Não dá pra afirmar que foi o poeta e dramaturgo português Gil Vicente (c. 1465 — c. 1536) quem inventou o folheto de cordel ou a literatura de cordel. Mas dá pra afirmar que foi ele, o primeiro autor a captar o viver do povo e transformar isso em cultura popular.
Foi no tempo de Gil Vicente que o Rei D. João V autorizou aos integrantes de uma espécie de associação constituída por cegos de Lisboa, a vender folhetos para sua sobrevivência. A ideia era fazer o cego ocupar-se e não depender de doações etc.
A literatura de cordel chegou ao Brasil por iniciativa da real coroa portuguesa no século XVII. Os primeiros folhetos, entre os quais A Donzela Teodora, aportaram por estas plagas ali por 1810, 12. A propósito foi o maranhense Arthur Azevedo a fazer a primeira versão de a Donzela Teodora.
Gil Vicente nasceu em 1465.
Em 1865 nascia na Paraíba aquele que se tornaria o "pai dos cordelistas" no Brasil: Leandro Gomes de Barros.
Leandro, que morreu em 1918 deixou uma obra espetacular no campo da literatura de cordel.
A história da literatura popular, é muito bonita.
Na literatura popular se acham todos os grandes temas da vida cotidiana.
Como cego que não tenho o que fazer, resolvi escrever uns versos pra cordel. A capa, que traduz o que escrevi, tem a assinatura do mestre Klévisson Viana.
Confira:
https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1415409/coronavirus-piolho-do-cramunhao-faz-o-mundo-todo-tremer/
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segunda-feira, 23 de março de 2020
domingo, 22 de março de 2020
PRESIDENTE SEM NAÇÃO
Enquanto o mundo pode socorro, sofrendo com a praga desse novo Corona o presidente do Brasil faz gracinha e debocha dizendo que o que anda por aí é só uma gripinha. Chegou a dizer que se nem uma facada o matou, a gripinha não o derrubará, tá ok?
Os casos de contaminação se multiplica em todo canto. Os óbitos, também.
Na Itália, o número de mortes já beira os 5 mil. Se é que a essa hora do dia, esse número já não beira os 6 mil.
O inimigo é visível. Que dizer, não é, né?
Bom, o presidente nunca perde a oportunidade de esculhambar jornalistas.
O papel da imprensa na história é importantíssima, desde sempre.
Pra relaxar escrevi esses versinhos em homenagem ao P:
Contra tudo, contra todos
O presidente bufão
Fazendo pose de macho
Declara a toda Nação
Que a gripe é "gripinha"
E dela não tem medo, não
Faca não o matou
Ignorância também não
Que diacho o matará
O louco piolho do Cão
Ou sou língua comprida
Que não cabe num caminhão?
Contar só a verdade
É da Imprensa obrigação
Quem faz o inverso mente
Fazendo só confusão
Caso do presidente
Que ama ser falastrão!
AI5
... E pensar que há ainda quem queira de volta o famigerado Ato Institucional nº 5, que fez o Brasil inteiro mergulhar no breu. Meu Deus! Leia: AI5 Nunca Mais!
sexta-feira, 20 de março de 2020
CRENÇA E FESTA NA CULTURA POPULAR
Não era nem uma da manhã quando o Outono rompeu o tempo e chegou, hoje, ao nosso hemisfério. Portanto, já estamos vivendo a bela estação outonal, que se estenderá até junho, quando nos dará a cara o Inverno.
O Outono faz nos convencer de que os dias são mais curtos e as noites são mais longas. E o frio é danado. Lá fora, as árvores mudam de folhas e os passarinhos fazem festa.
Somente no Sul e Sudeste essa estação é mais claramente observada, pois no Norte e Nordeste o clima parece sempre o mesmo no correr do ano todo. Quer dizer, imutável. Lá a seca sempre dá um jeito de se fazer presente, maltratando sertanejos e estorricando o solo.
Muitos artistas, eruditos ou não, desde sempre compuseram belas peças pra nos lembrar o Outono. O italiano Antonio Vivaldi (1678-1741) foi um desses artistas. Ouça:
O nordestinos são cheios de crenças.
A Natureza é incrível. Tudo nela, é incrível.
Quando formigueiros trocam o pé da serra por um lugar mais
alto, é sinal de que vai chover. E chuva grossa!
Quando a asa branca troca de lugar é porque o lugar trocado
vai entrar num período de seca brava.
Se no período correspondente aos meses de novembro e março
não chover é porque o inferno vem à terra.
A crença está aliada à sabedoria popular.
O estudioso da cultura brasileira Luís da Câmara Cascudo
(1898-1986), potiguar, deixou nos seus livros um legado invulgar. Em muitos dos
seus livros, ele enfoca a simplicidade do povo. Nessa simplicidade se acha
retalhos da vivência milenar da vida humana.
O sanfoneiro e cantador Luiz Gonzaga (1912-86) também
retratou a vida do povo na sua obra. As crenças estão lá, como a pedra de sal
que o sertanejo em que tanto acredita. Expostas num lugar qualquer da casa,
essas pedras se amanhecerem umedecidas é sinal de que a terra propiciará
fartura naquele ano.
A festa do milho é uma das muitas que o sertanejo promove em
junho.
O Rei do Baião traz na sua discografia um LP (A festa do
Milho, 1963) que lembra um pouco o saber, no seu estágio puro, do homem do
campo. Ouça:
No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se
acha a discografia de Luiz Gonzaga e quase todos os livros de Câmara Cascudo.
quinta-feira, 19 de março de 2020
GATO TAMBÉM É GENTE
![]() |
| Bons tempos: Geraldo e Luna |
O gato que as rodas do carro do motorista estúpido matou não era um gato qualquer, era um gato grande e bonito com pinta de gente. Chamava-se Geraldo.
Geraldo era um gato dono da noite, rei dos telhados. Tinha miaus diferentes, vários, para momentos muito próprios. Fácil, fácil, conquistava a todos: meninos, meninas, todo mundo. Era uma graça. Negro e manhoso, que nem um puma. Não tinha um cachorro ou cachorra que não gostasse dele, por exemplo. Pidão, no que pedia era sempre atendido. Dono de si, só faltava gargalhar. E jogava-se ao colo de quem escolhia. Era c-a-r-i-n-h
-o-s-í-s-s-i-m-o.
Quem teve a alegria de conhecer o Geraldo, teve a alegria de conhecer um gato, gato. E se, embora rapidamente, um ser feliz. Até o grande historiador José Ramos Tinhorão, paulistano do céu, apaixonou-se por ele. E até dizia: "Esse gato é rico, feliz".
![]() |
| Geral partiu deixando saudade em corações infantis e adultos, como o meu |
Geraldo era poliglota. Sei, sei, vocês podem achar que estou exagerando. Mas, não. Ele não fala, por exemplo em inglês pra todo mundo. Ele escolhia o interlocutor, que poderia ser francês ou italiano. Os miaus dele eram incríveis. Nada não, Geraldo era quase gente. Não que isso fosse especialmente importante...Segunda alí pelas sete, Geraldo achou de desafiar a noite dando um pulo na rua. Foi aí que um motorista tresloucado passou por riba dele. Pegou de repente, Geraldo não teve tempo nem de miar. E encantou-se. Sua companheirinha Luna, Leide Luna, anda pra lá e pra cá procurando com seu miau doce de viúva o seu Geraldo.
Embora ciente, de quarentena e cuidando-se do vírus da corona, foi dar uma espiadinha fora de casa e...
Dados do IBGE indicam que há 22 milhões de gatos no Brasil. Agora, menos um.
No livro mais recente do cartunista Fausto, Gataiada (capa ao lado). Minha por ele foi registrada a frase: "Eu não sei, você não sabe, mas há quem ache que o gato também é gente". Essa frase tem haver com Pistolinha, que também foi atropelado há uns cinco meses.
Pistolinha era um gato miúdo e alegre, feliz, que enchia de beleza a casa do Fausto.
Geraldo era um gato grande e bonito com pinta de gente.
LEIA MAIS: Cães e Gatos Também Têm Direitos "Humanos"
segunda-feira, 16 de março de 2020
VERÍSSIMO, VIETNÃ: O PRISIONEIRO
O exército norte-americano cometeu uma das maiores atrocidades numa
guerra. Foi no dia 16 de março de 1968 numa aldeia de My Lai, no Vietnã.
Brutalmente assassinadas crianças, homens e mulheres. No total mais de 500
pessoas.
Esse massacre lembrou-me a cantora Joan Baez, o jornalista José Hamilton
Ribeiro e do escritor Érico Veríssimo (1905-1975), esse último autor do romance
O Prisioneiro (Editora Globo; 1ª edição, 1967).
Veríssimo identifica o lugar onde transcorre a história num ponto
qualquer da Ásia, próximo à China.
Os personagens principais são um tenente que deixa o seu país para
servir fora, sob o comando de um coronel.
O coronel determina ao tenente que interrogue um prisioneiro. E isso
pouco antes de o tenente retornar ao seu país de origem e já no fim do livro.
O romance é fortíssimo e bem movimentado. Fantástico!
Na terra onde foi prestar serviço militar, o tenente faz amizade com
uma voluntária francesa que dedica todo o seu tempo a ajudar crianças órfãs.
Ele à ela conta toda sua história.
O romance chega ao ápice com a explosão de um bordel no qual se achava
uma prostituta por quem o tenente se apaixonara. Nenhum dos personagens tem
nome no livro, à exceção da prostituta que aparece apenas pela letra K.
Veríssimo também não diz, mas deixa crer que o lugar onde se passa a
história é o Vietnã.
E foi no Vietnã, no dia 20 de março de 1968, que Hamilton Ribeiro pisou
numa bomba e foi aos ares. Escapou, mas deixou lá um pedaço do seu corpo. Antes
disso, a cantora e instrumentista nova-iorquina Joan Baez foi às ruas com
Martin Luther King (1929-68), chamando a atenção do mundo para os horrores da
guerra.
José Hamilton Ribeiro é o jornalista mais premiado do Brasil e também
um dos escritores mais festejados. Lê muito e é viciado em moda de viola. Pra
ele escrevi o poema ZÉ:
O mundo anda perdido
Que nem galo sem terreiro
Que nem um cego sem guia
Ou barco sem timoneiro
Mas ainda bem que tem
José Hamilton Ribeiro
Repórter de boa cepa
Ouro puro, verdadeiro
É um galo bom de briga
Doido por galinheiro
Hoje seu nome é marca
Do jornalismo brasileiro
Na pauta desse José
Tem sanfona, tem pandeiro
Tem cantiga de Matuto
E prosa de marrueiro
Fora isso ainda tem
Verso, viola e violeiro
Ele foi a todo o canto
Foi até o estrangeiro
Foi à luta, foi à guerra
Lutou foi bom guerreiro
Caiu mas levantou-se
De modo muito ligeiro
Incansável segue firme
Livre, leve e faceiro
Redescobrindo na vida
O prazer aventureiro
De fazer mais reportagens
Com o carimbo Zé Ribeiro
Novas guerras continuam
No Brasil, no mundo inteiro
É gente matando gente
Por nada, só por dinheiro
Mas nem a morte mata
José Hamilton Ribeiro
JÚLIO MEDAGLIA DÁ SHOW NO PAIAIÁ
O maestro paulistano Júlio Medaglia deu uma das mais espontâneas e esclarecedoras entrevistas que já ouvi. Foi sábado 14 no programa Paiaiá, apresentado pelo baiano Carlos Silvio. Durou uma hora. Do meio dia às 13hrs.
O apresentador começou o programa apresentando o entrevistado. Em seguida, brincou dizendo que ambos tinham pelo menos um ponto em comum: o futebol.
Silvio é goleiro de um time de Varzea e Medaglia foi ex-goleiro e por pouco não profissionalizou-se.
O maestro revelou que na infância costumava pular o muro do estádio do Palmeiras para, como penetra, acompanhar os treinos do seu time: o Palmeiras. E entre uma pergunta e outra, o grande maestro brasileiro contou que virou músico por acaso, pois nenhum parente próximo tinha nada a ver com música.
No começo encantou-se com uma réplica de violino. Coisa de brinquedo. Até que um dia ganhou um violino de verdade e aí não teve mais jeito, transformou-se no artista que todo o mundo aplaude com carinho e respeito.
Dentre os compositores brasileiros de preferência de Medaglia estão Carlos Gomes e Caetano Veloso. Pois é, do erudito ao popular.
Júlio Medaglia já regeu grandes orquestras do Brasil e do Exterior.
Ainda neste ano, na Hungria, Medaglia deverá voltar a reger orquestra interpretando O Guarany.
O Guarany, estreou mundialmente na noite de 19 de março de 1870. O palco dessa apresentação foi o Alla Scala de Milão, Itália. Logo após o concerto, o compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) respondendo a um repórter disse: "Esse moço começa por onde eu termino." Esse moço era o paulista de Campinas Antonio Carlos Gomes (1836-96).
O que tem a ver Caetano com Medaglia?
Bom, prefiro que vocês descubram o ponto comum entre os dois acompanhando a entrevista feita pelo craque Carlos Silvio. Cliquem:
O apresentador começou o programa apresentando o entrevistado. Em seguida, brincou dizendo que ambos tinham pelo menos um ponto em comum: o futebol.
Silvio é goleiro de um time de Varzea e Medaglia foi ex-goleiro e por pouco não profissionalizou-se.
O maestro revelou que na infância costumava pular o muro do estádio do Palmeiras para, como penetra, acompanhar os treinos do seu time: o Palmeiras. E entre uma pergunta e outra, o grande maestro brasileiro contou que virou músico por acaso, pois nenhum parente próximo tinha nada a ver com música.
No começo encantou-se com uma réplica de violino. Coisa de brinquedo. Até que um dia ganhou um violino de verdade e aí não teve mais jeito, transformou-se no artista que todo o mundo aplaude com carinho e respeito.
Dentre os compositores brasileiros de preferência de Medaglia estão Carlos Gomes e Caetano Veloso. Pois é, do erudito ao popular.
Júlio Medaglia já regeu grandes orquestras do Brasil e do Exterior.
Ainda neste ano, na Hungria, Medaglia deverá voltar a reger orquestra interpretando O Guarany.
O Guarany, estreou mundialmente na noite de 19 de março de 1870. O palco dessa apresentação foi o Alla Scala de Milão, Itália. Logo após o concerto, o compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) respondendo a um repórter disse: "Esse moço começa por onde eu termino." Esse moço era o paulista de Campinas Antonio Carlos Gomes (1836-96).
O que tem a ver Caetano com Medaglia?
Bom, prefiro que vocês descubram o ponto comum entre os dois acompanhando a entrevista feita pelo craque Carlos Silvio. Cliquem:
LEIA TAMBÉM: BATE-PAPO COM MEDAGLIA, NA TRIANON
sexta-feira, 13 de março de 2020
DITADURA NUNCA MAIS! (1)
O dia 15 de março é histórico, no Brasil.
Foi nesse dia que o carioca João Baptista Figueiredo (1918-99) encerrou o ciclo de generais presidentes da República, inciado com o golpe militar de 1964. Esse golpe foi deflagrado na madrugada do dia 1º de abril.
Também a ver com o 15 de março é o fim do governo do gaúcho Ernesto Geisel (1907-96) iniciado, aliás, no 15 de março de 1974.
Figueiredo foi aquele que dizia preferir cheiro de cavalo a cheiro de gente.
Geisel foi aquele da abertura democrática, cujo o processo seria lento, gradual e seguro. Foi no decorrer desse processo que brasileiros e brasileiras exilados começaram a retornar ao País.
A história é longa, mas não podemos esquecê-la.
Será que o atual presidente da República está planando semente daninha pra o governo assumir o País todo fardado?
Foi nesse dia que o carioca João Baptista Figueiredo (1918-99) encerrou o ciclo de generais presidentes da República, inciado com o golpe militar de 1964. Esse golpe foi deflagrado na madrugada do dia 1º de abril.
Também a ver com o 15 de março é o fim do governo do gaúcho Ernesto Geisel (1907-96) iniciado, aliás, no 15 de março de 1974.
Figueiredo foi aquele que dizia preferir cheiro de cavalo a cheiro de gente.
Geisel foi aquele da abertura democrática, cujo o processo seria lento, gradual e seguro. Foi no decorrer desse processo que brasileiros e brasileiras exilados começaram a retornar ao País.
A história é longa, mas não podemos esquecê-la.
Será que o atual presidente da República está planando semente daninha pra o governo assumir o País todo fardado?
segunda-feira, 9 de março de 2020
ROSIL CAVALCANTI PARA BONS OUVIDOS
Após três anos o público consumidor de boa música tem a oportunidade de escutar com prazer meia dúzia de títulos do pernambucano Rosil Cavalcanti (1915-68). Essas músicas receberam especial atenção do compositor e instrumentista Jorge Ribbas. São elas: Aquarela Nordestina, Vassoureiro, Tropeiros da Borborema, Pacífico Pacato, Sebastiana, Meu Cariri.
O talento inventivo de Ribbas o levou a enveredar no mundo de Cavalcanti como poucos o fizeram até agora. Foi mergulho profundo e o resultado, uma delícia.
As músicas selecionadas por Jorge Ribbas foram diversas vezes gravadas por grandes nomes da melhor música do Brasil, entre os quais Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês.
Para ajudar na missão de rever ou revisitar um pouco da obra de Rosil Cavalcanti, Ribbas convidou os craques Marquinho Drums (bateria) e Rainere Travassos (baixo). O resultado, repito: uma delícia!
As músicas rearranjadas por Jorge Ribbas se acham em todas as plataformas digitais, como Spotify, Deezer.
Ah! Ia-me esquecendo: o bloco de músicas de Cavalcanti escolhido por Ribbas, encerra com um forró assinado por mim e por ele, intitulado Viva Rosil! Ouça:
O talento inventivo de Ribbas o levou a enveredar no mundo de Cavalcanti como poucos o fizeram até agora. Foi mergulho profundo e o resultado, uma delícia.
As músicas selecionadas por Jorge Ribbas foram diversas vezes gravadas por grandes nomes da melhor música do Brasil, entre os quais Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês.
Para ajudar na missão de rever ou revisitar um pouco da obra de Rosil Cavalcanti, Ribbas convidou os craques Marquinho Drums (bateria) e Rainere Travassos (baixo). O resultado, repito: uma delícia!
As músicas rearranjadas por Jorge Ribbas se acham em todas as plataformas digitais, como Spotify, Deezer.
Ah! Ia-me esquecendo: o bloco de músicas de Cavalcanti escolhido por Ribbas, encerra com um forró assinado por mim e por ele, intitulado Viva Rosil! Ouça:
LEIA TAMBÉM:
sexta-feira, 6 de março de 2020
SOMOS TODOS IGUAIS, HOMENS E MULHERES
![]() |
| A cantora e instrumentista Inezita Barroso morreu no dia 8 de março de 2015. Ela também foi uma guerreira, despreconceituosa e ativa |
O presidente
venezuelano, Nicolás Maduro foi à televisão estatal para convocar as mulheres a
engravidar. Disse ele: "Vão parir,
pois, vão parir! Todas as mulheres tendo seis filhos, todas. Que cresça a
pátria!".
Há muito
desaforo contra as mulheres, no Brasil e em todo canto.
A Constituição
brasileira, de 1988, garante no seu artigo 5º: “Todos são iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
O Dia Internacional da Mulher é há muitos anos lembrados no
dia 8 de março. O que provocou isso foi um incêndio que matou muitas operárias
numa fábrica estadunidense. Esse incêndio foi provocado pelos donos da fábrica.
Clique: 8 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DE TUDO QUE É BOM
Em 2019, quer dizer ano passado, foram registrados 1.314 feminicídios,
maior parte no Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia.
Casos de feminicídio são encontrados na vida real e na
literatura romanesca do Brasil, desde José de Alencar (1829-1877) a Manoel de
Oliveira Paiva (1861-1892). Leia: O FEMINICÍDIO NAS ARTES.
A grande Clarisse Lispector (1920-1977) também abordou a questão
feminicídio no conto A Língua do P, de 1974. Leiam: A LÍNGUA DO P
A luta das mulheres por igualdade ocorrem no mundo todo e há muito tempo. Clique:
quinta-feira, 5 de março de 2020
MAIS UM MAL DOS TEMPOS
O mundo é uma bola e como tal vive rodando, nos entonteando.
Desde sempre.
As mazelas que nos chegam, nos matam. Não são poucas e vem
de longe.
As desgraças mais recentes, desde a Idade Média, dão conta
de milhões de mortes provocadas por doenças de muitos tipos.
A peste negra matou milhões e milhões de pessoas ao deixar
seu berço, a China, e seguiu serelepe ceifando vidas no Continente africano, Itália e
daí, Europa. Isso, em fins do século 14. Essa peste passou pelos Estados Unidos e chegou a “nostra” América.
O último caso de peste negra, ou bubônica, foi registrada no
Ceará há poucos anos.
Além das guerras no Oriente Médio e noutras partes, agora
temos entre nós, o chamado Corona Vírus, que resulta na COVID-19. Esse novo vírus já matou
milhares de pessoas na China, Irã, Espanha, França, Itália.
Noutros tempos, o assunto já teria rendido tema para
cordelista e compositores da música popular. Como isso não ocorreu até agora,
entro no tema escrevendo os versos em sextilha que seguem.
Corona Vírus chegou
Montado num furacão
Chegou bem de repente
Provocando confusão
Enchendo de medo o mundo
Desde China até Japão
Claro que dá pra dizer
Que é mais forte que tufão
Mais terrível que pitbull
Quando parte para ação
Corona vírus mata
Olhe bem, preste atenção
Muitos seres já
morreram
Muitos outros
morrerão
Esse vírus
se alastra
Como praga em algodão
Não tem pena
de ninguém
Nem de ateu,
nem de cristão
Voa nas asas do vento
Que nem piolhos do cão
Está em todo canto
Contaminando nação
Deus, que bicho é esse
Com tanto poder de ação?
Invisível é esse bicho
Maldito sem coração
Mata pobre, mata rico
Com ele não há perdão
Veneno é sua foice
Seu machado, seu facão
O mundo contaminado
Assusta população
Que indefesa fica
Fazendo sua oração
Apostando ser possível
Haver fim pra maldição
Filho da peste negra
Terror, horror,
danação
O bicho feio mata
Pela boca, pela mão
Já nem se pode beijar
Isso é fato, meu
irmão!
Ouvi repórter dizer
No rádio, televisão
Terrível é esse vírus
Que maltrata cidadão
Que põe fim a bom
abraço
E impede apertar mão
Apanhar
maldito vírus
É ganhar condenação
É ganhar um passaporte
Só de ida num caixão
O bicho pega e mata
Sem qualquer explicação
O mundo
ficou doido
Agitado, em
convulsão
Não se sabe
o que fazer
É grave a
situação
Os governos procuram
Para o mal a
solução
Especialistas pedem
Para o povo lavar mão
Para o povo se cuidar
Pra não dar bobeira, não
Indícios fazem crer
Ser o Bode a maldição
Parece fim de tudo
De um tempo em
perdição
Não há muito o que
fazer
Pra possível salvação
Ora pois, vou perguntar:
Jesus Cristo foi-se em
vão?
PAULO CARUSO NO PAIAIÁ
quarta-feira, 4 de março de 2020
INEZITA BARROSO, SAUDADE...
![]() |
| Inezita gravou discos em todos os formatos. No link aí, Zuza Homem de Melo e eu falamos sobre a importância dessa artista: https://youtu.be/m01TTKdiEpM |
No dia em que a cantora Inezita Barroso completaria noventa e cinco anos de idade, a atriz e instrumentista Adelaide Chiozzo trocaria esta terrinha maluca pelo céu estrelado de Deus.
Adelaide nasceu no dia oito de maio de 1931, em São Paulo.
Ficou famosa, primeiro, como atriz do cinema e da televisão. Participou de uma
dezena de filmes e começou a gravar discos na década de 1950. Entre as
gravações que fez estão Sabiá na Gaiola (Hervé Cordovil e Mário Vieira) e
Beijinho Doce (Nho Pai). Curiosamente, também gravou uma música do ator
premiado Anselmo Duarte em parceria com Bene Nunes: Pedalando, polca.
A primeira gravação de Sabiá na Gaiola foi feita pela
cantora Carmélia Alves (1923 – 2012)
Nós, brasileiros, estamos perdendo o bom hábito de ler
livros, ouvir boa música e lembrar dos nossos grandes artistas.
A cantora e instrumentista Inezita Barroso, de batismo Ignês
Magdalena Aranha de Lima (1925 - 2015) deixou-nos uma obra grande e ótima.
Gravou tudo de bom que queria gravar, incluindo modas de viola, emboladas,
toadas, sambas e choros.
Inezita nasceu num 4 de março, de Carnaval, e partiu rumo à
eternidade no dia 8 de março, dia Internacional da Mulher. Deixou saudade,
muita saudade, uma filha (Marta) e netos.
Inezita frequentava minha casa e eu a casa dela.
Nunca emborcou um copo de cachaça, mas adorava entornar um
uisquinho, sem gelo. Fiz-lhe companhia muitas vezes, nesse salutar exercício de
levantamento de copo.
Eu e Inezita frequentávamos o extinto restaurante
Parreirinha, ao lado de Jamelão, Miltinho, Adoniran.
Escrevi um livro sobre ela: A Menina Inezita Barroso (Cortez
Editora; 2011). A ideia, era escrever outro. No primeiro, conto a sua história
até os dezessete anos de idade...
Foi em Recife, PE, que Inezita iniciou a carreira musical. Isso
no velho teatro Princesa Isabel, pelas mãos de mestre Capíba. Bela história é a
dela. Gravou em 78 RPM, compactos de 33/45 RPM, LP’s, e CD’s.
Inezita estreou em disco em 1951, mas foi a partir de 1953
que ela passou a chamar a atenção do público e crítica. Nesse ano, ela gravou o
samba-canção que se tornaria clássico: Ronda, de Paulo Vanzolini (1924 - 2013).
Ela costumava a guardar tudo que gravava, incluindo entrevistas à emissoras de
rádio e televisão. Guardava também recortes de jornais e revistas a seu
respeito.
Uma vez Inezita deixou escapar que não tinha na sua
discografia material o 78 RPM que trazia Ronda. Pouco depois presenteei-lhe com
um exemplar desse disco.
Pouco antes de Inezita morrer, o multi-instrumentista Papete
e eu compusemos A Brasileira Inezita Barroso. Ouçam: https://youtu.be/lvOcOmTo4PI
Em 1998, eu Fernando Faro e outro participamos no programa Roda Viva entrevistando a grande cantora:
terça-feira, 3 de março de 2020
COM O CORONA VÍRUS, VÃO SE EMBORA O BEIJO E O SEXO
![]() |
| É sempre importante ler Luís Câmara Cascudo. A 1ª edição do Dicionário do Folclore Brasileiro é de 1954... |
Ouvi em algum lugar que já houve corona vírus lá pro lado da China, de onde está vindo para empestear o mundo. Porisso dizem que o atual corona é um novo corona. Fato é que novo ou velho corona é praga. Isso me faz lembrar a praga que foi a peste negra ocorrida em fins da Idade Média, surgido, vejam vocês!, também na China. Da China para a África, da África para Itália, da Itália para Europa e de lá Estados Unidos, América Latina... Não faz muito, em Fortaleza o vírus da peste negra foi detectado em cearenses. Peste negra porque o vírus provocava manchas negras na pele. Mas essa é outra história. Ou não?
Acabou de escutar no rádio notícia dando conta de que a Santa Igreja Católica acaba de sugerir — ou proibir? — ao cristãos que não aperte a mão nem abracem os seus semelhantes na igreja. Essa recomendação me leva a pensar num desastre enorme que está por vir como consequência do corona.
O gesto de apertar a mão e abraçar alguém, data de milênios.
No velho Egito, descobriram-se hierógrafos com imagens de alguém apertando a mão de alguém. Falou-se de um deus apertando a mão do faraó. Que seja.
Uma vez mestre Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) respondeu a uma pergunta que lhe fiz sobre a origem do aperto de mão. A resposta foi mais ou menos esta: Na antiguidade, chefes guerreiros apertavam-se as mãos para indicar que estavam desarmados e dispostos a por fim ao um conflito qualquer.
Esse gesto a que se refere Cascudo, espalhou-se até os dias atuais.
O abraço entre as pessoas surgiu como cordialidade, uma maneira natural de as pessoas manifestarem seu apreço por outras.
Tudo isso pode acabar com a chegada sempre imprópria de mais um vírus maldito entre nós.
E como uma coisa puxa outra, pergunto aos meus botões: se acabar o aperto de mão, se acabar o abraço, o que vai sobrar a nós seres humanos?
Conclusão: ouço dos meus botões a indicação de que o ato de beijar, praticar sexo também vai se acabar.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
BAIÃO EM ALEMÃO
Luiz Gonzaga, o rei do baião, é um dos artistas mais lembrados do Brasil. Deixou uma obra vigorosa, formada por mais de 600 títulos. Deixou inúmeros sucessos até hoje revisitados ou regravados pelos artistas mais novos e mais velhos, no Brasil e no Exterior.
Muitas músicas de Gonzaga, já foram vertidas nos mais diversos idiomas: inglês, francês, espanhol, japonês, coreano (do Sul).
Agora foi a vez de o Rei do Baião ganhar um CD inteiro com títulos do seu repertório.
O CD Luiz Gonzaga in Deutsch traz 11 músicas. Começa com Louvação a João XXIII e segue com Xote Ecológico, Ave Maria Sertaneja, Asa Branca, A Volta da Asa Branca...
Esse é um disco bastante curioso.
As músicas são interpretadas pelo Frei alemão Adolf Temme, responsável também pela versão alemã.
Edinaldo Sóstenes foi o artista incumbido da instrumentalização e direção artística dessa obra.
O sanfoneiro Ranier Oliveira deu ao disco o tom brejeiro.
Wilson Seraine, nome muito conhecido no Piauí, foi quem teve a iniciativa de produzir Luiz Gonzaga em Alemão.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
FINALMENTE, CINZAS
Em 1967, Roberto Carlos defendeu no III Festival da Música
Popular Brasileira, promovida pela TV Record, o samba-canção Maria Carnaval e
Cinzas. Essa música, de Luiz Carlos Paraná (1932-1970), foi classificada em 5º
lugar. Desse festival também participaram Erasmo Carlos e Ronnie Von,
considerados até hoje apolíticos. Maria Carnaval e Cinzas começava assim:
Nasceu Maria quando a folia
Perdia a noite, ganhava o dia
Foi fantasia seu enxoval
Nasceu Maria no Carnaval...
E terminava
com a personagem morrendo como morrem as quartas-feiras de cinzas:
Morreu Maria quando a folia
Na quarta-feira também morria
E foi de cinzas seu enxoval
Viveu apenas um Carnaval...
O Carnaval é
o maior evento de público do Brasil. Suas origens são remotas. Chegou ao país
nos fins dos séculos XVI. Entrudo era a marca dessa festa que o tempo findou
por abolir. Era violento. Diz-se que o Imperador Pedro I e o filho que o
sucedeu divertiam-se com isso.
O Entrudo
foi proibido pela polícia no meio da segunda parte do século 19.
Não houve
Carnaval em 1894, como registrou em crônica o escritor Machado de Assis
(1839-1908). Clique: https://culturadetravesseiro.blogspot.com/2011/03/cronicas-de-machado-de-assis.html
O Carnaval
que conhecemos começou a ganhar forma na virada do século XIV para o século XX,
com a marchinha O Abre Alas (1899).
A primeira
escola de samba, ainda não na forma que conhecemos, chamou-se Deixe-a Falar
(1928).
São milhares
as músicas que falam de Carnaval.
Em 1965, o
cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré lançou no seu 2º LP (Hora de
Lutar; Continental), a marchinha Sonho de um Carnaval (Chico Buarque).
Seis anos
depois, foi a vez de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes comporem Marcha da
Quarta-feira de Cinzas. Ouça: https://youtu.be/_ujIZja_rIU
No acervo do
Instituto Memória Brasil, IMB, acham-se milhares de músicas feitas e gravadas
para o Carnaval, incluindo as três citadas neste texto.
QUARESMA
A Quaresma começa hoje. Próximo dia 12 de abril, começa a Páscoa. Esse período é para os católicos repensarem a vida, a partir da tortura, morte e ressurreição de Cristo.
VANDRÉ, EU E CAMÕES
A naturalidade a mim apresentada ontem 25 por Geraldo Vandré leva-me à compartilhar com vocês, meus amigos, minhas amigas a informação que dei sobre a tarefa que desenvolvi adaptando o belíssimo texto Os Lusíadas, de Camões, para Canto e Cordel. São mais de mil versos em cerca de 170 estrofes de sextilhas. Surpreso, ele perguntou: "Você fez isso?". Não só, acrescentei, essa é a única adaptação do mundo desde 450 anos feita por alguém no mundo; E esse alguém, um cego. Prazer. Um trecho, bem pequenininho:
Um dia Júpiter chamou
Seus pares pra conversarQueria deles saber
Que posição adotar
Sobre certa viagem
de um certo homem no mar
Deuses foram chegando
Decididos a escutar
Decididos a entender
O que Júpiter tinha a falar
Seria sobre a viagem
Daquele homem no mar?
Ouviu-se um zum, zum, zum
Eram Deuses a murmurar:
Quem seria esse valente
decidido a enfrentar
Os mau humores do tempo
E as estranhezas do mar?
VANDRÉ AGORA É FOLCLORE
O Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Águia de Ouro insistiu durante 44 anos pra faturar o primeiro campeonato do Carnaval paulistano. Isso aconteceu ontem 25, no final da tarde.
Geraldo Vandré, por sua vez, precisou de menos de dez anos (1964-1968) para firmar-se na história da nossa música e ter sua obra como referência folclórica. Isso não é pouco!
O potiguar Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), o mais ilustre estudioso da nossa cultura popular, dizia ser preciso que se passassem pelo menos 100 anos para que um causo, um conto, uma anedota ou uma música caísse totalmente no gosto popular e fizesse parte do mágico tapete do folclore. Dizia também que, de certo modo, cada um de nós já nasce mestre. Ouça:
Em dezembro de 1978 entrevistei Cascudo em Natal. A entrevista foi publicada no dia 7 de janeiro em 1979 no suplemento Folhetim, do paulistano Folha de S.Paulo. Leia: O VELHO QUE SABE TUDO
Logo após o anúncio que encheu de alegria os integrantes e torcedores da escola samba Águia de Ouro, perguntei a Vandré o que ele tinha a dizer a respeito. "Foi muito bom, mereceu a vitória", ele disse. E disse isso com alegria, com muita alegria, tanto que me surpreendeu sobre maneira. Lembrei-lhe que o enredo (O poder do saber – Se saber é poder… quem sabe faz a hora, não espera acontecer) não o citam nominalmente. Resposta: "E precisava?".
Conheço Geraldo Vandré há mais de 40 anos e nunca o vi tão de bem com a vida. Feliz, mesmo.
O modo natural de Vandré, fez-me lembrar o cientista e compositor Paulo Vanzolini (1924-2013).
Um dia fim de tarde Vanzo, como os mais próximos chamavam Vanzolini, telefona dizendo que tem uma novidade e que essa novidade ele gostaria de contar pessoalmente. E lá fui eu ao museu de Zoologia da USP para ouvir o amigo, ele era diretor do museu. À vontade, risonho, parecendo criança, ele mostrou-me o dicionário Aurélio aberto na página em que era citado. A citação deveu-se a Volta por Cima, composição gravada originalmente pelo mineiro Noite Lustrada, em 1963.
Geraldo Vandré, por sua vez, precisou de menos de dez anos (1964-1968) para firmar-se na história da nossa música e ter sua obra como referência folclórica. Isso não é pouco!
O potiguar Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), o mais ilustre estudioso da nossa cultura popular, dizia ser preciso que se passassem pelo menos 100 anos para que um causo, um conto, uma anedota ou uma música caísse totalmente no gosto popular e fizesse parte do mágico tapete do folclore. Dizia também que, de certo modo, cada um de nós já nasce mestre. Ouça:
Em dezembro de 1978 entrevistei Cascudo em Natal. A entrevista foi publicada no dia 7 de janeiro em 1979 no suplemento Folhetim, do paulistano Folha de S.Paulo. Leia: O VELHO QUE SABE TUDO
Logo após o anúncio que encheu de alegria os integrantes e torcedores da escola samba Águia de Ouro, perguntei a Vandré o que ele tinha a dizer a respeito. "Foi muito bom, mereceu a vitória", ele disse. E disse isso com alegria, com muita alegria, tanto que me surpreendeu sobre maneira. Lembrei-lhe que o enredo (O poder do saber – Se saber é poder… quem sabe faz a hora, não espera acontecer) não o citam nominalmente. Resposta: "E precisava?".
Conheço Geraldo Vandré há mais de 40 anos e nunca o vi tão de bem com a vida. Feliz, mesmo.
O modo natural de Vandré, fez-me lembrar o cientista e compositor Paulo Vanzolini (1924-2013).
Um dia fim de tarde Vanzo, como os mais próximos chamavam Vanzolini, telefona dizendo que tem uma novidade e que essa novidade ele gostaria de contar pessoalmente. E lá fui eu ao museu de Zoologia da USP para ouvir o amigo, ele era diretor do museu. À vontade, risonho, parecendo criança, ele mostrou-me o dicionário Aurélio aberto na página em que era citado. A citação deveu-se a Volta por Cima, composição gravada originalmente pelo mineiro Noite Lustrada, em 1963.
domingo, 23 de fevereiro de 2020
MORTOS EM CARNAVAL: PIXINGUINHA E ARY BARROSO
O Carnaval é uma das festas mais populares do mundo. Especialmente no Brasil. Às vezes cai no mês de fevereiro, às vezes cai no mês de março. As datas são móveis.
São muitos os compositores que cuidam de criar para os
carnavais. Braguinha (1907-2006), por exemplo, gerou muitos clássicos como
Chiquita Bacana, Pirolito, Tem Gato na Tuba, Touradas em Madri.
Zé Keti (1921-1999) foi o compositor que assinou a impagável
Máscara Negra.
O insuspeito Pixinguinha (1897-1973), que morreu num dia de
carnaval (17 de fevereiro) também deixou a sua marca nas festas de Momo.
Quem também morreu num fevereiro de Carnaval,
dia 9, foi o mineiro Ubá Ary Barroso (1903-1964). No Acervo do Instituto
Memória Brasil, IMB, se acham milhares de músicas relacionadas ao Carnaval. A
propósito, Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwiges Gonzaga; 1847-1935) foi quem
inaugurou o ciclo das marchinhas com o Abre Alas. Essa marchinha, um clássico
em todos os tempos, só foi receber gravação definitiva em 1971. As irmãs
Batistas foram as responsáveis pela façanha. A gravação saiu num disco da série
MPB, da Abril Cultural. Ouça:sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
EDUARDO ARAÚJO NO IMB
![]() |
| Da esquerda para a direita: Carlos Sílvio, Eduardo Araújo, Assis Ângelo, Ayrton Mugnaini e Mirianês Zabot |
A Jovem Guarda foi um movimento musical e de comportamento ocorrido no período compreendido de 1965 a 1968, em São Paulo. A estréia desse programa ocorreu no Dia Internacional do Folclore: 22 de agosto. Vejam só! E findou três anos depois, no dia 24 de outubro.
Muitos artistas começaram sua carreira nesse programa, que era apresentado por Roberto, Erasmo e Wandeca. Sucesso impressionante e uma curiosidade: começou por um acaso, após o Governo Militar proibir a transmissão de partidas de futebol ao vivo nas tardes de domingo.
Pois é, o que fez a ditadura!
Participaram do programa os Vips, Golden Boys, Leno e Lilian, Jerry Adriani, Martinha, Tim Maia e Eduardo Araújo, entre outros.
Araújo, autor de dezenas de composições de sucessos, foi um dos nomes mais marcantes e requisitados pelo público que acompanhava o programa do Roberto, na TV Record.
Até Tim Maia gravou Eduardo Araújo.
Ontem 20, à noite, conversamos longamente com Araújo. O tema girou entorno de sua carreira musical como ídolo do rei do baião, Luiz Gonzaga. Vejam só! Nossa conversa teve a participação da cantora Mirianês Zabot.
A ideia foi juntar diferentes gerações de artistas. De um lado Eduardo e do outro, Mirianês. O primeiro natural de Minas Gerais e a segunda, do Rio Grande do Sul.
Houve muitas surpresas na conversa mantida ontem, ao vivo. Quem não viu ou ouvi, creio que vale a pena acessar o link: Eduardo Araújo e Mirianês Zabot em entrevista a Assis Angelo
Eduardo Araújo falou da sua fuga da casa paterna, porque os familiares não aprovavam o sonho de transformar-se em artista popular. Ora, como um filho de fazendeiro poderia trocar o certo pelo incerto? Disse que chorou algumas vezes, notadamente no dia em que ouviu a si próprio no rádio. Foi bem no começo dos anos de 1960. Sessenta e um ou sessenta e dois. Quando lançava seu primeiro disco...
Mirian Zabot também disse que chorou, e muito, quando pegou em mãos seu primeiro CD.A conversa mantida ontem 20, transmitida ao vivo pelo Facebook, também contou com a participação de Ayrto Mugnaini, jornalista e músico profissional; e Carlos Silvio, radialista apresentador do programa Paiaiá (Conectados), que, aliás, recebe amanhã a cantora bossa-novista Claudette Soares.
Conversar com Eduardo Araújo e Mirianês Zabot é, antes de mais nada, uma alegria enriquecedora. Tudo flui com naturalidade, com brincadeiras, com histórias. E como um papo puxa outro, perguntei à empresária Tânia se é difícil trabalhar com Araújo. Resposta: é fácil, muito fácil. Ele fala pelos cotovelos, diz tudo que todo mundo quer ouvir. As fotos aí são uma amostra.
![]() |
| Tânia Araújo, empresária |
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
OLHA O BANANA!
É natural que o povo de qualquer país torça e admire o seu
presidente, caso o sistema político desse país seja o Presidencial. E se não
for, dá no mesmo. Mas não é bem isso o que ocorre no Brasil.
O presidente eleito em outubro de 2018 parece não ter noção
do cargo que há um ano e pouco ocupa.
As pesquisas de opinião registram o sentimento de tristeza,
desconforto e incerteza que a população sente com relação ao presidente.
É difícil acreditar, mas é verdade: o presidente gosta de
provocar as pessoas, principalmente jornalistas.
Foi não foi os jornalistas sofrem com as provocações do
presidente. E sofrem pela violência com que o presidente lhes provoca e agride,
geralmente com palavras de baixo calão. E gestos.
Há poucos dias ele dirigiu-se aos jornalistas que o
aguardavam à saída do Alvorada com o gesto obsceno, que significa “uma banana”.
Nem vou aqui dizer o que significa esse gesto. No entanto
não custa lembrar que o Brasil é o 3° maior exportador de bananas do mundo, atrás
apenas da Índia e do Equador.
Existem centenas e centenas de tipos diferentes de banana,
além dessa que de tanto gosta o presidente.
O gesto obsceno feito pelo atual ocupante do Alvorada agride
não só aos jornalistas a quem ele se direcionou, mas a todos os brasileiros que
estão sempre prontos para respeitá-lo e incentivá-lo a seguir pelos melhores
caminhos. Não fosse assim poder-se-ia até dizer que um monte de “bananas”
elegeu um “banana” para dar “bananas” aos “bananas” que nele acreditaram.
Triste Brasil, porém pior seria se os brasileiros –
incluindo artistas – não reconhecessem a importância nutritiva dessa fruta tão
deliciosa. A propósito não custa lembrar da bela música que o mestre Braguinha (Carlos
Alberto Ferreira Braga; 1907 – 2006) e Alberto Ribeiro (1902 – 71) compuseram para
o carnaval de 1938: Yes, nós temos bananas. Essa música, uma marcha, foi
gravada por Almirante (Henrique Foréis Domingues; 1908 -80). Ouçam, no original:
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