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terça-feira, 4 de outubro de 2016

O FORRÓ ESTÁ DE LUTO



A terça-feira, 4 de outubro de 1960, chegou com os brasileiros de norte a sul felizes e esperançosos, por terem o matogrossense de Campo Grande, Jânio da Silva Quadros, como Presidente da República. Foi, até então, a maior votação para um presidente da República brasileira, na história. 5,6 milhões de votantes. E sete meses depois, ele renunciou. Foi golpe, ou não foi?

“A minha mãe é golpista, o meu pai é petista e eu sou anarquista”.
A definição é do impagável roqueiro paulistano Supla, referindo-se à posição política da sua mãe, Marta, e do seu pai, Eduardo.
Pois é, vivemos tempos mirabolantes, tempos de efervescência, politicamente falando.
   
Marta foi prefeita da cidade de São Paulo e Eduardo, o mais votado candidato a vereador desta cidade, nas eleições do último dia 2. Ele recebeu mais de 300 mil votos, ou seja: levou pra si a simpatia de quase todos os petistas da capital paulistana.

Luiza Erundina, paraibana conterrânea minha, prefeiturou São Paulo antes da Marta.

Erundina, Marta e Haddad disputaram entre si, o cargo para retornarem como prefeitos de São Paulo. Perderam e o tempo depressa nos dirá, se os eleitores ganharam ou perderam ao escolherem o empresário João Dória...

Cerca de 25 milhões de brasileiros negaram seu voto às urnas nas últimas eleições. Por que isso?

Na minha modesta compreensão de paraibano nato, de brasileiro inteiro, esses 25 milhões deixaram de ir às urnas porque estão, simplesmente, decepcionados com os políticos; profissionais, claro.

Ouso eu pensar assim: um país é uma empresa e como tal deve ser administrado, sem regalias, para funcionários. Portanto, com
profissionalismo. Uma empresa em má gestão, vai pras cucuias e seus acionistas, também. No caso, os acionistas que escolheram o gestor, são os munícipes.

PARAFUSO

O Brasil e são Paulo, especialmente, andam em parafuso há muito tempo. Mas não é desse parafuso, da complicação em que vivemos, que eu quero falar agora.
Com base em informações do correspondente informal Rômulo Nóbrega, no texto anterior, eu disse que o zabumbeiro Parafuso acabara de morrer tocando zabumba num palco da cidade de Colonia, Alemanha. Ele estava acompanhado dos colegas do grupo 3 do Nordeste. Parafuso, de batismo Carlos de Albuquerque Melo, era paraibano de João Pessoa, nascido no dia 16 de janeiro de 1940. E nada mais eu digo a respeito porque não sei. Não sei se o corpo ficará lá ou ficará cá. De qualquer forma, Parafuso ficara na memória de todos aqueles que gostam da boa música popular. 

Nas fotos que ilustram este texto, Parafuso aparece ao lado do grande forrozeiro Biliu de Campina e do biógrafo do mestre pernambucano Rosil Cavalcanti, Rômulo Nóbrega. 


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

HOJE É DIA DE ZÉ RAMALHO!



Tudo começou em Brejo do Cruz, município distante uns quatrocentos km da capital paraibana. Lá, no dia 03 de outubro de 1949, nascia o único varão do casal Estelita e Antônio: José Ramalho Neto.
Para quem mora ou está no Sul-maravilha, Brejo do Cruz fica no ponto exato onde o vento faz a curva.
Muito cedo o menino perdeu o pai, e muito cedo o menino e a sua mãe passaram a morar na segunda maior cidade da Paraíba: Campina Grande.
O pai do menino Zé morreu afogado, vítima de uma cãimbra que o atacou na travessia a nado de um açude.
O menino Zé foi crescendo e tomando gosto pela música, primeiro através das ondas médias OM do rádio campinense. Não demorou e ele partiu prá João Pessoa, onde tomou conhecimento da existência de músicos de carne e osso. Alguns dos primeiros músicos que conheceu, integravam o conjunto Os Quatro Loucos.
Vital Farias, mestre aplaudido da nossa melhor música popular, era, digamos assim, a principal figura do conjunto. Encurtando a história: Zé entrou no lugar de Vital, que é paraibano de Taperoá, como o dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014).
O Quatro Loucos foi a catapulta que levou Zé ao estrelato.
Em 1975, Zé Ramalho gravou o seu primeiro e único álbum duplo em parceria com o pernambucano Lula Côrtes. Esse disco é raríssimo, é o mais caro no mercado "negro". Custa em torno de R$ 5.000,00, mas na Europa e EUA têm sido feitas cópias dele e vendidas mundo afora. Esse disco nunca foi relançado por autorização do Zé e do Lula, que já morreu.
Em 1976, Zé Ramalho aparece num disco compacto feito de forma independente na Paraíba. Nesse disco, ele ocupa as duas faixas declamando poesias. Mas prá valer, mesmo, o primeiro disco de carreira desse autor e intérprete paraibano foi gravado em Novembro e Dezembro de 1977 e lançado no início do ano seguinte. A faixa que abre esse disco Avôhai tem tudo a ver com o avô, que o criou.
Muito tempo depois do compacto gravado na Paraíba, eu o convidei para comigo gravar um poema do amigo comum, Nêumane. A faixa em que interpretamos esse poema se acha no cedê Assis Ângelo Interpreta Poetas Brasileiros. Ouça:

3 DO NORDESTE

O correspondente informal deste blog na Paraíba, Rômulo Nóbrega, acaba de telefonar para informar que o zabumbeiro Parafuso morreu ontem quando se apresentava no palco de um a casa de espetáculos em Colonia, Alemanha. Há muitos anos ele integrava um dos mais respeitáveis grupos de forró do País: Os 3 do Nordeste. Os forrozeiros estão de luto.

sábado, 1 de outubro de 2016

VÂNDALOS ATACAM A HISTÓRIA




Dois desnaturados filhos da onça, imbuídos de má intenção, deixaram sua marca de ódio e delinquência no monumento às Bandeiras do italiano naturalizado Victor Brecheret no Parque do Ibirapuera, um horror, na verdade um ato inominável praticado por dois idiotas. Os mesmos, provavelmente, que pouco antes ou depois desse atentado mancharam a história representada pelo monumento a Borba Gato, em Santo Amaro.
O que move alguém a atacar monumentos artísticos, históricos espalhados em pontos de destaque na cidade? Mera debilidade mental? Não, loucos não fazem isso.
O ataque aos monumentos a Borba Gato e às Bandeiras, ocorrido na última  madrugada de quinta para sexta, fez-me lembrar um encontro com o escritor modernista Menotti Del Picchia. Na ocasião, na casa dele, tive a alegria de pegar em mãos os esboços da obra de Brecheret. Aliás, esses esboços foram publicados pela primeira vez e originalmente na revista S. Paulo, nº 7, Ano 1, 1936, devidamente preservada no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.  Essa revista, mensal, era editada pelo próprio Del Picchia e Cassiano Ricardo.
Os delinquentes que picham ou destróem os monumentos da cidade, de qualquer cidade, devem ser enquadrados e punidos na forma da lei, óbvio, não é? Mas é assim que tem de ser. E mais: desembolsar os prejuízos praticados à municipalidade. No caso os prejuízos estão calculados em R$ 37.000,00.


ELEIÇÕES


Amanhã é dia de eleições municipais. Logo cedo, bem cedo, estarei barbeado e com a minha melhor roupa irei depositar, mais uma vez, a minha esperança na urna. Tomara que não a roubem. Só em SP, capital, são 1300 candidatos a ocupar, ou reocupar as 55 cadeiras da Câmara. Haverá renovação? Tomara que sim.


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

GLOBO: EM DEBATE, CANDIDATOS VAZIOS



Eu fiquei até tarde da noite esperando plin plin. Plin plin chegou e se prolongou por quatro vezes.
O Plin Plin é Trali.
Começou às dez e meia da noite e terminou ali pelos começos de hoje.
Foi um plin plin sem graça, nas quatro vezes que o plin plin apareceu.
O apresentador formal, plin plin, apresentou os candidatos a  bom emprego, emprego de grana, para os próximos quatro anos. No fundo no fundo, porém, os candidatos, os principais candidatos não precisam do emprego que pleiteiam, pois são representantes do capital mais sacana que o seu criador, Marx, poderia imaginar, não é mesmo? E todos eles sabem como ir buscar toda grana que querem.
E aí vieram Marta, Erundina, Major Olimpio, Dória, Russomanno e Haddad, um monte de tranqueira. Todos objetos de prazer e desprazer, veremos.
Que prazer poderá nos dar a Marta?
Imaginemos, pois, Marta, Russomanno, Dória, Haddad, o Major e Erundina juntos.
Juntas todas essas coisas, porque em política, quase sempre gente é coisa, o curto-circuito é completo; e quem se queima, com certeza, é o povo.
E por tanto tempo fiquei esperando ouvir verdades prometidas, a conclusão final que eu tive foi de inverdades prometidas.
E ouvi, ouvi, ouvi...
Tanta besteira, eu, com meus olhos cegos, vi.
Ouvi/vi muitas mentiras.
Russomanno, por exemplo, falar sobre pessoas com deficiências - físicas, auditivas, visuais? Não entendi o que ele quis dizer sobre essa questão. Também não entendi o que a querida Erundina disse.
Eu não falo cá, por mim. Mas se tivesse de falar, eu falaria por todos que enfrentam no dia a dia os problemas que um deficiente visual, por exemplo, enfrenta.
Estatísticas indicam que a cada segundo uma pessoa fica cega no mundo.
Estatísticas indicam que São Paulo é o estado que apresenta tristemente o maior número de pessoas cegas no Brasil. Nesse rumo, a Bahia é o segundo Estado.
Todo ano, na segunda quinta-feira de outubro, o mundo traz à tona o problema da cegueira. Daqui a pouco, portanto, todos nós, incluindo o governo brasileiro vamos ter a oportunidade de "ver" o tamanho do problema que é a falta de visão...
Saramago nos ensinou que a cegueira pode ser contagiosa e nos mostrou também como o poder público pode lidar com ela, da pior forma. Aliás o Ensaio sobre a Cegueira é uma obra prima. Li, agora quero ouvir. Será que conseguirei ouvir esse livro?
Ao fim do programa da Plin Plin, reunindo os candidatos a emprego como prefeito da maior cidade do País,
eu tenho a dizer da minha decepção sobre tudo que ouvi. Muitas obviedades, muitas redundâncias, muitos torpedos sem força, canhões vazios. Dilema: em quem votar?
Eu estou cansado das mesmices.
Política é profissão e há muitos profissionais nessa categoria.
Eu nunca deixei de votar na minha vida, e agora?
Domingo 2, deverei votar no menos profissional do ramo.
Eu perdi a luz dos meus olhos, mas não perdi a visão.



sábado, 24 de setembro de 2016

BRASIL DE DESEMPREGO E ANALFABETISMO



Neste mês de setembro em que se “comemora” o Dia Nacional da Alfabetização, 8, o Governo anuncia mudanças necessárias no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Foi um anúncio atabalhoado. No primeiro instante, quiseram tirar as disciplinas de Educação Física e Artes. Que coisa!
Educação Física e Artes são as portas naturais que se abrem para os esportes, música, teatro etc.
Mudanças no nosso sistema de ensino há muito se fazem necessárias. As discussões em torno do assunto são antigas e do jeito que está, claro, não pode continuar. Se eu sou a favor do ensino em tempo integral na rede escolar? Claro que sou. Por quê? Porque é preciso que se ensine e se estude com afinco. O estudo continuado só pode trazer benefícios a quem aprende. Agora, uma coisa: é preciso treinar, reciclar, o professor.
Eu comecei falando do Dia Nacional da Alfabetização. A verdade seja dita: não há o que comemorar nesse dia 8 de setembro.
Comemorar alfabetização quando 13 ou 14 milhões de brasileiros não sabem distinguir um o de uma roda? Não dá, né? Fora isso, ainda tem os analfabetos funcionais, que somam 32 milhões de brasileiros.
Somos, no ranking mundial de ensino, o país que ocupa o 8º lugar em analfabetismo. Triste, não é?
Para mostrar o caos em que vivemos, não custa lembrar que já somos cerca de 12 milhões de profissionais desempregados, sem falar nos eternos “nem, nem”, que se reunidos ocupariam todas as áreas de Pernambuco. É mole?
A nossa tristeza cresce quando espichamos os olhos para o Planalto e vemos as trapalhadas de boa parte dos ministros que formam o atual governo. O ministro do trabalho, por exemplo, tem dito um monte de bobagens com relação às reformas trabalhistas. O presidente da Câmara tentou dar golpe esta semana, ao surpreender o Brasil com proposta de mudança numa lei que, se aprovada, beneficiaria os espertalhões que utilizam caixa dois em suas manobras. E por aí vai.
O ministro da Educação quis tirar disciplinas necessárias na formação de brasileiros. Não dá, né?
No dia 2 próximo haverá eleições para a escolha de prefeitos e vereadores. Outro dia comentei aqui que não ouvira nenhum candidato falar de cultura. O Dória falou hoje, prometendo virada cultural nos bairros de São Paulo.
Eu queria saber, de verdade, o que pensa um candidato quando diz que vai fazer virada cultural nos bairros da cidade. Será que isso basta? Cultura é isso? Tira do bolso e...
Aliás, por onde anda o ministro da Cultura? Ainda existe Ministério da Cultura?
Pra findar, uma coisa que não entendo: por que temos o Ministério da Educação e da Cultura e o Ministério da Cultura?

TIM, TIM
Rômulo e eu, em foto feita há 16 anos
O paraibano de Campina Grande, Rômulo Nóbrega, biógrafo do compositor Rosil Cavalcanti, está completando hoje 61 primaveras. Rômulo, economista, escreveu uma das mais completas biografias que já li sobre um autor pernambucano: Pra dançar e xaxar na Paraíba, andanças de Rosil Cavalcanti. Longa vida, Rômulo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A PRIMAVERA CHEGOU E A CULTURA, HEIN?


O Mantega foi preso e depois solto.
O Brasil foi quebrado e continua quebrado, com um monte de bestas nas ruas torcendo para que continue assim: quebrado.
Ouço no rádio e na televisão um monte de candidatos a emprego nas novas eleições, previstas para o próximo 2 de outubro.
Tem gente de tudo quanto é partido querendo ocupar o cargo de Haddad, que sairá.
O Russomano vai para o lixo da história.
O segundo turno vai ser disputado entre Marta e Doria, ai ai ai. E é ele quem vai sentar-se na cadeira do petista.
O quadro político que surge ora à nossa vista é, sob todos os aspectos, de pobreza franciscana, pífio, lamentável.
Não ouço de nenhum dos candidatos a prefeito da capital paulista uma palavra sequer sobre o que poderiam ou poderão fazer pelo bem da cultura popular.
Lembro que almocei uma vez com Haddad antes de ele ser iluminado pelo Lula. Na ocasião, eu lhe disse de umas ideias que tinha sobre a nossa cultura. Ele me ouviu, aparentemente, e disse que a cultura no seu governo teria grande destaque. Ele ganhou e não confirmou o que me disse. Pena, não é? É verdade que participei de duas ações que tiveram a cultura como destaque. Uma dessas ações foi no Vale Anhangabaú, apresentando o projeto São João do Brasil.
Pois bem, não ouço dos nossos governantes e candidatos a governantes propostas em torno da cultura popular; dos esportes e da educação. Triste, não é?
No começo dos anos de 1930, no governo Vargas, foi levada à prática uma campanha que dizia muito sobre nós: "Ou Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil".
A coisa está esquentando...

PRIMAVERA
A primavera chegou hoje às 11h21, trazendo flores e um vento gostoso, frio. Na verdade a primavera chegou foi ontem, à tarde, trazendo dois amigos queridos: Manoel Dorneles e Jorge Araújo, dos tempos em que trabalhamos na Folha. Dorneles, editor da revista Kalunga, tem um texto brilhante; e Jorge, é um dos mais importantes fotógrafos do Brasil. Não nos encontrávamos há muitos anos. Foi uma tarde muito legal, cheia de lembranças, de histórias. Assim que Jorge chegou, foi logo dizendo a Dorneles: "eu não via o Assis desde quando ele me levou para jantar na casa do cantor Taiguara. E isso foi no século passado". Jorge Araújo e Manoel Dorneles não se viam há vinte anos. Acima, em clic do Jorge, nós três.

ZÉ LAURENTINO
 O biógrafo do compositor pernambucano Rosil Cavalcanti, o campinense Rômulo Nóbrega, acaba de me mandar uma fotografia (abaixo) em que aparecemos juntos. É foto batida há 16 anos. Além do poeta Zé Laurentino, desaparecido do nosso convívio há poucos dias, na foto aparece também o amigo Bráulio Tavares, autor de belos livros sobre a nossa cultura popular.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CABRITO BOM NÃO BERRA



Eu sou de um tempo, de um tempo mais ou menos recente, em que as coisas tinham nome e os valores sociais credibilizavam os seres e a sociedade.
Eu sou de um tempo em que palavra dada era palavra que fechava e abria negócios.
Eu sou de um tempo em que bigodes eram marcas de compromisso.
Eu sou de um tempo em que a expressão "Cabrito bom não berra" moldava a criação dos homens. Isto é: homem era homem e pronto! Quer dizer: homem que era homem respeitava as calças que vestia.
Eu cresci ouvindo a frase: "Homem não chora".
Lembrei dessas coisas depois que ouvi o pernambucano,ex presidente Lula chorar durante um pronunciamento público. Mas foi um choro assim meio não sei o quê; um choro que não era choro, talvez. Eu achei esquisito aquele choro. Um choro, digamos, para pato ver. Pois é, está no seio da cultura popular: Cabrito bom não berra. E berrar, no caso, é chorar, espernear, pular que nem calango sobre frigideira fervente. Daí a sabedoria popular legitimar o dito: Homem que é homem não chora.
Por que Lula ex presidente chorou?
Ouço "explicações" estapafúrdias, tolas, sem nexo. Diz que foi o Dallagnol o responsável pelas lágrimas de crocodilo do Lula (aí ao lado, comigo, em debate no Estadão).
A minha santa avó Alcina, que há muito habita os domínios celestiais, diria dando uma rabissaca: "Homem que chora eu não respeito".
Pois é, Dona Alcina não era brinquedo não.
Eu não me lembro quando foi que chorei, só sei que chorei em algum momento da minha vida, mas  foi escondido...




quinta-feira, 15 de setembro de 2016

BATENDO PERNAS NO JUAZEIRO




A semana passada findou comigo batendo palmas, no SESC, para a cantora Kátia Teixeira.   Antes e depois do espetáculo eu  reencontrei velhos amigos, como Luiz Carlos Bahia, Oswaldinho Viana e a sua companheira Marise. O teatro estava lotado e lá fora um vento gostoso. Molhei o gogó com uma cervinha, que ninguém é de ferro. Depois fui dormir prá viajar na manhã seguinte rumo à Bahia.
Pegamos o  o vôo e esbarramos em Salvador. Em seguida, zarpamos prá Petrolina, onde pernoitamos. Um carro da Universidade Federal do Vale do São Francisco, UNIVASF,  bem cedo nos levou até a ilha do Rodeadouro. Nas águas bentas do Velho Chico que banham as terra sagradas do Juazeiro.
Foi legal.
Como combinado, participamos de um especial sobre danças populares no Brasil. Comigo, estiveram, diante das lentes da tevê Caatinga, os excepcionais criadores musicais Maciel Melo e Targino Gondim.
A diretora Fabíola Moura e toda a turma dela adoraram o resultado do nosso bate papo animado. Antes disso, a caboquinha Cora, estudante da oitava etapa do curso de jornalismo da UNIVASF, disse-me que sabia tudo e mais um pouco a meu respeito e que gostaria de, também, registrar nossa presença por lá. Foi uma bela entrevista.
Traçamos uma galinha à cabidela e uns escondidinhos feitos noutro planeta, acho. E voltamos à Petrolina, cantarolando o xote  De Petrolina a Juazeiro, do meu  amigo Jorge de Altinho.


MISTÉRIOS DO RIO CHICO

Depois da gravação para a tevê Caatinga, ficamos por ali, batendo retrato (acima),
proseando com todo mundo e sentindo o cheiro das flores que exalavam dos cajueiros, mandacarus, goiabeiras. Tudo plantado à beira do Velho Chico. As águas do rio, águas bentas, águas que nos lavam a alma e nos tiram todos os pecados, são águas bem cuidadas pelos mistérios da vida. Águas de Oxum, águas que matam sede e matam gentes desprevenidas ou sobrecarregadas das agruras que o tempo dá.
Não sei se foi o caso do ator Domingos Montagner, que dava vida ao personagem Santo dos Anjos, na novela Velho Chico. A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Capítulos recentes mostravam o desaparecimento do personagem e seu resgate pelos encantados do rio, pelos entes de suas margens. Foram as mesmas águas onde o ator sumiu de verdade.


ZÉ LAURENTINO


Rômulo Nóbrega telefona dizendo que o nosso conterrâneo Zé Laurentino partiu hoje para a eternidade, onde já deve estar tocando um dedo de prosa com o ator Domingos Montagner. Zé sofria do mal que vitimou Papete: câncer. Estava com 73 anos e a última vez que nos vimos foi em Campina Grande, cidade onde viveu por muito tempo. Ele era de Puxinanã, terra de outro grande poeta: Zé da Luz. Adeus!



XENOFOBIA

Tenho recebido vários emails falando do livro Xenofobia, que acaba de ser lançado pela Cortez Editora, o cordelista Cícero Pedro de Assis, por exemplo, escreveu o seguinte:

   Fico muito feliz com o lançamento, pela Cor-
  tez Editora, do livro Xenofobia - Medo e Re-
  jeição ao Estrangeiro, do professor Durval Mu-
  niz de Albuquerque, porque é uma obra que com
  certeza orienta o leitor como aceitar o estran-
  ro, uma vez que todos somos iguais perante a lei,
  o que nem sempre é respeitado por muitos que se
  julgam superiores. Que esse livro elimine radical-
  mente todas as ideias xenofóbicas, que é uma praga.
   Receba minhas lembranças e fraterno abraço.


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