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segunda-feira, 24 de abril de 2017

O FIM DAS TRADIÇÕES JUNINAS


Desde sempre, o Brasil é um país incrível.
Um amigo meu, Hernâne Donato, escreveu um belíssimo livro a que deu o titulo de Dicionário das Batalhas Brasileiras.Esse livro foi publicada pela Ibrasa. Nesse livro Hernâne prova que houve no Brasil,pelo menos, uma batalha, um conflito, com feridos e mortos todos os dias desde a chegada dos estrangeiros entre nós. É muita coisa, não é, pois bem, num ano dos 30 do século passado, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, paulistano, escreveu um livro básico para a compreensão do comportamento do ser brasileiro.Esse livro, Raízes do Brasil, dá o que falar até hoje. 
O motivo?
Sérgio Buarque afirma , talvez erroneamente, que o brasileiro é um ser pacato.
A história, a história mesmo, mostra o contrário: somos bonzinhos, mas nem tanto.
No campo da cultura popular brasileira temos vários desbravadores, como Luis da Câmara Cascudo (1898 - 1986).Click: 


http://www.portaldosjornalistas.com.br/noticias-conteudo.aspx?id=889


Câmara Cascudo deixou publicados cerca de 150 títulos. Num deles, Vaqueiros e Cantadores, ele já falava do poeta popular cearense Patativa do Assaré, de batismo Antonio Gonçalves da Silva (1909 - 2002). Aliás, cheguei a escrever e a publicar um livro a seu respeito: O Poeta do Povo, Vida e Obra de Patativa de Assaré.


Cascudo é o autor do indispensável dicionário do folclore brasileiro, lançado originalmente em dois volumes pela gráfica do senado em 1954.
Pois bem, desde de sempre o Brasil é um país incrível.
Não são poucas as manifestações culturais que vicejam no solo brasileiro e no coração do povo, em ultima analise nós.


Luiz Gonzaga mapeou a cultura musical do nordeste, e Patativa , com a sua poesia, deu voz aos deserdados.É dele, com gravação de Luiz Gonzaga a tocante toada "A Triste Partida", de 1964.Click:





Enquanto isso o tempo passa engrandecendo ou diminuindo a cultura de um país, não é mesmo? Ou de uma região.
Agora mesmo, e não é de hoje, a gula por dinheiro está desmilinguindo o que há de mais bonito do repertório tradicional nordestino.
O chamado O Maior São João do Mundo está ficando deste tamanhinho e o motivo é simples: os forrozeiros, os baioneiros, os cantores e cantores de repertório junino, como Elba Ramalho, Genival Lacerda, Alceu Valença, Biliu de Campina, Pinto do Acordeon, Zé Calixto, Alcymar Monteiro, Santana e Antônio Barros & Cecéu  e tantos e tantos outros grandes da nossa boa música estão fora da programação deste 2017. Sem falar dos cantadores repentistas, sempre sumidos dessas programações.
A programação para O Maior São João do Mundo deste ano está recheada de sertanojos e de outras pérolas sem brilho algum, pelo menos no que se refere ao bom gosto.Vocês gostam de um tal Luan não sei o que,e Safadão não sei das quantas? Pois é...confiram os nomes da programação do Maior São João do Mundo para 2017.





As tradições estão mesmo indo para o beleléu, ou para mais longe, sei lá!
 No tocante, no que diz respeito aos festejos juninos. Já não há paus de sebo, fogos de artifícios, fogueiras, canjica, pamonha, e alegria espontânea em locais ou ambientes em que se possa comer e brincar dando vivas ao dorminhoco São João. Ai, ai, ai.

TROFÉU GONZAGÃO




Ao contrario da programação do São João de Campina Grande, louvável a iniciativa dos organizadores do troféu Gonzaga. Este ano o troféu homenageia Geraldinho Azevedo e o Quinteto Vi0olado; in memoriam Abdias dos Oito Baixos, que era primo do meu amigo Vital Farias. O troféu está na sua 9 edição. Numa das primeiras eu o Fagner fomos homenageados com esse troféu.






VIGÍLIA PELA LEITURA


A decisão de suspender o funcionamento de 24h da Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista, não foi uma decisão boa. Não foi uma decisão legal, no sentido de deixar os munícipes felizes. Toda a hora é hora de ler, de ir ao teatro e cinema, de assimilar conhecimentos. Parece que o nosso prefeito, Dória, e seu secretário não sei como se chama, não sabem disso. Deveriam saber pois, enfim, são administradores públicos, não são mesmo? A decisão de encerrar as atividades de 24h da biblioteca  vai levar um monte de gente hoje para um protesto de alto nível; de nível literário e cidadão. Se são poucos os frequentadores notívagos, porquê não desencadear uma grande campanha a favor da leitura? Todos precisamos disso! A Biblioteca Mário de Andrade na Rua Consolação, 94, pertinho da estação Anhangabaú do Metrô, você vai?
Mário de Andrade foi o primeiro secretário de Cultura da cidade de São Paulo. Que nível hein? 

domingo, 23 de abril de 2017

JOÃO DÓRIA, INIMIGO DO CHORO

Numa canetada, o prefeito paulistano detonou o Clube do Choro. Foi ele ou o seu secretário da Cultura, cujo nome ainda não decorei. 
O Clube do Choro ocupava um espaço exíguo no Velho Teatro Artur Azevedo, na Mooca. Os espetáculos produzidos pelo pessoal do Clube a cada dia reuniam mais admiradores, de todas as idades.
O prefeito está se revelando um grande detonador cultural. A partir de amanhã, por exemplo, já não haverá espaço para os notívagos que já estavam se acostumando a  ler nos bancos da Biblioteca Mario de Andrade. Aqui neste blog, antecipei isso na semana passada. Prá compensar sugiro ao governante municipal que desenvolva uma ampla campanha de indução do povo à leitura, pelo menos isso!
O Choro é um gênero musical surgido na segunda metade do século 19, no Rio de Janeiro. O pai do Choro foi o funcionário público Joaquim Antonio da Silva Calado (1848-1880). Depois dele, o grande nome do Choro é Alfedo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha (1897-1973).
Pixinguinha nasceu no dia 23 de abril, portanto há 120 anos.
Até a hora que dito estas linhas, não soube de nenhuma notícia no rádio ou na televisão sobre os 120 anos de Pixinguinha. Tampouco sobre o Dia do Choro, que é hoje.
Tinha Pixinguinha 12 ou 13 anos de idade quando escreveu a sua primeira composição, o tango Lata de Leite. Com dezessete anos já tocava nos cabarés do Rio de Janeiro. No ano da Semana de Arte Moderna, 1922, Pixinguinha e o grupo Oito Batutas excursionaram pela França e Argentina. Na Argentina, o grupo chegou a gravar uma dezena de músicas.
Artistas costumam se consagrar através de uma ou duas obras autorais, caso de Beethoven (Nona Sinfonia), Bach (Jesus Alegria dos Homens), Ravel (Bolero), Haydn (Messias)...No Brasil, Luiz Gonzaga (Asas Branca), Geraldo Vandré (Disparada e Prá Não Dizer que Não Falei de Flores)...
O carioca Pixinguinha deixou uma obra enorme. Dentre as centenas de títulos, o destaque maior fica para o Chorinho Carinhoso, que em 1936 ganhou letra de Braguinha, o João de Barro, Carinhoso firmar-se-ia no imaginário popular a partir da gravação feita em 1937 por Orlando Silva, o Cantor das Multidões.
O Chorinho teve o Rio de Janeiro como berço, mas o tempo incumbiu-se de espalhá-lo por todo o País. Agora em São Paulo, deparou-se com um inimigo: João Dória.


CORTEZ NO PARQUE

O público que frequenta o centenário Parque Fernando Costa, no bairro paulistano da Água Branca, parece estar mais feliz. E sabem por que? Simples: um dos seus frequentadores mais assíduos, o atleta de fim de semana José Cortez voltou. Cortez pode ser visto nas manhãs de todos os sábados caminhando e se exercitando nas alamedas do parque.




sábado, 22 de abril de 2017

HISTÓRIA PRA BOI DORMIR


Eu e muita gente crescemos ouvindo na escola que foi o português Cabral o descobridor do Brasil.
Eu e muita gente crescemos ouvindo na escola que o Brasil foi descoberto no dia 22 de abril de 1500.
Eu e muita gente crescemos ouvindo na escola um monte de besteiras.
Pois é, a história oficial é uma e a história real é outra.
Primeiro: o primeiro navegador a por os pés em nossas terras foi um português de nome Duarte Pacheco Pereira, que era assim assim com o rei de Portugal Dom Manuel I.
Segundo: Pacheco aportou na fronteira do Pará e Maranhão, em Novembro ou Dezembro de 1498.
É tudo complicado e é muito difícil desfazer a história oficial, mas insistir faz bem, não é mesmo?
Foi um Jerônimo de Mendonça Furtado a primeira autoridade a praticar o ato hoje mais comum do mundo: corrupção.
Foi em 1600 e tarará que Jerônimo se locupletou, ao ter as mãos molhadas pelos franceses que invadiram Pernambuco. Logo depois disso Furtado - que se perdeu pelo nome - foi preso e mandado de volta a Portugal, onde planejou um golpe contra Dom Afonso e lascou-se num exílio na Índia.
Essa história de franceses em Pernambuco fez-me lembrar a forte presença holandesa naquelas terras.
Foi em 1630, depois de serem postos para correr da Bahia que os holandeses guerrearam com portugueses e brasileiros e tomaram Recife, depois de incendiarem Olinda. Um horror!
A vitória holandesa deveu-se muito à deduragem do alagoano Domingos Fernandes Calabar.
Calabar era fazendeiro e dono de engenho e integrou a primeira leva de brasileiros a lutar contra os holandeses. Só que teve uma hora que Calabar mudou de casaca. Fez isso, segundo a história porque não aguentava mais a violência sofrida pelos portugueses. E como dedo duro, entrou para a história.
Perguntar não ofende: Quem foi mais sacana na história da deduragem, Joaquim Silvério dos Reis ou Domingos Fernandes Calabar.
Pelo que consta, Calabar não ganhou grana nenhuma ao fazer o jogo dos holandeses, ao contrário de Silvério dos Reis.
Aos olhos do mundo, o Brasil ainda é um país muito novo. Novo e com uma gentinha safada lhe habitando, não é mesmo?
Você sabe quanto custou a construção de Brasília? Pois é, algo em torno de 1 bilhão de dólares. Isso é pouco ou isso é muito? Só de multas, a Odebrecht deverá ressarcir os cofres públicos do Brasil, Suíça e EUA com a bagatela de 2,8 bilhões de dólares, é mole?
Eu disse que o primeiro navegador a por os pés no Brasil foi o espanhol Duarte Pacheco, por que isso? Pacheco era moço de altíssima confiança do rei Dom João III, e não podemos esquecer que durante 60 anos a Espanha tomou conta de Portugal, e também dos holandeses, por outro bom tempo.
Essa história de descobrimento do Brasil a 22 de Abril de 1500 é pura bobagem, é coisa torta, pra pegar trouxa e enganar mentes desavisadas, não é mesmo Fausto?
.
DIA DE SÃO JORGE

Hoje é o dia do santo guerreiro que cuida da lua. Eu fiz um poema em que faço referência ao Santo Jorge, é este:



EU E O MUNDO


Do circo sou palhaço
Do teatro sou ator
Do cinema sou astro
Da viola cantador
Do espaço pássaro
Da família beija-flor

Sou forte e faço tudo
Já parei as ondas do mar
Mudei a rota dos ventos
O sol quente fiz esfriar
E Netuno eu convenci
A dançar tango num bar

Mandei o homem à Lua
E depois o fiz voltar
Com mil estrelas no bolso
E histórias prá contar
Como a queda de São Jorge
Do seu cavalo lunar

Na Grécia de Platão
Ensinei filosofia
E mostrei como se faz
Uma boa cantoria
Com o nego Zé Limeira
Cantando Filalomia

Fui à Marte e fui à Vênus
E também fui a Plutão
Viajei os sete mares
Montado num tubarão
Depois voltei à terra
E a razão não conto, não

No mato peguei onça
Prá no seu peito mamar
Dei nó em cobra coral
Prá ela não me picar
E fiz chover chuva de luz
Para o meu bem se banhar

Evitei mais de mil guerras
No Céu, na Terra e no Mar
Desarmei milhões de bombas
De origem nuclear
Depois voltei pra casa
Pra beber água e descansar

Mas descansar não descansei
Mandei Hitler se matar
Lampião ir pro Inferno
Donald Trump se lascar
E não fiz mais porque não quis
O mundo todo se acabar

Mas isso não é nada
Tudo isso é nadinha
Comparado a desastre
De um trem fora da linha
E se esse trem for pátria?
- Essa pátria é a minha

Por ela eu faço tudo
Por ela eu fico louco
Por ela eu vou à guerra
Dou tiro, dou pipoco
E por mais que eu fizer
Certamente será pouco

Minha pátria é incrível
Ela é a mãe gentil
Ela acolhe todo mundo
No seu colo juvenil
Cê não sabe o nome dela?
O nome dela é Brasil!





sexta-feira, 21 de abril de 2017

VIVA TIRADENTES!


Eu e muita gente crescemos ouvindo na escola que Tiradentes foi um herói.
Eu e muita gente crescemos ouvindo na escola que Joaquim Silvério dos Reis, um português, foi o cara que delatou Tiradentes e seus amigos que sonhavam construir um país livre, sem o jugo da Coroa portuguesa.
Aprendemos um monte de coisas legais na escola sobre o Brasil de tempos remotos, mas no correr dessa aprendizagem nos foram impostas muitas inverdades e equívocos. Primeiro: Não foi somente Joaquim Silvério dos Reis o delator da Inconfidência Mineira. Além dele, delataram Tiradentes e seus companheiros, o coronel e fazendeiro Basílio de Brito Malheiros do Lago e o também fazendeiro e capitão do mato, Ignácio Correia Pamplona, portugueses.
Você sabia que Tiradentes, de batismo Joaquim José da Silva Xavier, nunca usou barba? Pois é, Tiradentes jamais usou barba por uma razão muito simples: aos militares não era permitido o uso de barba; e Tiradentes era um militar no posto de alferes. Alferes era um posto equivalente, digamos, a um 2º tenente.
Silvério dos Reis foi, na história, o primeiro alcagueta a sair-se bem com o que hoje convencionou-se chamar "delação premiada". Pois é, e tinha 33 anos de idade quando fez isso. Detalhe: depois de trair a causa de Tiradentes,  Reis passou a ter uma vida infernizada pelo povo, chegou a sofrer um atentado no Rio de Janeiro. Morreu lascado no Maranhão em 1819. Bem feito!! Seus companheiros de delação, também se lascaram e sequer receberam benesses da Coroa pelo ato praticado.
Tiradentes e seus companheiros, entre os quais o poeta Tomás Antonio Gonzaga, foram presos e condenados. Tiradentes foi o único a sofrer a pena máxima, depois de 3 anos de prisão. Ele foi levado ao carrasco sem barba e careca. Portanto, a imagem de Tiradentes cabeludo e barbudo é falsa. Detalhe: depois de enforcado e esquartejado, a sua cabeça desapareceu...
O dia 21 de Abril como feriado nacional foi instituído em 1901.
O dia de inauguração de Brasília, 21 de abril, não foi uma escolha aleatória. Foi uma escolha feita, a dedo, pelo Presidente Juscelino Kubistcheck para homenagear o primeiro grande herói do Brasil.
Há muitas músicas compostas em alusão ao gesto heroico de Tiradentes e há muitas ruas, praças e avenidas espalhadas Brasil afora com o seu nome. Uma curiosidade a lamentar é que no município paulista de Caieiras existe uma rua com o nome de Joaquim Silvério dos Reis, você sabia?
A poeta Cecília Meireles escreveu maravilhas a respeito de Tiradentes. Leia:


Poema de Cecilia Meireles
TODA VEZ QUE UM JUSTO GRITA
UM CARRASCO O VEM CALAR
QUEM NÃO PRESTA FICA VIVO
QUEM É BOM, MANDAM MATAR
QUEM NÃO PRESTA FICA VIVO
QUEM É BOM, MANDAM MATAR
FOI TRABALHAR PARA TODOS
E VEDE O QUE LHE ACONTECE
DAQUELES A QUEM SERVIA
JÁ NENHUM MAIS O CONHECE
QUANDO A DESGRAÇA É PROFUNDA
QUE AMIGO SE COMPADECE?
FOI TRABALHAR PARA TODOS
MAS, POR ELE, QUEM TRABALHA?
TOMBADO FICA SEU CORPO
NESSA ESQUISITA BATALHA
SUAS AÇÕES E SEU NOME
POR ONDE A GLÓRIA OS ESPALHA?
POR AQUI PASSAVA UM HOMEM
(E COMO O POVO SE RIA!)
QUE REFORMAVA ESTE MUNDO
DE CIMA DA MONTARIA
POR AQUI PASSAVA UM HOMEM
(E COMO O POVO SE RIA!)
ELE NA FRENTE FALAVA
E ATRÁS A SORTE CORRIA
POR AQUI PASSAVA UM HOMEM
(E COMO O POVO SE RIA!)
LIBERDADE AINDA QUE TARDE
NOS PROMETIA


quinta-feira, 20 de abril de 2017

DE CUÍCA DE SANTO AMARO A SAUDADE DO FUTURO

Os amantes da sétima arte que vivem em São Paulo, Rio, Brasília e Campinas não podem  reclamar, pois são mais de cem os filmes que estão sendo exibidos na nova edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. São filmes, muitos deles, exibidos em primeira mão ou avant prèmiére, como diria o intelectual de formação francesa Peter Alouche. Entre os filmes nacionais há curtas médias e longas metragens, como Cuíca de Santo Amaro e mais dois que contam a história da Violeira Helena Meireles e do compositor maranhense João do Vale (1934-1996).
Eu conheci de perto Helena Meireles e João do Vale. Cheguei a fazer um trabalho com Helena, a pedido do amigo Kid Vinil, que está internado desde ontem num hospital da capital paulista. João do Vale era uma figura incrível, uma artista muito inspirado.
O que há em comum entre Cuíca, de batismo José Gomes, Helena e João?
Em comum entre esses três artistas, o talento. Além do talento, o fato de não terem frequentado bancos escolares. João conta isso na bela composição Minha História. Ouça:


 Helena, que nasceu em 1924 e morreu em 2005, trabalhou durante muito tempo nos cabarés da vida.Sofreu muito e jamais escondeu seu passado pobre e triste. Antes de gravar seus únicos quatro cedês no estúdio da extinta gravadora Eldorado, ela recebeu o aval de qualidade de uma revista de rock norte americana. Pois é.


Cuíca nasceu na cidade de Salvador, BA, em 1907. Ficou conhecido como Cuíca de Santo Amaro pelo fato de gostar muito da cidade de Santo Amaro da Purificação, berço de Manuel Pedro dos Santos. Manuel entrou para a história da música popular brasileira como o primeiro cantor profissional. Mas essa é outra história.
Cuíca fez de tudo e mais um pouco na vida. Foi até cobrador de ônibus, mas destacou-se na Bahia como cordelista e grande provocador. Ele era um cara sem papas na língua. Tirava sarro de tudo e de todos e adorava encher o saco dos poderosos de plantão. Era também um desbocado e não escolhia a hora prá soltar palavrões. Mas era muito engraçado, e dele o povo todo gostava por suas ironias e tiradas cômicas. Nos trajes era parecido com o cantador paraibano Zé Limeira, chamado de O Poeta do Absurdo. Cuíca, como Limeira usava óculos escuros e vestimenta multicor. Cuíca morreu em 1964, dois meses antes do golpe militar.


O festival de Cinema É Tudo Verdade foi criado há uns 20 anos pelo crítico Amir Labaki. Através do filme Saudade do Futuro, de Cesar Paes e Marie Clémence, participei desse festival. O filme, de produção franco-brasileira foi baseado num livro meu, A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo. Detalhe: esse filme, que nunca foi lançado comercialmente no Brasil, pode ser solicitado pela Laterit Production, clique: www.laterit-productions.com.


CEM ANOS DO PROFETA GENTILEZA

Todo dia é dia de tratar bem todo mundo.A propósito, você já deu boa noite a alguém hoje? E um abraço? E um beijo? Não vá dormir sem fazer isso.
Todo dia é dia de fazer o bem, sem olhar a quem, diz o dito popular.
Amanhã e todos os dias não se esqueça: dê bom dia, dê boa tarde, dê boa noite aos amigos, amigas, marido, mulher e até a quem, por uma razão qualquer não lhe fez bem.
Cumprimentar as pessoas, nos faz bem.
Vale, também, perguntar:
Como vai, vai bem?

Ouvi muitas vezes o palhaço Arrelia brincar com crianças e adultos, assim: Tudo bem, tudo bem bem bem?


Você, meu amigo, minha amiga, já ouviu falar do Profeta Gentileza?
Gentileza foi o apelido carinhoso que os cariocas deram ao paulista de Cafelândia José Datrino. Foi um cara legal. Ele nasceu em 11 de abril de 1917 e partiu para a eternidade em 29 de maio de 1996, portanto há cem anos. E só fez bem a todo mundo. Fez bem e pregou o bem sem olhar a quem.

Gentileza só fez o bem. e fazer o bem faz bem.
É isso, um beijo e um abraço a todos que me dão a honra de me ler.
Ah! O Gonzaguinha e a Marisa Monte fizeram músicas bem legais sobre esse personagem que habitou a realidade brasileira, ouça:





quarta-feira, 19 de abril de 2017

DIA DO ÍNDIO E DE TODOS NÓS, BRASILEIROS

Hoje é dia de Índio. Todo dia é dia de Índio, todo dia é dia de gente, de brasileiros.
O território brasileiro é o quinto maior do mundo. Sua extensão fica perto dos 9 milhões de km².
Se pensarmos bem, duzentos e poucos milhões de habitantes são poucos para instalarem-se em tanta terra.
O Brasil é o Brasil, terra de gente. Tem gente safada, mas essa gente é minoria e outra história.
Cerca de 900.000 índios ocupam, hoje, o território que sempre foi seu.
São quase 900.000 índios de 305 etnias, falando 274 línguas.
A maior parte dos quase 900.000 índios brasileiros está nas regiões Norte e Nordeste.
O branco, nós, tumultuamos a vida do índio e o escravizamos, não é mesmo?
A história começa com a chegada dos portugueses...
Ouço no rádio notícia dando conta de que a Odebrecht deu propina a índios de Roraima.
No Acre, estrangeiros vetam a entrada de brasileiros em terras indígenas.
Meu Deus, que país é este o nosso?


VIVA CEZAR DO ACORDEON!

Cezar do Acordeon, de batismo Abianto, é cearense e amigo meu há muito tempo. Ele gosta do que é bom, e eu também. Ele ficou cego dos olhos, e eu também. No mais, a vida segue.
Ontem à noite eu e Cezar conversamos durante sei lá quanto tempo! E conversa vai, conversa vem, falamos de Oswaldinho do Acordeon (acima, comigo e Cezar), Luiz Gonzaga, Sivuca e outro grandes sanfoneiros.
Sobre o mineiro Antenógenes Silva, primeiro grande afinador de sanfona do Rei do Baião, lembrei de uma entrevista que fiz com ele no tempo em que eu apresentava o programa Gente e Coisas do Nordeste, pela extinta Rádio Atual. Na ocasião, Antenógenes revelou-me ter sido o único sulamericano a acompanhar musicalmente num palco o criador do tango, Carlos Gardel. Aliás, tenho essa entrevista gravada e guardada no acervo do Instituto Memória Brasil até hoje.
Cezar Abianto, famoso Brasil afora como Cezar do Acordeon, lembrou-me do momento em que viu pela primeira vez o rei do baião, Luiz Gonzaga. Foi durante a gravação de um jingle na capital paulista.
E conversa vai, conversa vem, Cezar, puxou da sanfona e danou-se a tocar uma valsa maravilhosa, ainda sem título e inédita. Uma valsa-choro, que aqui e acolá remeteu-me ao mestre Antenógenes Silva.
Você sabia, meu amigo, minha amiga, que a primeira música que traz como título o nome de um bairro de São Paulo é uma Valsa-Choro? Pois bem, essa música é Rapaziada do Brás de ASçlberto Marino, que em 1960 receberia a letra do filho Alberto Marino Jr.

Pois bem, a conversa com Cezar gerou-se a partir da expulsão dos integrantes do Clube do Choro do Teatro Artur Azevedo, na Mooca, pelo senhor secretário Não Sei das Quantas, da Cultura do Município de São Paulo, ocorrida na semana que passou.
Cezar do Acordeon é um músico incrível. Era o sanfoneiro preferido da rainha do baião, Carmélia Alves. Confira:


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