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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O BRASIL TÁ CHEIO DE TIRIRICAS. E SE...?

Tá danado!
Uma loucura só.
Mundo e meio metendo o pau no Tiririca.
Mas quem é Tiririca?
Primeiro foi o Skaf.
Quem é Skaf?
Agora é o senador Mercadante tascando no debate Folha/Rede TV!, encerrado há pouco.
Pra que?
Deus do céu! É o fim do mundo.
Como um tiririca pode incomodar tanto?
Num texto anterior, andei lembrando o Cacareco.
Lembram o Cacareco?
Cacareco era um tranquilo e ingênuo bicho rinoceronte trazido do Rio de Janeiro para São Paulo, e que à revelia própria acabou "concorrendo" com mais de 400 candidatos gente a vereador em Sampa, na última eleição dos 50.
O bicho "aprontou" sem querer; e muito, mas não tinha querer.
Cacareco aprontou tanto que foi levado de volta, às pressas, para o zoo de onde veio; o que, em tese, não se pode fazer com tiriricas.
Tiririca dá idéia de coisa pequena, de coisa que não assusta; ao contrário dos coronéis e candidatos a coronéis que tantos males têm feito ao País, no último século e pouco.
A eventual vitória desse Tiririca, feio, desengonçado, nas eleições de 3 de outubro, terá a ver com o comportamento dos políticos de profissão, não é?
O Tiririca cá citado é de profissão palhaço; os tiriricas de lá, profissionalíssimos, nos fazem de palhaço.
Perguntar, já dizia outro palhaço, Chico Anízio, não ofende.
Então, tá: e se esse tal ganhar o cargo e não seguir o caminho da sacanagem tão comum a seus eventuais colegas, hein?
E se o tal primar pela honradez etc. e tal, como ficará a questão?
Na verdade, qualquer um, mesmo os analfabetos, podem e têm o direito de ser cidadão e como tal agir.
Fica o dito cá dito.
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ZÉ HAMILTON RIBEIRO
- Daqui a pouco, às 19 horas, haverá solenidade de entrega do título de Cidadão Paulistano ao jornalista José Hamilton Ribeiro, no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, que fica ali no Viaduto Jacareí, 100. Vamos lá? Eu vou.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ZÉ HAMILTON AGORA É CIDADÃO DE SAMPA

Para orgulho da categoria, o colega Zé Hamilton Ribeiro, de tantas e tantas reportagens e de livros importantes publicados, como Senhor Jequitibá, de 1979, receberá amanhã 16, às 19 horas, o merecido título de Cidadão Paulistano no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, naturalmente pela excelência do trabalho que desenvolve desde sempre.
Paulista de Santa Rosa de Viterbo, safra de 35, Zé Hamilton é o jornalista mais premiado do Brasil.
É chamado O Repórter do Século, merecidamente.
O primeiro prêmio, ele o ganhou em 64.
Depois outros e outros, como o internacional de Jornalismo Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, em 2006.
A carreira de Zé começou em 54.
A sua volta, há muitas histórias a contar.
Em 2008 participamos do encontro “1968: Cenas da Rebeldia”, organizado pela produtora paulistana Andrea Lago, no Centro Cultura BNB, em Fortaleza.
Desse encontro, mediado por mim, participaram, além de Zé, os artistas da música brasileira Sérgio Ricardo, de Beto Bom de Bola, e Théo de Barros, de Disparada (parceria com Vandré).
Lembro que o Sérgio, nervoso na véspera, me pediu para evitar o caso da quebra de violão.
Lembram?
Foi em 1967, num festival da Record, quando a platéia enlouquecida o impediu de cantar e o vaiou bestialmente.
Discordei dele, dizendo que não dava para evitar o assunto, pois, enfim, era história.
Ele aceitou meus argumentos e tudo terminou bem, tanto que depois me disse que aquilo (o encontro) foi útil e lhe serviu de terapia.
Fiquei feliz.
Mas o meu receio, mesmo, era a reação de Zé.
Como evitar falar da sua brilhante cobertura da guerra do Vietnã para a revista Realidade, interrompia bruscamente, sem falar do acidente trágico que o fez perder uma perna ao pisar numa maldita mina e ir para os ares, literalmente?
Assunto delicado, sem dúvida.
Mas Zé, como se adivinhasse o meu dilema, abordou o assunto com humor, fazendo a platéia se deliciar e até rir com a graça da sua narrativa.
Zé Hamilton, pois, é assim: além de um grande jornalista, um profissional que de fato faz bem à categoria, é, antes de tudo, uma pessoa incrível, exemplar; dessas que a gente carrega no peito com um orgulho danado.
Mas há pouco fiquei sabendo que ele está um tanto nervoso com essa história de homenagem na Câmara, pois anda ainda triste e abalado com a perda da companheira de tantos anos e mãe dos seus filhos.
Fica assim não, Zé.
É ótimo receber o título de Cidadão da Câmara Municipal de São Paulo.
Você vai ver.

PS – A foto aí de cima foi feita por Edson, do projeto o Autor na Praça, em 2007. O primeiro que aparece é Luiz Ernesto Kawall, o segundo sou eu, o terceiro é Ricardo Kotscho e o quinto, Zé. A mocinha é uma amiga do Edison. Fica o registro.

domingo, 12 de setembro de 2010

GERALDO PEDROSA DE ARAÚJO DIAS, 75

Ontem, como prometi, estive em Bragança Paulista a hora e meia de Sampa assistindo mais um belo espetáculo do cantor e instrumentista baiano Xangai no Galpão Busca a Vida, onde constatei, mais uma vez, que o público é uma coisa doida e esquisita, que grita, que berra, ulula e bate palmas fora do tempo.
Um horror.
Educação nessa gente!
Xangai, sabem os bons ouvidos, é um intérprete irrepreensível que conhece a fundo todos os seus recursos vocais, que os usa de mil maneiras.
Está de parabéns.
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IRREGULAR
No início desta noite estive no Auditório Ibirapuera, assistindo a gravação de um DVD do autointitulado roqueiro do mato Zé Geraldo. O show teve a participação dos excepcionais Xangai e Geraldo Azevedo, entre outros artistas.
Dessa vez o público foi outro, mesmo batendo palmas desencontradas.
Detalhe: o show bambeou no campo do irregular.
Aguardemos a edição...
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ANIVERSÁRIO
O paraibano de João Pessoa Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, em arte Geraldo Vandré, cantor e compositor de renome nacional, e internacional, autor de pérolas como Fica Mal com Deus, completou hoje 75 anos de idade cheio de saúde e com a voz ainda tinindo. Vez ou outra, porém, ele reclama de cansaço e da mudança repentina do tempo da cidade de São Paulo, que adotou nos inícios dos anos de 1960.
Muita gente ainda pergunta por onde ele anda e o que faz.
Ele anda por aí, exercitando a arte da composição.
Por iniciativa própria, suspendeu suas atividades artísticas em dezembro de 1968, embora ainda haja quem ache que reavaliará a decisão e retomará ao palco, pelo menos uma vez.
Esperemos.
E parabéns, Geraldo!
Milhões de tudo de bom procê.

sábado, 11 de setembro de 2010

AGENDE-SE: COSTA SENNA LANÇA NOVO CD

Hoje é aniversário da derrubada das torres gêmeas.
Não custa lembrar que foi na manhã de 11 de setembro de 2001 que o demolidor Bin Laden enviou kamikazes da rede Al Qaeda à Manhattan, numa missão de tudo ou nada.
O tudo era a demolição do colossal Trade Center de Nova Iorque.
O nada era o seu insucesso.
Desde então, os Estados Unidos nunca mais foram os mesmos.
Há quem ainda ache que tudo não passou de uma fraude a descida do homem em solo lunar, no histórico 20 de julho de 1969.
Há também quem ainda duvide que Bin Laden exista ou nunca existiu.
Também uma fraude norte-americana para fazer dos EUA uma vítima perante o mundo?
O fato, porém, é que Bin Laden se tornou a maior dor de cabeça dos norte-americanos, com o presidente Obama dizendo que o quer vivo ou morto, para o bem da humanidade.
A caça continua.
Sugiro: contratar a polícia civil do Rio Grande do Sul, que acaba de prender o mais perigoso ladrão de caminhões do Estado.
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ESPETÁCULO 1
Cante Esse Refrão Por Aí!
Esse é o título do novo CD do cantor e compositor Costa Senna, que será lançado em clima de festa, naturalmente, na tarde do próximo sábado 18.
O bonito acontecimento terá lugar no auditório da Ação Educativa, à Rua Gal. Jardim, 600, Vila Buarque, nas proximidades da Biblioteca Monteiro Lobato.
Senna, um cearense da capital há 30 anos na estrada da cantoria, é da raça dos artistas que acreditam sinceramente que a arte tem participação direta na melhoria das pessoas e da sociedade. Tanto, que a sua obra é toda permeada de mensagens que têm por alvo atingir professores e gente em formação. Ele sabe das dificuldades de realizar o que prega, por isso, violão às costas, segue sem enfado periferia adentro, e de escola em escola, contando e cantando a vontade de ver um País melhor.
Viva Costa Senna!
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ESPETÁCULO 2
O cantor baiano Xangai, nascido Eugênio Avelino, se apresentará daqui a pouco no Galpão Busca Vida, em Bragança Paulista, com um repertório de pérolas assinadas por Renato Teixeira, Hélio Contreiras, Ivanildo Vila Nova, Juraildes da Cruz e, claro, Elomar Figueira Melo, de quem é o maior intérprete. Estarei lá.
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POESIA POPULAR 1
Acabo de receber de José Walter Pires um poema louvando a Academia Brasileira de Literatura de Cordel e poetas populares. Destaco esta estrofe:

Chico Salles, bom poeta
Cantador e forrozeiro
Que vive fazendo festa
Lá no Rio de Janeiro
Com eventos o ano inteiro
Vai mostrando seu valor
Como artista e produtor
Da cultura que domina
Paraíba masculina
Mulher Macho, sim senhor!

POESIA POPULAR 2
Acabo de receber também, do poeta Allan Sales, que conheci há pouco em Porto de Galinhas, PE, esta estrofe:

Muitos são criminosos no ambiente
Desmatando o Brasil sem ter limite
Usam serra demais e sem convite
Mas com serra não vão nos por pra frente
Pois com serra mostrar ser um demente
E fazer só as coisas bestiais
Se com serra Brasil não pode mais
Mando serra pra puta que pariu
É POR CAUSA DE SERRA QUE O BRASIL
VAI PERDENDO AS BELEZAS FLORESTAIS
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ANOTE AÍ:
- Se houver segundo turno em São Paulo, Geraldo Alckimin corre o risco de perder para Mercadante.


PS – A foto que ilustra este texto foi feita no dia 3 de março de 2007, quando promovi um grande evento na Praça da Sé, cá em Sampa, para lembrar os 60 anos da primeira gravação da toada baião Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Abrilhantaram a festa dezenas de artistas populares, entre os quais os poetas repentistas Sebastião Marinho e Luzivan Matias; Anastácia, Nininho de Uauá, Valdeck de Garanhuns, Janaina Pereira e Roberto Melo; Banda de Pífanos de Caruaru, Banda Fulô de Mandacaru, Trio Sabiá, Trio Virgulino, Trio Juriti e Lino de França.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

JOGO DANADO É ESSA TAL DE POLÍTICA

O jogo político é um jogo engraçado, cruel e mesquinho, e quase sempre seus jogadores são falsos e traiçoeiros.
Alguns candidatos ao descobrirem que não têm jeito pra coisa se dão por vencidos e entregam os pontos antes até de consolidarem suas ambições levadas embutidas nas candidaturas; caso, tempos atrás, do empresário do cimento e aço Antonio Ermírio de Morais e do dono do Baú, Silvio Santos, que a tempo diagnosticaram despreparo no fofo e perigoso campo da delicada arte de engolir sapos.
E há casos graves, de indução, isto é: de pessoas que levadas por outras fazem o diabo para alcançar o alvo.
No caso, a Presidência da República.
No caso, José Serra.
Zé, como o seu comando de bastidor quer que o povo o chame, escorregou ao se deixar levar pelo mavioso canto da sereia azul, que tantos estragos e vítimas tem feito.
Resultado: ele está agora numa enrascada colossal, perigando até de encerrar a carreira que iniciou nos tempos da União Nacional dos Estudantes, UNE, agremiação da qual foi presidente.
E para seu desespero, sem faturar o prêmio maior e que tanto almeja desde criancinha: o de presidente da República.
É fato notório que o Zé ex-tudo sempre ambicionou ocupar o cargo máximo da carreira. Para tanto, cortou caminho e fez o que fez, abandonando antes do fim o mandato de governador do maior Estado da Federação, São Paulo, que o povo, a quem de novo recorre, lhe confiou.
E antes de abandonar a cadeira dos Bandeirantes, abandonou também a cadeira de prefeito da 5ª maior cidade do mundo: São Paulo, isso após garantir em cartório que não concorreria ao governo do Estado.
Dá pra confiar?
Geraldo Alckimin, seu colega de partido, no papel de sereia, afagou seu ego dizendo que é um piloto experiente, de rota segura, etc., etc., por isso, acrescentou, “vamos fazer uma bela jornada”.
O barco do Zé está afundando.
Aliás, o seu barco começou a fazer água logo após o ex-governador de Minas Aécio Neves não topar integrar a sua chapa; o que o levou a aceitar, sem discussão, o nome de um deputado carioca sem muita experiência no ramo e nenhuma expressão nacional: Índio não-sei-o-quê.
A coisa tá feia, como na cantiga de Tião Carreiro e Lourival dos Santos.
Ah! E acaba de sair nova pesquisa Datafolha, aumentando as agruras do Zé: 50% dos votos do eleitorado para Dilma, 27% para Zé e 11 para Marina.
O negócio está feio.
Isto é, dirão os engraçadinhos: parecido com Zé.
Eu, hein!

PS – a foto acima, batida no dia 30 de março de 1988, registra um dos debates que eu mediava no jornal O Estado de S.Paulo, publicados nas edições de domingo. Na ocasião, reuni os deputados Victor Faccioni, Lula, Roberto Cardoso Alves, José Serra e Afif Domingos, que não aparece.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

XANGAI É ATRAÇÃO EM BRAGANÇA PAULISTA

Cá pra nós, essa história de quebra de sigilo fiscal do banco de dados da Receita já deu o que tinha de dar; pelo menos, digamos, jornalisticamente.
Não é mais notícia de importância nenhuma.
Aliás, nem notinha de pé de página.
Está-se fazendo é um boi de fogo.
É tipificadamente um caso de uso político, nesse tirinete do tudo ou nada ou vai ou racha de candidato que está com o futuro político comprometido.
Chega!
Há coisas mais importantes que deveriam ganhar destaque na imprensa e não ganham, infelizmente, como o espetáculo Brasileirança, de Xangai, sábado 11, em Bragança Paulista, SP.
Xangai, de batismo Eugênio Avelino, que conheci nos meus tempos de repórter do jornal Folha de S.Paulo, é um dos mais importantes intérpretes da música brasileira.
A sua voz é das mais marcantes da nossa música.
Bonita, limpa.
Xangai, que ficou conhecido nacionalmente interpretando o repertório do amigo Elomar, merece manchete e notícia de página em qualquer jornal de boa qualidade. Mas, como vemos, não há espaço para ele, Elomar, Vital Farias e alguns outros artistas que insistem cantar o Brasil nas suas melhores variações.
Viva Xangai!
E você que leu o texto até aqui, e gosta do que é bom, reserve um bom lugar para assistir o homem em Bragança, pelos telefones 71.9935. 3103, 71.9127.3199 ou 71.3495.4516, com Rita Cajaiba, cujo e-mail é ritacajaiba@yahoo.com.br
Assino e dou fé,
Assis Ângelo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O NOSSO HINO E A CULTURA POPULAR

Perguntam-me se o Hino Nacional Brasileiro é cultura popular ou se do seu bojo faz parte. Embora não seja exatamente isso, faz parte, sim, do nosso cancioneiro o Hino Nacional Brasileiro, que é popular no termo que se queira, ou se entenda, por estar, naturalmente, na boca do povo há mais de século e todo dia. Na verdade, é um clássico do hinário cívico a obra do maestro Francisco Manoel da Silva, que ganhou letra do professor, poeta e critico literário Joaquim Osório Duque-Estrada, nos primeiros anos do século passado. O hino de um país é a sua reza, a reza de um povo cantada de maneira contrita. O nosso hino, portanto, é a nossa reza. É um dos nossos símbolos, um símbolo da nação. É a nossa carta Magna em verso e música. É a nossa alma, a alma do povo brasileiro. Porém, em termos artísticos, o Hino Nacional Brasileiro é de feitio erudito; longe, pois, do fazer cultural anônimo do país. O que caracteriza a cultura popular é o que a expressão nos induz: qualidade e anonimato. O nosso Hino, cujos autores são devidamente identificados, é de formato erudito a começar pela letra de Duque-Estrada, que traz claras particularidades do parnasianismo e do romantismo, escolas da literatura poética que imperou no século XIX, entre nós. Dois versos do poema Canção do Exílio, do maranhense Gonçalves Dias, por exemplo, estão lá, lindos, na segunda parte da segunda estrofe dando forma e enriquecendo a narrativa patriótica: Nossos bosques têm mais vida Nossa vida no teu seio mais amores. O nosso é, sem dúvida, um dos mais bonitos hinos do mundo todo, mesmo com um vocabulário que foge, e muito, do falar comum dos brasileiros, incluindo até os de formação média pra cima. É constituído o Hino por 50 versos, divididos em duas partes e assim classificados: 12 decassílabos, sete tetrassílabos, dois heptassílabos, dois hendecassílabos e dois trissílabos. Por três séculos, o Brasil esteve sem um hino que o representasse. Na mudança do regime, em 1889, alguns apressadinhos da República engatinhante tentaram impor a Marselhesa, do francês Rouget de l´Isle, como hino do nosso país. Pode? Claro que não. O marechal Deodoro sacou o barato e o cortou pela raiz, instituindo um concurso... Curiosidade: no início do século passado, a Banda da Guarda Republicana de Paris gravou para a Casa Edison do Rio de Janeiro (leia-se Odeon) o disco nº 36454. Em ambos os lados, estava escrito: A Marselheza (com “z”). Porém o que se ouve num dos lados (não se sabe se o A ou o B ou o 1 ou o 2) é a versão instrumental do Hino Nacional Brasileiro, em cuja metade da execução a banda pára e solta um “viva o Brasil!”. Essa gravação não consta da discografia brasileira de discos de 78 RPM.
Mas no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acha o exemplar desse disco. 
Foto: reprodução do selo do disco que se acha no acervo do IMB.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ITAMAR BORGES E A NOSSA CULTURA POPULAR

A campanha política este ano está insossa.
Aliás, nem parece que teremos eleição para deputados estadual e federal, senador, governador e presidente daqui a menos de um mês.
Não há cartazes nas ruas indicando isso.
Não vejo distribuição de “santinhos” e alto-falantes ressoando nomes de candidatos.
Ao contrário das eleições anteriores, não vejo bandeirinhas tremulando com cores de partidos nas grandes avenidas e esquinas da cidade.
Não fosse o enfadonho e caro humorístico na televisão e rádio, no ar diariamente, estrelado por um “cast” de candidatos a raposas e reincidentes prometendo mundos e fundos aos desavisados, dificilmente saberíamos que a campanha já está quase no fim.
O curioso é a repetição dos temas abordados: educação, emprego, moradia, saúde, transporte, enfim, o paraíso à mão neste inferno sem fim de Dante que vivemos.
Mesmo assim, eu gostaria que o tema cultura popular fosse incluído entre as promessas e discussões postas à baila pela multidão de candidatos que se atira a nossa frente em busca de voto, em desespero.
É preciso cuidado na escolha dos candidatos, pois serão eles que nos representarão nas diversas esferas do poder e das decisões políticas do País.
Nada de voto de protesto.
Quem não se lembra de Cacareco, hein?
E do Enéas?
Pois bem, cultura popular é assunto que cabe perfeitamente nas escolas da rede de ensino do País.
São os polpíticos os responsáveis por atrasos e avanços na vida brasileira.
Há dois anos fui convidado pelo SEBRAE para falar sobre o tema a prefeitos recém eleitos, no interior de São Paulo. Em Presidente Prudente, conheci um cidadão chamado Itamar Borges, ganhador do 1º lugar (nível nacional) do Prêmio Empreendedorismo.
Itamar foi prefeito três vezes da cidade em que nasceu, Santa Fé do Sul.
Em 2008, ele recebeu a aprovação de 95% da população.
É o Lula de lá.
Agora ele está em campo disputando uma cadeira na Assembléia Legislativa.
Lembro que foi uma das pessoas mais atentas à palestra, querendo saber, depois, um pouco mais a respeito do assunto.
Não me fiz de rogado e disse que cultura popular é coisa séria, parte importante na formação das pessoas; a digital de um povo, a identidade de um país, de uma nação, e que sem ela o país, qualquer país, fica capenga, mais pobre etc.
E disse mais: que cultura popular também é um excelente produto para grandes mercados, inclusive do Exterior: dá emprego e rende dividendos em todas as áreas da administração pública ou privada.
Ele entendeu e abraçou a questão, dando destaque entre suas metas como deputado se for eleito.
Se depender do meu voto, ganha.
Noutra ocasião, no Congresso Nacional, falei da necessidade de se levar de volta às escolas o tema música popular, como matéria extracurricular.
Foi aprovado.
Também aprovada pelos congressistas foi a sugestão que dei à deputada Luiza Erundina, de criar o Dia Nacional do Forró.
Por quê?
Porque forró, uma invenção do rei do baião Luiz Gonzaga e do seu parceiro Zé Dantas, é parte autêntica da nossa cultura; é cultura popular, como a ciranda, o frevo, o samba, bumbá, cavalhada, mitos, lendas, adivinhações etc., e o dia objetiva exatamente isto: levar à discussão a questão cultura popular.

PS: a foto acima é um flagrante da palestra, em Presidente Prudente. Na ocasião, levei o cantador Téo Azevedo e mestre Adão da Viola, para uma apresentação ilustrativa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

AINDA VITAL FARIAS E MIGUEL DOS SANTOS

É claro que muitas vezes eu sinto pena deste meu Brasil-brasileiro.
Agora, por exemplo.
Ary Barroso diria o mesmo.
Ary era declaradamente um apaixonado por samba e futebol. Essa paixão o levou a se candidatar por uma vaga à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, em 1947. E ganhou. Resultado: com o apoio da bancada majoritária do PCB, ele conseguiu meios para que fosse construído o estádio do Maracanã.
Que bonito é...
Até aqui dá pra ver que não tenho nada contra artistas ocuparem cargos eletivos, pelo contrário. Acho até que são necessários.
Kubistchek era seresteiro e foi presidente da República, certo? Com ele foram abertas as portas para o progresso com responsabilidade no País.
Mas sinto pena do meu país,como eu ia dizendo, porque o vejo sofrendo na unha desalmada dos prepotentes e interesseiros de primeira hora à última hora.
Isso é uma desgraça!
A ignorância, é sabido, se alimenta da ingenuidade do povo.
O povo é bom; os felas da mãe, não.
Há muitas formas de um povo sofrer, não é?
Há também muitas formas de um país sofrer.
O nosso país é rico, o povo é pobre.
Você que pensa, pense comigo: como dá voto a cidadãos sem história, sem projeto, sem conhecimento de nada?
Tiririca como deputado prestará? E Batoré? E Mulher Melão?
Deus do céu!
O próprio Tiririca diz que quer se eleger para descobrir o que um deputado faz.
Ele disse isso e disse mais: que como deputado vai empregar a família toda etc.
Pode?
Aprendi na escola que todo brasileiro tem o direito de até ser presidente da República, desde que saiba ler e escrever.
Mas é muito pouco, não é?
Lula é uma exceção.
Mas, enfim, não tenho nada contra os analfabetos.
Sou contra o analfabetismo, isto sim!
Como alguém pode se candidatar a deputado, por exemplo, sem saber das atribuições de um deputado?
Como mexer de forma positiva com o País se o pretendente está quebrado, não sabe de nada e tem interesses escusos?
Pois bem, mas tem gente bonita e bem intencionada querendo trabalhar pelo Brasil.
Vital Farias, candidato ao Senado pela Paraíba via legenda do PCB, é uma dessas pessoas, eu já disse.
Vital é um artista cheio de idéias e sério, no sentido de preservar e lutar pelos interesses de todos.
Estou com ele e não abro.

E-MAILS
De Raul Cavalcanti, técnico em produção do Núcleo de Gestão de Eventos do Museu do Futebol, recebo:
- Não sabia do Vital Farias... (ele) é um óasis no meio do deserto.

De Tarzan Leão, assessor de Comunicação da Prefeitura de Paracatu, MG:
- Assis, é uma pena que a Paraíba nos prive de tão grande glória.

E do próprio Vital:
- Assis, você tem umas coisas que são diferentes de muitos intelectuais. Não gostar de usar o conhecimento para esnobar. Isto talvez seja a melhor dádiva de um intelectual: ser professor e aluno ao mesmo tempo, sem mais querelas! Poucos dotados têm essa grandeza. Além de você, Sivuca, Hermeto, Tinhorão, Gonzaga, entre outros que sabem ser no momento certo o `aprendiz do querer` e o querer do não ser o professor. Confesso que é ruim demais ser professor e se comportar como tal! Para quem tem sentimento verdadeiro e legitimidade na verdadeira Arte do saber sempre se coloca como se fosse um verdadeiro aluno. Aí é que a grandeza começa e o pretenso aluno vira imediatamente um enorme prestador de conhecimento! Graças a Deus as pessoas com quem aprendi um pouco souberam ser professores disfarçados de alunos junto comigo. E então, sem que eles descobrissem, eu aproveitei o meu desejo de ser o eterno aluno para aprender com esses MESTRES!!!É BOM QUE VOCÊS SAIBAM DISTO!!!
ETERNAMENTE GRATO A VOCÊZES (no plurazão da vida!)
Vital Farias (irmão pela vida)
Vital Farias 211 Senador pb@hotmail.com

MIGUEL DOS SANTOS
- Amanhã 3, às 20 horas, será inaugurada mais uma belíssima exposição do pintor e ceramista mais aplaudido do Brasil: Miguel dos Santos, na Galeria Gamela de Arte, à Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 756/101, esquina com a Avenida Olinda, no bairro de Tambaú, João Pessoa, PB. A seu respeito, escreveu Ariano Suassuna: "A pintura de Miguel dos Santos é algo que me entusiasma, povoando seus quadros a óleo, ou cerâmicas, de bichos estranhos: dragões, metamorfoses, cachorros endemoniados, santos, mitos e demônios – uma obra tão ligada ao Romanceiro e por isso mesmo, tão expressiva da visão tragicamente fatalista, cruelmente alegre e miticamente verdadeira que o povo brasileiro tem do real". Ver/ler seu site: www.migueldossantos.com.br
PS - Na foto acima, feita no ano de 2000, aparecem Vital e Miguel, ao centro o autor destas linhas.

CANDANGO DO YPÊ
- Aos 87 anos, morreu no último fim de semana o cantor e compositor popular Candango do Ypê. Diz a notícia que o amigo Jorge Paulo acaba de me mandar:
"Faleceu na madrugada de sábado para domingo o radialista e cantor Candango do Ypê. Ele residia na Rua do Cano, Zona Norte de Ilhéus, e vinha lutando contra vários problemas de saúde que se agravaram pela avançada idade.
Candango deixa a sua marca na história do rádio ilheense e parte para a galeria dos saudosos radialistas. O sepultamento aconteceu na tarde de ontem, na Estância Hidromineral de Olivença".
Candango do Ypê era o pseudônimo do paraense Jonatas Moreira da Costa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

VITAL FARIAS O QUE FARÁ NO SENADO?

Eita, danado!
É uma coisa doida o passado de boa parte dos políticos profissionais em ação no País.
Numa girada rápida pelo condão mágico do Youtube é possível descobrir histórias de quebrar o arco da velha e a própria velha, coitada.
Experimentem.
Cliquem nos nomes de mais evidência no panorama político das três esferas e verão (e ouvirão) coisas de arrepiar cabelos até de quem não os tem.
É o que digo.
Não são poucos os que disputam cargos eletivos esconderem a todo custo o passado, pintarem de azul cobalto o presente e fantasiarem o futuro com promessas absurdas que, de antemão, já sabem que não cumprirão.
É a tal da propaganda enganosa proliferando no solo fértil da vida política brasileira.
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Vejo o Tiririca dizendo besteiras e fico tiririca da vida, inclusive porque ele corre o risco, para nós, de se eleger deputado federal e levar consigo um monte de marmotas.
Aliás, essa candidatura me lembra caso parecido ocorrido em São Paulo de 58, quando, involuntariamente, o rinoceronte Cacareco arrastou quase cem mil votos da campanha a vereador daquele ano.
Havia mais de 400 candidatos para 45 vagas.
Tiririca é Cacareco?
Tiririca diz que quer se eleger para descobrir o que faz um deputado. E que vai arrumar emprego pra família toda.
Eita!
Cacareco não dizia nada. Ele era manso manso que só, também engraçado com seu jeito todo desengonçado.
Quase como Tiririca.
Mas por que diacho eu lembro essa história?
Porque há o contraponto, ora: há candidatos bons, de norte a sul do País.
Em João Pessoa, por exemplo, capital da Paraíba, tem um cabra que acho que serviria certinho no papel de senador.
Falo do cantor, compositor e instrumentista Vital Farias, artista dos melhores que o Brasil já deu.
Vital é candidato pelo PCB.
Não voto nele porque o meu título é de São Paulo.
Em conversa outro dia, via fone com o pintor Miguel dos Santos, o historiador paulista José Ramos Tinhorão mandou um abraço e disse:
- Também não voto nele, porque voto em São Paulo.
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Em novembro e dezembro de 1959, pelo menos duas marchinhas sobre Cacareco, visando o carnaval do ano seguinte, foram lançadas à praça. Uma pela dupla Ouro e Prata (Cacareco, de Miguel A. Roggieri, Irvando Luiz e Túlio Piva; RGE) e outra por Risadinha (Cacareco é o Maior, de Francisco Neto e José Roy; Continental). Essa última chegou a ter versão espanhola...
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Numa visita rápida que fizemos mês passado a Vital, ele garantiu que não vai pedir voto a ninguém no correr de toda campanha e que não tem dinheiro nenhum pra gastar em material de campanha. Disse, porém, que se for eleito vai dar trabalho à raça acostumada a mamar nas tetas do Governo. E que vai brigar, sim, por um país melhor. A sua arma será a sua arte, incluindo o violão e o violoncelo como instrumentos.
Na última eleição, o autor de Ai que Sodade de Ocê obteve 100 mil votos.
A última pesquisa Ibope realizada em João Pessoa coloca Vital em quarto lugar.
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Como o Brasil acordará daqui a um mês e pouco, hein?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

GOVERNANÇA E LÍNGUA PÁTRIA

Num vôo entre as capitais de Recife e São Paulo, li domingo 29 notícia à página A12 do centenário jornal Diário de Pernambuco dando conta de que o paulistano José Serra, agora em campanha bamba à Presidência com o cognome Zé, deixou de responder a repórteres por não entender o que falavam.
Isso mesmo, por não entender o que falavam.
E era na língua pátria que os repórteres de Pernambuco se expressavam, e não em grego ou javanês.
Fiquei chateado.
Poxa, e logo o Zé!
Zé que já foi ex um monte de vezes e coisas na República em voga: deputado estadual, deputado federal, senador, ministro; prefeito e governador, mandatos que abandonou sem quê nem mais em plena vigência, após afirmar em cartório que os cumpriria até o fim.
Assim não dá.
Mas um tanto encafifado e sem querer crer no que li, eu reli e depressa corri os olhos para a manchete estampada em letras graúdas e ilustrada por esquisita foto que não deixava dúvida: O SOTAQUE É O PROBLEMA.
Ah! O nosso sotaque nordestino.
Belo, melodioso, é o sotaque da gente do Nordeste, não é?
Eu sou de lá.
Tem coisa mais bonita do que ouvir o sotaque do povo numa língua só?
“Existe uma língua brasileira ou a denominação correta seria língua luso-brasileira? Assis Ângelo, escritor, jornalista e radialista paraibano radicado em São Paulo (...) e Téo Azevedo, poeta, cantador, repentista, escritor (...) passaram uma porção de tempo fichando palavras e expressões populares correntes no Nordeste (...) e o resultado foi esta valiosa contribuição ao estudo da língua falada pelo povo, pelo matuto, pelo tabaréu. E como a língua de um país é feita pelo povo, eis aí um prato feito para os dicionaristas e para os estudiosos e pesquisadores da área”.
O prato feito a que se referia o folclorista Mário Souto Maior (1920-2001) era o Dicionário Catrumano, Pequeno Glossário de Locuções Regionais publicado em 1996 e que recomendo completamente ao Zé.
No texto que abre o livro após o de Mário, eu digo que o Brasil carrega no seu bojo uma peculiaridade especialíssima: o sotaque.
E digo também que o sotaque é o canto de uma língua.
Isso que eu disse se acha na abertura e fechamento do monólogo Memórias de Embornal, de Íris Gomes da Costa, estrelado por Jackson Antunes e dirigido por Tizuka Yamasaki, em 2000.
Caso leia o Dicionário, Zé conseguirá rapidamente entender o jeito de falar dos meus conterrâneos...
Mas parece que Zé também tem problemas de entender o que falam os mineiros e goianos.
Se confirmado isso, a situação se agrava.
Como poderia alguém governar um país sem saber a língua de seu povo?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MIGUEL DOS SANTOS, UM GRANDE ARTISTA

Agora com os ponteiros correndo depressa em direção ao meio-dia, e quase à hora do embarque a Porto de Galinhas, PE, para uma sessão de autógrafos do livro recém lançado no Museu do Futebol, em Sampa, A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira, de minha autoria, e palestra que farei sobre o universo infantil na cultura popular, eu quero dizer uma ou duas coisinhas a respeito de um dos grandes artífices das artes plásticas no Brasil, Miguel Domingos dos Santos, que conheci nos fins dos anos de 1960 na capital paraibana, onde nasci no princípio dos 50.
À época procurei em vão, em mim, algum resquício de talento como pintor na Divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba, sob a batuta dos esforçadíssimos e talentosos, esses sim, João Câmara Filho e Raul Córdula, entre outros que perderam tempo na tarefa inglória de me orientar.
Miguel dos Santos, integrante de reduzida e rica galeria de excepcionais seres que nascem um aqui e outro ali, a cada milhar de anos, dia a dia vem construindo uma obra magnífica e sem par no País, e que todos devem conhecer e naturalmente aplaudir.
Sorte que ele é brasileiro, como o poeta Dos Anjos, os escritores Machado e Rosa, o pintor das mulatas Di Cavalcanti, o maestro Eleazar de Carvalho, Carlos Gomes, o mais representativo compositor operístico das Américas; o sanfoneiro Luiz Gonzaga, o descobridor sonoro das riquezas do Nordeste; e os estudiosos ímpares das coisas do povo, Sylvio Romero, Câmara Cascudo e Gilberto Freyre, que uma vez me negou entrevista pelo fato de ainda eu não conhecer de traz pra frente a sua substanciosa obra, ao contrário de Cascudo, ser especial que Deus nos deu e que me presenteou com sua amizade.
Há quatro décadas, Miguel trocou a terra natal Caruaru, PE, pela capital da Paraíba, onde dia e noite feito um titã, dá lustros à imaginação e cria uma obra monumental sem dúvida, permeada de uma simbologia que nos remete a todos os passados e nos faz refletir sobre o presente.
A obra migueliana se insere perfeitamente no contexto dos grandes mestres.
É isso.
Ah!
No próximo dia 3, Miguel dos Santos inaugura uma de suas hoje raríssimas exposições. A mostra ocupará todo o espaço da Galeria Gamela, em Pessoa.
Vamos lá?

FLIPORTINHO/FLICORDEL
Estarei à tarde em Porto de Galinhas, como eu disse lá em cima. Participarei da festa da literatura de cordel intitulada Fliportinho/Flicordel, que começa amanhã e vai até domingo 28, com a presença de grandes autores e patrimônios vivos de Pernambuco, como os três Josés: Soares da Silva, Costa Leite e Borges.

domingo, 22 de agosto de 2010

CULTURA POPULAR É A DIGITAL DE UM POVO

Óbvio: o passado é a história do presente.
É preciso estar permanentemente atento ao que acontece à nossa volta, pois absolutamente tudo na formação de um país advém do viver, do comportamento do povo, do cotidiano, seja qual for a circunstância ou tempo.
O Brasil com seus mais de 8,5 milhões de km² e uma população que beira a casa dos 200 milhões de pessoas ainda é, de certo modo, um país desconhecido dos próprios brasileiros.
Pelo menos, no tocante à cultura.
Deve-se isso à diversidade de que somos portadores.
Entre outras coisas, a mistura de raças tem permitido ao Brasil até o enriquecimento da língua.
Sonos o país mais miscigenado do mundo.
Além do índio, que cedeu espaço ao negro e ao europeu, outras gentes têm encontrado aqui uma nova pátria, e se dado bem.
Com isso foi possível alcançar uma enorme multiplicidade cultural, que passa pela culinária, música, artes plásticas, dança etc.
Não nos esqueçamos de que é a partir da cultura popular que um país ganha seu passaporte para o respeito universal.
A identidade de um país é a sua memória.
Falamos de arte, de criatividade coletiva e popular.
Hoje, ao término dos primeiros dez anos do novo milênio, creio ser necessária uma discussão ampla em torno da cultura.
A cultura popular é a digital de um povo.
Creio que uma discussão em torno da nossa diversidade cultural serviria hoje, não só para identificar e catalogar a herança deixada por nossos primeiros habitantes, desde o índio até o europeu e o negro, mas também para avaliar e trazer à tona a importância da contribuição dos estrangeiros em solo pátrio.
Essa discussão poderia ser travada por especialistas das diversas áreas do conhecimento, tanto do mundo acadêmico, quanto do mundo, digamos, leigo.
Importante.
Faz-se necessário um balanço do que foi o Brasil de ontem e o que, comparativamente, é o Brasil de hoje.
Ao se pôr na pauta de uma discussão pública a cultura popular nacional (o que é o folclore?), a música nos seus diversos gêneros e a dança dos vários estilos no campo da cultura popular, por exemplo, os brasileiros só poderiam ganhar.
Poderíamos ter ainda, além de uma avaliação pormenorizada da cultura que se faz no País, uma perspectiva do que poderá ser a nossa cultura popular do amanhã.
Qual a importância dos meios de comunicação na formação das gerações vindouras?
Para onde vamos?
Para onde vão o Brasil e o povo, culturalmente falando?
Qual o papel do rádio e da televisão?
E o papel dos educadores, das escolas, dos pais?
E o governo, onde entra nisso?
As tradições sobreviverão?
Carece de alguma salvação a cultura popular?
Por aí.

CORINTHIAS X SÃO PAULO
E o Coringão, hein?
Três sobre o São Paulo, zero, neste domingão de clima europeu em Sampa.
O camisa 7 Elias é o cão.

PS - O Que é Folclore, ilustração aí de cima, é um opúsculo ilustrado por meu amigo Ionaldo Cavalcanti, hoje no céu, que publiquei nos tempos que ocupei a chefia do Departamento de Imprensa da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Metrô, e que gostaria de ver rerepublicado de forma ampliada. Vamos ver... À época, ali pelos anos de 1990, tentei atender a curiosidade dos meus filhos, que sempre neste mês de agosto me procuravam para ajudá-los a fazer tarefa escolar.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

JEQUIBAU É JEQUIBAU E FLORES EM VIDA

O que é jequibau?
Avião ou estrela cadente?
Terra, pífano, galo, gaiola ou um parque sem gente?
Água de beber, bicho de morder ou pio de pinto sem pena?
Flor de açucena?
Um rochedo, floresta ou tronco de ipê?
Nome de gato, gata ou topada no meio da escuridão?
Sol ou apelido oculto do cangaceiro lampião?
Não sei; não sabes, não?
Pois, pois.
Nome de menino ou canção de ninar?
Talvez um anjo torto perdido no oco do céu.
Ou um quadro de Dalí.
Ou um vaso da China, um verso sem rima.
Talvez...
O que é jequibau?
Um romance inacabado ou um disco quebrado?
O apelido da lua cheia ou o coaxar de um sapo de olho no brejo.
Um vulcão ativo, quem sabe?
Um grito de guerra, um psiu acanhado.
Uma baleia presa num arpão.
Um operário escravo do patrão.
Ou um tigre findo num alçapão?
Um boi, um bode, um bonde, um bumbo.
Ou o boto de sinhá!
Não sabes?
Eu sei o nome de quem o inventou: Mário Albanese, um paulistano da safra 31.
Eu o conheci no século passado, há mais de duas décadas.
Não sei se na Pensão Jundiaí da Mariazinha.
Virou amigo, desses que a gente ganha e não quer perder.
Mário estava ontem na pensão da Mariazinha, tocando teclado, tocando jequibau.
Jequibau é um estilo musical criado por Mário e Ciro Pereira.
Certa vez, num folheto, escreveu o poeta popular Téo Macedo, em sextilhas:

Jequibau é jequibau
Diferente marcação
Cinco tempos por inteiro
Contrariando a tradição
Um compasso brasileiro
Nova forma de expressão

Jequibau é jequibau
A palavra é singular
Não existe em dicionário
Não adianta procurar
E depois de tantos fatos
É hora de registrar...

No ritmo jequibau gravaram Hermeto Pascoal, Jair Rodrigues, Altemar Dutra e Moacir Franco, entre centenas de outros artistas brasileiros. No campo internacional, destaque das gravações para Andy Willians, Charlie Byrd, Sadao Watanabe e Rita Reys.
Mário Albanese, nunca é demais dizer: é uma glória nossa absolutamente necessária de se rever, de se redescobrir e aplaudir.
Flores em vida.
PS - Na foto paarecem Mário, Andrea Lago o autor destas linhas inventando de cantar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SEXTA 13, UM BELO DIA DE SORTE

Hoje, sexta 13.
Deu tudo certo pra mim.
Resolvi pendências no Fórum e escapei ileso.
Depois andei pelo Centro e vi a cidade de São Paulo abandonada, com inúmeros indigentes e drogados em geral espalhados pelas ruas e baixios dos viadutos.
Tristes cenas.
Para esse pessoal e para Sampa e Brasil, um dia 13 negativo.
E assim tem sido nos últimos anos.
Gostaria de ver andando pelas ruas, como eu, o prefeito Kassab.
Jânio andava e se impunha como autoridade e cidadão.
Aliás, a meu ver, Jânio, que entrevistei como prefeito nos tempos em que respondi pela chefia de reportagem política do jornal O Estado de S.Paulo, resolvia problemas de ordem pública da cidade.
Kassab, eu noto: prefere o gabinete.
Estilo de governança, timidez ou covardia?
Mas, para mim, este dia 13 foi muito bom.
Revi amigos.
Recebi ótimos telefonemas.
À noite, um do Vandré:
- Tudo bem, Ângelo? Estou sem dormir há quatro dias.
Respondi que a instabilidade climática paulistana não está me fazendo bem.

PARA LEMBRAR
Sexta 13...
Assim eu inicio a Cronologia do livro Dicionário Gonzagueano, de A a Z:
“Nasce na Fazenda Caiçara do todo-poderoso Gualter Martiniano de Alencar, Barão de Exu, o segundo dos nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus”.
É como eu disse: só para lembrar.

ANIVERSÁRIO
Agora vou com Andrea e meninos dá um pulinho na Rua Ouro Preto, lá pras bandas da Raposo Tavares, onde nos esperam Marco Mendes e sua companheira Cláudia. Motivo: ele está fazedo, a contragosto, 53 anos; e não vejo razão para isso... Marco é paraibano, cantor, compositor e pintor. Tim, tim!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

LAMPIÃO E BONITA MORRERAM EM SERGIPE

Vera Ferreira, que citei no texto de ontem, manda e-mail ratificando o imperdoável lapso por mim cometido, ao dizer que Lampião foi assassinado em Alagoas.
“Assis meu amigo, como vc está?... Sempre estou acompanhando-o pelo seu blog... Parabéns! Olha só gostaria que fizesse uma retificação, por favor. Você falou que a Grota do Angico onde tombaram meus avós e mais nove companheiros, fica em Alagoas, quando na verdade ela fica em Poço Redondo, Sergipe.
Valeu amigo velho! Cuide-se com carinho!
Cheiros,
Vera”.
Como posso ter falhado nessa informação?
Já escrevi tanto a respeito do cangaço e do casal Lampião/Maria Bonita.
Até um poema do temido bandoleiro pernambucano que agitou a vida sertaneja gravei há um punhado de anos, com acompanhamento à flauta de Toninho Carrasqueira. Esse registro se acha no CD Assis Ângelo Interpreta Poetas Brasileiros.
Como se não bastasse, promovi a uns anos um grande debate público em torno do Rei do Cangaço. Foi num mês como este, no auditório do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito do largo de São Francisco, ao levar a júri simulado a questão: Lampião, bandido ou herói?
Dias antes, o legendário cangaceiro fora absolvido em consulta junto aos usuários da estação Brás da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, CPTM.
No Centro Acadêmico foi condenado a 12 anos.
À época, publiquei no jornal carioca A Nova Democracia:
“A condenação foi abrandada em um terço por ser o réu primário e beneficiário de atenuantes segundo o juiz que presidiu o processo, Antônio Magalhães Gomes Filho, titular de Processo Civil.
O Rei do Cangaço foi levado a júri sob a acusação de ter praticado junto com o seu bando uma chacina em Jeremoabo, na Bahia, no dia 13 maio de 1932. Nessa data tombaram mortas a tiros e a golpes de punhal várias pessoas de uma mesma família. A sentença, baseada na votação do corpo de jurados formado por estudantes de Direito levou em conta que o réu praticou a ação com requintes de crueldade. Cerca de 300 pessoas, incluindo jornalistas, escritores e artistas, assistiram a sessão.
Na sala do júri representou o acusado o ator Alessandro Azevedo, vestido a caráter. A seu lado a atriz Júlia Moura, no papel de Maria Bonita.
Os trabalhos foram desenvolvidos pelo promotor Luis Marcelo Mileo Theodoro e pelo advogado de defesa Alamiro Velludo Salvador Netto.
Antes de encerrar a sessão e elogiar os organizadores do evento, o juiz Gomes Filho disse que o processo pode ajudar a sociedade a refletir sobre as causas da violência no Brasil”.

ANIVERSÁRIO
E já que estamos falando do assunto, outro registro: dona Mocinha, de batismo Maria Ferreira, única irmã viva de Lampião, acaba de fazer 100 anos de idade. Ela mora numa parte pacata de Santana, na capital paulista, e tive o prazer de lhe conhecer pelos passos do meu amigo cangaceiro da pesquisa Antônio Amaury Corrêa de Araújo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ROUBADO FIGURINO DE MARIA BONITA

Poucos dias após se completarem 72 anos da emboscada que resultou no assassinato de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, na grota de Angico, em Alagoas, e às vésperas da noite de autógrafos dos livros De Virgolino a Lampião (edição patrocinada) e Lampião Bandido ou Herói? (Editora Claridade), ambos de Antônio Amaury Corrêa de Araújo em parceria com Vera Ferreira, neta de Lampião, e Carlos Elydio Corrêa de Araújo, respectivamente, o ator paraibano Alessandro Azevedo, que entre outros personagens incorpora no teatro o famoso cangaceiro, teve o sítio que mantém em Cotia, SP, invadido por desconhecidos que roubaram cópias de objetos de Lampião e o figurino completo de Maria Bonita. Por essa razão, Alessandro compareceu ontem à sessão de autógrafos no Bar Canto Madalena sem a atriz que interpreta a companheira do famoso cangaceiro. E brincou:
- A coisa tá danada por essas bandas de São Paulo! Até Lampião e Maria Bonita estão sendo alvos dos bandidos.
Entre outros artistas, prestigiaram o pesquisador do cangaço Amaury Corrêa o cordelista Franklin Maxado “Nordestino” e o cantor e compositor Chico Esperança.
Franklin, que mora em Vitória da Conquista, BA, está lançando novo folheto: Influência da França no Cordel Brasileiro, que pode ser adquirido através do telefone 75.36.3845 ou do e-mail franklinmaxado@hotmail.com
PS - Na foto acima, feita e nos enviada por Vivian Carvalho, da Acquaviva Promoções e Eventos, aparecem este blogueiro irritado com o roubo do figurino de Maria Bonita e o ator Alessandro Azevedo, intérprete de Lampião no teatro.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CONVERSA MOLE COM KLÉVISSON VIANA

Faz dois, dois minutos e meio, mais ou menos, que terminei uma conversa de trinta, quarenta minutos, com o poeta popular Klévisson Viana (foto), cearense como o irmão também genial, Arievaldo.
Falamos de muitas coisas e gentes.
Mestre Jô Oliveira, por exemplo.
Do poeta erudito Alouche, também.
De poetas clássicos do universo popular como mestre Azulão, paraibano fundador da Feira de São Cristovão, Rio.
De tantas coisas falamos, entre risadas.
Klévisson também é humorista.
Falamos da Dulce, sua companheirinha inseparável.
Da Andrea.
Da Paraíba, onde estive há poucos dias ao lado de Miguel dos Santos, Bira, Beto, Oliveira de Panelas e Onaldo Queiroga, juiz de Direito apaixonado pela poesia popular e por artistas, como Luiz Gonzaga.
Falamos sobre quadrinhos e do rumo da história no campo dos cordelistas e violeiros.
Falamos da bienal do livro de São Paulo, que ocorrerá ainda este mês.
E falamos também da falta franciscana de grana e dos riscos nas apostas em publicações de livros e folhetos e da necessidade de guardar originais de poetas como o citado Azulão, autor de sete “romances” no formato folheto de 32 páginas.
- e por que não mais, de 64 páginas?
Porque, disse ele, “faltam leitores”.
Poxa...
Falamos do folheto OPavão Misterioso em quadrinhos...
Voltaremos ao tema.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

LUIZ GONZAGA E A ORIGEM DO BAIÃO

Conversa!
Luiz Gonzaga não morreu, embora haja quem diga que foi no dia 2 de agosto de 1989, portanto a exatos 21 anos, e após 42 dias preso aboiando num leito do Hospital Santa Joana, em Recife, que o caso se deu. Ou seja: que ele, o rei, deixou escapar o último suspiro, junto com o fole de sua sanfona.
Mas que conversa é essa?
O véi Gonzaga está vivinho da silva, mesmo que se alardeie aos quatro ventos com as trombetas dos mil-e-seiscentos-diabos que haja se finado.
Ora, ora, que imensa bobagem!
Pessoas como o Rei do Baião não se findam jamais.
Encantam-se.
Finda-se quem nada deixa à posteridade, sequer uma historiazinha pra se contar na roda de amigos, filhos e netos.
Finda-se quem não deixa caminhos para serem seguidos.
Não findou o Rei do Baião, por isso.
Ele nos deixou um legado e tanto, uma escola, alunos e seguidores.
Ele deixou uma obra monumental completa, espalhada mundo a fora e em línguas diversas: japonesa, inglesa, rapa nuí...
E se formos ouvir direito, chegaremos à conclusão de que a sua voz está mais bonita, já repararam? Está mais melodiosa, plumosa, cheia de nordeste,cheia de Brasil.
Ouçam-no cantar qualquer uma de suas músicas e constatarão a obviedade.
Em junho de 1951, Zé Gonzaga gravou Viva o Rei!, de sua autoria e de Zé Amâncio, em que diz:

Luiz Gonzaga não morreu
Nem a sanfona dele desapareceu...
Luiz escuta esse baião
Quem tá cantando
Com a sanfona é teu irmão
Ta esperando
Todo povo brasileiro
O seu grande sanfoneiro
Com as cantigas do sertão.

Pois, pois, ops!
Aí está.
Lembro de uma conversa que tivemos num ano qualquer da década de 70, ocasião em que ele nos explicou a origem do ritmo que o alçou à categoria de rei: “Quando o cantador está afinando a viola, quando ele sente que a viola está afinada, ele bate no bojo assim: t-chum, t-chum... Eu tirei o baião dessa batida”.
Nessa mesma década, em entrevista ao Pasquim, ele lembrou: “Eu já toquei em assustado. Fui sanfoneiro, rei do baião, quase sumi na poeira; agora sou lúdico, autêntico, virei um tal de folclore”.
Folclore, não: mestre.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

SE ESTIVER VIVA, O FANTÁSTICO MOSTRARÁ

O caso da mulher da vida com o goleiro do mundo flamenguista está chegando ao fim. Melhor: ou acaba agora essa novela toda ou essa novela toda terá uma reviravolta de dar inveja aos autores dos folhetins eletrônicos desta vida louca.
E se conheço a Globo...
Caso a mulher esteja viva, não tenha morrido, não tenha sido assassinada, ela aparecerá domingo chorona, amuada, e de cara pra baixo no programa Fantástico, dizendo que não deu o ar da graça antes por puro medo. Mas se isso não ocorrer, tenham certeza: é que ela está, como dizem, ocupando o andar de cima.
O advogado do goleiro e o próprio goleiro afirmam que ela está viva e aparecerá.
O goleiro chega a rir, lembrando que o prazo de validade da preventiva contra ele decretada pela Justiça está findando.
O delegado incumbido de dar ponto final na história gagueja.
E se a mulher de fato aparecer, hein?
Estará frito.
E a imprensa...
Como alguém pode afirmar que alguém está morto sem ter a certeza do crime, a sua prova, que é o cadáver?
Os colegas repórteres dizem e os apresentadores de rádio e TV zabumbam com todas as letras e falas: ela está morta.
É muito risco.
Eu, hein!
Claro, se a vítima não parecer é porque se suicidou e deu fim ao próprio corpo.
Só pode.
Mas “quem perder que conte”, como diz o dito popular.
Ainda vai sobrar para os contribuintes, pois o goleiro está ameaçando processar o Estado.
Fui!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A DISCUSSÃO DA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS

Há exatamente um mês, o Ministério da Cultura pôs em discussão pública a idéia de um projeto de revisão da lei de Direitos Autorais em vigor.
Temia-se que a Copa prejudicasse a discussão.
Isso não ocorreu.
O que se vê é boa parte dos interessados direta e indiretamente discutindo a questão.
Muito bom, mas há muita gente com o pé atrás.
Por quê?
Bobagem.
Preciso é discutir o que não anda certo, para que fique certo o que está errado.
Exemplo?
A preservação do direito de autor por 70 anos após a sua morte.
Isso é kafkiano.
Os herdeiros deitam e rolam, dificultando sempre e sempre o acesso à obra do falecido.
Isso é preciso acabar, senão pelo menos diminuir o prazo pela metade.
Caso eu vá hoje para o andar de cima, que direito têm os familiares de dificultar o acesso às obras que deixarei, hein?
Faz sentido?
É muito tempo, 70.
Dá pra morrer e voltar e ainda pegar os vivos familiares protegidos na forma da lei e torcer-lhes o pescoço.
Rever isso é cuidar da educação de um povo.
Fui!

domingo, 11 de julho de 2010

A JABULANI CONTINUA ESQUECIDA...

Pra mim, inesperadamente um jogo feio.
Violência de ambos os lados.
Começou com a Holanda.
Não esperava eu que a Holanda fosse mais violenta do que tem sido, tanto no primeiro quanto no segundo tempo.
No fundo, no fundo, esperava que o jogo Holanda x Espanha fosse para o segundo tempo. E para os pênaltis.
E ainda acho que vai para os pênaltis.
Mas não esperava que fosse tão violento.
Claro, os espanhóis apenas reagiram.
Mas vamos que vamos.
Zerou-se.
Recomeço.
Tomara que haja jogo bonito agora, porque depois é o mata-mata de verdade.
Não gosto disso.
Gosto disso, não...

HOLANDESES TROCAM JABULANI PELAS CANELAS ESPANHÓIS

Zero a zero, no primeiro tempo.
Pra Espanha.
O que se viu até aqui foi o esperado: a Holanda dando pau, entrando com tudo.
A Jabulani pra Holanda foi ignorada.
E como esperado, a Espanha tratou bem a Jabulani.
Jabulani é menina, nasceu há pouco. Precisa de afago, carinho.
Mas os holandeses não sabem disso. Sabem de porrada.
Aliás, a presença dos holandeses no Brasil mostra isso: porrada.
Uma história triste.
Àquela época, os espanhóis não foram bonzinhos também não com os nossos primeiros habitantes.
Mas se recuperaram, acho.
Por isso a Espanha, como tem demonstrado em campo gramado, faz jus à taça de campeão.
Aquela entrada de Jong sobre Xabi, Deus do céu!
Em meia hora, cinco amarelos.
Pelo jeito, a Holanda vai continuar batendo forte em nome da globalização.
Será que vai mostrar que os fins justificam os meios?
Sou pela arte.
Ah! Penélope Cruz é espanhola.
Vamos ao segundo tempo.

JABULANI É DENGOSA, QUER É BOM TRATO

Daqui a pouco o selecionado espanhol faturará o primeiro lugar numa disputa de Copa, essa de 2010.
Será um jogo bonito, eletrizante, daqueles inesquecíveis, dos tempos da Seleção de 70, com Pelé & Cia.
De um lado, os holandeses baterão forte na bola.
Farão dela um saco de pancadas, ao estilo Dunga.
Ao contrário dos espanhóis, que a tocarão com respeito, carinho, leveza e categoria.
Assis tratada, ela, Jabulani passeará, deslizará com gosto no campo, indo de um lado a outro e endoidando seus algozes, isto é: os holandeses.
Pelo bom trato que receberá dos espanhóis, ela em troca se enrolará com dengo nos fios da rede adversária por três, quatro vezes.
Os holandeses serão eliminados no correr do tempo regulamentar.
E estamos conversados.
Ah! O futebol globalizado, esse de resultados, baixará a crista para o futebol-arte.
Quem viver verá.

sábado, 3 de julho de 2010

OS ESTRAGOS DE JABULANI E MICK JAGGER

De cabeça erguida.
Assim saiu a seleção argentina após a partida com o fortíssimo e competente selecionado alemão que a eliminou em Cidade do Cabo, há pouco.
Claro, derrota é sempre derrota.
Mas é preciso saber perder.
Jogo é jogo.
De qualquer maneira, foi bonita a partida.
Os dois times correram, suaram a camisa.
Os 4 x 0 sobre os meninos de Maradona foram merecidos.
Se a seleção do Dunga tivesse jogado assim, corrido com categoria atrás da bola e tentando a vitória, tudo bem. Mas, não.
Dunga escondeu o jogo até o fim.
Escondeu tanto, que ao fim não soube onde reencontrá-lo.
E aí, pronto!
Ok, Messi não fez nada; quase nada.
Cristiano Ronaldo, também não.
Quanto aos garotos de Dunga, oh! Poucas exceções: Luís Fabiano, Lúcio...
Culpados?
Dunga, Felipe Melo e, claro, Mick Jagger, que antes havia derrubado os Estados Unidos e a Inglaterra com seu pé geladíssimo. Pé, aliás, que fez o selecionado do Maradona arrumar antecipadamente as malas de volta pra casa.
Ah! Sim, e Jabulani. Essa, sem dúvida, a grande culpada disso tudo.
Daqui a pouco mais emoções, com Paraguai x Espanha.
Os espanhóis são perigosos.

PS - Um alívio: a derrota dos argentinos para os alemães nos poupou de um vexame e tanto, o de ver Maradona nu. Pelos menos isso, já que ele é capaz de tudo, como se sabe.

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