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sábado, 11 de junho de 2022
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA! (2)
No passado, fomos invadidos pela Espanha, Inglaterra e Holanda, depois de Portugal. O chafurdo foi grande. Em tempos mais recentes, especialmente depois da Primeira Guerra, os norte-americanos passaram a nos mandar bobagens e bobagens, que fomos ora deglutindo, ora armazenando para um possível aproveitamento.
Por acolher muito bem os visitantes de todos os recantos, o Brasil passou a assimilar comportamentos e expressões bastante interessantes. De Portugal herdamos a língua e boa parte da cultura, como a cantoria e o cordel. Da França, Itália, Alemanha, Inglaterra e Japão temos assimilado costumes e hábitos alimentares. Entre outras coisas, a África, por exemplo, nos deu a receita da feijoada. Hoje, até as cozinhas árabes e chinesas já nos são familiares. Isso nos levou a formar uma identidade sem similar, embora ainda sejamos uma nação relativamente nova.
Bom, o português que hoje falamos é completamente diferente do português falado em Portugal. Inclusive o sotaque. Por isso, acho que já é hora de se discutir com seriedade o fala do nosso povo, o nosso falar, como fez João Ribeiro em 1933, ao lançar o livro A Língua Nacional. Treze anos antes, Amadeu Amaral entrara no assunto ao publicar O Dialeto Caipira, rico e interessantíssimo estudo feito à luz da ciência, que em edição posterior ganharia maior brilho com notas assinadas por Paulo Duarte (em 1944, um dos livros de Duarte, Língua Brasileira, editado em Lisboa, foi proibido em todo o território português, por obra e mando do Estado Novo de lá).
O tema é tão estimulante que já em 1853 surgia, em Portugal, o primeiro Dicionário Brasileiro, de Braz da Costa Rubim, com o propósito de ensinar (ou esclarecer) aos portugueses o português então falado no Brasil. Trinta anos depois, o filósofo Leite de Vasconcelos também publicava uma obra abordando o mesmo assunto, intitulada Dialeto Brasileiro, em que reconhecia as rápidas transformações por que passava a língua portuguesa no Brasil. Em 1940, foi a vez de o estudioso Edgard Sanches tentar provar com a+b a existência de uma língua genuinamente brasileira, num livro que deu o título de A Língua Brasileira.
Está na hora, pois, de retomar o debate. Enfim, o brasileiro fala brasileiro ou português?
Antes, muito antes do Descobrimento, a língua que se falava por aqui era a língua geral, isto é, o guarani, mas em 1727 Portugal decidiu proibir o uso dessa língua, por entender que o português estava se descaracterizando, donde conclui-se que os absurdos não tem idade nem época para se concretizarem.
Curiosidade: até o século XVIII, falava-se no Brasil duas vezes mais o guarani que o português. Isso é história, está nos compêndios.
Antes de Portugal virar o país que é, não havia a língua portuguesa. A propósito Portugal era apenas um condado fincado na Península Ibérica. Estava ali pertinho da Espanha.
À época, e estamos falando do tempo antigo, os romanos imperavam na região.O Império Romano dominou a região onde se acha hoje Portugal durante séculos.
Houve muita briga lá na Península.
Como os romanos, os árabes também botaram pra quebrar.
O idioma falado pelos romanos era o Latim.
Havia o latim culto e o latim inculto, o popular, o vulgar.
Foi do latim vulgar que o idioma português surgiu.
Na verdade, outras línguas e dialetos também tiveram influência na formação da dessa língua. A principal influência, diga-se de passagem, foi o galego-português.
Àquela altura Portugal já tinha vida própria.
Importante lembrar que um dos reis que mais força deram à língua portuguesa foi Dom Dinis I, o sexto rei de Portugal, que viveu entre 1261 e 1325.
Dom Dinis, que reinou entre 1279 e 1325, era chegado às artes populares. Dizem que tocava até viola ou coisa parecida. Seus súditos o chamavam de Rei Trovador.
Um dia Dom Dinis se achava no porto observando a movimentação de embarcações. Estranhou ao não identificar nenhuma embarcação com a chancela ou bandeira do seu país. Quis saber a razão, perguntando a um de seus conselheiros. A resposta foi mais ou menos esta: “Não temos madeira especial para construir embarcações”.
Ao deixar o porto, dom Dinis já tomara a decisão de iniciar a plantação de árvores apropriadas para construir navios e tal. Dez anos passados, Portugal já tinha o mar e rios cheios de embarcações.
Outra de dom Dinis: insatisfeito por ouvir seu povo falar em latim enviesado, decidiu oficializar o português corrente.
Tempos depois, mais precisamente em 1536, surgia a primeira gramática ensinando como falar a língua adotada por dom Dinis. O autor dessa façanha foi o padre Fernão de Oliveira (1507-1581).
sexta-feira, 10 de junho de 2022
VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA! (1)
O mar inventou o Brasil
E os portugueses, o mar
Tal façanha só foi feita
Pra que se pudesse contar
Que o poeta rei Dinis
Chegou longe sem nadar
Nadar mesmo não sabia
Mas sabia inventar
Foi ele quem inventou
De por seu povo no mar
Balançando sobre as ondas
Foi o mundo conquistar
Tinha já uns trinta anos
Era bom e coisa e tal
Não gostava do latim
Tão falado em Portugal
Depressa ele pensou
Numa língua mais legal
Essa "língua mais legal"
Era a língua portuguesa
Cultivada com esmero
Como flor da realeza
Portugal lhe deu a forma
O tom, graça e beleza
No mundo há muita gente
Falando em japonês
Falando grego e russo
Alemão, turco e chinês
Mas na vida coisa boa
E falar em português
O Brasil é formado por um enorme agrupamento de outros Brasis: 26 Estados e 1 Distrito Federal. O resultado disso é um país absurdamente fantástico, de dimensões continentais, com 8.622.996 quilômetros quadrados, área equivalente a pelo menos 17 Espanhas, 28 Itálias, 206 Suíças, 251 Holandas, 279 Bélgicas e 797 Cubas, ou algo — ainda territorialmente falando — como quase uma China ou Estados Unidos da América, ou duas Índias Inteiras.
Diante disso, um desavisado qualquer pode, ou poderia, concluir que o nosso Patropi é uma espécie de torre de Babel. Mas não é. Aqui todos se entendem, pelo menos linguisticamente. A língua é uma só: o português, embora à essa altura — quatrocentos e tantos anos depois da descoberta — eu ache que melhor seria, sem xenofobia, se pudéssemos chamá-la de brasileira, de língua brasileira.
Mesmo sem outras línguas (ou dialetos), o Brasil carrega no bojo uma peculiaridade especialíssima: o sotaque.
O sotaque da língua de um povo não substitui um dialeto, é claro, pois a língua é a fala de um povo, de uma nação, O sotaque é o canto de uma língua.
Em cada canto ou região do Brasil podem se fazer descobertas verdadeiramente incríveis: para tanto, basta um pouco mais de atenção.
Na Paraíba ou em Pernambuco as palavras têm um sentido bastante diferente do sentido a elas dado no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Nesses lugares, as palavras são carregadas de um quê que não existe em regiões como o Rio Grande do Sul ou Brasília, por exemplo. No Rio, jerimum é abóbora e aipim é macaxeira, pode?
Na Bahia, mais precisamente na capital Salvador, as palavras parecem nascer das ondas do mar, do sol posto num fim de tarde, dos balouçantes coqueirais, do sorriso e do requebro dos quadris das rainhas negras encontradas em cada praça ou esquina; da música, do trinar dos passarinhos, dos tocadores de berimbaus, das danças, dos terreiros de umbanda, das pretas baianas vendedoras de acarajés vindas de mãe África transbordantemente carregadas de carinho, graça e sensualismo.
O falar dos nortistas é um, o dos nordestinos é outro, o dos sulistas etc. Em cada região do Brasil há uma linguagem própria, popularíssima. Sem contar o uso da gíria, que se renova no dia a dia das grandes cidades…
No Nordeste, a tônica forte é a vogal, com o som escandalosamente aberto. Pronuncia-se: p(óóó)rta, p(óóó)rteira, ab(ééé)rtura etc. etc. Nessa região, formada por nove Estados — incluindo o Maranhão, terra dos Ribamares —, há muitas outras peculiaridades no linguajar. A consoante v, por exemplo, lá é quase sempre trocada e pronunciada com o r dobrado: cerreja (cerveja), carralo (cavalo), raquinha (vaquinha) etc. E em alguns casos, as palavras chegam a ser totalmente descaracterizadas, como velho, pronunciada como réi. Noutros, o r simplesmente desaparece, como, aliás, o m. Ex.: cab(r)a, viage (viagem), marge (margem), virge (virgem).
Os verbos, nalguns tempos, como no gerúndio, também apresentam mudanças. Ex.: ino (indo), andano (andando),fugino (fugindo). Quer dizer, nesses casos, o d vai para a cucuia, como para a cucuia também vai o tratamento você, humilhantemente reduzido para a forma cê ou ocê, assim pronunciado em quase todo o território nacional.O nordestino fala apressadamente, Por isso, talvez, muitas letras abandonem as palavras, como nos exemplos citados. Curiosidade: quando isoladamente, o e costuma ganhar o som de i (em São Paulo, ê). Pode? Pode, pois este é o Brasil-brasileiro cantado em prosa e verso numa só língua, mas com sotaques diversos nos seus 26 Estados.
O BRASIL SOFRE NAS UNHAS DE BOLSONARO
quinta-feira, 9 de junho de 2022
MORRE O CARTUNISTA ROGÉRIO TADEU
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Integrantes da equipe do jornal +Humor, com Rogério (agachado) e Fausto (à direita) |
"O cartunista Rogério Tadeu faleceu vitima de câncer nesse 8/6/2022, aos 68 anos. Há algum tempo ele se achava internado por conta de um tratamento. Cartunista muito criativo, era um dos editores do jornal +Humor juntamente com Amorim, Luis Pimentel, Mayrink, Ykenga Mattos entre outros. Sua produção era vasta com muitos cartuns, charges e personagens: Bola Furada e Mão Estendida, em parceria
com o jornalista Luis Pimentel (ao lado). Muito criativo, tinha vários projetos inclusive para o jornal +Humor que estava em planejamento de voltar após um período de paralisação por conta da pandemia. Boa gente e de bem com a vida, era vascaíno fanático".
"O +Humor, criado e editado no Rio de Janeiro, tem com distribuição gratuita a população, em locais determinados e é vendido por assinatura para pessoas fora do Rio de Janeiro. A festa de 1 ano do jornal aconteceu na Lapa, Rio, com a edição do numero 9 em 2020.
Depois teve de ser interrompido per conta da Pandemia. Era até então, o único jornal de humor impresso no Brasil, em tamanho tabloide. Equipe de cartunistas: Amorim, André Brown , Dil Márcio, Guidacci, Jaguar, Luis Pimentel, Ykenga, Eu (Fausto) e Rogério Tadeu".
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Charge de Rogério Tadeu |
A INVENÇÃO DO BRASIL
quarta-feira, 8 de junho de 2022
FOME, FOME, FOME!
terça-feira, 7 de junho de 2022
VIVA A LIBERDADE!
Hoje é o dia Internacional da Liberdade de Expressão. Porém não há o que comemorar. A propósito, há duas pessoas desaparecidas atualmente na Amazônia: o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Philips. Podem ter sido mortos por garimpeiros e traficantes que atuam na região. Torçamos que estejam sãos e salvos.
Ontem 6 o Exército soltou duas notas oficiais. Numa delas dizia que não tinha condições de procurar os desaparecidos. Na segunda nota, dizia que tinha condições.
Pois é.
Veja: JORNALISTA INGLÊS DESAPARECE NA AMAZÔNIA/ ASSIS ÂNGELO
segunda-feira, 6 de junho de 2022
GERARDO MELLO MOURÃO: UMA HISTÓRIA
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Assis com DVD sobre Gerardo Mello Mourão |
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (3, FINAL)
“É mais uma publicação dos Estúdios Maurício de Sousa”, informou.
Flor Maria, que discretamente acompanhava nossa conversa, pediu licença pra dizer que adora a personagem Dorinha. E contou: “É a história de uma personagem baseada na paulistana Dorina de Gouvêa Nowill, que ficou cega quando tinha 17 anos de idade. Morreu aos 91 anos, em agosto de 2010. Li que ela foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular na Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo. Posteriormente, Dorina colaboraria para a elaboração da lei de integração escolar, regulamentada em 1956. Estudou e fez vários cursos, inclusive a de especialização em educação de cegos na Teacher´s College da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, EUA”.
Poxa, eu disse sem me conter: “Como você sabe disso tudo?”.
A resposta foi rápida: “Sabendo”.
Após isso, Maria levou Tina até a porta e despediram-se.
A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma Instituição surgida em 1946 sob a denominação Fundação para o Livro do Cego no Brasil.
domingo, 5 de junho de 2022
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (2)
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Personagem Cebolinha, por Maurício de Sousa |
Eu respondi à jovem, filha de Maurício, que Os Lusíadas é uma obra encantadora e como tal sempre despertou em mim a vontade de recontar a história das navegações escritas pelo grande poeta português Luís Vaz de Camões. “Seu Assis, eu li Os Lusíadas graças ao Sr. e gostei. Muito. Agora quero saber se a sua adaptação da obra de Camões vai a teatro e virará livro”.
Entusiasmei-me, confesso, com a abordagem da jornalista. E de repente, vi-me falando pelos cotovelos. Disse-lhe que meu sonho, um dos meus sonhos é ver A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar para canto e cordel. Pensei numa ópera popular. Mas não está fácil realizar essa minha vontade. “O Sr. já falou com o governo português, com os representantes do governo português no Brasil?”.
Tina realmente é uma menina muito interessante, atenta a tudo.
Quando pensei, de novo, que havia satisfeito a sua curiosidade, ela soltou mais perguntas: “E o rádio? E a televisão? Eu soube que o Sr. já publicou até folhetos de cordel. Na verdade já li alguns, gostei muito daquele A Vida como Tragédia e um Cego por Testemunha. Também gostei muito do folheto Jornalismo e Liberdade nos Tempos de Pandemia. O Sr. não pretende voltar ao rádio ou à televisão?".
Havia tempo que eu não falava com alguém tão jovem e tão curiosa a respeito do dia a dia que vivemos. Bom, respondi que sim. Que pretendo voltar às ondas do rádio e à TV. Mas para isso, faço necessário que alguém me veja e entenda meus propósitos: “Tornei-me invisível, Tina”.
A jovem filha de Maurício parece não ter gostado muito da palavra “invisível” e rebateu: “Desculpe, mas acho que o Sr. não está invisível coisa nenhuma, o Sr. tem produzido muita coisa, muita coisa mesmo! Na verdade, acho que o fato do Sr. ter ficado cego ficou foi melhor. Adoro seus poemas e todos os seus textos. Sou sua fã”.
Para provar o que dizia, Tina começou a declamar um poema que fiz pouco tempo depois que perdi a visão:
É magra e graciosa
Elegante e mágica
Não tem pena nem pecado
É dócil, é prática
É bela, belíssima
De beleza clássica
Ela é solidária
E não sabe dizer não
Ela abre meus caminhos
Com firmeza e decisão
E vai prá onde eu vou
Sem largar a minha mão
Eu adoro essa magrela
Pela sua discrição
Por gostar do que eu gosto
E me dar sua atenção
Eu a ela dou a vida
E ela a mim sua visão
Quieta, mas atenta
Sai comigo a passear
Com um passo mais à frente
Em silêncio, sem falar
Mas tudo que lhe peço
Ela dá sem reclamar
Mas que magrela é essa
Que me tira da rotina
E me leva a ver a vida
Pela ótica feminina
Seja dia, seja noite
Oh, meu Deus! É Serafina.
Espantei-me e, claro, não deixei de perguntar onde ela tinha descoberto esse texto.
Com ar de mistério, Tina riu e disse: “Eu não revelo as minhas fontes”.
Achei graça e ri também. E ela: “Aliás, aproveitando a oportunidade, gostaria que me dissesse como perdeu a visão. A propósito, esse poema é uma homenagem a bengala, não é?”.
Bom, perdi a visão em 2013 depois de várias cirurgias no Hospital das Clínicas. Essa perda foi provocada por descolamento de retina. Muita gente passa por isso. É de repente e não tem uma causa específica. Perder, perdi. Fazer o quê? O caso é adaptar-me à nova vida que vivo. Claro que ainda sofro problemas decorrentes do descolamento, como depressão. Mas a gente vai levando, com apoio de amigos e amigas. Amigos novos, pois os outros deixaram-me a ver navios e lamentando o que tinha que lamentar. Não é brinquedo não. Tenho feito muitos poemas abordando o tema da cegueira. Um desses, este:
Devastadora e sonsa
E filha da implosão
Ela pega, ferra e mata
Em nome da solidão
Não gosta de alegria
Ela gosta da perdição
Não tem cara, corpo ou alma
É invisível e letal
Nunca fez bem a ninguém
Pois é um mal universal
E não vou falar mais dela
Porque não presta e ponto final!
Enfim a cegueira não é o fim, não é mesmo?
Em determinado momento, agora sim satisfeita, Tina despediu-se com um aperto de mão, lembrando: “O dia 10 de junho é o dia da Língua Portuguesa. Nesse dia também é lembrada a morte de Camões. Vai escrever algo?”.Talvez, respondi.
sábado, 4 de junho de 2022
A ENCANTADORA VISITA DA JOVEM TINA (1)
Tina é uma jovem jornalista que tem combatido o tempo todo as Fake News espalhadas no terreno livre da Internet, por gente que não tem tocômetro. Tina perguntou: “É o Assis?”.
Segundos após eu confirmar que sim, que era eu, Tina perguntou se poderia me atender para uma entrevista e conhecer o meu acervo de livros, discos e outros documentos brasileiros. “Sobre tudo, o assunto são vários”, foi logo falando.
Achei graça no jeito descontraído, leve, da menina Tina se expressar. E respondi: “Claro, estou à sua disposição”.
Horas depois, Tina bateu à porta apresentando-se. Disse que nascera em São Paulo e sempre sonhou ser jornalista. Não foi difícil. Seu pai, o cartunista Maurício de Sousa, deu-lhe todo o apoio.
Maurício é um dos mais importantes nomes dos quadrinhos brasileiros. A sua história é conhecida por todo mundo.
Em 2005, o jornalista alagoano Audálio Dantas (1929-2018), lançou o livro A Infância de Maurício de Sousa (ao lado).
Com o canudo conquistado na Faculdade, Tina logo foi às ruas em busca de notícias. Paralelamente, enquanto caçava fatos, Tina mergulhava nas redes sociais e espantou-se com o volume enorme de mentiras colocadas à disposição dos incautos.
A jovem contou-me isso sem esconder a revolta que as Fake News lhe causam. “Foi assim, seu Assis, que decidi dar rumo a minha vida. Tenho várias amigas e amigos que me ajudam nessa tarefa. O cartunista JAL é um desses amigos”, contou.
Solidário, ofereci-lhe o meu apoio.Depois disso, dessas breves revelações, Tina disse que acompanha os meus passos no jornalismo há muito tempo e que sentia muito o fato de eu ter perdido a visão dos olhos. Disse também que não perde os textos que publico no Newsletter Jornalistas & Cia. Até lembrou alguns como o que fiz sobre João do Rio, sobre a Imprensa Negra do Brasil e, especialmente, sublinhou: “Adorei a entrevista que o Sr. fez com Deus, Jesus e Marx”.
Realmente, Tina é muito inteligente. Esperta diriam alguns, mas prefiro o termo inteligente.
Depois de falas e falas, perguntas e perguntas, Tina elogiou o site do Instituto Memória Brasil e o blog que mantenho na Internet. Curiosa, quis saber como é que produzo meus textos, já que não posso mais escrever. “Eu os dito”, respondi, acrescentando: “Pessoas incríveis me auxiliam nessa tarefa. Entre essas pessoas queridas destaco a Anna da Hora”.
Ainda muito curiosa, quis saber quem é Anna da Hora. E eu disse: “Anninha é uma jovem como você recém-formada em Artes Visuais”.
sexta-feira, 3 de junho de 2022
O POVO SOFRE, EM QUALQUER LÍNGUA
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Ucranianos em fuga |
quinta-feira, 2 de junho de 2022
HÁ 20 ANOS ERA MORTO TIM LOPES
quarta-feira, 1 de junho de 2022
VALDECK E O TEATRO DE MAMULENGOS
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Xilogravura de Regina Drozina |
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Valdeck, Assis Angelo e Regina no Instituto Memória Brasil |
domingo, 29 de maio de 2022
RÁDIO: INCLUSÃO E CIDADANIA (2, FINAL)
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Ilustração de Fausto Bergocce |
Geraldo Nunes como repórter-aéreo, em 2004 |
O ano de estreia de São Paulo de Todos os Tempos foi 1994.
A deficiência física que Geraldo Nunes carrega consigo até hoje nunca o impediu de desenvolver suas funções como profissional do jornalismo. Também não o impediu, nem o impede, de mover-se por onde quer que queira. Anda com o auxílio de aparelhos ortopédicos. O seu carro é adaptado e assim ele segue a vida. Serelepe.
É certo que há muitos Geraldo Nunes por aí, tentando alçar vôo como profissional e cidadão. Mas a sociedade os impede, mesmo depois da aprovação pelo Congresso Nacional do Estatuto da Pessoa com Deficiência, em 2015. Já no início, destaca o Estatuto:
É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico.E destaca mais:
A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
Atualmente, aposentado, Geraldo Nunes escreve livros sob encomenda. Mas, segundo ele, poderia estar atuando na reportagem ou dirigindo uma redação, pois talento para isso não lhe falta.
Quanto a mim, faço minhas as palavras dele. Com um agravante: procurei sarna pra me coçar ao decidir adaptar Os Lusíadas de Luís de Camões para Canto e Cordel. O meu desejo, com isso, era levar a adaptação da obra-prima de Camões ao teatro como Ópera Popular. Não, não está dando, mesmo sendo 2022 o ano de comemoração, por que não dizer, da primeira edição de Os Lusíadas.
Os Lusíadas foi publicado em 1572, em Portugal.
Como cego dos olhos, apenas dos olhos, a meu modo continuo a ver a vida. Ouça: POEMAS DOS OLHOS
Um dos meus maiores desejos atualmente é voltar às rádios, ou televisão, para apresentar um programa provisoriamente intitulado Visão Cidadã.
Enquanto isso, continuo escrevendo poemas, canções e folhetos de cordel.
Você conhece o Instituto Memória Brasil? Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br
sábado, 28 de maio de 2022
JOÃO CARLOS MARTINS ABRE A VIRADA CULTURAL
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Assis Angelo e Getúlio Mac Cord |
Virada Paulista, num palco da Freguesia do Ó.
GETÚLIO MAC CORD
RÁDIO: INCLUSÃO E CIDADANIA (1)
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não…
Em 1988, a atual Constituição brasileira já garantia, no seu art. 5º que:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...Noutras palavras: é livre o ir e vir, movimento esse garantido firmemente pela Constituição. Infelizmente na prática, porém, isso não ocorre 100% como deveria ocorrer.
A população brasileira já passa dos 200 milhões de habitantes. Mais mulheres.
O número de desempregados, no nosso País, já passa de 11 milhões de pessoas.
No seu art. 6º, garante a Constituição:
São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados…Números divulgados pelo IBGE em 2019 indicavam que mais de 13 milhões de brasileiros viviam na pobreza.
Números que acabam de ser divulgados pelo próprio IBGE mostram que só na Capital paulista há mais de 600 mil famílias vivendo com apenas R$105/mês.
A desigualdade entre pretos e brancos, entre brasileiros enfim, continua de modo crescente.
As pessoas que estão aptas para trabalhar, não acham emprego. Imaginemos, agora, as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, embora aptas para o trabalho, o que devem fazer para sobreviver no seu dia a dia.
Há no jornal e revista poucos profissionais portadores de deficiência em atividade. No rádio, menos ainda.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colhidos em 2010, indicam que pelo menos 24% da população brasileira sofre de algum tipo de limitação. Diz a pesquisa:
Quase 46 milhões de brasileiros declararam ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus), ou possuir deficiência mental / intelectual (…) A deficiência visual estava presente em 3,4% da população brasileira; a deficiência motora em 2,3%; deficiência auditiva em 1,1%; e a deficiência mental/intelectual em 1,4%...Em 2013, eu perdi a visão dos olhos.
Geraldo Nunes, em registro Geraldo Nunes da Silva, perdeu os movimentos dos membros inferiores ainda no tempo de criança.
Geraldo Nunes, paulistano da gema, entra para a história do jornalismo brasileiro como o primeiro “repórter-aéreo” portador de deficiência física provocada pela poliomielite. E também como o primeiro repórter a mostrar e a traduzir os encantos da Capital paulista no plano de cima pra baixo. Lembra:
“Fui o primeiro a falar de Memória Afetiva no rádio, através do programa São Paulo de Todos os Tempos (Eldorado) que permaneceu no ar durante 14 anos, entre 1994 e 2008”.
Corriam os últimos anos do século 20 quando Nunes foi convidado a integrar o quadro profissional de repórteres da Eldorado, emissora que fazia e ainda faz parte do grupo Estadão.
Antes de passar pela Eldorado, Geraldo Nunes passou pelas rádios Capital, Bandeirantes e Pan.
Para a rádio Bandeirantes, Nunes chegou a transmitir boletins diretamente do Aeroporto Internacional de Guarulhos, SP, onde pegou gosto por avião. Num desses boletins ele registrou a transferência do presidente-eleito, Tancredo Neves, de Brasília para São Paulo onde morreria no dia 21 de abril de 1985.
Os primeiros voos desse repórter levaram à chancela da rádio Eldorado. Conta: “Quando a Rádio Eldorado me convidou, em 1989, para ser o repórter-aéreo aceitei de imediato pelo prazer de voar e ao longo do tempo incorporei em meus boletins de trânsito, curiosidades históricas sobre os bairros e ruas de São Paulo o que tornou meu trabalho diferenciado dos demais repórteres da área. Desde então me especializei nas atividades voltadas à pesquisa histórica e aos assuntos ligados à memória paulista e brasileira”.
sexta-feira, 27 de maio de 2022
EU E MEUS BOTÕES (26)
quinta-feira, 26 de maio de 2022
A DERROCADA DO PASTOR CIRO GOMES
SIVUCA
quarta-feira, 25 de maio de 2022
CULTURA PARA TODOS
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Assis Angelo e Jarbas Mariz |
segunda-feira, 23 de maio de 2022
LIVRO E MÚSICA NA CASA DI FATEL
PALESTRA
Amanhã 24, a partir das 15h, estarei proferindo palestra no espaço cultural Fábrica de Cultura.
domingo, 22 de maio de 2022
RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (3, FINAL)
No último fim de semana, o jogador do Corinthians chamou de macaco um jogador
do Internacional. O corintiano acusado, Rafael Ramos, português, foi preso em
flagrante e levado à Delegacia para esclarecimentos, foi solto após seu time
pagar fiança.
Lamentável, sob qualquer aspecto. E isso tem origem.
O
professor João Baptista conta no seu livro que os programas de rádio com
auditório atraíam, e ainda atraem, público diverso:
“Tão acentuada é a presença da mulher de cor entre esses frequentadores de auditórios, e é de tal maneira efervescente, barulhento e espetaculoso o seu comportamento, que nos meios radiofônicos tais grupos promocionais são chamados depreciativamente de “macacas de auditório”, numa alusão direta àquelas generalizações populares que procuram identificar características negróides a traços simiescos.”Mas, evidentemente, no geral o rádio representa muito no Brasil.
O artista e apresentador do programa Pintando o 7, Luiz Wilson, diz:
“O Rádio sobreviveu e sobrevive a toda evolução no mundo inteiro. Desde a chegada da Televisão que se popularizou até a chegada da Internet e todas as suas ferramentas até aqui criadas, o Rádio se mantém na liderança como o principal veículo de comunicação.Pois é, apesar de tudo.
Como Radialista, digo que o Rádio é o maior companheiro, sendo a principal razão de que uma vez sendo um meio de comunicação auditivo podemos escutá-lo enquanto realizamos outras atividades, desde os afazeres domésticos às mais variadas funções.”
O rádio continua sendo o meio mais rápido pra se saber o que acontece no mundo. Fora isso, é através dele que os ouvintes tomam posição política ou não. E ainda tem o dado musical, embora esse seja hoje bastante discutível. Falo do gosto. Melhor: do mau gosto. Música de má qualidade. Aliás, só existem dois tipos de música, já dizia o maestro Eleazar de Carvalho (1912-1996), a boa e a má.
Grosso modo, o que é levado ao ar é música de má qualidade, com raríssimas exceções.
Os narradores profissionais de futebol como Fiori Gigliotti e Estevam Sangirardi, deixaram em disco passagens históricas do nosso futebol. Pérolas, na verdade.
Há poucos dias, Carlos Silvio entrevistou uma lenda do rádio paulistano: Salomão Ésper.
VEJA E OUÇA MAIS:
CLAUDIO JUNQUEIRA NO PAIAIPA NA CONECTADOS
•
SÍLVIO MENDES NO PAIAIÁ NA CONECTADOS
•
JÚLIO MEDAGLIA NO PAIAIÁ NA CONECTADOS
•
PAULO CARUSO NO PAIAIÁ CONECTADOS
•
JOSÉ HAMILTON RIBEIRO NO PAIAIÁ NA CONECTADOS
Foto e reproduções: Flor Maria e Anna da Hora.
sábado, 21 de maio de 2022
RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (2)
Grosso modo, são poucos os profissionais que atuam no setor. Mais brancos do que negros. Mulheres são minoria absoluta, embora haja mulheres já transmitindo jogos. E não só no futebol, no rádio em geral.
O paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, professor emérito da USP publicou em 1967 o livro Cor, Profissão e Mobilidade: O Negro e o Rádio de São Paulo, no qual analisa o setor radiofônico, desde os anos de 1950. Lá pras tantas, ele diz:
“Do total de radialistas, 1.854 (83,7%) são homens e 362 (16,3%) são mulheres: destas, 334 (15%) são brancas e apenas 28 (1,2%) são de cor; enquanto no grupo masculino, 1.610 (72,6%) são brancos e 244 (11,4%) são pretos ou mulatos. Observa-se portanto que o número de homens brancos não chega a ser 7 vezes o total de profissionais não-brancos, ao passo que o número de mulheres brancas chega a ser quase 12 vezes o de mulheres de cor. Nota-se, também, que o total de profissionais brancos mal atinge 5 vezes o número de mulheres brancas; já o número de profissionais de cor chega a ser quase 9 vezes superior ao total de mulheres não-brancas.Os dados antigos, dos anos de 1950.
No grupo branco, as 334 mulheres correspondem a 17,6% do total de profissionais; por sua vez no grupo de cor, as 28 mulheres representam 11,4% do total de radialistas com as mesmas características raciais. Estes dados permitem estabelecer a percentagem diferencial entre elementos brancos e de cor, nas diferentes categorias de sexo: dentro do grupo feminino, 92,3% são brancas e 7,7% são de cor. No masculino, 86,8% são brancos e 13,2% são pretos ou mulatos.”
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Carlos Silvio (esq.) e Salomão Ésper |
Negros famosos no rádio de São Paulo contam-se nos dedos: Moisés da Rocha, que há mais de 30 anos produz e apresenta na rádio USP, uma vez por semana, o programa O Samba Pede Passagem e Maria Júlia Coutinho Portes, a Maju, que apresentava um belíssimo programa de entrevistas, ao vivo, na extinta rádio Globo paulista.
O radialista Carlos Silvio, apresentador do programa Paiaiá na Conectados, reforça a ausência do negro na rádio brasileira. E diz:
"Em várias áreas, o negro ainda tem pouca representatividade. Fato. No mundo do rádio, não é diferente.Pois é, e o problema se agrava. Sempre.
Uma rápida passagem pela memória, não conseguir lembrar, de bate-pronto, se há negros trabalhando no rádio paulistano. Ou há?
Num País mestiço como o Brasil, em que muitas vezes pessoas se identificam como 'moreno' ao invés de negro, a ausência é mais evidente.
Quando morava na Bahia eu ouvia muito as transmissões futebolísticas, pela Rádio Sociedade da Bahia, uma das principais vozes era o narrador Silvio Mendes, um negrão.
Hoje, com 76 anos e narrando futebol pela Rádio Metrópole e Salvador, Mendes diz que vai narrar futebol até os 80 anos.
Mendes simboliza que o negro pode e deve estar em todos os lugares e profissões, sem que haja a necessidade de incluir em qualquer tipo de 'cota'.
Negro, assim como o branco, amarelo, albino ou sei lá o que mais, é capaz"
Frequentemente atletas negros enfrentam xingamentos de torcedores. E não só no Brasil. Na Inglaterra, na França, na Itália… Mais grave: jogador chamando jogador de macaco.
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