Seguir o blog

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

FALÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO

O estudante Matheus Camacho desde que começou a estudar o fez pela via da escola particular, cujas mensalidades custam os olhos da cara. 
O estudante André Akinaga Benites, também.
E milhares e milhares, talvez alguns milhões de estudantes brasileiros estudem hoje em escola particular, levando boa parte dos pais a se matar de trabalhar para lhes oferecer um futuro melhor do que os outros, ou seja: o daqueles cujos pais são desconhecidos e vivem com a madrasta vida.
O índice de aproveitamento de quem estuda nas escolas privadas é bem maior do que o de quem estuda sob a batuta dos professores da rede oficial de ensino.
Isso está provado, tanto que não se vê com frequência alunos da rede pública exibir troféus de melhor etc.
E por que isso?
Simples: a escola pública está falida.
Os professores ganham merrecas e fingem que ensinam; os alunos, por sua vez, fingem que estudam e tudo fica por isso mesmo, sem falar da violência que é a falta de meios para quem mora longe de tudo e pena para chegar à escola ou a professores que dão aulas até debaixo de árvores no interior do País, como tantas e tantas vezes a TV já mostrou.
O fato, minha gente, é que o Brasil é carente em quase tudo; tanto que está precisando de especialistas nas mais diversas áreas.
Só no campo da Engenharia e da Arquitetura, por exemplo, faltam mais de 800 mil profissionais.
Mas isso não tem sensibilizado os governos que entram e saem do bem-bom palaciano.
Há pouco, para minha tristeza, li notícia dando conta de que até a Dilma andou cortando verbas do Orçamento da União dirigidas às áreas da Educação e da Saúde.
Quanto?
R$ 7,4 bilhões. 
Isso mesmo!
Para a Cultura, anuncia-se para este ano a disponibilização de R$ 3 bilhões.
E eu besta cá quieto no meu canto acreditando que Cultura e Educação são prioridades na vida, essenciais na formação do ser humano...

JOÃO PESSOA
O meu amigo soteropolitano Rildo Santana andou de férias por João Pessoa, cidade onde dei meus primeiros suspiros e de onde carrego o vírus da crença da paz por um país melhor. Disse ele que se encantou com a vida pessoense, com as pessoas. Disse que viu uma cidade limpa habitada por cidadãos educados e solícitos. Senti-me orgulhoso. Viva a capital paraibana!

JÔ OLIVEIRA
Do amigo Jô Oliveira, um dos melhores ilustradores do Brasil em todos os tempos, manda e-mail informando que o selo para os Correios Lendas do Folclore Brasileiro, de sua autoria, acaba de ser escolhido por um júri composto por artistas, filatelistas, representantes de instituições filatélicas e dos Correios como o Melhor Selo de 2011 (acima), na categoria Arte Filatélica e irá representar os Correios do Brasil em concursos internacionais de selos.

VIOLÊNCIA
Muitas crianças do bairro paulistano de Santo Amaro, na zona sul da cidade, ainda estão sem os presentes de fim de ano. Motivo: a violência. Na região os carteiros estão sendo assaltados, sem que as autoridades nada façam em prol dos cidadãos. Está mais do que na hora de um basta geral para pôr fim aos descalabros. 

DE PAI PRA FILHO
E hoje tem história de Gonzaga na Globo. É minissérie em quatro capítulos editada com muita coisa que sobrou do filmão. No ar depois da novela lchata de Glória Pires, Salve Jorge.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

MARATONAS ESTUDANTIS

Sempre achei legal as maratonas estudantis criadas para estimular o estudo de quem gosta mais de determinadas matérias.
A notícia de que o estudante paulistano Matheus Camacho, de 14 anos, levou para casa a medalha de ouro da Olimpíada Internacional de Ciência, realizada mês passado em Teerã, me fez lembrar meus tempos de estudante em João Pessoa.
Mas só isso, nada mais, pois sempre fui um estudante medíocre.
Nunca levei pau em matéria alguma, porém nunca passei disso, de estudante medíocre.
Claro que eu gostava de determinadas matérias, entre as quais história e português, e de algumas outras extracurriculares, como música e latim.
Acabei estudando música e artes plásticas na Divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba, com os professores Aldo Parisot, João Câmara Filho, Raul Córdula e Celene Sitônio.
Celene era professora xilogravura.
Parisot é membro da Julliard School, uma das mais respeitáveis escolas de música do mundo, da qual foi mestre de regência o cearense de Iguatu Eleazar de Carvalho (1912-96), criador do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Clique:
http://www.jornalistasecia.com.br/edicoes/culturapopular03.pdf).
Os cursos de Música e Artes Plásticas me serviram para descobrir que não tenho talento algum, a não ser o de identificar e aplaudir os verdadeiros artistas, como Miguel dos Santos (ao lado, uma de suas obras), com quem dividi sala de aulas de pintura nos começos dos 70, época em que eu já fazia onda no jornal O Norte, da capital paraibana.
Mas o fato é que sempre gostei dessas maratonas estudantis, que têm por finalidade descobrir talentos pelas entidades que as realizam.
Agora mesmo o jovem André Akinaga Benites, estudante de piano (abaixo, dando mostra de talento ao artista Geraldo Vandré), está se preparando para participar da 16ª Semana Olímpica, a se realizar entre os dias 20 e 26 deste mês, em Aracaju, SE.
André é um dos medalhistas (bronze) da 34ª Olimpíada Brasileira de Matemática, realizada mês passado.
Só o fato de participar de um evento dessa magnitude já é uma vitória na vida de qualquer estudante.
Mas o brilho da Semana Olímpica de Aracaju desde já fica ofuscado pelo fato de os pais terem de arcar com os custos de passagem dos filhos.
Ah, sim! Já não sei mais nada de latim, a não se o fato de que não existe mais.

domingo, 13 de janeiro de 2013

CAÇADOR DE CIRCO 2

Boa parte dos grandes artistas da nossa música popular, incluindo Vicente Celestino, Orlando Silva, Nélson
Gonçalves, Waldick Soriano e Luiz Gonzaga de certo modo deve seu sucesso ao público de espetáculos circenses.
Luiz Gonzaga era um verdadeiro apaixonado por circo, ele sentia orgulho de cantar e se misturar com o público e os artistas de circo.
Mas os tempos são outros, de globalização, como lembra Andrea Lago.
O cantor Chico Salles, ao constatar que não temos mais circo como antigamente, recomenda, simplesmente: nós também precisamos mudar.
O advogado e produtor musical de São Paulo Braz Baccarin, responsável pela gravação e lançamento do samba Trem das 11, de Adoniran, diz por e-mail que:
- Por falar em circo, minha infância esteve muito ligada ao circo. Acho que me apaixonei pela primeira vez aos 9 anos, por  uma trapezista. Mas isso é história que não volta mais.
Ele comenta também a onda de violência que assola o País, especialmente em São Paulo:
- A violência sempre existiu, mas agora passou do limite.
Sem dúvida, o caso é sério.
Mas é sério também o caso circo.
Será que nos circos de hoje haveria espaço para um Carequinha, um Piolin, um Pimentinha, um Arrelia ("tudo bem, tudo bem, tudo bem?"), hein?
Ali pelos anos 1990 assinei o prefácio do livro Arrelia, Uma Autobiografia (Ed. Ibrasa), que recomendo.
Para lembrá-lo, clique aí abaixo:

sábado, 12 de janeiro de 2013

CAÇADOR DE CIRCO

A violência está demais.
Todo o primeiro bloco do noticiário JN da TV Globo hoje foi sobre a violência que assola as principais cidades do País.
Não é à toa, aliás, que há programas de TV inteiros ao vivo e diariamente sobre violência espalhados por todo canto.
Assustador é tudo isso.
E fora do Brasil também a violência grassa; conflitos, guerras...
Até quando?
Por outro lado, coisas boas há: na TV Cultura, por exemplo, vi Inezita Barroso mostrar hoje a tradição das folias de reis do mês de janeiro.
Sim, eu sou insistente por coisas boas e prometo desde já: vou virar caçador de circo.
Motivo?
Sempre gostei de circo e ontem fui assistir ao espetáculo do Tihany no Parque Villa-Lobos, ali à beira da Marginal.
Fachada maravilhosa, mas a entrada um pouco salgada: R$ 150,00.
Uma garrafinha d´água, R$ 5,00.
Uma latinha de guaraná, R$ 7,00.
Um saquinho de pipoca, R$ 10,00.
Uma foto ao lado de um cachorrinho bonitinho etc. e tal do circo, no intervalo – nunca assisti a espetáculo de circo com intervalo - de 20 minutos, R$ 20,00.
Por aí.
Achei caro, inclusive porque o espetáculo conta apoio da Rouanet.
E na entrada um batalhão de vendedores nos empurrando “lembrancinhas” do Tihany.
Lá dentro, as cadeiras ocupadas com público pela metade.
Abrem-se as cortinas e ansioso tento me situar nuns momentos quaisquer do passado, em vão.
O espetáculo não tinha nada a ver com aqueles que me faziam menino feliz.
Faltou o globo da morte, faltaram os saltos mortais e o encantamento de alegria – e tristeza - provocado pelos palhaços de caras pintadas.
Atrações musicais brasileiras também faltaram.
No seu lugar, uma atração internacional em língua inglesa e no intervalo, música brega e ruim; sertanoja, como diria o meu amigo Moraes Sarmento, que já não se acha entre nós.
Senti falta de muita coisa legal que me fazia bem.
Mesmo notando os trapézios vazios, aplaudi com sinceridade a moçinha que se balançava lá no alto.
O picadeiro, cá pra nós, não reconheci.
A meu ver, legal e certinho só a dupla de acrobatas e as performáticas contorcionistas chinesas. Uma graça elas: são feitas de borracha?
Não sou especialista, mas os números de magia a mim me pareceram fracos e óbvios.
Ah! Sim, e teve o apelo ao consumo: carro bonito no palco, moto bonita no palco e até helicóptero no palco na parte de atuação do ilusionista, que, lamentável, fez uma criança voltar constrangida para seus pais.
Explica-se: foi chamada uma criança de no máximo seis anos ao palco, mas uma se adiantou e chegou primeiro. A que chegou depois, teve de voltar.
Aliás, não vi e nem ouvi criança nenhuma gargalhando ali no circo.
Quer dizer: isso também é uma violência, pois onde já se viu criança não morrer de rir num circo que se preze, hein?

ADIVINHADOR DE CHUVA
Pois é, no Nordeste tem muito adivinhador de chuva.
Esses adivinhadores também são chamados de profetas da chuva.
Mas eles não fazem chover, no máximo tentam descobrir quando a chuva chega e seca passa.
No Nordeste hoje em dia a seca ainda faz sofrer e mata bicho e gente.
Quando essa violência vai acabar, hein?
Eu mesmo morri de rir muitas vezes assistindo a estripulias de palhaços.
Será que ainda há por aí circo com palhaços que nos façam rir?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ESTRANGEIROS NA OBRA DO REI DO BAIÃO, E CARNAVAL

Sambas e marchas de carnaval na voz de craques como Silvio Caldas, Orlando Silva, Carlos Galhardo e Cyro Monteiro, entre outros, eram os gêneros musicais mais comuns em 1941, ano em que Luiz Gonzaga lançou-se como artista da música popular pela extinta fábrica de discos Victor. Antes de tornar-se Rei do Baião, ele gravou muitos choros, mazurcas, polcas e até duas músicas de autores estrangeiros: as valsas Farolito, do mexicano Agustín Lara e Manolita, do francês Leo Daniderff.
Depois de 49 músicas instrumentais lançadas à praça até 1945, Luiz Gonzaga apostou todas as suas fichas na música extraída do folclore nordestino incluindo o baião, ritmo inspirado na afinação das violas dos cantadores repentistas.
Enquanto lançava músicas que adaptava junto com o seu primeiro grande parceiro, o advogado cearense Humberto Teixeira, flautista amador, Gonzaga compunha marchinhas e sambas que, porém, jamais gravaria, como Meu Brotinho e Meu Pandeiro, lançadas por Francisco Carlos e Cyro Monteiro em 1950 e 1947, respectivamente.
Mas nem por isso ele deixou de estar ligado ao carnaval, principalmente como homenageado em sambas de enredo.
As primeiras homenagens que ele recebeu nesse estilo musical datam dos fins dos anos 1970, através de grupos e pequenas escolas do Nordeste.
Em 1982, a escola de samba carioca Unidos de Lucas, foi à avenida com o enredo Lua Viajante.
Dez anos depois foi a vez de o Maranhão prestar louvor ao grande pernambucano de Exu, com o enredo Luiz Gonzaga Rei do Baião, interpretado pelo puxador Ribão, hoje presidente da União das Escolas de Samba do Estado.
Pouco antes, em 1990, Pernambuco o homenageou com o samba enredo Lula Lua do Sertão.
Trinta anos depois de a escola de samba Unidos de Lucas o homenagear o Rei do Baião, foi a vez de a escola do 1º grupo do Rio de Janeiro Unidos da Tijuca ir à Sapucaí com o enredo O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida Para Coroar o Rei Luiz do Sertão (CLIQUE abaixo, na linha azul).
Essa escola ganhou o carnaval de 2012 com 299,9 pontos.


E o Dominguinhos continua internado no Hospital Santa Joana, em Recife. O seu estado de saúde permanece inalterável. Ou seja: merecedor de todos os cuidados.   

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

MEMÓRIA DA CULTURA POPULAR


Passa ano e sai ano e tragédia provocada pela seca no Nordeste e noutras partes do País ainda persiste (recorte de jornal ao lado), sem que providências de fato e sérias sejam tomadas por quem de direito e responsabilidade.
O que não dá é os políticos continuarem a culpar São Pedro pela falta de chuva ou pela abundância de chuva, como ocorre hoje no Nordeste e no Rio de Janeiro.
O risco agora é faltar eletricidade no País, embora o governo diga que esse risco não existe.
Mas existe, é concreto: o nível dos reservatórios está na casa dos 20%.
É pouco, muito pouco.
Enquanto isso, os jornalões e a chamada grande imprensa nem, nem com a situação: pouco ou nada informam sobre esse que é um grande problema nacional.
Mas o que fazer diante desse quadro?
O primeiro impulso é rezar ou fugir das regiões atingidas tanto pela falta d´água ou pela violência da abundância d´água.
Isso é o o que eu chamo de fim do mundo.
Mas o mundo não acabou, como previram vozes agourentas espalhadas por aí a fora.
Quer saber mais sobre esse assunto?
Então clique na linha azul aí embaixo e leia o especial do mês Memória da Cultura Popular:

domingo, 6 de janeiro de 2013

OSVALDINHO EMPLACA NOVO SAMBA NA VAI VAI

Estou satisfeito já neste início de ano com a repercussão que o livro Lua Estrela Baião - a História de um Rei (Cortez Editora) está ganhando na imprensa. 
Sob o título "Imperdível", alguém de Veja escreveu:
"No mês em que se comemoram os 100 anos do nascimento de Luiz Gonzaga, o jornalista Assis Ângelo lança o livro Lua Estrela Baião - a História de um Rei. Tudo começa com Mocinha, uma senhora que reúne seus netos e bisnetos para contar parte da trajetória do sanfoneiro que projetou o baião no Brasil, e que ela conhecera pessoalmente. O livro dá destaque à infância de Gonzaga e termina quando ele deixa a cidade em que nasceu, Exu, no sertão de Pernambuco, para entrar no Exército, aos 18 anos. Mocinha fala sobre a família do sanfoneiro, principalmente o pai Januário José dos Santos, que o incentivou a puxar o fole. Ela aproveita para contar a história da cultura e do folclore nordestino, de que Gonzagão é importante personagem. Lua Estrela Baião conta com ilustrações de Luciano Tasso e com uma seção de curiosidades sobre o pernambucano".

E de Pais&Filhos, também:
"No dia do centenário de Luiz Gonzaga, que tal apresentar ao seu filho a história do Rei do Baião? No Brás, bairro antigo da cidade de São Paulo, dona Mocinha reúne seus netos e bisnetos para contar a história de Luiz Gonzaga. A obra mostra o mundo nordestino, com histórias tradicionais, natureza e folclore presentes na região".  

Acesse Exame.com clicando:

E também o Estadão, na Estante de Letrinhas:

DOMINGUINHOS
O Hospital Santa Joana de Recife acaba de divulgar novo boletim informando que o sanfoneiro Dominguinhos começou hoje a se submeter a sessões de hemodiálise. O artista continua fazendo tratamento antimicrobiano e respirando com a ajuda de aparelhos. Ainda com marca-passo, ele está sem sedação, "mas sonolento e sem estabelecer contato".    

VAI VAI
E agora fiquei sabendo que o samba enredo da Vai-Vai para o Carnaval deste ano tem entre seus autores o Osvaldinho da Cuíca, que, aliás, participa do CD O SAMBA DO REI DO BAIÃO, ao lado de Socorro Lira, Oswaldinho do Acordeon, Papete, Ventura Ramirez, Jorge Ribbas, a galega Uxía e a portuguesa Susana Travassos, entre outros artistas. Esse disco será lançado à praça após o Carnaval. Não se perde por esperar.
para ouvir o samba, clique:

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

DOMINGUINHOS ESTÁ MELHORANDO...


Fiquei fora do mundo real na última semana.
Nada de telefone, internet, jornal, revista, rádio e TV.
Só livro, livro, livro, dia e noite.
Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Machado de Assis.
Voltei ilustrado de Joanópolis, SP, a terra dos lobisomens.
E o Darlan Ferreira me liga agora, dizendo que o Geraldo Vandré acompanhou entrevista que dei ontem à noite à CBN, sobre o rei do baião Luiz Gonzaga.
Segundo Darlan, Vandré foi logo lhe perguntando:
- Você está gonzagueano?
E caiu na risada.

DOMINGUINHOS
O querido sanfoneiro, compositor e cantor herdeiro artístico do Rei do Baião está com melhoras; pequenas, mas sim. No hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Já respira sem aparelhos, mas ainda está inconsciente. Grave portanto, seu estado de saúde. O Brasil ficará menor sem Dominguinhos.

ANA MARIA
Minha filha Ana está em João Pessoa. Almoça sábado com o querido Miguel dos Santos, um dos maiores artistas plásticos do Brasil, em todos os tempos. Ele nasceu em Caruaru, PE, mas a capital paraibana o adotou, bem nos princípios dos anos de 1960. Estudei com ele na Divisão de Extensão Artística da Universidade Federal da Paraíba. Eu caí em mim: virei jornalista, depois de estudar com mestres como João Câmara Filho. Para Miguel, mandei hoje o livro LUA ESTRELA BAIÃO: A HISTÓRIA DE UM REI.

INEZITA BARROSO
Após chegar de Joanópolis, me deparei na portaria do meu prédio com o livro INEZITA BARROSO, COM A ESPADA E A VIOLA NA MÃO (Ed. Imprensa Oficial). Lerei e o comentarei semana que vem.

GONZAGÃO
Também na portaria se achava o livro O “BEABÁ” DO SERTÃO NA VOZ DE GONZAGÃO, assinado por Arlene Holanda e Arievaldo Viana, belamente ilustrado por Suzana Paz. Também comentarei depois.

ÍNDIA
Os advogados indianos estão dando um exemplo incrível e bonito ao mundo: não defender canalhas. O caso é que bandidos impunes estupraram semana passada em Nova Deli uma estudante de 23 anos, que morreu ontem. Lá, na Índia, ocorre um estupro a cada vinte minutos. No Brasil, a cada dez minutos uma mulher sofre algum tipo de violação. Aqui, a Lei Maria da Penha continua enfrentando dificuldade para ser cumprida. Portanto, está na hora; mais do que na hora, de o governo e a sociedade se mobilizarem em defesa 

DE NOVO, DOMINGUINHOS
Clique:

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

DOMINGUINHOS, AINDA INTERNADO

O quadro clínico do artista é estável, mas merece muitos cuidados.
Ainda não há previsão de alta do hospital.
Dominguinhos foi internado às pressas após uma gripe que lhe agravou a sua saúde já debilitada desde 2006, quando médicos diagnosticaram em São Paulo um câncer de pulmão.
Ele também sofre de insuficiência ventricular, arritmia cardíaca e diabetes.
Antes de ser internado às pressas, Dominguinhos – que não viaja de avião – tinha shows marcados em Brasília e Salvador.
No próximo dia 12 de fevereiro ele completará 71 anos de idade.
BRAGUINHA
Hoje faz seis anos que o compositor Braguinha, autor de clássicos da nossa música popular, como
Carinhoso, com Pixinguinha, partiu para a Eternidade. Ele tinha 99 anos de idade quando isso aconteceu.
CARUSO
O que o tenor italiano Enrico Caruso teve em comum com o rei do baião, Luiz Gonzaga?  
Resposta rapidinha: o 2 de agosto.
RÁDIO
A foto que ilustra este texto, na qual se vê Dominguinhos todo feliz, foi feita no dia 2 de julho de 2001num dos estúdios da  rádio Capital, onde eu apresentava o programa São Paulo Capital Nordeste, de grande audiência. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

AINDA LUIZ GONZAGA NO SEU CENTENÁRIO

O cantor Chico Salles telefona para dizer que a festa ontem e anteontem no Rio de Janeiro em homenagem a Luiz Gonzaga no seu centenário de nascimento foi bonita.
Chico diz que abriu pagode para cinco mil pessoas dançar xote, xaxado, arrasta-pé e baião na Praça Tiradentes.
“Foi de arrepiar”.
Depois, na Feira de São Cristóvão, o tarrabufado não foi diferente.
Só um porém o espantou: a chegada inesperada do cantor, compositor e instrumentista Rildo Hora dizendo que estava ali emocionado, tanto que à entrada da feira não resistiu e se abraçou ao busto do Rei do Baião.
Mas Rildo não foi chamado à festa no Rio.
Em São Paulo, Oswaldinho do Acordeon também foi esquecido pelos organizadores dos grandes momentos do centenário gonzagueano, como o que ocorreu em Exu e Recife, reunindo cerca de 700 mil pessoas.
Mas um detalhe merece destaque: dois dias antes de cantar e tocar para multidões a se contar a partir de centenas de milhares de pessoas, o sanfoneiro Chambinho (foto acima) esteve conosco prestigiando o lançamento do livro Lua Estrela Baião, a História de um Rei (Cortez Editora), no Restaurante Andrade, na zona oeste da capital paulista.
O nosso evento, simples, reuniu se tanto 200 pessoas; mas entre elas Roniwalter Jatobá, José Nêumanne, Luís Avelima, Luis Ernesto Kawall - criador do Museu da Imagem e do som -, Moreira de Acopiara e mais e mais, incluindo um grupo de canto, dança e teatro do Colégio Rio Branco formado por Augusto Trainotti, Enrico Verta, Vinicius Munhos, Anna Beatriz Gomes, Caio Ferraz e Eduardo de Paiva Gomes interpretando Luiz Gonzaga.
Viva o Rei do Baião!

TV CULTURA
Hoje tem notícia no Jornal da Cultura sobre uma exposição retrospectiva da vida e obra de Luiz Gonzaga apartir de discos de 78 RPM na Livraria Cortez, extraída do acervo do Instituto Memória Brasil (IMB). Notícia também sobre o livro Lua Estrela Gonzaga, a História de um Rei. É só ligar e conferir.

SBT
Ontem teve notícia sobre o Rei do Baião no Jornal do SBT. Confira, clicando:

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

NO CÉU, LUIZ GONZAGA E SIVUCA

Guardei na memória:
“Estamos lutando muito, mas o quadro se agrava um pouco a cada dia”.
A frase da querida Glorinha Gadelha bateu forte, sobre o estado de saúde de mestre Sivuca, seu companheiro de vida e arte por muitos anos.
O paraibano de Itabaiana Sivuca, de batismo Severino Dias de Oliveira, nos deixou aos 76 anos de idade no dia 14 de dezembro de 2006.
Eu o conheci ali pelos fins dos anos de 1970, em João Pessoa, num período de férias.
Repórter do jornal Folha de S.Paulo, lembro que publiquei no extinto suplemento Folhetim uma das melhores entrevistas que fiz com artistas da música brasileira, ocupando acho que duas páginas.
Ele adorou e passou a acompanhar o que eu escrevia.
Uma noite durante plantão na TV Globo onde também trabalhei já nos fins dos 80, eu recebi um telefonema dele reclamando da programação que estava no ar.
Disse que era uma vergonha o que estava acontecendo com a televisão brasileira.
E meteu bronca.
Antes, na entrevista que eu fizera com ele para a Folha, dissera o mesmo.
E mais: que as emissoras de rádio estavam uma droga, que a música idem etc. e tal.
Eram os tempos da discotéque, do bate-estaca.
Ele falou do mal que aquilo fazia aos ouvidos humanos e na formação das pessoas.
Sivuca era uma pessoa muito sensível, um artista incomparável, crítico, atual, participante. Lutava por um mundo melhor.
Ele amava o Brasil como poucos brasileiros, mesmo tendo permanecido ausente do País por 13 longos anos. Poderia ter ficado por lá mais tempo, mas não aguentou.
“O meu lugar é aqui”, disse quando voltou.
Pouco antes de partir, ele telefonou dizendo que queria me ver.
E aí estivemos juntos num hotel da Alameda Santos, cá em Sampa; eu ele e Glorinha.
Almoçamos, trocamos ideias e dele ganhei seu último CD Sivuca Sinfônico, com a Orquestra Sinfônica do Recife, regida pelo maestro Osaman Giuseppe Gioia.
Ele viera para se apresentar no Programa da Hebe, ao lado de Dominguinhos e Oswaldinho. E me adiantou:
“Vou prestar uma homenagem a Mário Zan, você tem visto o Mário Zan?”
Como previsto, os três se apresentaram no programa da loura, mas a direção, insensível, permitiu que tocassem apenas uma música: Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, seu parceiro no clássico Adeus Maria Fulô, gravado no começo dos anos 70 nos Estados Unidos (ouvir LP Sivuca Live at the Village Gate, nunca relançado no formato CD).
Sivuca foi um artista muito importante para a música brasileira.
A sua ausência nos faz falta.
No livro Dicionário Gonzagueano, de A a Z” há um depoimento dele, que fala da sua amizade e relação com Luiz Gonzaga.
Gonzaga, aliás, junto com Humberto Teixeira, compôs Sivuca no Baião que ele próprio, Sivuca, gravou e lançou em disco de 78 RPM (abaixo) pela extinta Continental, em dezembro de 1951.
No seu último CD Sivuca deixou também registrada a sua homenagem a Gonzaga e Teixeira na Rapsódia Gonzaguiana, que começa com Juazeiro e segue com Pé de Serra, Baião, Assum Preto, Asa Branca e Boiadeiro.
A última faixa do CD é a pérola Concerto Sinfônico Para Asa Branca.
Emocionante, do começo ao fim.
Bom, em termos musicais, essa foi a única homenagem prestada a Sivuca.
As estrelas do céu hoje têm nomes: Antenógenes Silva, Gérson Filho, Pedro Sertanejo, Mário Zan, Luiz Gonzaga, Januário, Abdias...

TORÓ E LIVRO
O temporal que desabou ontem no começo da noite na capital paulista provocou caos mas não impediu de amigos irem brindar e degustar conosco tapioca e escondinhos de carne na Livraria Cortez, como pretexto para o lançamento de um novo livro meu: Lua Estrela Baião, a História de um Rei; que, aliás será notícia daqui a minutos no Jornal do SBT. Quem não foi perdeu a bela fala de Oswaldinho do Acordeon sobre seu reacionamento com Gonzaga e o pequeno concerto que ele nos ofereceu depois. Jorge Melo e Teca não se continham de alegria, o mesmo acontecendo com José Cortez, Marcia Accioly e sua menina Andrea, Ana... Quem sabe a gente faz um repeteco, dessa vez sem chuva.

TV BRASIL
Fiquem ligados: daqui a pouco tem mais especiais sobre o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, no canal Brasil. Pra ficar com mais vontade de quero mais, clique:

http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/materias/centernario-do-gonzagao.html

TV CULTURA
E amanhã TV Cultura canal 2 estarei de novo dizendo umas coisas a respeito de Lua Estrela Baião, a História de um Rei. No programa Jornal da Cultura.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MEMORIAL EM TEMPO DE HOMENAGEM

Leio no jornal que o Universo está parando de fabricar estrelas.
O nosso planeta também, em particular o Brasil.
Aliás, não só isso: grandes estrelas estão se apagando e no lugar não surge mais nenhuma.
Há uma semana a se completar amanhã, por exemplo, desaparecia no Rio de Janeiro, aos 104 anos, a estrela Oscar Niemeyer.
Antes de Oscar, muitas outras foram engolidas pelo buraco negro do tempo.
No próximo dia 13 será feita uma dentre várias homenagens ao arquiteto de Brasília e de outros espaços daqui e de mais longe, no foyer do auditório Simon Bolivar do Memorial da América Latina que ele construiu e fez inaugurar em março de 1989.
A homenagem ganhará a forma de uma publicação sobre a sua vida.
Uma exposição de caricaturas será aberta ao público, segundo o presidente do Memorial João Batista de Andrade, que está distribuindo convite (acima) para que compareçamos ao evento.
Coincidência: esse mesmo dia 13 marca o centenário de nascimento do rei do baião Luiz Gonzaga, sobre quem hoje à noite lanço livro.

VERMEER
Hoje, às 19h30, será aberta no Masp uma exposição de obras do pintoro holandês Johannes Vermeer.
As suas obras são lindas.

CINEMA
O polo cinematográfico de Paulínia não morreu, como se anunciou há meses.
Bom, não é?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

AMANHÃ LANÇAREI LIVRO NOVO, NO ANDRADE

Foi bonita a apresentação de que participei ontem à noite na Sala dos Espelhos do Memorial da América Latina.
O ambiente ficou lotado com um público sensível e receptivo ao repertório do CD em final de produção intitulado O Samba do Rei do Baião.
A amostra de parte do repertório foi interpretada pelo trio Socorro Lira, Papete e Oswaldinho do Acordeon, formado de modo improvisado.
Os três estavam impossíveis e a noite findou em bis e muitos aplausos.

A HISTÓRIA DE UM REI
Logo mais estaremos lançando em noite de autógrafos o livro Lua Estrela Baião, a História de um Rei.
Conosco estará Chambinho, sanfoneiro de categoria que na telona faz o Rei do Baião.
O filme Gonzaga, de Pai Pra Filho é assinado pelo cineasta Breno Silveira.
A festa começará às 21 horas.
Endereço: Rua Artur de Azevedo, 874, Pinheiros.

ESPECIAIS
Emissoras de rádio e TV estão com especiais sobre Luiz Gonzaga, prontos para ir ao ar. O Jornal do SBT, por exemplo, inicia série a partir de quinta-feira 13, dia do centenário de nascimento dele, do Rei. Essa série, da qual participo, foi extraída do SBT Repórter; que, aliás, iria ao ar hoje.
A TV Câmara de Brasília porá no ar, nos dias 13 e 14, um especial do qual também participamos. A rádio Câmara também.
Clique:
http://migre.me/ce9mc

No dia 13, ao lado de Oswaldinho do Acordeon contaremos histórias e autografaremos Lua Estrela etc., na Livraria Cortez, que editou o livro, cuja sinopse é:

Para contar a história do Rei do Baião, o primeiro e único do mundo, dona Mocinha reúne um punhado de netos e bisnetos na sua casa no bairro do Brás, em São Paulo, e a eles lhes conta também um pedaço da história do Nordeste e seu folclore; a flora, as aves e os bichos miúdos e até dinossauros que habitaram a região há muitos e muitos anos.
Foi ali, em Exu, que o Rei nasceu na noite calorenta de 13 de dezembro de 1912.
Aquela noite foi marcada pela visagem intensa de uma estrela riscando o céu do lugar.
O menino-rei nasceu num casebre, com a cara redonda de uma lua cheia.
Dona Mocinha dá conta disso e dos mitos e lendas que permeiam o lugar.
Ela fala de coisas do arco da velha.
Dona Mocinha também é uma personagem e tanto!
Com sabedoria, ela prende a atenção dos netos e bisnetos.
E se ela prende a atenção dos netos e bisnetos, vai prender também a atenção de todos vocês.
A imagem do sertanejo batalhador e forte também aparece nas lembranças de dona Mocinha.
Este Lua Estrela Baião, a História de um Rei é uma lição de vida e brasilidade para leitores de todas as idades, principalmente daqueles que estão inseridos na faixa etária dos nove aos noventa anos.

EXPOSIÇÃO
Do acervo do Instituto Memória Brasil foi extraída uma exposição sobre Luiz Gonzaga, inaugurada ontem na Livraria Cortez (Rua Monte Alegre, 1074, Perdizes; telefone 11.3874.7111). A exposição faz parte da semana (programação acima) dedicada ao estilizador do baião. Entrada franca e recomendada a público de todas as idades.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

BATE-PAPO COM MÚSICA NO MEMORIAL

Domingo 9, às 19 horas, estaremos falando na Sala dos Espelhos do Auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina, sobre a vida e a obra de Luiz Gonzaga.
Na ocasião apresentaremos uma amostra do projeto O Samba do Rei do Baião, gerado e extraído do acervo do Instituto Memória Brasil.
No palco estarão os craques Papete, Oswaldinho do Acordeon e Socorro Lira, cantora de grande talento reconhecido há pouco pelo júri do Prêmio da Música Brasileira.
E ponham aí na agenda: segunda 10, às 10 horas, participaremos da inauguração da Semana Luiz Gonzaga na Livraria Cortez, ali à Rua Monte Alegre, 1074, Perdizes, ao lado da PUC.
Informações pelo telefone 3873.7111.
A Semana Luiz Gonzaga (programação acima, clique sobre a imagem) contará com uma exposição temática ao homenageado, que no dia 13 faria 100 anos de nascimento.
A exposição é constituída por discos e capas de discos de vários formatos, incluindo exemplares raros de LPs de 10 e 12 polegadas, compactos, partituras, fotos, revistas etc.
Uma linha do tempo mostrará a riqueza discográfica em 78 RPM do Rei do Baião, que dizia ser também Rei do Forró, do Xote, do Arrasta-pé, da marchinha junina...
Luiz Gonzaga gravou 625 músicas, fora uma trintena de outras que compôs em diversos gêneros e ritmos e deixou para outros intérpretes gravar, como Cyro Monteiro e Jamelão.
Contaremos isso melhor na Sala dos Espelhos do Memorial.
A entrada é franca, esperamos você.
No dia 11, lançaremos o livro Lua Estrela Baião, a História de um Rei.
Esse evento ocorrerá no mais antigo restaurante da capital paulista especializado na culinária nordestina: o Andrade, que existe há mais de 30 anos.
Chambinho do Acordeon estará conosco, tocando lá a sua sanfona bonita para quem quiser dançar.
No dia do centenário de Gonzaga, estaremos na Livraria Cortez autografando Lua Estrela Baião, a História de um Rei.
Nessa ocasião, quem estará conosco é Oswaldinho do Acordeon contando histórias sobre o coautor de Asa Branca e tocando na sua sanfona mágica.

CORDEL
A Caravana do Cordel está completando quatro anos de existência. A comemoração está ocorrendo hoje e até amanhã na Biblioteca do Memorial da América Latina, com a presença de grandes expoentes do cordelismo, entre os quais Marco Haurélio, Chico Salles, Varneci Nascimento, João Gomes de Sá e Cacá Lopes. Haurélio está produzindo feito doido. Sua mais nova publicação é Florentino e Mariquinha no Tribunal do Destino. Na abertura, ontem, reencontrei o editor Gregório Nicoló, dono da Luzeiro.

NIEMEYER
Logo mais às 17 horas, o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer será sepultado no São João Batista, no bairro do Botafogo, Rio.
A propósito, ontem almocei com a jornalista Marli Moreira, da EBC, com o cantor Chico Salles e com o artista plástico Chico Pereira, o cabra que mais conhece os segredos e mistérios da Paraíba. Na ocasião, fomos agraciados com o livro Paraíba Memorial (Editora Grafset, 2011) e com outra publicação muito especial, também da Grafset: Chico Pereira, Memórias e Anotações, na qual se acha, à pág. 42, a foto e bilhete manuscrito de Niemeyer que reproduzo abaixo (clique sobre a imagem).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

SIM, TCHÊ, O CALOR TÁ DEMAIS!

Cheguei ontem de curta viagem ao Rio Grande do Sul. Sol de lascar. Trinta e tantos, à sombra. Houve hora que temi não aguentar.
Deus do céu, o que está havendo?
A temperatura lá, aqui e alhures está derretendo tudo...
Mas, enfim, lá estive e lá reencontrei o amigo José Antônio Severo, jornalista dos bons e escritor idem de Uruguaiana; mais as meninas Celia e Celma, das Minas de Ari Barroso.
Severo estava em clima de pré-aniversário, às vésperas dos 70.
Eu dez a menos, mas insistindo - e pondo como meta - chegar lá.
A viagem, entre outras coisas, eu aproveitei para degustar os famosos churrascos da terrinha de Um Certo Capitão Rodrigo...
Bons, muito bons de fato são os churrascos de lá.
E com uma cervejinha graus abaixo, então...
Bati pernas.
Fui ao Mercado Central do século 19, onde almocei uma tainha saborosíssima.
Fui também a sebos, como o denominado Livraria Érico Veríssimo, na Jerônimo Coelho, onde achei uns livros que me interessavam muito, entre os quais Som do Sul, a História da Música do Rio Grande do Sul no Século XX, de Henrique Mann (Ed. Tchê, 2002); História do Hino Nacional Brasileiro, de Mariza Lira, editado pela Biblioteca do Exército em 1954 e que há muito eu procurara; uma plaqueta de Noemy Valle Rocha (Conceitos Gerais Sobre Folclore, 1953), um folheto de cordel de 1921 (História do Marujo Vicente) e o romance A Guerra dos Cachorros (L&PM, 1983) do já referido José Antônio Severo e que lerei já, já.
Valeu.
Um dia antes, fui à feirinha de bugigangas do Parque da Redenção.
Como tem parques o Rio Grande, tchê!
Que belo Estado!
Na feirinha também achei umas coisinhas interessantes, como o disco de dez polegadas Gaúcho, de 1953, em cuja contracapa - não assinada - é possível ler:
“Há alguns anos o público cosmopolita vem dando um destaque todo especial à música regional do Nordeste. Veio o baião lá do Ceará, pelas composições de Lauro Maia...”.
Mas não, não é bem isso.
O baião veio de Pernambuco, através do exuense Luiz Gonzaga e do cearense Humberto Teixeira, lançado nacionalmente no dia 22 de maio de 1946 no Rio de Janeiro pelo grupo Quatro Ases e um Coringa, cujos integrantes - aí, sim! - eram estudantes de Direito do Ceará e intérpretes, não compositores.
Enfim, foi legal a esticada até os Pampas.
Estivemos, eu e a minha companheira Andrea, visitando o Memorial Mário Quintana, que ocupa o antigo e charmoso Hotel Magestic, onde se hospedavam figurões estrangeirtos e nacionais, como Getúlio Vargas e Chico Alves, chamado de rei da voz.
Também estive no Chalé da Praça XV onde, dizem, frequentava Lupicíno Rodrigues; e nas bordas do Guaiba estivemos, também.
Porém uma das razões da viagem era entrevistar o estudioso da cultura popular Paixão Cortes, mas Paixão Cortes não estava em disponibilidade, pois meio adoentado e recém saído de alta hospitalar.
Em compensação, conheci o diretor de cinema Tabajara Ruas (aí no clique da Célia), no momento à frente da produção do épico Os Senhores da Guerra, filme baseado em livro homônimo de Severo com previsão de lançamento no segundo semestre do ano que vem.
Tabajara, na sua tranquilidade franciscana, é plural até no sobrenome.
Uma figura e tanto! Inteligentíssima é o que ele é.

EMA KLABIN
Depois de amanhã 6 estarei dizendo coisas em torno de Luiz Gonzaga e cultura popular, na Fundação Ema Klabin.

MEMORIAL
Às 19 horas do dia 9, domingo, estarei junto com Oswaldinho do Acordeon, Papete e Socorro Lira no Memorial da América Latina; mais precisamente as Sala dos Espelhos, falando a respeito do projeto O Samba do Rei do Baião, que está virando disco pra lá de bom.

MÁRIO LAGO
Antes, às 15 horas de domingo 9, estarei dizendo umas palavras sobre o grande ser humano que foi o carioca Mário Lago, que tive o prazer de entrevistar mais de uma vez no meu programa de rádio na Capital e no programa Roda Viva da TV Cultura, por ocxasião dos seus 90 anos. Será durante evento promovido pelo agitador cultural sampaulista Edson Lima. Lago dizia que não era saudosista, que não ficava lamentando. Dizia mais: que seu tempo era o de hoje, e que não ficava na calçada vendo o desfile passar. "Eu vou junto", arrematava.
Grande Mário!
Luiz Gonzaga gravou duas músicas de Mário Lago: Devolve e Não Quero Saber, valsas, em 1946.

CHICO SALLES
Hoje, nas primeiras da tarde, o forrozeiro paraibano Chico Salles está chegando a Sampa.

SEMANA LUIZ GONZAGA/CORTEZ
Clique sobre a imagem:

sábado, 1 de dezembro de 2012

O SAMBA DO REI DO BAIÃO

Há pouco, pela 5ª vez, esteve conosco a cantora galega Maria Uxía Dominguez Senile, se apresentando na Sala Guiomar Novaes da Funarte e no Instituto Cervantes. Nos dois espaços culturais da cidade, ela emocionou com sua voz de identidade firme e forte.
Uxía, que produz projetos coletivos como o Festival Internacional da Lusofonia Cantos na Maré, também é compositora e no seu repertório costuma incluir músicas que adapta do folclore da sua região, a Galiza, na Espanha.
Na penúltima vez que esteve no Brasil, ela gravou o CD Meu Canto, com a participação de músicos brasileiros, como Socorro Lira.
Dessa vez, convidada pela mesma Socorro, Uxía participa do CD O Samba do Rei do Baião, interpretando a mazurca Dança Mariquinha, de Luiz Gonzaga e Miguel Lima, lançada originalmente em disco de 78 RPM no ano de 1945.
Essa música, aliás, foi a primeira em que o Rei do Baião aparece cantando.

MEMORIAL
No próximo dia 9, às 19 horas, estaremos eu, Socorro Lira e Papete apresentando no Memorial da América Latia o espetáculo O Samba do Rei do Baião, título do CD que está ora em produção.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

RICARDO ANÍSIO (2)

Limeira e Pinto do Monteiro eram verdadeiros mestres ensinando a todos ao compor, ao cantar e ao tocar na hora H, sempre de improviso.
Os poetas clássicos e populares, incluindo esses e outros repentistas, seguem à risca a rima, a métrica e a oração nos versos acomodados em estrofes bem feitas, de tamanhos e modos diversos.
Para eles – esses mestres –, sextilhas são sextilhas e decassílabos são decassílabos.
E pronto!
Isto é: os versos têm casa certa para morar.
A casa dos versos são as modalidades.
Porém na safra dos mais novos, como Bráulio Tavares e Jessier Quirino, há os que seguem a tradição e outros, não; como Astier Basílio e Ricardo Anísio.
São provocadores esses poetas, são eles arredios à tradição.
A poética de Anísio ainda está em fase de gestação, mesmo assim ele já demonstra com intensidade uma qualidade muito acima do comum.
É autêntico.
Ricardo Anísio dá a parecer que é arredio à rima e à métrica, enquanto se impõe com força na oração.
Nos tercetos, ele se mostra tão ousado quanto Ronaldo Cunha Lima (1936-2012).
Talvez melhor.
Um bom exemplo disso pode ser extraído de Enseada, contido no seu novo livro:

Não vejo mais meus amores
Não vejo mais meus penhores
Perdi a rota e não posso sonhar...

Estes são versos completos, perfeitos, que demonstram dor e impotência do poeta diante de realidades, quase aos moldes de mestre Augusto, rendido: “Não posso sonhar”.
E ele segue triste, decepcionado pela realidade em torno:

Dentro de mim o soçobro
Fora de mim o salobro
A morte já foi secreta...

Na busca pela identidade, o poeta se pergunta nos versos de três pés Eu:

De quem sou eu
De que sou feito
Que me exaspero

De quem sou eu
De que sou feito
Que me dilacero

A poética de Ricardo Anísio é pessoal, é bonita e tem valor, ele diz no seu Enigma:

Levei a ela um louva-deus
E meus sonhos cerzidos
Ela atirou ao mar...

Anísio é um poeta diferente, mesmo parecendo com Augusto e a angústia de Augusto:

A vida é um fardo ao mar
Um barco que não tem ré
Vou me afogando nela
Braço a braço
Talvez assim vire sargaço.

Mas Anísio é um poeta, verdadeiro, e por ser verdadeiro é tão necessário lê-lo, já.
Viva Ricardo Anísio!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

RICARDO ANÍSIO (1)

A poética clássica paraibana se acha nos escritos imortais de nomes que vão de Antônio Joaquim Pereira da Silva (1876-1944) e Raul Campelo Machado da Silva (1891-1954) a Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) e Miguel Jansen Filho, esse nascido nas quenturas do município de Monteiro em 1925 e desaparecido numa cidade do interior de São Paulo, em 1994.
Como Antônio Joaquim, de Araruna, e Raul Campelo, de Monteiro, Jansen Filho ainda está para ser descoberto por leitores e críticos, como já o foi Augusto dos Anjos.
A poética de Jansen Filho tem a força de um vulcão.
E clássica ou não, diga-se: a poética paraibana também passa por nomes mais recentes, como Geraldo Vandré e Zé Ramalho – estrelas de grande brilho do universo musical.
O detalhe da poética desenvolvida por esses dois autores é que neles se acha um quê musical que de modo especial os enriquece, e também a seus admiradores.
Na obra de Vandré há a presença de algo quase invisível dos cantadores repentistas de antanho, quase DNA, mas há; o exato contrário do que se vê na obra de Ramalho, isto é: a presença repentista, forte e intencional dos martelos, por exemplo.
E o que dizer dos poetas de bancada de ouro Silvino Pirauá de Lima (1848-1913) e Leandro Gomes de Barros (1865-1918), gênios pioneiros no campo da poética classificada como literatura de cordel?
Esses poetas são incríveis, como incríveis são os violeiros improvisadores do naipe de um Zé Limeira (1886-1954) ou de um Severino Lourenço da Silva, chamado de Pinto de Monteiro (1895-1998), O Cascavel do Repente.
Só a presença de um ou de outro desses artistas – ases da improvisação mais antiga e moderna – numa cantoria de viola valia por tudo, tamanha a categoria como se apresentavam nos pés de parede em duelos linguísticos de vida e morte.
Eram tão grandes, mas tão grandes, que na falta de palavras eles as inventavam num piscar d´olhos; como, aliás, fazia o estudioso das coisas e hábitos do sertão, o mineiro João Guimarães Rosa (1908-67).

POSTAGENS MAIS VISTAS