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quinta-feira, 28 de abril de 2016

UMA CIDADE QUE LÊ

José Antônio Severo ladeado pela cantora Celia e o diretor de cinema Tabajara Ruas
Milhares de quilômetros separam o Brasil da Grécia. Não, milhões de quilômetros...
Na verdade, correm tempo adentro os quilômetros que separam o Brasil da Grécia.
Cerca de cinco séculos antes de Cristo, a Grécia era chamada de O País da Filosofia e Atenas, a Cidade da Sabedoria, ou do Saber.
Ano passado, o Brasil foi apelidado de A Pátria Educadora. Mas isso não tem nada a ver com a Grécia, com filosofia, saber ou sabedoria.
Você, amigo, sabe que um dos nossos 5.570 municípios é conhecido como “uma cidade que lê?” Pois é, essa cidade existe desde 1831 e fica ao sul do País, mais precisamente a 259 km de Porto Alegre. Seu nome? Caçapava do Sul. Desnecessário dizer que os caçapavanos são um povo feliz.
O escritor paulista Monteiro Lobato (1882/1948) cunhou a frase definitiva que traduz a importância da leitura e de quem lê: “quem lê sabe mais”.
Termina no próximo dia 1º, a 26ª Feira do Livro de Caçapava do Sul, dedicada à Simões Lopes Neto (1865/1916). Claro, essa feira reúne muitos bam-bam-bans do ponto e vírgula nacionais. O patrono dessa feira, este ano, é o jornalista e escritor José Antônio Severo, autor de vários títulos fundamentais para o conhecimento da epopeia gaúcha desde tempos d’antanho.
Severo é de Caçapava do Sul.
Detalhe: no segundo dia da feira, os caçapavanos aplaudiram de pé a exibição do filme Os Senhores da Guerra (adaptação do livro homônimo de Severo), dirigido por Tabajara Ruas e que conta com um grande elenco encabeçado por Rafael Cardoso e participação das irmãs cantoras, Celia e Celma. O filme entrará em circuito nacional no próximo mês de junho.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER

Essa história de golpe já está enchendo a paciência, pois até cego como eu sabe perfeitamente que golpe não há no caso que põe Dilma como irresponsável e praticante do crime das “pedaladas” amplamente por aí difundido. O processo de impeachment assinado por Bicudo, Reale e Janaina está minuciosamente justificado, tanto que foi aceito pela grande maioria das excelências da Câmara Federal. Aliás, foi um espetáculo horroroso... o pior disso tudo são as mentiras alardeadas aos quatro ventos pela presidenta, que se acha em Nova Iorque para de dizer, na ONU – e à imprensa local -, que está sendo vítima de golpe no Brasil. Terrível. Ela corre o risco seriíssimo de ser levada à chacota e, de tabela, também o nosso País.
A fala de Dilma é uma fala frouxa que deixa o nosso País em maus lençóis.
Por que a nossa mais alta representante fala mal da gente, fala mal do Brasil aqui e lá fora? Isso me faz lembrar de d. Helder Câmara que, para os militares, falava muito mal de nós no Exterior. Na verdade, ele denunciava a violência injustificada dos militares contra nós, brasileiros.
Ah! Sim! Na última eleição eu votei em Dilma, Erundina, Suplicy e Alessandro Azevedo,- o palhaço Charles - e deu no que está dando...





A fala repetitiva de Dilma sobre o suposto golpe de que se considera vítima me faz lembrar o personagem o Grilo Falante da cultura popular; faz-me também lembrar o ministro da Propaganda de Hitler, Goebbels (1897-1945), que deixou no ar a frase famosa: a mentira tantas vezes repetida torna-se verdade. Mas, no caso da Dilma, a mentira que diz é impossível de tornar-se verdade, pois o crime praticado está previsto em artigo constante da Constituição em vigor.
O pior cego é o que não quer ver... aliás, Dilma usa muitos ditos da cultura popular que ela mesma não leva a sério. Alguns:
- vamos por os pingos nos is
- nem que a vaca tussa
- é hora da onça beber água
A cultura popular é a alma de um povo... essa é de minha autoria  e no original é: a cultura popular é a identidade de um povo.

E eu não ia falar hoje nada disso do que acabei de falar. Eu ia falar sobre cultura popular, praia em que navego com algum desembaraço. Eu ia falar, por exemplo, das três irmãs que nasceram cegas na minha terra, a Paraíba. Elas são incríveis! Cantam bem e tocam bem o ganzá. Eu estive com elas recentemente, em companhia da minha filha, Ana, e do amigo Chico Pereira, pró-Reitor da Universidade Estadual da Paraíba, UEPB. Vejam, clicando abaixo:


Assis Ângelo e as paraibanas Maroca, Poroca e Indaiá, em Campina Grande - PB

E sobre elas, escrevi:


O Sol e três mulheres 
Três mulheres, três visões
Três visões e mil planetas
Há milhões de rotações
Indicando que há Deus
Em todas as dimensões

O Sol, Deus e mulheres
Energizando a Criação
Da vida no Universo
Em eterna gestação
Mas como explicar isso
Em meio à escuridão?

A vida traz histórias
De luta e superação
De olhos que tornam a ver
Pela força da oração
Mas como explicar isso
Se não há explicação?

É tudo uma incógnita
É tudo interrogação
Quem somos, pra onde vamos?
Teremos salvação?
Mas uma coisa eu digo:
Há luz na escuridão!

Não é fácil ver sem luz
Mas impossível isso não é
É preciso crer na vida
E no Homem de Nazaré
Filho especial
De Maria e de José

Que o digam Maroca
Poroca e Indaiá
Três mulheres, três irmãs
Rainhas do ganzá
Nascidas em Campina
Na Para-i-b-a-bá



sexta-feira, 15 de abril de 2016

ESTÁ CHEGANDO A HORA...

Assis Ângelo e Geraldo Vandré
Para uns, o tempo passa rápido. Pelo menos, é essa a impressão.
Para uns a semana, por exemplo, passa rápido. No momento todo mundo vê que a política no Brasil está pegando fogo. O Planalto Central é um fogaréu só. A Dilma sai, a Dilma não sai. Eu acho que sai. Eu e a torcida do Flamengo e do Treze de Campina Grande; ou do Botafogo Paraibano de Geraldo Vandré.
Quando ontem eu disse que domingo 17 começou segunda 11, é porque domingo que vem está se apresentando  como um domingo interminável...
Quando o Presidente da Comissão de Ética da Câmara pôs ponto final no seu relatório, ouvimos na própria Câmara muitas excelências cantando desafinados a cantiga “Cielito Lindo”, na versão em português do carioca Henricão:

Ai ai ai ai
Está chegando a hora
O dia já vem raiando meu bem
E eu tenho que ir embora




Em 1992, quando Collor caiu por força de processo de Impeachment o que se cantou muito nas ruas foi a Guarania “Para não dizer que não falei de flores”, de Vandré. Aliás, essa cantiga era alternada com o hino nacional brasileiro, cujo dia foi ontem.


quinta-feira, 14 de abril de 2016

UM PROCESSO PENOSO...

Domingo 17, começou segunda 11.
17 Domingo, é quando a Câmara apresentará ao Pais o resultado da votação oficial do processo de Impeachment contra a presidente Dilma.
Quando digo que domingo 17 começou na segunda 11, é porque naquele dia, 11, começou o martírio da quela de quem a maioria dos brasileiros tem dito horrores.
Quase todo mundo quer ver a Dilma de costas.
Os principais jornais e cadeias de rádio e tv espalhados mundo afora têm dito que Dilma não se sustentará por muito tempo.
Tudo que tenho dito a respeito do assunto é de me cortar o coração. Pois na verdade, na verdade, jamais se quer imaginei poder presenciar o processo de derrubada de dois chefes da minha Nação. O primeiro foi Collor em 1992...
Estou triste.

CAMPINA GRANDE

Quinta feira passada falei a alunos e professores da Universidade Estadual da Paraíba, UEPb, em Campina Grande. Falei sobre cultura popular e cidadania. Falei do Instituto Memória Brasil, IMB.
Falei da importância do nosso Pais, da importância de se fazer política; de participar emfim da vida brasileira. Tudo nessa nossa vida é politica, já dizia Brecht . A minha ida da Campina deveu-se a programação comemorativa aos 50 anos de fundação da UEPb. Gostei basante. Revi amigos, como, o reitor Rangel Junior e o vice reitor Chico Pereira. Também revi o colega jornalista Fernando Moura, coautor de um livro sobre o paraibano Jackson do Pandeiro, e Ajalmar e Rilávia, criadores do Troféu Gonzagão, que me levaram a farrear no Manoel da Carne de sol. Alegria enorme foi também poder abraçar o amigo Rômulo Nóbrega, autor de um belíssimo livro sobre o pernambucano Rosil Cavalcanti. Rômulo teve tempo de me levar para saborear uma fava com cana no Qdoca. A minha cicerone foi minha filhona Ana Maria...
De quebra ainda proseei com três maravilhosas artistas do povo: Maroca, Poroca e Indaiá (foto acima, no clic de Ana Maria).

sábado, 2 de abril de 2016

VIVA A CONSTITUIÇÃO!

Eu sou de um tempo recente, mas de um tempo que homem fumar era coisa elegante. Era charmoso e denotava independência e até masculinidade.  Pois é. Hoje quem fuma vive no pior dos mundos, vive arreliado, perseguido. Na verdade, quem fuma hoje, vive no inferno. Beber pode.
Eu sou de um tempo em que a solidariedade existia pra valer, ao contrário de hoje.
Em 1953, Luiz Gonzaga gravou o baião Vozes da Seca. Obra-prima dele e do seu conterrâneo, Zé Dantas. Começa assim:

Seu dotô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas dotô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão...

Não era bem esse tipo de solidariedade que se praticava àquela época. E não é também o tipo de solidariedade a que me refiro. Esse tipo de solidariedade aí, que Dantas e Gonzaga de modo poético contestam, não é propriamente a solidariedade no seu estado mais puro que vi, vivi entre amigos, vizinhos, desconhecidos em geral. Esse tipo aí, no baião gonzagueano, já é o tipo de solidariedade político/partidário, praticado pelos políticos de hoje, com bolsa disso, bolsa daquilo. O que todos nós queremos, mesmo, é trabalho, respeito e que a Constituição nunca mais seja violentada.
Mas como eu ia dizendo, eu sou de um tempo recente em que fumar era coisa elegante.
No ano em que nasci, 1952, o Rei do Baião –no mês de abril- lançou Cigarro de Páia, de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti. Cavalcanti era general. Ops!


domingo, 20 de março de 2016

VIVA A DEMOCRACIA!

O poder continuado leva à tirania, em qualquer tempo ou lugar.
A democracia nascida na Grécia, país hoje arrasado pela má administração politica, é uma forma de governo que prioriza a pessoa.
Demos em grego é povo e cratos é poder, ainda na velha língua de Platão, o professor do gênio Aristóteles.
Democracia é, pois, é o que dá poder ao povo ou para o povo.
Democracia é tudo de bom que a vida nos permite no cotidiano. Tratar bem, para ser bem tratado. Essa é a lógica. As leis servem como meio de organização social.
Há quem goste do vermelho e há quem goste do azul.
Não sei se o Chico ainda gosta de mim, mais eu ainda gosto dele, tim tim.
Chico dá a vida pelo PT.
Outro dia conversando cá em casa com o Vandré, o assunto foi o Brasil.
Vandré gosta do Brasil, mas não gosta do PT. Ele acha a Dilma um horror e que ela não merece o Brasil. Nem ela e nem o Lula.
Daí a importância da democracia, que permite a boa convivência entre os contrários.
Tomara que a democracia,  que reconquistamos há trinta e cinco anos, não esteja correndo o menor risco de sobrevivência.

Viva a democracia!

sábado, 19 de março de 2016

O BRASIL TÁ SE MEXENDO...


O editorial de hoje do Times novayorquino mostra espanto na explicação da presidente brasileira, Dilma, para a escolha do ex-presidente Lula para o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil. Diz o editorial que Dilma está totalmente desacreditada perante a população e, pois, sem cacife para justificar o que tentou justificar e que terminou brecado por decisão, ontem à noite, do juiz Gilmar Mendes, do STF.  
A opinião do jornal leva-me a pensar sobre as enormes dificuldades que os jornalistas estrangeiros estão enfrentando para explicar a seus leitores a situação política e econômica que o Brasil e os brasileiros estão ora enfrentando. É kafquiana a situação.
O vendaval de novidades que ouvimos no rádio e na televisão chega a ser assustador. A cada instante nos chegam notícias que estarrecem o mais apolítico dos cidadãos. Ele é ministro, não é ministro, o que é que ele é? Ele é Lulla.
Collor aprontou o diabo e caiu empurrando um carro Elba.
Dilma pode cair por causa de um Santana e otras cositas más...
O pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva nasceu pobre de marré-marré e ficou, embora rico, pobre. Mas, tem muitos amigos de posses estratosféricas.
A biografia de Lula é uma biografia incrível, até certo ponto.
Lula enfrentou milhões de problemas, familiares inclusive, mas sobreviveu a todas as intempéries que a vida lhe impôs como desafio. Dançou forró na casa de espetáculos de Pedro Sertanejo, na Vila Carioca, SP, fez bicos, virou metalúrgico em São Bernardo, fez animação de comícios como personagem central antes de ser deputado Constituinte e Presidente da República. De tabela, transformou-se numa das personalidades mais conhecidas e respeitadas do planeta. Mas, aparentemente, borrou essa biografia com atos que a sociedade civilizada condena. Improbidade, por exemplo.
Aristóteles foi o cara que nos trouxe à luz os fundamentos necessários para o bom-viver em sociedade. Mas ele foi muito mais, ele fez muito mais. Sua teoria de causalidade universal abriu a mente do homem desde seu tempo. Depois de estudar a vida humana, a natureza, a astronomia, ele empacou numa figura invisível, sem nome pra ele, mas que outros filósofos entendem como Deus. Aristóteles identificou as virtudes humanas e definiu a Justiça como meio de apaziguamento social. A ética para ele é algo muito importante na vida, ao contrário do que pensa o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva.
Ler como divertimento ou para entender o que a nós se apresenta como incompreensível, é fundamental. Mas Lula não gosta de ler, ele mesmo já disse isso publicamente.
É do escritor paulista Monteiro Lobato a frase: “quem lê mais, sabe mais”.
Aristóteles falou com excelsa propriedade sobre tudo ou quase tudo que hoje conhecemos.
A Grécia era conhecida como a Pátria da Filosofia e Atenas a Cidade do Conhecimento.
O Brasil de Dilma é a Pátria Educadora. E que pátria!

Escrevi:

Todo dia é dia
De Brasil especial
De Brasil de todos nós
De Brasil nacional

O Brasil tá se mexendo
O Brasil tá em ação
Procurando um caminho
Pra sair da contra-mão

A tarefa não é fácil
E tem lá seus empecilhos
Mas já passou da hora
De o Brasil andar nos trilhos

Faz tempo, muito tempo
Que o Brasil sofre calado
Apanhando em silêncio
De modo resignado

E tudo isso tem a ver
Com roubo e corrupção
O que deprime o País
E revolta a Nação

Mas o mal não é eterno
Nem eterna é a dor
Eterna é a vida
Que dá asa a beija-flor
                                      




NO AR, A RÁDIO BORBOREMA DE CAMPINA GRANDE !


No Brasil, o rádio deu o ar da sua graça em 1922.  À época o presidente do País era o paraibano Epitácio Pessoa. O primeiro discurso de um político levado ao ar pelo rádio foi o do Presidente Pessoa.
Em 1922, comemorava-se o centenário da independência do Brasil.
O ano de 22, foi um ano marcante não só pelo fato de o rádio dar a sua graça no País.  Nesse ano, em São Paulo comemorava-se um grande evento cultural, que entraria para a história como  A SEMANA DE 22, liderada pelo escritor e musicólogo paulistano Mário de Andrade.
É muita história.
Em 1924, São Paulo é cenário de uma revolução.  Em 29 o chefe do governo paraibano, João Pessoa, é assassinado em Recife.  Ele integrava a chapa que disputava a presidência da república ao lado do gaúcho Getúlio Vargas.  Um ano antes, o paraibano Francisco de Assis Chateaubriand  Bandeira de Melo, de Umbuzeiro, inaugurava a revista semanal O Cruzeiro.
O Nordeste, de grandes lutas passava a aparecer, com destaque, no cenário nacional.  Inclusive, através da música.
O pernambucano Luiz Gonzaga, que iniciara a carreira musical em março de 1941, firmava-se como cantor e sanfoneiro com a toada-baião Asa Branca.  Isso, em 1949.
Entre 1922 e 1949, passaram-se 27 anos.  Nesse ano Chateaubriand se deslocava do Rio de Janeiro até Campina Grande, na Paraíba, para inaugurar a quinta emissora de rádio da rede Associada no Nordeste: Rádio Borborema,  ZYO-7 , AM.
Hoje, mais de três mil emissoras de rádio na frequência AM estão espalhadas Brasil afora.  É claro que muitas encerraram suas atividades e outras permanecem na origem...
Muitas emissoras de rádio, e de televisão a partir de 1950, integraram a Rede Associada.
Eu comecei a minha carreira profissional de jornalista no jornal O Norte, de João Pessoa.
O Norte, não existe mais em papel.
O Norte fez parte da Rede Associada, como o Diário da Borborema.
O Diário da Borborema, do qual fui colunista na primeira parte dos anos de 1970, também não existe mais em papel.
A Rádio Borborema, e velha e boa Rádio da Borborema, que teve na sua programação nomes brilhantes como Hilton Mota, Leonel Medeiros, Ramalho Filho, Deodato Borges, Genésio de Sousa e Rosil Cavalcanti.
Eu trabalhei com Genésio de Sousa, Hilton Mota e Deodato Borges.  Todos estão no céu.
O livro PRA DANÇAR E XAXAR NA PARAÍBA: andanças de Rosil Cavalcanti , (Gráfica Marcone, 444 páginas; 2015), de Rômulo C. Nóbrega e José Batista Alves, trata das origens da Rádio Borborema no capítulo VII.  Aliás, esse é um livro de fundamental importância para se conhecer um pouco da cidade de Campina Grande e, principalmente, o pernambucano-campinense Rosil Cavalcanti, autor de verdadeiros clássicos da música popular brasileira.  Entre esses clássicos, estão Sebastiana, Cabo Tenório, Faz Força Zé e Tropeiros da Borborema.
Rosil, que deixou 82 músicas gravadas por Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marinês, Genival Lacerda, Abdias e até Teixeirinha, partiu para a Eternidade carregando no peito uma decepção.  Meu Cariri ganhou uma parceira que, a rigor, nunca existiu: Dilú Mello.
A Rádio Borborema nunca fechou suas portas mas durante um tempo ia ao ar como Rádio Clube.  Hoje, na verdade, desde terça-feira última, seus ouvintes foram alegremente surpreendidos com o anúncio do seu verdadeiro nome: Rádio Borborema;  melhor ainda: Rádio Borborema de Campina Grande

A Rádio Borborema é um marco de extrema importância para os paraibanos.

quinta-feira, 17 de março de 2016

ARISTÓTELES E O HOMEM DA COBRA

Aristóteles dizia que política é o esforço da realização da ética na vida social.
O cientista e compositor musical Paulo Emílio Vanzolini, meu amigo, também achava isso.
O doutor Paulo, especialista em hepatologia – ramo da Zoologia -  vivia arte e ciência o tempo todo. Incluindo ai, a política.
No correr da ditadura militar, o doutor Paulo ajudou a tirar do Brasil muitos perseguidos políticos. O doutor Paulo odiava o PT. Aliás, ele não autorizou a produção do filme Lula, o filho do Brasil (Direção Fabio Barreto, 2009) a incluir na trilha sonora o Samba Volta Por Cima, de sua autoria. Isso ele me disse numa das vezes em que saímos tantas e tantas vezes para comemorar a invenção da cachaça e da cerveja.
Aristóteles dizia que a justiça é a maior das virtudes.
A cantora Inezita Barroso considerava-se uma pessoa justa. Ser justo consigo mesmo, Aristotelicamente falando, é muito fácil. Difícil é o contrário. Mas Inezita costumava dizer o que lhe vinha à telha. Ela era uma pessoa que não tinha papas na língua.  Era maravilhosa, autêntica. As pessoas maravilhosas estão todas, partindo em viagem sem volta.
Inezita Barroso, paulistana do berço do samba, bairro da Barra Funda, também detestava o PT.
Eu fui uns dos fundadores do PT.
O mais importante sambista e cuiqueiro de São Paulo, e do Brasil, Osvaldinho da Cuíca, tem a mesma política que tinha Inezita Barroso.
Osvaldinho da Cuíca é um mestre da música popular.
A Paraíba, minha terra, deu muita gente importante em todas as áreas da atividade humana.
A Paraíba deu o poeta simbolista Augusto dos Anjos, os cordelistas Leandro Gomes de Barros e Silvino Pirauá, Ariano Suassuna, João Pessoa, Zé Américo de Almeida, autor do romance regionalista nordestino A Bagaceira, 1922; Zé Limeira, Zé Ramalho, Deus...
A Paraíba também deu o cantador violonista Vital Farias, da terra de Ariano (Taperoá).
Vital Farias é uma das nossas reservas musicais, intelectuais e humanistas.
Vital detesta o PT.
Um dia, um amigo me perguntou se eu sabia que Hitler começou sua carreira no Partido dos Trabalhadores Alemão. Década de 20. Eu disse que sabia. E eu disse que sabia, também, de um monte de histórias. Da Carochinha, inclusive.
E esse mesmo amigo, um provocador de mesa de bar chamado Rodrigo, também me perguntou sobre o que eu achava ou acho do que está rolando neste Brasil brasileiro de pobres e ricos, muita desigualdade. Somos campeões nesse item.
Aristóteles dizia que o equilíbrio é fundamental para o bem de uma sociedade.
Pensar é fundamental, mas é complicado.

O HOMEM DA COBRA
A fala de Lula tornada pública pelo juiz Sérgio Moro é de arrepiar.  É de arrepiar pela vulgaridade expressa. É chula, agressiva, irônica, prepotente.  O palavreado exibido pelo ex presidente da República chega a ser vergonhoso por sua baixeza e agressividade contra mulheres e pobres e até contra o poder Judiciário, o que acarretou imediata resposta do decano do STF, Celso de Melo.  Fiquei triste.  Antes deste quiprocuo, o antecessor da Dilma disse em tom de desafio aos seus adversários que se quisessem matá-lo teriam que lhe atingir a cabeça e não o rabo com se faz com uma cascavel.  Ele disse isso e logo me lembrei da minha avó Alcina.  Ela falava de um tal “homem da cobra”, que é simplesmente o camelô das ruas anuciando seus produtos milagrosos ao público ignorante.  Em resumo:  é o homem de boa fala, que fala muito e enrola todo mundo.

INEZITA BARROSO

No último dia 8, dia internacional da mulher, completou-se um ano do encantamento da minha querida Inezita Barroso.  Eu tive a alegria de vê-la feliz lendo o livro que escrevi a seu respeito. (Cortêz Editora - 2011).  Um dia após o seu desaparecimento, eu e o Zuza Homem de Melo falamos a seu respeito no programa JC Debate, da TV Cultura.

sábado, 5 de março de 2016

CÃO E COBRA NA CULTURA POPULAR

A cultura popular brasileira é, seguramente, de riqueza exuberante e das maiores do mundo.
A cultura popular está em todo canto e lugar. Nos palácios, nas ruas e na garganta de políticos, juízes, de presidentes da República e de ex-presidentes da República, como Luís Inácio Lula da Silva.
A cultura popular é a digital de um povo, eu já disse isso muitas vezes. Aliás, na primeira vez que disse isso foi numa entrevista a um dos jornais de Teresina, no Piauí. Em 2010, no discurso de posse de seu primeiro governo, a doutora Dilma a usou, com uma modificaçãozinha. Ela disse: A cultura popular é a ALMA de um povo.
Pois bem, no correr da campanha do seu segundo governo, a atual presidente da República jurou que ninguém mexeria nos direitos trabalhistas. Ela disse: nem que a vaca tussa...
E isso é cultura popular.
O cão e a cobra que habitam a alma aristotélica do pernambucano Luís Inácio Lula da Silva surgiram como que num passe de mágica ontem, para espanto dos jornalistas que acorreram à sede do PT, em São Paulo, e ao Sindicato dos Trabalhadores, em São Bernardo, à noite. A cobra era uma jararaca e se alguém quis dela dar cabo, quebrou a cara. Tinha que dar na cabeça e não no rabo.
A jararaca era ou é o próprio Luís Inácio, como ele deixou bem claro.
À noite, em São Bernardo, o ex-presidente disse que todo mundo aí “tá cutucando o cão com vara curta”.
Pois é, isso é cultura popular.
Quem fala errado, o letrado ou o analfabeto?
Lula fala muito e do jeito que fala, encanta. É uma espécie de serpente, ou não é?
Há uns 30 anos eu chefiava a reportagem da editoria de Política do Jornal O Estado de S.Paulo. No Congresso, discutia-se à exaustão a Constituição que está em vigor. Semanalmente, eu reunia alguns congressistas e juristas para discutir as questões mais polêmicas do momento. Num desses debates, Lula deu show (foto acima).

 PATATIVA DO ASSARÉ

O poeta cearense Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nasceu no dia 5 de março de 1909. Hoje é dia 5 de março. Sobre ele escrevi o livro O Poeta do Povo.


terça-feira, 1 de março de 2016

CTN E CULTURA POPULAR

“Eu voltei ao CTN, a convite de Dona Cristina”, disse-me com alegria a Produtora cultural Malu.
CTN é Centro de Tradições Nordestinas, localizado no bairro paulistano do Limão.
Reencontrei Malu numa reunião com artistas populares promovida pela antropóloga Ana Carolina, num prédio da Funarte em São Paulo.
Carolina abriu a reunião explicando aos artistas presentes, que foram muitos, sobre a importância do tombamento da literatura de cordel e do repentismo brasileiros como patrimônio cultural e imaterial das coisas do nosso País. Dito o que tinha de dizer, Carolina nos chamou para falar sobre cultura popular. Falei.
Outras Pessoas foram chamadas a falar sobre o que fazem no mundo da cultura popular. Entre estas pessoas o Pernambucano Luiz Wilson.
Luiz Wilson é uma das figuras mais expressivas da cultura popular do Nordeste. Ele é cordelista, repentista e apresentador de um dos Programas mais ouvidos nas manhãs de Domingos do Rádio Paulistano: Pintando o Sete, no ar desde o dia 09 de setembro de 2007.
No Programa do Wilson tem Gonzaga, Dominguinhos, Anastácia e muitos outros grandes forrozeiros, cantadores repentistas e muitos outros por quase toda manhã  no “dial” da rádio Imprensa FM 102,5.
Mas eu comecei falando neste texto sobre a produtora cultural Malu.  Pois bem, Malu fez-me lembrar o mais importante filósofo dos últimos tempos da Antiguidade: Aristóteles.
Na conversa na Funarte, Malu disse-me que “O CTN está sem alma”.
Cinco séculos antes de Cristo, Aristóteles dizia nos seus manuscritos que a alma regia energia, que regia movimentos, que regia corpos, que regia a própria vida.
Isso tudo está na Teoria das Causalidades Universais.
Para os gregos, em grego, alma é psiquê.
No dia em que o CTN entender a importância da sigla que escolheu, essa sigla se tornará verdadeiramente importante para os milhões de Nordestinos que habitam a  cidade de São Paulo.
Estamos falando, claro, de Cultura do Nordeste brasileiro.
Ah! Na reunião promovida por Carolina reencontrei, depois de muito tempo, a grande cantora mineira Fatel Barbosa.

JOÃO DE CALAIS
Calais fica ao norte da França. Ali por perto, nas proximidades do embarque no Eurotúnel há anos foi criada uma favelona, habitada por umas três mil pessoas. Pobres, imigrantes com uma mão atrás e outra na frente, foram postas pra correr pela Policia. Calais ficou famosa fora da França pelo romance de cordel chegado ao Brasil em fins do século 19. O estudioso da cultura popular Luis da Câmara Cascudo, autor de cento e tantos títulos, foi seu principal divulgador. João de Calais, o romance, é um dos Cinco Livros do Povo.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

IPHAN, REPENTE E CORDEL

A antropóloga carioca Ana Carolina marcou ontem um belo tento, ao reunir cerca de 60 artistas populares, muitos deles, de rua. Essa reunião ocorreu num prédio da Funarte, na capital paulista.
Fazia tempo que eu não me reunia com tantos artistas verdadeiramente populares e criativos, como Peneira & Sonhador, Ed Boy, Luiz Wilson, Cacá Lopes, Costa Sena, Sebastião Marinho, Moreira de Acopiara, Zé Francisco –decano dos repentistas em São Paulo– Téo Azevedo, Marco Haurélio, Zé Américo.
Também compareceram à reunião, que teve por finalidade o tombamento da literatura de cordel e da poética repentista pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Cristina Abreu e Malu, do CTN e produtoras da área cultural, como Telma Queiroz. Cristina foi bastante questionada sobre o fato de o CTN não dar a atenção devida a artistas populares. “As portas do CTN estão abertas”, ela disse.
Representantes do IPHAN abriram o encontro explicando o interesse de inscrever o cordel e o repente na tábua de expressões da cultura popular brasileira, como noutras ocasiões foi feito com o samba de roda, o frevo, o círio de Nazaré e a roda de capoeira.
O que acho disso?
O governo quando nada faz, faz de modo incompleto iniciativas que poderiam ficar definitivamente marcadas para a história. Caso claro é o que se pretende fazer com o cordel e o repente. Pra valer, mesmo, essa iniciativa poderia ser enriquecida com uma publicação que registrasse em verbetes dados referentes aos artistas. Um mapeamento rigoroso enriqueceria mais ainda o tombamento do cordel e do repente como expressões autênticas da cultura popular brasileira. Mais: concursos de cordel e de repente, de alcance nacional, patenteariam essa iniciativa, pois tombar por tombar, não adianta.
Entre 2001 e 2003, com apoio do Metrô e da CPTM, realizamos dois concursos de literatura de cordel em São Paulo. O resultado disso foram 410 mil folhetos distribuídos gratuitamente às bibliotecas da rede pública de São Paulo. Antes, em 1997, presidimos a mesa julgadora do 1º Campeonato Brasileiro de Poetas Repentistas, considerado até hoje o mais importante do gênero em todos os tempos. A finalíssima foi realizada no Memorial da América Latina. Cerca de uma centena de duplas de profissionais do repente, de todo o Nordeste, participou desse festival.

O IPHAN foi criado no governo Vargas, em 1937. O seu 1º presidente foi o advogado mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade. No Conselho da instituição se achava o paulista Mário de Andrade, desaparecido no dia 25 de fevereiro de 1945.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

VOCÊ JÁ MATOU SEU MOSQUITO?

Aristóteles deveria ficar muito bravo se soubesse que sua teoria sobre governo e democracia sucumbiu ou está sucumbindo em países de nuestra América. Na Bolívia, Morales ameaça se perpetuar no poder como Maduro na Venezuela.
Mas não é só desse lado que governantes insistem em fazer do poder a sua moradia. Isso está acontecendo na Rússia e mais num monte de lugar.
O Brasil está quebrado. O rombo beira os três trilhões de reais. É o que dizem os governadores dos estados da Federação.
Aristóteles, aquele “da causa e efeito”, entendia que política era pra ser desenvolvida por quem se dedicasse às causas do povo. Ele sabia da importância do Estado. Sabia também que o povo, qualquer povo, precisava de alguém que o orientasse, que o governasse. Mas para isso, entendia o pensador, que para governar um povo, o governante teria de ser alguém pelo povo escolhido e acima de qualquer suspeita.
E aí vieram os reis, e muitos deles se tornaram déspotas.
Aristóteles não deixou de lado a aristocracia. E sempre no mesmo raciocínio, ele entendia que justeza e justiça deveriam caminhar juntas.
Depois de Aristóteles, seguidor dedicado dos ensinamentos de Platão, surgiu em Atenas um cidadão que passou à história pelo nome de Diógenes.
Diz a lenda que Diógenes era cego e aprontava como ninguém. Dizia-se que ele saía, em plena luz do dia, com uma lanterna acesa e à procura de um homem honesto.
Vocês já pensaram o “sufoco” que passaria Diógenes no Brasil? Quantos honestos ele acharia, hein?
Eu fiz isto:

Procurar um ser honesto
Em plena luz do dia
Com uma lanterna acesa
Como Diógenes fazia
É coisa só pra quem sabe
O que é cidadania

Cidadania se faz
É com democracia
Educação e cultura
E um quê de filosofia
Sem esses “ingredientes”
Não se faz cidadania

Platão, Sócrates e todos os gregos, filósofos ou não, tem a ver com povo e democracia. Povo, com democracia ou sem democracia, existe em qualquer lugar do mundo. Até na Suíça. E onde há povo há, em tese, cultura popular. Mas pelo andar do andor, povo é “detalhe” que a globalização e suas consequências estão pondo à beira da vala do inferno.
Outro dia uma francesa, muito simpática, me veio fazer umas perguntas sobre literatura de cordel e lhe respondi o que tinha de responder. Aproveitei para lhe perguntar sobre o povo e a cultura popular franceses. Ela engasgou-se e a socorri, brincando. Na França já não tem cultura popular, não é mesmo?
E assim vai o mundo, e com ele vou entendendo que a cultura popular é “a digital de um povo”.
E pensar que eu ia falar hoje sobre a força tarefa das nossas três forças armadas imbuídas no mesmo objetivo: combater o mosquito da dengue.

ESTADO NOVO
Eu não poderia esquecer que no dia 22 de fevereiro de 1945, o diário carioca Correio da Manhã publicava ampla e bombástica entrevista com o paraibano José Américo de Almeida, autor pioneiro do romance regional (A Bagaceira). A entrevista, assinada pelo capeta Carlos Lacerda, pôs fim ao Estado Novo, inventado pelo “pai dos pobres” Getúlio Vargas. Getúlio, como se sabe, foi aquele que deu um tiro no próprio peito depois de Lacerda receber um tiro no pé.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Política e Música

Promiscuo e deletério é o ambiente criado ontem no Congresso Nacional. Esse ambiente criado através de uma emenda constitucional permite, desde hoje o pula pula de cabritos de um partido para outro. Esse pula pula ou vai-e-vem da esculhambação se estenderá até o próximo dia 19. Em suma: qualquer político com cargo eletivo poderá mudar de partido sem problema nenhum, sem perder o cargo inclusive.
Quando eu digo que é esculhambação, é porque é esculhambação.
Político pode tudo. Não estamos vendo aí o que os Presidentes da Câmara e do Senado fazem para se manter no poder? Os corruptos proliferam desde sempre nas sociedades antigas, modernas e modernosas como a nossa.
No século XIX, quando o Príncipe Regente aportou na Bahia da Guanabara – hoje totalmente poluída, trouxe uma casta constituída de, pelo menos, quinze mil asseclas. E todos mamando nas tetas do tesouro público, como hoje.
Naquele tempo, o Brasil de ouro e outros mineiros era riquíssimo, mas politicamente já éramos pobres, como hoje. As dívidas cresceram, cresceram, cresceram e o país estourou por não suportar a sangria do qual foi vítima. E o Regente Príncipe que virou Rei arrumou as malas, as Naus, raspou o que tinha nos cofres do insipiente Banco do Brasil e partiu.
O que quero dizer com isso tudo? O que está obvio nas letras escritas até aqui. Algum paralelo com a situação vivida ora neste Brasil 2016?
Pois é, mas enquanto há esperança, há vida e vice-versa.
Bons e belos exemplos nos chegam de muitas partes, via esta maquininha de fazer doido.
Do interior do Crato, Ceará, vem notícia dando conta de que um garoto de dez anos inventou de brincar com a obra lúdica do reio do baião, Luiz Gonzaga
Essa é uma história maravilhosa. 


BALLET STAGIUM

Dentro das comemorações dos seus 45 anos de história, o Ballet Stagium mergulha na obra e vida do pernambucano estilizador do baião e de outros gêneros musicais, Luiz Gonzaga, contada com o auxílio do grupo musical Quinteto Violado.  A história  de Gonzaga será permeada por passagens e personagens do folclore nordestino. De hoje até o próximo dia 28 de fevereiro de 2016, na CAIXA Cultural São Paulo, Praça da Sé, 111, Centro, Metrô Sé.


E para lembrar Luiz Gonzaga acompanhe trecho de uma apresentação que fiz em toda a Rede Sesc.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

DIA DO REPÓRTER

Em 1500, Dom Manuel I era Rei de Portugal. Dom Manuel, que nasceu em 1469 e morreu em 1521, foi substituído por Dom João III (1502/1557).
Por essa época, Portugal era um país temido e respeitado mundo afora.
Dom João III foi substituído por Dom Sebastião, que tombou num pega pra capar contra os mouros em Marrocos. Isso em 1578. Dois anos depois, assumiu o trono de Portugal, o Rei Felipe II da Espanha. É quando começa o declínio do pequeno Portugal. Claro, a essa altura muito ouro e muito tudo Portugal já havia recebido do Brasil, sua mais rica colônia. Não podemos esquecer que as riquezas contidas em terras brasileiras, foram minuciosamente contadas em carta pelo “repórter” Pero Vaz de Caminha.
Hoje, no Brasil, é o Dia do Repórter.
Hoje, no Brasil, começou o ano político e, de modo geral, o ano prático de 2016. Na Câmara e no Senado, há tudo quanto é tipo de pauta. Tem pauta pra derrubar o Presidente da Câmara, o Presidente do Senado, a Presidente da República. E tem, claro, pauta em prol do bem do Brasil. Mas o Congresso, como sabemos, é que nem bunda ou cabeça de criança: não se sabe nunca, de fato, o que sai de lá... Que Cunha e Renan deveriam estar vendo o sol quadrado, disso não tenho dúvida.
Portugal começa a cair em declínio quando entra em pauta a corrupção. Nunca tão poucos roubaram tanto como no reinado do Príncipe Regente Dom João VI. Isso, lá em Portugal mesmo. E só pra refrescar a memória de alguns esquecidos: corrido da sua terra, Dom João VI reinou no Brasil durante 13 anos e quando daqui saiu, levou tudo o que pode levar de volta pra sua terra.
A corrupção no Brasil é algo enraizado.
O Banco do Brasil foi criado por Dom João VI e faliu duas décadas depois, em 1829. Depois foi recriado e continua servindo de pasto para roedores da República.
Hoje, no Brasil, é o Dia do Repórter.
Cerca de 48 horas depois de aportar no Brasil, trazendo de 10 a 15 mil portugueses que serviam à Corte, em 40 navios, Dom João VI governou com três ministérios: Negócios Estrangeiros de Guerra, Negócios do Reino e Negócios da Marinha e Ultramar. Ele, com esses poucos ministérios fez muito, mas também roubou muito. Deixou o Brasil falido. Todos viviam às custas do erário público.  
Caminha foi o primeiro repórter; o segundo foi o Cônego Luiz Gonçalves dos Santos, o Padre Perereca.
Padre Perereca escrevia muito bem e suas crônicas ele as deixou impressas em dois volumes. Nelas, ele narrou o dia a dia da Corte Portuguesa no Brasil. São pérolas.
Hoje, no Brasil, é o Dia do Repórter. Mas será que os repórteres hoje narram tudo o que deveriam narrar nos periódicos e nas outras mídias?

A Gazeta do Rio de Janeiro foi criada em 1808 por Dom João... Pouco antes, em Londres, o jornalista Hipólito José da Costa criava o seu Correio Braziliense. Detalhe: Hipólito negociava a dinheiro da época seus editoriais com Dom João VI. 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O POEMA DOS OLHOS

Eu sempre gostei de poesia. O primeiro livro de poemas que li tinha como autor o meu conterrâneo Augusto dos Anjos. Eu devia ter ali uns 12 ou 13 anos. Apaixonei-me por essa forma de expressão. E aí li, li, li e continuo cada vez mais encantado com a poesia. Cheguei até a gravar em disco poemas de autores vários, com Zé Ramalho, Elba Ramalho, Jackson Antunes, entre outros amigos.
A Canção do Exílio, que todo mundo sabe de quem é - de Gonçalves Dias - é um poema que me marcou profundamente. No hino nacional, ele está lá. Um pedaço, pelo menos.
Eu gosto de poesia e às vezes até me arrisco a fazer...


O VERBO E O TRAÇO COM TINHORÃO E FAUSTO

A conversa sexta 12 em casa com Tinhorão, para quem sempre abro as portas todas as quartas e sextas com alegria e respeito, girou sobre assuntos vários. Começamos falando sobre Portugal, fado, Dom João VI e guerras napoleônicas. E de repente, adentra o ambiente o cartunista paulista Fausto.
Fausto é meu amigo dos tempos da Folha, Folhetim e da Última Hora do meu querido Oswaldo Mendes, que é jornalista, compositor, ator, diretor de teatro e o escambau.
Fausto é um menino do meu tempo, cheio de prosa; cheio de graça e traço...
E quando o Fausto chegou, a conversa ficou mais rica. E aí falamos sobre os Cruzados ingleses que puseram pra correr, em 1147, os mouros de Portugal. Os caras eram folgados... De cara, Tinhorão arrematou: “os ingleses são sacanas e mostraram isso ao logo do tempo explorando Portugal”.
O danado é que o diacho do Tinhorão se preparou pra falar e escrever sobre História, o que tem feito com extrema ousadia e categoria.
Na fuga planejada da família Real para o Brasil, a Inglaterra teve importância fundamental, inclusive escoltando a esquadra que trouxe ao Brasil cerca de 13 mil portugueses da Corte portuguesa. 
Parceiro é parceiro. 
E a parceria com Portugal, firmada com os ingleses lá atrás, foi cumprida.
Sem a parceria com os ingleses, duas coisas poderiam ter acontecido: ou o medroso e bonachão D. João VI cairia ou ficaria de pé diante da tropa de Napoleão. Mas prevaleceu a covardia do Imperador, que poderia ter vencido Napoleão e permanecido no seu reino.
E falamos, falamos, falamos...
Na conversa entraram Gutemberg, criador dos tipos móveis que revolucionariam a imprensa, em 1492; Lutero, Da Vinci, Michelangelo, Copérnico, Galileu, que pagou pecados não cometidos.
Na nossa conversa entraram muitos temas, como sempre.
Conversar é muito bom.
Teve uma hora que o Fausto perguntou algo que não me lembro, mas que tinha a ver com Nelson Rodrigues.
Tinhorão é personagem da história rodriguiana Bonitinha mas Ordinária.
E quando dei por mim, o Fausto estava desenhando a minha cegueira.
E conversamos sobre música, naturalmente, poesia, jornalismo, religião e até sobre o mosquito Aedes Aegypti; mosquitinho, que chamou à "luta" nossas soldadas e soldados das nossas três forças: Exército, Marinha e Aeronáutica.
Pois é, quem diria, hein?! Um mosquitinho com carinha de besta, vindo da África de 1947, fazer um estrago desse?
Poxa, nos anos 80 eu trabalhava na TV Globo e, naquela época, o mosquito já aperrava todo mundo. As pautas sobre ele davam ibope. O ibope continua e a nossa irresponsabilidade também.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Cordel e Currículo Escolar

Em fevereiro de 1808, Dom João VI e sua família se achavam em terras brasileiras. Fugidos, em decorrência de ameaça de invasão a Portugal por Napoleão, o que se efetivou em dezembro daquele ano.
Dom João permaneceu por cá durante treze anos, voltando a sua terra após a morte de Napoleão, em 1821.
Neste 2016, faz exatamente duzentos anos que João VI foi coroado rei do Brasil.
Por que lembro isso?
Antes de mais nada,  porque fevereiro é quase sempre o mês do carnaval. Mas o carnaval no Brasil antecede a presença da família real na nossa terra.
Em pesquisa que desenvolvi na Biblioteca Pública do Porto, em Portugal, descobri que o Entrudo chegou ao Brasil nos começos do século XVIII. O Entrudo é a forma mais primitiva do que viria a se chamar carnaval.
Em 1808, Portugal era na sua decadência um país completamente dependente das riquezas do Brasil. Era muito lixo, lixo de todo tipo atirado nas ruas, nas calçadas. Daí, talvez, a “inspiração” ou origem do Entrudo por lá trazido pra cá. Os “foliões” praticantes do Entrudo atiravam sujeira, incluindo excrementos nas pessoas.
Em 1840, a coisa começa a mudar nas ruas do Rio de Janeiro, sede da corte. Grandes bailes eram feitos nos palácios e nos sítios ou fazendas da aristocracia. O primeiro baile de carnaval, por exemplo, data desse tempo. Os cordões e blocos vêm em seguida. O Entrudo permaneceria por mais algum tempo. Isso é história.
Por falar nisso, o governo está anunciando drásticas mudanças no currículo escolar. Drásticas mesmo. Os luminares da República estão excluindo desse currículo os autores portugueses, por exemplo. Estão excluindo a história clássica. Nada da Grécia, nada de Roma, nada de Portugal.
Se criminosamente for efetivado esse currículo, nossas futuras gerações deixarão de saber quem foram Eça de Queiroz, Camões, Pessoa, Antero de Quental, Branquinho da Fonseca, Camilo Castelo Branco, só para citar alguns. Ficarão também sem saber nada de nada sobre a Desgarrada, que aqui transformamos em poesia de repente, de improviso; e Literatura de Cordel...
Há alguns anos, eu disse em entrevista ao Jornal The Guardian, de Londres, da importância da Literatura de Cordel na Europa e no Brasil. Claro, citei Camões, os decassílabos de Camões, maravilhosos! Aqui mesmo no Brasil temos grandes cordelistas como os paraibanos Silvino Piraua e Leandro Gomes de Barros.
Essa história de mudar o currículo escolar é muito séria. Não se pode mudar um currículo desse porte de uma hora para outra. Parece que se faz isso tudo a calada da noite, propositalmente. Por que se faz isso? Não se pode por num currículo escolar a ideologia de um partido político, isso é crime.
No Brasil de hoje ainda há mais de 12% de analfabetos completos e algo em torno de 25% de analfabetos funcionais.
Para onde vamos?
Dom João VI veio para o Brasil e voltou para a sua terra, onde morreu.
A herança portuguesa no campo cultural é rica, muito rica.
O que será do brasileirinho que está chegando?
Ai, de nós!
Assim, em 2006 proferi palestra de encerramento de um seminário no Congresso Nacional. Na ocasião, propus que a música voltasse ao currículo escolar. A proposta foi aceita e virou lei, uns dois anos depois, mas essa lei até hoje não foi devidamente aprovada. Fui procurar saber e lá em Brasília me disseram que não há pessoal capacitado para a matéria.
É o fim do mundo, ou do Brasil.

Amanhã, nos Sambódromos do Rio e de São Paulo tem mais desfiles de Carnaval.

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