No próximo dia 05 de outubro completam-se 120 anos do massacre a Canudos, no sertão da Bahia.
O massacre foi praticado por um exército de 12.000 soldados, arregimentados em 12 Estados brasileiros. Antes, no dia 22 de setembro, morrera Antonio Conselheiro.
Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro nasceu no dia 13 de março de 1830. Tinha 3 anos de idade quando perdeu a mãe e 25 quando perdeu o pai. Casou com 27 anos com Brasilina Laurentina de Lima, uma bela jovem , filha de um tio seu, e tudo ia muito bem até que Antonio, que entraria para a história como Conselheiro, flagrou a sua bela mulher na cama com um soldado raso da região em que morava Quixeramobim. Depois disso ele caiu na vida e dedicou-se por completo à religião.
Antonio, também chamado de Antonio dos Mares, peregrinou por muito tempo pela terra onde nasceu, o Ceará e também pela Bahia. Milhares de pessoas o seguiram, todas pessoas simples, do povo, miseráveis, sem lar e sequer comida para comer. Foi quando surgiu à frente de todos o Canaã baiano, e lá, o fim.
Essa história é toda contada no belíssimo livro Os Sertões, do carioca de Cantagalo Euclides da Cunha.
Euclides nasceu no dia 20 de janeiro de 1866. Em 1902, publicou o seu famoso livro.
O que há em comum entre Antonio Vicente Mendes Maciel e Euclides da Cunha?
Euclides casou-se com uma bela jovem de nome Ana, que às escondidas trocava seu leito para esquentar-se no leito de um jovem militar chamado Dilermando de Assis. E uma noite, daquelas noites, Euclides flagrou Ana com Dilermando.
E um duelo, à bala, seguiu-se. Um tiro mortal atingiu um dos pulmões do escritor.
O duelo entre Euclides e Dilermando ocorreu numa manhã de 1909.
As duas histórias são incríveis.
Pela ordem, as primeiras cidades fundadas no Brasil foram estas: São Vicente, SP (1532), Olinda, PE (1537), Santos, SP (1543), Salvador, BA (1549), São Paulo, SP (1554), Rio de Janeiro, RJ (1565), Paraíba,PB, (1585)...
Em 1534, a Coroa portuguesa criou o sistema de capitanias no Brasil. O fidalgo Duarte Coelho ganhou do rei Dom João III a capitania de Pernambuco. Para assumir as terras, ele desembarcou no País em 1535. No dia 12 de março de 1537, Olinda estava criada. Hoje, portanto, é aniversário da cidade pernambucana conhecida internacionalmente por muitas razões, entre as quais como "a terra dos bonecos gigantes".
Mas, segundo a história, a coisa não correu de forma assim tal simples, não. Houve guerras e mortes, incluindo o fuzilamento de Frei Caneca.
Em 1630, os holandeses invadiram as terras pernambucanas e tacaram fogo em toda Olinda. Destruição total. Poucos anos depois, porém, os portugueses e índios locais puseram pra correr os holandeses e seu chefe, Nassau.
Dom Helder Câmara foi o arcebispo de Olinda e Recife por muito tempo.
Olinda é cantada e decantada desde sempre.
CORDEL DE LUTO
Foi sepultado hoje, em Terezinha, PI, o corpo do cordelista Pedro Costa. Pedro era do interior do Piauí e ganhou notoriedade em 2003, quando arrebatou o primeiro lugar no 2º Concurso Paulista de Literatura de Cordel, promovido por mim e apoiado pela CPTM e Metrô. Pedro ocupava uma das cadeiras da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ABLC. Sem dúvida ele foi um grande representante da cultura popular brasileira.
A poesia é o alimento da alma. Eu ouvi isso em algum lugar. E concordo.
A poesia, a literatura, as artes, o saber faz bem e engrandece.
A nossa alma vibra com o saber, e o nosso ser cresce.
Seriam a Poesia e o Saber gêneros feminino e masculino?
O mundo, os planetas, o que são?
E a lua e as estrela, masculino e feminino?
A poesia é janela do saber.
Conheci de perto o filósofo Miguel Reale, com quem aprendi algumas coisinhas de vida e sabedoria.
Conheci o tributarista Yves Gandra da Silva Martins, de quem me considero amigo.
Conheci o folclorista Luís da Câmara Cascudo, um mestre.
Os mestres se expressam de muitas formas, inclusive pela poesia e, principalmente, pela poesia desenvolvida no modo decassílabo, em soneto, dificílimo.
O cordelista Patativa do Assaré, que nasceu em Março de 1909, era um ás no modo soneto.
O soneto é uma forma poética constituída por dois quartetos e dois tercetos nascida na Itália do século 13, embora haja quem diga que foi na Grécia antiga.
No Brasil do século 19, o soneto virou uma prática muito comum entre literatos amadores e profissionais, como Machado de Assis e Euclides da Cunha e tantos e tantos.
Com a chegada do século 20, o soneto continuou em prática, sendo feito por nomes que iam de Augusto dos Anjos a Olavo Bilac.
Via Láctea - Soneto XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Olavo Bilac
O século 20 findou e com ele findaram os sonetistas. Findaram, aspas.
Marco Haurélio é desses eruditos que encontraram na cultura popular a fonte do saber.
Baiano das bandas da Serra do Ramalho, Marco Haurélio tem se destacado no meio literário brasileiro como um dos maiores cultores da Flor do Lácio. A poesia é o gênero em que ele melhor se desenvolve. E a poesia nas formas diversas, como sextilhas, septilhas e decassílabos. Tem dezenas de folhetos de cordel e livros publicados, poe editoras diversas, entre as quais a Cortez Editora.
Pela Nova Alexandria, Marco Haurélio publicou, entre outros, a adaptação que fez para a obra-prima A Megera Domada, de Shakespeare, capa acima. E para quem não sabe, ele foi consultor da novela Velho Chico.
Marco Haurélio, sem exagero, é um gênio da poesia brasileira.
Não conheço poeta que faça hoje sonetos tão sentidos e perfeitos como Marco Haurélio. Uma amostra, inédita:
Quando o sol expandir os seus domínios
Sobre os astros que estão à sua volta,
Cada dor, cada grito de revolta,
Cessará ante os muitos vaticínios.
Ninguém mais falará em morticínios,
No rei nu, seus ministros, sua escolta,
No pudor posto a ferros que se solta,
Nos clamores de impérios e assassínios...
Na vergonha que assola o parlamento,
Na montanha roída pelo vento,
Casa, pátria, família, liberdade,
A virtude estuprada pelo vício —
Só o vácuo, e mais nada por resquício,
No silêncio que abraça a eternidade.
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Marco Haurélio
Eu era colunista do extinto Jornal da Tarde, de São Paulo, quando mandei, um dia, um texto para a coluna. O título era; "Nóbrega, um gênio". O editor achou-me louco e perguntou se o título era esse mesmo, eu disse sim e assim o texto foi publicado com o título referido.
Cliquem aí embaixo o Nóbrega declamando Haurélio:
A revolução de 30 mudou os rumos do Brasil. Começou na Paraíba, minha terra, e terminou com um golpe militar que levou ao poder o gaúcho Getúlio Vargas. O desfecho foi o assassinato de João Pessoa Cavalcante, numa confeitaria da capital pernambucana. Isso, no dia 26 de julho daquele ano. Certo?
O Estopim de 30, porém, ocorreu no município de Princesa, a pouco mais de 300 km da capital paraibana.
A história: Pessoa foi eleito pelos coronéis sertanejos, à frente José Pereira Lira. O problema começou e agigantou-se com o rompimento de Pessoa com os coronéis.
O destino do então presidente da Paraíba foi selado quando a polícia invadiu o escritório do advogado João Dantas. Da invasão resultou a apreensão de cartas e fotos comprometedoras da poeta Anayde Beriz para o amante João Dantas (assitir Parahyba, Mulher Macho, de Tizuka Yamazaki). Irritado, Dantas desfechou tiros em João Pessoa.
Uma vez, conversando com o rei do baião Luiz Gonzaga (acima), fiquei sabendo da origem da música Paraíba. Essa música, composta por Gonzaga e Humberto Teixeira, era um gingo político que virou um clássico da nossa música popular. Detalhe: esse gingo foi feito por encomenda de Pereira Lira. Interessante, não né?
O gingo Paraíba, que virou clássico da nossa música foi lançado em disco de 78 rpm num dia de festa em Campina Grande, PB.
AS ÁGUAS DO VELHO CHICO
Os 30 mil habitantes da cidade paraibana de Monteiro, á 320 Km de João Pessoa, estão em festa e o motivo é simples: as águas do rio São Francisco estão jorrando nas torneiras. A cidade vive uma das maiores secas da história: 5 anos. Monteiro é a maior cidade da Paraíba, com quase 1.000 Km² de extensão. Ela foi fundada no dia 28 de junho de 1872 e seu nome vem do fazendeiro Manuel Monteiro do Nascimento. Monteiro já promete a maior festa de São João da sua história. Com água faz-tudo!
São Paulo é uma cidade que acolhe gente do mundo todo. Diz-se que São Paulo "a Capital dos nordestinos". E é mesmo. Uma vez perguntei a José Maranhão, no tempo em que era governador do Estado da Paraíba - hoje ele é Senador- se sabia de bate pronto o número de paraibanos residentes fora do estado. Rindo e muito à vontade, respondeu: "Só em São Paulo a 300mil paraibanos morando". Fiquei com cara de tacho, surpreso. Mas político é assim mesmo, pelo menos os de uma geração lá dele trás. Caso dele. E ainda depois de revelar o numero de paraibanos residentes em São Paulo, Maranhão ainda justificou: "Esses números estão no tribunal regional eleitoral". Há um tempo,e durante quase sete anos, apresentei um programa de rádio chamado São Paulo Capital Nordeste (AM 1.040). Um sucesso danado! O município de São Paulo, segundo a ONU, é o 5º maior do mundo em termos territoriais e populacionais. São cerca de 12 milhões de almas em movimento, tentando de todas as formas equilibrar-se na vida.São almas de todos os tipos e em todas as profissões. São Paulo, acolhe nordestinos de todos os cantos e recantos. Grandes artistas já deixaram sua marca nessa terra de bandeirantes. Há quase 30 anos, o paraibano Sebastião Marinho criou a União dos Cordelistas Repentistas e Apologistas, UCRA. Essa entidade , hoje presidida pelo poeta cearense Moreira de Acopiara, é uma das mais representativas do Brasil em São Paulo. Ontem 10 Marinho reuniu amigos para comemorar seus primeiros 69 anos de idade.
Sebastião Marinho é um dos mais sensíveis e instruídos repentistas brasileiros. Nasceu em Solânea, PB, no dia 10 de março de 1948. Desde sempre, o seu brinquedo principal foi a viola. Começou a tocar e a cantar de improviso quando tinha 20 anos de idade. Primeiro na sua cidade e depois em Campina Grande e João Pessoa até chegar de mala e cuia a São Paulo, a "Capital dos bandeirantes e dos nordestinos", como eu gostava de dizer no programa São Paulo Capital Nordeste (Rádio Capital, AM 1.040), que apresentei durante seis anos.
A sonoridade que Marinho tira da viola dá gosto, dá alegria total aos bons ouvidos e a sua poética improvisada é encantadora, por se diferençar de boa parte dos seus pares. Ele já cantou com os mais importantes repentistas do País, incluindo Mocinha de Passira, Oliveira de Panelas, Valdir Teles, João Quindingues. Seu parceiro mais frequente é o conterrâneo Andorinha. Acima, uma pequeníssima amostra do talento do paraibano de Solânea.
O repentista Sebastião Marinho, fundador da União dos Cordelistas, Repentistas e Apologistas do Nordeste, UCRAN, vive em São Paulo desde os primeiros dias de Abril de 1976, e hoje na UCRAN ele recebe amigos e profissionais da viola para uma belíssima noite de cantoria. O endereço? Rua Teixeira Leite, 263, Liberdade.
SARAH BRASIL
A pobreza cultural apresentada nas emissoras de rádio e televisão é de dar dó. Raros são os momentos de qualidade que a tevê tem oferecido ao público. Exemplo disso foi o que fez a Band. Clique:
Nasci homem e gosto de mulher. De todas as mulheres. De todos os credos e raças. Nasci de uma delas, Maria. Embora carpinteiro, o meu pai se chamava Severino. Sou de lá, do Nordeste. Brasileiro, brasileiríssimo.
Aprendi desde cedo que homem e mulher são iguais, antes de tudo, pela Lei de Deus. Quem é Deus?
Aristóteles foi filósofo pioneiro no que se refere a todas as questões. Ele não citava o nome de Deus para concluir as suas descobertas no campo da vida, no campo de tudo; das leis e desejos humanos, inclusive.
Desde sempre, e antes de Cristo, a humanidade não se entende. Daí as guerras, religiosas ou não. Lembremos das Cruzadas e do tempo da Inquisição.
No tempo antigo, muito antigo, depois de descer das árvores o homem comprazia-se no seu dia a dia a judiar com as mulheres, a bater nas mulheres, a puxar pelos cabelos das mulheres pelos caminhos por onde andavam. É história, é pré-história. Eu li muito, estudei bastante e não encontrei uma mulher como chefe de Estado declarando guerra a qualquer nação.
Na história, a mulher se defende e age para se defender contra predadores.
Na mitologia grega, as mulheres ocupam um espaço fantástico. De amor e carinho.
A mulher é natureza.
Eu conheci mulheres incríveis, mulheres briguentas que defenderam o direito de ocupar espaço na vida.
Eu andei falando neste blog sobre a potiguar Nísia Floresta, você leu? Nesse Blog também andei falando sobre Maria dos Reis, você leu? A primeira nasceu no Rio Grande do Norte e a segunda no Maranhão. Maria foi uma revolucionária, como Nísia. Aliás, ambas foram professoras em territórios diferentes de origem. Nísia deixou uns quinze livros publicados, três dos quais na França e um na Itália. Maria, que morreu com 92 anos de idade, deixou menos livros publicados, mas uma história incrível. Ela foi a primeira mulher no Brasil a abrir uma escola com alunos dos dois sexos na mesma sala e gratuitamente. Isso lhe valeu muitos problemas, de perseguição, inclusive.
Os mais recentes dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, revelam que somos, mais de 200.000.000 de brasileiros, dos quais mais de 50% são do sexo feminino. Bonito, não é?
O mesmo IBGE afirma com dados nas suas pesquisas que há mais mulheres no Brasil do que homens e que as mulheres são educacionalmente melhor educadas do que nós, homens. Porém ganham menos, em relação ao homem. A discriminação começa aí, e depois vem um monte de outras discriminações contra a mulher, de cujo ventre nascemos.
A mulher - perdoem-me o chavão - para sobreviver precisa matar um leão por dia. Em todas as áreas, em todas as matas, em todos os cantos e recantos da vida cotidiana.
Na política, no Brasil, a mulher ocupa apenas 13% dos cargos eletivos.
O Rio Grande do Norte é um Estado Nordestino que sempre esteve à frente do tempo, da vida.
Em 1926, um Decreto estadual fez com que as mulheres tivessem direito a votarem e ser votadas.
Em 1928, Luíza Soriano elegeu-se prefeita da cidade potiguar de Lages.
No ano seguinte, com 32 anos de idade ela assumiu o cargo. E fez bonito.
Somente em 1932, a mulher teria direito a voto - e ser votada - em todo o território nacional, por decisão do Congresso Nacional.
A história é incrível. Na história do mundo as mulheres, com muita luta, estiveram presentes.
Em 1969, Golda Meir foi escolhida por voto popular a primeira Primeira Ministra de Israel. E única, até hoje. Ficou no cargo por cinco anos. Antes, em 66, Indira Gandhi assumiu o poder na Índia e nele permaneceu até ser assassinada em 1984.
De 1979 até 1990, Margaret Thatcher mandou e desmandou na Inglaterra.
Na Alemanha, permanece no poder Angela Merkel.
As mulheres são incríveis e delas nascemos todos nós. O dia de hoje é mais um dia no dia a dia de todos nós, homens e mulheres.
Como na lei de Deus, a lei dos homens também garante igualdade entre todos nós humanos:
Art. 5ºTodos
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade, nos termos seguintes:
I- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição ;
CRIS TIM TIM
É claro que o dia Internacional da Mulher tem que ser brindado, tem que ser festejado. Somos iguais, o que diferencia o homem da mulher, a rigor é apenas a anatomia. Quero aproveitar o dia de hoje, em nome da minha amiga Cris, para parabenizar todas as aniversariantes do Brasil e do mundo todo. Prá mim todas as mulheres nasceram neste dia. E nascerão neste dia.
Art. 5ºTodos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição ;