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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

...E O MUNDO NÃO SE ACABOU.

O cometa é colorido

Feminino e alado

E voa muito alto

Num céu todo estrelado

E lá de cima ele vê

Um mundo muito agitado



Esse mundo é o nosso

Violento e complicado

Doido, infeliz e chato

Torto, desengonçado

Flutuando no espaço

Sem rumo, desgovernado



Esse mundo é o nosso

Sujo, desajeitado

Como um boi na canga

Ferido, encurralado

Ou como um trem sem trilhos

Sem uso, abandonado



Esse mundo é o nosso

Um mundo mal assombrado

Um mundo sem futuro

E presente degringolado

Esperando só a hora

Do apito finado



O cometa é colorido

Feminino e alado

E voa muito alto

Num céu todo estrelado

E lá de cima ainda vê

Um mundo muito agitado.

(O Poema do Fim do Mundo, Assis Ângelo)

No dia 19 de maio de 1910, o cearense Antonio Gonçalves da Silva, que viria a se tornar famoso pelo apelido de Patativa do Assaré, tinha um ano, dois meses e catorze dias. Naquele ano, dia e mes, o cometa Halley iluminava o céu e fazia chover chuva de estrelas, assustando o mundo todo.
O mineiro Carlos Drummond era meninote e contou o que viu, anos depois. Cientistas, frios que nem uma porta, explicaram tim tim por tim tim o fenômeno ocorrido, mas nem assim conseguiram acalmar os assustados habitantes do planeta todo.
Muita gente faturou a passagem do Halley pela terra.
Todo mundo, ou quase todo mundo, acreditava que o mundo chegara ao fim.
Feiticeiros, bruxas, bruxos, adivinhos e picaretas em geral, de tempos em tempos anunciam o fim do mundo. E essas "previsões" não dão em nada, a não ser comentários de todo tipo.
O tema fim do mundo se acha na literatura de cordel, na música popular, nos jornais, revistas...
Pelos cálculos de um maluco russo não era para eu estar aqui, pois segundo ele o mundo, esse mesmo em que vivemos, chegaria ao fim ontem, 16 de fevereiro deste ano de intranquilidade de 2017.
Eu já falei bastante sobre esse assunto, em textos aqui blogados.






 

O fim do mundo já foi "previsto" em todas as partes do mundo. Eu acredito no fim do mundo. Acredito até que ele tenha se acabado ontem. Acabou-se para muita gente, não é mesmo? Até porque a polícia do Rio de Janeiro não para de matar, inocentes inclusive. Nas cadeias deste Brasil surpreendente, há todos os dias um preso a menos, morto, por facções ou não facções. Porém, um detalhe: quanto mais o mundo se acaba prá muita gente, muita gente continua nascendo para viver o fim do mundo depois.



O cientista russo a que me referi disse que andou fazendo um monte de cálculos em torno de um asteróide do tamanho do fim do mundo. Ele disse que se o tal asteróide caísse no mar, o mundo se acabaria afogado. E se caísse em terra, o mundo, esse mesmo em que vivemos explodiria em bilhões e bilhões de pedaços de todos os tamanhos, quer dizer, não sobraria sequer uma alminha para contar a história a ETs e a mais sei lá quem.
O tema está na Bíblia, mais precisamente na parte referente ao Apocalipse, e na música popular brasileira.
Na literatura de cordel, o tema fim do mundo vem sendo desenvolvido desde sempre.
Até o italiano Frei Damião de Bozzano anunciou o fim apocalíptico deste nosso planetinha eternamente judiado por todo mundo.
Os cientistas dizem que o cometa Halley existe há milhões e milhões de anos, mas o medo veio com ele em 1910.
O Halley tem uns 15 km só de corpo, sem falar do rabo que tem centenas, talvez milhares de kms. Nada fica escuro quando o Halley dá o ar da sua graça. Quer dizer, ficar, fica. Os cegos não voltam a ver, por exemplo. Mas antes de eu ficar cego, eu o vi passar por aqui no ano de 1986. E não vou vê-lo mais, é claro. E sabem por que é claro? Porque sua passagem pela terra ocorre a acada 75 anos. Pelas contas, então, até lá o mundo se acabará... prá mim.
A minha sábia avó Alcina, que nem o próprio nome sabia assinar, jurava em contrição, que o mundo, esse mesmo em que vivemos irá se acabar em fogo.
Para a minha avó, o mundo se acabou no tempo em que eu ainda era menino.


Na verdade a terra inda não se acabou sabe-se lá por que! Somos apenas uma bolinha de gude, girando, zanzando no espaço.

ELBA RAMALHO EM TOM MAIOR

A sertaneja Elba Ramalho é cria da sertaneja Elizabete Marinheiro, ambas de Campina, PB e redondezas.
Elizabete deixou rastros fundos na cultura brasileira desde a Paraíba.
A formação da sertaneja Elba é de atriz. O tempo a formou cantora, de timbre diferente, agralhado, bonito.
A conterrânea Elba Ramalho faz bem ao meu País, como cantora e cidadã. 
Elba é prima do Zé; Zé Ramalho.
Eu gosto do Zé e gosto da Elba.
Ouço no rádio que Elba é tema da Escola de Samba Tom Maior, de São Paulo.
Eu amo São Paulo, moro em São Paulo.
Elba Ramalho tornou-se um símbolo da música brasileira...
Elba é grande de todos os tamanhos, como cantora e atriz.
Não dá prá ouvir Elba sem ver a atriz.
Uma danada!
A Tom Maior foi de uma felicidade sem comparação ao escolher a minha galega conterrânea e sobre ela desenvolver o tema enredo Elba Ramalho Canta em Oração o Folclore do Nordeste - Toque Sanfoneiro Forró, Frevo e Xaxado.
Eu já estou rezando por ela, nesses tempos bicudos e profanos...
O carnaval é legal. Tão legal que - vejam vocês - teve uma hora que não resisti e aceitei o convite da X-9 para desfilar na Avenida em riba de um dos tais carros alegóricos. Claro, tomei umas pequenininhas prá em mim aflorar a coragem de cumprir o convite feito. Arrepiei-me na avenida quando ouvi meu querido Chico Pinheiro apontando e gritando: É o Assis, é o Assis!
Desvairado no momento como estava, debitei meus pecados à meu querido Paulo Vanzolini.
Foi ele quem pos lenha na fogueira, dizendo que eu nada poderia temer. E fui.
Elba, vá!
Ah! Mais uma coisinha; não duas.
Em 1998, acho, Elba teve a ideia de lançar um Concurso de Literatura de Cordel, o primeiro e único via Internet, e me convidou para integrar o corpo de jurados junto com Gil, Tom Zé, José Nêumanne, Bráulio Tavares.
O segundo ponto mais bonito dessa história é que Elba continua acreditando na vida de todas as formas, inclusive cantando e crendo em seres de todos os cantos.
Viva Elba! Porém ela não merecia estar citada num samba de tão má qualidade como esse em tom menor:


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

MULHERES DE ONTEM E DE HOJE NA LITERATURA DE CORDEL

A Primavera Árabe foi um momento marcante em todos os quadrantes, a começar pelo Ocidente.
Os árabes vivem e convivem consigo desde o tempo de Cristo, ou seja: desde o começo dos séculos.
Cristo nasceu naqueles lados.
Acabei de ouvir o satânico Trump dizer que os palestinos se cuidem. Simples, assim. O mandatário de Israel arreganhou os dentes em felicidade.
Nada de dois Estados.
Nós humanos, somos de nascença maus.
A Primavera Árabe me leva aos tempos d'antanho.
Leva-me à Arábia dos tapetes voadores, das mil e uma noites, aos contos de histórias encantadas, de príncipes, heróis e princesas abandonadas, injustiçadas, perdidas...
Essas histórias de castelos e príncipes e princesas me encantaram nos tempos em que eu era menino, pequenino, sem saber de outras coisas que não fossem fantasias...
A realidade...
As mulheres são fantásticas, em todos os sentidos, no real e na fantasia. E por assim serem, elas alimentam a natureza por serem a Natureza.
As mulheres geram, criam e, mais das vezes o masculino mata.
A mulher está em todo canto: na água, no fogo, no ar e, claro, no meu coração...
Eu cresci lendo histórias em folhetos de cordel e ouvindo cantadores repentistas dando o tom da vida no dedilhar da viola.
No mundo encantado em que eu nasci, a imperatriz Porcina e a donzela Teodora eram, prá mim, as mulheres mais incríveis que o mundo poderia dar. E por elas continuo apaixonado, até hoje.
 Voltarei ao assunto.
Você meu amigo, minha amiga, sabia que a literatura de Cordel chegou ao Brasil no século16?



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

MULHER CRIA, HOMEM MATA

É da natureza: a mulher cria e o homem mata. E talvez por isso, para vingar-se da sabedoria, que lhe é própria, o feminino mata o masculino, no caso a escorpiã. E para vingar-se, também, o masculino desenvolve, na natureza, o papel ridículo de engravidar. Caso do cavalo marinho.
Deus é masculino e também feminino.
Ao longo da história são incontáveis os homens que se fizeram heróis pelas lutas que travaram. Ao longo da história há também, inúmeros exemplos de mulheres que se tornaram heroínas pela coragem demonstrada nos campos de batalha.
Cabeleira e Antonio Silvino foram os mais famosos bandoleiros do Nordeste antes do pernambucano cangaceiroVirgulino Ferreira da Silva, Lampião.
Ali por 1927, o Diabo Loiro sequestrou e estuprou uma parente próxima de apenas 13 anos: Dadá, que entraria no Bando de Lampião logo depois de Maria Bonita.
Maria Bonita abandonou marido para seguir o destino do Rei do Cangaço. à época, ela tinha 18 anos de idade e morreu 20 anos depois, durante a emboscada da Polícia Alagoana, em Angico, SE.
Freud explica.
A emboscada que resultou na morte de Bonita, ocorreu no fim da madrugada do dia 28 de julho de 1938.
Essa história ouvi de uma cangaceira sobrevivente: Sila, mulher do cangaceiro Sereno. Ela contou-me isso em entrevista , ao vivo, que fiz no correr do Programa São Paulo Capital  Nordeste, que apresentei na rádio Capital AM 1040.
Hoje, tanto tempo depois, lembro de outras histórias do cangaço e de personagens como a própria Sila, nordestina de Sergipe. Dadá nasceu em 1915 e morreu na Bahia, sua terra, onde também morreu o seu companheiro, Diabo Loiro,conhecido por Corisco.


 
Sila, de batismo, Ilda Ribeiro morreu num hospital de São Paulo no dia 15 de fevereiro de 2005.
Viva as mulheres!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

EXEMPLOS DA CORAGEM FEMININA

O movimento de aquartelamento levado avante pelas mulheres dos soldados da polícia Militar do Estado do Espírito Santo fez-me lembrar a Revolta de Princesa, PB, que antecipou a Revolução de 30, eclodida com o assassinato do presidente João Pessoa, pelo advogado João Dantas.
Durante a Revolta de Princesa, as mulheres também foram à luta. Mas essa é uma longa e ainda confusa história.
Ao lembrar da Revolta de Princesa, que findou com muitos mortos e feridos, e a prisão do seu líder, o coronel José Pereira Lima, lembrei-me também de movimentos e ações de grandes mulheres ao longo da história. 
A proclamação da Independência do Brasil, em 1822, deixou exasperado o Rei de Portugal. O movimento contra a Independência, não logrou êxito pela coragem dos brasileiros.  Nessa ocasião, uma mulher de nome Maria Quitéria, filha de portugueses, cortou o cabelo, vestiu uma farda e partiu impoluta para combates em campo.
Três séculos antes outra jovem fez o mesmo, na França, Joana d'Arc. Joana cortou o cabelo e foi à luta, à frente de um batalhão do Exército. Ferida, ela foi capturada por traidores da pátria e entregue aos ingleses, que a queimaram numa fogueira. Na ocasião, tinha apenas dezenove anos de idade. Hoje é santa.
São muitos casos de heroínas mundo afora. 
A Revolução de 30 mostrou à Paraíba uma mulher raçuda, independente, que não estava nem aí com o machismo da época. Seu nome: Anaíde Beiriz, amante de João Dantas. Sua história inspirou o escritor José Joffily a contar essa história, levada ao cinema pela diretora Tizuka Yamazaki sob o título Parahyba Mulher Macho, de 1984. Na telinha, Anaíde foi interpretada por Tânia Alves. Acima, uma música da trilha do filme na voz de Tânia.
Em 1959, ainda na Paraíba, outra mulher raçuda passou para a história, depois de fazer parte da criação das Ligas Camponesas. Seu nome: Elizabeth Teixeira, nascida no município de Sapé, no dia 13 de fevereiro de 1925. Hoje, portanto, é aniversário da paraibana Elizabeth. Na época do filme, entrevistei Tizuka e Elizabeth
Mas isso tudo nada tem a ver com o movimento de aquartelamento ainda em andamento no Estado do Espírito Santo, não é mesmo?
Lá a história é outra.
A história de Elizabeth é uma história de luta.
Você, meu amigo, minha amiga, já assistiu o filme Cabra Marcado prá Morrer? E o documentário sobre a vida de Elizabeth Teixeira? Clique:





domingo, 12 de fevereiro de 2017

CUÍCA, TINHORÃO E CHORO, NO CARNAVAL

Elisa, LIa, Assis e Corina, com Tinhorão sendo festejado ao fundo Foto: Célia
O prefeito Faria Lima foi quem oficializou o carnaval de São Paulo, em 1967.A decisão do prefeito, que era carioca de Vila Isabel, deveu-se à provocação de foliões importantes e diletantes da folia, como o radialista Moraes Sarmento.
A primeira escola de samba fundada em São Paulo foi a Lavapés, do Glicério.
O primeiro LP reunindo sambas de enredo de São Paulo foi lançado pelo extinto selo Chantecler em 1967, com apresentação de contracapa assinada por Sarmento. Detalhe: os intérpretes foram o paulistano Geraldo Filme e a carioca filha de nordestinos Carmélia Alves, eternizada como a Rainha do Baião.
Pois bem, o Carnaval chegou. Os blocos estão nas ruas. São 381, o total, oficial, de blocos autorizados pela Prefeitura a desfilar nas ruas de Sampa.
Ontem, 11, no bairro paulistano de Vila Buarque, Blocos e grupos de samba se apresentaram em homenagem ao historiador paulista, de Santos, José Ramos Tinhorão.


Tinhorão nasceu no mês do Carnaval, em 1928.
Também no mês do carnaval nasceu o paulistano Oswaldo Barro, que o Brasil todo e parte do mundo conhece como Oswaldinho da Cuíca.
Oswaldinho completa hoje 12, 77 anos de idade; Tinhorão 89 no último dia 7. Detalhe: em 1974, Oswaldinho foi escolhido entre seus pares como o primeiro cidadão samba de São Paulo, numa iniciativa da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, hoje SPTURIS, criada quatro anos antes.
 Tim, tim para os dois!
A festa em homenagem a Tinhorão foi legal, com muitos jornalistas e artistas presentes. Reencontrei-me, por exemplo, com o grupo Choro das 3, formado por Corina (flauta), Lia (violão de 7 cordas) e Elisa (bandolim, clarinete, banjo e piano). 
Essas três meninas, a mais velha Corina, 29 anos, completos anteontem, a mim foram apresentadas pelo compositor, cantor, violeiro e mais um monte de coisas, Téo Azevedo. Elas me fazem lembrar as meninas do Clã Brasil, à frente a compositora, cantora e sanfoneira Lucy Alves, que fez bonito como atriz na novela Velho Chico.

Os pais de Lucy integram o Clã Brasil, como os pais de  Corina, Lia e Elisa integram o grupo Choro das 3.
O Choro das 3 já tem no currículo sete cedês.
Voltarei ao assunto.
Ah! Oswaldinho é uma espécie de pai da Cuíca, como Waldyr Azevedo foi o pai do cavaquinho e Luiz Gonzaga da sanfona.
O aniversariante do dia, mestre Oswaldinho, é autor de cerca de 30 sambas de enredo, cantados pelo povo na avenida. Aliás, a avenida São João foi o primeiro palco dos desfiles de escolas de samba da cidade dos paulistanos, em 1968.
As meninas choronas também são boas no forró, clique:



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