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domingo, 10 de maio de 2015

UM ANJO TORTO


Este é livro importante por ter sido escrito de modo espontâneo por uma fã declarada de Nelson Gonçalves, Onélia Setubal Rocha de Queiroga; e não, necessariamente, por especialista nos estudos da história da música popular, cujo resultado, aliás, quase sempre é chato.
Na verdade, são poucos os textos em que os autores têm a coragem de revelar histórias de ídolos com firmeza e beleza como tão bem Onélia Setubal o faz, à parte graça no escrever.
Este livro é uma contribuição importante e natural à compreensão da força que os grandes artistas da música popular imprimiam aos fãs nos tempos dos anos 40, 50...
Dito isto, lembro que o cantor Nelson Gonçalves nasceu em 1941, pois foi nesse ano que a extinta gravadora Victor o contratou. Já o gaúcho Antônio Gonçalves Sobral, nome de batismo do cantor, nasceu no dia 21 de junho de 1919, mesmo ano em que o Rei da Voz, Chico, estreava em disco gravado com marca do selo Popular do companheiro da maestrina Chiquinha Gonzaga, João, confundido até hoje como filho dela, a marcha carnavalesca Pé de Anjo, de J. B. da Silva, o Sinhô.
Dito isto digo também, e assino em baixo, que Nelson foi um grande cantor, dos melhores no campo da música popular desde Vicente Celestino, Silvio Caldas, Chico Alves, Orlando Silva, o argentino naturalizado Carlos Galhardo e outros mais.
Um grande.
No palco, Nelson era impecável.
No palco Nelson arrasava, no melhor dos sentidos.
Fora do palco, Nelson era um pecador, grosso, bruto, um mal-educado que arrasava, no pior dos sentidos.
A história de Nelson é cheia de mentiras e contradições, de desrespeito e maltrato as mulheres.
Pode?
Não pode.
Nelson não estava preparado para a vida em família, entendem seus biógrafos e amigos mais próximos, como Marco Aurélio Barroso, autor do livro A Revolta do Boêmio; e Moacir Fontana, um dos seus mais fiéis seguidores, desde sempre.
Nascido em Santana do Livramento, RS, de pais portugueses, Nelson viveu na capital paulista por muitos anos; desde os seis, quando deixou a sua cidade natal.
Em São Paulo, ele viveu vendendo jornais, engraxando sapatos e fazendo bicos etc. e tal e atendendo a clientela do bar do irmão Joaquim, Quincas, na esquina da Alameda Nothmann com a Rua São João, ali perto da Ipiranga famosa da canção do baiano Caetano.
Eu o conheci bem.
Nelson frequentou por pouco tempo os bancos escolares, e nesses bancos pouco aprendeu.
A vida foi o seu professor.
O pai, seu Manoel, não era chegado a trabalho e se fingia de cego tocando rabeca para o filho; ele, Antônio, Nico, o futuro Nelson, cantar sobre caixotes nas feiras-livres e na Praça da Sé de São Paulo.
Essa rotina durou até ele, crescido agora chamado Metralha, sair de casa por causa das provocações sacanas da mãe, dona Libânia, que o chamava de vagabundo puxado ao pai.
Tinha uns 18, 19 anos de idade Nelson quando casou e teve dois filhos biológicos.
Os únicos.
Já na rua, Nelson tentou a carreira de lutador de boxe; mas um colega de academia, no Brás, lhe capou a vontade e o fez estéril, com um golpe nas partes pudendas.
Depois disso, o seu sonho passou a ser cantor.
Com a ajuda dos amigos Oswaldo e Orlando, compositores em início de carreira, Nelson gravou um acetato para mostrar que poderia ser um grande cantor ao mandachuva da extinta Victor, Vitorio Lattari, por recomendação do vendedor de discos por atacado, Cássio Muniz.
Lattari gostou do que ouviu, mas não acreditou que fosse dele a voz que ouviu do acetato, e sem conversa o expulsou da sala, chamando-o de gago e charlatão.
Dois ou três dias depois, Nelson voltou para se explicar.

O flautista Benedito Lacerda foi a sua salvação.

sábado, 9 de maio de 2015

BRASIL, POVO E CULTURA


“Trabalhar com cultura popular em nosso país não dá, é muito difícil”, disse num tom de desabafo, triste, o cara que deu voz, sorriso e choro à cuíca: Osvaldinho da Cuíca, de batismo Osvaldo Barro, cidadão paulistano nascido no bairro do Bom Retiro num dia de Carnaval.
Osvaldinho, desencantado com o nosso meio musical, acrescentou numa conversa comigo, que está abandonando a carreira.
Ontem 8, fez dois meses que a cantora paulistana da Barra Funda , Inezita Barroso morreu. Pouco antes de eu publicar o primeiro livro a seu respeito (A menina Inezita Barroso; Editora Cortêz, 72 pags.; 2011), ela me contou que fizera uma longa e proveitosa viagem por estados nordestinos colhendo ditos, benditos, cantos populares, coisas do povo enfim. Para colher tudo isso, um tesouro, ela permaneceu na região por meses. Aliás, foi nessa ocasião que ela, pelas mãos do compositor e pianista Capiba, iniciou sua carreira profissional no mundo artístico. Conclusão dessa historieta: ela voltou com centenas e centenas de anotações e, toda feliz, se apresentou à direção da rádio e TV Record e para sua surpresa as pesquisas que fez não despertaram nenhum interesse. Decepcionada ela voltou para casa e chorou, chorou e chorou. Em seguida acendeu a lareira e por horas o fogo engoliu o motivo de sua decepção. “É duro trabalhar com cultura popular”, resumiu a mais importante cantora de sambas e do folclore brasileiros.
Hoje faz nove dias que partiu para Eternidade o cantor e apresentador de rádio e TV Jorge Paulo Nogueira, o homem do Chapéu de Couro.
Jorge foi um dos nomes mais conhecidos da televisão e da radiofonia de São Paulo a partir do começo dos anos de 1960. Ele apresentou programas na Bandeirantes, Gazeta, Record, Cultura e Globo, com muito sucesso. Por seus programas passaram Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marinês, Carmélia Alves, Oswaldinho do Acordeon e todo mundo.
Você amigo/amiga, viu ou leu alguma notícia a respeito da morte do Jorge Paulo?
No correr do mês passado morreram três sanfoneiros famosos: Mangabinha, Camarão e Severo.
Severo acompanhou por muitos anos o rei do ritmo, Jackson do Pandeiro.
Você amigo/amiga, viu ou leu alguma notícia a respeito da morte desses artistas?
Pois, infelizmente, está mais do que provado que trabalhar com cultura popular no nosso país não é bolinho, não.
Certa vez, no programa São Paulo Capital Nordeste que apresentei por mais de seis anos na rádio Capital AM 1040, apareceu de supetão o maestro João Carlos Martins. Como muita gente ainda lembra, o programa era uma festa só, e transmitido ao vivo para todo o País. Comigo, naquele dia, estavam Pery Ribeiro, Claudia e o Trio Virgulino, entre outros artistas. De repente, sorrindo, o maestro pegou a sanfona do Enok e dela puxou a melodia de Ciranda, Cirandinha.
Ciranda, Cirandinha é do nosso rico folclore. E aproveito para dizer o seguinte: a cultura popular, seja de onde for, é de muita importância para a identificação de um país, pois é a cultura popular na sua essência que dá identidade a um povo, uma nação. Mas no Brasil, quem poderia entender e chancelar isso, não entende nem chancela.
E pensar que toda a obra de Shakespeare é baseada no folclore da sua terra...

Você já ouviu falar do Instituto Memória Brasil, IMB?


sábado, 2 de maio de 2015

ADEUS, JORGE PAULO

“O Jorge morreu”, disse-me na manhã de hoje, pelo telefone, a querida Nodeci Nogueira, agora viúva do meu compadre Jorge Paulo, o Chapéu de Couro.
A tragédia da perda desse grande amigo ocorreu no último dia 30. Ele foi tragado por um câncer assassino.
Jorge Paulo Nogueira foi um dos maiores cultores e incentivadores da música do Nordeste em São Paulo e no País todo, através dos programas que produziu e comandou nas televisões Globo, Bandeirantes, Cultura e Gazeta e emissoras de rádio.
A sua trajetória profissional nos meios de comunicação foi intensa.
Além de apresentador de rádio e TV, Jorge arriscou-se a navegar na praia dos compositores.
O sucesso que ele fez foi dos maiores, e sem apelação.
Todos os principais artistas do Nordeste passaram pelo palco em que ele foi estrela; mas uma estrela simples, natural, compreensiva. No seu palco coube a presença de artistas iniciantes, como Anastácia, e talentos da grandeza de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Ary Lobo, Gordurinha, Dominguinhos.
Assis, Anastácia e Jorge Paulo

Fora a sua atuação nos diversos meios de comunicação, Jorge Paulo também foi ator de cinema e da cena política nacional, como, primeiramente, vereador em São Paulo e depois Deputado Federal.
Suas campanhas políticas foram embaladas por trilhas sonoras criadas pelo Rei do Baião. Aliás, o Rei do Baião teve sua última participação no cinema no filme Chapéu de Couro, de 1978. Nesse filme, Jorge tem grande atuação.
O corpo de Jorge Paulo Nogueira foi sepultado hoje à tarde no Morumbi.
Viva Jorge Paulo! 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

ASSIS ÂNGELO: 40 ANOS


No começo dos anos de 1970, eu ainda atuava na imprensa paraibana; no Jornal Correio da Paraíba, como editor de Local, e no rádio, de mesmo nome, como locutor noticiarista. Naquele tempo, demonstrava grande interesse pela cultura popular do nosso país. 
Outro dia mexendo no acervo que deu base à criação do Instituto Memória Brasil- IMB, deparei-me com alguns livros e discos datados - e autografados daquela época. Quer dizer: a quatro décadas iniciava a formação desse acervo, considerado um dos pouquíssimos mais importantes do Brasil em mãos de particular. 
Nos últimos anos, centenas e centenas de estudantes e pesquisadores profissionais desenvolveram teses e estudos sobre a temática da música e da cultura popular, em geral. Pelo acervo inúmeros grupos de estudantes construíram seus TCC´s, mestrados e doutorados. Já estiveram fazendo pesquisas no acervo, pessoas procedentes de vários países, entre os quais Estados Unidos, Itália, Japão e França. O acervo Assis Ângelo é constituído por cerca de 150 mil itens, incluindo discos de todos os formatos (76,78,33,45), MD´s, fitas cassetes e VHS, jornais e livros centenários, milhares de partituras e fotos de várias épocas e documentos em geral.
Historiadores como José Ramos Tiorão concluíram, no Acervo pesquisas que renderam livros. Ao visitar o acervo o brazilianista Mark Currian, encantado com o que vira, disse que iria desistir de fazer pesquisas sobre a sua especialidade: a cultura popular brasileira. Há muitas histórias amealhadas em torno do acervo. Certa vez o premeadissimo tropetista norte americano Winton Masalys me disse uma coisa curiosa: "Se você fosse norte americano, o nosso governo lhe proporcionaria todas as condições para que você pudesse desenvolver suas pesquisas". Curioso, não? Triste também.

sábado, 11 de abril de 2015

O Brasil continua perdendo.....

O Brasil continua perdendo.....

Mais um ser pensante acaba de nos deixar: Bárbara Heliodora.
Bárbara -sem trocadilhos- respeitou até o fim o nome que seus pais lhe deram, á pia batismal.
O Brasil continua perdendo, sim.
Lá no passado tínhamos grandes nomes das artes que nos nutriam de conhecimentos. Eram escritores como Machado de Assis e Monteiro Lobato, que além de criarem, escreviam sobre criações de outros criadores.
Eram autores que escreviam com a facilidade dos gênios
Lá atrás havia quem criticasse profissionalmente,
Tanto no campo da literatura, quanto no campo das artes plásticas etc.
Ainda lá atrás em São Paulo houve um Mário de Andrade; no Rio Grande do Norte, Luís da Câmara Cascudo; no Rio de Janeiro....
E assim partiram Mario Pedrosa- primo de Vandré, sobre quem, aliás, não escreveu nada, Sábato Malgadi e agora parte a Bárbara uma das melhores inteligências que pensaram Shakespeare.
Você sabia que a base de toda a obra de William Shakespeare se acha no campo da cultura popular de seu país.
Viva Barbara Heliodora!

Café da manhã

O editor José Côrtez abrilhantou hoje, com sua presença, o ambiente de estudos do Instituto Memória Brasil, IMB. Durante e após o café da manhã, ao lado das recém formadas em Serviço Social: Ana Maria, Nanci Tavares e Patricia Matos. Côrtez contou um pouco da sua história e da história da editora que criou: Côrtez Editora, que neste 2015 está completando 40 anos de fundação. Côrtez é natural do Rio Grande do Norte.
O primeiro livro da editora foi Metodologia do trabalho Cientifico de Antonio Joaquim Severino. Esse livro já passa de 1 milhão de exemplares vendido.

Viva a Côrtez Editora!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

DE ECLIPSES E OUTROS MISTÉRIOS


O seis de abril é dia marcante na história do Brasil e do resto do mundo. Nesse dia, um dia como hoje, em 648 A.C.  era registrado pelos doidos da época o mais antigo eclipse solar. Os doidos eram os gregos, que hoje comem o pão que o diabo amassou ao se submeterem às rédeas do bloco político-econômico liderado pela Alemanha, França e outros países integrantes da União Europeia, que têm no Euro o seu deus.

Nesse dia e mês, em 1919, logo ali em Pernambuco, boa parte do Nordeste tomava ciência da inauguração da primeira emissora de rádio do País: a Rádio Clube de Pernambuco, que teve à frente o nosso primeiro radialista: Antônio Joaquim Pereira, um dos tantos telegrafistas que atuavam em empresas dos correios. E curiosamente nesse mesmo ano, no Rio de Janeiro, o nosso primeiro grande cantor, Chico Alves, registrava a sua voz em disco.


Francisco de Morais Alves (1898-1952), gravou pela primeira vez, de modo independente, no selo O Popular, a marcha O Pé de Anjo. Essa música (clique abaixo) foi composta pelo polêmico Sinhô, de batismo José Barbosa da Silva (1888-1930).

Essa história de produção de discos independentes é história pra lá de longe, não é mesmo? E pra lá de longe também se acham os mistérios da vida.

Já li e reli o Velho e o Novo Testamento bem mais de uma vez e não encontrei nenhuma descrição da fisionomia - e corpo - do filho de Deus, Jesus Cristo. O que os nossos olhos registram até hoje são versões de grandes pintores de muitos tempos passados, como Michelangelo.
Por que isso?
A vida encerra mistérios que a própria vida desconhece.

Você sabia que a primeira gravação de um cantor no Brasil foi feita em 1902? E que nada ou muito pouco se sabe desse cantor, que entrou para a história da nossa música pelo sobrenome Bahiano?
Você sabia que o primeiro  poema gravado em disco no Brasil foi do bahiano Castro Alves?
Você sabia que...
Pois é, sabemos muito pouco de tudo o que ocorreu e ocorre no nosso cotidiano.
Que vivam os mistérios.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

SINÔNIMOS DO BEM-VIVER

Fé, esperança e amor são sinônimos do bem-viver em qualquer sociedade humana. Com fé, esperança e amor pode-se viver em paz.
A Paz é a bandeira da vida.
Pois é, refletir é o exercício que pode nos tornar melhor.
No calendário católico há datas de extrema importância na vida cotidiana de todos nós, como o chamado “Tríduo Pascal”.
O tríduo começa Sexta Santa, segue no Sábado de Aleluia e termina no Domingo de Páscoa.
Esse período é de reflexão, de lembrança, de renovação, fé, esperança e amor por nós próprios e pelo próximo.
Na Bíblia é dito que Deus criou o mundo, tudo e todos que nele há, inclusive o seu Filho que veio bem depois pelo milagre do Espírito Santo.  
A história é comprida.
O Cristianismo data de dois mil e poucos anos, pelo calendário gregoriano.
No correr de todo esse tempo, os homens se mataram, se devoraram entre si pelo poder.
Poder para que?
E nessa busca eterna por “tudo” e pelo “nada”, o homem é o que é: que nem um gato ou macaco passa a vida correndo atrás do próprio rabo.
Com exceção de rock`n roll - pois sexo tem à vontade -, na Bíblia se acha todo tipo de história, desde a mulher que engana o homem lhe oferecendo uma inocente maçã, irmão que mata o irmão e pais ofertando a deuses os próprios filhos a sacrifício por uma causa qualquer.
O que eu quero dizer com isso? Simples: a corrupção e outras safadezas existem desde que o mundo é mundo...
Os valores humanos do bom viver em sociedade continuam invertidos.
As narrativas bíblicas mostram que Jesus Cristo foi vítima de uma grande injustiça em Jerusalém, quando Pilatos, mesmo acreditando na sua inocência, lavou as mãos e o entregou aos soldados que o torturaram, antes de matá-lo preso a pregos numa cruz.
Em resumo: aí está a explicação para a irrefreável busca pelo poder.
Os poderosos mataram Cristo.
Uma coisinha: desde moleque, sempre pratiquei o exercício da reflexão. Sempre questionei tudo que me pareceu sem explicação, como a origem de uma flor, o voo de um passarinho e as razões que levam um homem a matar um outro.
Desde moleque, aprendi que Deus está em todo lugar; que Deus é onipresente e que a Ele devemos tudo, inclusive a vida e o conhecimento.
Estudei em colégio de padres, fui coroinha, ouvi e cantei benditos e, ao lado de amigos e familiares, segui procissões.
No correr do tempo, me ensinaram coisas sobre o profano e o sagrado. Foi quando aprendi que a cultura popular é algo de extremo valor e importância na formação de qualquer cidadão.
Para ilustrar o que digo, clique:

sábado, 14 de março de 2015

QUEM SABE FAZ A HORA....

Caminhando e cantando a paz e a esperança por um Brasil mais justo para todos que aqui nasceram e que vivem trabalhando e sonhando.

É isso que acontecerá amanhã em todos os recantos nacionais, da Paraíba a Oiapoque; do Chuí ao Rio Grande do Norte.

Amanhã o Brasil de todas as idades estará nas ruas, nas avenidas e nas praças clamando por um dia melhor.

Na segunda metade do século 19, o baiano Castro Alves, em belíssimo poema, disse que: “ A praça é do povo / como o céu do condor ”.

Mas uma vez o sonho por um tempo melhor vem à luz quando o mundo brasileiro decide passear com calma e naturalidade em busca do seu futuro.

O Brasil é dos Brasileiros

O Brasil é Nosso

No começo dos anos 1950, o bruxo paulista, de Taubaté, Monteiro Lobato previa que o Petróleo – ouro negro – seria uma das nossas maiores riquezas.

Certíssimo, não?

E é o que se vê.

Vamos, pois, as ruas amanhã cantando com calma, paciência e alegria a canção da esperança Pra Não Dizer que não Falei de Flores?, de Geraldo Vandré?

Ah!, sim: quase que eu ia me esquecendo que o mês de março, é um mês muito perigoso, pois em 1964, em março aconteceu o primeiro de abril, que nos deu uma escuridão de 21 anos...

O Brasil amanhã vai as ruas com os seus símbolos de esperança e cantando...












segunda-feira, 9 de março de 2015

O BRASIL CONTINUA CHORANDO, INEZITA PARTIU.


A sensibilidade do artista pernambucano
Jô Oliveira nos leva ao céu
Inezita Barroso foi uma das mulheres mais incríveis que eu já conheci. Viramos amigos nem sei bem desde quando, mas seguramente há mais de trinta anos.
Inezita era uma mulher livre, linda, na sua maneira de ser, viver e compreender as pessoas, todas as pessoas e o mundo. Lembro-me que a mim ela nunca reclamou da sua pessoalidade. Ela era plural e sabia do quão todos somos tão pequenos.
Lembro-me das muitas conversas que tivemos à beira de  copos, na minha e na casa dela. E nos bons restaurantes, claro.
Lembro-me das suas risadas, gargalhadas que o vento levava.
Lembro-me das noites – e madrugadas que passamos no inesquecível Parreirinha.
Lembro-me, sim, daquelas noites alegres e intermináveis ao lado do Miro nos servindo uisquinho de sempre, sem gelo.
Noites, belas noites, com Jamelão, Miltinho, Elifas, Arley, Adoniran, Zé Kéti, Silvio Luiz, Ronald Golias, meus Deus! Quanta gente bonita!
E ela, Inezita, rindo, cantando e brindando a alegria de viver.
Inezita viveu todas as vidas.
Lembro-me de tantas coisas...
Ela partiu no dia em que o mundo se curva à mulher; Corintiana, nesse mesmo dia, 08, o Timão deu de um a zero no São Paulo. ainda nesse mesmo dia à noite, a presidente da República, dona Dilma, foi a televisão para pedir compreensão ao já chumbado povo brasileiro pelos desatinos que tem feito. Foi demais. E aí fico imaginando Inezita olhando para mim com o jeito mais sarcástico do mundo, dizendo: "Tô fora". E Partiu numa gargalhada de fazer inveja ao Jânio.
Hoje, no começo da tarde, estive na TV Cultura falando sobre ela com o meu amigo Zuza Homem de Mello, clique: 
 

Viva Inezita Barroso!

JÔ OLIVEIRA

Só hoje descobri que eu nasci no mesmo dia da Inezita, 4 de março.
Embora todos meus documentos sinalizem o dia 25 de março, eu nasci de verdade foi no dia 4. Está registrado no livro de batismo da igreja de N. S. do Amparo, em Itamaracá.
Abraço,
Jô

- Jô Oliveira, Pernambucano e amigo desde sempre, era o artista do traço por mim escolhido para dar vida ao texto que escrevi sobre Inezita Barroso e que, também com a sensibilidade de Ciro Fernandes ganhou o titulo de A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora 2011).




sábado, 7 de março de 2015

O BRASIL ESTÁ FERIDO, CHORANDO...

O Brasil está doente, o Brasil está chorando, o Brasil está gemendo cheio de dores, o Brasil está ferido pedindo socorro.
No Rio de Janeiro a malária dá as caras sob chuva de balas que matam crianças e adolescentes.
Em São Paulo, um surto endêmico já registra muitos mortos.
Em Brasília, bom, em Brasília há crise de tudo: Energética, econômica, política e de falta de vergonha na cara.
O Brasil é uma pérola que há séculos desperta a cobiça dos espertalhões.
O Brasil tem sobrevivido a todas as invasões, a todas as agressões e infâmias expressas nas mais diversas línguas aqui aportadas desde Cabral.
Você sabe meu amigo, minha amiga, qual é a origem da expressão  “santo de pau oco”?
Pois bem?
A expressão foi cunhada há pelo menos há quatrocentos anos. E surgiu de maneira óbvia e espontânea quando, os primeiros espertalhões que aqui chegaram. Esculpiram em madeira imagens de santos escolhidos a dedos e venerados pela Igreja Católica. Essas imagens eram esculpidas cuidadosamente. Nelas era feito uma cavidade na qual se escondiam riquezas minerais extraídas da nossa terra e enviadas à terras de Além-mar. Surgiam ai os primeiros contrabandistas do ouro brasileiro. Hoje é a desgraceira que se vê.
De novo estão rasgando o coração de Serra Pelada.
São muitas as riquezas naturais do nosso País.
No começo dos anos de 1930, foi desenvolvida uma campanha de alcance nacional para brecar a ambição desmedida dos ratos viciados em roer não a roupa do rei, mas, sim, o erário público. A campanha dizia: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”.
A história mostrou o seguinte, nem uma coisa nem outra ocorreu. E é o que se vê hoje nas grandes estatais como a Petrobras, criada por Vargas em 1953 e tema musical desenvolvido e cantado pelo rei do baião, Luiz Gonzaga.
Em 1956, Gonzaga compôs Marcha da Petrobras. Clique: 

Mas, eu ia dizendo,
O Brasil está chorando...
“Santo de pau oco”, “nem que a vaca tussa”, “a vaca foi pro brejo”, “pingo nos is” e outras expressões que o povo consagrou continuam hoje na boca das autoridades que ocupam a presidência da República, o Senado, a Câmara dos Deputados, o STF etc.
Mas, um detalhe: as expressões que enriquecem a nossa cultura popular são repetidas à exaustão por essas autoridades que, curiosamente, nem sabem a origem dessas e outras expressões que o povo criou.
O que eu quero dizer com isso?
Simples: Os gatunos continuam a garfar o produto do suor do povo enquanto a cultura popular também é expropriada sem que lhe deem o devido crédito ou importância. Isto é: A cultura popular brasileira continua órfã.

O Brasil está ferido, o Brasil está chorando.

quarta-feira, 4 de março de 2015

INEZITA BARROSO, 90 ANOS!

Deus do céu, como esquecer?
A paulistana Ignez Magdalena Aranha de Lima, que o Brasil sensível e consciente dos seus valores conhece por Inezita Barroso, é a grande aniversariante do dia.
Ela conhece a terra como poucos.
Desde criança, ela passava férias escolares ora numa, ora noutra fazenda de familiares no interior de São Paulo.
A menina Inezita, que a molecada do seu tempo chamava de Zita, teve uma infância pra lá de sadia: ela corria de bicicleta, de patins, jogava bola e no campinho da várzea do Pacaembu, ali nas proximidades do bairro onde nasceu - Barra Funda, além de jogar pintava e bordava, pois era literalmente a dona da bola.
Ela cresceu e virou a grande mulher que todos nos amamos.
Conheço Inezita Barroso desde OS começos dos anos de 1980, quando passamos a nos frequentar. Em 2011 eu escrevi A Menina Inezita Barroso (Cortez Editora), o primeiro livro publicado  a seu respeito.
Inezita, além de cantora e violeira, estudou e ensinou a arte de tocar piano. Fora isso, fez teatro e cinema.
A sua carreira artística começou, pra valer, em Recife, PE, pelas mãos do grande compositor e também pianista Lourenço Barbosa da Fonseca, Capiba (1904 - 1997).
Cornélio Pires, paulista de Tietê, foi o primeiro homem a gravar modas de viola. Inezita, foi a primeira mulher.
A carreira dela é compriiida!
Viva Inezita Barroso!
Ah! Ela, durante esses anos todos, tem revelado para a música muita gente boa, como a novíssima Bruna da Viola. Clique: 





terça-feira, 3 de março de 2015

CELIA E CELMA, ESCORPIÃO E COBRA

Dia desse eu disse que o cantor Roberto Luna tem muita história pra contar. Claro, óbvio mesmo, se tratando de quem é: um profissional que deslanchou para o sucesso bem na metade dos anos de 1950. Por ele passaram muito nomes da música popular que a história consagrou, como Silvio Caldas, Orlando Silva, Chico Alves, Nelson Gonçalves, com quem, aliás,  chegou a trocar alguns sopapos.
Como Luna, naturalmente outros grandes artistas trazem na bagagem muitas histórias. Celia e Celma, por exemplo. As duas presenciaram uma cena curiosa – entre tantas - no Rio de Janeiro dos anos setenta, que foi a seguinte:
Maria José, a Dona Zezé, mãe de Carlos Imperial, um dia foi surpreendida pelo filho que lhe mostrou uma gravação de Meu Limão, Meu Limoeiro. Enquanto o disco rodava na vitrola, Dona Zezé pôs as mãos nos quartos e se balançando ironicamente ralhou:
- Tenha vergonha, eu fiz você dormir muitas vezes cantando esta música.
A música em questão, do folclore brasileiro, trazia estampado na etiqueta o nome do filho de Dona Zezé.
Atenção: Vem aí um documentário sobre a vida e “obra” de Carlos Imperial, com a participação das cantoras Celia e Celma.
Mas as duas têm muito, mas muuuuito o que contar.
Na China, por exemplo, as duas só não passaram fome porque a fome é um sintoma natura entendido por todo mundo. E, claro, fecharam os olhos diante de algumas iguarias esquisitas e engoliram o que não viram, como escorpião, grilo, cobra, grelhados e fritos à moda da casa, isto é, à milanesa ou a algo que até agora, o paladar de ambas não conseguiu identificar, mas toda hora que as duas se lembram do que ingeriram se arrepiam.
No Japão, um fã desses apaixonadíssimos à primeira vista, delas lhes ganhou a confiança e as levava quase toda noite para conhecer restaurantes com iguarias exóticas. Numa dessas ocasiões, as duas estavam comendo qualquer coisa com pauzinhos, quando de repente lhes chamaram a atenção algumas figurinhas carimbadas do cinema do Tio Sam: Gregory Peck, Rock Hudson, Kirk Douglas, Tony Curtis, Jack Palance, Burt Lancaster e Charlton Heston. As duas se levantaram e foram trocar um dedo de prosa com eles. De todos o mais animado deles era Heston, que queria saber tudo sobre o Brasil: Futebol, carnaval e praia.
Hoje elas lamentam o fato de não portarem naquela ocasião uma dessas maquininhas simples de fazer retrato, como o celular.


 CAUBY PEIXOTO
O cantor Cauby Peixoto está fora de combate há três semanas, num hospital da capital paulista.

Os médicos ainda não permitiram visitas ao paciente que está com 84 anos de idade.

segunda-feira, 2 de março de 2015

E O BELCHIOR, PIROU?

Faz tempo que não falo com Belchior. Uma das últimas vezes foi no programa São Paulo Capital Nordeste (ao lado), que apresentei durante mais de seis anos na Rádio Capital AM 1400 kHz.
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernades é um um cearense cantor, compositor, instrumentista e, no meu ponto de vista o principal intelectual da Música Popular Brasileira. 
Por que digo isso?
Belchior foi seminarista - fala com domínio até o latim - e por pouco não virou padre, quando padre era referência do que melhor existia como ser pensante. Claro, na nossa música popular - e também na música erudita - tivemos e temos grandes criadores, grandes compositores como Orestes Barbosa e Paulo Vanzolini entre outros.
Conheço Belchior faz tempo e goto da música dele e do seu jeito muito peculiar de cantar. Sempre foi profundo no que vez.
Ele frequentou a minha casa e meus filhos achavam graça do seu jeito de falar e tiravam onda do seu bigode.
Mas Belchior sumiu. Está em local incerto e não sabido e seus amigos feito doidos querendo dele pelo menos notícias.
Onde andará o Bel?
Bel é como os amigos o chamam, na intimidade.
Pois bem, o Bel sumiu do convívio natural dos amigos no mesço de 2006. Nesse ano, eu participava uma ou duas vezes de um programa, ao vivo,  na rádio record chamado "Balanço Geral". Lembro que numa das edições desse programa convidei o cantor, compositor, showman piauiênse Jorge Mello, parceiro do Bel em 29 canções. Jorge me disse que meses antes recebera um telefonema do amigo. Foi um telefonema muito estranho, no qual Belchior perguntava dos amigos do passado como Mesquetinha. "Não entendi nada, foi uma conversa estranha e confusa", lembrou Jorge acrescentando que naquela ocasião o Bel já estava "sumido".
Três anos depois, na última semana que antecedeu o fim de agosto de 2009, o programa Fantástico, da TV Globo, trouxe notícia e uma  curiosa  e confusa entrevista que beirou o surreal com o coautor de Mucuripe, um dos clássicos da MPB; e, diga-se de passagem, reconhecida como uma das pérolas musicais até pelo autor de Disparada e Caminhando, Geraldo Vandré. Aliás, os dois são amigos de longa data.
Por onde andará Belchior?
Dizem que endoidou, mas não acredito nisso.

 RIO, 450 ANOS
A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro completou ontem 450 anos de fundação. São Paulo, completou essa idade 11 anos antes.
Foi uma festa e tanto a do Rio de Janeiro, com espetáculo inesquecível que contou com a presença de artístas de primeira grandeza do panorama musical brasileiro, como Paulinho da Viola.
Em 1954, quando São Paulo completou 400 anos, o Brasil inteiro ganhou festa e teve a sua história passada a limpo. Dessa festa participaram nomes como Pixinguinha e Paulo Vanzolini. Foi uma confraternização geral.
Por que digo isso?

Simples: O Brasil se uniu nesse aniversário, sem notas dissonantes de personagens discutíveis da vida brasileira, como o apresentador de uma bobagem lamentável chamada BBB. Quem é esse personagem que disse bobagens sobre São Paulo, agora no aniversário do estado vizinho? Não lembro, mas ouvi isso num programa da Globo apresentado por Fátima Bernardes, marcante como reporter e ex-apresentadora do Jornal Nacional.

domingo, 1 de março de 2015

ELIS, DITADURA E VANDRÉ

Assis e Vandré, no Instituto Memória Brasil, IMB. Reprodução: Darlan Ferreira.
A gaúcha “Pimentinha” Elis Regina disparou para o sucesso a partir das terras paulistanas. Isso, em 1965, quando arrebatou o primeiro lugar do 1º Festival Nacional de Música Popular Brasileira, com Arrastão, do poetinha Vinícius e do seu parceiro Edu Lobo.
Esse foi um ano bastante promissor no campo da nossa música. Geraldo Vandré, por exemplo, lançou um dos seus discos politicamente mais provocativos para o momento que se vivia: Hora de Lutar. O disco, com doze faixas, trazia, para surpresa de muita gente, a belíssima toada nordestina Asa Branca, do Rei do Baião Luiz Gonzaga e seu parceiro cearense Humberto Teixeira. Asa Branca recebeu de Vandré uma das mais belas interpretações.
Vivíamos sob a símbolo da chibata, isto é: da botina e da baioneta.
Elis é considerada até hoje uma das maiores cantoras do País.
José Ramos Tinhorão, um dos nossos mais sérios historiadores, achava que ela cantava bem, sim, mas não tinha “alma” ou sentimento. Sempre discordei. Sem alma ou sentimento e com técnica acima do convencional é, até hoje, para mim, a baiana Gal Costa.
Conheci Elis no final dos anos de 1970, na Folha de S.Paulo. Ela acabara de nos dar entrevista para o extinto suplemento dominical Folhetim. A época, editado por Osvaldo Mendes, jornalista, ator e autor dos melhores que temos, provocava encontros/debates com grandes nomes da vida cultural do Brasil. Lembro que lhe perguntei sobre o Vandré. E ela, rindo, respondeu: “Ele é muito complicado”.
Vandré também achava Elis “complicada” e sobre Asa Branca, rindo de modo maroto, certo dia ele me disse: “Eu também gosto da interpretação”.
Mas Vandré gostava muito da Dalva de Oliveira, para mim – e para ele – uma cantora brasileira sem concorrência.
Você já ouviu a gravação de Asa Branca, com Vandré? Clique 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

OBRA DE MÁRIO DE ANDRADE AGORA É DO POVO

Fevereiro de carnaval e alegria.
Fevereiro de carnaval e tristeza 
pelo passamento de um dos mais importantes intelectuais brasileiros: Mário de Andrade.
Fevereiro termina hoje trazendo a lembrança da finitude material do autor paulistano de Macunaíma.
Mário Raul Moraes de Andrade, que no começo da carreira literária apresentava-se como Mário Sobral, foi o teórico e um dos organizadores da histórica Semana de 22 realizada no teatro municipal de São Paulo.
Nascido no dia 9 de outubro de 1893, Mário foi romancista, poeta, pianista, musicólogo, compositor bissexto, político (foi secretário municipal de cultura de São Paulo), pesquisador (de campo), jornalista (de O Estado S.Paulo) e amigo dos amigos. Na madrugada de 25 de fevereiro, um sábado Mário sofreu um colapso e minutos depois já era saudade.
Ao completar agora 70 anos do seu falecimento, toda a sua obra cai em domínio público.  

Você sabia que Viola Quebrada é uma moda de autoria de Mário de Andrade? Se sim ou se não, clique e ouça a belíssima gravação na voz de Inezita Barroso.


PESQUISA NO IMB
O jornalista José Hamilton Ribeiro, acompanhado do craque da fotografia Ernesto, 
esteve hoje de manhã fazendo pesquisa sobre moda de viola e caipiras no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB. No registro fotográfico acima, de Darlan Ferreira, 
Ernesto, Zé e Assis.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ROBERTO LUNA, O REI DO BOLERO

Roberto Luna em visita ao IMB;
abaixo, ele interpretando seu maior sucesso: Molambo


Valdemar Faria nasceu em Serraria no dia primeiro de dezembro de 1929.
Valdemar que o Brasil todo conhece pelo pseudônimo artístico de Roberto Luna, começou a carreira de cantor quando tinha nem vinte anos.
E começou bem.
Cercado por grandes seresteiros da época, entre os quais Orlando Silva, Sílvio Caldas e Nelson Gonçalves, Luna chegou a participar de uma das últimas gravações do rei da voz Chico Alves.
Roberto Luna - Atenção! - integrou o coro que se ouve na regravação da canção "Serra da Boa Esperança" feita nos estúdios da RCA Victor, RJ, no dia 24/9/1952, composição do carioca Lamartine Babo. 
Detalhe: Desse coral também fazia parte Odaléa.
Não caiu a ficha?
Pois é, Odaléa era uma dançarina da noite carioca e para reforçar a bolsa se virava como podia, inclusive participando de gravações em discos de 78 voltas.
Ainda não caiu a ficha?
Então, lá vai:
Odaléa veio a ser a mãe do cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., que todo mundo passou a conhecer como o filho do rei do baião, Luiz Gonzaga.
Roberto Luna, o rei do bolero, tem muita história pra contar.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

DIA DE CÃO

Trânsito travado e eu dentro de um táxi em São Paulo, cidade selvagem que há anos escolhi para viver – e trabalhar - de livre e espontânea vontade até o tempo que me for possível.
Travada e com trilha sonora ensurdecedora, recheada de gritaria, xingamento e buzinação de timbres diversos.
Aparentemente tranquilo, do alto de sua experiência o taxista com uma risadinha de lado, cínica, diz que no Brasil é tudo assim mesmo, dotô.
Aquela fala tranquila que diz ser nordestina ao incauto pode parecer estar se referindo ao ano chinês, de cabra verde de madeira, que esta se iniciando. Mas, não, é isso a que o motorista se refere.
A sua observação me remete à máxima segundo a qual o ano brasileiro (de cachorro louco?), todo ano brasileiro, começa mesmo depois do Carnaval.
Tudo aqui começa depois do Carnaval. Mas não imediatamente após, pois por ai, se se aguçar bem os ouvidos, é possível ouvir lá longe o gemido ou miado exausto de um tamborim ou cuíca roncando na hora de sua morte, amém.
Pra mim, o dia de hoje foi um dia sem fim.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

POVO E CARNAVAL

Ninguém fez mais eu faço a seguinte pergunta: O Carnaval faz parte do universo da cultura popular?
Visto daqui diante da telinha própria da máquina de fazer doido a que se referia o Ponte Preta, sim. Porém de outro prisma, não.
O Carnaval desde as suas origens remotas, o povo não era parte excludente.
Hoje, sim.
No começo era o Entrudo (imagem ao lado)depois, e ainda no século dezenove, o Carnaval era ainda brincadeira de rua, com cordões famosos, blocos e já no século vinte, escolas.
A primeira escola no Rio chamou-se Deixa Falar; em São Paulo, Lava Pés.
Era tudo feito e brincado de modo espontâneo, até que as escolas se profissionalizaram.
E hoje o que se vê é a contravenção marcando presença num batecumbum que se ouve a partir dos Sambódromos e a partir daí o povo foi excluído para dar lugar à elite que não brinca em serviço.
Em suma: Não há cultura popular sem povo.
Em grandes cidades brasileiras, como Recife, a espontaneidade popular no Carnaval ainda perdura com seus blocos atraindo milhares de foliões, mas há um detalhe: essa espontaneidade ganha eco na forma antiga do Entrudo, em que se sentia prazer e achava-se graça no mau comportamento em que o próximo era a vitima; isso, aliás, tem ocorrido de maneira lamentável em bairros famosos como o paulistano Vila Madalena, onde desajustados se divertem na sujeira e no aperreio do próximo.
 A Madalena transformou-se numa espécie de Sodoma e Gomorra. E isso não é folia, tampouco folia saudável.
Será que estamos voltando ao pior da Idade Média?

ESCÂNDALO

O homem corrompe e é corrompido desde que desceu da árvore e passou a andar equilibrando-se em duas pernas. Rouba-se e mata-se com a naturalidade dos anjos. Isso no mundo todo. Agora mesmo, no Brasil, as denuncias de corrupção estão alcançando índices tsunâmicos. Da Europa vem à notícia de que milhares e milhares de contas de ditadores, ladrões, assassinos, e outros e outros, incluindo brasileiros foram abertas no HSBC suíço. Um detalhe me chamou a atenção: o jornalista Peter Oborne pediu demissão do diário londrino Deily Telegrapg e sabem o motivo? Simples: o Jornal não está cobrindo o escândalo provocado pelo HSBC. Pois é! Que lição poderemos tirar daí?






sábado, 21 de fevereiro de 2015

TEM CONTRAVENÇÃO NO CARNAVAL

Eu desafio a qualquer seguidor deste blog ou não, a cantar de memória qualquer samba de enredo de quaisquer escolas de samba, seja do Rio de Janeiro ou de São Paulo.
Claro, talvez só seus autores e puxadores ou fanáticos em último grau das escolas.
Não nego que a maioria desses sambas traz no enredo histórias interessantes e mais das vezes necessárias ao conhecimento e lembrança. Os sambas de enredo são feitos para fazer brilhar as suas escolas e seus puxadores, evidentemente.
Claro, que no passado há autores cujos nomes permanecem vivos na memória: Mano Décio, por exemplo.
Aliás, o primeiro samba de enredo com essa denominação foi carimbado por Mano Décio e Fernando Barbosa.

-> O Fim dos sambas de enredo

Não quero falar aqui de saudosismo, mas não custa lembrar que os carnavais de outrora traziam no seu bojo um charme muito especial, que era o brincar por brincar.
La atrás era o povo simples honesto e trabalhador que fazia o Carnaval para si.
Em suma o Carnaval era do povo para o povo.
Sem dinheiro sujo, Carnaval não seria o mesmo, diz Neguinho da Beija-Flor Hoje o Carnaval virou um negócio com um quê de muita beleza e perigo mortal, por ser produzido por profissionais de extremo requinte e financiado por “empresários” do submundo do crime. E não duvidem, inclusive por que entrevista do puxador Neguinho da Beija Flor à Rádio Gaúcha não deixa duvidas. Clique.
Pois é, e claro que isso não é surpresa.
Mais tarde, a partir das 21hs, tem mais desfile na Marques de Sapucaí, no Rio. A última a desfilar é a Campeã Beija Flor, com o samba de enredo patrocinado por dinheiro sujo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

UM RIO CHEIO D'ÁGUA

Depois das cinzas, muito porre, orgia e arrependimento os foliões voltaram à vidinha do feijão com arroz.
Os estragos, como lembranças presas à retina ficaram para trás.
N'alguns pontos da Capital paulista, como a Vila Madalena, ficaram os restos orgíacos de quem não nasceu para conviver em sociedade.
Um horror!
Muito bicho com cara de gente foi visto nas ruas da cidade, em bandos.
Agora juntem-se o horror e a beleza, O dinheiro sujo de sangue e miséria com risos, brilhos e fantasias.
O resultado é êxtase sob as palmas do mundo.
Não dá para esquecer nesse processo a dinheirama que o ditador da  Guiné Equatorial despejou na conta dos donos da beija-flor.
Quatro décimos levaram á vitória a Beija-flor.
Foi tudo muito bonito, inclusive a poética contida no enredo. Entendo, porém, que a ética é um bem impagável, e como tal, qualquer cidadão, de qualquer lugar dele deva se orgulhar.
Um cidadão aético não é cidadão.

Depois de muito tempo, o Rio Piracicaba transbordou. Foi hoje. Com isso enormes volumes d'água seguiram para o Rio Tietê e do Tietê para o Paraná, para a Argentina e de lá, para o mar.
O que quero dizer com isso?
Quero dizer da incompetência e da indiferença dos nossos governantes que não mexem uma palha para, por exemplo, criar um meio para guardar ou represar a água que sobra dos rios.
É pra chorar ou não é?

Para lembrar uma cantiga que trata do Rio Piracicaba, clique: 

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