Bom, muita gente sofreu com o passamento de Gilberto para o
outro nível de vida.
O corpo do joão foi sepultado hoje, depois de velado por
amigos , amigas, e o público em geral.
O João nasceu no Juazeiro da Bahia, como se diz. Da Bahia
para diferenciar o Juazeiro do Norte, que fica ali no Ceará. O João pegou as primeiras notas de violão em Aracaju, SE.
Pegou, assim no ar. Depois ele foi para o Rio de Janeiro, onde conheceu
Geraldo Vandré. Vandré, com 16, 17 anos de idade, era levado por João para
cantar nos ambientes noturnos da alegre cidade maravilhosa.
Claro,
é muita história.
Essa
e outras histórias se acham no livro "Pra Dançar e Xaxar na Paraíba - Andanças de Rosil Cavalcanti", livro , do
paraibano de Campina Grande, Rômulo Nóbrega.
É no livro de Rômulo Nóbrega que encontra-se que o Urcino Fontes de Araújo Góes, o Carnera, um Sergipano nascido em Boquim, SE, foi professor de violão de João Mello e João Gilberto, o expoente da Bossa Nova.
Carnera em nenhum momento afirmou ter ensinado violão a João Gilberto.
Porém, em um show em Aracaju, João Gilberto, já famoso, chegou a atrasar a apresentação, justificando ao público, que só iniciaria quando Carnera estivesse presente, visto que ele o ensinou a tocar violão.
Há, desta forma, evidências de entrelaçamento da Bossa Nova , através de João Gilberto, com o estado de Sergipe, quando os anos de 1942, 1943 e 1944 foram determinantes na carreira do cantor.
João Gilberto Pereira de Oliveira, dizem, acaba de morrer. Não acredito. O João sempre foi um cara polêmico. Tinha voz pequena, mas polêmico.
Eu mesmo disse coisas que ele não gostou. Por exemplo: que ele era melhor "carateiro" do que cantor. "Carateiro" é o cara que faz careta. Tipo assim; uuuuuuuuhhhhhhhhhh...
João era uma boa alma. Claro que eu fiquei chateado quando ele fez aquela canção: Bim, bom. link:https://www.youtube.com/watch?v=rFdWNktUWq0Um homem quando ama uma mulher, ele fica nas mãos dela. João amou muitas mulheres, mas se perdeu nas mãos de uma delas.O João era o João. João menino que enfeitou a vida de muitos "Joões" , "Joanas", "Josés", "Marias"... com a sua voz pequena e o coração desafinado.Sim, sei que fui grosso com ele em alguns momentos. Viva João!
Ah! o João foi virar estrela neste dia 06/ de julho. Neste dia foram também para a eternidade o poeta italiano Ariosto ( 1533) e o poeta baiano Castro Alves (1871).
Como se vê, o dia 06 de julho é o dia universal do poetas.Ariosto foi o cara que criou na linguagem poética o que chamamos de medida nova. Essa medida é Decassílaba, destribuída em estrofes de oito versos. A rima é:o primeiro verso rima com o terceiro o quinto; o 2° com 4° e o 6°; e o 7° com o 8°. Essa é a Medida Nova. Castro Alves foi um dos primeiros , talvez o primeiro, a fazer poesia na modalidade Sextilha. Assim: o 2° verso rima com 4° e o 6°; o 1°, 3° e 5° , são livres. Detalhe: a sextilha tem a ver com a Redodilha Maior: de 7° a 11° sílabas. O João deve está, agora, mostrando aos desafinados, como cantar.
E um amigo meu, Carlos Sílvio, também baiano, diz pra mim que baiano não morre. É uma opinião. Quem sabe um tema...
São Tomé foi aquele apóstolo pescador "rinhento". Ele era preto no branco. E preto. Quando Cristo ressuscitou, ele não acreditou. "Só acredito vendo", disse ele. Pois é: eu só acredito na democracia brasileira quando nós, brasileiros, nos entendermos. E para um entender o outro, basta um entender outro. Viva o Brasil! CULTURA MINEIRA Luciano Pacco é um artista mineiro, como seu amigo Téo Azevedo. Há propósito, os dois estiveram agora há pouco na sede provisória do Instituto Memória Brasil, IMB, (registro acima). Muita conversa bonita rolou. Brasil em pauta. Ontem 03, quatro amigos e amigas estiveram comigo aqui no Instituto falando de Brasilidade. Ele é Fruta de Leite, uma cidade localizada no de MInas Gerais. Luciano é cantor , compositor, violonista. Do Vilão, aliás, é professor. Meu amigo, minha amiga: você quer aprender violão de raiz, autêntico, coisas assim mineira. Então você tem bom gosto. Luciano Pacco é o cara que vai ensinar brasilidade através do violão, Esse cara é bom e eu aposto nele. Você quer o telefone dele? WhatsApp: 038 998346040 E PAIAIÁ? O Paiaiá na Conectados é um programa de rádio que leva cultura brasileira para o mundo todo através da Rádio web Conectados (www.radioconectados.com.br), e vai ao ar todos os sábados, dás 12h00 às 13h00. Eu também estou lá com a coluna "Um Minuto de Prosa", falando de brasilidade.
Neste mês de julho há datas de nascimento e morte de grandes brasileiros, como o baiano Antonio Frederico de Castro Alves (1847-1871), o cearense Antonio Gonçalves da Silva (1909-2002) e o potiguar Luís da Câmara Cascudo (1898-1986). Castro Alves que em vida publicou apenas um livro (Espumas Flutuantes), notabilizou-se por poemas como Navio Negreiro. Foi abolicionista de primeira hora em Recife, onde levou a público os seus dois primeiros poemas: A Destruição de Jerusalém e A Primavera. Neste último, ele torna pública a sua paixão pela temática escravidão. Foi um grande poeta improvisador. Adorava fazer versos de improviso em apresentações no teatro Santa Isabel. Patativa do Assaré começou também a fazer poesia de improviso ao som de uma viola. O apelido, que remete a um passarinho comum no Nordeste, ele o ganhou em 1929. Essa história o estudiosos da cultura popular Luís da Câmara Cascudo conta no livro Vaqueiros e Cantadores (1939). Câmara Cascudo foi o mais profícuo estudioso da cultura popular brasileira. Deixou quase duas centenas de títulos publicados. Falava várias línguas, incluindo grego e latim. Castro Alves morreu no dia 6 de julho de 1871. Patativa do Assaré morreu no dia 8 de julho de 2002. Luís da Câmara Cascudo morreu no dia 30 de julho de 1986. Muitos poemas de Castro Alves continuam sendo gravados em disco (foto acima). Leiam entrevista que fiz com Câmara Cascudo. Coisa bonita: http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular05.pdf E ouça também um trecho de conversa que tive com ele: https://www.youtube.com/watch?v=5AoY8wZHIE4 No acervo do Instituto Memória Brasil se acham todos os livros e folhetos de cordel de Patativa do Assaré, incluindo os discos que gravou produzidos por Fagner.
O cantor e compositor Germano Mathias, paulistano do Pari,
nasceu em junho de 1934 e acaba de fazer, pois, 85 anos de som, graça e vida.
É meio invocado, especialmente para quem não conhece. Assim
meio Adoniran Barbosa...
Germano, figura ímpar do samba paulistano, atirou-se na
carreia artística nos começos dos anos de 1950. Eu era menino quando ele já era
bamba. Foi reconhecido, mas hoje em dia é um totem esquecido. Infelizmente. É
assim que somos, não é mesmo?
Esse é o mais representativo artista do samba sincopado.
No começo dos anos de 1960, ele recebeu um “diploma” de Diplomata
do Samba. Logo depois, o diplomada virou “Catedrático”.
Germano Mathias é o professor do samba de São Paulo, junto
com Osvaldinho da Cuíca, Henricão, Geraldo Filme e o já mencionado Adoniran.
Germano merece todos os aplausos do Brasil, antes que morra.
Ah! Não custa lembrar que Germano estrelou bons filmes
nacionais.
No acervo do Instituto Memória Brasil se acham os discos que
o Germano gravou em todos os formatos: 78RPM, compactos simples e duplos, LP’s
e CDs.
Pedro, de batismo era Simão. Foi um dos apóstolos de Cristo, o mais questionador de todos. Estava sempre a perguntar sobre isso e aquilo. Era pescador.
Paulo era Saulo, antes Saul. Não conheceu Cristo, mas tornar-se-ia um dos seus mais diletos seguidores. Isso, porém, depois de perseguir cristãos com milicianos, personagens esses reais na vida brasileira da atualidade.
Um dia, a caminho de Damasco Saul, que virou Saulo e depois Paulo, após ter uma visão ficou cego durantes 3 dias. Esse tempo foi o suficiente para ele converter-se ao Cristianismo,
O dia 29 de junho é lembrado no calendário católico como o dia de martírio de Pedro e Paulo. Hoje, portanto, é o dia de São Pedro e de São Paulo.
No Evangelho São Pedro é citado 154 vezes, enquanto São João é referido 46 vezes. Isso mostra a importância de Pedro na igreja católica. Ele foi o primeiro papa.
As festas juninas substituiram as festas pagâs que eram feitas para comemorar colheitas, etc
Paulo não chegou a conhecer pessoalmente Cristo, mas sua importância na interpretação dos princípios de Deus e Cristo foram fundamentais para o entendimento da mensagem cristã.
SÃO JOÃO DE ANTONIO, PEDRO E PAULO
No começo de julho de 2013, apresentei um belo espetáculo junino no Vale do Anhangabaú em São Paulo. Umas 80 mil pessoas (acima) encheram a região de alegria, etc.No repertório foram convidados nomes salientes da nossa música popular como Zé Ramalho e Amelinha. Foi bonita a festa pá!
BRINCANTE
Logo mais as 18h, o Brincante (Rua Purpurina, Vila Madalena) estará abrindo suas portas para quem quiser continuar brincando nesse ciclo das juninas, com o pernambucano Antonio Nóbrega. Hoje é dia de São Pedro e São Paulo.
Antes de mais nada, devo dizer que aprendo com as pessoas.
Julgo eu que aprendi com a minha avó Alcina e meus pais
Maria e Severino, com colegas jornalistas Gonzaga Rodrigues, Luis Crispim,
Mário Souto Maior, Câmara Cascudo, Lourenço Diaferia...
Meu querido amigo José Ramos Tinhorão continua dodói, assim
meio fora de combate.
Tinhorão foi o primeiro jornalista que conheci em São Paulo,
depois o querido alagoano Audálio Dantas. Resumo da ópera: aprendi com esse
pessoal todo que as festas juninas definem certa linha do folclore brasileiro e
alinha o amor ao coração. Tudo isso com foguetão no ar e outros fogos de
festim. Sem falar que no período junino tem ainda dança, fogueira e uma
culinária espetacular, que leva à mesa canjica, pamonha, etc...
O São João une o Brasil com Santo Antônio, São Pedro e São
Paulo.
O cara que criou a marcha junina se chamava Assis Valente,
baiano.
Muita gente acha que no Rio Grande do Sul só tem churrasco.
No RS tem churrasco e um povo maravilhoso. Esse povo no
chamado período junino dança alegremente ao som de sanfona de grandes sanfoneiros, como
Pedro Raimundo (Dança da Fogueira).
O Rio de Janeiro nos deu gente importantíssima fazendo marchinha
de São João, como Lamartine Babo (Isto é lá com Santo Antônio).
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, há centenas e
centenas de marchas de canções juninas, como as referidas acima.
Séculos antes de Jesus Cristo nascer, o povo comemorava as
boas safras no campo. Para tudo sempre houve motivo de comemoração, como hoje.
Só que na antiguidade não existiam nem forró de Gonzaga nem humorismo de
Ludurego, nem quadrilha de dança nem mais um monte de coisa.
Ali pelo século II, depois de batalhar contra os festejos
pagãos, a Igreja rendeu-se aos encantos dos hereges e incluiu essa festa no seu
calendário. E mais: incluiu Santo Antônio, São João e São Pedro. São Paulo faz
parte da festa, mas pouca gente sabe disso talvez porque São Paulo foi o cara
que virou santo depois de perseguir e matar cristãos.
A quadrilha junina teve início na França do século XVIII,
por ai. Era dança de salão. A nobreza adoravam, mas ai essa dança chegou ao
Brasil e tudo mudou. E é isso que há ai.
A música do chamado ciclo junino, no Brasil, data do século
XIX, no Rio de Janeiro.
Em disco, as primeiras gravações datam do início do século
passado.
O gênero musical mais marcante do chamado ciclo junino é
chamado de marcha.
O primeiro compositor a compor nesse referido ritmo foi o
baiano Assis Valente (1911-1958). É dele Cai, Cai Balão, uma obra prima. Ouçam:
As festas juninas de espalham de norte a sul do País.
Um detalhe une os sotaques das festas juninas: sanfona e
fogueira.
Ai a acima, na foto, mostro discos do pernambucano João Silva
(1935-2013), do gaúcho Pedro Raimundo (1906-1973), do carioca Lamartine Babo
(1904-1963), paulista Raul Torres (1906-1970) e a potiguar Ademilde Fonseca
(1921-2012). Ademilde foi a mais importante interprete do chorinho. Ela deu
voz, literalmente, ao choro. Ficou conhecida como a Rainha do Choro.
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham
centenas de discos com músicas sobre São João e os outros santos da época.
da
esquerda para direita: Carlos Maglio, José Paulo Lanyi, Assis Ângelo e Luiz Carlos Freitas
Jornalistas
de São Paulo foram premiados pela segunda vez no concurso promovido pela
empresa Jornalistas&Cia para homenagear o padre Landell de Moura,
gaúcho inventor do Rádio.
A entrega do prêmio aos jornalistas que se destacaram na cobertura dos seus trabalhos ocorreu ontem 10 no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. Estive lá.
Landell foi um cientista dedicadíssimo.
Intelectual, brilhante do seu tempo, Landell
antecipou-se a Marconi quando levou aos brasileiros de São Paulo a fala de
gente por ondas magnéticas. Mas, como sempre, o novo no Brasil é visto como
nada. E aí perdemos para o italiano Marconi a oportunidade de sermos conhecidos
no mundo como inventores do Rádio.
O resto a história c-a-p-e-n-g-a-m-e-n--t-e registra.
Assis
Os vencedores do 2º Prêmio Landell de Moura,
escolhidos pelos jurados Carlos Maglio, José Paulo Lanyi, Assis Ângelo, Luiz
Carlos Freitas e Arlete Taboada, são:
Âncora: José Paulo de Andrade (Bandeirantes).
Repórter:
Maiara Bastianello (BandNews).
Comentarista:
Carlos Alberto Sardenberg (CBN).
Programa
Jornalístico: Jornal da Bandnews.
O jornalista Eduardo Ribeiro e o vereador Eliseu Gabriel merecem deste blog todo respeito pela história que estão fazendo.
Já não há tantos e bons médiuns como
antigamente.É o que se depreende pelo
noticiário recente.
O mineiro Zé Arigó,que partiu para a Eternidade, aos 50 anos de
idade, em 1971, marcou época. Nasceu pobre e morreu pobre, num acidente de
carro. Ele jamais aceitou qualquer dinheiroa título de doação pelo bem que fazia aos semelhantes. Em 1956 foi
preso, acusadopela prática irregular da
medicina. O presidente Juscelino Kubistcheck o indultou. Ele não sabia bem o
que era indulto, mas ficou sabendo logo depois. Em 1963, um padre o acusou de
exorcismo etc. Centenas de pessoas se mobilizaram para fazer com que o
presidente João Goulart o indultasse. Zé Arigó já então sabendo o que era indulto decidiu
cumprir a pena que lhe fora imposta de 1 ano e 7 meses. Sem favor ou perdão
presidencial.
E Chico Xavier, heim?
Chico nasceu em 1910 e
partiu em 2002. Era mineiro como Arigó. E como Arigó nunca
aceitou paga pelo que fez em benefício a milhões de pessoas. Ele psicografou
milhares de textos. Da sua biografia consta que publicou 451 livros. Os
direitos autorais desses livros ele nunca aceitou, doando para entidades
espíritas.
E vocês já ouviram falar do paraibano
Euricledes Formiga?
Formiga nasceu em 1924 e nos deixou em 1983. Resistiu enquanto pôde a receber espíritos. Ele era alegre,
bonachão, cheio de graça e vida. Publicou livros e até gravou um LP ao lado de
José Soares Cardoso (acima).
Formiga chegou a psicografar ao lado de Chico
Xavier, que o admirava.
E o paulistano Jorge Rizzini?
Rizzini nasceu em 1924 e foi juntar-se a
Arigó, Chico Xavier e Formiga, em 2008.
O Espiritismo é algo que foge à razão comum. A
Ciência torce o nariz a esse fenômeno.
Rizzini psicografou obras de grandes nomes da poesia nacional e estrangeira, como: Luís de Camões, Edgar Allan Poe, Gonçalves
Dias, Manuel Bandeira e Mário de Andrade.
O repertório do LP Compositores do Além é todo psicografado por Rizzini.
Os compositores são Lamartine Babo, Ataulfo Alves, Noel Rosa, Assis Valente,
Francisco Alves, Vicente Paiva, interpretados por Roberto Amaral, Silvia Maria,
Rosaly, Gilberto Santamaria, Adilson Godoy eNeyde Fraga. Esse disco foi gravado nos estúdios darádio Eldorado, em 1982.
O mentor espiritual de Jorge Rizzini era
Manoel de Abreu. Curiosidade: Rizzini, como Formiga, era jornalista e coube a
eleapresentar o primeiro programa de
televisão (TV Cultura) sobre espiritismo.
João de Deus! Anotem: um pesadelo, uma
vergonha, uma tristeza, um blefe.
O carioca Lamartine Babo foi um
dos maiores compositores da Música
Popular Brasileira. Ele transitou em
quase todos os gêneros, inclusive o
Teatro de Revista.
Lamartine nasceu em 1904 e partiu para a eternidade
em 1963, mais exatamente no dia 16 de junho. São dele
clássicos da nossa música como O teu cabelo não nega,
Serra da Boa Esperança, Chegou a hora da fogueira, No
rancho fundo e Cantores do rádio. Serra do Boa Esperança,
aliás, ele fez em parceria com Ary Barroso, para homenagear
a região homônima de Minas. Um gênio, que deveria
continuar na boca do povo.
Só para lembrar, mais
uma coisinha: foi parceiro
de Noel Rosa, Ary Barroso
e outros craques. E é autor
dos hinos de diversos times
de futebol do Rio, entre
eles Flamengo, Botafogo,
Bangu e América, sua
paixão.
Quase toda a obra de
mestre Lamartine Babo
está no acervo do Instituto
Memória Brasil (IMB).
Eu penso: O Brasil tem, sim, futuro. Onaldo Queirog (acima, comigo há pouco) é um paraibano, juiz de Direito. Um cidadão à toda a prova. E proza. Tem senso incomum sobre o comum da vida cotidiana. É um pensador no seu estado natural, cheio de leituras e pontos de vista. Minha casa, hoje, encheu-se de alegria e saber com a presença de Onaldo Queiroga. Ele é titular da 1ª Vara Civil da Comarca de João Pessoa, PB. Tenta compreender a filosofia popular e seus autores. Ele próprio colabora, na prática, com a compreensão desse entendimento. Tem vários livros publicados sobre Direito e experiências do dia a dia. Agora mesmo está publicando o livro Crônicas de um Viajante, no qual relata experiencias que a vida lhe tem dado. Onaldo Queiroga, paraibano de Pombal, é ouvinte assíduo de cantadores repentistas e das cantigas do povo. Luiz Gonzaga foi um artista que muito o inspirou na vida que leva de encontro ao pensamento popular. A toada A Vida do Viajante, de Gonzaga e do mineiro Hervê Coldovil, cabe perfeitamente na vida de Onaldo. Ouça:
Nestes tempos bicudos, de raiva, desencontro e mau humor,
não custa lembrar que a graça, a ironia, o bom humor, a piada existe desde
sempre.
O primeiro produtor independente de discos no Brasil
chamou-se Cornélio Pires, um brasileiro da cidade paulista Tietê.
Em maio de 1929, ele lançou a primeira anedota que se
conhece gravada em disco: Anedotas Norte Americanas (ai na foto).
Cornélio tirou grana do próprio bolso para produzir 52
discos registrando o comportamento do povo do mundo rural paulista. A primeira
moda de viola que se conhece em disco foi ele quem produziu e lançou: Jorginho do
Sertão.
Cornélio Pires é um nome de grande importância para a
história dita caipira do Brasil.
No Nordeste, caipira é chamado de matuto.
No Sudeste, especialmente em Minas Gerais, o matuto é
chamado de catrumano.
Para designar o matuto nordestino do caipira, outros nomes
também são dados: capial, caboclo...
Quando será que os governantes das três esferas vão dar
importância à cultura popular, hein?
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham todos
os discos da série Turma Caipira Cornélio Pires. E se acham também todos os 22
livros que Cornélio lançou.
Cornélio Pires foi jornalista com carreira iniciada no
jornal Tietê.
Além de produzir como jornalista no Tietê, como jornalista
ele produziu para o jornal Comércio e revistas Pirralho, O Saci, etc.
Curiosidade: foi revisor do centenário do Estado de S.Paulo.
Cornélio Pires nasceu no dia 13 de julho de 1889 e morreu no
dia 17 de fevereiro de 1958, no Hospital das Clínicas, SP.
Foi uma noite muito bonita a de ontem na casa da querida Anastácia, cantora e compositora de forró e outros ritmos de origem nordestina.
Anastácia reuniu amigos e amigas para juntos comemorar os seus 79ª aniversário de nascimento.
Reencontrei muitos amigos e amigas que não via há muito entre os quais Luiz Wilson, Fatel, Joquinha irmão de Oswaldinho do Acordeon, Sara e Samantha filhas de Oswaldinho, Dantas do Forró e tantos e tantas.
Foi, mesmo, legal!
Anastácia está num pique incrível, cantando e compondo como nunca.
Ela mora na Av. Leonardo da Vinci, na zona sul paulistana.
E por falar em Leonardo, não custa lembrar que ele morreu há 500 anos, na França. Deixou um legado incrível. Monalisa é uma obra que quem vê não esquece jamais aquele sorriso...
Está no Louvre.
Pois é: Anastácia e Leonardo da Vinci, que tal?
O Brasil anda triste e os brasileiros, sorumbáticos.
A tristeza que o Brasil e os brasileiros vivem hoje em dia é
plenamente explicável: ataques ao erário público das três esferas. Aí já viu,
né?
Não há povo que aguente...
Mas podemos fazer uma
pausa nisso tudo e dá um tempo ao tempo.
Quer dizer: vamos deixar a tristeza de lado e correr para um
abraço ao craque do humor inteligente, Fausto.
O cartunista Fausto estará lançando daqui a pouco um DVD pra
lá de bonito.
Ó o título: Fausto Animado.
Fausto é um cabra animado desde que nasceu. Pelo menos desde
quando eu o conheço: há uns 200 anos. Ele estará ao lado de Leandro Franco e
Darlan Zurc, lançando o DVD aí referido.
Local: Rua Felício Marcondes, 290 – Centro - Guarulhos – Epa! Estou em cima da hora: o
lançamento é agora, a partir das 18h.
Acima a reprodução da capa do DVD e abaixo, a contracapa.
AUDÁLIO DANTAS, SAUDADE...
Hoje faz exatamente um ano que o querido amigo alagoano Audálio Dantas partiu para a Eternidade. Esse era um cara arretado, todo mundo sabe disso. Brincalhão, solidário, uma figura incrível. Foi o primeiro jornalista que conheci em São Paulo. Há 42 anos. O segundo jornalista que conheci, e que também fez-se meu amigo, foi José Ramos Tinhorão. Tinhorão anda dodói. Viva Audálio Dantas e que o mundo fique melhor. Ele lutou por isso. Nós lutamos por isso também.
No dia 9 de março
de 1942, Manezinho Araújo gravou a valsa Minas Gerais. Essa valsa é resultado
de uma adaptação da canção napolitana Vieni Sul Mar, que ele fez junto com o
mineiro José Duduca De Morais (1912-2002). A primeira adaptação dessa música,
que tem uns 300 anos de existência, foi feita em 1912 pelo cantor, palhaço,
Eduardo das Neves em homenagem ao maior navio da esquadra brasileira ancorado, na ocasião, no porto do Rio de Janeiro.
Eduardo das Neves, carioca da gema, foi um negro fantástico esquecido pela história. Ele aparece de corpo inteiro no livro A Alma Encantadora das Ruas (1905), do jornalista João do Rio (1881-1921). Esse também foi um cara fantástico!
Minas Gerais
é o hino não oficial do Estado de Minas Gerais, lançado em maio de 1942. Ouça:
A canção que
gerou o hino extra oficial dos mineiros faz parte do repertório
do cantor italiano Andrea Bocelli.
O pernambucano de Cabo de Santo Agostinho, Manezinho
Araújo foi um dos mais importantes artistas da música brasileira. Ele compôs e
gravou em diversos ritmos musicais, incluindo toadas e sambas. No total, cerca
de 170 músicas em 78 RPM. Ficou conhecido como o Rei da Embolada. Suas
primeiras gravações,“Minha
prantaforma”(6 de abril de 1933) e “Se eu fosse interventô” (11 de abril de
1933)foram feitas nos estúdios da
Odeon (acima).
Muita gente boa gravou música de Manzinho incluindo o
Rei do Baião Luiz Gonzaga.
Toda a obra de
Manezinho Araújo se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB.
Manezinho nasceu no dia 27 de setembro de 1910 e
morreu em São Paulo, no dia 23 de maio de 1993, exatos 60 anos depois de
gravar seu primeiro disco. Na missa de sétimo dia do encantamento do Mané, celebrada numa igrajinha ali do bairro de Cerqueira Cézar, SP, convidei Rolando Boldrin, Téo Azevedo e outros amigos para uma roda de samba em embolada em homenagem ao amigo que se foi. A roda foi bonita. Lembra, Boldrin?
Anotem ai: 46,7% dos brasileiros são pardos, segundo
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE.
O IBGE diz também que 44,2 % são brancos, 8,2% negros, 0,9% amarelos
ou indígenas.
Os negros fincaram raízes profundas no Brasil. São parte
importante da história do Brasil. A atuação deles está registrada por
historiadores e por eles mesmos, em livros. Estão na música, na literatura, no
cinema, na dança, em todo canto, menos na cadeira de presidente da República.
O pai do choro, Joaquim Antônio da Silva Callado, era negro
como negro eram também o flautista Pattápio Silva, Pixinguinha, Anacleto de
Medeiros, Wilson Batista, Cartola, Geraldo Filme, Clementina de Jesus, Itamar
Assumpção, Arnaldo Xavier e tantos e tantos.
Historicamente, o choro foi o nosso primeiro ritmo urbano.
José do Patrocínio foi importantíssimo como avalista da
abolição como o poeta Luiz Gama.
Na poesia repentista não dá para esquecer Zé Vicente da
Paraíba e seu parceiro Aristo José dos Santos (LP a cima).
E Lima Barreto, hein?
E Grande Otelo?
O repertório musical sobre o negro no Brasil é vasto, com
títulos marcantes, feito na maioria por compositores brancos e pardos: Lamento
Negro (Constantino Silva/ Humberto Porto), História de um Capitão Africano
(Josué Barros), Olha o Jeito Desse Negro (Custódio Mesquita/ Evaldo Ruy), Mãe
Preta (D.A. Ferreira/ D. P. Silveira), Geme Negro (Synval Silva/ Ataulpho Alves),
Terra Seca (Ary Barroso), Fuga da África (Luiz Gonzaga), Funeral de um Rei Nagô
(Hekel Tavares/ Murilo Araújo).
Detalhe: os índios já ocuparam 100% do território brasileiro
e hoje eles são, segundo dados de 2017 publicados pelo IBGE, apenas 0,9%
ocupando um pedacinho de nada das terras do País. Quanto aos negros, ainda
segundo o IBGE são 8,2% de uma população calculada em 210 milhões
de habitantes. Em suma: somos negros e brancos pobres escravos num país ainda preconceituoso sob vários aspectos do correr cotidiano.
Mário de Andrade escreveu Garoa de Meu São Paulo que fala
de branco e de negro, de negro e de branco. Ouçam esse poema na voz de Antônio
Abujamra.
LIMA BARRETO
O jornalista, romancista e contista fluminense Afonso
Henriques de Lima Barreto era descendente de escravo e sofreu muito na vida. Perdeu
a mãe quando tinha 7 anos de idade. Logo depois o pai ficou doido mas o filho
já grande não o internou em manicômio. Segurou a barra. Anos depois era a vez do
próprio Lima Barreto, depois de escrever significativa obra, perder o juízo e
morrer. Foi internado uma ou duas vezes. Ele nasceu no dia 13 de maio de 1881 e
morreu, pobre, no dia 1 de novembro de 1922. Era moderníssimo na literatura,
precursor da Semana de que não participou. A Semana famosa ocorreu em
fevereiro, no Theatro Municipal de São Paulo. Lima Barreto é autor de clássicos
como O Homem que Sabia Javanês (1911) e Triste Fim de Policarpo Quaresma
(1915).
Lima foi um dos primeiros autores negros a abordar com senso
crítico a questão dos negros no Brasil. Ele não gostava de futebol e muito
pouco de música. Vale sempre a pena lê-lo.
Em 1982, a escola de samba Unidos da Tijuca o homenageou.
Ouça:
A minha casa se iluminou com a presença da cantora Célia e
do jornalista e historiador José Severo. Esse cara é do tamanho de um poste
iluminado pelas estrelas. É grande.
E falamos, falamos, naturalmente com a graciosa presença de
boa cachaça mineira. Ele é gaúcho e uma boa cachaça mineira.
Severo é um cabra que sabe tudo e muito mais sobre história
do Brasil, a parti do Rio Grande do Sul. Sua terra. Severo foi um dos editores do memorável Jornal Gazeta
Mercantil.
Severo andou pelo mundo todo cobrindo histórias de vida de
morte. E pulando de Paraquedas. Tem vários livros publicados, um deles adaptado
para o cinema: Senhores da Guerra.
E conversa vai, conversa vem, trouxe eu a Severo à realidade
gritante que hoje todos nós vivemos. Perguntei-lhe:
- Este governo está se acabando...
-Que governo?
- Ora, este que aí está.
- Mas nem começou.
-E se não começou...
Concluo: o panorama é de nevoeiro.
Vasco da Gama, o desbravador dos mares, perdeu-se muitas
vezes em tempestades e nevoeiros. Ele e grandes navegadores que não contaram
com as “modernagens” náuticas de hoje. Esse. Vasco, era de uma coragem dos
infernos. Pensava e agia num mundo desconhecido das trevas e nevoeiros.
Bolsonaro não pensa, ao contrário de Vasco da Gama. Para
pensar tem que ter “tutano”.
Bolsonaro é um anencéfalo. Que pena!
Acredito que o conhecimento, o saber, a cultura
de um país pode mudar a vida de um povo
Eu gosto de Kafka e de kafta. Kafka é um escritor incrível. Deixou uma obra incrível. Metamorfose e O Processo são dois livros fundamentais na formação de quem quer se formar. Eu li Franz Kafka ainda no tempo de escola. Apaixonei-me. Como apaixonei-me por Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Mário de Andrade José Lins do rego e outros, tantos outros. Guimarães Rosa é insuperável.E o que dizer de João do rio, e Drummond? Kafta eu comecei a gostar há uns 40 anos, quando cheguei a São Paulo procedente do meu berço paraibano, João Pessoa. Gosto, grosso modo, de todas as especiarias da culinária árabe. Quem me introduziu nessa culinária foi o árabe brasileiro Peter Alouch. Depois não parei mais de comer essas coisas tão gostosas das bandas de que tanto gostava o nosso último imperador, Dom Pedro II. Meu amigo, minha amiga, você sabia que Dom Pedro II ganhou de presente dos árabes uma relíquia de 2.700 anos que o fogo criminoso em parte destruiu no Museu Nacional? Há pouco nos livramos de um ministro da Educação mal educado, grosso mesmo, que não falava português e era colombiano. Em lugar dessa besta quadrada veio-nos do inferno outra besta para substituir a primeira. Pois bem, essa nova besta acaba de confundir Kafka com Kafta, que loucura! Esse atual governo tem umas figurinhas, Deus do Céu!
A enorme área conhecida como Jardins de Soraya localizado na Vila Cordeiro, Localizada na zona sul da Capital paulista, ficou pequena para acolher a todos os amigos e admiradores de Laerte (acima, em vários momentos). Na ocasião, ela recebeu o prêmio Averroes concedido anualmente pela direção do Hospital Premier a pessoas que se sobressaem na ciência, educação e arte. Estive lá ontem 5 testemunhando a alegria da premiada e de todos nós, claro.
Laerte estava elegantérrima dentro de uma saia longa e uma blusa laranja muito bem trabalhada, com barra e detalhes coloridos. Com óculos discreto Ela fez-se completa com um belo chapéu de palha clara. Brincos, pulseiras e os lábios pintados de vermelho davam-lhe graça especial. Arrasou!
Laerte é dona de um traço marcante no humor brasileiro. É caustico e lírico, ás vezes. Brinca com fogo e não se queima. Brilhante em todos os sentidos artísticos e pessoais.
Paulistana da safra de 1951, Laerte Coutinho abraçou a carreira de cartunista em 1974 , depois de estudar jornalismo na USP. Seu primeiro cartoon publicado foi no extinto jornal Gazeta Mercantil e depois não parou mais.
Conheci Laerte no Diário Folha de S. Paulo, para o qual trabalhamos. Firmando-se na história com seu traço originalíssimo e eu escrevendo no suplemente dominical Folhetim. Corria o ano de 77 ou 78. No mesmo folhetim, que não existe mais, também publicavam Angeli, Glauco e outros mestres. Angeli (1956), Glauco (1957-2010) e Laerte formaram o inigualável e inimitável trio de cabras da peste Los Três Amigos. Esse trio (abaixo) apareceu pela primeira vez no número 12 da memorável revista Chiclete com Banana, de 1985.
Na solenidade de premiação reencontrei velhos camaradas como Elifas Andreato; Ricardo Carvalho, o Ricardão; Sergio Gomes, o Serjão; os músicos Ivan Vilela e Toninho Carrasqueira, Palmério Dória, Vanira e as filhas Juliana e Mariana. Ao lado delas, impossível não lembrar o velho guerreiro Audálio Dantas (1929-2018). Ah sim! todo prosa também estava o superintendendo do Premier Samir Salman.
AUDÁLIO DANTAS
O jornalista alagoano Audálio Dantas recebeu o Prêmio Averroes no dia 9 de dezembro de 2017. Clique:
O amigo e parceiro Carlos Sílvio, do “reino encantado” do
Paiaiá, BA, disse pra mim via fone que seu próximo entrevistado na Rádio
Conectados, dia 11/05, meio-dia (www.radioconectados.com.br), onde mantém o
programa Paiaiá na Conectados, que está completando 3 anos, será o jornalista Patrick
Santos. Disse também que Pratick irá lançar no próximo dia 13, uma segunda-feira,
o livro “45 Minutos do Primeiro Tempo”. É sabático.
Sabático é reflexivo. É mergulho de alguém dentro de si próprio.
Na Paraíba, meu berço, sabático ou “sabatismo” é coisa de quem está com parafuso
frouxo na cachola. Porém, gente sabida como o professor Zurc, é coisa séria.
Seriíssima.
Pois bem, um papo puxa outro.
No dia 13 de Maio marca o nascimento de um dos mais importantes
escritores brasileiros. Falo do descendente de escravo Lima Barreto. Gênio.
Lima Barreto morreu em 1922, aos 41 anos de idade.
Lima nos legou uma obra de 17 volumes. Essa obra, no
conjunto ou não, é bastante difícil de achar nas livrarias nesse nosso Patropi.
Meu amigo, minha amiga, você já leu Recordações do escrivão
Isaias Caminha?
Esse livro foi o primeiro que Lima Barreto publicou, em
1909. Façam as contas: 1909...
Recordações do escrivão Isaias Caminha tem tudo,
absolutamente tudo, a ver com pobreza, sonhos e jornalismo no estágio bruto,
grosso, lamentável. O jornalismo marrom e de resultados imediatos.
Comentarei sobre o livro já, já.
O autor do livro “45 Minutos do Primeiro Tempo” estará recebendo
seus amigos e admiradores (atuou na Rádio Pan por 24 anos) a parti das 19h
na livraria acultura do Conjunto Nacional da Av. Paulista.
EDUCAÇÃO, DAQUI A POUCO CHEGAREMOS A DOMINGO, 05.
O DIA 5 DE MAIO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA. SETE DOS 190 E POUCOS FALAM A LÍNGUA PORTUGUESA. A NOSSA. DE CAMÕES.
A LÍNGUA PORTUGUESA É A 5 MAIS FALADA DO MUNDO. SERÁ QUE O MINISTRO DA EDUCAÇÃO SABE DISSO? SERÁ QUE ELE ADOTA A EDUCAÇÃO COMO PRIORIDADE NO DESENVOLVIMENTO CULTURAL DO NOSSO PAÍS?
FICA NO AR ESSA QUESTÃO. AH! FOI ESSE CARA DE NOME DE DIFÍCIL PRONÚNCIA, CÁ ENTRE NÓS, QUE ESCREVEU NO SEU TWITTER INCITAR ASSIM: "INSITAR".
DÁ PRA PÔR FÉ NUM CARA DESSE?
PELO CAMINHAR DA CARRUAGEM, ESTAMOS PERDIDOS. MAS DEUS É BRASILEIRO...
O passamento do diretor de teatro Antunes Filho, paulistano
de Bixiga, me fez lembrar passamento idêntico do também diretor de teatro e
jornalista Flávio Rangel (1934-1985).
Antunes foi tão grande quanto Flávio Rangel.
Flávio tinha a ver com opinião, o teatro, etc.
Antunes tinha a ver, como Flávio, com liberdade. Ambos
fizeram artes falando sobre liberdade. Arte é liberdade.
Um dia Geraldo Vandré pediu que eu entrasse em contato com
Antunes Filho. Ele queria que Antunes o dirigisse de volta ao mundo da arte.
Liguei para Antunes e ele pediu: “vem cá, vem me ver, conversamos”.
E aí eu fui a Unidade SESC Dr. Vila Nova, onde Antunes tinha
espaço para formar novos atores. Conversamos e conversamos e na conversa final
ele deu uma risada, dizendo: “o Geraldo não tem jeito, não voltará nunca a
cantar e a tocar num palco”.
Curioso nessa história é que algo parecidíssimo ocorrera
entre mim e Flávio Rangel.
O Flávio trabalhou comigo na Folha. E a ele também falei
sobre a vontade do Geraldo... O encontro entre mim e o Flávio ocorreu na minha
casa, no bairro de Santa Cecília, SP. O Geraldo esteve presente e conversou, e
conversou e conversamos e no final disso tudo o Geraldo continuou na moita,
escondendo-se no passado.
A última vez que vi Antunes Filho faz uns 8 anos. Eu o vi
pelas costas, entrando na sua casa. Sequer nos cumprimentamos. Guardo a imagem
dele na minha memória como um homem decidido a mudar a vida através da arte.
Bolsonaro quando abre a boca é quase sempre prá dizer besteira. Quando não diz coisa fora da hora. Nesse último dia do Trabalho, por exemplo, ele não falou sobre o trabalhador. Essa pauta não foi aberta por ele, preferindo tecer loas sobre a liberdade econômica. E os direitos do trabalhador, hein? Enfim, são mais de 13 milhões de pessoas sem trabalho. Se levarmos em conta que um pai de família sustenta a mulher e o filho, teremos aí 40 milhões de brasileiros e brasileiras comendo pão amassado para não morrer de fome. Eh, Bolsonaro... Há pouco o Ministério da Educação tinha como titular um colombiano que mal e mal falava sua própria língua. Esse caiu e no seu lugar entrou um cara que, segundo dizem, passou grande parte da sua vida sobrevivendo de renda via Bolsa de Valores. Quer dizer, trabalho mesmo que é bom...Esse aí, de nome enrolado, diz que chega ao posto de ministro para mudar a educação dos brasileiros. Prá começo de história diz que vai cortar 30% do orçamento das universidades públicas. Isso é grave. Ele disse também que vai economizar nos custos do ENEM. De 500 milhões, cortaria tudo isso para apenas 500 mil. Falou isso cheio de pompa, se auto-vangloriando. Mas os administradores do Ministério acorreram dizendo, em nota, que isso seria impossível. E o tal ficou na moita. Mas na verdade meus amigos, minhas amigas, não era sobre isso que eu ia falar. Eu ia lembrar do tempo em que fiz artes plásticas na Universidade Federal da Paraíba. E Música. Esses cursos, porém, prá mim ficaram incompletos por que a tempo descobri que talento, mesmo, eu tenho de sobra é prá bater palmas para os artistas como João Câmara Filho e Leonardo Da Vinci. Da Vinci tornou-se um dos mais importantes pintores renascentistas, embora fosse também matemático, cientista, engenheiro, poeta, músico. Até inventor o cabra foi. Entre 1503 e 1506, Da Vinci fez uma das obras mais famosas do mundo em todos os tempos: Monalisa, também conhecida como Gioconda. Esse quadro é um óleo sobre madeira, que mede 77x53. Pequeno no tamanho e grande na importância. O sorriso de Monalisa é incrível e indecifrável. Homem ou mulher, ou a mistura dos dois gêneros, não sei. Leonardo Da Vinci era italiano, nasceu em 1452 e morreu no dia 2 de maio de 1519. Há exatos 500 anos. A obra de Da Vinci nos remete a religião católica, a Cristo, Deus, aos apóstolos, o mesmo pode ser dito a respeito da obra do alemão Sebastian Bach (1685-1750). O menestrel Elomar Figueira Mello, baiano, é louco por Bach, mas essa é outra história. As canções de Bach são até hoje interpretadas no mundo todo por todo mundo. Ouçam Toquinho fazendo variações em Jesus, Alegria dos Homens:
O Brasil nunca enfrentou crise tão brava como essa de agora,
em que se acham desempregadas mais de 13 milhões de pessoas de norte a sul do
País. Além dessa crise, há muitas outras. É só abrir a janelinha ai do conforto
pra ver tudo.
O empregado sempre leva na cabeça.
Foi no governo de Artur Bernardes (1922-1926) que o
Congresso aprovou o 1º de maio como Dia do Trabalho. Esse dia foi criado para
comemorar o trabalho e não o trabalhador o que viria a acontecer no governo do
gaúcho Getúlio Vargas (1930-1945).
Getúlio era doido pelo povo, adorava o povo, como bom
ditador que foi principalmente durante o Estado Novo, que ele criou inspirado
do nazifascismo, 1937.
Foi Getúlio que mudou na prática o trabalho para
trabalhador, isto é: Dia do Trabalhador.
Ao dirigir-se aos brasileiros em discurso, Vargas começava
sempre assim: Trabalhadores do Brasil...
Antes de Vargas os operários não tinham direito a nada, a
coisa nenhuma, por isso partiram para o pau primeiro em Chicago, EUA, em 1886.
O pau, que se pode traduzir como greve, rapidamente estendeu-se mundo a fora.
A primeira grande greve no Brasil ocorreu em 1917 (link
abaixo), precisamente naquela que viria a ser a maior cidade brasileira, São
Paulo. Morreu gente até. A greve tinha por objetivo fazer com que os empresários
diminuíssem a carga horária de trabalho, de 14 para 8 horas.
A segunda grande greve de operários do Brasil ocorreu no Rio
de Janeiro, em 1929. Naquela ocasião, o Brasil já era um caldeirão fumegante. À
frente dos operários, os anarquistas.
A partir dos anos de 1930, os compositores passam a usar a
temática trabalho nas suas composições, o samba Bonde de São Januário de Wilson
Batista é uma pérola do gênero.
Dois anos após a morte de Vargas, no final da manhã de 24
agosto de 1954, o compositor Edgard Ferreira compunha para o cantor Jackson do
Pandeiro gravar o belo rojão Ele Disse.
No dia 30 de abril de 1980, o Centro Brasil Democrático
produziu um grande espetáculo musical nas dependências do Riocentro, RJ, o
mesmo Riocentro que seria palco do atentado que matou um militar exatamente um
ano depois. Pelo menos 30 mil pessoas estiveram aplaudindo Chico Buarque,
Fagner, Elba Ramalho, Martinho da Vila, Sérgio Ricardo, Clara Nunes, Miucha,
Milton Nascimento, Paulinho da Viola e muitos outros. Coube a Alceu Valença interpretar
a música de Ele Disse. Ouça:
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, há muitos discos
com músicas em homenagem ao trabalhador.
Era filha de advogado. O correr da sua vida foi toda civil,
crendo na importância das manifestações populares. Comunista? Idiotice é
classificar quem sente a dor do povo em nome de uma ideologia. Conheci Beth ali
pelos anos 70. Tem entrevista minha com ela publicada no suplemento dominical
Folhetim, do paulistano jornal Folha de S.P.
Fiquei sabendo que ela partiu para a eternidade
agora há pouco. A notícia a mim foi dada pelo mestre Oswaldinho da Cuíca,
enquanto conversávamos sobre as “doiduras” do Bolsonaro. Ele, Oswaldinho,
rompeu amizade com Beth por razões ideológicas. Que merda! O bom viver é
democracia. Temos que respeitar todos, inclusive pelo que se diz. A Beth era uma mulher incrível. Nos entediamos pelos desencontros. No acervo do Instituto memória Brasil, IMB, há todos os discos da Beth Cavarlho. A Beth foi a única cantora do Rio de Janeiro a gravar um CD com repertório totalmente sobre a música que fala da cidade de São Paulo. Esse CD foi produzido pelo compositor e cantor Eduardo Gudin. Pra lembrar a Beth ouça a Andança. Eu gostava
muito da Beth. Viva, Beth Carvalho! Andança: https://www.youtube.com/watch?v=4Hp14vl38YY