os vivos. Rouba cenas da peça O Auto da Compadecida, que virou filme.
A população mundial continua se multiplicando. O número de pessoas que nascem é o dobro das pessoas que morrem.
No auge da pandemia o Brasil registrou a média de 7 mil morte/dia.
Nascem mais homens do que mulheres, os dados são do Country Meters.
No Brasil nascem cerca de 7.700 crianças diariamente, segundo o IBGE.
Mas e se não morrêssemos, o que seria da morte?
quinta-feira, 15 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (5)
País que anda mal é aquele que tem a economia mal administrada. E assim sendo, corroída pela praga da inflação.
Poetas populares do cordel, como Leandro Gomes de Barros, apresentaram na sua arte os malefícios da inflação. Inflação, leia-se: horror, morte, principalmente pra quem é pobre.
História.
"Vinícius não matou-se. Vinícius estava se recuperando de um AVC e como consequência aconteceu o que todos nós não queríamos. Meu irmão, que estava hospedado no seu apartamento, no Rio, tentou ainda reanimá-lo, mas quando o médico chegou já não havia mais tempo. A primeira pessoa que notou alguma coisa estranha em Vinícius foi Rosinha, a cuidadora da casa. O resto é história".
quarta-feira, 14 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (4)
terça-feira, 13 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (3)
"As pessoas precisam ter mais coragem para falar sobre isso. Precisam ter opiniões mais contundentes. O maior problema que se pode ter é perceber que se tem um problema que não está resolvido [...] Para mim, a arte é um processo de cura. Ela organiza a cabeça, expande o conhecimento. Lido com criatividade e preciso de equilíbrio e ausência de ansiedade. Ou você adquire isso ou não faz bem o seu trabalho"
No caso de um artista, podemos acompanhar esta constante presença da morte em sua obra, e Torquato não é exceção. A morte é uma constante em sua vida e obra. Ele já havia tentado se matar diversas vezes e cada uma era como um tributo à própria arte. Existe um ponto em que a criação artística torna-se de tal modo importante para a vida do artista que elas se confundem. Ela só existe por sua causa mas à medida em que sua criação se estrutura o artista se vê na posição contrária. Ele passa a depender da obra para existir tanto quanto ela depende dele para fluir. A morte aparece aqui como um tributo a ser pago à arte, uma experiência limite que permite ao sobrevivente o relato pleno de sua incursão pelos obscuros e perigosos caminhos do inconsciente.
Sua atividade criativa estava aquecidíssima e ele tinha inúmeros planos de futuro. "Experimentar" a morte era como encarar de frente aquela que o colocava constantemente numa cilada. O artista é aqui uma vítima voluntária da própria arte. Caso ele sobreviva terá em seu desenvolvimento artístico um salto qualitativo talvez apenas possível por ter tomado a opção do sacrifício. Um ritual que ressuscita, como o próprio corpo do sobrevivente.
segunda-feira, 12 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (2)
Como se faz um atchim
E de supetão
Lá vem o rabecão...
domingo, 11 de junho de 2023
A MORTE TEM NOME: VIDA (1)
Esse tema se acha em todos os quadrantes do pensamento humano, desde sempre.
Falar da vida, falar da morte e de sexo não é fácil. É difícil, e por ser assim, polêmico, polêmico.
Não é fácil falar das coisas fáceis.
A morte, por exemplo, está na nossa cara como na nossa cara está a vida. E vida como tal, sexo.
O sexo reproduz a vida e a morte, não é mesmo?
Mas poeta eu não sou não.
Poeta é Zilidoro
Poeta é Riachão
Que do nada fazem versos
E se brincar até canção...
A morte, como a vida, se acha profundamente presente nas mais diversas formas da cultura popular. Na música, inclusive.
O roqueiro Raul Seixas e o escritor Paulo Coelho assinam um tango interessantíssimo, cantado por Raul. Este: https://youtu.be/FHZpAnagMkc
O tema morte na música popular brasileira é antigo, antiquíssimo.
Em 1933 o carioca Noel Rosa escreveu e cantou Fita Amarela. Diz:
Quando eu morrer
Não quero choro, nem vela
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela...
Isso, pois, há 90 anos!
Porém não custa lembrar que nesse ano, 33, os compositores J. G. Fernandes e L. Marques compuseram o fado A Morte da Ceguinha, que o português com raízes brasileiras Manoel Monteiro gravou com muita graça, digamos assim.
Antes dos 30, os cantores Paraguassu e os Irmãos Eymard gravaram Morrer de Amor e Morrer Por Ti. A primeira é uma modinha e a segunda, uma polca.
Polca, aliás, é um gênero musical muito bem assimilado pelo sanfoneiro e compositor, também cantor, Luiz Gonzaga.
Pra tocar o meu pandeiro, ô
O meu pandeiro cravejado de marfim
Quando eu morrer, quero um braço de fora
Pra tocar o meu pandeiro, ô
Em homenagem às morenas que gostam de mim
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (24)
E como quem não quer nada, do rádio saía a voz de Zé Duarte cantando Velho Sapeca. Olhe a gracinha: "Meu pai vivia triste, andava descontente/ Hoje vive sorridente e a tristeza não existe/ Queria que você visse como ele tá legal/ Tá nascendo cabelo na cabeça do meu pai/ Que beleza, que legal...".
O jornalista, teatrólogo e advogado carioca Geysa Bôscoli, sobrinho da maestrina Chiquinha Gonzaga, compunha músicas nas horas vagas. Uma dessas músicas, Maria Chiquinha, foi gravada pela primeira vez por Sonia Mamede e Evaldo Gouveia no ano de 1962. Outras gravações dessa música foram feitas, inclusive pelos irmãos Sandy e Junior. A letra é aparentemente ingênua, mas o personagem desconfia que está sendo traído pela mulher. Pior: ele a ameaça cortar-lhe a cabeça. Horror!
Há muitos casos de feminicídios na literatura e na música.
Em 1982 entrevistei Chico Buarque e dele ouvi opinião a respeito desse assunto, condenável sob todos os aspectos. Leia a entrevista completa: REVISTA HOMEM - EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO
Maria Chiquinha chegou a integrar o repertório da música infantil. Esse repertório incluiu títulos até da animação Shrek. Num desses títulos, a petizada canta: "Aqui em Duloc é tão bom viver/ Nossas regras já vamos lhe dizer/ No jardim não pisar/ Todos cumprimentar/ Duloc é especial/ Na cabeça shampoo, lave bem o seu pé/ Duloc é, duloc é/ Duloc é especial".Até a chamada "rainha dos baixinhos" Xuxa, hoje sessentona, dançou e cantou ao som do duplo sentido. Exemplo é a música Turma da Xuxa, de Reinaldo Waisman e Robson Stipancovich, gravada no LP Xou da Xuxa em 1986. A letra diz: "E o Betão apaixonado/ Foi beijar a Marieta/ Errou a sua boca/ E beijou sua… bochecha…".
Xuxa, aliás, chegou a ser "homenageada", em 1988, pelo grupo Trem da Alegria. Os pixotes desse grupo, hoje extinto, começam cantando assim: "Cada dia mais eu me apaixono e te acho mais linda/ Eu fico imaginando, quero ser seu namorado/ Mas fico com vergonha do meu pai que está do lado/ Você é a culpada do meu banho demorado…".
sábado, 10 de junho de 2023
A BOSSA NOVA MORREU, NO BRASIL
Ouso aqui dizer que esse João foi tão importante quanto o pernambucano de Exu Luiz Gonzaga, que para o mundo ficaria conhecido como o Rei do Baião.
O novo ritmo criado por João Gilberto chamou-se Bossa Nova. O mundo inteiro conhece esse gênero, esse ritmo, essa pancada sonora inventada pelo baiano João.
A primeira gravação de Garota de Ipanema, carro chefe do movimento bossa-novista, foi gravada no Brasil no dia 26 de março de 1963, lançada em julho num disco de 78 rpm pela gravadora Odeon. O intérprete, de quem privei amizade, foi o carioca Pery Ribeiro. Pery era filho da deusa da nossa música Dalva de Oliveira e do cínico Herivelton Martins, porém sem dúvida um grande letrista e melodista da nossa música popular. É dele, por exemplo, a canção Ave Maria no Morro. Essa canção foi gravada em muitas línguas.
Em muitas línguas, quase todas, foi também gravada Garota de Ipanema.
A primeira versão em inglês de Garota de Ipanema coube à baiana de Salvador Astrud Gilberto. Essa gravação Astrud fez no dia 12 de março de 1963, num estúdio de Nova Iorque lançada no ano seguinte, num single, sem créditos à intérprete. Não houve contrato na ocasião. Da parte dela, de Astrud, por ingenuidade ou amadorismo.
No começo da carreira, João brigou com muita gente. Até com Geraldo Vandré. Mas o tempo passou e a amizade entre os dois voltou.
O primeiro LP de Vandré tem a marca bossa-novista. Não é mesmo, maestro Júlio Medaglia?
HOJE 10 DE JUNHO, É O DIA DE CAMÔES
Quem não compareceu à Biblioteca Mário de Andrade, pra me ver e ouvir falar sobre o legado português para o Brasil, e para o mundo, ainda é hora de ver e ouvir o que lá falei. Clique:
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (23)
O carioca Dicró, de batismo Carlos Roberto de Oliveira (1946-2012), também deitou e rolou cantando em duplo sentido. Olha a Rima e Cama de Pau Duro. Como muitos, também brincou com a sogra. Humor puro e cheio de graça.
Na batida do samba estilizado tem o grupo Só pra Contrariar, que interpreta A Barata, de Alexandre Pires, gravado no seu primeiro LP (1993), que vendeu cerca de meio milhão de cópias. Putaria só, só. Nessa linha é também o sertanojo A Garagem da Vizinha, da dupla Sandro e Gustavo, que diz: “Lá na rua onde eu moro/ Conheci uma vizinha/ Separada do marido/ E tá morando sozinha/ Além dela ser bonita/ É um poço de bondade/ Vendo meu carro na chuva/ Ofereceu sua garagem…”.
E, claro, não dá pra esquecer das baixarias do grupo É o Tchan!
Além das letras picantes, É o Tchan marcou pela coreografia extremamente sensual. Era o caso de até fazer crianças saírem da frente dos aparelhos de TV. Coisa de "boquinha na garrafa" e tal.
O cantor Alípio Martins, paraense, também marcou época interpretando coisas de duplo sentido, falando de cornos e gays.
Rolando Boldrin tem uma parceria muito bonita com o bom baiano Tom Zé, A Moda do Fim do Mundo. Nessa moda, os dois falam da necessidade de recomeçar o mundo como tudo começou: um macho transando com uma fêmea. Pois, pois.
Na primeira, ele canta: "Menina eu nunca vi umbu ser tão azedo/ Menina eu nunca vi umbu ser tão azedo/ Zezinho eu nunca vi umbu ser tão azedo/ porque eu nunca vi umbu ser tão azedo…" . E na segunda: "Tico mia na sala, Tico mia no chão/ Tico mia na cozinha, encostado no fogão/ Tico mia no tapete, Tico mia no sofá/ Tico mia na cama, toda hora, sem parar…".
O apelido Manhoso, nome verdadeiro de Edson Correia da Fonseca (1935-2023), foi dado pelo apresentador de programa de TV Flávio Cavalcanti (1923-1986).
sexta-feira, 9 de junho de 2023
OS MARES ESTÃO ENGOLINDO A TERRA
- Mar de Coral - 4.183.510 km² (localizado na Oceânia, águas do Oceano Pacífico).
- Mar do Sul da China - 3.596.390 km² (localizado no sudeste asiático, águas do Oceano Pacífico).
- Mar do Caribe - 2.834.290 km² (localizado na América Central, águas do Oceano Atlântico).
- Mar de Bering - 2.519.580 km² (localizado entre o Alasca e a Sibéria, águas do Oceano Pacífico).
- Mar Mediterrâneo - 2.469.100 km² (localizado entre a Europa meridional, Ásia ocidental e África setentrional, águas do Oceano Atlântico).
- Mar de Okhotsk - 1.625.190 km² (localizado no nordeste da Ásia, nas águas do Oceano Pacífico).
- Golfo do México - 1.531.810 km² (localizado na América Central e América do Norte, águas do Oceano Atlântico).
- Mar da Noruega - 1.425.280 km² (localizado a noroeste da Noruega entre o Mar do Norte e o Mar da Groelândia, nas águas do Oceano Atlântico).
- Mar da Groelândia - 1.157.850 km² (localizado entre a Groelândia e Islândia, águas do Oceano Ártico).
- Mar do Japão - 1.008.260 km² (localizado entre o Japão, oeste da Península Coreana e o norte da Rússia, águas do Oceano Pacífico).
quinta-feira, 8 de junho de 2023
EU E MEUS BOTÕES (64)
quarta-feira, 7 de junho de 2023
GAUGUIN POLÊMICO, NO MASP
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| Gauguin, autorretrato |
Paul Gauguin (1848-1903) e Vincent Van Gogh (1853-1890)
A vida do pintor francês Paul Gauguin foi muito atribulada, cheia de altos e baixos. No começo teve a pintura como passatempo, enquanto ganhava a vida no mercado financeiro. Ao perder o emprego, passou a dedicar-se às artes plásticas. Viajou bastante. Era filho de um jornalista e de uma escritora feminista. Corriam os anos de 1880. Conheceu o holandês Van Gogh em Paris no ano de 1888. Chegaram a dividir ateliê em Arles. Desavenças entre os dois terminou em briga e em afastamento. Numa de suas viagens, Gauguin foi acusado e preso por desacato a militares. Morreu doente e preso numa cadeia de Atuona, Oceania. Van Gogh, antes de dar um tiro no próprio peito, pode-se dizer que morreu de depressão. Tinha mania de perseguição e isso fez com que cortasse um pedaço da orelha e o mandasse de presente num envelope para Gauguin. Deixou centenas de pinturas e desenhos, mas apenas um quadro conseguiu vender em vida. Assim mesmo através do irmão mais novo Theo,que morreria também poucos meses depois.Um quadro de Van Gogh, Cena de Rua em Montmartre, leiloado em 2021 pela Sotheby’s alcançou a cifra de 14 milhões de euros. Morreu pobre, aos 37 anos de idade.
terça-feira, 6 de junho de 2023
ASTRUD GILBERTO MORRE NOS EUA
A soteropolitana Astrud Gilberto, de batismo Astrud Evangelina Weinert despediu-se do mundo ontem 5 na Filadélfia, EUA, onde morava desde 1959. Sofria do coração. Deixou dois filhos, um deles, Marcelo, fruto da união com o cantor e compositor João Gilberto. Astrud e João ficaram casados durante cinco anos, de 59 a 64.
A carreira artística de Astrud começou nos Estados Unidos em 1963. Mais precisamente no dia 18 de março, dias antes de ser desencadeado o golpe que levou ao poder no Brasil os generais. Astrud foi a primeira cantora a gravar o samba balanceado chamado de bossa nova, Garota de Ipanema. Essa música, gravada em inglês, levou às paradas o LP Getz/Gilberto. Quer dizer, a soteropolitana Astrud morreu no ano que completou seis décadas de sua estreia em disco.
Muitos compositores brasileiros tiveram obras gravadas por ela. Entre essas Aruanda de Geraldo Vandré e Carlos Lyra; e Beach Samba, de Pery Ribeiro e Geraldo Cunha. Curiosidade: Pery foi o primeiro cantor a gravar Garota de Ipanema, num disco de 78rpm.
Detalhe lamentável: o nome de Astrud foi omitido do LP Getz/Gilberto e pela gravação ela recebeu míseros 120 dólares e menos de um ano depois o maridão cantor, papa da Bossa, a trocaria por uma das irmãs do Chico, Miúcha, com as mãos abanando e uma criança para criar.
Astrud Gilberto morreu no fim da noite de segunda-feira.
Ouça Astrud cantando Aruanda:
VANDRÉ
Geraldo Vandré compôs duas músicas com Carlos Lyra, Aruanda e Quem Quiser Encontrar o Amor. Aruanda é a primeira faixa do lado B do LP The Best of Astrud Gilberto (nas minhas mãos, foto acima). Ontem 5 estivemos numa prosa, cá em casa. Papo bom, solto, amigo. Minha filha Clarissa registrou o momento (ao lado).
AUDÁLIO DANTAS: DE FATO UM GRANDE TROFÉU!
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| Audálio e Assis, no Metrô-SP |
Esse é o triplé mágico e necessário de identificação do cidadão nacional. Faz parte do troféu Audálio Dantas, de reconhecimento dos profissionais do jornalismo.
Pela 4ª vez o troféu Audálio Dantas é entregue a jornalistas que têm marcado a vida brasileira. Os agraciados deste ano são Rene Silva, Juliana Dal Piva, Bruno Paes Manso, Leonardo Sakamoto, Gregório Duvivier e Valmir Salaro.
Desses nomes aqui citados, lembro que trabalhei na folha com Valmir Salaro.
Grande Valmir!
Eu e Valmir Salaro fazíamos parte de uma equipe de profissionais que cobriam, principalmente, o setor policial da já referida Folha.
Muitas histórias.
O alagoano Audálio Dantas foi um querido amigo. Foi não, é. Os grandes não morrem, desaparecem derrepentemente.
Jornalismo é fundamental para a manutenção da democracia de qualquer país.
O troféu Audálio Dantas nasceu por iniciativa do querido Serjão, da OBORÉ, que baseou-se em ideia como sempre original da também querida Laerte.
Com Laerte tive também o privilégio de trabalhar, na Folha.
Viva a Liberdade!
Todos nós estamos convidados a comparecer logo mais, às 19h, na Câmara Municipal de São Paulo onde o troféu será entregue aos colegas acima citados. Aí está o convite:
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