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domingo, 4 de dezembro de 2016

TRAGÉDIAS NO AR E NA TERRA


Celia, Téo, Assis e Celma, no IMB
O mundo é feito de tragédias, de dramas e tragédias.
No meio da madrugada da última terça, ouvi pela CBN notícia dando conta da queda de um avião que levou para o céu mais de 70 almas.
Enquanto isso acontecia em terreno colombiano, no Planalto brasileiro deputados pelo povo eleitos maracutaiavam na Câmara um projeto que, a princípio, era a favor da sociedade. Na maracutaia por eles engendrada, tudo virou e virou a favor deles, dos maracutaieiros.   
Enquanto o mundo todo chorava a tragédia ocorrida no solo colombiano, os maracutaieiros brasileiros riam do povo que os elegeram. O presidente deles, na Câmara, o chileno Rodrigo Maia, ainda procurou se justificar dizendo que a Câmara não é cartório para carimbar o que o povo quer.
A tragédia do avião que caiu na Colombia, enlutou o mundo todo.
O que o povo colombiano fez, em homenagem aos mortos daquele acidente, jamais o Brasil faria de modo espontâneo.
Mas como eu disse ali em cima: o mundo é feito de tragédias...
Ouvi no rádio que o presidente tampão, Michel Temer, iria a Chapecó receber e homenagear os mortos no aeroporto da cidade, e que não iria ao velório por medo de ser vaiado.
Na minha terra, cabra que se comporta desse jeito é frouxo.
Temer é um frouxo.
Temer é uma tragédia, uma tragédia brasileira; filhote de outra tragédia, a tragédia oriunda de uma presidenta. E como filhote dessa tragédia, temos um presidento. Esse presidento outro dia disse que em tempos de instituições fracas, qualquer “fatozinho” dá no que dá.
Nessa brincadeira de mau gosto, nós, brasileiros, continuamos a comer desde sempre, o pão que o diabo amassou.
Claro, a república brasileira é uma tragédia; e tudo começou em 1889 com o alagoano Deodoro da Fonseca, marechal.
De lá pra cá, a porca torceu o rabo, e como torceu!
Foi governo e veio governo e pouco ou nada de bom para o povo ocorreu.
Em 1930, Getúlio virou o pai do povo. Mas no seu tempo, as artes tinham vez. Incrível, não é?
Getúlio foi ditador.
Depois de Getúlio, pouco depois de Getúlio, o mineiro Juscelino Kubitschek disse uma vez que no seu dicionário não havia o verbete “covarde”.
Temer vaia do povo é covardia.
O fato meus amigos, o fato minhas amigas, é que a cultura brasileira está mais pra baixo do que cu de cobra. E como cobra, deslizando...
Hoje estiveram no Instituto Memória Brasil, IMB, as cantoras Celia e Celma – vozes puríssimas da música popular brasileira. Com elas e comigo esteve o Téo Azevedo, um dos mais completos artistas da cultura popular da nossa terra, compositor excepcional, fertilíssimo, ganhador recente do Grammy Latino e do título de Cidadão Paulistano.
A conversa entre esses artistas, que registrei, girou em torno da atenção que nossos governantes lhes dão. Ou seja, nada, zero, coisa nenhuma. Meu Deus!
Um país se faz com educação e cultura.
O último brasileiro a ocupar a pasta da Cultura, Marcelo Calero denunciou um ministro de Temer, Gedel, por tráfico de influência. E aí, com isso, Temer perdeu seu 6º ministro em seis meses de presidência.
Alguma coisa está errada, e ainda tem, batendo à porta, a Odebrecht: mais de 70 executivos da empresa acabam de assinar acordo de delação premiada. Falam-se em cerca de 200 nomes de políticos envolvidos em ma-ra-cu-ta-ias.
E agora? O Brasil é lindo, mas...  

O mundo está de luto
E chorando sem parar
A tristeza é muito grande
Espalhada pelo ar
Levando muita gente
A acender velas e rezar

MAIS UM POETA NO AR:  EU CONHECI O MARANHENSE FERREIRA GULAR. UM GRANDE POETA. DE HISTÓRIA COMPRIDA E BELA. FERREIRA GULAR VIROU ESTRELA, COMO OS ATLETAS CHAPECOENSES. VIVA FERREIRA GULAR!


O MUNDO É CHAPECÓ, SEM GUERRA

O mundo está de luto
E chorando sem parar
A tristeza é muito grande
Espalhada pelo ar
Levando muita gente
A acender velas e rezar
A Chape foi lá pro Céu
E nunca mais há de voltar
Foi brincar com as estrelas
E brilhar noutro lugar
E agora Chapecó
Como é que vai ficar?
A vida é um mistério
Que não dá pra explicar
É mistério muito antigo...
É pra lá de milenar
E agora Chapecó
Como é que vai ficar?
Quem sabe esse luto
Leve o homem a pensar
A deixar de fazer guerra
A deixar de se matar
Pois o que mais precisa
É de paz pra não se acabar

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SARAH É BRASIL


 Como o Brasil, não há País nenhum igual ou sequer parecido. Pra começo de história no Brasil tem brasileiros. E brasileiros como Carlos Gomes, o mais importante compositor e maestro das Américas. Em 1870, Gomes lançou para o Mundo a sua promeira e magistral ópera: O Guarani, com tema indigenista baseado na obra prima e homônima do cearence José de Alencar.
 O Brasil é grande demais, nos seus mais de 8,5 milhões de km quadrados. 
 Carlos Gomes é apenas uma nota musical no universo brasileiro.
 O Brasil além de Gomes, deu outros grandes compositores de formação e criação eruditas. Entre Eles o cearence Alberto Neponuceno, que o amigo Belquior não se cansava de pedir para que Eu escrevesse o livro sobre Ele, Alberto.
 O paulista Carlos Gomes compôs em diversos rítimos, É dele, por exemplo, a modinha Quem Sabe. Clic:

 O Brasil cresce o tempo, cresce a cada dia, é grande.
 É do Brasil  o cantor bahiano, o primeiro a gravar discos em terras brasileiras.
 Do Brasil são Pixinguinha, Donga, Almirante, Lamartine, Ari Barroso, Antenógenes Silva, Orlando Silva, Chico Alves, Dalva de Oliveira, Geraldo Vandré, Chico Buarque e outros deuses da nossa música mais completa e popular.
 E olhem que não estou nem falando de Rui Barbosa e de outros políticos, incluindo Carlos Lacerda e Getúlio Vargas, com suas grandesas e imperfeições. E olhem tambem que nem falei de Carlos Drummond Cecília Meireles, Assenço Ferreira e outros todos poetas e frevistas pernambucos.
 E o Brasil grande como é do passado planta o presente, para no futuro colher frutos em germinação como Sarah Brasil.
 Sarah Brasil nasceu na terra dos marechais, Alagoas.
 Ela descobriu muito cedo que o seu caminho não era o Exército, que o o seu caminho era a música. Música e poesia. A sua é voz é boa, é macia, falta só um quê que Ela nem sabe explicar pra se tornar grandona como a sua poesia., Poesia musical.
 A poética de Sarah Brasil nasce em rítmos: Forró, xaxado, samba, xote, baião... Ela compõe com a naturalidade de quem respira e bebe água., E brinacando, e sorrindo, e achando que a vida é música e poesia.
 Sarah é um retrato mais bonito do Brasil musical destes tempos turbulentos que nos levam a incertezas. Sarah é Brasil. Clic:

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SEM TRILHA DE CHICO, RODA VIVA VAI AO AR

Ideologicamente alinhado com o marxismo-leninismo, o deputado federal licenciado Roberto Freire estará logo mais à noite, no centro do Programa de entrevistas mais importante da televisão brasileira, Roda Viva, levado ao ar pela tevê Cultura de São Paulo. Freire é o novo titular do Ministério da Cultura, em substituição ao diplomata Marcelo Calero.
O que fará Freire agora como ministro?
Hoje em dia, e há muito tempo, só se fala em falcatruas praticadas por agentes políticos das esferas municipal, estadual e federal. Um horror! É corrupção prá todo lado!
A corrupção é uma praga tão antiga quanto o ato de copular. Isso em todos os recantos do planeta e em todos os tempos. E como toda praga essa praga não presta.
Mas tem muito cabeção travestido de autoridade que parece não acreditar nisso, caso do Geddel baiano, que caiu em desgraça ao ser denunciado por tráfico de influência. O caso, trazido à tona por Calero, continua agitando os meios políticos. Pego de calça curta, Temer está dançando miudinho. Ah! Agora sem Geddel, o presidente tampão diz estar à procura de um substituto totalmente ilibado. Tarefa difícil, não é mesmo?
Há muito tempo, o noticiário político está se misturando com o noticiário policial. Difícil saber em que editoria cabe uma ou outra notícia.
A revista Isto É, edição desta semana, informa que muitos assaltantes do erário público, beneficiados pela lei de "delação premiada", estão sendo ameaçados de morte. O Celso Daniel foi morto por bem menos.
Mas como eu ia dizendo, o novo ministro da Cultura estará logo mais no centro do Roda Viva. Tomara que ele fale legal sobre a nossa cultura popular.
Chega de tanta falcatrua, chega de tanta roubalheira!
O Roda Viva vai ao ar hoje sem a trilha sonora assinada por Chico Buarque. Foi o próprio Chico que pediu que sua música fosse retirada do programa. Sua decisão deve-se ao fato de ele ter visto uma entrevista de Michel Temer como presidente da República. Hummmm..... Esquisito, não é? O Chico como censor. A propósito, poucos homens de grande destaque na vida brasileira não foram ao Roda. Chico, é um deles.

O programa Roda Viva tem 30 anos de existência. Durante esse tempo, centenas de pessoas foram entrevistadas, mas além de Chico, e embora convidadas, se amoitaram Pelé e Roberto Carlos. O Vandré também não foi, mas não foi porque certamente não foi convidado. Isso me faz lembrar a vez em que entrevistei o bom baiano Dorival Caymmi. Perguntei-lhe a razão de não achar a sua voz em discos de outros artistas. Resposta:
- Ninguém me convida.
Em entrevista ao velho e bom Roda Viva a atriz Irene Ravache fala sobre política e traição:



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domingo, 27 de novembro de 2016

FIDEL MORREU, O AZAR NÃO É MEU



O sucessor de Obama, na Casa Branca, Donald Trump, pautou os jornais do mundo todo com a frase, ontem: “Fidel Castro morreu!”. Hummm...
A frase é claríssima, mas também emblemática. 
A cultura popular explica Trump. Quer ver? "Cala a Boca já morreu".
Enfim, todo mundo diz o que quer e o tempo confirma o certo e o errado.
Horas depois do anúncio da morte de Fidel Castro, feita por seu irmão Raul, o ex-presidente Lula divulgou na imprensa a sua impressão sobre o falecimento do líder da guerrilha que libertou Cuba das mãos de Fulgêncio Batista, em 1959. Disse ele: “perdi um irmão mais velho”. Hummm... Enquanto Lula dizia isso, Temer também expunha a sua impressão: “ele foi um líder de convicções”.
Líderes políticos e governos do mundo inteiro não deixaram de dar suas opiniões a respeito do companheiro de Fidel.
Em outubro de 1962, El Comandante por pouco não provocou a terceira Guerra Mundial. Isso só não ocorreu pela negociação positiva entre Khrushchov e John Kennedy. Refiro-me à crise dos mísseis. Hoje, o mundo poderia ser outro...
Certamente Fidel foi muito importante para o seu povo, mas deixou a desejar como exemplo para o mundo. À época, a União Soviética, a China e a Coreia do Sul eram as grandes nações comunistas. A Revolução promovida por Fidel e mais 80 companheiros, incluindo Guevara e Cienfuegos, levou Cuba aos braços da URRS, e dela ficou dependente.
Em 1989, a URRS caiu e, com ela, Cuba. Persistente, Fidel, que não era comunista de primeira hora, continuou seu jogo em defesa do seu país. É quando chega, de repente, o Chaves...
E no mais a história é conhecida: Fidel derrubou Batista, e como Batista virou ditador. Batista de direita, Fidel de esquerda.
E o mundo segue girando, girando, girando...
Mais uma coisinha: pessoalmente, duvido que se voltassem à Terra José, Maria e JC, a imprensa mundial cobrisse de forma tão completa como tão completa está cobrindo o falecimento de Fidel, que leva para onde for a conta de 10 a 17 mil cubanos que matou na cadeia ou en el paredón.
Viva a liberdade!

RODA VIVA
O programa Roda Viva, da Fundação Padre Anchieta, levado ao ar toda segunda feira, às 22h, pela TV Cultura, é o programa de entrevistas mais importante da TV brasileira. Surgiu em 1986. Contem nos dedos: um, dois, três... trinta! Participei dele diversas vezes, umas 10 ou 12. O Roda começou com trilha sonora do Chico Buarque, é claro. Aliás, o programa foi inspirado na música Roda Viva. Lindíssima, lançada em disco, em 1967. Para minha surpresa, o programa irá ao ar amanhã, 28, sem essa trilha. Poxa vida... Eu adoro esse cara, e o PT também. Tomamos uns uísques muito bons num tempo lá de trás. Viva Chico!

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