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sábado, 19 de novembro de 2016

GRANDE SERTÃO ROSA: VEREDAS




O mês de novembro, como todos os meses, registra coisas do arco da velha. Coisas de todos os tipos, datas etc.
O amigo Vitor Nuzzi, jornalista e autor do livro "Geraldo Vandré - uma canção interrompida", pergunta se eu lembro de Adoniran Barbosa, o poeta da boêmia paulistana. Claro, respondo.
Adoniran, que era de Valinhos, SP, partiu para a Eternidade quando tinha 72 anos de idade. Sua partida ocorreu em 1982. Eu era repórter da Folha, e fiquei triste por ter a certeza de que nunca mais beberíamos nos bares da vida.
O mês de novembro registra, também, o encantamento do mineiro de Cordisburgo João Guimarães Rosa. João nasceu em 1908 e foi para o sertão celestial no dia 19 de novembro de 1967, três dias depois de assumir a cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras (ABL), de João Neves da Fontoura (1887-1963).
João queria ser acadêmico, mas não queria vestir o fardão da Academia criada no dia 20 de julho de 1897 pelo carioca Machado de Assis.
Pouco antes de ele encantar-se, o seu nome fora indicado ao Nobel de Literatura, há poucos dias ganhado pelo astro pop Bob Dylan.
A literatura de João Guimarães Rosa é original sob todos os aspectos, desde o conteúdo à forma. Ele foi, digamos, uma espécie de Rembrandt e Picasso das letras, de todas as letras, pois enfim a sua boca era cheia de palavras bonitas em línguas diversas: francês, que comeceu a aprender com 7, 8 anos; inglês, espanhol, italiano, alemão...
A sua obra é prima, irmã, mãe...
Em 1956, Rosa publicou "Grande Sertão: Veredas", que acabei de rever, isto é, de ouvir num áudio-livro que me presentearam. O também mineiro cantador de folias do povo Téo Azevedo pôs à praça um CD, que recomendo.













Para escrever o livro, o autor embrenhou-se sertão adentro. Clique: http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2013/05/guimaraes


Há uns anos, gravei na Rádio Globo a página de abertura de "Grande Sertão:


É muito difícil não gostar da obra rosiana.

"Sagarana" é um livro originalmente publicado em 1946, o segundo da carreira do mestre e que reúne 13 contos e novelas originalíssimos. Entre esses contos, acha-se "A Hora e Vez de Augusto Matraga".
Conta a história de um cara que herda grana e fazendas do pai. Ele é um safado, prepotente, horroroso, canalha em graus diversos. Um cabra que bate em mulher e é filho do cão. A história começa com esse cara comprando uma escrava branca. Essa história virou filme, com direito a trilha sonora assinada pelo paraibano Geraldo Vandré. E dizer mais não digo. Leiam a história e vejam o filme homônimo, que aí está; é só clicar.



HORA E VEZ...

Neste ano da graça de 2016, completam-se 50 anos do lançamento do filme "A Hora e Vez de Augusto Matraga". O personagem-título é interpretado pelo paulista de Piracicaba Leonardo Villar. Villar nasceu no dia 25 de julho de 1924, mas hoje anda recluso. Perguntei a Vitor Nuzzi, que o entrevistou para o seu livro sobre Geraldo Vandré, o que ele lhe dissera sobre as filmagens de "A Hora e Vez...". Vitor: "Ele me contou passagens curiosas. Por exemplo, em uma cena acabou apanhando de verdade pelos figurantes, que eram gente simples, de lá mesmo, em Diamantina (MG), onde foi feita parte das filmagens. Aos risos, ele contou que os atores que também deviam bater nele tentavam protegê-lo, para evitar uma surra maior".
Querem saber mais? Leiam o livro.














MANJAR DO SERTÃO

Esta semana trouxe-me alguns itens fárteis da mesa sertaneja. Da minha terra, a Paraíba, Zeca manda pra Ana, filha minha, feijão verde, farinha, pimenta brava, carne de bode e coco com água dentro. Isso tudo veio pra mim. E eu e Ana e Cla, Daniel, comemos à farta, agradecendo a Deus; e ao Zeca. Minha avó Alcina, nunca esqueço dela, diria que isso é "manjar do sertão". E que só cabra ingrato é que reclama de barriga cheia. Deus do céu, como sou feliz! 


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

HOJE É DIA DE CORTÊZ

Hoje, o cartunista Fausto inteirou 64 anos de vida.
A data, mas não propriamente a data, fez-me lembrar o ano de 1964. No dia 25 de março daquele ano, no Rio de Janeiro, marinheiros do Brasil ficaram em pé de guerra. O motivo, pelo menos o expresso na ocasião, era que os marinheiros graduados humilhavam os marinheiros sem graduação, sem patente. De tabela, reivindicavam uma pauta que beneficiava o povo. Como a reforma agrária, por exemplo.
Foi um levante danado. Milhares e milhares de marinheiros seguiam hipnotizados a fala eletrizante do cabo Anselmo, que entraria para a história como agente infiltrado no meio marinheiro. Clique: https://www.youtube.com/watch?v=s1MbYiJz9LE

O discurso do cabo incendiou mentes e corações da marujada.
O discurso trazia a marca indelével do herói das esquerdas, Carlos Marighela.
Não é todo dia que um cartunista brasileiro faz 64 anos de vida própria. Também não é todo dia que um guerreiro da vida nordestina inteira oitent'anos de idade.
José Xavier Cortez nasceu no dia 18 de novembro de 1936. À época, o Brasil era regido pela batuta do ditador gaúcho Getúlio Vargas.
Vargas chegou ao poder após um golpe, daqueles bem grandes. Na chapa que disputava a presidência da república, estava o nome do paraibano João Pessoa, como resultado de um acerto que poria fim à política "café com leite" até então praticada por Minas e São Paulo.
A revolução de 30, que mudou o Brasil, vem desse golpe.
A manhã do dia 1º de abril de 1964 chegou surpreendendo todo o povo, de norte a sul do  País.
No Rio, José Xavier Cortêz juntava a sua voz à voz dos milhares e milhares de colegas que sofriam humilhações de superiores da Marinha, ao mesmo tempo em que aspiravam melhorias para o povo.
Como se sabe, aquele dia 1º de Abril resultaria no golpe que gerou o governo militar de consequências terríveis.
Não é todo dia que um cartunista...
O Rio de Janeiro está quebrado.
Em menos de 24 horas, dois ex governadores foram parar no xilindró.
Esta semana a Câmara Federal foi invadida por um magote de malucos gritando vivas ao juiz Sérgio Moro e palavras de ordem a favor do militarismo. Uma loucura!
Também nesta semana funcionários públicos foram às ruas do Rio para reivindicar a manutenção dos seus direitos. Para acalmar os ânimos da rude plebe, a polícia foi convocada: Surpresa: Policiais da tropa de choque arriaram as armas e desertaram.
No dia 25 de março de 1964, algo parecido ocorreu: O alto comando da Marinha destacou forças para sufocar a revolta dos marinheiros. Surpresa: Não foram poucos os marinheiros, convocados para a tarefa, que desertaram...Só que naquele tempo não havia tanta ladroagem como hoje, e em todas as esferas; na Marinha, inclusive. Não à toa, e para ilustrar a história, está preso, por corrupção, o vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. A ver com energia nuclear. Preso em Operação Lava Jato.
Cerca de dois mil marinheiros liderados por cabo Anselmo foram expulsos da marinha, entre os quais José Xavier Cortêz.
José Cortêz, como abreviadamente todo mundo conhece, dá nome a uma das mais importantes e resistentes editoras do País. E também a uma escola pública localizada no extremo sul de São Paulo. Hoje Cortêz faz 80 anos.
Sem exagero, digo que José Xavier Cortêz tornou-se um símbolo da educação e da cidadania brasileiras. É um cabra que anda Brasil afora contando suas experiências, suas histórias e a história do Brasil que ele tanto ama, e essas falas chamadas de Rodas de Conversa são feitas em escolas, faculdades e feiras de livros.
A Cortêz editora foi criada em 1985. O primeiro livro publicado por ela foi Metodologia do Trabalho Científico, de Antonio Joaquim Severino. Curiosidade: o primeiro livro que o fundador da editora leu foi Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos. Esse livro foi lançado à praça em 1938.


Viva José Cortêz!



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

SECA, UMA REALIDADE NORDESTINA

Airton, Alcides, Bill, Sra, Assis`, Théo
Os problemas do Brasil são seculares. Vai governo e vem governo e os problemas continuam. Desde o Império.
No Século 19 o imperador Pedro jurou de mãos postas que acabaria com a seca que estava matando , que matou, muitos milhares de gentes e bichos no Ceará velho de guerra.
A jura do Pedro, à qual se incluía a venda da última pérola da Coroa, não serviu para nada. O povo continuou morrendo, à mingua.
Meus amigos e conterrâneos, espalhados Nordeste a fora, do Piauí à Paraíba, informam lamentosos que neste ano já passam de cinco anos a desgraceira que assola as centenas e centenas de municípios sertanejos vitimados pela total falta de chuvas e respeito das ditas autoridades que nada fazem. Um horror! O resultado disso, só Deus dirá.
São seculares os problemas estruturais no Brasil.
Na primeira década do século passado, grande seca engoliu de novo o povo do sertão cearense. Quem quiser saber o que isso acarretou na região, sugiro que leia o livro O Quinze, de Raquel de Queiroz.
Em 1938, o alagoano de Quebrangulo Graciliano Ramos, lançava a obra prima Vidas Secas. Esse livro foi uma pancada descomunal estrutura da literatura nacional. De certo modo, o paraibano José Américo de Almeida, fizera o mesmo dez anos antes, ao publicar a Bagaceira.
Da Paraíba,  Rômulo Nóbrega diz que o racionamento de agua em Campina Grande é uma realidade dura e feia...
Do Piai, o professor Wilson Saraine conta também que a seca por lá continua braba: "depois de muito tempo, choveu ontem aqui em Terezina."
Voltarei ao assunto, mas sugiro a leitura de Vidas Secas.

RONIWALTER
O escritor Roniwalter Jatobá está completando 40 anos de carreira literária. A efeméride será lembrada na próxima sexta feira, quando o autor lançará mais um livro. " capa ao lado". Ele está convidando amigos e amigas para uma prosa, rápida que seja, no saguão da Casa das Rosas, ali na avenida Paulista junto à Estação Brigadeiro do Metrô.
Vamos lá?



BELO ENCONTRO
Semana passa vieram trocar prosa comigo os amigos Tinhorão, Théo Azevedo, Luiz Wilson, Alcides Campos, Ayrton Mugnaini, Bill Hinchberg e Sara Monroe. E a vida segue, como as ondas do mar: Somos passageiros da vida, indo e vindo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

VIOLÊNCIA E FERIADO NUM PAÍS SEM PIB

São centenas os feriados que há Brasil afora. Há quem diga, "Graças a Deus".
Os países mundo afora que alcançam PIB que satisfaz à população não têm tantos feriados como nós os temos, não é mesmo?
Pois bem, amanhã é dia feriado, da proclamação da República, questionável.
O marechal alagoano Deodoro da Fonseca estava dormindo, de pijamas, quando um grupo de militares o tirou da cama. Isso em 1889, no Rio.
Amanhã é dia feriado, em lembrança ou homenagem à proclamação da República. Numa boa? Não houve proclamação nenhuma, de República tampouco.
À época vivíamos sob à batuta do imperador Pedro, um cara que tinha visão além dos olhos. Tipo Mauá.
Deodoro chegou à primeira presidência do Brasil republicano sem saber direito como e o que iria fazer.
Vivíamos terríveis tempos. Tempos de cangaço, de Antonio Silvino,Padre Cícero, Conselheiro...
Há no nosso país feriado demais. Para um país crescer é preciso que seu povo trabalhe. Trabalhar dignifica.
Mas o trabalho leva aonde? Trabalhar deveria ser divertimento.
Uma vez, no programa São Paulo Capital Nordeste, que eu apresentava na Rádio Capital, perguntei ao bom baiano Dorival Caymmi se ele era preguiçoso como mundo e meio o considerava. Ele deu uma risada dizendo: "não, eu gosto da vida, e se não sou mais presente em discos e shows é porque não me convidam."
Meu amigo, minha amiga, você sabe que a origem do termo "trabalho" tem a ver com sofrimento?
Adão caiu na lábia de Eva e hoje, por isso, todos trabalhamos à exaustão.
Cris Alves, uma amiga, passa por mim depressa dizendo que o Brasil é um dos países que mais desrespeitam as mulheres. Pois é, é grande o número de feminicídio no país...
E vejam vocês, eu queria falar sobre cultura popular. Estatísticas indicam que é nos feriados que ocorrem grandes desavenças e mortes.
No Brasil, um país em paz, há cerca de sessenta mil homicídios/ano. Terrível, não é?
Falarei sobre cultura popular depois.
Amanhã é feriado.
E estou doido prá voltar ao rádio, prá falar de Brasil e de brasileiros.


LULA E O GRANDE SERTÃO:VEREDAS


Outro dia ouvi o Lula dizer que "as zelite" fizeram " um quase pacto diabólico".
Essa fala fez-me lembrar do tempo da ditadura militar instaurada no Brasil em 64 e finda em 85. Naquele tempo, tudo de ruim que acontecia ao País era debitado à imprensa.
Quem daquele tempo não se lembra do então ministro da justiça Armando Falcão, cearense de pouca fala e pouco tudo? Quando perguntado sobre qualquer coisa por um jornalista, ele respondia, peremptoriamente: Nada a declarar. Aqui. ao lado, o cartunista cheio de graça Fausto emenda: e isso também era válido para quando perguntado sobre seu Imposto de Renda...
A fala do Lula fez-me lembrar também o pacto com o Demo feito por Riobaldo, o personagem narrador de  "Grande Sertão: Veredas", do Rosa. Por que?
Riobaldo não acreditava no demônio, daí o quase pacto que ele fez com ele. Prá Riobaldo "o demônio não precisa existir para haver". Mais ou menos isso.
O "quase" pacto que Riobaldo fez com o Demo foi diferente do pacto que Hermógenes fez com o chefe dos infernos, para se garantir como o todo poderoso da jagunçagem.
O Lula é incrível!
Grande Sertão: Veredas surgiu no mercado em maio de 1956, há exatos sessenta anos, portanto. Foi um estouro, algo extraordinário no mercado editorial. O livro, com mais de seiscentas páginas, trouxe à literatura brasileira, uma linguagem totalmente nova. A história tem um narrador como principal personagem. São muitos os personagens que há nessa obra e tudo ocorre nos sertões de Minas e Bahia, um pouco de Goiás É fabuloso! Deus e o Diabo são personagens secundários, como Lula hoje está se tornando no Brasil.
Pôxa vida, não soube eu de nenhum evento comemorativo relacionado aos sessenta anos da obra prima que é essa de João Guimarães Rosa.
O livro começa com uma palavra inexistente em qualquer língua: Nonada. E a respeito escrevi:

Nonada não é nada
Nas veredas do Sertão
Nonada é apenas
Começo de confusão
Prá macho que nasce frouxo
pedindo a padre perdão

Nonada não é nada
É um sim, talvez um não
É Hermógenes morrendo
No meio dum furacão
É Joca Ramiro vingado
Com muito sangue no chão

Nonada não é nada
É bendito, é oração
É padre puxando reza
Na frente de procissão
Convencendo o pecador
A fazer bem ao seu irmão

Nonada não é nada
Nem é tiro de canhão
É começo de conversa
De gente forte do Sertão
Inventada por um cabra
De nome chamado João


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

E O MUNDO NÃO SE ACABOU





Trump ganhou as eleições nos Estados Unidos, e mundo não se acabou. Ainda, pelo menos.No correr da campanha  ele jurou que faria isso e aquilo, mas não fará. Por que? Ora, Porque lá também tem deputados senadores e juízes. Há leis para brecar as loucuras de um Trump da vida. O negócio dele é fazer onda, ameaçando Deus e o Diabo. Mas não é dele que eu quero falar.
Sempre fui um grande ouvinte de rádio, e agora mais do que nunca.
Ouvi há pouco que Marrakesh está sediando uma conferência para discutir o clima. Quase todos os países estão participando desse encontro. Depois da China, os EUA é o país que mais suja o céu e a terra. Por que lembro e falo disso?
Marie-Clémence é a companheira de um amigo meu, César Paes. Ele e ela moram em Paris e dirigem a produtora de cinema Laterit productions.
Ela nasceu em Marrakesh.
Em 1999, um livro meu inspirou Marie e César a produzirem o filme Saudade do Futuro. Premiadíssimo na Europa e nos Estados Unidos da América.
A presença dos cordelistas e cantadores repentistas em São Paulo é o livro que teve por base Saudade do Futuro, que ainda pode ser achado no formato de DVD. O Filme é legendado em várias línguas: francês, inglês, italiano...
A vez em que estive na sede da Laterit productions, conversamos sobre um documentário baseado na passagem de Luiz Gonzaga, o rei do baião, por Paris. Chegamos a gravar umas tomadas sobre esse documentário que porém, jamais foi concluído, Que tal retomarmos a ideia, hein?

Clique:

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

CANUDOS E ELEIÇÕES AMERICANAS





O carioca Euclides da Cunha do Canta Galo, tinha trinta anos de idade quando estourou a guera de Canudos no nordeste da Bahia.
A guerra liderada pelo cearense Conselheiro de batismo Antonio Vicente Mendes Maciel (1828-1897), começou no dia 07 de novembro de 1896. Ao fim dessa guerra resultaram cerca de 25.000 mortos.
Euclides, que foi morto pelo homem com quem a sua mulher o traía, escreveu a mais completa reportagem sobre um conflito sangrento no Brasil. Essa reportagem, resultante de uma série de reportagens para o jornal paulistano O Estado de S.Paulo, virou o clássico Os Sertões. Esse livro foi lançado em Dezembro de 1902.
Cem anos depois da publicação de Os Sertões, fui provocado pelo conterrâneo Rinaldo de Fernandes, para escrever um texto que reunisse minhas impressões dessa extraordinária obra. Perguntei-lhe sobre se valeria a pena eu escrever sobre as cantorias de violeiros repentistas feitas nas madrugadas nervosas das redondezas do povoado pobre de Canudos. E ele, então, respondeu peguntando: "e tem isso no livro?".
Foi quando eu tive a certeza de que deveria escrever sobre a sugestão abordada.
O texto que gerei sucede o texto do conterrâneo Ariano Suassuna.
A guerra de Canudos foi a tragédia mais visível já ocorrida no Brasil. Tragédia com mortes, tragédia com desespero, tragédia inominável. Essa tragédia durou menos de um ano, pois findou no dia 05 de outubro de 1897; dois anos antes de o alagoano Deodoro da Fonseca, Marechal, ser resgatado da cama empijamado para proclamar a República do Brasil no dia 15 de Novembro de 1889. Mas, cá prá nós, eu acho que a República Brasileira nunca foi, de fato, proclamada.
Que nunca mais se repita Canudos!
Ali pelos trinta, Canudos repetiu-se no Contestado...
Em 1991, o peruano Vargas Llosa inspirou-se na guerra  de Canudos e escreveu um tijolão intitulado A Guerra do Fim do Mundo.
Amanhã o fim do mundo prosseguirá com o resultado das eleições norte-americanas, disputadas por Donald Trump e Hilary Clinton. Trump é Hitler e Hilary a versão tupiniquim de Dilma Roussef. Ou seja: Trump não presta, é um perigo para o mundo todo e Hilary não fica atrás. Em suma: ambos são flores do mal.
Em 1857, o francês Charles Baudelaire publicou o belíssimo livro de poesias intitulado Les Fleurs du Mal.




Leia mais sobre Canudos:




domingo, 6 de novembro de 2016

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS


Na vida, há coisas incríveis. Incríveis mesmo! Aliás nós todos humanos somos uma criação incrível.
No mundo há pra lá de 40 milhões de pessoas cegas, sem luz nos olhos.
Segundo dados da ONU, Organização das Nações Unidas, uma pessoa fica cega a cada 5 segundos.
No mundo, há 197 países reconhecidos como tais pela ONU.
No Brasil, segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, há pra lá de 1 milhão de pessoas que passam as 24 horas do dia no breu da escuridão. Fora essas, há 6, ou 7, ou 8 milhões de pessoas que sofrem algum tipo de deficiência visual. Fora essas, há muitos e muitos milhões de homens e mulheres, principalmente homens, que têm olhos e não veem por alguma razão de difícil compreensão ou explicação.
Interessante tudo isso, não é mesmo?
Há pouco telefonei para um dos meus professores, William. Ele me atendeu com muita alegria. Disse que estava aproveitando o dia para passear com a sua mulher, Adriana, e a filha, Yasmin. Detalhe: Wiliam e sua companheira de vida e arte não enxergam com os olhos que Deus lhes deu, como eu que hoje também não enxergo...
Mas a bem da verdade não era bem sobre isso, cegos etcetera e tal, que eu ia preencher este blog. Eu ia falar do almoço ma-ra-vi-lho-so que eu tive hoje, a pouco. Comi o melhor feijão do mundo. Comi o arroz melhor do mundo. E comi, para a inveja de vocês que me leem, o melhor ovo frito do mundo, tudo feito pelas mãos mágicas da minha menina caçula, Clá. Ah, tudo isso com uma pimentinha muito da charmosa de nome habanero. Pimenta linda e ardida que só! É mexicana e não brinca em serviço; ou seja, na boca da gente. Ui! A habanero é famosa pelo ardor que nos dá, pelo cheiro que tem e pela graça que oferece. Mais: é a mais danadinha do mundo, segundo os especialistas.
Oh, dia danado de bom!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

É POSSÍVEL VER ALÉM DOS OLHOS?



Neste mundo de Marias e Josés, vê quem quer; quem não quer não vê.
A cada cinco segundos uma pessoa fica cega no mundo. Dentre essas, uma criança a cada um minuto. No total, segundo dados da Organização das Nações Unida s- ONU, são mais de quarenta milhões de pessoas cegas habitando este nosso mundinho tão desigual.
Esses dados são de uma década atrás.
No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, no Brasil indicam que há 1,2 milhão de pessoas totalmente cegas. Os dados são de dez anos atrás. Acrescentem-se a esses dados o número igualmente controverso de cerca de 7 a 9 milhões de pessoas que vivem com dificuldades visuais graves. Pessoas com visão baixa, por exemplo.
Por que as pessoas ficam cegas?
Neste mundo atribulado e de concorrências desiguais, há quem tem olhos e parece insistirem a não ver. Nossos últimos governantes, por exemplo.
O poeta português Camões, que perdeu a visão de um dos olhos numa guerra, de flechada, via mais do que milhões e milhões de pessoas da suas época; e de hoje também.
E assim como Camões, nossos compatriotas Aderaldo, Patativa, Oliveira, e tantos e tantos veem com os olhos da memória e da imaginação, quer dizer: os olhos muitas vezes servem apenas para enfeitar a cara, da gente.
E num tá bom?
A luz de meus olhos bateu asas e voou. Foi pra longe. Mas eu que não sou besta, não corri atrás. E mergulhei num mundo diferente, curioso, cheio de novidades e luzes diferentes. Pois, enfim...

Eu vejo com teus olhos
E caminho com meus pés
É teu meu pensamento...

Vocês, amigos e amigas, já ouviram falar de Maroca, Poroca e Indaiá? Pois bem, as três são irmãs. Nasceram sem luz nos olhos no sertão da Paraíba. Cresceram plantando e da roça tirando o sustento e da esperança, o futuro. E vejam só, a Paraíba é uma terra de luz, é ou não é?
Uma perguntinha bem besta:
Vocês que me leem acham que a maioria dos políticos que nós elegemos, nas várias esferas, são cegos ou videntes?


TURISMO E CEMITERIOS

Hoje é Dia de Todos os Santos, não foi ontem.
É pequeno o calendário cristão para acolher todos os santos.
Na Igreja Católica, há santo a dá com pau. Uí! Dar com pau, sabemos todos, é a penas força de expressão.
O Dia de Todos os Santos é uma criação do abade Odilon, que viveu ali pelo século II. Acho que na França.
Justificativa óbvia. homenagear todos os santos famosos e anônimos , pretos e brancos e mártires que dedicaram a vida aos humildes, etc. Seis séculos depois, o Papa Gregório III carimbou o dia escolhido por Odilon.
O dia 1º de Novembro, Dia de Todos os Santos, como o Dia de Finados é comemorado em quase todo o mundo.
O Dia de Finados, também criado pela Igreja Católica tem por finalidade levar os vivos a lembrar seus mortos.
Séculos antes de Cristo, os mortos sequer eram sepultados. Esse habito ganhou forma por uma razão simples: Os cadáveres transformavam-se em ameaça à saúde publica. Foi então que a Igreja passou a enterrar os mortos no subsolo dos templos. Mas lá eram enterrados apenas quem em vida tinha recursos. Os corpos de escravos e miseráveis continuaram sendo jogados ao léu. Alguns eram queimados em fogueiras.
O medo da morte todo mundo, ou quase todo mundo, sempre teve.
Você sabe a origem do velório?
Catalepsia é um mal que ainda hoje atinge a muita gente.
Estanho é um tipo de metal que mal usado, provoca nas pessoas o mesmo o mesmo que a catalepsia, ou seja: a pessoa cai em convulsões e de repente parece morta.
O estanho era usado na fabricação de objetos domésticos, como pratos e copos. E ai...Temerosos de seus entes queridos serem sepultados vivos, providenciavam-se a colocação dos corpos sub mesas ou o que valha e esperavam-se que o "morto" voltasse à vida. O velório vem dai.
Hoje é o Dia de Finados.
Em boa parte do mundo, cobram-se ingressos a pessoas que visitam cemitérios. Na França, por exemplo. Em Roma há túmulos muito bem construidos por engenheiros famosos.
No município de São Paulo há 22 cemitérios. O da Consolação guarda os restos mortais de grandes personagens da vida brasileira, como Monteiro Lobato. A propósito, por que não se planeja visitas monitoradas ao Cemitério da |Consolação e a outros cemitérios da capital dos paulistanos?
Em Londres o túmulo em que se acham os restos mortais de Karl Max, o grande ideólogo do Capitalismo, é o tempo todo visitado por todos que têm interesse por seu nome ou obra. O governo de lá ganha um dinheirão com isso. Ah! é rica e curiosíssima a relação da morte com a cultura popular.
No começo do século passo, bem no começo o paraibano Leandro Gomes de Barros, nos legou um clássico da literatura de cordel:  A História do Cachorro dos Mortos.


TERREMOTO

Nas últimas eleições o PT perdeu centenas de prefeituras Brasil a fora. A respeito, ouvi no rádio um político concluir comentários dizendo o seguinte: enterrem-se os mortos pois a vida segue. Isso fez-me lembrar o que disse o general Pedro D'Almeida ao rei dom José I ao lhe pedir opinião sobre o que deveria fazer depois do terremoto seguido de tsuname  que devastou Lisboa e o sul de Portugal no ano de 1755. Disse o general textualmente: "Enterre os mortos, cuide dos vivos e feche os portos". E assim foi feito. Anos depois,  sob a batuta do marquês de Bombal, Lisboa voltou a ser uma cidade belíssima .

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

CTN, 25 anos



Tudo é muito rápido, urgente, depressa. Ninguém tem tempo prá nada. Nem prá dizer oi, como vai? É uma correria dos infernos. Prá onde vamos? Somos gerados em fração de segundos, num gozo, a gestação dura de 7 a 9 meses. Eu Nasci com 12 anos, mas isso é caso à parte. A verdade é que poucas são as pessoas que acham tempo para dizer adeus. Ai! É gente entrando e gente saindo de tudo quanto é canto, buraco e biboca. No metrô então é um horror, e nos ônibus, um Deus nos acuda! É pressa como Diabo.
Correndo, voando, um carro parou perto de mim e o motorista depressa abriu a porta pedindo para eu entrar. Era o poeta Moreira de Acopiara. Nem bem entrei no carro outro poeta, Sebastião Marinho, da viola repentista, riscou no ponto: "E eu, vocês vão sem mim?"
Pedi para o motorista desacelerar o carro pois devagar também se chega ao longe. E lá fomos nós rumo ao Centro de Tradições Nordestinas, CTN, onde comemoravam-se seus 25 anos de fundação. Ao chegarmos, cordelistas e cantores do povo nos esperavam. Foi uma festa, claro. Cristina do Zé se expressou ao microfone com um palavreado bonito. Zé de Cristina Também. Estamos falando de Cristina e Zé de Abreu, mulher e marido e marido e mulher, fundadores do CTN.
E é tudo muito rápido.
Lembrei-me depressa que por lá estive no começo de tudo, até apresentando um programa de rádio chamado Gente e Coisas do Nordeste, de memória ainda hoje muito bem lembrado.
E fui ao microfone e falei e falei.
Cacá Lopes cantou, Luiz Carlos Bahia cantou, Sarah Brasil cantou, o menino Pedro declamou do alto dos seus dez anos de idade, Moreira de Acopiara declamou e Sebastião Marinho botou prá lascar, foi tudo muito bonito, nesse primeiros 25 anos de CTN. Agora só faltaram as fotos para confirmar tudo que aqui estou dizendo. Mas aconteceu e é fato. Se duvidarem perguntem à deputada Renata de Abreu.
Só faltou um uisquinho...

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

PELO BEM, PELO MAL, RENAN E BELCHIOR


Depois da postagem abaixo, sob o título Jagunços e Coronéis no Congresso Nacional, muita gente me telefonou; mas me telefonou por saber que é mais fácil me telefonar do que mandar mensagem por e-mail. Pois bem, termino a postagem perguntando em qual situação se enquadra o Cunha, entre jagunços e coronéis. Muitos disseram que o capeta Cunha se enquadra nas duas situações. E o Renan?

O alagoano Renan Calheiros é mais capeta do que o capeta Cunha. Os dois se merecem, não é mesmo? Inclusive na cadeia...O Renan está com 9, 10 ou 11 processos no STF, ainda não é réu, mas vai virar já já. Ciente disso, começa a jogar o anzol no lago para pescar. Na última tentativa deu-se mal, pois a presidente do STF, Carmen Lúcia, refugou.
O Renan é muito esperto. Ele aproveitou a prisão de policiais legislativos para atingir o Judiciário. Fazendo isso, ele chamaria a atenção de todo mundo do seu interesse e teria às suas mãos a presidente, seu alvo, mas ela entendeu isso muito rapidamente e não foi ao encontro que os coleguinhas da imprensa dizem que foi programado pelo presidente Temer. Na verdade foi o Renan que pediu a Temer para programar esse encontro. Quebrou a cara. Simples: depois de chamar a atenção para si, ele estaria frente a frente, numa boa, com a presidente do STF, tudo bem tramado.
No próximo dia 03, a Doutora Carmen Lúcia vai por em julgamento no STF algo que certamente o presidente do congresso não vai gostar.
Pois é, falávamos de jagunços e coronéis. E como uma coisa puxa outra, lembrei-me de outro alagoano. Só que esse, incrível, no boníssimo sentido. No sentido de cidadão, cidadania. Talento, arte e artista. Lembrei-me de Graciliano Ramos, autor da obra prima Vidas Secas. Esse romance, o quarto da carreira de Graciliano, trata do que trata o livro do mineiro Guimarães Rosa, ou seja: de cangaço, cangaceiro, de vida dura que é e sempre foi o sertão do Nordeste e do Sudeste. E de uma constatação triste:  cangaço, jagunço e cangaceiro, mais coronéis dá  nisso que vivemos hoje: a lei fora dos trilhos, querendo voltar aos trilhos. E voltará!
Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892.


BELCHIOR

Taí um cara que eu gosto muito, Belchior. Conheci o Bel, como os amigos o chamam, Lá pros 80 do século passado. Ele frequentava minha casa e tal, e no tempo que eu ainda era casado. Os meus meninos gostavam de tirar umas com seu bigode e seu jeito de falar e de cantar. Eu continuo gostando do Bel e tentando entender a razão que o faz nunca mais a mim telefonar: 36614561. Hoje, como todos os dias, é dia do Bel; amigo meu e de tanta gente bonita. Daqui deste ponto mando prá ti, Belchior, um abraço bonito e forte: e parabéns pelos 70 anos que vc completa nesta quarta feira de outubro de 2016.
Ah! Você sempre falava da importância dos maestros Carlos Gomes, Vila Lobos e do seu conterrâneo Alberto Nepomuceno. Aliás, lembro agora, você me pediu para escrever um livro sobre o Nepomuceno. Olhe, se você voltar prá comer o bacalhau que você tanto gosta na minha casa eu escreverei, mesmo cego, como hoje estou um livro sobre você e sobre o seu, que também é meu ídolo Nepomuceno.
Um beijo!



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