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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

ANASTÁCIA FAZ MÚSICA PRA DOMINGUINHOS


A Paraíba é um estado brasileiro, localizado à leste do Nordeste. Eu gosto da Paraíba, do Nordeste, do Brasil. Eu nasci na capital paraibana, João Pessoa, terrinha boa e onde o Sol nasce primeiro todos os dias, por estar localizada no ponto mais oriental das Américas. Hoje o dia todo foi feriado lá, porque foi num dia como o de hoje, 5 de agosto, em 1875, que a Paraíba foi fundada. Eu acho que todos os dias deveriam ser feriados. E sabem por quê? Porque trabalho é castigo...
 

Anastácia acaba de telefonar para dizer que acabara de concluir uma toada em homenagem a Dominguinhos, seu antigo companheiro e grande amor da sua vida, com quem conviveu por quase 12 anos e compôs 213 músicas, incluindo as conhecidíssimas Eu só Quero um Xodó e Tenho Sede. A música, que se chamará Dominguinhos Dez Dedos de Ouro, começa assim:

Foram dez dedos de ouro
Na sanfona a deslizar
A voz tranquila e suave
Que faz o povo cantar
Calou a voz para sempre
Mas a sanfona ficou
E o povo vai lembrar
Dominguinhos cantador...

O nome do craque pernambucano Dominguinhos continua sendo lembrado nas boas casas de espetáculos espalhadas Brasil a fora.
Ainda ontem, aqui mesmo, em Sampa, suas músicas foram tocadas e cantadas no Canto da Ema, na região da Faria Lima, ali em Pinheiros; na Casa do Núcleo, na Vila Madalena; e no Morro do Querosene com o trio Forró de Xote, que tem à frente a cantora e compositora maranhense Ana Maria Carvalho, autora da belíssima toada Até a Lua, lançada pelo Grupo Mafuá, via CPC/Umes, em 1998, e agora regravada pela autora no CD intitulado Por Mim e Pelo Meu Povo (ao lado).
No Querosene houve festa durante todo o dia e por lá, para se divertir, famílias inteiras passaram com suas crianças, inclusive.
As lembranças a Dominguinhos ocorreram à noite, com os presentes dançando e batendo palmas.
Em seguida houve uma apresentação de tambor de crioula (acima, no registro fotográfico de Andrea Lago).
Tambor de crioula é um tipo de dança originária da África, deixada no Maranhão pelos escravos há muito tempo. Quem dessa dança fez o primeiro registro foi o diretor do Departamento de Cultura de São Paulo, Mário de Andrade, durante pesquisas que desenvolveu na região durante a segunda metade dos anos de 1930. Coube à aluna e espécie de assistente de Mário, Oneyda Alvarenga, escrever relatório que publicou em 1948.  

EXUMAÇÃO
O corpo do cantor, compositor e sanfoneiro Dominguinhos poderá ser exumado e transferido do cemitério Morada da Paz, em Recife, para o cemitério de Garanhuns, caso a Justiça decida. O desejo do artista era que seus restos mortais fossem sepultados na terra onde nasceu, Garanhuns. O prefeito Izaias Régis anunciou que ainda este ano inaugurará um museu com o nome de Dominguinhos, além de uma estátua dele em praça pública. 
Clique abaixo, para saber sobre Dominguinhos e seu mestre, Luiz Gonzaga:

domingo, 4 de agosto de 2013

AGOSTO DE 1951, UMA HOMENAGEM AO REI

Em agosto de 1951, Zé Gonzaga lançava à praça um disco de 78 RPM com a música Viva o Rei!
Ele era irmão de Luiz Gonzaga, que, como sabemos, era o rei do baião, cidadão nascido nas áridas terras do sertão exuense, em Pernambuco, que cedo trocou seu berço e a rotina familiar por uma corneta no Exército em 1931, com 17 anos, e uma sanfona de 120 baixos que ele dizia só tocar em dois: "Pra que tantos baixos?", brincava.
Zé não gostava lá muito do irmão famoso, exatamente por ser famoso, muito famoso, e talentoso, naturalmente. Mas, diga-se de passagem: Zé Gonzaga, além de irmão de Luiz, era também um bom sanfoneiro. E quem diz isto não sou eu só, não. Dominguinhos tambem, que era uma especie de filho "postiço" de Gonzagão,  chamado de Lua pelo ator e radialista Paulo Gracindo e mais meio mundo. Dominguinhos - amigo e aluno dileto do Rei, desde a segunda metade dos anos 50 - reforçava:
- O Zé sabia das coisas, tocava bem e cantava as modas do povo, aprendidas diretamente da boca do pai Januário, fonte inesgotável do folclore e tambem de seu Luiz.
Zé Gonzaga, mais novo que o irmão Luiz, começou a gravar nos anos de 1950.

Uma de suas músicas que fizeram mais sucesso foi exatamente Viva o Rei! (acima, na reproducao do selo do disco), lançada pela gravadora Odeon como resultado de parceria com José Amâncio ainda quando assinava suas composições com o nome de batismo: José Januário.
Viva o Rei! foi composta e gravada após acidente sofrido por Gonzaga na estrada que leva a Santos.
Nesse acidente o Rei escapou fedendo, como se diz no Nordeste, e ganhou várias cicatrizes e a perda total da visão do olho direito, alem de muito tempo de internacao hospitalar.
Musicalmente, porem, não há como negar a importância de Zé Gonzaga na vida brasileira.

Zé compôs muitas harmonias e escreveu algumas letras.
Ele bebia na herança popular, como, aliás, fazia o seu irmão famoso.
Zé deixou vários discos de 78 RPM e uma dúzia de LPs gravados.
Nos últimos anos de vida, ele lamentava o fato de não ser procurado pelas gravadoras e produtores de eventos culturais. Mas nesse ponto, decerto, ele tinha alguma culpa, pois exigia cachês muito altos.

A mim mesmo ele disse isso, que nao gravava por pouco dinheiro.
E disse mais, ao vivo, uma noite no programa São Paulo Capital Nordeste que eu apresentava na Rádio Capital, em São Paulo, sobre o irmão: "Luiz não era tudo isso que se fala dele, não".
Aos 81 anos de idade, Zé Gonzaga morreu com o coração magoado pelo não reconhecimento da crítica em relação ao seu trabalho.
Pois é, a vida é mesmo assim: justa com uns, injusta com outros.

EXPOSIÇÃO
Sobre a vida e obra do Rei do Baião há uma bela exposição na Oca, ali no Parque do Ibirapuera. Vale a pena uma esticada até lá. Leve os amigos e familiares.
A curadoria é do artista plástico Benê Fonteles.

sábado, 3 de agosto de 2013

O POVO DA RUA E O PREFEITO

O que se pode esperar de um grupo de artistas do povo das ruas, embora experiente, mas sem eira nem beira e nenhuma iniciação formal e curricular musical reunido por um professor maluco, incrível, de formação erudita num espaço público em São Paulo, a maior cidade do País e do hemisfério Sul, hein?
Nada ou muito pouco, pode se dizer de imediato, claro.
Porém o que vi – e ouvi - hoje mais uma vez, entre o meio-dia e às 13 horas na Praça das Artes há pouco inaugurada ali na Avenida São João, 281, bem no centro desta capital paulista, foi algo que dificilmente esquecerei.
Ao lado de dois emboladores de coco geniais – Peneira e Sonhador (comigo abaixo, num especial da TV Record) – e à frente de um sanfoneiro e de outros instrumentistas livres com prática, mas sem erudição, um maestro compositor e arranjador importante e famoso de nome Lívio Tragtenberg, que conheci há 30 e poucos anos em início de carreira lançando o primeiro disco, um LP independente intitulado Ritual - hoje peça exemplar do acervo do Instituto Memória Brasil, IMB -, fazia misérias sem batuta e sem as formalidades que os templos de espetáculos eruditos comumente exigem.
Emocionei-me, sim, diante da integração entre os músicos regidos pelo maestro.
O Brasil precisa ser redescoberto, agora por nós.
Viva Lívio Tragtenberg!
E viva os músicos das ruas de São Paulo e a orquestra que os formam, criada por Livio!
 
CULTURA EM DEBATE
Ontem à noite estive na mesma Praça das Artes para aplaudir Antonio Nóbrega,
que cantou, dançou e fez o diabo.
É gênio, esse brincante (acima, num clique de Andrea Lago).
O pretexto da apresentação do Nóbrega foi a abertura da 3ª Conferência Municipal de Cultura do Município de São Paulo, que contou com a presença do secretário Juca Ferreira e do prefeito Fernando Haddad, que depois de falarem brincaram e fizeram onda dançando ciranda, aqui e ali lembrando Luiz Gonzaga e Dominguinhos.
Ouvi atentamente os dois.
E a fala dos dois me agradou.
Juca falou da necessidade de juntar os contrários no campo da cultura.
E cultura é tudo, da fala aos gestos.
Haddad falou da importância da cultura na vida das pessoas em sociedade.
Quando ele disse isso, eu me lembrei do estudioso Luís da Câmara Cascudo, meu mestre, que nunca deixou sem resposta qualquer pergunta que lhe fiz.
Cultura popular?
Ora, cultura popular – ele, Cascudo, definiu em entrevista que me deu em 1978, na sua casa, em Natal, e que publiquei no jornal Folha de S.Paulo no ano seguinte – “é a que vivemos, é a cultura tradicional e milenar que nós aprendemos na convivência doméstica (...). Cultura popular é aquela que até certo ponto nós nascemos sabendo. Qualquer um de nós é um mestre que sabe contos, mitos, lendas, versos, superstições, que sabe fazer caretas, apertar mão, bater palmas e tudo quanto caracteriza a cultura anônima e coletiva (de um povo)”.
A cultura popular jamais morrerá, enquanto houver povo.
E povo haverá sempre, pelo bem ou pelo mal.
E eu costumo dizer: cultura popular é a digital de um povo.
Mas discussão sempre haverá; inclusive em torno do bom gosto etc.
O que é hip hop, por exemplo?
E funk?
Sabemos que hip e hop nada tem a ver conosco, como o funk.
Mas em países dominados culturalmente, as culturas locais são sempre preteridas...
...Você sabia que há um negócio chamado funk da ostentação?
Pois é, aí moram perigos.      

GROISMAN
No ar, agora, na TV Globo, o grande sanfoneiro que nos resta, e gente, Oswaldinho do Acordeon, acompanhando humildemente umas besteiras chamadas Chitãozinho e Chororó, que nunca gravaram nada de Dominguinhos e cantaram, agora, Eu só Quero um Xodó. Ora!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

GRANDES SANFONEIROS, NO CÉU

Hoje, 2 de agosto, faz 24 anos que o rei do baião, Luiz Gonzaga, partiu deste para outro plano, o celestial.
E hoje também faz uma semana e dois dias que o seu mais fiel escudeiro, Dominguinhos, o seguiu por essa trilha sem volta.
Ambos deixaram extensa e bela obra, imortal, além de muitas saudades, como o mineiro Antenógenes Silva, chamado de O Mago do Acordeon, e o paraibano Sivuca, O Mágico da Sanfona, também deixaram.
Sivuca tornou clássico o instrumento que o pioneiro na gravação de solos de sanfona em disco, no Brasil, Giuseppe Rielli deixou num canto ao morrer, em 1947, e Gonzaga tirou do limbo e levou para ruas e festas fazendo a legria de todos.
Sem Gonzaga, Dominguinhos, Antenógenes e Sivuca penso que a música brasileira não seria tão rica.
Ao bater à porta da música popular no começo dos anos 1940 para se eternizar, o sonho de Luiz Gonzaga era conhecer pessoalmente Antenógenes Silva, seu ídolo.
Antenógenes tinha programa na Rádio Clube do Brasil, Alma do Sertão.
Gonzaga o conheceu, tornou-se amigo e o substituiu no rádio, além de tê-lo como afinador da sanfona que tocava.
Relembre Gonzaga, sobre quem escrevi os livros Eu Vou Contar Pra vocês (1990), Dicionário Gonzagueano (2006) e Lua Estrela Baião, a História de um Rei (2012) e Dominguinhos, clicando:
Através do Instituto Memória Brasil, IMB, Genesis Music e Banco do Nordeste, acaba de ir à praça o CD O Samba do Rei do Baião com 14 faixas, das quais quatro com músicas que Gonzaga (abaixo, num registro histórico) compôs com Zé Dantas, Humberto Teixeira, Domingos Ramos e Ary Monteiro mas não gravou, estas: Tudo é Baião, Ai, ai, Portugal; Dúvida e Meu Pandeiro. O disco tem a presença de Oswaldinho do Acordeon, Socorro Lira, Ventura Ramirez, Osvaldinho da Cuíca, Uxía, Suzana Travassos e Papete, além de Cássia Maria, Ricardo Valverde, Ana Eliza Colomar, Cidão, Jorge Ribbas, Ricardo Araújo, Rosa Macedo e Cláudio Lacerda.
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

COMEÇA O MÊS DO FOLCLORE

Hoje o dia nasceu mais bonito do que ontem, com o sol dando a cara às 6h45, sem frio nem neblina, prometendo se recolher daqui a pouco, às 17h41. E lá em cima, um espetáculo: a lua com seus mistérios minguando até a semana que vem; e, naturalmente, inspirando poetas como faz em todas as suas fases.
Aliás, hoje é o Dia do Cordel e o mês apropriado para plantar pimenta, pimentão, jiló, cebola, tomate e outras culturas alimentares que nos fazem valorizar cada vez mais a vida.
Se estivesse chovendo no Nordeste, o mês seria também muito bom para plantar melancia...
E começa hoje o Mês Internacional do Folclore.
Para saber mais um pouco a respeito de folclore e de um dos mais dedicados estudiosos do assunto, o rio-grandense do Norte Luís da Câmara Cascudo, que entrevistei há muitos anos para o suplemento dominical Folhetim, da Folha de S.Paulo, CLIQUE:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular05
LUTO CULTURAL
O meio cultural está de luto, pois a revista BRAVO! fechou.
O anúncio foi feito hoje pela chefia da editora que a editava, a Abril.
Uma de suas últimas edições, a de nº 189, de maio deste ano, trouxe uma matéria muito legal, falando a respeito do Instituto Memória Brasil, IMB.
CLIQUE:
http://bravonline.abril.com.br/materia/reliquias-sonoras

quarta-feira, 31 de julho de 2013

AINDA ANASTÁCIA E DOMINGUINHOS

A recifense Lucinete Ferreira, na música popular conhecida por Anastácia (aí na foto comigo, no Jô, em 1990) é, sem dúvida, uma mulher de muita força, no sentido de coragem e honestidade.
Ela tem cerca de 800 músicas gravadas nos gêneros mais diversos.
Cerca de 200 dessas obras foram compostas em parceria com o sanfoneiro e cantor Dominguinhos, desaparecido hoje faz uma semana e com quem ela dividiu cama e casa por quase 12 anos, na capital paulista.
A paixão e o amor pelo artista de Garanhuns, PE, não acabaram depois da separação, “ao contrário”, ela diz.
E diz também que Dominguinhos foi a razão da sua vida.  
Antes de conviver com Anastácia, Dominguinhos casara com Janete Silva de Moraes. Dessa união, resultaram dois filhos: Mauro e Madalena, recentemente desaparecida, aos 49 anos de idade.
Espírita da linha kardecista, Anastácia se confessa uma mulher feliz e de bem com a vida.
O que ela sentiu com a doença e morte do parceiro?
“Uma tristeza imensa”.
A compositora - e cantora - conta que rezou muito pela saúde de Dominguinhos; e que compareceu ao velório na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Ela conta que na Assembleia sentiu pena de Guadalupe – que também conviveu com Dominguinhos; e pena também sentiu de Liv, nascida da união de Guadalupe com Dominguinhos numa cerimônia afro, em Recife.
“Senti pena delas porque lhes transmiti meus pêsames e elas me responderam com silêncio e ódio” no rosto, disse a coautora do clássico popular Eu só Quero um Xodó, que já conta com mais de 400 gravações no Brasil e no Exterior, sendo a primeira feita por Marinês para o LP (CBS) Só Pra Machucar, de 1973.
No disco, o título saiu truncado: Eu Quero um Xodó.
A segunda gravação dessa música coube a Gilberto Gil fazer, para um compacto simples (Philips) lançado também em 1973, com muito sucesso.
Ao todo, Dominguinhos gravou 34 LPs e 38 CDs. Fora isso, a presença dele ficou registrada em dezenas de LPs e CD de amigos famosos e outros nem tanto.
Dominguinhos era incrível! 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

VIVA O PAPA! VIVA DOMINGUINHOS!

O frio de ontem, aparentemente tão intenso quanto o de hoje, levou-me a sair de casa para arriscar uns passos bolerais - tortos que fossem - com o fito único de alegrar e esquentar o corpo ali no Clube Piratininga, que fica aqui perto. Tomei umas e puxei Andrea – coitada! - para o sacrifício de dançar comigo no salão, onde um monte de gente oriunda do século passado, como eu, tentava se equilibrar de modo um tanto desajeitado tentando na dança um influenciar o outro, enquanto ritmos indiferentes caiam pelas bordas da pista.
Um horror, na verdade.
Muita salsa, Caribe etc.
Sofri, sofremos.   
Durante mais de duas horas o que se ouviu e dançou foram estilos musicais de péssimo gosto e, pior, mal interpretados por um cantor - que não sei quem - cansado de voz, sem voz, equipado, porém, com uma bateria de coisas gravadas chamadas, grosso modo, de playback, infernizava os nossos ouvidos.
Antes das dez da noite, eu me vi liquidado, arrasado como homem e gente.
E fui-me de volta ao lar, doce lar, com o farol baixo como se diz de onde eu vim, o Nordeste.

PAPA
Francisco nem bem começou o papado, já entrou para a história. Ele consegue dizer o que todos, ou quase todos, querem ouvir. Vida longa a Francisco, meu xará!

ZÉ CUPIDO
O sanfoneiro Zé Cupido, de batismo José Idelmiro Cupido, morreu ontem em Jacareí, SP, depois de três paradas cardíacas em sua casa. Ele era natural do distrito de Quiririm, Taubaté, a cerca de 130 quilômetros da capital paulista.  Zé Cupido extraiu do repertório do ídolo Luiz Gonzaga músicas para dois LPs, que gravou no começo dos anos 1980.  

DOMINGUINHOS
Amanhã fará uma semana que Dominguinhos partiu. E amanhã postaremos um vídeo muito bonito com ele tocando no Projeto Música do Brasil, que dirigi e apresentei na unidade Sesc Pinheiros em novembro de 2006, junto com a rainha do forró, Anastácia; a rainha do baião, Carmélia Alves (acima, na foto comigo), Cezar do Acordeon – outro grande -. Oliveira de Panelas etc. Antes, em 2005, nos apresentamos no Teatro Brincante, cá em Sampa. 
CLIQUE:

domingo, 28 de julho de 2013

INÉDITAS DE DOMINGUINHOS-ANASTÁCIA

Nessa tarde de frio danado, deleito-me ouvindo a nova produção autoral – um álbum duplo pra lá de bonito – do artista maranhense que de música sabe tudo: Papete, que comentarei aqui, neste espaço, na próxima semana.
Mas se agora eu falo do cantor, compositor e multi-instrumentista Papete é que acabei de ouvir as sanfoninhas choradeiras de Toninho Ferragutti dando cor à canção Senhor José, de Alberto Trabulsi; e a de Ruy Mário alegrando a guarânia Cubanita, de Almir Sater e Paulo Simões.  
E ouvindo Toninho e Ruy eu me lembrei de Dominguinhos que partiu terça, aos 72 anos.
Lembrei-me também de um espetáculo (Projeto Música do Brasil; acima) que dirigimos e apresentamos nas noites de 25 e 26 de novembro de 2006 na unidade Sesc Pinheiros, com a presença dele, Dominguinhos, Cezar do Acordeon – outro grande, hoje pouco lembrado –, o cantador repentista Oliveira de Panelas, o violonista Gereba, os emboladores Caju & Castanha, a cantora Socorro Lira, a rainha do forró, Anastácia; uma camerata regida por Marcelo Martins; e a rainha do baião, Carmélia Alves.
Naquela ocasião, esses artistas nos ajudaram a contar a história do baião, riquíssima.  
Esse espetáculo foi de grande importância para todos nós; mais ainda para Anastácia, que há muito não se apresentava num mesmo palco com sua eterna paixão, Dominguinhos, ao lado de quem conviveu por 12 anos.
Com Dominguinhos, Anastácia compôs exatas 213 músicas.
Desse enorme repertório, a Rainha do Forró ainda guarda algumas inéditas, quatro das quais estarão no seu próximo CD de produção independente, a ser lançado até setembro.
O CD, que provavelmente se chamará É Sempre Verão, trará 18 faixas.
As inéditas compostas por Anastácia e Dominguinhos são: Baião do Trabalhador, rancheira; Ave de Arribação, arrasta-pé; Se Meus Olhos Falassem, samba-choro; e o xote Redenção, cuja letra diz:

No sertão quando sei
Que o mormaço vai esquentar
Anunciando a seca, o chão se vê rachar
O sanfoneiro não dorme mais
Acabou a sua paz...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

DOMINGUINHOS ERA UMA FESTA

Com Dominguinhos foi sepultada ontem, no final da tarde, a ideia de conclusão de um filme que iniciamos há quase três anos em Paris, sobre Luiz Gonzaga.
O filme, ainda sem título, trata da primeira vez que o Rei do Baião deixou o Brasil para uma apresentação musical, a convite da cantora e compositora Nazaré Pereira, acreana de Xapuri, parceira sua numa música (Acre Doce), que ele jamais gravou.
Era forte o nosso desejo - meu e dos produtores - de Dominguinhos pontear o filme, por ter sido ele o sanfoneiro que melhor conheceu Luiz Gonzaga, tornando-se, inclusive, o seu primeiro e mais fiel seguidor musical.
Dominguinhos, como Gonzaga, era incrível.
Gonzaga era explosivo; Dominguinhos, não.
Gonzaga era de ajudar, de incentivar candidatos a sanfoneiro.
Dominguinhos, também.
Um e outro davam sanfonas; Gonzaga, mais.
Gonzaga deu sanfona a Oswaldinho do Acordeon, Waldonys (acima) e a mais umas 200 pessoas.
Oswaldinho e Waldonys são incríveis; Oswaldinho, mais calmo.
Em 1989, eu pedi a Dominguinhos que escrevesse um texto sobre Luiz Gonzaga, para o livro Eu Vou Contar Pra Vocês, que eu publicaria logo depois. Ele não se fez de rogado e escreveu de próprio punho (abaixo, um trecho).
Antes disso, em abril de 1980, eu publiquei um artigo dizendo ser ele “o novo rei do baião” (abaixo).
Ele achou graça, e contou que em 1957 a revista Radiolândia, que não existe mais, fez uma longa entrevista com Luiz Gonzaga, que na ocasião o nomeou seu herdeiro musical. Os anos se passaram e eu achei essa revista com a reportagem. Ele ficou curioso e pediu uma cópia. Dei-lhe a revista, dada
depois a Waldonys que a guarda até hoje.
Levei Dominguinhos muitas vezes aos meus programas de rádio (abaixo).
 Dominguinhos queria que eu escrevesse um livro a seu respeito. Demorei e... Ele chegou a dizer isso em programas de televisão, como o que as cantoras Celia e Celma apresentavam no Canal Rural.
Dominguinhos disse mais de uma veza amigos que Waldonys seria o seu herdeiro musical.
Hoje lembrei isso a Waldonys. Ele deu uma risada e retrucou:
- Tá doido?
Como Luiz Gonzaga, Dominguinhos saiu pouquíssimas vezes do Brasil, para se apresentar fora. Clique na linha azul acima, para vê-lo em ação na televisão italiana, em 1984. 
Agora conheça um pouco mais o artista que Dominguinhos considerava o seu sucessor, musicalmente falando.
Clique: 
http://www.youtube.com/watch?v=xb8mf1AHXBo
http://www.youtube.com/watch?v=xb8mf1AHXBo
http://www.youtube.com/watch?v=NnMAC9A_dXc
http://www.youtube.com/watch?v=maLlVPxMv7I

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O PAPA, SOLIDARIEDADE E CACHAÇA

O papa Chico, Francisco na origem, está botando pra quebrar.
No bom sentido, claro.
Ele quebrou, até aqui, todas as formalidades que o cargo oferece e exige.
Hoje no complexo de Manguinhos, no Rio, Chico papa falou um monte de coisas legais.
Falou sobre cultura da solidariedade, por exemplo.
Lá pras tantas, disse que gostaria de sair batendo na porta das casas, pedindo água de beber e um cafezinho, mas “um copo de cachaça, não”.
Pois é, eu acho que ele pecou aí, pois uma cachacinha não faz mal a ninguém, principalmente se for de Minas ou da Paraíba.
A Volúpia é ótima!
É ou não é Roniwalter, Severo e Maçal Aquino?
Mas o nosso papa, que é da Argentina - e lá não tem cachaça que preste - pecou também quando disse que faz parte do que entendemos ser dito popular a expressão “água no feijão”; mais claramente e precisamente ele disse numa referência ao comportamento brasileiro, solidário: “Sempre colocam mais água no feijão, né?”, ao que o público da Jornada respondeu todo hipnotizado: “Sempre!”.
Na verdade a expressão em questão se tornou popular através de Chico Buarque, que em 1977 compôs e no ano seguinte lançou o samba Feijoada Completa, em cuja letra o autor prepara terreno livre, belo e espontâneo para os exilados que começariam a voltar ao País em 1979, com o processo de Abertura desencadeado pelo governo do general Geisel.
Não custava o papa Francisco citar o Chico compositor, certo?
Mas eu estou acostumado a esse tipo de coisa.
No seu discurso de posse, a presidente de todos os brasileiros, dona Dilma, disse que “a cultura popular é a alma de um povo”.
Este Francisco aqui, Chico jornalista, anos antes já dizia que “a cultura popular é a digital de um povo”.
Ora, ora.
Anos antes, uma agência de publicidade do governo fazia pôr em todos os impressos oficiais a expressão: “O melhor do Brasil é o brasileiro”.
Frase de mestre Câmara Cascudo, que a maioria dos próprios brasileiros certamente ainda desconhece.
Eita!
E agora vejo na telinha de fazer doido, como dizia Stanislaw Ponte Preta, que é preciso que a Igreja vá às ruas.
Lula disse algo parecido antes, ou seja: que é preciso que o PT vá às ruas...
Viva Chacrinha!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

DOMINGUINHOS NÃO MORREU

O telefone toca.
É o repórter Rodrigo, da Folha de S.Paulo, pedindo que eu escreva sei lá o quê.
Ele insiste:
- Dominguinhos morreu. Por favor, escreva qualquer coisa.
- Ora, ora - eu digo - deixe disso! Ele morreu coisa nenhuma!
Provocação, não é?
Sei, sei, é meio sina.
Tem hora que nordestino diz que morre só pra chamar atenção.
Nordestino é uma gente besta; mas não é o caso aqui, sei, sei, diz Rodrigo.
Eu conheci Dominguinhos sanfoneiro, de batismo José Domingos de Morais, faz tempo.
Faz tempo também que conheci Luiz rei do baião, Gonzaga do Nascimento.
Conheci Dominguinhos depois de Luiz.
Lembro que uma vez eu disse a Luiz que iria escrever um livro a seu respeito.
Anos 1980.
Luiz, que eu chamava de Gonzaga, caiu na gargalhada:
- E eu mereço?
E a gargalhada rebombou no ar.
Contei isso a Dominguinhos.
E Dominguinhos também gargalhou. E disse:
- Tá vendo? É assim o seu Luiz.
Eu nunca chamei Gonzaga de seu Luiz.
E Dominguinhos achava graça nisso, por eu não chamar Luiz de seu Luiz.
 E ele dizia:
- Só você, Assis, faz isso; e ele (Gonzaga) gosta disso, porque você é espontâneo.
Gonzaga e Dominguinhos eram também espontâneos; carne e unha, um e outro, no peito, na fala, no pensamento, no dizer, no saber de um e outro.
Gonzaga nunca teve filho biológico.
Dominguinhos teve.
Quando Dominguinhos resolveu casar, com 17 anos, Gonzaga estrilou.
- Eu vou deserdar você!
Prestem atenção na frase e na exclamação...
Dominguinhos viveu a vida aprendendo as notas de todas as sanfonas, desde a primeira.
E foi de Luiz Gonzaga a primeira sanfona de qualidade que caiu, de graça, no peito de Dominguinhos, e que ele, Dominguinhos, carregou por toda a vida.
Dizer mais o que sobre Dominguinhos?
Dominguinhos foi um cara legal, como lhe ensinou seu mestre Luiz Gonzaga.
Dominguinhos jamais disse não a quem quer que fosse.
Dominguinhos foi incrível, um exemplo de vida.
Sei lá, eu acho que o Brasil e todos os forrozeiros estão de luto; e mais: todos os forrozeiros de hoje e sempre gostariam de ser Dominguinhos.
Por isso, Dominguinhos vive.
Por isso, Luiz Gonzaga vive.
Sucessor?
Todos os forrozeiros o são.
Viva Dominguinhos, que costumava frequentar o programa São Paulo Capital Nordeste (registro acima) que eu apresentei por mais de seis anso, ao vivo, na Rádio Capital, de São Paulo! 
Há exatamente um mês, eu escrevi isto. 
CLIQUE:

terça-feira, 23 de julho de 2013

O PAPA É DO CARALHO!

http://assisangelo.blogspot.com.br/2013/03/memoria-da-cultura-popular-padre-cicero.html
Hoje na barbearia perto aqui de casa, no final da tarde, o barbeiro pernambucano José – eu disse barbeiro... -, dando jeito ao que me resta de cabelo, disse:
- Esse papa é incrível!
Silenciosamente, meio cabreiro, eu concordei.
- Esse papa é do caralho! – ele, o barbeiro, continuou de modo o mais natural possível.
E acrescentou, com ar angelical:
- Eu nunca vi um papa se comportar tão espontaneamente perante o mundo, como esse Francisco.
- É... – eu disse, reticente, mas dando um tom de inteligência na voz.
E o barbeiro, sem ligar pra isso, incontrolável nas suas opiniões a respeito do papa Francisco, repetiu:
- Esse papa é do caralho!
Opa!
Sim, esse papa é do caralho!
E isso é cultura popular.
É cultura popular, mas certamente o papa Francisco não vai estar com cordelistas e cantadores repentistas nordestinos dessa vez, como esteve em 1980 o papa João Paulo II, em Fortaleza, CE, com o poeta Pedro Bandeira e o rei do baião, Luiz Gonzaga.  

segunda-feira, 22 de julho de 2013

ESSE PAPA É DEZ!

Não encontro palavra mais adequada senão incrível para classificar o comportamento do papa Francisco em terras brasileiras desde o final da tarde de hoje, quando cerca de dez mil pessoas, hipnotizadas, o acompanhavam pelas ruas do Rio de Janeiro e o chamavam entusiasticamente pelo nome, dizendo amá-lo.
Dito isto, digo também que com seus gestos e comportamento tão simples, humano e acessível, o papa Francisco está mudando, para melhor, rápida e definitivamente, a fachada milenar da Igreja Católica, outrora tão sisuda.
Com sua simplicidade e destemor, ele firma-se, assim, como impoluto divisor de águas da igreja, cujo pontificado foi inaugurado por Pedro no início da era Cristã.
Francisco desembarcou na Base aérea do Rio de Janeiro pouco antes das 16 horas. Depois, seguiu num Fiat Idea de janela aberta até o Palácio Guanabara. Lá, ele foi recebido pela presidente Dilma Rousseff e pelo governador Sérgio Cabral, além do prefeito Eduardo Paes e representantes da Igreja.
Centenas de crianças cantaram para ele, que demonstrava alegria e carinho pelas pessoas.

APARECIDA
As cantoras Celia e Celma participarão amanhã à noite, em Aparecida, de um espetáculo musical em homenagem ao papa Francisco, ao lado de Agnaldo Timóteo, Elba Ramalho, Jair Rodrigues, Neguinho da Beija Flor, Renato Teixeira, Sérgio Reis e padre Antônio Maria.
O espetáculo será transmitido pela TV Aparecida.
As duas irmãs foram convidadas para participar da recepção musical pelo cardeal-arcebispo dom Raymundo Damasceno.
Elas cantarão músicas que integram o repertório do CD Lembrai-vos das Procissões e Devoções de Minas, recém-lançado.
As duas são ótimas.

EDUCAÇÃO
Pois é, tudo leva a crer que somos, mesmo, um país mal educado. Explico: hoje no final da tarde o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, esteve entre as autoridades escolhidas para serem apresentadas ao Papa. Ele estendeu a mão e cumprimentou o sumo pontífice, ignorando completamente a presidente da República, Dilma Rousseff, que estava ao lado.
Que cena! Que pena! O ministro deveria voltar aos bancos escolares, no mínimo para aprender boas maneiras.
DOIS MÚSICOS
Oswaldinho do Acordeon e Antonio Spaccarotella (aí, no clic de Andrea) realizaram um 
belo espetáculo ontem, de manhã, 
no Museu da Casa Brasileira. Os dois foram longa e entusiasticamente aplaudidos várias
vezes pelo público que lotou o local.
Spacca embarcou hoje à noite de Cumbica direto para a sua terra, Itália.  
Antes, ontem à tarde, almoçamos comida baiana num restaurante de Santa Cecília.
Logo mais às 23:30, Oswaldinho estará se apresentando na casa de espetáculos Canto da Ema, 
na região de Pinheiros. 
Eu vou; e você, vai?

FUNK
Atenção! Registro por registrar que recebi há poucos minutos e-mail dando conta da inauguração de um tal Memorial do Funk não sei onde, que teria sido construído com verba pública gerida pelo Ministério da Cultura. Não acredito que isso seja verdade. Se for... Não, não é possível.
De qualquer modo, aguardemos o desenrolar dessa história.

domingo, 21 de julho de 2013

OSWALDINHO E SPACCAROTELLA TOCAM EM SAMPA

http://www.institutomemoriabrasil.org.br/
Daqui a pouco, às 11 horas, dois geniais sanfoneiros se apresentarão gratuitamente no Museu da Casa Brasileira, o brasileiro Oswaldinho do Acordeon e o italiano Antonio Spaccarotella (acima). Eles interpretarão um variado repertório musical, que vai do jazz ao tango, do blues ao baião criado pelo pernambucano Luiz Gonzaga, cujas comemorações em torno do seu centenário de nascimento prosseguem, por exemplo, no espaço de exposições Oca, no Parque Ibirapuera, com uma belíssima exposição que traz a assinatura do paraense Bené Fonteles.
Oswaldinho e Spaccarotella se apresentaram juntos pela primeira no ano passado, em Spoleto, Itália.
O repertório é este:
Hipnose – Oswaldinho do Acordeon
Sob o Olhar de Santa Luzia – Oswaldinho do Acordeon
Corre Pra não Apanhar – Oswaldinho do Acordeon
Asa Branca Blues – Oswaldinho do Acordeon
De Coração pra Coração – Oswaldinho do Acordeon
Lamento Sertanejo – Dominguinhos e Gilberto Gil
Roseira do Norte – Pedro Sertanejo
Libertango - Astor Piazzolla
Prima Del Cuore - Luciano Biondini
Bille's Bounce - Charlie Parker
Surya – Antonio Spaccarotella
Saudade Tango - Antonio Spaccarotella
Um tom pra Jobim – Oswaldinho do Acordeon e Sivuca

O Museu da Casa Brasileira está localizado à Avenida Faria Lima, 2705.

sábado, 20 de julho de 2013

O IMAGINÁRIO DO REI, NO IBIRAPUERA

http://www.youtube.com/watch?v=RqqJE_mlfx8
No espaço expositivo Oca, do Parque Ibirapuera, um dos maiores da cidade paulistana, inaugurou-se hoje a mostra O Imaginário do Rei, Visões do Universo de Luiz Gonzaga, sob a batuta do artista plástico, escritor e letrista paraense, de Bragança, Bené Fonteles.
Trata-se de uma importante, bela e necessária retrospectiva da obra – e vida – do rei do baião Luiz Gonzaga, chancelada pelo Itaú, com base na Lei Rouanet e apoio da Fundação Athos Bulcão, de Brasília, e a Prefeitura do Município de São Paulo.
Presentes, crianças de todos os tamanhos e idades.
A área coberta da Oca ultrapassa os 10 mil m2.
Boa parte desse espaço está hoje ocupada com o pensamento poético e musical do pernambucano Luiz Gonzaga.
Esse pensamento poético - e musical - se completa com cenas em preto e branco do sertão nordestino e reproduções fotográficas ampliadas e penduradas nas paredes da Oca.
Há muitos momentos em que o criador do baião aparece, juntamente com personagens nordestinos anônimos e famosos, como Lampião.
O Nordeste todo está vivo na exposição O Imaginário do Rei.
O secretário da Cultura de São Paulo, o ex-ministro Juca Ferreira, chegou à Oca pouco antes das 10 horas e logo deu por inaugurada a exposição.
Após coquetel, o artista piauiense Chambinho, que viveu o Rei do Baião no filme Gonzaga, de Pai Pra filho, de Breno Ferreira, sacou da sanfona e à capela interpretou números musicais do repertório de Luiz Gonzaga, e não demorou o brincante Antônio Nóbrega, de modo espontâneo e improvisado, ocupou espaço ao lado do sanfoneiro e cantou e cantou, sendo entusiasticamente aplaudido.
O entusiasmo apanhou de surpresa o secretário Juca Ferreira que, ao microfone, garantiu pôr para tocar e cantar, na Oca, todos os sábados que durar a exposição Chambinho e Nóbrega.   
A exposição, de entrada franca, finda no próximo dia 15 de setembro.
Na foto abaixo aparecem o ex-empresário de Dominguinhos, João Cícero; o produtor José Mauro e o escrevinhador deste Blog.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

CORDEL NAS ESCOLAS

http://www.anovademocracia.com.br/no-12/1048-uma-breve-historia-do-cordel
Mexendo agora, há pouco, no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, me deparei com o arquivo referente aos dois concursos nacionais de literatura de cordel que idealizei e realizei nos tempos em que eu integrava os quadros de funcionários da CPTM e do Metrô paulistano.
O primeiro concurso foi realizado em 2002 e seus três primeiros lugares foram conquistados pelos cearenses Rouxinol do Rinaré – hoje um nome famoso –, Zé Maria de Fortaleza e pelo paraibano Andorinha, que também é conhecido e aplaudido no campo da poesia improvisada ao som de violas.   
As inscrições para o segundo concurso, que revelou para o Brasil o piauiense Pedro Costa, foram encerradas no dia 24 de julho de 2003; portanto, há dez anos.
À época da realização desses concursos, que receberam apoio da Trends e da fábrica de instrumentos musicais Rozini, a literatura de cordel não era devidamente tão badalada como hoje, e a iniciativa que tomei de distribuir os 410 mil folhetos impressos à rede estadual de ensino acredito ter colaborado para que esse tipo de literatura esteja acertadamente sendo alvo de prazer e conhecimento da parte dos estudantes não só de São Paulo, mas de várias capitais e Estados brasileiros.
Fica o registro.

REI DO BAIÃO
Prosseguem as comemorações em torno do centenário de nascimento do pernambucano Luiz Gonzaga.
Amanhã, às 10 horas, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o secretário da Cultura do município, Juca Ferreira, inauguram na Oca (Avenida Pedro Álvares Cabral, Ibirapuera) a exposição O Imaginário do Rei.
Constam da mostra sob a curadoria do escritor Bené Fonteles raras fotos e discos e livros e filmes que têm Gonzaga como foco.
Da exposição também constarão obras assinadas por artistas plásticos nordestinos.
Entrada franca.

 

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