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sábado, 18 de março de 2017

AI, AI ,AI A CARNE É FRACA.

" ação de corromper, de produzir a putrefação; estado das coisas corrutas: A corrução da carne... "
A definição da palavra corrupção ou corrução está no primeiro Dicionário da Língua Portuguesa do português Francisco Caldas Aulete (1826-1878). Foi impresso na segunda parte do século 19. Mais precisamente em 1881. E mais do que nunca esse verbete continua em moda no nosso país.
A corrupção ou corrução não nasceu no Brasil, é claro. Data de tempos remotos, Acho que desde quando o homem desceu das árvores e seguiu maltratando o seu oposto, a mulher.
Na Grécia Antiga, havia um cidadão de nome Diógenes que passou bom tempo da vida procurando um ser honesto. Não sei se achou, mas se ele vivesse no Brasil a tarefa seria mais difícil.
Não é exagero dizer que em nosso país a corrupção é praga que viceja em tudo quanto é canto. Até na Igreja.
No século 16 o nosso primeiro poeta improvisador ao som de viola, Gregório de Matos (1636-1696), já falava à exaustão sobre corrupção e corruptos e a decadência da cidade de Salvador. Além de poeta, ele era advogado e bispo da Igreja Católica. Por causa dos seus poemas e da sua verve pagã, Matos foi por um tempo exilado em Angola, África.
No começo do século 20, o paraibano Leandro Gomes de Barros deixava nos seus folhetos o registro de corrupção e desmandos de toda ordem praticados pelo governador de Pernambuco, onde morreu.
A corrupção, repito, está em todo canto.
A Odebrecht foi fundada no ano de 1944, em Salvador. Cresceu e estendeu os seus tentáculos cavernosos pelo Brasil inteiro e mais vinte países. E tome corrupção!
O Brasil e o mundo acabam de ser de novo surpreendidos com atos de corrupção, dessa vez praticada por donos e dirigentes dos mais importantes frigoríficos. Mais de Vinte. Quer dizer, a podridão chegou agora no campo das carnes de bois, aves e porcos. A propósito, seguem estes versos:


Neste mundo velho tem:
Cafetina e cafetão
Rapariga e cafajeste
E bandido em profusão
Mostrando como se rouba
O dinheiro da Nação

É um mundo muito louco
Um mundo em perdição
De muito fela da puta
Que vive da corrução
Fazendo pouco do povo
Que sofre na sua mão

E assim o mundo vai
Com corruto e corrução
Mentira e malandragem
E deputado ladrão
Roubando o quanto pode
Sem ter medo da prisão

(Assis Ângelo)

O Brasil, segundo dizem, é o maior produtor e exportador de carnes do mundo. Em 2016, 152 países compraram esse produto. Se você não tinha uma razão para deixar de comer carne, agora tem:






quarta-feira, 15 de março de 2017

CUNHA E CONSELHEIRO: DOIS MACHOS, DOIS CRIMES


Aquela manhã de 1909 era um domingo, 15 de agosto.Naquele dia o carioca Euclides da Cunha armou-se de um revólver calibre 22, e deixou sua casa em Copacabana decidido a lavar a honra na casa onde se achava sua mulher, Ana, e o desafeto Dilermando de Assis, um gaúcho que iniciava a carreira militar no Rio. Tinha 21 anos.
Ele foi chegando e atirando logo ao abrir a porta. Errou o alvo e caiu morto com um tiro no pulmão direito.
Ao defender-se do marido da amante, Dilermando, acionou também o gatilho que desgraçaria a família de ambos, por toda a vida.
Euclides da Cunha representava a República. Era membro da Academia Brasileira de Letras, ABL, e já muito famoso, pela obra-prima que publicara 5 anos antes. Representava, pois a elite e letrados.
Os Sertões trata da Guerra de Canudos, ocorrida entre a segunda parte de 1896 e começo de outubro do ano seguinte.
Antonio Vicente Mendes Maciel, Conselheiro, representava a pobreza, os desvalidos, os deserdados da vida e, como se não bastasse, era monarquista. Embora soubesse ler e escrever, não era propriamente um letrado.
Na época em que esses dois personagens viveram, adultério feminino era inconcebível. Homem podia tudo, mulher não. Entre as mulheres, aliás, existiam aquelas que incentivavam castigo às "traidoras".
E deu no que deu.
Conselheiro, por sua vez, quebrou o código de honra e seguiu sua vida  arregimentando o povo em nome de Deus e de dias melhores. Esses dias vieram, mas por pouco tempo.
O escritor Euclides da Cunha entrou para a História como intelectual e grande autor, enquanto Conselheiro, personagem central do seu livro, entrou para a história como um libertário, um salvador do povo.
Quem dos dois agiu certo ao flagrar suas respectivas mulheres na cama com amantes, levando-se em consideração o fato de os filhos de Euclides e Dilermando terem vivido sem nunca se entender. Brigaram o tempo todo, um horror!
Sete anos depois de Dilermando ter matado em duelo Euclides, o menino mais novo do casal Euclides e Ana também foi morto a tiros, pelo mesmo Dilermando. Uma tragédia completa.


terça-feira, 14 de março de 2017

AMOR, TRAIÇÃO E MORTE, E VIVA CANUDOS!


No próximo dia 05 de outubro completam-se 120 anos do massacre a Canudos, no sertão da Bahia.
O massacre foi praticado por um exército de 12.000 soldados, arregimentados em 12 Estados brasileiros. Antes, no dia 22 de setembro, morrera Antonio Conselheiro.
Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro nasceu no dia 13 de março de 1830. Tinha 3 anos de idade quando perdeu a mãe e 25 quando perdeu o pai. Casou com 27 anos com Brasilina Laurentina de Lima, uma bela jovem , filha de um tio seu, e tudo ia muito bem até que Antonio, que entraria para a história como Conselheiro, flagrou a sua bela mulher na cama com um soldado raso da região em que morava Quixeramobim. Depois disso ele caiu na vida e dedicou-se por completo à religião.
Antonio, também chamado de Antonio dos Mares, peregrinou por muito tempo pela terra onde nasceu, o Ceará e também pela Bahia. Milhares de pessoas o seguiram, todas pessoas simples, do povo, miseráveis, sem lar e sequer comida para comer. Foi quando surgiu à frente de todos o Canaã baiano, e lá, o fim.
Essa história é toda contada no belíssimo livro Os Sertões, do carioca de Cantagalo Euclides da Cunha.
Euclides nasceu no dia 20 de janeiro de 1866. Em 1902, publicou o seu famoso livro.
O que há em comum entre Antonio Vicente Mendes Maciel e Euclides da Cunha?
Euclides casou-se com uma bela jovem de nome Ana, que às escondidas trocava seu leito para esquentar-se no leito de um jovem militar chamado Dilermando de Assis. E uma noite, daquelas noites, Euclides flagrou Ana com Dilermando.
E um duelo, à bala, seguiu-se. Um tiro mortal atingiu um dos pulmões do escritor.
O duelo entre Euclides e Dilermando ocorreu numa manhã de 1909.
As duas histórias são incríveis.

domingo, 12 de março de 2017

OLINDA EM FESTA, VIVA OLINDA!

Pela ordem, as primeiras cidades fundadas no Brasil foram estas: São Vicente, SP (1532), Olinda, PE (1537), Santos, SP (1543), Salvador, BA (1549), São Paulo, SP (1554), Rio de Janeiro, RJ (1565), Paraíba,PB, (1585)...
Em 1534, a Coroa portuguesa criou o sistema de capitanias no Brasil.  O fidalgo Duarte Coelho ganhou do rei Dom João III a capitania de Pernambuco. Para assumir as terras, ele desembarcou no País em 1535. No dia 12 de março de 1537, Olinda estava criada. Hoje, portanto, é aniversário da cidade pernambucana conhecida internacionalmente por  muitas razões, entre as quais como "a terra dos bonecos gigantes".
Mas, segundo a história, a coisa não correu de forma assim tal simples, não. Houve guerras e mortes, incluindo o fuzilamento de Frei Caneca.
Em 1630, os holandeses invadiram as terras pernambucanas e tacaram fogo em toda Olinda. Destruição total. Poucos anos depois, porém, os portugueses e índios locais puseram pra correr os holandeses e seu chefe, Nassau.
Dom Helder Câmara foi o arcebispo de Olinda e Recife por muito tempo.
Olinda é cantada e decantada desde sempre.


CORDEL DE LUTO
Foi sepultado hoje, em Terezinha, PI, o corpo do cordelista Pedro Costa. Pedro era do interior do Piauí e ganhou notoriedade em 2003, quando arrebatou o primeiro lugar no 2º Concurso Paulista de Literatura de Cordel, promovido por mim e apoiado pela CPTM e Metrô. Pedro ocupava uma das cadeiras da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ABLC. Sem dúvida ele foi um grande representante da cultura popular brasileira.

sábado, 11 de março de 2017

MARCO HAURÉLIO É UM GENIO!


A poesia é o alimento da alma. Eu ouvi isso em algum lugar. E concordo.
A poesia, a literatura, as artes, o saber faz bem e engrandece.
A nossa alma vibra com o saber, e o nosso ser cresce.
Seriam a Poesia e o Saber gêneros feminino e masculino?
O mundo, os planetas, o que são?
E a lua e as estrela, masculino e feminino?
A poesia é janela do saber.
Conheci de perto o filósofo Miguel Reale, com quem aprendi algumas coisinhas de vida e sabedoria.
Conheci o tributarista Yves Gandra da Silva Martins, de quem me considero amigo.
Conheci o folclorista Luís da Câmara Cascudo, um mestre.
Os mestres se expressam de muitas formas, inclusive pela poesia e, principalmente, pela poesia desenvolvida no modo decassílabo, em soneto, dificílimo.
O cordelista Patativa do Assaré, que nasceu em Março de 1909, era um ás no modo soneto.
O soneto é uma forma poética constituída por dois quartetos e dois tercetos nascida na Itália do século 13, embora haja quem diga que foi na Grécia antiga.
No Brasil do século 19, o soneto virou uma prática muito comum entre literatos amadores e profissionais, como Machado de Assis e Euclides da Cunha e tantos e tantos.
Com a chegada do século 20, o soneto continuou em prática, sendo feito por nomes que iam de Augusto dos Anjos a Olavo Bilac.


Via Láctea - Soneto XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Olavo Bilac

O século 20 findou e com ele findaram os sonetistas. Findaram, aspas.
Marco Haurélio é desses eruditos que encontraram na cultura popular a fonte do saber.
Baiano das bandas da Serra do Ramalho, Marco Haurélio tem se destacado no meio literário brasileiro como um dos maiores cultores da Flor do Lácio. A poesia é o gênero em que ele melhor se desenvolve. E a poesia nas formas diversas, como sextilhas, septilhas e decassílabos. Tem dezenas de folhetos de cordel e livros publicados, poe editoras diversas, entre as quais a Cortez Editora.
Pela Nova Alexandria, Marco Haurélio publicou, entre outros, a adaptação que fez para a obra-prima A Megera Domada, de Shakespeare, capa acima. E para quem não sabe, ele foi consultor da novela Velho Chico.
Marco Haurélio, sem exagero, é um gênio da poesia brasileira.
Não conheço poeta que faça hoje sonetos tão sentidos e perfeitos como Marco Haurélio. Uma amostra, inédita:



Quando o sol expandir os seus domínios
Sobre os astros que estão à sua volta,
Cada dor, cada grito de revolta,
Cessará ante os muitos vaticínios.

Ninguém mais falará em morticínios,
No rei nu, seus ministros, sua escolta,
No pudor posto a ferros que se solta,
Nos clamores de impérios e assassínios...

Na vergonha que assola o parlamento,
Na montanha roída pelo vento,
Casa, pátria, família, liberdade,

A virtude estuprada pelo vício —
Só o vácuo, e mais nada por resquício,
No silêncio que abraça a eternidade.

--
Marco Haurélio


Eu era colunista do extinto Jornal da Tarde, de São Paulo, quando mandei, um dia, um texto para a coluna. O título era; "Nóbrega, um gênio". O editor achou-me louco e perguntou se o título era esse mesmo, eu disse sim e assim o texto foi publicado com o título referido.
Cliquem aí embaixo o Nóbrega declamando Haurélio:




A REVOLUÇÃO DE 30 E O BAIÃO PARAIBA

A revolução de 30 mudou os rumos do Brasil. Começou na Paraíba, minha terra, e terminou com um golpe militar que levou ao poder o gaúcho Getúlio Vargas. O desfecho foi o assassinato de João Pessoa Cavalcante, numa confeitaria da capital pernambucana. Isso, no dia 26 de julho daquele ano. Certo?
O Estopim de 30, porém, ocorreu no município de Princesa, a pouco mais de 300 km da capital paraibana.
A história: Pessoa foi eleito pelos coronéis sertanejos, à frente José Pereira Lira. O problema começou e agigantou-se com o rompimento de Pessoa com os coronéis.
O destino do então presidente da Paraíba foi selado quando a polícia invadiu o escritório do advogado João Dantas. Da invasão resultou a apreensão de cartas e fotos comprometedoras da poeta Anayde Beriz para o amante João Dantas (assitir Parahyba, Mulher Macho, de Tizuka Yamazaki). Irritado, Dantas desfechou tiros em João Pessoa.
Uma vez, conversando com o rei do baião Luiz Gonzaga (acima), fiquei sabendo da origem da música Paraíba. Essa música, composta por Gonzaga e Humberto Teixeira, era um gingo político que virou um clássico da nossa música popular. Detalhe: esse gingo foi feito por encomenda de Pereira Lira. Interessante, não né?
O gingo Paraíba, que virou clássico da nossa música foi lançado em disco de 78 rpm num dia de festa em Campina Grande, PB.


AS ÁGUAS DO VELHO CHICO

Os 30 mil habitantes da cidade paraibana de Monteiro, á 320 Km de João Pessoa, estão em festa e o motivo é simples: as águas do rio São Francisco estão jorrando nas torneiras. A cidade vive uma das maiores secas da história: 5 anos. Monteiro é a maior cidade da Paraíba, com quase 1.000 Km² de extensão. Ela foi fundada no dia 28 de junho de 1872 e seu nome vem do fazendeiro Manuel Monteiro do Nascimento. Monteiro já promete a maior festa de São João da sua história. Com água faz-tudo!

SÃO PAULO DOS NORDESTINOS


São Paulo é uma cidade que acolhe gente do mundo todo. Diz-se que São Paulo "a Capital dos nordestinos". E é mesmo.
Uma vez perguntei a José Maranhão, no tempo em que era governador do Estado da Paraíba - hoje ele é Senador- se sabia de bate pronto o número de paraibanos residentes fora do estado. Rindo e muito à vontade, respondeu: "Só em São Paulo a 300mil paraibanos morando".
Fiquei com cara de tacho, surpreso. Mas político é assim mesmo, pelo menos os de uma geração lá dele trás. Caso dele.
E ainda depois de revelar o numero de paraibanos residentes em São Paulo, Maranhão ainda justificou: "Esses números estão no tribunal regional eleitoral".
Há um tempo,e durante quase sete anos, apresentei um programa de rádio chamado São Paulo Capital Nordeste (AM 1.040). Um sucesso danado!
O município de São Paulo, segundo a ONU, é o 5º maior do mundo em termos territoriais e populacionais. São cerca de 12 milhões de almas em movimento, tentando de todas as formas equilibrar-se
na vida.São almas de todos os tipos e em todas as profissões.
São Paulo, acolhe nordestinos de todos os cantos e recantos.
Grandes artistas já deixaram sua marca nessa terra de bandeirantes.
Há quase 30 anos, o paraibano Sebastião Marinho criou a União dos Cordelistas Repentistas e Apologistas, UCRA. Essa entidade , hoje presidida pelo poeta cearense Moreira de Acopiara, é uma das mais representativas do Brasil em São Paulo.
Ontem 10 Marinho reuniu amigos para comemorar seus primeiros 69 anos de idade.




sexta-feira, 10 de março de 2017

HOJE É DIA DE SEBASTIÃO MARINHO!

Sebastião Marinho é um dos mais sensíveis e instruídos repentistas brasileiros. Nasceu em Solânea, PB, no dia 10 de março de 1948. Desde sempre, o seu brinquedo principal foi a viola. Começou a tocar e a cantar de improviso quando tinha 20 anos de idade. Primeiro na sua cidade e depois em Campina Grande e João Pessoa até chegar de mala e cuia a São Paulo, a "Capital dos bandeirantes e dos nordestinos", como eu gostava de dizer no programa São Paulo Capital Nordeste (Rádio Capital, AM 1.040), que apresentei durante seis anos.
A sonoridade que Marinho tira da viola dá gosto, dá alegria total aos bons ouvidos e a sua poética improvisada é encantadora, por se diferençar de boa parte dos seus pares. Ele já cantou com os mais importantes repentistas do País, incluindo Mocinha de Passira, Oliveira de Panelas, Valdir Teles, João Quindingues. Seu parceiro mais frequente é o conterrâneo Andorinha. Acima, uma pequeníssima amostra do talento do paraibano de Solânea.
O repentista Sebastião Marinho, fundador da União dos Cordelistas, Repentistas e Apologistas do Nordeste, UCRAN, vive em São Paulo desde os primeiros dias de Abril de 1976, e hoje na UCRAN ele recebe amigos e profissionais da viola para uma belíssima noite de cantoria. O endereço? Rua Teixeira Leite, 263, Liberdade.


SARAH BRASIL

A pobreza cultural apresentada nas emissoras de rádio e televisão é de dar dó. Raros são os momentos de qualidade que a tevê tem oferecido ao público. Exemplo disso foi o que fez a Band. Clique:


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